sexta-feira, 30 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS NOS DÁ POR MÃE SUA PRÓPRIA MÃE


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
30º dia de junho

Não há corações mais intimamente unidos do que o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria. Afinal, o Coração de Jesus saiu do Coração de sua Mãe Santíssima. Foi  nela que o Espírito Santo operou o mistério inefável da Encarnação do Verbo Eterno de Deus. E Maria Santíssima não só nos trinta anos de vida oculta de seu Filho, esteve com todo carinho e amor junto d'Ele, mas também no primeiro milagre operado por Jesus e em muitas outras ocasiões. Mas especialmente, o seu Coração Imaculado estava junto do de seu Filho lá no Calvário.

Junto a Cruz Maria estava de pé. Nem a angústia do coração, nem as injúrias do povo, a crueldade dos algozes ou perigo da morte podiam apartá-la de Jesus, seu querido Filho. Seu coração estava pronto a morrer na presença de Jesus ou a assistir-Lhe na agonia. De todos os Apóstolos só o predileto de Jesus, São João Evangelista, estava ao lado de Maria Santíssima.

Ao ver a Virgem Mãe e o discípulo virgem, tão amados do Coração Divino, disse Jesus, olhando para a Mãe: "Mulher (que em hebraico significa Senhora), eis aí teu filho". Depois, dirigindo-Se ao discípulo, representante de todos nós, disse-lhe: "Eis aí tua Mãe". E desde esta hora o discípulo a tomou por Mãe; e depois levou-A para sua casa. (cf. Jo. XIX, 26 e s.).

Justamente quando os homens levavam ao auge a sua malícia, quando não cessavam de afligir o Coração de Jesus com injúrias, ele superabundou em amor e nos deu sua Mãe por Mãe Nossa. O Coração de Jesus instituíra no dia anterior à sua morte, a Santíssima Eucaristia, não nos querendo deixar órfãos. Mas também fez, momentos antes de morrer, o que nenhum humano pode fazer: deu-nos por Mãe a sua própria Mãe, a melhor de todas as mães.

Neste ato, o Coração de Jesus mostra, outrossim, o desvelo e cuidado por sua Mãe, provendo à honra e ao amor que lhe eram devidos. Jesus mostra que o Seu Coração e o Coração de sua Mãe Santíssima, devem ao mesmo tempo, ser conhecidos e juntamente amados.

Nós, pobres pecadores não podemos calcular toda grandeza e intensidade do amor do Coração de Maria por seu Filho e seu Deus. É algo inefável! Não há no céu e na terra criatura que prestasse tantas honras e dedicasse tanto amor a Jesus, quanto a sua Mãe Santíssima. A Santíssima Trindade empregou todo seu amor e poder em preparar aquele Coração de Mãe, com a capacidade de amar um Filho que é também o Filho do Altíssimo. Portanto, em parte alguma se poderia encontrar um coração que fosse tão unido e agradável ao Coração de Jesus qual foi o Coração Imaculado da Virgem Mãe.  Por outro lado, o Coração de Jesus quis e quer ver o Coração de sua Mãe, em toda parte e sempre, honrado e amado. O Coração de Jesus quer que, em qualquer parte do mundo, e até a consumação dos séculos, onde for adorado o Seu Coração, seja venerado de modo todo singular, o Coração Imaculado de Sua Mãe Santíssima.

Maria Santíssima compartilhando as dores de Jesus, nos adotou ao pé da cruz. Como nossa Mãe, devemos prestar-lhe honra todos os dias da nossa vida, lembrando-nos de quanto Ela sofreu com Jesus por nossa causa. Devemos reconhecer este grande dom do Coração agonizante de Jesus, ao dar-nos uma tal Mãe. Depois que Jesus se deu a si mesmo por nós na Eucaristia, quis dar-nos a sua Mãe para ser a nossa Mãe também. Assim, o Coração materno de Maria Santíssima transborda de singular afeto, compaixão, amor e solicitude pelos seus filhos.

O Coração de Maria, formado à semelhança do Coração de Jesus, a todos se acha aberto sob o dulcíssimo título de Coração materno. Por intermédio do Coração Imaculado de Maria seremos introduzidos no Coração de Jesus. Pois, pela Virgem Maria , Jesus Cristo veio aos homens e também por Ela, Deus quer que cheguemos até Jesus. Quaisquer graças que desejarmos obter de Nosso Senhor Jesus Cristo, devemos recomendá-las a Maria, nossa Mãe, para que ela, sendo Mãe de Deus e nossa, invoque em nosso favor o Coração Sacratíssimo de Jesus. Na verdade os direitos maternos que Nossa Senhora possuiu e exerceu na terra, não os perdeu no céu, onde, como Soberana de todos os anjos e santos, reina com Jesus, seu divino Filho.

Ao comparecer ao tribunal no Juízo teremos a dulcíssima consolação de ter por Advogada junto ao Juiz, sua Mãe e nossa Mãe! Esta Mãe, a quem o Juiz deu todo o poder sobre o seu Coração, intercederá ao seu Filho em favor dos seus outros filhos que somos nós seus devotos. Amém!


quinta-feira, 29 de junho de 2017

O SACERDOTE É O AMOR DO CORAÇÃO DE JESUS


Catecismo do Santo Cura d'Ars sobre o Sacerdócio

   Meus filhos, chegamos ao sacramento da Ordem. É um sacramento que parece não dizer respeito a ninguém dentre vós, e que diz respeito a toda gente. Esse sacramento eleva o homem até a Deus. Que é o sacerdote? Um homem que ocupa o lugar de Deus, um homem que é revestido de todos os poderes de Deus. "Ide, diz Nosso Senhor ao sacerdote, assim como meu Pai me enviou, assim eu vos envio... Todo poder me foi dado no céu e na terra. Ide, pois, instruí todas as nações... Quem vos escuta a mim escuta; quem vos despreza a mim despreza".
   Quando o padre perdoa os pecados, não diz: "Deus te perdoe". Diz: "Eu vos absolvo". Na consagração, ele não diz: "Isto é o corpo de Nosso Senhor". Diz: "Isto é o meu corpo".
   São Bernardo diz que tudo veio por Maria. Podemos dizer também que tudo nos veio pelo sacerdote: sim, todas as venturas, todas as graças, todos os dons celestes.
   Se não tivéssemos o sacramento da Ordem, não teríamos Nosso Senhor. Quem foi que o pôs aí neste tabernáculo? Foi o padre. Quem foi que recebeu vossa alma à entrada na vida? O padre. Quem a alimenta para lhe dar a força de fazer a sua peregrinação? O padre. Quem a prepara para comparecer perante Deus, lavando essa alma pela primeira vez no sangue de Jesus Cristo? O padre, sempre o padre. E se essa alma vier a morrer, quem a ressuscitará? Quem lhe restituirá a calma e a paz? Ainda o padre. Nos vos podeis lembrar de um só benefício de Deus sem encontrardes, ao lado dessa lembrança, a imagem do padre.
   Ide-vos confessar à Santíssima Virgem ou a um anjo: eles vos absolverão? Não. Dar-vos-ão o corpo e o sangue de Nosso Senhor? Não. A Santíssima Virgem não pode fazer descer seu divino Filho à hóstia. Tivésseis aí duzentos anjos, e eles não poderiam absolver-vos. Um padre, por mais simples que seja, pode-o; pode dizer-vos: "Ide em paz, eu vos perdôo". Oh! como o padre é alguma coisa de grande!
   O padre só será bem compreendido no céu... Se o compreendêssemos na terra, morreríamos, não de pavor, mas de amor...
   Os outros benefícios de Deus de nada nos serviriam sem o padre. De que serviria uma casa cheia de ouro, se não tivésseis ninguém para vos abrir a porta? O padre tem as chaves dos tesouros celestes; é ele quem abre a porta; ele é o ecônomo de Deus, o administrador dos seus bens.
   Se não fosse o padre, a morte e a paixão de Nosso Senhor de nada serviriam. Vede os povos selvagens: de que lhes serviu que Nosso senhor morresse? Ai! eles não poderão ter parte nos benefícios da redenção enquanto não tiverem padres para lhes fazerem a aplicação do seu sangue.
   O padre não é padre para si; não dá a si a absolvição, não administra a si os sacramentos. Ele não é para si, é para vós.
   Depois de Deus o sacerdote é tudo!... Deixai uma paróquia vinte anos sem padre, adorarão ali os animais.
   Se o senhor missionário e eu fôssemos embora, vós diríeis: "Que fazer nesta igreja? Não há mais missa. Nosso Senhor não está mais nela, tanto vale rezar em casa..."
   Quando se quer destruir a religião, começa-se por atacar o padre, porque onde quer que não haja mais padre, não há mais sacrifício, e onde não há mais sacrifício, não há mais religião.
   Quando um sino vos chama à igreja, se vos perguntassem: "Onde ides?" Poderíeis responder: "Vou alimentar minha alma". Se vos perguntassem, mostrando -vos o tabernáculo: "Que é essa porta dourada? É a copa: é o guarda-comida de minha alma. Quem é que tem a chave dele, quem faz as provisões, quem apronta o festim, quem serve à mesa? É o padre. - E a comida? - É o precioso Corpo de Nosso Senhor..." Ó meu Deus, meu Deus, como nos amastes!
   Vede o poder do padre! A língua do padre, de um pedaço de pão faz um Deus! É mais que criar o mundo. Alguém dizia: "Santa Filomena obedece então ao Cura d'Ars? Certo, ela bem pode obedecer-lhe, já que Deus lhe obedece.
   Se eu encontrasse um padre e um anjo, cumprimentaria o padre antes de cortejar o anjo. Este é amigo de Deus, mas o padre faz as vezes de Deus... Santa Teresa beijava o lugar por onde um padre havia passado...
   Quando virdes um padre, deveis dizer: "Eis aquele que me tornou filho de Deus e me abriu o céu pelo santo batismo, aquele que me purificou depois do meu pecado, que dá a comida a minha alma..." À vista dum campanário, podeis dizer: "Que há ali? - O corpo de Nosso Senhor. - E por que está ele ali? - Porque um padre passou por ali e disse missa".
   Que alegria tinham os apóstolos depois da ressurreição de Nosso Senhor, por verem o Mestre que tanto haviam amado! O padre deve ter a mesma alegria vendo Nosso Senhor que ele segura nas mãos...  Dá-se grande valor aos objetos que foram depositados na escudela da Santíssima Virgem e do Menino Jesus em Loreto. Mas os dedos do padre, que tocaram a carne adorável de Jesus Cristo, que mergulharam no cálice onde esteve o seu sangue, no cibório onde esteve o seu corpo, não são porventura mais preciosos?...
   O sacerdote é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

O AMOR DIVINO DO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
28 dia de junho

Vimos como o amor humano do Coração de Jesus é imenso, inefável, admirável. Mas, caríssimos, o amor divino do Coração de Jesus é infinito, é eterno. É o amor com que o Coração de Jesus nos ama em sua Divindade. Toda compreensão desta verdade é dada pelo mistério da Encarnação. O Verbo podia e pode ainda dizer: "Eu vos amo pela minha Divindade com um amor comum às três Pessoas divinas, e vos amo pela minha Humanidade. Fui eu quem, em meu corpo e em minha alma humana, sofreu por vós, fui eu, Verbo Eterno quem orou por vós, quem mereceu por vós pela alma santa que tomei no dia de minha Encarnação. Hoje, na morada da glória, deleito meus fiéis pela graça de minha Humanidade e pela glória infinita de minha Divindade".

Em seu Filho, que é o espelho, o esplendor de sua substância, Seu Verbo, isto é, sua Palavra eterna,  Deus Pai sempre  nos viu. Amou-nos desde toda eternidade. Tudo em Deus é infinito, e, portanto, seu amor e sua bondade são infinitos. Deus nos ama desejando ver-nos felizes pela santidade, felizes da santidade que é fruto da virtude e do puro amor. Na verdade, ser virtuoso, ser santo, é amar a Deus, procurar a Deus, dirigir-se a Deus, e o termo da santidade é a posse de Deus. A graça santificante que Deus nos dá pelo santo Batismo outra coisa não é senão Deus dando-se à alma, vivendo nela, unindo-se a ela, em uma palavra, divinizando-a. Eis a explicação de tudo em duas frases bíblicas: "Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho" e "O Verbo se fez carne". E por que estes dois mistérios inefáveis? Para que Jesus Cristo, sendo Deus e Homem, pudesse nos salvar. Como Homem pôde sofrer e morrer por nós, e sendo Deus, pois, Jesus é uma Pessoa divina, é o Filho de Deus, deu aos seus sofrimentos e à sua Morte um valor infinito.

Mas por que Deus nos ama com esse ardor infinito? Em nós nada há que possa excitar tanto amor. As qualidades que temos, Deus no-las deu por amor. Amou-nos, portanto, antes destas qualidades, antes de todos os nossos atos. Na verdade, onde abundou em nós o pecado, Deus fez superabundar a graça. Supriu todas as nossas fraquezas e reparou todas as nossas loucuras. Tudo quanto Deus faz por nós é a mais gratuita das liberalidades.

Deus nos ama porque Ele é o Amor. Em relação às criaturas, o amor de Deus é livre; mas quão bem responde aos desejos de seu Coração! Na verdade, Deus sendo a própria Bondade, se compraz em amar: "Bonum est sui difusivum". Levado por este amor infinito, Deus concede-nos os seus dons, dons sobrenaturais e divinos.

Mas Deus quer também ser amado. "Deus tem um tal desejo que O amemos, diz o autor espiritual Tauler, que desse amor parece depender a sua felicidade. Todas as criaturas são outras tantas vozes que nos convidam a amá-Lo. Tudo o que Ele fez, tudo o que ainda faz, Ele o fez ou faz para levar a alma a ouvir-Lhe as súplicas e a amá-Lo. Assim o menor ato de amor da mais miserável de suas criaturas O encanta mais que toda a magnificência de suas obras materiais, ou todo o esplendor dos astros, com que guarneceu o espaço. Parece não poder suportar a perda do nosso amor e todas as suas obras, quer na ordem da natureza, quer na da graça, são feitas para ganhar os nossos corações, e os mesmos castigos eternos, pelos quais pune as almas ingratas e obstinadas e os corações pertinazmente fechados ao amor, visam ainda levar outros corações a se abrirem ao amor de seu Coração. "Deus, diz ainda Tauler, é mais pronto em perdoar que um braseiro em consumir algumas palhas ou estopas lançadas nas chamas"; "Uma mãe, vendo queimar-se o seu filho, não corre mais pressurosa em seu auxílio do que Deus em auxílio do pecador".

Caríssimos, quão doloroso há de ser para o Coração amante de Jesus o excesso de tanta bondade sua, de uma parte, e de tamanha ingratidão de nossa parte! "Meus olhos, diz Deus pelo profeta, derramaram rios de lágrimas, porque não é observada a lei" (Salmo 118, 136). Se nos foi dado, através destas reflexões que venho fazendo neste mês sobre o amor do Coração de Jesus, compreender sua ternura e amor, caríssimos, devemos esforçar-nos por compensá-los pela nossa generosidade e fidelidade. Hoje, quando reina o indiferentismo religioso por falta de fé em Deus e de amor a Ele, hoje quando poucos amam verdadeiramente a Deus sobre todas as coisas, será um desagravo muito suave ao Coração de Jesus, o nosso amor ardente. Peçamos sempre: "Coração de Jesus, Homem-Deus, que tanto nos amais, fazei que Vos ame cada vez mais!" Amém!

  

terça-feira, 27 de junho de 2017

O AMOR HUMANO DO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
27º dia de junho

Sabemos pela Teologia que em Nosso Senhor Jesus há duas vontades: a humana e a divina. Assim, também devemos considerar no Coração de Jesus, o seu amor humano e o se amor divino por nós.  Na verdade o dulcíssimo Salvador, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, nos amou muito, nos ama muito e nos há de amar muito durante toda a eternidade.

O amor de Jesus em sua alma humana, através de seu Coração palpitante, nos seus 33 anos na terra, hoje no Céu à direita de seu Eterno Pai, e na terra, na Santíssima Eucaristia, é, digo, um amor admirável, inefável. Mas em sua divindade, Jesus que é o Verbo Divino, nos ama com o mesmo amor que o Pai e o Espírito Santo, ou seja, com um amor eterno e infinito.

Hoje vamos meditar no amor humano do Coração de Jesus, e amanhã, se Deus quiser, meditaremos no amor divino do Coração de Jesus.

Jesus, chorou diante do túmulo de seu amigo Lázaro de Betânia, e o povo exclamou: "Vede como Ele o amava". Caríssimos, meditando durante este mês de junho, em tudo que o Coração de Jesus fez por nós, na Encarnação, no seu nascimento, na sua vida oculta e na vida pública, na instituição da Santíssima Eucaristia e sobretudo em sua Paixão e Morte, nós também exclamamos: "Vede como Ele nos amou!".

O Coração de Jesus nos ama com um amor humano imenso! Pois, a sua fonte é a alma de Jesus, e esta é a obra-prima de Deus aqui na terra. Deus a fez tão perfeita o quanto é possível a uma criatura. E Deus onipotente tornou esta alma capaz de um amor tal que, excede em intensidade ao de todos os homens que existiram, existem e hão de existir, ao amor de todos os anjos e ao da própria Santíssima Virgem Maria, reunidos num só. Já percorremos toda a vida de Jesus e meditamos na imensidade deste amor por nós.

E agora na glória do Céu, à direita de seu Pai Eterno, o Coração de Jesus continua a nos amar. São João declara que mesmo os pecadores são ainda muito caros a Jesus, porque lhes advoga a causa junto de seu Pai: "Filhinhos meus, eu vos escrevo estas coisas, para que não pequeis; mas, se algum pecar, temos um advogado junto do Pai, Jesus Cristo justo. Ele é propiciador pelos nossos pecados, e não somente, pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo" (1 S. João, II, 1 e 2). Assim, o próprio pecado mortal, que Lhe inspira tanto horror, não Lhe altera os sentimentos do Coração. Seu olhar não é de ódio, mas de ternura entristecida, de compaixão para com o louco, monstruoso e mísero pecador. Jesus com suas chagas radiantes de luz e glória, está a lembrar a seu Pai que Ele sofreu tanto pelos pecadores, que pagou caríssimo pelos seus pecados; suplica, então, e implora graças de contrição. O Coração de Jesus é sempre ouvido pelo seu Pai, embora, infelizmente, muitos põem obstáculos. O Coração de Jesus pede também a graça de uma perfeita penitência, de tal modo que o pecador, se assim o quiser, poderá reparar plenamente suas faltas.

Caríssimos, agora meditemos no seguinte: Se Jesus ama assim os pecadores, qual não será o amor de seu Coração pelos verdadeiros amigos, pelos justos, pelos santos?! São João Eudes diz: "Tão grande é o seu amor, que Ele estaria pronto a sacrificar sua vida no universo inteiro e com sofrimentos imensos; e porque o seu amor é eterno, estaria pronto ainda a sacrificá-lo eternamente e com dores eternas". Sofreria, portanto, uma nova paixão por cada um dos filhos dos homens. Faria por cada um o que fez por todos. Mas sabemos que Jesus não pode sofrer e morrer mais, depois de ressuscitado e glorioso. Como seu Coração é onipotente, arranjou um meio de fazê-lo por nosso amor: A Santíssima Eucaristia como Sacrifício e como Sacramento. A Santa Missa renova, de maneira incruenta, a imolação do Calvário, e nos aplica seus merecimentos infinitos. E aqui no Altar se aniquila de alguma maneira, mais do que na Cruz. Quanto o Coração de Jesus se alegra em poder através da Santa Missa, derramar sobre o mundo torrentes de graças! E faz ainda mais: A Eucaristia como Sacramento! Se faz nosso alimento, nosso hóspede na comunhão, e dá-se a nós todo inteiro, convidando-nos a renovar cada dia essa união tão doce ao seu Coração. O Coração de Jesus quis ficar conosco até o fim do mundo, não quis nos deixar órfãos. É realmente o Emanuel, isto é, o Deus conosco. Amém!


segunda-feira, 26 de junho de 2017

O AMOR INFINITO DO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
26º dia de junho

É uma verdade que dispensa demonstração. O católico que não o reconhecesse seria um católico sem coração, ou melhor não seria verdadeiro cristão.

 Deus nos amou desde toda a eternidade: "Eu amei-te com um amor eterno, por isso, compadecido de ti, te atraí a mim" (Jeremias XXXI, 3). E o Apóstolo do Amor, disse: "Nós conhecemos o amor de Deus, porque deu sua vida por nós" (1, João IV, 9); transmitiu-nos a afirmação do próprio Jesus: "Amou Deus de tal modo o mundo (os homens), que deu por ele o seu Unigênito Filho (S. João III, 16).  Pelo que já meditemos até hoje desde o início deste mês ficou suficientemente demonstrado o amor infinito do Coração de Jesus por nós. Pois, basta para isto contemplar toda a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi o amor aos homens a causa de tudo o que fez e sofreu. Por nosso amor o Filho de Deus deixou o Céu e desceu a este vale de lágrimas; revestiu-Se de nossa mesma carne; deu a vida por nosso amor, para que pudéssemos viver eternamente com Ele no Paraíso. Como já meditamos, uma só gota de seu Sangue seria suficiente para remir todo o mundo e até milhares de mundos, mas seu amor por nós levou-O a derramá-lo até a última gota. Como diz São Pedro: "Não fomos remidos com ouro e prata, mas sim com o sangue do Cordeiro Imaculado" ( 1 S. Pedro, I, 18); e São Paulo diz o mesmo: "Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai e trazei a Deus no vosso corpo" (1 Cor. VI, 20). E Jesus não só derramou seu sangue por uma única ferida, mas entregou seu corpo às mãos dos verdugos desumanos, que o puseram numa só chaga, dos pés à cabeça. Enfim, ao abrir-vos os Santos Evangelhos qual é a página que não fala do seu amor aos homens?! Em cada milagre encontramos uma prova dele.

E Nosso Senhor Jesus Cristo, amou-nos como ninguém! Já meditemos sobre o amor do Coração de Jesus ao instituir a Santíssima Eucaristia. Amou-nos e deu-Se a si mesmo por nós, sua carne, seu sangue, sua alma e sua Divindade. Foi por nosso amor que o Coração de Jesus quis ficar conosco na terra, para que n'Ele tivéssemos um amigo fiel, um pai amoroso, em cujos braços nos pudéssemos lançar na hora do abandono e da tribulação.

E assim como ficamos tristes em ver em muitos uma verdadeira homolatria! E para desagravar o Adorável Coração de Jesus exclamamos com São Paulo: "Seja anatematizado aquele que não amar a Nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Cor. XVI, 22).

Caríssimos, pensemos sempre neste amor infinito do Coração de Jesus por nós, pobres pecadores! Procuremos fazer como os Santos fizeram: passavam grande parte do dia com o Evangelho diante dos olhos, meditando nos padecimentos a que o divino Salvador se entregou por nosso amor.

O Coração de Jesus nos amou tanto que quis ficar conosco na Eucaristia. Quem ama gosta de receber em sua casa a pessoa amada. Jesus está no solidão dos templos, à nossa espera para abrirmos o coração diante d'Ele. E mais: Jesus nos ama tanto que, Ele o Senhor, está batendo à porta de nosso coração: "Meu filho, dá-me, teu coração" . E, se amarmos verdadeiramente a Jesus, não há como ficarmos insensíveis diante de um ternura e bondade infinitas! E quem é Ele, e quem sou eu?!

Caríssimos, diante desta fornalha de amor que é o Coração de Jesus, não é possível permanecermos com o coração gelado! Quem não ama a Jesus não se ama a si mesmo. Não amar a Jesus é amar ao mundo; não amar a Jesus é amar as criaturas; e amar o mundo e as criaturas é amar o que não tem valor, é preparar para si a ruína espiritual.


Então digamos de todo coração: "CORAÇÃO DE JESUS QUE TANTO NOS AMAIS, FAZEI QUE EU VOS AME CADA VEZ MAIS! Amém!

domingo, 25 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS E O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
25º dia de junho

Somos não apenas imperfeitos, mas pecadores. E a missão principal de Jesus consiste precisamente em libertar-nos do pecado. São João Batista apontou a Jesus às margens do Jordão e disse: "Eis o Cordeiro de Deus, eis Aquele que tira os pecados do mundo". Jesus Cristo não veio apenas cobrir os nossos pecados. Isto é blasfêmia proferida por Lutero. Segundo o heresiarca, Jesus teria feito uma obra não de purificação interna através do Seu Sangue. E no entanto diz o Apocalipse: "Nos amou (Jesus Cristo) e nos lavou dos nossos pecados nos seu sangue" (Apoc. I, 5). Mas como o Coração de Jesus pleno de amor e misericórdia, aplica o preço infinito de seu Sangue derramado em sua Paixão e Morte e até a última gota através da abertura da lança feita em seu Coração já morto mas sempre unido à Divindade? Para apagar os nossos pecados, Jesus derrama sobre nós o seu sangue através do Sacramento da Penitência.  E aqui está a obra-prima da misericórdia do Coração de Jesus. Como a Santíssima Eucaristia, também o Sacramento da Confissão merece ser chamado o mistério do amor, o Sacramento do Coração de Jesus. É o mistério do amor indulgente até o ponto de esquecer a si mesmo.

Para aquilatarmos até onde vai a misericórdia do Coração de Jesus no Sacramento da Penitência, meditemos sobre o que aconteceu com os Anjos. Foram salvos do pecado por uma graça de preservação e os que foram infiéis a ela foram atingidos à primeira rebelião, sem esperança de perdão. Foi criado imediatamente o inferno, e os anjos maus foram os primeiros condenados a ele, à esta prisão eterna de tormentos. Entretanto, o homem, na verdade mais fraco e mutável, será objeto de uma conduta diversa da parte de Deus: o homem não se tornou impecável após o seu primeiro ato meritório e também não será atingido inexoravelmente após à sua primeira queda.

O homem terá que lutar contra o pecado durante toda sua vida, a todo instante e a todo instante poderá ser vencido, porque o Sacramento do Batismo elimina o pecado original mas não as suas consequências que é a concupiscência. O homem terá que merecer o céu neste campo de luta renhida e diuturna e até ao último suspiro. E nesta luta quantas quedas, quantas derrotas! Estaríamos condenados. Mas graças ao Sacramento da Penitência, está em poder do pecador levantar-se das próprias quedas. Somente a infinita misericórdia do Coração de Jesus podia operar semelhantes maravilhas.

Com a graça de Deus, aprofundemos mais este mistério de misericórdia e também da onipotência divina. E a primeira maravilha operada pelo Coração de Jesus, no sacramento da Penitência é reconciliar o interesse da glória de Deus e o do homem pecador, a conservação da lei e a salvação do transgressor da lei, a reparação da culpa e a conservação do culpado. 

Mas uma objeção talvez aflore na mente de alguém: a facilidade do perdão não pode aumentar a facilidade de pecar? Caríssimos, dada esta misericórdia mal entendida que hoje está quase se tornando moda, acredito que o demônio possa se aproveitar disto. Pelo ensinamento tradicional, porém, a facilidade do perdão, é vista considerando a gravidade do pecado, tão infinitamente criminosa que o Pai Eterno entregou o seu Filho Unigênito à imolação mais ignominiosa e cruel. A nós Deus exige o arrependimento sincero e profundo e por conseguinte um propósito firme e eficaz de evitar as ocasiões, a obrigação de vigiar e rezar e de fazer penitência. Eis o que diz São Paulo: "Ou desprezaste as riquezas da sua bondade e paciência e longanimidade? Ignoras que a bondade de Deus te convida à penitência? Mas com a tua dureza e coração impenitente acumulas para ti um tesouro de ira no dia da ira e da manifestação do justo juízo de Deus, que há de dar a cada um segundo as suas obras" (Rom. II, 4-6). Assim, caríssimos, não nos aproximemos nunca do sacramento da Penitência sem meditar a dolorosa noite do Getsêmani, na qual o Coração de Jesus se sobrecarregou de todas a nossas iniquidades, iniquidades estas cuja expiação se tornou para nós tão fácil, mas oprimiram tão fortemente o Coração adorável de Jesus que um suor de sangue banhou todo o corpo do Salvador e inundou a terra. É o mesmo sangue que hoje é derramado sobre nós no momento da absolvição.


Esta tentação de minimizar o pecado e até tê-lo em conta de nada ou quase nada, será afastada pela meditação da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Contemplando a bondade e paciência do Coração de Jesus, façamos nossas confissões com arrependimento profundo dos nossos pecados e por eles façamos mais penitências além das que o confessor nos impõe no confessionário. Amém!

sábado, 24 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS FALA AOS SACERDOTES

Caríssimos colegas no sacerdócio, imaginemos Jesus aparecendo a cada um de nós, como apareceu a Santa Margarida Maria Alacoque e dizendo-nos: "Eis aqui este Coração, que amou tanto os homens, e que por eles é tão pouco amado. Mas o que mais sinto, é que encontro ingratos até entre os meus ministros! Tu não podes mostrar-me maior amor do que fazendo o que já tantas vezes te pedi. Prometo-te, que o meu Coração se abrirá para derramar as suas bênçãos sobre os que o honrarem e empregarem o seu zelo em fazê-lo honrar".

   Caríssimos, meditemos nestas queixas do Sagrado Coração de Jesus. 

  "Eis aqui o Coração": Jesus no-lo oferece; é o seu. É a obra prima do Espírito Santo: "Nele habita corporalmente toda plenitude da divindade". É o órgão das mais nobres, das mais puras, das mais sublimes afeições. É o coração dos melhor dos pais, do mais sincero dos amigos. Sempre tão pronto a comover-se na presença dos que sofrem!

   "Que tanto amou os homens": Caríssimos, notai a palavra tanto. Sem dúvida que o Salvador dos homens os amou a todos, visto que morreu por todos. Mas até que ponto os amou? Quem o compreenderá? Quem o dirá? Lembremo-nos, por exemplo, do presépio, onde fez-se nosso irmão; do Cenáculo, onde fez-se nosso alimento; do Calvário onde foi o nosso resgate!...

   No céu, Jesus Cristo será a nossa recompensa! Um Deus  descendo dos resplendores da sua glória até às misérias da nossa humanidade, sujeitando-se a todas as humilhações, para nos elevar até ao seu trono, suportando todos os tormentos para nos alcançar uma suprema felicidade; um Deus fundando a Igreja, para nela estar sempre conosco, querendo que o seu corpo seja a nossa comida e o seu sangue seja a nossa bebida! Sendo poderosíssimo, não poderia dar mais!



   Caríssimos sacerdotes, se Jesus amou tanto os homens, que lugar ocupamos nós entre os que ele mais tem amado? Qual é o nosso ofício na Igreja, em que Ele reside, se oferece, e se nos dá? Que parte temos nós sacerdotes nos favores, que ele prodigaliza aos seus mais prezados amigos?

   'E que deles é tão pouco amado": Oh! que aflitiva palavra! Quantas almas desconhecem a generosa caridade do Coração de Jesus para com elas! Quantas outras a conhecem, sem que lha agradeçam! "Eu só recebo ingratidões da maior parte dos homens, sou abandonado, desprezado, insultado no sacramento do meu amor". Jesus procura consoladores, e não os encontra nem mesmo na classe sacerdotal, entre os que Ele distinguiu de todos os outros, com uma afeição incomparavelmente mais terna!

   "Mas o que mais sinto é que os meus ministros assim procedam comigo": Se eles não O amam, quem O amará? E contudo, quantos Sacerdotes dão ocasião a tão dolorosas queixas?! Sem falarmos dos que Lhe fazem uma guerra sacrílega com as profanações e os escândalos, quantos O tratam sem respeito, sem o amor verdadeiro? Enfastiam-se de Sua presença; celebram com tibieza; não têm tempo para conversar com Ele depois da Missa... Ó Jesus! quero confessá-lo, por mais que me custe: eu mereço cem vezes mais exprobrações que as que me dirigis. Humilho-me fazendo justiça: sou um dos ingratos de quem dizíeis: "Os outros limitam-se a ferir o meu corpo; mas estes ferem o meu Coração, que nunca deixou de amá-los". 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

FESTA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

 SEXTA-FEIRA DA SEGUNDA SEMANA DEPOIS DO PENTECOSTES.

   Ó Jesus, concedei-me a graça de penetrar os segredos escondidos no Vosso divino Coração.

   1- Depois de termos fixado o nosso olhar na Eucaristia, dom que coroa todos os dons do amor de Jesus aos homens, a Igreja convida-nos a considerar diretamente o amor do Coração de Cristo, fonte e causa de todo o dom. Pode afirmar-se que a festa do Sagrado Coração de Jesus é a festa do Seu amor por nós. "Eis o Coração que tanto amou os homens", disse Jesus a Santa Margarida Maria; "eis o Coração que tanto amou os homens", repete-nos hoje a Igreja, mostrando-nos que "no Coração de Cristo, ferido pelos nossos pecados, Deus se dignou dar-nos, misericordiosamente, infinitos tesouros de amor" (cfr. Coleta). Inspirando-se neste pensamento, a liturgia de hoje refere-nos os imensos benefícios que nos provêm do amor de Cristo, é um hino de louvor ao Seu amor. "Cogitationes Cordis ejus", canta o Introito da Missa: "Eis os pensamentos do Seu Coração - do Coração de Jesus - através das gerações: arrancar as almas da morte e alimentá-las em sua fome". O Coração de Jesus anda sempre à procura de almas para salvar, para livrar dos laços do pecado, para lavar com o Seu Sangue, para alimentar com o Seu Corpo. O Coração de Jesus está sempre vivo na Eucaristia para saciar a fome dos que por Ele suspiram, para acolher e consolar todos os que, desiludidos pelas amarguras da vida, se refugiam n'Ele em busca de paz e alívio. E o próprio Jesus nos ampara na aspereza do caminho. "Tomai o meu jugo sobre vós, aprendei de mim, que sou manso e humilde de Coração, e achareis repouso para as vossas almas" (Alleluia). Se é impossível eliminar da vida toda a dor, é no entanto possível, a quem vive com Jesus, sofrer em paz e encontrar no Seu Coração repouso para a alma cansada.

   2- O Evangelho e a Epístola fazem-nos considerar ainda mais diretamente, o Coração de Jesus. O Evangelho (Jo. 19, 31-37) mostra-nos o Seu Coração posto a descoberto pela ferida da lança, e Santo Agostinho comenta: "O Evangelista disse abriu, a fim de nos mostrar que, de alguma maneira, se nos abre ali a porta da vida, donde brotaram os Sacramentos". Do Coração trespassado de Cristo - símbolo da amor que O imolou por nós na Cruz - brotaram os Sacramentos, figurados na água e no sangue saídos da Sua chaga, através dos quais recebemos a vida da graça; sim, é justo dizer que o Coração de Jesus foi aberto para nos introduzir na vida. "Estreita é a porta que conduz à vida" (Mt. 7, 14), disse Jesus um dia; mas se por esta porta entendemos a chaga do Seu Coração, podemos dizer que não nos podia abrir uma porta mais acolhedora.
   São Paulo, na sua belíssima Epístola, (Ef. 3, 8-19), convida-nos a entrar, ainda mais adentro, no Coração de Jesus para contemplar as Suas "riquezas incompreensíveis" e penetrar o "mistério escondido, desde o princípio dos séculos, em Deus". Este "mistério" é exatamente o mistério do amor infinito de Deus que nos preveniu desde a eternidade e que nos foi revelado pelo Verbo feito carne; é o mistério daquele amor que nos quis remir e santificar em Cristo, "no qual temos segurança e acesso a Deus". Mais uma vez Jesus Se nos apresenta como a porta que conduz à salvação: "Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo" (Jo. 10, 9); e a porta é o Seu Coração que, rasgando-se por nós, nos introduziu na vida. Só o amor nos pode fazer penetrar neste mistério de amor infinito; mas não basta um amor qualquer, é necessário, como diz São Paulo, estarmos "arraigados e fundados na caridade". só assim poderemos "conhecer aquele amor de Cristo que excede toda a ciência, para que sejamos cheios de toda a plenitude de Deus". 

   Colóquio: ... "Se vós, ó Jesus, sois a minha Cabeça, por que não deverá chamar-se meu, aquilo que é Vosso? Não é verdade que são meus os olhos da minha cabeça? Portanto o Coração da minha Cabeça espiritual é o meu coração. Que alegria para mim! Olhai: Vós e eu temos um só coração. Entretanto, ó Jesus dulcíssimo, havendo reencontrado este Coração divino que é Vosso e meu, elevarei a Vós, Deus meu, a minha prece: acolhei no sacrário das Vossas audiências as minhas orações, ou antes, atraí-me inteiramente ao Vosso Coração" (São Boaventura). 

(Meditação extraída do Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de Sta. M. Madalena, O.C. D.)

quinta-feira, 22 de junho de 2017

UNIÃO DO NOSSO CORAÇÃO AO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
22º dia de junho

Meditamos sobre a Comunhão, e logo pensamos na união do nosso coração ao Coração de Jesus.
Iniciemos nossa meditação com a belíssima explanação feita por S. João Eudes: "Jesus Filho de Deus e filho do homem... não sendo somente nosso Deus, nosso Salvador e soberano Senhor; mas mesmo, sendo nossa cabeça e nós os seus membros e seu corpo, diz S. Paulo, osso de seus ossos, e carne de sua carne (Ef 5, 30) e, por conseguinte, estando unidos a ele pela união mais íntima que possa existir, tal a dos membros à cabeça; unidos a ele espiritualmente pela fé e pela graça que nos deu no santo batismo; unidos a ele corporalmente pela união do seu santíssimo corpo com o nosso na santa Eucaristia, segue-se daí necessariamente que, como os membros são animados do espírito da cabeça e vivem de sua vida, assim também devemos estar animados do espírito de Jesus Cristo, viver de sua vida, caminhar em suas veredas, revestir-nos de seus sentimentos e inclinações, fazer todas as nossas ações nas disposições e intenções com que ele faz as suas, em uma palavra, continuar a realizar a vida, a religião e a devoção que ele exerceu sobre a terra" (Reinado de Jesus, parte II).

Realmente não pode existir união mais íntima, união significada por São Paulo em várias passagens: "Revesti-vos de Jesus Cristo" (Rom. XIII,14); "Revesti-vos do homem novo" (Ef. IV, 24); Animai-vos dos sentimentos que animam a Jesus Cristo" (Fil. II, 5)

Caríssimos, ouçamos a Santa Margarida Maria escrevendo a uma visitandina de Moulins: "É preciso, que nos consumamos todas nessa fornalha ardente do Sagrado Coração do nosso adorável Mestre... e depois de termos lançado o nosso coração, todo cheio de corrupções, nas chamas divinas do puro amor, aí devemos tomar um outro, novo, que nos faça viver para o futuro de uma vida renovada... é preciso que esse divino Coração de Jesus tome de tal modo o lugar do nosso, que só ele viva e atue em nós e por nós, que sua vontade mantenha a nossa por tal forma aniquilada, que possa agir sem resistência alguma da nossa parte; enfim, que seus afetos, pensamentos e desejos tomem o lugar dos nossos, mas principalmente o seu amor, que se amará a si mesmo em nós e por nós" (Obras, t. II, p. 468).

O mesmo ensina o Beato Padre Olier em sua belíssima oração tão conhecida, apreciada e rezada por muitos: "Ó Jesus, vivendo em Maria, vinde e vivei em nós, com o vosso espírito de santidade, na plenitude do vosso poder, na perfeição de vossas veredas, na verdade de vossas virtudes, na comunhão de vossos divinos mistérios; dominai em nós todas as forças inimigas, na virtude de vosso Espírito e para a glória de vosso Pai".

Que o Santíssimo Coração de Jesus reproduza no nosso pobre coração as suas virtudes: a humildade de sua Encarnação, a pobreza de seu nascimento, o recolhimento e retiro dos seus trinta anos de vida oculta, o zelo de sua vida pública, a generosidade de sua imolação e o fervor de suas orações. Deus Pai verá assim em nós, a imagem fiel, de seu divino Filho em quem pôs todas as suas complacências. Deus se comprazerá em ver o nosso coração tão unido ao Sacratíssimo Coração de seu Filho como um só coração, assim como a nossa vontade tão conformada a de Jesus como se visse só a de Seu Filho. Quão desejável esta íntima união nossa com Jesus! Pois assim o Pai verá o próprio Jesus cobrindo-nos, envolvendo-nos, escondendo-nos em si, Jesus animando-nos, movimentando-nos, agindo em nós e por nós.


Na verdade, Jesus ama cada um de nós com um amor inefável e esse amor faz com que Ele se mantenha unido a todos por uma união que deseja tornar cada vez mais estreita, cada vez mais perfeita. Devemos ver Jesus no nosso coração e o nosso coração no Coração de Jesus. Pela comunhão feita com todas as devidas disposições, é certo que somos transformados em Jesus, nossa vida é a vida de Jesus, nosso coração está transformado no Coração de Jesus e, como São Paulo, podemos dizer no momento bendito e inefável da sagrada comunhão: "Eu vivo, mas, na verdade, não sou eu quem vive, é Jesus quem vive em mim" (Gál. II, 20). Parafraseando: Meu coração bate, mas, na verdade, não é mais o meu, é o Coração de Jesus que bate em meu peito. Amém!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS E A COMUNHÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
21º dia de junho

 Nosso Senhor Jesus Cristo é a própria humildade. Pois bem,  Jesus quer cultivar e fazer frutificar na alma do comungante esta bela virtude da qual dá na Eucaristia tão comovedores exemplos, como meditamos anteriormente. Mas é claro, o Coração Eucarístico de Jesus quer encontrar corações bem dispostos, o que significa corações o mais parecidos possível com o Seu. Nada de amor próprio que não sabe sofrer humilhações; nada de tibieza, nada de apego à vontade própria; para bem longe o amor dos prazeres. Caríssimos comungantes,  devemos preparar uma mansão digna para Jesus, de dois modos: primeiro afastando estes sentimentos que Lhe desagradam, e, segundo, praticando as virtudes que constituem a beleza de seu divino Coração. Esta preparação remota para a comunhão facilita a preparação imediata, ou seja, o recolhimento e a oração.

E quando comungamos devemos adorar a Deus e humilhar o nosso nada em Sua presença. Devemos unir os nossos sentimentos aos d"Ele. O Salvador, aos vir a nós na Comunhão, procura logo a glória do Pai. O Coração de Jesus, deste novo altar que é o nosso coração, oferece a Deus Pai suas homenagens, e convida-nos a unir-nos a Ele. Os primeiros pedidos de Jesus são aqueles mesmos que nos ensinou a pedir ao nosso Pai do Céu: que seja santificado o nome de Deus, que venha a nós o seu reino, que sua vontade seja feita. Esta deve ser também a nossa primeira oração, feita em união com Jesus. O Coração de Jesus, ainda a pulsar em nosso peito, ergue a Deus Pai atos de amor que O glorificam mais do que todos aqueles que por ventura praticamos ou viermos um dia a praticar. Deus é adorado, amado, bendito, louvado e agradecido, por um Deus, no mais íntimo de nosso ser.

A alma apaixonada de amor a Deus não pensa em si primeiro mas antes, procura se unir a Jesus na adoração ao Seu Pai e ao nosso Pai que está no Céu. Mas, é claro, Jesus mesmo quer que logo após pensemos em nós mesmos.  Que peçamos a sua graça para vencermos as nossas misérias e fraquezas. Ah!, caríssimos, quão felizes são aqueles que se chegam a Jesus cheios de santo e ardente amor! No momento da Comunhão o Pai contempla com infinita ternura o Coração de seu Filho, e com certeza se compraz em ver o nosso coração humilde. Compraz-se em ver que a oração do seu Filho Eterno e a do seu filho adotivo transformado n'Ele pela comunhão, fazem a mesma oração de adoração; vê com complacência os seus protestos de amor, suas homenagens de adoração, de reconhecimento, reunidos, elevarem-se até ao Seu trono de Glória. E assim, com certeza o Pai Celestial Todo-poderoso, não poderá recusar os pedidos do comungante feitos em seguida, no sentido da santificação de sua alma.

Como já temos meditado, Jesus, com seu Coração cheio de bondade, passou fazendo o bem. E agora a Comunhão é, ainda na terra, como que o termo dos desejos de Jesus, o alvo de seus esforços, o derradeiro escopo de seus trabalhos. Aí se completa a obra da Encarnação; aí, a carne que recebeu no seio puríssimo de Maria Santíssima se une à nossa carne para purificá-la; aí, sua alma se une à nossa alma para santificá-la; aí, Seu Coração se une ao nosso coração, para nele derramar seu amor. Jesus se alegrava em sua vida pública em fazer o bem aos fiéis. Aqui na Comunhão alegra-se também vendo os esforços de seus fiéis que procuram adquirir as virtudes e ter os mesmo sentimentos que, embora fracos, são semelhantes às virtudes e sentimentos de Seu Coração manso e humilde na Eucaristia. Como o Coração de Jesus vibra de alegria vendo estes corações de seus fiéis tendo os mesmos desejos da glória do Pai e da salvação das almas! Amém!

terça-feira, 20 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS E A HUMILDADE

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
20º dia de junho

"Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração". Nosso Senhor Jesus Cristo, na verdade, é o modelo perfeito de todas as virtudes. No entanto quis fazer menção especial da humildade e da mansidão, virtudes estas que podemos chamar de irmãs. Os teólogos dizem que a humildade  com sua forma própria não se encontra em Deus, porque ela supõe pequenez e inferioridade. Como a humildade é a verdade, ela só se aplica a nós homens porque a verdade é que somos nada e um nada pecador. Reconhecer isto é humildade de inteligência mas ainda não é virtude. Aceitar ser tratado assim como pecadores e nada merecedores de elogios é a virtude da humildade. A virtude está na vontade. Reconhecer que o que temos de bom não é nosso mas vem de Deus é também humildade, porque esta a verdade: por nós mesmos não podemos ter nem sequer um bom pensamento. Toda nossa capacidade para o bem vem de Deus. São Paulo diz: "Que tens tu, que não recebesses? E, se o recebeste, porque te glorias, como se o não tiveras recebido? (1 Cor., IV, 7).

A criatura, com efeito, se quiser ser justa e veraz, deve reconhecer que Deus é tudo e que ela é nada; que toda força, toda a virtude, toda a beleza, toda a bondade provêm de Deus, e que, por si mesma, não é senão fraqueza e miséria, ou antes é o próprio nada. A criatura, se quiser ser justa e sincera, não pode desconhecer as grandezas de Deus; e diante d'Ele deve se aniquilar. Deus é santo, a criatura é pecadora; Deus é justo e benfazejo, e ela, injustiça e egoísmo; que Deus é paz e misericórdia, e ela, ira e maldade.

Até aqui falamos de uma humildade comum. Há uma humildade muito mais perfeita, mais difícil e consequentemente mais meritória. Consiste em nos rebaixarmos além do que merecemos. Jesus Cristo é o modelo acabado dessa humildade. O Homem-Deus, o Verbo Encarnado, como escreveu S. Paulo, humilhou-se até ao aniquilamento: "Tende entre vós os mesmos sentimentos que houve em Jesus Cristo, o qual, existindo no forma (=natureza) de Deus, não julgou que fosse uma rapina o seu ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens e sendo reconhecido por condição como homem. Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até a morte, e morte de cruz!" (Filipenses, II, 5-8).

Na verdade, já desde o início de sua vida terrestre, o Verbo, fazendo-se carne praticou um ato sublime de humildade. E toda Sua vida foi uma série de atos de humildade. Entregou o seu espírito como fez ao recebê-lo no início (Eis que venho, ó Pai, para fazer a Vossa vontade", e fez-se obediente até a morte, e morte de cruz, que é a mais humilhante.

Em Jesus a natureza humana deixou livre campo à graça para realizar suas obras enquanto a vontade humana de Jesus foi plenamente submissa à vontade divina: "Seja feita a vossa vontade e não a minha", esta oração do Horto das Oliveiras é o resumo de toda a vida do Divino Mestre.

Nas leituras anteriores meditamos como o Coração de Jesus sempre renunciou à estima, à consideração, à reputação, coisas estas de que os homens se mostram tão ciosos.  Os Santos contemplando sempre este Divino Modelo de infinita humildade, se tornaram tão humildes, que às vezes, os mundanos são tentados a tachá-los até de loucos, quando eles mesmos, ou seja, os santos consideravam uma verdadeira loucura,  pretender elogios e estima sendo como eram um nada criminoso, enquanto que Jesus, a própria inocência e santidade, fez-se obediente até à morte e morte de cruz.


Caríssimos, já que Deus só dá sua graça e sua luz aos humildes, peçamos sempre a humildade. Pedindo, pois, a humildade, pedis uma riqueza espiritual que vale bem longos anos de súplica. Deus nos dará a graça das ocasiões de praticarmos a humildade através das humilhações que sofrermos. Não deixemos passar estas graças, que elas não sejam vãs em nós. Rezemos sempre com grande desejo e sinceridade: "Jesus, manso e humilde de coração! Fazei o meu coração semelhante ao Vosso!" Amém!

segunda-feira, 19 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS E A SANTÍSSIMA TRINDADE

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
19º dia de junho

Estamos contemplando o adorável Coração de Jesus, vivo, palpitante sempre de amor por nós. Meditamos na bondade, ternura, misericórdia e amor do coração de Jesus vivo em sua vida oculta e em sua vida pública, na sua Paixão e Morte e finalmente o adoramos à destra do Eterno Pai após a sua Ascensão. Lá está sempre a interceder por nós, como diz São Paulo. Jesus saiu do Pai e voltou para o Pai. E de lá enviou o Divino Espírito Santo. Assiste a Sua Santa Igreja e mora nas almas em estado de graça. Trabalha sempre no sentido de nos santificar.

A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade é o Filho de Deus. A Terceira Pessoa é o Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, amor substancial, eterno, infinito e pessoal como o Pai e o Filho.

Explica o Símbolo Atanasiano: II. "O Pai não foi feito por ninguém, nem criado, nem gerado. O filho é só do Pai; não feito, não criado, mas gerado. O Espírito Santo é do Pai, e do Filho; não feito, não criado, não gerado, mas procedente. Há, pois, um só Pai, não três Pais; um só Filho, não três Filhos; um só Espírito Santo, não três Espíritos Santos. E nesta Trindade nada existe de anterior ou posterior, nada de maior ou menor; mas todas as três pessoas são coeternas e iguais umas às outras; de sorte que, em tudo, como acima ficou dito, deve ser venerada a unidade na Trindade, e a Trindade na unidade. Quem quer, portanto, salvar-se, assim deve crer a respeito da Santíssima Trindade".

Podemos resumir assim: O Pai, na infinita perfeição da divina natureza, se vê na infinita intelecção do Filho, ou seja do Verbo, e o Pai e o Filho se amam no infinito amor do Espírito Santo.

Na Teologia dizemos que Jesus Cristo é a imagem consubstancial ao Pai Eterno. É a imagem da substância divina e podemos dizer outrossim que o Filho de Deus é a imagem da bondade do Pai. Trata-se aqui também de uma verdade dogmática. Jesus disse ao doutor da Lei que O chamava de Bom: "Ninguém é bom a não ser Deus", só Deus é Bom. Logo o Filho de Deus é a imagem infinita da bondade do Pai Eterno. Santo Tomás de Aquino explica que Deus é metafisicamente bom, porque tem em sua própria essência as razões de sua própria existência e, nele, essência e existência distintas em todos os outros seres, são uma e a mesma coisa. Deus é metafísica e fisicamente bom. É metafisicamente bom porque possui todas as qualidades que são próprias à plenitude da sua natureza. Deus é fisicamente bom, porque sendo eterno e infinito, nada pode faltar à sua plenitude. Devemos dizer que Deus é a bondade metafísica, a bondade física e a bondade moral, no sentido eterno e absoluto. Deus é a própria Bondade.  Sendo Jesus Cristo o Filho de Deus, é a imagem consubstancial ao Pai. Isto quer dizer que Jesus é a imagem do Pai na mesma unidade substancial, embora Pessoa distinta. Ora, imagem consubstancial da bondade de Deus é a própria bondade. Logo, Jesus, o Filho de Deus, é infinitamente bom.

Caríssimos, vede onde queremos chegar com estas explicações teológicas e filosóficas: Se Deus é a própria Bondade e o Filho tem a mesma natureza do Pai, logo o Filho de Deus é também a própria Bondade. Mas a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade uniu-se á natureza humana, e assim devemos dizer que o Filho de Deus ungiu o seu coração humano com a sua bondade divina. Longino que abriu o lado de Jesus, fê-lo com certeza inspirado pelo próprio divino Mestre. O Coração aberto de Jesus, eis a porta por onde a bondade divina pudesse se manifestar em uma torrente de água viva que se precipitou sobre a humanidade.

Para glória de sua bondade infinita, o Coração de Jesus operou uma nova criação, muito mais maravilhosa que a primeira, ou seja a salvação dos homens. "Amou-me e se entregou a si mesmo por mim". Amém!

domingo, 18 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS NA SUA ASCENSÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
18ª dia de junho

O Apóstolo São Paulo na Epístola aos Romanos, capítulo VI, versículo 9, diz: "Cristo ressuscitado dos mortos, não morre mais". Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou imortal e impassível. E São Lucas nos Atos dos Apóstolos I, 1-3 diz: Na primeira narração, ó Teófilo, falei de todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar até ao dia em que, tendo dado as suas instruções por meio do Espírito Santo aos apóstolos que tinha escolhido, foi arrebatado(ao céu); aos quais também se manifestou vivo, depois da sua paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes por quarenta dias e falando do reino de Deus". Em seguida, São Lucas relata as últimas instruções de Jesus revelando que seus apóstolos receberiam dentro de poucos dias o Espírito Santo. Depois elevou-se à vista deles; e uma nuvem o ocultou aos seus olhos. Isto se deu no Monte das Oliveiras na presença de Sua Santíssima Mãe e dos Apóstolos, e de muitos outros discípulos.

Depois da ressurreição, como atesta São Lucas, Jesus se manifestou vivo aparecendo-lhes naqueles quarenta dias. Nesta aparições Jesus fez questão de demonstrar que era Ele mesmo com o seu corpo. Mostrou aos Apóstolos as suas chagas. Jesus ressuscitou glorioso, e portanto seu corpo é real mas transformado, resplandecente de glória. Assim estavam suas chagas, inclusive a do Seu Coração adorável. O Apóstolo Tomé as tocou com o dedo.
Jesus levou consigo como troféu da sua vitória, as almas santas, que tinha tirado do limbo dos justos ou Seio de Abraão.

Caríssimos, nossa pequenez não é capaz de formar um ideia exata do júbilo de toda a Corte celestial, á entrada de Nosso Senhor Jesus Cristo no Paraíso. São Boaventura imaginava ver os nove coros de Anjos e ainda os Santos Patriarcas, os profetas e todos os justos do Antigo Testamento, que acabaram de entrar após Jesus no Reino Eterno da Glória, vindo sucessivamente celebrar os louvores do Divino Rei e oferecer-Lhe as suas homenagens: "Todos se alegram, diz o santo, todos se regozijam, todos aplaudem. Então ressoa por todo o âmbito da celestial Jerusalém o cântico de alegria, o Aleluia triunfador".

Em uníssono todos repetem aquelas palavras do Apocalipse: "Digno é o Cordeiro, que foi sacrificado, de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a fortaleza, a honra, a glória e a bênção... pelos séculos dos séculos. Amém (Apocalipse V, 12).

Eis o momento mais solene: o Pai Eterno recebe seu Filho que se senta à Sua direita, cumprindo-se assim aquela profecia de Davi: "Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te a minha direita" (Salmo 119, 1); o que quer dizer: "Ocupa o mesmo trono; reina e governa comigo sobre tudo o que está criado, com autoridade igual à minha, como Deus, e com poder supremo sobre o céu e a terra, enquanto Homem; "De maneira que Jesus Cristo Nosso Salvador, como Cabeça e Senhor de tudo, está no Céu sobre os Anjos e Arcanjos, sobre as Potestades e Dominações, sobre os Querubins e Serafins.

Mas Jesus não está ali somente para a sua própria glória, ou para constituir a glória e felicidade dos eleitos; está sobretudo para ser nosso Advogado diante do Pai, orando e intercedendo constantemente em nosso favor. É o que afirma São Paulo: "Porque permanece para sempre, tem um sacerdócio que não passa. Por isso pode salvar perpetuamente os que por ele mesmo se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por nós" (Hebreus VII, 24 e 25). E assim, para interceder por nós, Jesus Cristo apresenta seu Coração aberto, e as suas outras chagas resplandecentes de glória. Apresenta a Seu Pai os méritos de seu precioso Sangue, derramado pela salvação da humanidade. Este Sangue de valor infinito foi derramado realmente uma vez na cruz, e misticamente quantas vezes se imola e oferece no altar quando os sacerdotes celebram o Santo Sacrifício da Missa. Eis, caríssimos, toda nossa esperança!

Jesu Cristo, pois, está vivo no Céu, vivo e glorioso com seu corpo, sangue, alma e Divindade. Portanto está com o Seu Sacratíssimo Coração. Ali Ele nos espera, para ser um dia a nossa recompensa eterna. Amemos a Jesus porque Ele merece todo nosso amor. Amemos este Coração Divino que contemplamos enquanto esteve aqui entre nós, e que a modo de substância estará ainda conosco até o fim do mundo  na Santíssima Eucaristia,  quando então, pela sua misericórdia, temos a esperança de contemplar e adorar eternamente na Jerusalém celeste.Amém!

sábado, 17 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS NA SUA PAIXÃO E MORTE

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
17º dia de junho

São Paulo resume todo o amor do Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo nesta frase: "Amou-me e entregou-se por mim". Outra palavra do divino Espírito Santo que mostra o amor infinito do Salvador pelos homens é esta profecia de Isaías: "Foi oferecido em sacrifício, porque ele mesmo quis" (Isaías 53, 7). Temos aqui a causa da Paixão e morte do amantíssimo Salvador: o amor de seu adorável Coração  por todos e por cada um de nós. Caríssimos, na verdade, só o amor infinito do divino Coração de Jesus pode explicar a maneira tão dolorosa e humilhante com que Nosso Senhor Jesus Cristo quis realizar a obra da nossa redenção. Segundo a profecia de Isaías, assim foi porque "Ele quis". Se, como afirma S. Paulo, entregou-se por mim e fê-lo voluntariamente, é porque foi movido unicamente pelo amor de seu Coração. Porque, por efeito da união hipostática da natureza divina à humana, todo ato do Homem-Deus tinha valor infinito: uma lágrima, uma gota de sangue, uma oração, mesmo um suspiro seriam suficientes para remir toda a humanidade. Mas como diz muito bem São João Crisóstomo: "o que bastava para a redenção não bastava para nos revelar o seu amor". Jesus quis mostrar de um modo bem patente a imensidade do amor de seu Coração. Sendo Ele a própria inocência quis VOLUNTARIAMENTE, padecer tristezas, quis ser saturado de opróbrios, humilhações, dores e angústias. Foi traído, suas faces foram conspurcadas por escarros, machucadas tapas e bofetadas, todo seu corpo despedaçado por açoites, sua sacrossanta cabeça ferida por uma coroa de espinhos penetrantes e que se tornaram verdadeiro martírio porque enterrados mais fundos por golpes da cana. Jesus quis que seu Sacratíssimo Coração fosse alvo de todas as humilhações. Pois, quis ser condenado à morte como malfeitor. E morte na Cruz. E ele mesmo carregou o madeiro no qual seria pregado e suspenso da terra. Quis permanecer três horas suspenso e seguro por três pontiagudos cravos. Quis sofrer uma sede horrível. Quis sofrer assim em todo seu corpo exterior e interiormente. E também no espírito: a amargura e desolação infinitas.

E nesta cátedra de amor e de misericórdia, quais foram os sentimentos do Coração amabilíssimo de Jesus? Pediu perdão para os que o crucificaram, concedeu o Paraíso ao bom ladrão que se arrependeu, deu-nos, na pessoa do discípulo amado, Maria Santíssima como nossa Mãe. Declarou que tinha sede, com certeza sede física, mas para significar a sede mística de almas. Inclinando a cabeça e encomendando o espírito a seu Pai, expirou. "Tudo estava consumado": com o seu sacrifício, a obra da nossa redenção estava realmente consumada. O Coração de Jesus desejou ardentemente esta hora do supremo sacrifício, deste batismo de sangue, para salvar a humanidade. Estava estendida a ponte entre o paraíso que perdemos e o paraíso que agora podemos esperar pelos merecimentos infinitos do Coração do Salvador.

Jesus havia dito que Ele era a PORTA,  a porta por onde suas ovelhas podem entrar no Céu. Como tudo isto foi feito pelo amor infinito de Jesus e deste amor é símbolo o coração, Jesus quis, que já consumada esta obra de supremo amor, fosse patenteada esta porta e este refúgio; quis mostrar a ternura do seu Coração, permitindo que fosse aberto o seu lado com uma lança, para dar-nos com isso a entender que nos ficava aberta a entrada para o seu Coração, aonde podemos sempre acolher-nos como a sagrado e doce refúgio.


Caríssimos, contemplemos agora, o Salvador cravado na cruz por nosso amor, com a coroa de espinhos na cabeça, todo o seu corpo coberto de sangue, com as quatro chagas dos cravos e a da lança.  Estas cinco chagas abertas são como outras cinco bocas que estão pedindo amor como explica Santo Agostinho: "Grava, Senhor, as tuas chagas no meu coração, para que me sirvam de livro, onde eu possa ler a tua dor e o teu amor: a tua dor para suportar por Ti toda a sorte de dores; o teu amor para amar-Te ardentemente e para desprezar pelo teu todos os outros amores." Disse S. Paulo: "O amor de Cristo obriga-nos" (2 Cor. V, 14). E assim comenta São Francisco de Sales: "Verdadeiramente nada move tanto o coração dos homens como o amor... Ora, sabendo nós que Jesus Cristo, nosso verdadeiro Deus, nos amou até sofrer por nós a morte, e morte na cruz, não é isto razão para ter os nossos corações apertados e comprimidos para tirar deles todo o sumo precioso do amor, com uma violência que, quanto mais forte é, mais deleitoso se torna?" Amém!

sexta-feira, 16 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS EM ALGUNS FATOS DE SUA VIDA PÚBLICA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
16º dia de junho

Caríssimos, contemplemos agora, embora brevemente, alguns rasgos da inefável e terna caridade do Coração de Jesus.

Certa vez o divino Mestre caminhava perto do mar da Galileia e subiu a um monte e ali sentou-se. Grande multidão seguira-O. Traziam cegos, mudos, paralíticos, e muitos acometidos de outras enfermidades. Puseram todos estes doentes perto de Jesus. Ele, movido de compaixão, curou-os a todos.

Feitas estas curas, levantando os olhos, avistou uma imensa multidão, que O seguia, despreocupada do alimento corporal e ávida sobretudo por alimentar suas almas com a doutrina celestial do Mestre divino. Diante deste espetáculo de devotamento e de fé, o Coração de Jesus enterneceu-se e disse aos seus discípulos: "Tenho compaixão desta multidão de gente; porque há três dias que estão comigo, e não têm o que comer; e se os mando para suas casas em jejum desfalecerão pelo caminho, porque alguns deles vieram de muito longe. E lemos no evangelho de S. Mateus XV, 32 e Marcos VIII, 2 e seguintes que tendo mandado que todos se sentassem no chão, realizou o estupendo milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, e, assim, matou a fome corporal também daquele povo. Que bondade e ternura do Coração de Jesus!

Meditemos em outro fato que S. Lucas narra no seu evangelho capítulo VII, 11-15: Jesus estava a caminho de uma pequena aldeia chamada Naim. Jesus Cristo ia acompanhado dos seus discípulos e de uma grande multidão. Próximo já da porta da cidade, encontram-se com um enterro. O morto era filho único de um pobre viúva. A mãe, mergulhada em profunda dor, derramava abundantes lágrimas. O Coração de Jesus, a vista daquela mão lagrimosa, comoveu-se profundamente. "Não chores", disse-lhe. Saída esta frase de quaisquer outros lábios, não teria sentido, mas dos lábios do divino Salvador, era uma esperança certa não só de consolo mas de alegria. Só Jesus podia estancar as lágrimas de uma mãe enlutada, porque só Ele podia restituir a vida. E foi o que fez logo a seguir. Abeirando-se do féretro, disse: "Jovem, levanta-te". E logo se levantou o morto e começou a falar. E Jesus entregou-o a sua mãe. Contemplemos a alegria do Coração de Jesus em ver aquela mãe tão feliz abraçada ao seu querido filho, o único arrimo e a maior alegria de sua vida.

Cena comovente com certeza seria Jesus chorando. E por duas vezes são relatadas as lágrimas de Jesus Cristo: sobre Jerusalém e junto ao túmulo de Lázaro. Do alto do Monte das Oliveiras, na última visita que faria a cidade de Jerusalém, ao avistar lá de cima toda cidade, e ao ver com espírito profético o terrível castigo que esperava esta cidade ingrata e que cometeria o maior crime possível sobre a terra, isto é, o deicídio, Jesus começou a chorar. E disse qual a razão de suas lágrimas: "Se ao menos neste dia, que te é dado, tu também conhecesses o que te pode trazer a paz! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos. Porque virão para ti dias em que os teus inimigos se cercarão de trincheiras, te sitiarão, te apertarão por todos os lados, derrubarão por terra a ti e aos teus filhos, que estão dentro de ti e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo em que foste visitada" (S. Lucas VII, 11-1).


Quanto às lágrimas de Jesus junto ao túmulo de seu amigo Lázaro de Betânia, fala-nos o evangelista S. João no capítulo XI, versículos de 33 a 36: "Jesus, porém, vendo-a [Maria] chorar, a ela e aos judeus, que tinham ido com ela, comoveu-se profundamente e perturbou-se, e disse: Onde o pusestes? Eles responderam: Senhor, vem ver. Jesus chorou. Disseram por isso os judeus: Vejam como ele o amava". E nós também exclamamos: que imensa ternura e amabilidade neste Coração divino! Amém!

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS NA INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
15º dia de junho

Contemplemos o amabilíssimo Coração de Jesus na instituição deste adorável Sacramento. Foi um momento extremamente solene, pois, foi na véspera de Sua Paixão e Morte. Jesus Cristo celebrava a última Páscoa com os seus discípulos no Cenáculo. Poucos momentos antes das cenas dolorosas da sua Paixão. Dentro de algumas horas irá morrer numa Cruz. Como já por várias vezes havia predito, depois ressuscitaria e passados ainda quarenta dias aqui na terra subiria ao Céu para voltar a terra no dia do fim do mundo, para julgar publicamente todos os vivos e os mortos, isto é, os bons e os maus. Então quais teriam sido os sentimentos do Coração de Jesus? Sua atitude será de uma infinita ternura; seu Coração bate com força, com o impulso, um surto de inefável amor: seus lábios revelarão a caridade que arde grandemente em seu Coração: "Desejei ardentemente celebrar esta Páscoa convosco", dirige-se aos seus Apóstolos. Não os quer deixar órfãos. Tomou o pão em sua sacrossantas mãos e disse: "Tomai e comei, isto é o meu Corpo". Igualmente tomando o cálice com vinho em suas mãos disse: "Tomai e bebei, este é o meu Sangue... Fazei isto em memória de mim... Eu sou a vide e vós os sarmentos; o que está em Mim e eu nele, este terá muito fruto... Como o Pai me amou, assim também Eu vos amei. Permanecei no meu amor" (S. Lucas XV, 19 e 20; S. João XV, 4-9). E no mesmo instante em que Nosso Senhor Jesus Cristo pronunciou estas palavras: "Este é o meu Corpo; este é o meu Sangue", por virtude do seu poder infinito, converteu o pão que tinha em suas mãos nos seu sacratíssimo Corpo; e o vinho no seu Sangue. E pelas palavras que ajuntou a seguir: "Fazei isto em memória de mim", deu poder aos seus Apóstolos, e neles a todos os sacerdotes que lhes haviam de suceder no sagrado ministério, para realizarem em seu nome e por sua virtude a mesma conversão e transubstanciação eucarística, quando celebram a Santa Missa, e exatamente no momento da Consagração.

Assim, caríssimos, Jesus não nos deixou órfãos, sem amparo e sem alimento neste vale de lágrimas. Ele será o Emanuel, isto é, o Deus conosco. Sua carne e seu sangue serão o alimento de nossa almas. Ele permanecerá conosco, outrossim, para Ele mesmo ser o nosso amparo. Os pagãos inventavam inúmeros deuses, mas nunca ousavam imaginar sequer um deus que pudesse estar pertinho deles. O Coração adorável do Filho de Deus humanado quis, através da Santíssima Eucaristia, estar bem junto de nós. Ali no sacrário está portanto o nosso divino Salvador, real e verdadeiramente na Hóstia consagrada. Ali está para nos fazer companhia e ser todo o nosso consolo. É claro que está para receber o tributo de nossa adoração, mas também está para nos dizer: "Quem estiver aflito, acabrunhado, venha a mim e eu vos aliviarei". Que bondade inefável a do Coração de Jesus!!! Está sempre à nossa disposição, não é mister estar marcando audiência, está sempre disposto a ouvir as nossas súplicas, acolher as nossas aflições e ser, na santa Comunhão, alimento e vida da nossa alma.  Vede, caríssimos, que grande amor nos manifesta o Coração de Jesus na Eucaristia.

Terminemos esta nossa leitura espiritual com as reflexões de São Francisco de Sales: "Em nenhuma outra ação se pode considerar Jesus Cristo nem mais terno nem mais amante que na Santa Eucaristia, na qual se reduz, por assim dizer, e se converte par nós num manjar deleitoso, para entrar nas nossas almas e unir-se estreitamente ao coração dos seus filhos".Amém!


VISITA AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO DO ALTAR



Estás, ó minha alma, na presença do teu Deus! Aqui está sobre este altar Jesus Sacramentado, aquele mesmo que se fez homem por teu amor. Recolhe-te, pois, dentro de ti mesma; despe todos os cuidados terrenos e adverte bem que entras a falar com Deus. Une-te em espírito aos milhões de Serafins, que cercam o sagrado tabernáculo, e adora tu também com os anjos e santos a teu Senhor, ao Deus de infinita majestade que em si só resume as delícias e glória do paraíso.

Meu Jesus amantíssimo, creio firmemente, porque assim o ensinastes, que vós estais presente neste divino Sacramento em Corpo, Sangue, Alma e Divindade; que sois Aquele mesmo Deus, que por mim encarnastes, nascestes e morrestes, e agora vos assentais à direita de vosso divino Pai, e que um dia haveis de ser ainda meu Remunerador. Tudo isso eu creio, ó meu Jesus, e em vós creio que sois a primeira e infalível verdade. Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé, já que a vossos pés humilhado vos adoro com os Anjos do Céu, em espírito e verdade, e todo me confundo e desapareço no abismo de vossas perfeições infinitas e do meu nada.

Ó Jesus, todo meu amor, Deus de toda a esperança, confiado nas vossas promessas, espero de vossa infinita Misericórdia todo o bem. Eu sei que o vosso sangue me perdoa todos os pecados, me dá a confiança de me chegar a vosso divino Pai, e me abre as portas do Céu. Espero que sobre mim derramareis a enchente de vossas graças para que eu possa viver santamente nesta vida mortal e depois gozar eternamente no Céu. Tenho a firme certeza de que alcançarei tudo o que de Vós espero.
Meu Senhor Sacramentado, que todo ardeis em chamas de caridade, e vos abrasais em vivíssimo fogo de amor para comigo, que mais não sou para convosco do que a mesma dureza e insensibilidade! Quem me dera que eu todo ardesse em vosso amor! Pudera eu amar-Vos como juntos Vos amam o Céu e a Terra! Acendei, Vos rogo, ó Jesus, em meu coração gelado um amor digno de Vós. Fazei que toda a minha alma e todo o meu ser se empreguem em Vos amar. Amo-Vos, Criador e Redentor meu, e Vos amarei sempre. Meu desejo é ver-Vos amado de todo o mundo e procurar-Vos toda a glória que mereceis, ainda mesmo à custa do meu próprio sangue.

Reconheço, Senhor, a minha impiedade, e detesto os meus pecados. O pó levantou-se contra Vós, o nada rebelou-se contra o Tudo. Ah! meu Jesus, que monstro de ingratidão sou eu! Longe de amar-Vos, vos tenho ofendido, e o que é pior ainda na vossa presença, meu Deus Sacramentado. Agora, porém, Vos peço perdão de todos os meus pecados; pesa-me  de os haver cometido, e mais que tudo detesto as ofensas feitas contra Vós, meu Bem infinito, amável sobre todas as coisas. Antes morrer, ó Jesus, do que tornar a ofender-Vos. Bem sei que sou indigno de perdão, mas vossa infinita Misericórdia me anima a esperá-lo. Perdoai-me, pois, ó Pai de infinita Misericórdia e sustentai a minha fragilidade.

Graças Vos dou, amabilíssimo Jesus, de todo o meu coração por Vos terdes deixado ficar entre nós no Santíssimo Sacramento do Altar; por terdes entrado em minha alam pela sagrada Comunhão, fazendo-Vos meu alimento, e por me admitirdes agora na vossa divina presença. Por mim Vos deem as devidas graças os Anjos do céu, todos os santos, e as almas dos justos e sobretudo Vossa Mãe, Maria Santíssima.

Meu dulcíssimo Jesus, que poderei dar-vos em troca de vos terdes sacrificado inteiramente por meu amor? Tomai todo o meu ser que vos ofereço em perpétuo holocausto; e por isso Vos consagro minha alma com todas as suas potências, meu corpo com todos os seus sentidos, e meu coração com todos os seus afetos. Aos interesses de vossa glória ofereço outrossim tudo quanto está ao meu alcance, quanto sou e quanto posso.

Eu Vos recomendo, Senhor, a Igreja, vossa Esposa, e o Sumo Pontífice, seu chefe visível . Enchei-o de vosso Espírito para santificação sua e nossa. Recomendo-vos também os hereges e infiéis para que das trevas de seus erros passem à luz da vossa Fé. Recomendo-Vos as minha necessidades espirituais e temporais e as de todos os fiéis cristãos. A todos dai-nos o necessário sustento, e fazei que reinem entre nós a paz e vossa divina graça. Dai descanso, Senhor, às almas do Purgatório; ajudai aos agonizantes; consolai os aflitos; convertei os perseguidores. Rogo-Vos também em favor dos pobres pecadores, para que esclarecidos com vosso divino lume e com a vossa graça, convertidos por meio de uma verdadeira penitência, tornem a Vós, Pai amoroso, sempre pronto a acolhe-los; outrossim Vos suplico por aqueles que nos regem e governam, para que o façam com justiça e respeitando sempre os Vossos preceitos;  por meus parentes, benfeitores, amigos e também inimigos, que assim mandais.

Rogo-Vos, enfim, que desse trono de Misericórdia, desse tabernáculo de Amor, desse altar de graças, me concedais o que tantas vezes me tendes prometido dar. Eu Vos peço o Espírito do bem e, por vosso intermédio, dulcíssimo Jesus , o peço a Vosso divino Pai. Oh! dai-mo para ter forças de resistir ao demônio e de vencer as suas ciladas; dai-mo para que com ele e com vossa graça possa perseverar constantemente no bem até exalar o último alento de minha vida.

Ouvi meus prantos, Senhor; escutai meus rogos, Deus de Misericórdia, que assim me vereis sempre sujeito à vossa divina Lei, e conformado com a vossa santíssima vontade.


Vinde a mim, Senhor; vinde a meu coração e santificai-o com a vossa graça. Vinde, ó saudade dos eternos outeiros, esperado de todas as nações, amor de todos os Patriarcas; vinde a mim. Uno-me convosco, e no vosso Coração sagrado todo me escondo. Outro bem não quero, senão a Vós. Fora de Vós nada mais quero. Dai-me vossa bênção, só ela me satisfaz eternamente. Amém!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS E A EUCARISTIA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
14º  dia de junho

"Tendo amado os seus que estavam neste mundo, amou-os até o fim" (S. João, XIII, 1)

Na quinta-feira depois do terceiro domingo após o Pentecostes, celebra a Santa Madre Igreja a Festa do Coração Eucarístico de Jesus.

Jesus Cristo nos amou até ao extremo, dando-nos todo a nós na Santíssima Eucaristia, Divindade e Humanidade. E no mistério da Eucaristia temos o Coração vivo de Jesus Cristo. Na verdade, se Jesus o Filho de Deus, onipotente e capaz de operar a maravilha das maravilhas, diz-me mostrando o pão: "Isto é o meu corpo", sou obrigado a tomar a sua palavra literalmente, a menos que Ele mesmo me explique doutra forma. Mas Jesus Cristo não o explica: exige  que seus discípulos assim o creiam. É um mistério de fé. E "bem-aventurados os que não viram e creram".

O Coração de Jesus instituiu a Santíssima Eucaristia de tal modo que as hóstias consagradas pudessem se multiplicar em milhares e milhões sobre a terra. Este prodígio foi possível porque o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo está na Eucaristia enquanto substância, a modo de substância, como explica Santo Tomás de Aquino. Despojado das proporções que toma a quantidade mensurável de seus elementos e que lhe determinam um lugar nos espaço. Assim, a substância, em si mesma, não tem superfície, nem contorno, nem comprimento, nem largura, nem profundeza. A substância, enquanto substância, é distinta dos seus acidentes, pode ser separada deles, por conseguinte libertada dos limites que aprisionam o corpo. Na Hóstia consagrada vemos as aparências do pão, mas a substância não é mais a de pão, mas sim a substância do Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.  Esta maneira de ser, diz Santo Tomás de Aquino, é própria do Sacramento do Altar, Jesus Cristo está, aí, presente não como um corpo num lugar, mas sob um modo especial, isto é, a modo de substância. Assim pode estar sacramentalmente presente simultaneamente em todos os lugares do mundo. E também, sendo partida a Hóstia consagrada e, mesmo, em cada fragmento, Jesus está realmente presente. Este é o motivo porque se usa a patena para amparar qualquer fragmento que possa se desprender da Hóstia. 

A Santíssima Eucaristia é um mistério de fé e também de amor. "Tendo amado os seus que estavam neste mundo, amou-os até o fim". Este "até o fim" é interpretado mais comumente pelos Santos Padres como "até o último limite", "até ao extremo". Jesus Cristo morrendo na Cruz para nos salvar, deu-nos a maior prova de seu amor. Deu a sua vida por nós, para que de escravos do demônio, pudéssemos nos tornar "filhos de Deus e herdeiros do Céu". Quis que Sua imolação por nós se perpetuasse pela Eucaristia como Sacrifício, isto é, pela Santa Missa; e quis que a Eucaristia como sacramento fosse o alimento de nossa alma. Assim, exclama Santo Agostinho: "Sendo poderosíssimo, não poderia fazer mais do que fez; sendo riquíssimo, não teria nada mais precioso para nos dar; sendo sapientíssimo, não saberia nos dar algo melhor". Ele é o sumo Bem e deu-Se a si mesmo através da Santíssima Eucaristia.

Aqui nos lembramos da estrofe do hino "Adore Te devote": Piedoso Pelicano, Jesus Cristo, lava a imundície da alma com teu sangue, do qual uma só gota salvar pode de toda a culpa, todo o mundo inteiro.

Santo Tomás com toda propriedade chama Jesus na Eucaristia, de "Piedoso Pelicano". Quantas vezes, caríssimos, ouvimos, enternecidos, a lenda do pelicano: Ouvindo as lamúrias de fome de seus filhotes, o pássaro materno abre as grandes asas e parte. Perscrutou as águas, percorreu matagais e nada encontrou. Pousa sobre um rochedo e ouve o pipilar dos filhinhos famintos. Aproxima-se do ninho, e, de repente, num surto de indescritível ternura maternal, lança-se sobre o ninho. Nada trouxe. Apenas o coração materno. Sem titubear e subitamente  leva o grande bico cortante  sobre o peito e o dilacera. O sangue salta. Os filhos avançam sôfregos sobre coração do pássaro materno e nesta fonte rubra de sangue, sugam e comem loucamente. E o pássaro cai morto vítima de amor pelos seus filhotes.

Jesus também, para não nos deixar órfãos, sem o alimento da alma, dá-nos a sua Carne e o Seu Sangue precioso no Sacramento da Eucaristia. Agora o Piedoso Pelicano não morre, mas é o seu corpo imolado na Cruz e o seu Sangue derramado aí até a última gota por nosso amor que nos são dados em alimento na Comunhão. Amém!


terça-feira, 13 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS E A OITAVA BEM-AVENTURANÇA


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
13º  dia de junho

"Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus".

Esta bem-aventurança vem por último porque, na verdade, é a pedra de toque das demais. É o crisol de toda virtude. O sofrimento suportado por amor a Nosso Senhor Jesus Cristo é a prova insofismável da verdadeira santidade. Ser zombado e insultado, caluniado e até conduzido à morte, justamente por querer comportar-se como autêntico cristão inteiramente fiel a Nosso Senhor Jesus Cristo, é o testemunho do verdadeiro amor ao divino Salvador, que foi perseguido, alvo de contradição e deu a vida por nosso amor. "Sofrer perseguição" é segundo mostra Jesus,  algo violento que pretende tirar-nos a paz, os bens, a reputação e até a vida. E com esta particularidade que mais assusta a nossa natureza: não é algo que passa, mas que nos segue diuturnamente e com tenacidade. O ouro das virtudes não é jogado no crisol e logo tirado, mas deve permanecer aí até ao fim para só assim sair puríssimo e esplendidamente reluzente. "Tu me provaste com o fogo e não foi encontrada em mim iniquidade" (Salmo 16, 3). "Todos os que querem viver piamente em Jesus Cristo, padecerão perseguição' (2 Timóteo III, 12).

Esta bem-aventurança pressupõe em nós todos os méritos das sete bem-aventuranças precedentes e, outrossim, pressupõe todos os seus prêmios. Já houve milagres da graça pelos quais pessoas que estavam na idolatria passaram imediatamente para o martírio cristão e foram logo para o céu. Mas ordinariamente não acontece assim: para se tolerar com paciência alguma grave perseguição, se exige uma longa prática de todas as virtudes como Nosso Senhor mostrou nas bem-aventuranças anteriores, e é a "justiça", ou seja, o compêndio de todas as virtudes. Como na primeira bem-aventurança, também aqui Jesus diz: "porque deles é o reino dos céus". Assim, quem é perseguido por seguir a Jesus Cristo com fidelidade, é julgado no céu como quem é dono de um reino, mas que ainda não tomou posse dele. Por isso que Jesus também disse alhures: "Aquele que perseverar até ao fim, este será salvo".  Não podemos descer da cruz. Para tanto, Nosso Divino Mestre está sempre nos apresentando o seu Coração coroado de espinhos. Não há um só que nos fira e que, antes, já não O haja amargurado. Caríssimos, é mister ter sempre em mente o mistério profundo da Cruz. É esta a lembrança que nos traz contentamento nas perseguições como, de si mesmo, atesta São Paulo. Contemplemos sempre na Cruz o Coração transpassado de Jesus, coração assim por primeiro contemplado e adorado pela Mãe das Dores e pelo discípulo mais amado.

Enquanto, com relação às outras bem-aventuranças, a cada uma corresponde um dom do Espírito Santo, a esta última correspondem todos os dons do Espírito Santo. Correspondem-lhe: o dom do Temor de Deus, pois, é a primeira armadura contra qualquer perseguição; o dom da Piedade, porque ele dá a reverência, o amor filial; o dom da Ciência, porque esta nos faz conhecer o sumo bem que há em permanecer firme  durante a perseguição. A ciência mostra-nos, também, o mal que há em fugir das perseguições; o dom da Fortaleza, que nos dá a coragem necessária para desprezar a perseguição; o dom do Conselho, porque nos faz escolher os meios mais seguros para conseguirmos a vitória contra nossos perseguidores que são insuflados pelo demônio; o dom da Inteligência que nos ilumina para sabermos orar pedindo o socorro divino, a assistência de Jesus e de Nossa Senhora; o dom da Sabedoria, porque ela nos faz agir nas perseguições com aquela segurança que é própria de um comandante experimentado, aguerrido e destemido.


Caríssimos, vede como é importante pedir sempre a Deus Nosso Senhor as virtudes e também os sete dons do Espírito Santo. Amém!