sábado, 30 de junho de 2018

O CORAÇÃO DE JESUS NOS DÁ POR MÃE SUA PRÓPRIA MÃE


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
30º dia de junho

Não há corações mais intimamente unidos do que o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria. Afinal, o Coração de Jesus saiu do Coração de sua Mãe Santíssima. Foi  nela que o Espírito Santo operou o mistério inefável da Encarnação do Verbo Eterno de Deus. E Maria Santíssima não só nos trinta anos de vida oculta de seu Filho, esteve com todo carinho e amor junto d'Ele, mas também no primeiro milagre operado por Jesus e em muitas outras ocasiões. Mas especialmente, o seu Coração Imaculado estava junto do de seu Filho lá no Calvário.

Junto a Cruz Maria estava de pé. Nem a angústia do coração, nem as injúrias do povo, a crueldade dos algozes ou perigo da morte podiam apartá-la de Jesus, seu querido Filho. Seu coração estava pronto a morrer na presença de Jesus ou a assistir-Lhe na agonia. De todos os Apóstolos só o predileto de Jesus, São João Evangelista, estava ao lado de Maria Santíssima.

Ao ver a Virgem Mãe e o discípulo virgem, tão amados do Coração Divino, disse Jesus, olhando para a Mãe: "Mulher (que em hebraico significa Senhora), eis aí teu filho". Depois, dirigindo-Se ao discípulo, representante de todos nós, disse-lhe: "Eis aí tua Mãe". E desde esta hora o discípulo a tomou por Mãe; e depois levou-A para sua casa. (cf. Jo. XIX, 26 e s.).

Justamente quando os homens levavam ao auge a sua malícia, quando não cessavam de afligir o Coração de Jesus com injúrias, ele superabundou em amor e nos deu sua Mãe por Mãe Nossa. O Coração de Jesus instituíra no dia anterior à sua morte, a Santíssima Eucaristia, não nos querendo deixar órfãos. Mas também fez, momentos antes de morrer, o que nenhum humano pode fazer: deu-nos por Mãe a sua própria Mãe, a melhor de todas as mães.

Neste ato, o Coração de Jesus mostra, outrossim, o desvelo e cuidado por sua Mãe, provendo à honra e ao amor que lhe eram devidos. Jesus mostra que o Seu Coração e o Coração de sua Mãe Santíssima, devem ao mesmo tempo, ser conhecidos e juntamente amados.

Nós, pobres pecadores não podemos calcular toda grandeza e intensidade do amor do Coração de Maria por seu Filho e seu Deus. É algo inefável! Não há no céu e na terra criatura que prestasse tantas honras e dedicasse tanto amor a Jesus, quanto a sua Mãe Santíssima. A Santíssima Trindade empregou todo seu amor e poder em preparar aquele Coração de Mãe, com a capacidade de amar um Filho que é também o Filho do Altíssimo. Portanto, em parte alguma se poderia encontrar um coração que fosse tão unido e agradável ao Coração de Jesus qual foi o Coração Imaculado da Virgem Mãe.  Por outro lado, o Coração de Jesus quis e quer ver o Coração de sua Mãe, em toda parte e sempre, honrado e amado. O Coração de Jesus quer que, em qualquer parte do mundo, e até a consumação dos séculos, onde for adorado o Seu Coração, seja venerado de modo todo singular, o Coração Imaculado de Sua Mãe Santíssima.

Maria Santíssima compartilhando as dores de Jesus, nos adotou ao pé da cruz. Como nossa Mãe, devemos prestar-lhe honra todos os dias da nossa vida, lembrando-nos de quanto Ela sofreu com Jesus por nossa causa. Devemos reconhecer este grande dom do Coração agonizante de Jesus, ao dar-nos uma tal Mãe. Depois que Jesus se deu a si mesmo por nós na Eucaristia, quis dar-nos a sua Mãe para ser a nossa Mãe também. Assim, o Coração materno de Maria Santíssima transborda de singular afeto, compaixão, amor e solicitude pelos seus filhos.

O Coração de Maria, formado à semelhança do Coração de Jesus, a todos se acha aberto sob o dulcíssimo título de Coração materno. Por intermédio do Coração Imaculado de Maria seremos introduzidos no Coração de Jesus. Pois, pela Virgem Maria , Jesus Cristo veio aos homens e também por Ela, Deus quer que cheguemos até Jesus. Quaisquer graças que desejarmos obter de Nosso Senhor Jesus Cristo, devemos recomendá-las a Maria, nossa Mãe, para que ela, sendo Mãe de Deus e nossa, invoque em nosso favor o Coração Sacratíssimo de Jesus. Na verdade os direitos maternos que Nossa Senhora possuiu e exerceu na terra, não os perdeu no céu, onde, como Soberana de todos os anjos e santos, reina com Jesus, seu divino Filho.

Ao comparecer ao tribunal no Juízo teremos a dulcíssima consolação de ter por Advogada junto ao Juiz, sua Mãe e nossa Mãe! Esta Mãe, a quem o Juiz deu todo o poder sobre o seu Coração, intercederá ao seu Filho em favor dos seus outros filhos que somos nós seus devotos. Amém!


sexta-feira, 29 de junho de 2018

PEDRO, A PEDRA

PEDRO, A PEDRA  

                                                                                                                                                                 Dom Fernando Arêas Rifan*

            Depois de amanhã, e também no domingo próximo, celebraremos a solenidade de São Pedro, apóstolo escolhido por Jesus para ser seu vigário aqui na terra (“vigário”, o que faz as vezes de outro), seu representante e chefe da sua Igreja. São Pedro era pescador do lago de Genesaré ou Mar da Galiléia, junto com seu irmão, André, e seus amigos João e Tiago. Foi ali que Jesus o chamou: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. Eles, imediatamente, deixaram as redes e o seguiram” (Mt 4, 19-20).
            Pedro se chamava Simão. Jesus lhe mudou o nome, significando sua missão, como é habitual nas Escrituras: “Tu és Simão, filho de João. Tu te chamarás Cefas! (que quer dizer Pedro - pedra)” (Jo 1, 42). Quando Simão fez a profissão de Fé na divindade de Jesus, este lhe disse: “Não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as forças do inferno não poderão vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus (a Igreja): tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 13-19).
            Corajoso e com imenso amor pelo Senhor, sentiu também sua fraqueza humana, na ocasião da prisão de Jesus, na casa de Caifás, ao negar três vezes que o conhecia. “Simão, Simão! Satanás pediu permissão para peneirar-vos, como se faz com o trigo. Eu, porém, orei por ti, para que tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22, 31-32).  E Pedro, depois de ter chorado seu pecado, foi feito por Jesus o Pastor da sua Igreja. 
           São Pedro, fraco por ele mesmo, mas forte pela força que lhe deu Jesus, representa bem a Igreja de Cristo. Cremos na Igreja una, santa, católica e apostólica, edificada por Jesus Cristo sobre a pedra que é Pedro... Cremos que a Igreja, fundada por Cristo e pela qual Ele orou, é indefectivelmente una, na fé, no culto e no vínculo da comunhão hierárquica. Ela é santa, apesar de incluir pecadores no seu seio; pois em si mesma não goza de outra vida senão a vida da graça. Se realmente seus membros se alimentam dessa vida, se santificam; se dela se afastam, contraem pecados e impurezas espirituais, que impedem o brilho e a difusão de sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por esses pecados, tendo o poder de livrar deles a seus filhos, pelo Sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo” (Credo do Povo de Deus).
             “Enquanto Cristo ‘santo, inocente, imaculado’, não conheceu o pecado, e veio expiar unicamente os pecados do povo, a Igreja, que reúne em seu seio os pecadores, é ao mesmo tempo santa, e sempre necessitada de purificação.... A Igreja continua o seu peregrinar entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus, anunciando a paixão e a morte do Senhor, até que ele venha. No poder do Senhor ressuscitado encontra a força para vencer, na paciência e na caridade, as próprias aflições e dificuldades, internas e exteriores, e para revelar ao mundo, com fidelidade, embora entre sombras, o mistério de Cristo, até que no fim dos tempos ele se manifeste na plenitude de sua luz” (Lumen Gentium, 8).  

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

REVESTIR-SE DE JESUS CRISTO

LEITURA ESPIRITUAL
29º DIA

São João Eudes faz um belíssimo comentário destes conselhos do Apóstolo S. Paulo: "Revesti-vos de Jesus Cristo"  (Rom. XIII, 14); "Revesti-vos do homem novo" (Efésios IV, 24); "Animai-vos dos sentimentos que animam a Jesus Cristo" (Filipenses II, 5). Diz o Santo propagador da devoção ao Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria: "Jesus, Filho de Deus e Filho do Homem...  não sendo somente nosso Deus, nosso Salvador e soberano Senhor; mas mesmo, sendo nossa cabeça e nós os seus membros e seu corpo, diz S. Paulo, osso de seus ossos, e carne de sua carne (Ef. V. 30) e, por conseguinte, estando unidos a ele pela união mais íntima que possa existir, tal a dos membros à cabeça; unidos a ele espiritualmente pela fé e pela graça que nos deu no santo batismo; unidos a ele corporalmente pela união do seu santíssimo Corpo com o nosso na santa Eucaristia, segue-se daí necessariamente que, como os membros são animados do espírito da cabeça e vivem de sua vida, assim também devemos estar animados do espírito de Jesus Cristo, viver de sua vida, caminhar em suas veredas, revestir-nos de seus sentimentos e inclinações, fazer todas as nossas ações nas disposições e intenções com que Ele faz as suas, em uma palavra, continuar a realizar a vida, a religião e a devoção que Ele exerceu sobre a terra". E S. João Eudes apresenta vários textos das Sagradas Escrituras e comenta-os: "Não ouvis, diz o santo, aquele que é a própria verdade dizer em diversas passagens de seu Evangelho: "Eu sou a vida; e eu vim para que tivésseis a vida. Vós não quereis vir a mim a fim de ter a vida. Eu vivo e vós vivereis Nesse dia sabereis que eu estou em meu Pai e vós em mim e eu em vós" (S. João VI, 10; V, 40; XIV, 19 e 20). Isto é, assim como eu estou em meu Pai, vivendo da vida de meu Pai, a qual ele me vai comunicando, assim também vós estais em mim, vivendo da minha vida, e eu estou em vós, comunicando-vos essa mesma vida, e assim eu vivo em vós e vós vivereis comigo e em mim. E o discípulo bem-amado não nos clama também que Deus nos deu uma vida eterna e que essa vida está em seu Filho , e que aquele que tem em si o Filho de Deus tem a vida eterna e que essa vida está em seu Filho, e que aquele que tem em si o Filho de Deus tem a vida; e, ao contrário, aquele que não tem o Filho de Deus em si, não tem a vida (1 João V, 11 e 12); e que Deus nos enviou seu Filho ao mundo, a fim de que vivamos por ele (1 João IV, 9); e que estamos neste mundo como Jesus aqui esteve (Hebreus II, 17), isto é, que estamos em seu lugar e que devemos viver como ele mesmo viveu? E no Apocalipse, não nos anuncia que o esposo bem-amado de nossas almas, que é Jesus, vai sempre pregando e dizendo: "Vinde, vinde a mim e que aquele que tem sede venha e tome água da vida gratuitamente" (Apoc. XXII, 17), isto é, que venha e beba em mim a água da vida? ... (S. João VII, 37). E o que nos prega a cada instante o divino apóstolo S. Paulo, senão que estamos mortos e que a nossa vida está escondida com Cristo em Deus (Col. III, 3); que o Pai eterno nos vivificou com Jesus Cristo e em Jesus Cristo (Efésios II, 5); Col. II, 13), isto é, que não somente nos fez viver como seu Filho, porém em seu Filho, e da vida de seu Filho, e que devemos manifestar e fazer transparecer a vida de Jesus em nossos corpos (2 Cor. IV, 10 e 11), que Jesus Cristo é nossa vida (Col. III, 4)?... Em uma passagem, falando aos cristãos, diz que pede a Deus que os torne dignos de sua vocação (do seu chamado), que realize plenamente nesses cristãos todos os desígnios de sua bondade e da obra da fé, a fim de que o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo seja glorificado neles e eles em Jesus".

Caríssimos, como nos consola esta meditação!!! Estarmos cônscios da presença de Jesus em nós; tão unido a nós que a nossa vida é Ele mesmo, é Ele que trabalha, sofre em nós; Jesus é a Cabeça e nós os membros; somos um instrumento que Jesus mesmo deve pôr em movimento. Por nós mesmos não podemos nada de bom, mas se é Jesus que opera em mim, então, posso dizer com S. Paulo: "Tudo posso n'Aquele que me conforta!"

É preciso, dizia S. Margarida Maria a uma visitandina, que nos consumamos todas nessa fornalha ardente do Sagrado Coração do nosso adorável Mestre... e depois de termos lançado o nosso coração, todo cheio de corrupções, nas chamas divinas do puro amor, aí devemos tomar um outro, novo, que nos faça viver para o futuro de uma vida renovada... é preciso que esse divino Coração de Jesus tome de tal modo o lugar do nosso, que só ele viva e atue em nós e por nós, que sua vontade mantenha a nossa por tal forma aniquilada, que possa agir sem resistência alguma da nossa parte; enfim, que seus afetos, pensamentos e desejos tomem o lugar dos nossos, mas principalmente o seu amor, que se amará a  si mesmo em nós e por nós" (Obras, tomo II, p. 468).

Caríssimos, Jesus Cristo ama cada um de nós com um amor inefável e esse amor faz com que Ele se mantenha unido a todos por uma união que deseja tornar cada vez mais perfeita. Daí, devemos ver Jesus em nós mesmos e também no próximo (que d'Ele recebe ao menos graças atuais). É mister que vejamos Jesus em nós e vivamos intimamente unidos a Ele. É preciso que os nossos sentimentos sejam os de Jesus; devemos unir nossas intenções às Suas; as nossas orações ás Suas orações; nossos trabalhos e nossos sofrimentos aos seus trabelhos e aos Seus sofrimentos. Em uma palavra Jesus fará de nós um outro Jesus.

Um ramalhete espiritual que expressa perfeitamente esta doutrina, é esta sublime exclamação de S. Paulo: "VIVO, MAS NÃO SOU EU QUEM VIVE, É JESUS QUEM VIVE EM MIM!" Amém!

quinta-feira, 28 de junho de 2018

O AMOR DIVINO DO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
28 dia de junho

Vimos como o amor humano do Coração de Jesus é imenso, inefável, admirável. Mas, caríssimos, o amor divino do Coração de Jesus é infinito, é eterno. É o amor com que o Coração de Jesus nos ama em sua Divindade. Toda compreensão desta verdade é dada pelo mistério da Encarnação. O Verbo podia e pode ainda dizer: "Eu vos amo pela minha Divindade com um amor comum às três Pessoas divinas, e vos amo pela minha Humanidade. Fui eu quem, em meu corpo e em minha alma humana, sofreu por vós, fui eu, Verbo Eterno quem orou por vós, quem mereceu por vós pela alma santa que tomei no dia de minha Encarnação. Hoje, na morada da glória, deleito meus fiéis pela graça de minha Humanidade e pela glória infinita de minha Divindade".

Em seu Filho, que é o espelho, o esplendor de sua substância, Seu Verbo, isto é, sua Palavra eterna,  Deus Pai sempre  nos viu. Amou-nos desde toda eternidade. Tudo em Deus é infinito, e, portanto, seu amor e sua bondade são infinitos. Deus nos ama desejando ver-nos felizes pela santidade, felizes da santidade que é fruto da virtude e do puro amor. Na verdade, ser virtuoso, ser santo, é amar a Deus, procurar a Deus, dirigir-se a Deus, e o termo da santidade é a posse de Deus. A graça santificante que Deus nos dá pelo santo Batismo outra coisa não é senão Deus dando-se à alma, vivendo nela, unindo-se a ela, em uma palavra, divinizando-a. Eis a explicação de tudo em duas frases bíblicas: "Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho" e "O Verbo se fez carne". E por que estes dois mistérios inefáveis? Para que Jesus Cristo, sendo Deus e Homem, pudesse nos salvar. Como Homem pôde sofrer e morrer por nós, e sendo Deus, pois, Jesus é uma Pessoa divina, é o Filho de Deus, deu aos seus sofrimentos e à sua Morte um valor infinito.

Mas por que Deus nos ama com esse ardor infinito? Em nós nada há que possa excitar tanto amor. As qualidades que temos, Deus no-las deu por amor. Amou-nos, portanto, antes destas qualidades, antes de todos os nossos atos. Na verdade, onde abundou em nós o pecado, Deus fez superabundar a graça. Supriu todas as nossas fraquezas e reparou todas as nossas loucuras. Tudo quanto Deus faz por nós é a mais gratuita das liberalidades.

Deus nos ama porque Ele é o Amor. Em relação às criaturas, o amor de Deus é livre; mas quão bem responde aos desejos de seu Coração! Na verdade, Deus sendo a própria Bondade, se compraz em amar: "Bonum est sui diffusivum". Levado por este amor infinito, Deus concede-nos os seus dons, dons sobrenaturais e divinos.

Mas Deus quer também ser amado. "Deus tem um tal desejo que O amemos, diz o autor espiritual Tauler, que desse amor parece depender a sua felicidade. Todas as criaturas são outras tantas vozes que nos convidam a amá-Lo. Tudo o que Ele fez, tudo o que ainda faz, Ele o fez ou faz para levar a alma a ouvir-Lhe as súplicas e a amá-Lo. Assim o menor ato de amor da mais miserável de suas criaturas O encanta mais que toda a magnificência de suas obras materiais, ou todo o esplendor dos astros, com que guarneceu o espaço. Parece não poder suportar a perda do nosso amor e todas as suas obras, quer na ordem da natureza, quer na da graça, são feitas para ganhar os nossos corações, e os mesmos castigos eternos, pelos quais pune as almas ingratas e obstinadas e os corações pertinazmente fechados ao amor, visam ainda levar outros corações a se abrirem ao amor de seu Coração. "Deus, diz ainda Tauler, é mais pronto em perdoar que um braseiro em consumir algumas palhas ou estopas lançadas nas chamas"; "Uma mãe, vendo queimar-se o seu filho, não corre mais pressurosa em seu auxílio do que Deus em auxílio do pecador".

Caríssimos, quão doloroso há de ser para o Coração amante de Jesus o excesso de tanta bondade sua, de uma parte, e de tamanha ingratidão de nossa parte! "Meus olhos, diz Deus pelo profeta, derramaram rios de lágrimas, porque não é observada a lei" (Salmo 118, 136). Se nos foi dado, através destas reflexões que venho fazendo neste mês sobre o amor do Coração de Jesus, compreender sua ternura e amor, caríssimos, devemos esforçar-nos por compensá-los pela nossa generosidade e fidelidade. Hoje, quando reina o indiferentismo religioso por falta de fé em Deus e de amor a Ele, hoje quando poucos amam verdadeiramente a Deus sobre todas as coisas, será um desagravo muito suave ao Coração de Jesus, o nosso amor ardente. Peçamos sempre: "Coração de Jesus, Homem-Deus, que tanto nos amais, fazei que Vos ame cada vez mais!" Amém!

  

quarta-feira, 27 de junho de 2018

"QUER AGRADE, QUER DESAGRADE"



 São palavras de São Paulo a Timóteo, na segunda Epístola que o Apóstolo escreveu ao seu caríssimo discípulo e bispo. Estão no capítulo 4º. versículo 2º. Estas duas palavras são traduzidas para o português de vários modos, mas que, no fundo têm o mesmo significado. No original grego são empregadas as palavras: eukairos, akairos, que em português significam exatamente: oportunamente, inoportunamente. A melhor tradução italiana da Vulgata de São Jerônimo traz: "a tempo, fuori di tempo."   E a  tradução em francês é: à  temps et à contre-temps. Em português do Brasil temos três traduções mais comuns, que são: "a  tempo e fora de tempo"(como no italiano); "a tempo e contratempo"(como no francês) e "quer agrade, quer desagrade".
   São Paulo, na verdade, exorta o bispo Timóteo que pregue a palavra de Deus, que insista sem desanimar, e sem deixar de pregar por causa do respeito humano, quando estiver diante de pessoas que não gostam de ouvir a verdade, infeccionados que estão por suas paixões. Verdadeiramente, é sempre feito a tempo, oportunamente, aquilo que é pregado utilmente para a eterna salvação do próximo, mesmo que o zelo dos pregadores pareça inoportuno ao homem carnal, que é perturbado por suas paixões. Quanto ao respeito humano São Paulo pouco antes, ou seja, no capítulo I, 8 já havia advertido a Timóteo: "Portanto, não te envergonhes do testemunho de Nosso Senhor...".
   Podemos concluir que a tradução "quer agrade, quer desagrade"  também está correta, porque expressa o que São Paulo realmente queria dizer.
   O grande escritor Gustavo Corção, por quem D. Antônio de Castro Mayer tinha grande estima, escreveu um livro ao qual deu o seguinte titulo: "A TEMPO E CONTRATEMPO". Adverbialmente tomado, contratempo é o mesmo que fora de tempo. Nas orelhas da capa do livro, a Editora Permanência que publicou o dito volume, explica a origem e a razão deste título. Diz assim: Aqui se recolhem alguns artigos de Gustavo Corção, publicados na imprensa diária, sob o calor dos acontecimentos mas com doutrina permanente... O título buscou-o Corção no Apóstolo das Gentes, que, profeta, anunciou quase com detalhes a loucura dos nossos dias: Erit enim tempus... "Tempo virá em que os homens já não suportarão a sã doutrina, e inventarão para si mestres, levados pelo prurido de ouvir; e afastarão seus ouvidos da verdade e os inclinarão às fábulas". Prevenindo dessas coisas o discípulo amado Timóteo e, através dele, na sucessão dos séculos, os outros discípulos, recomenda Paulo que o pregador pregue, opportune, importune, para que a verdade seja posta ao alcance de quem queira contemplá-la e segui-la. É o que tem feito Gustavo Corção, vencendo todas as dificuldades e incompreensões, sacrificando amizades, afrontando calúnias e desfigurações..."
   Já no corpo do livro, antes do primeiro Artigo, lemos toda a passagem de São Paulo: "Quanto a ti, apega-te ao que aprendeste e ao que crês com certeza, sabendo de quem o aprendeste, e ao que, desde a infância, conheces das Sagradas Escrituras, de onde podes haurir sabedoria para a salvação pela fé no Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para repetir, para corrigir e para educar na santidade, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e pronto para obras boas".
   "Eu te adjuro diante de Deus e do Cristo Jesus que deve vir julgar os vivos e os mortos, por sua aparição e por seu reino: prega a palavra, insiste a tempo e contratempo, retoma, censura, exorta, com paciência inteira e zelo de instrução; porque tempo virá em que os homens não suportarão a sã doutrina e, ao sabor de suas paixões, se entregarão a uma multidão de doutrinadores. Com cócegas nos ouvidos, eles os afastarão da verdade para os inclinar às fábulas. Tu, sê sóbrio em todas as coisas, suporta o sofrimento, faz obra de pregador do Evangelho, cumpre até o fim tua tarefa". (2ª Tim. III, 14-17; e IV, 1-5).
  
   Há um outro livro cujo título também foi inspirado nas palavras de São Paulo a Timóteo (2ª Tim. IV, 2); mas este tem por autor não Gustavo Corção mas o então Revmo Pe. Fernando Arêas Rifan. Preferiu a tradução "quer agrade, quer desagrade". Na apresentação do livro, assim escreveram seus amigos e paroquianos: "Como parte das comemorações do jubileu de prata sacerdotal do Revmo. Pe. Fernando Arêas Rifan, ocorreu-nos a feliz ideia de reunirmos em um livro uma coletânea de vários artigos por ele escritos e publicados, em diferentes épocas, em diversos órgãos da imprensa. Os artigos que selecionamos versam sobre assuntos variados, mas sempre com uma equilibrada visão católica, conforme a Igreja sempre orientou os seus fiéis.
                                  'Quer agrade, quer desagrade!"
   Certamente este livro não agradará a todos. Nem é sua pretensão. Bom sinal! O próprio Jesus não conseguiu a unanimidade do beneplácito popular. São Paulo, autor da frase, título deste livro, exclamava: "Se alguém vos anunciar um Evangelho diferente daquele que recebestes, seja anátema. Porque, em suma, é a aprovação dos homens que eu procuro, ou a de Deus? Porventura é aos homens que eu pretendo agradar? Se agradasse ainda aos homens, não seria servo de Cristo" (Gal. I, 9 e 10). Mas todos admirarão a sinceridade e a clareza de posições do autor, que preferiu o "sim sim não não" do Evangelho à conivência com o erro e à cumplicidade na "autodemolição da Igreja" com pretensões a aplausos e reconhecimentos oficiais. Como pitorescamente comentou um jornalista da "esquerda": "Pe. Fernando é um inimigo em quem se pode confiar!", reconhecendo, apesar de divergir dele, a lisura e lealdade do seu posicionamento.
   Na orelha deste excelente livro vemos a foto do Revmo. Padre Fernando A. Rifan e logo abaixo podemos ler estas sábias palavras: "PESSOAS DE BOM SENSO, UNI-VOS!
A crise atual, muito mais do que econômica e social, é sobretudo moral e religiosa. É crise de bom senso. São raras hoje as pessoas de senso comum, de senso crítico, enfim, do bom senso. E quem ainda o tem é taxado , pejorativamente, de moralista, radical, direitista, conservador, retrógrado, tradicionalista, etc. E, por medo de receber tais adjetivos, muita gente capitula e adere à maioria.
Os artigos do Pe. Fernando Arêas Rifan, que ora publicamos, além de um convite à reflexão, é uma convocação a todas as pessoas de bom senso à responsabilidade e ao empenho na luta pelas causas sadias e por uma sociedade melhor."
   E, a exemplo de Gustavo Corção, antes do primeiro artigo, o então Revmo. Pe. Fernando Arêas Rifan, traz as palavras de São Paulo, palavras que inspiraram o título do seu livro: "Prega a palavra, insiste
 Quer Agrade
Quer Desagrade,
repreende, adverte, exorta com toda a paciência e doutrina. Porque virá tempo em que os homens não suportarão a sã doutrina, mas multiplicarão para si mestres conforme os seus desejos, levados pela curiosidade de ouvir. E afastarão os seus ouvidos da verdade para os abrirem às fábulas..."

                                                              São Paulo, apóstolo
                                                                        (II Tim 4, 2-4)
  
Caríssimos leitores, recomendo a leitura destes excelentes livros, quer agrade quer desagrade, a tempo e contratempo.

O AMOR HUMANO DO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
27º dia de junho

Sabemos pela Teologia que em Nosso Senhor Jesus há duas vontades: a humana e a divina. Assim, também devemos considerar no Coração de Jesus, o seu amor humano e o se amor divino por nós.  Na verdade o dulcíssimo Salvador, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, nos amou muito, nos ama muito e nos há de amar muito durante toda a eternidade.

O amor de Jesus em sua alma humana, através de seu Coração palpitante, nos seus 33 anos na terra, hoje no Céu à direita de seu Eterno Pai, e na terra, na Santíssima Eucaristia, é, digo, um amor admirável, inefável. Mas em sua divindade, Jesus que é o Verbo Divino, nos ama com o mesmo amor que o Pai e o Espírito Santo, ou seja, com um amor eterno e infinito.

Hoje vamos meditar no amor humano do Coração de Jesus, e amanhã, se Deus quiser, meditaremos no amor divino do Coração de Jesus.

Jesus, chorou diante do túmulo de seu amigo Lázaro de Betânia, e o povo exclamou: "Vede como Ele o amava". Caríssimos, meditando durante este mês de junho, em tudo que o Coração de Jesus fez por nós, na Encarnação, no seu nascimento, na sua vida oculta e na vida pública, na instituição da Santíssima Eucaristia e sobretudo em sua Paixão e Morte, nós também exclamamos: "Vede como Ele nos amou!".

O Coração de Jesus nos ama com um amor humano imenso! Pois, a sua fonte é a alma de Jesus, e esta é a obra-prima de Deus aqui na terra. Deus a fez tão perfeita o quanto é possível a uma criatura. E Deus onipotente tornou esta alma capaz de um amor tal que, excede em intensidade ao de todos os homens que existiram, existem e hão de existir, ao amor de todos os anjos e ao da própria Santíssima Virgem Maria, reunidos num só. Já percorremos toda a vida de Jesus e meditamos na imensidade deste amor por nós.

E agora na glória do Céu, à direita de seu Pai Eterno, o Coração de Jesus continua a nos amar. São João declara que mesmo os pecadores são ainda muito caros a Jesus, porque lhes advoga a causa junto de seu Pai: "Filhinhos meus, eu vos escrevo estas coisas, para que não pequeis; mas, se algum pecar, temos um advogado junto do Pai, Jesus Cristo justo. Ele é propiciador pelos nossos pecados, e não somente, pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo" (1 S. João, II, 1 e 2). Assim, o próprio pecado mortal, que Lhe inspira tanto horror, não Lhe altera os sentimentos do Coração. Seu olhar não é de ódio, mas de ternura entristecida, de compaixão para com o louco, monstruoso e mísero pecador. Jesus com suas chagas radiantes de luz e glória, está a lembrar a seu Pai que Ele sofreu tanto pelos pecadores, que pagou caríssimo pelos seus pecados; suplica, então, e implora graças de contrição. O Coração de Jesus é sempre ouvido pelo seu Pai, embora, infelizmente, muitos põem obstáculos. O Coração de Jesus pede também a graça de uma perfeita penitência, de tal modo que o pecador, se assim o quiser, poderá reparar plenamente suas faltas.

Caríssimos, agora meditemos no seguinte: Se Jesus ama assim os pecadores, qual não será o amor de seu Coração pelos verdadeiros amigos, pelos justos, pelos santos?! São João Eudes diz: "Tão grande é o seu amor, que Ele estaria pronto a sacrificar sua vida no universo inteiro e com sofrimentos imensos; e porque o seu amor é eterno, estaria pronto ainda a sacrificá-lo eternamente e com dores eternas". Sofreria, portanto, uma nova paixão por cada um dos filhos dos homens. Faria por cada um o que fez por todos. Mas sabemos que Jesus não pode sofrer e morrer mais, depois de ressuscitado e glorioso. Como seu Coração é onipotente, arranjou um meio de fazê-lo por nosso amor: A Santíssima Eucaristia como Sacrifício e como Sacramento. A Santa Missa renova, de maneira incruenta, a imolação do Calvário, e nos aplica seus merecimentos infinitos. E aqui no Altar se aniquila de alguma maneira, mais do que na Cruz. Quanto o Coração de Jesus se alegra em poder através da Santa Missa, derramar sobre o mundo torrentes de graças! E faz ainda mais: A Eucaristia como Sacramento! Faz-se nosso alimento, nosso hóspede na comunhão, e dá-se a nós todo inteiro, convidando-nos a renovar cada dia essa união tão doce ao seu Coração. O Coração de Jesus quis ficar conosco até o fim do mundo, não quis nos deixar órfãos. É realmente o Emanuel, isto é, o Deus conosco. Amém!


terça-feira, 26 de junho de 2018

O AMOR INFINITO DO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
26º dia de junho

É uma verdade que dispensa demonstração. O católico que não o reconhecesse seria um católico sem coração, ou melhor não seria verdadeiro cristão.

 Deus nos amou desde toda a eternidade: "Eu amei-te com um amor eterno, por isso, compadecido de ti, te atraí a mim" (Jeremias XXXI, 3). E o Apóstolo do Amor, disse: "Nós conhecemos o amor de Deus, porque deu sua vida por nós" (1, João IV, 9); transmitiu-nos a afirmação do próprio Jesus: "Amou Deus de tal modo o mundo (os homens), que deu por ele o seu Unigênito Filho (S. João III, 16).  Pelo que já meditemos até hoje desde o início deste mês ficou suficientemente demonstrado o amor infinito do Coração de Jesus por nós. Pois, basta para isto contemplar toda a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi o amor aos homens a causa de tudo o que fez e sofreu. Por nosso amor o Filho de Deus deixou o Céu e desceu a este vale de lágrimas; revestiu-Se de nossa mesma carne; deu a vida por nosso amor, para que pudéssemos viver eternamente com Ele no Paraíso. Como já meditamos, uma só gota de seu Sangue seria suficiente para remir todo o mundo e até milhares de mundos, mas seu amor por nós levou-O a derramá-lo até a última gota. Como diz São Pedro: "Não fomos remidos com ouro e prata, mas sim com o sangue do Cordeiro Imaculado" ( 1 S. Pedro, I, 18); e São Paulo diz o mesmo: "Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai e trazei a Deus no vosso corpo" (1 Cor. VI, 20). E Jesus não só derramou seu sangue por uma única ferida, mas entregou seu corpo às mãos dos verdugos desumanos, que o puseram numa só chaga, dos pés à cabeça. Enfim, ao abrir-vos os Santos Evangelhos qual é a página que não fala do seu amor aos homens?! Em cada milagre encontramos uma prova dele.

E Nosso Senhor Jesus Cristo, amou-nos como ninguém! Já meditamos sobre o amor do Coração de Jesus ao instituir a Santíssima Eucaristia. Amou-nos e deu-Se a si mesmo por nós, sua carne, seu sangue, sua alma e sua Divindade. Foi por nosso amor que o Coração de Jesus quis ficar conosco na terra, para que n'Ele tivéssemos um amigo fiel, um pai amoroso, em cujos braços nos pudéssemos lançar na hora do abandono e da tribulação.

E assim como ficamos tristes em ver em muitos uma verdadeira homolatria! E para desagravar o Adorável Coração de Jesus exclamamos com São Paulo: "Seja anatematizado aquele que não amar a Nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Cor. XVI, 22).

Caríssimos, pensemos sempre neste amor infinito do Coração de Jesus por nós, pobres pecadores! Procuremos fazer como os Santos fizeram: passavam grande parte do dia com o Evangelho diante dos olhos, meditando nos padecimentos a que o divino Salvador se entregou por nosso amor.

O Coração de Jesus nos amou tanto que quis ficar conosco na Eucaristia. Quem ama gosta de receber em sua casa a pessoa amada. Jesus está no solidão dos templos, à nossa espera para abrirmos o coração diante d'Ele. E mais: Jesus nos ama tanto que, Ele o Senhor, está batendo à porta de nosso coração: "Meu filho, dá-me, teu coração" . E, se amarmos verdadeiramente a Jesus, não há como ficarmos insensíveis diante de um ternura e bondade infinitas! E quem é Ele, e quem sou eu?!

Caríssimos, diante desta fornalha de amor que é o Coração de Jesus, não é possível permanecermos com o coração gelado! Quem não ama a Jesus não se ama a si mesmo. Não amar a Jesus é amar ao mundo; não amar a Jesus é amar as criaturas; e amar o mundo e as criaturas é amar o que não tem valor, é preparar para si a ruína espiritual.


Então digamos de todo coração: "CORAÇÃO DE JESUS QUE TANTO NOS AMAIS, FAZEI QUE EU VOS AME CADA VEZ MAIS! Amém!

domingo, 24 de junho de 2018

AS PROMESSAS DO CORAÇÃO DE JESUS



LEITURA ESPIRITUAL
24º DIA

Através de Santa Margarida M. Alacoque Jesus fez doze promessas. Umas são relativas aos sacerdotes  e a todos os fiéis, e outras exclusivamente quanto aos ministérios que os sacerdotes exercem para a salvação das almas.

"Prometo-te, diz Jesus a Santa Margarida M. Alacoque,  que o meu Coração se abrirá, para derramar as suas bênçãos sobre quem o honrar e empregar o seu zelo em fazê-lo honrar". Caríssimos, estas palavras se referem a todos aqueles que glorificam o Sagrado Coração, e contribuem, quanto podem, para isso. "Se estais, diz Santa de Parays-le-Monial, em um abismo de fraqueza, de recaídas e misérias, recorrei ao Coração de Jesus, que é um abismo de misericórdia e de fortaleza. Se em vós descobris um orgulho desmesurado, perdei-vos nos aniquilamentos do Coração de Jesus. Não sei que haja exercício espiritual mais capaz de elevar depressa uma alma à mais alta perfeição".

E a Santa vidente do Coração de Jesus, diz ainda algo mais animador para os sacerdotes: "O meu Salvador deu-me a entender que aqueles que se empregam na salvação das almas, serão capazes de as comover e converter, se estiverem penetrados de uma terna devoção ao seu divino Coração". Nós sacerdotes, que muitas vezes excogitamos meios humanos para reanimar as almas, quem sabe até muitos achem que a solução é ter muito dinheiro para melhor organizar tudo na paróquia para mais atrair as pessoas. Chamo isso de "muletas". Mas os sacerdotes que têm sempre em mente como Jesus fez e mandou seus discípulos fazer, a realidade é muito outra. A solução está aqui indicada pelo que Jesus mesmo fez Santa Margarida Alacoque entender: os sacerdotes devem estar penetrados de uma terna devoção ao Coração de Jesus. Caríssimos colegas, que mais podemos desejar? Quereis abalar as consciências mais arraigadas no mal? O meio é este indicado pelo próprio Jesus!

Depois, se Deus quiser, meditaremos na 12ª Promessa do Sagrado Coração de Jesus, que é a das nove primeiras sextas-feiras. É um seguro para o Céu!

Devemos adorar o Sagrado Coração de Jesus no augustíssimo sacramento da Eucaristia, sacramento que nos recorda todos os prodígios da bondade de Jesus para conosco. Lamentamos que o amável Coração de Jesus seja tão pouco conhecido e consequentemente tão pouco amado e, o que é mais para lamentar, até mesmo pelos sacerdotes que receberam de Jesus esta missão honrosa e sublime de ganhar almas para o Coração de Jesus. Caríssimos colegas, que o Sacratíssimo Coração de Jesus seja e para sempre o nosso refúgio nas aflições, o nosso recurso nas dificuldades, a nossa esperança e fortaleza nos momentos de ansiedade e inquietação, em que a nossa alma fica quase a sucumbir à tristeza. Mas com o auxílio do Coração de Jesus, escaparemos aos perigos que ameaçam a nossa salvação, e contribuiremos eficazmente para a salvação de nossos irmãos. Devemos implorar a Jesus que Ele venha reproduzir em nós a Sua humildade, a Sua mansidão, o Seu zelo e todas as virtudes, pois o Coração de Jesus é o nosso modelo. Caríssimos sacerdotes, vamos procurar sempre dedicar ao Coração de Jesus, os nossos trabalhos sacerdotais, e nossos suores, as nossas penas e alegrias, enfim, a nossa vida e o fim da nossa vida. Amemos pois, e façamos amar o Coração que nos tem amado tanto. Amém!

sábado, 23 de junho de 2018

RESSURREIÇÃO DA CARNE



Com a graça de Deus, veremos que havemos de ressuscitar, não com um corpo etéreo ou outro qualquer, mas com a mesma carne que agora temos e da qual sairá a alma na hora da morte.

A fé na ressurreição da carne neste sentido supra explicado, existia, segundo o testemunho da Sagrada Escritura, já no Antigo Testamento: "Eu sei, diz Jó, que o Redentor vive e que no último dia ressurgirei da terra, serei novamente revestido da minha pele, e na minha própria carne verei meu Deus" (Jó XIX, 25 e 26). Também o Espírito Santo louva a Judas Macabeu, quando, fazendo menção da coleta que tinha feito e oferecido  ao Templo para o sacrifício pelos que tinham caído no campo da batalha: "Obra bela e santa, inspirada pela crença na ressurreição, porque se ele não esperasse que os mortos haviam de ressuscitar, seria uma coisa supérflua e vã orar pelos defuntos" (2 Macabeus XII, 43 e 44). "A multidão dos que dormem no pó da terra, acordarão uns para a vida eterna e outros para o opróbrio, que terão sempre diante dos olhos" (Daniel XII, 2).

Esta doutrina da ressurreição foi ensinada muitas vezes sobretudo no Novo Testamento. Primeiramente pelo próprio Jesus e de uma maneira a mais clara possível: "Virá tempo em que todos os que se encontram nos sepulcros ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que tiverem feito obras boas, sairão para a ressurreição da vida; mas os que tiverem feito obras más, sairão ressuscitados para a condenação" (S. João V, 28 e 29). Refutando os saduceus, Jesus deduzia da ressurreição dos corpos de que as almas eram imortais. Pois tendo-lhe os saduceus proposto uma questão capciosa com respeito à ressurreição dos mortos, para O poderem acusar de alguma contradição ou absurdo na doutrina, disse-lhes: "Quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus falou, dizendo-vos: eu sou o Deus de Abraão, de Isaac e Jacó? Não é Deus dos mortos, mas dos vivos" (S. Mat. XXII, 31 e 32). É como se dissesse: Vós, saduceus, negais a ressurreição dos mortos, porque não credes na imortalidade das almas. Pois, a alma é imortal. E se morrera com o corpo então o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, que morreram segundo o corpo, seria Deus dos mortos e não, como ele é, Deus dos vivos. Portanto, se a alma vive depois da morte corporal, segue-se que ela se reunirá um dia com o corpo que ela animou, e que os mortos ressuscitarão.

Jesus ressuscitou a Lázaro depois de quatro dias já sepultado, e, portanto em estado de putrefação. Para Deus nada é impossível. Como será impossível à Onipotência divina ressuscitar os nossos corpos convertidos em pó e cinza, sendo Ele quem os formou do nada? É porventura o mistério da ressurreição o único deste gênero que se apresenta à nossa vista? Olhai para o grão que cai na terra e se corrompe. O que sucede? Uma planta viva nasce da semente corrompida, e depois dá flores e frutos.

A mesma doutrina ensinam os Apóstolos. São Paulo se serviu inclusive desta figura logo acima citada: "Mas dirá alguém: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão? Néscio, o que tu semeias não toma vida, se primeiro não morre. Quando tu semeias, não semeias o corpo que há de nascer, mas um simples grão, como, por exemplo, de trigo ou de qualquer outra coisa" (1 Cor. XV, 35-37). Com isto o Apóstolo significa precisamente que aquela corrupção e dissolução do corpo é uma condição prévia e indispensável para a ressurreição, assim como  a corrupção da semente para dela brotar a planta.

 São Paulo falou da ressurreição nos seus discursos públicos diante do Grande-Conselho (Atos XIII), diante do governador Félix (Atos XXIV); nas suas epístolas: "Se os mortos não ressuscitam, então Jesus Cristo não ressuscitou" (1 Cor. XV, 16). "Porém, Jesus Cristo ressuscitou de entre os mortos com o seu próprio corpo; logo também vós ressuscitareis como Ele. Pois, aquele que ressuscitou de entre os mortos também ressuscitará os vossos corpos mortais, por meio do seu Espírito, que habita em vós" (Rom. VIII, 11).

Terminemos com mais um símbolo belíssimo da ressurreição: O bicho da seda, sendo verme disforme e quase asqueroso, fabrica o seu sepulcro, descansa nele largos meses, e depois rompe o seu invólucro, e levanta-se brilhante mariposa que se eleva nos ares. Porventura Deus, autor sapientíssimo da natureza, nos põe em vão diante dos olhos esta imagem viva da ressurreição? Com certeza que não. Ressuscitaremos. A fé no-lo ensina, e até a natureza visível no-lo recorda. Caríssimos, ressuscitaremos! Amém!


sexta-feira, 22 de junho de 2018

A REENCARNAÇÃO É UMA TEORIA ESPÍRITA SEM NENHUMA BASE



Para os espíritas não morremos uma só vez, porque depois da morte nos encarnamos de novo e tornamos a viver. É bom que todos saibam que este é, por assim dizer, "O DOGMA" do espiritismo; e assim o chamava Allan Kardec. Em consequência desta teoria mentirosa (porque sem nenhuma base bíblica, filosófica e científica), seguem-se outras teorias mentirosas do Espiritismo: não existem os juízos particular e universal, não existem nem purgatório, nem inferno, nem céu. O espírita fica insensível diante da morte.  
Quanto a contradição com as Sagradas Escrituras, basta citarmos um texto e mesmo assim para os cristãos, porque o Espiritismo também não acredita na Bíblia. Aliás, a doutrina espírita é a negação completa e total da Doutrina Cristã. Qual é este texto das Sagradas Escrituras que destrói totalmente a possibilidade de reencarnação? É este de S. Paulo: "Foi decretado que os homens morram uma só vez, e que depois disso se siga o juízo" (Hebreus IX, 27). Logo, depois da morte, sentença imediata, prêmio ou castigo. Na verdade, o Espiritismo transforma fantasias em dogmas de fé, e assim destroem os verdadeiros dogmas da fé.
Quanto ao fundamento filosófico para a reencarnação, também não existe. É mais ou menos assim: existe Saci-Pererê? Prá quem acredita, existe; prá quem não acredita, não existe. Assim há espíritas que não acreditam na reencarnação; para eles não existe. Há outros que acreditam: para estes existe. Que belo argumento filosófico! Allan-Kardec dizia: "Generalidade e concordância no ensino, esse é o caráter essencial" da doutrina espírita. Ora, em matéria de reencarnação não há concordância. Os espíritas latinos, com Allan-Kardec è frente, aceitam a reencarnação, porque "os espíritos superiores revelaram". Já os anglo-saxões, com Staidon Moses, D. Home condenam a reencarnação, porque "os espíritos superiores revelaram". Portanto, a base filosófica do Espiritismo não passa de balela, contradita pelos próprios espíritas.
E quanto à base científica? Vejam o que dizia Allan-Kardec: "O Espiritismo é, antes de tudo, uma ciência..." e "o Espiritismo  -  em suma  -  é uma sociedade científica, como tantas outras, que se ocupa de aprofundar os diferentes pontos da ciência espírita". Mas, nada mais falso! Que é ciência? É o conhecimento metódico de uma coisa, pelas suas causas. O que diferencia conhecimentos científicos de conhecimentos vulgares, não científicos, é o método. O método leva à certeza. Porque não fica no achismo, mas tudo é comprovado metodicamente pelas experiências. Portanto, sem certeza demonstrada metodicamente não há ciência. Só é científico o que é demonstrado metodicamente.
Mas, que significam para os espíritas estes "espíritos superiores". O Espiritismo engana a muitos com " a comunicação com os espíritas". Os intermediários são os MÉDIUNS. Mas o próprio Allan-Kardec fala em médiuns trapaceiros, interesseiros, ignorantes, velhacos, mistificadores...
Agora, não poderia deixar de falar sobre o papel do demônio no Espiritismo. Quando em 1975, havia há poucos dias tomado posse de minha primeira paróquia (Paróquia da Igreja de Nossa Senhora do Terço em Campos, RJ, apareceu um senhor estranho e pediu-me uma conversa em particular. Perguntei se era confissão e ele disse que não. Disse-me o tal homem: Desde de novo que pertenço ao Espiritismo, e sei de tudo a respeito, mas por fim o meu chefão, pediu que eu entregasse minha alma ao demônio e, só assim, poderia conseguir o máximo. E perguntou-me: que você acha? Demorei muito tempo explicando a doutrina católica, a única verdadeira. Mas despediu-se e nunca mais o vi. Qual foi sua intenção não sei. Mas Deus permitiu isso no início de meu ministério, e com certeza muito me incentivou para lutar contra o Espiritismo que já naquela época grassava terrivelmente em Campos. Contei esta passagem para meu pai e ele disse-me que iria contar o que se passou com meu avô: "Certo dia,  -   disse-me meu pai  -   um grande amigo de papai convidou-o para ir á uma sessão espírita. Ele disse que sendo católico, não iria, porque o espiritismo tem ajuda do demônio. Mas tanto o amigo insistiu, dizendo que ele também era católico e que só queria um companheiro para ver como funcionava aquilo. Por fim meu pai consentiu, mas que ele ficaria de lado rezando o seu santo terço. Assim foram. Chegando lá pela meia noite, estando todos na sala, o meu pai rezando discretamente o seu terço, eis que chegam os médiuns e começam a invocar alguém com nome diferente. Mas ficaram todos parados durante algum tempo, porque nada diferente aconteceu. Então o dono do Centro Espírita, voltou-se para os assistentes e perguntou se ali havia alguém descrente de seu trabalho. Meu pai, respondeu que era ele, que estava rezando o Terço. O homem chamou-o lá fora e disse-lhe: Filipe Murucci (era o nome de meu avô), não diga nada prá ninguém, mas, na verdade, isto aqui é um meio de vida, com a ajuda do demônio. Mas hoje falhou, porque você estava rezando o Terço, e, em verdade, sei que a Igreja verdadeira é a Católica".
Caríssimos, o que reina no Espiritismo é a fraude, mas não podemos negar que, às vezes, há intervenção do demônio, que, como todos sabem, é o pai da mentira, da trapaça. Aliás o Espiritismo teve inícios em trapaças numa família de sobrenome Fox, como depois veremos. Realmente, há certos fatos no Espiritismo que só se explicam por intervenção do demônio. Não pode ser Deus, nem Anjo bom, nem alma. As almas dos  defuntos estarão ou no purgatório, ou no céu, ou no inferno. Mas estão sob o domínio de Deus como os Anjos bons. Elas e os Anjos só poderiam aparecer ou intervir com permissão especial ou desígnios de Deus, como aconteceu com o Rei Saul (Cf. 1 Samuel XXVIII  e neste caso, de acordo com a maioria dos exegetas, Samuel apareceu realmente, não porém, por força das palavras da necromante (a qual ficou aterrorizada), mas por obra de Deus, que quis anunciar por boca de Samuel o grande castigo. Na verdade, Deus proíbe a necromancia como se lê em Levítico XIX, 31 e XX, 6).  Ora, Deus não poderá manifestar-se ao permitir que os Anjos bons ou almas se manifestem de algum modo em sessão espírita. Se Deus se manifestasse, ou permitisse seus Anjos bons ou almas se imiscuírem nas sessões espíritas, Deus estaria favorecendo a mentira e a trapaça; o que seria blasfêmia afirmá-lo. Trapaça não é de Deus mas do demônio. São Paulo escreve umas coisas na Bíblia que parecem estar se dando no Espiritismo: "Aparecerá aquele tal na virtude de Satanás, com toda sorte de portentos e prodígios, procurando a todo transe levar à iniquidade os que se perdem por não abraçarem o amor à verdade, que os poderia salvar. É por isso que Deus lhes manda o poder da sedução, para darem fé à mentira e serem entregues ao juízo todos os que não deram crédito à verdade, mas antes se comprazeram na iniquidade" (II Tess. II, 9 -14).
Poderiam os espíritas dizer: nem tudo é demônio, mas há mensagens boas, de amor e fraternidade... Resposta: nem tudo pode ser demônio, é sobretudo o médium que se engana e engana os outros. E mesmo o demônio, como diz a Bíblia, "se transforma em anjo de luz" (II Cor. XI, 14), para melhor enganar.
Para terminar: Em 1959, quando eu estudava em Tombos, MG. o nosso Bispo D. José Eugênio Corrêa, da Diocese de Caratinga, escreveu um livrinho "O ESPIRITISMO".  No c. 2 . O ESPIRITISMO NASCEU DE UMA TRAPAÇA diz o seguinte: "Sob o título de um grande acontecimento na história do Espiritismo, "La Revue Spirite", uma das principais e mais antigas do Espiritismo, fundada pelo próprio Allan Kardec em 1858, resume uma solenidade de quatro dias em Hydesville, por motivo da inauguração de um monumento comemorativo das primeiras manifestações espíritas, que ali se deram em 1848. A ideia do monumento veio do Congresso Espírita de Paris, realizado em 1925. Entre as cerimônias oficiais realizadas em Hydesville, conta-se uma peregrinação espírita que ali foi colocar uma lápide de granito onde se lê: "Aqui nasceu o movimento espírita moderno. Neste lugar em Hydesville estava a casa de habitação das irmãs Fox, cuja comunicação mediúnica com o mundo espírita foi estabelecida a 31 de março de 1848".
A família Fox compunha-se de Dr. João, Margarida sua esposa, e as filhas Margarida e Catarina. Os filhos, Davi e Ana Lah, moravam fora. A casa dos Fox era tida por mal assombrada.
A mãe começa a ouvir ruídos estranhos, que pareciam vir do quarto das meninas, com a particularidade de só se produzirem, quando elas estavam acordadas. A mãe ia ficando muito alarmada, enquanto que as meninas não se incomodavam.
A 31 de março de 1848, dia célebre para o Espiritismo, a mais moça da meninas teve a idéia de dizer estas palavras: "Ouve tu, pés de cabra, como eu faço". E batia com os dedos da mão. E golpes misteriosos repetiam o que ela fazia. Isto na presença da mãe, enquanto que as meninas estavam na cama, cuja cabeceira e  pés eram de tábuas de madeira. Note-se, ainda, que a mãe era supersticiosa e medrosa. E as meninas brincalhonas.
Depois a própria mãe pergunta: "Serás um espírito?" Se assim és, dá dois golpes". E os dois golpes se fizeram ouvir. E as experiências se repetiram de diversos modos. E a notícia dos acontecimentos ia-se espalhando.
As irmãs Fox mudaram-se para Rochester e o espírito as acompanha. Veio juntar-se a elas a irmã Lah, espírito prático e interesseiro. Foi ela que se lembrou de atribuir as pancadas aos espíritos do outro mundo.
Depois de quatro meses, mudam-se para Nova Iorque e de lá o incipiente Espiritismo alastrou-se pelo mundo.
Seria mesmo espírito do outro mundo? Nenhuma prova. Ao contrário, os sinais de trapaça são evidentes.
Em fevereiro de 1851, uma comissão de médicos e professores de Buffalo inspecionam tudo, examina as meninas e se pronuncia contra a autenticidade dos fatos.
Em 1888 Margarida revelou ao New York Herald que ela e sua irmã Catarina haviam sido, desde o início, vítimas da Lah. O que faziam eram imitar pancadas com os dedos e responderam elas mesmas para enganar a mãe. Depois, por sugestão de Lah e outras pessoas interessadas, acharam bom o "negócio" e assim mantiveram e alimentaram a mentira. Disse textualmente: "Nossa irmã servia-se de nós nas suas exibições, e nós ganhávamos dinheiro para ela..." (N. Y. Herald, de 24 de dezembro de 1888).
Pouco depois, a 9 de outubro, sua irmã Catarina chagava da Europa e fazia idênticas declarações ao New York, diante de uma multidão de pessoas, entre as quais numerosos espíritas.
Dizem os espíritas que dois meses depois houve uma contra-retratação. Mas, a portas fechadas, perante espíritas, e nenhuma prova. Eles dizem e é só...
Devemos notar que a retratação foi pública, solene e livre, com todas as características da sinceridade. E da contra-retratação nada consta de claro.
Catarina morreu em 1893, vítima de excesso de álcool Margarida fez-se católica (eram antes de família protestante).
Estava desfeita a trapaça. Acontece, porém, que em França, Léon Hippolyte Denizart Rivail  (Allan-Kardec), havia-se feito codificador e doutrinador do espiritismo. Foi ele propriamente o Fundador do Espiritismo como Religião.
Uma ideia em marcha, por muito absurda e ilusória que seja, não volta mais atrás e encontrará sempre adeptos. Como diz a Bíblia: "É infinito o número dos estultos" (Eclesiástico I, 15).

UNIÃO DO NOSSO CORAÇÃO AO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
22º dia de junho

Meditamos sobre a Comunhão, e logo pensamos na união do nosso coração ao Coração de Jesus.
Iniciemos nossa meditação com a belíssima explanação feita por S. João Eudes: "Jesus Filho de Deus e filho do homem... não sendo somente nosso Deus, nosso Salvador e soberano Senhor; mas mesmo, sendo nossa cabeça e nós os seus membros e seu corpo, diz S. Paulo, osso de seus ossos, e carne de sua carne (Ef 5, 30) e, por conseguinte, estando unidos a ele pela união mais íntima que possa existir, tal a dos membros à cabeça; unidos a ele espiritualmente pela fé e pela graça que nos deu no santo batismo; unidos a ele corporalmente pela união do seu santíssimo corpo com o nosso na santa Eucaristia, segue-se daí necessariamente que, como os membros são animados do espírito da cabeça e vivem de sua vida, assim também devemos estar animados do espírito de Jesus Cristo, viver de sua vida, caminhar em suas veredas, revestir-nos de seus sentimentos e inclinações, fazer todas as nossas ações nas disposições e intenções com que ele faz as suas, em uma palavra, continuar a realizar a vida, a religião e a devoção que ele exerceu sobre a terra" (Reinado de Jesus, parte II).

Realmente não pode existir união mais íntima, união significada por São Paulo em várias passagens: "Revesti-vos de Jesus Cristo" (Rom. XIII,14); "Revesti-vos do homem novo" (Ef. IV, 24); Animai-vos dos sentimentos que animam a Jesus Cristo" (Fil. II, 5)

Caríssimos, ouçamos a Santa Margarida Maria escrevendo a uma visitandina de Moulins: "É preciso, que nos consumamos todas nessa fornalha ardente do Sagrado Coração do nosso adorável Mestre... e depois de termos lançado o nosso coração, todo cheio de corrupções, nas chamas divinas do puro amor, aí devemos tomar um outro, novo, que nos faça viver para o futuro de uma vida renovada... é preciso que esse divino Coração de Jesus tome de tal modo o lugar do nosso, que só ele viva e atue em nós e por nós, que sua vontade mantenha a nossa por tal forma aniquilada, que possa agir sem resistência alguma da nossa parte; enfim, que seus afetos, pensamentos e desejos tomem o lugar dos nossos, mas principalmente o seu amor, que se amará a si mesmo em nós e por nós" (Obras, t. II, p. 468).

O mesmo ensina o Beato Padre Olier em sua belíssima oração tão conhecida, apreciada e rezada por muitos: "Ó Jesus, vivendo em Maria, vinde e vivei em nós, com o vosso espírito de santidade, na plenitude do vosso poder, na perfeição de vossas veredas, na verdade de vossas virtudes, na comunhão de vossos divinos mistérios; dominai em nós todas as forças inimigas, na virtude de vosso Espírito e para a glória de vosso Pai".

Que o Santíssimo Coração de Jesus reproduza no nosso pobre coração as suas virtudes: a humildade de sua Encarnação, a pobreza de seu nascimento, o recolhimento e retiro dos seus trinta anos de vida oculta, o zelo de sua vida pública, a generosidade de sua imolação e o fervor de suas orações. Deus Pai verá assim em nós, a imagem fiel, de seu divino Filho em quem pôs todas as suas complacências. Deus se comprazerá em ver o nosso coração tão unido ao Sacratíssimo Coração de seu Filho como um só coração, assim como a nossa vontade tão conformada a de Jesus como se visse só a de Seu Filho. Quão desejável esta íntima união nossa com Jesus! Pois assim o Pai verá o próprio Jesus cobrindo-nos, envolvendo-nos, escondendo-nos em si, Jesus animando-nos, movimentando-nos, agindo em nós e por nós.


Na verdade, Jesus ama cada um de nós com um amor inefável e esse amor faz com que Ele se mantenha unido a todos por uma união que deseja tornar cada vez mais estreita, cada vez mais perfeita. Devemos ver Jesus no nosso coração e o nosso coração no Coração de Jesus. Pela comunhão feita com todas as devidas disposições, é certo que somos transformados em Jesus, nossa vida é a vida de Jesus, nosso coração está transformado no Coração de Jesus e, como São Paulo, podemos dizer no momento bendito e inefável da sagrada comunhão: "Eu vivo, mas, na verdade, não sou eu quem vive, é Jesus quem vive em mim" (Gál. II, 20). Parafraseando: Meu coração bate, mas, na verdade, não é mais o meu, é o Coração de Jesus que bate em meu peito. Amém!

quinta-feira, 21 de junho de 2018

O CORAÇÃO DE JESUS E A COMUNHÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
21º dia de junho

 Nosso Senhor Jesus Cristo é a própria humildade. Pois bem,  Jesus quer cultivar e fazer frutificar na alma do comungante esta bela virtude da qual dá na Eucaristia tão comovedores exemplos, como meditamos anteriormente. Mas é claro, o Coração Eucarístico de Jesus quer encontrar corações bem dispostos, o que significa corações o mais parecidos possível com o Seu. Nada de amor próprio que não sabe sofrer humilhações; nada de tibieza, nada de apego à vontade própria; para bem longe o amor dos prazeres. Caríssimos comungantes,  devemos preparar uma mansão digna para Jesus, de dois modos: primeiro afastando estes sentimentos que Lhe desagradam, e, segundo, praticando as virtudes que constituem a beleza de seu divino Coração. Esta preparação remota para a comunhão facilita a preparação imediata, ou seja, o recolhimento e a oração.

E quando comungamos devemos adorar a Deus e humilhar o nosso nada em Sua presença. Devemos unir os nossos sentimentos aos d"Ele. O Salvador, aos vir a nós na Comunhão, procura logo a glória do Pai. O Coração de Jesus, deste novo altar que é o nosso coração, oferece a Deus Pai suas homenagens, e convida-nos a unir-nos a Ele. Os primeiros pedidos de Jesus são aqueles mesmos que nos ensinou a pedir ao nosso Pai do Céu: que seja santificado o nome de Deus, que venha a nós o seu reino, que sua vontade seja feita. Esta deve ser também a nossa primeira oração, feita em união com Jesus. O Coração de Jesus, ainda a pulsar em nosso peito, ergue a Deus Pai atos de amor que O glorificam mais do que todos aqueles que por ventura praticamos ou viermos um dia a praticar. Deus é adorado, amado, bendito, louvado e agradecido, por um Deus, no mais íntimo de nosso ser.

A alma apaixonada de amor a Deus não pensa em si primeiro mas antes, procura se unir a Jesus na adoração ao Seu Pai e ao nosso Pai que está no Céu. Mas, é claro, Jesus mesmo quer que logo após pensemos em nós mesmos.  Que peçamos a sua graça para vencermos as nossas misérias e fraquezas. Ah!, caríssimos, quão felizes são aqueles que se chegam a Jesus cheios de santo e ardente amor! No momento da Comunhão o Pai contempla com infinita ternura o Coração de seu Filho, e com certeza se compraz em ver o nosso coração humilde. Compraz-se em ver que a oração do seu Filho Eterno e a do seu filho adotivo transformado n'Ele pela comunhão, fazem a mesma oração de adoração; vê com complacência os seus protestos de amor, suas homenagens de adoração, de reconhecimento, reunidos, elevarem-se até ao Seu trono de Glória. E assim, com certeza o Pai Celestial Todo-poderoso, não poderá recusar os pedidos do comungante feitos em seguida, no sentido da santificação de sua alma.

Como já temos meditado, Jesus, com seu Coração cheio de bondade, passou fazendo o bem. E agora a Comunhão é, ainda na terra, como que o termo dos desejos de Jesus, o alvo de seus esforços, o derradeiro escopo de seus trabalhos. Aí se completa a obra da Encarnação; aí, a carne que recebeu no seio puríssimo de Maria Santíssima se une à nossa carne para purificá-la; aí, sua alma se une à nossa alma para santificá-la; aí, Seu Coração se une ao nosso coração, para nele derramar seu amor. Jesus se alegrava em sua vida pública em fazer o bem aos fiéis. Aqui na Comunhão alegra-se também vendo os esforços de seus fiéis que procuram adquirir as virtudes e ter os mesmo sentimentos que, embora fracos, são semelhantes às virtudes e sentimentos de Seu Coração manso e humilde na Eucaristia. Como o Coração de Jesus vibra de alegria vendo estes corações de seus fiéis tendo os mesmos desejos da glória do Pai e da salvação das almas! Amém!

quarta-feira, 20 de junho de 2018

O CORAÇÃO DE JESUS E A HUMILDADE

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
20º dia de junho

"Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração". Nosso Senhor Jesus Cristo, na verdade, é o modelo perfeito de todas as virtudes. No entanto quis fazer menção especial da humildade e da mansidão, virtudes estas que podemos chamar de irmãs. Os teólogos dizem que a humildade  com sua forma própria não se encontra em Deus, porque ela supõe pequenez e inferioridade. Como a humildade é a verdade, ela só se aplica a nós homens porque a verdade é que somos nada e um nada pecador. Reconhecer isto é humildade de inteligência mas ainda não é virtude. Aceitar ser tratado assim como pecadores e nada merecedores de elogios é a virtude da humildade. A virtude está na vontade. Reconhecer que o que temos de bom não é nosso mas vem de Deus é também humildade, porque esta a verdade: por nós mesmos não podemos ter nem sequer um bom pensamento. Toda nossa capacidade para o bem vem de Deus. São Paulo diz: "Que tens tu, que não recebesses? E, se o recebeste, porque te glorias, como se o não tiveras recebido? (1 Cor., IV, 7).

A criatura, com efeito, se quiser ser justa e veraz, deve reconhecer que Deus é tudo e que ela é nada; que toda força, toda a virtude, toda a beleza, toda a bondade provêm de Deus, e que, por si mesma, não é senão fraqueza e miséria, ou antes é o próprio nada. A criatura, se quiser ser justa e sincera, não pode desconhecer as grandezas de Deus; e diante d'Ele deve se aniquilar. Deus é santo, a criatura é pecadora; Deus é justo e benfazejo, e ela, injustiça e egoísmo; que Deus é paz e misericórdia, e ela, ira e maldade.

Até aqui falamos de uma humildade comum. Há uma humildade muito mais perfeita, mais difícil e consequentemente mais meritória. Consiste em nos rebaixarmos além do que merecemos. Jesus Cristo é o modelo acabado dessa humildade. O Homem-Deus, o Verbo Encarnado, como escreveu S. Paulo, humilhou-se até ao aniquilamento: "Tende entre vós os mesmos sentimentos que houve em Jesus Cristo, o qual, existindo no forma (=natureza) de Deus, não julgou que fosse uma rapina o seu ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens e sendo reconhecido por condição como homem. Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até a morte, e morte de cruz!" (Filipenses, II, 5-8).

Na verdade, já desde o início de sua vida terrestre, o Verbo, fazendo-se carne praticou um ato sublime de humildade. E toda Sua vida foi uma série de atos de humildade. Entregou o seu espírito como fez ao recebê-lo no início (Eis que venho, ó Pai, para fazer a Vossa vontade", e fez-se obediente até a morte, e morte de cruz, que é a mais humilhante.

Em Jesus a natureza humana deixou livre campo à graça para realizar suas obras enquanto a vontade humana de Jesus foi plenamente submissa à vontade divina: "Seja feita a vossa vontade e não a minha", esta oração do Horto das Oliveiras é o resumo de toda a vida do Divino Mestre.

Nas leituras anteriores meditamos como o Coração de Jesus sempre renunciou à estima, à consideração, à reputação, coisas estas de que os homens se mostram tão ciosos.  Os Santos contemplando sempre este Divino Modelo de infinita humildade, se tornaram tão humildes, que às vezes, os mundanos são tentados a tachá-los até de loucos, quando eles mesmos, ou seja, os santos consideravam uma verdadeira loucura,  pretender elogios e estima sendo como eram um nada criminoso, enquanto que Jesus, a própria inocência e santidade, fez-se obediente até à morte e morte de cruz.


Caríssimos, já que Deus só dá sua graça e sua luz aos humildes, peçamos sempre a humildade. Pedindo, pois, a humildade, pedis uma riqueza espiritual que vale bem longos anos de súplica. Deus nos dará a graça das ocasiões de praticarmos a humildade através das humilhações que sofrermos. Não deixemos passar estas graças, que elas não sejam vãs em nós. Rezemos sempre com grande desejo e sinceridade: "Jesus, manso e humilde de coração! Fazei o meu coração semelhante ao Vosso!" Amém!

terça-feira, 19 de junho de 2018

O CORAÇÃO DE JESUS E A SANTÍSSIMA TRINDADE

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
19º dia de junho

Estamos contemplando o adorável Coração de Jesus, vivo, palpitante sempre de amor por nós. Meditamos na bondade, ternura, misericórdia e amor do coração de Jesus vivo em sua vida oculta e em sua vida pública, na sua Paixão e Morte e finalmente o adoramos à destra do Eterno Pai após a sua Ascensão. Lá está sempre a interceder por nós, como diz São Paulo. Jesus saiu do Pai e voltou para o Pai. E de lá enviou o Divino Espírito Santo. Assiste a Sua Santa Igreja e mora nas almas em estado de graça. Trabalha sempre no sentido de nos santificar.

A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade é o Filho de Deus. A Terceira Pessoa é o Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, amor substancial, eterno, infinito e pessoal como o Pai e o Filho.

Explica o Símbolo Atanasiano: II. "O Pai não foi feito por ninguém, nem criado, nem gerado. O filho é só do Pai; não feito, não criado, mas gerado. O Espírito Santo é do Pai, e do Filho; não feito, não criado, não gerado, mas procedente. Há, pois, um só Pai, não três Pais; um só Filho, não três Filhos; um só Espírito Santo, não três Espíritos Santos. E nesta Trindade nada existe de anterior ou posterior, nada de maior ou menor; mas todas as três pessoas são coeternas e iguais umas às outras; de sorte que, em tudo, como acima ficou dito, deve ser venerada a unidade na Trindade, e a Trindade na unidade. Quem quer, portanto, salvar-se, assim deve crer a respeito da Santíssima Trindade".

Podemos resumir assim: O Pai, na infinita perfeição da divina natureza, se vê na infinita intelecção do Filho, ou seja do Verbo, e o Pai e o Filho se amam no infinito amor do Espírito Santo.

Na Teologia dizemos que Jesus Cristo é a imagem consubstancial ao Pai Eterno. É a imagem da substância divina e podemos dizer outrossim que o Filho de Deus é a imagem da bondade do Pai. Trata-se aqui também de uma verdade dogmática. Jesus disse ao doutor da Lei que O chamava de Bom: "Ninguém é bom a não ser Deus", só Deus é Bom. Logo o Filho de Deus é a imagem infinita da bondade do Pai Eterno. Santo Tomás de Aquino explica que Deus é metafisicamente bom, porque tem em sua própria essência as razões de sua própria existência e, nele, essência e existência distintas em todos os outros seres, são uma e a mesma coisa. Deus é metafísica e fisicamente bom. É metafisicamente bom porque possui todas as qualidades que são próprias à plenitude da sua natureza. Deus é fisicamente bom, porque sendo eterno e infinito, nada pode faltar à sua plenitude. Devemos dizer que Deus é a bondade metafísica, a bondade física e a bondade moral, no sentido eterno e absoluto. Deus é a própria Bondade.  Sendo Jesus Cristo o Filho de Deus, é a imagem consubstancial ao Pai. Isto quer dizer que Jesus é a imagem do Pai na mesma unidade substancial, embora Pessoa distinta. Ora, imagem consubstancial da bondade de Deus é a própria bondade. Logo, Jesus, o Filho de Deus, é infinitamente bom.

Caríssimos, vede onde queremos chegar com estas explicações teológicas e filosóficas: Se Deus é a própria Bondade e o Filho tem a mesma natureza do Pai, logo o Filho de Deus é também a própria Bondade. Mas a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade uniu-se á natureza humana, e assim devemos dizer que o Filho de Deus ungiu o seu coração humano com a sua bondade divina. Longino que abriu o lado de Jesus, fê-lo com certeza inspirado pelo próprio divino Mestre. O Coração aberto de Jesus, eis a porta por onde a bondade divina pudesse se manifestar em uma torrente de água viva que se precipitou sobre a humanidade.

Para glória de sua bondade infinita, o Coração de Jesus operou uma nova criação, muito mais maravilhosa que a primeira, ou seja a salvação dos homens. "Amou-me e se entregou a si mesmo por mim". Amém!

segunda-feira, 18 de junho de 2018

O CORAÇÃO DE JESUS NA SUA ASCENSÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
18ª dia de junho

O Apóstolo São Paulo na Epístola aos Romanos, capítulo VI, versículo 9, diz: "Cristo ressuscitado dos mortos, não morre mais". Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou imortal e impassível. E São Lucas nos Atos dos Apóstolos I, 1-3 diz: Na primeira narração, ó Teófilo, falei de todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar até ao dia em que, tendo dado as suas instruções por meio do Espírito Santo aos apóstolos que tinha escolhido, foi arrebatado(ao céu); aos quais também se manifestou vivo, depois da sua paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes por quarenta dias e falando do reino de Deus". Em seguida, São Lucas relata as últimas instruções de Jesus revelando que seus apóstolos receberiam dentro de poucos dias o Espírito Santo. Depois elevou-se à vista deles; e uma nuvem o ocultou aos seus olhos. Isto se deu no Monte das Oliveiras na presença de Sua Santíssima Mãe e dos Apóstolos, e de muitos outros discípulos.

Depois da ressurreição, como atesta São Lucas, Jesus se manifestou vivo aparecendo-lhes naqueles quarenta dias. Nesta aparições Jesus fez questão de demonstrar que era Ele mesmo com o seu corpo. Mostrou aos Apóstolos as suas chagas. Jesus ressuscitou glorioso, e portanto seu corpo é real mas transformado, resplandecente de glória. Assim estavam suas chagas, inclusive a do Seu Coração adorável. O Apóstolo Tomé as tocou com o dedo.
Jesus levou consigo como troféu da sua vitória, as almas santas, que tinha tirado do limbo dos justos ou Seio de Abraão.

Caríssimos, nossa pequenez não é capaz de formar um ideia exata do júbilo de toda a Corte celestial, á entrada de Nosso Senhor Jesus Cristo no Paraíso. São Boaventura imaginava ver os nove coros de Anjos e ainda os Santos Patriarcas, os profetas e todos os justos do Antigo Testamento, que acabaram de entrar após Jesus no Reino Eterno da Glória, vindo sucessivamente celebrar os louvores do Divino Rei e oferecer-Lhe as suas homenagens: "Todos se alegram, diz o santo, todos se regozijam, todos aplaudem. Então ressoa por todo o âmbito da celestial Jerusalém o cântico de alegria, o Aleluia triunfador".

Em uníssono todos repetem aquelas palavras do Apocalipse: "Digno é o Cordeiro, que foi sacrificado, de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a fortaleza, a honra, a glória e a bênção... pelos séculos dos séculos. Amém (Apocalipse V, 12).

Eis o momento mais solene: o Pai Eterno recebe seu Filho que se senta à Sua direita, cumprindo-se assim aquela profecia de Davi: "Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te a minha direita" (Salmo 119, 1); o que quer dizer: "Ocupa o mesmo trono; reina e governa comigo sobre tudo o que está criado, com autoridade igual à minha, como Deus, e com poder supremo sobre o céu e a terra, enquanto Homem; "De maneira que Jesus Cristo Nosso Salvador, como Cabeça e Senhor de tudo, está no Céu sobre os Anjos e Arcanjos, sobre as Potestades e Dominações, sobre os Querubins e Serafins.

Mas Jesus não está ali somente para a sua própria glória, ou para constituir a glória e felicidade dos eleitos; está sobretudo para ser nosso Advogado diante do Pai, orando e intercedendo constantemente em nosso favor. É o que afirma São Paulo: "Porque permanece para sempre, tem um sacerdócio que não passa. Por isso pode salvar perpetuamente os que por ele mesmo se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por nós" (Hebreus VII, 24 e 25). E assim, para interceder por nós, Jesus Cristo apresenta seu Coração aberto, e as suas outras chagas resplandecentes de glória. Apresenta a Seu Pai os méritos de seu precioso Sangue, derramado pela salvação da humanidade. Este Sangue de valor infinito foi derramado realmente uma vez na cruz, e misticamente quantas vezes se imola e oferece no altar quando os sacerdotes celebram o Santo Sacrifício da Missa. Eis, caríssimos, toda nossa esperança!

Jesu Cristo, pois, está vivo no Céu, vivo e glorioso com seu corpo, sangue, alma e Divindade. Portanto está com o Seu Sacratíssimo Coração. Ali Ele nos espera, para ser um dia a nossa recompensa eterna. Amemos a Jesus porque Ele merece todo nosso amor. Amemos este Coração Divino que contemplamos enquanto esteve aqui entre nós, e que a modo de substância estará ainda conosco até o fim do mundo  na Santíssima Eucaristia,  quando então, pela sua misericórdia, temos a esperança de contemplar e adorar eternamente na Jerusalém celeste.Amém!

domingo, 17 de junho de 2018

O CORAÇÃO DE JESUS NA SUA PAIXÃO E MORTE

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
17º dia de junho

São Paulo resume todo o amor do Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo nesta frase: "Amou-me e entregou-se por mim". Outra palavra do divino Espírito Santo que mostra o amor infinito do Salvador pelos homens é esta profecia de Isaías: "Foi oferecido em sacrifício, porque ele mesmo quis" (Isaías 53, 7). Temos aqui a causa da Paixão e morte do amantíssimo Salvador: o amor de seu adorável Coração  por todos e por cada um de nós. Caríssimos, na verdade, só o amor infinito do divino Coração de Jesus pode explicar a maneira tão dolorosa e humilhante com que Nosso Senhor Jesus Cristo quis realizar a obra da nossa redenção. Segundo a profecia de Isaías, assim foi porque "Ele quis". Se, como afirma S. Paulo, entregou-se por mim e fê-lo voluntariamente, é porque foi movido unicamente pelo amor de seu Coração. Porque, por efeito da união hipostática da natureza divina à humana, todo ato do Homem-Deus tinha valor infinito: uma lágrima, uma gota de sangue, uma oração, mesmo um suspiro seriam suficientes para remir toda a humanidade. Mas como diz muito bem São João Crisóstomo: "o que bastava para a redenção não bastava para nos revelar o seu amor". Jesus quis mostrar de um modo bem patente a imensidade do amor de seu Coração. Sendo Ele a própria inocência quis VOLUNTARIAMENTE, padecer tristezas, quis ser saturado de opróbrios, humilhações, dores e angústias. Foi traído, suas faces foram conspurcadas por escarros, machucadas  por tapas e bofetadas, todo seu corpo despedaçado por açoites, sua sacrossanta cabeça ferida por uma coroa de espinhos penetrantes e que se tornaram verdadeiro martírio porque enterrados mais fundos por golpes da cana. Jesus quis que seu Sacratíssimo Coração fosse alvo de todas as humilhações. Pois, quis ser condenado à morte como malfeitor. E morte na Cruz. E ele mesmo carregou o madeiro no qual seria pregado e suspenso da terra. Quis permanecer três horas suspenso e seguro por três pontiagudos cravos. Quis sofrer uma sede horrível. Quis sofrer assim em todo seu corpo exterior e interiormente. E também no espírito: a amargura e desolação infinitas.

E nesta cátedra de amor e de misericórdia, quais foram os sentimentos do Coração amabilíssimo de Jesus? Pediu perdão para os que o crucificaram, concedeu o Paraíso ao bom ladrão que se arrependeu, deu-nos, na pessoa do discípulo amado, Maria Santíssima como nossa Mãe. Declarou que tinha sede, com certeza sede física, mas para significar a sede mística de almas. Inclinando a cabeça e encomendando o espírito a seu Pai, expirou. "Tudo estava consumado": com o seu sacrifício, a obra da nossa redenção estava realmente consumada. O Coração de Jesus desejou ardentemente esta hora do supremo sacrifício, deste batismo de sangue, para salvar a humanidade. Estava estendida a ponte entre o paraíso que perdemos e o paraíso que agora podemos esperar pelos merecimentos infinitos do Coração do Salvador.

Jesus havia dito que Ele era a PORTA,  a porta por onde suas ovelhas podem entrar no Céu. Como tudo isto foi feito pelo amor infinito de Jesus e deste amor é símbolo o coração, Jesus quis, que já consumada esta obra de supremo amor, fosse patenteada esta porta e este refúgio; quis mostrar a ternura do seu Coração, permitindo que fosse aberto o seu lado com uma lança, para dar-nos com isso a entender que nos ficava aberta a entrada para o seu Coração, aonde podemos sempre acolher-nos como a sagrado e doce refúgio.


Caríssimos, contemplemos agora, o Salvador cravado na cruz por nosso amor, com a coroa de espinhos na cabeça, todo o seu corpo coberto de sangue, com as quatro chagas dos cravos e a da lança.  Estas cinco chagas abertas são como outras cinco bocas que estão pedindo amor como explica Santo Agostinho: "Grava, Senhor, as tuas chagas no meu coração, para que me sirvam de livro, onde eu possa ler a tua dor e o teu amor: a tua dor para suportar por Ti toda a sorte de dores; o teu amor para amar-Te ardentemente e para desprezar pelo teu todos os outros amores." Disse S. Paulo: "O amor de Cristo obriga-nos" (2 Cor. V, 14). E assim comenta São Francisco de Sales: "Verdadeiramente nada move tanto o coração dos homens como o amor... Ora, sabendo nós que Jesus Cristo, nosso verdadeiro Deus, nos amou até sofrer por nós a morte, e morte na cruz, não é isto razão para ter os nossos corações apertados e comprimidos para tirar deles todo o sumo precioso do amor, com uma violência que, quanto mais forte é, mais deleitoso se torna?" Amém!