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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

S. FRANCISCO DE ASSIS E A EUCARISTIA

Nesta crise tão grande por que passa a Igreja, a fé que já era tão diminuta nos corações, corre o risco de se extinguir, e sobretudo atinente à Santíssima Eucaristia, sacramento e sacrifício que são mistérios de fé, "mysterium fidei". Mister se faz aplicar antídotos e, um deles é meditar no que os santos pensavam  e como agiam a respeito. Assim, hoje, festa de São Francisco de Assis, postamos alguns excertos de seus escritos sobre a Eucaristia, como Sacrifício e como Sacramento.

 "Rogo-vos pois, a vós todos, meus irmãos, beijando-vos os pés, e com toda a caridade de que sou capaz, que manifesteis toda reverência e toda honra que puderdes ao santíssimo Corpo e ao Santíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, no qual foram purificadas todas as coisas, assim as da terra como as do céu, e reconciliadas com o Deus onipotente (Col. I, 20). Peço ainda no Senhor a todos os meus irmãos sacerdotes, os que são, vierem a ser ou desejarem ser sacerdotes do Altíssimo, que, ao celebrar a missa, ofereçam o verdadeiro sacrifício do santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, pessoalmente puros, com disposição sincera, com reverência e com santa e pura intenção, jamais levados por qualquer interesse terreno nem por temor ou consideração de qualquer pessoa 'como quem procura agradar aos homens' (Col. III, 22). Seja antes todo vosso querer , na medida que vos ajudar a graça do Onipotente, ordenado para Deus, desejando assim agradar unicamente a Ele, o supremo Senhor, porque só Ele opera ali como for do seu agrado. Pois - como Ele mesmo diz: 'Fazei isto em memória de mim' (Lc XXII, 19)  -  quem proceder de outra maneira tornar-se-á outro Judas traidor e faz-se réu do Corpo e Sangue do Senhor (1 Cor. XI, 27).

Lembrai-vos, irmãos meus sacerdotes, que está escrito sobre a lei de Moisés que quem a transgredia nem que fosse só em coisas exteriores morria sem dó por sentença do Senhor. "Quanto maior e mais terrível castigo merece padecer aquele que pisa aos pés o Filho de Deus e tem em conta de profano o sangue do testamento pelo qual foi santificado, insulta a graça do Espírito" (Heb. X, 28 e 29)! Pois, o homem, segundo diz o Apóstolo, não discernindo nem distinguindo de outros alimentos e obras o santo pão de Cristo, o come indignamente ou, sendo indigno, o come sem o reto espírito e em atitude inconveniente, profana a calca aos pés o Cordeiro de Deus. Porquanto diz o Senhor pelo profeta: "Maldito aquele que faz com negligência a obra do Senhor (Jer. XLVIII, 10. E condena na verdade os sacerdotes que não quiserem tomar isto a peito, dizendo: "Quero amaldiçoar as vossas bênçãos!" (Mal. II, 2). Escutai, irmãos meus: Se honramos tanto a Bem-aventurada Virgem Maria, como convém, por haver trazido em seu santíssimo seio o Filho de Deus; se o bem-aventurado (João) Batista estremeceu e não ousou tocar o vértice de Deus; se se presta culta ao sepulcro onde ele repousou por algum tempo  -  que santidade, que justiça, que dignidade não deve ter aquele que toca com as mãos, recebe na boca e no coração e distribui aos outros o Senhor que já não  - como outrora  -  vem para morrer, mas há de viver na glória por toda a eternidade, e "a quem os anjos desejam contemplar" (1 Ped. I, 12)!

Considerai a vossa dignidade, irmãos sacerdotes, e "sede santos porque ele é santo" (Lev. XI, 44)! E assim como o Senhor Deus vos honrou acima de todos, amai-O, reverenciai-O, honrai-O! É uma grande desgraça e uma lamentável fraqueza se vós, tendo-o assim presente, ainda vos preocupais com qualquer outra coisa no mundo inteiro. Pasme o homem todo, estremeça a terra inteira, rejubile o céu em altas vozes quando, sobre o altar, estiver nas mãos do sacerdote o Cristo, Filho de Deus vivo! Ó grandeza maravilhosa, ó admirável condescendência! Ó humildade sublime, ó humilde sublimidade! O Senhor do universo, Deus e filho de Deus, se humilha a ponto de se esconder, para nosso bem, na modesta aparência do pão! Vede, irmãos, que humildade a de Deus! Derramai ante Ele os vossos corações (Sl 61,9)! Humilhai-vos para que Ele vos exalte (1 Ped, V, 6)! Portanto nada de vós retenhais para vós mesmos, para que totalmente vos receba quem totalmente se vos dá! (Excertos da CARTA AO CAPÍTULO DOS FRADES MENORES).

"Peço-vos ainda com mais insistência do que se pedisse por mim mesmo, supliques humildemente aos clérigos, todas as vezes que o julgueis oportuno e útil, que prestem a mais profunda reverência ao santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo (...) Os cálices e corporais que usam, os ornamentos do altar, enfim tudo quanto se relaciona ao sacrifício, sejam de execução preciosa. E se em alguma parte o Corpo do Senhor estiver sendo conservado muito pobremente, reponham-no em lugar ricamente adornado e ali O guardem cuidadosamente encerrado segundo as determinações da Igreja, levem-no sempre com grande respeito e ministrem-no com muita discrição. Em todas as pregações que fizerdes, exortai o povo à penitência e dizei-lhe que ninguém poderá salvar-se se não receber o santíssimo Corpo e Sangue do Senhor. E quando o sacerdote O oferecer em sacrifício sobre o altar, e aonde quer que o leve, todo o povo dobre os joelhos e renda louvor, de modo que a toda hora, ao dobre dos sinos, o povo todo, no mundo inteiro, renda sempre graças e louvores ao Deus onipotente" (Excertos da CARTA A TODOS OS CUSTÓDIOS DOS FRADES MENORES).

"Todos devemos confessar os nossos pecados ao sacerdote e é dele que recebemos o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pois quem não comer a sua Carne e não beber o seu Sangue não pode entrar no reino de Deus (cf. Jo VI, 54). É preciso no entanto que se coma e beba dignamente, porquanto, quem receber indignamente, "come e bebe a sua própria condenação porque não discerne o corpo do Senhor" (1 Cor XI, 29). ... Visitemos também frequentemente as igrejas e honremos e respeitemos os clérigos, não tanto por sua pessoa  -  se forem pecadores  -  mas sobretudo por causa do seu ministério em que nos administram o santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo que sacrificam sobre o altar, recebem e repartem aos outros. E estejamos todos firmemente convencidos de que ninguém pode salvar-se e não ser pelas santas palavras e pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os clérigos pronunciam e anunciam essas palavras e ministram o sacramento. E só eles estão autorizados a exercer esse ministérios e mais ninguém" (Excertos da CARTA AO FIÉIS).

"Os meus abençoados irmãos, clérigos e leigos, confessem seus pecados aos sacerdotes da nossa Ordem. Se não for possível, confessem-se a outros sacerdotes prudente e católicos. E saibam claramente e considerem que, tendo recebido de qualquer dos sacerdotes católicos penitência e absolvição, estão absolvidos, sem dúvida alguma, daqueles pecados, se procurarem humilde e fielmente cumprir a penitência imposta. (...) E assim contritos e confessados recebem o Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, com grande humildade e respeito, recordando que o próprio Senhor disse: "Quem come a minha carne e bebe o  meus sangue possui a vida eterna" (Jo VI, 55); e: "Fazei isto em memória de mim" (Lc XXiI, 19).

"Mas também o Filho, em sendo igual ao Pai, não pode ser visto por alguém de modo diferente que o Pai e o Espírito Santo. Por isso são réprobos todos aqueles que viram o Senhor Jesus Cristo em sua humanidade sem enxergá-Lo segundo o espírito e a divindade e sem crer que Ele é o verdadeiro Filho de Deus. De igual modo são hoje em dia réprobos todos aqueles que  -  embora vendo o sacramento do Corpo de Cristo que, pelas palavras do Senhor, se torna santamente presente sobre o altar, sob as espécies de pão e vinho, nas mãos do sacerdote  -  não olham segundo o espírito e a divindade nem crêem que se trata verdadeiramente do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Atesta-o pessoalmente o Altíssimo quando diz: "Este é o meu Corpo e o Sangue de nova Aliança" (cf. Mc XIV, 22); e: "Quem comer a minha carne e beber o meu sangue terá a vida eterna" (cf. Jo VI, 55). Por isso é o espírito do Senhor que habita nos seus fiéis quem recebe o santíssimo Corpo e Sangue do Senhor (cf Jo VI, 62). Todos aqueles que não participam desse espírito e no entanto ousam comungar, "comem e bebem a sua condenação" (1 Cor XI, 29).

Portanto, "ó filhos dos homens, até quando tereis duro o coração?" (Sl 4, 3). Por que não reconheceis a verdade "nem credes no Filho de Deus". (Jo IX, 35? Eis que Ele se humilha todos os dias (Fil II, 8); tal como na hora em que, "descendo do seu trono real" (Sab. XVIII, 5) para o seio da Virgem, vem diariamente a nós sob aparência humilde; todos os dias desce do seio do Pai sobre o altar, nas mãos do sacerdote. E como apareceu aos santos apóstolos em verdadeira carne, também a nós se nos mostra hoje no pão sagrado. E do mesmo modo que eles, enxergando sua carne, não viam senão sua carne, contemplando-o contudo com seus olhos espirituais creram nele como no seu Senhor e Deus (cf. Jo XX, 28), assim também nós, vendo o pão e o vinho com os nossos olhos corporais, olhemos e creiamos firmemente que está presente o santíssimo Corpo e Sangue vivo e verdadeiro. E desse modo o Senhor está sempre com os seus fiéis, conforme Ele mesmo diz: "Eis que estou convosco até a consumação dos séculos" (Mt XXVII, 20) (Excertos de: PALAVRAS DE EXORTAÇÃO A TODOS OS IRMÃOS).

"Mas todos aqueles que não vivem em espírito de penitência, nem recebem o Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, e que praticam vícios e cometem pecados, e que vivem segundo suas más concupiscências e desejos perversos, e que não cumprem o que prometeram e com o seu corpo servem ao mundo, porque se deixaram ludibriar por suas concupiscências carnais, pelos cuidados e solicitudes deste mundo, pelo demônio, cujos filhos são e cujas obras praticam: cegos são eles, porque não são capazes de enxergar a verdadeira luz, Nosso Senhor Jesus Cristo. A sabedoria espiritual não na possuem porque não trazem dentro de si o Filho de Deus, que é a verdadeira sabedoria do Pai. E é deles que se diz: "Sua sabedoria foi devorada" (Sl 106, 27). Só enxergam, conhecem, sabem e praticam o mal e perdem deliberadamente suas almas. Reparai, ó cegos, iludidos por nossos inimigos, isto é,  -   pela carne, pelo mundo e pelo demônio  -  que é agradável ao corpo praticar o pecado, e amargo servir a Deus, porque todos os vícios e pecados procedem do coração do homem, como diz o Evangelho (Mt XV, 19). E nada tendes de vós, nem neste mundo nem no futuro. Julgais gozar por longo tempo as vaidades deste mundo, mas estais logrados, porque virá o dia e a hora na qual não pensais e que de todo desconheceis" (Excertos da CARTA AOS FIÉIS).

Carta a Todos os Clérigos: "Consideremos todos nós clérigos o grande pecado e ignorância que alguns manifestam com relação ao santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e seu santíssimo nome e palavras escritas que tornam santamente presente o Corpo (de Cristo). Sabemos que o Corpo não pode restar presente se antes não for tornado presente pela palavra. Pois nada temos nem vemos corporalmente dele, do próprio Altíssimo, neste mundo, senão o Corpo e Sangue, os nomes e as palavras pelas quais fomos criados e remidos da morte para a vida. Logo, todos aqueles que administram tão sacrossantos mistérios e especialmente aqueles que os ministram sem a reta discrição, considerem no seu íntimo como são vulgares os cálices, corporais e panos de linho sobre as quais é oferecido em sacrifício o Corpo e Sangue de Nosso Senhor. E muitos O guardam em lugares bem comuns e O levam de modo lamentável (pela rua) e O recebem indignamente e O ministram indiscriminadamente. ... Não excitam porventura tais fatos a nossa piedade e devoção por esse bom Senhor quando se digna de vir colocar-se ele próprio em nossas mãos e nós O tocamos e O recebemos todos os dias em nossa boca? Ou ignoramos que um dia havemos de cair em suas mãos?

Emendemo-nos depressa e firmemente dessas e de outras faltas. Onde quer que o santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo for conservado de modo inconveniente ou simplesmente deixado em alguma parte, que O tirem dali para colocá-Lo e encerrá-Lo num lugar ricamente adornado. Sabemos perfeitamente que estamos estritamente obrigados a observar tudo isto, em virtude dos mandamentos do Senhor e dos preceitos da santa Mãe Igreja; e os que o não fazem saibam bem que deverão prestar contas perante Nosso Senhor Jesus Cristo no dia do Juízo" (Excertos da CARTA A TODOS OS CLÉRIGOS).


domingo, 4 de agosto de 2019

A SANTIDADE E O ECUMENISMO


"Que relação tem um homem santo com um cão?"

"Não deis aos cães o que é santo" (S. Mateus, VII, 6).

"Não vos sujeiteis ao mesmo jugo que os infiéis. Pois, que união pode haver entre a justiça[santidade]e a iniquidade? Que sociedade entre a luz e as trevas? E que concórdia entre Cristo e Belial? E que relação entre o templo de Deus e os ídolos? Com efeito, vós sois o templo de Deus vivo, como Deus diz: 'Eu habitarei neles e andarei entre eles, serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Portanto, saí do meio deles e separai-vos, diz o Senhor, e não toqueis o que é impuro: e eu vos receberei e serei vosso pai, e vós sereis meus filhos e minhas filhas, diz o Senhor todo poderoso' (2 Cor. VI, 14-18).
"Tendo, pois estas promessas, meus caríssimos, purifiquemo-nos de toda a imundície da carne e do espírito, levando ao fim a santificação no temor de Deus" (2 Cor. VII, 1).

"Os seus sacerdotes desprezaram a minha lei, mancharam meu santuário; não distinguiram entre o santo e o profano; não distinguiram entre o que é puro e o é impuro" (Ezequiel, XXII, 26).

"Revesti-vos do homem novo, criado segundo Deus na justiça e na santidade verdadeira" (Efésios IV, 24).

Os que possuem a verdadeira santidade são missionários e não ecumênicos. E toda eficácia do apostolado dos santos reside exata e totalmente no fato de estarem revestidos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sua vida é a vida de Jesus Cristo. O divino Mestre, Nosso Senhor Jesus Cristo é o modelo perfeito que os santos seguiram com toda fidelidade possível, sem adaptações e interpretações humanas, desde um São João Batista até um São Pio de Pietrelcina, e assim será até o fim do mundo,  porque Jesus Cristo é sempre o mesmo, ontem, hoje e sempre.

Quando a Santa Madre Igreja é atacada  fisicamente (as perseguições a ferro e fogo) ou moralmente e doutrinariamente (os escândalos e as heresias) foram e serão sempre os SANTOS os seus verdadeiros reformadores. São os santos que, para empregar uma expressão popular atual, fazem toda diferença! Os que se revestem de Jesus Cristo e vivem na verdadeira justiça e santidade (Cf. Ef. IV, 24) imitam o Divino Mestre. Quero, neste artigo, chamar a atenção para duas coisas: o amor da pobreza para si mesmos, e o amor da riqueza e suntuosidade para a Casa de Deus; o amor das humilhações e perdão das ofensas feitas a suas pessoas, e o zelo ardente e intrépido em defender os direitos e interesses de Nosso Senhor e de sua imaculada esposa, a Santa Madre Igreja.

Os falsos reformadores fazem exatamente o contrário: pregam tanto a pobreza na Igreja, mas eles mesmos não se preocupam  tanto em imitar a pobreza de Jesus Cristo; quando as ofensas são feitas às suas pessoas, imediatamente e com todo ardor pulam em cima dos ofensores como víboras e leões; mas quando vêem a Santa Igreja espezinhada e humilhada pelos escândalos, profanações e heresias, ou fazem vistas grossas, ou, pior, se colocam do lado dos inimigos de Nosso Senhor Jesus Cristo, do lado dos zombeteiros de Maria Santíssima, do lado dos perseguidores. São orgulhosos, covardes e vingativos. E o protótipo destes falsos reformadores foi o fatídico, debochado, libidinoso, diabolicamente rebelde e orgulhoso Martinho Lutero.  O Vaticano  não fez mais do que a obrigação ao emitir um selo comemorativo do centenário de Fátima (aliás sem aludir em nada ao principal que é a mensagem de Nossa Senhora e os segredos). Mas o mesmo Vaticano(por conseguinte Francisco) "horribile dictu" fez um em comemoração dos 500 anos da Pseudo-Reforma de Lutero, e este, sim, bem significativo para Lutero e horrivelmente blasfemo para Jesus e Maria Santíssima.

Como dissemos acima, os santos procuram imitar verdadeiramente a Jesus Cristo, no qual reside toda a plenitude da divindade. "Sede perfeitos como vosso Pai do Céu é perfeito" (S. Mat. V, 48 ). Todos os verdadeiros santos, a exemplo de S. Paulo, podem dizer: "Sede meus imitadores como eu o sou de Jesus Cristo" (1 Cor. IV, 16).

 Nos dois aspectos acima enunciados, qual foi o exemplo de Jesus Cristo? Nasceu pobre, viveu mais pobre ainda e morreu paupérrimo. Como diz S. Paulo: "Sendo rico (pois o Criador do céu e da terra) fez-se pobre por vós, a fim de que vós fôsseis ricos pela sua pobreza" (2 Cor., VIII, 9). A Casa de Deus no tempo de Jesus era o Templo de Jerusalém. Pois bem, a primeira manifestação de Jesus na ocupação das coisas de Seu Pai, foi aí no Templo quando tinha apenas doze anos de idade; e na sua vida pública muitas e muitas vezes esteve no Templo e aí pregou. Inclusive dele, certa vez, expulsou com chicote os vendilhões e disse: "Minha casa é casa de oração e vós fizestes dela um covil de ladrões" (S. Luc. XiX, 46). Nunca Jesus falou contra a riqueza e suntuosidade do Templo, pois toda esta riqueza e suntuosidade foi orientada e ordenada pelo próprio Deus e, portanto, por Ele mesmo como Verbo Eterno do Pai.  Quando Jesus predisse a destruição do Templo, não foi obviamente em castigo pela sua suntuosidade e riqueza mas pelos pecados do seu povo, máxime pelo maior, o deicídio.

Quanto ao amor das humilhações S. Paulo resume tudo nestas palavras: "Tende entre vós os mesmos sentimentos que houve em Jesus Cristo, o qual, existindo na forma(ou natureza) de Deus, não julgou que fosse uma rapina o seu ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens e sendo reconhecido por condição como homem. Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até a morte, e morte de cruz!" (Filipenses II, 5-8).  E a sua primeira palavra no alto da cruz foi de perdão: "Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem".  Jesus fez-se em tudo semelhante a nós, exceto no pecado e sempre combateu o pecado e os falsos profetas: os fariseus e os saduceus. O missionário por antonomásia, Jesus não veio para abolir a lei mas para aperfeiçoá-la. Procurava os pecadores para convertê-los e não para os abraçar com o pecado e tudo. Disse para o mulher adúltera: "Nem eu te condeno; vai e não peques mais"(S. João VIII, 11). Disse ao paralítico da Piscina Probática: "Eis que estás curado, mas não voltes a pecar para que não te aconteça alguma coisa pior" (S. João V, 14). E gostaríamos de citar muitos e muitos outros textos dos Santos Evangelhos, mas não nos é possível por falta de espaço no âmbito de um simples artigo. Aliás os verdadeiros católicos conhecem bem os Santos Evangelhos! Aconselho-lhes que sempre os meditem com o auxílio das explicações dos Santos Padres da Igreja. E aproveitando o ensejo, quero advertir a todos que tomem muito cuidado para não adquirir Bíblias ecumênicas. Sigamos, com toda segurança que a Santa Igreja nos deu, a Vulgata de S. Jerônimo.

Na míngua de espaço, quero apresentar apenas um santo que fez a verdadeira reforma na Igreja que estava se desmoronando: S. Francisco de Assis. É evidente que são inúmeros os Santos que defenderam a Santa Madre Igreja. Aliás é a santidade que eleva o mundo todo! Mesmo assim, sobre o Poverello exporei sucintamente o que em sua vida se relaciona aos dois aspectos supra mencionados e exibidos no Divino Mestre.

São Francisco de Assis, renunciou toda riqueza de seu pai, muito bem sucedido comerciante. Desposou a santa Pobreza. Com muita justeza é conhecido como o "Poverello de Assis". Todos sabem bem que a pobreza foi a característica deste santo reformador, e assim não preciso me deter  sobre isto. Mas os falsos reformadores, querem se basear em S. Francisco para pregar uma Igreja pobre no que se refere às coisas de Deus. E estão totalmente errados.  A exemplo de Jesus, São Francisco de Assis começou a fazer e a ensinar: "quando ainda jovem aconteceu-lhe, muitas vezes, comprar ornamentos preciosos e objetos para a celebração do Santo Sacrifício, e dá-los em segredo aos padres e às igrejas pobres"; "Numa peregrinação que fez a Roma, estranhou a modicidade das esmolas com que se contribuía para a manutenção da Basílica de S. Pedro; "Apesar de sua extrema pobreza quis mesmo mandar Irmãos pelo mundo com preciosos cibórios, para pôr em lugar conveniente o preço da nossa redenção"; também sempre se sentiu instado a restaurar as igreja pobres e, desde o princípio  de sua conversão se pôs a reparar o santuário de S. Damião. Logo depois consertou uma velha igreja beneditina, dedicada a S. Pedro. Em seguida restaurou a Igreja  de S. Maria de Josofat, mais tarde chamada a Porciúncula, ou Nossa Senhora dos Anjos. E até construiu uma igreja em honra da Santa Virgem. Encontramos em seus escritos várias passagens semelhantes a esta:"Onde quer que o Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo for conservado de modo inconveniente ou simplesmente deixado em alguma parte, que o tirem dali para colocá-Lo e encerrá-Lo num lugar ricamente adornado"(Carta a Todos os Clérigos). E é interessante notarmos que S. Francisco, exortava os seus discípulos a amarem os homens sem distinção, e proibia-os severamente de julgarem os ricos: 'Deus  -  dizia ele  -  é seu Senhor, como o é também dos pobres, e pode chamá-los e santificá-los' . Ordenava mesmo que respeitassem os ricos como irmãos e senhores: irmãos diante do Criador; senhores porque proveem às necessidades dos filhos de Deus e ajudam-nos assim a levar a sua vida penitente'.

Agora em relação ao amor das humilhações e do perdão das ofensas, bastaria lermos  o c. VIII do "I FIORETTI":  Como a caminhar expôs S. Francisco a frei Leão as coisas que constituem a perfeita alegria" o qual é seguido desta conclusão: "Irmão Leão, acima de todas as graças e de todos os dons do Espírito Santo, os quais Cristo concede aos amigos, será o  de vencer-se a si mesmo, e voluntariamente pelo amor suportar trabalhos, injúrias, opróbrios e desprezos".  Em outro lugar lemos também: "Ide meus bem-amados, parti dois a dois, para as diferentes regiões do universo, e pregai aos homens a paz e a penitência para remissão dos pecados. Sede pacientes na tribulação e ficai certos de que Deus realizará os seus desígnios e cumprirá a sua promessa. Se vos interrogarem, respondei humildemente; abençoai os que vos perseguirem; dai graças aos que vos cobrirem de injúrias e vos caluniarem, pois, em troca dessas tribulações, o reino eterno vos aguarda". Disse ainda: "Atendemos todos, meus irmãos, nestas palavras do Senhor: 'Amai os vossos inimigos e fazei o bem àqueles que vos odeiam', pois, Nosso Senhor Jesus Cristo, de quem devemos seguir o exemplo, deu a um traidor o título de amigo e entregou-se espontaneamente aos seus algozes. Nossos amigos são, pois, todos aqueles que injustamente nos causam pesares e aflições, humilhações, injúrias, dores, tormentos, o martírio e a morte. Cordialmente os devemos amar, pois o que eles nos fazem alcança-nos a vida eterna".

 Mas, em se tratando de combater o pecado e todo e qualquer erro, qual foi a atitude de São Francisco? O estado da humanidade na época é assim estigmatizado pelo erudito discípulo de S. Francisco, Frei Tomás Celano: "O esquecimento de Deus era tão profundo e negligenciavam-se tanto as suas leis, que mui grande dificuldade havia em sacudir o torpor causado por males antigos e inveterados". O mesmo célebre escritor latino assim fala da ação missionária do Poverello: "No tempo em que a doutrina evangélica era estéril, não só em seu país, mas em todo universo, foi enviado por Deus para pregar a verdade pelo mundo inteiro, como os Apóstolos. Provava à evidência, com os seus ensinamentos, que toda a sabedoria do mundo não passa de loucura e, em pouco tempo, guiado por Cristo, levou os homens à verdadeira sabedoria de Deus pela loucura da sua pregação. Este novo evangelista dos nossos tempos espalhou por todo o universo, como um rio do paraíso, as águas vivas do Evangelho, e pregou com o seu exemplo o caminho do Filho de Deus e a doutrina da verdade. Nele e por ele conheceu o universo um inesperado ressurgimento, uma primavera de santidade, e a semente da antiga religião rejuvenesce de repente este mundo decrépto. Infundiu-se um novo espírito no coração dos eleitos e espalhou-se em sua alma a unção da salvação, quando, como um dos luminares do céu, o santo servo de Cristo brilhou na Terra. Todo tempo que ainda vivia entre os pecadores, percorria o mundo e pregava a todos" . S. Francisco era missionário. Não foi aos muçulmanos para beijar o Alcorão, mas apresentou-se diante do Sultão Malek-Khamil. "Era, diz Frei Celano, essa uma temerária empresa, pois que o príncipe dos Sarracenos pusera a prêmio, e alto prêmio, a cabeça dos cristãos. Mas Francisco apresentou-se a ele com tal mansidão e tal brandura, e, ao mesmo tempo, com uma fé tão intrépida e uma tão santa liberdade, que o tirano não ousou fazer-lhe mal, ouviu-o mesmo com benevolência e permitiu-lhe que pregasse a doutrina cristã. Logo soube, porém, que o mensageiro da fé atacava o erro maometano, fê-lo conduzir com honras militares ao campo dos cristãos". São Francisco de Assim dizia aos seus Irmãos da Ordem: "A obediência suprema, em que a carne e o sangue não tomam parte alguma, é atingida quando, levados por uma inspiração divina, vamos para junto dos infiéis, quer para salvar as almas, quer para colher a palma do martírio".

Caríssimos, podemos dizer que S. Francisco de Assis foi, desde os tempos apostólicos, o primeiro mensageiro da fé que inscreveu na sua bandeira a conversão do mundo inteiro, cumprindo assim à risca a ordem dada pelo divino Salvador, de evangelizar o universo: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a todas as criaturas". E como era a pregação deste arauto de Cristo? Darei apenas uma amostra: "Fazei penitência; produzi frutos dignos de penitência, pois deveis saber que dentro em pouco morrereis. Dai, e dar-se-vos-á. Perdoai, e sereis perdoados. E se não perdoardes aos homens as suas ofensas, não perdoará tão pouco o Senhor os vossos pecados... Bem-aventurados os que morrem penitentes, pois irão para o reino dos céus. Infelizes dos que não morrem penitentes, pois serão filhos do demônio, cujas obras cometem, e irão para o fogo eterno. Vigiai e abstende-vos de todo o mal e perseverai no bem até o fim" (Regula I, c. 21). Amém!