segunda-feira, 12 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS E A SÉTIMA BEM-AVENTURANÇA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
7ª bem-aventurança

"Bem-aventurados os pacíficos porque serão chamados filhos de Deus".

São pacíficos os justos mais adiantados na vida interior. Em suas almas reina a ordem, pois suas vontades estão inteiramente identificadas com a vontade de Deus. Portanto, vivem sem pecado e, consequentemente vivem em ordem: os sentidos submissos à vontade. a vontade submissa à razão e esta submissa a Deus. Assim sendo, estes justos gozam da verdadeira paz de Nosso Senhor Jesus Cristo. São verdadeiros filhos de Deus, participam da natureza divina pela graça santificante: "consortes divinae naturae". Neles reinam a ordem e a tranquilidade e portanto, a paz. Pois, segundo a definição de Santo Agostinho "a paz é a tranquilidade da ordem". Quem vive na graça de Deus está sempre alegre, é amável,  é sempre sereno, seu trato e conversação são agradáveis. Diz o Divino Espírito Santo: "Gozam de muita paz os que amam a tua lei" (Salmo 118, 165).  Basta lermos a vida dos verdadeiros santos da Santa Madre Igreja!

Por outro lado não há paz para os pecadores, que perderam a filiação divina pelo pecado mortal. "Não há paz para os ímpios, diz o Senhor" (Isaías, 48, 22). Mas perguntar-se-á: a Sagrada Escritura diz que: "Não há homem que não peque". Sim, mas se trata de perturbações leves e que não perduram por muito tempo em seus corações. Estão frequentemente fazendo atos de amor perfeito a Deus.

Pelo que acabamos de explicar, não temos dificuldade em entender que esta paz de Cristo reinante nos corações desapegados de si mesmos, de toda avareza, de toda ira e de toda impureza, é um sinal altíssimo de predestinação, porque sendo filhos, também são herdeiros da vida eterna. "São chamados filhos de Deus" porque se comportam como filhos. Os servos, os mercenários não servem seus patrões como filhos, mas só pensando no seu salário. Os filhos, porém, se submetem ao pai por amor e com reverência. Deixam-se governar por Deus tranquilamente, segundo a sua santíssima vontade. "Aqueles que são movidos pelo espírito de Deus são filhos de Deus" (Rom. VIII, 14). Qual a prova insofismável de que alguém é e vive como filho de Deus? É o abandono total e tranquilo nas mãos de Deus.

Por que Jesus Cristo colocou esta bem-aventurança depois da pureza de coração? A razão é: primeiramente é preciso purificar o coração e depois uni-lo a Deus. Esta união com Deus é a paz. Assim, a pureza é a disposição para ver a Deus; a união é a disposição para amar a Deus. Há uma passagem de São Tiago que resume isso: "Aquela sabedoria que vem do alto primeiramente é pura e depois pacífica" (S. Tiago III, 17). Se interiormente estamos na tranquilidade da ordem, isto é, na verdadeira paz, somos pacíficos. Isto não exclui que "pacífico" possa ser entendido também no sentido de " aquele que transmite paz ao próximo". Não resta dúvida. Mas, mesmo que alguém que esteja na paz da graça, viva solitário como eremita, não deixa de estar incluído nesta bem-aventurança e até, devemos dizer, que este o principal sentido das palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A esta bem-aventurança corresponde o dom da sabedoria. Daí devemos pedir sempre ao divino Espírito Santo este dom. Porque ele não vem do estudo, da sagacidade, mas é infundido pelo Espírito Santo. Uma camponesa sem estudo, mas que reza com humildade, fé e confiança poderá possuir esta sabedoria mais do que um erudito, sem ou de menos oração.


Caríssimos, peçamos, portanto, a Deus que nos ilumine, que nos ensine em todas as coisas para que, com este dom da sabedoria, possamos chegar a manter sempre a boa ordem em nossa alma, no nosso interior, de modo que em todas as coisas nos mantenhamos sempre sujeitos a Deus e assim gozemos da verdadeira paz que sobrepuja todo entendimento humano, porque é penhor da posse do Reino eterno da Paz. Amém!

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