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quinta-feira, 18 de junho de 2020

O CORAÇÃO DE JESUS NA SUA ASCENSÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
18ª dia de junho

O Apóstolo São Paulo na Epístola aos Romanos, capítulo VI, versículo 9, diz: "Cristo ressuscitado dos mortos, não morre mais". Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou imortal e impassível. E São Lucas nos Atos dos Apóstolos I, 1-3 diz: Na primeira narração, ó Teófilo, falei de todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar até ao dia em que, tendo dado as suas instruções por meio do Espírito Santo aos apóstolos que tinha escolhido, foi arrebatado(ao céu); aos quais também se manifestou vivo, depois da sua paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes por quarenta dias e falando do reino de Deus". Em seguida, São Lucas relata as últimas instruções de Jesus revelando que seus apóstolos receberiam dentro de poucos dias o Espírito Santo. Depois elevou-se à vista deles; e uma nuvem o ocultou aos seus olhos. Isto se deu no Monte das Oliveiras na presença de Sua Santíssima Mãe e dos Apóstolos, e de muitos outros discípulos.

Depois da ressurreição, como atesta São Lucas, Jesus se manifestou vivo aparecendo-lhes naqueles quarenta dias. Nesta aparições Jesus fez questão de demonstrar que era Ele mesmo com o seu corpo. Mostrou aos Apóstolos as suas chagas. Jesus ressuscitou glorioso, e portanto seu corpo é real mas transformado, resplandecente de glória. Assim estavam suas chagas, inclusive a do Seu Coração adorável. O Apóstolo Tomé as tocou com o dedo.
Jesus levou consigo como troféu da sua vitória, as almas santas, que tinha tirado do limbo dos justos ou Seio de Abraão.

Caríssimos, nossa pequenez não é capaz de formar um ideia exata do júbilo de toda a Corte celestial, á entrada de Nosso Senhor Jesus Cristo no Paraíso. São Boaventura imaginava ver os nove coros de Anjos e ainda os Santos Patriarcas, os profetas e todos os justos do Antigo Testamento, que acabaram de entrar após Jesus no Reino Eterno da Glória, vindo sucessivamente celebrar os louvores do Divino Rei e oferecer-Lhe as suas homenagens: "Todos se alegram, diz o santo, todos se regozijam, todos aplaudem. Então ressoa por todo o âmbito da celestial Jerusalém o cântico de alegria, o Aleluia triunfador".

Em uníssono todos repetem aquelas palavras do Apocalipse: "Digno é o Cordeiro, que foi sacrificado, de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a fortaleza, a honra, a glória e a bênção... pelos séculos dos séculos. Amém (Apocalipse V, 12).

Eis o momento mais solene: o Pai Eterno recebe seu Filho que se senta à Sua direita, cumprindo-se assim aquela profecia de Davi: "Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te a minha direita" (Salmo 119, 1); o que quer dizer: "Ocupa o mesmo trono; reina e governa comigo sobre tudo o que está criado, com autoridade igual à minha, como Deus, e com poder supremo sobre o céu e a terra, enquanto Homem; "De maneira que Jesus Cristo Nosso Salvador, como Cabeça e Senhor de tudo, está no Céu sobre os Anjos e Arcanjos, sobre as Potestades e Dominações, sobre os Querubins e Serafins.

Mas Jesus não está ali somente para a sua própria glória, ou para constituir a glória e felicidade dos eleitos; está sobretudo para ser nosso Advogado diante do Pai, orando e intercedendo constantemente em nosso favor. É o que afirma São Paulo: "Porque permanece para sempre, tem um sacerdócio que não passa. Por isso pode salvar perpetuamente os que por ele mesmo se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por nós" (Hebreus VII, 24 e 25). E assim, para interceder por nós, Jesus Cristo apresenta seu Coração aberto, e as suas outras chagas resplandecentes de glória. Apresenta a Seu Pai os méritos de seu precioso Sangue, derramado pela salvação da humanidade. Este Sangue de valor infinito foi derramado realmente uma vez na cruz, e misticamente quantas vezes se imola e oferece no altar quando os sacerdotes celebram o Santo Sacrifício da Missa. Eis, caríssimos, toda nossa esperança!

Jesu Cristo, pois, está vivo no Céu, vivo e glorioso com seu corpo, sangue, alma e Divindade. Portanto está com o Seu Sacratíssimo Coração. Ali Ele nos espera, para ser um dia a nossa recompensa eterna. Amemos a Jesus porque Ele merece todo nosso amor. Amemos este Coração Divino que contemplamos enquanto esteve aqui entre nós, e que a modo de substância estará ainda conosco até o fim do mundo  na Santíssima Eucaristia,  quando então, pela sua misericórdia, temos a esperança de contemplar e adorar eternamente na Jerusalém celeste.Amém!

terça-feira, 16 de junho de 2020

O CORAÇÃO DE JESUS EM ALGUNS FATOS DE SUA VIDA PÚBLICA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
16º dia de junho

Caríssimos, contemplemos agora, embora brevemente, alguns rasgos da inefável e terna caridade do Coração de Jesus.

Certa vez o divino Mestre caminhava perto do mar da Galileia e subiu a um monte e ali sentou-se. Grande multidão seguira-O. Traziam cegos, mudos, paralíticos, e muitos acometidos de outras enfermidades. Puseram todos estes doentes perto de Jesus. Ele, movido de compaixão, curou-os a todos.

Feitas estas curas, levantando os olhos, avistou uma imensa multidão, que O seguia, despreocupada do alimento corporal e ávida sobretudo por alimentar suas almas com a doutrina celestial do Mestre divino. Diante deste espetáculo de devotamento e de fé, o Coração de Jesus enterneceu-se e disse aos seus discípulos: "Tenho compaixão desta multidão de gente; porque há três dias que estão comigo, e não têm o que comer; e se os mando para suas casas em jejum desfalecerão pelo caminho, porque alguns deles vieram de muito longe. E lemos no evangelho de S. Mateus XV, 32 e Marcos VIII, 2 e seguintes que tendo mandado que todos se sentassem no chão, realizou o estupendo milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, e, assim, matou a fome corporal também daquele povo. Que bondade e ternura do Coração de Jesus!

Meditemos em outro fato que S. Lucas narra no seu evangelho capítulo VII, 11-15: Jesus estava a caminho de uma pequena aldeia chamada Naim. Jesus Cristo ia acompanhado dos seus discípulos e de uma grande multidão. Próximo já da porta da cidade, encontram-se com um enterro. O morto era filho único de um pobre viúva. A mãe, mergulhada em profunda dor, derramava abundantes lágrimas. O Coração de Jesus, a vista daquela mãe lagrimosa, comoveu-se profundamente. "Não chores", disse-lhe. Saída esta frase de quaisquer outros lábios, não teria sentido, mas dos lábios do divino Salvador, era uma esperança certa não só de consolo mas de alegria. Só Jesus podia estancar as lágrimas de uma mãe enlutada, porque só Ele podia restituir a vida. E foi o que fez logo a seguir. Abeirando-se do féretro, disse: "Jovem, levanta-te". E logo se levantou o morto e começou a falar. E Jesus entregou-o a sua mãe. Contemplemos a alegria do Coração de Jesus em ver aquela mãe tão feliz abraçada ao seu querido filho, o único arrimo e a maior alegria de sua vida.

Cena comovente com certeza seria Jesus chorando. E por duas vezes são relatadas as lágrimas de Jesus Cristo: sobre Jerusalém e junto ao túmulo de Lázaro. Do alto do Monte das Oliveiras, na última visita que faria a cidade de Jerusalém, ao avistar lá de cima toda cidade, e ao ver com espírito profético o terrível castigo que esperava esta cidade ingrata e que cometeria o maior crime possível sobre a terra, isto é, o deicídio, Jesus começou a chorar. E disse qual a razão de suas lágrimas: "Se ao menos neste dia, que te é dado, tu também conhecesses o que te pode trazer a paz! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos. Porque virão para ti dias em que os teus inimigos se cercarão de trincheiras, te sitiarão, te apertarão por todos os lados, derrubarão por terra a ti e aos teus filhos, que estão dentro de ti e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo em que foste visitada" (S. Lucas VII, 11-1). No local foi construída a igreja do "Dominus Flevit" (= O Senhor chorou) e no seu interior há um mosaico de uma galinha acolhendo debaixo d asas os seus pintainhos. É em lembrança destas ternas palavras saídas do Coração de Jesus: "Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes eu quis juntar teus filhos, como a galinha recolhe debaixo das asas os seus pintainhos, e tu não quiseste!" (S. Mat. XXIII, 37).


Quanto às lágrimas de Jesus junto ao túmulo de seu amigo Lázaro de Betânia, fala-nos o evangelista S. João no capítulo XI, versículos de 33 a 36: "Jesus, porém, vendo-a [Maria] chorar, a ela e aos judeus, que tinham ido com ela, comoveu-se profundamente e perturbou-se, e disse: Onde o pusestes? Eles responderam: Senhor, vem ver. Jesus chorou. Disseram por isso os judeus: Vejam como ele o amava". E nós também exclamamos: que imensa ternura e amabilidade neste Coração divino! Amém!

domingo, 14 de junho de 2020

O CORAÇÃO DE JESUS E A EUCARISTIA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
14º  dia de junho

"Tendo amado os seus que estavam neste mundo, amou-os até o fim" (S. João, XIII, 1)

Na quinta-feira depois do terceiro domingo após o Pentecostes, celebra a Santa Madre Igreja a Festa do Coração Eucarístico de Jesus.

Jesus Cristo nos amou até ao extremo, dando-nos todo a nós na Santíssima Eucaristia, Divindade e Humanidade. E no mistério da Eucaristia temos o Coração vivo de Jesus Cristo. Na verdade, se Jesus o Filho de Deus, onipotente e capaz de operar a maravilha das maravilhas, diz-me mostrando o pão: "Isto é o meu corpo", sou obrigado a tomar a sua palavra literalmente, a menos que Ele mesmo me explique doutra forma. Mas Jesus Cristo não o explica: exige  que seus discípulos assim o creiam. É um mistério de fé. E "bem-aventurados os que não viram e creram".

O Coração de Jesus instituiu a Santíssima Eucaristia de tal modo que as hóstias consagradas pudessem se multiplicar em milhares e milhões sobre a terra. Este prodígio foi possível porque o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo está na Eucaristia enquanto substância, a modo de substância, como explica Santo Tomás de Aquino. Despojado das proporções que toma a quantidade mensurável de seus elementos e que lhe determinam um lugar nos espaço. Assim, a substância, em si mesma, não tem superfície, nem contorno, nem comprimento, nem largura, nem profundeza. A substância, enquanto substância, é distinta dos seus acidentes, pode ser separada deles, por conseguinte libertada dos limites que aprisionam o corpo. Na Hóstia consagrada vemos as aparências do pão, mas a substância não é mais a de pão, mas sim a substância do Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.  Esta maneira de ser, diz Santo Tomás de Aquino, é própria do Sacramento do Altar, Jesus Cristo está, aí, presente não como um corpo num lugar, mas sob um modo especial, isto é, a modo de substância. Assim pode estar sacramentalmente presente simultaneamente em todos os lugares do mundo. E também, sendo partida a Hóstia consagrada e, mesmo, em cada fragmento, Jesus está realmente presente. Este é o motivo porque se usa a patena para amparar qualquer fragmento que possa se desprender da Hóstia. 

A Santíssima Eucaristia é um mistério de fé e também de amor. "Tendo amado os seus que estavam neste mundo, amou-os até o fim". Este "até o fim" é interpretado mais comumente pelos Santos Padres como "até o último limite", "até ao extremo". Jesus Cristo morrendo na Cruz para nos salvar, deu-nos a maior prova de seu amor. Deu a sua vida por nós, para que de escravos do demônio, pudéssemos nos tornar "filhos de Deus e herdeiros do Céu". Quis que Sua imolação por nós se perpetuasse pela Eucaristia como Sacrifício, isto é, pela Santa Missa; e quis que a Eucaristia como sacramento fosse o alimento de nossa alma. Assim, exclama Santo Agostinho: "Sendo poderosíssimo, não poderia fazer mais do que fez; sendo riquíssimo, não teria nada mais precioso para nos dar; sendo sapientíssimo, não saberia nos dar algo melhor". Ele é o sumo Bem e deu-Se a si mesmo através da Santíssima Eucaristia.

Aqui nos lembramos da estrofe do hino "Adore Te devote": Piedoso Pelicano, Jesus Cristo, lava a imundície da alma com teu sangue, do qual uma só gota salvar pode de toda a culpa, todo o mundo inteiro.

Santo Tomás com toda propriedade chama Jesus na Eucaristia, de "Piedoso Pelicano". Quantas vezes, caríssimos, ouvimos, enternecidos, a lenda do pelicano: Ouvindo as lamúrias de fome de seus filhotes, o pássaro materno abre as grandes asas e parte. Perscrutou as águas, percorreu matagais e nada encontrou. Pousa sobre um rochedo e ouve o pipilar dos filhinhos famintos. Aproxima-se do ninho, e, de repente, num surto de indescritível ternura maternal, lança-se sobre o ninho. Nada trouxe. Apenas o coração materno. Sem titubear e subitamente  leva o grande bico cortante  sobre o peito e o dilacera. O sangue salta. Os filhos avançam sôfregos sobre coração do pássaro materno e nesta fonte rubra de sangue, sugam e comem loucamente. E o pássaro cai morto vítima de amor pelos seus filhotes.

Jesus também, para não nos deixar órfãos, sem o alimento da alma, dá-nos a sua Carne e o Seu Sangue precioso no Sacramento da Eucaristia. Agora o Piedoso Pelicano não morre, mas é o seu corpo imolado na Cruz e o seu Sangue derramado aí até a última gota por nosso amor que nos são dados em alimento na Comunhão. Amém!


sexta-feira, 12 de junho de 2020

O CORAÇÃO DE JESUS E A OITAVA BEM-AVENTURANÇA


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
12º  dia de junho

"Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus".

Esta bem-aventurança vem por último porque, na verdade, é a pedra de toque das demais. É o crisol de toda virtude. O sofrimento suportado por amor a Nosso Senhor Jesus Cristo é a prova insofismável da verdadeira santidade. Ser zombado e insultado, caluniado e até conduzido à morte, justamente por querer comportar-se como autêntico cristão inteiramente fiel a Nosso Senhor Jesus Cristo, é o testemunho do verdadeiro amor ao divino Salvador, que foi perseguido, alvo de contradição e deu a vida por nosso amor. "Sofrer perseguição" é segundo mostra Jesus,  algo violento que pretende tirar-nos a paz, os bens, a reputação e até a vida. E com esta particularidade que mais assusta a nossa natureza: não é algo que passa, mas que nos segue diuturnamente e com tenacidade. O ouro das virtudes não é jogado no crisol e logo tirado, mas deve permanecer aí até ao fim para só assim sair puríssimo e esplendidamente reluzente. "Tu me provaste com o fogo e não foi encontrada em mim iniquidade" (Salmo 16, 3). "Todos os que querem viver piamente em Jesus Cristo, padecerão perseguição' (2 Timóteo III, 12).

Esta bem-aventurança pressupõe em nós todos os méritos das sete bem-aventuranças precedentes e, outrossim, pressupõe todos os seus prêmios. Já houve milagres da graça pelos quais pessoas que estavam na idolatria passaram imediatamente para o martírio cristão e foram logo para o céu. Mas ordinariamente não acontece assim: para se tolerar com paciência alguma grave perseguição, se exige uma longa prática de todas as virtudes como Nosso Senhor mostrou nas bem-aventuranças anteriores, e é a "justiça", ou seja, o compêndio de todas as virtudes. Como na primeira bem-aventurança, também aqui Jesus diz: "porque deles é o reino dos céus". Assim, quem é perseguido por seguir a Jesus Cristo com fidelidade, é julgado no céu como quem é dono de um reino, mas que ainda não tomou posse dele. Por isso que Jesus também disse alhures: "Aquele que perseverar até ao fim, este será salvo".  Não podemos descer da cruz. Para tanto, Nosso Divino Mestre está sempre nos apresentando o seu Coração coroado de espinhos. Não há um só que nos fira e que, antes, já não O haja amargurado. Caríssimos, é mister ter sempre em mente o mistério profundo da Cruz. É esta a lembrança que nos traz contentamento nas perseguições como, de si mesmo, atesta São Paulo. Contemplemos sempre na Cruz o Coração transpassado de Jesus, coração assim por primeiro contemplado e adorado pela Mãe das Dores e pelo discípulo mais amado.

Enquanto, com relação às outras bem-aventuranças, a cada uma corresponde um dom do Espírito Santo, a esta última correspondem todos os dons do Espírito Santo. Correspondem-lhe: o dom do Temor de Deus, pois, é a primeira armadura contra qualquer perseguição; o dom da Piedade, porque ele dá a reverência, o amor filial; o dom da Ciência, porque esta nos faz conhecer o sumo bem que há em permanecer firme  durante a perseguição. A ciência mostra-nos, também, o mal que há em fugir das perseguições; o dom da Fortaleza, que nos dá a coragem necessária para desprezar a perseguição; o dom do Conselho, porque nos faz escolher os meios mais seguros para conseguirmos a vitória contra nossos perseguidores que são insuflados pelo demônio; o dom da Inteligência que nos ilumina para sabermos orar pedindo o socorro divino, a assistência de Jesus e de Nossa Senhora; o dom da Sabedoria, porque ela nos faz agir nas perseguições com aquela segurança que é própria de um comandante experimentado, aguerrido e destemido.


Caríssimos, vede como é importante pedir sempre a Deus Nosso Senhor as virtudes e também os sete dons do Espírito Santo. Amém!

segunda-feira, 8 de junho de 2020

O CORAÇÃO DE JESUS E A TERCEIRA BEM-AVENTURANÇA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
8º dia de junho

"Bem-aventurados os que choram porque eles serão consolados".

O adultos geralmente choram quando ficam muitíssimo tristes por alguma perda de algum bem, de um ente querido que morre etc. Há, no entanto duas categorias de bens: os terrenos e os celestiais. Nosso Senhor Jesus Cristo aqui nesta terceira bem-aventurança se refere aos bens sobrenaturais: a graça e a glória celestial. Porque, pelo fato de alguém chorar pela perda de bens terrenos, nem por isso, os recupera pelas lágrimas do pranto. Este choro termina tornando as pessoas mais infelizes ainda. Na verdade são bem-aventurados por causa de seu pranto os que choram as perdas nas quais incorreram com o pecado, porque são os únicos que podem reaver com o choro o quanto perderam. Portanto os que Jesus Cristo aqui proclama bem-aventurados são os que choram a perda da graça e da glória celestial por efeito do pecado. Chorando seus pecados com um compunção profunda do coração, conseguem o perdão dos mesmos e assim recuperam estes bens verdadeiramente preciosos. Devemos reservar nossa dor para este uso mais nobre: chorar o que perdemos pelo pecado: os bens da graça e os bens da glória. Doutro modo o nosso pranto, não só seria inútil, mas  às vezes, danoso.

Chorar os pecados e conservar no coração as lágrimas da compunção é sinal de predestinação, ou seja, é caminho certo do Céu. Jesus Cristo queria falar da consolação futura. Embora já na terra as lágrimas da penitência já trazem consolação, neste mundo, no entanto, tal consolação não é perfeita, porque sempre restam dúvidas sobre a nossa perseverança. Perfeita consolação, pois, será somente no céu onde cada penitente, lá chegando, não só reconquistará com plenitude os bens da graça e da glória pelos quais chora, mas reconquistará os bens temporais dos quais se privou para viver em contrição: o gozo, as glórias, as amizades, as grandezas, as comodidades. No Céu estes bens serão recuperados com grandes juros, porque serão gozos, e glórias infinitamente superiores.  Aliás, o próprio Deus nos consolará: "Eu mesmo, diz o Senhor pela boca de Isaías, vos consolarei" (Is. 51, 12).

Podemos perguntar  por que esta bem-aventurança vem depois da dos pobres e dos mansos? A razão é a seguinte: assim como a pobreza é o que sumamente dispõe à mansidão, assim a mansidão é a que sumamente dispõe para  as lágrimas da contrição. Jesus, outrossim, quis com estas três primeiras bem-aventuranças reordenar todo o homem velho em si mesmo. Primeiramente quis que ele calcasse aos pés os bens das riquezas, que são os espinhos que sufocam os bens da alma. Depois, passando para o interior, quis que primeiro fosse dominada a ira com a mansidão; e a concupiscência com as renúncias da carne. E só depois assim pensar na própria alma e chorar os seus males, privando-se de todos os prazeres, impuros ou imperfeitos. Resumindo podemos dizer que Nosso Senhor Jesus Cristo nesta bem-aventurança quis falar de todos aqueles que têm o coração desapegado de tudo o que é contrário à contrição.

Caríssimos, consideremos a bondade do Coração de Jesus: Jesus quer nos consolar e nos restituir os verdadeiros bens. Nós procuramos consolar alguém enlutado pela morte dum ente querido, mas não temos poder de restitui-lho vivo. Quando Jesus disse à viúva de Naim: "Não chores", realmente a consolava, porque ressuscitou seu filho e lho entregou vivo. Aos mortos espiritualmente, Jesus diz: Chorem seus pecados, e Eu vos restituirei a vida da graça e depois a glória no Céu. 

Deparamo-nos frequentemente com pessoas chorando por causa de perdas terrenas, mas mui raramente, por causa da perda dos bens da graça e da glória eterna. A esta bem-aventurança corresponde o dom da ciência.  Por não possuí-lo muitíssimos, para não dizer a grande maioria não choram pela perda dos verdadeiros bens, que são a graça de Deus e a glória do Céu. Perder estes bens lhes dá uma pena muito menor do que perder um animal de estimação. Mas as pessoas espirituais e que possuem o dom da ciência do Espírito Santo, estas sim, choram quando têm a suma desgraça de cair em pecado mortal. "Noite e dia me alimento de lágrimas, sentindo dizer continuamente: Onde está o teu Deus?" (Salmo 41, 4).


Caríssimos, procuremos manter uma compunção profunda dentro do coração por todos os pecados que já cometemos. Peçamos ao Espírito Santo o dom da ciência para detestarmos o pecado como o sumo mal, o mal extremo, absoluto. E façamos a oração litúrgica da Igreja pedindo o dom das lágrimas: "Deus todo poderoso e cheio de bondade, que para matar a sede de vosso povo sequioso, fizestes brotar do rochedo uma fonte de água viva, fazei sair da dureza dos nossos corações, lágrimas de compunção, para podermos chorar os nossos pecados e merecer, pela vossa misericórdia, obter a sua remissão. Por Cristo Nosso Senhor. Amém!"

domingo, 7 de junho de 2020

O CORAÇÃO DE JESUS NAS BEM-AVENTURANÇAS (I)

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
7º dia de junho

Vamos, com a graça de Deus, contemplar este tesouro incomparável de sabedoria e de verdadeira felicidade emanado do Coração do Divino Mestre. Sentado na grama, Jesus abre a boca e ensina: "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus". O Coração cheio de bondade de Jesus quer iniciar o seu sermão mostrando onde se encontra a verdadeira felicidade. O homem antigo, mesmo no povo de Israel, procurava a riqueza, o gozo, a estima, o poder, e considerava tudo isto como a fonte de toda felicidade. Nosso Senhor Jesus tira-os desta ilusão e mostra outro caminho a ser trilhado. Exalta a pobreza, a doçura, a misericórdia, a pureza e a humildade. Deixava claro a todos a distância infinita entre os pensamentos dos povos do Testamento Velho e as virtudes cristãs do Novo. Jesus Cristo modelo perfeito de todas as virtudes, coloca o amor da pobreza e a humildade como base de seu sermão. Aliás, como diz São Paulo: "Sendo rico, fez-se pobre, para com sua pobreza nos pudesse enriquecer a todos". E na verdade, a pobreza aceita com resignação e até com alegria para imitar a Jesus, torna o homem mais expedito e pronto para correr no seguimento do Divino Mestre. Jesus inicia o seu sermão com esta bem-aventurança porque, na verdade, ela serve de fundamento a todas as outras que vêm depois. Com efeito a pobreza aceita com espírito reto de imitar a Jesus é útil em sumo grau para adquirir as virtudes expressas nas outras bem-aventuranças. Ao pobre é mais fácil ser manso, moderado, humilde, e sacrificar-se como vítima à justiça, ter um coração misericordioso, um coração puro, manter-se em grande paz entre as vicissitudes e turbulências do gênero humano.  Aqui entendemos também como "pobres de espírito" aqueles que, embora, tenham riquezas, não têm nenhum apego a elas, e usa-as para praticar a esmola, e ajudar as obras pias da Igreja.


"Bem-aventurados os mansos porque eles possuirão a terra". Nosso Senhor Jesus Cristo é o modelo perfeito de todas as virtudes, mas quis ressaltar a sua doçura e humildade: "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração, e assim encontrareis descanso para as vossas almas". A mansidão deve brotar de um grande amor para com Deus, que leve a suportar de boa vontade qualquer ofensa. É uma virtude cristã e heroica. Jesus certamente aludiu a este grau heroico da mansidão, no qual se encontra certamente a verdadeira paz, o verdadeiro descanso. A mansidão deve ser para nós uma virtude de predileção porque nos torna semelhantes a Jesus Cristo, nos preserva de infinitos perigos de pecar enquanto nos preserva da ira e da vingança. Também é uma virtude que nos fornece uma magnífica disposição para aquela graça que nos facilita a prática do bem, mantendo-nos numa grande tranquilidade. O Coração manso de Jesus conquista o nosso coração; e nós também conquistaremos os corações dos homens pela mansidão. Logicamente esta bem-aventurança se segue a primeira, porque não ficaria bem ver um pobre de espírito, altaneiro, rígido, briguento e insolente. Se alguém é pobre de vontade deverá gostar de ser desprezado, como Jesus Cristo foi desprezado por ser pobre. Só o humilde será manso, porque o orgulhoso nunca conseguirá conter o ímpeto de seu furor. Caríssimos, pensemos muitas vezes nos ofensas que fizemos a Deus, e, então, tendo concebido um santo ódio contra nós mesmos, não só gostaremos de ser desprezados, mas nos admiraremos como todos não nos desprezam. Amém!

sexta-feira, 5 de junho de 2020

O CORAÇÃO AMABILÍSSIMO DE JESUS E A VERDADE

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
5º dia de junho

Logo no início de sua vida pública, isto é, de apostolado, o Coração adorável de Jesus Cristo quis alimentar as almas com a sua doutrina, com a Verdade. Dissera que a doutrina que pregava recebeu-a do Pai: ""Minha doutrina não é minha mas do Pai que me enviou". A nenhum homem é permitido adicionar ou subtrair algo sequer desta doutrina, nem um pontinho, nem um traço. É tão alta, é tão sublime que só o Divino Espírito Santo, poderá completá-la, no sentido de dar aos Apóstolos a capacidade de entender toda ela. Verdade imutável porque perfeita, porque se identifica com o próprio Jesus que é sempre o mesmo, ontem, hoje e sempre. "Eu sou a Verdade", dissera o Divino Mestre.

Não é sem motivo que Santo Agostinho lamentava: "Ó verdade sempre antiga e sempre nova, quão tarde de conheci, quão tarde de amei!" Caríssimos, a doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo brota qual água viva, do manancial inefável de seu Amabilíssimo Coração. Quão pura, quão santa, a mais perfeita, mais humana e mais divina ao mesmo tempo. A doutrina de Jesus é superior a toda a sabedoria criada. Esta doutrina satisfaz plenamente o nosso coração, e só ela! Só a excelência e santidade desta doutrina é por si mesma um testemunho inegável da divindade do divino Mestre.

Tão sublime e tão amável esta doutrina que brota do Coração de Jesus! Pois ensinava que Deus é nosso Pai, e Pai amantíssimo e boníssimo; que nos protege; que nos criou para o céu; e que só serão eternamente condenados os que se afastam voluntariamente do seu amor e da obediência aos seus mandamentos.; que todos os homens são irmãos como filhos de um mesmo Pai; que constituímos uma só família, por termos todos a mesma origem e o mesmo destino e que assim devemos amar-nos uns aos outros como nos amamos a nós mesmos. Jesus ensinava que nunca devemos fazer a outrem o que não desejássemos que nos fizessem a nós; e que fizéssemos ao próximo tudo o que desejássemos que nos fizessem a nós. "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração e assim encontrareis descanso para as vossas almas", exortava Jesus. Ensinava enfim todas as virtudes mas sobretudo o amor para com Deus e a caridade para com o próximo, até para os próprios inimigos. Esta caridade, no seu duplo aspecto, é como a alma e a síntese de todos os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pois, deste princípio da caridade dimanam todos os outros deveres, que ensinava ao povo a colocar em prática. E sabemos como todos os de coração reto ficavam atraídos pelo encanto celestial da palavra e da Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Todos percebiam que seus lábios divinos transmitiam o amor transbordante daquele Coração Divino.


É bem verdade que o Divino Mestre exigia a abnegação própria, a mortificação da soberba e da sensualidade, o desprezo das riquezas, mas convencia a todos que só assim teriam a verdadeira felicidade, e bondosamente lhes prometia uma grande recompensa nos Céus. O Coração de Jesus ensinava enfim todas as virtudes e combatia tudo o que pudesse afastar os homens de Deus e, portanto, da paz e felicidade verdadeiras. Mas caríssimos, vamos em postagens posteriores meditar sobre o "Sermão da Montanha". Jamais de lábios humanos poderá sair doutrina tão elevada, tão consoladora, tão celestial, tão divina!!! Amém!

quinta-feira, 4 de junho de 2020

O CORAÇÃO AMÁVEL E HUMILDE DE JESUS


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
4º dia de junho

Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo o Filho de Deus feito Homem, é o modelo perfeitíssimo de todas as virtudes. Mas já na sua vida publica pregou dizendo: "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração" (S. Mateus XI, 29). Quis dar um destaque especial a estas duas virtudes, que, na verdade são  gêmeas.

Caríssimos, vamos continuar contemplando a bondade e o amor do Coração de Jesus em sua vida pública. Já o contemplamos em sua vida oculta.

O Divino Salvador inicia sua vida de apostolado, com atos de profunda humildade: o seu batismo, o seu retiro de quarenta dias de jejum e oração para depois ser levado pelo Espírito Santo ao deserto para ser tentado pelo demônio.

Jesus Cristo Nosso Senhor, como Ele mesmo afirmou, nunca fez nada por ser de seu agrado, mas procurou fazer tudo segundo a vontade de Seu Pai: "Não procuro a minha satisfação mas aquilo que é do agrado de meu Pai que me enviou" (S. João V, 30). Se passou trinta anos junto de sua Mãe Santíssima, é porque assim o Pai determinou. Chegada, no entanto, a hora determinada pelo Pai, Jesus despede-se de Sua Mãe, e sai para pregar e fazer milagres. Serão três anos em que passará fazendo o bem. Com a graça de Deus vamos contemplar o Coração amabilíssimo de Jesus. Não precisava porque era o Filho de Deus humanado, mas quis antes se humilhar: ser batizado no Rio Jordão pelo seu precursor  João Batista. Depois prepara-se para a sua missão salvadora por meio de um jejum rigoroso de quarenta dias numa montanha inacessível a qualquer pessoa (pode ser avistada de Jericó). Aí quis dar o exemplo de humildade e de como devemos afastar as tentações do demônio. Tudo isto flui da bondade de seu Coração. Jesus não precisava  passar por estas humilhações: ser batizado e ser tentado pelo demônio; mas tudo aceitou por nosso amor, visando sempre o nosso bem.

Vai dar início à sua Igreja. Aqui também o Coração amabilíssimo de Jesus pensa em todos os homens. Será através de sua Igreja que receberemos a verdade e a graça. Para tanto, logo vai conquistando pelos seus exemplos, pregações e milagres, os primeiros discípulos. Escolhe dentre eles doze homens, que serão seus Apóstolos. Acompanhados por eles  durante três anos, percorre as terras da Palestina, ensinando a Boa Nova, fazendo bem a todos, e realizando os mais extraordinários milagres em confirmação da sua missão divina. Nosso Senhor Jesus Cristo vai no decorrer destes três anos instituir os Sacramentos. Seu Coração amabilíssimo, sabe que terá que passar pela Paixão e morrer pregado numa cruz e deseja ardentemente que chegue este dia em que será batizado com um batismo de sangue. Sabe que irá ressuscitar para nos dar a justificação e que depois ainda estará na terra por quarenta dias e depois subirá ao céu para nos preparar um lugar.  Seu Coração não suporta deixar-nos órfãos. Assim através da Sua Igreja, dos Sacramentos e especialmente através da Santíssima Eucaristia, como Sacrifício e como Sacramento estará sempre conosco. O Filho de Deus se fez Homem através da sempre Virgem Maria, para ser o Emanuel, isto é, o Deus conosco. Amém!

terça-feira, 2 de junho de 2020

O CORAÇÃO DE JESUS EM BELÉM


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA, 2º dia de junho.

O Coração de Jesus se mostra amável em toda sua vida: em Belém, em Nazaré, na sua vida pública, na sua Paixão, na sua Ressurreição e Ascensão, na Santíssima Eucaristia e na glória do Céu! Em todos os mistérios da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo vemos brilhar de modo todo particular o AMOR. E tomamos o seu Coração como órgão símbolo deste amor. Na verdade foi o amor que fez Jesus nascer numa carne passível,  inspirou a obscuridade da Sua vida oculta, alimentou o zelo da Sua vida pública. No Calvário é por excesso dum amor sem medida que se entrega à morte por nós; se ressuscita é pelo amor afim de nos justificar: "Para nossa justificação" (Rom. IV, 25). Se sobe aos céus é o seu amor que O leva a preparar para nós um lugar, naquele Pátria de felicidade perfeita e eterna. É o Seu amor que nos envia o Divino Espírito Santo. E a Santíssima Eucaristia? São João diz tudo: "Tendo amado os seus que estavam neste mundo, amo-os até o fim". Caríssimos, todos estes mistérios têm a sua origem no amor; e o órgão e símbolo deste amor é o Seu Coração amabilíssimo.

Hoje vamos contemplá-Lo em Belém. Primeiramente, nos braços de Sua Mãe Santíssima, com o seu coraçãozinho já palpitando de amor por nós! Reclinado numa manjedoura sobre palha tiritando de frio por nosso amor. O Divino Infante olha para nós com doçura, estende para nós os seus bracinhos. Caríssimos, na verdade, como diz São Paulo: "Quando se manifestou a bondade de Deus nosso Salvador e o seu amor pelos homens, não pelas obras de justiça que tivéssemos feito, mas por sua misericórdia" (Tito, III, 4). O Deus Onipotente faz-se Menino para a nossa salvação!!!... A simplicidade, a inocência, a candura, a pureza, a formosura, a bondade, a ternura, enfim o AMOR... tudo se encontra aqui no presépio de Belém, nesta criança que não fala mas com o coraçãozinho palpitante de infinito amor.

São Francisco de Sales contemplando o mistério do Divino Menino recém nascido na gruta de Belém, escrevia inflamado de amor: "O grande recém nascido de Belém seja para sempre a delícia e o amor do nosso coração. Ah, como é lindo! Quero cem vezes mais ver este pequeno Menino no seu presépio que a todos os reis da terra no seu trono".

Compreendemos perfeitamente como os santos faziam as suas delícias em contemplar o Menino Jesus na manjedoura de Belém. O coração cheio de amor do Menino-Deus fazia o encanto de São Francisco de Assis, de São Bernardo, de Santa Tereza d'Ávila. de Santa Teresinha do Menino Jesus e bem podemos dizer de todos os Santos.


"Sic nos amantem, quis non redamaret", "como não amar em troca Aquele que tanto nos ama? Caríssimos, procuremos, então, ao contemplarmos a amabilidade inefável do Divino Menino Jesus, despertar nas nossas almas aqueles mesmos sentimentos de amor que tiveram e têm os santos. Amém!

sexta-feira, 21 de junho de 2019

O CORAÇÃO DE JESUS E A COMUNHÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
21º dia de junho

 Nosso Senhor Jesus Cristo é a própria humildade. Pois bem,  Jesus quer cultivar e fazer frutificar na alma do comungante esta bela virtude da qual dá na Eucaristia tão comovedores exemplos, como meditamos anteriormente. Mas é claro, o Coração Eucarístico de Jesus quer encontrar corações bem dispostos, o que significa corações o mais parecidos possível com o Seu. Nada de amor próprio que não sabe sofrer humilhações; nada de tibieza, nada de apego à vontade própria; para bem longe o amor dos prazeres. Caríssimos comungantes,  devemos preparar uma mansão digna para Jesus, de dois modos: primeiro afastando estes sentimentos que Lhe desagradam, e, segundo, praticando as virtudes que constituem a beleza de seu divino Coração. Esta preparação remota para a comunhão facilita a preparação imediata, ou seja, o recolhimento e a oração.

E quando comungamos devemos adorar a Deus e humilhar o nosso nada em Sua presença. Devemos unir os nossos sentimentos aos d"Ele. O Salvador, aos vir a nós na Comunhão, procura logo a glória do Pai. O Coração de Jesus, deste novo altar que é o nosso coração, oferece a Deus Pai suas homenagens, e convida-nos a unir-nos a Ele. Os primeiros pedidos de Jesus são aqueles mesmos que nos ensinou a pedir ao nosso Pai do Céu: que seja santificado o nome de Deus, que venha a nós o seu reino, que sua vontade seja feita. Esta deve ser também a nossa primeira oração, feita em união com Jesus. O Coração de Jesus, ainda a pulsar em nosso peito, ergue a Deus Pai atos de amor que O glorificam mais do que todos aqueles que por ventura praticamos ou viermos um dia a praticar. Deus é adorado, amado, bendito, louvado e agradecido, por um Deus, no mais íntimo de nosso ser.

A alma apaixonada de amor a Deus não pensa em si primeiro mas antes, procura se unir a Jesus na adoração ao Seu Pai e ao nosso Pai que está no Céu. Mas, é claro, Jesus mesmo quer que logo após pensemos em nós mesmos.  Que peçamos a sua graça para vencermos as nossas misérias e fraquezas. Ah!, caríssimos, quão felizes são aqueles que se chegam a Jesus cheios de santo e ardente amor! No momento da Comunhão o Pai contempla com infinita ternura o Coração de seu Filho, e com certeza se compraz em ver o nosso coração humilde. Compraz-se em ver que a oração do seu Filho Eterno e a do seu filho adotivo transformado n'Ele pela comunhão, fazem a mesma oração de adoração; vê com complacência os seus protestos de amor, suas homenagens de adoração, de reconhecimento, reunidos, elevarem-se até ao Seu trono de Glória. E assim, com certeza o Pai Celestial Todo-poderoso, não poderá recusar os pedidos do comungante feitos em seguida, no sentido da santificação de sua alma.

Como já temos meditado, Jesus, com seu Coração cheio de bondade, passou fazendo o bem. E agora a Comunhão é, ainda na terra, como que o termo dos desejos de Jesus, o alvo de seus esforços, o derradeiro escopo de seus trabalhos. Aí se completa a obra da Encarnação; aí, a carne que recebeu no seio puríssimo de Maria Santíssima se une à nossa carne para purificá-la; aí, sua alma se une à nossa alma para santificá-la; aí, Seu Coração se une ao nosso coração, para nele derramar seu amor. Jesus se alegrava em sua vida pública em fazer o bem aos fiéis. Aqui na Comunhão alegra-se também vendo os esforços de seus fiéis que procuram adquirir as virtudes e ter os mesmo sentimentos que, embora fracos, são semelhantes às virtudes e sentimentos de Seu Coração manso e humilde na Eucaristia. Como o Coração de Jesus vibra de alegria vendo estes corações de seus fiéis tendo os mesmos desejos da glória do Pai e da salvação das almas! Amém!

quarta-feira, 12 de junho de 2019

O CORAÇÃO DE JESUS E A SÉTIMA BEM-AVENTURANÇA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
7ª bem-aventurança
12º dia

"Bem-aventurados os pacíficos porque serão chamados filhos de Deus".

São pacíficos os justos mais adiantados na vida interior. Em suas almas reina a ordem, pois suas vontades estão inteiramente identificadas com a vontade de Deus. Portanto, vivem sem pecado e, consequentemente vivem em ordem: os sentidos submissos à vontade. a vontade submissa à razão e esta submissa a Deus. Assim sendo, estes justos gozam da verdadeira paz de Nosso Senhor Jesus Cristo. São verdadeiros filhos de Deus, participam da natureza divina pela graça santificante: "consortes divinae naturae". Neles reinam a ordem e a tranquilidade e portanto, a paz. Pois, segundo a definição de Santo Agostinho "a paz é a tranquilidade da ordem". Quem vive na graça de Deus está sempre alegre, é amável,  é sempre sereno, seu trato e conversação são agradáveis. Diz o Divino Espírito Santo: "Gozam de muita paz os que amam a tua lei" (Salmo 118, 165).  Basta lermos a vida dos verdadeiros santos da Santa Madre Igreja!

Por outro lado não há paz para os pecadores, que perderam a filiação divina pelo pecado mortal. "Não há paz para os ímpios, diz o Senhor" (Isaías, 48, 22). Mas perguntar-se-á: a Sagrada Escritura diz que: "Não há homem que não peque". Sim, mas se trata de perturbações leves e que não perduram por muito tempo em seus corações. Estão frequentemente fazendo atos de amor perfeito a Deus.

Pelo que acabamos de explicar, não temos dificuldade em entender que esta paz de Cristo reinante nos corações desapegados de si mesmos, de toda avareza, de toda ira e de toda impureza, é um sinal altíssimo de predestinação, porque sendo filhos, também são herdeiros da vida eterna. "São chamados filhos de Deus" porque se comportam como filhos. Os servos, os mercenários não servem seus patrões como filhos, mas só pensando no seu salário. Os filhos, porém, se submetem ao pai por amor e com reverência. Deixam-se governar por Deus tranquilamente, segundo a sua santíssima vontade. "Aqueles que são movidos pelo espírito de Deus são filhos de Deus" (Rom. VIII, 14). Qual a prova insofismável de que alguém é e vive como filho de Deus? É o abandono total e tranquilo nas mãos de Deus.

Por que Jesus Cristo colocou esta bem-aventurança depois da pureza de coração? A razão é: primeiramente é preciso purificar o coração e depois uni-lo a Deus. Esta união com Deus é a paz. Assim, a pureza é a disposição para ver a Deus; a união é a disposição para amar a Deus. Há uma passagem de São Tiago que resume isso: "Aquela sabedoria que vem do alto primeiramente é pura e depois pacífica" (S. Tiago III, 17). Se interiormente estamos na tranquilidade da ordem, isto é, na verdadeira paz, somos pacíficos. Isto não exclui que "pacífico" possa ser entendido também no sentido de " aquele que transmite paz ao próximo". Não resta dúvida. Mas, mesmo que alguém que esteja na paz da graça, viva solitário como eremita, não deixa de estar incluído nesta bem-aventurança e até, devemos dizer, que este é o principal sentido das palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A esta bem-aventurança corresponde o dom da sabedoria. Daí devemos pedir sempre ao divino Espírito Santo este dom. Porque ele não vem do estudo, da sagacidade, mas é infundido pelo Espírito Santo. Uma camponesa sem estudo, mas que reza com humildade, fé e confiança poderá possuir esta sabedoria mais do que um erudito, sem ou de menos oração.


Caríssimos, peçamos, portanto, a Deus que nos ilumine, que nos ensine em todas as coisas para que, com este dom da sabedoria, possamos chegar a manter sempre a boa ordem em nossa alma, no nosso interior, de modo que em todas as coisas nos mantenhamos sempre sujeitos a Deus e assim gozemos da verdadeira paz que sobrepuja todo entendimento humano, porque é penhor da posse do Reino eterno da Paz. Amém!

domingo, 9 de junho de 2019

O CORAÇÃO DE JESUS NAS BEM-AVENTURANÇAS (III)


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
9º dia de junho

"Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça porque serão saciados".

Primeiramente, devemos saber que a palavra JUSTIÇA, tem vários significados. Nas Sagradas Escrituras, como aqui nesta bem-aventurança, significa tudo aquilo que o justo faz, isto é, toda espécie de virtude. Lemos no Salmo 105, 3: "Bem-aventurados os que praticam a justiça em todo tempo". Devemos prestar atenção no modo como Jesus fala: não se contentou de dizer que são bem-aventurados os que "praticam a justiça" mas aqueles que "têm fome e sede" de justiça. Na verdade para se chegar à santidade é mister praticar todas as virtudes e em grau heroico. E a bondade do Coração de Jesus é que, não só consigamos o céu, mas que cheguemos ao maior grau de glória possível lá na nossa pátria definitiva que é o Céu. Aliás, o próprio divino Mestre apresenta-nos um ideal inatingível: "Sede perfeitos, como vosso Pai do Céu é perfeito". Isto significa que Jesus quer que nos esforcemos sempre para praticar todas as virtudes e num grau heroico. Nunca dizer basta. É também neste mesmo sentido que diz o Apocalipse, XXII, 11: "Quem é justo, justifique-se ainda, quem é santo, santifique-se ainda mais". Devemos tender a uma perfeição sempre maior, como se estivéssemos ainda no começo. Assim, "ter fome e sede de justiça" significa este esforço contínuo na prática das virtudes.

"Serei saciado quando aparecer a tua glória" (Salmo 16, 15). Na verdade, aqui na terra teremos sempre fome e sede de justiça, porque nunca poderemos chegar a ser tão santos como os bem-aventurados que já estão no Céu. É fora de toda dúvida que esta fome e sede de perfeição, isto é, este desejo ardente e perseverante de santidade, levar-nos-á ao céu. É, portanto, um sinal de predestinação. Só poderemos ser saciados no Céu, onde a justiça será perfeita. Estas disposições não só te levam ao céu, mas, no céu, a um grau altíssimo. Nossa Senhora disse: "Encheu de bens os famintos" (S. Lucas, I, 53). É preciso ter um grande desejo de se santificar. E quem procurar muito a justiça, no céu será repleto de todo bem. Vemos a bondade do Coração de Jesus que não se contenta em nos ver no céu; quer que lá tenhamos a maior glória possível. "A vontade de Deus é a vossa santificação" dizia S. Paulo a todos, inclusive aos gentios (cf. 1 Tess. IV, 3). Sabemos que o grau de glória que os bem-aventurados têm no Céu é proporcionado ao grau de graça que alcançaram na terra até ao último suspiro. Donde devemos procurar praticar o bem e evitar o mal, e nos esforçarmos ardente e continuamente no sentido de aumentar  o nosso cabedal de merecimentos.

A esta altura de nossa meditação, lembramo-nos das palavras de São Pedro: "Assim como o seu divino poder nos deu todas as coisas que dizem respeito à vida e à piedade, por meio do conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude [assim também] por ele mesmo nos deu as maiores e mais preciosas promessas, a fim de que por elas vos torneis participantes da natureza divina, fugindo da corrupção da concupiscência que há no mundo. Ora, vós aplicando todo o cuidado, juntai à vossa fé a virtude, à virtude a ciência, à ciência a temperança, à temperança a paciência, à paciência a piedade, à piedade o amor fraterno, ao amor fraterno a caridade. Com efeito, se estas coisas se encontrarem e abundarem em vós, elas não vos deixarão vazios nem infrutuosos no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.[...] Portanto, irmãos, ponde cada vez maior cuidado em tornardes certa a vossa vocação e eleição por meio das boas obras, porque, fazendo isto, não pecareis jamais. Deste modo vos será dada largamente a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo." (2 Pedro, I, 3-11).

Esta bem-aventurança vem em quarto lugar porque Jesus, tendo nas três anteriores removido o homem do mal, ou seja, do afeto dos bens terrenos; do desejo de dominar, com a mansidão; do afeto ao prazer corporal, reprimindo o concupiscível com as lágrimas da compunção, agora quer levar o homem à pratica do bem: "Afasta te do mal e faze o bem" (Salmo 36, 27). Jesus Cristo quer que não nos preocupemos demais com nada deste mundo, para que possamos dar à alma aquele desejo ardente (como a fome e a sede) de justiça, isto é, de santidade. Assim diz o profeta e rei Davi: "A minha alma se consumiu no desejo das tuas leis em todo o tempo" (Salmo 118, 20).

Dadas as explicações anteriores, percebemos mais claramente que o dom da fortaleza corresponde à esta bem-aventurança. Para merecermos esta felicidade de sermos inteiramente saciados no céu, é preciso coragem e, portanto, fortaleza. "O reino do céus sofre violência e só os violentos o arrebatarão", disse Jesus. Devemos pedir ao Espírito Santo este dom da fortaleza, e nos esforçarmos sempre por vencermos a nós mesmos: desprender o coração dos bens materiais, ser humildes e mansos, fazer penitência dos pecados, ser ardoroso na prática das virtudes e nunca se contentar com a veleidade e a tibieza. Amém!