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sábado, 25 de outubro de 2014

JESUS É O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA

   A) JESUS É O CAMINHO que devemos seguir para chegar a Deus. "Éramos, diz o Beato Olier, devedores a Deus de um milhão de deveres religiosos, mas como éramos incapazes por nós próprios de Lho tributarmos - de adorá-Lo como Ele merece e é nosso dever - necessitávamos que o grande Mestre, pela sua caridade, servisse de suplemento aos nossos deveres e fosse mediador da nossa religião. Foi por isso que Ele quis reviver depois da sua morte e estar sempre vivo - ad interpellandum pro nobis, diz São Paulo, para louvar e pedir ao seu Pai por nós e na nossa falta".
   Tivemos a infelicidade de ofender a Deus? É o próprio Jesus, mediador de redenção, que pleiteia a nossa causa e se oferece como vítima de propiciação pelos nossos pecados. Diz São João: 'E se alguém pecar, temos um advogado junto do Pai: Jesus Cristo, o justo. Ele mesmo é uma vítima de propiciação pelos nossos pecdos, não só pelos nossos, mas pelos do mundo inteiro" (1 João, II, 1 e 2).
   Queremos implorar novas graças? Jesus está presente para apoiar as nossas preces com todo o valor dos seus méritos infinitos. O próprio Jesus nos garante: "Em verdade, em verdade vos digo, tudo o que pedirdes ao meu Pai, Ele vo-lo dará em meu nome" (Jo. XVI, 1-4). Jesus pede conosco e por nós. E Ele é sempre ouvido por causa da dignidade da sua pessoa: "Foi atendido pela sua reverência" (Heb. V, 7).
   É por Jesus que nós também recebemos o Espírito Santo. É o próprio Jesus que no-lo afirma: "É bom para vós que eu vá, porque se não for, o Paráclito não virá para vós; mas se eu for, eu vo-Lo enviarei... Quando o Espírito de verdade vier, Ele vos guiará em toda a verdade... O Paráclito, o Espírito Santo, que meu Pai enviará em meu nome, há de ensinar-vos todas as coisas e lembrar-vos-á tudo o que eu vos disse" (S. Jo. XVI, 26; 7-13). Diz São Paulo que é o próprio Espírito Santo que pede por nós com gemidos inenarráveis (Rom. XVI, 7-13).
   Portanto, Jesus nos conduz ao Pai e ao Espírito Santo. Assim é o caminho que nos conduz a mais alta perfeição. É-o também por ser o modelo perfeito de todas as virtudes que devemos praticar. Caríssimos, sigamo-Lo, portanto, com todo amor. Seguindo-O, não nos extraviaremos. Caminharemos para a luz.

   B) JESUS É A VERDADE INFALÍVEL que devemos crer e abraçar com amor. Jesus como Verbo, é a infinita Sabedoria, a luz que ilumina todos os espíritos; como homem, possui três ciências: a visão beatífica, pela qual vê a Deus face a face e, n'Ele, todo o domínio do real, passado, presente e futuro; a ciência infusa, que se estende a todas as realidades do ordem natural e sobrenatural; a ciência experimental, que adquiriu progressivamente e que, sem ser tão universal como as outras duas, acabou por atingir um dia o conjunto das verdades a que o espírito humano pode elevar-se. É neste sentido que o Evangelho diz que o Menino Jesus crescia em idade e ciência. Jesus é, portanto, o nosso Mestre por excelência; "VÓS SÓ TENDES UM MESTRE QUE É CRISTO" (S. Mat. XXIII, 10). Que os outros escolham, se quiserem, "mestres que deleitem os ouvidos e se desviam da verdade para se entregarem a fábulas" (2 Tm. IV, 3 e 4). Quanto a nós, pela graça de Deus, iremos Àquele que tem palavras da vida eterna, Aquele que veio a este mundo para dar testemunho da verdade. Iremos a Ele com toda a nossa alma, com a dupla luz da razão e da fé. Não percamos o nosso tempo em elogiar seja lá que "mestre" for, porque, na verdade, seria elogiar "salteadores". Seja, isto sim, o Verbo Eterno Encarnado a nossa luz nos estudos de todas as ciências, profanas ou sagradas. Não esqueçamos que toda a verdade é uma espécie de parcela da divina Sabedoria, e conduzamos todos os nossos conhecimentos para a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas procuremo-Lo sobretudo no Santo Evangelho, que havemos de ler e reler, sempre interessados na doutrina do Mestre, que é o Doutor infalível. A quem iremos? Só Jesus tem palavras de Vida eterna! Façamos da Sua doutrina a regra da nossa vida, não esquecendo que o melhor meio de conhecer e sentir a verdade, é pô-la em prática.

   C) JESUS É A NOSSA VIDA. A vida, hauriu-a Ele integralmente como Deus no seio do Pai; como homem, possui uma participação de vida tão abundante que é a fonte onde todos nós devemos beber. Primeiro pelos sacramentos que são os canais da graça. Saem do Sagrado Coração de Jesus e derramam-na nas nossas almas. Devemos estar sempre lembrados que a vida divina de que os sacramentos nos torna participantes, é fruto do sangue de Jesus e do seu amor para conosco. Sobretudo a Eucaristia, porque é o próprio Jesus que recebemos; quer dizer, o Verbo encarnado com todos os tesouros da sua divindade e da sua  humanidade, com o Pai e o Espírito Santo inseparavelmente unidos a Ele. Jesus disse: "Eu vim para que tenham a vida, e  com abundância".
   Não só dos sacramentos nos vem esta vida; mas ainda de todos os atos feitos em estado de graça, em união com Jesus. A graça santificante é uma participação da vida divina. E cada ato nosso feito em união com Jesus, aumenta esta graça e portanto, aumenta a vida divina em nós.
   Caríssimos e amados irmãos, felizes as almas que saboreiam e praticam estas belas doutrinas, que São Paulo e São João ensinavam incessantemente aos primeiros cristãos e que transformaram o mundo! Felizes as almas que, segundo o Beato Olier, têm Jesus diante dos olhos, no coração e nas mãos. Vamos explicar estas três coisas:
   Ter Jesus diante dos olhos: ou seja, comtemplá-Lo como o modelo mais completo de todas as virtudes que devemos praticar. Quando oramos ou meditamos, quando estudamos ou cumprimos os nossos deveres de estado, perguntemo-nos muitas vezes, como São Vicente de Paulo: Que faria Jesus se estivesse no meu lugar?" Ao mesmo tempo  adoremo-Lo e supliquemos-Lhe que nos ajude a reproduzir as suas disposições interiores: "E depois, como diz o Beato Olier, quando o nosso coração estiver cheio de amor, permaneçamos em silêncio  diante d'Ele, nestas mesmas disposições e sentimentos".
   Ter Jesus no coração: Diz o Beato Olier: "Demo-nos a Cristo para que a sua virtude nos anime a deixarmo-nos possuir por Ele, e, depois fiquemos ainda algum tempo em silêncio junto d'Ele, para nos deixarmos imbuir interiormente da sua unção divina". Supliquemos ao Divino Espírito Santo, que animava a alma humana do Salvador e que é ainda hoje a alma do seu corpo místico, que venha até nós para nos tornar semelhantes a Jesus Cristo.
   Ter Jesus nas mãos: isto é, rogar a Ele que faça com que a sua vontade se cumpra em nós, que, como explica o Beato Olier, "como bons membros, devemos obedecer à cabeça, e cujos impulsos só devem vir de Jesus Cristo, o qual, enchendo a nossa alma do seu Espírito, da sua virtude e da sua força. deve operar em nós e por nós tudo quanto deseja".
    Assim como explicou o Beato Olier, Jesus se torna verdadeiramente o centro da nossa vida, dos nossos pensamentos, dos nossos sentimentos, das nossas ações; só assim Ele é sempre para nós uma fonte de água viva. Com São Paulo, digamos de todo o coração: "A MINHA VIDA É JESUS!!!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A PAIXÃO DE JESUS CRISTO - I -

   Alguém disse: Acabei de ler a postagem sobre o Ato de perfeito Amor a Deus; mas como conseguir ter este Amor Perfeito (dentro das limitações humanas) a Deus, Nosso Pai e Senhor? O melhor meio é meditar a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. É o que faremos, se Deus quiser, em quatro postagens.
   O Pai nos amou de tal modo que nos deu o seu Filho Unigênito. Jesus, o Filho de Deus feito Homem nos amou de tal modo que se entregou a Si mesmo por nós. Amor se paga com amor.

  A Paixão constitui o "santo dos santos" dos mistérios de Jesus Cristo. Marca o ponto culminante da obra que vem realizar neste mundo, obra para qual todas as outras convergem ou da qual tiram seu valor e eficácia. Para Jesus, é a hora em que consuma o sacrifício que deve dar ao Pai glória infinita. - redimir a humanidade,- e reabrir aos homens as fontes da vida eterna. E como Jesus desejou a Paixão! que Ele chama a Sua Hora. "Devo ser batizado com um batismo- o batismo de sangue - e quanto anseio por o ver realizado!" E quando chega esta hora segundo a vontade do Pai, Jesus entrega-se com o maior ardor, apesar de conhecer de antemão todos os sofrimentos que devem despedaçar-Lhe o corpo e a alma. "Desejei com o maior ardor comer esta Páscoa convosco, antes de sofrer a minha Paixão" "Jesus Cristo, diz São Paulo, amou a Igreja - entregou-se a Si mesmo por ela, por amor dela - para a santificar e fazer aparecer diante de Si uma Sociedade gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante, mas toda santa e imaculada". (Ef. V, 25-27).
   Nestas palavras está indicado o próprio mistério da Paixão: "Jesus entregou-se a si mesmo". O que é que O move a isto? O amor. "Amou a Igreja". Qual é o fruto? "Para santificar, para que ela seja bela, santa e imaculada". A Igreja aqui significa o reino daqueles que devem formar o Corpo Místico de Jesus (1Cor. XII,27) Jesus Cristo amou esta Igreja, e foi por a ter amado que se entregou por ela.
   Sem dúvida, antes e acima de tudo, foi por amor ao Pai que Jesus Cristo quis sofrer a morte na Cruz: "Mas é preciso que o mundo conheça que amo o Pai e que faço como Ele ordenou" (S. Jo. XIV, 31). Mas é também o seu amor para conosco. Aliás essa era a vontade do Pai, como disse a Pedro: "Não hei de beber o cálice que o Pai me deu? (S. Jo. XVIII, 11).
   Na última ceia, quando vai soar a hora de sua oblação, que diz aos apóstolos, congregados em volta d'Ele? "Não há maior amor do que dar a vida pelos seus amigos". ( S. Jo. XV, 13). E Jesus vai no-lo demonstrar, pois diz São Paulo: "Foi por nós que Ele se entregou".
   Morreu por amor de nós, sendo como éramos seu inimigos". Que maior prova de amor poderia dar-nos?Nenhuma.  E entregou-se livremente: "Oblatus est quia ipse voluit" E esta liberdade com que Jesus dá a sua vida por nós é absoluta. Meditemos: "Deus amou o mundo a ponto de lhe dar o Seu Filho único" e Jesus Cristo, por sua vez, amou os seus irmãos a ponto de se entregar a Si mesmo total e espontaneamente para os salvar" Jesus oferece-se a si mesmo e sem reserva, isto é, totalmente. A Sua alma e o Seu corpo são dilacerados, esmagados pelos sofrimentos, não há nenhum que JESUS não experimente. Já no Getsêmani dissera: "A minha alma está triste até a morte!" Que abismo! Um Deus, Poder e Beatitude infinitos, acabrunhado pela tristeza, pelo pavor, e pelo tédio. O Verbo Encarnado conhecia todos os sofrimentos que iam cair sobre Ele durante as longas horas de sua Paixão. Esta visão fazia nascer na sua natureza sensível toda a repulsa que teria sentido uma simples criatura; na divindade a que estava unida, a sua alma via claramente todos os pecados dos homens, todos os ultrajes feitos à santidade e ao amor infinito de Deus. Tomou sobre Si todas estas iniquidades; e sentia pesar sobre sua cabeça toda a cólera da justiça divina, Mas Jesus tudo aceita. Sai do Jardim das Oliveiras e vai ao encontro dos seus inimigos. Traído pelo beijo de um dos Seus apóstolos, acorrentado pela soldadesca como um malfeitor, é levado ao Sumo Sacerdote. Ali cala-se no meio das falsas acusações. Fala apenas para proclamar que é o Filho de Deus. Jesus, Rei dos mártires, morre por haver confessado a Sua divindade, e todos os mártires darão a vida pela mesma causa.
   Pedro, o chefe dos apóstolos, por três vezes renegou a Jesus. Foi esse, sem dúvida, para o nosso divino Salvador um dos mais profundos sofrimentos daquela terrível noite.
   Os soldados guardam Jesus e cobrem-No de injúrias e maus tratos. Não podendo suportar aquele olhar tão meigo, vendam-Lhe os olhos. Dão-Lhe bofetadas; Têm até a ousadia de manchar com vis escarros aquela face adorável que os Anjos contemplam extasiados.
   Logo de manhã foi conduzido ao Sumo Sacerdote, depois arrastado de tribunal a tribunal; tratado por Herodes como louco e insensato,  Ele, Sabedoria eterna; açoitado por ordem de Pilatos; os algozes ferem sem dó a vítima inocente, cujo corpo se torna logo uma chaga viva. Enterram na cabeça de Jesus uma coroa de espinhos e cobrem-no de escárnios.
   O covarde governador romano imagina que o ódio dos judeus ficará satisfeito vendo Jesus Cristo naquele triste estado; apresenta-O à multidão: "Ecce homo!", "Eis aqui o homem!".
   Contemplemos neste momento o divino Mestre mergulhado nesse abismo de sofrimento  e humilhações, e pensemos que o Eterno Pai também no-Lo apresenta, dizendo: "Eis aqui o meu Filho, o esplendor da minha glória, ferido por causa dos crimes do meu povo: "Eu o feri por causa do pecado do meu povo".( Isaías, LIII, 8).
   Jesus ouve os gritos daquela população enfurecida que lhe prefere um bandido e em paga de todos os benefícios que dEle recebeu, reclama a Sua morte: "Crucifica-O, crucifica-O".
   É pois pronunciada a sentença de morte, e Jesus Cristo tomando em seus ombros feridos a pesada cruz, dirige-se para o Calvário. Quantas dores ainda Lhe não estavam reservadas! A vista de Sua Mãe tão ternamente amada e cuja dolorosa aflição compreende melhor do que ninguém; o despojarem-No das suas vestes; o cravarem-Lhe as mãos e os pés, a sede ardente. Depois os odiosos sarcasmos dos seus piores inimigos. Enfim, o abandono por parte do Pai, cuja santa vontade cumpre sempre: "Pai, por que me abandonaste?"
   Bebeu o cálice até a última gota; realizou até os mais pequenos pormenores de tudo o que fora predito: "Consummatum est". Sim, tudo está consumado, só Lhe resta entregar a alma ao Pai: "E inclinando a cabeça, entregou o espírito"(S. Jo. XIX, 30).
   Quando a Igreja na Semana Santa, nos lê a narrativa da Paixão, interrompe-a neste ponto para adorar em silêncio. Prostremo-nos com ela; adoremos Esse Crucificado que acaba de exalar o último suspiro: Ele é realmente o Filho de Deus.
   Ó Divino Salvador, que tanto sofrestes por amor de nós, prometo-Vos fazer o possível para não mais pecar. Fazei pela vossa graça, ó Mestre adorável, fazei com que morramos para tudo quanto é pecado, apego do pecado ou à criatura e que só vivamos para Vós!.
   É o que diz São Paulo: "O AMOR QUE JESUS CRISTO NOS DEU PROVA, MORRENDO POR NÓS, DEVE FAZER COM QUE AQUELES QUE VIVEM, JÁ NÃO VIVAM PARA SI, MAS PARA AQUELE QUE MORREU POR ELES". (2 Cor., V, 15).