sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

CARTA APOSTÓLICA "MOTU PROPRIO" "SUMMORUM PONTIFICUM"

Considerações como complemento dos últimos posts

   É lícito, diz o "Motu Proprio", celebrar o Sacrifício da Missa de acordo com a edição típica do Missal Romano promulgado pelo Beato João XXIII em 1962 e NUNCA AB-ROGADO". (grifos nossos). Quero comentar apenas estas duas preciosíssimas palavras destacadas: "nunca ab-rogado".
   Primeiro é um reconhecimento feito de maneira oficial. É o Santo Padre, o Papa, nosso guia no Magistério Vivo e Perene da Santa Madre Igreja quem o faz, e de maneira tão simples e natural, deixando claramente transparecer de que se trata de uma coisa óbvia. No entanto, no dia do Juízo vamos ver a quantos sofrimentos os padres e fiéis tradicionalistas foram submetidos, por  as autoridades da Igreja terem agido como se o contrário é que fosse verdade.
   Numa palestra que D. Antônio de Castro Mayer, bispo de Campos, fez ao microfone da Rádio Cultura de Campos, no dia 27 de novembro de 1971, entre outras coisas diz o seguinte: (...) " a Missa é o centro do Cristianismo, é o que lhe dá vida, e o faz autêntico. Por isso mesmo, Lutero, a primeira coisa que fez para abalar a Igreja de Roma, foi atacar a Missa" (...) "Segundo esta legislação canônica em vigor um costume mais do que centenário, ou imemorial só se considera ab-rogado, quando semelhante ab-rogação é declarada de modo explícito (c. 30). Ora, de um lado a Missa tradicional de São Pio V tem uma tradição muito mais do que centenária. É milenar, e mais que milenar. Pelo menos no século VI já se celebrava a Missa, como se celebra hoje a Missa de São Pio V. De onde, continua a ser lícita a celebração dessa Missa. Ninguém pode censurar um padre porque continua a celebrá-la".
   "Alguém poderia perguntar por que este apego à Missa tradicional?
   "Explica-se:
   "São Pio V fixou o rito da Missa, conservando o rito tradicional, e proibindo pequenas adições e subtrações que se faziam em alguns lugares, para impedir que se alargassem na Igreja, e viessem adulterar o rito sagrado, de maneira que sua característica de verdadeiro sacrifício propiciatório caísse no esquecimento e viesse a ser anulado. A Missa de São Pio V é, pois, uma barreira contra a heresia: os protestantes diziam e dizem que todos os fiéis são sacerdotes e que o padre não tem nenhum sacerdócio especial.- A Missa de São Pio V fixa de modo insofismável a distinção entre o padre que celebra, que sacrifica, e o povo que se junta ao sacerdote em posição subalterna, para participar do sacrifício. Os protestantes negavam que a Missa fosse um verdadeiro sacrifício. Era apenas uma Ceia. - A Missa de São Pio V afirma de modo peremptório que a Missa é um verdadeiro sacrifício. Os protestantes negavam, e negam, que a Missa seja um sacrifício propiciatório. No máximo aceitam que se diga um sacrifício de ação de graças. - A Missa de São Pio V marca indelevelmente o caráter propiciatório da Missa. É pois uma barreira a invasão herética"
   "Daí o explicável apego que a ele (ao rito da Missa de S. Pio V) têm fiéis que amam a Igreja e amam a Jesus Cristo, porque o apego e o amor à doutrina e Revelação de Jesus Cristo é sinal de verdadeiro amor ao mesmo Jesus Cristo, segundo a expressão dele mesmo: "Quem me ama, guarda a minha palavra" (S. Jo. XIV, 23). Compreende-se, assim, a pergunta que faz o publicista francês Luiz Salleron, no semanário parisiense "Carrefour" de 14 de julho último: "É acaso, possível proibir uma Missa que, desde os primórdios, é a Missa ininterrupta da Tradição e que foi fixada no século XVI em plena harmonia com o Concílio de Trento, cujos trabalhos, seguidos por longos anos, tiveram como finalidade determinar bem o objeto do Dogma Eucarístico?" - Também a nós nos parece que não é possível. Até agora a Santa Sé também não a proibiu. Portanto, em plena harmonia com a Igreja, podem todos os padres continuar celebrar a Missa Tradicional de São Pio V".
   Na época, lembro-me que os progressistas da Diocese de Campos, acharam que D. Antônio estava errado. Bem parecido com a época do Papa Honório I; só a matéria da controvérsia era diferente. Patriarcas, bispos e padres monotelitas acharam que o monge Máximo estava errado em não obedecer ao Papa Honório I; mas hoje Máximo é enaltecido pelo seu amor a Igreja e a Jesus Cristo, e foi canonizado; e o Papa Honório I, 40 e poucos anos depois de morto, foi anatematizado, aliás, por um Papa santo, ou seja, São Leão II.
   Se D. Antônio de Castro Mayer estivesse vivo, como ele teria se alegrado por este documento "Motu Proprio" "Summorum Pontificum" de Sua Santidade o Papa Bento XVI!!! Sobretudo por ter declarado de modo insofismável que a Missa de São Pio V nunca foi ab-rogada. Homem de fé e que amava verdadeiramente a Nosso Senhor Jesus Cristo e Sua Mãe Santíssima, D. Antônio de Castro Mayer teria se alegrado enormemente, não só simplesmente por ver sua opinião confirmada pelo Papa; não pensando no própria glória, mas na maior glória de Nosso Senhor Jesus Cristo e no triunfo da Santa Madre Igreja.
   Lendo hoje a carta "Summorum Pontificum", pensamos também em D. Marcel Levebvre, outro bispo que amava ternamente a Santa Madre Igreja. D. Mayer e D. Levebvre eram dois homens capazes de dar a vida no martírio pelo triunfo da Santa Madre Igreja.
   Em 23 de dezembro de 1982, o então Prefeito da Congregação para a doutrina da Fé, o cardeal Ratzinger, hoje o nosso Santo Padre, o Papa, em nome do Papa João Paulo II, apresentava a D. Lefebvre algumas propostas em vista da sua regularização e da dos membros da Fraternidade de São Pio X; e depois, no fim da carta, observou: "Eu devo acrescentar, enfim, que, no que concerne à autorização de celebrar a Santa Missa segundo o "Ordo Missae" anterior ao de Paulo VI, o Santo Padre decidiu que a questão será resolvida para a Igreja universal e, portanto, independentemente de seu caso particular".
   Destas palavras do então cardeal Ratzinger podemos tirar algumas conclusões: 1ª) É uma injustiça contra D. Levebvre dizer (como alguém disse) que ele foi culpado por esta demora de 25 anos na liberação da Missa de São Pio V para a Igreja Universal. Por que injustiça? Primeiro porque o cardeal Ratzinger declarou que o Santo Padre decidiu que a vontade dele era resolver esta questão para a Igreja universal, independentemente do caso de D. Lefebvre, ou seja, não dependeria da solução ou não solução deste caso particular da regularização de D. Lefebvre e de sua Fraternidade de São Pio X. Portanto, se o Papa não resolveu senão depois de 25 anos, não foi por causa de D. Lefebvre. 2ª) D. Lefebvre visitou a João Paulo II, poucos meses depois de sua eleição, para o cumprimentar , e pedir a bênção a Sua Santidade e, especialmente, fazer-lhe um pedido, para o bem de toda a Igreja: reconhecer oficialmente o direito de se celebrar a Missa de sempre. "O Papa João Paulo II, conta o próprio D. Lefebvre, por ocasião da audiência que me concedeu em novembro de 1979, ele parecia bastante disposto, após uma conversação prolongada, a deixar a liberdade de escolha na liturgia, a deixar-me fazer, no fim de contas, o que eu solicito desde o começo: entre todas as experiências que são efetuadas na Igreja, "a experiência da tradição. Parecia ter chegado o momento em que as coisas se iriam arranjar, não mais ostracismo contra a missa, não mais problema. Mas o cardeal Seper, que estava presente, viu o perigo; exclamou: 'Mas Santíssimo Padre, eles fazem desta missa uma bandeira!' A pesada cortina que se havia erguido num instante recaiu. Será preciso esperar ainda." (Confira "CARTA ABERTA AOS CATÓLICOS PERPLEXOS" edição feita pela Permanência, capítulo XX, os 2 §§ finais).
   Todos sabemos que D. Lefebvre dentro da década de 80 fez alguns escritos ou conferências que depois foram publicadas, em que ele diz palavras muito severas como: "é em Roma que a heresia instalou-se... É por isso que nós não podemos nos ligar a Roma". É preciso estarmos lembrados e os mais novos precisam saber que nas décadas de 70 e 80, ou seja, alguns anos após o Concílio Vaticano II, aconteceram tantos e tão grandes escândalos e sacrilégios, por causa do ecumenismo, da liberdade religiosa e da inculturação, das novas teologias; enfim com a destruição de tudo o que era sagrado e tradicional, que realmente éramos levados a pensar que a profecias de Nossa Senhora de La Salette estavam se realizando. As vezes fico pensando assim: Se todos os absurdos que foram cometidos dentro da Igreja tivessem sido filmados e hoje fossem mostrados, muitos teriam dificuldade em acreditar; alguns morreriam de tristeza; teriam exclamado: mas isto não é Religião!!! É a abominação da desolação dentro do lugar santo!!! Hoje também há coisas muito tristes. Mas a grande diferença é que hoje temos muitas coisas boas que na época não tínhamos e nem sequer a esperança de tê-las tão cedo.
   D. Pestana, de saudosa e santa memória, era na época bispo de Anápolis GO. (1979-2004). Por causa dos absurdos que estavam sendo cometidos dentro da Igreja chegou a dizer que não foi só a fumaça de Satanás que entrou na Igreja, mas foi o demônio inteiro. Eis as palavras de D. Pestana: "O demônio todo inteiro, não só a sua fumaça como disse Paulo VI, transpôs triunfalmente os portões da Igreja e está colocado nos seus mais altos postos, através de seus fiéis seguidores. Estupidificados pelo engodo do ecumenismo, estão engolindo a infidelidade e a apostasia que escorrem do alto. A Igreja esá caminhando para Sodoma e Gomorra".  Realmente foi a coisa mais triste do mundo!!! Até o idoso bispo D. Lazo passou para o Fraternidade de São Pio X.
   Como a Santa Igreja é divina, desde a promulgação de Missa de Paulo VI, houve reações contra esta missa feita com a assistência complacente e concorde de seis pastores protestantes. E como na época do Papa Honório I que com sua ambigüidade, imprudência e negligência favoreceu a heresia monotelita defendida pelos bispos patriarcas Sérgio e Pirro, houve dois homens providenciais: o monge São Máximo e o bispo São Sofrônio, podemos dizer que para defender a Missa Tradicional, a Providência Divina suscitou na Igreja dois bispos: D. Antônio de Castro Mayer e D. Marcel Lefebvre.
   Suponhamos, por absurdo, que nem eles nem outros tivessem reagido contra a Missa Nova e não tivessem defendido que a Missa de São Pio V nunca poderia ser ab-rogada, o que teria acontecido? Com certeza, hoje, não teríamos mais a Missa Tradicional. Por isso devemos concluir que D. Lefebvre e D. Mayer foram homens providenciais e quem sabe um dia a Igreja não os vai canonizar como canonizou Santo Atanásio, São Máximo e São Sofrônio?! D. Lefebvre e D. Mayer eram homens de fé, de penitência e de oração. E eram humildes. Com relação a D. Lefebvre, numa carta de 30 de julho de 1983 o então cardeal Ratzinger declarou: "O Santo Padre não desconhece nem sua fé nem sua piedade". Já é um bom início!!! Não é verdade?!
   Em carta de 7 de julho de 2007, D. Bernard Fellay, DD. Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, escrevia: "O Motu Proprio Summorum Pontificum do dia 7 de julho de 2007 restabelece a missa tridentina no seu direito. Nele se reconhece claramente que nunca tinha sido ab-rogada. Deste modo, a fidelidade a esta missa em nome da qual muitos sacerdotes e leigos foram perseguidos e inclusive punidos desde 40 anos atrás - esta fidelidade, pois, nunca foi desobediência. Não é senão um ato de justiça agradecer hoje a D. Marcel Lefebvre por ter-nos mantido nesta fidelidade à missa de sempre em nome da verdadeira obediência, contra todos os abusos de poder. Ninguém duvida que este reconhecimento do direito da missa tradicional seja o fruto dos numerosíssimos rosários oferecidos a Nossa Senhora durante nossa cruzada do Rosário no mês de outubro passado. Saibamos agora expressar-lhe a nossa gratidão".
   Vejam como devemos fazer para conseguirmos graças e bênçãos de Deus, Nosso Senhor: rezar com devoção o Santo Rosário da Santíssima Virgem Maria. E nunca devemos atribuir a nós mesmos, à nossa esperteza política de sobrevivência, a aquisição de alguma coisa. Tudo é graça de Deus; e Nosso Senhor quer que a peçamos.
   Tenho lido nos jornais e nas revistas que assino, agora na Internet, como o Santo Padre o Papa tem sofrido por ter feito esta carta "Summorum Pontificum". Os progressistas não gostaram. E só para se ter uma idéia: no Jornal "O Globo", do dia 09/07/2007 li o seguinte: o título do artigo: "Bispo se diz de luto" por decisão anunciada por Bento XVI. "Eu não consigo conter as lágrimas. Esse é o momento mais triste de minha vida como homem, padre e bispo" afirmou Luca Brandolini, membro da Comissão de Liturgia da Conferência dos Bispos Italianos, em entrevista ao jornal "La Estampa". "É um dia de luto não só para mim, mas para muitas pessoas que trabalharam no Concílio Vaticano II, uma reforma (...) inspirada somente pelo desejo de renovar a Igreja e que agora foi cancelada". (O Globo, 09 de julho de 2007, p. 22). Como os progressistas amam o Vaticano II!!! Será de graça? Foi muito sintomática a referência deste bispo ao Concílio Vaticano II! Cada dia mais me convenço de que os Tradicionalistas (os verdadeiros) são os verdadeiramente obedientes ao Santo Padre, o Papa. Os progressistas só obedecem quando algum papa, a exemplo de Honório I que favoreceu o Monotelismo, favorece o Modernismo; enquanto os verdadeiros tradicionalistas só desobedecem, à exemplo de São Máximo, nestes mesmos casos em que o papa favorece a heresia.
   Que Nosso Senhor Jesus Cristo dê ao Santo Padre, o Papa a fortaleza e a luz necessárias para completar a boa obra de desfazer a "reforma" querida e realizada pelo Concílio Vaticano II. Amém!
  

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A INFALIBILIDADE - OS DECRETOS DISCIPLINARES E AS LEIS LITÚRGICAS

   Já mostramos que a Santa Igreja é infalível quando define solenemente verdades por si reveladas, isto é, verdades de fé e moral contidas formalmente no depósito da Revelação. Estas verdades constituem o objeto direto e primário da Infalibilidade.
   Mas existem outras verdades que não foram formalmente reveladas. Elas têm, entretanto, um nexo tão íntimo com a Revelação, que são necessárias para que o depósito da fé seja conservado íntegro, seja devidamente explicado e seja eficazmente definido. Entre estas verdades estão os Decretos Disciplinares e as Leis Litúrgicas. Estão entre os objetos indiretos e secundários da Infalibilidade.
   Esta tese assim globalmente considerada, não é de fé. Isto significa que quem a negar não é herege. Mas é uma tese "teologicamente certa". Quem a negar é "temerário".

INTRODUÇÃO: ALGUMAS EXPLICAÇÕES PRELIMINARES:

   1º)  Uma lei litúrgica só envolve infalibilidade quando, considerados o seu conteúdo e as suas circunstâncias, torna-se claro que ela contém uma definição infalível, isto é, que a Igreja quis servir-se deste meio para ensinar infalivelmente uma verdade. Portanto, os textos litúrgicos só envolvem a infalibilidade quando preenchem determinadas condições bem definidas e precisas.
   Vejamos, então, embora resumidamente, quais são estas condições:
   A) A Infalibilidade só se refere a leis e decretos promulgados para a Igreja Universal. Quando dizemos para a igreja universal, queremos significar para todo o "rito latino" que é próprio da Sé Romana, cabeça de todas as igrejas. Existe também o "rito oriental católico".
   B) A Infalibilidade só atinge os assuntos de fé e moral.
   C) Trata-se somente da infalibilidade da doutrina explícita ou implicitamente contida em tudo quanto a lei prescreve: atos, palavras atitudes etc. Ou no terreno estritamente litúrgico: orações, cerimônias, rubricas, gestos, objetos etc.
   Não há infalibilidade sobre a oportunidade ou conveniência da lei. Dizem quandes teólogos, como Hervé, Tanquerey, Wernz e Vidal que, quanto a aspectos prudenciais, podem haver erros nas leis eclesiásticas universais.
   Diz o teólogo Hervé (adotado no nosso Seminário): "A Infalibilidade quanto as coisas disciplinares não parece por si exigir que a Igreja sempre atinja o sumo grau de prudência".
   Tanquerey diz: "Esta Infalibilidade consiste em que a Igreja num juízo doutrinal nunca possa estabelecer uma lei universal, que seja contrária a fé (isto é, herética) e aos bons costumes e a salvação das almas (isto é, uma lei escandalosa, pecaminosa e herética também) ... "no entanto, em lugar algum foi prometido a Igreja um sumo grau de prudência para promulgar as melhores leis para todos os tempos, lugares e circunstâncias".
   Nota: Este sumo grau de prudência, ou seja, uma prudência heróica, vem da santidade, como explica o Papa Pio XII ao falar de São Pio X. Portanto, feliz o povo que tem um papa santo!!!
   O célebre teólogo jesuíta o Padre Goupil diz o seguinte: "Embora, distinguindo os diversos graus de certeza, aceitar-se-á filialmente os costumes piedosos e as tradições que aprova, e ter-se-á outrossim a disposição de corrigir os erros que aí possam ser encontrados." (evidentemente onde a Igreja não empenha a sua Infalibilidade). Nós podemos acrescentar que aqui tem lugar a lei da Igreja no cânon 212.
   Um exemplo: Quanto à Missa de Paulo VI, que é chamada de Missa Nova, D. Antônio de Castro Mayer dizia o seguinte: Não podemos dizer que é inválida, porque, para isso acontecer o papa teria que alterar substancialmente a matéria e/ou a forma do sacramento e do Sacrifício da Santa Missa. Neste ponto o Papa é infalível. Ele não pode mudar o que é de fé divina e/ou definida. Também, dizia ele, não podemos dizer que é herética pelos mesmos motivos, ou seja, aí entra a Infalibilidade. O Papa não pode impor a toda Igreja uma coisa que seja heresia. D. Antônio de Castro Mayer dizia que, pelas suas ambiguidades, a Missa Nova deu azo a que os inimigos internos (os modernistas) e os inimigos externos (os protestantes) dessem interpretações heterodoxas. E ele faz o paralelo com a atitude do Papa Honório I que, com relação a defesa da verdade contra os monotelitas, foi ambíguo e negligente, e consequentemente por isso, foi terrivelmente imprudente. Foi favorecedor da heresia, como tal, foi condenado pelo Papa São Leão II. Honório não ensinou a heresia, mas a favoreceu pela sua negligência. O mesmo aconteceu com a Missa Nova de Paulo VI.
   Gostaria de citar aqui o cardeal Gagnon: "Não se pode entretanto ignorar que a reforma (litúrgica) deu origem (sublinhado nosso) a muitos abusos e conduziu em certa medida ao desaparecimento do respeito devido ao sagrado. Esse fato deve ser infelizmente admitido e desculpa bom número dessas pessoas que se afastaram de nossa Igreja ou de sua antiga comunidade paroquial". É preciso lembrar que o ponto central da Reforma Litúrgica querida pelo Vaticano II foi justamente uma nova Missa. E quando dizemos Missa Nova, devemos entender todas as outras novidades que estão ligadas a ela, como por exemplo a comunhão na mão, o altar em forma de mesa e voltado para o povo, os ministros e ministras da Euccaristia etc., etc.
  É preciso notar também que este cardeal Gagnon não está sozinho. Muitos outros afirmam mais ou menos , o mesmo. E mais importante ainda é o fato de a Santa Sé não os ter censurado por suas afirmações. Pelo contrário.
   Caríssimos e amados leitores, não é amor a Santa Madre Igreja, querer tapar o sol com a peneira ou voluntariamente fechar os olhos. Oh! como é triste a gente constatar que autoridades da Igreja têm os olhos e ouvidos bem abertos para se defenderem de ofensas pessoais e, no entanto, se fazem cegos e surdos voluntários diante das ofensas que são feitas a Nosso Senhor Jesus Cristo!!!
   Depois destes parênteses, continuemos apresentando as condições para que as Leis Litúrgicas sejam infalíveis:
   D) A quarta condição é importantíssima porque dada por Pio IX, hoje beato. Podemos chamá-lo "O Papa da Infalibilidade". Guardai bem o que ele diz quando definiu o dogma da Imaculada Conceição de Maria Santíssima: "O que pertence ao culto está absoluta e intimamente ligado com o objeto deste, e não pode tornar-se RATIFICADO E FIXO (grifos nossos) se este objeto for DUVIDOSO E AMBÍGUO" (grifo nosso).
   Pio IX está falando de um culto universal. Mas mesmo sendo universal este culto não poderá ser ratificado e fixo (o que significa ser proposto infalivelmente), enquanto o seu objeto, no terreno dogmático, for duvidoso e ambíguo. Eis a explicação que deste texto de Pio IX, dá o célebre teólogo jesuíta o Revmo. Padre Manuel Pinto: "Importa, pois, muito saber distinguir o que é que no culto (=liturgia) se pode dizer "ratificado e fixo"ou, por outra, propriamente "lei de oração".
   Com base em dois documentos de São Pio V, o Revmo. Padre Manuel Pinto, S.J. observa: "Liturgias particulares que se mantiveram duzentos anos em comunhão com Roma, não deve facilmente presumir-se que contenham erros de fé e costumes".
   Nós observamos: Se Leis particulares que se mantiveram duzentos anos em comunhão com Roma, não foram abrogadas por São Pio V (quando canonizou o Missa de Sempre), quanto mais as leis universais com muitos séculos de Tradição como é a Missa canonizada por ele mesmo, São Pio V. Por isso que o Santo Padre Bento XVI, gloriosamente reinante, disse que a Missa de São Pio V nunca foi anulada. Hoje, depois de 30 anos, digo: na época de D. Navarro nós tradicionalistas éramos felizes. Felizes por sofrermos pela Verdade, ou seja, por amor a Jesus. Não por nossos merecimentos, mas unicamente pela misericórdia e graça divinas.
   E) Quinta condição para que as leis litúrgicas sejam infalíveis: outro indicativo de infalibilidade é quando certas verdades expressas pelo culto público vão aumentando ininterruptamente sua autoridade à medida que os doutores da Igreja as vão corroborando com mais interesse e que elas vão penetrando na persuasão dos fiéis.
   Nota: constatamos com clareza que é justamente o contrário que se dá com relação a Reforma Litúrgica do Concílio Vaticano II. E isto apesar de os modernistas serem ainda maioria na Igreja.
   F) Esta sexta condição para que as leis litúrgicas sejam infalíveis, compõe-se de três regras importantíssimas. Como aquilo que, na liturgia, o Magistério da Igreja propõe à adesão dos fiéis e estes aceitam, é proposto com grau de autoridade dogmática diversíssimo conforme os casos, então devem-se seguir três regras a saber: 1ª REGRA: (geral) "O fiel deve dar a cada proposição do magistério uma adesão do grau e da natureza - nem mais nem menos - que o magistério dele exige". 
                                        2ª REGRA: "Praticamente, só mediante o estudo teológico completo de cada uma das questões se pode determinar o grau autoritativo de qualquer ponto da liturgia, tanto histórica quanto atual".
                                        3ª REGRA: "Para poder arguir com absoluta certeza que uma doutrina é proposta pela Igreja como de fé divina e católica apenas pelo Magistério ordinário e universal, não basta mostrar que, no propor tal doutrina, existe unanimidade moral entre os bispos unidos com o Romano Pontífice, mas é necessário provar que eles, a propõem precisamente como de fé. A unanimidade moral deve versar sobre o fato de ser essa doutrina proposta como de fé." (Teólogo Pe. Vagaggini).
  
   EXEMPLOS: Seguindo estas três regras, podemos dar um exemplo de infalibilidade na liturgia: o Cânon da Missa de São Pio V; e podemos dar um exemplo de não infalibilidade : os textos da Missa Mova, enquanto tais e tomados na sua totalidade.
   1º exemplo: O Cânon da Missa de São Pio V foi definido como dogma pelo Concílio de Trento. Pois, como explica o Catecismo do Concílio de Trento II, IV, § 19 -24, todo o Cânon da Missa de São Pio V é tirado das duas fontes da Revelação, ou seja, da Tradição e da Sagrada Escritura.
   NOTAS: O arranjo atual das orações que formam o Cânon vem do tempo do Papa São Gregório Magno, ano 600. Mas São Gregório já encontrou o cânon praticamente formado. O que São Gregório fez, foi confirmá-lo e fixá-lo, dando-lhe assim um cunho oficial.
   A ausência de São José no Cânon é mais uma demonstração da antiguidade desta parte invariável e intocável da Santa Missa de São Pio V. É, pois sabido que o culto dos santos-mártires precedeu o culto dos santos-confessores. Este foi uma consequência do culto dos santos-mártires. No Cânon há duas listas dos santos-mártires; uma antes da Consagração, e outra depois da Consagração. Logo no início da lista dos santos-mártires está a Gloriosa sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo. Os títulos que aí a acompanham estão mostrando porque Maria Santíssima deve ser invocada no Cânon, e em primeiro lugar. E, outrossim, Maria Santíssima é Corredentora; é Rainha dos Mártires. Esteve ao pé da Cruz de Seu Divino Filho oferecendo-O e também oferecendo seu Coração Imaculado para ser transpassado por aquela espada de dor predita pelo velho Simeão. São José com certeza, morreu antes de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Santa Igreja declarou-o patrono da boa morte porque foi assistido pelo próprio Jesus e pela Santíssima Virgem Maria. Outra prova: Jesus ante de morrer entregou Nossa Senhora a São João que a levou para sua casa. "Eis aí a tua Mãe; eis aí o teu filho".
   Vou contar-vos um fato histórico muito significativo: Quando em 1847 o Papa Pio IX, hoje beato, declarou São José, padroeiro da Santa Igreja Universal, os bispos da Santa Madre Igreja pediram a ele para aproveitar e introduzir São José no Cânon da Missa. Pio IX respondeu taxativamente: "Não, porque o Cânon é intocável". Na verdade, São Pio V apenas canonizou as cerimônias e orações da Santa Missa; ele não inovou nada. Por isso não introduziu São José no Cânon. É claro que teologicamente seria possível, porque seria um acréscimo que não afetaria em nada a substância do Cânon. São Pio V e o Bem-aventurado Pio IX, porém, acharam por bem não modificar em nada o que vinha desde os primeiros séculos.
   Foi o Papa João XXIII, beato, que introduziu São José no Cânon. É claro que o fez com a melhor das intenções. Mas, na época, lembro-me que alguns progressistas (cardeais, bispos e padres) se alegraram dizendo que "agora o Cânon não é mais intocável!!!" Nós dizemos na Filosofia: "Quidquid recipitur, ad modum recpipientis recipitur". O que é recebido, é recebido a modo do recipiente. Aliás, constantamo-lo nos comentários dos blogs. Quanta diversidade!!!
  
   Vamos ver agora o exemplo de não Infalibilidade: os textos da Missa Nova, enquanto tais e tomados na sua totalidade. Num discurso que o Papa Paulo VI fez no dia 19 de novembro de 1969, referindo-se à Missa Nova, ele diz: "O rito e a respectiva rubrica por si NÃO SÃO UMA DEFINIÇÃO DOGMÁTICA; SÃO SUSCEPTÍVEIS DE UMA QUALIFICAÇÃO TEOLÓGICA DE VALOR DIVERSO, segundo o contexto litúrgico a que se referem..." (grifos nossos).
   Portanto, se o próprio Papa Paulo VI declarou explicitamente que os ritos e as rubricas da nova Missa "são susceptíveis de uma qualificação teológica de valor diverso, não parece ser possível sustentar que os textos do novo Missal, enquanto tais e tomados na sua totalidade, envolvam a Infalibilidade da  Igreja.
   Portanto, pelo cânon 212 temos o direito e até o dever de mostrar as falhas, omissões, ambigüidades e "sombras" do "Novus Ordo Missae".
   Ninguém, nem os bispos todos, podem exigir de nós o que o Santo Padre o Papa não exigiu e não exige.
   Podemos dizer que a situação atual na Igreja é a seguinte: Vira progressista quem quiser; e vira sedevacantista também só quem quiser. Deus nos livre de ambas estas coisas!!!
  

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A INFALIBILIDADE - OS FATOS DOGMÁTICOS ( X )

   Que são fatos dogmáticos? É qualquer fato, não revelado, unido porém tão estreitamente com o dogma revelado, que negar este fato era o mesmo que abalar os fundamentos do próprio dogma.
   Exemplos: Dizer que o Concílio Vaticano I é um concílio legítimo e dogmático. Pois bem! Negar este fato dogmático seria abalar os fundamentos do dogma da Infalibilidade definido neste Concílio.
   Outro fato dogmático: A tradução da Bíblia chamada Vulgata feita por São Jerônimo, é conforme substancialmente ao texto original.
   Observação: Digamos de passagem que este fato dogmático é de grandíssima importância porque vários papas elogiaram e aprovaram a Vulgata de São Jerônimo. Entre eles o Papa Bento XV, que na Encíclica "Spiritus Paraclitus" diz: "É por consenso unânime que se coloca na primeira linha desse escol (de numerosos exegetas tão notáveis pela santidade como pela ciência) São Jerônimo, em quem a Igreja Católica reconhece e venera o maior Doutor que o céu lhe deu para a interpretação das Santas Escrituras". São Pio X, condenou no seu Sílabo "Lamentabilis" a proposição modernista: "Os exegetas heterodoxos interpretam o verdadeiro sentido das Escrituras com mais fidelidade do que os exegetas católicos".
   O Papa Pio XII na Encíclica "Divino Afflante Spiritu" declara que a autoridade preeminente ou autenticidade da Vulgata vem da tradição; ou seja pelo uso legítimo que dela se fez na Igreja durante tantos séculos; "uso, diz Pio XII, que prova estar ela no sentido em que a entendeu e entende a Igreja, completamente isenta de erros no que toca à fé e aos costumes; de modo que, como a mesma Igreja atesta e confirma, se pode nas disputas, preleções e pregação alegar seguramente e sem perigo de errar".
   Pio XII é mal interpretado pelos modernistas quando diz: "Nem a autoridade da Vulgata em matéria de doutrina impede - antes nos nossos dias exige - que a mesma doutrina se prove e confirme, também com os textos originais, e que se recorra aos mesmos textos para encontrar e explicar cada vez melhor o verdadeiro sentido das Sagradas Escrituras".
   Nós sabemos que os modernistas e neomodernistas no Concílio Vaticano II e após ele, a exemplo do que fizeram com o "aggiornamento" querido pelo beato João XXIII, assim também fizeram com esta encíclica de Pio XII, ou seja, não procuraram guardar a doutrina no mesmo sentido, mas mudar a tradução e a exegese. Assim como há um verdadeiro progresso nos dogmas, há também um verdadeiro progresso na exegese. Mas o modernistas, olham o progresso das ciências e pregam a evolução dos dogmas. Pela constante evolução em nome da ciência, prejudicaram a Tradição da Igreja e as Sagradas Escrituras, que são justamente as fontes da Revelação, dos dogmas. Por isso, dizia São Pio X que os modernistas destruiriam a Igreja pelos fundamentos, se isso fosse possível. Já antes de São Pio X, o Concílio Vaticano I condenara todos aqueles que pregam a evolução dos dogmas em nome da ciência. Na Constituição Dogmática que trata da Fé e da Igreja, no capítulo IV que fala sobre a fé e a razão, cânon 2 diz: "Se alguém disser que as ciências humanas devem ser tratadas com tal liberdade que as suas conclusões, embora contrárias à doutrina revelada, possam se retidas como verdadeiras e não possam ser condenadas pela Igreja - seja excomungado". E no cânon 3 diz: "Se alguém disser que às vezes, conforme o progresso das ciências, se pode atribuir aos dogmas propostos pela Igreja um sentido diverso daquele que ensinou e ensina a Igreja - seja excomungado".
   No entanto, o Código de Direito Canônico (promulgado em 1983) assim reza no § 2º do cânon 825: "Com licença da Conferência Episcopal, os fiéis católicos podem preparar e editar em colaboração dos irmãos separados (= os protestantes) versões das Sagradas Escrituras, anotadas com as explicações convenientes".
   Logo após a criação da Administração Apostólica, passei a receber frequentemente coisas dos progressistas e entre elas "Campanhas para o dízimo". E, um dia mandaram-me de presente um Novo Testamento. Fui logo examinar o presente: "Timeo Danaos et dona ferentes". Abri o "Cavalo de Tróia, e lá estavam os inimigos". Assustei-me já com a primeira página onde se lê: "NOVO TESTAMENTO - Tradução Ecumênica". Na segunda folha está a RECOMENDAÇÃO, e nesta, entre outras coisas, se lê: "A Bíblia - Tradução Ecumênica baseia-se nos textos originais e reproduz fielmente o modelo da mundialmente reconhecida "Traduction Oecuménique de la Bible". Contém o texto integral do Antigo Testamento, com os livros deuterocanônicos ou apócrifos, e o do Novo Testamento, traduzidos, introduzidos e anotados por ampla equipe de estudiosos de diversas confissões cristãs e do judaísmo, representando a harmonia da unidade e o respeito da diversidade na leitura fiel do livro acolhido como Palavra de Deus. Recomendamo-la, portanto, aos leitores desejosos de aprofundar o conhecimento da Palavra de Deus, consignada na Bíblia, Escrituras Sagradas do Judaísmo e do Cristianismo, patrimônio da humanidade. A Edição da Bíblia - Tradução Ecumênica - mereceu o louvor das Instituições Ecumênicas de nosso País e a Aprovação da Presidência da CNBB, conforme o cânon 825 §§ 1 e 2."
               D. Luciano Mendes de Almeida
               Presidente da CNBB
               Arcebispo de Mariana

               Ylanco S. de Lima
               Bispo Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e Presidente do Conselho N. de I. Cristãs

Este Novo Testamento foi editado pelas Edições Paulinas e Edições Loyola em 1996.
D. Luciano Mendes de Almeida que o aprovou, era então o Presidente da CNBB.
Faleceu em 27 /  08 /  06.

Pois bem! Em seguida fui examinar a tradução e, como sempre faço, fui direito ao capítulo I, v. 28 do Evangelho de São Lucas. É a saudação do Arcanjo São Gabriel a Nossa Senhora. E neste Novo Testamento Ecumênico assim está traduzido: "Alegra-te, ó tu que tens o favor de Deus. O Senhor está contigo".
   Eu tinha dez bíblias protestantes. Foram protestantes que se converteram e entregaram-me suas bíblias e
dei-lhes a Bíblia Católica - a Vulgata de São Jerônimo. Fui lá conferir como era a tradução protestante; e verifiquei que, com pequenas variantes, a tradução é substancialmente igual a tradução ecumênica.
  Conferi na Vulgata do Padre Mato Soares, que recebeu o imprimatur em 1933 e a aprovação e elogios da Secretaria de Estado de Sua Santidade o Papa Pio XI. Documento este assinado pelo então Presidente da Secretaria de Estado, o cardeal Pacelli que foi o sucessor de Pio XI, o grande Pio XII. E lá está a tradução bem fiel a Vulgata Latina de São Jerônimo: "E, entrando onde ela estava, disse-lhe: Deus te salve, cheia de graça; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres". (S. Luc. I, 28).
   Vejam, caríssimos leitores, como são terríveis as conseqüências deste ecumenismo conciliar! Por exemplo: o Papa Pio IX na Encíclica "Ineffabilis Deus", baseado na Tradução da Vulgata de São Jerônimo,faz a  seguinte argumentação a favor da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria (nº 26): "Depois, quando os mesmos Padres e escritores eclesiásticos consideravam que, ao dar à beatíssima Virgem o anúncio da altíssima dignidade de Mãe de Deus, por ordem do próprio Deus, o anjo Gabriel lhe chamara - cheia de graça - ensinaram que com esta singular e solene saudação, até então nunca ouvida, se demonstrava que a Mãe de Deus era a sede de todas as graças de Deus, era exornada de todos os carismas do Espírito Divino; antes, era um tesouro quase infinito e um abismo inexaurível dos mesmos carismas; de modo que, ela não somente nunca esteve sujeita à maldição, mas foi também, juntamente com seu Filho, participante de perpétua bênção: digna de, por Isabel, movida pelo Espírito de Deus, ser dita: "Bendita és entre as mulheres e bendito o fruto de teu ventre". No nº 27 continua: "Destas interpretações se infere, clara e concorde, a opinião dos Padres da Igreja. A gloriosíssima Virgem, pela qual "grandes coisas fez Aquele que é poderoso", resplendeu de tal abundância de dons celestes, de tal plenitude de graça e de tal inocência que se tornou como que o milagre de Deus por excelência, ante a culminância de todos os seus milagres, e digna Mãe de Deus; de modo que, colocada, tanto quanto é possível a uma criatura, como a mais próxima de Deus, ela se tornou superior a todos os louvores dos homens e dos Anjos."
   Pio IX com a tradução ecumêncica, não teria como extrair tão belos argumentos a favor da Imaculada Conceição. O mais grave na tradução ecumêncica é que os protestantes fazem esta tradução justamente para deturpar o sentido original da palavra empregada por São Lucas, que escreveu inspirado pelo Espírito Santo. Escreveu em grego. E a palavra em grego é kecaritoméne. A tradução de São Jerônimo não podia ser mais exata: "gratia plena". Em português: "cheia de graça". A palavra original grega - kecaritoméne - significa PLENITUDE de alguma coisa. É realmente uma saudação, como diz o papa Pio IX, nunca ouvida. Só Nossa Senhora, foi a simples criatura humana que teve a plenitude da graça, ou seja, nunca lhe faltou a graça, e teve-a num grau máximo como nenhuma criatura humana por mais santa que fosse  poderia ter. Isto porque foi  predestinada pelo próprio Deus para ser a Sua Mãe. Sua digna Mãe. Deus empregou todo seu amor e todo seu poder para preparar a Sua Mãe.
   Agora podemos compreender mais facilmente como os "fatos dogmáticos" fazem parte o objeto da Infalibilidade. Mas alguém poderia perguntar: Mas também a Igreja não é infalível nas leis universais, como é o caso do Código de Direito Canônico? Respondo que sim, mas, nem sempre, como veremos, se Deus quiser, em algum post em breve.
   Num sermão que tive oportunidade de fazer numa paróquia vizinha, discordei desta tradução ecumênica da Bíblia. E, depois eu soube que um padre, meu colega não gostou. Aconteceu, porém, que poucos dias após, o Santo Padre, o Papa, Sua Santidade Bento XVI, na sua Encíclica "SPE SALVI", ele discorda da Tradução Ecumênica Alemã, e, como Sua Santidade fez questão de frisar, tradução esta ecumênica feita com a aprovação dos Bispos. A verdade é que nunca mais em lugar nenhum do mundo fui convidado para pregar. Mas tenho o meu querido Blog! Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Para sempre seja louvado!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

"UNIDOS EM DEFESA DA FÉ" ( V )

   Sua Excia. Revma. Sr. Dom Carlos Alberto Navarro, Bispo de Campos, nos convidou para mais uma reunião. A esta convocação do Sr. Bispo Diocesano fizemos algumas ponderações através de uma carta datada de 25 de janeiro de 1984. Eis a carta:

Exmo. e Revmo. Sr. Bispo de Campos
Dom Carlos Alberto Navarro

               Laudetur Jesus Christus!

   Vossa Excelência nos convoca para uma reunião reservada aos 25 Padres tradicionalistas da Diocese, inclusive os destituídos de seus cargos e privados do uso de ordens, e mesmo, os excluídos da Diocese por Vossa Excelência.
   Da Circular de convocação consta que a intenção expressa de V. Exa. é obter uma larga confraternização de todos os Padres da Diocese, de maneira a realizar-se a "Unidade tão desejada por Cristo em Sua Igreja".

   À convocação de Vossa Excelência devemos ponderar:

  I - Nós, os chamados 25 Padres tradicionalistas, realmente temos um mesmo pensamento: somos Padres da Igreja Católica de sempre e tomamos o símbolo desta Fé apostólica como critério único e imutável de nosso julgamento e procedimento (Cf. DS 1.500). Por isso, as acusações, em matéria de fé, lançadas contra alguns de nós, na realidade nos afetam a todos.

  II - Esta mesma solidariedade torna comuns as calúnias levantadas contra nosso procedimento. Assim, todos nos sentimos atingidos quando Vossa Excelência publicamente nos acusou de dilapidadores dos bens eclesiásticos. Igualmente, todos fomos afetados pelas difamações públicas com que V. Exa. nos capitulou como "ervas daninhas" e 'envenenadores do rebanho" de Cristo. A oposição de V. Exa. animou certo Juiz a tentar enquadrar, embora sem base, um de nossos Padres na Lei de Segurança Nacional (processo posteriormente arquivado pela Justiça Militar). Na ocasião, V. Exa. explorou o fato apontando-nos como avessos ao diálogo, fanáticos e subversivos.

   III - Tais atitudes persecutórias de V. Exa. obrigaram-nos à defesa pública, que fizemos, guardando todo o respeito à pessoa de V. Exa. Por outra parte, firmamos nossas posições em sólida base doutrinária, como se pode verificar em nossas publicações sobre "A Nova Missa: um caso de consciência", O Magistério sacerdotal em período extraordinário de grave crise, etc.
   Não podemos, pois, ser apontados como causa de desunião na Igreja, pois a união se faz com fundamento na Fé, sem a qual não há caridade.

   IV - Aliás, nós, por primeiro, procuramos o diálogo com V. Exa. e aceitamos outros que V. Exa. propôs: um, assessorado por Dom Romer; outro, por Dom Inácio Accioly, Mons. Tapajós e Dom Cirilo Gomes; sem contar o especial com o Exmo. Sr. Núncio Apostólico. No segundo desses encontros fomos destratados: Mons. Tapajós quis forçar-nos a assinar um documento cheio de inexatidões doutrinárias e contra nós mesmos.
   Aos nossos argumentos, jamais nos deram resposta satisfatória, de maneira que eles ainda se mantêm.

   V - Pelo Decreto de V. Exa. de 25 de agosto de 1982, o que V. Exa. nos quer impor é a aceitação do "Novus Ordo Missae". Não nos custa repetir, ainda uma vez, que, em consciência, não podemos aceitá-lo, porque ele extenua a profissão de fé nos dogmas eucarísticos, contra a lei geral que nos manda orar segundo a fé: "Lex credendi legem statuat suplicandi".

   Nestas condições, qualquer encontro com a finalidade de realizar a unidade eclesial - da qual jamais nos afastamos, pede:
    1. que, sem a menor censura ou constrangimento, possamos celebrar  sempre a SANTA MISSA, de acordo com o Ordo tradicional, chamado impropriamente de São Pio V.
   Achamos este ponto capital. Pois, como católicos apostólicos romanos, interessa-nos não somente o problema de Campos, mas também, e principalmente, o de toda a Santa Igreja. Toda a crise contemporânea procede da diminuição da Fé, que o Vaticano II e as inovações dele decorrentes, entre elas o Novo Ordo, introduziram no seio da Igreja.
   2. em conseqüência, que não sejamos impedidos de defender e propugnar a Fé, o que aconteceria se nos obrigassem a não censurar o novo "Ordo Missae", e a dele não afastar os fiéis.
   3. que sejam reparadas as injustiças e difamações de que fomos objeto.
   Os padres precisam aparecer diante do povo como realmente são: íntegros e puros na Fé, e não debaixo da suspeição de hereges, cismáticos ou rebeldes. Ademais, é contra a Moral a pessoa aprovar, cismáticos ou rebeldes. Ademais, é contra a Moral a pessoa aprovar, mesmo que apenas com seu procedimento, uma injustiça e, mais ainda, difamações que prejudiquem o cumprimento de seu dever.
   E aqui nos perguntamos sobre a viabilidade deste ponto, uma vez que V. Exa., ao mesmo tempo que nos convida para o diálogo, acaba de punir dois sacerdotes tradicionalistas incardinados na Diocese, retirando-lhes a jurisdição.
   4. Enfim, para se evitarem os inconvenientes das reuniões passadas, e assim não caminharmos rumo ao desconhecido, é necessário que V. Exa. nos mande por escrito quais as propostas concretas desta sua atual atitude.
  
   Fora destes contornos, parece-nos que um encontro, longe de contribuir para a unidade eclesial, só serviria para criar confusão.

   Certos de que V. Exa. levará na devida consideração estas nossas ponderações, com nossos melhores votos, subscrevemos-nos
                                       pelos 25 sacerdotes
                                  servo em N. S. Jesus Cristo,

                                                        _________________________
                                                               Mons. Licínio Rangel
Campos, 25 de janeiro de 1984.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

"UNIDOS EM DEFESA DA FÉ" ( IV )

  O novo bispo da Diocese de Campos, Sua Exa. Revma.. D. Carlos Alberto Navarro escreveu-nos uma carta datada de 22 de outubro de 1982 onde, de maneira irônica e capciosa, pede que nós mesmos apresentemos uma solução concreta para o impasse: ficar dentro da Igreja visível, discordando, porém, do Papa e do Bispo.
   Eis a nossa resposta:

Exmo. e Revmo. Sr.
Dom Carlos Alberto Navarro              
DD. Bispo Diocesano
                                                       Laudetur Jesus Christus!

   Apresentamos a V. Exa.  as homenagens que devemos a nosso Bispo Diocesano, e passamos a responder à questão que V. Exa, nos impôs na carta de 22 de outubro do corrente.
   A demora na resposta procede da dificuldade em entender a questão. Vossa Excelência pede-nos que apresentemos uma sugestão concreta que nos permita ficar dentro da Igreja visível, discordando, porém, do Papa e do nosso Bispo.

   1. Pedimos licença para lembrar que, na nossa resposta ao decreto de Vossa Excelência, manifestamos a dificuldade de atender ao seu primeiro ponto. Este nos impunha a explícita e pessoal aceitação de uma decisão do Santo Padre. No entanto, V. Exa. não nos indicava, de modo claro, qual seria essa decisão pontifícia e onde ela se acharia, e a nós não nos seria possível acatar uma decisão que não conhecíamos. Dizíamos, depois, que, devido às limitações apresentadas pelo novo Ordo Missae, na profissão de Fé nos dogmas eucarísticos, ele se tornava ambíguo e inaceitável.
   V. Exa., agora, também não diz quais as determinações do Papa, cuja recusa envolveria, de nossa parte, uma rejeição do próprio Romano Pontífice como tal, e, em conseqüência, de V. Exa. como nosso Bispo Diocesano. De maneira que não vemos a procedência da questão que V. Exa. nos impôs.
   Permita-nos V. Exa. observar que a questão, no caso, seria propriamente outra, a saber: Como poderia um fiel, sacerdote ou leigo, conservar-se dentro da unidade visível da Igreja, aceitando um Ordo Missae reconhecidamente ambíguo, que não distingue nitidamente a liturgia católica da liturgia, por exemplo, luterana? Como poderia mostrar-se ele ao mundo, como fiel católico, admitindo um culto que serviria também para a liturgia de uma seita herética?
   Em outras palavras: que entende V. Exa. por pertencer à Igreja visível? Será que não pertenciam à unidade visível da Igreja de Cristo os que não seguiram Honório I ao mandar silenciar as duas vontades em Jesus Cristo? Será que estavam fora da unidade visível da Igreja os Santos que discordaram de Pascoal II e a ele se opuseram, na questão das investiduras?
   Esperamos ter dado a V. Exa., com respeito e franqueza, a possível resposta à questão que V. Exa. nos impôs. Pedimos, novamente, excusas pela demora em responder, à vista da, como dissemos, dificuldade de entender a questão proposta.

  2. Esta resposta é redigida quando V. Exa. já iniciou a aplicação das penas cominadas contra os padres fiéis à Missa Tradicional. Realmente, V. Exa. acaba de despedir da Diocese os Revmos. Pes. Edmundo Gutierres Delgado, Vigário de Cambuci, e José Olavo Pires Trindade, Vigário de Miracema.
   V. Exa. declara que essa ordem de se retirar da Diocese não é punição. Acreditamos que assim o diga para minorar - se é que minora - o impacto de uma expulsão, que é a que se reduz a brusca dispensa do ministério e o reencaminhamento às dioceses onde eles estão encardinados.
   Não podemos deixar de dar aos nossos colegas o conforto de nossa solidariedade. Eles, já há dez anos, aqui exercem seu zelo pela salvação das almas. E são agora postos na rua, sem o menor reconhecimento pelo trabalho apostólico abnegado e freqüentemente heróico em benefício de paróquias desta Diocese.
   Merecem nossa especial solidariedade porque são assim punidos em virtude de se manterem fiéis à Missa tradicional católica, sem ambigüidades nem extenuações na Fé. De fato, essa foi a razão invocada por V. Exa. quando cominou as penas que agora, com grande rigor, passa a aplicar.
   Acresce que, por ironia dos tempos, estamos na época em que o episcopado, através da CNBB, se proclama a defensora dos direitos dos posseiros contra os proprietários legais de terras. Seria injurioso equiparar nossos caríssimos colegas a posseiros invasores. Acreditamos, por isso mesmo, que não se lhes pode negar o direito adquirido, em 10 profícuos anos de trabalho, de continuar aqui seu apostolado, tanto mais quanto se timbra em afirmar que o bilhete de "retire-se" não é uma punição!
   Sr. Bispo, não seríamos leais a V. Exa. se não externássemos estes sentimentos que em nós desperta o golpe que atingiu nossos colegas no apostolado e na defesa da integridade de nossa Fé. E não estaríamos bem com nossa consciência se assistíssemos impassíveis aos sofrimentos a que são injustamente submetidos por sua fidelidade aos Santo Sacrifício da Missa.

   Apresentamos a Vossa Excelência as nossas orações.
Campos, 10 de novembro de 1982.

Seguem-se as assinaturas dos padres.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

"UNIDOS EM DEFESA DA FÉ" ( III )

NOSSA  POSIÇÃO

AOS FIÉIS DE NOSSAS PARÓQUIAS

   Nossos paroquianos e inúmeros outros fiéis olham para nós com ansiosa expectativa. Que resposta demos à intimação feita pelo Sr. Bispo Diocesano através do Decreto de 25 de agosto do corrente? Aceitamos ou não o novo "Ordo Missae".
   Neste momento crucial, em que se suspeita da ortodoxia de nossa fé e se põe em dúvida nosso acatamento à autoridade sagrada do Papa; em que somos ameaçados de demissão de nossos cargos e de outras severas penas, mais do que em nenhum outro momento de nossa vida, não poderíamos omitir uma palavra de esclarecimento para aqueles que sempre confiaram em nós.
   Nosso silêncio causaria grave escândalo aos fiéis, diante dos quais temos o dever de dissipar qualquer dúvida sobre a coerência de nosso procedimento com a Fé Católica.
   É, pois, diante de Deus, Juiz supremo que um dia nos vai julgar a todos nós, que fazemos esta declaração. Temos presentes as conseqüências que nos possam advir da parte dos homens, mas tememos muito mais as que nos adviriam da parte de Deus.

   I - Somos sacerdotes católicos apostólicos romanos, filhos da Santa Igreja, que amamos com todas as veras de nossa alma e em cujo seio queremos viver e morrer, como esperamos pela graça de Deus.
    Renovamos, pois, nossa profissão de Fé, já conhecida de nossos fiéis. Mais particularmente, declaramos que damos plena e amorosa adesão e obediência ao Santo Padre, o Papa, Vigário de Jesus Cristo na Terra, Chefe visível da Igreja. Aceitamos todos os direitos e atribuições, honras e privilégios que ao Romano Pontífice conferem a Tradição e o Direito Canônico, dentro dos limites especificados no Concílio Vaticano I, ao definir o dogma da Infalibilidade Pontifícia. Reconhecemos o primado e o magistério do Papa sobre a Igreja Universal, Pastores e fiéis. Baseados, no entanto, na Tradição, não temos dúvida em afirmar que uma medida que ponha em risco a pureza e a integridade da Fé não deve ser aceita, seja qual for o Superior que a ordene.
   É esta doutrina da Igreja que nos leva a, em consciência, não poder aceitar e pôr em prática a nova ordenação da Santa Missa, instaurada em 1969.
    Toda obediência na Igreja está condicionada à fidelidade à Fé. Ora, nessa nova ordenação do Santo Sacrifício do Altar, extenuam-se e obscurecem-se os dogmas eucarísticos: da Presença Real e substancial de Jesus Cristo na Hóstia Consagrada; da Transubstanciação; da Missa como verdadeiro sacrifício propiciatório; do sacerdócio hierárquico especificamente distinto do sacerdócio comum dos fiéis. E no nº 7 da "Institutio", que precede e explica o novo Missal reformado, chega a afirmar, contrariamente ao ensino do Concílio de Trento e de acordo com a doutrina luterana, que a ação sacrifical é de toda a assembléia, e não exclusivamente do sacerdote hierárquico.

   Santo Tomás de Aquino: "(...) havendo perigo próximo para a Fé, os prelados devem ser argüídos, até mesmo publicamente, pelos súditos. Assim, S. Paulo, que era súdito de S. Pedro, argüiu-o publicamente, em razão de um perigo iminente de escândalo em matéria de Fé" (Suma Teol. II-II, 33, 4, 2)

   São Roberto Belarmino: "(...) assim como é lícito resistir ao Pontífice que agride o corpo, assim também é lícito resistir ao que agride as almas, ou que perturba a ordem civil, ou, sobretudo, àquele que tentasse destruir a Igreja. Digo que é lícito resistir-lhe não fazendo o que ordena e impedindo a execução de sua vontade..." (De Rom. Pont.. lib. II c. 29)

   II - Nossa recusa é motivada, portanto, justamente pela obediência aos ensinamentos perenes da Santa Igreja.
         Será justo nos apontarem como rebeldes, desobedientes, cismáticos, se, ao nos dirigirmos aos nossos superiores, usamos as mesmas palavras de S. Bruno de Segni ao Papa Pascoal II: "Eu vos estimo como a meu Pai e senhor (...) Devo amar-vos; porém devo amar mais ainda Aquele que criou a vós e a mim."
   Esta atitude não é perfeitamente coerente com o ensinamento de S. Pedro: "Importa obedecer antes a Deus que aos homens"? (Atos 5,29)
   A resistência é uma forma heróica de obediência. Repitamos com São Bernardo: "Aquele que faz um mal porque lhe mandam, faz menos um ato de obediência do que de rebeldia". (Carta XXIII, em "Cartas Diversas")

   III - Nossa posição, por outro lado, se ajusta ao propósito explícito do Concílio Vaticano II, quando declara, na Constituição sobre a Sagrada Liturgia (Proêmio, nº 4), que: "obedecendo fielmente à Tradição, a Santa Mãe Igreja considera todos os ritos legitimamente reconhecidos com igual direito e honra e, para o futuro, os quer defender e, de todos os modos, favorecer." (grifos nossos)

   Afirmamos, outrossim, que nossa atitude é patrocinada pelo mesmo Concílio Vaticano II, ao estabelecer que, em matéria religiosa, ninguém pode ser impedido por nenhum poder humano de agir segundo a sua consciência, em privado ou em público, só ou associado a outros, desde que se respeitem os direitos alheios segundo a justiça e a benevolência. (Decl. sobre a Liberdade Religiosa, nn. 2 e 7)

   Concluímos dirigindo uma súplica filial e confiante à Virgem Santíssima, Mãe do Sumo Sacerdote e nossa Mãe, para que nos obtenha de Seu Divino Filho a graça de permanecermos fiéis, até à morte, à Missa Católica.

   SUB TUUM PRAESIDIUM CONFUGIMUS, SANCTA DEI GENITRIX.
   DEBAIXO DA VOSSA PROTEÇÃO NOS REFUGIAMOS, Ó SANTA MÃE DE DEUS.

                                             Campos, 26 de setembro de 1982.

     Seguem-se as assinaturas dos 25 padres que eram: Mons. Licínio Rangel; Mons. Dr. Benigno de Britto Costa;
Mons. Francisco Apoliano; Mons. Ovídio Simón; Mons. Henrique Conrado Fischer; Pe. Emanuel José Possidente;
Pe. Fernando Arêas Rifan; Pe. José M. F. Collaço; Pe. Edmundo G. Delgado; Pe. José Moacir Pessanha; Pe. Eduardo Athayde; Pe. Antônio Alves de Siqueira; Pe. Gervásio Gobato; Pe. José Olavo Pires Trindade; Pe. Elcio Murucci; Pe. David Francisquini; Pe. Antônio Paula da Silva; Pe. José Eduardo Pereira; Pe. José Gualandi; Pe. José Ronaldo Menezes; Pe. Alfredo Oelkers; Pe. José Onofre Martins de Abreu; Pe. Alfredo Gualandi.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

"UNIDOS EM DEFESA DA FÉ" ( II )

   Vimos no post anterior que o novo Bispo de Campos, Sua Excia Revma Dom Carlos Alberto Etchandy G. Navarro fez um DECRETO  preceituando que déssemos a resposta por escrito até o dia 25 de setembro. Além da resposta individual, os 25 padres fiéis à Tradição deram uma resposta em conjunto. Eis a carta:

   Exmo. e Revmo Sr.
   Dom Carlos Alberto Etchandy Gimeno Navarro
   DD. Bispo Diocesano

                                                         Laudetur Jesus Christus!

   Em atenção à ordem constante do decreto que Vossa Excelência nos entregou e fez publicar nos jornais de Campos, em 25 de agosto p. p., cabe-nos, respeitosamente, dar a seguinte resposta, que envolve considerações de ordem jurídica e teológica.
   I - Quanto ao aspecto jurídico:
        1. Vossa Excelência não especifica precisamente qual a "decisão do Santo Padre" que devemos acatar, nem nos indica o documento em que o mesmo Santo Padre no-la impõe.
            Nestas condições, torna-se difícil uma resposta precisa, porque não podemos dizer que acatamos, se não sabemos com clareza o que devemos acatar.
        2. Entre os documentos emanados da Santa Sé, não se encontra nem um que exclua formalmente dos livros litúrgicos aprovados o Missal chamado de São Pio V. Quanto a cláusula com que, segundo Vossa Excelência, Paulo VI teria promulgado o Missal Romano restaurado, se ela de fato afirma a validade e eficácia daquilo que estabelece e ordena, de modo algum revoga qualquer Missal preexistente. Em outras palavras, tal cláusula derroga a Bula "Quo primum" apenas enquanto esta obrigava, de maneira exclusiva, o Missal Tridentino.

   II - Quanto ao aspecto teológico, em consciência declaramos:
        1. Somos sacerdotes Católicos Apostólicos Romanos, filhos da Santa Igreja, que amamos com todas as veras de nossa alma e em cujo seio queremos viver e morrer, como esperamos pela graça de Deus.
        2. Como católicos e filhos da Santa Igreja, damos plena e amorosa adesão e obediência ao Santo Padre, Vigário de Jesus Cristo na terra, Chefe visível da Igreja, segundo as determinações constantes do Cap. 4º da Ses. IV do Concílio Vaticano I, que definiu a Infalibilidade Pontifícia (Cf. Denz.-Sch. 3070). Pio IX precisou as delimitações ou contornos do poder papal mais acuradamente, ao aprovar a carta dos Bispos alemães à circular do chanceler Bismark (Denz.-Sch. 3212-3117).
            Aceitamos, pois, todos os direitos e atribuições, honras e privilégios que ao Romano Pontífice conferem a Tradição e o Direito Canônico.
         3. De acordo com essa mesma doutrina católica tradicional, toda obediência na Igreja está condicionada à fidelidade à Fé. A Igreja é uma sociedade constituída para manter a integridade e pureza da Fé transmitida pelos Apóstolos. Ora, esta Fé é que nos impede de poder, em consciência, aceitar a imposição que Vossa Excelência nos faz, no sentido de admitir e pôr em prática o novo "Ordo Missae", uma vez que nele se extenuam os dogmas eucarísticos e há mesmo ensinamento contrário ao depósito revelado no nº 7 da "Institutio Generalis Missalis Romani". De fato, por esse nº 7, contrariamente ao ensino do Concílio de Trento (Ses. XXII. c. 1; Ses. XXIII. c. 1), e de acordo com a doutrina luterana, a ação sacrifical é de toda a assembléia, e não exclusivamente do sacerdote hierárquico.
          4. Se aceitássemos - como gostaríamos, por deferência a Vossa Excelência - a imposição que nos faz, nós nos estaríamos, ipso facto, excluíndo da fé e da mesma Igreja.
          5.  Nos casos em que pode haver perigo para a Fé, os súditos têm o direito, e até o dever, de resistir. (Cf. Inocêncio III, apud Billot, Tract. de Eccl. Christi, Tom. I, pp. 618-619; S. Tomás de Aquino, Summa Theol. II-II, 33, 4, 2 - Ad Gal. 2, 11-14, lect. III, nn. 77, 83-84; - S. Roberto Belarmino, De Rom. Pont., lib. II, c. 29).

   III - Observamos
                              a) que nossa atitude coincide com deliberações do Concílio Vaticano II, segundo as quais nenhum poder humano pode impedir alguém de, em matéria religiosa, agir de acordo com sua consciência (D. Hum. nº 2), desde que mantenha convivência pacífica com os demais cidadãos.
                               b) que nossa posição também se ajusta ao propósito explícito do Concílio Vaticano II, onde este declara que, "atendendo fielmente a Tradição, a Igreja atribui igual direito e honra a todos os ritos legitimamente reconhecidos e quer que no futuro se conservem e fomentem (grifos nossos), por todos os meios." (Sac. Conc., Proem. n. 4).

   IV - Aos que nos acusam de estarmos pondo em dúvida a ortodoxia de "Paulo VI, de João Paulo I e de João Paulo II que adotaram o novo "Ordo Missae", fazemos as seguintes ponderações:
                             O Concílio de Trento lançou anátema contra quem condenasse o rito, que manda dizer em voz baixa as palavras da Consagração na Missa; o novo "Ordo" manda que, em virtude da própria natureza das palavras (Rub. 91; Institutio, nn. 10 e 12), a prece eucarística - portanto também as palavras da Consagração - sejam ditas em voz alta. A aceitação desta segunda proposição envolve a rejeição da primeira, onde haveria, aliás, erro palmar, por estabelecer um rito contrário à própria natureza das palavras a serem pronunciadas! Diriam nossos opositores que quantos aceitam o novo "Ordo Missae" põem em dúvida a ortodoxia de Pio IV, que aprovou o Concílio de Trento, e de seus sucessores até Paulo VI?
                              Queremos notificar, outrossim, que já respondemos a carta de S. Exa. D. Giuseppe Casoria, DD. Pró-Prefeito da Sagrada Congregação dos Sacramentos e do Culto Divino, que V. Exa. nos entregou.
                               Ao enviar esta resposta, renovamos a expressão de nossos respeitos devidos a V. Exa., e apresentamos as nossas orações.
                               De Vossa Excelência Reverendíssima
                                   devotíssimos no Senhor
Campos, 24 de setembro de 1982.

         Seguem-se as assinaturas dos 25 padres fiéis à Tradição



"UNIDOS EM DEFESA DA FÉ" ( I )

   Faz hoje 30 anos que Sua Excia. Revma. D. Carlos Alberto Etchandy Gimeno Navarro tomou posse da Diocese de Campos em lugar de Sua Excelência Reverendíssima Dom Antônio de Castro Mayer.
   Em agosto de 1982 o novo Bispo mostrava bem para o que veio: "Ecce venio ut...!" Eis o  seu decreto:

D E C R E T O
1) A todos e a cada um dos sacerdotes incardinados ou com uso de ordens nesta Diocese de Campos se preceitua:
             a) responder-nos, por escrito, individualmente, até 25 de setembro, se aceita, como esperamos, a decisão do Santo Padre;

             b) a partir do dia 25 de outubro de 1982, o uso EXCLUSIVO dos Livros Litúrgicos aprovados pela Sé Apostólica, e em vigor na Igreja Latina, fazendo-se especial menção da Constituição Apostólica do Santo Padre Paulo VI, de três de abril de 1969, que promulga o Missal Romano restaurado, com a cláusula: "Tudo o que aqui estabelecemos e ordenamos, queremos que seja válido e eficaz agora e no futuro, não obstante qualquer coisa em contrário nas Constituições e Ordenações Apostólicas de Nossos Predecessores e outros estatutos, embora dignos de menção e derrogação especiais";

             c) Se algum presbítero ousar desobedecer a quanto se prescreve neste Decreto, o que esperamos não aconteça, fica desde já canonicamente advertido de que seremos obrigados a dar cumprimento aos Sagrados Cânones, com especial menção dos cc. 2331 §§ 1 e 2  e/ou 2337 §§ 1 e 2, dentro das normas do direito em vigor.

             Este Decreto entra em vigor a partir da data de sua comunicação ao Clero, inclusive para aqueles que se recusarem a recebê-lo, do que o Revmo Chanceler fará fé pública.

            Dado e passado nesta Episcopal cidade de Campos, sob nosso selo e armas, no dia 25 de agosto de 1982, memória de São Luís de França.

Dom Carlos Alberto Etchandy Gimeno Navarro
Bispo Diocesano

Padre Joaquim Ferreira Sobrinho
Chanceler do Bispado


   
D. Fernado Arêas Rifan, DD. Bispo e Administrador Apostólico, numa reunião feita a alguns Congregados Marianos da minha Paróquia, disse que D. Navarro quis jogar a Missa de Paulo VI goela abaixo, mas que não é assim que se faz.  Na verdade só Deus é que pode julgar a culpa de cada um. E esperamos que Deus teve misericórdia de D. Navarro. Afinal é a formação que ele recebeu. Estava obedecendo ao Papa. E sobretudo, ainda um Papa não havia declarado depois do Vaticano II que a Missa chamada de S. Pio V nunca fora abrogada. Este mérito tão glorioso só veio a ser creditado ao nosso queridíssimo Papa gloriosamente reinante Bento XVI.
  Caríssimos e amados leitores, em seguida, se Deus quiser, postarei a resposta dos então 25 padres tradicionalistas de Campos, resposta a este decreto e logo depois o esclarecimento da NOSSA POSIÇÃO, aos fiéis de nossas Paróquias.

  


sábado, 12 de novembro de 2011

LICEIDADE E CONVENIÊNCIA

   Dirão os protestantes: O culto das imagens não consta absolutamente da Bíblia, por isto não o aceitamos. No Antigo Testamente não há nenhum vetígio desse culto. Os querubins, de que fala a Bíblia, eram para ADORNO  do templo, não para ser cultuados. A serpente de bronze serviu para curar os que estavam feridos pelas serpentes (Números XXI, 8 e 9). Mas quando os filhos de Israel começaram a queimar incenso diante dela, o rei Ezequias a fez em pedaços. E a Bíblia o louva por causa disto: "Ele fez o que era bom na presença do Senhor" (2 Reis, XVIII, 3 e 4). E no Novo Testamento não consta absolutamente, nem que Jesus, nem que os Apóstolos, nem que nenhum cristão mandasse fazer imagens ou a elas prestasse culto. Logo, o culto das imagens desagrada a Deus.
   RESPOSTA: Caros amigos: Uma coisa é não se fazer um ato porque é pecado, porque desagrada a Deus. E outra coisa muito diferente é não se fazer um ato porque EM DETERMINADAS CIRCUNSTÂNCIAS NÃO É PRUDENTE, NEM CONVENIENTE e pode tornar-se uma ocasião para o pecado.
   É preciso ver a situação em que estava o mundo DURANTE TODO O TEMPO ANTES DE CRISTO. Todas as nações estavam mergulhadas na idolatria, adorando estátuas de deuses falsos, como se fossem o verdadeiro Deus, e apenas um pequenino povo adorava o Deus Único, Invisível e Eterno.
   Este pequeno povo, que era o povo hebreu, estava completamente cercado de nações idólatras e além disto tinha uma inclinação tremenda para a idolatria. Basta dizer que, depois de ter Deus manifestado tão estrondosamente a sua glória no monte Sinai, o povo, vendo que Moisés tardava de descer do monte, se ajuntou contra Arão e disse: Levanta-te, faze-nos DEUSES que vão adiante de nós, porque não sabemos o que aconteceu a Moisés (Êxodo XXXII, 1). E feito o bezerro de ouro, exclamava: "Estes são, ó Israel, os TEUS DEUSES  que tiraram da terra do Egito"(Êxodo XXXII, 4). Teríamos dificuldade em acreditar nisso, se não fosse a Bíblia que o estivesse dizendo.
   Basta ler qualquer parte do Antigo Testamento, para ver a facilidade com que o povo caia na idolatria, à qual não escapou, apesar de sua imensa sabedoria, o próprio rei Salomão, que inclusive escreveu livros da Bíblia Sagrada.
   Pois bem, nestas circunstâncias, nesta situação tão delicada, Deus tinha um cuidado todo especial em evitar qualquer coisa que, mesmo de longe, pudesse dar ocasião a que os judeus se entregassem àquele culto dos ídolos, a que eram tão fortemente inclinados. Por isto tinha que privar a este povo e, se assim se pode dizer, privar-se a si mesmo de coisas que eram LÍCITAS, que eram JUSTÍSSIMAS, que eram SANTAS, para evitar o perigo da idolatria. 
   Só vou dar um exemplo: Deus, quando se revelou no monte Horeb, podia ter-se manifestado sob uma forma sensível, sob a aparência de alguma coisa material? Sim, podia. Tanto podia, que se encarnou em Jesus Cristo homem e viveu aqui na terra trinta e três anos. Tanto podia, que o Espírito Santo apareceu em forma sensível, na figura ou semelhança de uma POMBA (S. Lucas, III, 22). 
   Entretanto Deus, ao revelar-se no monte Horeb não tomou nenhuma forma sensível para se manifestar e, se assim procedeu, não foi porque isto fosse ilícito, mas para evitar aos judeus o perigo da idolatria. É a própria Bíblia que dá esta explicação: "Vós não vistes figura no dia em que o Senhor vos falou em Horeb do meio do fogo, por não suceder que enganados façais para vós alguma imagem de escultura ou alguma figura de homem ou de mulher, nem semelhança de qualquer animal que há sobre a terra ou das aves que voam debaixo do céu, ou dos répteis que se movem na terra ou dos peixes que debaixo da terra moram nas águas; não seja que, levantando os olhos ao céu, vejas o sol e a lua e todos os astros do céu, e, caindo no erro, adores e dês culto a essas coisas, que o Senhor teu Deus criou para serviço de todas as gentes que vivem debaixo do céu". (Deuteronômio, IV, 15 a 19). 
   Hoje é muito comum colocar-se na rua as estátuas dos grandes homens, dos grandes heróis da nossa Pátria e, em certos e determinados dias, prestar-se uma homenagem à memória destes homens, cobrir de flores as suas estátuas, fazer-se discursos etc. Isto é muito lícito e muito natural e nestas manifestações públicas feitas a um homem perante a sua estátua, o que é o mesmo que dizer, perante a sua imagem, tomam parte também os próprios protestantes, como cidadãos e patriotas que são, porque sabem muito bem que nisto não há nada de mais, que aí não há nenhuma idolatria. Talvez haja fanáticos que não o façam, mas isto é outra questão. 
   Pois bem, esta mesma cena realizada outrora no seio do povo judaico, seria completamente inconcebível. Terem os judeus, nas praças públicas, estátuas de Abraão, de Isaque, de Jacó, de Moisés e prestar-lhes homenagens, cobri-las de flores - não se consentiria de forma alguma. Por que? Por que era ilícito? Se é lícito hoje, também o podia ser naquele tempo. Isto não se consentiria, porque seria uma grandíssima imprudência; o povo não estaria em condições de bem compreender o sentido de tais homenagens e aquilo fatalmente iria dar numa indébita adoração à criatura, pecado este de que o mundo estava cheio naquela época. 
   Por isto se explica muito bem o fato de não ter havido entre os judeus nem o culto dos santos, nem o culto das imagens. O povo não tinha capacidade para distinguir entre uma simples veneração e a adoração propriamente dita. Lemos na Epístola de S. Judas Tadeu, versículo 9, que o Arcanjo Miguel contendeu com o diabo e disputou a respeito do corpo de Moisés. Segundo os intérpretes, o diabo certamente queria levar o povo a idolatria, porque Moisés foi um homem super extraordinário, e o povo com aquela terrível inclinação para a idolatria, poderia acabar adorando seus restos mortais. Hoje, veneramos com muito respeito e carinho os túmulos de nossos entes queridos e, graças a Deus, não há mais o mínimo perigo de idolatria.
   Foi natural, portanto o gesto do rei Ezequias, ao fazer em pedaços a serpente de bronze. Mas, se os judeus soubessem que aquela serpente de metal era figura do Messias, Jesus Cristo Salvador Nosso, pendente da haste da cruz e queimassem incenso e se curvassem diante dela exclusivamente com o pensamento de homenagear, através de seu símbolo, Aquele que havia de morrer por nós para nos salvar da mordida da serpente infernal, ou seja do pecado, assim como a serpente de bronze curara a muitos de seus ferimentos, Deus não se incomodaria com isto, porque Ele só podia achar justa, santa e razoável uma homenagem prestada a seu Divino Filho.
   Mas não era, nem podia ser com este pensamento que os judeus queimavam o seu incenso; aquilo, se já não era idolatria, estava arriscado a sê-lo. Por isto foi preciso fazer desaparecer a serpente de metal. Vejam bem que foi o próprio Deus que mandou fazer aquela serpente de metal, mas para ser venerada e não adorada como se a cura viesse diretamente daquela imagem ou semelhança de serpente e não de Deus através dela, que como o próprio Jesus vai dizer mais tarde, O simbolizava suspenso na Cruz. Assim veneramos as imagens não pelo que elas são em si, mas pelo que elas representam. E Deus também faz milagres, através das imagens, como aconteceu e acontece em quase todo o mundo. No Brasil temos a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Quantos e quantos milagres! Alíás desde a pesca milagrosa após o seu encontro nas águas do rio Paraíba. A nossa veneração não pára na imagem, dirige-se a Nossa Senhora, Mãe de Jesus e que está viva no céu. E mesmo assim, não adoramos a Nossa Senhora; adoramos a Nosso Senhor Jesus Cristo porque Ele é Deus, igual ao Pai e ao Espírito Santo. A Nossa Senhora, justamente por ser a Mãe de Deus, nós a veneramos e acima dos demais santos. Isto se chama CULTO DE HIPERDULIA.
   Para teminar quero fazer mais uma observação: Não foi num dia que o paganismo idólatra deixou de dominar o mundo. A substituição do paganismo  pelo Cristianismo foi-se processando progressivamente no decorrer de alguns séculos. E no tempo em que viviam os Apóstolos a situação era praticamente a mesma que tinha existido antes de Cristo: o mundo ainda estava mergulhado na idolatria. Se aparecessem os Apóstolos mandando fazer imagens de Jesus Cristo e reverenciá-las, seria a maior das imprudências: uma vez que, como explicamos, este culto não é necessário para a salvação, mas apenas um método, um meio para instruir, para excitar à devoção, a imagem naqueles tempos seria totalmente contraproducente. Não só causaria repugnância aos judeus, mas iria fazer uma confusão tremenda na cabeça dos pagãos, os quais não lhe saberiam compreender o verdadeiro sentido e pensariam que, à semelhança deles, os cristãos também tinham seus ídolos.
   Vamos provar, se Deus quiser, na próxima postagem que o uso das imagens foi aparecendo aos poucos através dos séculos da era cristã.
    
  

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Êxodo XX, 5: legítima interpretação

   Caríssimos e amados leitores, vejamos agora o versículo 5º: "Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque Eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem".
   Já que o versículo 3º se refere aos deuses estrangeiros: "Não terás outros deuses diante de mim".
   Já que o versículo 4º: "Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra", como já provamos, se refere a imagens de escultura ou figuras destes mesmos deuses estrangeiros ( ou seja: os deuses falsos dos outros povos que eram pagãos idólatras) conclui-se claramente que a proibição de prestar culto, que lemos no versículo 5º se refere a imagens ou figuras destes mesmos deuses pagãos. Bastam os pronomes A ELAS e NEM AS (que sublinhamos no texto) para nos mostrar que é àquelas imagens de que fala o versículo anterior que é proibido prestar culto. No versículo anterior, Deus proibiu FAZER tais ídolos. Mas podia acontecer que os judeus, nas suas viagens ou recebendo visitas de gente de outros povos, se deparassem com tais ídolos que eles, judeus, não tinham fabricado, mas que foram feitos pelos outros. Ou podia acontecer que alguém, mesmo no seio do povo israelita, teimasse em fazer tais ídolos. Neste caso era preciso que soubessem os judeus que também lhes estava proibido, tanto adorá-los, como o prestar-lhes qualquer culto.
   E a prova de que Deus se refere a estes ídolos, a estas representações de deuses falsos, está na razão que Deus lhes apresenta: "Não te encurvarás a elas nem as servirás PORQUE EU SOU O SENHOR TEU DEUS". O que mostra muito bem que, sendo Ele o único Deus dos israelitas, não quer entrar em pé de igualdade com DEUSES ESTRANGEIROS, nem quer ser substituídos por eles.
   Os protestantes provariam que aí Deus está proibindo aos católicos fazer imagens de Jesus Cristo, de Maria Santíssima e dos anjos e santos e reverenciá-las, se conseguissem provar que estas imagens, venerandas e sagradas pelas pessoas que representam, são imagens daqueles DEUSES ESTRANGEIROS, que eram pura invenção do demônio, para afastar os homens do culto do Deus verdadeiro, culto este que nós, católicos, Lhe prestamos, reconhecendo o Seu supremo domínio sobre todas as coisas e reservando a Ele, só a Ele, o culto de LATRIA, ou seja, de verdadeira adoração. Nós não substituímos o culto de Deus pelo de outros deuses, nem pelo de nenhuma criatura.
   Diante, portanto, da legítima interpretação do texto, não há aí nenhuma proibição do culto das imagens, tal como é compreendido e praticado pela Igreja que Cristo fundou, ou seja, a Igreja Católica.

   A interpretação protestante.
   Analisemos agora a interpretação que os protestantes dão ao texto.
   Não é a interpretação verdadeira; mas ainda mesmo que o fosse, a proibição contida neste texto do ANTIGO TESTAMENTO não nos atingiria, assim como eles também não se sentem atingidos por ela. É o que iremos provar.
   Os protestantes separam completamente os dois versículos: para eles o 3º versículo é uma ordem; e o versículo 4º é outra ordem que nada tem que ver com o versículo anterior.
   Aqui o homem menos instruído logo se atrapalha com o sentido da palavra IMAGEM; e desta confusão se aproveita o protestante.
   Hoje, quando falamos em IMAGEM, logo nos lembramos das imagens sagradas, que vemos nas igrejas católicas. Era justamente o que não existia naquele tempo. Não havia imagem de Jesus Cristo, nem da Virgem Maria, nem de São Pedro ou de Santo Antônio ou de São Francisco etc., etc., por uma razão muito simples: é porque nem Jesus como homem, nem Maria Virgem, nem nenhum desses santos existia ainda. Havia, sim, os anjos, DOS QUAIS, como vimos, DEUS MESMO MANDOU FAZER IMAGENS.
   Imagens aí no texto se toma no sentido geral: representação de um ser, mostrando-lhe a semelhança. Uma imagem de escultura é, por exemplo, a estátua de um homem (quando trabalhei em Campos e discutia com algum protestante, eu dava o exemplo da estátua do Pastor Barreto que se vê em frente do Colégio Batista), um animal qualquer: um cachoro, um elefante; um carneiro feito de gesso ou de madeira ou de prata ou de ouro etc.
   Desde que acha o protestante que também para nós está proibido fazer qualquer imagem de escultura, então estão proibidas todas as estátuas. São condenadas pela lei de Deus... É preciso acabar com elas... São proibidos todos os animais feitos por escultura. Entrando numa casa, onde encontra na sala um gato ou um leão ou um cavalo ou um boi fabricado em gesso ou em madeira ou em metal, o "evangélico" deve protestar indignado, porque toda imagem de escultura é proibida por Deus. Tem que acabar, portanto, a profissão de ESCULTOR,  como sendo uma profissão de homens rebeldes e pecadores, que vivem fazendo justamente aquilo que Deus proíbe no seu mandamento.
   Mas não são somente os escultores que entram na dança; entram também todos os PINTORES, DESENHISTAS, GRAVADORES E FOTÓGRAFOS, porque o texto não proíbe somente qualquer imagem de escultura, mas proíbe qualquer FIGURA, SEMELHANÇA, seja de criaturas humanas, seja de astros, seja de animais ou de plantas, seja lá do que for, pois continua assim NEM ALGUMA   SEMELHANÇA  do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas.
   Entrando no atelier de um pintor e encontrando-o a pintar uma figura humana, o protestante terá que protestar: É proibido: Êxodo cap. 20, versículo 4; não podes fazer isto.
   E se o pobre pintor disser: Ao menos, deixe-me pintar um peixe ou outro animal qualquer, uma planta, ao menos uma flor. - Não! está na Bíblia, nada disto é permitido. Não se pode fazer a figura de coisa alguma: nada do que há em baixo na terra, nada do que há nas águas.
   Os livros ilustrados, bem como as fotografias, as gravuras, os desenhos que aparecem nas revistas ou jornais, bons ou maus, todos são proibidos.
   Ora, esta interpretação é evidentemente absurda. Não foi assim; Deus só proibiu fazer figuras de DEUSES ESTRANGEIROS, fosse qual fosse a forma sob a qual se apresentassem.
   E mesmo que se quisesse dizer que Deus falava sobre qualquer imagem ou figura em geral, ainda se poderia conceber que houvesse esta proibição PARA OS JUDEUS num tempo em que não havia ainda imprensa nem fotógrafos. Podia-se ainda imaginar que Deus, diante do grande perigo em que estavam os judeus de cair na idolatria pelo exemplo dos povos vizinhos, proibisse a este pequenino povo a arte dos pintores e dos escultores, afim de se evitar a ocasião de pecado. Seria então UM PRECEITO POSITIVO SÓ PARA ELES E OCASIONADO PELAS CIRCUNSTÂNCIAS. Mas querer fazer daí um preceito geral para todos os tempos, mesmo para os povos cristãos e civilizados que não estão mais, pelo simples fato de ver uma pintura ou uma estátua, em perigo de cair na idolatria, seria evidentemente cair no ridículo.
   O protestante, portanto, se não quer admitir que este versículo 4º se refere aos deuses estrangeiros, mencionados no versículo precedente, fazendo parte, portanto, da LEI NATURAL, como é em geral todo o Decálogo, tem que admitir que se trata de um preceito positivo só para os judeus. A não ser que queira apresentar como abomináveis e condenados por Deus todas as estátuas, todos os objetos de adorno em forma de figuras humanas ou de animais, todos os brinquedos de criança feitos no mesmo sistema, todas as pinturas, todas as gravuras de livros, todas as fotografias...

   Mas dirá o protestante: Deus não proíbe somente fazer imagens. Proíbe PRESTAR-LHES CULTO no versículo 5º e os católicos prestam culto às imagens. Resposta: É o caso de perguntar: Se você é obrigado a admitir (para não cair no ridículo) que o versículo 4º é endereçado só AOS JUDEUS, como pode provar agora que o versículo 5º, ou seja a proibição de prestar culto às imagens não é também um preceito SÓ para eles? Este versículo 5º está. não só logicamente, mas também GRAMATICAMENTE ligado ao versículo 4º. Um preceito que era SÓ PARA OS JUDEUS não nos atinge a nós, cristãos.

   CONCLUSÃO: Nós católicos sabemos muito bem que estamos obrigados a NÃO COMETER NENHUM ATO DE IDOLATRIA. Esta é uma lei natural, escrita nos nossos corações; e uma lei cristã, constantemente pregada pelos Apóstolos, como por exemplo: "Nem os idólatras... hão de possuir o reino de Deus" (1 Cor. VI, 9 e 10); "Meus caríssimos, fugi da idolatria" (1 Cor. X, 14).
   Mas o nosso culto às imagens está muito longe de ser uma idolatria, porque 1º, como já explicamos, as nossas imagens não são ídolos (ídolo é a representação de um deus falso); 2º, não prestamos a elas o culto de adoração ou latria (pois isto seria reconhecer-lhes o supremo domínio sobre todas as coisas), culto este que só prestamos a Deus.
   E, como já esclarecemos no princípio, este culto não é obrigatório no sentido de que só se salva quem rezar diante das imagens, ou que só se possa fazer oração diante delas. Mas a Igreja o conserva como um MÉTODO utilíssimo para instruir os fiéis, para avivar sempre no espírito de todos, até mesmo dos mais rudes, a lembrança das coisas celestiais e para melhor fomentar nos seus filhos o fervor, a piedade e a devoção.
  

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

LEGÍTIMA INTERPRETAÇÃO: ÊXODO XX, 3, 4 e 5.

   Os protestantes citam este texto da Bíblia para acusar a Igreja Católica de idolatria, ao fazer e venerar as imagens dos santos.
   Como já provamos anteriormente, os católicos veneram as imagens dos santos, mas os protestantes, fazendo jus ao seu verdadeiro nome, protestam que nós católicos adoramos imagens. Protestam, portanto, que somos idólatras como os pagãos, e, portanto desobedecemos o primeiro mandamento do Decálogo.
   Caríssimos e amados leitores, não será difícil desfazer tão grave acusação. É só vermos a verdadeira interpretação do texto do Êxodo XX, 3-5 e do Deuteronômio V, 7-9 que são iguais. 
    Vamos examinar o texto do Êxodo XX, 3-5:
     Versículo 3: "Não terás OUTROS DEUSES diante de mim.
     Versículo 4: "Não farás para ti IMAGEM DE ESCULTURA, NEM  ALGUMA SEMELHANÇA DO  QUE HÁ EM CIMA NOS CÉUS, NEM EM BAIXO NA TERRA.
     Versículo 5: "NÃO TE ENCURVARÁS A ELAS NEM AS SERVIRÁS; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem". 
   Vê-se claramente que estas imagens e semelhanças de que Deus fala no versículo 4º são as imagens dos deuses falsos ou ídolos dos pagãos. Se no versículo 4º  Deus diz que não façam imagem de escultura, nem alguma semelhança (ou figura) do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, entende-se que Deus não fala aí de qualquer espécie de desenho ou de pintura ou de escultura (pois assim estaria proibindo até o termos em casa o retrato de nossos pais, ou qualquer pintura decorativa representando flores, bichos, peixes, aves, pássaros etc.), mas sim de ídolos, de figuras de pessoas, ou de animais, ou de astros, ou de outras coisas. Tudo era deus, exceto o próprio Deus. Por isso Deus proíbe os outros deuses ( ou deuses estrangeiros), SEJA QUAL FOR A FORMA SOB A QUAL ELES SE APRESENTEM. 
    E a prova de que Deus aí não se refere a qualquer imagem, a qualquer semelhança, a qualquer pintura, está no fato de que Deus mesmo mandou Moisés FAZER uma serpente de metal (se há proibição de fazer qualquer figura ou semelhança de tudo o que há em cima no céu, e DO QUE HÁ EM BAIXO NA TERRA, a serpente é um animal que há em baixo na terra): "E o Senhor lhe disse: FAZE UMA SERPENTE DE METAL, e põe-na sobre uma haste: todo o que sendo ferido olhar para ela, viverá. Fez, pois , Moisés UMA SERPENTE DE METAL e pô-la sobre uma haste; e era que, mordendo alguma serpente a alguém, olhava para a serpente de metal, e ficava vivo". (Números, XXI, 8 e 9).
   Não creio que "os crentes" protestem contra o próprio Deus! Mas já encontrei pastor que me disse com ar de triunfo: você não sabe que o rei Exequias mandou destruir esta serpente? Respondi: Sei, sim senhor. Estudei e estudo as Sagradas Escrituras já durante muitos anos. Mas sr. pastor você quer dizer com isto que Deus errou e Exequias fez certo? - Não recebi resposta. Então eu lhe disse: Isto prova mais uma vez que Deus proibiu fazer imagem de qualquer coisa como ídolo para ser adorado como um deus. O rei Exequias mandou destruir aquela serpente porque justamente o povo passou, depois de alguma tempo, a considerar aquela serpente como se fosse uma deusa, inclusive queimando incenso diante dela, o que significava adoração. 
   Esta imagem de serpente em escultura era prefigurativa de Jesus na Cruz. É o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo quem o disse: "Como Moisés no deserto levantou a serpente, assim importa que seja levantado o Filho do Homem, para que todo o que crê n'Ele não pereça, mas tenha a vida eterna" (S. João, III, 14 e 15). 
   Deus mandou Moisés fazer também dois querubins de ouro (com faces e com asas, portanto, representação em escultura, ou seja imagens de pessoa humana com asas). E é assim que a Igreja Católica representa os anjos, como Deus mesmo indicou. E em Êxodo XXV, 22 Deus disse:"E ali virei a ti, e falarei contigo de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins (que estão sobre a arca do testemunho), tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel". Será que os protestantes teriam a ousadia blasfema de dizer: Deus não teria um outro lugar melhor para falar a Moisés do que entre duas imagens!?  Quando trabalhei nos Hospitais em Campos como Capelão, encontrei um doente protestante. Logo pegou a sua Bíblia e abriu em Êxodo XX e mandou eu ler. Eu disse-lhe: vire três folhas e leia primeiro o capitulo XXV, versículos 17-22. Ele leu e depois disse-me: Sr. padre, isto o pastor nunca leu para nós!  - Eu falei: é claro! ele só lê para vocês o que eles acham que é contra a Igreja Católica.  
   Portanto, quando os protestantes dizem, procurando impressionar a gente simples: Os católicos estão contra a Bíblia, porque a Bíblia proíbe FAZER IMAGENS e eles fazem imagens de Jesus Cristo, de Maria, dos anjos e dos santos, trata-se de uma acusação muito fora de propósito. Deus proibiu aí no texto do Êxodo fazer imagens dos DEUSES FALSOS ( falsos porque só há um Deus Verdadeiro, Vivo e Eterno) pois é dos deuses pagãos (que são ídolos) que Ele está falando. E a prova é que Ele mesmo mandou fazer outras imagens e Deus não cai em contradição consigo mesmo. Nem se concebe que Deus, tendo horror a quaisquer imagens, como querem os protestantes, fosse o primeiro a mandar fabricá-las.
   E baste ler com atenção o Pentateuco, se não quisermos falar em todo o Antigo Testamento, para ver como a grande preocupação, se assim se pode dizer, de Deus, era fazer com que aquele povo pequenino, cercado como estava, de tantos povos idólatras, não se deixasse contaminar pelo exemplo dos outros, adorando os deuses estranhos. Basta conferir algumas passagens: Gêneses, XXXV, 2; Êxodo XX, 23; Êxodo XXIII, 23; Êxodo XXIV, 14; Levítico XIX, 4; Números XXXIII, 4; Deuteronômio VI, 14; Deuteronômio VIII, 19; Deuteronômio XXVIII, 36 e 37; Deuteronômio XXXII, 16.
   Na próxima postagem, veremos a interpretação do versículo 5º do capítulo XX do Êxodo.