domingo, 15 de outubro de 2017

REGRA "PRIMITIVA' da Ordem da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo

Como neste carmelo, pela graça de Deus, vamos seguir na íntegra a Sagrada Tradição da Santa Madre Igreja e também da Ordem Carmelitana, pensei em levar ao conhecimento de todos, especialmente daquelas que se sentem chamdas à vida de carmelita, a Regra "Primitiva" de Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém. Pois, nela se inspirou Santa Teresa d'Ávila para reformar a Ordem Carmelitana.


Carmelo construído pelo Padre Elcio Murucci em Varre-Sai, RJ-Brasil

1.     Alberto, por graça de Deus, Patriarca de Jerusalém, aos queridos filhos em Cristo B(rocardo) e demais religiosos eremitas que vivem debaixo da sua obediência no Monte Carmelo, junto à fonte (de Elias) , saúde no Senhor e bênção do Espírito Santo.

2.     Em diferentes ocasiões e de diversas maneiras (cf.Hb 1,1) os santos Padres estabeleceram de que forma cada um, em qualquer Ordem ou modo de vida religiosa que escolha, haja de viver em obséquio de Jesus Cristo (cf. 2Cor 10,5), servindo-o fielmente com puro coração e reta consciência (cf. 1Tm 1,5). Mas como nos pedis que, segundo o vosso propósito, vos demos uma fórmula de vida que estejais obrigados a guardar daqui por diante.

3.     Determinamos primeiramente que tenhais um de vós mesmos por Prior, o qual seja eleito para este ofício por unânime consentimento de todos, ou da maior e mais qualificada parte, ao qual cada um de vós prometa obediência; e depois de a ter prometido, procure verdadeiramente guardá-la com as obras (cf. Jo 3,18) com castidade e pobreza. 

4.    Podereis habitar nos ermos ou lugares que vos forem dados, dispostos e acomodados para a observância de vossa Religião, segundo o que parecer mais conveniente ao Prior e aos Religiosos.

5.     Além disso, no sítio em que houverdes de habitar, cada um de vós tenha uma cela individual separada, conforme lhe for assinalada por ordem do mesmo Prior, com o consentimento dos demais irmãos ou da parte mais prudente.

6.     Todavia tomareis, num refeitório comum, os alimentos que vos forem dados, ouvindo todos juntos uma lição da Sagrada Escritura, onde isto comodamente se possa observar.

7.     A nenhum  irmão seja lícito, sem licença do Prior atual, mudar ou trocar com outro o lugar que lhe foi designado.
        A cela do Prior esteja à entrada do convento, para que ele seja o primeiro que acorra a receber os que a ele vierem, e de seu arbítrio e disposição dependa tudo o que se houver de fazer.

8.     Permaneça cada um na sua cela ou junto dela, meditando dia e noite na lei do Senhor (cf. Sl 1,2; Js 1,8) e velando em oração (cf.Pd 4,7), a não ser que se ache legitimamente ocupado em outros afazeres.

9.     Os que souberem recitar as Horas canônicas com os clérigos as recitarão conforme os estatutos dos santos Padres e o costume pela Igreja aprovado.
         Aqueles que as não souberem recitar dirão por Matinas vinte e cinco vezes o Pai-Nosso, exceto nos domingos e festas solenes, em cujas Matinas determinamos que se dobre o dito número, de sorte que se diga o Pai-Nosso por cinqüenta vezes. Pelas Laudes matutinas, dir-se-ão sete e outras tantas por cada uma das outras Horas, exceto Vésperas, pelas quais se rezará quinze vezes a dita oração.

10.    Nenhum irmão diga que tenha alguma coisa própria, mas tudo entre vós seja comum (cf. At 4,32; 2,44)e se distribua por mão do Prior ou do irmão por ele escolhido para esse ofício,  dando a cada um o que lhe faltar (cf. At 4,35), ponderando as idades e necessidades de cada um.

11.    Ser-vos-á lícito, porém, ter jumentos ou mulos, segundo o pedir a vossa necessidade, como também alguns animais ou aves para a nutrição.

12.    Edifique-se uma capela no meio das celas, onde mais comodamente for possível, na qual deveis reunir-vos todos os dias de manhã para ouvir missa, onde isso comodamente se puder fazer.

13.    Nos domingos ou em outros dias, sendo necessário, tratareis da conservação da Ordem e da saúde das almas, onde também, mediante a caridade, sejam corrigidos os excessos e culpas em que os irmãos tiverem incorrido.

14.    Jejuareis todos os dias, exceto nos domingos, desde a festa da Exaltação da Santa Cruz até o dia da Ressurreição do Senhor, caso alguma enfermidade ou debilidade do corpo, ou outra justa causa não persuada a que se deixe o jejum, porquanto a necessidade não tem lei.

15.    Abster-vos-eis de comer carne, não sendo para remédio de enfermidade ou debilidade do corpo.
         Mas porque vos é necessário mendigar com mais freqüência, para que não sejais incômodos e pesados às pessoas que vos hospedarem, quando fizerdes jornada podereis, fora de vossas casas, comer coisas cozidas com carnes; e, navegando, ser- vos-á lícito, no mar, o uso da carne.

16.    Porque a vida do homem sobre a terra é uma contínua tentação (cf. Jó 7,1) e os que piamente querem viver em Cristo padecem perseguições (cf. 2Tm 3,12), e também porque o demônio , vosso adversário, como um leão rugindo, anda em continuado giro, buscando a quem devorar (cf. 1Pd 5,8), procurai com o maior cuidado  vestir-vos das armas de Deus para poderdes resistir a seus assaltos (cf. Ef 6,11).
     Cingi , pois, os vossos corpos com o cinto da castidade (cf. Ef  6,14) e fortalecei vosso peito com pensamentos santos, pois está escrito: "A consideração santa te guardará" (cf. Pr 2,11 segundo os LXX). Deveis vestir a couraça da justiça (cf. Ef 6, 14) para que, com todo o vosso coração, com toda a vossa alma e com toda a vossa fortaleza, ameis o Senhor vosso Deus (cf. Dt 6, 5) e ao próximo como a vós mesmos (cf. Mt 19,19; 22, 37, 39).
     Em todas as ocasiões haveis de armar-vos com o escudo da fé, com a qual possais rebater e extinguir os incendidos golpes do inimigo (cf. Hb 11,6), Ponde sobre vossa cabeça o capacete da salvação (cf. Ef. 6, 17) para que só do Salvador, que salva o seu povo de todos os pecados, espereis salvação (cf. Mt 1, 21).
     A espada, porém, do espírito, que é a palavra de Deus (cf. Ef 6,17), esteja sempre abundantemente ( cf. Cl 3,16) em vossa boca e em vossos corações (cf. Rm 10,8), e tudo quanto fizerdes, fazei-o em nome do Senhor (cf. Cl 3,17; 1Cor 10,31).

17.    Deveis também empregar-vos em algum trabalho, para que o demônio vos ache sempre ocupados e não tome ocasião de vossa ociosidade para entrar em vossas almas. Para isso, tendes a instrução e o exemplo do Apóstolo São Paulo, por cuja boca falava Jesus Cristo (cf. 2Cor 13,3), o qual Deus constituiu pregador e doutor das gentes em fé e verdade (cf. 1Tm 2,7), e seguindo os seus passos não podereis errar.
    "Em trabalho e fadiga", diz ele, "estivemos entre vós, trabalhando de dia e de noite para não sermos de algum peso ou incômodo. Não porque o não pudéssemos fazer, mas para vos dar exemplo do que deveis imitar. Isto mesmo vos intimávamos quando, estando convosco, vos dizíamos que quem não quer trabalhar não coma. E porque temos ouvido entre vós que alguns andam ociosos, sem trabalhar coisa alguma, a estes admoestamos e regamos em Nosso Senhor Jesus Cristo que, trabalhando em silêncio, comam o seu pão" (cf. 2Ts 3,7-12). Este caminho é bom e santo, caminhai por ele (cf. Is 30,21).

18.    Recomenda o Apóstolo o silêncio quando nele mesmo manda trabalhar (cf. 2Ts 3,12), assim como o Profeta testifica que o culto da justiça é o silêncio (cf. Is 32,17), e noutro lugar: "No silêncio e na esperança estará a vossa fortaleza" (cf. Is 30, 15).
     Por isso determinamos que,  depois das Completas, guardeis silêncio até o fim da Prima do seguinte dia. No mais tempo, ainda que não seja tão rigorosa a sua observância, contudo se evite com diligência todo o excesso no falar, pois está escrito e ensina a experiência: "No muito falar não faltará pecado" (cf. Pr 10,19). E: "Quem é inconsiderado em suas palavras experimentará danos" (cf. Pr 13,2). E também: "Aquele que fala muito ofende a sua alma" (cf. Eclo 20,8). E o Senhor diz no Evangelho: "De toda palavra ociosa que os homens disseram darão conta no dia do Juízo" (Mt 12,36).
     Faça, pois, cada um de vós uma balança para as suas palavras, e freios retos para a sua boca, a fim de não pecar e cair pela sua língua, de sorte que seja incurável e mortal a sua queda (cf. Eclo 28,29e 30); guarde com o Profeta os seus caminhos para que não peque com a sua língua (cf. Sl  38,2), e procure com diligência e cautela guardar o silêncio, no qual está todo o culto da justiça (cf. Is 32,17).

19.    Tu, porém, B(rocardo), e qualquer outro que depois de ti for eleito Prior, tem sempre na lembrança e põe por obra o que o Senhor diz no Evangelho: "Todo aquele que quiser ser o maior entre vós será vosso ministro, e o que entre vós quiser ser o primeiro será vosso servo" (Mc 10, 43-44; cf. Mt 20, 26-27).

20.     Vós também, demais irmãos, honrai com humildade o vosso Prior, considerando nele Jesus Cristo, que o pôs sobre vossas cabeças e diz aos Prelados da Igreja: "Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos despreza a mim despreza" (Lc 10,16), para que não sejais julgados pelo desprezo, mas para que mereçais, pela obediência, o prêmio da vida eterna.

21.     Tudo isto vos escrevemos brevemente, determinando a forma e regra do vosso Instituto, conforme a qual deveis viver. Mas, se alguém fizer mais alguma coisa do que isto, o Senhor, quando vier a julgar, dar-lhe-á a paga. Use-se, porém, de discrição, que é a reguladora das virtudes.

Observação: Esta regra foi entregue por Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém, aos Carmelitas, entre os anos de 1206 e 1214. Aprovou-a primeiramente Honório III em 30 de janeiro de 1226. Logo a sancionaram Gregório IX, em 6 de abril de 1229, e Inocêncio IV, em 8 de junho de 1245. Por fim, ratificou-a este último Pontífice em 1º de outubro de 1247. Seguimos aqui o texto como presente na bula "Quae honorem Conditoris (Reg. Vat. 21, ff. 465v-466r). As citações bíblicas foram acrescentadas. Faltam também  no Registro original, os números dos artigos.
    

Um comentário:

  1. Olá, Salve maria! Me chamo Lucas e gostaria de saber como entrar em contato para entender como funciona o carmelo a qual esse blog faz menção. Meu email é lucasricardozanoni@hotmail.com.

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