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sábado, 3 de agosto de 2019

TOTAL CONFORMIDADE DE NOSSA VONTADE COM A DE DEUS



A vontade de Deus é a do Senhor; a minha é a do servo. A vontade de Deus é infinitamente esclarecida; a minha é sujeita a erros sem conta. A vontade de Deus é a mesma santidade e nunca muda; a minha é depravada, inconstante, capaz de todo o mal. É justo, portanto, que eu me deixe dirigir pela vontade de Deus, submetendo-Lhe a minha. A união da nossa vontade com a de Deus, ou melhor dizendo, a fusão da nossa vontade na de Deus, de tal modo que a nossa desaparece, ficando só a vontade divina,  digo, isto é algo sumamente admirável, sublime e santo. Aliás, é a mesma santidade. E aqui, logo nossos olhos, nosso pensamento, se voltam para a Mãe de Deus, pois, entre as simples criaturas humanas (porque Jesus é também Deus) Maria é santíssima justamente, porque mais do que qualquer outro santo, uniu sua vontade à de Deus: "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra".

Depois da união da natureza humana com a divina, que adoramos em Jesus Cristo, e da união da maternidade  com a virgindade, que honramos em Maria Santíssima, não há nenhuma mais admirável que a da nossa vontade com a do Senhor. Parece que Deus queria mostrar-nos a alegria que lhe causa este sacrifício da nossa vontade à sua, quando disse: "Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, e que fará todas as minhas vontades" (Atos XIII, 22). Este abandono filial, que nos entrega inteiramente nas mãos de Deus, é a mais bela vitória da graça sobre a nossa vontade, sem ofender o nosso livre arbítrio. Este triunfo da graça sobre a vontade humana, é sem nenhum prejuízo da sua liberdade, porque o vencido quer sê-lo, e se julga infinitamente obrigado para com o seu vencedor. Estou consciente de que assim Deus livra-me de qualquer outra sujeição, para só depender d'Aquele, cujos servos são outros tantos reis, eleva-me até à vida dos Anjos, até à vida de Jesus Cristo, que é a vida do mesmo Deus. Caríssimos, pode haver algo mais honroso?! Diz o Espírito Santo: "Bendizei o Senhor, vós todos os seus anjos, que sois poderosos e fortes, que sois executores da sua palavra, prontos para obedecer à voz das suas ordens" (Salmo 102, 20 e 21). Que honra para quem se conforma com a vontade divina! Eleva-se à altura dos Anjos, cujo único móvel é a vontade de Deus. Mas, há algo mais sublime ainda: adquiro uma admirável semelhança, uma espécie de parentesco com Jesus Cristo, o Rei dos Anjos. Elevo-me até Deus, tomando a sua vontade por norma da minha. Querendo o que Deus quer, como Ele o quer, porque o quer, tenho o mesmo alimento que o Salvador: "Meu alimento é que eu faça a vontade d'Aquele que me enviou" (S. João IV, 34).

Pela total conformidade de nossa vontade à vontade de Deus, participamos de dois atributos divinos, que parecia que a nossa fragilidade nunca poderia alcançar: a infalibilidade e a impecabilidade; porque, quando faço a vontade do Senhor e obedeço à direção de sua suma sabedoria, posso enganar-me? Quando procedo conforme com a santidade infinita, posso pecar? Por tudo isto devemos concluir que o maior empenho em nossa vida espiritual dever ser o de conformar inteiramente e sempre a nossa vontade com a vontade de Deus.

Ademais, querendo sempre o que Deus quer, pratico todas as virtudes: a fé, a confiança, a mortificação, a paciência, a humildade. E pratico-as pelo motivo mais excelente, isto é, o amor e o amor mais puro. E assim, querer o que Deus quer, é amá-Lo como Ele se ama, é querer-Lhe todo o bem que Ele quer a si, e do modo que Ele quer. Caríssimos, quão agradável é encontrar a santidade em uma só virtude que posso praticar a cada instante, e que enche a alma de uma suavidade celeste!
Finalmente, com esta virtude da conformidade com a vontade de Deus, livro-me de todo o mal, e tenho todo bem que desejo. Não mais mal moral, não mais pecado, pois o pecado não é senão a oposição à vontade divina. Não mais mal no ordem natural; porque um sofrimento que eu amo, que me agrada, que eu desejo, longe de ser um mal para mim, é um bem. Refugiando-me na vontade de Deus, evito todos os verdadeiros males.

Digamos com Santa Teresa d'Ávila: "Ó Senhor meu, misericórdia minha e Bem meu, que posso desejar de melhor na terra do que estar de tal maneira unida a Vós que não haja divisão alguma entre Vós e eu?" Amém!

sábado, 12 de setembro de 2015

CONFORMIDADE COM A VONTADE DIVINA

   Desta matéria trata a Teologia Ascética e Mística.
   Por este nome de conformidade com a vontade divina compreendemos a submissão completa e afetuosa da nossa vontade à de Deus, tanto à vontade significada, como à vontade de beneplácito.
   A vontade de Deus apresenta-se-nos efetivamente sob este duplo aspecto: a) é a regra moral das nossas ações, significando-nos claramente o que devemos fazer, pelos seus mandamentos ou conselhos;  b) governa todas as coisas com sabedoria, dirigindo os acontecimentos, para os fazer convergir para a glória de Deus e salvação dos homens, e é-nos, por conseguinte, manifestada pelos acontecimentos providenciais que se passam em nós e fora de nós. 
   A primeira chama-se vontade significada porque nos assinala claramente o que devemos fazer. A segunda denomina-se vontade de beneplácito, neste sentido que os acontecimentos providenciais nos dizem qual é o agrado ou beneplácito de Deus. Portanto, a vontade significada de Deus já é conhecida a priori; enquanto a vontade de beneplácito só é conhecida depois de acontecida.
   A vontade significada compreende quatro coisas: os mandamentos de Deus e da Igreja, os conselhos, as inspirações da graça, e, para as comunidades, as Constituições e as Regras.

   A conformidade de Beneplácito consiste em se submeter o homem a todos os acontecimentos providenciais que Deus quer ou permite para nosso maior bem, e sobretudo para nossa santificação. Apoia-se neste fundamento que nada sucede sem a vontade ou permissão de Deus, e que Deus, sendo como é infinitamente sábio e infinitamente bom, não quer nem permite nada senão para bem das almas, ainda quando o não vejamos. "Para os que amam a Deus, diz S. Paulo, tudo coopera para o bem". (Rom. VIII, 28).
    Nosso Senhor Jesus Cristo, no Pai-Nosso mandou que pedíssemos: "Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu".
   Demos um exemplo: É da vontade signifcada de Deus que conservemos e defendamos a nossa Fé.
   Mas não sabemos com certeza qual seria o melhor meio para conservar e defender a nossa fé nesta crise que assola a Santa Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mais especificamente: na presente conjuntura, se e como deveria a FSSPX fazer o "acordo" com a Santa Sé? Até entre os membros da própria Fraternidade não há um consenso. Todos, é claro, querem fazer o que for da santíssima vontade de Deus. Portanto, nada mais sábio e piedoso que o conselho de Sua Excelência Reverendíssima Dom Fellay: "Rezemos para que se faça a santíssima vontade de Deus".  
   Devemos conservar e defender sempre a nossa fé, e também devemos continuar rezando sempre. Devemos pedir sempre a Deus Nosso Senhor a graça de conformidade com a Sua Santíssima Vontade tanto significada quanto de beneplácito.