sábado, 21 de janeiro de 2017

A CONFISSÃO SALVAGUARDA CONTRA A IMORALIDADE E UMA MULTIDÃO DE CRIMES

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Todos os pecados, todas as desordens que perturbam e desonram as famílias, todos os crimes enfim que tendem a subverter a sociedade vêm do coração. É mister, pois, purificar e curar o coração humano, se quisermos salvar a humanidade, isto é, as famílias e toda a sociedade. Mas como? Que poderá exercer esta obra maravilhosa? As leis humanas quando boas, podem, sem dúvida, opor algum obstáculo à torrente impetuosa das paixões, mas não são suficientes para estancar-lhes a fonte. Podem, por exemplo, agir sobre as ações públicas como, por exemplo a pedofilia e a pornografia. Infelizmente hoje as leis humanas mais favorecem crimes do que os condena. É o caso do aborto, das uniões adúlteras ou sodomitas. Mas mesmo as leis humanas boas não podem atingir as ações secretas e ocultas, e ainda menos sobre seus princípios, que são os pensamentos e os desejos. Só à Religião de Nosso Senhor Jesus Cristo é reservado este poder; e a Igreja fá-lo através da confissão.

No segredo do tribunal sagrado, no confessionário, o coração se desvenda completamente. Ali, o padre, confidente íntimo do penitente, examina as chagas desse coração doente, e tira dele tudo que está gangrenado. Substitui o mal pelo bem, o erro pela verdade, as afeições desregradas por inclinações santas. Enfim, com sábios conselhos, acautela esse coração tão fraco de novas recaídas.

Nada mais apto para impedir o mal em sua origem, do que a confissão! E na falta de confessores, ninguém tem o poder nem o meio de o fazer. É o que dizia Monsenhor Gaume: "Nem o pai, nem a mãe, nem o amigo conhecem a última palavra do coração de seus filhos ou de seus amigos; há segredos que o homem não pode e não quer revelar senão a Deus. Como são cegos, para não dizer mais, os pais que afastam seus filhos da confissão, e creem poder obter o monopólio de sua confiança! Ah! eles não sabem absolutamente como o coração do homem é formado". E ouçamos o filósofo Marmontel: "Que melhor preservativo para as más inclinações da adolescência, do  que o uso da confissão todos os meses!".

Só a vergonha que acompanha a humilde acusação de um falta, é capaz de reter o homem na borda da abismo: "Eu não farei isto, porque terei de confessá-lo". Quantas infidelidades, quantas desordens a confissão não tem impedido! Quantas almas estariam eternamente perdidas se não se confessassem ou passassem a não fazê-lo mais! Caríssimos, o demônio mudo perde muitas almas afastando-as da confissão.

Portanto, quem quer viver bem ou converter-se depois de uma vida má, que deve fazer? - Deve procurar a confissão. Por isso o demônio mudo, afim de conseguir que alguém se entregue às suas paixões, procura afastar esta pessoa da confissão.

Quem quiser convencer-se destas verdades, basta ver a época da sua vida em que abandonou a confissão. Foi, então, neste tempo que se tornou mais puro e mais virtuoso? Sem a mínima dúvida, não foi. Pelo contrário, foi quando quis entregar-se às suas más inclinações. Caríssimos, o mundo mesmo sabe proclamar em alta voz o que se deve pensar a respeito das pessoas de bem que se confessam todos os meses. O próprio mundo vê sem dificuldade, que estes são católicos exemplares.


É bom, no entanto, estar sempre lembrando, que a confissão produz seus salutares efeitos, quando bem feita. Fazer mal a confissão, é sim, transformar um remédio em veneno. Que Deus nos livre de tamanho mal e perigo para a salvação! Amém!

sábado, 14 de janeiro de 2017

A CONFISSÃO PRESERVA A ALMA DO DESESPERO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

 Não é difícil o entendermos já que a confissão purifica, eleva e fortifica a alma. Na verdade, caríssimos, quantos se entregam com todo o ardor às suas paixões só porque se desesperam de quebrar as suas correntes opressoras!? E depois, há alguma coisa mais funesta do que a demora prolongada do mal na alma? O pecado induz a outro pecado, um abismo atrai outro abismo,  a alma se deprava cada dia mais e torna-se pouco a pouco a presa duma corrupção secreta, que seria incurável se a bondade de Deus não fosse infinita como o seu poder. O mal estabelecendo-se na alma, derrama nela um veneno mortal que altera no pecador o sentimento divino, mas sem nunca poder extingui-lo; daí esta indisposição, esta amargura, este desgosto surdo e íntimo, uma indisfarçável melancolia que se acumula, por assim dizer, no mais profundo da alma, e cujas explosões são algumas vezes tão terríveis. Dizia Monsenhor Gerbet: "o remorso, muito tempo concentrado, forma no fundo de certas almas como uma mina terrível que ameaça destruir existências pacíficas, e, o que é mais triste ainda, despedaçar corações. A confissão é um meio secreto que previne a explosão desta bomba".

A Providência divina quis que um padre dos mais zelosos e dos mais piedosos se encontrasse um dia, à mesa, com uma sociedade de atores e atrizes. A conversa não poderia ser mais a propósito. O padre ganhou logo a simpatia dos convivas. E mais do que isto: ganhou toda confiança o que deixou todos bem à vontade para fazer perguntas. Foi a graça divina que os levou a perguntar ao padre justamente sobre o sacramento da confissão. E especialmente qual seria a situação dos atores em face da Igreja. Uma e outra parte discutia o assunto vivamente, porém, sem nenhum azedume. De fato o zeloso sacerdote ganhou os corações de todos!


As janelas da sala davam para um magnífico lago. Um barco a vapor vinha passando. "Tendes ali, senhores, disse o padre, o que vai fazer-vos compreender para que nos serve a confissão. Vedes este barco a vapor. Uma força poderosa faz mover a sua máquina e o faz caminhar rapidamente; mas esta mesma força o poria em perigo de explosão e de destruição sem o que se chama a válvula de segurança. Por esta válvula  de escape se exala o excesso de vapor, e assim o barco e os viajantes estão em segurança. O mesmo acontece com todos nós. Temos em nós forças poderosas, que são as nossas paixões. Para estas forças, para estas paixões, é preciso uma válvula de segurança, uma abertura sem a qual estamos perdidos. Pois bem! esta válvula é a confissão, que Deus nos deu para alívio de nossos corações, para consolação e purificação de nossas consciências. Observa-se que nos países onde a confissão é desconhecida, há mais casos de loucura e de suicídio do que naqueles em que existe a confissão". E o padre desenvolveu esta tese com toda a energia e ciência, sustentando-a com numerosos exemplos. Quando se despediu da companhia, uma jovem atriz de vinte e três anos acompanhou-o até a porta da entrada. Quando se viu só com ele, exclamou, com voz sufocada pelos soluços: "Senhor, vós me salvastes! Foi a Providência que vos conduziu para junto de nós. Eu estava desesperada; esta noite eu queria lançar-me no lago e nele acabar com as dores da vida... Agora quero confessar-me". O padre tranquilizou com doçura aquela pobre moça, induziu-a a deixar o teatro, o que obteve sem dificuldade, e apressou-se a reconciliá-la com Deus. Ela tornou-se desde então uma boa e fervorosa cristã. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A CONFISSÃO É REMÉDIO CONTRA O ORGULHO E O DESÂNIMO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Sabemos, caríssimos, como o orgulho, a pusilanimidade e o desespero são funestíssimos na vida espiritual do homem.  Com a graça de Deus, veremos  como a Confissão sacramental é, por sua vez, um excelente remédio para estes males.

O orgulho é a fonte de todos os vícios e de todos os pecados. Cometendo pecado o homem se revolta contra Deus e diz, se não de boca, ao menos pelas suas obras: " Não servirei a Deus!" Como Lúcifer, parece dizer que será igual ao Altíssimo (Cf. Isaías, XIV, 14). E sabemos que o orgulho só se pode curar pela humildade e esta só se pode adquirir pela humilhação. Mas sabemos que o ato mais humilhante para o homem decaído é a acusação franca e completa de suas obras, de suas palavras, de seus pensamentos e de seus desejos culpáveis. Pois bem, a confissão é esta acusação. Portanto, de todos os meios o mais eficaz para quebrar o orgulho, é a confissão. Por isso mesmo Tertuliano chama a confissão "a arte de humilhar o homem". E se o pecado entra na alma pelo orgulho, dela deverá sair pela humildade. Isto é feito sobretudo pelo sacramento da Confissão.

O desânimo é outra fonte de faltas. O infeliz que acaba de pecar sabe que manchou sua alma e que não é mais filho de Deus. Desonrado aos seus próprios olhos, não penetra no seu íntimo sem se envergonhar.  O demônio, que não dorme, para o reter em suas correntes, representa-lhe de modo exagerado a enormidade de sua falta, a vergonha que dela resulta, a dificuldade de receber o perdão, a impossibilidade de readquirir a virtude. Eis, que se torna triste, pesado a si mesmo e aos outros. Cai sobre o infeliz uma espécie de depressão. Logo desanima e novas recaídas se seguem. Judas Iscariotes, vendo que Jesus se deixara prender e fora condenado, se arrependeu e sentiu necessidade de ir até aos Príncipes dos Sacerdotes devolver as 30 moeda. Então disseram-lhe: Agora, arranja-te, que te vire! Ah! se o Iscariotes tivesse se ajoelhado diante de Jesus e pedido perdão! Seria perdoado na hora, e retornar-lhe-ia a paz. Mas como não o fez, e, diante da repulsa dos Sacerdotes da Antiga Lei, se desesperou e suicidou-se.


Quando uma alma cai, é necessário o quanto antes reanimá-la. Ora o meio mais eficaz para isto é justamente a confissão. Na verdade, quando o pecador cai e logo é curado da doença secreta que o consumia, torna-se outro homem. Sente-se renovado e parece que a vida recomeça para ele. Daí resulta uma coragem e um ardor de que não se sentia mais capaz. Romper com um passado infeliz, recomeçar a vida, isto é para ele de uma importância sem par. É o que o salva do desânimo e deste suicídio moral que consiste em não mais lutar contra o mal, e de precipitar-se de olhos fechados no abismo aberto aos seus pés.  Com esta renovação de vida, a alma vê reentrar nela a paz, a serenidade, alegria e a felicidade. O remorso a despedaçava quando estava sob o jugo do pecado; o confessor, que ali está no lugar de Jesus, lhe disse: "Filho, vai em paz, que Deus o abençoe!" A alma não duvida da verdade dessa sentença redentora; sabe que está reconciliada com Deus e tornou a ser sua amiga; esta suave segurança expulsou de sua alma todo o medo e toda a inquietação. Que felicidade para o homem ter a seu lado um tribunal onde sabe, com certeza que pode receber o perdão de suas faltas!  

domingo, 8 de janeiro de 2017

A FAMÍLIA

 
LEITURA ESPIRITUAL Dia 19 de abril

   Vemos com tristeza, como a sociedade está moralmente enferma, totalmente invadida e convulsionada pelo paganismo e a imoralidade. Mas não bastam lamentações. Mister se faz atacar o mal pela raiz. Ora, as famílias são as raízes que elaboram o alimento moral da sociedade. É a célula da sociedade; pois esta se forma de indivíduos e estes por sua vez se formam na família.

   Temos, então, que dedicarmos todos os nossos cuidados à família, para termos realmente uma sociedade sadia. A família é obra da mão de Deus. É inútil querer corrigir a crise da sociedade, se não se põe o primeiro cuidado em conservar a família. Os filhos das trevas, como disse Jesus Cristo, são muito espertos e nós vemos com tristeza, como as ideias comunistas estão se espalhando pelo mundo como um gás sumamente venenoso e que destrói em primeiro lugar as famílias, Pela imoralidade, imodéstia nas vestes, televisão, pornografia na Internet, divórcio, maus exemplos, principalmente nos colégios que vão se tornando focos de imoralidade e heresias, etc, etc. a indissolubilidade do matrimônio católico está em risco de dissolução quase total.  E, por outro lado, o sal na Igreja está perdendo sua força, deixando a corrupção reinar soberana. As paixões têm campo livre, os vícios, campeiam como chamas num canavial. 

   E não bastassem os comunistas por fora, há-os internos. E, horribile dictu, o próprio Sumo Pontífice reconhece que as últimas mudanças que ele fez nos processos matrimoniais quanto à declaração de nulidade podem colocar em risco a indissolubilidade do matrimônio. Muitos casamentos se dissolveram não porque nulos, mas por causa da ausência total ou quase das virtudes cristãs, e, por outro lado pelo reinado desenfreado das paixões as mais nefandas. Para estes não só a "a misericórdia" do divórcio mas a possibilidade de se casarem novamente e até comungarem. 

   Deus fez bem todas as coisas e se existe o mal no mundo, sua causa deve ser procurada na malícia humana que perverte a harmonia do Criador. A formação da família, poderia parecer algo profano, ao passo que, na realidade, ela tanto tem de santo como de sublime. O casamento não é um mal (como muitos hereges pensaram), pelo contrário, é um bem. Foi Deus quem o fez desde o Paraíso Terrestre. É bem verdade que devido o pecado original, o casamento decaiu de sua primitiva dignidade. Mas o Filho de Deus que veio ao mundo para remir a humanidade e iluminá-la restituiu o casamento à sua primitiva santidade elevando-o à dignidade de sacramento.

   Jesus Cristo, quis assistir em companhia de sua Mãe Santíssima a uma festa de casamento em Caná da Galileia, aprovando e santificando com sua divina presença. o vínculo conjugal, operando também nesta ocasião o seu primeiro milagre.

   Um dia os fariseus interrogaram a Jesus: "É lícito ao homem repudiar sua mulher? Ele, porém, lhes respondeu: Desde o princípio, Deus criou o homem e a mulher, logo o homem deixará seu pai e sua mãe e viverá com sua mulher. Não separe, portanto, o homem o que Deus uniu".

   Ter esta firme e inabalável convicção sobre a divina instituição do matrimônio, sempre foi de extrema necessidade, mas, hoje, ademais, tornou-se muito urgente. Pois são tantos os homens que ignoram de todo a grande santidade do matrimônio cristão. São inúmeros os que a negam e calcam aos pés. 

   Lacordaire, o grande conferencista francês, queria que seus amigos Ozonam e Luis Veuillot o imitassem e renunciassem o casamento. Mas Veuillot, com todo direito achou por bem se casar. E quando Lacordaire soube, exclamou: "Mais um que ficou na armadilha". Relataram ao papa a frase de Lacordaire e sorrindo comentou o Santo Padre: "Eu não sabia que Nosso Senhor havia instituído 6 sacramentos e 1 armadilha". 

   Outro exemplo bem diferente deste: São Francisco de Sales hospedava em sua casa um amigo. E o santo bispo, com aquela sua grande caridade, tratava o seu amigo com as maiores finezas, inclusive todas as noites ia acompanhá-lo até ao seu quarto. E o hóspede, confundido por tanta delicadeza, disse a São Francisco de Sales que não era digno de ser tratado assim por um bispo, ele que era um simples leigo. Mas o santo bispo perguntou-lhe: "Então o meu amigo não é casado?" - Ainda não, respondeu o amigo.  -  "Ah! , retrucou São Francisco de Sales, então tem razão de protestar: de hoje em diante tratá-lo-ei com mais confidência e com menores finezas". É que o Santo da mansidão pensava que uma pessoa casada devia ser cercada de uma veneração maior, pela dignidade do sacramento do matrimônio que confere aos esposos uma graça que os torna capazes de se amarem sobrenaturalmente, de educarem os seus filhos e de suportarem com serenidade os pesos da vida. 

   O matrimônio é portanto um sacramento, fonte de bênçãos, rico em simbolismos, expressivo no seu programa que é a comunhão da vida toda até a morte com todas as suas manifestações: Comunhão de vida natural: "serão os dois uma úncia carne", disse Deus. Comunhão de interesses: e portanto os bens materiais e as perdas andam em conjunto. Os afetos também se entrelaçam. E é por isso que São Paulo manda que o homem ame a sua esposa como a si próprio. Comunhão de fidelidades e deveres: ambos geram o corpo da criança e ambos concorrem para a geração moral, isto é, para a educação da mesma. Por isso é que Nosso Senhor impôs aos filhos o precito de honrar "Pai e mãe". Comunhão de trabalhos: juntos devem cultivar o mesmo campo e nos mesmos espinhos sangram as mãos e ferem os corações. Comunhão de lutas e vitórias: em todas as fases da vida, e até a morte. 

   Assim é que deveria ser compreendido e sobretudo vivido o matrimônio. Como são belos os componentes de uma família verdadeiramente cristã! A família cristã tem Jesus que a consola e nunca será desolada. Diz o próprio Divino Espírito Santo na Bíblia: "Ditoso o homem que tem uma virtuosa mulher". "A mulher virtuosa é o prêmio dos que temem a Deus, e será dada ao homem em recompensa pelas sua boas obras".  "Cooperadora da Providência e complemento do homem, a mãe gera, nutre, educa, dá forma, brilho e esmalte à existência. É autora maravilhosa e destra escultora dos seres" (Palavras de um poeta castelhano). 

   Uma mãe verdadeiramente cristã, não é mais uma simples mulher, é uma santa! "Me deem mães verdadeiramente cristãs, e eu salvarei este mundo decadente" (S. Pio X). 

   Outro dom tão precioso na família são os filhos: Frederico Ozonam, o grande literato católico, fundador das conferências de São Vicente de Paulo escrevia estas linhas junto ao berço de sua primeira filhinha:  "Ah! que momento aquele em que ouvi o primeiro vagido de minha filha e vi a criatura imortal que Deus confiava ao meu cuidado, e que tantas doçuras e obrigações era portadora para mim! Não consigo mirar esses olhos que destilam suavidade e pureza, sem descobrir neles, menos apagado que em nós, o retrato sagrado do Criador". Na verdade, os filhos são um dom de Deus.

   Como é belo também o homem virtuoso na família, como a cabeça, o chefe, com a sua autoridade suave, com a sua proteção, como São José na Sagrada Família.  Vêm-nos à mente as palavras de Santa Terezinha: "Deus deu-me pais mais dignos do céu que da terra". Pai e mãe santos! Que graça!

   Não esqueçamos nunca que toda esta beleza e sublimidade da família estão na observância da lei de Deus. Por isso é que São Paulo diz que "o casamento é santo, mas no Senhor". Quantos casamentos, hoje embora válidos, são sacrílegos. Quantos pecados, quantos crimes! Uma coisa tão sublime, tão santa e, no entanto, tratada hoje com tanta leviandade, feita sem nenhuma preparação, . Pior: toda santidade, toda bênção são afastados por tantos pecados cometidos antes e depois do casamento. 

   Não consigo terminar este artigo, embora já longo, sem relatar pelos menos algumas palavras do Papa Pio XII: "Aqueles, pois, que nas igrejas exercem funções diretivas ou de magistério, exortem assiduamente os fiéis a que constituam e mantenham famílias segundo a norma da sabedoria do Evangelho - buscando assim com assíduo cuidado preparar para o Senhor um povo perfeito. Pelo mesmo motivo, cumpre também sumamente atender a que o dogma, que por direito divino afirma a unidade e indissolubilidade do matrimônio, seja compreendido em sua importância religiosa e santamente respeitado por todos os que contraem núpcias. Que tão capital ponto da doutrina católica tenha validíssima eficácia para a sólida estrutura da família, para o bem-estar crescente da sociedade civil, para a saúde do povo e para uma civilização cuja luz não seja falsa..." (Pio XII, "Sertum laetitiae). 


VIRTUDES PARA UMA FAMÍLIA CRISTÃ


LEITURA MEDITADA 

"Irmãos: revesti-vos como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, benignidade, humildade, modéstia e paciência, suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos mutuamente, se alguém tiver queixas contra o outro; assim como o Senhor vos perdoou, perdoai-vos também. Mas sobre tudo isto: tende a caridade que é o vínculo da perfeição; e reine em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos. Habite em vós abundantemente a palavra de Cristo, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando em vossos corações, com a ação da  graça, louvores a Deus. E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obra, fazei tudo em nome do Senhor Jesus Cristo, dando graças por Ele a Deus Pai. Mulheres, estai sujeitas a vossos maridos, como convém ao Senhor. Maridos, amai vossas mulheres, e não sejais ásperos para com elas. Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. Pais, não provoqueis à indignação os vossos filhos, para que se não tornem pusilânimes" (Colossenses, III, 12-21).

Nestas exortações de S. Paulo temos os elementos indispensáveis para a felicidade das nossas famílias. Assim, o Apóstolo,  às opiniões do modernismo, destruidor dos mais sagrados vínculos, opõe os preceitos e virtudes criadores de uma felicidade e de uma paz ainda possível neste mundo. Aí está o segredo da paz familiar. Nosso Senhor Jesus Cristo afirmou que os filhos das trevas são mais prudentes nos seus negócios que os filhos da luz nos seus. Só para dar dois exemplos: O comerciante, aos clientes oferece prontamente suas mercadorias, ocultando a sua irritação quando as desprezam e sem ofender-se quando as recusam. Que "misericórdia"; que "paciência"; que "benignidade"; que 'humildade"; que "perdão das ofensas"; que "que sorrisos de amabilidade!". O político, a todos acolhe com amabilidade, tolerante com quem o importuna e prestimoso com quem lhe pede auxílio.  O comerciante faz tudo isto como se fosse um santo, mas não: é só para ganhar dinheiro. (Não quero com isto negar que há comerciante santo também). O político parece praticar virtudes heróicas, mas, na verdade, pensa só em conseguir votos, e consequentemente: honra e sobretudo, dinheiro. (Também aqui não pretendo negar que possa existir político santo: é difícil, mas para Deus nada é impossível).
Mas, caríssimos, qual destes motivos compara-se ao grande bem na paz familiar? Dádiva do céu, ela transforma o lar em um vestíbulo do paraíso, as agruras da vida em oásis de bênçãos. A paciência, a humildade, a benignidade, a misericórdia, ensinam aos cônjuges  a arte de se suportarem uns aos outros. Sigam os cônjuges os conselhos de São Paulo supracitados, e as divergências que pareciam separá-los virão a soldar ainda mais o vínculo matrimonial. Saibam os cônjuges perdoar-se mutuamente. Enquanto um momento de silêncio restituirá a bonança; um revide protrairá a tempestade por longos dias e semanas inteiras. Tal como Jesus generosamente perdoou nossos graves crimes, perdoem-se os esposos, com igual generosidade, as discrepâncias de temperamento e de caráter.

A caridade é o liame destinado a unir os fiéis entre si e com Deus. Nesta união consiste toda a perfeição cristã. O amor da paz deveria inspirar todos os sentimentos dos esposos como convém a membros de um só corpo. O lar verdadeiramente cristão deveria estar sempre agradecido a Deus pelos favores d'Ele recebidos. Os ensinamentos e máximas de Nosso Senhor Jesus deveriam ser a bússola em toda a sua conduta e empreendimentos. De um lar cristão são banidas e execradas as máximas do mundo.  "Exortai-vos uns aos outros por meio de salmos, hinos e cânticos espirituais", insiste o Apóstolo, assim apontando-nos na oração a maior garantia de paz para o lar. A oração é ao mesmo tempo, fonte de onde haurimos as energias necessárias para os momentos trágicos que não faltam na existência de cada indivíduo, como não faltam na vida de toda família. Repudiando os maus conselhos de um mundo colocado no Maligno, busquem os esposos na Santa Religião e no seu Deus o conforto que anima, e da prece fervorosa de um coração que sofre sairá a arma vitoriosa que tudo suporta. "Onde quer que dois ou três se acharem reunidos em meu nome - diz Jesus Cristo - estarei eu no meio deles" (S. Mateus XVIII, 20). Na verdade, nunca um lar se sente mais unido como quando todos os componentes se voltam para Deus repetindo todos a mesma prece divina: "Pai Nosso que estais no céu". O lar, porém, que ignora a oração encaminha-se para o desmoronamento, enquanto o lar que ora, que reza todos dias o Santo Terço, sela com o nome de Deus e a intercessão de Sua Mãe Santíssima, a sua união e garante a sua felicidade. Seguindo, pois, os conselhos do Apóstolo São Paulo, não será difícil aos nossos lares realizar aquela felicidade que fará das famílias cristãs outros tantos vestíbulos do céu.

Para terminar, lembremos algo sobre a MISERICÓRDIA. O Rei Davi era um homem santo. A própria Bíblia mostra-o para os outros reis, como um modelo de fidelidade a Deus. Mas, num momento de ociosidade e fraqueza cometeu o gravíssimo pecado de adultério e, em consequência o homicídio, outro pecado muito grave. Deus, através do profeta Natan, abriu-lhe os olhos e tocado de sincero arrependimento exclamou: "Pequei".  Davi chorou a vida toda estes seus graves pecados. Não perdia oportunidade de fazer penitência e escreveu o Salmo 50, Miserere. Eis apenas alguns versículos deste belíssimo salmo de penitência: "Tem piedade de mim, ó Deus, segundo a tua misericórdia; segundo a multidão das tuas clemências, apaga a minha iniquidade" (vers. 1-3); "O meu sacrifício, ó Deus, é um espírito contrito, não desprezarás, ó Deus, um coração contrito e humilhado" (vers. 19).


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A ABSOLVIÇÃO RESTITUI AO QUE CAIU EM PECADO MORTAL OS MÉRITOS QUE ELE ADQUIRIRA ANTES DE CAIR


Já falamos algo sobre isto. Vamos, hoje, completar nossas reflexões.

Para melhor compreendê-lo é preciso observar que os teólogos distinguem, além das obras vivas, três outras espécies de obras: umas mortíferas,  outras nascidas mortas, e, enfim, as mortificadas. Em latim: opera mortifera, opera mortua, opera mortificata.

OBRAS MORTÍFERAS: São aquelas que matam a alma, como são os pecados mortais; pois," o pecado, consumado que é, produz a morte" (S. Tiago I, 15).

OBRAS MORTAS: São as obras boas por sua natureza, como as orações, os jejuns, as esmolas, etc. que se fazem em estado de pecado mortal. São chamadas mortas ao nascer. pois não podem ser vivas, tendo por autor um morto, nem ser agradáveis a Deus, tendo por autor um inimigo de Deus. É o que diz São Paulo: "Ainda que distribuísse todos os meus bens com os pobres, se não tivesse caridade (=a graça santificante) tudo isto de nada me serviria" (1 Cor. XIII, 3). E o próprio Jesus Cristo, Nosso Senhor, disse no mesmo sentido: "Assim como a vara não dará fruto de si mesma, sem estar unida à videira, do mesmo modo vós, se não estiverdes em mim" (S. João XV, 4). Mas vejam bem, caríssimos, não quer isto dizer que deva abster-se destas espécies de obras quem está em pecado, sob pretexto de que elas não são meritórias para o céu; pois, elas têm outras vantagens muito grandes; principalmente impedem o homem de desacostumar-se das boas obras e habituar-se ao mal, e ao mesmo tempo inclinam o Senhor a fazer-lhe misericórdia.

OBRAS FERIDAS DE MORTE (=MORTIFICADAS): São aquelas que foram feitas em estado de graça e que, neste caso vivas e agradáveis a Deus, perderam toda a vida e todo o valor posteriormente, porquanto o pecado mortal veio destruí-las. Pois, o pecado é como um fogo devastador e um veneno mortal: devasta e consome tudo que encontra no seu caminho. O Senhor diz pela boca de Ezequiel: "Se o justo se afastar da sua justiça, e cometer a iniquidade, de todas as justiças que tiver feito não se fará memória" (Ezequiel XVIII, 24). Estas obras não são nascidas mortas, são apenas feridas de morte, porquanto elas tiveram vida. Tais foram as boas obras de Davi e de São Pedro, na ocasião em que um e outro cometeram o pecado mortal. Pois bem, a absolvição não só chama o homem da morte do pecado à vida da graça, como também faz reviver este tesouro de boas obras, feridas de morte pelo pecado. Observai, caríssimos, a longa série de boas obras que a santa absolvição faz ressuscitar de um só golpe, em um só momento. Momento feliz que faz reviver os trabalhos e os méritos de longos anos! É então que o Senhor diz como Isaac, respirando o bom odor das vestes de Jacó: "O odor do meu filho é igual ao odor de um campo fecundo que o Senhor abençoou" (Gen. XXVII, 27). Pois, na expressão de São Paulo, o justo é o bom odor de Jesus Cristo (Cf. 2 Cor. II, 25).


O que acabamos de meditar, leva-nos a refletir nesta bela exclamação de São João Crisóstomo: "Ó, como a clemência do Redentor é grande! Como o bálsamo salutar da penitência misturado ao seu precioso sangue transforma em perfume o fétido dos nossos crimes!" 

sábado, 31 de dezembro de 2016

ÚLTIMO DIA DO ANO

   Hoje, a Santa Madre Igreja concede Indulgência Plenária a todos aqueles que receberem a bênção do Santíssimo Sacramento e cantarem ou rezarem o "Te Deum Laudamus". As outras condições são: Não ter afeto ao pecado, rezar um Pai-Nosso e uma Ave Maria nas intenções do Santo Padre, o Papa, ter se confessado, e comungar. 
   É o dia de ação de graças a Deus pelos benefícios d'Ele recebidos durante o ano que vai findar. A gratidão é chave para recebermos mais dadivosos benefícios. Seja sincera e cordial a nossa ação de graças ao bom Deus!
   O último dia do ano obriga-nos também a um sério exame de consciência sobre o nosso passado próximo e remoto: atravessam a nossa memória as lembranças do tempo que passou, revemos os dias que já não nos pertencem a fim de sobre eles examinarmos a nossa consciência. O bem que fizemos no ano prestes a acabar alegra-nos e enche-nos de coragem; as infidelidades, pelo contrário, de que nos sentimos culpados, provoca-nos em nós o remorso e arrependemo-nos delas.
   O fim do ano proporciona-nos a ocasião de meditarmos sobre a fugacidade do tempo e sobre a vaidade das coisas. Verificamos que não é sempre agradável viver neste mundo e que, pelo contrário, a vida é muitas vezes bem desagradável a ponto de por vezes considerarmos uma sorte que o tempo passe em ritmo tão acelerado.
   O tempo se circunscreve apenas a um período da nossa vida, o mais breve, o da prova, durante o qual temos a liberdade de escolher e de determinar a nossa sorte futura, capitalizando ou não tesouros para a vida sem fim.
  Que arrependimento sentimos ao meditar: "Jamais se pode encher o vazio de um dia que se perdeu". Mas prefiro ficar com Santa Tereza d'Ávila que diz: "Porventura, Senhor, desamparastes o miserável ou afastastes o pobre mendigo quando se queria chegar a Vós? Porventura, Senhor, têm termos as Vossas grandezas ou as Vossas magnificas obras? Ó Deus meu e misericórdia minha! Como as podereis agora mostrar em vossa serva! Poderoso sois, ó meu Deus. Agora poder-se-á entender se minha alma se engana a si mesma, vendo o tempo que perdeu e como num instante Vós podeis, Senhor, fazer com que o torne a ganhar. Parece grande desatino, pois o tempo perdido, constumam dizer, não se pode tornar a recuperar. Bendito seja o meu Deus! Ó Senhor! Confesso o Vosso grande poder. Se sois poderoso, como sois, que há de impossível ao que tudo pode? Vós bem sabeis, meu Deus que no meio de todas as minhas misérias nunca deixei de conhecer o Vosso grande poder e misericórdia. Valha-me, Senhor, isto que não vos ofendi. Tende-o em conta. Recuperai, Deus meu, o tempo perdido, dando-me graça para o presente e para o porvir, para que apareça diante de Vós com vestes de boda. Se o quiserdes, podê-lo-eis". (Ex. 4).
   "Da minha parte, Senhor, não vejo melhor modo de recuperar o tempo perdido do que aplicar-me com todas as forças ao exercício do amor. Sim, o meu amor aumentará se eu souber cumprir por Vós todos os meus deveres e todas as minhas boas obras "com todo o coração ou seja, com toda a boa vontade".
   Caríssimos e amados leitores, vamos dizer a Jesus de todo coração: Já que é tão pouco o que posso fazer por Vós, ao menos que o faça com todo o amor de que me tornastes capaz.
   E terminemos com a ORAÇÃO DO ÚLTIMO DIA DO ANO:
   "Eis-nos chegados ao fim deste ano! Quantos benefícios não nos fizestes, ó Senhor, tanto à alma como ao corpo! Quem poderá jamais enumerá-los? Que ação de graças, pois não vos devemos dar hoje! Felizes de nós, se tivéssemos correspondido aos vossos benefícios. Mas ai! Sentimos que a consciência nos exproba a nossa ingratidão. Quantos pecados cometemos em todo este ano! Quantas virtudes deixamos de praticar! Que será de nós, ó Senhor, no dia em que nos chamardes a dar-vos contas? Com um coração cheio de reconhecimento e ao mesmo tempo traspassado de dor, nós vos damos as mais vivas e ardentes ações de graças e Vos pedimos humildemente perdão.
   Aceitai, Deus de bondade, este nosso ato: perdoai nossos pecados e dai-nos Vossa divina graça, para que comecemos e santamente acabemos o novo ano.
   Assim o propomos e assim o esperamos, confiados em vossa graça. Assim seja.

A CONFISSÃO BEM FEITA TORNA O PECADOR DE NOVO CAPAZ DE FAZER OBRAS MERITÓRIAS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

É óbvio, mas nunca será demais lembrar que os efeitos maravilhosos da absolvição sacramental, só existirão quando a confissão for bem feita. E, com a graça de Deus, vamos hoje meditar em mais um importantíssimo efeito da confissão: o pecador, recuperando a graça santificante, passa a merecer novamente, isto é, volta a fazer obras que têm merecimento sobrenatural para a vida eterna.

Na verdade, a confissão bem feita comunica-nos a graça santificante, como já meditamos em postagem anterior. Ora, esta graça é que nos torna capaz de fazer obras meritórias.  A alma morta pelo pecado grave não pode se mover e dar frutos salutares para a vida eterna. Dizemos na Teologia que as obras embora boas que se praticam enquanto o pecador ainda está no estado de pecado mortal, são obras "MORTAS". E estas nunca ressuscitarão. Mas as obras boas que uma pessoa tenha praticado enquanto estava na graça de Deus, estas obras, digo, são meritórias para o céu, são sobrenaturais. Todas, no entanto são perdidas com o pecado mortal. São obras chamadas na Teologia de "MORTIFICADAS". Estas é que são ressuscitadas pelas absolvição sacramental. E além disso, como veremos agora, a partir daí, isto é, recuperada que foi a graça santificante, a alma volta a merecer sobrenaturalmente, ou seja, passa novamente a fazer obras meritórias que têm valor para o céu.

Esta graça santificante é, na expressão do próprio Jesus Cristo, "aquela fonte de água viva que jorra para a vida eterna" (S. João, IV, 14). O filho adotivo de Deus, que dirige suas obras a Deus, dá a estas obras um valor sobrenatural e divino, que as torna dignas do céu, porque são obras da graça do Espírito Santo que habita em nós. Quando uma alma está na graça de Deus e a pessoa oferece suas ações a Deus, estas obras são divinizadas. E Deus as aceita e as julga dignas de uma recompensa eterna, sendo que cada uma produz em nós, segundo o Santo Concílio de Trento, "um aumento de graça nesta vida e um igual grau de glória na outra".

Conta-se que um dia, S. Francisco de Assis, chegando às portas da cidade de Senna, aí fincou seu bordão e no mesmo instante esse pedaço de pau seco, criou raízes, cobriu-se de folhas, de flores e frutos. A alma no estado de pecado mortal é uma árvore morta que não pode produzir frutos para a vida eterna. Ninguém pode ressuscitar os mortos senão Deus e aqueles a quem Deus comunica o seu infinito poder. Pois bem, Deus deu ao confessor o poder admirável de dar a vida às almas mortas pelo pecado mortal, por meio da absolvição sacramental. A graça santificante que as almas recuperam então, como uma seiva divina torna-as capazes de produzir obras sobrenaturais e meritórias. "Eu sou a vinha, disse Jesus, e vós sois as varas. Aquele que permanece em mim e eu nele, produz muito fruto" (S. João XV, 5).


Caríssimos, que tesouro de merecimentos pode ajuntar uma alma em estado de graça! A cada instante, em cada uma de suas ações, em cada uma de suas afeições, a alma pode adquirir uma glória eterna. Todo ato de amor que ela pratica merece um paraíso à parte. Ah! se os pecadores compreendessem bem esta verdade, não ficariam um só instante em estado de pecado.  Este é aquele tesouro que Nosso Senhor Jesus Cristo manda a gente juntar lá no céu, tesouro este que o ladrão da morte não rouba, a traça não rói nem a ferrugem consome!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A ABSOLVIÇÃO SACRAMENTAL DÁ À ALMA UMA BELEZA TODA CELESTIAL

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Parte superior: representação da alma no estado de graça.
Na parte inferior: representação da alma em pecado mortal.

Basta meditarmos que a alma em estado de graça é morada do próprio Deus!!! "A Trindade Santíssima, diz o sábio Cornélio a Lápide, habita pessoal e substancialmente na alma em estado de graça, e nela permanece como em seu templo, enquanto esta alma se mantém em estado de graça".
O Espírito Santo fez ver um dia a Santa Teresa d'Ávila a Santíssima Trindade presente e viva em sua alma. "Eu vi distintamente em minha alma, disse ela, as três pessoas divinas, e compreendi o sentido destas palavras de Jesus Cristo: As três pessoas divinas habitarão na alma que vive em estado de graça".

Esta grande verdade é afirmada pelo próprio Jesus Cristo claramente nas Sagradas Escrituras: "Se alguém me ama, meu Pai o amará também, e nós viremos a ele e nele faremos morada". (S. João XIV, 23). E São Paulo diz o mesmo: "O amor de Deus foi difundido em nossos corações pelo Espírito Santo, que habita em nós" (Rom. V, 5). E, coisa admirável! se ele habita em nós, nós também habitamos n'Ele. "Aquele que habita nos céus, diz Santo Anselmo, Aquele que reina sobre os anjos, Aquele diante do qual se inclinam a terra e os céus com tudo que eles encerram, Aquele mesmo dá-se a nós para ser nossa morada". Pois, aquele que está no amor, quer dizer, em estado de graça, está em Deus, e Deus está nele, como atesta a palavra divina na primeira Epístola de S. João IV, 16.

Caríssimos, que tristeza nos causa ver o pecado mortal, qual terrível incêndio, destruir este palácio da graça em nossa alma!!! Mas, por outro lado, quão maravilhoso é, ver o poder da absolvição levantar novamente das ruínas, este palácio!!!

São Filipe Neri dizia um dia a um dos seus discípulos: "Oh! meu filho, como vossa fisionomia está nojenta"! O moço compreendeu, e apressou-se a ir confessar-se. Quando voltou, seu bom pai lhe disse: "Agora estais belo, meu filho; eis aí como vos amo!"

São José Cupertino dizia ao criado de um cardeal: "Como! meu filho, tu serves a um tão nobre senhor, e não tens vergonha de sair com uma aparência tão imunda?. Vai, pois, lavar-te" O homem foi imediatamente confessar-se; depois voltou para junto do santo, que, abraçando-o, disse: "Meu filho, agora eis que te vejo formoso; ainda há pouco estavas horrível!"

São Bernardo tinha razão em dizer: "Amai a confissão, é ela que nos torna agradáveis aos olhos de Deus, quando é feita com verdadeira dor dos pecados. Amai a confissão, se amais a beleza da vossa alma".

Santo Agostinho já tinha dito: "Se quereis realçar em beleza, confessai-vos; sois disforme, confessai-vos para vos tornardes belo; sois pecador, confessai-vos para vos tornardes justo".


Certa vez um jovem já ia entrando na sacristia onde estava o Padre Pio, e este disse-lhe: "Afasta-te daqui, porco!". O moço sai correndo e tremendo. Mas foi meditar no porquê daquela palavra "porco". E, tocado pela graça, reconheceu que ele, pelos pecados que trazia na alma, era verdadeiramente um porco, em certo sentido, bem pior, porque sua sujeira era culposa e na alma. Voltou e pediu confissão ao Padre Pio que o acolheu com toda bondade. E no fim disse-lhe o grande santo: "Vai em paz, você é belíssimo, és filho de Deus!" 

sábado, 24 de dezembro de 2016

A ABSOLVIÇÃO SACRAMENTAL DÁ A GRAÇA SANTIFICANTE

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

 A pessoa, com o pecado mortal, perde a graça santificante. Se foi o primeiro pecado mortal, perde a graça santificante recebida no batismo. Isto significa perder a inocência batismal. Quando o pecador, depois de ter recuperado a graça santificante, torna-a a perder, aí vem a segunda tábua de salvação que é o Sacramento da Confissão. Neste segundo caso, pela absolvição sacramental, o pecador recupera a graça santificante que tinha perdido.

Caríssimos, devemos observar a imensa diferença entre o perdão que os homens dão e o perdão que Deus dá. Quando os homens se decidem a perdoar as ofensas que lhes foram feitas, não tornam mais a ter todavia os sentimentos de benevolência de que eram anteriormente animados para com aqueles que os ofenderam. Mesmo não guardando rancor, é muito difícil voltar a serem os mesmos, embora perdoem de fato. Deus, porém, não procede assim; perdoando-nos, dá-nos ao mesmo tempo a sua graça, a graça santificante que é o maior de todos os dons. é o SEGUNDO EFEITO da absolvição.

Meditemos um pouco sobre a graça santificante e teremos mais facilidade em compreender até onde vai o perdão divino. "O dom da graça, diz Santo Tomás, sobrepuja a todos os dons que uma criatura possa receber, visto que participa da mesma natureza de Deus". Dai-me um pecador, o mais miserável que possa haver, desde que ele tenha recebido a santa absolvição e o perdão dos seus pecados, tornar-se-á maior do que todos os reis da terra. Este pensamento arrebatava São Leão: "Reconhece, ó cristão, exclamava ele, reconhece tua dignidade, e, tornando-te participante da natureza divina, guarda-te bem de voltares à tua antiga baixeza". Diz o Espírito Santo no livro da Sabedoria VII, 14: "Ela é um tesouro infinito para os homens, e aqueles que dela gozam tornam-se amigos de Deus". "Ó bondade de Deus, exclama S. Gregório, nós não merecemos o título de servos, e Ele digna-se chamar-nos seus amigos". Pela absolvição readquirimos não só a amizade divina, porém, o que é mais honroso ainda, a dignidade de filhos adotivos de Deus. E devemos observar ainda que não se trata de adoção só no papel, isto é, legal em cartório; mas uma adoção pela qual nos tornamos participantes da natureza divina. É claro que não recebemos toda a natureza divina, pois Deus é infinito e nós simples criaturas. Mas a participação da natureza divina pela graça santificante nos torna semelhantes a Deus, e esta participação embora limitada, é real.
Daí, Pai é o nome com que Jesus Cristo nos ensinou a dirigirmos-nos a Deus que está no Céu. Deus é o Senhor. Mas quer que nos dirijamos a Ele como a um Pai. São João exulta nestes termos: "Considerai que amor o Pai nos testemunhou, querendo que sejamos chamados e que sejamos, efetivamente, filhos de Deus" (S. João III, 1). E não satisfeito de nos dar o título tão honroso e tão excelente de filhos de Deus, tem ainda para conosco os sentimentos e os cuidados de um pai. Ele próprio exprime da mais terna maneira pelo profeta Jeremias, os sentimentos de seu coração paternal: "Efraim não é para mim um filho honrado, um filho da minha ternura? Por isso, embora eu tenha falado contra ele, ainda me lembrei dele. Por isso se comoveram as minhas entranhas por ele; e, compadecido, terei misericórdia dele, diz o Senhor." (Jeremias, XXXI, 20). E em continuação o profeta mostra que Deus terá misericórdia dos pecadores, enviando-lhes o Messias: "Eis que o Senhor criou uma coisa nova sobre a terra: Uma mulher cercará um homem" (Jeremias, XXXI, 22).

Que há de mais suave e de mais terno do que estas palavras? Esta divina filiação nos dá direito à herança de que Jesus Cristo goza no céu: "Pois, se somos filhos, somos também herdeiros de Deus e co-herdeiros de Jesus Cristo" (Rom. VIII, 17). Somos herdeiros de Deus justamente porque Ele é nosso Pai, e somos co-herdeiros de Jesus Cristo, porque o Salvador é nosso irmão. Assim, temos direito à celeste herança e estamos inscritos entre os cidadãos do céu, benefício supremo pelo qual o Salvador convidou seus apóstolos a se alegrarem: "Alegrai-vos por ter vossos nomes inscritos nos céus" (S. Lucas X, 20).Ora, é certo que o homem, cada vez que cai em pecado mortal, é riscado do livro da vida, e inscrito, ao menos por momentos, no livro da morte eterna. Pois o Senhor disse: "Apagarei do meu livro aquele que tiver pecado contra mim" (Êxodo XXXII, 33). Mais terrível castigo não se pode imaginar. Contudo, tal é a força da absolvição bem recebida, que risca a cédula dos pecados, e inscreve de novo os homens no livro da vida, restituindo-lhes a dignidade de filhos e herdeiros de Deus. Isto prova que a graça é verdadeiramente em nós "o germe da glória", segundo a palavra de Santo Tomás de Aquino. 

SANTO NATAL

   Aos caríssimos e amados fiéis de minha reitoria, aos leitores e seguidores de meu blog desejo um FELIZ E SANTO NATAL, repleto de graças e bênçãos escolhidas do Menino Deus e de Sua Mãe Santíssima!

 "Sendo rico, fez-se pobre  para que, com Sua pobreza nos enriquecesse a todos" (2 Cor. VIII, 9).

   Jesus nasceu pobre; é aos pobres que se manifesta primeiro; eles recebem seus primeiros favores, assim como serão sempre o objeto de sua predileção. Envia Anjos por embaixadores, não a monarcas poderosos, mas a pastores, a homens simples, trabalhadores e vigilantes. Viverá com eles e no meio deles durante trinta anos. Quando chegar o tempo de pregar o reino de Deus, a eles se dirigirá primeiro porque é por causa deles que seu Pai o enviou: "Enviou-me para evangelizar os pobres". Já dali de seu trono, a mangedoura de palhas, Ele nos ensina que os bens deste mundo, o dinheiro e as riquezas, não são a felicidade. Que os ricos aprendam a caridade e o desapego desses bens passageiros; e os pobres aprendam a libertar o coração de qualquer inveja e cobiça.
   Mas Jesus não despreza os ricos e os sábios. Chamou através de uma estrela, os Reis Magos do Oriente, para arrancá-los das trevas do erro e ensinar-lhes a Fé católica. Jesus já condenava o ecumenismo que tenta parificar as religiões. Jesus, outrossim, combate a luta de classes: pois, ali estão os pobres - os pastores; e também os ricos - os Reis. Todos tem o seu lugar no coração do Menino Jesus.
   Verdadeiramente, o Nascimento de Jesus é motivo de alegria para todos. Basta ter boa vontade de segui-Lo. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. O mistério do Natal só inspira confiança. O Céu hoje só tem bênçãos a derramar sobre a terra. É por causa da humanidade que nasceu, é por nossa causa que é Salvador. Se os nossos pecados ainda clamam vingança, os vagidos que partem do presépio, chegam até ao coração do Pai das misericórdias. Paz nos corações de todos os homens! Jesus vem expulsar deles os remorsos que os atormentam, as paixões que os agitam. E que nos pede para gozarmos desta paz? A boa vontade; uma vontade decidida, não uma veleidade, que não é uma vontade boa. Os Anjos não dizem: Paz às almas justas e inocentes; paz aos Santos penitentes, que expiaram os seus pecados; mas dizem: Paz aos homens de boa vontade! Desde que eu esteja disposto a conformá-la com a vontade de Deus, tenho direito a contar com a paz. Tanto os pastores como os Reis Magos tiveram esta boa vontade. Mas na verdade, os pobres entendem melhor a linguagem da cruz, acostumados como estão às privações e sofrimentos. Todos correram a visitar Jesus. Consta que só três Reis foram fiéis: "Vimos a estrela e viemos adorar o Rei dos Judeus".
   Hoje vamos considerar o exemplo dos pastores. Na Epifania, se Deus quiser, falaremos mais dos Reis Magos.
   Os pastores são cercados de refulgente luz; vêem um Anjo e têm muito temor, mas é substituído logo pela confiança: "Não temais, diz o espírito celeste, anuncio-vos uma grande alegria, que será para todo o povo: nasceu-vos hoje em Belém o Salvador. Mas como reconhecereis vós este Messias tão ardentemente desejado durante séculos? São três os sinais, ou sejam, as insígnias de sua grandeza, de sua realeza: a humildade; a pobreza; a mortificação dos sentidos. Diz o anjo: "Invenietis infantem, pannis involutum, positum in praesepio". Invenietis infantem: encontrareis um menino recém-nascido que não fala - é a humildade. Jesus é o Verbo ou a Palavra do Pai, mas aqui não fala, só sabe chorar. Pannis involutum: envolvido em pobres paninhos - é a pobreza. E Ele é o Verbo pelo qual foram feitas todas as coisas, todo ouro, todas as pedras preciosas. Positum in praesepio: colocado numa mangedoura - é a mortificação dos sentidos. Deixou o Céu, a Pátria do Repouso eterno, da Glória infinita, e está aqui sobre palha, exposto às intempéries.
   Os pastores crêem nas palavras do Anjo, por mais opostas que sejam a todos os juízos humanos; confiam na sabedoria, no poder, na bondade de Deus. E vão ver e adorar esse Salvador recém-nascido. Partem, apressam-se. Ó prudente docilidade! Ó santa prontidão! "Acharam Maria, José e o Menino, que estava reclinado no presépio". Eis o fruto de sua retidão e obediência. Longe de se entibiarem à vista desta pobreza, sentem ainda mais fervor em se aproximar de um Salvador, que se mostra tão acessível, e em honrá-Lo e contemplá-Lo. Ali ficaram extasiados por muito tempo. Entregavam seu coração ao Menino Deus, e deixavam-no atuar neles livremente, limitando-se a cooperar com a ação de Jesus, sem a estorvar. Imitemos esta candura, e Jesus orará em nós, como orou neles. Saem dali anunciando o Salvador por toda parte.
  Caríssimos e amados leitores, vamos sem demora ao Altar do Salvador! O Altar deve ser para nós hoje, o que o presépio foi para os piedosos pastores. Procuremos nos aproximar de Jesus com os mesmos sentimentos, dispondo-nos para ali receber não nos braços mas no coração Aquele mesmo Jesus, na Comunhão. Este o verdadeiro Santo Natal que desejo para todos vós! Amém!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

EFEITOS DO SACRAMENTO DA CONFISSÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Em artigos anteriores já tive oportunidade de mostrar como o Sacramento da Penitência constitui a obra prima da misericórdia  divina. Ao tratar dos efeitos da confissão poderemos constatar ainda melhor esta verdade. É óbvio que todas os maravilhosos efeitos da confissão se dão quando o pecador está bem disposto. Do contrário, é claro, este grande remédio, seria transformado pelo pecador, em veneno, ou, no mínimo o inutilizaria.

PRIMEIRO EFEITO: O perdão de todos os pecados cometidos depois do batismo. É de fé, pois Nosso Senhor Jesus Cristo disse: "Os pecados serão perdoados àqueles a quem vós os perdoardes" (S. João XX, 23). Assim, pois, no mesmo instante em que o confessor diz: Ego te absolvo...etc., m pecador, por mais criminoso que seja, deixa de ser pecador diante de Deus: todos os seus pecados são apagados, contanto, como já acabamos de notar, que ele tenha as disposições necessárias. E, caríssimos, e necessário ressaltar que os pecados são APAGADOS,  e não ENCOBERTOS, como loucamente têm pretendido os protestantes. S. João Batista dizia mostrando o Salvador: "Eis o Cordeiro de Deus que apaga (tira) os pecados do mundo" (S. João I, 29). O que é encoberto existe ainda; o que é apagado é inteiramente destruído.

E absolvição apaga os pecados para toda a eternidade. É o que significam estas palavras das Sagradas Escrituras: "Deus lançará todas as nossas iniquidades no fundo do mar (Miquéias VII, 19). "Vós lançastes meus pecados para traz das vossas costas" (Isaías, XXXVIII, 17). "Se o pecador fizer penitência, não me lembrarei mais das iniquidades que cometeu" (Ezequias, XVIII, 21). E isto não uma vez, nem sete vezes, porém, tantas quantas o pecador se confessar com arrependimento, como o decretou o Santo Concílio de Trento.

Além disto a absolvição perdoa todos os pecados, por mais numerosos e por mais enormes e extraordinários que sejam: "TUDO que desligardes na terra, será desligado no céu" (S. Mateus XVI). Quem diz TUDO não excetua coisa alguma.


Um exemplo: Uma mulher de má vida, atravessando um dia uma igreja para encurtar seu caminho, viu um grande número de pessoas que entravam com ânsias, e que pareciam estar à espera de alguma coisa extraordinária. Curiosa por saber o que se ia passar, tomou lugar como as outras; e aumentando a multidão ela achou-se logo cercada de tal modo, que lhe foi de todo impossível retirar-se. Algum tempo depois, um missionário subiu ao púlpito, e pregou sobre a bondade de Deus para com os pecadores. Ele repetia várias vezes: "Para todo o pecado há misericórdia, contanto  que o pecador se arrependa dele". Aquela mulher, que tudo tinha escutado com atenção, prendeu-se principalmente a essas palavras que a tinham tocado. Assim que terminou o sermão, ela atravessou a multidão aproximando-se do pregador. No momento em que este descia do púlpito, disse-lhe pressurosa: "é verdade, padre, que para todo o pecado há misericórdia?  -  Nada mais certo, respondeu ele; Deus perdoa a todos os pecadores contanto que se arrependam.  - Mas, replicou a mulher, há várias espécies de pecadores; Deus perdoará a todos indistintamente?  -  Sim, respondeu o pregador, contanto que eles detestem todos os seus pecados.  - Perdoará Deus a mim, que há 15 anos cometo os maiores pecados?  -  Sem dúvida, se quiserdes arrepender-vos e não cometê-los mais.  -  Se assim é, peço-vos marcar-me uma hora para me ouvir em confissão.  - Ouvir-vos-ei hoje mesmo, preparai-vos, que estarei às vossas ordens daqui a pouco". O missionário voltou alguns instantes depois, para ouvi-la. A confissão da pecadora durou muito tempo, terminando só à noite. Antes de retirar-se, ela disse: "Padre, não posso voltar para casa sem me expor ao perigo de cair nos mesmos pecados. Não poderíeis procurar-me um asilo para este noite? O missionário mostrou-lhe como isto não podia em hora tão avançada. Resolveu-se então a mulher a ficar na igreja até o dia seguinte, sendo que no dia seguinte foi encontrada morta, em uma capela dedicada â Santíssima Virgem; estava de joelhos, com a face prostrada sobre o chão molhado das lágrimas que ela tinha derramado. Chorara tão amargamente os seus pecados, que morrera de dor. 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

QUANDO É PRECISO CONFESSAR-SE

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

 A Santa Igreja no Código de Direito Canônico assim determina no cânon 989: Todo fiel que tenha atingido a idade da discrição, está obrigado a confessar fielmente os pecados graves, ao menos uma vez ao ano. O Catecismo diz assim: Segundo mandamento da Igreja: "Confessar-se ao menos uma vez cada ano". Este 'AO MENOS' é para indicar que a Santa Igreja deseja que nos confessemos mais vezes. Como Nossa Senhora de Fátima pediu para a prática dos Cinco Primeiros Sábados, a confissão, os fiéis devotos confessam-se todos os meses. Quanto bem isto faz à alma!!!

Mas a Igreja tem o direito de nos impor esta obrigação? Sem dúvida, porque Nosso Senhor Jesus Cristo disse: "Ide, ensinai a todas as nações; quem vos ouve a mim ouve, quem não vos ouve, seja tido como pagão. Assim como meu Pai me enviou, assim também eu vos envio" (S. Mateus, XXVII, 19; S. Lucas, X, 19; S. João XX, 21).  A Igreja recebeu, pois, de Jesus Cristo, o mesmo poder que Ele tinha, por conseguinte, o poder de fazer leis. Eis aqui uma lei que a Igreja fez, cuja observância obriga sob pena de pecado mortal.

Aqui vamos mostrar como as várias objeções contra a confissão são aniquiladas por tudo o que nos artigos anteriores já escrevemos. Geralmente as objeções que se fazem contra a confissão são: Segundo uns a confissão não serve senão para crianças ou, quando muito, para mulheres devotas; segundo outros, é suficiente confessar-se a Deus, é degradante ir-se ajoelhar ante um padre; em todo caso, para que precisa o padre saber dos nossos pecados? Há quem diga: "é desagradável confessar-se, não tenho coragem; tenho medo do confessor; zombarão de mim". Há quem se glorie de não ter necessidade da confissão sob pretexto de ser muito honesto. Enfim, há muitos que declaram francamente que não querem confessar-se para não serem obrigados a guardar castidade, a fidelidade conjugal, e a restituições.

Como eu disse acima, todas estas objeções são completamente desfeitas, aniquiladas pelo que já foi dito sobre o sacramento da confissão, a saber: 1º  - a confissão foi estabelecida por Deus; 2º - Deus a impôs e a ordenou ao pecador. Se a confissão foi estabelecida por Deus, quem a destruirá? Se Deus a ordena, desgraçado daquele que não se confessa. Pois, a confissão ou o inferno, não há meio termo.
Pois bem, ou confessareis vossos pecados em segredo ao padre, neste mundo, com o coração contrito, ou então ireis confessá-los no inferno com os réprobos derramando lágrimas eternas. Escolhei... sêde prudente, pois se trata aqui de vós mesmos, dos vossos mais caros interesses, de vossa felicidade e de vosso futuro, em uma palavra, da vossa eternidade.

Os mundanos e os ímpios cercam a confissão, esta grande obra da misericórdia divina, com todas as objeções que pode inventar o orgulho, a cobardia e a corrupção do coração. Mas que são todas estas objeções, senão bolas de neve que se derretem aos primeiros raios do sol divino? Este ataque verdadeiramente pueril dos inimigos da Igreja se dá há 20 séculos, e que, apesar do número e da força dos agressores, a confissão não sofreu nenhum abalo. Está bem estabelecido o que Deus estabeleceu.
Caríssimos, não negamos que uma dúvida sobre a confissão possa surgir no espírito de um homem assisado, mas então a prudência quer que se estude a questão sem prevenção, e que se consultem os homens que melhor nos podem esclarecer.


O melhor meio para compreender e apreciar a confissão, é confessar-se; é mesmo o melhor meio para crer nela quando se julga não crer. Eis um exemplo esclarecedor sobre isto: A 21 de dezembro de 1858 apresentou-se ao santo Cura d'Ars um nobre senhor, muito bem vestido, de uns 50 anos de idade, trazendo no paletó a roseta de Legião de Honra. "Sr. Cura, venho conversar convosco sobre um assunto sério".  -  "Bem - respondeu com amabilidade o zeloso padre, ajoelhai-vos ali" e com o dedo mostrou-lhe um banquinho.  -  Sr. Cura, disse o homem, eu não venho confessar-me.  - Então para que vindes?  -  Venho para discutir.  - Para discutir? Mas eu não sei discutir! Ajoelhai-vos ali.  -  Mas, Sr. Cura, tive a honra de dizer-vos que não vim para me confessar. Não tenho fé, não creio, e...  -  Não tendes fé? pobre homem! Sou muito ignorante, mas vejo que sois mais ignorante do que eu. Ao menos, eu sei o que é preciso crer, e vós nem isto sabeis. Fazei o que vos digo; ajoelhai-vos ali.  -  É justamente sobre a confissão que tenho dúvidas, respondeu o homem, um pouco atrapalhado. Não me quero confessar sem crer, isso seria uma comédia que vós não desejaríeis.  -  Crede, meu amigo, eu sei disso, ajoelhai-vos ali. Vivamente impressionado com o aspecto de santidade que brilhava em torno do Cura d'Ars, e do tom das suas palavras cheias de fé, de sua humildade e de sua amável simplicidade, primeiro colocou um joelho sobre o banquinho e depois o outro. O santo confessor tratou-o com autoridade e bondade paternais. Um quarto de hora depois o senhor levantou-se, com o rosto banhado de lágrimas, lágrimas de alegria. E o senhor contava a todos que podia que, terminada a confissão, o Cura d'Ars dissera-lhe: "E agora, meu filho,  vamos  resolver suas dúvidas sobre a fé. Responde-lhe o penitente: "Senhor cura, não tenho mais nenhuma dúvida!". É que após a confissão, seu coração estava limpo e bem puro, e, então podia ver a Deus!!!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O PADRE MARIA AFONSO RATISBONNE

   
    O padre Maria Afonso Ratisbonne merece, com justiça, o título de bom servo da Santíssima Virgem.
    Ele deve a sua conversão do judaísmo e da maçonaria à verdadeira religião à Santíssima Virgem que se dignou aparecer-lhe, ordenando-lhe que se fizesse católico e sacerdote. É o que consideramos em  postagens anteriores.
   O padre Maria Ratisbonne, agradecido por tantas preciosas graças, tornou-se um grande devoto de Maria Santíssima.
    Um profundo pesar, porém, lhe amargurava a vida: sua boa mãe era judia e, de modo algum, queria seguir o exemplo do filho.
    O padre rezava e suplicava, sem cessar, à Mãe de Deus pela conversão da mãe , com ilimitada confiança.
    Mas tudo parecia em vão. A mãe do padre adoeceu gravemente, entra em agonia e morre, sem dar o mínimo sinal de conversão.
    O padre Maria Ratisbonne estava como fora de si e continuamente dizia consigo mesmo: "Por que é que a Virgem Senhora não teve compaixão de mim e não salvou a minha pobre mãe? Eu era muito pior e ela me converteu!"
    Passado algum tempo, chega-lhe a visita de um sacerdote, que traz a mais alvissareira das notícias: o sacerdote vinha em nome da Santíssima Virgem Maria.
    O visitante enviado por Nossa Senhora disse ao padre Maria Ratisbonne: "Alegra-te, padre Ratisbonne venho trazer-te uma notícia, que creio ser a mais feliz de sua vida sacerdotal: sou enviado por Nossa Senhora. Ela apareceu a uma alma predileta de Deus e lhe deu o ordem de comunicar a V. Revma. o seguinte: "Quando a mãe do padre estava em agonia, eu a Mãe de Jesus fui falar com meu Filho e lhe disse: "Meu Filho, eu te peço que não permitas que se condene eternamente a mãe do meu servo , o padre Maria Afonso Ratisbonne". E, continua Nossa Senhora, um raio de graça eficaz saído do Coração de Jesus, iluminou a agonizante, que morreu com o arrependimento perfeito e com o desejo do santo batismo e assim se salvou". O padre Ratisbonne cai de joelhos, beija a Santa Medalha Milagrosa, eleva as mãos para o céu para agradecer a sua Mãe Celeste e saudar a sua mãe da terra que agora era também do céu. Um rio de lágrimas brotou de seus olhos, lágrimas de alegria, lágrimas de amor e gratidão a Maria Santíssima!

CONFISSÃO NO ANTIGO E NOVO TESTAMENTOS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Antes da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo a confissão existia mas não como sacramento, porque todos os Sacramentos foram instituídos pelo Divino Salvador. No Antigo Testamento existia, mas apenas como meio dado ao pecador para obter o seu perdão. Para se livrar da confissão seria, pois, preciso abafar a voz da natureza; ela clama a todos os culpados que não há perdão sem arrependimento e não há arrependimento sem acusação da falta cometida. Quem não reconhece sua falta e a confessa é porque dela não se arrepende. E assim, não pode ser perdoado.

Adão e Eva foram os primeiros pecadores e os primeiros penitentes; eles se confessaram, desculpando-se, é verdade, mas nisso eles fizeram o que fazem ainda tantos cristãos que se acusam lançando a culpa sobre os outros. Adão disse: "a mulher que Vós me destes por companheira apresentou-me o fruto da árvore proibida e eu comi. Eva disse: " a serpente me enganou e eu comi" - Eu comi, eis aí a confissão. (Cf. Gênesis III, 12).

Davi confessou sua culpa ao profeta Natan: "Eu pequei" (2 Reis XII, 13).

O filho pródigo, apresentado por Jesus Cristo como modelo de arrependimento, acusa seus erros dizendo: meu pai, eu pequei contra o céu em vossa presença (S. Lucas XV, 18). O bom ladrão na cruz fez uma confissão pública: "quanto a nós recebemos o que mereceram as nossas obras" (S. Lucas, XXIII, 41).

A confissão era formalmente prescrita pela Lei Mosaica: "Anunciai isto aos filhos de Israel  -  disse o Senhor a Moisés  - quando um homem ou uma mulher cometerem um dos pecados que acontecem de ordinário aos homens, eles confessarão a falta que cometeram" (Num. LV).  Estas últimas palavras: "as faltas que cometeram" demonstram evidentemente uma confissão particular e bem determinada. Esta confissão devia-se fazer ao sacerdote como atestam o Levítico capítulo V, e a tradição judaica; fazia-se ao ouvido do sacerdote e não era conhecida senão por ele.


"Quando Jesus Cristo veio ao mundo, diz um autor, ele achou a confissão estabelecida e, impondo aos fiéis a obrigação de se confessar, não deu uma lei nova, não fez senão confirmar e aperfeiçoar uma lei já existente, ele que veio, não destruir a lei, mas aperfeiçoá-la (S. Mateus V, 17). Algo semelhante ao que aconteceu com o matrimônio. Assim como Jesus Cristo elevou o matrimônio à dignidade de sacramento, também elevou a confissão à mesma dignidade, ligando-lhe graças especiais, tornando-a parte essencial do sacramento da penitência. É isto que explica porque o preceito da confissão não excitou murmuração alguma entre os judeus e os gentios. Estavam habituados; nada lhes parecia mais natural; uma tradição constante e universal fazia sentir a necessidade indispensável da confissão". 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A NECESSIDADE DA CONFISSÃO AFIRMADA POR SANTOS PADRES E CÉLEBRES ESCRITORES

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

S. Basílio (+ 380) em termos formais diz: "Consideramos como obrigatório para todos a confissão dos pecados àqueles a quem confiada a dispensa dos mistérios de Deus".

Santo Ambrósio (+ 397) diz: "Uma humilde confissão é a melhor defesa que o pecador pode fazer. É chorando por nossas faltas cometidas que escaparemos à pena eterna, que seria inevitável se procurássemos justificá-las".

Santo Agostinho (+ 430), comentando esta passagem dos Salmos "Entrai pela porta que conduz a Deus, pela confissão" (In Ps. 97) diz: "Por estas palavras o profeta declara que ninguém pode chegar à porta da misericórdia de Deus, senão pela confissão de seus pecados. O começo das boas obras é a confissão das más".

Tertuliano (+ 216), célebre escritor eclesiástico, já dizia: "Alivia-se o peso dos pecados confessando-os, tanto quanto se os agrava ocultando-os. A confissão é um começo de satisfação; a dissimulação é um ato de revolta... Vale, pois, mais vos condenardes ocultado vossos pecados do que vos salvardes confessando-os?... A confissão vos causa temor? Pensai nas chamas do inferno que a confissão extinguirá para vós. Refleti na enormidade do castigo para não mais hesitardes quanto à adoção do remédio".

O célebre e seguro autor espiritual Mons. Gaume diz que a confissão foi sempre considerada como o único meio para se obter o perdão dos pecados.

Caríssimos, é mesmo impossível que haja um outro meio de perdão. Com efeito, se houvesse na religião outro meio além da confissão, para se restabelecer na graça de Deus; se bastasse, por ex., humilhar-se em sua presença, jejuar, orar, dar esmolas, declarar-lhe sua falta no íntimo do coração, que aconteceria? Que ninguém mais se confessava. Pois quem seria bastante simples para ir solicitar, com um tom suplicante, aos pés de um homem, uma graça que poderia facilmente obter sem ele, e contra a sua vontade? Então que seria da confissão estabelecida pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo (Cf. S. João, XX, 21 a 23).  - Cairia em desuso e ficaria sem efeito no mundo. Que seria do magnífico poder que Ele deu aos seus ministros de perdoar ou reter os pecados? Não é evidente que este poder tão admirável e divino tornar-se-ia um poder ridículo e completamente irrisório visto que nunca teriam de exercê-lo? Assim, ou há obrigação para todos os pecadores confessarem seus pecados ao padre, ou então Jesus Cristo zombou de seus ministros dizendo-lhes: os pecados serão perdoados a quem os perdoardes, etc. E teria igualmente zombado deles quando lhes disse: dar-vos-ei as chaves do reino dos céus (S. Mateus, XVI, 19). De que lhes serviria ter as chaves do céu se nele se pudesse entrar sem que fosse aberto pelo seu ministério?

Mas, não falte quem pergunte: Padre, mas a contrição perfeita não perdoa o pecador na hora? Respondo: é verdade! Mas é necessário estar lembrado que não se faz um ato de contrição perfeita sem que ao mesmo tempo  tenha o desejo da confissão. Ademais devemos dizer que ninguém é bom juiz em causa própria: quem tem segurança de ter conseguido obter uma contrição verdadeiramente perfeita? Com a confissão é segurança é muito maior, porque com a absolvição basta o penitente ter a contrição imperfeita, ou também chamada atrição. É muito mais fácil alguém se arrepender meditando no inferno que mereceu e no céu que perdeu, do que se arrepender sendo movido unicamente pela ofensa feita ao Sumo Bem e Benfeitor, nosso Pai que nos amou de tal modo que nos deu o seu próprio Filho, isto é, arrepender-se tendo como motivo o amor de Deus. Contudo, caríssimos, é sumamente louvável que procuremos sempre ter a contrição perfeita, mas o próprio Espírito Santo, sabendo da nossa fraqueza, aconselha-nos a meditar em nossos novíssimos: "Meditai nos vossos novíssimos e não pecareis jamais".

Como devemos estar sempre no estado de graça, devemos meditar assiduamente na Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo! Procurar em todas as ocasiões fazer atos perfeitos de amor a Deus. 


Quero lembrar outra verdade importantíssima: Se formos confessar levando no coração o ato de contrição perfeita é certo que a purificação da alma é muito maior, neste sentido que também ficam perdoadas as penas temporais justamente segundo o grau do amor a Deus. O fogo do amor de Deus purifica mais que o fogo do purgatório, pelos merecimentos infinitos de Nosso Senhor Jesus, merecimentos estes que as almas do Purgatório não têm mais à sua disposição. 

domingo, 11 de dezembro de 2016

NECESSIDADE DA CONFISSÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Todo pecado ofende a Deus. Como ensinou o próprio Jesus Cristo, Nosso Senhor: toda a Lei se resume em dois mandamentos, ou seja, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Assim, mesmo quando a ofensa é feita ao próximo, ofende a Deus, porque Ele quer que amemos o próximo, pois, todo homem foi feito à imagem e semelhança de Deus e todos somos destinados por Nosso Pai do Céu para a felicidade no Paraíso.

Assim sendo, devemos dizer que Deus é o ofendido pelos pecados dos homens, quer sejam diretamente cometidos contra Deus, como acontece quando são desobedecidos os três primeiros mandamentos, quer sejam indiretamente, como acontece quando são desobedecidos os outros sete mandamentos que se referem diretamente ao próximo. É sempre Deus ofendido pelo pecado.

Ora, só àquele que recebeu a ofensa cabe o poder de perdoar e também de determinar a penitência. Só Deus pode colocar as condições para que Ele possa perdoar. Pois bem! Para nos perdoar, Deus exige que confessemos nossas faltas aos seus ministros, aos padres. A confissão é, pois, necessária e obrigatória para todos os fiéis que perderam a inocência do batismo por qualquer pecado mortal. Muito gente pensa que se perde o inocência só com o pecado mortal contra a castidade. Na verdade, a Teologia ensina que inocência depois do batismo  consiste em conservar a graça santificante nele recebida. E esta graça se perde com qualquer tipo de pecado mortal, mesmo por pensamento e desejo. Só para dar um exemplo: quem aceitasse consciente e voluntariamente um desejo de roubar uma coisa de maior valor, já teria cometido um pecado mortal, e, portanto, com este pecado teria perdido a inocência batismal. Popularmente só se emprega inocência para significar  o desconhecimento de toda malícia no que se refere à pureza. Daí o povo dizer que uma criança perdeu a inocência quando conhece e faz algum pecado contra a castidade. Na verdade, perde-se a inocência batismal quando se cometem estes pecados e/ou qualquer outro tipo de pecado mortal. Inocência, portanto, teologicamente falando, é a conservação da graça santificante recebida no batismo. E neste sentido, esta inocência é privilégio de poucos.

O Sacrossanto Concílio de Trento ensina: "Se alguém disser que a confissão sacramental não é necessária por direito divino, para a salvação: seja anátema. E diz ainda: O Sacramento da Penitência é tão necessário para a salvação daqueles que perderam a inocência batismal, como o batismo o é para aqueles que o não receberam. Como já tivemos ocasião de explicar, é neste sentido que o Sacramento da Penitência é chamado "a segunda tábua de salvação depois do naufrágio". Diz São Bernardo que "depois do batismo, não há nenhum outro remédio para o pecador senão a confissão".

Este remédio divino, como já o provamos, Nosso Senhor Jesus Cristo no-lo deu quando disse aos Apóstolos: "Os pecados serão perdoados àqueles a quem vós os perdoardes", e ainda disse: "tudo que desligardes na terra será desligado nos céus".


Caríssimos, queremos, pois, obter o perdão de nossos pecados? Confessemo-los a um sacerdote que tenha a devida jurisdição. Queremos livrar nossa alma das correntes do pecado e do demônio? Não há outro meio senão a confissão. Ela é necessária ou menos em desejo, como já explicamos no caso de arrependimento perfeito, e é impossível fazê-la em realidade. 

sábado, 10 de dezembro de 2016

A RETA RAZÃO HUMANA PROVA A ORIGEM DIVINA DO SACRAMENTO DA CONFISSÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
Em Teologia usam-se os argumentos tirados das Sagradas Escrituras e depois os argumentos da Tradição. Frequentemente, usam-se também os argumentos da reta razão humana. Esta mostra a conveniência de uma determinada tese. Assim, em se tratando da origem divina do Sacramento da Penitência, vamos, com a graça de Deus, apresentar também os argumentos da reta razão, ou também chamados argumentos do bom senso.

Pois bem! O mais simples bom senso nos mostra que a confissão não pode ter senão uma origem divina. Suponhamos que seja uma invenção humana; certamente, uma tal invenção é bastante notável para que se conhecesse o seu autor. Sabe-se o primeiro cultor da ciência: foi Thales. Arquimedes inventou as espelhos-ustórios; Nilton descobriu a lei da gravidade; Gutemberg descobriu a arte de imprimir. Pedro Álvares Cabral descobriu o nosso querido Brasil; Colombo descobriu a América etc. etc., ... quem é, pois,o inventor da confissão? Foi, acaso, um grande santo? Mas acabamos de ver no artigo anterior que os santos Padres desde os mais próximos dos Apóstolos já supõem a confissão como um fato existente e conhecido. Logo, não foram eles que inventaram a confissão. Se os padres, os bispos e os papas fossem isentos da confissão, aquela afirmação teria alguma aparência de verdade; eles, porém, estão sujeitos a ela como os simples fiéis. Onde, pois, a razão que os induziria a impor-se uma obrigação tão humilhante? Por que força secreta teriam eles podido constranger os reis a irem ajoelhar-se ante um pobre padre para lhe fazer acusação de suas fraquezas, a submeter-se sem réplica às suas decisões, e receber dele, com respeito, uma penitência proporcionada às suas faltas? Se os padres tivessem inventado a confissão, teriam sido levados por um motivo qualquer. Qual seria este motivo? O interesse? Evidentemente que não; pois o confessor não recebe remuneração alguma pela confissão. O prazer? Mas sabeis o que é ser confessor?   - Ser confessor é ser escravo de todos - depender dos outros desde a manhã até à noite  -  a qualquer hora do dia e da noite. O confessor tem que sondar as chagas mais repugnantes, sem tremer, ouvir os crimes por maiores que sejam, sem arrepiar-se.

É sobretudo à cabeceira dos doentes e moribundos que os padres devem estar presentes. O padre deve administrar os sacramentos aos pestíferos com risco de contaminar-se do mal. Sua vida é uma vida de sacrifícios, de prisão e de fadiga, sobretudo no confessionário e junto aos leitos dos doentes.
Quem teria inventado a confissão? Talvez os fiéis? Mas esta segunda suposição é tão absurda como a primeira. A confissão é um constrangimento, um ato de humildade. Ora, o homem, em lugar de submeter-se de boa vontade a uma coisa que o constrange e humilha, é ao contrário levado a repelir tudo que o contraria.


Quando alguns do Anglicanismo quiseram introduzir a confissão na Inglaterra; que resultou? As revoltas populares, os gritos sediciosos levantaram-se ao mesmo tempo em todos os pontos do país. Uma tal imposição por parte de fiéis só merece a irrisão pública. Só Deus tem autoridade para impor este ato de humilhação como condição para se receber o perdão dos pecados. Portanto, o homem não podia inventar a confissão; ela é obra de Deus. Só Ele, o soberano Mestre, a poderia impor ao homem; e o homem, qualquer que seja, rei ou súdito, rico ou pobre, é obrigado a submeter-se a essa lei divina, sob a terrível pena de condenação eterna para os que, depois do Batismo, tenham cometido pecado mortal. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

OS SANTOS PADRES E O SACRAMENTO DA CONFISSÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
Santo Ambrósio (séc. IV) dizia: "Segundo a declaração de Nosso Senhor Jesus Cristo, aquele que tem o poder de ligar tem também o de desligar. É um direito reservado exclusivamente aos padres. Os verdadeiros padres são os que a Igreja ordena. Aquele que recebeu o Espírito Santo pela ordenação, recebeu o poder de ligar como o de desligar os pecadores. Porque está escrito: recebei o Espírito Santo, os pecados serão remitidos a quem os remitirdes e retidos a quem os retiverdes. Deus prometeu a todos a sua misericórdia, e deu a todos os seus padres o direito ilimitado de conceder perdão (De poenit., c. 2). Deus conhece tudo, mas espera a vossa confissão, não para vos castigar, mas para vos perdoar" (Procec.).

Orígenes, (+ 254), disse: "Declararei a minha iniquidade. Já dissemos, mais de uma vez, que por essas palavras devemos entender a confissão dos pecados. Assim, vede o cuidado que a Escritura toma em dizer-nos que não se devem esconder os pecados no coração. Assim como se procura alívio vomitando a bílis que sobrecarrega o estômago, assim os que escondem os pecados no coração ficam como sufocados e não podem ser curados senão pela acusação de suas faltas: é uma espécie de vomitório salutar. Examinai somente, com cuidado, qual será aquele a quem ides de preferência confessar os vossos pecados. Escolhei, antes de tudo, um médico a quem possais expor as vossas enfermidades espirituais, que saiba chorar e sofrer convosco, e segui exatamente todos os conselhos que ele vos der" (Hom. em Os. 37).

Vamos ouvir agora um bispo do século 3º e que foi a honra da Igreja da África, São Cipriano: Ele louva os que, culpados de pecados por pensamento, vão confessar-se aos ministros de Deus, com dor e simplicidade, descobrindo os segredos de sua consciência (Cf. O. De Lapsis).

Tertuliano (séc. II): "Muitos evitam confessar os seus pecados porque têm mais cuidado com a sua honra do que com a sua salvação. Imitam esses doentes que, acometidos de um mal secreto, o escondem ao médico, deixando-se assim morrer, Será, pois, preferível condenar-vos escondendo os vossos pecados, do que salvar-vos confessando-os? (De Poenit. c. 10).

São Clemente, sucessor de S. Pedro, dizia no 1º século: "Aquele que tem cuidado com sua alma, não tenha vergonha de confessar os seus pecados afim de obter o perdão. S. Pedro, acrescentava ele, mandou descobrir aos Padres até os maus pensamentos. Enquanto estamos sobre a terra, convertamo-nos, pois, uma vez na eternidade, não poderemos mais confessar-nos nem fazer penitência" (In Epist. 2 ad Cor.).

Enfim escutemos S. João Evangelista, ele que recebeu diretamente da boca do próprio Filho de Deus a instituição do Sacramento da Penitência: "Se confessarmos os nossos pecados, Deus, que é justo e fiel, nos perdoará" (1 João, I, 9). Por estas palavras, diz Santo Afonso, deve-se entender a confissão sacramental. Segundo o mesmo santo Doutor da Igreja, vemos na Escritura os primeiros cristãos acusando-se aos pés dos Apóstolos. Os cristãos efésios, que tinham abraçado a fé, e, por conseguinte, recebido o batismo, assustados com os castigos infligidos aos profanadores do nome de Jesus, vinham, diz S. Lucas, em grande número, confessar e declarar a Paulo o que tinham feito, não seus milagres, como diz tolamente Lutero, mas sim seus pecados e ofensas, como diz a versão siríaca, e como o exige o contexto: e vários, que se entregaram a vãs curiosidades, trouxeram seus livros e os queimaram em presença de todos (Atos, XIX, 18). - A confissão existe, pois, desde o tempo dos Apóstolos.

Caríssimos, onde está, pois, o poder que levou os fiéis, há 20 séculos a confessarem aos sacerdotes as suas faltas e pecados? Ele se acha nestas palavras que Jesus Cristo disse aos apóstolos e aos seus sucessores no sacerdócio: "Os pecados serão remitidos a quem os remitirdes, e serão retidos a quem os retiverdes".


Conclusão: Portanto, caríssimos, a Confissão vem de Deus, foi Nosso Senhor Jesus Cristo que a instituiu: Confira S. João XX, 21 a 23. Está muito claro, e por isso, os Santos Padres, os Concílios, enfim toda Tradição da Igreja sempre o reconheceu. E é bom notarmos que este sacramento só existe na verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja, Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana. 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

OS CONCÍLIOS E OS SANTOS PADRES SOBRE O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Os Concílios: o de Laodiceia em 366, o de Rênes em 639, o de Chalon em 644, o de Nantes em 656, o de Constantinopla em 692, o de Germânia em 735, o de Tours em 813, o de Paris em 820, o de Pavia em 850, etc., proclamavam a instituição divina e a necessidade da confissão muitos séculos antes do 4º Concílio de Latrão.

O Concílio de Germânia, reunido em 735, ordena que cada coronel tivesse à sua disposição um padre para ouvir a confissão dos seus soldados.

A história conserva os nomes de muitos confessores. Eis aqui alguns; no século sétimo, Santo Ausberg, Arcebispo de Ruão, confessor do rei Tierry I; São Wieron, Bispo de Ruremonde, confessor de Pepino, pai de Carlos Martello. No século oitavo, Carlos Magno se confessava a Hildebrando, Arcebispo de Colônia, e seu filho Luiz le Debonnaire a Santo Alderico, Bispo de Mans. No 10º século, o imperador Othon tinha por confessor Ulrico, Bispo de Augsburg. No 11º século, o Padre Estêvão, da diocese de Orleans, dirigia a consciência da rainha Constança, mulher do piedoso rei Roberto.


Depois deste pequeno parêntese sobre os confessores de algumas altas personalidades, passemos finalmente a falar sobre os Santos Padres da Igreja. Aliás, vamos ouvir apenas alguns, porque, na verdade constituem uma multidão esmagadora para os nossos adversários. S. Bernardo (séc. XII) dizia: "De que serve confessar parte de seus pecados e calar outra? Não são todos eles conhecidos de Deus? Ousais, pois, ocultar alguma coisa àquele que ocupa o lugar de Deus em um tão grande sacramento?"  Santo Anselmo, (séc. XI), dizia: "Descobri fielmente aos padres, por uma humilde confissão, toda as manchas da lepra que tendes dentro de vós, e sereis purificados". São João Clímaco (séc. VI), escrevia: "Nunca se ouviu dizer que os pecados declarados no sacramento da penitência fossem divulgados. Deus assim determinou para que os pecadores não se afastassem por isso da confissão, ficando privados da única esperança de salvação que lhes resta". No séc. V. S. Leão, numa carta dirigida aos bispos de Campanha, protesta energicamente contra o abuso da confissão pública: "basta descobrir aos padres, por uma confissão secreta, os pecados de que se acha carregada a consciência". Santo Agostinho, falecido em 430, dizia: "Não basta confessar a Deus, é preciso confessar-se àqueles que receberam d'Ele o poder de ligar e desligar". S. João Crisóstomo (+ 407) falava da confissão nos mesmos termos em que os Padres falam em nossos dias: "O padre coloca seu trono no céu, e é de lá que exerce seu julgamento. Quem disse isso? o próprio Rei do Céu:  -  tudo que ligardes na terra será ligado no céu. Que há comparável a esta honra? O céu empresta à terra as suas decisões. O Juiz acha-se aqui em baixo, e o Senhor obedece ao seu ministro e ratifica o julgamento que este faz." E fazendo alusão aos Sacerdotes da Antiga Lei, que não faziam senão certificar a cura dos leprosos, sem os curar, o mesmo santo dizia: "Não é a lepra do corpo, é a da alma que os padres da Nova Lei curam. Não é o direito de julgar da cura que eles exercem, mas o de curar".