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terça-feira, 23 de outubro de 2018

O DECÁLOGO DA VIDA TERRENA



(Excertos do capítulo II do Livro "OS DEZ MANDAMENTOS" , autor Mons. Tihamer Tóth)
"Há um escritor francês de vista aguçada e bem talhada pena, um pároco de Paris. O seu nome literário é Pierre l'Ermite (Pedro o Eremita). É nome muito conhecido.
No grande diário dos católicos franceses, La Croix, este pároco descreveu uma interessante conversa que teve com certa senhora. É senhora de idade avançada, mas em o encanto cheio de dignidade das avós, nem o olhar modesto que infunde respeito. Na sua pessoa lutam em partes iguais a seda, as jóias e os ingredientes com as marcas indeléveis do tempo que passa. Pertence à paróquia do escritor, mas não põe os pés na igreja. Contudo, na rua, nunca deixou de saudar o pároco com uma graciosa saudação de cabeça e gostaria mesmo de o ver entre os seus convidados... porque pensa que assim teria ficado em dia com as suas obrigações religiosas... O pároco é que não aceitou nem um dos seus convites.
Certo dia, passava esta senhora por uma rua, justamente ao lado do pároco; indignada, tremendo de cólera, voltou-se para o sacerdote a quem nunca havia dirigido a palavra:
  -  Monsieur le Curé! Senhor Prior! Olhe para ali! O pároco, surpreendido, olhou na direção indicada. A dizer a verdade não falta ali que ver... Passam na rua grandes autobuses cheios de jovens comunistas, de barretes encarnados, empunhando bandeiras vermelhas e cantando em coro a Internacional.
  - Que horror!  - gritou a senhora. E a sua cara, branca à custa de pó, tornou-se vermelha.
  - Que coisa repugnante! Que nojo!
O sacerdote sentiu também o coração oprimido à vista de tão horroroso espetáculo; mas, esforçando-se por aparentar tranquilidade, respondeu:
  - Isto, minha senhora, é na verdade, uma coisa lógica.
  - O que?! uma coisa lógica?! - exclamou a senhora, pasmada.
  - Claro que sim. Completamente lógica. Porque, se não há Deus, se não há vida eterna, se não há bem nem mal, não há motivo para que os comunistas tratem com delicadeza a sociedade burguesa...
  - A senhora respondeu irritada:
  - Mas Deus existe!
  - Sim, minha senhora! Mas eu nunca a vi na igreja.
  - Eu tenho cá um Deus pessoal...
  - Um Deus pessoal?
  - Sim, um deus pessoal. É mais cômodo.
Ao chegar a este ponto o sacerdote, habitualmente calmo e cortês, perdeu a paciência e expandiu o que, havia meses, guardava no coração.
  - Sabe, minha senhora, que é sua a responsabilidade do que se passa aqui, desta desordem, desta falta de consciência?
  - Minha?  - perguntou, surpreendida.
Sim. Da senhora e das pessoas como a senhora. Pertencem à classe social que orienta, à classe que deveria ser o sal, o fermento, a luz. E são-no, realmente? Não dão, durante todo o ano, o mau exemplo da indiferença religiosa aos seus porteiros, criados e conhecidos? Por que há de o povo acreditar se os senhores não acreditam? O povo segue-os. E se para os senhores não há nada santo, por que há de o povo respeitar, por exemplo, a sua bolsa, o seu adereço de diamantes... ou a sua própria pele? Minha senhora! Perante Deus nós somos responsáveis por tudo, tudo!
A senhora, encolerizada, olhou o pároco dos pés à cabeça, fez um trejeito com a boca e, voltando-lhe as costas, disse apenas:
  - Reverendo padre, quando eu quiser ouvir um sermão irei à igreja...
E seguiu, irada, o seu caminho.
Não quero afirmar que o pároco se portasse com inteira cortesia; nem mesmo teria razão em absoluto.
Mas não há dúvida de que a senhora também não a tinha. Porque, se qualquer pessoa tivesse o direito de fabricar para seu uso um "deus" individual e uma moral própria, então: I) Onde chegaria a vida da sociedade humana? II) Onde chegaria também a vida do indivíduo?
No capitulo anterior [do qual extraí o último post] tracei um quadro imaginário para mostrar quão tranquila e cheia de bênçãos seria a vida cá em baixo se os homens cumprissem com seriedade o Decálogo.
Observemos agora o reverso do quadro: Que sorte seria a da humanidade se um dia rompesse definitivamente com os dez Mandamentos? Que espantosa miséria!
Suprimi o primeiro Mandamento e permiti que cada qual fabrique para si um "deus" próprio; então ou chegaremos outra vez ao Panteão da Roma pagã, com seus trinta mil deuses, ou nos revolvemos em uma imoralidade pior que a vida dos animais, porque é mais fácil para a ave viver sem ar e para o peixe viver sem água do que para a alma humana viver sem Deus.
Apagai o segundo e o quarto Mandamentos e consenti que qualquer vadio da rua levante o punho, blasfemando contra Deus. Depois de rebaixar a autoridade divina poderá a autoridade humana permanecer intacta?
E onde os pais e as leis não têm autoridade, onde as palavras perderam o seu valor pode haver uma vida civilizada? não se poderá antes falar com propriedade de um rebanho humano reunido e dominado pelo látego de um carrasco?
Apagai o terceiro Mandamento, suprimi o culto e o descanso dominical! Avante! Viva o trabalho contínuo, viva o toque das sereias das fábricas. Já o experimentou o homem: as máquinas trepidantes abafam, em muitas partes, a voz dos sinos dominicais. Dizei-me, então: Somos assim mais felizes, mais livres ou oprime-nos um peso mais esmagador do que a escravidão dos ilotas? Sim: é justo adiantarmos e progredirmos... mas haveria em toda a história humana uma época de maiores desesperos, de mais punhos cerrados, de mais olhares chispando ódio? Houve alguma vez, nos tempos pretéritos, antes da técnica desenfreada que nem sequer permite o descanso dominical, crianças com bandeiras e barretes vermelhos?
Há médicos e homens entendidos em Economia que apregoam o benefício do descanso dominical e aplaudem a doutrina da Igreja, segundo a qual o homem mais rico está obrigado ao trabalho, mas o mais pobre tem igualmente direito ao descanso.
E como também recreia o espírito celebrar o domingo com um ato de culto e, pelo menos nestes momentos santos, elevar um pouco a alma humana, esgotada pela luta de cada dia!
Apagai o sexto e o nono Mandamentos, apregoai o amor livre. Passados alguns decênios, podereis ver ainda figuras humanas sobre a terra? Não verás somente costas curvadas, caras chupadas, olhos encovados, sangue empobrecido?
Apagai o sétimo e o décimo Mandamentos: e empenhar-se-ão numa luta de feras os homens dados à rapina.
Apagai o oitavo mandamento: e o esposo não poderá confiar na esposa, nem a mãe poderá acreditar nas palavras do filho.
Logo, a honra da palavra empenhada, o respeito da leis, a estima dos superiores, o amor do trabalho, a felicidade das famílias e o bem-estar da nações acompanha a sorte do Decálogo: com ele florescem ou sem ele decaem.
Se meditarmos na desorientação atual e no futuro da nossa sociedade, pesa-nos sobre o espírito uma incerteza esmagadora: por toda a parte um caminhar às apalpadelas nas trevas, ódio concentrado, pânico de revoltas, um buscar de novas formas de vida. Mas se dirigirmos um golpe de vista às catástrofes sofridas no passado, não temos razão para desanimar. A sociedade cristã sofreu crises maiores: basta recordar a queda de Roma, as invasões dos vândalos, hunos, turcos... os horrores da guerra dos Trinta Anos. Sim, tudo isto sofreu a Europa cristã. E como pôde resistir-lhe? Porque no momento crítico tinha uma ideia que infunde força, que dá vida: tinha fé em Deus.
E se hoje reina a agitação e se repetem diariamente os abalos sociais, é porque foi diminuída em nós a fé antiga em Deus. E no seu lugar que ficou? Incerteza, desespero, mania do suicídio em uma parte da humanidade; uma vida sem freio, luxo e libertinagem na outra.
Sociólogos, sábios, escritores dos nossos dias preocupam-se na averiguação de quem abriu a fossa a cujos bordos está cambaleando a humanidade atual. Quereis saber quem foram os que abriam tal fossa? Não quisera ser tão duro como o pároco parisiense. Mas devo dizer: foram os que despojaram a alma humana da sua fé em Deus, os que partiram as tábuas do Decálogo.
Não é coisa fácil levantar o homem moderno, acostumado ao estreito horizonte da vida material e elevá-lo às alturas ideais do Decálogo. Temos, contudo, de o conseguir. As multidões encaram hoje os pensamentos elevados, divinos, tão estupidamente como a galinha que esgravata no monturo poderia contemplar a águia real voando nas alturas.  - 'Pássaro insensato! para que voas no espaço vazio, onde não há ao menos um punhado de terra para rebuscar uns grãos?' E todavia a moral da Igreja Católica aceita a gigantesca tarefa de transformar esta geração de galinhas em estirpe de águias reais.
Que pretende, então o Decálogo? Que tenhamos olhar católico, ouvido católico, língua católica, mãos católicas, pés católicos e coração católico.
Queremos viver? Desejamos uma vida tranquila, cheia de grato sossego, neste mundo? Para isso não há outro caminho senão o que o Senhor ensinou: o cumprimento da Lei de Deus".
AMÉM!

TERÁ ATUALIDADE O DECÁLOGO?



(Excertos do capítulo I do Livro "OS DEZ MANDAMENTOS" da autoria de Mons. Tihamer  Tóth)

"Em cada Mandamento quisera sublinhar que devemos cumprir o Decálogo, não só porque a sua infração é um pecado contra Deus, mas também porque é ainda um pecado contra a natureza humana, contra uma vida terrena feliz, contra a sociedade. Quero destacar o pensamento importante de que estas leis são antigas, sim, mas nem por isso antiquadas: que estas leis não têm apenas três mil anos, mas seis... eu sei lá quantos milhares! porque são tão antigas como a própria humanidade. Certo é que o Senhor as codificou a partir dessa data de que temos conhecimento, dando-as escritas nas tábuas de pedra do Sinai; porém, milhares de anos antes, quando criou o homem, gravou-as no mais sensível da coração humano, no mais fundo da sua natureza e, por isso, ainda que tornem a passar novos milhares e dezenas de milhar de anos sobre a humanidade, e por muito que esta cubra com prodigiosos inventos da técnica a face da terra, estas leis, as palavras majestosamente singelas do Decálogo, desafiarão, imutáveis, todos os tempos.
O Decálogo não foi imposto apenas aos Judeus, ao homem antigo. Porque a proibição de perjurar, de roubar, enganar, matar, levar vida licenciosa é pedra fundamental, inamovível, de todas as sociedades e de todas as épocas. (...) Do cumprimento do Decálogo depende não só a nossa vida eterna, como também a nossa felicidade temporal e, ou a humanidade permanece fiel aos mandamentos de Deus, ou terá de resignar-se a nunca mais gozar uma vida humana tranquila, pacífica, feliz e sã. Porque aquelas dez breves frases, inscritas em antigas tábuas de pedra, dirigem-se a todos os homens. (...).
Ponho-me a imaginar o que seria, como se modificaria esta vida terrena, tão triste e tão cheia de lutas se os homens um dia resolvessem: De hoje em diante tomaremos a sério o Decálogo.
Soltemos as rédeas da nossa fantasia: esta noite os homens decidem cumprir, para o futuro, como todo o rigor, os Mandamentos. Que sucederia?
Vem a aurora... os homens levantam-se, aqui, além..., após tranqüilo repouso. E, que surpresa! não pedem primeiro que tudo o café da manhã; mas todos dobram os joelhos junto das suas camas e, em oração curta, fervorosa, consoladora, saúdam o Senhor! Todos oram: hoje está em vigor o Decálogo.
Chega a hora do primeiro almoço e repartem-se os periódicos que cheiram ainda à tinta fresca de imprensa. Mas, coisa rara! O café nunca foi tão saboroso: nas páginas do Diário há grandes espaços em branco, principalmente nos lugares antes destinados às murmurações e aos escândalos. Ah! sim! está em vigor o Decálogo. É proibido enganar. E por isso é tão boa e pura a lei. É proibido mentir e por isso as folhas vêm tão vazias...
Termina o primeiro almoço. Cada qual segue, apressado, para o seu trabalho! Numerosos estudantes dirigem-se para as suas aulas e todos de bom humor, porque não vão arquitetando as mentiras que habitualmente dizem aos professores como desculpa de não saberem as lições  -  hoje não é permitido mentir! - Em vez dessas mentiras, vão repetindo, para si, o que levam bem sabido, já que hoje toda a gente cumpre o seu dever.
Os pais de família dirigem-se para  as repartições. Que interessante! Hoje, às oito, todos estão no seu posto e os assuntos dos clientes são despachados com presteza e interesse... Mas... que terão estes homens?
Os operários encaminham-se para as fábricas; todos empunham as ferramentas e manejam os maquinismos com vigor e satisfação. Não há um só que se atreva a revoltar-se. Não dizem mal do fabricante, do rico, do patrão... Ah! sim! Está em vigor o Decálogo.
A dona de casa dirige-se ao mercado... Que contentamento! que segurança! Compra um litro de nata e nem sequer a prova primeiro: tem certeza de que não está azeda. Compra o colorau e sabe que não vem misturado com pó de tijolo. Compra mel e não há nele mistura, Deus sabe de que droga. Compra manteiga que não tem margarina. Ao trocar uma nota do Bando nem sequer verifica o troco. E ninguém regateia, porque hoje é proibido enganar.
O açougueiro compra um boi e tem a certeza de que não lhe deram previamente de beber, para pesar mais, cheio de água. E o que ainda vale mais, quando se retira com a sua compra, corre atrás dele o vendedor, dizendo: Queira desculpar, enganei-me no troco e dei-lhe menos do que devia..."
Será preciso continuar a descrever como seria o mundo se tomássemos a sério o Decálogo?
Regressa o marido de longa viagem e a esposa, recebe-o com aquela alegria verdadeira que só pode ser comunicada por uma consciência completamente tranquila e uma fidelidade conjugal mantida sem desdouro.
Chega o filho da escola e que felicidade para os pais saberem que cada palavra sua representa a verdade clara!
Logo à tarde há um comício. Porém, os oradores, que até agora falavam durante horas, de rosto contraído, espumando de cólera, não podem falar nem dois minutos, porque hoje só é permitido dizer a verdade.
Teremos de continuar? Nessa tarde um grupo de amigas reúne-se para o chá das cinco. Há anos que têm este costume: hoje, porém, a conversa leva tanto tempo a animar-se! E contudo faltam ali companheiras habituais de quem se poderia tranquilamente murmurar, na ausência. Mas, é verdade! hoje não se pode dizer mal de ninguém.
Desapareceram os policiais da rua; não têm que fazer: hoje não há criminosos.
Dos lugares de publicidade desaparecem os anúncios e gravuras licenciosas; e os nossos jovens podem passear tranquilos, esta noite, pelas ruas das grandes cidades; hoje é proibido seduzir ou impelir alguém ao pecado.
Abrem-se as cadeias; não há criminosos!
Nas Repartições de Contribuições... [declarações de renda] oh! quantos homens se comprimem ali!  -  "Peço-lhe que corrija a minha contribuição [declaração]; os meus rendimentos são justamente dez vezes maiores do que eu tinha manifestado..."
Assim aconteceria se cumpríssemos a sério os dez Mandamentos. E se em vez de um dia fosse uma semana inteira? E se em vez de semanas toda a vida? Que paraíso terreal floresceria neste vale da lágrimas!
    -  Ilusões! Fantasias de poeta! - dir-me-ão.
De modo algum fantasias, mas sim a vontade de Deus. É vontade de Deus que cumpramos o Decálogo, para assim garantirmos o equilíbrio da vida terrena. Eu quero crer: a vida temporal, deste modo, seria o Céu na terra. Continuaria o sofrimento, a doença, a morte. Desapareceria, porém, da nossa vida, aquela infinidade de tormentos, cuja causa somos nós unicamente. Desapareceria: e então a vida humana seria suportável, tranquila  -  que mais direi?  -  seria feliz. Porque não podemos esquecer que Nosso Senhor Jesus Cristo não é nosso Redentor só por ter libertado as nossas almas do pecado, mas também por ter dotado a vida terrena do homem com as leis mais a propósito para dignificar e enobrecer".
AMÉM!