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segunda-feira, 8 de abril de 2019

MÉTODO PARA ASSISTIR COM FRUTO À SANTA MISSA (Extraído de S. Leonardo de P. Maurício)

LEITURA ESPIRITUAL


INTRODUÇÃO

  Era opinião de S. João Crisóstomo( e também de S.Gregório) que, no momento em que o padre celebra a Missa, os céus se abrem, e multidões de anjos  descem do Paraíso para assistir ao Santo Sacrifício. S. Nilo, abade, discípulo do mesmo S. João Crisóstomo , afirmava que via, quando este santo doutor celebrava, uma grande multidão daqueles espíritos celestes assistindo os ministros sagrados em suas augustas funções...
   Entre os hebreus, enquanto se celebravam os sacrifícios da antiga Lei, nos quais se ofereciam apenas touros, cordeiros e outros animais, era coisa digna de admiração ver com quanto recolhimento, modéstia e silêncio o povo todo acompanhava. E, se bem que o número de assistentes fosse incalculável, além de setecentos ministros que sacrificavam, parecia, no entanto, que o templo estava vazio, pois não se ouvia o menor ruído. Ora, se havia tanto respeito e veneração por estes sacrifícios que, afinal, não eram mais que uma sombra e figura do nosso, que silêncio, que atenção, que devoção não merece a Santa Missa, na qual o próprio Cordeiro Imaculado, o Verbo de Deus feito homem, se imola por nós.
   Bem o compreendia Santo Ambrósio. Após o Evangelho ele virava-se para o povo e o exortava a um piedoso recolhimento e impunha a todos guardar o mais rigoroso silêncio, não só proibindo a menor palavra, mas ainda abstendo-se de ficar raspando goela ou fazer qualquer ruído.E era obedecido. Dizia Santo Agostinho que um santo fervor como que contagiava a todos. Quem quer que assistisse à missa do Santo Bispo, sentia-se tomado de profundo respeito e comovido até ao fundo da alma, tirando assim grande proveito e acréscimo de graças.
  Hoje, infelizmente, até os fiéis não compreendem o valor do silêncio!!! Creio que também é falta de fé.
   Primeiro método: É o das pessoas que, de livro à mão, seguem atentamente todas as ações do sacerdote, a cada uma recitam outra prece vocal que lêem no livro, e  assim passam todo o tempo da Missa a ler. Não há dúvida que, se a essa leitura se junta a meditação dos grandes mistérios, é uma excelente maneira de assistir ao santo Sacrifício, e produz também grandes frutos. 
   São Leonardo considera este método fatigante.

   Segundo método: É o das pessoas que não se servem de livros e não lêem absolutamente nada durante todo o tempo do santo Sacrifício , mas que, com viva fé, fixam os olhos da alma em Jesus crucificado, e, apoiados na árvore da cruz, dela recolhem os frutos por meio de doce contemplação. Passam todo o tempo em piedoso recolhimento interior e na consideração dos sagrados mistérios da Paixão de Jesus Cristo, que são não somente representados, mas misticamente reproduzidos no santo Sacrifício. É certo que estas pessoas, mantendo suas almas assim recolhidas em Deus, exercem atos heróicos de fé, de esperança e de caridade e de outras virtudes, e não há dúvida que esta maneira de assistir à Santa Missa é muito mais perfeita que a primeira, e também mais doce e mais suave, como atesta a experiência de um bom irmão converso. Costumava ele dizer que, ao ouvir a Missa, não lia mais que três letras: a primeira, negra, era a consideração de seus pecados que lhe produziam confusão e arrependimento, e ocupava-o desde o começo ao ofertório. A segunda letra era vermelha: a meditação da Paixão de Cristo, na qual considerava o precioso Sangue que Jesus derramou por nós no Calvário, sofrendo morte tão cruel; nisto se entretinha até à comunhão. A terceira letra era branca:. Enquanto o sacerdote,scomungava, ele se unia a Jesus pela comunhão espiritual, ficando em seguida todo absorto em Deus, contemplando a glória eterna que esperava como fruto do divino Sacrifício. (Ele fazia só a comunhão espiritual, porque naquela época não era permitida a comunhão quotidiana).Esse homem simples, continua S. Leonardo, ouvia a Missa com grande perfeição e quisera eu que todos aprendessem dele tão alta sabedoria.

MÉTODO DE SÃO LEONARDO (Resumo)
   Logo que a Missa começa, enquanto o padre se humilha ao pé do altar, dizendo o Confiteor, fazei também um pequeno exame, excitai em vosso coração um ato de contrição sincera, pedindo a Deus perdão de vossos pecados, e implorando o auxílio do Espírito Santo e da Santíssima Virgem Maria, a fim de ouvir essa Missa com todo o respeito e devoção possíveis. Em seguida, dividi em quatro partes o tempo da Missa, para, nestas quatro partes, vos desobrigardes dos quatro grandes deveres, que são os fins para os quais é celebrado o Santo Sacrifício da Missa.
   PRIMEIRA PARTE: Desde o começo até o Evangelho. Cumpris o primeiro dever de honrar e louvar a majestade de Deus, digno de receber honras e louvores infinitos.É o primeiro fim da Missa, chamado fim latrêutico: ADORAR.  Para isso humilhai-vos com Jesus, abaixando-vos na consideração de vosso nada,e confessai sinceramente que nada sois absolutamente diante da imensa Majestade Divina. Dizei-lho, humilhando-vos não só em vosso coração, como também exteriormente, pois importa assistir à Santa Missa com uma atitude recolhida e modesta. Continuai a fazer muitos atos interiores, comprazendo-vos de que Deus seja infinitamente honrado, e repeti muitas vezes: "Sim, meu Deus, regozijo-me da honra infinita que resulta deste santo Sacrifício, para vossa Majestade; felicito-me e regozijo-me quanto posso".
   Não vos preocupeis em observar à risca as palavras que vos indico, mas usai aquelas que vos inspirar vossa piedade, mantendo-vos recolhido e unido a Deus, Desde modo cumpris o primeiro dever para com Deus: ADORÁ-LO.

   SEGUNDA PARTE: Deste o Evangelho até á Elevação: Cumpris o segundo dever de pedir perdão dos pecados. Este é um outro fim da Missa, chamado propiciatório: PEDIR PERDÃO. Lançando um rápido olhar aos vossos pecados; e vendo a dívida imensa que por eles contraístes com a Justiça divina, dizei com o coração humilhado: "Meu Jesus Bem-Amado, dai-me as lágrimas de Pedro, a contrição de Madalena, e a dor daqueles pecadores que, depois de terem sido grandes pecadores, se tornaram verdadeiros penitentes, a fim de que, por esta Missa, eu obtenha o mais completo perdão de meus pecados. Repeti muito destes atos de profunda e sincera contrição. Dai livre curso a vossos sentimentos e, sem confusão de palavras, mas do fundo do coração. Fazendo estes muitos atos de contrição, todo recolhido em Deus,  ficai certo de que assim pagareis completamente todas as dívidas que, por vossos pecados, contraístes com Deus.

   TERCEIRA PARTE: Depois da elevação até à Comunhão: Cumpris o terceiro dever de agradecer a Deus as graças recebidas. É outro fim da Missa chamado eucarístico: AGRADECER. Considerai os imensos benefícios de que foste cumulado e, em troca, oferecei a Deus um presente de valor infinito: o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo. Convidai mesmo todos os anjos e santos a render graças a Deus, por vós, da maneira seguinte: "Eis-me aqui, meu amado Senhor, cumulado de benefícios tanto gerais como particulares, que concedestes e quereis conceder-me no tempo e na eternidade. Reconheço que vossas misericórdias para comigo foram e são infinitas. Eis aqui, portanto, em reconhecimento e em paga, este sangue divino, este corpo sacratíssimo , que vos apresento pela mão do sacerdote. Ó queridos santos, meus advogados, agradecei por mim a Deus a sua bondade, não viva eu e morra como ingrato, Peço-vos, suplicai-lhe aceitar minha boa vontade e levar em conta o agradecimento cheio de amor, que, por esta missa, lhe oferece, por mim, o meu Jesus". Devemos repetir muitas vezes estes atos de ações de graça pelos benefícios recebidos da Bondade divina.

   QUATA PARTE: Depois da Comunhão até o fim da Missa: Cumpris o quarto dever que é o de pedir novas graças. É o fim da Santa Missa chamado impetratório: PEDIR GRAÇAS. Depois da comunhão sacramental do sacerdote e depois que comungardes também sacramentalmente, ou, senão for o caso, depois que fizerdes a comunhão espiritual, podeis e deveis pedir a Jesus novas graças. Contemplando a Deus nos íntimo de vosso coração, não receeis pedir-Lhe muitas graças, pois neste momento Jesus une-se todo a vós e Ele mesmo ora por vós. Expandi, portanto, vosso coração, pedindo, não coisas de somenos importância, mas grandes graças, já que tão grande é a oferenda que Lhe fazeis, o seu divino Filho. Dizei-Lhe então com o coração repleto de humildade:"Ó meu Deus, reconheço-me por demais indigno de vossos favores; Não mereço ser atendido. Como poderíeis, porém, deixar de escutar vosso divino Filho, que, sobre este altar, pede por mim, oferendo-Vos a sua vida e o seu sangue?"
   Pedi graças para vós, para as crianças, para vossos amigos, parentes e conhecidos; implorai socorro para todas as vossa necessidades espirituais e temporais, rogai para a santa Igreja a plenitude de todos os bens e o fim de todos os males. E não o façais com negligência, mas com grande confiança, seguros de que vossas orações, unidas às de Jesus, serão atendidas. Saí da Igreja com o coração compungido, como se descêsseis do Calvário.
   Dizei-me agora: se tivésseis ouvido deste modo todas as missas às quais assististes até ao presente, de quantos tesouros não teríeis enriquecido vossa alma!?
   No fim de seu livro sobre "As excelências da Santa Missa" São Leonardo traz alguns exemplos para excitar os padres e os fiéis, a uma grande devoção à Santa Missa. Vou transcrever apenas três.

EXEMPLOS
   1º - A piedosa rainha Maria Clemtina, que morreu em Roma com 33 anos de idade e foi assistida no hora da morte pelo mesmo São Leonardo de Porto Maurício. Diz este santo Missionário: "Como a própria Maria Clementina se dignou dizer-me muitas vezes, punha todas as suas delícias em assistir ao divino Sacrifício e cada dia ouvia quantas Missas podia, Mantinha-se imóvel, diz S. Leonardo que o presenciou muitas vezes, sem almofadas, sem apoio , imóvel como uma estátua. Sua carruagem, continua S. Leonardo, percorria a toda velocidade as ruas de Roma, a fim de permitir-lhe chegar a tempo nas diversas igrejas." Esta santa rainha era dirigida espiritualmente por S. Leonardo. Ele afirma que Maria Clementina lhe escreveu um carta jé no leito de morte onde ela afirma que morria porque seu coração não aguentava mais o ardente desejo de receber Jesus todos os dias. E isto naquela época não era permitido.  

  2º - Fora de Roma, diz São Leonardo, conheço uma grande princesa, ilustre tanto por sua piedade como pelo seu nascimento, que ouve cada manhã várias missas, e ocupa suas damas nos trabalhos destinados ao altar, a ponto de enviar caixas cheias de corporais, manustérgios e outras peças semelhantes aos missionários e pregadores, para que as distribuam às igrejas pobres e a fim de que o divino Sacrifício seja oferecido a Deus com toda pompa, decência e solenidade adequadas.

   3º- Para ouvir a Missa Santa Isabel da Hungria se dirigia com grande pompa à igreja. Mas para assistir o Santo Sacrifício da Missa, retirava da cabeça a coroa, os anéis dos dedos, depunha seus ornamentos de rainha, e cobria-se com um véu, ficando em atitude tão modesta que jamais foi vista desviar sequer os olhos. Tudo isso agradou de tal modo a Deus, que Ele quis manifestá-lo a todos: durante a Missa, a Santa aparecia envolta de tal claridade que se velavam de deslumbramento os olhos dos assistentes; parecia-lhes contemplar um anjo do Paraíso.
São Leonardo apresenta inúmeros exemplos e de todas as classes de pessoas. 
Não posso, porém, deixar de fazer-vos uma pergunta: Diante do que vemos hoje, há ou não motivo de chorar?

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Jesus pregando o Retiro aos seus sacerdotes - ( IX )

A Santa Missa

   Recolhe-te, meu Padre, vem mais pertinho de mim. Os anjos enchem o meu santuário. Os querubins e os serafins envolvem, trementes, o meu altar, e tu, mísera criatura, vais subir os seus degraus para me ajudares a continuar o meu sacrifício do Calvário.
   Eu sou a vítima como sou também o sacrificador, e é ao meu divino Pai a quem ofereço minha vida.
   Todavia quis ter necessidade de ti para me dares a existência no altar.
   Considera, pois, a que profundeza eu me abati e a que altura te elevei.
   Como o corpo humano unido à alma constitui o homem, e como o homem enriquecido pela graça forma o cristão, assim, de maneira análoga, o cristão revestido do caráter sacerdotal dá o sacerdote, outro Jesus. 
   Quando tu pronuncias a fórmula da consagração, não é um simples mortal quem a pronuncia; sou eu mesmo, o supremo Sacerdote, que vivo em ti, quem a pronuncia contigo e por tua boca.
   Não tremes pensando que és com o Onipotente um só e mesmo princípio de ação para produzir o Homem-Deus?
    E não se sente comovido e reconhecido teu coração, vendo-te objeto de tanta confiança e de tanta ternura por parte de Deus?
   As coisas santas devem ser tratadas santamente. Prepara-te todas as vezes para o grande ato da celebração dos divinos mistérios.
   Os meus anjos ficaram abismados em adoração diante do meu altar durante todo o tempo, esperando a tua chegada com santa impaciência e profundo respeito.
   Que tristeza e que espanto para eles, quando te vêem chegar turbulento e apressado, sem sequer suspeitares a sua presença, sem lançares um olhar ao divino Prisioneiro a quem eles fazem guarda de honra!
   Se tua alma fosse ao menos bastante pura para te pores em contato com o Cordeiro sem mácula!
   Oh!, meu filho, guarda-te bem de jamais celebrares com a consciência manchada com um pecado mortal.
   Jura-me que jamais no altar me darás o beijo de Judas!
   O zelo pela casa de meu Pai devora-me. Eu não posso sofrer no meu santuário a desordem ou a indiferença. A igreja é o palácio do Rei dos reis.
   Tem um cuidado cioso da pureza da mesa do altar. É o trono do qual desce a Majestade divina. 
   Vela pela limpeza dos vasos sagrados que hão de tocar o Cordeiro imaculado, pela decência dos ornamentos que devem cobrir-me na tua pessoa, enquanto nós ambos oferecemos o santo sacrifício.
   Meu filho, se verdadeiramente me amas, observarás com dignidade e com imenso respeito as mais pequenas cerimônias da santa Liturgia.
   Celebra com atenção e com o espírito e o coração unido a mim, o Sacerdote supremo.
   Comigo adora, ama e dá graças ao Pai do céu, de quem vêm todos os benefícios.
   Comigo implora do Juiz supremo o perdão dos teus pecados e dos pecados do meu povo.
   Comigo e por mim apresenta afoitamente as tuas petições.
   Tudo o que pedires em meu nome ao meu Pai, obtê-lo-ás.
   Após a Santa Missa não me abandones precipitadamente. Fica comigo algum tempo ainda, em trato íntimo, de coração a coração, para me agradeceres  e pedires o meu amor e para obteres o perdão das irreverências cometidas durante as augustas cerimônias.
   Desde que és sacerdote, és como o compêndio e o pai comum de toda a Igreja. Leva-la na tua alma dia a dia e oferece-la como vítima, comigo, ao Pai celestial. Nenhum homem sobre a terra pode encontrar-te indiferente aos seus destinos. 
   Quando celebras, as almas do Purgatório estendem para ti, súplices, as suas mãos. Conjuram-te a que sobre elas faças destilar algumas gotas do meu sangue precioso.
   Suplicam-te que acolhas os seus ardentes desejos, os seus prantos amorosos e os seus gemidos, de si mesmos estéreis; que os faças passar pelo teu coração sacerdotal, permitindo-me assim aliviá-las e libertá-las.
   Quando celebras, até o céu se inclina para ti com respeito e reconhecimento. 
   Os anjos e os bem-aventurados rodeiam-te com veneração e dão-te pressa para ofereceres a divina Hóstia. Pedem-te que unas as suas adorações às adorações da divina Vítima que tens nas tuas mãos.
   A minha própria Mãe, a Rainha de todos os sacerdotes, está presente cada dia ao teu santo sacrifício. Sente-se feliz de poder renovar, graças a ti, seu filho, a oferta que entre lágrimas fez um dia ao pé da cruz.