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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Justificação e Graça na Epístola aos Romanos

   Dadas estas explicações (no post anterior), vamos agora apresentar o exemplo de um homem a quem Deus atribuiu JUSTIÇA SEM OBRAS, a quem Deus concedeu a justificação, não como quem paga um salário por dívida, mas por um decreto da sua graça em vista da fé n'Aquele que justifica o ímpio, tal qual como descreveu São Paulo.
   Este foi o bom ladrão que morreu juntamente com Cristo no Calvário. Era um criminoso, seu passado tinha sido deplorável. Mas a graça divina toca o seu coração. Ele é iluminado pela fé: apesar de ver Cristo tão humilhado no suplício da cruz, n'Ele enxerga o Rei Divino, cujo reino não é deste mundo. Da fé nasce a esperança de alcançar a sua complacência: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino (Lucas XXIII-42). Da fé nasce a caridade, o amor a Cristo pelo qual defende o Divino Mestre contra as blasfêmias do seu companheiro, não temendo proclamar abertamente, perante os algozes, a inocência do Salvador, quando os próprios Apóstolos não tiveram coragem de vir assim proclamá-la, da fé nasce o reconhecimento de seus erros, o arrependimento sincero de todos os seus crimes: Nem ainda tu temes a Deus, estando no mesmo suplício? E nós outros o estamos na verdade justamente, porque recebemos o castigo que merecem as nossas obras; mas este nenhum mal fez (Lucas XXIII-40 e 41). Diante de tais disposições que havia no coração de um homem que tinha sido um ímpio, Cristo não indagou quais eram as suas boas obras passadas para lhe dar a justificação, Cristo não lhe disse que só se tornaria justo se praticasse tais e tais obras, tornou-o um justo imediatamente, fê-lo de um pecador um santo: Em verdade te digo que hoje serás comigo no paraíso (Lucas XXIII-43). 

   Que se conclui daí? Simplesmente que a graça santificante não nos é dada como prêmio das obras, mas como benefício de Deus, embora se exijam certas disposições para recebê-las: "Nós somos justificados gratuitamente neste sentido de que nada do que precede a justificação, nem a fé nem as obras, podem merecer a graça da justificação" (Concílio de Trento VI-8).

   Uma vez justificado, uma vez tornado um justo, o bom ladrão, se queria ir para o Céu tinha que evitar o pecado mortal, observar a lei divina; aliás o seu arrependimento, para ser sincero, teve que incluir a intenção de nunca mais roubar, de levar outra vida, de proceder como um verdadeiro discípulo de Cristo, se por acaso o livrassem daquele suplício e ele tivesse ainda mais uns dias, ou meses, ou anos de vida. A intenção das obras estava, portanto, incluída no seu arrependimento. 

   Mais ainda: Ele teve, pelo menos, três horas de vida, pois quando o Mestre tão bondosamente lhe perdoou, era, então, quase a hora sexta (Lucas XXIII-44). À hora nona, Cristo ainda estava falando (Marcos XV-34). Ora, Cristo foi dos três crucificados o primeiro a exalar o último suspiro: Vieram, pois, os soldados e quebraram as pernas ao primeiro e ao outro que com Ele fora crucificado. Tendo vindo depois a Jesus, como viram que estava já morto, não Lhe quebraram as pernas (João XIX-32 e 33). Pelo menos durante três horas, o bom ladrão, ajudado pela graça, perseverou nas suas boas disposições, aceitando com resignação as suas dores, por ele mesmo consideradas bem merecidas; isto influiu na sua salvação porque, se depois de justificado por Cristo, caísse no desespero, não poderia salvar-se. Foi precisamente prevendo na sua ciência infinita que, uma vez recebido o perdão e tornado um justo, ele passaria a agir como um justo, que Cristo lhe disse: Hoje serás comigo no paraíso (Lucas XXIII-43).

   Nós, católicos, vemos algumas vezes estes casos especialíssimos da misericórdia divina em que um pecador se arrepende e se converte nos últimos momentos. Deus lhe dá a graça santificante e, como não há mais tempo para que este pecador tornado justo Lhe mostre sua submissão pela observância da lei de Cristo e pelas boas obras, Deus se contenta com a intenção, em que está, de praticar os mandamentos e fazer o bem, pois Deus não é como nós que só vemos as obras, Ele conhece perfeitamente os mais profundos segredos dos corações.

   Mas tirar daí a conclusão de que as nossas obras são inúteis para a salvação seria um grande absurdo. Bem como seria a maior das loucuras querer deixar o arrependimento para o instante final, porque muitos morrem repentinamente, sem ter tempo para arrepender-se e mesmo porque sendo o arrependimento uma graça de Deus, arrisca-se quase infalivelmente a não recebê-la, quem por malícia e cobardia, só por livrar-se de servir a Deus durante a sua vida, pretendesse deixar a conversão para os momentos finais da existência. Como diz um piedoso autor, a Escritura só fala de um caso de conversão na hora da morte, o do bom ladrão: fala de um, para jamais cairmos no desespero; fala de um só para não nos iludirmos, caindo na temeridade. Porque a regra geral, com muitos poucas exceções, é esta: Talis vita, finis ita. Assim como é a vida do homem, assim é também o seu fim.

domingo, 7 de agosto de 2016

UMA TRELA DE LUTERO

2º - NA EPÍSTOLA AOS ROMANOS



   Passamos agora ao versículo da Epístola aos Romanos: 
   
   Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei (Romanos III-28). 

   Antes de fazermos o comentário sobre este versículo, queremos relembrar um pequeno episódio da vida de Lutero. Lutero fez a tradução da Bíblia para o alemão, aliás numa linguagem clássica e elegante, que exerceu profunda influência sobra a língua e literatura alemãs, pois ele era de fato um grande escritor. Mas, na sua tradução, esteve longe de mostrar-se consciencioso. Fez maliciosas alterações na Bíblia, levado pelo seu sectarismo. Os nomes com que o povo designava os sacerdotes católicos e as suas vestes, Lutero na Bíblia os aplicou aos sacerdotes idólatras. Usou no Antigo Testamento a palavra - Igreja - para designar os lugares em que se adoravam os ídolos, e no Novo Testamento substituiu a palavra Igreja, quando designava a Igreja de Cristo, pela palavra - comunidade.

   Onde a Bíblia traz a palavra JUSTO, ele tomou como norma substituí-la pela palavra PIO, explicando que PIO quer dizer que tem fé, isto para favorecer à sua teoria de que ninguém pode ser justo, apenas podemos ter uma justiça exteriormente imputada, atribuída a nós por Deus que nos considera justos, embora realmente não o sejamos. 

   Onde se lê: A lei obra ira (Romanos IV-15), ele acrescentou a palavra SOMENTE: A lei obra somente ira.

   Neste versículo de que ora tratamos, Lutero, para ajustá-lo à sua doutrina, acrescentou também a palavra SOMENTE e assim traduziu: Concluímos, pois, que o homem é justificado sem as obras da lei, SOMENTE pela fé. 

   Um católico reclamou contra o acréscimo desta palavra SOMENTE que não estava no texto. E Lutero assim respondeu numa carta dirigida a Link: "Se o nosso novo papista quiser importunar-nos por causa da palavra SOMENTE, responde-lhe logo: assim o quer o Doutor Martinho Lutero que diz: papista e burro são a mesma coisa. Assim quero, assim mando, ponha-se a vontade em vez da razão" (Weimar XXX 2 Abt 635).

   E a frase de Lutero: Sic volo, sic jubeo, sit pro ratione voluntas - assim quero, assim mando, ponha-se a vontade em vez da razão - que aliás, já era tomada de um escritor pagão, ficou célebre para indicar que uma pessoa se obstina numa opinião ou numa atitude, mesmo sabendo que está errada, como se diz também em português: É de pau, porque eu quero; é de pau, e bem bonito; é de pau, e tenho dito. (Extraído do livro "LEGÍTIMA INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA", autor: Lúcio Navarro).