Mostrando postagens com marcador Salvação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Salvação. Mostrar todas as postagens

sábado, 3 de setembro de 2016

A SALVAÇÃO NO CASO DOS PAGÃOS



   Basta igualmente esta palavra de Cristo - se tu queres entrar na vida, guarda os mandamentos (Mateus XIX-17)  - para mostrar que, se o Protestantismo se distingue de todas as religiões do mundo ensinando que o homem se salva pela fé e não pelas obras, isto não é sinal de que seja a única Religião Verdadeira; é sinal, apenas, de que ensina uma coisa que evidentemente está contra a lógica e o bom senso.

   Este princípio estabelecido por Jesus Cristo - guardar os mandamentos, para salvar-se -  vigora em todas as religiões, porque é também um imperativo da razão humana, e a razão, assim como a fé, procede de Deus, Nosso Criador. A Humanidade viveu milhares de anos antes de Jesus Cristo vir a este mundo e, durante todo esse tempo, excetuando o povo judaico, pequenino povo que tinha a revelação dada por Deus a Moisés e aos Profetas, todas as nações da terra estavam imersas no paganismo, desconhecendo as verdades da fé. Mesmo depois da vinda de Jesus Cristo, quantos milhões de pessoas tem havido e ainda há, como por exemplo entre budistas, bramanistas, confucionistas, maometanos, índios selvagens etc. que sem culpa nenhuma sua, desconheceram ou ainda desconhecem a revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo! Podiam ou podem estes homens salvar-se?
   Sim, sem dúvida alguma, porque não é admissível que Deus os condenasse a todos irremediavelmente ao inferno, se eles não tinham culpa nenhuma em desconhecer a revelação cristã. Mas salvar-se como? Seguindo o que Cristo disse: Se tu queres entrar na vida, guarda os mandamentos (Mateus, XIX-17). E aqui perguntará o leitor:
  - Se os mandamentos foram revelados aos judeus por intermédio de Moisés, e as religiões pagãs não conheciam esta revelação, como podiam admitir este princípio: -  guarda os mandamentos, se queres salvar-te? Conheciam por acaso estes mandamentos?
   - Conheciam, sim; embora não tão perfeitamente como nós os conhecemos. Porque estes mandamentos, Deus os gravou no coração do homem. Honrarás pai e mãe, não matarás, não furtarás, não levantarás falso testemunho, não desejarás a mulher de teu próximo etc., são leis que se impõem a todos os homens pela voz imperiosa de sua consciência. Se a Religião tem por fim o aperfeiçoamento moral do homem e a sua união com Deus, esta união, este aperfeiçoamento não se realizam senão quando ele obedece à voz da consciência, que é a própria voz de Deus falando a sua alma, a seu coração. Só assim podia (ou pode ainda hoje) o pagão que nunca ouviu falar de Cristo, agradar a Deus e, agradando a Deus pelas suas obras, conseguir a salvação.
   - Mas, dirá o protestante, esta história da possibilidade de se salvarem os pagãos, pode-se provar pelas Escrituras?
   -  Perfeitamente. Abra-se a Epístola de S. Paulo aos Romanos. Lemos aí que Deus há de retribuir a cada um segundo as suas obras; com a VIDA ETERNA, por certo, aos que, perseverando em fazer OBRAS BOAS, buscam glória e honra e imortalidade; mas com ira e indignação aos que são de contenda e que não se rendem à verdade, mas que obedecem à injustiça. A tribulação e a angústia virá sobre toda a alma do homem que obra mal, ao judeu, primeiramente, e ao grego; mas A GLÓRIA E O HONRA E A PAZ será dada a todo o obrador do bem, ao judeu, primeiramente, e ao grego; porque não há para com Deus acepção de pessoas (Romanos II-6 a 11). O grego, a que se refere aí S. Paulo, em contraposição ao judeu, é o gentio, o pagão, o que não conhecia a lei de Moisés. Deus não tem acepção de pessoas: todo o que opera o bem recebe a vida eterna, seja judeu, seja gentio. Porque, como diz em continuação o Apóstolo São Paulo, se os judeus tinham uma lei escrita dada por Deus e os gentios não a tinham, o que interessa a Deus não é que SE OUÇA  a lei que foi dada por Ele, ma sim que SE PRATIQUE o que ordena esta mesma lei. E o gentio, cumprindo a lei que estava escrita no seu coração , se podia tornar também justificado diante de Deus. Vejamos as palavras do Apóstolo: Não são justos diante de Deus os que ouvem a lei; mas os QUE FAZEM O QUE MANDA A LEI SERÃO JUSTIFICADOS; porque, quando os gentios que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, esses tais, não tendo semelhante lei, a si mesmos servem de lei, os quais MOSTRAM A OBRA DA LEI ESCRITA NOS SEUS CORAÇÕES, dando testemunho a eles A SUA MESMA CONSCIÊNCIA (Romanos II- 13-15).

   -  Mas perguntará alguém: Não diz a Bíblia que sem a fé é impossível agradar a Deus? Como podiam esses pagãos agradar a Deus sem a fé?

   -  A dificuldade é muito fácil de resolver. Na mesma ocasião em que diz a Bíblia  -  ser impossível sem a fé agradar a Deus  - mostra imediatamente qual o programa mínimo de fé que é exigido desses que não cheguem a ter conhecimento da revelação divina; deles se exige apenas que creiam o seguinte: que existe um Deus e que este Deus recompensa os bons. Vejamos o texto: Sem a fé é impossível agradar a Deus; porquanto é necessário que o que se chega a Deus creia que há Deus e que é remunerador dos que O buscam (Hebreus XI-6). Se eles estavam ou estão, sem nenhuma culpa sua, na ignorância de muitas outras verdades da fé, Deus se contenta com este mínimo; crer na existência de um Deus Remunerador; é o bastante para se aproximarem de Deus.

   Portanto, se as religiões pagãs que existiram antes do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo ensinavam que seus adeptos podiam conseguir a recompensa divina mediante as suas obras, se as religiões pagãs ainda hoje existentes ensinam que os seus seguidores (que não têm suficiente conhecimento da doutrina de Jesus Cristo) se salvam pela maneira digna e correta de proceder, essas religiões podem ter lá os seus erros graves em matéria de doutrina, mas NESTE PONTO têm ensinado uma coisa certa, confirmada por São Paulo, quando afirmou que os gentios se salvam obedecendo à lei que está escrita em seus corações (Romanos II-15). O caminho do Céu para eles é este mesmo. Agora, se de fato foram muitos ou foram poucos os que procederam corretamente e obedeceram a esta lei, isto já é outra questão. O homem tem a sua liberdade; pode usar dela bem ou mal. Infelizmente a tendência desta nossa corrupta Humanidade é mais para usar mal do que para usar bem; porém tinha que haver para os pagãos, assim como para os cristãos (falamos, é claro, dos pagãos de boa fé) algum direito, alguma possibilidade de salvar-se. Do contrário Deus seria injusto, não seria bom para todos os homens que O temem. Bem-aventurados todos os que temem ao Senhor, os que andam nos seus caminhos ( Salmo 127, 1). E o pagão que não recebeu as luzes da revelação cristã, mas crê na existência de um Deus Justiceiro, embora erre, por ignorância invencível, sobre a própria natureza da Divindade, não tem outro meio para mostrar que teme o Senhor e que quer andar nos seus caminhos, senão obedecendo fielmente aso ditames da sua própria consciência. 

   

quinta-feira, 30 de junho de 2016

SALVAÇÃO: Impossível concordar com Lutero


O QUE É CRER

    A CONCEPÇÃO DE LUTERO. 

   Quem não sabe o que é CRER? Quem não entende o que quer dizer crer em Cristo? É aceitar como verdadeiro, abraçar e professar tudo o que Cristo ensinou; qualquer criança sabe disto. Que necessidade há de fazermos uma longa dissertação sobre este assunto?

   Sim; não haveria necessidade, se Lutero e os protestantes não houvessem confusamente adulterado esta noção. Lutero, como sabemos, quis ir buscar nas Escrituras a certeza absoluta de que estava salvo folgadamente, sem ter que continuar naquela luta tremenda contra as tentações. Gostou muito daqueles textos em que se diz que quem crê em Cristo se salva. Mas, se fosse tomar a palavra CRER no sentido de convencer-se de todas as palavras de Jesus, isto iria dar novamente num ponto que ele não queria, porque Cristo se mostrou não só um Salvador, mas também um Legislador. Daí a alteração que faz no sentido da palavra CRER: crer em Cristo é crer que eu estou salvo, certamente salvo, e salvo por Cristo; é, portanto, confiar em Cristo, como em meu Salvador. 

   Todo o mundo percebe logo a adulteração que se está fazendo aí da noção de fé. 

   Que Cristo é meu Salvador é de fé, está na Bíblia. Mas a mesma Bíblia nos mostra que uns se salvam, outros se condenam, o que não impede que Cristo seja o Salvador de TODOS, é sinal apenas de que muitos não se sabem aproveitar da salvação que a todos é oferecida por Cristo. E irão estes para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna (Mateus XXV-46). Que uns se salvam, outros se condenam é de fé; que eu, Martinho Lutero; que eu Lúcio Navarro; que eu, Fulano de tal, me salvo com toda certeza, isto não é objeto de FÉ, porque não foi revelado. Não é o fato de sugestionar-me a mim mesmo de que estou salvo que me dá a salvação, pois o que a Bíblia nos diz é que Cristo é o autor da salvação eterna para TODOS OS QUE LHE OBEDECEM (Hebreus V-9). Posso ter esperança firme de salvar-me. Mas aí já se trata de outra virtude diferente: a virtude da esperança. E é a própria Bíblia quem no-las apresenta como virtudes diversas: Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, a caridade, estas TRÊS,  virtudes; porém a maior delas é a caridade (1ª Coríntios XIII-13). Sejamos sóbrios, estando vestidos da couraça da FÉ e da CARIDADE  e tendo por elmo  A ESPERANÇA DA SALVAÇÃO (1ª Tessalonicenses V-8). Sois fiéis em Deus, o qual O ressuscitou dos mortos e Lhe deu glória, para que a vossa FÉ e a vossa ESPERANÇA fosse em Deus, fazendo puras as vossas almas na obediência da CARIDADE (1ª Pedro I-21 e 22). 
   

terça-feira, 17 de maio de 2016

DOUTRINA CATÓLICA SOBRE A SALVAÇÃO: O Sacramento da Penitência



Leitura espiritual meditada 





   31. A SEGUNDA TÁBUA DE SALVAÇÃO DEPOIS DO BATISMO.

Símbolo da alma na
Graça Santificante
Símbolo da alma no pecado
mortal
   O pior é que às vezes não só atrapalhamos a ação da graça com a nossa fraqueza, mas nos afastamos de Deus e pelo pecado mortal perdemos em nossa alma a graça santificante recebida no Batismo. E o Batismo só se recebe uma vez.
   Temos então o Sacramento da Penitência que foi instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, quando disse aos seus Apóstolos: Recebei o Espírito Santo; aos que vós perdoardes os pecados, ser-lhes-ão eles perdoados; e aos que vós os retiverdes, ser-lhes-ão eles retidos (João XX-22 e 23). Assim o dispôs Cristo, nosso Redentor. A absolvição sacramental, porém, só é válida, quando o penitente está verdadeiramente arrependido de seus pecados, com firme propósito de emenda.

   A impossibilidade de achar um sacerdote não acarreta impossibilidade de salvação, pois assim como o batismo de água pode ser suprido pelo batismo de desejo, assim também e em virtude do mesmo texto do Evangelho (João XX-23), a confissão sacramental pode ser suprida pelo Ato de Contrição Perfeita, ou seja, o arrependimento baseado não no temor da pena, mas no puro amor de Deus, a quem se ofendeu pelo pecado e com o voto de confessar os pecados quanto antes, submetendo-os assim ao poder das chaves. 

   32. PURIFICAÇÃO REAL E INTERNA.

   A remissão dos pecados sempre se verifica por meio de uma purificação real e interna. Se a Sagrada Escritura, referindo-se ao perdão que de Deus recebemos fala às vezes em não-imputação dos pecados : Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputou pecado (Salmo XXXI-2), é claro que os pecados não são imputados, simplesmente porque DESAPARECEM; SÃO DESTRUÍDOS: Eu sou, eu mesmo sou o que APAGO as tuas iniquidades por amor de mim (Isaías XLIII-25). Tem piedade de mim, ó Deus... e segundo as muitas mostras da tua clemência, APAGA  a minha maldade (Salmo L-3). Quanto dista o Oriente do Ocidente, tanto Ele tem APARTADO de nós as nossas maldades (Salmo CII-12). Cristo foi uma só vez imolado para ESGOTAR os pecados de muitos (Hebreus IX-28). Considerai-vos que estais certamente MORTOS ao pecado, porém vivos para Deus em Nosso Senhor Jesus Cristo (Romanos VI-11).

   O desaparecimento dos pecados leva à santificação interior: E tais haveis sido alguns; mas haveis sido LAVADOS, mas haveis sido SANTIFICADOS, mas haveis sido JUSTIFICADOS em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus (1ª Coríntios VI-11). Noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor... Cristo amou a Igreja e por ela se entregou a si mesmo, para a SANTIFICAR, purificando-a no batismo da água pela palavra da vida, para a apresentar a si mesmo Igreja gloriosa, SEM MÁCULA NEM RUGA, nem outro algum defeito semelhante, mas SANTA E IMACULADA (Efésios V-8; 25 a 27). 

terça-feira, 26 de abril de 2016

DOUTRINA CATÓLICA SOBRE A SALVAÇÃO (término do capítulo)

   36. CONFUSÃO DE IDEIAS.

   Ainda não entramos de cheio na refutação da teoria da salvação só pela fé. Fizemos apenas um resumo da doutrina católica sobre a salvação, para esclarecer certos pontos em que se confundem os nossos adversários que não estão perfeitamente ao par da nossa doutrina. Mas bastou ao leitor ver o texto das Escrituras em que se exige a observância dos mandamentos para conseguir o Céu, não podendo alcançá-lo os que cometem certas faltas graves, bastou ver a insistência com que a Bíblia nos assegura que Deus retribuirá a cada um segundo as suas obras, sem fazer acepção de pessoas, para observar como é inexata a doutrina da que só a fé é que salva e de que as boas obras não influem na salvação. Queremos dizer apenas algumas palavras sobre uma confusão que fazem os protestantes a respeito do perigo de envaidecimento para aqueles que fazem boas obras, sabendo que elas terão a sua recompensa.

   Os protestantes viram um texto de São Paulo (Efésios II-8 e 9) em que o Apóstolo nos ensina que a concessão da graça primeira, ou seja, a passagem do pecador do estado de pecado para o estado de justiça, pela graça santificante se realiza de graça e não em atenção a nossas obras, para que ninguém se glorie. Teremos ocasião de comentar atentamente e de vagar esse texto num capítulo especial que versará sobra a graça primeira. Daí aprenderam de oitiva a dizer que a glória do Céu não se alcança pelas nossas obras mas só pela fé, para que o homem não se orgulhe, não se glorie de ter alcançado a salvação pelo seu esforço. Deus teria querido assim evitar o perigo do orgulho humano, e teria caído noutro perigo muito maior ainda: teria favorecido horrivelmente à corrupção do homem e ao relaxamento no pecado, impondo somente a fé para a salvação e dispensando a observância dos mandamentos e a prática das outras virtudes cristãs, entre as quais avulta a caridade, para a consecução da glória celeste. 

   37. A DOUTRINA CATÓLICA E A PRESUNÇÃO.

   Qualquer um que considere atentamente a doutrina católica, não terá motivo algum para gloriar-se de suas virtudes ou de suas boas obras. E a prova é que a Igreja Católica tem produzido um número imenso de grandes santos que são conhecidos no mundo inteiro, muitos dos quais bem estimados e admirados pelos protestantes, e no entanto, um fenômeno observado em todos eles é que, quanto mais progrediam na virtude e se enriqueciam da graça de Deus, tanto mais baixo conceito faziam de si mesmos. A sua grande virtude fazia com que lamentassem profundamente as mais pequenas imperfeições; e causa admiração como se não julgavam mais do que grandes e desprezíveis pecadores. Seguiam nisto a palavra do Eclesiástico: Quanto maior és, humilha-te em todas as coisas e acharás graça diante de Deus (Eclesiástico III-20).

   Realmente a consideração da doutrina sobre a graça, que há pouco resumimos, leva o homem a reconhecer o seu nada, a sua fraqueza e insuficiência. Se Deus justifica o pecador e o faz seu filho, esta elevação a uma grandeza sobrenatural é feita por pura bondade e misericórdia de Deus. Cada ação boa, cada ato de virtude, cada vitória sobre as tentações precisou, para efetuar-se, do auxílio da graça divina: Sem mim nada podeis fazer (João XV-5). A criancinha que não pode escrever a carta sem a mãezinha a estar ajudando com a mão dela por cima da sua, não pode absolutamente orgulhar-se de ter escrito a carta por seu próprio engenho e esforço. E os erros dados nesta carta, por culpa do pequeno escrevente, a mãezinha depois os corrige - isto é, os pecados, as faltas, as imperfeições que frequentemente cometemos, Deus está sempre de braços abertos para nos perdoar, se nos voltamos para Ele. E o católico tem, mais do que ninguém, uma lembrança viva de seus pecados, pois tem que fazer cuidadoso exame de consciência sobre eles e confessá-los humildemente ao ministro de Deus, a quem foi dado o poder de perdoar e reter os pecados. Nenhuma razão tem, portanto, o católico, para orgulhar-se de suas virtudes, quando as possui: Que tens tu que não recebesses? Se, porém, o recebeste, por que te glorias como se o não tiveras recebido? (1ª Coríntios IV-7). 

   Se, porém, por um ato de irreflexão ou, para melhor dizer, de loucura, conceber um pensamento de presunção, uma queda fatal se dará, porque Deus resiste aos soberbos, e dá sua graça aos humildes (Tiago IV-6). E acontecerá o que aconteceu a São Pedro, que fez as mais brilhantes profissões de fé e que amava a Cristo mais do que os outros Apóstolos, mas por ter consentido num ato de confiança exagerada em si mesmo, teve que chorar, por toda a vida, uma queda desastrosa. Assim aprenderá o homem, à custa dos próprios fracassos, a não confiar em si mesmo. Não há razão, portanto, para Deus deixar de considerar como CONDIÇÃO NECESSÁRIA PARA A SALVAÇÃO  a guarda dos mandamentos, a prática das boas obras, por parte do homem, (que é livre nas suas ações e portanto tem que mostrar um bom uso de sus liberdade), só pelo receio de que o homem se venha a tornar vaidoso.

   Se assim fosse, Ele também deixaria de apontar a FÉ como CONDIÇÃO NECESSÁRIA PARA A SALVAÇÃO, porque a fé é sempre um ato livre, uma cooperação humana, e assim como há o perigo de ensoberbecer-se o homem pelas suas obras, assim também há o de ensoberbecer-se pela fé: Tu pela FÉ estás firmes, pois NÃO TE ENSOBERBEÇAS, MAS TEME (Romanos XI-20).

   38. RECOMPENSA E BENEFÍCIO.

   Por mais estranho que pareça, a glória do Céu, que a Escritura nos mostra como uma RECOMPENSA dada ao homem pelas suas boas obras, é também, em última análise, uma graça, um BENEFÍCIO de Deus.

   Um homem rico e ilustre toma um mísero e desprezível servo e o cumula de favores, espontânea e benignamente, fazendo dele um filho adotivo. Depois disto, começa a fornecer-lhe verba continuamente, para que ele realize alguns trabalhos. Perdoa frequentemente também os erros e fraquezas deste filho, bastando para isto que ele procure sinceramente o seu perdão. E aqueles trabalhos realizados pelo filho com a verba dada pelo próprio pai, este os recompensa larguissimamente, fazendo-o cada vez mais participante de uma imensa herança.
   Pode ser maior a sua benignidade?
   Assim faz Deus conosco, chamando-nos e justificando-nos misericordiosamente quando somos pecadores, perdoando-nos inúmeras vezes na vida, graças aos merecimentos infinitos de Jesus Cristo, fornecendo-nos continuamente o auxílio da sua graça e recompensando com os gozos da vida eterna as nossas obras, que só com a sua graça podiam ser realizadas. Por isto, tinha razão em exclamar o grande Doutor da Graça, Santo Agostinho: "Deus quando coroa nossos merecimentos, não coroa senão seus próprios benefícios".