sexta-feira, 9 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS NAS BEM-AVENTURANÇAS (III)


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
9º dia de junho

"Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça porque serão saciados".

Primeiramente, devemos saber que a palavra JUSTIÇA, tem vários significados. Nas Sagradas Escrituras, como aqui nesta bem-aventurança, significa tudo aquilo que o justo faz, isto é, toda espécie de virtude. Lemos no Salmo 105, 3: "Bem-aventurados os que praticam a justiça em todo tempo". Devemos prestar atenção no modo como Jesus fala: não se contentou de dizer que são bem-aventurados os que "praticam a justiça" mas aqueles que "têm fome e sede" de justiça. Na verdade para se chegar à santidade é mister praticar todas as virtudes e em grau heroico. E a bondade do Coração de Jesus é que, não só consigamos o céu, mas que cheguemos ao maior grau de glória possível lá na nossa pátria definitiva que é o Céu. Aliás, o próprio divino Mestre apresenta-nos um ideal inatingível: "Sede perfeitos, como vosso Pai do Céu é perfeito". Isto significa que Jesus quer que nos esforcemos sempre para praticar todas as virtudes e num grau heroico. Nunca dizer basta. É também neste mesmo sentido que diz o Apocalipse, XXII, 11: "Quem é justo, justifique-se ainda, quem é santo, santifique-se ainda mais". Devemos tender a uma perfeição sempre maior, como se estivéssemos ainda no começo. Assim, "ter fome e sede de justiça" significa este esforço contínuo na prática das virtudes.

"Serei saciado quando aparecer a tua glória" (Salmo 16, 15). Na verdade, aqui na terra teremos sempre fome e sede de justiça, porque nunca poderemos chegar a ser tão santos como os bem-aventurados que já estão no Céu. É fora de toda dúvida que esta fome e sede de perfeição, isto é, este desejo ardente e perseverante de santidade, levar-nos-á ao céu. É, portanto, um sinal de predestinação. Só poderemos ser saciados no Céu, onde a justiça será perfeita. Estas disposições não só te levam ao céu, mas, no céu, a um grau altíssimo. Nossa Senhora disse: "Encheu de bens os famintos" (S. Lucas, I, 53). É preciso ter um grande desejo de se santificar. E quem procurar muito a justiça, no céu será repleto de todo bem. Vemos a bondade do Coração de Jesus que não se contenta em nos ver nos céu; quer que lá tenhamos a maior glória possível. "A vontade de Deus é a vossa santificação" dizia S. Paulo a todos, inclusive aos gentios (cf. 1 Tess. IV, 3). Sabemos que o grau de glória que os bem-aventurados têm no Céu é proporcionado ao grau de graça que alcançaram na terra até ao último suspiro. Donde devemos procurar praticar o bem e evitar o mal, e nos esforçarmos ardente e continuamente no sentido de aumentar  o nosso cabedal de merecimentos.

A esta altura de nossa meditação, lembramo-nos das palavras de São Pedro: "Assim como o seu divino poder nos deu todas as coisas que dizem respeito à vida e à piedade, por meio do conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude [assim também] por ele mesmo nos deu as maiores e mais preciosas promessas, a fim de que por elas vos torneis participantes da natureza divina, fugindo da corrupção da concupiscência que há no mundo. Ora, vós aplicando todo o cuidado, juntai à vossa fé a virtude, à virtude a ciência, à ciência a temperança, à temperança a paciência, à paciência a piedade, à piedade o amor fraterno, ao amor fraterno a caridade. Com efeito, se estas coisas se encontrarem e abundarem em vós, elas não vos deixarão vazios nem infrutuosos no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.[...] Portanto, irmãos, ponde cada vez maior cuidado em tornardes certa a vossa vocação e eleição por meio das boas obras, porque, fazendo isto, não pecareis jamais. Deste modo vos será dada largamente a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo." (2 Pedro, I, 3-11).

Esta bem-aventurança vem em quarto lugar porque Jesus, tendo nas três anteriores removido o homem do mal, ou seja, do afeto dos bens terrenos; do desejo de dominar, com a mansidão; do afeto ao prazer corporal, reprimindo o concupiscível com as lágrimas da compunção, agora quer levar o homem à pratica do bem: "Afasta te do mal e faze o bem" (Salmo 36, 27). Jesus Cristo quer que não nos preocupemos demais com nada deste mundo, para que possamos dar à alma aquele desejo ardente (como a fome e a sede) de justiça, isto é, de santidade. Assim diz o profeta e rei Davi: "A minha alma se consumiu no desejo das tuas leis em todo o tempo" (Salmo 118, 20).

Dadas as explicações anteriores, percebemos mais claramente que o dom da fortaleza corresponde à esta bem-aventurança. Para merecermos esta felicidade de sermos inteiramente saciados no céu, é preciso coragem e, portanto, fortaleza. "O reino do céus sofre violência e só os violentos o arrebatarão", disse Jesus. Devemos pedir ao Espírito Santo este dom da fortaleza, e nos esforçarmos sempre por vencermos a nós mesmos: desprender o coração dos bens materiais, ser humildes e mansos, fazer penitência dos pecados, ser ardoroso na prática das virtudes e nunca se contentar com a veleidade e a tibieza. Amém!


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