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sábado, 12 de março de 2016

A CRÍTICA POSITIVA

   Na audiência pública de 12 de setembro de 1973 dizia o então Santo Padre, o Papa Paulo VI (hoje beato): "Há duas espécies de críticas: denominamos positiva a primeira, a que é formada por aqueles críticos que se orientam para a verdade e, no que se refere à Igreja, para a introspecção de sua verdadeira natureza... Trata-se de uma crítica que não esconde nada, mas que nos torna tanto mais apaixonados pela Igreja de Cristo quanto mais ela nos revela os defeitos, as incoerências, as quedas, os sofrimentos e as necessidades do seu vulto humano. Todos nós, que nos consideramos fiéis, filhos e membros solidários da Igreja, gostaríamos de pertencer aos críticos desta espécie... Por si, a contestação deveria tender a corrigir defeitos que merecem repreensão e, por isso, a promover uma conversão, uma reforma. De nossa parte, não queremos exorcizar a contestação positiva". 

   Santo Tomás de Aquino, comentando o episódio em que São Paulo resistiu a São Pedro, primeiro Papa, repreendendo-o publicamente, assim escreve: "Havendo perigo próximo para a fé, os prelados devem ser arguidos até mesmo publicamente, pelos súditos. Assim, São Paulo, que era súdito de São Pedro, arguiu-o publicamente, em razão e um perigo iminente de escândalo em matéria de Fé. E, como diz a glosa de Santo Agostinho, o próprio São Pedro deu o exemplo aos que governam, a fim de que estes, afastando-se alguma vez do bom caminho, não recusassem com indigna uma correção ainda mesmo de seus súditos" 

   "A repreensão foi justa e útil, e o seu motivo não foi leve: tratava-se de um perigo para a preservação da verdade evangélica. O modo como se deu a repreensão foi conveniente, pois foi público e manifesto. Por isso, São Paulo escreve: 'Falei a Cefas (isto é, a Pedro) diante de todos', pois a simulação praticada por São Pedro acarretava perigo para todos"

   "Aos prelados foi dado o exemplo de humildade, para que não recusem a aceitar repreensões da parte de seus súditos e inferiores; e aos súditos foi dado exemplo de zelo e liberdade para que não receiem corrigir seus prelados, sobretudo quando o crime for público e redundar em perigo para muitos" (Suma Theol. II-II, 33, 4,2 e ad Gal. 2, 11-14, lect. III). 

   Caríssimos, sobre este fato, é mister observar o seguinte: Não se trata de algo meramente disciplinar (a circuncisão, que, em si mesma é algo indiferente) passou-se a ser algo que atingia a Fé porque Nosso Senhor Jesus havia dado a São Pedro e aos demais Apóstolos, o poder de ligar e desligar. E tinha havido o Primeiro Concílio da Igreja, o de Jerusalém, e ali, iluminados pelo Espírito Santo, decidiram que a circuncisão não seria mais obrigatória. Ora, a dissimulação de Pedro dava a entender que o que tinha sido determinado no Concílio de Jerusalém não tinha valor, ou seja que  a circuncisão era obrigatória, quando, de fato, quem quisesse fazer, tudo bem, era livre (como fez o próprio São Paulo com relação a Timóteo). Uma coisa em si mesma indiferente, pode ser feita ou não sem que haja pecado, a não ser se for preceituada sob pena de pecado. O Concílio de Jerusalém ab-rogou o preceito, e a dissimulação de Pedro, dava a entender que o preceito ainda estava em vigor.