quinta-feira, 29 de março de 2018

A EUCARISTIA VEM DO AMOR DE JESUS POR NÓS



Caríssimos, quem nos deu mais provas de amor do que Nosso Senhor Jesus Cristo?! Quem nos perdoou tantas vezes quantas Jesus nos perdoou? E ainda nos dá a graça do arrependimento porque quer  continuar a perdoar os pecadores arrependidos. Mas o amor de Jesus pelas suas criaturas foi mais longe, chegou ao auge, ao extremo. "Tendo amado os seus que estavam neste mundo, amou-os até ao fim". Isto é, amou até ao fim de sua vida, instituindo a Santíssima Eucaristia nas vésperas de Sua morte. Amou os homens até o fim do mundo: "Não vos deixarei órfãos, estarei convosco até o fim dos séculos". Mas, segundo a interpretação mais seguida pelos Santos Padres, este "ATÉ AO FIM"  significa "ATÉ AO EXTREMO". E assim exclama Santo Agostinho: "Sendo poderosíssimo, não poderia fazer mais; sendo sapientíssimo, não saberia fazer aos homens algo melhor; sendo riquíssimo, não teria nada mais precioso que pudesse nos dar".

A Santíssima Eucaristia é um mistério de amor, considerando, outrossim, as circunstâncias nas quais Jesus a instituiu. Justamente quando os homens tramavam a sua morte e não queriam tê-Lo junto deles, Jesus encontrava um meio para continuar vivo e vivificante junto aos homens, e como alimento para os sustentar na travessia deste deserto em demanda da Jerusalém Celeste.  Sendo Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo teve certamente grande amargura no momento da última Ceia. Se era grande a sua alegria de Se tornar o Companheiro e o Alimento divino da humanidade até à consumação dos séculos, e se via quantos O cercariam de adoração, reparação e amor... não foi menor, com certeza, a Sua tristeza ao ver tantos outros que O abandonariam no Tabernáculo, ou não acreditariam na Sua presença real!. Mas esta tristíssima previsão não impediu que o Amor do Coração de Jesus titubeasse sequer em instituir a Santíssima Eucaristia.

Jesus via que em muitos corações manchados pelo pecado, deveria entrar e quantas vezes a Sua Carne e o Seu Sangue profanados só serviriam de condenação para essas almas culpadas, almas, pelas quais Ele iria no outro dia tanto sofrer, e morrer pregado numa cruz. Assim, os sacrilégios, os ultrajes e as abominações sem nome que se cometem contra o Santo Sacrifício da Missa e contra a Santíssima Eucaristia, passaram qual cortejo fúnebre diante dos olhos de Jesus no momento da última Ceia. Viu, também quantas horas, dias, noites, ficaria sozinho no Tabernáculo, e quantas almas repeliriam os convites que lhes dirigiria desde esta morada!

É por amor às almas que Jesus é Prisioneiro na Eucaristia. Ali permanece para que possam vir com todas as suas mágoas consolar-se junto do mais terno e melhor dos pais e do Amigo que nunca as abandona. A Eucaristia é invenção do Amor!... E este amor que se esgota e se consome pelo bem das almas não encontra correspondência!... Jesus quis habitar entre os pecadores para lhes ser Salvação, Vida, Médico e ao mesmo tempo Remédio em todas as doenças geradas pela natureza corrompida. Em paga, muitos e muitos pecadores afastam-se, ultrajam a Jesus e O desprezam!... E, ao instituir a Eucaristia, Jesus sabia que tudo isso iria acontecer!

Ah! pobres pecadores! Não vos afasteis de Jesus Cristo! Ficai bem sabendo que Jesus, noite e dia, espera-vos no Tabernáculo... O divino Salvador quer lavar os vossos crimes no Sangue de suas Chagas. Não tenhais medo e ide enquanto é tempo. Jesus sabe que as exigências do mundo incessantemente solicitam estas pobres almas. Mas será que não terão um instante para dar a Jesus alguma prova de amor e gratidão? Pobres pecadores não desprezeis esta misericórdia infinita de Jesus. Estai lembrados que a Sagrada Escritura diz que a Justiça e a Misericórdia em Deus, andam juntas. Portanto, não vos deixeis arrastar por mil preocupações inúteis e reservai um momento para ir visitar a Jesus Aliás, quando vosso corpo enfraquecido ou doente não encontrais tempo para ir ao médico que há de curar-vos? Ide, pois, Àquele que pode dar à vossa alma força e saúde e dai uma esmola de amor a este Prisioneiro divino que vos espera, chama e deseja!. Quer o teu coração generoso e dilatado pelo amor, e não um coração acanhado e mesquinho. Ouvi esta lenda indiana que usarei como parábola: "Um mendigo tinha saído a mendigar. E eis o ruído de um coche real que sobrevém em direção a ele. Acreditou o pobre ter chegado afinal o dia de sua fortuna. Mas eis que saiu da carruagem dourada, uma mão que se estendeu para ele em atitude de pedir: "Que tens para me dar?" Que ironia estender a mão para pedir esmola a um mendigo! Contudo, confuso e hesitante, o mendigo puxou fora da sacola um punhadinho de grão e lho deu. Mas qual não foi a sua surpresa quando, findo o dia, despejando a sacola no chão de seu tugúrio, achou no lugar do escasso punhado de grão dado ao nobre rico, um punhado de ouro! O mendigo chorou amargamente e exclamou: Por que não tive coração para dar ao nobre pedinte tudo o que possuía?".  Também nosso Rei dos Reis, Nosso Senhor Jesus Cristo, veio até nós, pobres mendigos, estendeu sua mão e tomou nosso grãozinho de trigo. Mas Ele não se contentou só em convertê-lo num grãozinho de ouro mas o transformou n'Ele próprio, para nos oferecer ao Pai, e oferecer-Se a nós, afim de que entre Deus e o homem não houvesse separação, mas uma santa e inefável união. E pensar que muitos só se contentam em fazer a Páscoa, e só Deus sabe a que custo!...

É evidente, caríssimos, que Jesus viu também o outro lado, isto é, as almas adoradoras e amantes da Santíssima Eucaristia. Viu todas estas almas privilegiadas que se haviam de alimentar do Seu Corpo e do Seu Sangue e aí encontrariam, umas, remédio à sua fraqueza; outras, fogo para consumir suas misérias e inflamá-las de amor por Jesus Eucaristia. Todas unidas com um mesmo fim, seriam como que um jardim fechado, onde cada uma produziria sua flor e recrearia Jesus com seu perfume. E Jesus aqueceria, no seu amor, as que precisassem de calor e o Corpo sagrado de Jesus seria o Sol que as animaria. Jesus iria a umas e outras, para repousar. O Homem-Deus que nos ama infinitamente, depois de nos libertar da escravidão do pecado, semeia em nós a graça incomparável do seu apelo e de maneira misteriosa atrai-nos ao jardim das suas Delícias, aos seminários ou aos conventos. Quantas almas sacerdotais e religiosas encontraram sua vocação junto ao sacrário!  Amém!

sábado, 24 de março de 2018

NOÇÃO DE ÍDOLO E DE IMAGEM

   Quem vai entrar em discussão sobre uma questão qualquer (e principalmente quem vai lançar contra outrem uma GRAVE ACUSAÇÃO) precisa ter uma idéia clara sobre o significado dos termos que emprega nesta controvérsia ou nesta acusação. Discutir sem a exata noção dos termos seria obrigar os adversários a uma lamentável perda de tempo; acusar  sem medir bem o alcance das palavras, seria mais do que uma leviandade, uma falta de consciência indigna de um verdadeiro cristão.
   Ora, há protestantes (digo há protestantes, porque felizmente não são todos) que levam o seu ódio à Igreja Católica ao ponto de acusá-la de IDOLATRIA que, como a própria palavra está dizendo, consiste no culto de LATRIA (ou seja adoração no sentido rigoroso da palavra) prestada aos ÍDOLOS. É muito fácil verificar se é exata ou não esta acusação.
Baal, ídolo ou deus falso dos gentios
Era chamado, o deus da chuva.
   Afinal que vem a ser ÍDOLO?
   Ídolo é a figura representativa de um deus falso, à qual se presta culto. "O Senhor é grande e digno de louvores infinitos e terrível mais que todos os deuses, porque todos os deuses das nações são ídolos; mas o Senhor fez os céus". (1Crônicas, XVI, 25 e 26). "Eles reputaram por deuses a todos os ÍDOLOS das nações". (Sabedoria XV,15) Nota: algumas Bíblias protestantes não têm este livro.
   Nós sabemos que antes de Cristo, o mundo inteiro em peso caiu na idolatria, ou seja, adoração de estátuas de FALSAS DIVINDADES, as quais os homens consideravam COMO SENDO O SEU SUPREMO SENHOR, mudando, como diz São Paulo, a glória de Deus incorruptível em semelhança de figura de homem corruptível e de aves e de quadrúpedes e de serpentes" (Rom.I,23). A única exceção a essa geral degenerescência da razão humana era o pequenino povo hebreu, o qual, entretanto, de vez em quando, pelo menos em parte, caía também neste grave pecado pela influência dos povos vizinhos, com os quais era obrigado a entrar em contato.

Ídolo, deus falso chamdo Astaroth
   Conhecemos pela História a quantidade enorme desses falsos deuses e deusas, aos quais prestavam culto mesmo os povos mais civilizados, no desconhecimento em que se encontravam da existência do Deus Único, Espiritual e Eterno. Como eram entre os romanos, ou com outros nomes entre os gregos: Júpiter, Apolo, Mercúrio, Marte, Netuno, Saturno entre os deuses; Juno, Vênus, Diana, Minerva, Vesta e Ceres entre as deusas. Como eram entre os egípcios: Amon, Osíris, Hórus, Anúbis, Isis etc. Como eram na Mesopotâmia: Marduque, Assur, Samash, Sin, Istar etc.
   A Bíblia nos fala no nome de alguns destes ídolos adorados por povos vizinhos dos hebreus: Baal, Astaroth, Astart, Moloque, Camos. "Os filhos de Israel, ajuntando novos aos antigos pecados, fizeram o mal na presença do Senhor e adoraram os ídolos, a BAAL, e a ASTAROTH,  e os deuses de Síria e de Sidônnia e de Moab" ( Juízes, X,6). Salomão dava culto a ASTARTE, deusa do sidônios e a MOLOQUE, ídolo dos moabitas (1Reis, XI,7).
   Ora, três coisas verdadeiramente absurdas se notavam nesta IDOLATRIA ou adoração dos ídolos.
   A primeira é que se apresentavam como DEUSES, ou em contraposição com o ÚNICO e VERDADEIRO DEUS.

Ídolos ou falsos deuses do Antigo Egito.
Atrás do boi (deus Api) estão a deusa Ísis e o deus Osiris.
   A segunda é que esses deuses não correspondiam a nenhuma realidade. Nunca existiu Júpiter, nem Baal, nem Vênus etc, etc. Eram pura imaginação. É por isto que diz São Paulo: "mudaram a verdade de Deus em mentira" (Rom.I,25).
   Sendo o culto desses deuses inteiramente mentiroso, prestado a seres completamente inexistentes e destinando-se assim a substituir a adoração do verdadeiro Deus, a Bíblia o apresenta como sendo prestado ao próprio demônio, PAI DA MENTIRA,  que fomentava no mundo esse culto ilusório para afastar os homens da verdadeira noção do Criador; os sacrifícios a eles oferecidos, eram endereçados aos demônios: "Eles O irritarm adorando deuses estranhos e com as suas abominções O provocaram à ira. Ofereceram sacrifícios, não a Deus, mas aos DEMÔNIOS, aos deuses que eles desconheciam (Deuteronômio, XXXII, 16 e 17). "Todos os deuses das gentes são DEMÔNIOS; mas o Senhor fez os Céus (Salmos XCV 5). "E serviram aos seus ídolos e lhes foi causa de tropeço. Imolaram aos DEMÔNIOS os seus filhos e as suas filhas (Salmo CV,36 e 37). "As coisas que sacrificam os gentios, as sacrificam aos DEMÔNIOS, e não a Deus (1Cor. X,20).
   A terceira é que, não correspondendo esses ídolos a nenhuma realidade, os gentios que os adoravam, era daquelas estátuas em si mesmas que esperavam todo poder, toda proteção, de modo que estavam convencidos de que se desprendia daquele objeto material uma virtude, um poder máxico. E é assim que Deus pelo profeta Isaías comenta com ironia o absurdo de um homem que fabrica uma imagem e a considera como SENDO O SEU DEUS. (Confira na Bíblia: Isaías capítulo 44, versículos de 13 a 17).

   Noção de IMAGENS: Até aqui a noção de ídolos. Passemos agora para o noção de imagem.
   Imagem é um termo de significação muito ampla. Quer dizer a representação ou semelhança expressa de um ser qualquer. Não é só qualquer estátua ou desenho ou gravura; o sentido é tão vasto que quando nos lembramos de uma pessoa, dizemos trazer a sua IMAGEM em nossa mente; ou quando o orador usa de belas comparações, nós dizemos que ele emprega belas IMAGENS, ou seja, umas idéias representando outras.
   Mas, quando falamos, como agora é o caso, da questão de culto das imagens, entendemos por esta palavra as imagens sagradas, ou de pintura ou de escultura, que estão em uso na Igreja Católica.
   São figuras representativas, NÃO DE FALSOS DEUSES, mas de Nosso Senhor Jesus Cristo, de sua Mãe Maria Santíssima, dos anjos e dos santos.
   A Igreja Católica, espalhando no mundo as idéias cristãs desde os primeiros séculos, espalhou conseqüentemente a doutrina fundamental de que há em ÚNICO E VERDADEIRO DEUS, ESPIRITUAL, INVISÍVEL, IMUTÁVEL E ETERNO, CRIADOR DE TODAS AS COISAS.
   Mas é claro que todos os grandes personagens da História e todos os fatos relevantes para a Humanidade, têm fornecido assunto para as BELAS ARTES, como o desenho, a pintura e a escultura; nada mais natural, portanto, do que os ARTISTAS CRISTÃOS procurarem expressar os grandes personagens da História do Cristianismo, entre os quais avulta, é claro, Nosso Senhor Jesus Cristo, Homem-Deus, figura central de toda a História da Humanidade. Com Ele têm que ser relembrados os episódios sacrossantos da sua vida. Entre estes aparece, como um dos mais belos assuntos para a arte cristã, o seu nascimento em Belém e aí já é inseparável a sua Mãe Santíssima. Como também merecem a atenção dos artistas os santos que ficam como um exemplo admirável para os homens pelo modo como souberam realizar em si as virtudes cristãs e espelhar na sua vida os ensinamentos de Jesus, bem como, segundo a nossa maneira de expressá-los, os anjos que são os mensageiros de Deus.
   Ora, sabe-se muito bem que a imagem, a representação, o símbolo valem, não pelo que são materialmente em si, como seja um pedaço de pau ou de pano ou um aglomerado de gesso, mas valem muito aos nossos olhos em virtude daquilo que representam.
   Portanto, querer confundir duas coisas tão diversas, como sejam: o ídolo, isto é, representação de uma falsa divindade, inventada pelos demônios;
   e a imagem, isto é, a representação de Nosso Senhor Jesus Cristo, de Maria Santíssima e dos anjos e santos;
   sob o pretexto de que tudo não passa de pedaços de pau, ou de pano ou de gesso, isto é o mesmo que dizer que;
   o retrato de meu pai, ou de minha mãe ou de meus irmãos - e o retrato de um cachorro vêm a ser a mesma coisa, porque tudo isto não passa de um pedaço de papel, onde pousou o material fotográfico;
   ou que a bandeira que simboliza a nossa Pátria - e o pano que serve para a cozinheira enxugar os pratos vêm a ser a mesma coisa, porque tudo isto vem a ser apenas um simples pedaço de pano.
   As imagens valem por aquilo que representam. Por isto os ÍDOLOS eram ABOMINÁVEIS, pois representavam os falsos deuses, que não passavam de invenções diabólicas para perdição dos homens. As nossas sagradas IMAGENS são VENERADAS, porque representam REALIDADES que são dignas de todo o nosso respeito e consideração.
   E os protestantes que querem tachar de ÍDOLOS ( ídolos, o que é o mesmo que abominação aos olhos do Senhor) as nossas imagens sagradas são refutados por outros seus companheiros de Reforma: porque há seitas, como os luteranos e anglicanos que têm nas suas igrejas imagens iguais às que estão em uso na Igreja Católica; se são ÍDOLOS abomináveis, por que os conservam nos seus templos?
   Na próxima postagem, se Deus quiser, vamos ver a NOÇÃO DE ADORAÇÃO E LATRIA.

Comunismo: pela boca de seus corifeus

 
   Carlos Marx: "A religião é ópio para o povo"; "a religião é o aroma espiritual de um mundo vicioso e desordenado". Dizia que os objetivos do comunismo "só poderão ser realizados com a destruição violenta da atual ordem social". 

   Lenine: "É preciso combater a religião, eis o A B C do Comunismo". "Deus é uma mentira". "O homem que se ocupa em louvar a Deus se suja em sua própria saliva". "Devemos amaldiçoar Deus e afastá-lo da sociedade". "A tarefa da revolução vitoriosa consiste em fazer o máximo num país para desenvolver e fomentar a revolução nos outros países".

   Loukatchevsky: "A escola (comunista) realiza a educação anti-religiosa"; "a imprensa, o cinema, o rádio, a leitura, a arte, lutam contra a religião".

   Lenine proferiu esta audaciosa e horrível blasfêmia: "Detrás de cada imagem de Cristo só se vê o gesto brutal do capital".

   Lafferte (comunista chileno): "Sob o pretexto de cultura, instrução, civilização, ciências modernas, devemos atacar o religião". Na convenção do partido comunista mexicano em maio de 1944 disse: "Quando, em nossa declaração de princípios falamos em liquidar os restos semi-feudais que caracterizam os países da América Latina, aludimos ao poder espiritual e político da Igreja Católica, Apostólica Romana. As necessidades táticas da luta nos fazem aparecer hoje como simpatizantes da religião, e até na Rússia o governo soviético se viu obrigado a contemporizar com a religião... É urgente que como tática de luta façamos penetrar no espírito das crianças, dos indígenas, dos operários, dos estudantes, as piores acusações contra a Igreja católica a fim de separá-los dela para que entrem em nossas fileiras... Devemos afirmar que o sistema de iniquidades, sustentado, ensinado e praticado pelos católicos não tem igual; que é audaz, agressivo, intolerante e cruel; cego obstinado e blasfemo; que é ao mesmo tempo insidioso, adaptável e às vezes conciliador; que é pomposo, servil, regalista e impostor... a base da moral católica descansa nos ensinamentos iníquos e no exemplo imoral dos santos, e converte esta religião num código violento, num sacerdócio maldito e num poder sanguinário e cruel... Devemos dizer, clamar e repetir que com o celibato eclesiástico o chefe católico não poderá nunca viver uma vida humana normal e que é impossível dar exemplo de boa vida... As leis das repúblicas deste continente permitem a liberdade de cultos. É importante que nossas autoridades permitam a outras religiões a entrada em nossos países: mórmons, protestantes, budistas, judeus e muçulmanos. Que estas seitas tenham seus templos à luz do dia... Desta maneira faremos penetrar a pouco e pouco nossas teorias de positivismo, de economia individual e coletiva..." "Agora mais do que nunca, devemos seguir uma tática de luta que engane os inimigos de nossa ideologia"...

   Dimitrof: "Não seríamos verdadeiros comunistas se não soubéssemos modificar inteiramente nossa tática de conformidade com o momento. Todos os recuos, todos os zig-zags da nossa tática têm um único fim: a revolução mundial". 

   Lenine: "Estamos resolvidos a tudo o que é possível: astúcias, artifícios, métodos ilegais, calar, dissimular, etc.". 

   Proudhon (maçom e comunista): "A propriedade é um roubo".


  Observação: Pelas poucas citações de Lenine e Marx, já podemos aquilatar o grau de comunismo do Padre Ernesto Cardenal que certa vez, declarou à TV em Santiago: "Para ser um bom cristão é preciso ser primeiramente um verdadeiro marxista-leninista". 







   

   

   

   

   

   

sábado, 17 de março de 2018

ALGUNS PROJETOS MAÇÔNICOS

   Uma das maiores autoridades da Maçonaria italiana, o Píccolo Tigre, exclamava: "Conspiremos contra Roma; e para isto sirvamo-nos de todos os incidentes, aproveitemos todas as eventualidades". (Padre Teófilo Dutra - As Seitas Secretas - 1931).

  De uma prancha da Loja "Auxílio à Virtude" de São Fidélis, RJ.: "Propugnar pela aplicação no Brasil de uma lei idêntica à do MÉXICO, mandando expulsar as Congregações religiosas, pelo menos proibindo-lhes o ensino". (O Nordeste, de Fortaleza). 

  O Jornal do Recife, órgão da Maçonaria, na edição de 18 de Setembro de 1897, lançou esta pergunta: "O que adianta, que utilidade tem a Missa?" "A Missa é uma mentira convencional como outra qualquer". Ainda do mesmo jornal: "O celibato clerical é um absurdo! o voto da castidade, uma blasfêmia!... (Livro "Um Cristão Católico" - Recife - 1898).

  O plano diabólico da Alta Venda foi claramente revelado na carta de Vindice a Nubius ( 9 de Agosto de 1838: "Não se deve individualizar o crime; devemos generalizá-lo para crescer até as proporções do patriotismo e do ódio contra a Igreja. Um golpe de punhal não significa nada, não produz nada... O catolicismo não teme mais que a monarquia um punhal afiado; mas essas duas bases na ordem social podem cair pela corrupção; por isto não cessemos de corromper. Tertuliano dizia com razão que o sangue dos mártires produzia cristãos. Foi decidido em nossos conselhos que não queremos mais cristãos; por isto não façamos mártires, mas popularizemos o vício nas multidões. Respirem os povos o vício pelos cinco sentidos, e dele se saturem. Esta terra está sempre disposta a receber ensinamentos lúbricos. Fazei corações viciosos e não tereis mais católicos. Apartai o padre do trabalho, do altar e da virtude, procurando com destreza que ele ocupe em outras coisas os seus pensamentos e o seu tempo. Tornai-o ocioso, glutão e patriota, e assim ele se fará ambicioso, intrigante e perverso... O que devemos empreender é a corrupção em massa, a corrupção do povo pelo clero e do clero por nós, a corrupção pela qual levaremos um dia a Igreja à sepultura. Ouvi ultimamente um dos nossos amigos rir filosoficamente dos nossos projetos e dizer: "Para abater o Catolicismo, é preciso começar por suprimir a mulher!" É verdade, mas desde que não podemos suprimir a mulher, corrompamo-la com a Igreja. Corruptio optimi pessima. O fim é bastante belo para tentar homens como nós... O melhor punhal para ferir a Igreja no coração é a corrupção" ( Padre Teófilo Dutra, "As Seitas Secretas" 213,2114, 219; Léon de Poncins - La F.'. M.'. Paris, 1936, pg 134-126). 

  Um aviso da Alta Venda: "Lançai vossas redes como Simão Bar-Jona; lançai no fundo das sacristias, dos seminários e dos conventos... e se andais com prudência nós vos prometemos uma pesca mais miraculosa que a sua". "Apartai o padre da sacristia, do altar, da oração, da virtude..." (De Nubius, chefe da Alta Venda; Padre T. D. o. cit. pg. 218, 219). 

D. Vital, Bispo de Olinda. Como bispo, na
sua vida privada, continuou fiel discípulo
de S. Francisco de Assis, não dispensando
cilício e um cinto de ferro, contentando-se
com poucas horas de sono sobre uma
rude esteira para mais detidamente
entregar-se à oração e profunda
meditação na capela do Palácio
episcopal.
Rezemos pela sua canonização. 
   D. Vital, (sagrado bispo em 1872) o grande batalhador contra a Maçonaria, escreveu uma carta circular contra a imprensa ímpia para desmascarar esta seita tenebrosa. Por despeito a imprensa maçônica publicou os nomes dos cônegos, padres, religiosos e irmandades que pertenciam a Maçonaria. D. Vital escreveu várias cartas pastorais para alertar seus diocesanos contra as maquinações da maçonaria. Chama a atenção do seu rebanho contra a "ímpia sociedade", a "seita inimiga figadal do Catolicismo", a "seita tenebrosa" que propala as mais pestilentas aberrações e calúnias conta a Igreja, contra sue augusto Vigário e contra os bispos. Cabe, sem dúvida, a D. Vital o mérito de ter engajado a luta em toda a sua extensão, de ter procedido à purificação da Igreja em todos os seus membros, de ter sustentado o ataque rijo em toda a linha. D. Vital desmascarou a falsidade e desfaçatez da maçonaria, que após assacar, dizia o grande Bispo, tantas e tamanhas diatribes contra a esposa imaculada do Espírito Santo, ainda pretende, caso a Igreja tente alertar suas ovelhas, assumir um papel de vítima inocente, que chora a "prepotência, o absolutismo, o despotismo e fanatismo episcopal", querendo forçar com isto ao silêncio os Pastores imprudentes e temerários. Dizia ainda D. Vital: "Não; na misericórdia divina esperamos que jamais deixaremos de advogar a causa da Santa Igreja de Jesus Cristo". "Apesar de toda a permissão de nossas leis e do que acaba de definir o Governo Imperial, não posso deixar de considerar a Maçonaria como uma sociedade essencialmente contrária à religião católica, de tal modo que católico maçom é católico muçulmano, católico protestante, católico judeu".  D. Vital escreveu uma outra carta pastoral intitulada "A Maçonaria e os Jesuítas". Aí ele indica que o meio principal de ação da Maçonaria é o ataque ao Papado, fazendo-lhe ruir tanto seu poder espiritual como o material, o ataque à nações católicas, aos bispos, aos padres, às ordens religiosas... pelo ridículo, pela mentira, pela maledicência, pela calúnia, pela hipocrisia, pelo perjúrio, pelo sacrilégio... pela imprensa que é o grande canal, diz D. Vital, por onde se escoam no seio da sociedade todas as imundícies da maçonaria. Nela se usa de dupla conspiração: da conspiração da gritaria quando se trata de atribuir à Igreja algum fato horroroso e da conspiração do silêncio quando lhe convém calar sobre algum acontecimento favorável ao Catolicismo... nos jornais, livros, brochuras, impressos de toda a espécie... pela poesia, história, literatura, romance, folhetim... Diz ainda que os maçons têm muito a peito na sedução da mocidade, da mulher. Tem como arma diabólica lançar a desunião e a discórdia nos arraiais católicos, tanto entre os leigos, como entre os eclesiásticos e até por entre as fileiras do mesmo Episcopado. 

Qual o autor sobre-humano do plano maçônico?

 "Plano sobre-humano" diz um dos maiores chefes da Maçonaria, Nubius. É aquele mesmo que Nosso Senhor Jesus Cristo chamou de "espírito imundo", "príncipe do mundo", "satanás", "o invejoso e homicida desde o início do mundo".  Aquele mesmo que São Pedro chama de "leão rugidor que procura nos devorar"; aquele mesmo que São Paulo diz estar voando pelos ares. É aquele mesmo que São João Evangelista no Apocalipse chama de: "dragão" e "antiga serpente". É aquele que a "New Age - Nova Era tem como chefe e é chamado pelo nome de "Maitreya" e que habita em "Scambaía".(="Cidade" de Lúcifer). É justamente aquele que a Maçonaria no seu "CATECISMO DO MESTRE" (um livro oficial maçônico) honra com a seguinte oração: "Vem, Satanás, o proscrito dos padres, o abençoado do meu coração". 

 Eis apenas alguns fatos históricos: 
 "Em 1893, na inauguração da estátua de Garibaldi (maçom grau 33, aquele mesmo que tomou da Igreja os Estados Pontifícios) o coro (de maçons) entoou um hino em que se dizia: "Ele passa, ó jovens, Satanás, o grande"... Nós vos saudamos, ó Satanás, ó Rebelião, ó Força vitoriosa da Razão!" (Livro "As Seitas Secretas" - Livraria Católica, Juiz de Fora - 1931 escrito pelo Padre Teófilo Dutra). 

 Vou transcrever deste mesmo Livro do Padre Teófilo Dutra apenas dois, dos muitos fatos que conta.
 "Em 1893, o palácio Borguese, em Roma, foi alugado ao Grande Oriente da Itália. Dois anos depois, ex vi de uma cláusula do contrato, foi a maçonaria intimada para desocupá-lo. A este respeito o "Corriere Nazionale" publicou o seguinte: "O encarregado dos negócios da família Borguese indo visitar os compartimentos, afim de pô-los em ordem para poderem ser ocupados por D. Scipion Borguese e pela duquesa de Ferrari, encontrou uma sala fechada, e que só foi aberta sob ameaça de ser arrombada pela força pública. "Tinha sido transformada em Templo Satânico. As paredes estavam cobertas com damasco preto e vermelho; o fundo ostentava um pano rico sobre o qual se via a figura de lúcifer, tendo na frente um altar; estavam espalhados por diversas partes triângulos e outros emblemas maçônicos; ao redor estavam dispostas em ordem magníficas cadeiras, tendo cada uma no cimo de seu espaldar um olho transparente; no meio erigia-se um rico trono". 

  O Padre Teófilo Dutra conta um outro fato do qual diz ter sido quase testemunha: "No ano em fui para Paris, diz o Padre Teófilo, ali se achava como membro de uma comunidade religiosa um moço que havia trocado o avental dos filhos de satanás pela roupeta dos filhos de Deus. Deu-se o caso da seguinte maneira:
 "Fazia as conferências quaresmais de Notre Dame o conhecido orador Padre Monsabré (era afamado mundialmente). Um dia, ao sair da Igreja, apresentou-se-lhe o referido mancebo, que o saudou respeitosamente e lhe disse: Sr. Padre, assisti hoje à sua prédica e fiquei com ela grandemente impressionado. Falando V. Revma  sobre o Sinal da Cruz, disse que à sua vista foge o demônio espavorido. Eu quisera que V. Revma verificasse este fato em minha presença. " - Como? contraveio Monsabré, se ele é espírito e neste mundo não estamos em condições de ver os espíritos? Nem a nossa alma podemos aqui vê-la. " - Sr. Padre, tornou o desconhecido, eu sou maçom, e na Loja que frequento ele aparece em algumas sessões solenes. Digo-lhe isto reservadamente. Se V. Revma lá for e o fizer fugir com o sinal da cruz, far-me-á um grande favor. " - Isto é que é de todo impossível, respondeu Monsabré; os maçons não permitem profanos em suas sessões e muito menos a mim que, além de profano, sou sacerdote e, além de sacerdote, frade." " - Eu me encarrego de levá-lo lá, insistiu o moço, e lhe dou caução de não correr perigo algum. 
" - Como já disse, concluiu o pregador, sou religioso, tenho no convento um superior, sem cuja lecença nada posso prometer. O sr. venha ao convento qualquer dia buscar a resposta".
  "Com efeito, algum tempo depois apareceu no convento o tal jovem, ao qual Monsabré comunicou que o superior lhe permitira ir com ele à Loja, mediante certas condições. O moço retirou-se contente, prometendo reaparecer no dia da sessão solene.
   "No dia marcado, satisfeitas as condições, saíram ambos juntos, e o rapaz, que conhecia perfeitamente o casarão com todos os seus esconderijos, levou o Padre para um desvão donde avistavam a sala da sessões,  e onde por ninguém eram vistos. 
   "Em se aproximando a hora da sessão, iam chegando os membros da Loja e tomando assento nas cadeiras colocadas em ordem. No meio da sala via-se um sofá que, justo na hora, depois de algumas cerimônias maçônicas, foi ocupado pelo chefe infernal. Ao vê-lo, Monsabré tomou o seu crucifixo, e com ele fez uma cruz para o lado da reunião. Não cabe em descrição o barulho, a confusão, a desordem, que houve, desaparecendo o chefe sem presidir à sessão!
 "O moço abraçou -se com o Padre Monsabré dizendo-lhe: "vamos, sr. Padre, vamos por aqui, E saíram sem serem pressentidos.
   "Tratou logo o jovem maçônico de abjurar a seita, e entrou para um convento de religiosos.

    Não padece dúvida que satanás tem aparecido várias vezes em sessões maçônicas, na Itália, em tempos passados, em França e outros países como na Inglaterra, especialmente na capital Londres. Nestas aparições o "bicho ruim" dá instruções e também ordens, para serem cumpridas em todos os países! Há certas pessoas que fazem esta obra ordenada pelo demônio. Fora da confissão, quando eu era neo-sacerdote em Campos, um homem inteiramente estranho me disse sem rodeios: "Durante minha vida, praticamente toda, trabalhei para o demônio, galguei o último grau, e agora estão me exigindo, para conseguir mais ainda, que eu entregue minha alma ao demônio" Dei-lhe, naturalmente, muitos bons conselhos, mas se despediu, e até hoje nunca mais o vi.
   Só Deus, em Seus insondáveis desígnios sabe porque permite ao demônio tomar alguma aparência para poder aparecer, como aliás o próprio Divino Espírito Santo conduziu Jesus ao deserto para aí ser tentado pelo demônio. Por si mesmo o demônio não pode fazer nada. É um cão amarrado. Mas ou como castigo(para os maus) ou como provação (para os bons) para a pessoa ter mais merecimentos ( como é o caso dos santos que foram importunados por ele: Santo Cura d"Ars, Santa Teresa d'Ávila, São Pio etc. etc), Deus permite que o demônio não só tente internamente, mas intervenha também externamente, ou para ajudar os maus ( como castigo), ou para dar oportunidade de sofrer por amor a Jesus, como recompensa aos bons. 

quarta-feira, 14 de março de 2018

PAI É NECESSÁRIO

PAI É NECESSÁRIO

                                                                                                                                Dom Fernando Arêas Rifan*
               A família é composta de pai e mãe, que geram os filhos. A presença do pai é necessária, não só para a geração, mas, sobretudo, para a educação dos filhos. O filho precisa do pai, da figura do pai, da presença do pai na sua vida. Isso é tão marcante que o próprio Pai eterno, quando enviou o seu filho ao mundo, Deus feito homem, concebido de maneira virginal, quis que alguém o substituísse visivelmente como Pai adotivo na Sagrada Família de Belém e Nazaré: o escolhido foi São José, cuja solenidade celebraremos no próximo dia 19 e durante todo o mês de março.       
                Quando ele tinha apenas desposado Maria, primeira parte do casamento hebraico, mas antes de recebê-la em casa, ocorreu a Anunciação e a Encarnação do Filho de Deus. Maria objetou ao Anjo mensageiro a impossibilidade de ter um filho, pois “não conhecia varão” (Lc 1,34), isso apesar de ser noiva de José, o que claramente indica o seu voto de virgindade, de pleno conhecimento do seu futuro esposo. O Anjo, da parte de Deus, lhe garantiu que a concepção daquele filho não seria por obra humana, mas sim “por virtude do Espírito Santo” (Mt 1,18). O próprio José, em sonho, foi advertido pelo anjo do que ocorrera. E ele teria como missão ser o guarda da honra e da virgindade daquela Virgem Mãe e pai nutrício daquele Filho, que era realmente o Filho de Deus. E Jesus lhe dava o nome de pai, sendo conhecido como “o filho do carpinteiro” (Mt 13,55), tido por todos “como sendo filho de José” (Lc 3,23).   
                São José cuidou dessa esposa e do seu Filho, quando do seu nascimento em Belém, e protegeu a Sagrada Família, sobretudo, na fuga para o Egito, quando da perseguição de Herodes ao Menino Jesus. Como chefe e protetor da Sagrada Família, ele se tornou o patrono de todas as famílias. E seu modelo de amor, humildade, paciência e obediência a Deus: “Do exemplo de São José chega a todos um forte convite a desenvolver com fidelidade, simplicidade e modéstia a tarefa que a Providência nos designou” (Bento XVI).
                São José é também o padroeiro dos trabalhadores porque, como carpinteiro, sustentava a Sagrada Família com o seu suor e o trabalho de suas mãos. A festa de São José, como padroeiro dos trabalhadores, se comemora no dia 1º de maio, dia do trabalho.   

                Antigamente havia uma festa especial para honrar o Patrocínio de São José, ou seja, sua proteção, seu amparo. Daí o nome muito comum a pessoas e cidades, Patrocínio e José do Patrocínio, em honra do patrocínio de São José. Tendo tido a mais bela das mortes, pois morreu assistido por Jesus, que ainda não tinha começado a sua vida pública, e por Maria Santíssima, São José é invocado como padroeiro dos moribundos e patrono da boa morte.   
                O Papa Pio IX proclamou São José patrono da Igreja, que é a família de Deus, tão necessitada de sua proteção e defesa em meio às mesmas necessidades e perseguições que sofreu a Sagrada Família. Por tantos gloriosos motivos, São José faz jus à honra e à devoção especial que lhe tributamos.

                                                                                             *Bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianney  
                                                                                         http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

DISCURSO DO PAPA PIO XII NA BEATIFICAÇÃO DO VENERÁVEL PAPA PIO X ( I )

   1-  Uma alegria celestial inunda o nosso coração; um hino de louvor e de gratidão ao Onipotente irrompe dos nossos lábios, por o Senhor nos ter concedido elevar às honras dos altares o nosso Bem-aventurado Predecessor, Pio X. É também alegria e reconhecimento de toda a Igreja, que vós visivelmente representais, diletos filhos e filhas, reunidos aqui sob os nossos olhos como um mar vivo, ou que, espalhados pela superfície da terra, nos escutais na exultação deste dia bendito.
   2-  Realizou-se um anelo comum. Deste os tempos de sua piedosa morte, enquanto ao seu túmulo se dirigiam sempre numerosas e devotas peregrinações, de todas as Nações afluíam súplicas a implorar a glorificação do imortal Pontífice. Elas emanavam dos mais elevados graus da Hierarquia eclesiástica, do Clero secular e regular, de todas as classes sociais e especialmente das mais humildes entre as quais ele próprio tinha nascido como flor puríssima. E eis que estes anelos são ouvidos; eis que Deus, nos arcanos desígnios da Sua Providência, escolheu o seu indigno sucessor, para satisfazê-los e fazer resplandecer, nesta triste penmbra que ofusca o caminho ainda incerto do mundo de hoje, o fulgente astro da sua branca figura, a fim de traçar o caminho e firmar os passos da humanidade transviada. 
   3- Mas, enquanto a alegria de que o nosso coração transborda nos impele irresistivelmente a cantar nele as maravilhas de Deus, a nossa voz hesita, como se as palavras devessem faltar-nos, insuficientes como são para exaltar dignamente, ainda que em rápidos quadros, a vida e as virtudes do Sacerdote, do Bispo, do Papa, na prodigiosa ascensão desde a pequenez da aldeia natal e desde a humildade do nascimento aos cumes da grandeza e da glória sobre a terra e no céu.
   4- Desde há mais de dois séculos não se tinha elevado sobre o Pontificado romano um dia de esplendor comparável a este, nem tinha vibrado com tal veemência e concórdia a voz a cantar hinos de todos aqueles para os quais a Cátedra de Pedro é a rocha sobre a qual ancorou a sua fé, o farol que conforta a sua indefectível esperança, o vínculo que os firma na unidade e na caridade divina.
   5- Quantos, também de entre vós, conservam viva no seu espírito e no seu coração a lembrança do novo Bem-aventurado! Quantos revêem em pensamento, como o revemos nós próprios, aquele rosto em que transparecia uma bondade celeste! Quantos o sentem perto, muito perto de si, a este Sucessor de Pedro , este Papa do século vinte, que no formidável furacão provocado pelos que negam a Cristo e pelos seus inimigos, soube demonstrar desde o princípio uma consumada experiência no manejo do leme da barca de Pedro, e que Deus chamou a Si, quando já, violenta, bramia a tempestade! Que dor, que desânimo, ao vê-lo desaparecer, no auge da angústia de um mundo revolto!
   6- Mas eis que a Igreja o vê hoje reaparecer, não já como um piloto lutando afanosamente em direção à barra contra os elementos desencadeados, mas como um Protetor glorioso, que do céu a envolve com o seu olhar custódio, em que brilha a aurora de um dia de consolação e de força, de vitória e de paz!  
   Continue lendo o discurso nas próximas postagens.

DISCURSO DO PAPA PIO XII NA BEATIFICAÇÃO DO VENERÁVEL PAPA PIO X ( II )

Virtudes do Beato Pio X.  ( continuação )
   7- Quanto a nós, que estávamos então no início do nosso sacerdócio, já ao serviço da Santa Sé, não poderemos jamais esquecer a nossa intensa comoção, quando, ao meio-dia daquele 4 de agosto de 1903, da Loggia da Basílica Vaticana a voz do Cardeal Primeiro Diácono anunciou à multidão que aquele Conclave - tão importante sob tantos aspectos! - tinha dirigido a sua escolha para o Patriarca de Veneza, José Sarto.
   8- Foi então pronunciado pela primeira vez perante o mundo o nome de Pio X. Que ia significar este nome para o Papado, para a Igreja, para a humanidade? Quando hoje, decorrido quase meio século, nós perpassamos pelo espírito a sucessão dos graves e complexos acontecimentos que o encheram, a nossa fronte inclina-se e os nossos joelhos dobram-se em admirada adoração dos desígnios divinos, cujos mistérios lentamente revelam aos pobres olhos humanos, à medida que se consumam no curso da história.
   9- Ele foi Pastor, bom Pastor. Parecia que tinha nascido para o ser. Em todas as jornadas do caminho, que pouco a pouco o conduzia do humilde lar natal, pobre de bens da terra, mas rico de fé e virtudes cristãs, até ao vértice supremo da Hierarquia, o Filho de Riese permaneceu sempre igual a si próprio, sempre simples, afável, acessível a todos, na sua casa paroquial da aldeia, , na cadeira capitular de Treviso, no bispado de Mântua, na Sé Patriarcal de Veneza, no esplendor da Púrpura romana, e continuou a ser o mesmo na majestade soberana, sobre a sédia gestatória e sob o peso da Tiara, no dia em que a Providência, modeladora longínqua das almas, inclinou o espírito e o coração dos seus Pares a confiar-lhe o cetro, caído das mãos enfraquecidas do grande Ancião Leão XIII nas suas mãos paternalmente firmes. Precisamente de tais mãos tinha o mundo necessidade então.
   10- Não tendo podido desviar da sua cabeça o terrível encargo do Sumo Pontificado, ele, que tinha sempre fugido às honras e às dignidades, como outros, ao invés, fogem de uma vida ignorada e obscura, aceitou entre lágrimas o cálice das mãos do Pai divino.
   11- Mas uma vez pronunciado o seu Fiat, este humilde, morto para as coisas terrenas e todo em anelos pelas coisas celestes, demonstrou no seu espírito a indomável firmeza, a robustez viril, a grandeza da coragem, que são as prerrogativas dos Heróis da santidade.
   12- Desde a sua primeira Encíclica, foi como se uma chama luminosa se tivesse erguido para esclarecer as inteligências e acender os corações. Não de modo diferente sentiam os discípulos de Emaús inflamarem-se-lhes os corações, enquanto o Mestre falava e lhes revelava o sentido das Escrituras (Lc XIV, 32).
   13- Não tendes porventura experimentado também este ardor, queridos filhos, que vivestes naqueles dias e ouvistes dos seus lábios o exato diagnóstico dos males e dos erros do tempo, e juntamente indicados os caminhos e os remédios para os curar? Que clareza de pensamento! Que força de persuasão! Era certamente a ciência e a prudência de um profeta inspirado, a intrépida franqueza de um João Batista e de um Paulo de Tarso; era a ternura paterna do Vigário e Representante de Cristo, atento a todas as necessidades, solícito a todos os interesses, a todas as misérias dos seus filhos. A sua palavra era trovão, era espada, era bálsamo; comunicava-se intensamente a toda a Igreja e estendia-se muito ao longe com eficácia; atingia o irresistível vigor, não só pela incontestável substância do conteúdo, mas também pelo seu íntimo e penetrante calor. Sentia-se nela ferver a alma de um Pastor que vivia em Deus e de Deus, sem outro objetivo senão levar para Ele os seus cordeiros e as suas ovelhas. Por isso, se ele, fiel às venerandas tradições seculares dos seus antecessores, conservou substancialmente todas as solenes (já não faustosas) formas exteriores do cerimonial pontifício, naqueles momentos  o seu olhar suavemente triste, fixo num ponto invisível, mostrava que não para si próprio, mas para Deus, ia toda a honra.
   14- O mundo, que o aclama hoje na glória dos Bem-aventurados, sabe que ele percorreu os caminhos assinalados pela Providência, com uma esperança inconcussa, mesmo nas horas mais escuras e incertas, com uma caridade que o impelia a votar-se a todos os sacrifícios pelo serviço de Deus e pela salvação das almas.
   15- Por estas virtudes teológicas, que eram como o travejamento fundamental da sua vida e que ele praticou num grau de perfeição, que superava incomparavelmente toda a excelência puramente natural, o seu Pontificado refulgiu como nas idades de ouro da Igreja. Acudindo em todos os instantes à tríplice fonte destas virtudes-rainhas, o Bem-aventurado Pio X iniciou e consumou o curso de toda a sua vida com o exercício heróico das virtudes cardeais: fortaleza de uma inflexível imparcialidade, temperança que se confundia com a renúncia total de si mesmo, prudência inteligente, mas prudência do espírito que é "vida e paz", distinta da "sabedoria da carne, que é morte e inimiga de Deus" (cf. Rom VIII, 6-7).
   

DISCURSO DO PAPA PIO XII NA BEATIFICAÇÃO DO VENERÁVEL PAPA PIO X ( III )

Respondendo à uma objeção. ( continuação ).
   16- Será porventura verdade, como alguns afirmaram ou insinuaram, que no caráter do Bem-aventurado Pontífice a fortaleza muitas vezes prevaleceu sobre a prudência? Tal pôde ser a opinião de adversários, cuja maior parte eram também inimigos da Igreja. Na medida, porém, em que essa opinião foi partilhada por outros, ainda que admiradores do zelo apostólico de Pio X, essa apreciação é desmentida pelos fatos, quando se observa a sua solicitude pastoral pela liberdade da Igreja, pela pureza da doutrina, pela defesa do rebanho de Cristo dos perigos iminentes, que nem sempre encontrava em alguns toda aquela compreensão e íntima adesão, que deveria esperar-se deles. Agora que o mais minucioso exame perscrutou a fundo todos os atos e vicissitudes do seu Pontificado, agora que se conhece a sequência daquelas vicissitudes, nenhuma hesitação, nenhuma reserva é já possível e deve reconhecer-se que, ainda nos períodos mais difíceis, mais ásperos, mais graves e de mais responsabilidade, Pio X, assistido pela grande alma do seu fidelíssimo Secretário de Estado, o Cardeal Merry del Val, deu prova daquela iluminada prudência, que nunca falta nos santos, ainda que nas suas aplicações se encontre em contraste, doloroso mas inevitável, com os falazes postulados da prudência humana e puramente terrena.
   17- Com o seu olhar de águia mais perspicaz e mais seguro que a vista curta dos míopes raciocinadores, via o mundo tal qual era, via a missão da Igreja no mundo, via com olhos de santo Pastor qual era o seu dever no seio de uma sociedade descristianizada, de uma cristandade contaminada ou, pelo menos, assediada pelos erros do tempo e pela perversidade do século.
   18- Iluminado pelo resplendor da verdade eterna, guiado por uma consciência delicada, lúcida, de rígida retidão, ele tinha muitas vezes, sobre o dever de momento e sobre as resoluções a tomar, intuições cuja perfeita retidão desconcertava muitos que não eram dotados das mesmas luzes.
   19- Por natureza, ninguém mais doce, mais amável do que ele, ninguém mais amigo da paz, ninguém mais paternal. Porém, quando nele falava a voz da sua consciência pastoral, não tinha em conta senão o sentimento do dever: este impunha silêncio a todas as considerações da fragilidade humana; cortava cerce todas as tergiversações; decretava as disposições mais enérgicas, ainda que penosas ao seu coração.
   20- O humilde "cura de aldeia", como algumas vezes se quis chamar - e não é desdouro nenhum para si - em face dos atentados contra os direitos imprescindíveis da liberdade e da dignidade humana, contra os sagrados direitos de Deus e da Igreja, sabia erguer-se como um gigante com toda a majestade da sua autoridade soberana. Então o seu "non possumus" fazia tremer e às vezes retroceder os poderosos da terra, animando ao mesmo tempo os hesitantes e galvanizando os tímidos.
   21- A esta força diamantina do seu caráter e da sua conduta, manifestada logo desde os primeiros dias do seu Pontificado, se deve atribuir, primeiro a estupefação e depois a aversão daqueles que quiseram fazer dele o "signum cui contradicetur", revelando assim o fundo escuro das suas próprias almas.
   22- Não há, pois, excessivo predomínio da fortaleza sobre a prudência. Ao contrário, estas duas virtudes, que dão como que o crisma àqueles a quem Deus predestina para governar, foram em Pio X equilibradas a tal ponto que, examinados objetivamente os fatos, ele se mostrou tão eminente numa, quanto excelso na outra. Não é porventura esta harmonia de virtudes, nas altas regiões do heroísmo, o selo da santidade perfeita?
   

quarta-feira, 7 de março de 2018

A DIGNIDADE DA MULHER

  A DIGNIDADE DA MULHER   
                                                                                                           Dom Fernando Arêas Rifan*            
               Amanhã é o dia internacional da mulher. Como todos os anos, prestamos aqui nossa homenagem a elas, pela sua excelente dignidade e valor diante de Deus e dos homens.           Na verdade, foi o cristianismo que salvou a dignidade da mulher! A história, nos testemunhos de Juvenal e Ovídio, nos conta que a moral sexual e a fidelidade conjugal, antes do cristianismo, estavam em extrema degradação. Constatamos isso, vendo atualmente a situação da mulher nos povos que não têm o cristianismo. No começo do século II, Tácito afirmava que uma mulher casta era um fenômeno raro. Galeno, médico grego do século II, ficava impressionado com a retidão do comportamento sexual dos cristãos. Os próprios historiadores são obrigados a confessar que foram os cristãos que restauraram a dignidade do matrimônio. 
           As mulheres encontraram na Igreja, conforme a sua própria condição, seu lugar digno: foi-lhes permitido formar comunidades religiosas dotadas de governo próprio, dirigir suas próprias escolas, conventos, colégios, hospitais e orfanatos, coisa impensável no mundo antigo (cf. Thomas E. Woods Jr, “Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental”).
Isso confere com o que ensina Papa S. João Paulo II: “Cristo se constituiu, perante os seus contemporâneos, promotor da verdadeira dignidade da mulher e da vocação correspondente a tal dignidade. Às vezes, isso provocava estupor, surpresa, muitas vezes raiando o escândalo: ‘ficaram admirados por estar ele conversando com uma mulher’ (Jo 4, 27), porque este comportamento se distinguia daquele dos seus contemporâneos. Em todo o ensinamento de Jesus, como também no seu comportamento, não se encontra nada que denote a discriminação, própria do seu tempo, da mulher. Devemos nos colocar no contexto do ‘princípio’ bíblico, no qual a verdade revelada sobre o homem como ‘imagem e semelhança de Deus’ constitui a base imutável de toda a antropologia cristã.‘Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou, criou-os homem e mulher’ (Gn 1, 27). Os dois são seres humanos, em grau igual, ambos criados à imagem de Deus” (Mulieris dignitatem, sobre a dignidade e a vocação da mulher).
        Mas, “a igualdade de dignidade não significa ser idêntico aos homens. Isso só empobrece as mulheres e toda a sociedade, deformando ou perdendo a riqueza única e valores próprios da feminilidade. Na visão da Igreja, o homem e a mulher foram chamados pelo Criador para viver em profunda comunhão entre si, conhecendo-se mutuamente, para dar a si mesmos e agir em conjunto, tendendo para o bem comum com as características complementares do que é feminino e masculino” (S. João Paulo II, Mensagem sobre a mulher, 26/5/1995).
        Dizemos hoje, como fez S. João Paulo II (Carta às Mulheres, 29/6/1995), o nosso muito obrigado às mulheres, a todas e a cada uma, representadas na mulher-mãe: “Obrigado a ti, mulher-mãe, que te fazes ventre do ser humano na alegria e no sofrimento de uma experiência única, que te torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz, que te faz guia dos seus primeiros passos, amparo do seu crescimento, ponto de referência por todo o caminho da vida”.
*Bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianney
        

É PRECISO LUTAR E VENCER AS TENTAÇÕES DO DEMÔNIO



"Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio, porque nós não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, conta os espíritos malignos espalhados pelos ares. Portanto, tomai a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e ficar de pé depois de ter vencido tudo. Estai, pois, firmes, tendo cingido os vossos rins com a verdade, vestindo a couraça da justiça, e tendo os pés calçados para ir anunciar o Evangelho da paz; sobretudo tomai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do maligno; tomai também o elmo da salvação e a espada do espírito(que é a palavra de Deus), orando continuamente em espírito, com toda a sorte de orações e de súplicas, e vigiando nisto mesmo com toda a perseverança..." (Efésios, VI, 11-18).

O Apóstolo S. Paulo, num belíssimo surto de oratória, descreve o aparelhamento que tornará o homem apto para o tremendo combate contra os demônios. Na verdade, a vida cristã é uma luta; luta esta, aliás, muito penosa, tanto mais que ela é diuturna e só termina com a morte. Não há, porém, combate de mais capital importância, pois, que nele se joga a vida eterna.

"Não temos  -  diz o Apóstolo  -  que lutar contra a carne e o sangue", isto é, contra os homens, pois estes seriam menos terríveis, "mas contra os príncipes, contra as potências, contra os dominadores desse mundo de trevas, contra os espíritos maus espalhados pelos ares". Em geral, as tentações que nos vêm  pelas criaturas humanas são mais abertas e por isso mesmo muito menos pérfidas. Mas o demônio, príncipe deste mundo, homicida, invejoso,  pai da mentira e serpente astuta, ele dissimula-se, e faz até a pobre alma achar que só será feliz satisfazendo suas paixões. Este nosso adversário, além de invisível é também mais forte que o homem.Tem a seu favor dois cúmplices fortíssimos: a concupiscência da carne e o mundo.  Muito tenaz pela inveja que o consome, volta à carga e redobra os golpes. Caríssimos, prestai bem atenção que S. Paulo nomeia os PRÍNCIPES, as POTÊNCIAS, os DOMINADORES deste mundo de trevas. Isto está a indicar que o Apóstolo se refere aos demônios das ordens superiores. Na verdade, cotejando todas as passagens dos Evangelhos em que Jesus Cristo, Nosso Senhor, fala dos demônios, podemos afirmar, sem medo de errar, que, embora todos sejam maus, há alguns piores e mais terríveis. Entre eles há alguns cuja força é dez vezes, cem vezes, mil vezes talvez superior a dos outros. Os exorcistas tocam de perto esta realidade. Um exemplo destes demônios mais terríveis, é aquele que os Evangelhos chamam de demônio MUDO. S. João Bosco escrevendo sobre o sacramento da confissão, ao falar sobre este demônio, diz: "Quantas almas este demônio perde!!! Minha mão treme ao escrever sobre ele!" Este demônio mudo procura levar as pessoas a não orar e a não se confessar, ou a fazer mal estas duas coisas. Outro demônio terrível é o que a Bíblia no livro de Tobias denomina ASMODEU (que significa DEVASTADOR). Segundo o famoso exorcista, faz pouco tempo falecido, o Padre Gabriele Amorth, este demônio é o que procura devastar as famílias. Demônios terríveis, outrossim, são aqueles que trabalham para fazer cair as almas sacerdotais e consagradas a Deus. Estes demônios perdem almas, digamos assim, por atacado.

No intuito de tranquilizar as almas timoratas e escrupulosas, mister se faz lembrar que, embora seja tamanha a força dos demônios que realmente os torna temíveis, no entanto, é certo que eles não são invencíveis. As criaturas humanas fracas e inexperientes, pela graça de Deus e empregando as armas acima indicadas por S. Paulo, têm o poder de vencer o demônio. E isto é de fé: "Deus é fiel e nunca permite que sejamos tentados acima das nossas forças" (1 Cor. X, 13). S. Tiago também diz: "Resisti ao diabo e ele fugirá de vós" (Tiago IV, 7). Diz ainda: "Seja-vos motivo de júbilo vos achardes expostos a provação, a tentações de toda sorte" (Tiago I, 2).

Caríssimos, a vitória contra o demônio é questão de vontade. Devemos ter vontade firme em empregar as armas contra os dominadores do mundo. O que há no mundo, diz São João, é concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida. Portanto o demônio só tem domínio sobre aqueles que, resistindo as graças de Deus, se deixam levar pelo orgulho, avareza e luxúria, ou também pelos outros vícios capitais.

Analisemos, portanto, as armas indicadas por São Paulo para nos garantir a vitória: "Tomai a armadura de Deus": a primeira e principal arma a nossa disposição é a oração. Com a oração humilde podemos dizer com S. Paulo: "Tudo posso n'Aquele que me conforta". Deus dá a graça aos humildes. Através da oração humilde, Deus nos reveste de Sua armadura inexpugnável. Assim, malgrado as tentações, podemos permanecer de pé na graça de Deus e vencer sempre todos os ataques dos demônios, mesmo os  dos mais terríveis. "Tendo cingido os vossos rins com a verdade": realmente, a adesão irrestrita às verdades do Evangelho vence todas as heresias de todos os séculos. "Vestindo a couraça da justiça": S. Paulo dá-nos a entender que o homem justo, ornado de todas as virtudes torna-se invulnerável. "Tendo os pés calçados para ir anunciar o Evangelho da paz": devemos ser zelosos das nossas almas e das almas de nossos irmãos. Daí, o dever de estarmos prontos a fugir da tentação que nos assalta e a correr em socorro do próximo quando estiver para sucumbir. É óbvio que esta missão é específica dos sacerdotes e, portanto, mais do que para os leigos, é para eles de premente necessidade. "Sobretudo tomai o escudo da fé": esta arma é fundamental, porquanto a fé intrépida do cristão ensina-lhe a opor à solicitações do inimigo a lembrança das verdades eternas para moderar-lhes o ardor e quebrar-lhes a violência. "Tomai também o elmo da salvação": pode ser traduzido também "cobri-vos com a capacete da esperança", pois tal como o capacete protege a cabeça, a esperança nos protege nos tempos de perseguições, animando-nos com a promessa dos bens futuros. Se na tentação pensarmos no céu, toda renúncia nos parecerá palha e bolha de sabão diante da glória que nos espera. "Empunhai a espada da palavra de Deus": como o soldado com a espada atacava e avançava, assim, armado de toda palavra de Deus, o cristão poderá atacar o inimigo de sua alma e avançar de perfeição em perfeição até o ápice da santidade.

Caríssimos, uma última observação: A Sagrada Escritura , embora não oculte a força misteriosa dos demônios, ressalta ao mesmo tempo que todo poder da ação demoníaca deve reconhecer a absoluta subordinação à vontade de Deus. Haja vista o exemplo de Jó, contra o qual precisou satã de uma permissão de Deus.

terça-feira, 6 de março de 2018

Aberrações ensinadas pelo ISPAC em Belo Horizonte

OBSERVAÇÃO: Trata-se, mais uma vez, de um artigo do saudoso erudito Gustavo Corção, artigo este extraído do livro A TEMPO E CONTRA TEMPO, escrito em 8-6-1968.
   Talvez alguém ou até muitos perguntem o porquê da transcrição de assuntos tão antigos! É porque a História é mestra da vida. 
   Li em 23-06-2015 um artigo no conceituado site "FRATRES IN UNUM": A CNBB decrépita e a Juventude da Fé Católica" e li também em (05/03/2016) "CNBB PROFÉTICA.   Fiz do primeiro artigo  um comentário onde afirmo que, com poucas exceções, são os bispos no mundo todo que estão tirando o fé do povo. Pois bem, disse que no decurso de uns longos 50 anos, venho acompanhando a derrocada da fé, crise esta perpetrada por aqueles mesmos que deveriam ser os guardas da mesma fé. . É a autodemolição. Mas ainda em 1968, pelo menos no Brasil, bispos esquerdistas e progressistas eram minoria. Se Corção fosse vivo hoje teria a nímia facilidade em provar o contrário: os bons bispos constituem minoria inexpressiva (não só numérica como ativamente). 
   Pelo artigo de Gustavo Corção podemos averiguar que o mau fermento do esquerdismo e progressismo, logo após o Concílio Vaticano II, já levedava a massa da crise atual. Eis o artigo:


"O EPISCOPADO brasileiro conta com muitos bispos sábios e veneráveis. Posso até afiançar, e poderia provar, que é uma pequena minoria a famosa ala de bispos esquerdistas ou progressistas, que se inculcam como interessados pela melhoria de condições sociais, e que insinuam que todos os que deles descordam só o fazem para defender o status quo e para impedir as ditas melhorias sociais do Brasil. Torno a dizer: graças a Deus constitui minoria (e só não digo inexpressiva minoria porque esses poucos são excessivamente expressivos) a parte do episcopado que mais se interessa pela promoção de suas ideias do que pelo zelo da boa doutrina.
A grande parte do episcopado continua, digo melhor, permanece onde o Cristo Jesus recomendou que permanecesse (Jo. XV). Mas depois desta sincera e consoladora declaração, não vejo como explicar e como ocultar a inquietação diante do que se faz atualmente no Brasil sob o olhar aprovador da Conferência Nacional dos Bispos e, portanto, sob a mesma aprovação dos bispos que não são modernistas e transviados.
Como exemplo dou abaixo duas transcrições do que se ensina no ISPAC  de Belo Horizonte. em cursos para formação de catequistas, começando em 2 de março, foram abordados vários assuntos, e distribuídas as apostilas respectivas. A que tenho diante dos olhos refere-se ao tema "secularização" e constitui uma das novidades da onda de apostasia que corre o mundo.

Eis as duas passagens que colhemos entre outras equivalentes, e que transcrevemos, pedindo ao leitor desculpas pelo mau português que não é nosso:

   "DESPEDIDA DO CRISTIANISMO TRADICIONAL - Notamos, em nossos dias, uma deseclesialização;  cada vez mais a gente fica por fora da Igreja com suas práticas tradicionais. Uns porque não concordam com o cristianismo em sua forma tradicional. Esta é por demais estranha ao mundo de hoje. Outros são mais indiferentes: não apenas o cristianismo tradicional está ultrapassado mas também a religião como tal (pois pertence a uma forma de cultura anterior). Mais outros dizem: sei que creio, mas sei também que a fé se torna discutível. Vamos procurar! Parece que a última posição é a mais comum: procurar uma resposta, uma nova forma de cristianismo. Isto é um sinal feliz. Pois enquanto há procura há também esperança. Os melhores livros atuais não são aqueles que já têm a resposta pronta, mas os que partem da realidade e sua problemática e tentam descobrir de que é que se trata afinal. As respostas antigas não satisfazem, pelo menos não na forma tradicional. Novas respostas ainda não há. Estamos numa fase de transição. Em tudo isto trata-se, em primeiro lugar, de cristianismo tradicional. Acabou. Existem várias opiniões a respeito deste fenômeno... A expressão "Deus morreu, nós o matamos", não é nova. Já a encontramos na obra de Nietzsche... A expressão "Deus morreu" pode significar: rejeitar a imagem tradicional de Deus, feita à imagem do homem, projetada a partir da incapacidade de dominar o mundo e a natureza; pode ser rejeitar o cristianismo tradicional, de um cristianismo estranho à vivência atual do mundo; pode ser também aceitar uma atitude ateísta na qual o homem se responsabiliza pelo mundo... e este modo de pensar é a tentativa de refletir sobre a fé, não na maneira de adaptação, mas na base da ruptura total com a tradição, para fundar a vida cristã, mas salvando a plena responsabilidade intramundana pelo mundo, pela história. Nestas tentativas nem tudo mostra madureza de pensamento. Há também disparates. Aliás, nem todos esses teólogos concordam entre si. Combatem-se mutuamente. Mas em todo o caso trata-se de uma séria tentativa, geralmente de jovens (está dito tudo!!) para situar o cristianismo no futuro próximo". 

   Agora eu. Torno a pedir desculpas ao leitor pelo mau português e pelo bestialógico. Feitos esses descontos, o que sobra é simplesmente o seguinte: o ISPAC, Instituto Superior de Pastoral Catequética, em Belo Horizonte, como aliás no Rio e em outros pontos do país, está ensinando os caminhos da apostasia, da blasfêmia, da negação de Deus, da recusa do cristianismo, a umas pobres freiras apatetadas, ou a uns jovens inebriados pelo incenso com que são adorados. Bem sei que esses professores são, antes de tudo, uns pobres idiotas que talvez não saibam o que fazem.

   O movimento modernista que aflige a Igreja e perde as almas se compõe, como é regra nestes casos, de uma pequena parte de perversos e uma multidão de idiotas. Seja como for, o resultado bruto é uma monstruosidade que me leva a clamar, a gritar, aos ouvidos dos bispo do Brasil.

   Onde estais? Como podeis admitir que tais coisas se ensinem com o apoio, as bênçãos e as verbas da Conferência Nacional dos Bispos? Como entender que os descendentes dos apóstolos se tenham tornado tão insensíveis à Sagrada Doutrina que tem por assinatura o preciosíssimo sangue de nosso Salvador? Onde está a Fé de nossos Bispos? Onde a autoridade? Onde o amor pela Igreja? Onde a devoção pelas palavras de vida?

   O pobre imbecil que ditou as palavras acima transcritas acaba de descobrir que a tradição católica é a da partida para novas procuras, porque onde há procura há esperança. De onde eu concluo que, na doutrina desse frade franciscano de Divinópolis, só há esperança onde faltar a fé.

   Veja bem o leitor: nenhum de nós ignora que a vida seja uma procura perpétua, um esforço contínuo. Todos nós procuramos os caminhos para melhor servir à vontade de Deus. Às vezes entendemos mal a irrepreensível Providência. Nenhum de nós se gaba de ter chegado a uma forma, a um padrão de vida satisfatório. Mas o que esse frade apóstata nos diz é que o própria palavra de Deus não é de Deus. Estivemos iludidos até aqui. Foi falso o ensinamento da Igreja durante vinte séculos. Sim, durante vinte séculos a Igreja ensinou a um povo boboca uma história parecida com a do Papai Noel, que traz brinquedos no noite de 24 de dezembro. Agora, depois do Concílio, abrimos os olhos, descobrimos os pêlos do corpo, somos adultos, e podemos tranquilamente deitar pela janela os algodões e os cetins da fantasia do pobre Papai Noel.

   Há ainda uns bobos que creem, mas o ISPAC está atento e pronto para soerguer do chão da crença elementar esses pobres retardatários...

   Detenho-me aqui exausto, sem saber continuar este artigo. Provavelmente hão de achar que sou eu quem está fazendo o escândalo dentro da Igreja. 

                                                                                            8-6-68 

OBSESSÃO DIABÓLICA



"Sede sóbrios e vigiai, porque o demônio, vosso adversário, anda ao redor, como um leão que ruge, buscando a quem devorar" (1 Pedro V, 8).

Extraí este artigo, em quase sua totalidade, do COMPÊNDIO DE TEOLOGIA ASCÉTICA E MÍSTICA escrito pelo célebre teólogo Padre Ad. Tanquerey.

Caríssimos, primeiramente é de grande utilidade trazer aqui a observação inicial do autor: "Sobre a ação do demônio, diz Tanquerey, há dois extremos que evitar: há quem lhe atribua todos os males que nos sucedem; é esquecer que existem em nós não só estados mórbidos que não supõem qualquer intervenção diabólica, mas também as tendências más que vêm da tríplice concupiscência, e que estas causas naturais bastam para explicar muitas tentações. Outros há, pelo contrário, que, esquecendo o que a S. Escritura e a Tradição nos dizem da ação do demônio, não querem admitir em caso algum a sua intervenção. Para nos conservarmos no justo meio, a regra que devemos seguir é não aceitar como fenômenos diabólicos senão aqueles que, ou pelo seu caráter extraordinário, ou por um complexo de circunstâncias denotem a ação do espírito maligno".

 O que é afinal obsessão diabólica? "A obsessão é em substância uma série de tentações mais violentas e duradouras que as tentações ordinárias. "É externa, quando atua sobre os sentidos externos, por meio de aparições; interna, quando provoca impressões íntimas. É raro que seja puramente externa, visto o demônio não atuar sobre os sentidos senão para perturbar mais facilmente a alma. Há, contudo, Santos que, com serem obsediados exteriormente por toda a qualidade de fantasmas, conservam na alma uma paz inalterável".

1º - "O demônio pode atuar sobre todos os sentidos externos: a) Sobre a vista, aparecendo umas vezes em formas repelentes, para aterrar as pessoas e afastá-las da prática das virtudes (...); outras, em formas sedutoras, para atrair ao mal, como sucedeu frequentes vezes a Santo Afonso Rodrigues. (Hoje podemos dar exemplos na vida do Padre Pio de Pietrelcina). b)  Sobre o ouvido, fazendo escutar palavras ou cantos blasfemos ou obscenos, como se lê na vida de Santa Margarida de Cortona; ou fazendo algazarra, para atemorizar, como sucedia ao Santo Cura d'Ars. c) Sobre o tato, de duas maneiras, infligindo golpes e feridas, como se lê nas bulas de canonização de Santa Catarina de Sena, de S. Francisco Xavier, e na vida de Santa Teresa (...).

Há casos, como nota o P. Schram, em que estas aparições são simples alucinações, produzidas por uma super-excitação nervosa; ainda mesmo nesse caso, são temerosas tentações.

2º - "O demônio atua também sobre os sentidos internos, a imaginação e a memória, e sobre as paixões, para as excitar. Como contra a própria vontade, é o homem invadido por imagens importunas, obsessoras, que persistem a despeito de enérgicos esforços; sente-se empolgado pela efervescência da cólera, pelas ânsias do desespero, por movimentos instintivos de antipatia, ou, ao contrário, por ternuras perigosas e que nada parece justificar. Não há dúvida que é por vezes dificultoso decidir se há obsessão verdadeira; mas, quando estas tentações são juntamente repentinas, violentas, persistentes e difíceis de explicar por uma causa natural,[sublinhado meu] pode-se ver nelas uma ação especial do demônio. Em caso de dúvida, é bom consultar um médico cristão, que possa examinar se estes fenômenos não serão devidos a um estado mórbido..."

Como deve proceder o Diretor Espiritual em relação às vítimas de obsessão diabólica? Diz Tanquerey: "Deve juntar a prudência criteriosa com a bondade mais paternal.

a) É claro que não há de crer, sem provas sérias, numa verdadeira obsessão. Haja, porém, ou não obsessão, deve o diretor ter compaixão dos penitentes assaltados de tentações violentas e persistentes, e sustentá-los com sábios conselhos (...).

b) Se, na violência da tentação, se produziram desordens sem consentimento algum da vontade, lembrar-lhes-á que não há pecado sem consentimento. Em caso de dúvida, julgará que não houve falta, ao menos grave, quando se trata de pessoa habitualmente bem disposta.
c) Tratando-se de pessoas fervorosas, perguntar-se-á a si mesmo o diretor se essas tentações persistentes não farão talvez parte das provações passivas... e neste caso, dará a essas pessoas os conselhos apropriados ao seu estado de alma.

d) Se a obsessão diabólica é moralmente certa ou muito provável, podem-se empregar, PRIVADAMENTE, os exorcismos prescritos pelo RITUAL ROMANO, ou fórmulas resumidas: neste caso, é bom não prevenir a pessoa que se vai exorcizá-la, havendo receio de que esta declaração lhe perturbe e exalte a imaginação; basta avisá-la de que se vai recitar sobre ela uma oração aprovada pela Igreja. Quanto aos exorcismos SOLENES, não é permitido empregá-los senão com licença do Ordinário, e com as precauções..." [que foram expostas quando falamos da possessão].

 Quero expor um exemplo que não é dado por Tanquerey mas que dele fui testemunha: Faz já alguns anos quando fui transferido de uma paróquia para outra. E a primeira coisa que topei na nova paróquia foi um caso que me pareceu preternatural, ou seja, de uma ação do demônio. Um menino, aliás não inteiramente normal mentalmente, mas, como usamos dizer aqui, um pouco retardado, fora por muito tempo molestado pelo demônio.  Suas roupas que estavam no varal dentro de casa e à noite,  eram jogadas pelo chão. Às vezes, o menino amanhecia vestido de mulher. Embora à noite ninguém visse, e as portas e janelas fechadas, apareciam pedras e barros dentro da casa onde estava o menino. Como já faz muitos anos, não me lembro de tudo.  O pároco já havia feito exorcismos e levou até o Santíssimo para benzer a casa. Mas os fenômenos continuavam e por meses e meses. Bom! Primeiro pedi que vigiassem dia e noite o menino, sem ele perceber, é óbvio. Ficou constatado que não era ele que fazia tudo aquilo, mas o fato é que não viam ninguém fazendo.  Instruído já por um fato acontecido em outra paróquia, disse para seus pais de criação que procurassem averiguar bem se aquele menino era batizado. Todos achavam que sim, tanto que já tinha feito a primeira comunhão e se confessava e comungava regularmente. Mas, averiguando cuidadosamente, fora constatado que não era batizado porque seus pais eram espíritas e o "batizaram" no Espiritismo. Foi logo preparado e foi batizado. E a partir do dia do batismo desapareceram todos aqueles fenômenos estranhos.E assim, podemos dizer que o feitiço virou contra o Feiticeiro! Amém!

segunda-feira, 5 de março de 2018

POSSESSÃO DIABÓLICA



Considerando que há muita desinformação atinente a este assunto tão angustiante, e isto até por parte de alguns exorcistas, achei por bem, visando a maior glória de Deus e o bem das almas, expô-lo aqui no meu modesto blog. 

Caríssimos e amados leitores, em primeiro lugar serão de enorme utilidade algumas noções preliminares.

É certo que o demônio pode, por permissão de Deus, exercer influência e dirigir ataques contra o homem, produzindo nos sentidos externos ou internos, operações e impressões, anômalas, dolorosas e/ou aflitivas. Radicalmente perverso e maligno, lança mão de quanto possa contrariar a glória de Deus e a felicidade do homem.

Jesus Cristo diz que o demônio é invejoso e homicida deste o início da humanidade. Realmente com o pecado original dos nossos primeiros pais, o inimigo das almas passou a ter um grande império e a exercer uma acerba tirania. Mas com a vinda de Jesus Cristo que venceu este príncipe do mundo, do orgulho, da avareza e da impureza, o domínio do demônio diminuiu muito e visa muito mais atormentar as almas antes do que os corpos, acorrentando-as (quando elas se afastam de Jesus) com as cadeias do pecado. Quem não está com Jesus, estará com o demônio, como afirmou o divino Mestre: "Quem não está comigo, está contra mim". Este ataque do demônio às almas, é feito ordinariamente através das tentações de que falaremos em outro artigo, se Deus quiser. O ódio insaciável que o Maligno tem à humanidade leva-o também a lançar mão de todos os meios e, se lhe for dado, descarregar também sobre o corpo os mais pesados golpes. São os ataques extraordinários: possessão e obsessão ou infestação.

O maior mal que pode acontecer a uma pessoa é ter sua alma possuída pelo demônio por meio do pecado mortal. É infinitamente pior do que a possessão porque esta atinge o corpo, e, só indiretamente, às vezes, atinge a alma. Mas como a possessão da alma pelo demônio é algo invisível, são poucas as pessoas que se preocupam em sair deste estado o mais lastimável possível.

Falemos, então, da possessão. "Dois elementos  -   diz o Pe. Tanquerey  -  constituem a possessão: a presença do demônio no corpo do possesso, e o império que ele exerce sobre esse corpo, e, por intermédio dele, sobre a alma. É este último ponto que nos cumpre explicar. O demônio não está unido ao corpo como a alma o está; não é com relação à alma senão um motor externo, e, se influi sobre ela, é por intermédio do corpo em que habita. Pode atuar diretamente sobre os membros do corpo e fazer-lhes executar toda a sorte de movimentos; indiretamente influi sobre as faculdades, na medida em que estas dependem do corpo para as suas operações". E continua o grande teólogo Padre Tanquerey: "Podem-se distinguir nos possessos dois estados distintos: o estado de crise e o estado de sossego. A crise é como uma espécie de acesso violento, em que o demônio manifesta o seu império tirânico, imprimindo ao corpo uma agitação febril que se traduz por contorções, explosões de raiva, palavras ímpias e blasfemas. Os pacientes parece que perdem então todo o sentimento do que neles se passa, e, voltando a si mesmos, não conservam lembrança alguma do que disseram ou fizeram, ou antes do que o demônio fez por eles. Só ao princípio é que sentem a irrupção do demônio; depois, parece que perdem a consciência de tudo isso".(...) "Nos intervalos de repouso, nada vem revelar a presença do espírito maligno: dir-se-ia que se retirou". [E aí alguns exorcistas se enganam]. 

Como dizia o afamado exorcista, o Padre Gabriele Amorth, recentemente falecido: o demônio, às vezes, demora muito tempo para sair de um possesso.

Se, por um lado, muitos exorcistas  menos avisados ou nímia e apressadamente crédulos, fazem em vão o exorcismo, quando deveriam encaminhar o paciente ao médico; por outro lado, às vezes,  manifesta-se a presença do demônio por uma espécie de enfermidade crônica que desconcerta todos os recursos da medicina. O exorcista prudente, quando subsiste alguma dúvida, deve enviar logo o paciente aos médicos. Daí, caríssimos leitores, será de suma importância conhecer os sinais certos da possessão diabólica:

Segundo o Ritual Romano Tradicional (De exorcizandis obsessis a daemonio), há três sinais principais que podem dar a conhecer a possessão: "ignota lingua loqui pluribus verbis vel loquentem intelligere", isto é, "falar uma língua desconhecida, fazendo uso de muitas palavras dessa língua, ou compreender quem a fala". Vede, caríssimos como o Ritual Tradicional é judicioso: "fazendo uso de muitas palavras dessa língua". (Certa vez, um pastor protestante fez um pretenso exorcismo de uma sua criada, querendo ela demonstrar que estava possessa, falou algumas poucas palavras em grego e hebraico, só com um detalhe, que ela as havia aprendido adrede de seu amo. É preciso que todos saibam também que muitos pretensos exorcistas usam o hipnotismo de palco e enganam até multidões).  Mas passemos ao segundo sinal: "descobrir coisas remotas e ocultas". Por prudência, o exorcista deve hoje em dia, sobre tudo por causa da Internet, procurar indagar se a pessoa não soube através da mídia; e, em se tratando de predição do futuro, é prudente esperar se realmente vai realizar. Também o exorcista não deve deixar se enganar por predições vagas. Terceiro sinal: "dar mostra de energias que ultrapassam as forças naturais da idade ou da condição. É evidente que se reunirem estes três sinais é quase certo que se trate de possessão.  Os exorcistas devem ter cuidado porque o demônio pode também querer ridicularizar as coisas sagradas e zombar do próprio exorcista e enganar os fiéis. Que faz o Pai da Mentira? Tenta alguém a dissimular que está possesso.  E, então, o exorcista fica fazendo papel de palhaço e, pior ainda, usando inutilmente as coisas sagradas, e o que é mais grave, há padres que usam até a Hóstia Consagrada.

Caríssimos, se às vezes se enganaram alguns exorcistas, é porque se haviam afastado das regras traçadas pelo Ritual Tradicional. Para evitar esses erros, é oportuno fazer examinar o caso não somente por sacerdotes mas também por médicos católicos e de preferência, médicos especialistas em síndromes nervosas.

Indico sempre três grandes remédios contra a possessão: 1 - Purificação da alma com uma boa confissão, e de preferência, uma confissão geral. 2 - Usar a água benta, mas ter o cuidado de usar a água benta com o Ritual Romano Tradicional, que já inclui vários exorcismos. 3 - Ter o crucifixo em casa, e melhor ainda trazê-lo sempre consigo. Usar também a Medalha Milagrosa, a medalha de São Miguel Arcanjo e também a do Anjo da Guarda.

Para terminar, quero lembrar o frase de Santo Agostinho: "O demônio é um cão amarrado e só morde em quem dele se aproxima". Daí dizer São Paulo: "Não deis lugar ao demônio". Amém!