sexta-feira, 30 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS NOS DÁ POR MÃE SUA PRÓPRIA MÃE


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
30º dia de junho

Não há corações mais intimamente unidos do que o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria. Afinal, o Coração de Jesus saiu do Coração de sua Mãe Santíssima. Foi  nela que o Espírito Santo operou o mistério inefável da Encarnação do Verbo Eterno de Deus. E Maria Santíssima não só nos trinta anos de vida oculta de seu Filho, esteve com todo carinho e amor junto d'Ele, mas também no primeiro milagre operado por Jesus e em muitas outras ocasiões. Mas especialmente, o seu Coração Imaculado estava junto do de seu Filho lá no Calvário.

Junto a Cruz Maria estava de pé. Nem a angústia do coração, nem as injúrias do povo, a crueldade dos algozes ou perigo da morte podiam apartá-la de Jesus, seu querido Filho. Seu coração estava pronto a morrer na presença de Jesus ou a assistir-Lhe na agonia. De todos os Apóstolos só o predileto de Jesus, São João Evangelista, estava ao lado de Maria Santíssima.

Ao ver a Virgem Mãe e o discípulo virgem, tão amados do Coração Divino, disse Jesus, olhando para a Mãe: "Mulher (que em hebraico significa Senhora), eis aí teu filho". Depois, dirigindo-Se ao discípulo, representante de todos nós, disse-lhe: "Eis aí tua Mãe". E desde esta hora o discípulo a tomou por Mãe; e depois levou-A para sua casa. (cf. Jo. XIX, 26 e s.).

Justamente quando os homens levavam ao auge a sua malícia, quando não cessavam de afligir o Coração de Jesus com injúrias, ele superabundou em amor e nos deu sua Mãe por Mãe Nossa. O Coração de Jesus instituíra no dia anterior à sua morte, a Santíssima Eucaristia, não nos querendo deixar órfãos. Mas também fez, momentos antes de morrer, o que nenhum humano pode fazer: deu-nos por Mãe a sua própria Mãe, a melhor de todas as mães.

Neste ato, o Coração de Jesus mostra, outrossim, o desvelo e cuidado por sua Mãe, provendo à honra e ao amor que lhe eram devidos. Jesus mostra que o Seu Coração e o Coração de sua Mãe Santíssima, devem ao mesmo tempo, ser conhecidos e juntamente amados.

Nós, pobres pecadores não podemos calcular toda grandeza e intensidade do amor do Coração de Maria por seu Filho e seu Deus. É algo inefável! Não há no céu e na terra criatura que prestasse tantas honras e dedicasse tanto amor a Jesus, quanto a sua Mãe Santíssima. A Santíssima Trindade empregou todo seu amor e poder em preparar aquele Coração de Mãe, com a capacidade de amar um Filho que é também o Filho do Altíssimo. Portanto, em parte alguma se poderia encontrar um coração que fosse tão unido e agradável ao Coração de Jesus qual foi o Coração Imaculado da Virgem Mãe.  Por outro lado, o Coração de Jesus quis e quer ver o Coração de sua Mãe, em toda parte e sempre, honrado e amado. O Coração de Jesus quer que, em qualquer parte do mundo, e até a consumação dos séculos, onde for adorado o Seu Coração, seja venerado de modo todo singular, o Coração Imaculado de Sua Mãe Santíssima.

Maria Santíssima compartilhando as dores de Jesus, nos adotou ao pé da cruz. Como nossa Mãe, devemos prestar-lhe honra todos os dias da nossa vida, lembrando-nos de quanto Ela sofreu com Jesus por nossa causa. Devemos reconhecer este grande dom do Coração agonizante de Jesus, ao dar-nos uma tal Mãe. Depois que Jesus se deu a si mesmo por nós na Eucaristia, quis dar-nos a sua Mãe para ser a nossa Mãe também. Assim, o Coração materno de Maria Santíssima transborda de singular afeto, compaixão, amor e solicitude pelos seus filhos.

O Coração de Maria, formado à semelhança do Coração de Jesus, a todos se acha aberto sob o dulcíssimo título de Coração materno. Por intermédio do Coração Imaculado de Maria seremos introduzidos no Coração de Jesus. Pois, pela Virgem Maria , Jesus Cristo veio aos homens e também por Ela, Deus quer que cheguemos até Jesus. Quaisquer graças que desejarmos obter de Nosso Senhor Jesus Cristo, devemos recomendá-las a Maria, nossa Mãe, para que ela, sendo Mãe de Deus e nossa, invoque em nosso favor o Coração Sacratíssimo de Jesus. Na verdade os direitos maternos que Nossa Senhora possuiu e exerceu na terra, não os perdeu no céu, onde, como Soberana de todos os anjos e santos, reina com Jesus, seu divino Filho.

Ao comparecer ao tribunal no Juízo teremos a dulcíssima consolação de ter por Advogada junto ao Juiz, sua Mãe e nossa Mãe! Esta Mãe, a quem o Juiz deu todo o poder sobre o seu Coração, intercederá ao seu Filho em favor dos seus outros filhos que somos nós seus devotos. Amém!


quinta-feira, 29 de junho de 2017

O SACERDOTE É O AMOR DO CORAÇÃO DE JESUS


Catecismo do Santo Cura d'Ars sobre o Sacerdócio

   Meus filhos, chegamos ao sacramento da Ordem. É um sacramento que parece não dizer respeito a ninguém dentre vós, e que diz respeito a toda gente. Esse sacramento eleva o homem até a Deus. Que é o sacerdote? Um homem que ocupa o lugar de Deus, um homem que é revestido de todos os poderes de Deus. "Ide, diz Nosso Senhor ao sacerdote, assim como meu Pai me enviou, assim eu vos envio... Todo poder me foi dado no céu e na terra. Ide, pois, instruí todas as nações... Quem vos escuta a mim escuta; quem vos despreza a mim despreza".
   Quando o padre perdoa os pecados, não diz: "Deus te perdoe". Diz: "Eu vos absolvo". Na consagração, ele não diz: "Isto é o corpo de Nosso Senhor". Diz: "Isto é o meu corpo".
   São Bernardo diz que tudo veio por Maria. Podemos dizer também que tudo nos veio pelo sacerdote: sim, todas as venturas, todas as graças, todos os dons celestes.
   Se não tivéssemos o sacramento da Ordem, não teríamos Nosso Senhor. Quem foi que o pôs aí neste tabernáculo? Foi o padre. Quem foi que recebeu vossa alma à entrada na vida? O padre. Quem a alimenta para lhe dar a força de fazer a sua peregrinação? O padre. Quem a prepara para comparecer perante Deus, lavando essa alma pela primeira vez no sangue de Jesus Cristo? O padre, sempre o padre. E se essa alma vier a morrer, quem a ressuscitará? Quem lhe restituirá a calma e a paz? Ainda o padre. Nos vos podeis lembrar de um só benefício de Deus sem encontrardes, ao lado dessa lembrança, a imagem do padre.
   Ide-vos confessar à Santíssima Virgem ou a um anjo: eles vos absolverão? Não. Dar-vos-ão o corpo e o sangue de Nosso Senhor? Não. A Santíssima Virgem não pode fazer descer seu divino Filho à hóstia. Tivésseis aí duzentos anjos, e eles não poderiam absolver-vos. Um padre, por mais simples que seja, pode-o; pode dizer-vos: "Ide em paz, eu vos perdôo". Oh! como o padre é alguma coisa de grande!
   O padre só será bem compreendido no céu... Se o compreendêssemos na terra, morreríamos, não de pavor, mas de amor...
   Os outros benefícios de Deus de nada nos serviriam sem o padre. De que serviria uma casa cheia de ouro, se não tivésseis ninguém para vos abrir a porta? O padre tem as chaves dos tesouros celestes; é ele quem abre a porta; ele é o ecônomo de Deus, o administrador dos seus bens.
   Se não fosse o padre, a morte e a paixão de Nosso Senhor de nada serviriam. Vede os povos selvagens: de que lhes serviu que Nosso senhor morresse? Ai! eles não poderão ter parte nos benefícios da redenção enquanto não tiverem padres para lhes fazerem a aplicação do seu sangue.
   O padre não é padre para si; não dá a si a absolvição, não administra a si os sacramentos. Ele não é para si, é para vós.
   Depois de Deus o sacerdote é tudo!... Deixai uma paróquia vinte anos sem padre, adorarão ali os animais.
   Se o senhor missionário e eu fôssemos embora, vós diríeis: "Que fazer nesta igreja? Não há mais missa. Nosso Senhor não está mais nela, tanto vale rezar em casa..."
   Quando se quer destruir a religião, começa-se por atacar o padre, porque onde quer que não haja mais padre, não há mais sacrifício, e onde não há mais sacrifício, não há mais religião.
   Quando um sino vos chama à igreja, se vos perguntassem: "Onde ides?" Poderíeis responder: "Vou alimentar minha alma". Se vos perguntassem, mostrando -vos o tabernáculo: "Que é essa porta dourada? É a copa: é o guarda-comida de minha alma. Quem é que tem a chave dele, quem faz as provisões, quem apronta o festim, quem serve à mesa? É o padre. - E a comida? - É o precioso Corpo de Nosso Senhor..." Ó meu Deus, meu Deus, como nos amastes!
   Vede o poder do padre! A língua do padre, de um pedaço de pão faz um Deus! É mais que criar o mundo. Alguém dizia: "Santa Filomena obedece então ao Cura d'Ars? Certo, ela bem pode obedecer-lhe, já que Deus lhe obedece.
   Se eu encontrasse um padre e um anjo, cumprimentaria o padre antes de cortejar o anjo. Este é amigo de Deus, mas o padre faz as vezes de Deus... Santa Teresa beijava o lugar por onde um padre havia passado...
   Quando virdes um padre, deveis dizer: "Eis aquele que me tornou filho de Deus e me abriu o céu pelo santo batismo, aquele que me purificou depois do meu pecado, que dá a comida a minha alma..." À vista dum campanário, podeis dizer: "Que há ali? - O corpo de Nosso Senhor. - E por que está ele ali? - Porque um padre passou por ali e disse missa".
   Que alegria tinham os apóstolos depois da ressurreição de Nosso Senhor, por verem o Mestre que tanto haviam amado! O padre deve ter a mesma alegria vendo Nosso Senhor que ele segura nas mãos...  Dá-se grande valor aos objetos que foram depositados na escudela da Santíssima Virgem e do Menino Jesus em Loreto. Mas os dedos do padre, que tocaram a carne adorável de Jesus Cristo, que mergulharam no cálice onde esteve o seu sangue, no cibório onde esteve o seu corpo, não são porventura mais preciosos?...
   O sacerdote é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo.

domingo, 25 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS E O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
25º dia de junho

Somos não apenas imperfeitos, mas pecadores. E a missão principal de Jesus consiste precisamente em libertar-nos do pecado. São João Batista apontou a Jesus às margens do Jordão e disse: "Eis o Cordeiro de Deus, eis Aquele que tira os pecados do mundo". Jesus Cristo não veio apenas cobrir os nossos pecados. Isto é blasfêmia proferida por Lutero. Segundo o heresiarca, Jesus teria feito uma obra não de purificação interna através do Seu Sangue. E no entanto diz o Apocalipse: "Nos amou (Jesus Cristo) e nos lavou dos nossos pecados nos seu sangue" (Apoc. I, 5). Mas como o Coração de Jesus pleno de amor e misericórdia, aplica o preço infinito de seu Sangue derramado em sua Paixão e Morte e até a última gota através da abertura da lança feita em seu Coração já morto mas sempre unido à Divindade? Para apagar os nossos pecados, Jesus derrama sobre nós o seu sangue através do Sacramento da Penitência.  E aqui está a obra-prima da misericórdia do Coração de Jesus. Como a Santíssima Eucaristia, também o Sacramento da Confissão merece ser chamado o mistério do amor, o Sacramento do Coração de Jesus. É o mistério do amor indulgente até o ponto de esquecer a si mesmo.

Para aquilatarmos até onde vai a misericórdia do Coração de Jesus no Sacramento da Penitência, meditemos sobre o que aconteceu com os Anjos. Foram salvos do pecado por uma graça de preservação e os que foram infiéis a ela foram atingidos à primeira rebelião, sem esperança de perdão. Foi criado imediatamente o inferno, e os anjos maus foram os primeiros condenados a ele, à esta prisão eterna de tormentos. Entretanto, o homem, na verdade mais fraco e mutável, será objeto de uma conduta diversa da parte de Deus: o homem não se tornou impecável após o seu primeiro ato meritório e também não será atingido inexoravelmente após à sua primeira queda.

O homem terá que lutar contra o pecado durante toda sua vida, a todo instante e a todo instante poderá ser vencido, porque o Sacramento do Batismo elimina o pecado original mas não as suas consequências que é a concupiscência. O homem terá que merecer o céu neste campo de luta renhida e diuturna e até ao último suspiro. E nesta luta quantas quedas, quantas derrotas! Estaríamos condenados. Mas graças ao Sacramento da Penitência, está em poder do pecador levantar-se das próprias quedas. Somente a infinita misericórdia do Coração de Jesus podia operar semelhantes maravilhas.

Com a graça de Deus, aprofundemos mais este mistério de misericórdia e também da onipotência divina. E a primeira maravilha operada pelo Coração de Jesus, no sacramento da Penitência é reconciliar o interesse da glória de Deus e o do homem pecador, a conservação da lei e a salvação do transgressor da lei, a reparação da culpa e a conservação do culpado. 

Mas uma objeção talvez aflore na mente de alguém: a facilidade do perdão não pode aumentar a facilidade de pecar? Caríssimos, dada esta misericórdia mal entendida que hoje está quase se tornando moda, acredito que o demônio possa se aproveitar disto. Pelo ensinamento tradicional, porém, a facilidade do perdão, é vista considerando a gravidade do pecado, tão infinitamente criminosa que o Pai Eterno entregou o seu Filho Unigênito à imolação mais ignominiosa e cruel. A nós Deus exige o arrependimento sincero e profundo e por conseguinte um propósito firme e eficaz de evitar as ocasiões, a obrigação de vigiar e rezar e de fazer penitência. Eis o que diz São Paulo: "Ou desprezaste as riquezas da sua bondade e paciência e longanimidade? Ignoras que a bondade de Deus te convida à penitência? Mas com a tua dureza e coração impenitente acumulas para ti um tesouro de ira no dia da ira e da manifestação do justo juízo de Deus, que há de dar a cada um segundo as suas obras" (Rom. II, 4-6). Assim, caríssimos, não nos aproximemos nunca do sacramento da Penitência sem meditar a dolorosa noite do Getsêmani, na qual o Coração de Jesus se sobrecarregou de todas a nossas iniquidades, iniquidades estas cuja expiação se tornou para nós tão fácil, mas oprimiram tão fortemente o Coração adorável de Jesus que um suor de sangue banhou todo o corpo do Salvador e inundou a terra. É o mesmo sangue que hoje é derramado sobre nós no momento da absolvição.


Esta tentação de minimizar o pecado e até tê-lo em conta de nada ou quase nada, será afastada pela meditação da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Contemplando a bondade e paciência do Coração de Jesus, façamos nossas confissões com arrependimento profundo dos nossos pecados e por eles façamos mais penitências além das que o confessor nos impõe no confessionário. Amém!

sábado, 24 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS FALA AOS SACERDOTES

Caríssimos colegas no sacerdócio, imaginemos Jesus aparecendo a cada um de nós, como apareceu a Santa Margarida Maria Alacoque e dizendo-nos: "Eis aqui este Coração, que amou tanto os homens, e que por eles é tão pouco amado. Mas o que mais sinto, é que encontro ingratos até entre os meus ministros! Tu não podes mostrar-me maior amor do que fazendo o que já tantas vezes te pedi. Prometo-te, que o meu Coração se abrirá para derramar as suas bênçãos sobre os que o honrarem e empregarem o seu zelo em fazê-lo honrar".

   Caríssimos, meditemos nestas queixas do Sagrado Coração de Jesus. 

  "Eis aqui o Coração": Jesus no-lo oferece; é o seu. É a obra prima do Espírito Santo: "Nele habita corporalmente toda plenitude da divindade". É o órgão das mais nobres, das mais puras, das mais sublimes afeições. É o coração dos melhor dos pais, do mais sincero dos amigos. Sempre tão pronto a comover-se na presença dos que sofrem!

   "Que tanto amou os homens": Caríssimos, notai a palavra tanto. Sem dúvida que o Salvador dos homens os amou a todos, visto que morreu por todos. Mas até que ponto os amou? Quem o compreenderá? Quem o dirá? Lembremo-nos, por exemplo, do presépio, onde fez-se nosso irmão; do Cenáculo, onde fez-se nosso alimento; do Calvário onde foi o nosso resgate!...

   No céu, Jesus Cristo será a nossa recompensa! Um Deus  descendo dos resplendores da sua glória até às misérias da nossa humanidade, sujeitando-se a todas as humilhações, para nos elevar até ao seu trono, suportando todos os tormentos para nos alcançar uma suprema felicidade; um Deus fundando a Igreja, para nela estar sempre conosco, querendo que o seu corpo seja a nossa comida e o seu sangue seja a nossa bebida! Sendo poderosíssimo, não poderia dar mais!



   Caríssimos sacerdotes, se Jesus amou tanto os homens, que lugar ocupamos nós entre os que ele mais tem amado? Qual é o nosso ofício na Igreja, em que Ele reside, se oferece, e se nos dá? Que parte temos nós sacerdotes nos favores, que ele prodigaliza aos seus mais prezados amigos?

   'E que deles é tão pouco amado": Oh! que aflitiva palavra! Quantas almas desconhecem a generosa caridade do Coração de Jesus para com elas! Quantas outras a conhecem, sem que lha agradeçam! "Eu só recebo ingratidões da maior parte dos homens, sou abandonado, desprezado, insultado no sacramento do meu amor". Jesus procura consoladores, e não os encontra nem mesmo na classe sacerdotal, entre os que Ele distinguiu de todos os outros, com uma afeição incomparavelmente mais terna!

   "Mas o que mais sinto é que os meus ministros assim procedam comigo": Se eles não O amam, quem O amará? E contudo, quantos Sacerdotes dão ocasião a tão dolorosas queixas?! Sem falarmos dos que Lhe fazem uma guerra sacrílega com as profanações e os escândalos, quantos O tratam sem respeito, sem o amor verdadeiro? Enfastiam-se de Sua presença; celebram com tibieza; não têm tempo para conversar com Ele depois da Missa... Ó Jesus! quero confessá-lo, por mais que me custe: eu mereço cem vezes mais exprobrações que as que me dirigis. Humilho-me fazendo justiça: sou um dos ingratos de quem dizíeis: "Os outros limitam-se a ferir o meu corpo; mas estes ferem o meu Coração, que nunca deixou de amá-los". 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

FESTA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

 SEXTA-FEIRA DA SEGUNDA SEMANA DEPOIS DO PENTECOSTES.

   Ó Jesus, concedei-me a graça de penetrar os segredos escondidos no Vosso divino Coração.

   1- Depois de termos fixado o nosso olhar na Eucaristia, dom que coroa todos os dons do amor de Jesus aos homens, a Igreja convida-nos a considerar diretamente o amor do Coração de Cristo, fonte e causa de todo o dom. Pode afirmar-se que a festa do Sagrado Coração de Jesus é a festa do Seu amor por nós. "Eis o Coração que tanto amou os homens", disse Jesus a Santa Margarida Maria; "eis o Coração que tanto amou os homens", repete-nos hoje a Igreja, mostrando-nos que "no Coração de Cristo, ferido pelos nossos pecados, Deus se dignou dar-nos, misericordiosamente, infinitos tesouros de amor" (cfr. Coleta). Inspirando-se neste pensamento, a liturgia de hoje refere-nos os imensos benefícios que nos provêm do amor de Cristo, é um hino de louvor ao Seu amor. "Cogitationes Cordis ejus", canta o Introito da Missa: "Eis os pensamentos do Seu Coração - do Coração de Jesus - através das gerações: arrancar as almas da morte e alimentá-las em sua fome". O Coração de Jesus anda sempre à procura de almas para salvar, para livrar dos laços do pecado, para lavar com o Seu Sangue, para alimentar com o Seu Corpo. O Coração de Jesus está sempre vivo na Eucaristia para saciar a fome dos que por Ele suspiram, para acolher e consolar todos os que, desiludidos pelas amarguras da vida, se refugiam n'Ele em busca de paz e alívio. E o próprio Jesus nos ampara na aspereza do caminho. "Tomai o meu jugo sobre vós, aprendei de mim, que sou manso e humilde de Coração, e achareis repouso para as vossas almas" (Alleluia). Se é impossível eliminar da vida toda a dor, é no entanto possível, a quem vive com Jesus, sofrer em paz e encontrar no Seu Coração repouso para a alma cansada.

   2- O Evangelho e a Epístola fazem-nos considerar ainda mais diretamente, o Coração de Jesus. O Evangelho (Jo. 19, 31-37) mostra-nos o Seu Coração posto a descoberto pela ferida da lança, e Santo Agostinho comenta: "O Evangelista disse abriu, a fim de nos mostrar que, de alguma maneira, se nos abre ali a porta da vida, donde brotaram os Sacramentos". Do Coração trespassado de Cristo - símbolo da amor que O imolou por nós na Cruz - brotaram os Sacramentos, figurados na água e no sangue saídos da Sua chaga, através dos quais recebemos a vida da graça; sim, é justo dizer que o Coração de Jesus foi aberto para nos introduzir na vida. "Estreita é a porta que conduz à vida" (Mt. 7, 14), disse Jesus um dia; mas se por esta porta entendemos a chaga do Seu Coração, podemos dizer que não nos podia abrir uma porta mais acolhedora.
   São Paulo, na sua belíssima Epístola, (Ef. 3, 8-19), convida-nos a entrar, ainda mais adentro, no Coração de Jesus para contemplar as Suas "riquezas incompreensíveis" e penetrar o "mistério escondido, desde o princípio dos séculos, em Deus". Este "mistério" é exatamente o mistério do amor infinito de Deus que nos preveniu desde a eternidade e que nos foi revelado pelo Verbo feito carne; é o mistério daquele amor que nos quis remir e santificar em Cristo, "no qual temos segurança e acesso a Deus". Mais uma vez Jesus Se nos apresenta como a porta que conduz à salvação: "Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo" (Jo. 10, 9); e a porta é o Seu Coração que, rasgando-se por nós, nos introduziu na vida. Só o amor nos pode fazer penetrar neste mistério de amor infinito; mas não basta um amor qualquer, é necessário, como diz São Paulo, estarmos "arraigados e fundados na caridade". só assim poderemos "conhecer aquele amor de Cristo que excede toda a ciência, para que sejamos cheios de toda a plenitude de Deus". 

   Colóquio: ... "Se vós, ó Jesus, sois a minha Cabeça, por que não deverá chamar-se meu, aquilo que é Vosso? Não é verdade que são meus os olhos da minha cabeça? Portanto o Coração da minha Cabeça espiritual é o meu coração. Que alegria para mim! Olhai: Vós e eu temos um só coração. Entretanto, ó Jesus dulcíssimo, havendo reencontrado este Coração divino que é Vosso e meu, elevarei a Vós, Deus meu, a minha prece: acolhei no sacrário das Vossas audiências as minhas orações, ou antes, atraí-me inteiramente ao Vosso Coração" (São Boaventura). 

(Meditação extraída do Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de Sta. M. Madalena, O.C. D.)

quinta-feira, 15 de junho de 2017

VISITA AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO DO ALTAR



Estás, ó minha alma, na presença do teu Deus! Aqui está sobre este altar Jesus Sacramentado, aquele mesmo que se fez homem por teu amor. Recolhe-te, pois, dentro de ti mesma; despe todos os cuidados terrenos e adverte bem que entras a falar com Deus. Une-te em espírito aos milhões de Serafins, que cercam o sagrado tabernáculo, e adora tu também com os anjos e santos a teu Senhor, ao Deus de infinita majestade que em si só resume as delícias e glória do paraíso.

Meu Jesus amantíssimo, creio firmemente, porque assim o ensinastes, que vós estais presente neste divino Sacramento em Corpo, Sangue, Alma e Divindade; que sois Aquele mesmo Deus, que por mim encarnastes, nascestes e morrestes, e agora vos assentais à direita de vosso divino Pai, e que um dia haveis de ser ainda meu Remunerador. Tudo isso eu creio, ó meu Jesus, e em vós creio que sois a primeira e infalível verdade. Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé, já que a vossos pés humilhado vos adoro com os Anjos do Céu, em espírito e verdade, e todo me confundo e desapareço no abismo de vossas perfeições infinitas e do meu nada.

Ó Jesus, todo meu amor, Deus de toda a esperança, confiado nas vossas promessas, espero de vossa infinita Misericórdia todo o bem. Eu sei que o vosso sangue me perdoa todos os pecados, me dá a confiança de me chegar a vosso divino Pai, e me abre as portas do Céu. Espero que sobre mim derramareis a enchente de vossas graças para que eu possa viver santamente nesta vida mortal e depois gozar eternamente no Céu. Tenho a firme certeza de que alcançarei tudo o que de Vós espero.
Meu Senhor Sacramentado, que todo ardeis em chamas de caridade, e vos abrasais em vivíssimo fogo de amor para comigo, que mais não sou para convosco do que a mesma dureza e insensibilidade! Quem me dera que eu todo ardesse em vosso amor! Pudera eu amar-Vos como juntos Vos amam o Céu e a Terra! Acendei, Vos rogo, ó Jesus, em meu coração gelado um amor digno de Vós. Fazei que toda a minha alma e todo o meu ser se empreguem em Vos amar. Amo-Vos, Criador e Redentor meu, e Vos amarei sempre. Meu desejo é ver-Vos amado de todo o mundo e procurar-Vos toda a glória que mereceis, ainda mesmo à custa do meu próprio sangue.

Reconheço, Senhor, a minha impiedade, e detesto os meus pecados. O pó levantou-se contra Vós, o nada rebelou-se contra o Tudo. Ah! meu Jesus, que monstro de ingratidão sou eu! Longe de amar-Vos, vos tenho ofendido, e o que é pior ainda na vossa presença, meu Deus Sacramentado. Agora, porém, Vos peço perdão de todos os meus pecados; pesa-me  de os haver cometido, e mais que tudo detesto as ofensas feitas contra Vós, meu Bem infinito, amável sobre todas as coisas. Antes morrer, ó Jesus, do que tornar a ofender-Vos. Bem sei que sou indigno de perdão, mas vossa infinita Misericórdia me anima a esperá-lo. Perdoai-me, pois, ó Pai de infinita Misericórdia e sustentai a minha fragilidade.

Graças Vos dou, amabilíssimo Jesus, de todo o meu coração por Vos terdes deixado ficar entre nós no Santíssimo Sacramento do Altar; por terdes entrado em minha alam pela sagrada Comunhão, fazendo-Vos meu alimento, e por me admitirdes agora na vossa divina presença. Por mim Vos deem as devidas graças os Anjos do céu, todos os santos, e as almas dos justos e sobretudo Vossa Mãe, Maria Santíssima.

Meu dulcíssimo Jesus, que poderei dar-vos em troca de vos terdes sacrificado inteiramente por meu amor? Tomai todo o meu ser que vos ofereço em perpétuo holocausto; e por isso Vos consagro minha alma com todas as suas potências, meu corpo com todos os seus sentidos, e meu coração com todos os seus afetos. Aos interesses de vossa glória ofereço outrossim tudo quanto está ao meu alcance, quanto sou e quanto posso.

Eu Vos recomendo, Senhor, a Igreja, vossa Esposa, e o Sumo Pontífice, seu chefe visível . Enchei-o de vosso Espírito para santificação sua e nossa. Recomendo-vos também os hereges e infiéis para que das trevas de seus erros passem à luz da vossa Fé. Recomendo-Vos as minha necessidades espirituais e temporais e as de todos os fiéis cristãos. A todos dai-nos o necessário sustento, e fazei que reinem entre nós a paz e vossa divina graça. Dai descanso, Senhor, às almas do Purgatório; ajudai aos agonizantes; consolai os aflitos; convertei os perseguidores. Rogo-Vos também em favor dos pobres pecadores, para que esclarecidos com vosso divino lume e com a vossa graça, convertidos por meio de uma verdadeira penitência, tornem a Vós, Pai amoroso, sempre pronto a acolhe-los; outrossim Vos suplico por aqueles que nos regem e governam, para que o façam com justiça e respeitando sempre os Vossos preceitos;  por meus parentes, benfeitores, amigos e também inimigos, que assim mandais.

Rogo-Vos, enfim, que desse trono de Misericórdia, desse tabernáculo de Amor, desse altar de graças, me concedais o que tantas vezes me tendes prometido dar. Eu Vos peço o Espírito do bem e, por vosso intermédio, dulcíssimo Jesus , o peço a Vosso divino Pai. Oh! dai-mo para ter forças de resistir ao demônio e de vencer as suas ciladas; dai-mo para que com ele e com vossa graça possa perseverar constantemente no bem até exalar o último alento de minha vida.

Ouvi meus prantos, Senhor; escutai meus rogos, Deus de Misericórdia, que assim me vereis sempre sujeito à vossa divina Lei, e conformado com a vossa santíssima vontade.


Vinde a mim, Senhor; vinde a meu coração e santificai-o com a vossa graça. Vinde, ó saudade dos eternos outeiros, esperado de todas as nações, amor de todos os Patriarcas; vinde a mim. Uno-me convosco, e no vosso Coração sagrado todo me escondo. Outro bem não quero, senão a Vós. Fora de Vós nada mais quero. Dai-me vossa bênção, só ela me satisfaz eternamente. Amém!

domingo, 4 de junho de 2017

TESTEMUNHO DO ESPÍRITO SANTO

   

   O que é que procuram fazer algumas seitas protestantes? Exatamente o inverso. Convencidas de que para alguém estar em graça de Deus, é preciso, primeiro que tudo, estar plenamente certificado disto, procuram incutir no espírito de todos os seus adeptos a ideia de que são filhos de Deus e que o Divino Espírito Santo lhes está atestando isto: que são realmente co-herdeiros de Cristo e herdeiros do Céu.

   Ora, a coisa mais fácil deste mundo é um pecador que está aferrado ao pecado convencer-se de que é filho de Deus e de que irá para o Céu com toda a certeza, se este pecador vem sendo trabalhado por uma seita que já o convenceu de que nem a observância da lei divina, nem as boas obras contribuem para justificação do homem, nem são necessárias para a salvação e que o vai sempre acostumando a ver em Jesus Cristo EXCLUSIVAMENTE um Advogado que temos para com o Pai (1ª João II-1) e nunca isto: um Justo Juiz que há de vir na glória de seu Pai com os seus anjos; e então DARÁ A PAGA SEGUNDO AS SUAS OBRAS (Mateus XVI-27).

   Tanto mais que este crente está acostumado a olhar para o que se passa neste mundo e a ver como frequentemente os advogados conseguem pôr no olho da rua muitos que deveriam permanecer sob as grades da prisão... E pode facilmente esquecer que o Advogado que temos para com o Pai é, como diz o próprio São João,  Jesus Cristo JUSTO (1ª João II-1) e, sendo justo, só pode advogar a causa daqueles que realmente são dignos de receber o perdão, por se acharem sinceramente arrependidos. 

   Não venham os protestantes dizer que se distingue facilmente a voz do Espírito Santo e a voz do nosso próprio orgulho e presunção. Pois podemos logo dar uma amostra bem clara do contrário. Todas as seitas protestantes, ao mesmo tempo que vão imbuindo da sua própria interpretação os seus adeptos, vão incutindo também neles a ideia de que o DIVINO ESPÍRITO SANTO ILUMINA, ESCLARECE A INTELIGÊNCIA DE CADA UM PARA BEM PENETRAR O SENTIDO DAS ESCRITURAS. O resultado é que, como veremos mais tarde, as interpretações da Escritura são as mais disparatadas e contraditórias, mas todos os protestantes, desde Lutero até o mais recente nova-seita, estiveram e estão plenamente convencidos de que a sua interpretação, foi o Divino Espírito Santo quem lhes inspirou! Nunca foi tão caluniado o Espírito Santo como nestes últimos tempos, desde o nascimento do Protestantismo até os dias de hoje! O Espírito Santo é infalível, não há dúvida alguma; a questão está apenas em saber quando é que o Espírito Santo nos fala e quando é que nos está falando no nosso íntimo o nosso próprio EU instigado por uma secreta vaidade.