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quarta-feira, 13 de abril de 2016

A BONDADE DE DEUS

LEITURA ESPIRITUAL Dia 

"Deus charitas est"
"Deus é Amor" (1 João IV, 16)

Nosso Senhor Jesus ensinou-nos a dirigirmo-nos a Deus chamando-O Pai: "Pai Nosso que estais no Céu"... embora saibamos que Deus é também o Supremo Senhor. Deus é um Pai que é a própria bondade, é onipotente e é a própria Sabedoria. O bem quer difundir-se. Deus é amor; e é da essência do amor querer e fazer o bem.  MÃE! este nome evoca a ideia mais acabada e real do amor.  Assim diz o Espírito Santo: "Pode porventura uma mãe esquecer o seu filho... mas mesmo que uma mãe esquecesse o seu filho, Eu, diz Deus, nunca me esquecerei de vós". Os pais amam os filhos, gostariam de dar o melhor para eles, mas nenhum pai tem condições de o fazer como desejaria. O Pai do Céu, no entanto, é todo poderoso e sabe o que é melhor para seus filhos.  Devemos a Deus um afeto filial. Este sentimento, o mais doce e o melhor dos sentimentos de família, reclama a Deus como Pai. Para Ele nós somos realmente seus filhos. Diz São Paulo: "É pela graça da regeneração e do batismo que nos tornamos filhos de Deus e que recebemos a graça da adoção divina". O Apóstolo do amor, S. João, também diz:   "Considerai que amor nos mostrou o Pai para que sejamos filhos de Deus e os sejamos (na realidade)" (1ª João III, 1). "Não recebemos, diz S. Paulo, o espírito de temor e escravidão, mas o de adoção dos filhos de Deus, pelo qual o chamamos Nosso Pai" (Romanos, VIII, 15 ). Deus é onipotente mas Pai que se inclina sobre nós e nos dedica, cheio de bondade e ternura, um amor inefável, porque somos obra de suas mãos: " Senhor, a tua misericórdia é eterna, não desprezeis  as obras das vossas mãos" (Salmo CXXXVII, 8). Deus é montanha inacessível de perfeições; e nós, seus filhos, abismo insondável de misérias. Um abismo chama o outro. Montanha e abismo atraem-se. O abismo de miséria pode ser cumulado e a montanha de perfeições clama por abater-se e encher tudo que é indigência e pobreza. Caríssimos, que dita a nossa, que nada temos, possuir um Pai que tudo tem e quer enriquecer-nos! Se nos fez infinitamente indigentes é porque se reserva a alegria de suprir, Ele próprio, a nossa miséria. Além de eu ser um nada em relação ao bem, sou um nada pecador.

Caríssimos, não há verdade mais certa do que esta: Deus é nosso Pai, e o que há de mais terno e de mais suave em toda a paternidade da terra, não é senão uma ínfima sombra da doçura sem limites e da afeição de sua paternidade no céu. "A beleza e consolação de tal ideia, diz o Padre Faber, excedem quaisquer palavras. Ela destrói a impressão de isolamento neste mundo e dá uma nova cor ao castigo e à aflição. Da própria sensação de fraqueza, tira consolação;  habilita-nos a confiar a Deus problemas que não fomos capazes de resolver, e nos une por um sentimento do mais caro parentesco a todos os nossos co-irmãos. Penetra em todas as nossas ações espirituais e delas torna-se o pensamento principal. Na penitência, recordamo-la; nos sacramentos, provamo-la; na conquista da perfeição, nela nos apoiamos; nas tentações, nos alimentamos dela; nos sofrimentos, gozamo-la. Deus é nosso Pai nos acontecimentos diários da vida, protegendo-nos contra mil males que poderemos sentir, respondendo à orações, abençoando os que amamos, e sobretudo na paciência para conosco, paciência premeditada e incansável até um grau que a nós mesmos parece quase incrível".

Deus não se contenta com cumular-nos de benefícios. Como o melhor dos pais, dá-nos sobretudo, o seu santo amor. Cada benefício de Deus vem saturado de ternura e dedicação a nós. Este amor ensina-nos a sermos gratos a Deus e a entregarmo-nos a Ele sem reserva. Tal é a bondade a bondade de Nosso Pai do Céu,  que, dando-nos os seus benefícios e o seu amor, ainda nos recompensa, se nós aceitarmos reconhecidos, as suas larguezas. Deus abençoa-nos por não termos recusado a ajuda da sua divina mão e, na eternidade, encher-nos-á de felicidade e de glória por nos termos resolvido a aproveitar-nos da sua generosidade.

Caríssimos, agora vamos meditar um pouco no clímax do amor do Nosso Pai do Céu. Sabemos que os homens abusaram de sua liberdade, um dos mais belos dons que Deus lhes concedeu; transgrediram a lei divina que Deus lhes ditara com tanto cuidado. Mas, essas prevaricações só serviram para salientar a santidade e o amor de Nosso Pai do Céu. O mundo não conhece mais a virtude, o mundo se corrompeu; Deus mandará então o seu muito amado Filho para tirá-lo do pecado e dar-lhe os exemplos de santidade de que tanto carece. Eis o duplo fim da Encarnação, e nada nos revela melhor a infinita santidade de Deus e o seu amor aos seus filhos. Deus deu o seu Filho ao mundo e deu-O para ser imolado. Caríssimos, lembremo-nos da vida de sofrimentos do Homem-Deus, das privações que padeceu, de suas pregações, de suas instruções, de suas exortações, em uma palavra, de todas as obras de sua vida e, acima de tudo, das dores tremendas, indescritíveis de sua Paixão. E amor do Pai do Céu, foi mais longe: quis que seu Filho fundasse a sua Igreja, para continuar a obra de santificação que havia realizado. Quis vê-la continuada. Assim a Santa Madre Igreja a conservará até ao fim dos séculos apesar de todos os esforços em contrário do inferno; por ela, continuará o pregar o afastamento do mal, a inspirar o horror ao pecado, e levar as almas à prática da virtude.  A Santa Igreja dispõe de mil meios para preservação e santificação das almas. Entre eles temos sobretudo os sacramentos. Tudo foi para que seus filhos fossem santos. Para tanto, tornou-se realmente o Emanuel, o Deus conosco, o Pai junto aos filhos até a consumação dos séculos: instituiu o adorável Sacramento da Eucaristia, que é também Sacrifício, a Santa Missa.  O próprio Filho de Deus feito Homem quis ser alimento de seus débeis filhos!

A justiça divina pune o mal e recompensa o bem, porque está dentro da lei que o mal seja castigado e o bem recompensado, e também porque o castigo afasta do pecado, enquanto a recompensa anima a virtude. Com Jesus, n'Ele e por Ele, tornou-se fácil satisfazermos à dívida que contraímos com os nossos pecados. A mais trivial e insignificante obra, por ex. um copo d'água, mas dado por amor a Jesus, terá um grande galardão no Céu. Tudo que for feito na graça de Deus com espírito sobrenatural, com reta intenção de agradar a Jesus, é contado por Nosso Pai do Céu, e aumenta a graça aqui, e depois a glória no Paraíso, por toda eternidade.


Caríssimos, com razão dizia o grande Apóstolo São Paulo: "A caridade de Cristo me obriga". Obriga-me a amá-Lo e por amor a Ele a amar as almas pelas quais Ele morreu na Cruz. Amém!. 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

TUDO É DO CRISTÃO, MAS ELE MESMO É DE JESUS CRISTO - ARTIGO 17

LEITURA MEDITADA


"Todas as coisas são vossas, ou seja Paulo, ou seja Apolo, ou seja Cefas, ou seja o mundo, ou seja a vida, ou seja a morte ou sejam as coisas presentes, ou sejam as futuras; tudo é vosso; mas vós (sois) de Cristo, e Cristo de Deus" (1 Coríntios. III, 22 e 23).


Estas palavras mostram-nos, no cristão, a mais gloriosa realeza e a mais nobre servidão. Tudo é seu: mas ele mesmo é de Jesus Cristo.
   1 - Tudo é meu. - Quando Deus me adotou, na fonte do batismo, revestiu-me de uma admirável realeza, dizendo-me, pela boca do grande Apóstolo: Meu filho, tudo é teu: todas as coisas são vossas. Que imenso horizonte se descobre, aqui, aos olhos da minha fé! Desde o momento em que sou filho de Deus, tudo me pertence: em primeiro lugar, a Igreja, representada pelos homens apostólicos, ou Paulo, ou Apolo, ou Cefas. Sim, a Igreja é minha; a Igreja, com o esplendor dos seus mistérios, com as águas vivas de seus Sacramentos, a sua nuvem de mártires, ou testemunhas, de protetores e de modelos; com os seus tesouros de graças, verdadeiramente inesgotáveis. Os trabalhos dos Apóstolos e dos seus sucessores, a sua vida, a sua morte: tudo o que é da Igreja, é meu. Todos os seus ministros, todos os meios de santificação de que dispõe, não me pertencem menos que a luz e o orvalho do céu. Que cuidado devo ter em  aproveitar-me de tamanho tesouro! Uma alma ingrata não pode meditar, sem terror, estas palavras do Apóstolo: "A terra que absorve a chuva que cai muitas vezes sobre ela, e produz erva proveitosa a quem a cultiva, recebe a bênção de Deus. Mas, se ela produz espinhos e abrolhos, é reprovada e está perto da maldição, e o seu fim é a queima" (Hebreus VI, 7 e 8).

Mas, se a Igreja é minha, e o mundo é da Igreja, é, por conseguinte, meu o mundo, ou seja todas as coisas criadas, ou o mundo. Oh! quantas vozes me dão as criaturas, para me incitar a amar o meu Deus! Como se doem e gemem, quando faço violência à sua natureza, desviando-as do seu fim, empregando em ofender a Deus, o que me é dado para ajudar-me a servi-Lo!

A vida é minha, ou a vida: sim, a vida, com todas as suas vicissitudes, tristezas, alegrias, dias belos e dias sombrios, tribulações e consolações. Diz a Sagrada Escritura que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam ao Senhor (Cf. Romanos. VIII, 28): sim, a vida, que o Filho de Deus veio trazer à terra: Eu vim para que tenham a vida; e tenham-na com abundância" (S. João. X, 10). E não é Ele mesmo a vida?; ora, Jesus pertence-me: seu Pai deu-mo; Ele mesmo se deu, e se dá, ainda, a mim todos os dias, na qualidade de pão vivo e princípio de vida: "Eu sou o pão vivo que dá a vida aos homens" (S. João, VI, 48 e 51).

A morte é minha, ou a morte. Caríssimos, é verdade que não posso evitá-la, mas posso pôr-me em estado, não só de não a temer, mas, também, de a desejar, como dizia São Paulo: "Tenho o desejo de estar desatado e estar com Cristo" (Filipenses, I, 23). Desde que o meu Salvador venceu a morte, só de mim depende fazê-la minha serva, e tirar dela, grande utilidade; posso constrangê-la a abrir-me as portas da prisão, e a introduzir-me no Céu.

Tudo é, pois, meu: o futuro, assim como o presente; o bem, que Deus me faz, é um penhor seguro do que me prepara. 

   2 - Sou de Jesus Cristo.  - Sou de Jesus Cristo, como preço da sua paixão e morte. Jesus fez a aquisição de todo o meu ser, entregando-se a si mesmo por mim. Não sou de mim mesmo; como custei caro ao meu amável Redentor! Pagando o meu resgate, e incorporando-me em si, pelo batismo, Jesus quis ter mais uma inteligência, para contemplar a seu Pai adorável, mais uma vontade, para O seguir com amor, mais um coração, para o amar, mais uma boca, para cantar eternamente os seus louvores. Ser de Jesus Cristo é o meu título de nobreza. Mas cumpre não esquecer que  - Nobreza, obriga. Para ser de Jesus Cristo, é necessário ter o seu Espírito: "Se alguém não tem o Espírito de Cristo, este não é d'Ele" (Romanos VIII, 9).

Terminemos com Santo Ambrósio: "Os homens do mundo têm tantos senhores como paixões. A luxúria vem, e diz: Sois meu, porque cobiçais os prazeres da carne. A avareza vem, e diz: Sois meu; o ouro e a prata, que possuís, são o preço da vossa liberdade. Vêm todos os vícios, e cada um diz: Sois meu. Não pode ser inteiramente de Jesus Cristo, senão aquele que está livre de todo o apego culpável, e mostra sempre, com o seu procedimento, que é servo deste adorável Senhor".

Sou vosso, ó Jesus: isto explica os cuidados paternais da vossa Providência a meu respeito e nisto fundo a esperança da minha salvação. E poderia eu perder-me nas vossas mãos? Não, Senhor; e, salvando-me, será um bem vosso que salvareis. Arrependo-me e espero vossa misericórdia, ó Jesus, por tantas e tantas vezes que ousei dispor de mim, em detrimento dos vossos direitos mais incontestáveis: usando do meu espírito, do meu coração, do meu corpo, da minha saúde, do meu tempo, como se tudo isto me pertencesse; e que uso, meu Deus, fiz eu de tudo isto? Mas, pela vossa graça, tomo a resolução de combater, energicamente, tudo o que pode separar-me de Vós. Amém!


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

ARTIGO 16

  ATO DE PERFEITO AMOR A DEUS

"Conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor; quem permanece no amor, permanece em Deus e Deus nele"... "Nós, portanto, amemos a Deus, porque Deus nos amou primeiro" (1 S. João, IV, 16 e 19). 

 Primeiramente um esclarecimento: Habitualmente, em nosso amor de Deus há mistura de amor puro e de amor de esperança, o que quer dizer que amamos a Deus por Si mesmo, porque é infinitamente bom, e também porque é a fonte de nossa felicidade. Estes dois motivos não se excluem, pois Deus quis que em O amar e glorificar encontrássemos a nossa felicidade. Não nos inquietemos, pois, desta mistura, e, pensando no céu, digamo-nos somente que a nossa felicidade consistirá em possuir a Deus, em O ver, amar e glorificar; então o desejo e a esperança do céu não impedem que o motivo dominante das nossas ações seja verdadeiramente o amor de Deus.

   O Ato de Amor a Deus é a maior e mais preciosa ação que se possa ser feito, tanto no céu como na terra. A alma que faz mais Atos de Amor a Deus, é a alma mais amada por Deus no céu e na terra. O Ato de Amor a Deus é o mais poderoso e eficaz meio para chegar bem depressa, e facilmente, a mais íntima união com Deus, à mais alta santidade e à maior paz da alma. (Beato Olier).

   O Ato de perfeito Amor a Deus realiza imediatamente o mistério da união da alma com Deus. E se esta alma fosse culpada dos maiores erros, ainda que numerosos, adquiriria imediatamente a Graça de Deus com este Ato, com a condição de desejar se confessar o quanto antes. Não pode comungar antes da confissão. Mas queremos dizer que feito o Ato de perfeito Amor a Deus, a alma por mais pecadora é perdoada por este Ato e se morrer antes de se confessar não vai para o inferno. Está salva.

   Este ato purifica a alma dos pecados veniais, das imperfeições, dá o perdão do pecado, dá também a remissão da pena por todos os pecados e restitui os méritos perdidos. O Ato perfeito de Amor a Deus torna a dar a alma imediatamente, a inocência batismal. É este ato o meio eficaz para converter os pecadores, salvar os moribundos, libertar as almas do Purgatório, e para consolar os que sofrem, para ajudar os Padres, para ser útil às almas e à Igreja.

   Um Ato perfeito de Amor a Deus aumenta a glória exterior do próprio Deus, da Santíssima Virgem e de todos os Santos do Paraíso; soergue todas as almas do Purgatório; obtém acréscimo da graça para todos os fiéis sobre a terra, reprime o poder maligno do inferno sobre as criaturas. O menor Ato de amor a Deus chega como bênção e graça até o selvagem que mora na última choupana abandonada nos limites da terra.

   O Ato de Amor a Deus é o mais poderoso meio de evitar o pecado, de vencer as tentações e também para adquirir todas as virtudes e merecer todas as graças.

   "O menor Ato de perfeito Amor a Deus tem mais efeito, mais merecimento e mais importância, que todas as boas obras em conjunto". (São João da Cruz) É óbvio que São João da Cruz está se referindo às obras boas mas não feitas com perfeito amor a Deus.
   O Ato de Amor a Deus é a ação mais simples, mais fácil, mais curta ou rápida que se pode fazer, pois basta dizer com toda simplicidade: "Meu Deus, eu Vos amo".
   É tão fácil fazer um Ato de Amor a Deus. Pode-se realizá-lo a todo momento, em todas as circunstâncias, no meio do trabalho, entre a multidão humana, seja qual for o lugar, e num instante de tempo. O Bom Deus está sempre presente, ouvindo, esperando afetuosamente colher do coração da criatura essa expressão de amor. Ele deseja somente que a alma que faz um Ato de Amor conserve-se atenta um momento para poder Ele, Deus responder-lhe por sua vez: "Eu também te amo; Eu te amo muito!"
   O Ato de amor não requer esforço nem inteligência. Não interrompe a atividade, não exige fórmulas particulares.
   O Ato de Amor não é um ato de sentimento; é um ato da vontade. Elevado infinitamente acima da sensibilidade e é também imperceptível aos sentidos. Basta que a alma diga ou mesmo exprima sem palavras ao bom Deus: "Meu Deus, eu Vos amo!"
   Na dor sofrendo em paz e com paciência, a alma manifesta seu Ato de Amor deste modo: "Eu Vos amo Meu Deus, por isto sofro tudo por amor a Vós!"
   Em meio aos trabalhos e preocupações exteriores, no cumprimento do dever cotidiano: "Meu Deus, eu vos amo, trabalho comVosco, para Vós, por Vosso Amor".
   Na solidão, no isolamento, na imolação, na desolação: "Obrigado, meu Deus, sou assim mais semelhante a Jesus. Basta-me amar-Vos muito!"
   Por ocasião de defeitos, mesmo graves: "Meu Deus, sou fraco, perdoai-me. Recorro a Vós, refugio-me em Vós porque Vos amo muito!"
   Nas alegrias, nas horas de felicidade: "Meu Deus, obrigado por este dom. Eu Vos amo".
   Quando a última hora se aproximar: "Obrigado, meu Deus por tudo. Amei-Vos sobre a terra; espero amar-Vos para sempre no Paraíso!"
   Pode-se fazer o Ato de Amor a Deus de mil modos diversos. Mas ele é realizado de modo particular pela vontade sempre disposta a cumprir a Santa Vontade de Deus, de qualquer modo que ela se apresente e nos seja manifestada.
   Faz-se o Ato de Amor a Deus, também, quando se cumpre mesmo uma pequenina obrigação, quando se sofre uma bem pequena pena ou frui-se qualquer ventura ou alegria, tudo por seu Amor.
   "Para o bom Deus, vale mais apanhar um alfinete do chão por seu Amor, do que realizar ações notáveis por outros objetivos, ainda que honestos", - diz um santo.
   Faz-se Atos de Amor a Deus todas as vezes que se Lhe diz pela vontade: "Meu Deus, eu Vos amo".
   Uma pobre alma, ignorada de todos, pode fazer por dia 10.000 Atos de Amor a Deus. Na realidade, uma alma simples, e que vive no meio do mundo, e no meio da agitação e das preocupações, pode repetir cada dia 10.000 vezes: "Meu Deus, eu Vos amo".
   A ALMA PODE FAZER O ATO DE AMOR A DEUS EM TRÊS GRAUS DE PERFEIÇÃO.
   1º) - Vontade de sofrer quaisquer penas e até mesmo a morte para não ofender gravemente o Senhor. "Meu Deus, antes morrer que cometer um pecado mortal".
   2º) - Vontade de sofrer qualquer pena e até mesmo a morte de preferência a consentir num pecado venial. "Meu Deus, antes morrer que ofender-Vos, mesmo levemente".
   3º) - Vontade de escolher sempre o que for mais agradável a Deus. "Meu Deus, uma vez que Vos amo, quero somente o que quereis".
   Cada um destes três atos contém um Ato perfeito de Amor a Deus.
   Santo não é quem faz milagres, tem êxtases ou visões, mas quem faz mais Atos de Amor a Deus no decorrer do dia.
   Santo não é quem nunca consente num pecado, mas quem faz pecados por fraqueza mas logo se reergue e encontra em sua própria fraqueza nova razão de amar ainda mais o bom Deus e de se abandonar melhor nos braços divinos.
   Santo não é quem se flagela, usa de fortes mortificações ou que foge ao mundo, ou que realiza obras notáveis que maravilham os homens, mas quem diz maior número de vezes e com mais amor ao bom Deus: "Meu Deus, eu Vos amo muito, e por vosso amor, quero florescer onde me semeastes".
   Santo é quem repete com maior vontade e maior número de vezes o Ato de Amor pela jornada diária afora: "Meu Deus, eu Vos amo muito".
   A alma mais simples e escondida, ignorada de todos, mas que faz o maior número de Atos de Amor a Deus, é muito mais útil às almas e à Igreja do que aquelas que fazem grandes obras com menor amor.
   As obras grandiosas e maravilhosas de alguns santos tiveram muito valor justamente porque tiveram como motivo o grande amor a Deus que lhes inflamava a alma.
   Esta postagem é um folheto distribuído por Religiosas no alto da "Escada Santa" em Roma. Foi traduzido para o português e publicado em 1958. Recebeu para tanto o Nihil obstat do Cônego Vital B. Cavalcanti ( Censor ad hoc); e o "imprimatur" = pode imprimir-se - foi dado pelo Mons. Caruso , Vigário Geral no Rio de Janeiro.