sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O PENITENTE DEVE OBEDECER O CONFESSOR QUE ACONSELHA COM A DOUTRINA DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Caríssimos, escutemos o Apóstolo São Paulo: "Obedecei com submissão àqueles que são encarregados de vos conduzir, pois eles velam por vossas almas, devendo dar conta a Deus, afim de que cumpram este dever com alegria, e não gemendo, o que não vos seria vantajoso" (Hebreus, XIII, 17).

Infelizmente pode haver penitentes que discutam com seu confessor, para atraí-lo à sua opinião, e isto faz sofrer o pobre confessor, que é pai espiritual. Mas o Apóstolo os adverte que este proceder não lhes é vantajoso; pois quando o confessor vê que o penitente não se submete ao que diz, e o faz sofrer mil trabalhos para conduzi-lo no bom caminho sem o menor resultado, recusa guiá-lo. E ai do doente que o médico abandona!. Quando um doente não quer obedecer, recusa tomar os remédios receitados, e quer comer o que lhe agrada, que faz o médico? Abandona-o a si mesmo e deixa-o agir à sua vontade. Mas, então, que será da saúde deste doente? Vai de mal a pior, e a morte não está longe. Na verdade, o penitente relutante e desobediente só poderá cair no precipício. O Espírito Santo diz a todos os homens: "Caminhareis no meio de armadilhas" (Ecles. IX, 20). Sim, caminhamos neste mundo, expostos a mil armadilhas, tais como as tentações do demônio, as más ocasiões, os prazeres perigosos, e, mais ainda, as nossas próprias paixões, que nos perdem tantas vezes. Aí estão tantas ciladas, armadas pelo espírito maligno para nos enganar. Quem se salvará no meio de tantos perigos? A Sagrada Escritura responde: "Só se salvará aquele que evitar os laços" (Prov. XI, 15). E diz ainda no Livro do Eclesiástico III, 27: "Quem ama(=procura) o perigo, nele cairá". Ora como se pode evitar os laços e os perigos? Se tivésseis de atravessar durante à noite um bosque cheio de precipícios, sem ter um guia para vos esclarecer e vos indicar os passos perigosos, vos arriscaríeis certamente a perder a vida. É o que acontece no caminho da salvação àqueles que querem seguir seu próprio entendimento. A eles se dirige esta advertência do divino Mestre: "Tomai cuidado que a luz que julgais ter não seja senão trevas" (S. Lucas, XI, 15).  e não cause vossa perda conduzindo-vos não fundo de algum abismo.

Caríssimos, de passagem, vamos refletir um pouco sobre as palavras do Divino Mestre que acabamos de citar: "Tomai cuidado que a luz que julgais ter não seja senão trevas". Esta reflexão, confesso, não estava nos meus planos, pelo menos, neste artigo. Mas veio-me a lembrança das controvérsias  que estão sendo levantadas após "Amoris Laetitia". Infelizmente já para muitos está sendo não luz mas trevas. Pois, é conversa para boi dormir (desculpem-me a expressão) este negócio de dizer que para um adúltero(a) (= casado(a) validamente, separado(a) e amasiado(a) com outra(o) poder comungar deve está "arrependido"(a), e, então, em dadas circunstâncias, a "misericórdia" se contentaria em exigir que o(a) tal continuasse a viver com a(o) amante, mas como "irmãos", isto é, não como se fossem esposos ("modo uxorio"). É claro que em certas circunstâncias realmente seria possível, como em caso de velhice avançada e doença. Mas são casos raros! E mesmo nestes casos é preciso evitar todo escândalo.  O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo disse que a carne é fraca, e por isso é mister fugir do perigo e rezar. E aqui podemos repetir também o que Ele disse: "Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra". E se o homem é fraco em tudo, neste ponto de castidade e pureza, sua fraqueza ainda é maior. Seria mais ao menos assim: Suponhamos que um homem fosse preso numa casa onde não havia senão água barrenta num balde sujo. Passados alguns dias a sede era já muito grande. Mas, o tal homem olhava por balde com água suja, dava meia volta e saía de perto. Mas até que um dia não aguentou mais e bebeu a água suja e que no início era repugnante. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça! Mas "Amoris Laetitia" em suas ambiguidades, oferece outras "soluções misericordiosas" ainda muito mais polêmicas, que não trato aqui por falta de espaço. Mas "a fortiori" os confessores fiéis à doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo nunca poderão aplicar. 

Por isso, ninguém acredita nisto, e, portanto, é um grande escândalo. E sobre escândalos, o Divino Mestre, Nosso Senhor Jesus Cristo disse: "Ai daquele de quem vier o escândalo!".

Portanto, se o(a) penitente estiver verdadeiramente arrependido(a), deverá fazer a si mesmo(a) uma verdadeira violência, e deixar a(o) companheira(o) com quem vive na mesma casa. Quando isto estiver bem comprovado pelo público, só então, poderá se confessar e comungar. Mas se tiverem filhos? Primeiro eles serão beneficiados pelo exemplo de uma verdadeira conversão de seus pais; segundo deixarão de ser escandalizados pelo viver pecaminoso de seus progenitores. E isto é verdadeira misericórdia.

Alguém dirá: - Mas isto é muito duro e violento. Então ouçam o que disse o Divino Mestre: "Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus adquire-se à força, e são os violentos que o arrebatam" (S. Mateus, XI, 12). Jesus elogiou João Batista dizendo que ele não era uma cana agitada pelo vento. E todos nós sabemos que o Precursor de Jesus dizia para o rei Herodes que este não podia continuar vivendo no adultério.

E quando Jesus Cristo falou sobre a indissolubilidade e unidade (=um homem e uma mulher) do matrimônio os próprios discípulos acharam isto muito duro a tal ponto que exclamaram para Jesus: "Se assim é... seria melhor nem casar". E Jesus não voltou atrás e nem amenizou nada. (Cf. São Mateus, XIX, 3 a 12). E quem teria a sacrílega audácia de tachar Jesus de sem misericórdia?!



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

DEVER DO PENITENTE A RESPEITO DO CONFESSOR CONSIDERADO COMO MESTRE

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Já vimos como o confessor ocupa no confessionário o lugar do próprio Jesus. Donde o penitente deve ouvir o confessor como se fosse Jesus Cristo. No confessionário também se aplicam aquelas palavras do Divino Mestre: "Quem vos ouve, a mim ouve" (S. Luc. X, 16). Caríssimos, pesemos bem estas palavras: elas significam que Jesus Cristo se identificou de algum modo com o confessor para nos ensinar, nos esclarecer, nos dirigir e nos declarar as suas vontades. De modo que obedecer ao confessor é obedecer ao próprio Nosso Senhor Jesus Cristo. O sacerdote é chamado "alter Christus" , isto é, "outro Cristo". É óbvio que todo padre deve procurar fazer tudo de tal modo que possa dizer com São Paulo: "Sede meus imitadores como eu sou de Jesus Cristo". Se isto é dito para todos, aplica-se especialmente aos padres. Se os padres são "Alter Christus", devem desempenhar seu ministério como Jesus Cristo o fez. Infelizmente não podemos negar que há maus padres; mas estes não são "Alter Christus" no seu ministério de ensinar, são sim outros "Judas Iscariotes". O próprio São Paulo diz que "todos nos considerem como ministros de Cristo"; mas logo acrescenta: "É preciso que o ministro seja fiel". É preciso deixar claro que a absolvição dada por um mau padre é válida. Aqui falamos dos seus conselhos, orientações e ordens, que nem sempre podem ser bons e, portanto, não devem ser seguidos.

 Se o Rei do céu estivesse em pessoa no confessionário, com que fé, com que respeito e submissão não o escutaríamos e não receberíamos seus conselhos, suas ordens e suas decisões? Mas, na verdade, Jesus está em seu ministro fiel para nos falar: "Aquele que vos escuta a mim escuta"; e para nos mostrar a obrigação que nos é imposta de ouvi-Lo, acrescenta: "Aquele que vos despreza a mim despreza".


Caríssimos, como estas palavras são consoladoras para a alma dócil e submissa, mas como são terríveis para a alma rebelde e desobediente! Portanto, quem não obedece ao confessor, está em grande perigo de condenar-se. E quem lhe obedece, está certo de salvar-se, e mesmo de santificar-se. O escrupuloso em particular está seguro de bem agir em tudo que faz por obediência ao confessor. Eis aqui como Santo Afonso desenvolve esta doutrina: 1 - Aquele que não obedece ao confessor está em grande perigo de se condenar. A prova disto está nas seguintes palavras de Jesus Cristo: "Aquele que vos despreza a mim despreza". Não é uma coisa horrível desprezar Àquele que deu seu sangue e sua vida sobre a cruz para nos salvar? Deus disse a Samuel, desprezado pelo povo hebreu cujo governo lhe estava confiado: "Não é a vós, é a mim que eles desprezam" (1 Reis, VIII, 7). 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O CONFESSOR É MESTRE DA FÉ, DA MORAL E DA PIEDADE

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Na verdade, o confessor é o mestre e o diretor que Jesus Cristo nos deu para nos ensinar o verdadeiro caminho do céu. Donde, devemos receber seus salutares ensinamentos com toda fé, todo respeito e toda a submissão possíveis. Quando Nosso Senhor Jesus Cristo disse aos seus discípulos: "Ide e instruí a todas as nações, e ensinai-lhes a observar tudo o que vos mandei; e, - eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos" (Mat. XXVIII, 19) Ele se dirigiu tanto aos pregadores como também aos confessores. O confessor, pois, deve instruir o penitente em tudo que diz respeito à fé, a moral e à piedade. Isto, às vezes, se torna necessário ou útil. O confessor, é, portanto por direito divino, mestre da fé, mestre da moral e mestre da piedade.

Consideremos estes três pontos:

1º - O CONFESSOR É MESTRE DA FÉ: Porque ele deve certificar-se, em primeiro lugar, se o penitente crê e conhece o que é necessário crer, pois que "sem a fé é impossível agradar a Deus" ( Hebr. XIV, 6). Ora, a fé que é necessária para agradar a Deus, não é a fé dos judeus, nem a dos protestantes e nem a dos modernistas, mas é a fé firme e absoluta da santa Igreja católica, fé baseada na autoridade de Deus, a fé acompanhada das boas obras. O confessor deve, portanto, lembrar aos cristãos as verdades da religião, dissipar as dúvidas que assaltam sua inteligência e premuni-los contra os erros que a impiedade propaga. Daí dizer o próprio Espírito Santo em Malaquias II, 7: "Os lábios dos sacerdotes serão os guardas da ciência; da sua boca se há de aprender a lei...". O confessor é "intérprete da vontade de Deus" (Cf. Mat.II, 7); ele é "a luz do mundo" (Cf. Mat. V, 14). Pois, é ele que deve esclarecer as almas. "É o sal da terra" (Cf. Mat. V, 13) para a preservar da corrupção do erro; é ainda "a sentinela vigilante" (Cf. Ez. III, 17) justamente para pôr as almas em guarda contra os ímpios. Por isso o confessor é obrigado a proibir aos penitentes as festas profanas e mundanas (como e aqui em Varre-Sai, a Festa do Vinho), as conversas, as leituras, as escolas que seriam perigosas para a sua fé.

2º - O CONFESSOR É MESTRE DA MORAL CRISTÃ: É encarregado de lembrar aos fiéis a observância dos mandamentos de Deus e da Igreja e o cumprimento dos deveres de estado. Eis o que disseram alguns santos: S. Gregório disse a este respeito: "Ele (o confessor) é especialmente constituído por Deus para indicar o bom caminho àqueles que se desviam". Portanto, deve ensinar a cada um, o mal que evitar, as ocasiões de que fugir, os meios de salvação que praticar. 

S. Bernardo: "O sacerdote é o anjo visível encarregado de conduzir as almas ao céu através dos perigos desta vida". Depois que Nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu, é ao confessor que o cristão cuidadoso pela sua salvação deve dirigir a pergunta do moço do Evangelho: "Que devo fazer para alcançar a vida eterna?" E a resposta será a mesma que deu o Salvador: "Observai os mandamentos... E, se quereis ser perfeitos, ide, vendei o que tendes, dai-o aos pobres: tereis assim um tesouro no céu; depois vinde, segui-me" (S. Mateus, XIX, 17).


3º - O CONFESSOR É MESTE DA PIEDADE: São Gregório de Nyssa chama o sacerdote o "mestre da piedade", e com razão, pois, o confessionário é uma escola em que se ensina às almas a prática de todas as virtudes. Ali, o orgulhoso recebe lições de humildade, o colérico lições de mansidão, o sensual lições de mortificação; lá, o rico aprende a dar as esmolas, o pobre a ser resignado, o magistrado a governar com sabedoria, o superior a mandar sem arrogância, o súbdito a obedecer com humildade; ali, são ensinadas com autoridade toda divina, as virtudes, as práticas e as devoções mais santificantes, tais como a oração, a meditação, a frequência dos sacramentos, a devoção ao Santíssimo Sacramento, à Paixão de Cristo, à Santa Virgem , a São José, etc. Ali no confessionário quantas famílias são levadas a rezar o Santo Terço todos os dias! Amém!

domingo, 12 de fevereiro de 2017

O CONFESSOR APLICA REMÉDIOS GERAIS E PARTICULARES

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

 Papa Bento XIV dizia que os avisos do confessor são mais salutares do que os sermões. Não é difícil compreender isto, porque o pregador não conhece, como o confessor, as circunstâncias pessoais que colocam este em melhores condições para fazer a correção e aplicar o remédio ao mal. E estes remédios podem ser gerais e também particulares.

Primeiramente vamos ver quais os REMÉDIOS GERAIS:

1º - AMAR A DEUS: pois este é o fim para o qual nos criou. Quem vive no amor de Deus, isto é, em estado de graça, é feliz mesmo neste mundo, ainda que tenha escassez dos bens materiais; quem está privado da graça, sofre desde esta vida um inferno antecipado. E depois, quantos males, mesmo temporais, o pecado arrasta após ele?

2º - RECOMENDAR-SE FREQUENTEMENTE A DEUS, à Santa Virgem, a São José, a seu anjo da guarda e a seu Santo protetor; rezar todos os dias o Santo Terço; rezar três Ave-Maria de manhã e à noite, dizendo: "Maria, minha boa Mãe, preservai-me hoje de todo pecado".

3º - FREQUENTAR OS SACRAMENTOS: Principalmente confessar-se logo que tenha tido a infelicidade de cometer um pecado mortal.

4º - MEDITAR SOBRE OS NOVÍSSIMOS, MORTE, JUÍZO, INFERNO E PARAÍSO.  Este conselho é dado pelo próprio Espírito Santo: "Em todas as vossas obras, meditai nos vossos novíssimos e não pecareis jamais" (Eclesiástico, VII, 40). Cada qual deve pensar na sua própria morte, no seu juízo, se está preparado para o céu ou no caminho do inferno. Em tudo o que for fazer devo pensar assim: que vale isto para a eternidade? para a feliz ou para a infeliz? Fazendo assim a gente não peca. Andar sempre na presença de Deus.

5º - TER O PENSAMENTO EM DEUS SOBRETUDO NO MOMENTO DAS TENTAÇÕES: Nestes momentos devemos dizer: "Deus me vê".

6º - RENOVAR CADA MANHÃ A RESOLUÇÃO DE NÃO OFENDER A DEUS: Dizer sempre com São Filipe Nery: "Senhor, que vossa mão me ampare hoje, sem o que cairei e posso vos trair".

7º - FAZER TODAS AS NOITES O EXAME DE CONSCIÊNCIA: Depois do exame, fazer o ato de contrição e de bom propósito. Procurar lembrar a Paixão e Morte de Jesus e assim ter mais facilidade em conseguir fazer um ato de amor, de contrição perfeita.

REMÉDIOS PARTICULARES: Estes devem ser apropriados aos vícios ou aos defeitos que dominam cada penitente. Assim compreendemos que só o confessor, que é o depositário dos segredos dos corações, tem condição de prescrevê-los e faz isso com toda prudência.

Caríssimos, estes remédios tanto gerais como particulares merecem da parte dos penitentes a mais séria atenção. Se não os empregar, não se curarão espiritualmente.

Quero terminar apresentando-vos, caríssimos, uma espécie de parábola: Um médico muito hábil foi chamado um dia para tratar de três pessoas atingidas da mesma moléstia mortal. "Eu tenho, lhes disse ele, excelentes remédios; se seguirdes fielmente minhas prescrições, eu garanto que ficareis curados em poucos dias". Receberam os doentes a receita sem dizer palavra; ela se compunha de duas espécies de medicamentos, uns fáceis de tomar, outros amargos e repugnantes. O primeiro doente fez exatamente tudo que o médico tinha receitado, e, oito dias depois, ocupava-se alegremente com seus trabalhos. Estava curado. O segundo, menos dócil, não quis tomar senão as poções agradáveis, recusando obstinadamente as amargas, conquanto fossem muito mais eficazes. Mas quinze dias não tinham passado quando se anunciava sua morte. O terceiro foi mais rebelde ainda; não quis submeter-se a regime algum, nem reprimir seu apetite e sua sensualidade. Também no fim de três dias, morreu.
Estes três doentes são a figura de três espécies de pecadores, que vão declarar ao confessor suas enfermidades espirituais. O primeiro segue à risca tudo que lhe é imposto pelo representante de Jesus Cristo: oração, fuga das ocasiões, frequência dos sacramentos, pensamento sobre a morte, enfim, não omite nada. E assim por mais arraigados que estejam seus maus hábitos, em pouco tempo se cura.
A segundo espécie de pecadores se compõe daqueles que querem fazer só uma parte do que o confessor manda, mas não tudo. Por ex. não querem fugir de certas ocasiões próximas de pecado. Ou então renunciam os xingamentos e blasfêmias, mas não às injustiças que vinha cometendo. Continuam sem reparar e praticando outras, por causa da avareza. Nem um São Paulo, dizia S. Filipe Nery, conseguiria curar tais pecadores.


A terceira classe de pecadores se compõe dos que nada querem fazer. Até prometem fazer o que o confessor mandou. Mas não fazem nada: não rezam, não fogem das ocasiões. A estes tais se aplicam as palavras do profeta Jeremias: "Se um etíope pode mudar a sua pele, ou um leopardo as suas malhas, podereis vós também fazer o bem, vós que não aprendestes senão a fazer o mal"? (Jeremias, XIII, 23). Daí a sentença terrível do mesmo profeta, sentença que se aplica também a tais pecadores: "Medicamos Babilônia, ela não sarou; deixemo-la...porque a condenação que ela merece chegou até aos céus..." (Jeremias, LI, 9).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O CONFESSOR É MÉDICO DAS ALMAS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Os males acometidos contra as almas podem ser considerados doenças. E neste caso, qual é o médico? É o confessor. Devemos, ainda considerar que as enfermidades espirituais são muito mais funestas do que as corporais, porque podem conduzir a morte eterna. Assim, os fiéis devem procurar o remédio para suas paixões, para as suas más inclinações, para os seus vícios, enfim, para seus pecados, no confessionário. Ali está um pai, como já vimos, mas está também o médico das almas. Foi Nosso Senhor Jesus Cristo quem estabeleceu o sacerdote para ser o médico das almas.

Caríssimos, que missão sublime esta do confessor! Dizia Jesus Cristo: "Não são aqueles que passam bem que têm necessidade de médico, são os doentes"  e acrescentava: "Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores". Nosso Senhor enviou o confessor para curar aqueles que têm o coração contrito (Cf. S. Lucas IV, 18). Jesus Cristo, Médico incomparável, Ele restitui a vista aos cegos, a audição aos surdos, a palavra aos mudos, a saúde aos doentes, e mesmo a vida aos mortos.

O médico tem quatro deveres a cumprir para com o doente:
1.       Deve procurar bem conhecer sua moléstia.
2.       Quando a conhece, deve dar ao enfermo sábios conselhos para induzi-lo a se tratar e a evitar tudo quanto é prejudicial.
3.       Deve prescrever-lhe remédios eficazes e apropriados à moléstia.
4.       Deve com bastante frequência examinar ao seu doente para certificar-se se suas prescrições são executadas, se os remédios produzem efeito, se não é preciso prescrever outros.
Ora, aí estão precisamente os deveres do confessor em sua qualidade de médico das almas. Vejamos hoje, os dois primeiros destes quatro deveres do confessor como médico das almas:

·         1º - Deve procurar conhecer bem as moléstias de seu penitente: O confessor primeiramente deve indagar a origem e a causa das enfermidades espirituais de seu penitente. Para conhecer a gravidade do mal, ele deve informar-se dos hábitos viciosos, das ocasiões que o fazem cair no pecado; deve saber desde que tempo está sujeito a este vício, em que lugar, em que circunstância, com que espécie de pessoas caíra nele. É claro que os penitentes já devem explicar isto, mas, se o não fazem, o confessor com muita prudência e delicadeza, procura ajudar os seus doentes espirituais. Isto porque esses conhecimentos lhe são necessários para saber quais os avisos e quais os remédios que deve dar ao penitente. E assim, este não deve nem estranhar nem achar ruim que o confessor lhe interrogue sobre estes pontos. O bom confessor que ainda não conhece bem seu penitente, tem obrigação de fazer estas perguntas, e o penitente deve, por sua vez responder com sinceridade, porque isto é indispensável para a cura da sua alma.  Nós gostamos dos médicos que fazem muitas perguntas porque demonstram que realmente se preocupam com a nossa saúde. O mesmo devemos pensar ao relação aos médicos das nossas almas, que são os nossos confessores.


·         2º - Assim tendo todo conhecimento necessário, o confessor dá sábios conselhos para induzir o penitente a se tratar e a evitar tudo quanto é prejudicial: Portanto, depois destas perguntas (que explicamos logo acima no nº 1) o confessor, bem instruído da origem e da gravidade do mal, passará a dar os avisos sérios e com mansidão, primeiro porque é médico e segundo porque é pai. Na qualidade de médico o confessor é obrigado a fazer advertências. Deve mostrar aos penitentes carregados de maiores iniquidades, a malícia dos seus pecados, as funestas consequências a que eles arrastam, os castigos que eles merecem, os pesares amargos que experimentarão  por causa deles na hora da morte, as graças preciosas que desprezam, a triste sorte que os ameaça na eternidade. Mas, os penitentes não devem se assustar, pois o confessor deve também, a exemplo do bom Samaritano, misturar o óleo com o vinho para curar as feridas, isto é, deve misturar a doçura à severidade, e mesmo a doçura deve exceder a severidade. O confessor sabe que no confessionário, mais do que em qualquer outro lugar, vale a sentença de São Francisco de Sales: "Pegam-se mais moscas com uma gota de mel, do que com um barril de vinagre". Não esqueçamos nunca que, no confessor, a qualidade de médico está sempre inerente à de pai. Se fosse pai segundo o sangue como acontece no Oriente, seria mais difícil, mas é pai espiritual, é pai pela bondade, e talvez seria melhor dizer que alma do confessor é "mãe"! Amém!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O PADRE É PAI ESPIRITUAL

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

PADRE, DAI-ME A VOSSA BÊNÇÃO PORQUE PEQUEI!

Caríssimos, é assim que iniciamos as nossas confissões: Padre, isto é, pai, dai-me a vossa bênção porque pequei! O penitente chama o confessor de pai e, justamente porque pecador, ele pede bênçãos paternais! Pai! esta palavra diz tudo. "Pai, se tendes o poder de restituir-me a vida da graça, abençoai-me". E o padre, que é verdadeiro pai espiritual, aceita esse título tão suave de pai, e se mostrará verdadeiramente pai. Comovido com a súplica de seu filho, ele diz, fazendo o sinal da cruz: Que o Senhor esteja em vosso coração e sobre vossos lábios, afim de que façais uma sincera e inteira confissão de todos os vossos pecados; em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. E o penitente, que já deve ter rezado o ato de confissão, o mesmo que se reza antes da Missa ao pé do altar, faz a sua confissão dizendo  todos os seus pecados por pensamentos, palavras e obras, dizendo o número dos que são mortais, e mostrando as circunstâncias que mudam a espécie dos pecados mortais. Então, o confessor com toda bondade de pai, vai dar os conselhos. Só em casos muito raros o confessor toca nos pecados que acabou de ouvir. Só o faz na hipótese de fazer algum pergunta necessária, mas sempre no sentido de bondosamente ajudar o penitente a fazer uma boa confissão. O confessionário não é lugar de censuras e, muito menos, de descomposturas. O confessor fala pensando como Jesus falaria estando em seu lugar. O padre dá ao penitente seus carinhosos conselhos, e depois diz com todo fervor de seu amor: Que o Deus Onipotente tenha piedade de vós, e que depois de vos ter perdoado vossos pecados, vos conduza à vida eterna. Assim seja! Acrescenta ainda: Que o Senhor Onipotente e misericordioso vos conceda o perdão, a absolvição e a remissão de todos os vossos pecados. Assim seja!Depois disto ele levanta a mão e pronuncia as palavras poderosíssimas da absolvição...


Caríssimos, é um momento solene! Pois, os laços infernais que ligavam o pecador, foram quebrados, o demônio sai de sua alma, o inferno fecha-se sobre sua cabeça, outra vez seu nome é inscrito com letras de ouro no livro da vida, a veste de inocência lhe é restituída com todos os seus méritos passados; a augusta Trindade o olha com complacência; os anjos exultam de alegria; e eis aí a sua alma bela, pura como no dia de seu batismo. O penitente se retira. Ele se tinha ajoelhado filho do demônio, se ergue filho de Deus. E o confessor? Só pensa nestas maravilhas operadas na alma de seu penitente. Não pensa em mais nada; só nesta alegria de fazer tanto bem em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. A alegria do confessor é realmente a de um pai que recupera seu filho. Muito mais do que isto, sente a alegria inefável de ter feito as vezes de Jesus: sente a alegria de ter sido um pai, pois, gerou novamente um filho para Deus. Amém!

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O CONFESSOR É PAI MESMO PARA OS GRANDES PECADORES

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Como o pai do filho pródigo, assim com toda ternura e bondade deve o confessor acolher até os maiores pecadores. Vamos, hoje, meditar nesta tocante parábola do  filho pródigo, feita pelo divino Mestre para mostrar aos fariseus a razão pela qual Ele recebia os pecadores e até tomava refeição com eles. Na verdade, com esta finalidade, Nosso Senhor Jesus contou três parábolas: a da ovelha tresmalhada, a do filho pródigo e a da dracma perdida. S. Lucas relata-as no capítulo 15 de seu Evangelho. A do filho pródigo vai do versículo 11 a 32:

"Um homem tinha dois filhos, o mais novo deles disse a seu pai: Pai, dá-me parte dos bens que me toca. Ele repartiu entre eles os bens. Passados poucos dias, juntando tudo (o que era seu), o filho mais novo partiu para uma terra distante, e lá dissipou os seus bens, vivendo dissolutamente. Depois de ter consumido tudo, houve naquele país uma grande fome e ele começou a sentir necessidade. Foi, pois, e pôs-se a serviço de um dos cidadãos daquela terra. Este mandou-o para os seus campos guardar porcos. Desejava encher o seu estômago dos frutos que os porcos comiam e ninguém lhos dava. Mas, tendo entrado em si, disse: Quantos diaristas há em casa de meu pai, que têm pão em abundância e eu aqui morro de fome! Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus diaristas. Levanto-se foi para seu pai. Quando ele estava ainda longe, seu pai viu-o, ficou movido de compaixão, e, correndo, lançou-lhe os braços ao pescoço e beijou-o. O filho disse-lhe: Pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Porém o pai disse aos seus servos: Tirai depressa a veste mais preciosa, vesti-lha e ponde-lhe um anel no dedo e os sapatos nos pés; trazei também um vitelo gordo, matai-o, comamos e banqueteemos-nos, porque este filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi encontrado. E começaram a banquetear-se.

Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando veio e se foi aproximando de casa, ouviu a sinfonia e os coros, chamou um dos servos e perguntou-lhe que era aquilo. Este disse-lhe: Teu irmão voltou e teu pai mandou matar um novilho gordo, porque o recuperou com saúde. Ele indignou-se e não queria entrar. Mas o pai saindo, começou a pedir-lhe ( que entrasse). Ele, porém, respondendo, disse a seu pai: Há tantos anos que te sirvo, nunca transgredi nenhum mandado teu e nunca me deste um cabrito para eu me banquetear com os meus amigos; mas, logo que veio este teu filho, que devorou os seus bens com meretrizes, lhe mandaste matar um novilho gordo. Mas o pai disse-lhe: Filho, tu estás sempre comigo, tudo o que é meu é teu; era, porém, justo que houvesse banquete e festa, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha-se perdido e foi encontrado".


Todo pecador deve ter esta confiança na bondade do Pai do Céu, como a teve o filho pródigo. Diz Mons. Gaume: "Ei-lo que se dirige, conduzido pelo remorso, pelo arrependimento e pela esperança, para a casa de Deus. Diante dele está um tribunal sobre o qual a fé lê esta consoladora inscrição: A Misericórdia! Neste tribunal está sentado um juiz: é o vigário de caridade de Jesus Cristo, revestido com as suas entranhas de compaixão. O pecador lhe diz: Dai-me vossa benção, padre, porque pequei. Que confiança! Ele é pecador, e, porque pecador, pede bênçãos. Sim, porque aos olhos de Deus, o filho pródigo que diz: "Eu pequei", é digno de bênçãos paternais". Amém!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

FUNÇÕES DO PADRE COMO CONFESSOR: 1º - UM PAI

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Considerando que o padre ocupa o lugar de Jesus Cristo, torna-se claro que ele deve como Nosso Senhor Jesus Cristo, cumprir quatro grandes funções para com seus penitentes e  estes, por sua vez também devem ver no padre confessor 1º -um pai; 2º - um médico; 3º um mestre; 4º - um juiz (mas sabendo que no confessionário está para perdoar sempre que o penitente esteja bem disposto).
O Santo Cura d'Ars dizia que o padre é o "amor do coração de Jesus" e que quando virmos um padre devemos pensar em Jesus. Infelizmente, hoje há padres que de maneira nenhuma lembram Jesus. Mais um motivo para os fiéis terem todo apreço pelos padres fiéis à sua sublime missão, máxime no confessionário. Não podemos entender como um padre não goste de atender confissões. Pois, no confessionário, ele é pai, e como tal deve se comportar. No púlpito, as vezes, deve se mostrar bravo como leão, mas no confessionário, nunca! Deve ter sempre a bondade de um pai, deve ser um cordeiro, para melhor tirar os pecados das almas contritas.

Dizia Nosso Senhor Jesus Cristo: "Como meu Pai me enviou, eu vos envio a vós". É como se Jesus dissesse: Meu Pai me enviou para salvar as almas, Eu vos confio a mesma missão redentora.  -  Mas para salvar as almas, é preciso primeiro que tudo, amá-las, e amá-las com ternura assim como Jesus Cristo as amou.

São Paulo dizia aos primeiros fiéis: "Eu vos gerei em Jesus Cristo" (1Cor. IV, 15). O Apóstolo chama-os "seus filhinhos" e diz claramente: "O nosso coração dilatou-se e vós ai estais folgados" ( 2 Cor. VI, 11). Diz ainda que ele pensa sem cessar em todos eles: "Eu vos tenho no coração, e Deus é testemunha das muitas saudades que tenho de todos vós na terna afeição de Jesus Cristo"(Filipenses I, 7). Diz ainda: "Eu oro sempre por vós. Continuamente me lembro de vós, em todas as minhas orações" (Rom. I, 9). Na Epístola aos Gálatas IV, 19 diz: "Filhos de meu amor, sofro por vós como que as dores de parto, até que Jesus Cristo se forme em vós". E na Epístola aos Romanos XII, 15: "Misturando minhas lágrimas com as vossas lágrimas , e minhas alegrias com as vossas alegrias". Na 1ª Epístola aos Coríntios: Eu estava livre, e eis-me nas cadeias, fazendo-me escravo de todos, afim de vos ganhar todos para Jesus Cristo". Na 2ª Epístola aos Coríntios: "Daria de boa vontade tudo que tenho, dar-me-ia a mim mesmo ainda por vossas almas". Mesmo quando censura, S. Paulo se mostra um pai bondoso: "Tornei-me pois vosso inimigo por vos ter dito a verdade?" (Gál. IV, 16). Mas ele mostra o fim que o leva a mostrar a verdade, mesmo que isto desagrade a natureza humana: "Em vos suplico, em nome de Jesus Cristo, reconciliai-vos com Deus" (2 Cor. V, 20). Por isso, mais na frente vai dizer: "Eu vos amo com um amor de zelo, de um zelo como o de Deus".


Caríssimos, assim falava São Paulo, porque procurava imitar a Nosso Senhor Jesus Cristo: "Sede meus imitadores como eu o sou de Jesus Cristo". E todo confessor formado como São Paulo na escola do Coração de Jesus, fará o mesmo. Amém!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O SACERDOTE É O PORTEIRO DO PARAÍSO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

É São Próspero quem chama o confessor de "Porteiro do Paraíso". Ele pode, pois, livrar os pecadores da prisão eterna do inferno, e abrir-lhes o palácio da Jerusalém Celeste. Que honra para o sacerdote! Qual seria vossa admiração por um homem que tivesse a faculdade de limpar leprosos com poucas palavras!? Pois bem! O sacerdote opera maravilha muito maior quando pronuncia sobre um pecador bem disposto estas palavras: Ego te absolvo a peccatis tuis; pois no mesmo instante, ele torna limpa e branca como neve aquela alma, que, por seus pecados, estava imunda e enegrecida pelo piche do pecado. "A justificação de um pecador, diz Santo Agostinho, é obra mais admirável do que a criação do céu e da terra". "O Senhor, diz o cardeal Hugo, parece dizer ao padre que absolve um pecador: Por mim, criei o céu e a terra; dou-vos porém o poder de efetuar uma criação muito mais excelente. Eis aqui uma alma em estado de pecado; criai nela um coração puro, e fazei que, de escrava do demônio, se torne minha filha. Por mim, fiz a terra produzir frutos, mas vos dou um poder muito mais nobre; fazei que o pecador produza frutos de boas obras. Privado da graça santificante não é ele outra coisa senão uma árvore seca; dai-lhe a seiva da vida divina pela absolvição, e ele produzirá frutos dignos da vida eterna".

O Senhor dizia a Jó: "Tens tu como Deus um braço todo poderoso e tua voz é trovejante como a sua?" (Jó 40, 4). Ora, quem é que possui um braço semelhante ao de Deus, e que como Deus, faz ressoar a sua voz semelhante ao trovão? É o padre. Quando ele dá a absolvição, serve-se do braço e da voz de Deus para quebrar as correntes daqueles que estão na escravidão de Lúcifer, para recalcar no fundo do abismo os poderes infernais e para impor silêncio aos demônios bramando de raiva porque tem de deixar ir em liberdade as almas reconciliadas com Deus, seu legítimo senhor.

O sacerdote opera o milagre da ressurreição não de corpos mas de almas. Na verdade o confessor ressuscita tantos mortos quantas absolvições dá aos pecadores suficientemente dispostos pela atrição, pecadores que pelo pecado grave haviam morrido espiritualmente. Quando, pois, a alma está privada da vida sobrenatural da graça, é escrava do demônio que não espera senão o julgamento de Deus para a encerrar no sepulcro eterno do inferno.

Suponhamos, caríssimos, que um pecador esteja próximo a morrer; de repente, tocado por uma luz do alto, reconhece o seu estado, concentra-se, e, deplorando o mal que cometeu, pede com grandes lamentos que o arranquem das garras do leão infernal. Quem livrará esta pobre alma obsequiada pela graça da atrição? Ainda que se reúnam todos os poderosos da terra com seus exércitos, e ordenem ao demônio que abandone essa alma, o demônio não fará senão escarnecer de uma tal ordem, pois, os poderosos, reis, presidentes e generais, não têm poder senão sobre as coisas temporais. Mas aparece um sacerdote, mesmo o mais pobre e o menos digno de todos do clero; este sacerdote, só por estas palavras: Ego te absolvo a peccatis tuis, forçará o demônio a abandonar sua presa; transformará esse pecador  em justo, fará dele um predestinado.


Em verdade, caríssimos, podemos dizer com S. Próspero, que os sacerdotes são as "Portas da Cidade Eterna", e com o escritor espiritual Salviano: "Toda a nossa esperança e nossa salvação se acham nas mãos dos sacerdotes!" Aí entendemos porque São Clemente chama o padre "Deus da terra"; querendo dizer com isto que ele ocupa neste mundo o lugar de Deus. Amém!

sábado, 28 de janeiro de 2017

O CONFESSOR OCUPA O LUGAR DE JESUS CRISTO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

O poder de perdoar pecados é, na verdade, um poder divino, isto é, só Deus pode perdoar pecados. Jesus Cristo perdoava pecados justamente porque Ele era Deus. Mas quem tem o poder, pode delegá-lo a outrem. Foi o que Nosso Senhor Jesus Cristo fez. Assim como deu aos Apóstolos o poder de batizar, celebrar o Santo Sacrifício da Missa, o poder de pregar, deu-lhes também a eles e aos seus sucessores o poder de perdoar pecados. Por isso é que Jesus disse: "Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes -ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (S. João XX, 21-23).

É um prodígio de misericórdia em nosso favor!

Todos reconhecem que os reis da terra têm o poder de mandar administrar a justiça em seu nome, quer dizer, de confiar a magistrados o direito de absolver e de condenar os culpados. Por que recusam a Deus o mesmo direito? O Rei do Céu terá menos poderes do que suas criaturas?
Evidentemente Deus pode confiar a homens o poder de perdoar os pecados em seu nome. Ora, é um artigo de fé que Jesus Cristo comunicou este poder aos padres quando lhes disse: os pecados serão perdoados a quem vós os perdoardes. O Salvador não disse: os pecados serão perdoados a quem anunciardes que lhes são perdoados; não; pois, absolvendo, o padre perdoa verdadeiramente os pecados na qualidade de substituto de Jesus Cristo, em virtude do poder que lhe foi dado por Nosso Senhor, que é o principal ministro do Sacramento.

Vamos ouvir agora a Santo Afonso (do seu livro SELVA): "Perdoar pecados só a onipotência de Deus o pode, como a Santa Igreja dá a entender em sua orações do 10º domingo depois de Pentecostes: 'Ó Deus que manifestais, principalmente, vosso poder perdoando'... etc. Ouvindo o Salvador conceder ao paralitico o perdão de seus pecados, os judeus tinham, pois, razão de exclamar: Quem pode perdoar os pecados, senão Deus só? (S. Lucas, V, 21). Pois bem! a graça do perdão, que só Deus pode conceder por seu poder divino, um homem pode também concedê-la por estas palavras: Eu vos absolvo dos vossos pecados; este homem é o sacerdote. Notemos que ele não diz: "Deus vos absolve"; mas diz: "Eu vos absolvo". Dando a absolvição, ele fala como Deus, porque Deus lhe comunicou seu poder imenso e infinito para perdoar.

Se Jesus Cristo descesse a uma igreja e se assentasse em um confessionário para administrar o sacramento da penitência, enquanto um sacerdote estivesse assentado em um outro confessionário, é de fé que, quando o divino Redentor e o padre dissessem: Ego te absolvo a peccatis tuis, os penitentes ficariam absolvidos igualmente, tão bem por um, como pelo outro. Prova evidente de que o confessor ocupa o lugar de Jesus Cristo. Na verdade o sacerdote tem o poder das chaves; isto significa que ele pode livrar do inferno o pecador bem disposto, torná-lo digno do céu, e de escravo do demônio fazê-lo filho de Deus; e Deus mesmo é obrigado a concordar com a sentença do padre, recusando ou concedendo o perdão, conforme o sacerdote recuse ou conceda a absolvição, suposto que o penitente seja digno dela. De modo que "o juízo de Deus está entre as mãos do padre," diz S. Máximo de Turim. A sentença do padre precede, acrescenta S. Pedro Damião, e Deus a subscreve".


Vamos ouvir S. João Crisóstomo: "Criaturas que vivem sobre a terra são chamadas ao exercício de um poder que Deus não deu nem aos anjos, nem aos arcanjos. Não foi a estes que Ele disse: O que vós ligardes sobre a terra será ligado no céu, e o que vós desligardes sobre a terra será desligado no céu. Os príncipes da terra têm o poder de ligar, mas somente os corpos, ao passo que os laços de que dispõem os sacerdotes atingem à alma e vão até os céus; o que os padres fazem aqui na terra, Deus o confirma no céu, e o mesmo Senhor confirma a sentença de seus servos. Ele lhes deu por assim dizer a onipotência no céu. Ele disse: Os pecado serão perdoados àqueles a quem os perdoardes e serão retidos àqueles a quem os retiverdes. Haverá um poder superior a este? O Pai deu a seu Filho o poder de tudo julgar (S. João V, 22). E vejo o Filho confiar este mesmo poder aos seus sacerdotes". Vamos ver no próximo post que isto é uma grande honra. 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A CONFISSÃO BEM FEITA PROVOCA TRANSPORTES DE ALEGRIA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Caríssimos, peço que não julguem ser fruto de puro sentimentalismo o que agora vou escrever. A alegria que vem de uma santa confissão, máxime de uma confissão geral bem feita, é algo que sobrepuja todo entendimento humano, é divino, é sobrenatural. Quantos e quantas que antes da confissão choravam de tristeza, após a confissão, choravam de alegria! E digo mais: esta alegria inefável, enche também o coração do confessor. Basta pensarmos no seguinte: uma alma sair das garras do demônio e ser colocada nas mãos de Deus, Nosso Pai e Senhor! Deixar o caminho que conduzia ao inferno e passar a trilhar o que conduz ao céu. Vale a pena estendermos as nossas reflexões sobre tema tão agradável ao coração humano!

Caríssimos, como exprimir os transportes de alegria que experimenta uma alma pecadora, no momento em que o padre, em nome do Rei dos céus, lhe diz:  Eu vos absolvo, que Deus a abençoe, vai em paz! Ela experimenta uma felicidade que as delícias da terra nunca lhe puderam dar. A alma pensa: não estou mais nas cadeias do demônio; sou filha de Deus, o céu tornou-se minha herança!

Demos aqui a palavra a Mons. Giraud: "Admirai, a transformação deste homem, outrora pecador e hoje penitente; era triste e pensativo, e, se algumas vezes parecia sorrir, esse sorriso era forçado e traduzia lágrimas; os mais suaves sentimentos da vida, os prazeres da amizade, os amores da família, estavam corrompidos por uma dor secreta; uma palavra de religião, uma lembrança da morte, da eternidade, o lançava numa profunda melancolia. Vede-o agora ao sair do tribunal da penitência. Que encanto! Que alegria! Chora, e acha suavidade em chorar; seu coração se desfaz em delícias, seu bom gênio voltou-lhe com a graça. Desde que ama seu Deus tornou-se mais amável para com o próximo! Parece ter tornado a uma nova existência e renascer para uma vida mais suave. Sua fronte carregada de desgosto se esclarece e brilha, seu sono agitado torna-se tranquilo, seu coração oprimido abre-se e derrama, como um vaso cheio, a alegria que não pode conter. Ainda há pouco duvidava das verdades da fé, agora crê em tudo, descansa com amor na religião que perdoa. Temia a confissão como um suplício, agora ele a aprecia, a abençoa, a pratica sem esforço. Vinde, pois, ó pecadores, experimentai esse remédio salutar. Provai e vede; que a primeira amargura não vos afaste; a amargura está na superfície, mas a doçura reside no fundo do cálice. "Provai e vede, o quanto é suave!" (Salmo XXX, 8)."

Vou contar-vos um fato: Um protestante entrou um dia em uma igreja católica, na ocasião em que os fiéis se apressavam em volta do confessionário. Ficou tão maravilhado da felicidade que ao sair do tribunal sagrado lhes resplandecia no rosto, que exclamou: é esta a verdadeira Igreja, é aqui que se realiza a palavra do Evangelho: "os pecados serão perdoados aos que vós os perdoardes". Já havia lido João XX, 22-24. Só a Igreja romana, exclamou ele, perdoa os pecados, como está claro na Bíblia; ela é, pois, a única Igreja de Jesus Cristo". Apressou-se a abjurar a heresia afim de poder gozar também as santas alegrias da confissão.

Não sei se é impressão minha, mas os protestantes em geral (É claro que ha exceções) não aparentam aquela alegria franca que brota do íntimo da alma. É talvez, a falta da confissão. Eles dizem que pedem perdão diretamente a Jesus. Aliás, dizem que basta confiar que Jesus é o Salvador! Mas ouviram alguma voz vinda do céu que lhes garantia o perdão? No fundo devem reconhecer que só a Religião católica segue integralmente o que Jesus deixou e disse: "Recebei o Espírito Santo, a quem perdoardes o pecados serão perdoados"... "Quem vos ouve a mim ouve".

Caríssimos, há sempre o receio de se dizer aos doentes que se devem confessar; na confissão não se lhes fala senão o mais tarde possível. quase sempre quando já é tarde. Ah! a confissão não faz morrer; ela é mais salutar do que se pensa. A paz da alma influi muito sobre a saúde. A confissão acalma as agitações tão penosas da consciência, dissipa o temor tão horrível do futuro, suaviza os sofrimentos pela resignação, transforma os pensamentos tristes e acabrunhadores em pensamentos cheios de esperança e de consolação. Já fui Capelão em hospitais, já atendi milhares de doentes, e posso afirmar que, pela graça de Deus, muitos se recuperaram logo após receber os sacramentos. Daí, eu, que no começo encontrava tanta dificuldade em poder atender os doentes que estavam em quartos particulares, depois de alguém tempo, os parentes e até os médicos católicos iam me procurar para eu dar os sacramentos.


Tissot, não o célebre escritor espiritual católico, mas o célebre médico protestante, tratava de uma senhora estrangeira, cuja doença chegou a um ponto assustador. Conhecendo a gravidade de seu estado e atormentada pelo pesar de deixar tão cedo a vida, entregou-se a violentas agitações e aos transportes do desespero. O médico Tissot julgou que este novo abalo lhe abreviasse o termo da vida e, embora protestante, segundo seu costume, preveniu que não tardassem a administrar à doente todos os socorros da religião que só a Católica possui. Então é chamado um padre. A doente o escuta, e recebe como o único bem que lhe resta, as palavras de consolação que saem da sua boca. Ela se acalma, se ocupa de Deus e de seus interesses espirituais, e recebe os sacramentos com grande edificação. No dia seguinte o médico a encontra calma, e admira-se que já não tenha febre e que os sintomas mudassem para melhor; breve a doente ficou curada. O médico Tissot costumava repetir este fato e exclamava com admiração: "Tal é o poder da confissão entre os católicos!" Amém!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A CONFISSÃO BEM FEITA DÁ A PAZ E A FELICIDADE VERDADEIRAS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

 Nosso Senhor Jesus Cristo disse: "Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz; não vo-la dou como a dá o mundo" (S. João XIV, 27). O demônio faz o pecador crer que só será feliz se seguir o mundo com suas concupiscências, fazendo o pecado. Mas o diabo é o pai da mentira. Nosso Senhor Jesus Cristo é a verdade, Ele é alegria infinita. Estar com Jesus, diz o Livro da Imitação de Cristo, é um doce Paraíso; e estar sem Jesus é um terrível inferno. Pois bem! Se a alma perdeu esta alegria infinita que é Jesus, é a confissão bem feita que lhe restituirá a paz de Jesus, que é um dom tão importante que, como diz São Paulo, "sobrepuja todo entendimento humano". Porque Jesus Cristo é Deus e, portanto, infinito, e nós somos criaturas, e, portanto, limitados.

Toda felicidade vem de Deus, que é fonte de todo o bem. Unido a Deus pela graça, o homem é feliz; mas, separado de Deus pelo pecado, é soberanamente infeliz. Assim dizia o profeta Jeremias II, 19: "Sabei e vede, como é amargo ter abandonado o Senhor". Com o pecado nasce na alma um verme roedor que se chama remorso de consciência. O rei Davi explica a vida infeliz que levou enquanto se achava em estado de pecado: "Minhas lágrimas serviram-me de alimento, porque, dia e noite, eu ouvia uma voz interior que me fazia esta censura: onde está o teu Deus?" (Salmo 41, 4). Mas parece, dizem muitos, que as pessoas do mundo são felizes...! Mas é a paz do mundo; e esta é enganadora. O fato de os mundanos procurarem sem cessar divertimentos e prazeres, é justamente porque nunca estão satisfeitos. Pelo contrário, basta um momento de sossego, logo sentem o espinho do remorso. Santo Agostinho dizia: "O pecador é infeliz porque sente o remorso; e os que já não o sentem mais, são mais infelizes ainda, porque certamente senti-lo-ão eternamente". Realmente, o remorso é um meio da misericórdia divina levar o pecador ao arrependimento e daí à confissão. Mas com tanto pecar, a consciência pode se tornar cauterizada, é aí já não sente mais o remorso, e tanto pior.

O único remédio contra os remorsos é a confissão bem feita; somente ela, instituída por Deus para perdoar os pecados, pode dar ao homem a certeza divina de seu perdão, estando ele bem disposto. Ouvi a este respeito o protestante Naville: "Parece-me, diz ele, que é bastante entrar em si mesmo para compreender como a Igreja romana, com as graças de que ela dispõe e a sua divina autoridade, se vê apoiada pelas necessidades mais íntimas da nossa alma. Quem não voltou um olhar de inveja para o tribunal da penitência! Quem não desejou na amargura do remorso, na incerteza do perdão divino, ouvir de uma boca que o pode dizer com o poder de Jesus Cristo: 'Vai em paz, teus pecados de são perdoados'."

Acrescentaremos, caríssimos, com o conde de Maistre: "Que há de mais natural do que o movimento de um coração que se chega a outro coração para nele derramar um segredo? O infeliz, despedaçado pelo remorso ou pela dor, tem necessidade de um amigo, de um confidente que o escute, o console e algumas vezes o dirija. O estômago no qual está depositado um veneno e que entra em convulsões para o vomitar, é a imagem perfeita de um coração onde o inimigo infiltrou a sua peçonha: sofre, debate-se, contrai-se até que ache um coração amigo, ou ao menos assaz benévolo, para ser o confidente de sua desgraça".


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A CONFISSÃO É SALVAGUARDA DOS BENS E DA REPUTAÇÃO DO PRÓXIMO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

A confissão impede o roubo, a maledicência, a calúnia; ela exige a reparação de toda a injustiça cometida contra o próximo. O próprio Rousseau, ímpio como foi, exclamava: "Quantas reparações, quantas restituições a confissão obriga a fazer!" Também a escritora Mme. de Genlis  relatava em uma de suas obras: "Há seis meses que me roubaram o valor de dez mil francos em objetos de prata. Foi-me impossível descobrir o autor deste roubo. Ontem o Sr. Cura de Santo Eustáquio pediu-me para falar em particular. Era para me anunciar que trazia consigo a restituição do roubo. Estamos no fim da quaresma e o ladrão quis fazer sua páscoa. Se, em vez de ter sido educado no religião católica, não conhecesse senão a filosofia da escola moderna, ele pensaria que o que é bom para roubar é bom para guardar".

Voltaire, o patriarca da impiedade, chamava a confissão "uma coisa excelente, uma instituição salutar, o maior freio que se pode pôr aos crimes, e sobretudo o único freio para os crimes ocultos".

Leibnitz, embora protestante, dizia: "a necessidade de confessar-se afasta muitos homens do mal, principalmente os que não estão ainda endurecidos, e oferece grandes consolações aos desalentados. Também considero o confessor como o principal órgão da divindade para a salvação das almas; seus conselhos servem para regar nossas afeições, evitar as ocasiões de pecado, restituir o roubado, reparar os escândalos, levantar os espíritos abatidos, enfim para curar e suavizar todos os males das almas doentes".

Dizia também o célebre Mons. Gaume: "Descobri um só interesse público ou privado, moral ou material que a confissão não proteja, e que não proteja mil vezes mais eficazmente do que os magistrados armados de toda a autoridade das leis humanas. A confissão protege a santa autoridade dos pais e dos reis, contra a insubordinação dos filhos e dos povos; protege a vida moral e mesmo física dos filhos contra a negligência e a má vontade dos pais; protege a inocência, a reputação, a propriedade, a vida e a tranquilidade de todos, contra as paixões culpáveis que a todos ameaçam, paixões cujos germes existem no coração de todos os filhos de Adão. Homens cegos, que tendes a desgraça de não vos confessardes, pais, mães, negociantes, ricos e pobres, não sabeis o que deveis ao tribunal da penitência. Sem a confissão, desde muito, talvez, a desonra pesasse sobre o que tendes de mais caro, a calúnia tivesse enxovalhado vosso nome, a injustiça abalado vossa fortuna, uma taça de amargura abreviado vossa vida".  


Caríssimos, há uma tara terrível que é mais freqüente que muita gente pensa: é a cleptomania, isto é, a tendência patológica para furtar. Pois bem, além do tratamento de especialistas, psicólogos e psiquiatras, não resta dúvida que a confissão é o grande meio para ajudar as pessoas vítimas de tal mania, a se curarem inteiramente. 

A CONSCIÊNCIA CRISTÃ


"Tudo o que não é segundo a fé é pecado" (Rom. XIV, 23).

Todo ato cristão  parte do íntimo da alma unida a Deus em conformidade com a Verdade que é Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim os dois conceitos FÉ e CONSCIÊNCIA CRISTÃ, coincidem perfeitamente. É, pois, a adesão interior a Jesus Cristo que faz nossa fé e nossa consciência. Portanto, quando o cristão unido interiormente a Jesus Cristo, age em desacordo com essa luz divina, peca. É neste sentido que S. Paulo diz: "Tudo o que não é segundo a fé, é pecado". São João Crisóstomo, com todos os intérpretes gregos, ensina que no texto em apreço, "FÉ" quer dizer "CONSCIÊNCIA".

Caríssimos, Nosso Senhor Jesus fez sua Igreja com sua hierarquia para ser a luz do mundo e o sal da terra. O Cristianismo é, por essência, uma doutrina sobrenatural da salvação. Seu fim é ensinar ao homem a sua elevação a um destino superior e subministrar-lhe os meios proporcionados à sua consecução. Mas a graça supõe a natureza. É a natureza do homem que é elevada à ordem sobrenatural. É sobre a natureza reta ou retificada que ele poderá realizar a sua missão sobrenaturalizadora. A moral humana e o direito natural só podem desenvolver-se e formular-se em corpo de doutrina pela Santa Madre Igreja. Por isso, onde e na medida em que o racionalismo laicista ou o materialismo ateu tentam banir a doutrina católica, renascem os ídolos pagãos com as suas servidões humilhantes e a pessoa perde sua dignidade. Enquanto os instintos cegos e as paixões indisciplinadas, onde a impureza, a ambição e o orgulho multiplicam os erros e as desordens, o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo será o único meio para difundir claridades para o verdadeiro progresso aqui e máxime para as vias que conduzem à Eternidade Feliz. A Igreja de Nosso Senhor Jesus esclarece as inteligências e possui o segredo de energias sobrenaturais capazes de fortalecer a vontade. É ela, e somente ela, que plasma e ilumina as consciências tornando-as certas, retas e delicadas. Sua ação é interior, profunda e eficaz. Na prática do bem a consciência apura-se numa delicadeza e sinceridade que deve ter por testemunha o olhar de Deus. O amor de Jesus Cristo, modelo de perfeição humano-divina, deve introduzir no dinamismo da vida moral dos verdadeiros católicos uma força misteriosa de dedicação e generosidade, chegando mesmo ao heroísmo do martírio. É o fruto da consciência bem formada, é o exercício da virtude exaltada até à santidade.

Mensageira autorizada da verdade e do bem, a Igreja não poderá jamais deixar de testemunhar a verdade de Jesus, assim como jamais poderá eximir-se de ligar as consciências a esta Verdade, sem que pretenda com isso, é óbvio, violentá-las. O que ela quer é a sua adesão não puramente exterior, mas interior. Quando esta adesão interior lhe é resolutamente recusada, a Igreja não força, mas não pode senão implorar a misericórdia divina que converta os recalcitrantes. Nunca será misericórdia, abraçar o pecador com o pecado e tudo, no caso de o pecador se recusar a voltar atrás e se converter. A Igreja, a exemplo do Divino Mestre, é missionária, e deve ir à procura do pecador para o converter e não para falsear sua consciência no afã de tranquilizá-la no erro e no pecado. Isto é, sim, monstruosa impiedade: enganar as almas com uma paz que não é a de Jesus Cristo, mas a do mundo.
Procurar tirar os pecados das consciências não é fanatismo nem dureza de coração; é simplesmente preocupação de sinceridade e de retidão interior. A Igreja não pode tolerar, nem tem mesmo o direito de fazê-lo, que no número dos seus membros se encontrem católicos que só o sejam de nome. A Igreja Católica, deve ser por excelência, a preservadora e impulsora da moralidade humana. Deve ser o sal da terra para, dando gosto pelas coisas de Deus, preservar a almas e a sociedade da corrupção, seja ela lá de que espécie for. Só o Cristianismo pode ser escola de santos. A graça supõe a natureza, mas uma natureza reta ou retificada. Não será bom católico quem não começar por ser homem honesto.

A Igreja considerou sempre como parte de sua missão divina, elevar e sanear o ambiente moral da família. Se é verdade que, sendo a consciência a regra imediata que se deve seguir, nunca será lícito alguém ir contra ela, não é menos verdade que a intenção de conformar os nossos atos com a regra absoluta, que é a condição essencial do seu valor moral, supõe necessariamente o desejo e a intenção eficaz de a conhecer o mais exatamente possível. Eis porque o erro e a ignorância em semelhante matéria são imputáveis quando provêm da negligência em se instruir ou da prática continuada do mal, que acabou por obscurecer ou falsear a consciência. Assim, toda consciência errônea deve ser endireitada. Portanto, não poderia ser maior a impiedade, por parte de alguém da hierarquia eclesiástica ser o primeiro a exortar a alguém que esteja  procurando esclarecimento, a seguir em frente com sua consciência, ainda que clara e gravemente errônea. Seria a mãe dar uma serpente ao filho que lhe pedisse um peixe; dar uma pedra em lugar dum pão; e pior ainda, dar ao filho doente, em vez de remédio, veneno. Outrossim, é uma impiedade sem nome, a autoridade suprema da Igreja se recusar a esclarecer as consciências que esta mesma autoridade perturbou com alguma ambiguidade em questões de fé e moral. Devemos pedir a Deus pelos quatro cardeais que apresentaram ao papa as "DUBIA" e por todos os que os estão aprovando, para que continuem firmes na defesa da santa doutrina  de Nosso Senhor Jesus Cristo! Devemos também orar para que o Papa Francisco veja que não se trata de coisas de somenos importância, mas sim da Lei suprema da Igreja que é procurar a salvação das almas. Não se trata, pois, de procurar evitar a extinção de espécies animais mas trata-se de evitar a extinção da fé nas almas.

Caríssimos, na religião do homem que hoje se procura instaurar, até quanto ao SER MORAL o homem é deus para si mesmo. Nestes tempos calamitosos e faltos de fé, geralmente não se leva mais em conta a LEI de DEUS; já em muitos países são aprovadas leis contra o Decálogo e até contra a natureza, leis nela já insculpidas por Deus desde à criação.  E  já foram aprovados por lei,  o divórcio e até o aborto, a sodomia, pecados estes que bradam aos céus exigindo vingança. Não poderia ser maior o falseamento das consciências! As novas gerações acharão natural o que na verdade são monstruosos desrespeitos a Deus. Na míngua de sacerdotes que orientem as almas na verdade e no verdadeiro amor e adoração ao Criador, o mundo caminha no sentido de adorar as criaturas. Realizam-se, sem dúvida, as profecias de Nossa Senhora de La Salette. Não foi sem razão que Nossa Senhora apareceu chorando. E neste ano completam-se 45 anos que a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima derramou lágrimas várias vezes em Nova Orleans nos Estados Unidos. 

Feita esta breve exposição, torna-se mais fácil compreender o porquê desta crise atual, crise esta que se estende a todos os campos, desde o religioso até ao econômico. É que o sal perdeu a sua força e não presta para outra coisa senão para ser jogado fora e pisado pelos homens. Apagou-se, ou quase, a luz da fé, a doutrina do Divino Mestre é substituída por novidades fabricadas ao sabor do mundo.
A verdadeira Moral, é substituída por uma NOVA: é a Moral de Situação.


sábado, 21 de janeiro de 2017

A CONFISSÃO SALVAGUARDA CONTRA A IMORALIDADE E UMA MULTIDÃO DE CRIMES

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Todos os pecados, todas as desordens que perturbam e desonram as famílias, todos os crimes enfim que tendem a subverter a sociedade vêm do coração. É mister, pois, purificar e curar o coração humano, se quisermos salvar a humanidade, isto é, as famílias e toda a sociedade. Mas como? Que poderá exercer esta obra maravilhosa? As leis humanas quando boas, podem, sem dúvida, opor algum obstáculo à torrente impetuosa das paixões, mas não são suficientes para estancar-lhes a fonte. Podem, por exemplo, agir sobre as ações públicas como, por exemplo a pedofilia e a pornografia. Infelizmente hoje as leis humanas mais favorecem crimes do que os condena. É o caso do aborto, das uniões adúlteras ou sodomitas. Mas mesmo as leis humanas boas não podem atingir as ações secretas e ocultas, e ainda menos sobre seus princípios, que são os pensamentos e os desejos. Só à Religião de Nosso Senhor Jesus Cristo é reservado este poder; e a Igreja fá-lo através da confissão.

No segredo do tribunal sagrado, no confessionário, o coração se desvenda completamente. Ali, o padre, confidente íntimo do penitente, examina as chagas desse coração doente, e tira dele tudo que está gangrenado. Substitui o mal pelo bem, o erro pela verdade, as afeições desregradas por inclinações santas. Enfim, com sábios conselhos, acautela esse coração tão fraco de novas recaídas.

Nada mais apto para impedir o mal em sua origem, do que a confissão! E na falta de confessores, ninguém tem o poder nem o meio de o fazer. É o que dizia Monsenhor Gaume: "Nem o pai, nem a mãe, nem o amigo conhecem a última palavra do coração de seus filhos ou de seus amigos; há segredos que o homem não pode e não quer revelar senão a Deus. Como são cegos, para não dizer mais, os pais que afastam seus filhos da confissão, e creem poder obter o monopólio de sua confiança! Ah! eles não sabem absolutamente como o coração do homem é formado". E ouçamos o filósofo Marmontel: "Que melhor preservativo para as más inclinações da adolescência, do  que o uso da confissão todos os meses!".

Só a vergonha que acompanha a humilde acusação de um falta, é capaz de reter o homem na borda da abismo: "Eu não farei isto, porque terei de confessá-lo". Quantas infidelidades, quantas desordens a confissão não tem impedido! Quantas almas estariam eternamente perdidas se não se confessassem ou passassem a não fazê-lo mais! Caríssimos, o demônio mudo perde muitas almas afastando-as da confissão.

Portanto, quem quer viver bem ou converter-se depois de uma vida má, que deve fazer? - Deve procurar a confissão. Por isso o demônio mudo, afim de conseguir que alguém se entregue às suas paixões, procura afastar esta pessoa da confissão.

Quem quiser convencer-se destas verdades, basta ver a época da sua vida em que abandonou a confissão. Foi, então, neste tempo que se tornou mais puro e mais virtuoso? Sem a mínima dúvida, não foi. Pelo contrário, foi quando quis entregar-se às suas más inclinações. Caríssimos, o mundo mesmo sabe proclamar em alta voz o que se deve pensar a respeito das pessoas de bem que se confessam todos os meses. O próprio mundo vê sem dificuldade, que estes são católicos exemplares.


É bom, no entanto, estar sempre lembrando, que a confissão produz seus salutares efeitos, quando bem feita. Fazer mal a confissão, é sim, transformar um remédio em veneno. Que Deus nos livre de tamanho mal e perigo para a salvação! Amém!

sábado, 14 de janeiro de 2017

A CONFISSÃO PRESERVA A ALMA DO DESESPERO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

 Não é difícil o entendermos já que a confissão purifica, eleva e fortifica a alma. Na verdade, caríssimos, quantos se entregam com todo o ardor às suas paixões só porque se desesperam de quebrar as suas correntes opressoras!? E depois, há alguma coisa mais funesta do que a demora prolongada do mal na alma? O pecado induz a outro pecado, um abismo atrai outro abismo,  a alma se deprava cada dia mais e torna-se pouco a pouco a presa duma corrupção secreta, que seria incurável se a bondade de Deus não fosse infinita como o seu poder. O mal estabelecendo-se na alma, derrama nela um veneno mortal que altera no pecador o sentimento divino, mas sem nunca poder extingui-lo; daí esta indisposição, esta amargura, este desgosto surdo e íntimo, uma indisfarçável melancolia que se acumula, por assim dizer, no mais profundo da alma, e cujas explosões são algumas vezes tão terríveis. Dizia Monsenhor Gerbet: "o remorso, muito tempo concentrado, forma no fundo de certas almas como uma mina terrível que ameaça destruir existências pacíficas, e, o que é mais triste ainda, despedaçar corações. A confissão é um meio secreto que previne a explosão desta bomba".

A Providência divina quis que um padre dos mais zelosos e dos mais piedosos se encontrasse um dia, à mesa, com uma sociedade de atores e atrizes. A conversa não poderia ser mais a propósito. O padre ganhou logo a simpatia dos convivas. E mais do que isto: ganhou toda confiança o que deixou todos bem à vontade para fazer perguntas. Foi a graça divina que os levou a perguntar ao padre justamente sobre o sacramento da confissão. E especialmente qual seria a situação dos atores em face da Igreja. Uma e outra parte discutia o assunto vivamente, porém, sem nenhum azedume. De fato o zeloso sacerdote ganhou os corações de todos!


As janelas da sala davam para um magnífico lago. Um barco a vapor vinha passando. "Tendes ali, senhores, disse o padre, o que vai fazer-vos compreender para que nos serve a confissão. Vedes este barco a vapor. Uma força poderosa faz mover a sua máquina e o faz caminhar rapidamente; mas esta mesma força o poria em perigo de explosão e de destruição sem o que se chama a válvula de segurança. Por esta válvula  de escape se exala o excesso de vapor, e assim o barco e os viajantes estão em segurança. O mesmo acontece com todos nós. Temos em nós forças poderosas, que são as nossas paixões. Para estas forças, para estas paixões, é preciso uma válvula de segurança, uma abertura sem a qual estamos perdidos. Pois bem! esta válvula é a confissão, que Deus nos deu para alívio de nossos corações, para consolação e purificação de nossas consciências. Observa-se que nos países onde a confissão é desconhecida, há mais casos de loucura e de suicídio do que naqueles em que existe a confissão". E o padre desenvolveu esta tese com toda a energia e ciência, sustentando-a com numerosos exemplos. Quando se despediu da companhia, uma jovem atriz de vinte e três anos acompanhou-o até a porta da entrada. Quando se viu só com ele, exclamou, com voz sufocada pelos soluços: "Senhor, vós me salvastes! Foi a Providência que vos conduziu para junto de nós. Eu estava desesperada; esta noite eu queria lançar-me no lago e nele acabar com as dores da vida... Agora quero confessar-me". O padre tranquilizou com doçura aquela pobre moça, induziu-a a deixar o teatro, o que obteve sem dificuldade, e apressou-se a reconciliá-la com Deus. Ela tornou-se desde então uma boa e fervorosa cristã. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A CONFISSÃO É REMÉDIO CONTRA O ORGULHO E O DESÂNIMO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Sabemos, caríssimos, como o orgulho, a pusilanimidade e o desespero são funestíssimos na vida espiritual do homem.  Com a graça de Deus, veremos  como a Confissão sacramental é, por sua vez, um excelente remédio para estes males.

O orgulho é a fonte de todos os vícios e de todos os pecados. Cometendo pecado o homem se revolta contra Deus e diz, se não de boca, ao menos pelas suas obras: " Não servirei a Deus!" Como Lúcifer, parece dizer que será igual ao Altíssimo (Cf. Isaías, XIV, 14). E sabemos que o orgulho só se pode curar pela humildade e esta só se pode adquirir pela humilhação. Mas sabemos que o ato mais humilhante para o homem decaído é a acusação franca e completa de suas obras, de suas palavras, de seus pensamentos e de seus desejos culpáveis. Pois bem, a confissão é esta acusação. Portanto, de todos os meios o mais eficaz para quebrar o orgulho, é a confissão. Por isso mesmo Tertuliano chama a confissão "a arte de humilhar o homem". E se o pecado entra na alma pelo orgulho, dela deverá sair pela humildade. Isto é feito sobretudo pelo sacramento da Confissão.

O desânimo é outra fonte de faltas. O infeliz que acaba de pecar sabe que manchou sua alma e que não é mais filho de Deus. Desonrado aos seus próprios olhos, não penetra no seu íntimo sem se envergonhar.  O demônio, que não dorme, para o reter em suas correntes, representa-lhe de modo exagerado a enormidade de sua falta, a vergonha que dela resulta, a dificuldade de receber o perdão, a impossibilidade de readquirir a virtude. Eis, que se torna triste, pesado a si mesmo e aos outros. Cai sobre o infeliz uma espécie de depressão. Logo desanima e novas recaídas se seguem. Judas Iscariotes, vendo que Jesus se deixara prender e fora condenado, se arrependeu e sentiu necessidade de ir até aos Príncipes dos Sacerdotes devolver as 30 moeda. Então disseram-lhe: Agora, arranja-te, que te vire! Ah! se o Iscariotes tivesse se ajoelhado diante de Jesus e pedido perdão! Seria perdoado na hora, e retornar-lhe-ia a paz. Mas como não o fez, e, diante da repulsa dos Sacerdotes da Antiga Lei, se desesperou e suicidou-se.


Quando uma alma cai, é necessário o quanto antes reanimá-la. Ora o meio mais eficaz para isto é justamente a confissão. Na verdade, quando o pecador cai e logo é curado da doença secreta que o consumia, torna-se outro homem. Sente-se renovado e parece que a vida recomeça para ele. Daí resulta uma coragem e um ardor de que não se sentia mais capaz. Romper com um passado infeliz, recomeçar a vida, isto é para ele de uma importância sem par. É o que o salva do desânimo e deste suicídio moral que consiste em não mais lutar contra o mal, e de precipitar-se de olhos fechados no abismo aberto aos seus pés.  Com esta renovação de vida, a alma vê reentrar nela a paz, a serenidade, alegria e a felicidade. O remorso a despedaçava quando estava sob o jugo do pecado; o confessor, que ali está no lugar de Jesus, lhe disse: "Filho, vai em paz, que Deus o abençoe!" A alma não duvida da verdade dessa sentença redentora; sabe que está reconciliada com Deus e tornou a ser sua amiga; esta suave segurança expulsou de sua alma todo o medo e toda a inquietação. Que felicidade para o homem ter a seu lado um tribunal onde sabe, com certeza que pode receber o perdão de suas faltas!  

domingo, 8 de janeiro de 2017

A FAMÍLIA

 
LEITURA ESPIRITUAL Dia 19 de abril

   Vemos com tristeza, como a sociedade está moralmente enferma, totalmente invadida e convulsionada pelo paganismo e a imoralidade. Mas não bastam lamentações. Mister se faz atacar o mal pela raiz. Ora, as famílias são as raízes que elaboram o alimento moral da sociedade. É a célula da sociedade; pois esta se forma de indivíduos e estes por sua vez se formam na família.

   Temos, então, que dedicarmos todos os nossos cuidados à família, para termos realmente uma sociedade sadia. A família é obra da mão de Deus. É inútil querer corrigir a crise da sociedade, se não se põe o primeiro cuidado em conservar a família. Os filhos das trevas, como disse Jesus Cristo, são muito espertos e nós vemos com tristeza, como as ideias comunistas estão se espalhando pelo mundo como um gás sumamente venenoso e que destrói em primeiro lugar as famílias, Pela imoralidade, imodéstia nas vestes, televisão, pornografia na Internet, divórcio, maus exemplos, principalmente nos colégios que vão se tornando focos de imoralidade e heresias, etc, etc. a indissolubilidade do matrimônio católico está em risco de dissolução quase total.  E, por outro lado, o sal na Igreja está perdendo sua força, deixando a corrupção reinar soberana. As paixões têm campo livre, os vícios, campeiam como chamas num canavial. 

   E não bastassem os comunistas por fora, há-os internos. E, horribile dictu, o próprio Sumo Pontífice reconhece que as últimas mudanças que ele fez nos processos matrimoniais quanto à declaração de nulidade podem colocar em risco a indissolubilidade do matrimônio. Muitos casamentos se dissolveram não porque nulos, mas por causa da ausência total ou quase das virtudes cristãs, e, por outro lado pelo reinado desenfreado das paixões as mais nefandas. Para estes não só a "a misericórdia" do divórcio mas a possibilidade de se casarem novamente e até comungarem. 

   Deus fez bem todas as coisas e se existe o mal no mundo, sua causa deve ser procurada na malícia humana que perverte a harmonia do Criador. A formação da família, poderia parecer algo profano, ao passo que, na realidade, ela tanto tem de santo como de sublime. O casamento não é um mal (como muitos hereges pensaram), pelo contrário, é um bem. Foi Deus quem o fez desde o Paraíso Terrestre. É bem verdade que devido o pecado original, o casamento decaiu de sua primitiva dignidade. Mas o Filho de Deus que veio ao mundo para remir a humanidade e iluminá-la restituiu o casamento à sua primitiva santidade elevando-o à dignidade de sacramento.

   Jesus Cristo, quis assistir em companhia de sua Mãe Santíssima a uma festa de casamento em Caná da Galileia, aprovando e santificando com sua divina presença. o vínculo conjugal, operando também nesta ocasião o seu primeiro milagre.

   Um dia os fariseus interrogaram a Jesus: "É lícito ao homem repudiar sua mulher? Ele, porém, lhes respondeu: Desde o princípio, Deus criou o homem e a mulher, logo o homem deixará seu pai e sua mãe e viverá com sua mulher. Não separe, portanto, o homem o que Deus uniu".

   Ter esta firme e inabalável convicção sobre a divina instituição do matrimônio, sempre foi de extrema necessidade, mas, hoje, ademais, tornou-se muito urgente. Pois são tantos os homens que ignoram de todo a grande santidade do matrimônio cristão. São inúmeros os que a negam e calcam aos pés. 

   Lacordaire, o grande conferencista francês, queria que seus amigos Ozonam e Luis Veuillot o imitassem e renunciassem o casamento. Mas Veuillot, com todo direito achou por bem se casar. E quando Lacordaire soube, exclamou: "Mais um que ficou na armadilha". Relataram ao papa a frase de Lacordaire e sorrindo comentou o Santo Padre: "Eu não sabia que Nosso Senhor havia instituído 6 sacramentos e 1 armadilha". 

   Outro exemplo bem diferente deste: São Francisco de Sales hospedava em sua casa um amigo. E o santo bispo, com aquela sua grande caridade, tratava o seu amigo com as maiores finezas, inclusive todas as noites ia acompanhá-lo até ao seu quarto. E o hóspede, confundido por tanta delicadeza, disse a São Francisco de Sales que não era digno de ser tratado assim por um bispo, ele que era um simples leigo. Mas o santo bispo perguntou-lhe: "Então o meu amigo não é casado?" - Ainda não, respondeu o amigo.  -  "Ah! , retrucou São Francisco de Sales, então tem razão de protestar: de hoje em diante tratá-lo-ei com mais confidência e com menores finezas". É que o Santo da mansidão pensava que uma pessoa casada devia ser cercada de uma veneração maior, pela dignidade do sacramento do matrimônio que confere aos esposos uma graça que os torna capazes de se amarem sobrenaturalmente, de educarem os seus filhos e de suportarem com serenidade os pesos da vida. 

   O matrimônio é portanto um sacramento, fonte de bênçãos, rico em simbolismos, expressivo no seu programa que é a comunhão da vida toda até a morte com todas as suas manifestações: Comunhão de vida natural: "serão os dois uma úncia carne", disse Deus. Comunhão de interesses: e portanto os bens materiais e as perdas andam em conjunto. Os afetos também se entrelaçam. E é por isso que São Paulo manda que o homem ame a sua esposa como a si próprio. Comunhão de fidelidades e deveres: ambos geram o corpo da criança e ambos concorrem para a geração moral, isto é, para a educação da mesma. Por isso é que Nosso Senhor impôs aos filhos o precito de honrar "Pai e mãe". Comunhão de trabalhos: juntos devem cultivar o mesmo campo e nos mesmos espinhos sangram as mãos e ferem os corações. Comunhão de lutas e vitórias: em todas as fases da vida, e até a morte. 

   Assim é que deveria ser compreendido e sobretudo vivido o matrimônio. Como são belos os componentes de uma família verdadeiramente cristã! A família cristã tem Jesus que a consola e nunca será desolada. Diz o próprio Divino Espírito Santo na Bíblia: "Ditoso o homem que tem uma virtuosa mulher". "A mulher virtuosa é o prêmio dos que temem a Deus, e será dada ao homem em recompensa pelas sua boas obras".  "Cooperadora da Providência e complemento do homem, a mãe gera, nutre, educa, dá forma, brilho e esmalte à existência. É autora maravilhosa e destra escultora dos seres" (Palavras de um poeta castelhano). 

   Uma mãe verdadeiramente cristã, não é mais uma simples mulher, é uma santa! "Me deem mães verdadeiramente cristãs, e eu salvarei este mundo decadente" (S. Pio X). 

   Outro dom tão precioso na família são os filhos: Frederico Ozonam, o grande literato católico, fundador das conferências de São Vicente de Paulo escrevia estas linhas junto ao berço de sua primeira filhinha:  "Ah! que momento aquele em que ouvi o primeiro vagido de minha filha e vi a criatura imortal que Deus confiava ao meu cuidado, e que tantas doçuras e obrigações era portadora para mim! Não consigo mirar esses olhos que destilam suavidade e pureza, sem descobrir neles, menos apagado que em nós, o retrato sagrado do Criador". Na verdade, os filhos são um dom de Deus.

   Como é belo também o homem virtuoso na família, como a cabeça, o chefe, com a sua autoridade suave, com a sua proteção, como São José na Sagrada Família.  Vêm-nos à mente as palavras de Santa Terezinha: "Deus deu-me pais mais dignos do céu que da terra". Pai e mãe santos! Que graça!

   Não esqueçamos nunca que toda esta beleza e sublimidade da família estão na observância da lei de Deus. Por isso é que São Paulo diz que "o casamento é santo, mas no Senhor". Quantos casamentos, hoje embora válidos, são sacrílegos. Quantos pecados, quantos crimes! Uma coisa tão sublime, tão santa e, no entanto, tratada hoje com tanta leviandade, feita sem nenhuma preparação, . Pior: toda santidade, toda bênção são afastados por tantos pecados cometidos antes e depois do casamento. 

   Não consigo terminar este artigo, embora já longo, sem relatar pelos menos algumas palavras do Papa Pio XII: "Aqueles, pois, que nas igrejas exercem funções diretivas ou de magistério, exortem assiduamente os fiéis a que constituam e mantenham famílias segundo a norma da sabedoria do Evangelho - buscando assim com assíduo cuidado preparar para o Senhor um povo perfeito. Pelo mesmo motivo, cumpre também sumamente atender a que o dogma, que por direito divino afirma a unidade e indissolubilidade do matrimônio, seja compreendido em sua importância religiosa e santamente respeitado por todos os que contraem núpcias. Que tão capital ponto da doutrina católica tenha validíssima eficácia para a sólida estrutura da família, para o bem-estar crescente da sociedade civil, para a saúde do povo e para uma civilização cuja luz não seja falsa..." (Pio XII, "Sertum laetitiae). 


VIRTUDES PARA UMA FAMÍLIA CRISTÃ


LEITURA MEDITADA 

"Irmãos: revesti-vos como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, benignidade, humildade, modéstia e paciência, suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos mutuamente, se alguém tiver queixas contra o outro; assim como o Senhor vos perdoou, perdoai-vos também. Mas sobre tudo isto: tende a caridade que é o vínculo da perfeição; e reine em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos. Habite em vós abundantemente a palavra de Cristo, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando em vossos corações, com a ação da  graça, louvores a Deus. E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obra, fazei tudo em nome do Senhor Jesus Cristo, dando graças por Ele a Deus Pai. Mulheres, estai sujeitas a vossos maridos, como convém ao Senhor. Maridos, amai vossas mulheres, e não sejais ásperos para com elas. Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. Pais, não provoqueis à indignação os vossos filhos, para que se não tornem pusilânimes" (Colossenses, III, 12-21).

Nestas exortações de S. Paulo temos os elementos indispensáveis para a felicidade das nossas famílias. Assim, o Apóstolo,  às opiniões do modernismo, destruidor dos mais sagrados vínculos, opõe os preceitos e virtudes criadores de uma felicidade e de uma paz ainda possível neste mundo. Aí está o segredo da paz familiar. Nosso Senhor Jesus Cristo afirmou que os filhos das trevas são mais prudentes nos seus negócios que os filhos da luz nos seus. Só para dar dois exemplos: O comerciante, aos clientes oferece prontamente suas mercadorias, ocultando a sua irritação quando as desprezam e sem ofender-se quando as recusam. Que "misericórdia"; que "paciência"; que "benignidade"; que 'humildade"; que "perdão das ofensas"; que "que sorrisos de amabilidade!". O político, a todos acolhe com amabilidade, tolerante com quem o importuna e prestimoso com quem lhe pede auxílio.  O comerciante faz tudo isto como se fosse um santo, mas não: é só para ganhar dinheiro. (Não quero com isto negar que há comerciante santo também). O político parece praticar virtudes heróicas, mas, na verdade, pensa só em conseguir votos, e consequentemente: honra e sobretudo, dinheiro. (Também aqui não pretendo negar que possa existir político santo: é difícil, mas para Deus nada é impossível).
Mas, caríssimos, qual destes motivos compara-se ao grande bem na paz familiar? Dádiva do céu, ela transforma o lar em um vestíbulo do paraíso, as agruras da vida em oásis de bênçãos. A paciência, a humildade, a benignidade, a misericórdia, ensinam aos cônjuges  a arte de se suportarem uns aos outros. Sigam os cônjuges os conselhos de São Paulo supracitados, e as divergências que pareciam separá-los virão a soldar ainda mais o vínculo matrimonial. Saibam os cônjuges perdoar-se mutuamente. Enquanto um momento de silêncio restituirá a bonança; um revide protrairá a tempestade por longos dias e semanas inteiras. Tal como Jesus generosamente perdoou nossos graves crimes, perdoem-se os esposos, com igual generosidade, as discrepâncias de temperamento e de caráter.

A caridade é o liame destinado a unir os fiéis entre si e com Deus. Nesta união consiste toda a perfeição cristã. O amor da paz deveria inspirar todos os sentimentos dos esposos como convém a membros de um só corpo. O lar verdadeiramente cristão deveria estar sempre agradecido a Deus pelos favores d'Ele recebidos. Os ensinamentos e máximas de Nosso Senhor Jesus deveriam ser a bússola em toda a sua conduta e empreendimentos. De um lar cristão são banidas e execradas as máximas do mundo.  "Exortai-vos uns aos outros por meio de salmos, hinos e cânticos espirituais", insiste o Apóstolo, assim apontando-nos na oração a maior garantia de paz para o lar. A oração é ao mesmo tempo, fonte de onde haurimos as energias necessárias para os momentos trágicos que não faltam na existência de cada indivíduo, como não faltam na vida de toda família. Repudiando os maus conselhos de um mundo colocado no Maligno, busquem os esposos na Santa Religião e no seu Deus o conforto que anima, e da prece fervorosa de um coração que sofre sairá a arma vitoriosa que tudo suporta. "Onde quer que dois ou três se acharem reunidos em meu nome - diz Jesus Cristo - estarei eu no meio deles" (S. Mateus XVIII, 20). Na verdade, nunca um lar se sente mais unido como quando todos os componentes se voltam para Deus repetindo todos a mesma prece divina: "Pai Nosso que estais no céu". O lar, porém, que ignora a oração encaminha-se para o desmoronamento, enquanto o lar que ora, que reza todos dias o Santo Terço, sela com o nome de Deus e a intercessão de Sua Mãe Santíssima, a sua união e garante a sua felicidade. Seguindo, pois, os conselhos do Apóstolo São Paulo, não será difícil aos nossos lares realizar aquela felicidade que fará das famílias cristãs outros tantos vestíbulos do céu.

Para terminar, lembremos algo sobre a MISERICÓRDIA. O Rei Davi era um homem santo. A própria Bíblia mostra-o para os outros reis, como um modelo de fidelidade a Deus. Mas, num momento de ociosidade e fraqueza cometeu o gravíssimo pecado de adultério e, em consequência o homicídio, outro pecado muito grave. Deus, através do profeta Natan, abriu-lhe os olhos e tocado de sincero arrependimento exclamou: "Pequei".  Davi chorou a vida toda estes seus graves pecados. Não perdia oportunidade de fazer penitência e escreveu o Salmo 50, Miserere. Eis apenas alguns versículos deste belíssimo salmo de penitência: "Tem piedade de mim, ó Deus, segundo a tua misericórdia; segundo a multidão das tuas clemências, apaga a minha iniquidade" (vers. 1-3); "O meu sacrifício, ó Deus, é um espírito contrito, não desprezarás, ó Deus, um coração contrito e humilhado" (vers. 19).