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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

REVESTIR-SE DE JESUS CRISTO

LEITURA ESPIRITUAL


São João Eudes faz um belíssimo comentário destes conselhos do Apóstolo S. Paulo: "Revesti-vos de Jesus Cristo"  (Rom. XIII, 14); "Revesti-vos do homem novo" (Efésios IV, 24); "Animai-vos dos sentimentos que animam a Jesus Cristo" (Filipenses II, 5). Diz o Santo propagador da devoção ao Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria: "Jesus, Filho de Deus e Filho do Homem...  não sendo somente nosso Deus, nosso Salvador e soberano Senhor; mas mesmo, sendo nossa cabeça e nós os seus membros e seu corpo, diz S. Paulo, osso de seus ossos, e carne de sua carne (Ef. V. 30) e, por conseguinte, estando unidos a ele pela união mais íntima que possa existir, tal a dos membros à cabeça; unidos a ele espiritualmente pela fé e pela graça que nos deu no santo batismo; unidos a ele corporalmente pela união do seu santíssimo Corpo com o nosso na santa Eucaristia, segue-se daí necessariamente que, como os membros são animados do espírito da cabeça e vivem de sua vida, assim também devemos estar animados do espírito de Jesus Cristo, viver de sua vida, caminhar em suas veredas, revestir-nos de seus sentimentos e inclinações, fazer todas as nossas ações nas disposições e intenções com que Ele faz as suas, em uma palavra, continuar a realizar a vida, a religião e a devoção que Ele exerceu sobre a terra". E S. João Eudes apresenta vários textos das Sagradas Escrituras e comenta-os: "Não ouvis, diz o santo, aquele que é a própria verdade dizer em diversas passagens de seu Evangelho: "Eu sou a vida; e eu vim para que tivésseis a vida. Vós não quereis vir a mim a fim de ter a vida. Eu vivo e vós vivereis Nesse dia sabereis que eu estou em meu Pai e vós em mim e eu em vós" (S. João VI, 10; V, 40; XIV, 19 e 20). Isto é, assim como eu estou em meu Pai, vivendo da vida de meu Pai, a qual ele me vai comunicando, assim também vós estais em mim, vivendo da minha vida, e eu estou em vós, comunicando-vos essa mesma vida, e assim eu vivo em vós e vós vivereis comigo e em mim. E o discípulo bem-amado não nos clama também que Deus nos deu uma vida eterna e que essa vida está em seu Filho , e que aquele que tem em si o Filho de Deus tem a vida eterna e que essa vida está em seu Filho, e que aquele que tem em si o Filho de Deus tem a vida; e, ao contrário, aquele que não tem o Filho de Deus em si, não tem a vida (1 João V, 11 e 12); e que Deus nos enviou seu Filho ao mundo, a fim de que vivamos por ele (1 João IV, 9); e que estamos neste mundo como Jesus aqui esteve (Hebreus II, 17), isto é, que estamos em seu lugar e que devemos viver como ele mesmo viveu? E no Apocalipse, não nos anuncia que o esposo bem-amado de nossas almas, que é Jesus, vai sempre pregando e dizendo: "Vinde, vinde a mim e que aquele que tem sede venha e tome água da vida gratuitamente" (Apoc. XXII, 17), isto é, que venha e beba em mim a água da vida? ... (S. João VII, 37). E o que nos prega a cada instante o divino apóstolo S. Paulo, senão que estamos mortos e que a nossa vida está escondida com Cristo em Deus (Col. III, 3); que o Pai eterno nos vivificou com Jesus Cristo e em Jesus Cristo (Efésios II, 5); Col. II, 13), isto é, que não somente nos fez viver como seu Filho, porém em seu Filho, e da vida de seu Filho, e que devemos manifestar e fazer transparecer a vida de Jesus em nossos corpos (2 Cor. IV, 10 e 11), que Jesus Cristo é nossa vida (Col. III, 4)?... Em uma passagem, falando aos cristãos, diz que pede a Deus que os torne dignos de sua vocação (do seu chamado), que realize plenamente nesses cristãos todos os desígnios de sua bondade e da obra da fé, a fim de que o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo seja glorificado neles e eles em Jesus".

Caríssimos, como nos consola esta meditação!!! Estarmos cônscios da presença de Jesus em nós; tão unido a nós que a nossa vida é Ele mesmo, é Ele que trabalha, sofre em nós; Jesus é a Cabeça e nós os membros; somos um instrumento que Jesus mesmo deve pôr em movimento. Por nós mesmos não podemos nada de bom, mas se é Jesus que opera em mim, então, posso dizer com S. Paulo: "Tudo posso n'Aquele que me conforta!"

É preciso, dizia S. Margarida Maria a uma visitandina, que nos consumamos todas nessa fornalha ardente do Sagrado Coração do nosso adorável Mestre... e depois de termos lançado o nosso coração, todo cheio de corrupções, nas chamas divinas do puro amor, aí devemos tomar um outro, novo, que nos faça viver para o futuro de uma vida renovada... é preciso que esse divino Coração de Jesus tome de tal modo o lugar do nosso, que só ele viva e atue em nós e por nós, que sua vontade mantenha a nossa por tal forma aniquilada, que possa agir sem resistência alguma da nossa parte; enfim, que seus afetos, pensamentos e desejos tomem o lugar dos nossos, mas principalmente o seu amor, que se amará a  si mesmo em nós e por nós" (Obras, tomo II, p. 468).

Caríssimos, Jesus Cristo ama cada um de nós com um amor inefável e esse amor faz com que Ele se mantenha unido a todos por uma união que deseja tornar cada vez mais perfeita. Daí, devemos ver Jesus em nós mesmos e também no próximo (que d'Ele recebe ao menos graças atuais). É mister que vejamos Jesus em nós e vivamos intimamente unidos a Ele. É preciso que os nossos sentimentos sejam os de Jesus; devemos unir nossas intenções às Suas; as nossas orações ás Suas orações; nossos trabalhos e nossos sofrimentos aos seus trabelhos e aos Seus sofrimentos. Em uma palavra Jesus fará de nós um outro Jesus.

Um ramalhete espiritual que expressa perfeitamente esta doutrina, é esta sublime exclamação de S. Paulo: "VIVO, MAS NÃO SOU EU QUEM VIVE, É JESUS QUEM VIVE EM MIM!" Amém!

sexta-feira, 26 de julho de 2019

O CORAÇÃO DE JESUS E A HUMILDADE

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA, dia 26º

"Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração". Nosso Senhor Jesus Cristo, na verdade, é o modelo perfeito de todas as virtudes. No entanto quis fazer menção especial da humildade e da mansidão, virtudes estas que podemos chamar de irmãs. Os teólogos dizem que a humildade  com sua forma própria não se encontra em Deus, porque ela supõe pequenez e inferioridade. Como a humildade é a verdade, ela só se aplica a nós homens porque a verdade é que somos nada e um nada pecador. Reconhecer isto é humildade de inteligência mas ainda não é virtude. Aceitar ser tratado assim como pecadores e nada merecedores de elogios é a virtude da humildade. A virtude está na vontade. Reconhecer que o que temos de bom não é nosso mas vem de Deus é também humildade, porque esta é a verdade: por nós mesmos não podemos ter nem sequer um bom pensamento. Toda nossa capacidade para o bem vem de Deus. São Paulo diz: "Que tens tu, que não recebesses? E, se o recebeste, porque te glorias, como se o não tiveras recebido? (1 Cor., IV, 7).

A criatura, com efeito, se quiser ser justa e veraz, deve reconhecer que Deus é tudo e que ela é nada; que toda força, toda a virtude, toda a beleza, toda a bondade provêm de Deus, e que, por si mesma, não é senão fraqueza e miséria, ou antes é o próprio nada. A criatura, se quiser ser justa e sincera, não pode desconhecer as grandezas de Deus; e diante d'Ele deve se aniquilar. Deus é santo, a criatura é pecadora; Deus é a Justiça e a Bondade, e ela, injustiça e egoísmo; que Deus é paz e misericórdia, e ela, ira e maldade.

Até aqui falamos de uma humildade comum. Há uma humildade muito mais perfeita, mais difícil e consequentemente mais meritória. Consiste em nos rebaixarmos além do que merecemos. Jesus Cristo é o modelo acabado dessa humildade. O Homem-Deus, o Verbo Encarnado, como escreveu S. Paulo, humilhou-se até ao aniquilamento: "Tende entre vós os mesmos sentimentos que houve em Jesus Cristo, o qual, existindo no forma (=natureza) de Deus, não julgou que fosse uma rapina o seu ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens e sendo reconhecido por condição como homem. Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até a morte, e morte de cruz!" (Filipenses, II, 5-8).

Na verdade, já desde o início de sua vida terrestre, o Verbo, fazendo-se carne praticou um ato sublime de humildade. E toda Sua vida foi uma série de atos de humildade. Entregou o seu espírito como fez ao recebê-lo no início (Eis que venho, ó Pai, para fazer a Vossa vontade", e fez-se obediente até a morte, e morte de cruz, que é a mais humilhante.

Em Jesus a natureza humana deixou livre campo à graça para realizar suas obras enquanto a vontade humana de Jesus foi plenamente submissa à vontade divina: "Seja feita a vossa vontade e não a minha", esta oração do Horto das Oliveiras é o resumo de toda a vida do Divino Mestre.

Nas leituras anteriores meditamos como o Coração de Jesus sempre renunciou à estima, à consideração, à reputação, coisas estas de que os homens se mostram tão ciosos.  Os Santos contemplando sempre este Divino Modelo de infinita humildade, se tornaram tão humildes, que às vezes, os mundanos são tentados a tachá-los até de loucos, quando eles mesmos, ou seja, os santos consideravam uma verdadeira loucura,  pretender elogios e estima sendo como eram um nada criminoso, enquanto que Jesus, a própria inocência e santidade, fez-se obediente até à morte e morte de cruz.


Caríssimos, já que Deus só dá sua graça e sua luz aos humildes, peçamos sempre a humildade. Pedindo, pois, a humildade, pedimos uma riqueza espiritual que vale bem longos anos de súplica. Deus nos dará a graça das ocasiões de praticarmos a humildade através das humilhações que sofrermos. Não deixemos passar estas graças, que elas não sejam vãs em nós. Rezemos sempre com grande desejo e sinceridade: "Jesus, manso e humilde de coração! Fazei o meu coração semelhante ao Vosso!" Amém!

domingo, 30 de junho de 2019

O CORAÇÃO DE JESUS NOS DÁ POR MÃE SUA PRÓPRIA MÃE


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
30º dia de junho

Não há corações mais intimamente unidos do que o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria. Afinal, o Coração de Jesus saiu do Coração de sua Mãe Santíssima. Foi  nela que o Espírito Santo operou o mistério inefável da Encarnação do Verbo Eterno de Deus. E Maria Santíssima não só nos trinta anos de vida oculta de seu Filho, esteve com todo carinho e amor junto d'Ele, mas também no primeiro milagre operado por Jesus e em muitas outras ocasiões. Mas especialmente, o seu Coração Imaculado estava junto do de seu Filho lá no Calvário.

Junto a Cruz Maria estava de pé. Nem a angústia do coração, nem as injúrias do povo, a crueldade dos algozes ou perigo da morte podiam apartá-la de Jesus, seu querido Filho. Seu coração estava pronto a morrer na presença de Jesus ou a assistir-Lhe na agonia. De todos os Apóstolos só o predileto de Jesus, São João Evangelista, estava ao lado de Maria Santíssima.

Ao ver a Virgem Mãe e o discípulo virgem, tão amados do Coração Divino, disse Jesus, olhando para a Mãe: "Mulher (que em hebraico significa Senhora), eis aí teu filho". Depois, dirigindo-Se ao discípulo, representante de todos nós, disse-lhe: "Eis aí tua Mãe". E desde esta hora o discípulo a tomou por Mãe; e depois levou-A para sua casa. (cf. Jo. XIX, 26 e s.).

Justamente quando os homens levavam ao auge a sua malícia, quando não cessavam de afligir o Coração de Jesus com injúrias, ele superabundou em amor e nos deu sua Mãe por Mãe Nossa. O Coração de Jesus instituíra no dia anterior à sua morte, a Santíssima Eucaristia, não nos querendo deixar órfãos. Mas também fez, momentos antes de morrer, o que nenhum humano pode fazer: deu-nos por Mãe a sua própria Mãe, a melhor de todas as mães.

Neste ato, o Coração de Jesus mostra, outrossim, o desvelo e cuidado por sua Mãe, provendo à honra e ao amor que lhe eram devidos. Jesus mostra que o Seu Coração e o Coração de sua Mãe Santíssima, devem ao mesmo tempo, ser conhecidos e juntamente amados.

Nós, pobres pecadores não podemos calcular toda grandeza e intensidade do amor do Coração de Maria por seu Filho e seu Deus. É algo inefável! Não há no céu e na terra criatura que prestasse tantas honras e dedicasse tanto amor a Jesus, quanto a sua Mãe Santíssima. A Santíssima Trindade empregou todo seu amor e poder em preparar aquele Coração de Mãe, com a capacidade de amar um Filho que é também o Filho do Altíssimo. Portanto, em parte alguma se poderia encontrar um coração que fosse tão unido e agradável ao Coração de Jesus qual foi o Coração Imaculado da Virgem Mãe.  Por outro lado, o Coração de Jesus quis e quer ver o Coração de sua Mãe, em toda parte e sempre, honrado e amado. O Coração de Jesus quer que, em qualquer parte do mundo, e até a consumação dos séculos, onde for adorado o Seu Coração, seja venerado de modo todo singular, o Coração Imaculado de Sua Mãe Santíssima.

Maria Santíssima compartilhando as dores de Jesus, nos adotou ao pé da cruz. Como nossa Mãe, devemos prestar-lhe honra todos os dias da nossa vida, lembrando-nos de quanto Ela sofreu com Jesus por nossa causa. Devemos reconhecer este grande dom do Coração agonizante de Jesus, ao dar-nos uma tal Mãe. Depois que Jesus se deu a si mesmo por nós na Eucaristia, quis dar-nos a sua Mãe para ser a nossa Mãe também. Assim, o Coração materno de Maria Santíssima transborda de singular afeto, compaixão, amor e solicitude pelos seus filhos.

O Coração de Maria, formado à semelhança do Coração de Jesus, a todos se acha aberto sob o dulcíssimo título de Coração materno. Por intermédio do Coração Imaculado de Maria seremos introduzidos no Coração de Jesus. Pois, pela Virgem Maria , Jesus Cristo veio aos homens e também por Ela, Deus quer que cheguemos até Jesus. Quaisquer graças que desejarmos obter de Nosso Senhor Jesus Cristo, devemos recomendá-las a Maria, nossa Mãe, para que ela, sendo Mãe de Deus e nossa, invoque em nosso favor o Coração Sacratíssimo de Jesus. Na verdade os direitos maternos que Nossa Senhora possuiu e exerceu na terra, não os perdeu no céu, onde, como Soberana de todos os anjos e santos, reina com Jesus, seu divino Filho.

Ao comparecer ao tribunal no Juízo teremos a dulcíssima consolação de ter por Advogada junto ao Juiz, sua Mãe e nossa Mãe! Esta Mãe, a quem o Juiz deu todo o poder sobre o seu Coração, intercederá ao seu Filho em favor dos seus outros filhos que somos nós seus devotos. Amém!


sexta-feira, 28 de junho de 2019

FESTA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

 SEXTA-FEIRA DA SEGUNDA SEMANA DEPOIS DO PENTECOSTES.

   Ó Jesus, concedei-me a graça de penetrar os segredos escondidos no Vosso divino Coração.


   1- Depois de termos fixado o nosso olhar na Eucaristia, dom que coroa todos os dons do amor de Jesus aos homens, a Igreja convida-nos a considerar diretamente o amor do Coração de Cristo, fonte e causa de todo o dom. Pode afirmar-se que a festa do Sagrado Coração de Jesus é a festa do Seu amor por nós. "Eis o Coração que tanto amou os homens", disse Jesus a Santa Margarida Maria; "eis o Coração que tanto amou os homens", repete-nos hoje a Igreja, mostrando-nos que "no Coração de Cristo, ferido pelos nossos pecados, Deus se dignou dar-nos, misericordiosamente, infinitos tesouros de amor" (cfr. Coleta). Inspirando-se neste pensamento, a liturgia de hoje refere-nos os imensos benefícios que nos provêm do amor de Cristo, é um hino de louvor ao Seu amor. "Cogitationes Cordis ejus", canta o Introito da Missa: "Eis os pensamentos do Seu Coração - do Coração de Jesus - através das gerações: arrancar as almas da morte e alimentá-las em sua fome". O Coração de Jesus anda sempre à procura de almas para salvar, para livrar dos laços do pecado, para lavar com o Seu Sangue, para alimentar com o Seu Corpo. O Coração de Jesus está sempre vivo na Eucaristia para saciar a fome dos que por Ele suspiram, para acolher e consolar todos os que, desiludidos pelas amarguras da vida, se refugiam n'Ele em busca de paz e alívio. E o próprio Jesus nos ampara na aspereza do caminho. "Tomai o meu jugo sobre vós, aprendei de mim, que sou manso e humilde de Coração, e achareis repouso para as vossas almas" (Alleluia). Se é impossível eliminar da vida toda a dor, é no entanto possível, a quem vive com Jesus, sofrer em paz e encontrar no Seu Coração repouso para a alma cansada.

   2- O Evangelho e a Epístola fazem-nos considerar ainda mais diretamente, o Coração de Jesus. O Evangelho (Jo. 19, 31-37) mostra-nos o Seu Coração posto a descoberto pela ferida da lança, e Santo Agostinho comenta: "O Evangelista disse abriu, a fim de nos mostrar que, de alguma maneira, se nos abre ali a porta da vida, donde brotaram os Sacramentos". Do Coração trespassado de Cristo - símbolo da amor que O imolou por nós na Cruz - brotaram os Sacramentos, figurados na água e no sangue saídos da Sua chaga, através dos quais recebemos a vida da graça; sim, é justo dizer que o Coração de Jesus foi aberto para nos introduzir na vida. "Estreita é a porta que conduz à vida" (Mt. 7, 14), disse Jesus um dia; mas se por esta porta entendemos a chaga do Seu Coração, podemos dizer que não nos podia abrir uma porta mais acolhedora.
   São Paulo, na sua belíssima Epístola, (Ef. 3, 8-19), convida-nos a entrar, ainda mais adentro, no Coração de Jesus para contemplar as Suas "riquezas incompreensíveis" e penetrar o "mistério escondido, desde o princípio dos séculos, em Deus". Este "mistério" é exatamente o mistério do amor infinito de Deus que nos preveniu desde a eternidade e que nos foi revelado pelo Verbo feito carne; é o mistério daquele amor que nos quis remir e santificar em Cristo, "no qual temos segurança e acesso a Deus". Mais uma vez Jesus Se nos apresenta como a porta que conduz à salvação: "Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo" (Jo. 10, 9); e a porta é o Seu Coração que, rasgando-se por nós, nos introduziu na vida. Só o amor nos pode fazer penetrar neste mistério de amor infinito; mas não basta um amor qualquer, é necessário, como diz São Paulo, estarmos "arraigados e fundados na caridade". só assim poderemos "conhecer aquele amor de Cristo que excede toda a ciência, para que sejamos cheios de toda a plenitude de Deus". 

   Colóquio: ... "Se vós, ó Jesus, sois a minha Cabeça, por que não deverá chamar-se meu, aquilo que é Vosso? Não é verdade que são meus os olhos da minha cabeça? Portanto o Coração da minha Cabeça espiritual é o meu coração. Que alegria para mim! Olhai: Vós e eu temos um só coração. Entretanto, ó Jesus dulcíssimo, havendo reencontrado este Coração divino que é Vosso e meu, elevarei a Vós, Deus meu, a minha prece: acolhei no sacrário das Vossas audiências as minhas orações, ou antes, atraí-me inteiramente ao Vosso Coração" (São Boaventura). 

(Meditação extraída do Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de Sta. M. Madalena, O.C. D.)

quinta-feira, 27 de junho de 2019

O AMOR HUMANO DO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
27º dia de junho

Sabemos pela Teologia que em Nosso Senhor Jesus há duas vontades: a humana e a divina. Assim, também devemos considerar no Coração de Jesus, o seu amor humano e o se amor divino por nós.  Na verdade o dulcíssimo Salvador, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, nos amou muito, nos ama muito e nos há de amar muito durante toda a eternidade.

O amor de Jesus em sua alma humana, através de seu Coração palpitante, nos seus 33 anos na terra, hoje no Céu à direita de seu Eterno Pai, e na terra, na Santíssima Eucaristia, é, digo, um amor admirável, inefável. Mas em sua divindade, Jesus que é o Verbo Divino, nos ama com o mesmo amor que o Pai e o Espírito Santo, ou seja, com um amor eterno e infinito.

Hoje vamos meditar no amor humano do Coração de Jesus, e amanhã, se Deus quiser, meditaremos no amor divino do Coração de Jesus.

Jesus, chorou diante do túmulo de seu amigo Lázaro de Betânia, e o povo exclamou: "Vede como Ele o amava". Caríssimos, meditando durante este mês de junho, em tudo que o Coração de Jesus fez por nós, na Encarnação, no seu nascimento, na sua vida oculta e na vida pública, na instituição da Santíssima Eucaristia e sobretudo em sua Paixão e Morte, nós também exclamamos: "Vede como Ele nos amou!".

O Coração de Jesus nos ama com um amor humano imenso! Pois, a sua fonte é a alma de Jesus, e esta é a obra-prima de Deus aqui na terra. Deus a fez tão perfeita o quanto é possível a uma criatura. E Deus onipotente tornou esta alma capaz de um amor tal que, excede em intensidade ao de todos os homens que existiram, existem e hão de existir, ao amor de todos os anjos e ao da própria Santíssima Virgem Maria, reunidos num só. Já percorremos toda a vida de Jesus e meditamos na imensidade deste amor por nós.

E agora na glória do Céu, à direita de seu Pai Eterno, o Coração de Jesus continua a nos amar. São João declara que mesmo os pecadores são ainda muito caros a Jesus, porque lhes advoga a causa junto de seu Pai: "Filhinhos meus, eu vos escrevo estas coisas, para que não pequeis; mas, se algum pecar, temos um advogado junto do Pai, Jesus Cristo justo. Ele é propiciador pelos nossos pecados, e não somente, pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo" (1 S. João, II, 1 e 2). Assim, o próprio pecado mortal, que Lhe inspira tanto horror, não Lhe altera os sentimentos do Coração. Seu olhar não é de ódio, mas de ternura entristecida, de compaixão para com o louco, monstruoso e mísero pecador. Jesus com suas chagas radiantes de luz e glória, está a lembrar a seu Pai que Ele sofreu tanto pelos pecadores, que pagou caríssimo pelos seus pecados; suplica, então, e implora graças de contrição. O Coração de Jesus é sempre ouvido pelo seu Pai, embora, infelizmente, muitos põem obstáculos. O Coração de Jesus pede também a graça de uma perfeita penitência, de tal modo que o pecador, se assim o quiser, poderá reparar plenamente suas faltas.

Caríssimos, agora meditemos no seguinte: Se Jesus ama assim os pecadores, qual não será o amor de seu Coração pelos verdadeiros amigos, pelos justos, pelos santos?! São João Eudes diz: "Tão grande é o seu amor, que Ele estaria pronto a sacrificar sua vida no universo inteiro e com sofrimentos imensos; e porque o seu amor é eterno, estaria pronto ainda a sacrificá-lo eternamente e com dores eternas". Sofreria, portanto, uma nova paixão por cada um dos filhos dos homens. Faria por cada um o que fez por todos. Mas sabemos que Jesus não pode sofrer e morrer mais, depois de ressuscitado e glorioso. Como seu Coração é onipotente, arranjou um meio de fazê-lo por nosso amor: A Santíssima Eucaristia como Sacrifício e como Sacramento. A Santa Missa renova, de maneira incruenta, a imolação do Calvário, e nos aplica seus merecimentos infinitos. E aqui no Altar se aniquila de alguma maneira, mais do que na Cruz. Quanto o Coração de Jesus se alegra em poder através da Santa Missa, derramar sobre o mundo torrentes de graças! E faz ainda mais: A Eucaristia como Sacramento! Faz-se nosso alimento, nosso hóspede na comunhão, e dá-se a nós todo inteiro, convidando-nos a renovar cada dia essa união tão doce ao seu Coração. O Coração de Jesus quis ficar conosco até o fim do mundo, não quis nos deixar órfãos. É realmente o Emanuel, isto é, o Deus conosco. Amém!


quarta-feira, 26 de junho de 2019

O AMOR INFINITO DO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
26º dia de junho

É uma verdade que dispensa demonstração. O católico que não o reconhecesse seria um católico sem coração, ou melhor não seria verdadeiro cristão.

 Deus nos amou desde toda a eternidade: "Eu amei-te com um amor eterno, por isso, compadecido de ti, te atraí a mim" (Jeremias XXXI, 3). E o Apóstolo do Amor, disse: "Nós conhecemos o amor de Deus, porque deu sua vida por nós" (1, João IV, 9); transmitiu-nos a afirmação do próprio Jesus: "Amou Deus de tal modo o mundo (os homens), que deu por ele o seu Unigênito Filho (S. João III, 16).  Pelo que já meditemos até hoje desde o início deste mês ficou suficientemente demonstrado o amor infinito do Coração de Jesus por nós. Pois, basta para isto contemplar toda a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi o amor aos homens a causa de tudo o que fez e sofreu. Por nosso amor o Filho de Deus deixou o Céu e desceu a este vale de lágrimas; revestiu-Se de nossa mesma carne; deu a vida por nosso amor, para que pudéssemos viver eternamente com Ele no Paraíso. Como já meditamos, uma só gota de seu Sangue seria suficiente para remir todo o mundo e até milhares de mundos, mas seu amor por nós levou-O a derramá-lo até a última gota. Como diz São Pedro: "Não fomos remidos com ouro e prata, mas sim com o sangue do Cordeiro Imaculado" ( 1 S. Pedro, I, 18); e São Paulo diz o mesmo: "Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai e trazei a Deus no vosso corpo" (1 Cor. VI, 20). E Jesus não só derramou seu sangue por uma única ferida, mas entregou seu corpo às mãos dos verdugos desumanos, que o puseram numa só chaga, dos pés à cabeça. Enfim, ao abrir-vos os Santos Evangelhos qual é a página que não fala do seu amor aos homens?! Em cada milagre encontramos uma prova dele.

E Nosso Senhor Jesus Cristo, amou-nos como ninguém! Já meditamos sobre o amor do Coração de Jesus ao instituir a Santíssima Eucaristia. Amou-nos e deu-Se a si mesmo por nós, sua carne, seu sangue, sua alma e sua Divindade. Foi por nosso amor que o Coração de Jesus quis ficar conosco na terra, para que n'Ele tivéssemos um amigo fiel, um pai amoroso, em cujos braços nos pudéssemos lançar na hora do abandono e da tribulação.

E assim como ficamos tristes em ver em muitos uma verdadeira homolatria! E para desagravar o Adorável Coração de Jesus exclamamos com São Paulo: "Seja anatematizado aquele que não amar a Nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Cor. XVI, 22).

Caríssimos, pensemos sempre neste amor infinito do Coração de Jesus por nós, pobres pecadores! Procuremos fazer como os Santos fizeram: passavam grande parte do dia com o Evangelho diante dos olhos, meditando nos padecimentos a que o divino Salvador se entregou por nosso amor.

O Coração de Jesus nos amou tanto que quis ficar conosco na Eucaristia. Quem ama gosta de receber em sua casa a pessoa amada. Jesus está no solidão dos templos, à nossa espera para abrirmos o coração diante d'Ele. E mais: Jesus nos ama tanto que, Ele o Senhor, está batendo à porta de nosso coração: "Meu filho, dá-me, teu coração" . E, se amarmos verdadeiramente a Jesus, não há como ficarmos insensíveis diante de um ternura e bondade infinitas! E quem é Ele, e quem sou eu?!

Caríssimos, diante desta fornalha de amor que é o Coração de Jesus, não é possível permanecermos com o coração gelado! Quem não ama a Jesus não se ama a si mesmo. Não amar a Jesus é amar ao mundo; não amar a Jesus é amar as criaturas; e amar o mundo e as criaturas é amar o que não tem valor, é preparar para si a ruína espiritual.


Então digamos de todo coração: "CORAÇÃO DE JESUS QUE TANTO NOS AMAIS, FAZEI QUE EU VOS AME CADA VEZ MAIS! Amém!

terça-feira, 25 de junho de 2019

O AMOR DIVINO DO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
25 dia de junho

Vimos como o amor humano do Coração de Jesus é imenso, inefável, admirável. Mas, caríssimos, o amor divino do Coração de Jesus é infinito, é eterno. É o amor com que o Coração de Jesus nos ama em sua Divindade. Toda compreensão desta verdade é dada pelo mistério da Encarnação. O Verbo podia e pode ainda dizer: "Eu vos amo pela minha Divindade com um amor comum às três Pessoas divinas, e vos amo pela minha Humanidade. Fui eu quem, em meu corpo e em minha alma humana, sofreu por vós, fui eu, Verbo Eterno quem orou por vós, quem mereceu por vós pela alma santa que tomei no dia de minha Encarnação. Hoje, na morada da glória, deleito meus fiéis pela graça de minha Humanidade e pela glória infinita de minha Divindade".

Em seu Filho, que é o espelho, o esplendor de sua substância, Seu Verbo, isto é, sua Palavra eterna,  Deus Pai sempre  nos viu. Amou-nos desde toda eternidade. Tudo em Deus é infinito, e, portanto, seu amor e sua bondade são infinitos. Deus nos ama desejando ver-nos felizes pela santidade, felizes da santidade que é fruto da virtude e do puro amor. Na verdade, ser virtuoso, ser santo, é amar a Deus, procurar a Deus, dirigir-se a Deus, e o termo da santidade é a posse de Deus. A graça santificante que Deus nos dá pelo santo Batismo outra coisa não é senão Deus dando-se à alma, vivendo nela, unindo-se a ela, em uma palavra, divinizando-a. Eis a explicação de tudo em duas frases bíblicas: "Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho" e "O Verbo se fez carne". E por que estes dois mistérios inefáveis? Para que Jesus Cristo, sendo Deus e Homem, pudesse nos salvar. Como Homem pôde sofrer e morrer por nós, e sendo Deus, pois, Jesus é uma Pessoa divina, é o Filho de Deus, deu aos seus sofrimentos e à sua Morte um valor infinito.

Mas por que Deus nos ama com esse ardor infinito? Em nós nada há que possa excitar tanto amor. As qualidades que temos, Deus no-las deu por amor. Amou-nos, portanto, antes destas qualidades, antes de todos os nossos atos. Na verdade, onde abundou em nós o pecado, Deus fez superabundar a graça. Supriu todas as nossas fraquezas e reparou todas as nossas loucuras. Tudo quanto Deus faz por nós é a mais gratuita das liberalidades.

Deus nos ama porque Ele é o Amor. Em relação às criaturas, o amor de Deus é livre; mas quão bem responde aos desejos de seu Coração! Na verdade, Deus sendo a própria Bondade, se compraz em amar: "Bonum est sui diffusivum". Levado por este amor infinito, Deus concede-nos os seus dons, dons sobrenaturais e divinos.

Mas Deus quer também ser amado. "Deus tem um tal desejo que O amemos, diz o autor espiritual Tauler, que desse amor parece depender a sua felicidade. Todas as criaturas são outras tantas vozes que nos convidam a amá-Lo. Tudo o que Ele fez, tudo o que ainda faz, Ele o fez ou faz para levar a alma a ouvir-Lhe as súplicas e a amá-Lo. Assim o menor ato de amor da mais miserável de suas criaturas O encanta mais que toda a magnificência de suas obras materiais, ou todo o esplendor dos astros, com que guarneceu o espaço. Parece não poder suportar a perda do nosso amor e todas as suas obras, quer na ordem da natureza, quer na da graça, são feitas para ganhar os nossos corações, e os mesmos castigos eternos, pelos quais pune as almas ingratas e obstinadas e os corações pertinazmente fechados ao amor, visam ainda levar outros corações a se abrirem ao amor de seu Coração. "Deus, diz ainda Tauler, é mais pronto em perdoar que um braseiro em consumir algumas palhas ou estopas lançadas nas chamas"; "Uma mãe, vendo queimar-se o seu filho, não corre mais pressurosa em seu auxílio do que Deus em auxílio do pecador".

Caríssimos, quão doloroso há de ser para o Coração amante de Jesus o excesso de tanta bondade sua, de uma parte, e de tamanha ingratidão de nossa parte! "Meus olhos, diz Deus pelo profeta, derramaram rios de lágrimas, porque não é observada a lei" (Salmo 118, 136). Se nos foi dado, através destas reflexões que venho fazendo neste mês sobre o amor do Coração de Jesus, compreender sua ternura e amor, caríssimos, devemos esforçar-nos por compensá-los pela nossa generosidade e fidelidade. Hoje, quando reina o indiferentismo religioso por falta de fé em Deus e de amor a Ele, hoje quando poucos amam verdadeiramente a Deus sobre todas as coisas, será um desagravo muito suave ao Coração de Jesus, o nosso amor ardente. Peçamos sempre: "Coração de Jesus, Homem-Deus, que tanto nos amais, fazei que Vos ame cada vez mais!" Amém!

  

segunda-feira, 24 de junho de 2019

AS PROMESSAS DO CORAÇÃO DE JESUS



LEITURA ESPIRITUAL
24º DIA

Através de Santa Margarida M. Alacoque Jesus fez doze promessas. Umas são relativas aos sacerdotes  e a todos os fiéis, e outras exclusivamente quanto aos ministérios que os sacerdotes exercem para a salvação das almas.

"Prometo-te, diz Jesus a Santa Margarida M. Alacoque,  que o meu Coração se abrirá, para derramar as suas bênçãos sobre quem o honrar e empregar o seu zelo em fazê-lo honrar". Caríssimos, estas palavras se referem a todos aqueles que glorificam o Sagrado Coração, e contribuem, quanto podem, para isso. "Se estais, diz Santa de Parays-le-Monial, em um abismo de fraqueza, de recaídas e misérias, recorrei ao Coração de Jesus, que é um abismo de misericórdia e de fortaleza. Se em vós descobris um orgulho desmesurado, perdei-vos nos aniquilamentos do Coração de Jesus. Não sei que haja exercício espiritual mais capaz de elevar depressa uma alma à mais alta perfeição".

E a Santa vidente do Coração de Jesus, diz ainda algo mais animador para os sacerdotes: "O meu Salvador deu-me a entender que aqueles que se empregam na salvação das almas, serão capazes de as comover e converter, se estiverem penetrados de uma terna devoção ao seu divino Coração". Nós sacerdotes, que muitas vezes excogitamos meios humanos para reanimar as almas, quem sabe até muitos achem que a solução é ter muito dinheiro para melhor organizar tudo na paróquia para mais atrair as pessoas. Chamo isso de "muletas". Mas os sacerdotes que têm sempre em mente como Jesus fez e mandou seus discípulos fazer, a realidade é muito outra. A solução está aqui indicada pelo que Jesus mesmo fez Santa Margarida Alacoque entender: os sacerdotes devem estar penetrados de uma terna devoção ao Coração de Jesus. Caríssimos colegas, que mais podemos desejar? Quereis abalar as consciências mais arraigadas no mal? O meio é este indicado pelo próprio Jesus!

Depois, se Deus quiser, meditaremos na 12ª Promessa do Sagrado Coração de Jesus, que é a das nove primeiras sextas-feiras. É um seguro para o Céu!

Devemos adorar o Sagrado Coração de Jesus no augustíssimo sacramento da Eucaristia, sacramento que nos recorda todos os prodígios da bondade de Jesus para conosco. Lamentamos que o amável Coração de Jesus seja tão pouco conhecido e consequentemente tão pouco amado e, o que é mais para lamentar, até mesmo pelos sacerdotes que receberam de Jesus esta missão honrosa e sublime de ganhar almas para o Coração de Jesus. Caríssimos colegas, que o Sacratíssimo Coração de Jesus seja e para sempre o nosso refúgio nas aflições, o nosso recurso nas dificuldades, a nossa esperança e fortaleza nos momentos de ansiedade e inquietação, em que a nossa alma fica quase a sucumbir à tristeza. Mas com o auxílio do Coração de Jesus, escaparemos aos perigos que ameaçam a nossa salvação, e contribuiremos eficazmente para a salvação de nossos irmãos. Devemos implorar a Jesus que Ele venha reproduzir em nós a Sua humildade, a Sua mansidão, o Seu zelo e todas as virtudes, pois o Coração de Jesus é o nosso modelo. Caríssimos sacerdotes, vamos procurar sempre dedicar ao Coração de Jesus, os nossos trabalhos sacerdotais, e nossos suores, as nossas penas e alegrias, enfim, a nossa vida e o fim da nossa vida. Amemos pois, e façamos amar o Coração que nos tem amado tanto. Amém!

sábado, 22 de junho de 2019

UNIÃO DO NOSSO CORAÇÃO AO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
22º dia de junho

Meditamos sobre a Comunhão, e logo pensamos na união do nosso coração ao Coração de Jesus.
Iniciemos nossa meditação com a belíssima explanação feita por S. João Eudes: "Jesus Filho de Deus e filho do homem... não sendo somente nosso Deus, nosso Salvador e soberano Senhor; mas mesmo, sendo nossa cabeça e nós os seus membros e seu corpo, diz S. Paulo, osso de seus ossos, e carne de sua carne (Ef 5, 30) e, por conseguinte, estando unidos a ele pela união mais íntima que possa existir, tal a dos membros à cabeça; unidos a ele espiritualmente pela fé e pela graça que nos deu no santo batismo; unidos a ele corporalmente pela união do seu santíssimo corpo com o nosso na santa Eucaristia, segue-se daí necessariamente que, como os membros são animados do espírito da cabeça e vivem de sua vida, assim também devemos estar animados do espírito de Jesus Cristo, viver de sua vida, caminhar em suas veredas, revestir-nos de seus sentimentos e inclinações, fazer todas as nossas ações nas disposições e intenções com que ele faz as suas, em uma palavra, continuar a realizar a vida, a religião e a devoção que ele exerceu sobre a terra" (Reinado de Jesus, parte II).

Realmente não pode existir união mais íntima, união significada por São Paulo em várias passagens: "Revesti-vos de Jesus Cristo" (Rom. XIII,14); "Revesti-vos do homem novo" (Ef. IV, 24); Animai-vos dos sentimentos que animam a Jesus Cristo" (Fil. II, 5)

Caríssimos, ouçamos a Santa Margarida Maria escrevendo a uma visitandina de Moulins: "É preciso, que nos consumamos todas nessa fornalha ardente do Sagrado Coração do nosso adorável Mestre... e depois de termos lançado o nosso coração, todo cheio de corrupções, nas chamas divinas do puro amor, aí devemos tomar um outro, novo, que nos faça viver para o futuro de uma vida renovada... é preciso que esse divino Coração de Jesus tome de tal modo o lugar do nosso, que só ele viva e atue em nós e por nós, que sua vontade mantenha a nossa por tal forma aniquilada, que possa agir sem resistência alguma da nossa parte; enfim, que seus afetos, pensamentos e desejos tomem o lugar dos nossos, mas principalmente o seu amor, que se amará a si mesmo em nós e por nós" (Obras, t. II, p. 468).

O mesmo ensina o Beato Padre Olier em sua belíssima oração tão conhecida, apreciada e rezada por muitos: "Ó Jesus, vivendo em Maria, vinde e vivei em nós, com o vosso espírito de santidade, na plenitude do vosso poder, na perfeição de vossas veredas, na verdade de vossas virtudes, na comunhão de vossos divinos mistérios; dominai em nós todas as forças inimigas, na virtude de vosso Espírito e para a glória de vosso Pai".

Que o Santíssimo Coração de Jesus reproduza no nosso pobre coração as suas virtudes: a humildade de sua Encarnação, a pobreza de seu nascimento, o recolhimento e retiro dos seus trinta anos de vida oculta, o zelo de sua vida pública, a generosidade de sua imolação e o fervor de suas orações. Deus Pai verá assim em nós, a imagem fiel, de seu divino Filho em quem pôs todas as suas complacências. Deus se comprazerá em ver o nosso coração tão unido ao Sacratíssimo Coração de seu Filho como um só coração, assim como a nossa vontade tão conformada a de Jesus como se visse só a de Seu Filho. Quão desejável esta íntima união nossa com Jesus! Pois assim o Pai verá o próprio Jesus cobrindo-nos, envolvendo-nos, escondendo-nos em si, Jesus animando-nos, movimentando-nos, agindo em nós e por nós.


Na verdade, Jesus ama cada um de nós com um amor inefável e esse amor faz com que Ele se mantenha unido a todos por uma união que deseja tornar cada vez mais estreita, cada vez mais perfeita. Devemos ver Jesus no nosso coração e o nosso coração no Coração de Jesus. Pela comunhão feita com todas as devidas disposições, é certo que somos transformados em Jesus, nossa vida é a vida de Jesus, nosso coração está transformado no Coração de Jesus e, como São Paulo, podemos dizer no momento bendito e inefável da sagrada comunhão: "Eu vivo, mas, na verdade, não sou eu quem vive, é Jesus quem vive em mim" (Gál. II, 20). Parafraseando: Meu coração bate, mas, na verdade, não é mais o meu, é o Coração de Jesus que bate em meu peito. Amém!

quarta-feira, 19 de junho de 2019

O CORAÇÃO DE JESUS E A SANTÍSSIMA TRINDADE

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
19º dia de junho

Estamos contemplando o adorável Coração de Jesus, vivo, palpitante sempre de amor por nós. Meditamos na bondade, ternura, misericórdia e amor do coração de Jesus vivo em sua vida oculta e em sua vida pública, na sua Paixão e Morte e finalmente o adoramos à destra do Eterno Pai após a sua Ascensão. Lá está sempre a interceder por nós, como diz São Paulo. Jesus saiu do Pai e voltou para o Pai. E de lá enviou o Divino Espírito Santo. Assiste a Sua Santa Igreja e mora nas almas em estado de graça. Trabalha sempre no sentido de nos santificar.

A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade é o Filho de Deus. A Terceira Pessoa é o Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, amor substancial, eterno, infinito e pessoal como o Pai e o Filho.

Explica o Símbolo Atanasiano: II. "O Pai não foi feito por ninguém, nem criado, nem gerado. O filho é só do Pai; não feito, não criado, mas gerado. O Espírito Santo é do Pai, e do Filho; não feito, não criado, não gerado, mas procedente. Há, pois, um só Pai, não três Pais; um só Filho, não três Filhos; um só Espírito Santo, não três Espíritos Santos. E nesta Trindade nada existe de anterior ou posterior, nada de maior ou menor; mas todas as três pessoas são coeternas e iguais umas às outras; de sorte que, em tudo, como acima ficou dito, deve ser venerada a unidade na Trindade, e a Trindade na unidade. Quem quer, portanto, salvar-se, assim deve crer a respeito da Santíssima Trindade".

Podemos resumir assim: O Pai, na infinita perfeição da divina natureza, se vê na infinita intelecção do Filho, ou seja do Verbo, e o Pai e o Filho se amam no infinito amor do Espírito Santo.

Na Teologia dizemos que Jesus Cristo é a imagem consubstancial ao Pai Eterno. É a imagem da substância divina e podemos dizer outrossim que o Filho de Deus é a imagem da bondade do Pai. Trata-se aqui também de uma verdade dogmática. Jesus disse ao doutor da Lei que O chamava de Bom: "Ninguém é bom a não ser Deus", só Deus é Bom. Logo o Filho de Deus é a imagem infinita da bondade do Pai Eterno. Santo Tomás de Aquino explica que Deus é metafisicamente bom, porque tem em sua própria essência as razões de sua própria existência e, nele, essência e existência distintas em todos os outros seres, são uma e a mesma coisa. Deus é metafísica e fisicamente bom. É metafisicamente bom porque possui todas as qualidades que são próprias à plenitude da sua natureza. Deus é fisicamente bom, porque sendo eterno e infinito, nada pode faltar à sua plenitude. Devemos dizer que Deus é a bondade metafísica, a bondade física e a bondade moral, no sentido eterno e absoluto. Deus é a própria Bondade.  Sendo Jesus Cristo o Filho de Deus, é a imagem consubstancial ao Pai. Isto quer dizer que Jesus é a imagem do Pai na mesma unidade substancial, embora Pessoa distinta. Ora, imagem consubstancial da bondade de Deus é a própria bondade. Logo, Jesus, o Filho de Deus, é infinitamente bom.

Caríssimos, vede onde queremos chegar com estas explicações teológicas e filosóficas: Se Deus é a própria Bondade e o Filho tem a mesma natureza do Pai, logo o Filho de Deus é também a própria Bondade. Mas a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade uniu-se á natureza humana, e assim devemos dizer que o Filho de Deus ungiu o seu coração humano com a sua bondade divina. Longino que abriu o lado de Jesus, fê-lo com certeza inspirado pelo próprio divino Mestre. O Coração aberto de Jesus, eis a porta por onde a bondade divina pudesse se manifestar em uma torrente de água viva que se precipitou sobre a humanidade.

Para glória de sua bondade infinita, o Coração de Jesus operou uma nova criação, muito mais maravilhosa que a primeira, ou seja a salvação dos homens. "Amou-me e se entregou a si mesmo por mim". Amém!

sábado, 15 de junho de 2019

O CORAÇÃO DE JESUS NA INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
15º dia de junho

Contemplemos o amabilíssimo Coração de Jesus na instituição deste adorável Sacramento. Foi um momento extremamente solene, pois, foi na véspera de Sua Paixão e Morte. Jesus Cristo celebrava a última Páscoa com os seus discípulos no Cenáculo. Poucos momentos antes das cenas dolorosas da sua Paixão. Dentro de algumas horas irá morrer numa Cruz. Como já por várias vezes havia predito, depois ressuscitaria e passados ainda quarenta dias aqui na terra subiria ao Céu para voltar a terra no dia do fim do mundo, para julgar publicamente todos os vivos e os mortos, isto é, os bons e os maus. Então quais teriam sido os sentimentos do Coração de Jesus? Sua atitude será de uma infinita ternura; seu Coração bate com força, com o impulso, um surto de inefável amor: seus lábios revelarão a caridade que arde grandemente em seu Coração: "Desejei ardentemente celebrar esta Páscoa convosco", dirige-se aos seus Apóstolos. Não os quer deixar órfãos. Tomou o pão em sua sacrossantas mãos e disse: "Tomai e comei, isto é o meu Corpo". Igualmente tomando o cálice com vinho em suas mãos disse: "Tomai e bebei, este é o meu Sangue... Fazei isto em memória de mim... Eu sou a vide e vós os sarmentos; o que está em Mim e eu nele, este terá muito fruto... Como o Pai me amou, assim também Eu vos amei. Permanecei no meu amor" (S. Lucas XV, 19 e 20; S. João XV, 4-9). E no mesmo instante em que Nosso Senhor Jesus Cristo pronunciou estas palavras: "Este é o meu Corpo; este é o meu Sangue", por virtude do seu poder infinito, converteu o pão que tinha em suas mãos nos seu sacratíssimo Corpo; e o vinho no seu Sangue. E pelas palavras que ajuntou a seguir: "Fazei isto em memória de mim", deu poder aos seus Apóstolos, e neles a todos os sacerdotes que lhes haviam de suceder no sagrado ministério, para realizarem em seu nome e por sua virtude a mesma conversão e transubstanciação eucarística, quando celebram a Santa Missa, e exatamente no momento da Consagração.

Assim, caríssimos, Jesus não nos deixou órfãos, sem amparo e sem alimento neste vale de lágrimas. Ele será o Emanuel, isto é, o Deus conosco. Sua carne e seu sangue serão o alimento de nossa almas. Ele permanecerá conosco, outrossim, para Ele mesmo ser o nosso amparo. Os pagãos inventavam inúmeros deuses, mas nunca ousavam imaginar sequer um deus que pudesse estar pertinho deles. O Coração adorável do Filho de Deus humanado quis, através da Santíssima Eucaristia, estar bem junto de nós. Ali no sacrário está portanto o nosso divino Salvador, real e verdadeiramente na Hóstia consagrada. Ali está para nos fazer companhia e ser todo o nosso consolo. É claro que está para receber o tributo de nossa adoração, mas também está para nos dizer: "Quem estiver aflito, acabrunhado, venha a mim e eu vos aliviarei". Que bondade inefável a do Coração de Jesus!!! Está sempre à nossa disposição, não é mister estar marcando audiência, pois está sempre disposto a ouvir as nossas súplicas, acolher as nossas aflições e ser, na santa Comunhão, alimento e vida da nossa alma.  Vede, caríssimos, que grande amor nos manifesta o Coração de Jesus na Eucaristia.

Terminemos esta nossa leitura espiritual com as reflexões de São Francisco de Sales: "Em nenhuma outra ação se pode considerar Jesus Cristo nem mais terno nem mais amante que na Santa Eucaristia, na qual se reduz, por assim dizer, e se converte paar nós num manjar deleitoso, para entrar nas nossas almas e unir-se estreitamente ao coração dos seus filhos".Amém!


terça-feira, 11 de junho de 2019

O CORAÇÃO DE JESUS E A SEXTA BEM-AVENTURANÇA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
11º dia

"Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus".

Primeiramente é necessário entender bem o que vem a ser os puros de coração. É evidente que "coração" aqui é tomado no sentido figurado ou metafórico. Puros de coração são aqueles que chegam a ter puras as três potências da alma: inteligência, memória e vontade. Quando se tira destas três potências tudo que no seu gênero as torna menos puras, ou menos sinceras, então podemos dizer que o coração é puro. A inteligência deve ser depurada de toda doutrina falsa, de todos os maus juízos. A memória deve ser purificada esquecendo tudo aquilo que, recordando, afasta a alma de Deus. A vontade deverá purificar-se não só das culpas, mesmo leves, mas também do afeto a elas. Além disso, devem ser banidas as intenções não retas de agradar a outrem que não a Deus só; devem ser rejeitados os prazeres carnais, os apetites do corpo, e finalmente, os movimentos inadvertidos que os sentidos rebeldes estão prontos a depreciar. A Sagrada Escritura diz: "Purifiquemo-nos de toda imundície da carne e do espírito, levando a bom termo a obra de nossa santificação no temor de Deus" (2 Cor. VII, 1). Mas alguém pode objetar o que diz o Espírito Santo: "Quem pode dizer: o meu coração esta sem mancha?" Certamente, mas também ninguém neste mundo pode chegar a amar a Deus de todo o seu coração, e todavia todos temos este mandamento: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração" (S. Mateus, XXII, 37). Também ninguém pode chegar a ter a perfeição de Deus, e no entanto, Jesus disse: "Sede perfeitos como vosso Pai do Céu é perfeito". Nosso Senhor coloca diante de nossos olhos um ideal verdadeiramente inatingível, para a gente se esforçar por avançar o mais que puder: "Quem é santo, santifique-se ainda, quem é justo justifique-se ainda" (Apocalipse XXII, 11)   Assim, quanto mais nos aproximarmos da pureza infinita que é Deus, mais seremos bem-aventurados e melhor veremos a Deus.

Por isso esta pureza de coração, isto é, no intelecto, na memória e na vontade, é sinal imediato de predestinação. É de fé que o homem peregrino e viajor neste vale de lágrimas não pode ver a Deus, senão imperfeitamente, como num enigma: "O homem não pode ver-Me e ficar vivo" (Êxodo XXXIII, 20). A plenitude da visão de Deus só se gozará toda no céu. E é neste sentido que Jesus Cristo proclamou esta sexta bem-aventurança: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus". Até o verbo no futuro - verão - é um indicativo disto.

E como chegar a consecução desta pureza que habilita a pessoa a ver a Deus? A limpeza do coração se faz com o exame frequente do mal cometido e com o arrependimento e propósito firme e eficaz. Depois é mister fazer obras de penitência ou satisfação. Finalmente, aproximar-se com estas devidas disposições, dos sacramentos da confissão e da comunhão. É óbvio que tudo isto será valioso com a fé, segundo diz São Paulo: "A fé que purifica seus corações" (Atos, XV, 9). O mérito da fé consiste em crer firmemente no que não se vê, assim a sua recompensa correspondente será ver claramente aquilo em que se creu firmemente.

Ficando o homem bem disposto com as bem-aventuranças precedentes, estará preparado para aproximar-se de Deus. Jesus exigindo a pureza como condição para merecer ver a Deus, está advertindo que não basta ter o coração terno. É preciso também tê-lo puro. É necessária diante de Deus uma plena pureza interior, e não somente uma pureza de superfície qual era a dos fariseus.  Mas já não foi citado Tobias, XII, 9: "A esmola purifica dos pecados"? Sim! Mas uma coisa é fazer esmola para alcançar de Deus a graça de sair do pecado, outra coisa bem diferente, é fazê-la com o fim de permanecer na lama até o fim e depois pretender salvar-se. Isso significaria que a pessoa com a esmola estivesse querendo fomentar a vida de pecado.

O dom da inteligência corresponde a esta bem-aventurança. Se o homem animal não pode compreender as coisas de Deus, o homem puro de coração, ao contrário, recebe de Deus uma luz especial sobretudo para entender bem as Sagradas Escrituras e dar-lhe a legítima interpretação. O Espírito Santo não quer infundir o sentido das Escrituras em um coração impuro. Daí vemos que os santos doutores da Igreja, se distinguiam por uma grande pureza e ao mesmo tempo tinham um dom todo especial para entender os textos sagrados. Amém!


segunda-feira, 10 de junho de 2019

O CORAÇÃO DE JESUS E A QUINTA BEM-AVENTURANÇA


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
10º dia de junho

"Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (S. Mat. V, 7).

Santo Agostinho no seu livro "De Civitate Dei, livro 9, c. 5 diz: "A misericórdia é a compaixão de nosso coração da miséria dos outros, pela qual nós somos levados para onde podemos, a servir de socorro". Portanto, quem não pode praticar algum gênero de misericórdia, está incluído também nesta bem-aventurança, porque pode realmente ter o coração bem disposto neste sentido. A misericórdia inclui, pois, uma vontade pronta de socorrer os necessitados, mas somente podendo-o. Aconselhava o velho santo Tobias ao seu filho: "Sê misericordioso, quanto puderes. Se tens muito, dá muito. Se tens pouco, dá pouco. E assim acumularás para ti grande recompensa para o dia da necessidade" (Tobias, IV, 8-10). Quem, podendo-o, não usa de misericórdia, já não é mais misericordioso, porque a misericórdia, quando pode, não deve limitar-se a palavras de compaixão ou de pena, mas deve ir aos fatos. É o que ensina São Tiago: "Se um irmão ou uma irmã estiverem sem o necessário para se vestir e precisarem do alimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos - porém não lhe der as coisas necessárias ao corpo, de que lhes aproveitará? (Tiago, II, 15 e 16).

Para se chegar à santidade é necessário praticar as virtudes com heroísmo e, assim, acontece com a misericórdia. É mister que ela se estenda também aos inimigos, que seja praticada sem nenhum interesse. Neste sentido diz a Sagrada Escritura: "Se teu inimigo tem fome, dá-lhe de comer; se tem sede, dá-lhe de beber" (Rom. XII, 20); e "Quando fizeres um banquete, chama os pobres, os aleijados, os coxo, e serás feliz, porque não têm nada com que te pagar" (S. Lucas XIV, 13).

Assim a misericórdia verdadeira, garante-nos o Céu, é sinal de predestinação.  Jesus Cristo diz: "alcançarão misericórdia": a misericórdia da parte dos homens, mas esta é tão imperfeita, tão incerta, que não faz ninguém bem-aventurado. A misericórdia que o próprio Deus usa com os que forem misericordiosos, esta sim faz o homem bem-aventurado, porque é aquela que concede ao homem a maior felicidade, isto é, o morrer na graça de Deus. Deus dá ao pecador que usa de misericórdia heroica, a graça de abandonar em tempo o pecado e a de ficar livre dele até a morte: "Dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro, porque a esmola livra da morte, é a que apaga os pecados e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna" (Tobias, XII, 8 e 9). As obras de misericórdia podem apagar diretamente pecados veniais, e, quanto aos mortais, indiretamente livra deles o pecador misericordioso, enquanto em atenção às obras de misericórdia, Deus lhes concede a graça de um arrependimento perfeito acompanhado do desejo da confissão, ou dá-lhe o arrependimento imperfeito acompanhado da graça do sacramento. Jesus Cristo falando do Juízo Universal, diz que vai dar a sentença eterna de salvação aos que tiverem praticado as obras de misericórdia. Não diz que olhará diretamente para as outras virtudes como: a castidade, a obediência, a humildade, a mortificação ou até o martírio. A explicação não é que os eleitos devam no Paraíso se premiados mais pelas obras de misericórdia do que pela prática das outras virtudes, mas porque por meio destas obras aconteceu que eles dispuseram mais facilmente Deus para lhes dar a graça de ser castos, obedientes, humildes, mortificados e finalmente alcançar a graça sublime do martírio. Em poucas palavras: as obras de misericórdia são como a raiz da qual brotaram tantos frutos. E se a esmola faz encontrar misericórdia, a subtração dela faz que não seja encontrada: "Pela sua celerada avareza irritei-me e o feri-o; escondi dele a minha face, indignei-me e ele foi-se andando vagabundo pelo caminho do seu coração" (Isaías, 58, 17).

Caríssimos, devemos esforçarmo-nos por merecer estar na lista magnífica daqueles que Jesus Cristo chama "bem-aventurados", porque são misericordiosos. Para tanto, devemos ir além da obrigação de nosso estado, além do que nos sobra como supérfluo, e, como acima ficou dito, sem nenhum interesse, e incluir também os inimigos.

O profeta Daniel disse ao rei Nabucodonosor: "Por isso, ó rei, aceita o meu conselho: redime com esmolas os teus pecados" (Daniel, IV, 24).


Esta bem-aventurança está ligada ao dom do conselho. Não é verdadeiramente um bom conselho: dar a terra e ganhar o céu? Quem não segue este conselho é um INSENSATO: "Insensato, nesta mesma noite te será pedida a tua alma: e o que preparaste, de quem será?" (São Lucas XII, 20). Assim, procuremos combater qualquer espírito de avareza e sejamos misericordiosos. Amém!

segunda-feira, 3 de junho de 2019

O CORAÇÃO DE JESUS EM NAZARÉ


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
3º dia de junho

Diz-nos o Evangelho que, depois de ter sido encontrado no Templo, Jesus voltou a Nazaré com Sua Mãe e São José, e ali permaneceu até à idade de trinta anos. E São Lucas resume todo este período nestas simples palavras: "E era-lhes submisso" (S. Lucas, II, 1). Assim, Aquele que é Sabedoria eterna quis passar trinta anos no silêncio e na obscuridade, na obediência e no trabalho.

São João Evangelista é considerado ditoso em ter recostado seu rosto sobre o peito de Jesus Cristo, de onde percebeu as batidas daquele Coração adorável. Que felicidade para o Coração de Maria Santíssima permanecer por trinta anos junto ao Coração adorável de seu Filho, que é o Filho de Deus feito homem por meio dela! Do Coração Imaculado de Maria é que saiu o sangue que jorra no Coração de Jesus!

Santa Isabel, repleta do Espírito Santo, chamou a Maria, Mãe do seu Senhor, bendita entre todas as mulheres, bem-aventurada porque acreditou. Nossa Senhora tinha certeza absoluta que o seu Filho é o Filho do Altíssimo. E assim podemos imaginar o doce enlevo com que conversou na intimidade daquela pequena e pobre casa de Nazaré com o seu Jesus. Que união daqueles dois corações!!!... Foi algo inefável que certamente, arrebatou em êxtases os próprios Anjos e todo Paraíso!

Ali em Nazaré, "a flor de Galileia", a "gentil rosa branca", como a chama São Jerônimo, decorreram calmamente os anos da adolescência e da juventude de Jesus Cristo. Quão afável, quão amável aquele Coração divino, nestas etapas de sua vida. Ali, "crescia e se fortalecia, cheio de sabedoria, e a graça de Deus estava n'Ele" (S. Lucas, II, 21). Ali levava uma vida exteriormente comum e podemos dizer até vulgar, porém aos olhos de Deus inteiramente extraordinária, celestial e divina pela puríssima intenção, a altíssima perfeição com que praticava todas as suas obras e virtudes. Evidentemente que não conheceu a ociosidade. A oração, a obediência, o trabalho foram as características da sua vida nestes quase trinta anos de permanência em Nazaré. Contemplemos o Coração de Jesus em Nazaré junto de Sua Mãe Santíssima: com que alegria no coração ao poder estar submisso a Ela. Pois o próprio Espírito Santo inspira São Lucas para colocar em relevo este detalhe: "Era-lhes submisso".

Podemos supor com justeza que, a maior parte do dia, Jesus passava com os seus Pais, constituindo o encanto e a felicidade deles. Com eles recitava os Salmos, e juntos oravam pela salvação do povo. Oh amabilíssima Trindade da terra! Os três corações mais puros e amáveis que existiram e é impossível existir outros iguais. Quanto ao Coração de Jesus, nele habita toda plenitude da Divindade, é o mais amável e o único digno de adoração. O de Nossa Senhora é o mais puro possível sobre a face da terra, é Imaculado; em uma palavra: é o Coração da Mãe de Deus. Não é preciso dizer mais nada, toda língua se cale. Quanto ao coração de S. José, sabemos pelo Espírito Santo, que é o coração dum justo.

Caríssimos, quem não amará Jesus, ao contemplá-Lo nesta época da sua vida em Nazaré, tão simples, tão bom, tão humilde, tão obediente, tão diligente, tão puro, tão modesto, tão religioso, tão belo... numa palavra tão amável? Ó dulcíssimo Coração de Jesus fazei que as crianças, os adolescentes e os jovens amem de verdade o Vosso adorável Coração!


Já tinha terminado e escrito Amém quando me veio um pensamento: Os infelizes Protestantes devem ficar embaraçados em pensar que Jesus Cristo só pregou durante três anos, e em companhia de Sua Mãe permaneceu trinta anos. Com certeza pensariam em protestar aqui também, mas preferem não tocar neste ponto. Não será isto dureza de coração sobretudo naqueles que dizem que Maria era uma mulher como as outras, enquanto a Bíblia diz que ela é cheia de graça e bendita entre todas as mulheres? Rezemos para que os protestantes se convertam. Amém!

sábado, 1 de junho de 2019

COMO É AMÁVEL O CORAÇÃO DE JESUS!


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
1º dia de junho

Caríssimos, é impossível saber quem é Jesus Cristo e não amá-lo de todo coração! O Símbolo Atanasiano explica de maneira completa e simples: "Esta é a fé reta: Crer e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e Homem. É Deus formado da substância do Pai antes de todos os séculos, e é Homem nascido no tempo da substância de uma Mãe. Perfeito Deus e perfeito Homem, composto de alma racional e de carne humana. Igual ao Pai, segundo a Divindade; menos que o Pai segundo a Humanidade. E embora seja Deus e Homem, não são dois, mas um só Cristo".

Meditemos nas sublimes palavras com que o Apóstolo São João inicia o seu evangelho: "No princípio já existia o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus" e mais em baixo diz: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós. E nós vimos a sua glória, glória qual corresponde ao Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade".

São João sobe, qual águia, e vai até a geração eterna do Verbo. "No princípio",diz Santo Agostinho, significa  "antes de todas as coisas". "Verbo" quer dizer "palavra".  O Evangelista do amor não só proclama com toda clareza a divindade de Cristo, mas também a união da natureza divina com a natureza humana na única pessoa divina do Verbo: "E o Verbo se fez carne".  Fica claro outrossim, diz Santo Agostinho,  que o Verbo não é criado, pois por Ele foram feitas todas as coisas: "Todas as coisas foram feitas por Ele" (S. João, I, 3).

E assim com grande firmeza de espírito, com grande amor e júbilo proclamamos: Jesus Cristo Nosso Salvador é Deus e Homem juntamente. E assim: como Deus tem em Si todas as perfeições e atributos da Divindade. Jesus é o Ser infinito, é a própria Bondade, a divina Beleza, o sumo Poder, a Justiça e a Misericórdia infinita. Em poucas palavras: Nosso Senhor Jesus Cristo é o Infinito Amor, a Infinita Santidade. Daí concluímos: Nosso Senhor Jesus Cristo é digno de ser infinitamente amado! Jesus Cristo, sendo Deus é infinito, e, portanto, não temos capacidade de amá-Lo como realmente merece. E a conclusão lógica é esta: a medida de amar a Jesus é amá-Lo sem medida, é amá-Lo acima de todas as coisas. Neste vale de lágrimas, o nosso maior consolo é procurar amar a Jesus sempre mais, cada dia mais e mais e suspirar por contemplá-Lo no Céu.

E como Homem? É o mais perfeito e o mais amável de todos os homens. O próprio Espírito Santo assim fala através do Profeta e Rei Davi: "És o mais belo que todos os filhos dos homens; vê-se a graça derramada em teus lábios; por isso Deus te abençoou para sempre" (Salmo 44, 3). Caríssimos, na formosura de Jesus, nada havia de mole ou efeminado que lisonjeasse os sentidos, no sentido que os mundanos julgam. Pelo contrário, o seu semblante  e todo o seu porte exalava inocência e pureza mais que angelical. Era a sua formosura de ordem superior, não meramente humana; era, em uma palavra, uma formosura digna do Homem-Deus. Sua Pessoa que era a mesma Pessoa do Filho de Deus, exalava um encanto  indescritível: as suas belas feições, viris, sim, porém cheias ao mesmo tempo de delicadeza, que inspiravam  simpatia e, simultaneamente, respeito. Poderia acaso haver voz mais sonora e modesta? A sua conversação e os seus modos afáveis, repletos de nobreza e cortesia; os seus movimentos e gestos, acompanhados de gravidade, de naturalidade. Enfim, todo seu semblante era nobre, digno, sacerdotal, majestoso, divinamente humano e humanamente divino, se assim podemos nos expressar.


Mas, caríssimos, há no corpo adorável de Jesus, uma parte que merece, já por si mesma, já pelo simbolismo, que façamos dela uma menção especial: é o seu CORAÇÃO AMABILÍSSIMO. É dele que vamos, com a graça de Deus, falar mais especificamente durante este mês. Amém!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

O SACERDOTE É O AMOR DO CORAÇÃO DE JESUS


Catecismo do Santo Cura d'Ars sobre o Sacerdócio

   Meus filhos, chegamos ao sacramento da Ordem. É um sacramento que parece não dizer respeito a ninguém dentre vós, e que diz respeito a toda gente. Esse sacramento eleva o homem até a Deus. Que é o sacerdote? Um homem que ocupa o lugar de Deus, um homem que é revestido de todos os poderes de Deus. "Ide, diz Nosso Senhor ao sacerdote, assim como meu Pai me enviou, assim eu vos envio... Todo poder me foi dado no céu e na terra. Ide, pois, instruí todas as nações... Quem vos escuta a mim escuta; quem vos despreza a mim despreza".
   Quando o padre perdoa os pecados, não diz: "Deus te perdoe". Diz: "Eu vos absolvo". Na consagração, ele não diz: "Isto é o corpo de Nosso Senhor". Diz: "Isto é o meu corpo".
   São Bernardo diz que tudo veio por Maria. Podemos dizer também que tudo nos veio pelo sacerdote: sim, todas as venturas, todas as graças, todos os dons celestes.
   Se não tivéssemos o sacramento da Ordem, não teríamos Nosso Senhor. Quem foi que o pôs aí neste tabernáculo? Foi o padre. Quem foi que recebeu vossa alma à entrada na vida? O padre. Quem a alimenta para lhe dar a força de fazer a sua peregrinação? O padre. Quem a prepara para comparecer perante Deus, lavando essa alma pela primeira vez no sangue de Jesus Cristo? O padre, sempre o padre. E se essa alma vier a morrer, quem a ressuscitará? Quem lhe restituirá a calma e a paz? Ainda o padre. Nos vos podeis lembrar de um só benefício de Deus sem encontrardes, ao lado dessa lembrança, a imagem do padre.
   Ide-vos confessar à Santíssima Virgem ou a um anjo: eles vos absolverão? Não. Dar-vos-ão o corpo e o sangue de Nosso Senhor? Não. A Santíssima Virgem não pode fazer descer seu divino Filho à hóstia. Tivésseis aí duzentos anjos, e eles não poderiam absolver-vos. Um padre, por mais simples que seja, pode-o; pode dizer-vos: "Ide em paz, eu vos perdôo". Oh! como o padre é alguma coisa de grande!
   O padre só será bem compreendido no céu... Se o compreendêssemos na terra, morreríamos, não de pavor, mas de amor...
   Os outros benefícios de Deus de nada nos serviriam sem o padre. De que serviria uma casa cheia de ouro, se não tivésseis ninguém para vos abrir a porta? O padre tem as chaves dos tesouros celestes; é ele quem abre a porta; ele é o ecônomo de Deus, o administrador dos seus bens.
   Se não fosse o padre, a morte e a paixão de Nosso Senhor de nada serviriam. Vede os povos selvagens: de que lhes serviu que Nosso senhor morresse? Ai! eles não poderão ter parte nos benefícios da redenção enquanto não tiverem padres para lhes fazerem a aplicação do seu sangue.
   O padre não é padre para si; não dá a si a absolvição, não administra a si os sacramentos. Ele não é para si, é para vós.
   Depois de Deus o sacerdote é tudo!... Deixai uma paróquia vinte anos sem padre, adorarão ali os animais.
   Se o senhor missionário e eu fôssemos embora, vós diríeis: "Que fazer nesta igreja? Não há mais missa. Nosso Senhor não está mais nela, tanto vale rezar em casa..."
   Quando se quer destruir a religião, começa-se por atacar o padre, porque onde quer que não haja mais padre, não há mais sacrifício, e onde não há mais sacrifício, não há mais religião.
   Quando um sino vos chama à igreja, se vos perguntassem: "Onde ides?" Poderíeis responder: "Vou alimentar minha alma". Se vos perguntassem, mostrando -vos o tabernáculo: "Que é essa porta dourada? É a copa: é o guarda-comida de minha alma. Quem é que tem a chave dele, quem faz as provisões, quem apronta o festim, quem serve à mesa? É o padre. - E a comida? - É o precioso Corpo de Nosso Senhor..." Ó meu Deus, meu Deus, como nos amastes!
   Vede o poder do padre! A língua do padre, de um pedaço de pão faz um Deus! É mais que criar o mundo. Alguém dizia: "Santa Filomena obedece então ao Cura d'Ars? Certo, ela bem pode obedecer-lhe, já que Deus lhe obedece.
   Se eu encontrasse um padre e um anjo, cumprimentaria o padre antes de cortejar o anjo. Este é amigo de Deus, mas o padre faz as vezes de Deus... Santa Teresa beijava o lugar por onde um padre havia passado...
   Quando virdes um padre, deveis dizer: "Eis aquele que me tornou filho de Deus e me abriu o céu pelo santo batismo, aquele que me purificou depois do meu pecado, que dá a comida a minha alma..." À vista dum campanário, podeis dizer: "Que há ali? - O corpo de Nosso Senhor. - E por que está ele ali? - Porque um padre passou por ali e disse missa".
   Que alegria tinham os apóstolos depois da ressurreição de Nosso Senhor, por verem o Mestre que tanto haviam amado! O padre deve ter a mesma alegria vendo Nosso Senhor que ele segura nas mãos...  Dá-se grande valor aos objetos que foram depositados na escudela da Santíssima Virgem e do Menino Jesus em Loreto. Mas os dedos do padre, que tocaram a carne adorável de Jesus Cristo, que mergulharam no cálice onde esteve o seu sangue, no cibório onde esteve o seu corpo, não são porventura mais preciosos?...
   O sacerdote é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo.

domingo, 25 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS E O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
25º dia de junho

Somos não apenas imperfeitos, mas pecadores. E a missão principal de Jesus consiste precisamente em libertar-nos do pecado. São João Batista apontou a Jesus às margens do Jordão e disse: "Eis o Cordeiro de Deus, eis Aquele que tira os pecados do mundo". Jesus Cristo não veio apenas cobrir os nossos pecados. Isto é blasfêmia proferida por Lutero. Segundo o heresiarca, Jesus teria feito uma obra não de purificação interna através do Seu Sangue. E no entanto diz o Apocalipse: "Nos amou (Jesus Cristo) e nos lavou dos nossos pecados nos seu sangue" (Apoc. I, 5). Mas como o Coração de Jesus pleno de amor e misericórdia, aplica o preço infinito de seu Sangue derramado em sua Paixão e Morte e até a última gota através da abertura da lança feita em seu Coração já morto mas sempre unido à Divindade? Para apagar os nossos pecados, Jesus derrama sobre nós o seu sangue através do Sacramento da Penitência.  E aqui está a obra-prima da misericórdia do Coração de Jesus. Como a Santíssima Eucaristia, também o Sacramento da Confissão merece ser chamado o mistério do amor, o Sacramento do Coração de Jesus. É o mistério do amor indulgente até o ponto de esquecer a si mesmo.

Para aquilatarmos até onde vai a misericórdia do Coração de Jesus no Sacramento da Penitência, meditemos sobre o que aconteceu com os Anjos. Foram salvos do pecado por uma graça de preservação e os que foram infiéis a ela foram atingidos à primeira rebelião, sem esperança de perdão. Foi criado imediatamente o inferno, e os anjos maus foram os primeiros condenados a ele, à esta prisão eterna de tormentos. Entretanto, o homem, na verdade mais fraco e mutável, será objeto de uma conduta diversa da parte de Deus: o homem não se tornou impecável após o seu primeiro ato meritório e também não será atingido inexoravelmente após à sua primeira queda.

O homem terá que lutar contra o pecado durante toda sua vida, a todo instante e a todo instante poderá ser vencido, porque o Sacramento do Batismo elimina o pecado original mas não as suas consequências que é a concupiscência. O homem terá que merecer o céu neste campo de luta renhida e diuturna e até ao último suspiro. E nesta luta quantas quedas, quantas derrotas! Estaríamos condenados. Mas graças ao Sacramento da Penitência, está em poder do pecador levantar-se das próprias quedas. Somente a infinita misericórdia do Coração de Jesus podia operar semelhantes maravilhas.

Com a graça de Deus, aprofundemos mais este mistério de misericórdia e também da onipotência divina. E a primeira maravilha operada pelo Coração de Jesus, no sacramento da Penitência é reconciliar o interesse da glória de Deus e o do homem pecador, a conservação da lei e a salvação do transgressor da lei, a reparação da culpa e a conservação do culpado. 

Mas uma objeção talvez aflore na mente de alguém: a facilidade do perdão não pode aumentar a facilidade de pecar? Caríssimos, dada esta misericórdia mal entendida que hoje está quase se tornando moda, acredito que o demônio possa se aproveitar disto. Pelo ensinamento tradicional, porém, a facilidade do perdão, é vista considerando a gravidade do pecado, tão infinitamente criminosa que o Pai Eterno entregou o seu Filho Unigênito à imolação mais ignominiosa e cruel. A nós Deus exige o arrependimento sincero e profundo e por conseguinte um propósito firme e eficaz de evitar as ocasiões, a obrigação de vigiar e rezar e de fazer penitência. Eis o que diz São Paulo: "Ou desprezaste as riquezas da sua bondade e paciência e longanimidade? Ignoras que a bondade de Deus te convida à penitência? Mas com a tua dureza e coração impenitente acumulas para ti um tesouro de ira no dia da ira e da manifestação do justo juízo de Deus, que há de dar a cada um segundo as suas obras" (Rom. II, 4-6). Assim, caríssimos, não nos aproximemos nunca do sacramento da Penitência sem meditar a dolorosa noite do Getsêmani, na qual o Coração de Jesus se sobrecarregou de todas a nossas iniquidades, iniquidades estas cuja expiação se tornou para nós tão fácil, mas oprimiram tão fortemente o Coração adorável de Jesus que um suor de sangue banhou todo o corpo do Salvador e inundou a terra. É o mesmo sangue que hoje é derramado sobre nós no momento da absolvição.


Esta tentação de minimizar o pecado e até tê-lo em conta de nada ou quase nada, será afastada pela meditação da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Contemplando a bondade e paciência do Coração de Jesus, façamos nossas confissões com arrependimento profundo dos nossos pecados e por eles façamos mais penitências além das que o confessor nos impõe no confessionário. Amém!

sábado, 24 de junho de 2017

O CORAÇÃO DE JESUS FALA AOS SACERDOTES

Caríssimos colegas no sacerdócio, imaginemos Jesus aparecendo a cada um de nós, como apareceu a Santa Margarida Maria Alacoque e dizendo-nos: "Eis aqui este Coração, que amou tanto os homens, e que por eles é tão pouco amado. Mas o que mais sinto, é que encontro ingratos até entre os meus ministros! Tu não podes mostrar-me maior amor do que fazendo o que já tantas vezes te pedi. Prometo-te, que o meu Coração se abrirá para derramar as suas bênçãos sobre os que o honrarem e empregarem o seu zelo em fazê-lo honrar".

   Caríssimos, meditemos nestas queixas do Sagrado Coração de Jesus. 

  "Eis aqui o Coração": Jesus no-lo oferece; é o seu. É a obra prima do Espírito Santo: "Nele habita corporalmente toda plenitude da divindade". É o órgão das mais nobres, das mais puras, das mais sublimes afeições. É o coração dos melhor dos pais, do mais sincero dos amigos. Sempre tão pronto a comover-se na presença dos que sofrem!

   "Que tanto amou os homens": Caríssimos, notai a palavra tanto. Sem dúvida que o Salvador dos homens os amou a todos, visto que morreu por todos. Mas até que ponto os amou? Quem o compreenderá? Quem o dirá? Lembremo-nos, por exemplo, do presépio, onde fez-se nosso irmão; do Cenáculo, onde fez-se nosso alimento; do Calvário onde foi o nosso resgate!...

   No céu, Jesus Cristo será a nossa recompensa! Um Deus  descendo dos resplendores da sua glória até às misérias da nossa humanidade, sujeitando-se a todas as humilhações, para nos elevar até ao seu trono, suportando todos os tormentos para nos alcançar uma suprema felicidade; um Deus fundando a Igreja, para nela estar sempre conosco, querendo que o seu corpo seja a nossa comida e o seu sangue seja a nossa bebida! Sendo poderosíssimo, não poderia dar mais!



   Caríssimos sacerdotes, se Jesus amou tanto os homens, que lugar ocupamos nós entre os que ele mais tem amado? Qual é o nosso ofício na Igreja, em que Ele reside, se oferece, e se nos dá? Que parte temos nós sacerdotes nos favores, que ele prodigaliza aos seus mais prezados amigos?

   'E que deles é tão pouco amado": Oh! que aflitiva palavra! Quantas almas desconhecem a generosa caridade do Coração de Jesus para com elas! Quantas outras a conhecem, sem que lha agradeçam! "Eu só recebo ingratidões da maior parte dos homens, sou abandonado, desprezado, insultado no sacramento do meu amor". Jesus procura consoladores, e não os encontra nem mesmo na classe sacerdotal, entre os que Ele distinguiu de todos os outros, com uma afeição incomparavelmente mais terna!

   "Mas o que mais sinto é que os meus ministros assim procedam comigo": Se eles não O amam, quem O amará? E contudo, quantos Sacerdotes dão ocasião a tão dolorosas queixas?! Sem falarmos dos que Lhe fazem uma guerra sacrílega com as profanações e os escândalos, quantos O tratam sem respeito, sem o amor verdadeiro? Enfastiam-se de Sua presença; celebram com tibieza; não têm tempo para conversar com Ele depois da Missa... Ó Jesus! quero confessá-lo, por mais que me custe: eu mereço cem vezes mais exprobrações que as que me dirigis. Humilho-me fazendo justiça: sou um dos ingratos de quem dizíeis: "Os outros limitam-se a ferir o meu corpo; mas estes ferem o meu Coração, que nunca deixou de amá-los".