sábado, 24 de setembro de 2016

UM HEDONISMO ANTICRISTÃO

 
   O hedonismo é o desvio  moral que faz do prazer a finalidade da vida e o elemento último a procurar nos atos dela.

   O Papa Pio XII de feliz memória, na alocução que fez sobre o apostolado das parteiras, fala sobre isto. É o que aqui transcreveremos:

   "Ai! vagas incessantes de hedonismo invadem o mundo e ameaçam submergir na maré montante dos pensamentos, dos desejos e dos atos toda a vida conjugal, não sem criar sérios perigos e grave dano para a função primária dos esposos.

   Esse hedonismo anticristão, sobejas vezes as pessoas não se envergonham de erigi-lo em doutrina, inculcando o desejo de tornar sempre mais intenso o gozo na preparação e na realização da união conjugal, como se, nas relações conjugais, toda a lei moral se reduzisse ao cumprimento regular desse ato, e como se tudo o mais, de qualquer maneira que o façam, se achasse justificado pela efusão do amor mútuo, santificado pelo sacramento do Matrimônio, digno de louvor e de recompensa perante Deus e perante a consciência. Com a dignidade do homem e com a dignidade do cristão, que põem um freio nos excessos da sensualidade, com isto ninguém se preocupa!

   Pois bem! não. A gravidade e a santidade da lei moral cristã não admite uma satisfação desenfreada do instinto sexual, nem essa tendência exclusiva ao prazer e ao gozo; ela não permite ao homem racional deixar-se dominar até esse ponto, nem no que diz respeito à substância nem no que concerne às circunstâncias do ato. 

   Alguns quereriam sustentar que a felicidade no casamento está na razão direta do gozo recíproco nas relações conjugais. Não; pelo contrário, a felicidade no casamento está na razão direta do respeito mútuo entre os esposos, mesmo nas suas relações íntimas; não porque eles julguem imoral e repilam aquilo que a natureza oferece e o que o Criador deu, mas porque esse respeito e a estima mútua que ele gera são um dos elementos mais sólidos de um amor puro e por isto mesmo, tanto mais terno. 

   (,,,) Fazei ver como a natureza deu, é verdade, o desejo instintivo do gozo e o aprova nas núpcias legítimas, mas não como fim em si, e sim, em suma, para o serviço da vida. Bani da vossa mente esse culto do prazer, e fazei como melhor puderdes para impedir a difusão de uma literatura que se julga obrigada a descrever em todas as suas minúcias as intimidades da vida conjugal, a pretexto de instruir, de dirigir e de tranquilizar. Para tranquilizar as consciências timoratas dos esposos, basta, em geral, bom senso, instinto natural e uma breve instrução sobre as claras e simples máximas da lei moral cristã. Se, em algumas circunstâncias especiais, uma noiva ou uma esposa novata precisasse de amplas informações sobre algum ponto particular, pertencer-vos-ia dar-lhes delicadamente uma explicação conforme à lei natural e à sã consciência cristã. 

   Este nosso ensino nada tem a ver com o maniqueísmo e com o jansenismo, como alguns querem fazer crer para se justificarem. Ele é pura e simplesmente uma defesa da honra do casamento cristão e da dignidade pessoal dos esposos. 

  NB:   Com certeza, não faltará quem me chame de retrógrado por transcrever estas normas. Mas respondo que, se elas tivessem sido observadas não estaríamos com tantos casamentos desfeitos. Porque muitos casamentos são feitos colocando Deus fora de si mesmos e entregando-se às paixões como o cavalo e o jumento. É o que aconteceu com os sete que sucessivamente se casaram com Sara, e o demônio Asmodeu matou-os no primeiro dia, como lemos na Bíblia. Leiam Tobias VI, 16 e 17. 

Um comentário:

  1. O hedonismo anticristão a que se refere é o típico de materialistas que têm na satisfação dos sentidos o fim único, nada ou muito pouco adotam de transcendente e se fixam nos prazeres, tipo "aproveitar a vida", bem reportando a S Paulo, citando o poeta pagão Menandro: "comamos e bebamos, pois amanhã morreremos".
    Mas que a midia com intuitos maléficos instiga o hedonismo convertendo aqui num "paraíso", ainda mais espalha essa falsidade!

    ResponderExcluir