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segunda-feira, 29 de maio de 2017

AS TRÊS PROCISSÕES DE SÃO BENTO LABRE

 LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Diz S. Bento Labre que há três classes de pecadores que se confessam: penitentes perfeitos, penitentes imperfeitos, penitentes falsos. Ao saírem do confessionário, eles se dividem e formam como que TRÊS PROCISSÕES, cada uma das quais toma um caminho bem diferente.

·      -   A primeira procissão é composta de penitentes perfeitos, isto é, daqueles que procuraram com cuidado, no fundo, do seu coração, todos os pecados cometidos. Em seguida, fizeram deles uma confissão boa, compenetrados de uma dor sincera de ter ofendido a Deus infinitamente bom, o mais terno dos pais, estando bem resolvidos a satisfazer neste mundo à justiça divina, ajuntando à penitência que lhes tinha sido imposta na confissão outras penitências espontâneas e, para remissão das suas penas temporais, recorrendo às indulgências da Igreja. Se estes santos penitentes são bem fiéis, subirão ao céu no mesmo instante da sua morte, e alcançarão logo a felicidade eterna.

·     -    O segundo grupo é composto dos penitentes imperfeitos. Nada de essencial faltou à sua confissão, nem o exame, que foi sério, nem a acusação dos pecados, que foi humilde, sincera e inteira, nem a contrição, que foi sobrenatural e profunda. Mas, fracos e pouco zelosos para levarem até o fim um trabalho de purificação por atos de contrição e de amor reiterados, por mortificações, esmolas e indulgências, morrem na amizade de Deus, sem que possam gozar logo da sua união, porque têm ainda de satisfazer à justiça divina. Eles são condenados ao purgatório, para lá se purificarem das manchas de que tão facilmente se poderiam purificar sobre a terra.

·     -    Finalmente, a terceira classe é composta dos falsos penitentes. Por sua culpa foi-lhes o remédio transformado em veneno mortal. Todos os cristãos sacrílegos chegam ao inferno pelo caminho que os devia conduzir ao céu; no inferno gemem eternamente por ter feito servir a sua condenação o que podia ser para eles um meio de salvação. Exclamarão durante toda a eternidade: por que não me converti cuidadosamente, não me acusei sinceramente, não me arrependi verdadeiramente?

Eis aí, caríssimos, o que dizia S. Bento Labre, o santo pobre de Jesus Cristo, para induzir os outros a que façam só boas confissões.

Terminemos com os conselhos do Padre Perriens: Alma cristã, não vos esqueçais de aplicar às almas do purgatório o maior número de indulgências que puderdes; fazendo-lhes esta caridosa aplicação, não receeis ficar passível das penas que tendes merecido. Santa Gertrudes, à hora da morte, afligia-se por não ter feito nada pela sua alma; pois, tudo quanto fizera de bem tinha-o aplicado às almas do purgatório. Então Jesus Cristo lhe apareceu e disse: Gertrudes, alegra-te; tua caridade para com as almas do purgatório foi-me tão agradável, que, depois da tua morte, serás isenta de toda a pena, e far-te-ei acompanhar ao paraíso por todas as minhas esposas queridas que a teus sufrágios devem o ter saído do purgatório".


segunda-feira, 22 de maio de 2017

A PENITÊNCIA DADA PELO CONFESSOR

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

 Outra parte necessária da confissão é a SATISFAÇÃO, ou seja, a penitência imposta ao penitente pelo confessor. Dizemos que a satisfação ou penitência na confissão é parte necessária mas não essencial. Por que não é essencial? Porque sem ela o sacramento pode ser válido. Diz-se em teologia que a satisfação ou penitência é parte integrante do sacramento. Vamos dar exemplo de quando o sacramento da Penitência pode ser válido mesmo não havendo condição de se fazer a penitência: uma pessoa perto de morrer, recebe validamente o sacramento da Penitência, sem a imposição da penitência, porque o moribundo está incapacitado de a fazer.

Sendo, porém, a satisfação parte integrante, significa que ao confessar-se, se o penitente não tiver a intenção de cumprir a penitência, a confissão seria nula, pois, deve-se ter a vontade de satisfazer a penitência que o confessor impuser. Se, ao contrário, havia esta intenção ao confessar-se, e depois houvesse negligência em cumprir, a confissão seria válida, mas cometer-se-ia um pecado grave, sendo a penitência imposta em matéria grave.

Caríssimos, vamos explicar o porquê e o significado da SATISFAÇÃO ou PENITÊNCIA. Quem peca se torna culpado da falta cometida, e se torna passível da pena devida a esta falta. A absolvição, que dá depois o confessor, perdoa a falta, e ao mesmo tempo a pena eterna; e, quando o penitente tem uma grandíssima contrição, recebe também a remissão de toda a pena temporal; mas quando a sua contrição não é bastante grande, fica passível de uma pena temporal, que deve satisfazer, nesta vida ou no purgatório. Ora, o Santo Concílio de Trento nos ensina que, pela penitência sacramental não só se satisfaz a pena merecida, mas ainda se remedeiam os maus efeitos do pecado, as paixões, os hábitos viciosos , a dureza do coração, e, além disso, se adquire força para não recair. Daí compreendemos a vantagem de se confessar mais vezes, senão de quinze em quinze dias, pelo menos mensalmente.

Algumas perguntas com as devidas respostas sobre este assunto de que estamos tratando:

- Que pecado comete quem se descuida de fazer a penitência imposta pelo confessor na confissão? RESPOSTA: Devemos distinguir: se a penitência é leve, peca venialmente; se é grave, peca mortalmente. Quem sente muita dificuldade em cumprir a penitência recebida, pode fazê-la mudar pelo mesmo confessor ou por um outro.

2ª - Pode acontecer que realmente o penitente, dadas as circunstâncias em que se acha, não tenha condição de fazer tudo o que o confessor mandou, então o que fazer? RESPOSTA: O melhor é ali mesmo na hora da confissão, expor para o confessor as dificuldades que terá em cumprir aquela penitência que acabou de lhe impor. E deve dizer assim: Padre, temo não poder fazer esta penitência,  peço que me dê outra. É melhor agir assim do que ficar calado, e aceitar a penitência e depois não fazer nada.

3ª - Em que tempo devemos cumprir a penitência? RESPOSTA: No tempo prescrito pelo confessor; e, se este nada determinar a tal respeito, deve-se cumpri-la logo: pois, quando a penitência é grave, principalmente sendo medicinal, seria grave falta diferi-la por longo tempo.

4ª - Quem, depois da confissão, tivesse a desgraça de recair em um pecado grave, teria ainda de fazer a penitência imposta? REPOSTA: Sim, seria ainda obrigado a isso.

5ª - E a penitência assim feita, em estado de pecado, é satisfatória? RESPOSTA: Sim, é satisfatória.


Infelizmente pode acontecer que haja pessoas que não fazem a penitência imposta pelo confessor. Ou, então, vão adiando, e acabam se esquecendo. Sabei, caríssimos, que se não cumprirdes a vossa penitência neste mundo, tereis de fazer uma muito maior no purgatório. Por isso, devemos considerar a penitência do confessor muito pequena em comparação do castigo que merecemos, e devemos tomar aquela penitência imposta pelo confessor mais como uma lembrança de que devemos fazer mais penitências. Daí está respondida já uma outra pergunta: se a gente pode fazer mais ou maior penitência do que aquela imposta pelo confessor? Respondo: Pode e é sumamente aconselhável que o faça, desde que tenha a discrição para não fazer nada que prejudique à saúde, e faça tudo com muita humildade e reta intenção. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O SEGREDO DA CONFISSÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Dizia Santo Agostinho: "O que eu sei pela confissão, eu o sei menos do que aquilo que ignoro".
E Santo Ambrósio: "Não há nada mais oculto do que é descoberto em confissão".

Esta é a lei: O confessor é obrigado ao mais inviolável segredo a respeito do que sabe pela acusação do penitente. Esta lei do segredo da confissão não admite absolutamente nenhuma exceção. Fosse preciso salvar a sua vida, evitar uma grande desgraça, conservar mesmo a vida a cem milhões de pessoas, jamais o confessor poderia declarar o que ouviu no santo tribunal. Seria antes obrigado a deixar-se queimar vivo, do que revelar um só pecado. Também sempre que o sacerdote se viu colocado na alternativa de escolher entre a revelação do segredo sacramental e a morte, nunca hesitou em escolher a morte. Atesta-o São João Nepomuceno.

Há inúmeros fatos semelhantes ao de São João Nepomuceno. Vou relatar aqui apenas um: Em 1860, um indivíduo cometeu um assassinato. Confessou-se depois, deixando na sacristia, onde um pobre cura o tinha ouvido, uma roupa ensanguentada que pertencia à vítima. O cura foi preso e acusado do crime. Não podia dizer uma só palavra de desculpa sem que violasse o segredo sacramental. Deixou-se, pois, condenar como culpado. Foi degradado e enviado para as minas da Sibéria. Em 1875, o verdadeiro assassino, achando-se no leito de morte, chamou testemunhas e declarou, sob a fé do juramento, que era ele o culpado e que o sacerdote estava inocente. O novo João Nepomuceno foi, pois, chamado do exílio, e solenemente reintegrado em sua paróquia.

Um sacerdote, citado em justiça, deve responder, mesmo com juramento, que ignora o autor de um crime, quando não o sabe senão pela confissão. "Um homem, diz Santo Tomás de Aquino, não pode ser chamado como testemunha senão como homem. É a razão porque o padre não prejudica a sua consciência afirmando ignorar uma coisa de que não teve conhecimento senão como ministro de Deus. Pois, propriamente falando, não foi a ele que se fez a confissão, mas a Deus".


Uma pergunta que geralmente se faz é a seguinte: E o penitente é obrigado ao segredo? Em outras palavras: pode ele contar a outros o que o confessor lhe disse no santo tribunal da confissão? Resposta: O sigilo da confissão foi estabelecido em favor do penitente, e não em favor do confessor. Entretanto, os teólogos concordam em dizer que o penitente é obrigado, pela lei do segredo natural, a não divulgar as palavras do confessor, que possam causar-lhe algum prejuízo. "Eu, acrescento, diz Santo Afonso, que esta lei é mais rigorosa que qualquer outra do mesmo gênero, porque o confessor dá os seus conselhos, não livre e espontaneamente como os outros, mas por dever e por obrigação". Convém, além disso, que o penitente guarde silêncio sobre tudo o que lhe diz seu padre espiritual, pelos seguintes motivos: a) Pelo respeito devido ao sacramento, as coisas santas não devem ser objeto de conversações fúteis; b) Pelo respeito a si mesmo, visto que se expõe por isso a tornar conhecidas as suas próprias faltas, e passar por ter uma língua inconsiderada; c) Pelo respeito que se deve ao confessor, cujas palavras são tantas vezes mal compreendidas e deturpadas pelo penitente; d) Pelo respeito às almas que precisam ter uma confiança muito grande no confessor, confiança que não deixa de diminuir por esta espécie de conversas. Devemos ter presente na mente que o confessor é médico, e, o que se dá atinente às doenças corporais, com as devidas adaptações, se aplica também às doenças espirituais no que se refere a alguns detalhes: por exemplo: os remédios que são salutares para um paciente, podem ser prejudiciais a outros. Assim os conselhos que se aplicam a um penitente, podem não ser salutares a outros, porque as consciências não são iguais: há as consciências delicadas, as escrupulosas e as laxas. Agora, detalhes na confissão que, com certeza não farão nenhum mal a ninguém, mas, pelo contrário será para o bem de todas as almas que deles tomarem conhecimento, o penitente pode externá-los, embora não esteja obrigado a isso. Em algumas das postagens que aqui fiz sobre o "Sacramento da Confissão", relatei alguns destes exemplos. 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

DESFAZENDO DÚVIDAS DE CONSCIÊNCIA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Padre, tenho tantas dúvidas de consciência! Que devo fazer? Responderei com o célebre escritor espiritual e grande teólogo o Padre Perriens. Este, por sua vez se baseia em Santo Afonso Maria de Ligori, que, como todos sabem é a maior autoridade na Igreja no que se refere à Teologia Moral.

"Quanto às dúvidas, que podereis ter, relativamente a pecados que não estais certos de ter cometido, ou a confissões talvez mal feitas, se quiserdes manifestá-las ao vosso diretor, para maior tranquilidade, fareis bem, a menos que não sejais escrupulosos; pois, para os escrupulosos, não aconselho a que confessem as suas dúvidas.

Todavia, é bom que conheçais alguns ensinamentos aprovados pelos teólogos, que podem livrar-vos de muitas inquietações e dar-vos a paz.

1. Em primeiro lugar, não há obrigação de confessar os pecados graves, quando duvidosos, ou quando há dúvida de terem sido cometidos com pleno conhecimento ou consentimento perfeito e deliberado.

Além disso, as pessoas que levaram durante muito tempo vida espiritual, quando duvidam de ter cometido ou não algum pecado grave, podem estar certas de não ter perdido a graça de Deus; pois, é moralmente impossível que uma vontade firme nos bons propósitos mude de repente, e consinta em um pecado mortal, sem o conhecer claramente; porque o pecado mortal é um monstro tão horrível, que não pode entrar em uma alma que teve por muito tempo horror a ele, sem se fazer conhecer claramente.

2. Em segundo lugar, quando o pecado mortal foi cometido com certeza, e se duvida se foi confessado ou não, então, não havendo razão para julgar que tenha sido confessado, deve-se certamente declará-lo.

Mas, havendo razão ou presunção fundada de que o pecado foi outrora confessado, não há obrigação de o confessar.

Daí, quando uma pessoa fez as suas confissões gerais ou particulares com o cuidado requerido, e receia ter omitido algum pecado ou alguma circunstância, não precisa acusar-se de novo, pois pode crer prudentemente que fez o que devia.  - Mas, objetar-me-eis, se eu estivesse obrigado a dizer isso, sentiria muita vergonha. Resposta: Não importa; desde que não estais obrigado a falar da vossa dúvida, esta repugnância não vos deve inquietar. Basta dizer em vosso coração: Senhor, se eu soubesse verdadeiramente que devia confessar-me, eu o faria logo, qualquer que fosse a pena que tivesse de sofrer.

Demais, é bom que cada um descubra ao seu diretor as dúvidas que o inquietam, não fosse isto senão para se humilhar, a menos que não seja escrupuloso; pois, neste caso, não deve falar neles. [Escrupuloso: quem tem coceira nas vistas, quanto mais esfrega, mas coça].

Mas o que eu queria principalmente é que fizéssemos conhecer ao confessor as vossas PAIXÕES, as vossas INCLINAÇÕES  e AS CAUSAS das vossas tentações, afim de que ele pudesse achar as raízes do mal; pois, não se arrancando essas raízes, as tentações não cessarão nunca; e há grave perigo de consentir nelas, quando se pode afastar a causa e não se o faz.

É ainda útil, pelo menos, a algumas pessoas, para se humilharem, descobrir as tentações que mais as humilham; tais são especialmente, as tentações contra a castidade. "A tentação descoberta é meio vencida",  diz São Filipe Nery. Eu disse, PELO MENOS A ALGUMAS PESSOAS,  pois, para outras, que são raras vezes tentadas, mas muito tímidas neste matéria, temendo sempre ter consentido, é por vezes prudente proibir-lhes que se confessem sobre tal ponto, enquanto não têm a certeza de ter consentido no pecado."


Gostaria de acrescentar que, uma pessoa que conta as tentações, mas logo garante que não deu consentimento, isto é simplesmente perder tempo no confessionário. Porque aí se contam pecados, e, quando não se consente nas tentações, não há nenhum pecado. E se alguém, porventura só contar tentações nas quais não consentiu, não pode receber a absolvição, a menos que inclua pecados passados já confessados e dos quais tem certeza de ter arrependimento de os ter cometido. Digo isto, porque temos de distinguir duas coisas: a confissão e a direção espiritual. Mas, quando há tempo suficiente, e não vai deixar outros penitentes esperando muito tempo, se pode por ocasião da confissão, fazer também a direção espiritual.  

segunda-feira, 15 de maio de 2017

ESCLARECIMENTOS QUE TRANQUILIZAM A RESPEITO DA CONFISSÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Fazemos estes esclarecimentos para que o demônio não engane ninguém na confissão.

Primeiramente, a quantas pessoas devemos fazer conhecer os nossos pecados? Resposta: Basta que o digamos uma vez a um só confessor. E, como já tivemos ensejo de demonstrar, temos obrigação de confessar somente os pecados mortais. Esta é a matéria necessária. Por conseguinte, caríssimos, se o vosso pecado não é mortal, ou se, quando o cometestes, não o considerastes como tal, não sois obrigado a confessá-lo. Por exemplo: uma pessoa cometeu em sua infância uma ação desonesta, ignorando então que isso fosse pecado mortal, não tendo mesmo a menor dúvida a esse respeito; não é obrigada a confessar esse pecado.

Para desfazer outra possível tentação do demônio mudo para afastar alguém da confissão, ou, para levá-la a fazer confissão nula e sacrílega, vou formular mais alguns pretextos que o inimigo das almas costuma apresentar:

Temo, dirá alguém, que o confessor me repreenda, quando ouvir o meu pecado. Resposta: Isto, caríssimo(a), é uma apreensão inteiramente sem fundamento. Repreender-te? Por que? Isto é pura insinuação do demônio mudo, porque o ministro de Deus coloca-se no confessionário, para aí ouvir, não a narração de êxtases e de revelações, ou atestado de pretensas virtudes. O confessor, na verdade, se senta no confessionário, esperando ouvir a acusação de pecados cometidos. E caríssimos, o confessor não pode ter consolação maior do que quando uma alma lhe descobre as suas misérias. Se pudésseis sem muita pena livrar da morte uma rainha ferida pelos seus inimigos, que consolação não experimentaríeis procurando a sua liberdade! Pois bem! é o que faz o confessor, quando uma pessoa vai declarar-lhe o mal de que se tornou culpada: pela absolvição que lhe dá, cura a sua alma ferida pelo pecado, e a livra da morte eterna. Os sacerdotes zelosos têm alegrias que nenhum leigo poderá ter; mas estas alegrias os confessores as levarão consigo para o túmulo. Nós padres, às vezes, parecemos tristes, mas estamos sempre alegres e distribuindo alegrias espirituais.

Outra preocupação: O confessor, ao menos, escandalizar-se-á e tomará para sempre horror de mim. Resposta: Erro completo! Longe de se escandalizar com a vossa conduta, ficará edificado por vos ver fazer a confissão sincera das vossas faltas, apesar da confusão que experimentais. E, depois, pensais que o confessor não ouviu, confessando outros, muitos pecados semelhantes aos vossos, e talvez mais graves? Oh! quem dera que fôsseis só vós que tivésseis ofendido a Deus! Também não é verdade que o confessor vos terá horror; ao contrário, mais vos estimará, e se aplicará de boa vontade a ajudar-vos, comovido pela confiança que lhe testemunhastes, descobrindo-lhe as vossas misérias. Eis o que se passou com  um afortunado penitente de São Francisco de Sales: Muito lutou consigo mesmo para fazer uma confissão geral dos numerosos desvarios da sua mocidade. O bondoso S. Francisco de Sales, que ficara muito comovido com o humilde arrependimento  do penitente, manifestou-lhe o seu contentamento e a sua alegria. "Quereis consolar-me, padre, respondeu o penitente ainda todo confuso; pois, com certeza, não podeis ter ainda estima por um miserável pecador como eu!  -  "Estais muito enganado, replica logo São Francisco de Sales; eu seria um verdadeiro fariseu, se, depois da absolvição, vos considerasse ainda pecador. A meus olhos estais agora mais branco que a neve. Devo amar-vos duplamente: pela grande confiança que me testemunhais, abrindo-me tão perfeitamente o vosso coração, e porque vos tornastes meu filho em Jesus Cristo. De vaso de ignomínia, vejo-vos transformado em vaso de glória; não é certo que a Nosso Senhor agradaram mais as lágrimas do que desagradou a queda de São Pedro? Finalmente, eu teria muito duro coração se não tomasse parte na alegria que experimentam os anjos. Acreditai-me, acrescenta o Santo Bispo, as lágrimas que vi correr dos vossos olhos fizeram em minha alma o que faz a água dos ferreiros, que mais depressa abrasa do que extingue o fogo dos seus braseiros. Ó Deus! como eu vos amo deveras, agora que o nosso coração ama a Deus!" Esse penitente retirou-se tão satisfeito, que não sabia com que palavras exprimir a sua felicidade e o seu reconhecimento. E não contendo dentro de si o oceano de felicidade, externou-o a todos os que queriam ouvi-lo, contando tudo o que aconteceu com ele na confissão feita com o bispo Francisco de Sales.

Outra tentação do demônio: Confessar-me-ei mais tarde. Resposta: Mas, neste caso, o que pode acontecer é a pessoa ir acrescentando mais sacrilégios. E o sacrilégio é coisa horrível!!! E assim, o remédio que Jesus Cristo vos preparou com seu sangue na confissão, é convertido para vossa alma em um veneno mortal! É preciso também pensar no seguinte: quantas mortes repentinas e imprevistas! E então, que será daqueles que deixam a confissão para mais tarde, e são assim surpreendidos pela morte? Que será destes tais para toda a eternidade?

Caríssimos, tomai, pois, coragem. O difícil é só até começar a confissão. Desde que tiverdes começado a abrir o vosso coração, toadas as apreensões se dissiparão, e ficai persuadidos de que , depois da confissão, estareis mais contentes, por ter confessado as vossas faltas, do que um homem do mundo que ficasse rei de toda terra. E ficai sabendo que, quanto maior for a violência que tiverdes feito para vos vencerdes, maior será o amor com o qual Deus vos abraçará.


Para terminar, quero contar um fato: O célebre orador Padre Paulo Ségneri refere que uma mulher fez um tal esforço sobre si mesma, para confessar certos pecados cometidos em sua infância, que desfaleceu. Em recompensa deste ato generoso, Nosso Senhor lhe concedeu uma compunção tão grande e um amor tão forte, que desde esse momento entregou-se à perfeição, praticando austeras penitências. Morreu em odor de santidade. Amém!

quarta-feira, 10 de maio de 2017

É UMA LOUCURA E UMA DESGRAÇA A VERGONHA EM CONFESSAR OS PECADOS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Em primeiro lugar, vamos ouvir a palavra do grande doutor da Igreja, Santo Agostinho: "Que desgraça para vós! Pensais somente na vergonha e não pensais que, se não confessardes, vos condenareis! Ó loucura! não receastes fazer uma ferida mortal em vossa alma, e corais de lhe aplicar o remédio que a pode curar".

O Sacrossanto Concílio de Trento diz: "Se o médico não vê e não conhece bem a chaga, não pode curá-la". Caríssimos, que desgraça para uma alma que se confessa, calar por vergonha qualquer pecado grave! "O que devia reparar o mal causado por este pecado, torna-se um novo triunfo para o demônio", exclama Santo Ambrósio.

Prestai atenção nesta comparação: Os soldados vitoriosos fazem alarde das armas que tomaram ao inimigo; e assim que o demônio se gloria das confissões sacrílegas, armas  de que despojou àqueles que podiam servir-se delas para o vencer. Realmente, como são dignas de lástima estas almas, que mudam assim seu remédio em veneno!

Na  parte superior: símbolo de uma alma no
estado de graça após uma santa confissão.
Na parte inferior do quadro: símbolo de uma
alma dominada pelo demônio após confissão
sacrílega. 
Por exemplo: Tal pessoa teve a desgraça de cair em um pecado grave; mas, não o declarando na confissão, comete um sacrilégio, que é um pecado muito maior; eis aí como o demônio triunfa.
Dizei-me: se, por não ter confessado vosso pecado, devêsseis ser mergulhado em uma caldeira de azeite a ferver, e que depois este pecado devesse ser conhecido por todos os vossos parente e todos os vossos concidadãos, ocultá-lo-eis? Seguramente que não, tanto mais quanto sabeis que, depois de uma boa confissão, o vosso pecado ficaria escondido, e não teríeis de vos sujeitar a esse horrível suplício. Ora, é muito certo que, se não confessais o vosso pecado, ardereis no fogo do inferno durante toda a eternidade, e, no dia do julgamento, esse pecado será conhecido, não só dos vossos parentes e dos vossos concidadãos, mas de todos os homens: "Pois devemos todos comparecer ao tribunal de Jesus Cristo" (2 Cor. V, 10). Se não confessais o mal que fizestes, diz o Senhor, "manifestarei vossas ignomínias a todas as nações" (Naum, III, 5).

Suponhamos: Cometestes o pecado mortal; se não o confessais, sereis condenado. Por conseguinte, se vos quereis salvar, deveis confessá-lo um dia; e, se deveis confessá-lo um dia, por que não agora? Quereis esperar que chegue a morte, depois da qual não podereis mais confessá-lo! Ficai sabendo que, quanto mais diferirdes a sua confissão, multiplicando com isto os sacrilégios, tanto mais hão de aumentar em vós a vergonha e a obstinação, ou o endurecimento do coração. Sabei, outrossim, que, se não confessais o vosso pecado, nunca tereis repouso durante a vossa vida. Ah! que tormento experimenta em si mesmo uma pessoa que sai do confessionário, sem ter declarado o seu pecado" É uma víbora que traz continuamente em seu seio, e que não deixa de lhe dilacerar o coração. Dupla desgraça: sofrerá um inferno nesta vida e na outra! Coragem, pois, o pecador demasiadamente temeroso; se tivestes a desgraça de não confessar algum pecado por vergonha, tomai a resolução de vos acusar dele o mais depressa possível. Isto não é difícil; basta que digais ao confessor: "Padre, tenho vergonha de confessar um pecado". Ou, então,  dizei: "Tenho inquietação de consciência sobre minha vida passada". Será depois trabalho do confessor arrancar o espinho que vos mortifica. Oh! que alegria quando tiverdes expulsado do vosso coração aquela funesta víbora!

Para terminar esta postagem, quero contar um fato histórico: Santa Ângela de Foligno, que também teve, em sua mocidade, a desgraça de ocultar pecados em confissão. Desde muitos anos, o cuidado da sua reputação lhe fechava a boca, quando uma noite, não podendo mais suportar-se a si mesma, levantou-se, ajoelhou e, derramando lágrimas, invocou com fervor o socorro de S. Francisco de Assis, em quem tinha tido sempre uma grande confiança. O santo apareceu-lhe e lhe disse com suave compaixão: "Pobre filha, se me tivésseis chamado mais cedo, desde muito tempo que eu teria vindo em teu auxílio! Amanhã, ao amanhecer, sai de casa; o primeiro padre que encontrares, será este que te envio para te confessar e te salvar". No dia seguinte, de manhã, Ângela encontrou diante da sua casa um bom padre capuchinho que entrou na igreja, para celebrar a missa. Ela seguiu-o; depois da missa, confessou-se com grande arrependimento. Fez desde então tais progressos na virtude, que chegou a uma santidade sublime e foi enriquecida do dom dos milagres. Tal foi sua humildade que fez questão de contar esta passagem de sua vida! Mas ela não tinha obrigação de contar. E realmente só no dia do juízo final, veremos quantas almas se salvaram, por terem rezado para conseguir esta graça de sair de uma vida de sacrilégios!


terça-feira, 2 de maio de 2017

A CONFISSÃO DOS PECADOS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

 Contar os próprios pecados ao confessor talvez pareça algo muito penoso para o homem, que é naturalmente orgulhoso. Por isso devemos pedir a Deus, Nosso Senhor a virtude da humildade. Na verdade, o confessionário é um tribunal de misericórdia. O pecador, o réu se acusa, mas não para ser condenado e sim para ser perdoado. Ma o faz no segredo do confessionário. Como Deus é bom!. Podia exigir, de quem O ofendesse, uma confissão pública das suas faltas, e o pecador devia, mesmo assim, julgar-se muito feliz podendo evitar o inferno por esse preço. Deus, porém, contenta-se com uma confissão secreta, e o sacerdote que a ouve é obrigado ao mais inviolável segredo.

É evidente que a confissão dos pecados para ser boa e, portanto válida, deve apresentar algumas qualidades. São três estas qualidades: humilde, sincera e inteira (íntegra).

Com a graça de Deus, nesta postagem de hoje, vamos explicar a primeira qualidade:

1. A confissão deve ser humilde.

O penitente que se vai confessar deve considerar-se um criminoso condenado à morte, carregado de tantas correntes quantos são os pecados que tem na consciência; assim se apresentará diante do confessor, que ocupa o lugar de Deus, e que só o pode livrar dessas correntes, bem como do inferno que o pecador mereceu. É necessário, pois, que o penitente fale ao confessor com toda a humildade. O pecador não deve dizer uma palavra sequer para se desculpar. É preciso, outrossim, que o próprio tom e a linguagem denotem a humildade do coração.

Eis um exemplo: Um dia, um grande pecador foi procurar S. Francisco de Sales, e confessou-lhe as suas desordens com um tom e uma linguagem que denunciavam falta de arrependimento e de pudor. O Santo rompe em suspiros e em soluços. "Padre, diz o pecador, estais sentindo-se mal?  -  Não, sinto-me bem, mas sois vós que estais mal.  - O penitente disse-lhe: eu, padre, sinto-me otimamente!  -  Pois, bem! então, meu filho, continuai. Então o penitente continua com o mesmo tom, e o Santo a chorar cada vez mais. "Mas, afinal, diz o penitente, porque chorais?  - Eu choro, meu filho, porque vós não chorais, replicou o confessor. A estas palavras, todo envergonhado de si mesmo e completamente transformado, o pecador exclama: "Ó miserável que eu sou! os outros confessores fazem algumas vezes chorar os seus penitentes, e eu faço chorar o meu confessor! Os meus pecados arrancam lágrimas ao inocente, e eu não choro!" E com esta consideração, quase chegou a desfalecer de dor. E desde então tornou-se um modelo de virtude, sobretudo de humildade, chegando ao ponto de contar tudo isto para os outros  afim de se humilhar.

Há alguns que ousam contestar o confessor, e que lhe falam com tanta arrogância, como se ele lhes devesse submissão; que fruto poderão tirar de uma confissão feita assim? É preciso, pois, que testemunheis ao confessor o mais profundo respeito: falai-lhe sempre com humildade, e obedecei humildemente em tudo que vos prescreve! Se, por acaso, algum confessor vos repreender, guardai silêncio, escutai humildemente os seus conselhos, e aceitai com a mesma humildade o remédio que vos dará para vos corrigir.

Não vos zangueis com o vosso confessor, como se vos tivesse faltado com a justiça ou com a caridade. Vamos fazer uma comparação: que diríeis, se vísseis um doente que, em quanto o cirurgião lhe faz uma operação, se queixasse da sua crueldade? Não o acusaríeis de loucura? Ele me faz sofrer, diz o doente.  -  Sim; mas esta dor, que ele vos causa, é o que vos deve curar; de outro modo estaríeis perdido.

Se o confessor vos manda voltar depois de oito ou quinze dias, para a absolvição, e neste intervalo fazer alguma restituição, afastar a ocasião, recomendar-vos a Deus, evitar a recaída, empregar outros remédios que ele vos prescreve  -  obedecei, e ficareis assim livres do pecado.

Não vedes que, antes, tendo sido sempre absolvido, recaístes poucos dias depois nos mesmos pecados? Talvez me respondais: mas, padre, e se nesse meio tempo vem a morte? Respondo: Deus que vos deu vida durante o longo tempo em que vivestes no pecado, sem pensardes em que vos corrigir, agora, que quereis mudar de vida, temeis que vos tire a vida?  -  Entretanto, dizeis ainda: mas, padre, pode acontecer-me que chegue a morte.  Respondo: meu filho! Uma vez que isto pode dar-se, não deixeis de vos conservar disposto a morrer, fazendo continuamente atos de contrição. Já dissemos que quem se acha contrito e disposto a recorrer ao sacramento, recebe de Deus no mesmo instante o perdão dos seus pecados. Depois, caríssimo, pensa no seguinte: que vos serviria receber a absolvição sem demora, cada vez que vos confessásseis, se não renunciais ao pecado? Todas estas absolvições não fariam senão aumentar os vossos tormentos no inferno, porque. Por isso, caríssimo amigo, não fiqueis descontente; quando o confessor diferir a vossa absolvição, quer experimentar-vos algum tempo, para ver como vos conduzis. Se cairdes sempre no mesmo pecado mortal, ainda que vos acuseis, o confessor não pode absolver-vos, sem algum sinal extraordinário e manifesto da vossa boa disposição; doutro modo seríeis condenado e ele também. Submetei-vos, pois, e fazei o que ele vos diz; depois, quando voltardes, tendo observado o que prescreveu, recebereis certamente a absolvição, podereis, assim, fica em paz. Amém!


domingo, 2 de abril de 2017

O PROPÓSITO DEVE SER EFICAZ

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Que isto significa? O propósito EFICAZ  deve nos fazer empregar todos os meios para evitar o pecado no futuro. Ora, um dos meios mais necessários é fugir e afastar as ocasiões de recair no pecado. É um ponto que merece toda nossa atenção: pois, se os homens tivessem cuidado de fugir das más ocasiões, evitariam muitos pecados, e muitas almas escapariam ao inferno. Sem a ocasião, o demônio pouco aproveita, pouco consegue; mas quando nos expomos voluntariamente à ocasião, principalmente em matéria de pecados desonestos, é moralmente impossível não sucumbirmos nela. "Quem ama (procura)  perigo, morre nele" diz a Bíblia. Assim, todos os teólogos concordam em que o mesmo preceito que nos proíbe pecar nos proíbe também de nos expor à ocasião próxima voluntária de pecar.

E argumento mais importante são estas palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Divino Mestre: Se o vosso olho, é para vós uma ocasião de pecado, arrancai-o e lançai-o longe de vós. Do mesmo modo, se a vossa mão ou o vosso pé é para vós uma ocasião de pecado, cortai-os e lançai-os para longe de vós" (    ). Talvez alguém ache esta ordem muito severa. Primeiramente devemos entender que não se trata de mutilar-se fisicamente, é claro. Nosso Senhor faz uma comparação e ele mesmo proíbe a mutilação. O significado da comparação é o seguinte: Jesus quer dizer que, mesmo quando uma pessoa , uma leitura, uma profissão, um divertimento, etc., nos fossem tão caros como o nosso olho ou tão necessários como a nossa mão e o nosso pé, se, entretanto, são para nós uma ocasião de pecar e de nos condenar, devemos, custe o que custar, fazer o sacrifício deles. É o que Jesus explica quando acrescenta: "Vale mais para vós ir para o céu não tendo senão um olho, ou uma só mão, ou um só pé, do que ser precipitado no inferno com dois olhos, duas mãos e dois pés" (S. Mateus, IX, 13). Jesus Cristo disse o mesmo com outras palavras: "Que adiante a pessoa possuir o mundo todo, se vier a perder a sua alma?"  Portanto, o Divino Mestre deixou bem claro que é de absoluta necessidade a gente fugir da ocasião próxima de pecar, mesmo que esta ocasião seja uma coisa que nos é muito querida e/ou muito necessária. Assim devemos entender esta outra sentença de Jesus Cristo: "O reino do Céu sofre violência e só os violentos o arrebatam". Temos realmente de fazer-nos uma grande violência para renunciarmos certos apegos à alguma coisa ou pessoa que se constitui uma ocasião próxima de pecado, máxime, as de pecados contra a pureza.

São Francisco de Sales dizia que há certas coisas que são NÓS (plural de nó) que devem desaparecer, e não podemos ficar tentando desfazê-los, devemos cortá-los imediatamente. Por isso Jesus não disse que simplesmente a pessoa deva fechar os olhos, ligar a mão e o pé. Deve arrancar o olho, e cortar a mão e o pé e ainda Jesus acrescenta: e lançá-los longe. Portanto, por tudo que Jesus Cristo disse, fica claro que quem não quiser fazer uma verdadeira violência para deixar inteiramente as ocasiões próximas de pecado mortal, cairá inevitavelmente em pecado mortal e aí já está no perigo de morrer assim e ir para o inferno. Então, vale à pena a gente fazer esta violência e assim ir para o céu!

Tudo que dissemos acima se refere à ocasião próxima. Mas temos que ressaltar a distinção entre ocasião próxima e ocasião remota. A ocasião remota é aquela que se apresenta por toda a parte, ou aquela na qual raramente se peca. Já a ocasião próxima é aquela que por si mesma ordinariamente induz ao pecado; tais como são certos lugares, certas tabernas, certas amizades, certas leituras, certos divertimentos, certos serões, etc. que levam ao pecado por sua natureza. Estas ocasiões próximas chamam-se absolutas porque são perigosas para todos, não importa a que espécie de pecados mortais elas conduzam. De todas estas ocasiões, as mais funestas são sem contradição, aquelas que nos expõem ao perigo de perder o dom tão precioso da fé, como são as más escolas, os maus livros, jornais e revistas e, hoje em dia, os maus filmes, cinemas, e televisão e quando se usa a Internet para o mal.

Chamam-se também ocasião próxima, para certa pessoa, aquela que muitas vezes a tem feito cair no pecado; pois, há ocasiões que não são próximas para a maioria, e que o são para algumas pessoas em particular, visto suas quedas reiteradas, sua má inclinação, ou o mau hábito contraído. Estas ocasiões são por esta razão chamadas relativas. Eis aqui alguns casos de ocasião próxima: quando se conserva em casa uma pessoa com a qual se cai em pecado; quando se vai a uma taberna ou a uma casa particular, onde se tem muitas vezes pecado por excessos de bebida, por brigas ou por ações, palavras, pensamentos impuros; quando se têm cometido fraudes, provocado rixas ou proferido blasfêmias, etc., etc.


Na próxima postagem, se Deus quiser, mostraremos que aqueles que estão na ocasião próxima voluntaria não podem ser absolvidos. 

segunda-feira, 27 de março de 2017

O PROPÓSITO DEVE SER UNIVERSAL

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Já vimos que o propósito deve ser firme. Veremos agora que ele deve ser UNIVERSAL, quer dizer, é preciso estar resolvido a evitar todo o pecado mortal. "Se o pecador fizer penitência de todas as iniquidades que cometeu, e quiser observar todos os meus preceitos, ele viverá; não me lembrarei mais das suas iniquidades", assim diz Deus Nosso Senhor pelo profeta Ezequiel, XVIII, 21.  Quem se propõe a evitar alguns pecados, mas conserva outros (mortais) como sejam: certas amizades perigosas, certos livros ou jornais que atacam a fé ou os costumes, bens que não possuem com tranquilidade de consciência, ódios e desejos de vingança contra o próximo, não são perdoados porque querem dividir ser coração entre Deus e o demônio. O demônio contenta-se, por isso mesmo, com esta divisão. Mas Deus não. Conhecemos a sentença que deu um dia Salomão. Duas mulheres apresentaram-se à sua presença, reclamando uma criança da qual cada uma pretendia ser a mãe. Ordenou que cortassem ao meio a criança, e dessem a metade a cada uma. Enquanto uma aceitava a sentença, exclamou a outra: "Eu vos suplico, ó rei, dai-lhe a criança viva, e não a mateis". Salomão descobriu assim a verdadeira mãe da criança, e lha entregou. Do mesmo modo o demônio, que não é nosso pai, mas o nosso inimigo, contenta-se com uma parte do nosso coração, enquanto Deus, nosso verdadeiro pai, o quer todo inteiro. "Ninguém pode servir a dois senhores, nos diz Jesus Cristo (Cf. Mat. VI, 24). Aqueles que aspiram a servir dois senhores, Deus os rejeita; Ele quer ser o nosso único Senhor, e é com justiça que recusa dividir com o demônio a posse do nosso coração.


Eis porque é preciso estar resolvido a evitar todo o pecado mortal. Quanto aos pecados veniais, pode-se desejar evitar alguns sem querer evitar os outros, e entretanto fazer uma boa confissão. Mas as almas que temem e amam a Deus tomam a resolução de se abster de todo o pecado venial deliberado; e, quanto às faltas veniais não deliberadas, isto é, que se cometem sem um pleno consentimento da vontade, estas boas almas se propõem a cometê-las o menos possível, visto que é impossível à nossa fraqueza natural evitá-las todas. 

sábado, 18 de março de 2017

MAIS EXPLICAÇÕES SOBRE A ATRIÇÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

1. Não basta, para a atrição, o temor dos castigos temporais que Deus inflige aos pecadores nesta vida; pois os teólogos dizem que, assim como o castigo do pecado mortal é eterno, do mesmo modo o motivo do arrependimento deve ser o temor das penas eternas.

2. No ato de atrição, não basta que nos arrependamos somente de ter merecido o inferno; devemo-nos arrepender também DE TER OFENDIDO A DEUS, merecendo por isso o inferno.

3. O Sacrossanto Concílio de Trento diz que o ato de atrição deve ser acompanhado, não só da esperança do perdão, mas ainda da vontade de não mais pecar. De modo que, se alguém se arrependesse das suas faltas por causa do inferno que mereceu, ficando, porém, disposto a não deixar de pecar, caso o inferno não existisse, uma tal dor de nada lhe serviria; torná-lo-ia mais culpado ainda por causa da sua má vontade.

4. É preciso observar, além disso, que, ainda que a atrição, como foi dito, baste para se obter a graça neste sacramento, o penitente, confessando-se, deve juntar ainda assim ao ato de atrição o de contrição, tanto para sua maior segurança, com para seu maior bem.

Caríssimos, no próximo post, se Deus quiser, falaremos mais sobre a contrição e aí, comparando com a atrição teremos uma noção clara de ambas. Mas, ou nos catecismos para os jovens, ou para as crianças, e até mesmo nos retiros que já preguei, quase sempre ao falar da contrição e da atrição, contava um exemplo como parábola. Embora ele seja mais próprio para as crianças, peço permissão para contá-lo aqui para todos os caríssimos leitores. Em se tratando de algo um tanto subtil, nunca é demais empregarmos todos os recursos para se chegar a uma total clareza.


EXEMPLO QUE MOSTRA A DIFERENÇA ENTRE CONTRIÇÃO E ATRIÇÃO: O Padre Giuseppe Mortarino, I. C., no seu livro "A PALAVRA DE DEUS EM EXEMPLOS", conta às crianças a seguinte parábola: Dois jovens, irmãos, que tinham a mãe enferma, foram mandados pelo pai à farmácia a fim de buscarem um remédio. Mas na rua viram uma porção de jovens que iam atrás de um homem que levava um urso. Aí os dois irmãos seguiram também o homem, para verem o urso dançar, não pensando mais no remédio. Quando se lembraram, fizeram o mandado. E, de volta para casa, dizia magoado um deles: "Ai de mim! que fizemos! Agora estou com medo das pancadas que papai me dará". - O outro no entanto exclamava com grande desgosto: Como fomos maus! Desgostamos papai, que é tão bom!"  Ao primeiro se parece o pecador que se arrepende por temor dos castigos divinos (dor imperfeita ou atrição). Ao outro se assemelha quem se arrepende por ter ofendido um Deus tão bom (dor perfeita, ou contrição). É claro que toda comparação claudica. Mas meditando nos detalhes que expusemos sobre a atrição, todos terão facilidade em entender a atrição em seu pleno sentido. E agora, na próxima postagem sobre este assunto, vamos dar maiores detalhes sobre a contrição, se Deus quiser. Amém!

quinta-feira, 9 de março de 2017

SINAIS DA FALTA DE ARREPENDIMENTO E PROPÓSITO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Consideremos atentamente os sinais certos pelos quais podemos reconhecer se a confissão foi feita sem dor dos pecados e sem resolução de não mais recair neles. Em outras palavras, veremos os sinais que mostram quando não há arrependimento verdadeiro (nem imperfeito=atrição) e não há por conseguinte propósito firme e eficaz de fugir das ocasiões próximas de pecados. Pela confissão Deus perdoa quaisquer pecados; mas nunca perdoa quando há vontade de continuar nos pecados.     

  1.  Quando nos confessamos sem querer renunciar o ódio ao próximo.
  2.  Quando se pode e não se quer reparar uma injustiça grave feita ao próximo, em seus bens ou em sua reputação.
  3.  Quando se reincide no pecado de hábito, quer dizer, quando, advertidos pelo confessor, não deixamos, entretanto, de recair com a mesma frequência nos mesmos pecados mortais do costume, sem nenhuma correção, e sem que sejam empregados os meios de emenda.
  4. Quando nos confessamos sem querer sinceramente deixar a ocasião próxima voluntária do pecado mortal.


Os defeitos que acabamos de enumerar e explicar tornam as confissões inválidas, quer dizer, nulas; e portanto, é preciso renová-las, como se nunca tivessem sido feitas desde a época em que são nulas. São, além disso, sacrílegas quando assim feitas cientemente. O sujeito está consciente de não ter os sinais de arrependimento, sabe que quer continuar fazendo todos ou alguns ou mesmo que seja um só dos pecados mortais e faz a sua confissão assim mesmo. Faz sacrilégio, e, se comunga faz outro sacrilégio.

A esta altura, talvez haja quem pergunte: padre, devo fazer uma confissão geral? Caríssimo, é a tua consciência que cabe resolver esta questão, conforme tudo o que acabamos de dizer.

Ser-me-á impossível, dizeis, fazer uma confissão geral. Tenho já idade: como poderei lembrar-me de todos os pecados da minha vida?  -  Caríssimos, com boa vontade é possível e mesmo fácil fazer uma confissão geral.

Primeiro que tudo, recordai com mágoa todos os anos da vossa vida (Isaías, XXXVIII, 16). Tomai para este negócio o tempo suficiente para vos recolherdes, pois trata-se de uma coisa muito séria.

Para indicar o número dos vossos pecados, eis aqui como podeis fazer. Deixai de lado os pecados veniais, ou não os acuseis senão no fim; não resta, pois, senão a confissão dos pecados mortais, que serão   -  ou casos particulares ou pecados habituais. Se são casos particulares, um pouco de reflexão bastará para vos lembrardes deles. Se são pecados habituais, examinai por quanto tempo durou este hábito  e quantas vezes, pouco mais ou menos, caístes no pecado por ano, ou por mês ou por semana, ou mesmo por dia. Não é verdade que desta maneira é fácil fazer uma confissão geral?

Contudo, se encontrardes alguma dificuldade em fazê-la, dizei ao confessor: "Padre, desejo fazer uma confissão geral, peço-vos que me ajudeis". No mesmo instante, o confessor vos interrogará, de modo que vos basta responder-lhe com sinceridade. Oh! como é consolador para um ministro de Deus ver a seus pés uma alma bem disposta e arrependida! A alegria do padre é indescritível, e levá-la-á para o túmulo. Bem feita a confissão geral, grande outrossim é a alegria do penitente.


Vou contar-vos um fato lido na vida de São Vicente de Paulo: Este grande santo da caridade, foi um dia chamado para confessar um fazendeiro que estava perigosamente doente. Conquanto tivesse sempre gozado da reputação de homem honrado, o padre Vicente de Paulo o excitou a fazer uma confissão geral, para pôr a sua salvação em maior segurança. Ora, o resultado provou que aquele pensamento vinha de Deus, que queria retirar aquela pobre alma do abismo eterno em que ia cair. Era rico mas certamente praticava a caridade para com os pobres. Quem o acreditaria, se não conhecesse a fraqueza do coração humano? Ainda que esse homem tivesse recebido várias vezes os últimos sacramentos, em várias moléstias muito graves, que tivera, achava ele que tinha a consciência carregada de sacrilégios desde a mocidade. Na alegria que experimentava em ter feito a confissão com o padre Vicente de Paulo, ele mesmo anunciava abertamente a todos que iam vê-lo: "Ah! eu estaria condenado se não tivesse feito uma confissão geral, por causa dos pecados que nunca ousei confessar". Morreu três dias depois, com os mais vivos sentimentos de reconhecimento para com Deus. A senhora Duquesa de Gondi ouviu as declarações muito admirada: Ah! que acabamos de ouvir? Se este homem, que passava por um homem honrado, estava em perigo de condenação, que será dos outros que vivem tão mal!". Ela empregou desde então a sua fortuna em estabelecer e fundar missões, considerando-as uma obra necessária à salvação das almas. São Vicente de Paulo fundou a Ordem dos Missionários Lazaristas. 

DESDE QUANDO SE DEVE FAZER O EXAME DE CONSCIÊNCIA?

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Desde a última confissão bem feita.

Antes vamos falar um pouco sobre a CONFISSÃO GERAL.  Sobre ela podemos assim resumir: a confissão geral pode ser necessária, útil, inútil, prejudicial.

Quando a CONFISSÃO GERAL é NECESSÁRIA?

É necessária às pessoas que fazem confissões inválidas.

Não perdoando de modo nenhum os pecados, tais confissões devem ser renovadas desde a época em que foram inválidas e más. Comparando: Se eu ao abotoar minha batina, ou no início ou já tendo abotoado alguns botões nas suas respectivas casas, aí salto uma casa, a partir daí  todos os botões ficarão errados e  depois de já ter abotoado até ao fim é que percebo o erro. Para desfazer este erro, tenho que desabotoar até onde comecei errando, porque foi a partir daí que todas os botões ficaram abotoados erradamente. Para corrigir não basta corrigir só o primeiro ou alguns; tendo que desabotoar todos os errados e depois, abotoar todos certos.  Quando a primeira confissão foi mal feita, é inválida e invalida todas as outras. Assim só uma confissão geral de toda vida poderá corrigir. Quando alguém já tendo feito algumas ou muitas confissões bem feitas e portanto válidas, mas aí faz uma confissão mal feita e inválida, sacrílega, para corrigir, a confissão geral deve abranger todos os pecados cometidos depois da última confissão bem feita, e mais, a primeira coisa que a pessoa penitente deve confessar é aquele primeiro sacrilégio e o número (se não sabe exatamente, pelo menos aproximadamente, de confissões e comunhões sacrílegas (ou se recebeu qualquer outro sacramento neste tempo, todos foram sacrilégios que devem ser contados nesta confissão geral.

Mas quando são más as confissões?

A)   POR FALTA DE FÉ.  Isto acontece por 4 motivos:

1. - Quando se recebe a absolvição na ignorância, mesmo involuntária, dos pontos de fé indispensáveis (por necessidade de meio, i. é, sem eles não se pode salvar), a saber: que há um só Deus; que em um só Deus há três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo; que Deus Filho se fez homem para nos resgatar; que, depois desta vida, Deus recompensará os bons e castigará os maus eternamente (= Deus remunerador).

2. - Quando se recebe a absolvição na ignorância voluntária das coisas necessárias que se deviam conhecer por necessidade de preceito, tais como o Pai-Nosso, o Credo, a Ave-Maria, os mandamentos de Deus e da Igreja, os sacramentos, principalmente aqueles que se devem receber.

3. - Quando queremos fazer uma religião a nosso modo, recusando crer tudo que ensina a santa Igreja Católica, Apostólica e Romana, conservando dúvidas voluntárias sobre a fé, e também vivendo na revolta contra o Magistério Vivo e Perene da Igreja.

B) POR FALTA DE EXAME. Isto acontece quando, depois de uma notável negligência no exame de consciência, se omite a acusação de faltas graves.

C) POR FALTA DE SINCERIDADE. O que se dá quando, por vergonha, por hipocrisia ou por malícia, escondemos na confissão um pecado mortal, ou que julgamos mortal; quando se ocultam circunstâncias necessárias; quando se diminui o número dos pecados mortais cometidos; ou, finalmente, quando se acusa, de propósito, de modo a não ser compreendido pelo confessor em matéria grave.

D) POR FALTA DE CONTRIÇÃO E BOM PROPÓSITO. Como este é o ponto capital, de tal modo que uma confissão feita com todas as condições anteriores, faltando esta, é nula se a pessoa foi se confessar achando que tinha contrição e bom propósito, mas, na verdade, não tinha. É nula mas não sacrílega. Se, porém, se confessa consciente de não estar arrependido e de não ter propósito firme e eficaz, então é sacrílega. Assim, toda confissão sacrílega é nula também, mas nem toda confissão nula é sacrílega. Daí, vamos, na próxima postagem, se Deus quiser, falar sobre isso, a saber, vamos estudar os sinais para sabermos quando a confissão foi feita sem arrependimento e sem propósito firme de não mais recair nos pecados. 

segunda-feira, 6 de março de 2017

COMO FAZER O EXAME DE CONSCIÊNCIA?

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

O exame deve ser feito principalmente sobre os pecados que somos obrigados a confessar. Ora, segundo o Santo Concílio de Trento, é necessário confessar todos e cada um dos pecados mortais, de que houver lembrança depois de ter neles refletido convenientemente e com cuidado, mesmo que sejam secretos e cometidos somente por pensamento e desejo, assim como as circunstâncias que mudam a espécie de pecado.

Na verdade, há na confissão matéria necessária e matéria não necessária. Por exemplo os pecados mortais são matéria necessária; já os pecados veniais constituem matéria não necessária, embora seja louvável contar também os pecados veniais dos quais deve haver arrependimento. Depois falaremos mais sobre isto. Quanto as circunstâncias que mudam a espécie de pecado, darei apenas um exemplo para que todos possam entender: na confissão não bastaria dizer que pecou contra a castidade. Circunstâncias que mudam a espécie: por exemplo, se foi pecado solitário; e se foi com outrem tem que dizer se é casado(a)  (adultério) ou não, se é parente(incesto) ou não, se é consagrado(a) a Deus (sacrilégio) ou não; se é com pessoa do mesmo sexo (sodomia) ou não etc. Assim poderíamos dar exemplos em relação a outros mandamentos.

Caríssimos, se quereis fazer um exame conveniente, retirai-vos para qualquer lugar isolado ou para a igreja. De início, agradecer a Deus por ter esperado até este momento, e rogar-Lhe que faça conhecer a gravidade e o número dos pecados. Lembrar depois dos lugares em que estivemos, das pessoas com quem nos comunicamos, das leituras, dos divertimentos, das ocupações em que tivermos empregado depois da nossa última boa confissão. Devemos, também, refletir em todas a faltas que pudéssemos cometer por pensamentos, palavras e ações; é preciso examinar-nos particularmente sobre os pecados de omissão e sobre as obrigações do nosso estado como por exemplo: sacerdote, pai de família, magistrado, médico, advogado, comerciante etc.. Porque cada estado ou profissão tem obrigações próprias.  Mas para um exame mais exato e mais claro, quando se têm cometido diferentes espécies de pecados, é melhor pôr sob os olhos os mandamentos de Deus e da Igreja, e examinar quais as faltas em cada mandamento.

Quanto aos PECADOS VENIAIS, é bom confessá-los, visto que são também perdoados pela absolvição do confessor, mas não há obrigação disso, pois podemos obter a remissão da faltas veniais, como diz o Santo Concílio de Trento, por outros meios, seja fazendo atos de contrição ou de amor, seja recitando devotamente o Pai-Nosso.

Não havendo matéria certa depois da última confissão é preciso, se queremos receber a absolvição, acusar um pecado da vida passada, do qual se tem verdadeira contrição. Dir-se-á, por exemplo: Eu me acuso especialmente das faltas que outrora cometi contra a pureza (ou contra a caridade, ou contra a justiça, ou contra a obediência). Observem bem isto: o confessor não pode dar absolvição ao penitente que não apresentar pecados a absolver.


Assim, cada vez que uma pessoa piedosa se aproxima do tribunal da penitência, ser-lhe-á muito útil renovar, ao menos de modo geral, a confissão de uma falta notável da vida passada. Demais, é isto um ato de humildade muito agradável a Deus, e excelente meio de afastar toda a inquietação quanto à validade das suas confissões. Por não observar esta norma, muitas confissões são nulas. É claro que o confessor exorta a pessoa a fazer assim. Mas se ela não fizer, ele avisa que só lhe dará uma bênção. Então, para evitar este perigo (confissão nula), já no exame de consciência, se deve propor a confessar tal pecado mais grave da vida passada, excitando-se a uma viva dor desse pecado particular antes de chegar ao confessionário. Caríssimos, este conselho é da mais alta importância. Mas infelizmente não é compreendido ou desprezado por pessoas piedosas. 

sexta-feira, 3 de março de 2017

ATOS DO PENITENTE

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

É evidente que, para a confissão ter valor, é necessário que o penitente apresente todas as boas disposições e faça, antes, durante e depois os atos necessários.

Pois bem! Este sacramento, para ser bem recebido, exige principalmente cinco coisas da parte do penitente:

1.       A DOR dos pecados cometidos, com O BOM PROPÓSITO de não mais cometê-los.

2.       A CONFISSÃO inteira das faltas cometidas. Mas, para que o penitente possa confessar todos os seus pecados, e conceber deles uma verdadeira dor, deve fazer anteriormente com cuidado O EXAME DE CONSCIÊNCIA.

3.       A SATISFAÇÃO, ou o cumprimento da penitência imposta pelo confessor.

Comecemos pelo EXAME DE CONSCIÊNCIA,  que é realmente a primeira coisa que o penitente deve fazer. O que vou escrever sobre este assunto, é inteiramente inspirado nos escritos de Santo Afonso Maria de Ligório, o maior doutor da Igreja em Teologia Moral.

Neste ponto, devemos explanar duas questões: 1ª - Como é preciso fazer este exame? E 2ª - Desde quando se deve fazer?

1. COMO É PRECISO FAZER O EXAME DE CONSCIÊNCIA? Caríssimos, é preciso fazê-lo COM CUIDADO. Neste particular há quem peca por excesso e quem peca por falta. Em outras palavras: há quem se examina demasiadamente, e outros não fazem o suficiente.

Os primeiros são os escrupulosos, que se examinam sempre, e não estão nunca satisfeitos. Assim preocupados, aplicam-se pouco em conceber uma verdadeira dor de suas faltas e o bom propósito de corrigir-se; e depois, estes escrupulosos tornam-lhes odioso o próprio sacramento a ponto de para eles ir a confissão é equivalente a ir a um martírio.

Na verdade, o exame de consciência para a confissão não exige um cuidado extremo; basta que se o faça COM CUIDADO, procurando lembrar-se de todos os pecados cometidos depois da última confissão. Entretanto, como ensina Santo Afonso, este exame deve ser proporcionado ao estado da consciência do penitente: se não se confessou desde muito tempo, e tem caído em várias faltas graves, deve dar-lhe mais cuidado; mas, si se confessou há pouco tempo, e não cometeu senão pequeno número de faltas, seu exame exige menos indagações, e assim são suficientes poucos minutos de exame. Se finalmente, depois de um exame cuidadoso, reste algum pecado do qual não se lembrou, contanto que tenha um arrependimento geral de todas as faltas cometidas, este pecado esquecido é perdoado com os outros: somente, se for lembrado depois, há obrigação de o declarar na confissão seguinte. Não é preciso se confessar logo que lembrou do pecado que tinha esquecido na confissão, basta que na confissão seguinte que fizer, conte o pecado que, na verdade, já está perdoado, mas deve ser submetido ao poder das chaves.

Quando o confessor ordena a uma pessoa escrupulosa que não repita certas coisas na confissão, ele deve calar-se e obedecer. São Filipe Nery dizia: "Aqueles que desejam fazer progressos no caminho de Deus devem obedecer ao seu confessor, que ocupa o lugar de Deus; quem procede assim está certo de não dar a Deus conta do que faz". E São João da Cruz: "Não obedecer à decisão do confessor é orgulho e falta de fé".  Realmente, porque o Senhor disse aos seus ministros: "Quem vos ouve a mim ouve".


Se há consciências escrupulosas, há também as que são laxas. Os escrupulosos, se obedecem ao confessor, se curam e podem estar seguros, porque têm facilidade em chegar a possuir a consciência ideal que é a DELICADA.  Assim, a situação dos que têm consciência laxa, é bem mais perigosa. Pois, cometem pecados mortais sem número, e esquecem-se facilmente deles, porque não se comovem o suficiente. Fazem o pecado com a mesma facilidade ( para não dizer naturalidade), com que se estivessem bebendo um copo d'água. Depois se acusam apenas daqueles que lhes vêm à mente no momento da confissão, de modo que às vezes não é confessada nem a metade das faltas. Tais confissões nada valem; melhor seria que não fossem feitas. Devemos pedir muito a Deus uma consciência reta, certa e delicada!

quinta-feira, 2 de março de 2017

ABSOLVIÇÃO RECUSADA


Caríssimos, Jesus deu aos sacerdotes o poder de perdoar ou não perdoar. O confessor tem obrigação de recusar a absolvição a quem não está arrependido, a quem por exemplo, apesar das advertências paternais do sacerdote, não quer de modo algum deixar a ocasião próxima fumegante de pecado. Só para dar um exemplo: alguém divorciado(a) da(o) verdadeira(o) esposa(o), vive com outra(o) e não quer se separar e deixar a vida adúltera. O confessor deve fazer de tudo para converter esta pessoa que está no adultério, e, não o conseguindo, nega-lhe a absolvição e consequentemente veda-lhe a comunhão. O confessor deve dizer a esta pessoa impenitente que ela está em perigo de condenação, está na ladeira escorregadia do inferno, e, se comungar, estará comendo sua própria condenação.

É muito duro para o confessor, ver-se obrigado a chegar a este extremo! A maior alegria do sacerdote é celebrar o Santo Sacrifício e salvar almas no confessionário. Mas o sacerdote zeloso, deve dizer para Jesus Cristo: - Mestre, fiz o que pude com a vossa graça; agora continuarei rezando e fazendo alguma penitência para conversão deste pecador(a).

Mas, caríssimos, infelizmente, há certos cristãos que murmuram e se irritam quando não recebem a absolvição. Esquecem que o confessor é seu pai, mas é também seu juiz. Conceder muito facilmente a absolvição seria favorecer a desordem em lugar de impedi-la, pois muitos pecadores não compreendem a gravidade do pecado e a necessidade de romper com a má ocasião, senão quando a absolvição lhes é adiada. Além disto, para o pecador indisposto, a absolvição longe de ser um bem seria um mal e em vez de justificá-lo, não faria senão torná-lo mais indigno e mais criminoso diante de Deus. Infeliz do confessor que desse a absolvição, sabendo que deveria em consciência recusá-la! Profanaria o sangue de Jesus Cristo.

Então, que deve fazer o pecador a quem foi recusada a absolvição? São quatro coisas:

1.       Não deve desesperar, pois a recusa da absolvição não tem por fim a perda do pecador, mas antes sua emenda e sua salvação. Quando o confessor se vê obrigado a negar a absolvição, ele faz isto lembrado da palavra do Senhor: "Eu não quero a morte do pecador".
2.       É preciso que se converta deplorando suas faltas, pondo em prática os avisos do confessor, e procurando tornar-se digno o mais depressa possível da misericórdia de Deus segundo aquilo que lemos em Ezequiel, XXXIII, 11: "Quando eu disser ao ímpio: Vós morrereis certamente; se ele fizer penitência, viverá e não morrerá". Aqui é oportuno lembrar que penitência deve ser primeiramente interior, e em consequência desta, devem haver as penitências exteriores. Como diz o Divino Espírito Santo pela boca do profeta Joel: "Deveis rasgar os vossos corações". Daí, de nada adiantaria o pecador fazer até grandes penitências exteriores se não estivesse arrependido interiormente, o que significa ter vontade decidida de deixar as ocasiões do pecado.
3.       Deve orar muito. Sem a oração é impossível arrepender-se, sair do pecado, resistir às tentações; mas Deus nunca recusou sua graça e sua misericórdia àquele que a implora.
4.       É-lhe preciso principalmente a humildade. Pobres pecadores, reconhecei  os vossos erros e Deus terá piedade de vós: "Deus não repele o coração contrito e humilhado" (Salmo 50). Diz São Gregório: "O orgulhoso traz em sua fronte o selo da reprovação". O s humildes, porém, embora tenham sido os maiores pecadores do mundo, são marcados com o selo da predestinação ao Céu. Isto por que?  É que: "Deus resiste ao soberbos, e dá sua graça aos humildes" (1 Pedro, V, 5). "Eu pequei antes de ser humilhado", dizia Davi; depois exclama: "Foi-me bom ter sido humilhado" (Salmo 118, 67-71). Caríssimos filhos espirituais, dizei com Jó: "Eu pequei, ofendi verdadeiramente a Deus, e não tenho sido castigado como o merecia" (Jó, XXXIII, 27).
5.       Se com tais sentimentos, fordes, caríssimos, procurar o confessor, ele vos receberá de braços abertos, e exclamará feliz como o pai do filho pródigo: "Meu filho estava perdido, e ei-lo achado; estava morto, ei-lo ressuscitado" (S. Lucas, XV, 24). Reconhecereis então que o confessor, bem longe de ser vosso inimigo, é ao contrário o vosso mais devotado amigo. Reconhecereis que ele, se vendo obrigado a negar a absolvição, usou da verdadeira misericórdia; se desse, porém, a absolvição sem estardes bem dispostos, aí sim, teria cometido um ato de monstruosa impiedade. Vereis, portanto, que ele vos amava mesmo quando pecador, com os sentimentos do bondoso São Francisco de Sales, que não temia dizer: "Eu amo os homens maus e não há senão Deus que os ame mais do que eu". Amém!


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

O CONFESSOR NA QUALIDADE DE JUIZ

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

 A Sagrada Escritura no Evangelho de S. João, V, 22 diz: "O Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo poder de julgar...". Também lemos no capítulo 20, 21 a 23: "Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos". Portanto, o poder de julgar e daí o de perdoar ou não, foi dado a Jesus Cristo e este mesmo poder Jesus Cristo o comunicou aos sacerdotes no confessionário. Assim todo confessor é juiz e o juízo que exerce é o do próprio Deus.

São Cipriano, por isso mesmo, chama a confissão de: "O Juízo antecipado de Cristo". Na verdade, Nosso Senhor Jesus Cristo, na pessoa de seu ministro, pronuncia agora por antecipação uma sentença que não fará senão confirmar quando a alma comparecer diante d'Ele no momento da morte. São Cipriano com este expressão "o juízo antecipado de Cristo" quer significar que o homem culpado tem de sujeitar-se a dois juízos: um presente ao qual preside a mais tocante misericórdia; o outro futuro, onde tudo será pesado na balança da mais rigorosa justiça. Portanto está nas mãos do pecador se livrar, por assim dizer, do terrível tribunal da justiça, aproximando-se com fé do tribunal da misericórdia. Tudo que for apagado, remido, perdoado no juízo sofrido durante a vida, será suprimido no juízo que deve seguir à morte. Daí a exclamação de São Bernardo: "O Senhor não voltará sobre uma causa já julgada. O que tiver sido decretado no tribunal da Igreja, está decretado no tribunal de Deus; é uma só e mesma sentença".

Um juiz deve primeiramente  tomar conhecimento da causa que é chamado a julgar; em seguida deve examiná-la e considerar todas as circunstâncias, finalmente deve pronunciar a sentença. É isto também, caríssimos, o que deve fazer o confessor. Ele deve em primeiro lugar conhecer os pecados que o penitente cometeu, deve em seguida avaliar a sua gravidade, assim como atender às disposições do pecador. E, no caso de ter visto as boas disposições do penitente, dá a absolvição e impõe uma penitência proporcional na medida das possibilidades de cada um. Com já tivemos oportunidade de demonstrar, para o confessor exercer corretamente este poder divino de julgar e perdoar, terá que ouvir cada um em particular. Daí a confissão tem que ser auricular.


Finalmente devemos concluir que o confessor é juiz de nossas consciências, de nossas disposições; é juiz, outrossim, da própria absolvição  e é juiz para impor a devida e praticável penitência. Devemos, contudo, observar que Jesus Cristo é Juiz e, sendo Deus, julga vendo Ele mesmo o íntimo de cada um. Assim, por exemplo, perdoou ao homem paralítico. Mas o padre, julga somente pelo que o próprio penitente diz. Não pode julgar além disto. E a conclusão que se tira é a necessidade de o penitente ser sincero. Não o sendo por ocultar pecado mortal, e/ou por não dizer o número dos pecados mortais e/ou as circunstâncias que mudam a espécie de pecado, embora o confessor dê a absolvição, Jesus Cristo não perdoa e ainda pedirá contas ao pecador pelo sacrilégio. 




terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

TENTAÇÃO COMUM DOS ESCRUPULOSOS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

 Na verdade, o demônio costuma embaraçar as almas escrupulosas inspirando-lhes o temor de pecar, se fizerem o que diz o confessor. É preciso vencer esta tentação, ou, melhor dizendo é preciso vencer estas vãs apreensões. Desde que o confessor aconselhe alguma coisa, todos os doutores e todos os mestres da vida espiritual ensinam, comumente, que é preciso vencer o escrúpulo e obedecer. Aquele que obedece caminha sempre seguro. "Nunca um verdadeiro obediente se perdeu", diz S. Francisco de Sales. E acrescenta: "É preciso contentar-se com saber que se pratica o bem obedecendo ao pai espiritual, sem indagar as razões". Um padre dizia: "Mesmo quando o confessor se enganasse, o penitente não se engana obedecendo e caminha com segurança".

É ao confessor que compete decidir se uma pessoa é escrupulosa ou não. Todos os escrupulosos  pretendem que seus escrúpulos não são escrúpulos, mas verdadeiros pecados. O demônio os engana assim para tornar-lhes odiosa a vida espiritual, para fazê-los abandonar a oração, a comunhão, para conduzi-los pelo caminho largo, e mesmo para fazê-los perder a cabeça. Também, uma pessoa escrupulosa que não obedece está perdida.

Eis aí porque os teólogos ensinam que, quando um confessor ordena agir com liberdade e vencer seus escrúpulos, não somente se pode, mas mesmo se deve obedecer. Demais São João da Cruz declara que "não crer na decisão do confessor, é orgulho e falte de fé". É isto que o escrupuloso deve temer, e não imaginários pecados.

O Padre Tanquerey, grande teólogo, fala sobre os inconvenientes do escrúpulo: "1º - Quando alguém tem a desdita de se deixar dominar pelos escrúpulos, são deploráveis os efeitos que eles produzem no corpo e na alma. Vamos resumir:

a) Enfraquecem gradualmente e desequilibram o sistema nervoso: os temores, as angústias incessantes exercem uma ação deprimente sobre a saúde do corpo; podem converter-se numa verdadeira obsessão.

b) Cegam o espírito e falseiam o juízo: perde-se pouco a pouco, a faculdade de discernir o que é pecado do que não o é; o que é grave do que é leve.

c) A indevoção do coração é muitas vezes consequência do escrúpulo; à força de viver na agitação e confusão torna-se o escrupuloso medonhamente egoísta, entra a desconfiar de toda gente, até de Deus, que começa a olhar como demasiado severo; queixa-se de que o Senhor nos deixe nesse infeliz estado, acusa-o injustamente: é evidente que a verdadeira devoção, em tal estado, é impossível.

d) Vêm por fim os desfalecimentos e as quedas. O escrupuloso gasta as energias em esforços inúteis sobre ninharias, e depois já não tem força para lutar em pontos de grande importância. Daí vem os desfalecimentos. E não encontrando alívio na piedade, vai procurá-la noutras partes, o que, às vezes, é perigoso.

O escrupuloso deve rezar pedindo a Deus a cura desta doença espiritual. Neste ínterim, Deus quer que a alma tire algum proveito: Deve aceitar este sofrimento como uma provação. Assim deve aproveitá-lo para purificar a alma e deve chegar a uma grande pureza de coração. Também ajuda na aquisição da humildade e da obediência. O escrupuloso se corrigindo tem facilidade de chegar a possuir uma consciência delicada, o que é um grande dom de Deus. 




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

GRANDES AUTORES ESPIRITUAIS E SANTOS FALAM DA OBEDIÊNCIA AO CONFESSOR

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

"É justo, nota São Gregório, que aqueles que obedecem , triunfem de todas as tentações do inferno, pois, submetendo sua vontade aos outros por obediência, tornam-se superiores aos demônios que caíram por sua desobediência". Ao assim se expressar este santo deveria ter em mente esta palavra do Divino Espírito Santo: "O homem obediente será vitorioso" (Prov. II, 21).

O célebre escritor espiritual Cassiano acrescenta que aquele que mortifica sua própria vontade destrói todos os vícios, porquanto "todos os vícios provêm da vontade própria".

"A obediência ao confessor, diz o Padre Perriens, nos faz também vencer todos os artifícios do demônio, que por vezes, sob pretexto de algum bem, nos leva a nos expormos às ocasiões perigosas, ou nos faz empreender certas coisas que parecem santas, mas que podem causar-nos muito mal; por exemplo: às pessoas piedosas, o espírito maligno faz empreender penitências imoderadas; perdem a saúde, depois abandonam tudo e tornam a tomar o caminho largo que seguiam primeiramente. Eis, aí o que acontece a quem age por sua própria cabeça; mas, quem se deixa guiar pelo confessor, não tem que temer semelhantes ilusões. Aquele que obedece perfeitamente ao confessor tem certeza, não somente de salvar-se (se perseverar), mas mesmo de santificar-se. A santificação consiste em fazer a vontade de Deus como o ensina Santo Tomás de Aquino. Ora, santa Tereza declara que a obediência ao confessor é o meio certo de fazer a vontade de Deus. Segue-se daí que aquele que age por obediência ao confessor, agrada sempre a Deus, seja praticando a oração, a mortificação, a comunhão, seja omitindo seus piedosos exercícios. Do mesmo modo, ele merece sempre, seja divertindo-se, seja trabalhando; pois, obedecendo, faz sempre a vontade de Deus. Assim, continua o Pe. Perriens, a obediência ao nosso confessor é a coisa mais agradável que podemos oferecer a Deus, e é o meio seguro de cumprir sua divina vontade".

Santo Henrique Suso assegura que "Deus não nos pedirá conta do que tivermos feito por obediência". Grande consolo para os escrupulosos!

Santa Teresa d'Ávila diz: "Que a alma tome seu confessor por juiz, com a resolução de não mais pensar em sua causa, mas de confiar nestas palavras de Nosso Senhor: Aquele que vos ouve, a mim ouve." E a grande Reformadora do Carmelo, acrescenta que é este o meio certo de fazer a vontade de Deus. Também declara que foi por este meio, a obediência ao confessor, que ela mesma aprendeu a conhecer e a amar a Deus. Não temia afirmar que "a obediência é o caminho mais curto para chegar à perfeição".

São Filipe Néry dizia: "Enquanto se obedece se tem segurança de não dar conta a Deus do se faz". Por conseguinte, se praticais assim a obediência, suponhamos que no dia do juízo Jesus Cristo vos dirija estas perguntas: por que ficastes tranquilo quanto às suas confissões, por que escolhestes este gênero de vida? Por que comungastes tantas vezes? Por que deixastes aquelas penitências? Podereis responder: Senhor, assim o ordenou meu confessor. Então o divino Juiz não poderá senão aprovar o que tiverdes feito.

Aqui me dirijo especialmente às almas escrupulosas. Caríssimos, o(a) escrupuloso(a), em particular, é obrigado(a) a obedecer a seu confessor. Além das razões a acima indicadas, o escrupuloso tem mais esta: que é incapaz de julgar por si mesmo sua consciência e seus atos; e obedecendo, está sempre certo de proceder bem. Dois grandes meios para cura desta doença espiritual: oração e obediência ao confessor. São Domingos, foi tentado de ter escrúpulo justamente por obedecer ao seu confessor. Nosso Senhor Jesus Cristo disse-lhe: "Por que temes obedecer a teu diretor? Tudo que ele diz deve servir para teu bem".

São Bernardo ensina que: "tudo que manda aquele que ocupa o lugar de Deus, a menos que não seja evidentemente um pecado, deve ser recebido como se Deus mesmo o ordenasse". Pode alguém pensar:  - Mas meu confessor não é um São Bernardo. Responde o grande escritor espiritual Gerson: "Não dizeis bem, pois vos confiastes aos cuidados deste homem, não porque seja hábil, mas porque Deus vo-lo deu por guia; deveis pois obedecer-lhe, não como a um homem, mas como a Deus". É óbvio igualmente, digo eu, que neste tempo de crise em que muitos padres progressistas não seguem a doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, devemos tomar cuidado! No caso de não haver outro, confesse-se com o progressista, mas prestar bem atenção nos seus conselhos e ordens no confessionário. Caso não estejam em acordo com o que a Igreja sempre ensinou, simplesmente não seguir. E o quanto for possível evitar confessar-se com tais confessores. Na verdade, se o confessor, sendo fiel à doutrina de Jesus Cristo, pode fazer um grande bem às almas, também é verdade que o mau confessor pode fazer um mal enorme. Hoje infelizmente é mister fazer estas advertências, que antigamente os autores espirituais não precisavam fazer, pelo menos assim tão insistentemente. O perigo hoje é muito maior, porque a grande e terrível arma empregada pelos modernistas hodiernos é a ambiguidade. São Bernardo diz: "a menos que não seja evidentemente um pecado". Mas hoje aconselha-se o que é pecado nebulosamente disfarçado nas ambiguidades. Os caríssimos leitores devem já estar adivinhando o porquê destas minhas observações: o perigo atual de padres modernistas ou neomodernistas aplicarem a já famigerada "Amoris Laetitia" nas suas ambiguidades que dão azo às más interpretações. Estas más interpretações não levam apenas a pecados veniais, mas a pecados mortais gravíssimos, quais sejam os adultérios e os sacrilégios. Pior: ao estado de pecado de adultério e ao estado de sacrilégios. Uma coisa (que não deixa de ser grave) é esporadicamente alguém cometer um adultério e depois se arrepender, se confessar e não pecar mais, e outra coisa imensamente mais grave, deplorável e ladeira escorregadia para o inferno,  é alguém viver no adultério. O mesmo se diga dos sacrilégios.