domingo, 30 de junho de 2019

O CORAÇÃO DE JESUS NOS DÁ POR MÃE SUA PRÓPRIA MÃE


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
30º dia de junho

Não há corações mais intimamente unidos do que o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria. Afinal, o Coração de Jesus saiu do Coração de sua Mãe Santíssima. Foi  nela que o Espírito Santo operou o mistério inefável da Encarnação do Verbo Eterno de Deus. E Maria Santíssima não só nos trinta anos de vida oculta de seu Filho, esteve com todo carinho e amor junto d'Ele, mas também no primeiro milagre operado por Jesus e em muitas outras ocasiões. Mas especialmente, o seu Coração Imaculado estava junto do de seu Filho lá no Calvário.

Junto a Cruz Maria estava de pé. Nem a angústia do coração, nem as injúrias do povo, a crueldade dos algozes ou perigo da morte podiam apartá-la de Jesus, seu querido Filho. Seu coração estava pronto a morrer na presença de Jesus ou a assistir-Lhe na agonia. De todos os Apóstolos só o predileto de Jesus, São João Evangelista, estava ao lado de Maria Santíssima.

Ao ver a Virgem Mãe e o discípulo virgem, tão amados do Coração Divino, disse Jesus, olhando para a Mãe: "Mulher (que em hebraico significa Senhora), eis aí teu filho". Depois, dirigindo-Se ao discípulo, representante de todos nós, disse-lhe: "Eis aí tua Mãe". E desde esta hora o discípulo a tomou por Mãe; e depois levou-A para sua casa. (cf. Jo. XIX, 26 e s.).

Justamente quando os homens levavam ao auge a sua malícia, quando não cessavam de afligir o Coração de Jesus com injúrias, ele superabundou em amor e nos deu sua Mãe por Mãe Nossa. O Coração de Jesus instituíra no dia anterior à sua morte, a Santíssima Eucaristia, não nos querendo deixar órfãos. Mas também fez, momentos antes de morrer, o que nenhum humano pode fazer: deu-nos por Mãe a sua própria Mãe, a melhor de todas as mães.

Neste ato, o Coração de Jesus mostra, outrossim, o desvelo e cuidado por sua Mãe, provendo à honra e ao amor que lhe eram devidos. Jesus mostra que o Seu Coração e o Coração de sua Mãe Santíssima, devem ao mesmo tempo, ser conhecidos e juntamente amados.

Nós, pobres pecadores não podemos calcular toda grandeza e intensidade do amor do Coração de Maria por seu Filho e seu Deus. É algo inefável! Não há no céu e na terra criatura que prestasse tantas honras e dedicasse tanto amor a Jesus, quanto a sua Mãe Santíssima. A Santíssima Trindade empregou todo seu amor e poder em preparar aquele Coração de Mãe, com a capacidade de amar um Filho que é também o Filho do Altíssimo. Portanto, em parte alguma se poderia encontrar um coração que fosse tão unido e agradável ao Coração de Jesus qual foi o Coração Imaculado da Virgem Mãe.  Por outro lado, o Coração de Jesus quis e quer ver o Coração de sua Mãe, em toda parte e sempre, honrado e amado. O Coração de Jesus quer que, em qualquer parte do mundo, e até a consumação dos séculos, onde for adorado o Seu Coração, seja venerado de modo todo singular, o Coração Imaculado de Sua Mãe Santíssima.

Maria Santíssima compartilhando as dores de Jesus, nos adotou ao pé da cruz. Como nossa Mãe, devemos prestar-lhe honra todos os dias da nossa vida, lembrando-nos de quanto Ela sofreu com Jesus por nossa causa. Devemos reconhecer este grande dom do Coração agonizante de Jesus, ao dar-nos uma tal Mãe. Depois que Jesus se deu a si mesmo por nós na Eucaristia, quis dar-nos a sua Mãe para ser a nossa Mãe também. Assim, o Coração materno de Maria Santíssima transborda de singular afeto, compaixão, amor e solicitude pelos seus filhos.

O Coração de Maria, formado à semelhança do Coração de Jesus, a todos se acha aberto sob o dulcíssimo título de Coração materno. Por intermédio do Coração Imaculado de Maria seremos introduzidos no Coração de Jesus. Pois, pela Virgem Maria , Jesus Cristo veio aos homens e também por Ela, Deus quer que cheguemos até Jesus. Quaisquer graças que desejarmos obter de Nosso Senhor Jesus Cristo, devemos recomendá-las a Maria, nossa Mãe, para que ela, sendo Mãe de Deus e nossa, invoque em nosso favor o Coração Sacratíssimo de Jesus. Na verdade os direitos maternos que Nossa Senhora possuiu e exerceu na terra, não os perdeu no céu, onde, como Soberana de todos os anjos e santos, reina com Jesus, seu divino Filho.

Ao comparecer ao tribunal no Juízo teremos a dulcíssima consolação de ter por Advogada junto ao Juiz, sua Mãe e nossa Mãe! Esta Mãe, a quem o Juiz deu todo o poder sobre o seu Coração, intercederá ao seu Filho em favor dos seus outros filhos que somos nós seus devotos. Amém!


sábado, 29 de junho de 2019

CÉFAS, A PEDRA

                                                                                                                                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*   

            No domingo próximo, transferida do dia 29, celebraremos a solenidade de São Pedro, apóstolo escolhido por Jesus para ser seu vigário aqui na terra (“vigário”, o que faz as vezes de outro), seu representante e chefe da sua Igreja. Junto com São Paulo, o apóstolo dos gentios, ambos constituem as colunas da Igreja de Cristo. Pedro, a pedra, foi o fundador da Igreja de Roma. Paulo, com o chamado especial de Cristo, tornou-se o grande propagador do Evangelho no mundo pagão, fora da Judéia. 
            Pedro se chamava Simão. Jesus lhe mudou o nome, significando sua missão, como é habitual nas Escrituras: “Tu és Simão, filho de João. Tu te chamarás Cefas! (que quer dizer Pedro - pedra)” (Jo 1, 42). Quando Simão fez a profissão de Fé na divindade de Jesus, este lhe disse: “Não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as forças do inferno não poderão vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus (a Igreja): tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 13-19).
            Corajoso e com imenso amor pelo Senhor, sentiu também sua fraqueza humana, na ocasião da prisão de Jesus, na casa de Caifás, ao negar três vezes que o conhecia. “Simão, Simão! Satanás pediu permissão para peneirar-vos, como se faz com o trigo. Eu, porém, orei por ti, para que tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22, 31-32).  E Pedro, depois de ter chorado seu pecado, foi feito por Jesus o Pastor da sua Igreja. 
            São Pedro, fraco por ele mesmo, mas forte pela força que lhe deu Jesus, representa bem a Igreja de Cristo. “Cremos na Igreja una, santa, católica e apostólica, edificada por Jesus Cristo sobre a pedra que é Pedro... Cremos que a Igreja, fundada por Cristo e pela qual Ele orou, é indefectivelmente una, na fé, no culto e no vínculo da comunhão hierárquica. Ela é santa, apesar de incluir pecadores no seu seio; pois em si mesma não goza de outra vida senão a vida da graça. Se realmente seus membros se alimentam dessa vida, se santificam; se dela se afastam, contraem pecados e impurezas espirituais, que impedem o brilho e a difusão de sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por esses pecados, tendo o poder de livrar deles a seus filhos, pelo Sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo” (Credo do Povo de Deus).
             “Enquanto Cristo ‘santo, inocente, imaculado’, não conheceu o pecado, e veio expiar unicamente os pecados do povo, a Igreja, que reúne em seu seio os pecadores, é ao mesmo tempo santa, e sempre necessitada de purificação.... A Igreja continua o seu peregrinar entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus, anunciando a paixão e a morte do Senhor, até que ele venha. No poder do Senhor ressuscitado encontra a força para vencer, na paciência e na caridade, as próprias aflições e dificuldades, internas e exteriores, e para revelar ao mundo, com fidelidade, embora entre sombras, o mistério de Cristo, até que no fim dos tempos ele se manifeste na plenitude de sua luz” (Lumen Gentium, 8). 

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

sexta-feira, 28 de junho de 2019

FESTA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS



 Deste Coração divino jorrou o Sangue que lavou nossas almas do pecado; e é deste mesmo Divino Coração que, por um excesso de amor, brotou a Grande Promessa das nove Primeiras Sextas-Feiras, que é, nada mais nada menos, um SEGURO PARA O CÉU. Quantos motivos de gratidão, de ações de graças e de adoração ao Sagrado Coração de Jesus!!!
    "Oh! Coração cheio de amor, flor do amor! - exclama soluçando na sua lírica tão simples e eficaz, o Santo Cura d'Ars - e a quem amaremos nós, se não amarmos o Coração de Jesus? Naquele coração adorável não há outra coisa senão amor: como é possível esquecer que está tão cheio de amabilidade?"
   Sob o título de "Sagrado Coração", nos gloriamos de render homenagem ao Coração físico de Jesus. Este é o objeto sensível, próximo e direto da devoção, embora apenas secundário, e constitui o elemento material, ao passo que o objeto principal, embora indireto, o elemento formal é o amor de Jesus (coração metafórico). É, ao mesmo tempo, um Coração humano e divino; não é uma lembrança do Coração de Jesus, mas é seu Coração vivo e real, e a Pessoa de Jesus é o "remate definitivo" do culto. Em Nosso Senhor Jesus Cristo tudo é infinitamente grande por causa da união hipostática; por isto, tudo o que faz parte de sua Pessoa é digno de profunda adoração, mormente seu Coração, que a Igreja chama de adorável por excelência. E não temos nós a felicidade, a graça de estarmos sempre juntos e melhor ainda bem unidos a este Coração vivo e palpitante de amor na Santíssima Eucaristia!!! E adoramos este Coração físico e vivo de Jesus, não tanto nem só , porque é um órgão da humanidade assumida, mas porque e principalmente enquanto significa, enquanto exprime o amor do Homem-Deus, enquanto é sede e instrumento por direito do Amor.
   O culto do Sagrado Coração  é portanto, em última análise, o culto do amor de Jesus Cristo, na sua natureza, nos seus instrumentos, nos seus efeitos.
   Ouçamos, principalmente nós sacerdotes, duas almas privilegiadas do Sagrado Coração de Jesus, almas as quais Nosso Senhor Jesus Cristo fez revelações importantíssimas sobretudo referentes aos sacerdotes. Estas revelações foram aprovadas pela Igreja e são citadas freqüentemente por escritores sábios e santos, e até mesmo por santos canonizados pela Santa Igreja. Acho não ser supérflua esta observação.
   Por uma óbvia razão cito em primeiro lugar Santa Margarida Maria Alacoque, religiosa da Visitação.
   "Oh! - exclama ela - não poder eu dizer a todo mundo o que sei desta amável devoção! Não sei de exercício mais próprio na vida espiritual para elevar uma alma à mais alta perfeição. Nosso Senhor me descobriu os tesouros de caridade e de graças para as pessoas que se consagrarem a honrá-Lo e amá-Lo, e são tesouros tão grandes que dizer me é impossível. Deu-me a conhecer que os que trabalham na salvação das almas, alcançarão êxito maravilhoso e possuirão o segredo de tocar os corações mais endurecidos, se estiverem penetrados de uma terna devoção a este Coração divino. Jesus Cristo me assegurou que sentia um prazer todo especial em ser honrado sob a figura deste coração de carne, e queria a sua imagem exposta em público a fim de tocar os corações insensíveis dos homens. Declarou-me que derramaria em abundância no coração dos que o honrarem, todos os tesouros de graças de que está cheio, e que lá onde a sua imagem fosse particularmente honrada atrairia toda sorte de bênçãos. O Sagrado Coração de Jesus é o tesouro de todas as graças e a nossa confiança nele é a chave deste tesouro. Ah! como é doce morrer depois de ter tido uma devoção constante ao coração d'Aquele que nos deve julgar".
   Outra alma privilegiada do Sagrado Coração foi sem dúvida a Madre Luísa Margarida Claret de la Touche. Fundou a "Aliança sacerdotal universal dos Amigos do S. Coração e fundou o novo instituto de "Betânia do Sagrado Coração" com a finalidade de servir a Jesus Sacerdote nos seus sacerdotes. Em 1902 esta alma privilegiada ouviu a doce voz de Jesus nos Sacramento do Amor: "Se o sacerdote soubesse que tesouros de amor lhe estão reservados no meu Coração! Que venha ao meu coração, e beba desta fonte e encha-se de amor até transbordar e derramá-lo sobre o mundo. Margarida Maria, continua Jesus, mostrou meu coração aos homens, tu mostra-o aos meus sacerdotes, atrai-os todos ao meu coração. Quero dar-lhes a conhecer um segredo todo particular do meu Coração... Eu preciso deles, para coroar minha obra... Meu Coração é o cálice do meu Sangue; se há alguém que tenha direito e obrigação de achegar-lhe os lábios, não é porventura o sacerdote que bebe todos os dias do cálice do Altar? Venha, portanto, ele ao meu Coração e beba... É principalmente aos sacerdotes que este Sagrado Coração quer manifestar-se, a esses chamados por Ele para reacender e vivificar sobre a terra o fogo da caridade. Por sua bondade inefável Ele quer ter necessidade deles, para completar seus desígnios, e o que poderia operar diretamente nas almas, por meio da graça, não o faz, por via de regra, senão mediante o concurso deles. Oh! Se o sacerdote soubesse que tesouros de ternura encerra para ele o Coração de Jesus! Com que ardor se atiraria àquela fonte divina, para encher-se de amor, até transbordar".
   Caríssimos colegas! Não sejamos ingratos! Como ferem o divino Coração, a indiferença, a tibieza, a ingratidão dos seus padres! "Os outros, disse Nosso Senhor a Santa Margarida, se contentam com açoitar o meu corpo, mas os sacerdotes dirigem seus golpes diretamente ao meu Coração".
    Como precisamos do Coração de Jesus para nós padres debelarmos esta crise terrível tanto na sociedade (onde se legalizam crimes nefandos), como dentro da própria Igreja! Fenômeno impressionante, pavoroso: a ignorância, a incredulidade, o ódio e a corrupção atual, e pouco fagueiras as previsões do futuro. Oh! verdadeiramente, talvez mais do que nunca, Satanás é "o príncipe deste mundo!"(S.Jo. XII,31).
   Faz alguns anos o Padre Graziano Giol, jesuíta, visitou um templo budista de Sitong aos pés de um cume nevoso do Himalaia. Um mestre, todo untado e bisuntado, mostrava-lhe, com orgulho, um belo quadro que representava,  -  quem o acreditaria? - Jesus no sepulcro, encimado por um cálice com a hóstia. Mas o mais interessante ( se assim podemos dizer) é que dia e noite queimavam velas escuras diante da imagem... Em sinal de veneração? ... Em sinal de amor?... Não, não, mas por temor e nada mais. "O quadro representa um deus grande, - sussurrou o Mestre aos ouvidos do bom Jesuíta,-  embora Buda lhe seja superior."
   E pensar que nós sacerdotes temos as revelações do Sagrado Coração de Jesus, como solução para tudo! Dizia Pio IX, hoje beato: "Pregai por toda a parte a devoção ao Sagrado Coração de Jesus: ela deve salvar o mundo."
   Como nos entristecem os Encontros de Assis! Procuremos a verdadeira paz que só o SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS NOS PODE DAR!

FESTA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

 SEXTA-FEIRA DA SEGUNDA SEMANA DEPOIS DO PENTECOSTES.

   Ó Jesus, concedei-me a graça de penetrar os segredos escondidos no Vosso divino Coração.


   1- Depois de termos fixado o nosso olhar na Eucaristia, dom que coroa todos os dons do amor de Jesus aos homens, a Igreja convida-nos a considerar diretamente o amor do Coração de Cristo, fonte e causa de todo o dom. Pode afirmar-se que a festa do Sagrado Coração de Jesus é a festa do Seu amor por nós. "Eis o Coração que tanto amou os homens", disse Jesus a Santa Margarida Maria; "eis o Coração que tanto amou os homens", repete-nos hoje a Igreja, mostrando-nos que "no Coração de Cristo, ferido pelos nossos pecados, Deus se dignou dar-nos, misericordiosamente, infinitos tesouros de amor" (cfr. Coleta). Inspirando-se neste pensamento, a liturgia de hoje refere-nos os imensos benefícios que nos provêm do amor de Cristo, é um hino de louvor ao Seu amor. "Cogitationes Cordis ejus", canta o Introito da Missa: "Eis os pensamentos do Seu Coração - do Coração de Jesus - através das gerações: arrancar as almas da morte e alimentá-las em sua fome". O Coração de Jesus anda sempre à procura de almas para salvar, para livrar dos laços do pecado, para lavar com o Seu Sangue, para alimentar com o Seu Corpo. O Coração de Jesus está sempre vivo na Eucaristia para saciar a fome dos que por Ele suspiram, para acolher e consolar todos os que, desiludidos pelas amarguras da vida, se refugiam n'Ele em busca de paz e alívio. E o próprio Jesus nos ampara na aspereza do caminho. "Tomai o meu jugo sobre vós, aprendei de mim, que sou manso e humilde de Coração, e achareis repouso para as vossas almas" (Alleluia). Se é impossível eliminar da vida toda a dor, é no entanto possível, a quem vive com Jesus, sofrer em paz e encontrar no Seu Coração repouso para a alma cansada.

   2- O Evangelho e a Epístola fazem-nos considerar ainda mais diretamente, o Coração de Jesus. O Evangelho (Jo. 19, 31-37) mostra-nos o Seu Coração posto a descoberto pela ferida da lança, e Santo Agostinho comenta: "O Evangelista disse abriu, a fim de nos mostrar que, de alguma maneira, se nos abre ali a porta da vida, donde brotaram os Sacramentos". Do Coração trespassado de Cristo - símbolo da amor que O imolou por nós na Cruz - brotaram os Sacramentos, figurados na água e no sangue saídos da Sua chaga, através dos quais recebemos a vida da graça; sim, é justo dizer que o Coração de Jesus foi aberto para nos introduzir na vida. "Estreita é a porta que conduz à vida" (Mt. 7, 14), disse Jesus um dia; mas se por esta porta entendemos a chaga do Seu Coração, podemos dizer que não nos podia abrir uma porta mais acolhedora.
   São Paulo, na sua belíssima Epístola, (Ef. 3, 8-19), convida-nos a entrar, ainda mais adentro, no Coração de Jesus para contemplar as Suas "riquezas incompreensíveis" e penetrar o "mistério escondido, desde o princípio dos séculos, em Deus". Este "mistério" é exatamente o mistério do amor infinito de Deus que nos preveniu desde a eternidade e que nos foi revelado pelo Verbo feito carne; é o mistério daquele amor que nos quis remir e santificar em Cristo, "no qual temos segurança e acesso a Deus". Mais uma vez Jesus Se nos apresenta como a porta que conduz à salvação: "Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo" (Jo. 10, 9); e a porta é o Seu Coração que, rasgando-se por nós, nos introduziu na vida. Só o amor nos pode fazer penetrar neste mistério de amor infinito; mas não basta um amor qualquer, é necessário, como diz São Paulo, estarmos "arraigados e fundados na caridade". só assim poderemos "conhecer aquele amor de Cristo que excede toda a ciência, para que sejamos cheios de toda a plenitude de Deus". 

   Colóquio: ... "Se vós, ó Jesus, sois a minha Cabeça, por que não deverá chamar-se meu, aquilo que é Vosso? Não é verdade que são meus os olhos da minha cabeça? Portanto o Coração da minha Cabeça espiritual é o meu coração. Que alegria para mim! Olhai: Vós e eu temos um só coração. Entretanto, ó Jesus dulcíssimo, havendo reencontrado este Coração divino que é Vosso e meu, elevarei a Vós, Deus meu, a minha prece: acolhei no sacrário das Vossas audiências as minhas orações, ou antes, atraí-me inteiramente ao Vosso Coração" (São Boaventura). 

(Meditação extraída do Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de Sta. M. Madalena, O.C. D.)

quinta-feira, 27 de junho de 2019

O AMOR HUMANO DO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
27º dia de junho

Sabemos pela Teologia que em Nosso Senhor Jesus há duas vontades: a humana e a divina. Assim, também devemos considerar no Coração de Jesus, o seu amor humano e o se amor divino por nós.  Na verdade o dulcíssimo Salvador, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, nos amou muito, nos ama muito e nos há de amar muito durante toda a eternidade.

O amor de Jesus em sua alma humana, através de seu Coração palpitante, nos seus 33 anos na terra, hoje no Céu à direita de seu Eterno Pai, e na terra, na Santíssima Eucaristia, é, digo, um amor admirável, inefável. Mas em sua divindade, Jesus que é o Verbo Divino, nos ama com o mesmo amor que o Pai e o Espírito Santo, ou seja, com um amor eterno e infinito.

Hoje vamos meditar no amor humano do Coração de Jesus, e amanhã, se Deus quiser, meditaremos no amor divino do Coração de Jesus.

Jesus, chorou diante do túmulo de seu amigo Lázaro de Betânia, e o povo exclamou: "Vede como Ele o amava". Caríssimos, meditando durante este mês de junho, em tudo que o Coração de Jesus fez por nós, na Encarnação, no seu nascimento, na sua vida oculta e na vida pública, na instituição da Santíssima Eucaristia e sobretudo em sua Paixão e Morte, nós também exclamamos: "Vede como Ele nos amou!".

O Coração de Jesus nos ama com um amor humano imenso! Pois, a sua fonte é a alma de Jesus, e esta é a obra-prima de Deus aqui na terra. Deus a fez tão perfeita o quanto é possível a uma criatura. E Deus onipotente tornou esta alma capaz de um amor tal que, excede em intensidade ao de todos os homens que existiram, existem e hão de existir, ao amor de todos os anjos e ao da própria Santíssima Virgem Maria, reunidos num só. Já percorremos toda a vida de Jesus e meditamos na imensidade deste amor por nós.

E agora na glória do Céu, à direita de seu Pai Eterno, o Coração de Jesus continua a nos amar. São João declara que mesmo os pecadores são ainda muito caros a Jesus, porque lhes advoga a causa junto de seu Pai: "Filhinhos meus, eu vos escrevo estas coisas, para que não pequeis; mas, se algum pecar, temos um advogado junto do Pai, Jesus Cristo justo. Ele é propiciador pelos nossos pecados, e não somente, pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo" (1 S. João, II, 1 e 2). Assim, o próprio pecado mortal, que Lhe inspira tanto horror, não Lhe altera os sentimentos do Coração. Seu olhar não é de ódio, mas de ternura entristecida, de compaixão para com o louco, monstruoso e mísero pecador. Jesus com suas chagas radiantes de luz e glória, está a lembrar a seu Pai que Ele sofreu tanto pelos pecadores, que pagou caríssimo pelos seus pecados; suplica, então, e implora graças de contrição. O Coração de Jesus é sempre ouvido pelo seu Pai, embora, infelizmente, muitos põem obstáculos. O Coração de Jesus pede também a graça de uma perfeita penitência, de tal modo que o pecador, se assim o quiser, poderá reparar plenamente suas faltas.

Caríssimos, agora meditemos no seguinte: Se Jesus ama assim os pecadores, qual não será o amor de seu Coração pelos verdadeiros amigos, pelos justos, pelos santos?! São João Eudes diz: "Tão grande é o seu amor, que Ele estaria pronto a sacrificar sua vida no universo inteiro e com sofrimentos imensos; e porque o seu amor é eterno, estaria pronto ainda a sacrificá-lo eternamente e com dores eternas". Sofreria, portanto, uma nova paixão por cada um dos filhos dos homens. Faria por cada um o que fez por todos. Mas sabemos que Jesus não pode sofrer e morrer mais, depois de ressuscitado e glorioso. Como seu Coração é onipotente, arranjou um meio de fazê-lo por nosso amor: A Santíssima Eucaristia como Sacrifício e como Sacramento. A Santa Missa renova, de maneira incruenta, a imolação do Calvário, e nos aplica seus merecimentos infinitos. E aqui no Altar se aniquila de alguma maneira, mais do que na Cruz. Quanto o Coração de Jesus se alegra em poder através da Santa Missa, derramar sobre o mundo torrentes de graças! E faz ainda mais: A Eucaristia como Sacramento! Faz-se nosso alimento, nosso hóspede na comunhão, e dá-se a nós todo inteiro, convidando-nos a renovar cada dia essa união tão doce ao seu Coração. O Coração de Jesus quis ficar conosco até o fim do mundo, não quis nos deixar órfãos. É realmente o Emanuel, isto é, o Deus conosco. Amém!


quarta-feira, 26 de junho de 2019

O AMOR INFINITO DO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
26º dia de junho

É uma verdade que dispensa demonstração. O católico que não o reconhecesse seria um católico sem coração, ou melhor não seria verdadeiro cristão.

 Deus nos amou desde toda a eternidade: "Eu amei-te com um amor eterno, por isso, compadecido de ti, te atraí a mim" (Jeremias XXXI, 3). E o Apóstolo do Amor, disse: "Nós conhecemos o amor de Deus, porque deu sua vida por nós" (1, João IV, 9); transmitiu-nos a afirmação do próprio Jesus: "Amou Deus de tal modo o mundo (os homens), que deu por ele o seu Unigênito Filho (S. João III, 16).  Pelo que já meditemos até hoje desde o início deste mês ficou suficientemente demonstrado o amor infinito do Coração de Jesus por nós. Pois, basta para isto contemplar toda a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi o amor aos homens a causa de tudo o que fez e sofreu. Por nosso amor o Filho de Deus deixou o Céu e desceu a este vale de lágrimas; revestiu-Se de nossa mesma carne; deu a vida por nosso amor, para que pudéssemos viver eternamente com Ele no Paraíso. Como já meditamos, uma só gota de seu Sangue seria suficiente para remir todo o mundo e até milhares de mundos, mas seu amor por nós levou-O a derramá-lo até a última gota. Como diz São Pedro: "Não fomos remidos com ouro e prata, mas sim com o sangue do Cordeiro Imaculado" ( 1 S. Pedro, I, 18); e São Paulo diz o mesmo: "Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai e trazei a Deus no vosso corpo" (1 Cor. VI, 20). E Jesus não só derramou seu sangue por uma única ferida, mas entregou seu corpo às mãos dos verdugos desumanos, que o puseram numa só chaga, dos pés à cabeça. Enfim, ao abrir-vos os Santos Evangelhos qual é a página que não fala do seu amor aos homens?! Em cada milagre encontramos uma prova dele.

E Nosso Senhor Jesus Cristo, amou-nos como ninguém! Já meditamos sobre o amor do Coração de Jesus ao instituir a Santíssima Eucaristia. Amou-nos e deu-Se a si mesmo por nós, sua carne, seu sangue, sua alma e sua Divindade. Foi por nosso amor que o Coração de Jesus quis ficar conosco na terra, para que n'Ele tivéssemos um amigo fiel, um pai amoroso, em cujos braços nos pudéssemos lançar na hora do abandono e da tribulação.

E assim como ficamos tristes em ver em muitos uma verdadeira homolatria! E para desagravar o Adorável Coração de Jesus exclamamos com São Paulo: "Seja anatematizado aquele que não amar a Nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Cor. XVI, 22).

Caríssimos, pensemos sempre neste amor infinito do Coração de Jesus por nós, pobres pecadores! Procuremos fazer como os Santos fizeram: passavam grande parte do dia com o Evangelho diante dos olhos, meditando nos padecimentos a que o divino Salvador se entregou por nosso amor.

O Coração de Jesus nos amou tanto que quis ficar conosco na Eucaristia. Quem ama gosta de receber em sua casa a pessoa amada. Jesus está no solidão dos templos, à nossa espera para abrirmos o coração diante d'Ele. E mais: Jesus nos ama tanto que, Ele o Senhor, está batendo à porta de nosso coração: "Meu filho, dá-me, teu coração" . E, se amarmos verdadeiramente a Jesus, não há como ficarmos insensíveis diante de um ternura e bondade infinitas! E quem é Ele, e quem sou eu?!

Caríssimos, diante desta fornalha de amor que é o Coração de Jesus, não é possível permanecermos com o coração gelado! Quem não ama a Jesus não se ama a si mesmo. Não amar a Jesus é amar ao mundo; não amar a Jesus é amar as criaturas; e amar o mundo e as criaturas é amar o que não tem valor, é preparar para si a ruína espiritual.


Então digamos de todo coração: "CORAÇÃO DE JESUS QUE TANTO NOS AMAIS, FAZEI QUE EU VOS AME CADA VEZ MAIS! Amém!

terça-feira, 25 de junho de 2019

O AMOR DIVINO DO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
25 dia de junho

Vimos como o amor humano do Coração de Jesus é imenso, inefável, admirável. Mas, caríssimos, o amor divino do Coração de Jesus é infinito, é eterno. É o amor com que o Coração de Jesus nos ama em sua Divindade. Toda compreensão desta verdade é dada pelo mistério da Encarnação. O Verbo podia e pode ainda dizer: "Eu vos amo pela minha Divindade com um amor comum às três Pessoas divinas, e vos amo pela minha Humanidade. Fui eu quem, em meu corpo e em minha alma humana, sofreu por vós, fui eu, Verbo Eterno quem orou por vós, quem mereceu por vós pela alma santa que tomei no dia de minha Encarnação. Hoje, na morada da glória, deleito meus fiéis pela graça de minha Humanidade e pela glória infinita de minha Divindade".

Em seu Filho, que é o espelho, o esplendor de sua substância, Seu Verbo, isto é, sua Palavra eterna,  Deus Pai sempre  nos viu. Amou-nos desde toda eternidade. Tudo em Deus é infinito, e, portanto, seu amor e sua bondade são infinitos. Deus nos ama desejando ver-nos felizes pela santidade, felizes da santidade que é fruto da virtude e do puro amor. Na verdade, ser virtuoso, ser santo, é amar a Deus, procurar a Deus, dirigir-se a Deus, e o termo da santidade é a posse de Deus. A graça santificante que Deus nos dá pelo santo Batismo outra coisa não é senão Deus dando-se à alma, vivendo nela, unindo-se a ela, em uma palavra, divinizando-a. Eis a explicação de tudo em duas frases bíblicas: "Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho" e "O Verbo se fez carne". E por que estes dois mistérios inefáveis? Para que Jesus Cristo, sendo Deus e Homem, pudesse nos salvar. Como Homem pôde sofrer e morrer por nós, e sendo Deus, pois, Jesus é uma Pessoa divina, é o Filho de Deus, deu aos seus sofrimentos e à sua Morte um valor infinito.

Mas por que Deus nos ama com esse ardor infinito? Em nós nada há que possa excitar tanto amor. As qualidades que temos, Deus no-las deu por amor. Amou-nos, portanto, antes destas qualidades, antes de todos os nossos atos. Na verdade, onde abundou em nós o pecado, Deus fez superabundar a graça. Supriu todas as nossas fraquezas e reparou todas as nossas loucuras. Tudo quanto Deus faz por nós é a mais gratuita das liberalidades.

Deus nos ama porque Ele é o Amor. Em relação às criaturas, o amor de Deus é livre; mas quão bem responde aos desejos de seu Coração! Na verdade, Deus sendo a própria Bondade, se compraz em amar: "Bonum est sui diffusivum". Levado por este amor infinito, Deus concede-nos os seus dons, dons sobrenaturais e divinos.

Mas Deus quer também ser amado. "Deus tem um tal desejo que O amemos, diz o autor espiritual Tauler, que desse amor parece depender a sua felicidade. Todas as criaturas são outras tantas vozes que nos convidam a amá-Lo. Tudo o que Ele fez, tudo o que ainda faz, Ele o fez ou faz para levar a alma a ouvir-Lhe as súplicas e a amá-Lo. Assim o menor ato de amor da mais miserável de suas criaturas O encanta mais que toda a magnificência de suas obras materiais, ou todo o esplendor dos astros, com que guarneceu o espaço. Parece não poder suportar a perda do nosso amor e todas as suas obras, quer na ordem da natureza, quer na da graça, são feitas para ganhar os nossos corações, e os mesmos castigos eternos, pelos quais pune as almas ingratas e obstinadas e os corações pertinazmente fechados ao amor, visam ainda levar outros corações a se abrirem ao amor de seu Coração. "Deus, diz ainda Tauler, é mais pronto em perdoar que um braseiro em consumir algumas palhas ou estopas lançadas nas chamas"; "Uma mãe, vendo queimar-se o seu filho, não corre mais pressurosa em seu auxílio do que Deus em auxílio do pecador".

Caríssimos, quão doloroso há de ser para o Coração amante de Jesus o excesso de tanta bondade sua, de uma parte, e de tamanha ingratidão de nossa parte! "Meus olhos, diz Deus pelo profeta, derramaram rios de lágrimas, porque não é observada a lei" (Salmo 118, 136). Se nos foi dado, através destas reflexões que venho fazendo neste mês sobre o amor do Coração de Jesus, compreender sua ternura e amor, caríssimos, devemos esforçar-nos por compensá-los pela nossa generosidade e fidelidade. Hoje, quando reina o indiferentismo religioso por falta de fé em Deus e de amor a Ele, hoje quando poucos amam verdadeiramente a Deus sobre todas as coisas, será um desagravo muito suave ao Coração de Jesus, o nosso amor ardente. Peçamos sempre: "Coração de Jesus, Homem-Deus, que tanto nos amais, fazei que Vos ame cada vez mais!" Amém!

  

segunda-feira, 24 de junho de 2019

AS PROMESSAS DO CORAÇÃO DE JESUS



LEITURA ESPIRITUAL
24º DIA

Através de Santa Margarida M. Alacoque Jesus fez doze promessas. Umas são relativas aos sacerdotes  e a todos os fiéis, e outras exclusivamente quanto aos ministérios que os sacerdotes exercem para a salvação das almas.

"Prometo-te, diz Jesus a Santa Margarida M. Alacoque,  que o meu Coração se abrirá, para derramar as suas bênçãos sobre quem o honrar e empregar o seu zelo em fazê-lo honrar". Caríssimos, estas palavras se referem a todos aqueles que glorificam o Sagrado Coração, e contribuem, quanto podem, para isso. "Se estais, diz Santa de Parays-le-Monial, em um abismo de fraqueza, de recaídas e misérias, recorrei ao Coração de Jesus, que é um abismo de misericórdia e de fortaleza. Se em vós descobris um orgulho desmesurado, perdei-vos nos aniquilamentos do Coração de Jesus. Não sei que haja exercício espiritual mais capaz de elevar depressa uma alma à mais alta perfeição".

E a Santa vidente do Coração de Jesus, diz ainda algo mais animador para os sacerdotes: "O meu Salvador deu-me a entender que aqueles que se empregam na salvação das almas, serão capazes de as comover e converter, se estiverem penetrados de uma terna devoção ao seu divino Coração". Nós sacerdotes, que muitas vezes excogitamos meios humanos para reanimar as almas, quem sabe até muitos achem que a solução é ter muito dinheiro para melhor organizar tudo na paróquia para mais atrair as pessoas. Chamo isso de "muletas". Mas os sacerdotes que têm sempre em mente como Jesus fez e mandou seus discípulos fazer, a realidade é muito outra. A solução está aqui indicada pelo que Jesus mesmo fez Santa Margarida Alacoque entender: os sacerdotes devem estar penetrados de uma terna devoção ao Coração de Jesus. Caríssimos colegas, que mais podemos desejar? Quereis abalar as consciências mais arraigadas no mal? O meio é este indicado pelo próprio Jesus!

Depois, se Deus quiser, meditaremos na 12ª Promessa do Sagrado Coração de Jesus, que é a das nove primeiras sextas-feiras. É um seguro para o Céu!

Devemos adorar o Sagrado Coração de Jesus no augustíssimo sacramento da Eucaristia, sacramento que nos recorda todos os prodígios da bondade de Jesus para conosco. Lamentamos que o amável Coração de Jesus seja tão pouco conhecido e consequentemente tão pouco amado e, o que é mais para lamentar, até mesmo pelos sacerdotes que receberam de Jesus esta missão honrosa e sublime de ganhar almas para o Coração de Jesus. Caríssimos colegas, que o Sacratíssimo Coração de Jesus seja e para sempre o nosso refúgio nas aflições, o nosso recurso nas dificuldades, a nossa esperança e fortaleza nos momentos de ansiedade e inquietação, em que a nossa alma fica quase a sucumbir à tristeza. Mas com o auxílio do Coração de Jesus, escaparemos aos perigos que ameaçam a nossa salvação, e contribuiremos eficazmente para a salvação de nossos irmãos. Devemos implorar a Jesus que Ele venha reproduzir em nós a Sua humildade, a Sua mansidão, o Seu zelo e todas as virtudes, pois o Coração de Jesus é o nosso modelo. Caríssimos sacerdotes, vamos procurar sempre dedicar ao Coração de Jesus, os nossos trabalhos sacerdotais, e nossos suores, as nossas penas e alegrias, enfim, a nossa vida e o fim da nossa vida. Amemos pois, e façamos amar o Coração que nos tem amado tanto. Amém!

sábado, 22 de junho de 2019

UNIÃO DO NOSSO CORAÇÃO AO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
22º dia de junho

Meditamos sobre a Comunhão, e logo pensamos na união do nosso coração ao Coração de Jesus.
Iniciemos nossa meditação com a belíssima explanação feita por S. João Eudes: "Jesus Filho de Deus e filho do homem... não sendo somente nosso Deus, nosso Salvador e soberano Senhor; mas mesmo, sendo nossa cabeça e nós os seus membros e seu corpo, diz S. Paulo, osso de seus ossos, e carne de sua carne (Ef 5, 30) e, por conseguinte, estando unidos a ele pela união mais íntima que possa existir, tal a dos membros à cabeça; unidos a ele espiritualmente pela fé e pela graça que nos deu no santo batismo; unidos a ele corporalmente pela união do seu santíssimo corpo com o nosso na santa Eucaristia, segue-se daí necessariamente que, como os membros são animados do espírito da cabeça e vivem de sua vida, assim também devemos estar animados do espírito de Jesus Cristo, viver de sua vida, caminhar em suas veredas, revestir-nos de seus sentimentos e inclinações, fazer todas as nossas ações nas disposições e intenções com que ele faz as suas, em uma palavra, continuar a realizar a vida, a religião e a devoção que ele exerceu sobre a terra" (Reinado de Jesus, parte II).

Realmente não pode existir união mais íntima, união significada por São Paulo em várias passagens: "Revesti-vos de Jesus Cristo" (Rom. XIII,14); "Revesti-vos do homem novo" (Ef. IV, 24); Animai-vos dos sentimentos que animam a Jesus Cristo" (Fil. II, 5)

Caríssimos, ouçamos a Santa Margarida Maria escrevendo a uma visitandina de Moulins: "É preciso, que nos consumamos todas nessa fornalha ardente do Sagrado Coração do nosso adorável Mestre... e depois de termos lançado o nosso coração, todo cheio de corrupções, nas chamas divinas do puro amor, aí devemos tomar um outro, novo, que nos faça viver para o futuro de uma vida renovada... é preciso que esse divino Coração de Jesus tome de tal modo o lugar do nosso, que só ele viva e atue em nós e por nós, que sua vontade mantenha a nossa por tal forma aniquilada, que possa agir sem resistência alguma da nossa parte; enfim, que seus afetos, pensamentos e desejos tomem o lugar dos nossos, mas principalmente o seu amor, que se amará a si mesmo em nós e por nós" (Obras, t. II, p. 468).

O mesmo ensina o Beato Padre Olier em sua belíssima oração tão conhecida, apreciada e rezada por muitos: "Ó Jesus, vivendo em Maria, vinde e vivei em nós, com o vosso espírito de santidade, na plenitude do vosso poder, na perfeição de vossas veredas, na verdade de vossas virtudes, na comunhão de vossos divinos mistérios; dominai em nós todas as forças inimigas, na virtude de vosso Espírito e para a glória de vosso Pai".

Que o Santíssimo Coração de Jesus reproduza no nosso pobre coração as suas virtudes: a humildade de sua Encarnação, a pobreza de seu nascimento, o recolhimento e retiro dos seus trinta anos de vida oculta, o zelo de sua vida pública, a generosidade de sua imolação e o fervor de suas orações. Deus Pai verá assim em nós, a imagem fiel, de seu divino Filho em quem pôs todas as suas complacências. Deus se comprazerá em ver o nosso coração tão unido ao Sacratíssimo Coração de seu Filho como um só coração, assim como a nossa vontade tão conformada a de Jesus como se visse só a de Seu Filho. Quão desejável esta íntima união nossa com Jesus! Pois assim o Pai verá o próprio Jesus cobrindo-nos, envolvendo-nos, escondendo-nos em si, Jesus animando-nos, movimentando-nos, agindo em nós e por nós.


Na verdade, Jesus ama cada um de nós com um amor inefável e esse amor faz com que Ele se mantenha unido a todos por uma união que deseja tornar cada vez mais estreita, cada vez mais perfeita. Devemos ver Jesus no nosso coração e o nosso coração no Coração de Jesus. Pela comunhão feita com todas as devidas disposições, é certo que somos transformados em Jesus, nossa vida é a vida de Jesus, nosso coração está transformado no Coração de Jesus e, como São Paulo, podemos dizer no momento bendito e inefável da sagrada comunhão: "Eu vivo, mas, na verdade, não sou eu quem vive, é Jesus quem vive em mim" (Gál. II, 20). Parafraseando: Meu coração bate, mas, na verdade, não é mais o meu, é o Coração de Jesus que bate em meu peito. Amém!

sexta-feira, 21 de junho de 2019

O CORAÇÃO DE JESUS E A COMUNHÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
21º dia de junho

 Nosso Senhor Jesus Cristo é a própria humildade. Pois bem,  Jesus quer cultivar e fazer frutificar na alma do comungante esta bela virtude da qual dá na Eucaristia tão comovedores exemplos, como meditamos anteriormente. Mas é claro, o Coração Eucarístico de Jesus quer encontrar corações bem dispostos, o que significa corações o mais parecidos possível com o Seu. Nada de amor próprio que não sabe sofrer humilhações; nada de tibieza, nada de apego à vontade própria; para bem longe o amor dos prazeres. Caríssimos comungantes,  devemos preparar uma mansão digna para Jesus, de dois modos: primeiro afastando estes sentimentos que Lhe desagradam, e, segundo, praticando as virtudes que constituem a beleza de seu divino Coração. Esta preparação remota para a comunhão facilita a preparação imediata, ou seja, o recolhimento e a oração.

E quando comungamos devemos adorar a Deus e humilhar o nosso nada em Sua presença. Devemos unir os nossos sentimentos aos d"Ele. O Salvador, aos vir a nós na Comunhão, procura logo a glória do Pai. O Coração de Jesus, deste novo altar que é o nosso coração, oferece a Deus Pai suas homenagens, e convida-nos a unir-nos a Ele. Os primeiros pedidos de Jesus são aqueles mesmos que nos ensinou a pedir ao nosso Pai do Céu: que seja santificado o nome de Deus, que venha a nós o seu reino, que sua vontade seja feita. Esta deve ser também a nossa primeira oração, feita em união com Jesus. O Coração de Jesus, ainda a pulsar em nosso peito, ergue a Deus Pai atos de amor que O glorificam mais do que todos aqueles que por ventura praticamos ou viermos um dia a praticar. Deus é adorado, amado, bendito, louvado e agradecido, por um Deus, no mais íntimo de nosso ser.

A alma apaixonada de amor a Deus não pensa em si primeiro mas antes, procura se unir a Jesus na adoração ao Seu Pai e ao nosso Pai que está no Céu. Mas, é claro, Jesus mesmo quer que logo após pensemos em nós mesmos.  Que peçamos a sua graça para vencermos as nossas misérias e fraquezas. Ah!, caríssimos, quão felizes são aqueles que se chegam a Jesus cheios de santo e ardente amor! No momento da Comunhão o Pai contempla com infinita ternura o Coração de seu Filho, e com certeza se compraz em ver o nosso coração humilde. Compraz-se em ver que a oração do seu Filho Eterno e a do seu filho adotivo transformado n'Ele pela comunhão, fazem a mesma oração de adoração; vê com complacência os seus protestos de amor, suas homenagens de adoração, de reconhecimento, reunidos, elevarem-se até ao Seu trono de Glória. E assim, com certeza o Pai Celestial Todo-poderoso, não poderá recusar os pedidos do comungante feitos em seguida, no sentido da santificação de sua alma.

Como já temos meditado, Jesus, com seu Coração cheio de bondade, passou fazendo o bem. E agora a Comunhão é, ainda na terra, como que o termo dos desejos de Jesus, o alvo de seus esforços, o derradeiro escopo de seus trabalhos. Aí se completa a obra da Encarnação; aí, a carne que recebeu no seio puríssimo de Maria Santíssima se une à nossa carne para purificá-la; aí, sua alma se une à nossa alma para santificá-la; aí, Seu Coração se une ao nosso coração, para nele derramar seu amor. Jesus se alegrava em sua vida pública em fazer o bem aos fiéis. Aqui na Comunhão alegra-se também vendo os esforços de seus fiéis que procuram adquirir as virtudes e ter os mesmo sentimentos que, embora fracos, são semelhantes às virtudes e sentimentos de Seu Coração manso e humilde na Eucaristia. Como o Coração de Jesus vibra de alegria vendo estes corações de seus fiéis tendo os mesmos desejos da glória do Pai e da salvação das almas! Amém!

quinta-feira, 20 de junho de 2019

CORPUS CHRISTI

CORPUS CHRISTI

                                                                                                                                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*

        Amanhã celebraremos com toda a Igreja a solenidade do Santíssimo Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, ou Corpus Christi.
        A belíssima catedral gótica de Orvieto, na Itália, que já visitei, conserva o relicário com o corporal sobre o qual caíram gotas de sangue da Hóstia Consagrada, durante uma Santa Missa, celebrada em Bolsena, cidade próxima, onde vivia Santo Tomás de Aquino, que testemunhou o milagre. Estamos no século XIII. O Papa Urbano IV, que residia em Orvieto, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto, em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, pronunciou diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi (o Corpo de Cristo)”. O Papa prescreveu então, em 1264, que na 5ª feira após a oitava de Pentecostes fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo de Deus, sendo Santo Tomás de Aquino encarregado de compor o texto da Liturgia dessa festa. O Papa, que havia sido arcediago de Liège, na Bélgica, e conhecido Santa Juliana de Mont Cornillon, atendia assim ao desejo manifestado pelo próprio Jesus a essa religiosa, pedindo uma festa litúrgica anual em honra da Sagrada Eucaristia. Em 1247, em Liège, já havia sido realizada a primeira procissão eucarística, como festa diocesana, sendo estabelecida mundialmente pelo Papa Clemente V, que confirmou a Bula de Urbano IV. Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. 
        Por que tão solene festa?  Porque “a Eucaristia é o coração e o ápice da vida da Igreja, pois nela Cristo associa sua Igreja e todos os seus membros a seu sacrifício de louvor e ação de graças oferecido uma vez por todas na cruz a seu Pai; por seu sacrifício ele derrama as graças da salvação sobre o seu corpo, que é a Igreja. A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo: isto é, da obra da salvação realizada pela Vida, Morte e Ressurreição de Cristo, obra esta tornada presente pela ação litúrgica. Enquanto sacrifício, a Eucaristia é também oferecida em reparação dos pecados dos vivos e dos defuntos, e para obter de Deus benefícios espirituais ou temporais” (C.I.C. nn.1407, 1409 e 1414). “O Sacrifício Eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua pelos séculos o Sacrifício da cruz, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã, por ele é significada e se realiza a unidade do povo de Deus, e se completa a construção do Corpo de Cristo. Os outros sacramentos e todas as obras de apostolado da Igreja se relacionam intimamente com a santíssima Eucaristia e a ela se ordenam” (C.D.C. cân. 897).
        Por ser tão importante e digna da nossa honra e culto, o Papa São João Paulo II, na sua Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”, nos advertia contra os “abusos que contribuem para obscurecer a reta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento” e lastimava que se tivesse reduzido a compreensão do mistério eucarístico, despojando-o do seu aspecto de sacrifício para ressaltar só o aspecto de encontro fraterno ao redor da mesa, concluindo: “A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções”. 

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

FESTA DE CORPUS CHRISTI



Sabemos que Deus nunca pode ser atingido em sua Felicidade por causa dos pecados. Para receber humilhações, sofrer e morrer, é que Se fez Homem o Filho de Deus. Mas Nosso Senhor Jesus Cristo quis continuar conosco na Eucaristia, como Deus e Homem. Não podemos, porém esquecer, que Jesus ressuscitou imortal e impassível, e assim está presente na Eucaristia. Portanto não pode sofrer nem morrer. Mas, sendo Deus, na sua Paixão e Morte já sofreu por todos os pecados desde Adão e Eva até a última blasfêmia do Anti-Cristo, até ao ultimo pecado que será cometido sobre a face da terra. À vista deste cortejo fúnebre de pecados que foi passando diante de seus olhos apavorados, e neste cortejo horripilante estavam os pecados cometidos contra a Eucaristia desde a sua instituição,  Jesus Cristo sentiu no Getsêmani uma tristeza mortal a ponto de suar sangue em tanta quantidade que chegou a correr pela terra. O Salvador viu aí todas as profanações do Santíssimo Sacramento  e do Santíssimo Sacrifício do Altar. Se não nos comovermos diante deste amor de Jesus instituindo a Santíssima Eucaristia mesmo prevendo as profanações e sacrilégios de que seria alvo, que mais nos poderá causar compaixão e amor?!

O que mais nos admira nesta "maravilha das maravilhas de Deus" (Cf. Salmo 110, 4), são as humilhações a que o Filho de Deus se sujeitou; e o que mais nos comove é o amor que nos mostra. Mas a ingratidão dos homens é tamanha que à estas humilhações que são da escolha de Jesus e que nos obtêm os maiores bens, acrescentamos ainda outras, que são fruto do nosso crime, e nos atraem horríveis desgraças, como doenças, incapacidades na alma e no corpo e mortes, como afirma S. Paulo em 1ª aos Coríntios XI, 30: "Examine-se, pois, a si mesmo o homem e assim coma deste pão e beba deste cálice, porque aquele que o come e bebe indignamente, come e bebe para si a condenação, não distinguindo o corpo do Senhor [do pão comum]". É por isso que há entre vós muitos enfermos e sem forças(em latim" imbeciles" = sem força na alma e no corpo) e muitos que dormem (morrem)". 

Caríssimos, que faz então a Santa Madre Igreja? Preocupada com estas duas classes de humilhações, ela esforça-se hoje por nos fazer honrar as humilhações escolhidas por Jesus por nosso amor, justamente com um amor agradecido; e por nos fazer reparar as humilhações que fazemos a Jesus por nossos crimes, com um amor penitente.

1. Na verdade, em nenhum de seus mistérios Jesus Cristo é tão humilhado como na Eucaristia. Em qualquer outra parte, se a sua divindade se encobre, revela-se também de alguma maneira. Por exemplo no Calvário, por entre os opróbrios do Homem moribundo, se divisa o Filho de Deus: há uma tempestade e terremoto e as pedras do Calvário se fendem e muitos exclamam: "Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus". Pelo contrário na Eucaristia, nem mesmo tem semelhança com o homem. Embora opere milagres, no entanto, são invisíveis e só muito raramente se manifestam como em Lanciano. Enquanto que os prodígios que se manifestaram no Nascimento de Jesus, durante a Sua vida e na Sua morte, eram destinados a patentear as suas grandezas, os que multiplica neste sacramento, são empregados em rodeá-las de uma obscuridade impenetrável. É um grande prodígio ficar a substancia do Corpo, Sangue, Alma e até a Divindade debaixo das aparências humildes do pão. Nem sequer estas aparências tomam alguma qualidade da Carne de Jesus como por exemplo a cor e o gosto. São puramente os acidentes ou aparências de pão comum e não do Pão descido do Céu! Caríssimos, se estas humilhações nos confundem, quanto nos deve comover o amor que as causa?

Na verdade, em nenhum dos outros mistérios Nosso Senhor Jesus Cristo se humilhou tão profundamente; e estas humilhações eram necessárias para o cumprimento dos seus desígnios a nosso respeito. Queria estar conosco, comunicar-se a nós com toda a efusão da amizade mais confiante, renovar incessantemente o seu sacrifício por nós, identificar-se, por assim dizer, conosco, dando-nos a sua própria Carne como comida e o seu Sangue como bebida. E cada um destes favores, máxime o último, obrigava-O a descer até a este abismo de humilhação, onde só a fé O reconhece. E, caríssimos, este mistério não é a humilhação das humilhações, senão porque é, segundo S. Bernardo, o amor dos amores.

E aí temos a razão da Festa de Corpus Christi: quanto mais o Filho de Deus, na Eucaristia, se abate por causa de nós a sua infinita grandeza, tanto mais devemos exalçá-la com o nosso culto . Daí este triunfo público, universal, brilhante, que a Igreja Lhe tributa nesta solenidade.

2.  Mas a Igreja reconhece que esta só reparação não basta: a festa  do Santíssimo Sacramento, não é somente um triunfo conferido a seu divino Esposo; é também a penitência pública de seus filhos. A Igreja emprega esta pompa pública e extraordinária para reavivar a  nossa fé, pondo-nos de alguma maneira diante dos olhos aquela Majestade santíssima e tremenda, para nos incitar a aplacá-la, humilhando-nos na sua presença. Os padres zelosos não deixam de citar e levar o povo a meditar na terrível advertência do Apóstolo na sua Primeira Epístola aos Coríntios XI, 30, já supracitada. Não podemos ignorar que estão reservados os mais terríveis castigos aos que têm pisado aos pés o mesmo filho de Deus, e profanado o seu Sangue: "Imaginai vós quanto maiores tormentos merecerá o que tiver considerado como profano o sangue do testamento, com que foi santificado" (Hebr. X, 29).

Os verdadeiros adoradores devem aproveitar esta ocasião para honrar a Jesus Sacramentado; contribuir para a pompa do seu triunfo, alegrar-se das adorações que recebe, e forcejar para reparar as ofensas que Lhe são feitas principalmente nestes anos lúgubres e sem fé em que vivemos. Aproveitando o ensejo, não poderia deixar de agradecer do íntimo de minha alma, às mulheres e aos homens que por vários dias vêm trabalhando aqui no Carmelo, na preparação da procissão de Corpus Christi com dedicação, amor e alegria sobrenaturais. Que Deus lhes pague! A Santa Missa será às 12:00 h e logo após haverá a Procissão de Corpus Christi com três Bênçãos do Santíssimo Sacramento. Amém!

FESTA DE CORPUS CHRISTI

CORPUS CHRISTI                                                     

                                                                                                                    Dom Fernando Arêas Rifan*


               Amanhã celebraremos com toda a Igreja a solenidade do Santíssimo Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, ou Corpus Christi.
            A belíssima catedral gótica de Orvieto, na Itália, que já visitei, conserva o relicário com o corporal sobre o qual caíram gotas de sangue da Hóstia Consagrada, durante uma Santa Missa, celebrada em Bolsena, cidade próxima, onde vivia Santo Tomás de Aquino, que testemunhou o milagre. Estamos no século XIII. O Papa Urbano IV, que residia em Orvieto, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto, em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, pronunciou diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi (o Corpo de Cristo)”. O Papa prescreveu então, em 1264, que na 5ª feira após a oitava de Pentecostes fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo de Deus, sendo Santo Tomás de Aquino encarregado de compor o texto da Liturgia dessa festa. O Papa, que havia sido arcediago de Liège, na Bélgica, e conhecido Santa Juliana de Mont Cornillon, atendia assim ao desejo manifestado pelo próprio Jesus a essa religiosa, pedindo uma festa litúrgica anual em honra da Sagrada Eucaristia. Em 1247, em Liège, já havia sido realizada a primeira procissão eucarística, como festa diocesana, sendo estabelecida mundialmente pelo Papa Clemente V, que confirmou a Bula de Urbano IV. Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas.
            Por que tão solene festa?  Porque “a Eucaristia é o coração e o ápice da vida da Igreja, pois nela Cristo associa sua Igreja e todos os seus membros a seu sacrifício de louvor e ação de graças oferecido uma vez por todas na cruz a seu Pai; por seu sacrifício ele derrama as graças da salvação sobre o seu corpo, que é a Igreja. A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo: isto é, da obra da salvação realizada pela Vida, Morte e Ressurreição de Cristo, obra esta tornada presente pela ação litúrgica. Enquanto sacrifício, a Eucaristia é também oferecida em reparação dos pecados dos vivos e dos defuntos, e para obter de Deus benefícios espirituais ou temporais” (C.I.C. nn.1407, 1409 e 1414). “O Sacrifício Eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua pelos séculos o Sacrifício da cruz, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã, por ele é significada e se realiza a unidade do povo de Deus, e se completa a construção do Corpo de Cristo. Os outros sacramentos e todas as obras de apostolado da Igreja se relacionam intimamente com a santíssima Eucaristia e a ela se ordenam” (C.D.C. cân. 897).
            Por ser tão importante e digna da nossa honra e culto, o Papa São João Paulo II, na sua Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”, nos advertia contra os “abusos que contribuem para obscurecer a reta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento” e lastimava que se tivesse reduzido a compreensão do mistério eucarístico, despojando-o do seu aspecto de sacrifício para ressaltar só o aspecto de encontro fraterno ao redor da mesa, concluindo: “A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções”.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

quarta-feira, 19 de junho de 2019

O CORAÇÃO DE JESUS E A SANTÍSSIMA TRINDADE

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
19º dia de junho

Estamos contemplando o adorável Coração de Jesus, vivo, palpitante sempre de amor por nós. Meditamos na bondade, ternura, misericórdia e amor do coração de Jesus vivo em sua vida oculta e em sua vida pública, na sua Paixão e Morte e finalmente o adoramos à destra do Eterno Pai após a sua Ascensão. Lá está sempre a interceder por nós, como diz São Paulo. Jesus saiu do Pai e voltou para o Pai. E de lá enviou o Divino Espírito Santo. Assiste a Sua Santa Igreja e mora nas almas em estado de graça. Trabalha sempre no sentido de nos santificar.

A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade é o Filho de Deus. A Terceira Pessoa é o Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, amor substancial, eterno, infinito e pessoal como o Pai e o Filho.

Explica o Símbolo Atanasiano: II. "O Pai não foi feito por ninguém, nem criado, nem gerado. O filho é só do Pai; não feito, não criado, mas gerado. O Espírito Santo é do Pai, e do Filho; não feito, não criado, não gerado, mas procedente. Há, pois, um só Pai, não três Pais; um só Filho, não três Filhos; um só Espírito Santo, não três Espíritos Santos. E nesta Trindade nada existe de anterior ou posterior, nada de maior ou menor; mas todas as três pessoas são coeternas e iguais umas às outras; de sorte que, em tudo, como acima ficou dito, deve ser venerada a unidade na Trindade, e a Trindade na unidade. Quem quer, portanto, salvar-se, assim deve crer a respeito da Santíssima Trindade".

Podemos resumir assim: O Pai, na infinita perfeição da divina natureza, se vê na infinita intelecção do Filho, ou seja do Verbo, e o Pai e o Filho se amam no infinito amor do Espírito Santo.

Na Teologia dizemos que Jesus Cristo é a imagem consubstancial ao Pai Eterno. É a imagem da substância divina e podemos dizer outrossim que o Filho de Deus é a imagem da bondade do Pai. Trata-se aqui também de uma verdade dogmática. Jesus disse ao doutor da Lei que O chamava de Bom: "Ninguém é bom a não ser Deus", só Deus é Bom. Logo o Filho de Deus é a imagem infinita da bondade do Pai Eterno. Santo Tomás de Aquino explica que Deus é metafisicamente bom, porque tem em sua própria essência as razões de sua própria existência e, nele, essência e existência distintas em todos os outros seres, são uma e a mesma coisa. Deus é metafísica e fisicamente bom. É metafisicamente bom porque possui todas as qualidades que são próprias à plenitude da sua natureza. Deus é fisicamente bom, porque sendo eterno e infinito, nada pode faltar à sua plenitude. Devemos dizer que Deus é a bondade metafísica, a bondade física e a bondade moral, no sentido eterno e absoluto. Deus é a própria Bondade.  Sendo Jesus Cristo o Filho de Deus, é a imagem consubstancial ao Pai. Isto quer dizer que Jesus é a imagem do Pai na mesma unidade substancial, embora Pessoa distinta. Ora, imagem consubstancial da bondade de Deus é a própria bondade. Logo, Jesus, o Filho de Deus, é infinitamente bom.

Caríssimos, vede onde queremos chegar com estas explicações teológicas e filosóficas: Se Deus é a própria Bondade e o Filho tem a mesma natureza do Pai, logo o Filho de Deus é também a própria Bondade. Mas a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade uniu-se á natureza humana, e assim devemos dizer que o Filho de Deus ungiu o seu coração humano com a sua bondade divina. Longino que abriu o lado de Jesus, fê-lo com certeza inspirado pelo próprio divino Mestre. O Coração aberto de Jesus, eis a porta por onde a bondade divina pudesse se manifestar em uma torrente de água viva que se precipitou sobre a humanidade.

Para glória de sua bondade infinita, o Coração de Jesus operou uma nova criação, muito mais maravilhosa que a primeira, ou seja a salvação dos homens. "Amou-me e se entregou a si mesmo por mim". Amém!

terça-feira, 18 de junho de 2019

O CORAÇÃO DE JESUS NA SUA ASCENSÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
18ª dia de junho

O Apóstolo São Paulo na Epístola aos Romanos, capítulo VI, versículo 9, diz: "Cristo ressuscitado dos mortos, não morre mais". Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou imortal e impassível. E São Lucas nos Atos dos Apóstolos I, 1-3 diz: Na primeira narração, ó Teófilo, falei de todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar até ao dia em que, tendo dado as suas instruções por meio do Espírito Santo aos apóstolos que tinha escolhido, foi arrebatado(ao céu); aos quais também se manifestou vivo, depois da sua paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes por quarenta dias e falando do reino de Deus". Em seguida, São Lucas relata as últimas instruções de Jesus revelando que seus apóstolos receberiam dentro de poucos dias o Espírito Santo. Depois elevou-se à vista deles; e uma nuvem o ocultou aos seus olhos. Isto se deu no Monte das Oliveiras na presença de Sua Santíssima Mãe e dos Apóstolos, e de muitos outros discípulos.

Depois da ressurreição, como atesta São Lucas, Jesus se manifestou vivo aparecendo-lhes naqueles quarenta dias. Nesta aparições Jesus fez questão de demonstrar que era Ele mesmo com o seu corpo. Mostrou aos Apóstolos as suas chagas. Jesus ressuscitou glorioso, e portanto seu corpo é real mas transformado, resplandecente de glória. Assim estavam suas chagas, inclusive a do Seu Coração adorável. O Apóstolo Tomé as tocou com o dedo.
Jesus levou consigo como troféu da sua vitória, as almas santas, que tinha tirado do limbo dos justos ou Seio de Abraão.

Caríssimos, nossa pequenez não é capaz de formar um ideia exata do júbilo de toda a Corte celestial, á entrada de Nosso Senhor Jesus Cristo no Paraíso. São Boaventura imaginava ver os nove coros de Anjos e ainda os Santos Patriarcas, os profetas e todos os justos do Antigo Testamento, que acabaram de entrar após Jesus no Reino Eterno da Glória, vindo sucessivamente celebrar os louvores do Divino Rei e oferecer-Lhe as suas homenagens: "Todos se alegram, diz o santo, todos se regozijam, todos aplaudem. Então ressoa por todo o âmbito da celestial Jerusalém o cântico de alegria, o Aleluia triunfador".

Em uníssono todos repetem aquelas palavras do Apocalipse: "Digno é o Cordeiro, que foi sacrificado, de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a fortaleza, a honra, a glória e a bênção... pelos séculos dos séculos. Amém (Apocalipse V, 12).

Eis o momento mais solene: o Pai Eterno recebe seu Filho que se senta à Sua direita, cumprindo-se assim aquela profecia de Davi: "Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te a minha direita" (Salmo 119, 1); o que quer dizer: "Ocupa o mesmo trono; reina e governa comigo sobre tudo o que está criado, com autoridade igual à minha, como Deus, e com poder supremo sobre o céu e a terra, enquanto Homem; "De maneira que Jesus Cristo Nosso Salvador, como Cabeça e Senhor de tudo, está no Céu sobre os Anjos e Arcanjos, sobre as Potestades e Dominações, sobre os Querubins e Serafins.

Mas Jesus não está ali somente para a sua própria glória, ou para constituir a glória e felicidade dos eleitos; está sobretudo para ser nosso Advogado diante do Pai, orando e intercedendo constantemente em nosso favor. É o que afirma São Paulo: "Porque permanece para sempre, tem um sacerdócio que não passa. Por isso pode salvar perpetuamente os que por ele mesmo se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por nós" (Hebreus VII, 24 e 25). E assim, para interceder por nós, Jesus Cristo apresenta seu Coração aberto, e as suas outras chagas resplandecentes de glória. Apresenta a Seu Pai os méritos de seu precioso Sangue, derramado pela salvação da humanidade. Este Sangue de valor infinito foi derramado realmente uma vez na cruz, e misticamente quantas vezes se imola e oferece no altar quando os sacerdotes celebram o Santo Sacrifício da Missa. Eis, caríssimos, toda nossa esperança!

Jesu Cristo, pois, está vivo no Céu, vivo e glorioso com seu corpo, sangue, alma e Divindade. Portanto está com o Seu Sacratíssimo Coração. Ali Ele nos espera, para ser um dia a nossa recompensa eterna. Amemos a Jesus porque Ele merece todo nosso amor. Amemos este Coração Divino que contemplamos enquanto esteve aqui entre nós, e que a modo de substância estará ainda conosco até o fim do mundo  na Santíssima Eucaristia,  quando então, pela sua misericórdia, temos a esperança de contemplar e adorar eternamente na Jerusalém celeste.Amém!

domingo, 16 de junho de 2019

O CORAÇÃO DE JESUS EM ALGUNS FATOS DE SUA VIDA PÚBLICA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
16º dia de junho

Caríssimos, contemplemos agora, embora brevemente, alguns rasgos da inefável e terna caridade do Coração de Jesus.

Certa vez o divino Mestre caminhava perto do mar da Galileia e subiu a um monte e ali sentou-se. Grande multidão seguira-O. Traziam cegos, mudos, paralíticos, e muitos acometidos de outras enfermidades. Puseram todos estes doentes perto de Jesus. Ele, movido de compaixão, curou-os a todos.

Feitas estas curas, levantando os olhos, avistou uma imensa multidão, que O seguia, despreocupada do alimento corporal e ávida sobretudo por alimentar suas almas com a doutrina celestial do Mestre divino. Diante deste espetáculo de devotamento e de fé, o Coração de Jesus enterneceu-se e disse aos seus discípulos: "Tenho compaixão desta multidão de gente; porque há três dias que estão comigo, e não têm o que comer; e se os mando para suas casas em jejum desfalecerão pelo caminho, porque alguns deles vieram de muito longe. E lemos no evangelho de S. Mateus XV, 32 e Marcos VIII, 2 e seguintes que tendo mandado que todos se sentassem no chão, realizou o estupendo milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, e, assim, matou a fome corporal também daquele povo. Que bondade e ternura do Coração de Jesus!

Meditemos em outro fato que S. Lucas narra no seu evangelho capítulo VII, 11-15: Jesus estava a caminho de uma pequena aldeia chamada Naim. Jesus Cristo ia acompanhado dos seus discípulos e de uma grande multidão. Próximo já da porta da cidade, encontram-se com um enterro. O morto era filho único de um pobre viúva. A mãe, mergulhada em profunda dor, derramava abundantes lágrimas. O Coração de Jesus, a vista daquela mãe lagrimosa, comoveu-se profundamente. "Não chores", disse-lhe. Saída esta frase de quaisquer outros lábios, não teria sentido, mas dos lábios do divino Salvador, era uma esperança certa não só de consolo mas de alegria. Só Jesus podia estancar as lágrimas de uma mãe enlutada, porque só Ele podia restituir a vida. E foi o que fez logo a seguir. Abeirando-se do féretro, disse: "Jovem, levanta-te". E logo se levantou o morto e começou a falar. E Jesus entregou-o a sua mãe. Contemplemos a alegria do Coração de Jesus em ver aquela mãe tão feliz abraçada ao seu querido filho, o único arrimo e a maior alegria de sua vida.

Cena comovente com certeza seria Jesus chorando. E por duas vezes são relatadas as lágrimas de Jesus Cristo: sobre Jerusalém e junto ao túmulo de Lázaro. Do alto do Monte das Oliveiras, na última visita que faria a cidade de Jerusalém, ao avistar lá de cima toda cidade, e ao ver com espírito profético o terrível castigo que esperava esta cidade ingrata e que cometeria o maior crime possível sobre a terra, isto é, o deicídio, Jesus começou a chorar. E disse qual a razão de suas lágrimas: "Se ao menos neste dia, que te é dado, tu também conhecesses o que te pode trazer a paz! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos. Porque virão para ti dias em que os teus inimigos se cercarão de trincheiras, te sitiarão, te apertarão por todos os lados, derrubarão por terra a ti e aos teus filhos, que estão dentro de ti e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo em que foste visitada" (S. Lucas VII, 11-1). No local foi construída a igreja do "Dominus Flevit" (= O Senhor chorou) e no seu interior há um mosaico de uma galinha acolhendo debaixo d asas os seus pintainhos. É em lembrança destas ternas palavras saídas do Coração de Jesus: "Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes eu quis juntar teus filhos, como a galinha recolhe debaixo das asas os seus pintainhos, e tu não quiseste!" (S. Mat. XXIII, 37).


Quanto às lágrimas de Jesus junto ao túmulo de seu amigo Lázaro de Betânia, fala-nos o evangelista S. João no capítulo XI, versículos de 33 a 36: "Jesus, porém, vendo-a [Maria] chorar, a ela e aos judeus, que tinham ido com ela, comoveu-se profundamente e perturbou-se, e disse: Onde o pusestes? Eles responderam: Senhor, vem ver. Jesus chorou. Disseram por isso os judeus: Vejam como ele o amava". E nós também exclamamos: que imensa ternura e amabilidade neste Coração divino! Amém!

sábado, 15 de junho de 2019

O CORAÇÃO DE JESUS NA INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
15º dia de junho

Contemplemos o amabilíssimo Coração de Jesus na instituição deste adorável Sacramento. Foi um momento extremamente solene, pois, foi na véspera de Sua Paixão e Morte. Jesus Cristo celebrava a última Páscoa com os seus discípulos no Cenáculo. Poucos momentos antes das cenas dolorosas da sua Paixão. Dentro de algumas horas irá morrer numa Cruz. Como já por várias vezes havia predito, depois ressuscitaria e passados ainda quarenta dias aqui na terra subiria ao Céu para voltar a terra no dia do fim do mundo, para julgar publicamente todos os vivos e os mortos, isto é, os bons e os maus. Então quais teriam sido os sentimentos do Coração de Jesus? Sua atitude será de uma infinita ternura; seu Coração bate com força, com o impulso, um surto de inefável amor: seus lábios revelarão a caridade que arde grandemente em seu Coração: "Desejei ardentemente celebrar esta Páscoa convosco", dirige-se aos seus Apóstolos. Não os quer deixar órfãos. Tomou o pão em sua sacrossantas mãos e disse: "Tomai e comei, isto é o meu Corpo". Igualmente tomando o cálice com vinho em suas mãos disse: "Tomai e bebei, este é o meu Sangue... Fazei isto em memória de mim... Eu sou a vide e vós os sarmentos; o que está em Mim e eu nele, este terá muito fruto... Como o Pai me amou, assim também Eu vos amei. Permanecei no meu amor" (S. Lucas XV, 19 e 20; S. João XV, 4-9). E no mesmo instante em que Nosso Senhor Jesus Cristo pronunciou estas palavras: "Este é o meu Corpo; este é o meu Sangue", por virtude do seu poder infinito, converteu o pão que tinha em suas mãos nos seu sacratíssimo Corpo; e o vinho no seu Sangue. E pelas palavras que ajuntou a seguir: "Fazei isto em memória de mim", deu poder aos seus Apóstolos, e neles a todos os sacerdotes que lhes haviam de suceder no sagrado ministério, para realizarem em seu nome e por sua virtude a mesma conversão e transubstanciação eucarística, quando celebram a Santa Missa, e exatamente no momento da Consagração.

Assim, caríssimos, Jesus não nos deixou órfãos, sem amparo e sem alimento neste vale de lágrimas. Ele será o Emanuel, isto é, o Deus conosco. Sua carne e seu sangue serão o alimento de nossa almas. Ele permanecerá conosco, outrossim, para Ele mesmo ser o nosso amparo. Os pagãos inventavam inúmeros deuses, mas nunca ousavam imaginar sequer um deus que pudesse estar pertinho deles. O Coração adorável do Filho de Deus humanado quis, através da Santíssima Eucaristia, estar bem junto de nós. Ali no sacrário está portanto o nosso divino Salvador, real e verdadeiramente na Hóstia consagrada. Ali está para nos fazer companhia e ser todo o nosso consolo. É claro que está para receber o tributo de nossa adoração, mas também está para nos dizer: "Quem estiver aflito, acabrunhado, venha a mim e eu vos aliviarei". Que bondade inefável a do Coração de Jesus!!! Está sempre à nossa disposição, não é mister estar marcando audiência, pois está sempre disposto a ouvir as nossas súplicas, acolher as nossas aflições e ser, na santa Comunhão, alimento e vida da nossa alma.  Vede, caríssimos, que grande amor nos manifesta o Coração de Jesus na Eucaristia.

Terminemos esta nossa leitura espiritual com as reflexões de São Francisco de Sales: "Em nenhuma outra ação se pode considerar Jesus Cristo nem mais terno nem mais amante que na Santa Eucaristia, na qual se reduz, por assim dizer, e se converte paar nós num manjar deleitoso, para entrar nas nossas almas e unir-se estreitamente ao coração dos seus filhos".Amém!


sexta-feira, 14 de junho de 2019

O CORAÇÃO DE JESUS E A EUCARISTIA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
14º  dia de junho

"Tendo amado os seus que estavam neste mundo, amou-os até o fim" (S. João, XIII, 1)

Na quinta-feira depois do terceiro domingo após o Pentecostes, celebra a Santa Madre Igreja a Festa do Coração Eucarístico de Jesus.

Jesus Cristo nos amou até ao extremo, dando-nos todo a nós na Santíssima Eucaristia, Divindade e Humanidade. E no mistério da Eucaristia temos o Coração vivo de Jesus Cristo. Na verdade, se Jesus o Filho de Deus, onipotente e capaz de operar a maravilha das maravilhas, diz-me mostrando o pão: "Isto é o meu corpo", sou obrigado a tomar a sua palavra literalmente, a menos que Ele mesmo me explique doutra forma. Mas Jesus Cristo não o explica: exige  que seus discípulos assim o creiam. É um mistério de fé. E "bem-aventurados os que não viram e creram".

O Coração de Jesus instituiu a Santíssima Eucaristia de tal modo que as hóstias consagradas pudessem se multiplicar em milhares e milhões sobre a terra. Este prodígio foi possível porque o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo está na Eucaristia enquanto substância, a modo de substância, como explica Santo Tomás de Aquino. Despojado das proporções que toma a quantidade mensurável de seus elementos e que lhe determinam um lugar nos espaço. Assim, a substância, em si mesma, não tem superfície, nem contorno, nem comprimento, nem largura, nem profundeza. A substância, enquanto substância, é distinta dos seus acidentes, pode ser separada deles, por conseguinte libertada dos limites que aprisionam o corpo. Na Hóstia consagrada vemos as aparências do pão, mas a substância não é mais a de pão, mas sim a substância do Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.  Esta maneira de ser, diz Santo Tomás de Aquino, é própria do Sacramento do Altar, Jesus Cristo está, aí, presente não como um corpo num lugar, mas sob um modo especial, isto é, a modo de substância. Assim pode estar sacramentalmente presente simultaneamente em todos os lugares do mundo. E também, sendo partida a Hóstia consagrada e, mesmo, em cada fragmento, Jesus está realmente presente. Este é o motivo porque se usa a patena para amparar qualquer fragmento que possa se desprender da Hóstia. 

A Santíssima Eucaristia é um mistério de fé e também de amor. "Tendo amado os seus que estavam neste mundo, amou-os até o fim". Este "até o fim" é interpretado mais comumente pelos Santos Padres como "até o último limite", "até ao extremo". Jesus Cristo morrendo na Cruz para nos salvar, deu-nos a maior prova de seu amor. Deu a sua vida por nós, para que de escravos do demônio, pudéssemos nos tornar "filhos de Deus e herdeiros do Céu". Quis que Sua imolação por nós se perpetuasse pela Eucaristia como Sacrifício, isto é, pela Santa Missa; e quis que a Eucaristia como sacramento fosse o alimento de nossa alma. Assim, exclama Santo Agostinho: "Sendo poderosíssimo, não poderia fazer mais do que fez; sendo riquíssimo, não teria nada mais precioso para nos dar; sendo sapientíssimo, não saberia nos dar algo melhor". Ele é o sumo Bem e deu-Se a si mesmo através da Santíssima Eucaristia.

Aqui nos lembramos da estrofe do hino "Adore Te devote": Piedoso Pelicano, Jesus Cristo, lava a imundície da alma com teu sangue, do qual uma só gota salvar pode de toda a culpa, todo o mundo inteiro.

Santo Tomás com toda propriedade chama Jesus na Eucaristia, de "Piedoso Pelicano". Quantas vezes, caríssimos, ouvimos, enternecidos, a lenda do pelicano: Ouvindo as lamúrias de fome de seus filhotes, o pássaro materno abre as grandes asas e parte. Perscrutou as águas, percorreu matagais e nada encontrou. Pousa sobre um rochedo e ouve o pipilar dos filhinhos famintos. Aproxima-se do ninho, e, de repente, num surto de indescritível ternura maternal, lança-se sobre o ninho. Nada trouxe. Apenas o coração materno. Sem titubear e subitamente  leva o grande bico cortante  sobre o peito e o dilacera. O sangue salta. Os filhos avançam sôfregos sobre coração do pássaro materno e nesta fonte rubra de sangue, sugam e comem loucamente. E o pássaro cai morto vítima de amor pelos seus filhotes.

Jesus também, para não nos deixar órfãos, sem o alimento da alma, dá-nos a sua Carne e o Seu Sangue precioso no Sacramento da Eucaristia. Agora o Piedoso Pelicano não morre, mas é o seu corpo imolado na Cruz e o seu Sangue derramado aí até a última gota por nosso amor que nos são dados em alimento na Comunhão. Amém!