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quarta-feira, 14 de março de 2018

DISCURSO DO PAPA PIO XII NA BEATIFICAÇÃO DO VENERÁVEL PAPA PIO X ( II )

Virtudes do Beato Pio X.  ( continuação )
   7- Quanto a nós, que estávamos então no início do nosso sacerdócio, já ao serviço da Santa Sé, não poderemos jamais esquecer a nossa intensa comoção, quando, ao meio-dia daquele 4 de agosto de 1903, da Loggia da Basílica Vaticana a voz do Cardeal Primeiro Diácono anunciou à multidão que aquele Conclave - tão importante sob tantos aspectos! - tinha dirigido a sua escolha para o Patriarca de Veneza, José Sarto.
   8- Foi então pronunciado pela primeira vez perante o mundo o nome de Pio X. Que ia significar este nome para o Papado, para a Igreja, para a humanidade? Quando hoje, decorrido quase meio século, nós perpassamos pelo espírito a sucessão dos graves e complexos acontecimentos que o encheram, a nossa fronte inclina-se e os nossos joelhos dobram-se em admirada adoração dos desígnios divinos, cujos mistérios lentamente revelam aos pobres olhos humanos, à medida que se consumam no curso da história.
   9- Ele foi Pastor, bom Pastor. Parecia que tinha nascido para o ser. Em todas as jornadas do caminho, que pouco a pouco o conduzia do humilde lar natal, pobre de bens da terra, mas rico de fé e virtudes cristãs, até ao vértice supremo da Hierarquia, o Filho de Riese permaneceu sempre igual a si próprio, sempre simples, afável, acessível a todos, na sua casa paroquial da aldeia, , na cadeira capitular de Treviso, no bispado de Mântua, na Sé Patriarcal de Veneza, no esplendor da Púrpura romana, e continuou a ser o mesmo na majestade soberana, sobre a sédia gestatória e sob o peso da Tiara, no dia em que a Providência, modeladora longínqua das almas, inclinou o espírito e o coração dos seus Pares a confiar-lhe o cetro, caído das mãos enfraquecidas do grande Ancião Leão XIII nas suas mãos paternalmente firmes. Precisamente de tais mãos tinha o mundo necessidade então.
   10- Não tendo podido desviar da sua cabeça o terrível encargo do Sumo Pontificado, ele, que tinha sempre fugido às honras e às dignidades, como outros, ao invés, fogem de uma vida ignorada e obscura, aceitou entre lágrimas o cálice das mãos do Pai divino.
   11- Mas uma vez pronunciado o seu Fiat, este humilde, morto para as coisas terrenas e todo em anelos pelas coisas celestes, demonstrou no seu espírito a indomável firmeza, a robustez viril, a grandeza da coragem, que são as prerrogativas dos Heróis da santidade.
   12- Desde a sua primeira Encíclica, foi como se uma chama luminosa se tivesse erguido para esclarecer as inteligências e acender os corações. Não de modo diferente sentiam os discípulos de Emaús inflamarem-se-lhes os corações, enquanto o Mestre falava e lhes revelava o sentido das Escrituras (Lc XIV, 32).
   13- Não tendes porventura experimentado também este ardor, queridos filhos, que vivestes naqueles dias e ouvistes dos seus lábios o exato diagnóstico dos males e dos erros do tempo, e juntamente indicados os caminhos e os remédios para os curar? Que clareza de pensamento! Que força de persuasão! Era certamente a ciência e a prudência de um profeta inspirado, a intrépida franqueza de um João Batista e de um Paulo de Tarso; era a ternura paterna do Vigário e Representante de Cristo, atento a todas as necessidades, solícito a todos os interesses, a todas as misérias dos seus filhos. A sua palavra era trovão, era espada, era bálsamo; comunicava-se intensamente a toda a Igreja e estendia-se muito ao longe com eficácia; atingia o irresistível vigor, não só pela incontestável substância do conteúdo, mas também pelo seu íntimo e penetrante calor. Sentia-se nela ferver a alma de um Pastor que vivia em Deus e de Deus, sem outro objetivo senão levar para Ele os seus cordeiros e as suas ovelhas. Por isso, se ele, fiel às venerandas tradições seculares dos seus antecessores, conservou substancialmente todas as solenes (já não faustosas) formas exteriores do cerimonial pontifício, naqueles momentos  o seu olhar suavemente triste, fixo num ponto invisível, mostrava que não para si próprio, mas para Deus, ia toda a honra.
   14- O mundo, que o aclama hoje na glória dos Bem-aventurados, sabe que ele percorreu os caminhos assinalados pela Providência, com uma esperança inconcussa, mesmo nas horas mais escuras e incertas, com uma caridade que o impelia a votar-se a todos os sacrifícios pelo serviço de Deus e pela salvação das almas.
   15- Por estas virtudes teológicas, que eram como o travejamento fundamental da sua vida e que ele praticou num grau de perfeição, que superava incomparavelmente toda a excelência puramente natural, o seu Pontificado refulgiu como nas idades de ouro da Igreja. Acudindo em todos os instantes à tríplice fonte destas virtudes-rainhas, o Bem-aventurado Pio X iniciou e consumou o curso de toda a sua vida com o exercício heróico das virtudes cardeais: fortaleza de uma inflexível imparcialidade, temperança que se confundia com a renúncia total de si mesmo, prudência inteligente, mas prudência do espírito que é "vida e paz", distinta da "sabedoria da carne, que é morte e inimiga de Deus" (cf. Rom VIII, 6-7).
   

DISCURSO DO PAPA PIO XII NA BEATIFICAÇÃO DO VENERÁVEL PAPA PIO X ( III )

Respondendo à uma objeção. ( continuação ).
   16- Será porventura verdade, como alguns afirmaram ou insinuaram, que no caráter do Bem-aventurado Pontífice a fortaleza muitas vezes prevaleceu sobre a prudência? Tal pôde ser a opinião de adversários, cuja maior parte eram também inimigos da Igreja. Na medida, porém, em que essa opinião foi partilhada por outros, ainda que admiradores do zelo apostólico de Pio X, essa apreciação é desmentida pelos fatos, quando se observa a sua solicitude pastoral pela liberdade da Igreja, pela pureza da doutrina, pela defesa do rebanho de Cristo dos perigos iminentes, que nem sempre encontrava em alguns toda aquela compreensão e íntima adesão, que deveria esperar-se deles. Agora que o mais minucioso exame perscrutou a fundo todos os atos e vicissitudes do seu Pontificado, agora que se conhece a sequência daquelas vicissitudes, nenhuma hesitação, nenhuma reserva é já possível e deve reconhecer-se que, ainda nos períodos mais difíceis, mais ásperos, mais graves e de mais responsabilidade, Pio X, assistido pela grande alma do seu fidelíssimo Secretário de Estado, o Cardeal Merry del Val, deu prova daquela iluminada prudência, que nunca falta nos santos, ainda que nas suas aplicações se encontre em contraste, doloroso mas inevitável, com os falazes postulados da prudência humana e puramente terrena.
   17- Com o seu olhar de águia mais perspicaz e mais seguro que a vista curta dos míopes raciocinadores, via o mundo tal qual era, via a missão da Igreja no mundo, via com olhos de santo Pastor qual era o seu dever no seio de uma sociedade descristianizada, de uma cristandade contaminada ou, pelo menos, assediada pelos erros do tempo e pela perversidade do século.
   18- Iluminado pelo resplendor da verdade eterna, guiado por uma consciência delicada, lúcida, de rígida retidão, ele tinha muitas vezes, sobre o dever de momento e sobre as resoluções a tomar, intuições cuja perfeita retidão desconcertava muitos que não eram dotados das mesmas luzes.
   19- Por natureza, ninguém mais doce, mais amável do que ele, ninguém mais amigo da paz, ninguém mais paternal. Porém, quando nele falava a voz da sua consciência pastoral, não tinha em conta senão o sentimento do dever: este impunha silêncio a todas as considerações da fragilidade humana; cortava cerce todas as tergiversações; decretava as disposições mais enérgicas, ainda que penosas ao seu coração.
   20- O humilde "cura de aldeia", como algumas vezes se quis chamar - e não é desdouro nenhum para si - em face dos atentados contra os direitos imprescindíveis da liberdade e da dignidade humana, contra os sagrados direitos de Deus e da Igreja, sabia erguer-se como um gigante com toda a majestade da sua autoridade soberana. Então o seu "non possumus" fazia tremer e às vezes retroceder os poderosos da terra, animando ao mesmo tempo os hesitantes e galvanizando os tímidos.
   21- A esta força diamantina do seu caráter e da sua conduta, manifestada logo desde os primeiros dias do seu Pontificado, se deve atribuir, primeiro a estupefação e depois a aversão daqueles que quiseram fazer dele o "signum cui contradicetur", revelando assim o fundo escuro das suas próprias almas.
   22- Não há, pois, excessivo predomínio da fortaleza sobre a prudência. Ao contrário, estas duas virtudes, que dão como que o crisma àqueles a quem Deus predestina para governar, foram em Pio X equilibradas a tal ponto que, examinados objetivamente os fatos, ele se mostrou tão eminente numa, quanto excelso na outra. Não é porventura esta harmonia de virtudes, nas altas regiões do heroísmo, o selo da santidade perfeita?
   

domingo, 28 de janeiro de 2018

São Pio X: "Um dos graves erros do "Sillon" é o interconfessionalismo"

   Apresentamos aqui apenas alguns excertos da Encíclica "Notre Charge Apostolique" com que São Pio X condenou o movimento nascido na França e chefiado por Marc Sangnier: "Le Sillon" ( = Sulco).
   No início foi bom. Eis como São Pio X fala dos bons tempos do "Sillon":
 "O "Sillon" levantou, entre as classes operárias, o estandarte de Jesus Cristo, o sinal da salvação para os indivíduos e as nações, alimentando sua atividade social nas fontes da graça, impondo o respeito da religião nos ambientes menos favoráveis , habituando os ignorantes e os ímpios a ouvir falar de Deus..."
  Era um movimento da juventude. Infelizmente, os sillonistas, como demonstra São Pio X, caíram em vários erros e se tornaram anti-clericais. São Pio X desmascara e condena os seus erros. Mas aqui vamos transcrever o que São Pio X diz sobre o "INTERCONFESSIONALISMO":
"Houve um tempo em que o Sillon , como tal, era formalmente católico. Em matéria de força moral, só conhecia uma: a força católica, e ia proclamando que a democracia havia de ser católica, ou não seria democracia. Em dado momento, entretanto, mudou de parecer. Deixou a cada um em sua religião ou sua filosofia. Ele próprio deixou de se qualificar de "católico", e a fórmula "A democracia há de ser católica" substituiu-a por esta "A democracia não há de ser anti-católica", tanto quanto, aliás, antijudaica ou antibudista. Foi a época do "maior Sillon". Todos os operários de todas as religiões e de todas as seitas foram convocados para a construção da cidade futura. Outra coisa não se lhes pediu a não ser que abraçassem o mesmo ideal social, que respeitassem todas as crenças e que trouxessem um saldo de forças morais. Certamente, proclamava-se, "Os chefes do Sillon põem sua fé religiosa acima de tudo. Mas podem recusar aos outros o direito de haurir sua energia moral lá onde podem? Em troca, querem que os outros respeitem seu direito, deles, de hauri-la na fé católica. Pedem, pois, a todos aqueles que querem transformar a sociedade presente no sentido da democracia, que não se repilam mutuamente por causa de convicções filosóficas ou religiosas que os possam separar mas que marchem de mãos dadas, não renunciando a suas convicções, mas experimentando fazer, sobre o terreno das realidades práticas, a prova da excelência de suas convicções pessoais. Talvez que neste terreno de emulação entre almas ligadas à diferentes convicções religiosas ou filosóficas a união se possa realizar" (Marc Sangnier, discurso de Rouen, 1907); ... "Os camaradas católicos se esforçarão entre si próprios, numa organização especial, por se instruir e se educar. Os democratas protestantes e livre-pensadores farão o mesmo de seu lado. Todos, católicos, protestantes e livre-pensadores terão em mira armar a juventude não para uma luta fratricida, mas para uma generosa emulação no terreno das virtudes sociais e cívicas" (Marc Sangnier, Paris, maio de 1910). Estas declarações e esta nova organização da ação sillonista provocam bem graves reflexões. Eis uma associação interconfessional, fundada por católicos, para trabalhar na reforma da civilização, obra eminentemente religiosa, porque não há civilização verdadeira sem civilização moral, e não há verdadeira civilização moral sem a verdadeira religião: é uma verdade demonstrada, é um fato histórico. E os novos sillonistas não poderão pretextar que só trabalharão "no terreno das realidades práticas" onde a diversidade das crenças não importa. Seu chefe tão bem percebe esta influência das convicções do espírito sobre o resultado da ação, que os convoca, qualquer que seja a religião a que pertençam, a "fazer no terreno das realidades práticas a prova da excelência de suas convicções pessoais". E, com razão, porque as realizações práticas revestem o caráter das convicções religiosas, como os membros de um corpo, até às últimas extremidades, recebem sua forma do princípio vital que o anima. Isto posto , que deve pensar da promiscuidade em que se acharão agrupados os jovens católicos com heterodoxos e incrédulos de toda espécie, numa obra desta natureza? Esta não será mil vezes mais perigosa para eles do que uma associação neutra? Que se deve pensar deste apelo a todos os heterodoxos e a todos os incrédulos para virem provar a excelência de suas convicções no terreno social, numa espécie de concurso apologético, como se este concurso já não durasse há 19 séculos, em condições menos perigosas para a fé dos fiéis e sempre favorável à Igreja Católica? Que se deve pensar deste respeito a todos os erros e deste estranho convite, feito por um católico a todos os dissidentes, fortificarem suas convicções pelo estudo e delas fazer as fontes sempre mais abundantes de novas forças? Que se deve pensar de uma associação em que todas as religiões, e mesmo o livre-pensamento, podem manifestar-se altamente à vontade? Porque os sillonistas que, nas conferências públicas e em outras ocasiões proclamam altivamente sua fé individual, não pretendem certamente fechar a boca aos outros e impedir que o protestante afirme seu protestantismo e o cético, seu cetiscismo. Que pensar, enfim, de um católico que, ao entrar em seu círculo de estudos, deixa na porta seu catolicismo, para não assustar seus camaradas que, "sonhando com uma ação social desinteressada, têm repugnância de a fazer servir ao triunfo de interesses, de facções, ou mesmo de convicções, quaisquer que sejam"?  Tal é a profissão de fé na nova Comissão Democrática da Ação Social, que herdou a maior tarefa da antiga organização, e que, assim afirma, "desfazendo o equívoco em torno do maior Sillon, tanto nos meios racionários como nos meios anticlericais", está aberta a todos os homens "respeitadores das forças morais e religiosas e convencidos de que nenhuma emancipação social verdadeira será possível sem o fermento de um "generoso idealismo". Ah, sim! O equívoco está desfeito; - conclui com ironia São Pio X - a ação social do Sillon não é mais católica; o sillonista, como tal não trabalha para uma facção, e "a Igreja, ele o diz, não deveria, por nenhum título, ser a beneficiária das simpatias que sua ação possa suscitar". Insinuação estranha, em verdade! Teme-se que a Igreja se aproveite, com objetivo egoísta e interesseiro, da ação social do Sillon, como se tudo o que aproveita à Igreja não aproveitasse à humanidade! Estranha inversão de idéias: a Igreja é que seria beneficiária da ação social, como se os maiores economistas já não houvessem reconhecido e demonstrado que a ação social é que, para ser real e fecunda, deve beneficiar-se da Igreja. Porém, mais estranha ainda, ao mesmo tempo inquietantes e acabrunhadoras, são a audácia e a ligeireza de espírito de homens que se dizem católicos, e que sonham refundir a sociedade em tais condições, e estabelecer sobre a terra, por cima da Igreja Católica, "o reino da justiça e do amor", com operários vindos de toda parte, de todas as religiões ou sem religião, com ou sem crenças, contanto que se esqueçam do que os divide: suas convicções religiosas e filosóficas, e ponham em comum aquilo que os une: um generoso idealismo e forças morais adquiridas "onde possam". Quando se pensa em tudo que foi preciso de forças, de ciência, de virtudes sobrenaturais para estabelecer a sociedade cristã, e nos sofrimentos de milhões de mártires, e nas luzes dos Padres e dos Doutores da Igreja, e no devotamento de todos os heróis da caridade, e numa poderosa Hierarquia nascida no céu, e nas torrentes da graça divina, e tudo isto edificado, travado, compenetrado pela Vida e pelo Espírito de Jesus Cristo, a Sabedoria de Deus, o Verbo feito homem; quando se pensa, dizíamos, em tudo isto, fica-se atemorizado ao ver novos apóstolos se encarniçarem por fazer melhor, através da atuação dum vago idealismo e de virtudes cívicas. Que é que eles querem produzir? Que é que sairá desta colaboração? Uma construção puramente verbal e quimérica, em que se verão coruscar promiscuamente, e numa confusão sedutora, as palavras liberdade, justiça, fraternidade e amor, igualdade humana, e tudo baseado numa dignidade humana mal compreendida. Será uma agitação tumultuosa, estéril para o fim proposto, e que aproveitará aos agitadores de massas, menos utopistas. Sim, na realidade, pode-se dizer que o Sillon escolta o socialismo, o olhar fixo numa quimera. Tememos que ainda haja coisa pior. O resultado desta promiscuidade em trabalho, o beneficiário desta ação cosmopolita só poderá ser uma democracia, que não será nem católica, nem protestante, nem judaica; seria uma religião (porque o sillonismo, como seus chefes o afirmam, é uma religião) mais universal do que a Igreja Católica, reunindo todos os homens tornados enfim irmãos e camaradas no "reino de Deus". - "Não se trabalha pela Igreja, dizem, trabalha-se pela humanidade".

domingo, 4 de setembro de 2016

SÃO PIO X INDICA AS CAUSAS DO MODERNISMO

 Diz São Pio X na Encíclica "Pascendi": "Para mais a fundo conhecermos o modernismo e o mais apropriado remédio acharmos para tão grande mal, cumpre agora, Veneráveis Irmãos, indagar algum tanto das causas donde se originou e por que se tem desenvolvido. - Não há duvidar que a causa próxima e imediata é a aberração do entendimento. As causas remotas são duas: O AMOR DAS NOVIDADES E O ORGULHO.  O amor de novidades basta por si só para explicar toda a sorte de erros. Por esta razão o Nosso sábio predecessor Gregório XVI com toda a verdade escreveu: "Muito lamentável é ver até onde se atiram os delírios da razão humana, quando o homem corre após as novidades, e, contra as admoestações de São Paulo, se empenha em saber mais do que convém, e, confiando demasiado em si, pensa que deve procurar a verdade fora da Igreja Católica, onde ela se acha sem a menor sombra de erro".
  "Contudo, continua São Pio X, o orgulho tem muito maior força para arrastar ao erro os entendimentos; e é o orgulho que, estando na doutrina modernista como em sua própria casa, aí acha à vontade o alimento de que se cevar e com que ostentar as suas manifestações. Efetivamente, o orgulho fá-los confiar tanto em si, que se julgam e dão a si mesmos como regra dos outros. Por orgulho loucamente se gloriam de ser os únicos que possuem o saber, e dizem desvanecidos e inchados: Nós cá não somos como os outros homens; e, de fato, para o não serem, abraçam e devaneiam toda sorte de novidades, até das mais absurdas. Por orgulho repelem toda sujeição, e afirmam que a autoridade deve aliar-se com a liberdade.
   ... "Para se chegar ao modernismo não há, com efeito, caminho mais direito do que o orgulho". ...
   - "Para conduzirem os espíritos ao erro os modernistas usam de dois meios: primeiro, removem os obstáculos; segundo, procuram com máxima cautela os ardis que lhes poderão servir, e põem-nos em prática, incessante e pacientemente. - Dentre os obstáculos, três principalmente se opõem aos seus esforços: o metódo escolástico de raciocionar, a autoridade dos Santos Padres com a Tradição e o Magistério eclesiástico. ..."a mania de novidades neles se acha aliada com o ódio à escolástica; e não há sinal mais manifesto de que começa alguém a volver-se para o modernismo, do que começar a aborrecer a escolástica"; ... "São também muito astuciosos em desvirtuar a natureza e a eficácia da Tradição, a fim de privá-la de todo o peso e autoridade"; ... "O mesmo juízo que fazem da Tradição, estendem-no os modernistas também aos santos Padres da Igreja. Com a maior temeridade, tendo-os embora como muito dignos de toda veneração, fazem-nos passar por muito ignorantes da crítica e da história, no que seriam indesculpáveis, se outros houveram sido os tempos em que viveram". Põem finalmente todo o empenho em diminuir e enfraquecer o magistério eclesiástico, ora deturpando-lhe sacrilegamente a origem, a natureza, os direitos, ora repetindo livremente contra ele as calúnias dos inimigos"; ... "quanto mais alguém mostra ousadia em destruir as coisas antigas, em rejeitar as tradições e o magistério eclesiástico, tanto mais encarecem a sua sabedoria"; ... "os ânimos juvenis, instigados interiormente pelo orgulho e pelo amor da novidades, dão-se por vencidos e desertam para o modernismo". "Os modernistas procuram conseguir cadeiras nos Seminários e nas Universidades, para tornarem-nas insensivelmente cadeiras de pestilência"; ...Infelizmente lamentamos a perda de grande número de moços, que davam ótimas esperanças de poderem um dia prestar relevantes serviços à Igreja, atualmente fora do bom caminho. Lamentamos esses muitos que, embora não se tenham adiantado tanto, tendo contudo respirado este ar infeccionado, já pensam, falam e escrevem com uma tal liberdade, que em católicos não assenta bem. Vemo-los entre os leigos, vemo-los entre os sacerdotes; e, quem o diria? Vemo-los até no seio das Famílias Religiosas".
   ... "Enfim, vivem preocupados em fazer o mundo falar de suas pessoas; e sabem que isto não será possível, se disserem as mesmas coisas que sempre se disseram". Podem estar eles na persuasão de fazerem coisa agradável a Deus e à Igreja; na realidade, porém, ofendem gravemente a Deus e à Igreja".

quarta-feira, 27 de abril de 2016

JURAMENTO ANTI-MODERNISTA

  Eu,                  , firmemente abraço e aceito cada e todas as definições  feitas e declaradas pela autoridade inerrante da Igreja, especialmente estas verdades principais que são diretamente opostas aos erros hodiernos. 
  Antes de mais nada eu professo que Deus, a origem e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão a partir do mundo criado (Cf. Rom. 1, 20), ou seja, das obras visíveis da criação, como uma causa a partir de seus efeitos, e que, portanto, sua existência também pode ser demonstrada.
  Segundo: eu aceito e reconheço as provas exteriores da revelação, ou seja, os atos divinos e especialmente os milagres e profecias como os sinais mais seguros da origem divina da Religião Cristã e considero estas mesmas provas bem adaptadas à compreensão de todas as eras e de todos os homens, até mesmo os de agora.
  Terceiro: eu acredito com fé igualmente firme que a Igreja, guardiã e mestra da Palavra Revelada, foi instituída pessoalmente pelo Cristo histórico e real quando Ele viveu entre nós, e que a Igreja foi construída sobre Pedro, o Príncipe da hierarquia apostólica, e seus sucessores pela duração dos tempos.
  Quarto: eu sinceramente mantenho que a Doutrina da Fé nos foi transmitida desde os Apóstolos pelos Padres ortodoxos com exatamente o mesmo significado e sempre com o mesmo propósito. Assim sendo, eu rejeito inteiramente a falsa representação herética de que os dogmas evoluem e se modificam de um significado para outro diferente do que a Igreja antes manteve. Condeno também todo erro segundo o qual, no lugar do divino Depósito que foi confiado à Esposa de Cristo para que ela o guardasse, há apenas uma invenção filosófica ou produto de consciência humana que foi gradualmente desenvolvida pelo esforço humano e continuará a se desenvolver indefinidamente.
  Quinto: eu mantenho com certeza e confesso sinceramente que a Fé não é um sentimento cego de religião que se alevanta das profundezas do subconsciente pelo impulso do coração e pela moção da vontade treinada para a moralidade, mas um genuíno assentimento da inteligência com a Verdade recebida oralmente de uma fonte externa. Por este assentimento, devido à autoridade do Deus supremamente verdadeiro, acreditamos ser Verdade o que foi revelado e atestado por um Deus pessoal, nosso Criador e Senhor.
  Além disso, com a devida reverência, eu me submeto e adiro com todo o meu coração às condenações, declarações e todas as proibições contidas na Encíclica Pascendi e no Decreto Lamentabili, especialmente as que dizem respeito ao que é conhecido como a história dos dogmas.
  Também rejeito o erro daqueles que dizem que a Fé mantida pela Igreja pode contradizer a história, e que os dogmas católicos, no sentido em que são agora entendidos, são irreconciliáveis com uma visão mais realista das origens da Religião Cristã.
 Também condeno e rejeito a opinião dos que dizem que um cristão erudito assume uma dupla personalidade - a de um crente e ao mesmo tempo a de um historiador, como se fosse permissível a um historiador manter coisas que contradizem a Fé do crente, ou estabelecer premissas que, desde que não haja negação direta dos dogmas, levariam à conclusão de que os dogmas são falsos ou duvidosos.
  Do mesmo modo, eu rejeito o método de julgar e interpretar a Sagrada Escritura que, afastando-se da Tradição da Igreja, da analogia da Fé e das normas da Sé Apostólica, abraça as falsas representações dos racionalistas e sem prudência ou restrição adota a crítica textual como norma única e suprema.
  Além disso, eu rejeito a opinião dos que mantêm que um professor ensinando ou escrevendo sobre um assunto histórico-teológico deve antes colocar de lado qualquer opinião preconcebida sobre a origem sobrenatural da Tradição católica ou a promessa divina de ajudar a preservar para sempre toda a Verdade Revelada; e que ele deveria então interpretar os escritos dos Padres apenas por princípios científicos, excluindo toda autoridade sagrada, e com a mesma liberdade de julgamento que é comum na investigação de todos os documentos históricos profanos. 
  Finalmente, declaro que sou completamente oposto ao erro dos modernistas, que mantém nada haver de divino na Tradição sagrada; ou, o que é muito pior, dizer que há, mas em sentido panteísta, com o resultado de nada restar a não ser este fato simples - a colocar no mesmo plano com os fatos comuns da história - o fato, precisamente, de que um grupo de homens, por seu próprio trabalho, talento e qualidades continuaram ao longo dos tempos subsequentes uma escola iniciada por Cristo e por Seus Apóstolos.
  Prometo que manterei todos estes artigos fielmente, inteiramente e sinceramente e os guardarei inviolados, sem me desviar em nenhuma maneira por palavras ou por escrito. Isto eu prometo, assim eu juro, para isso Deus me ajude, e os Santos Evangelhos de Deus que agora toco com minha mão. 

                                (São Pio X, Papa).