terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O SERMÃO DOS ANÁTEMAS


 Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   No fim da tarde do Domingo de Ramos, Jesus sobe novamente o Monte das Oliveiras  e volta para à casa de seus amigos em Betânia. Será que ninguém ofereceu pousada ao recém aclamado Rei? 

   Mas nestes cinco dias, até sua prisão no Horto das Oliveiras, muitas coisas aconteceram. Jesus voltava a Jerusalém, oferecendo até o fim, oportunidade de conversão para os fariseus. Amaldiçoa uma figueira e no outro dia já está seca. É um ato que funciona qual parábola. Expulsa os vendilhões do templo. Desfaz por várias vezes as ciladas feitas a Ele. Jesus Cristo provou suficientemente a sua Divindade, rompendo as malhas destas redes de armadilhas, e deixa os astutos e maldosos fariseus reduzidos ao silêncio.

   Mas, talvez, o que mais prova sua Divindade nestas discussões com os seus figadais inimigos foi o discurso dos anátemas, discurso este lançado diretamente na cara dos inimigos e fê-lo com aquela autoridade que não tem similar entre os simples homens.

   Acabaram-se os chamamentos, e chega a hora terrível dos anátemas e da verdade nua e crua sobre o malévolo e orgulhoso espírito farisaico. Foi, de todos os discursos de Jesus, o mais terrível. A força da sua ira é tão fulminante como o império da sua doçura. Na verdade, já não havia nada a fazer com aqueles corações irredutíveis de orgulho.

   Como exórdio, Jesus começa por se dirigir a todos os ouvintes: "Os escribas e fariseus estão sentados na cátedra de Moisés. Fazei, pois, o que vos dizem, mas não façais o que fazem. Dizem e não fazem. Atam fardos pesados e insuportáveis, e os põem aos ombros dos outros; mas eles nem com um dedo estão dispostos a tocar-lhes. Tudo o que fazem, fazem-no para que os homens os vejam". "Por isso alargam as filatérias e aumentam as orlas dos mantos. E procuram  os primeiros lugares nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas. Procuram as saudações na praça e ficam inchados quando os homens lhes chamam rabi". 

   - Mas vós, - acrescenta Jesus, dirigindo-se aos seus discípulos - a ninguém chameis pai nesta terra, porque um só é o vosso Pai, que está nos céus. Nem vos chameis mestres uns aos outros, porque um só é o vosso Mestre, Cristo". 

   Até aqui, apenas o exórdio do discurso. De súbito, Jesus Cristo levanta a voz  e pronuncia grandes e terríveis maldições:

   - "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que fechais aos homens o reino dos céus; porque nem vós entrais, nem quereis que os outros entrem!

    - "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que devorais as casas das viúvas com o pretexto de fazer longas orações!

    - "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que percorreis os mares e a terra para fazer um prosélito e, mal o conseguis, o converteis num filho do inferno, duas vezes pior do que vós!

    - "Ai de vós, guias cegos, que dizeis que jurar pelo templo não é nada e que o que obriga é jurar pelo ouro do templo! Néscios e insensatos, o que vale mais, o ouro, ou o templo que santifica o ouro!

    - "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que pagais dízimo da menta e do cominho e abandonastes as coisas essenciais da Lei, a justiça, a misericórdia e a fé! Devíeis observar estas, sem omitir aquelas. Guias de cegos, que filtrais um mosquito e engolis um camelo.

    "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que vos mostrais como sepulcros caiados, vistosos aos olhos dos homens e, por dentro, cheios de ossadas de mortos e de podridão asquerosa!..."

    - "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos santos e afirmais que, se tivésseis vivido nos tempos antigos, não teríeis manchado vossas mãos com o sangue dos profetas! Vós mesmos o confessais; Sois dignos filhos dos que assassinaram os enviados de Deus. Acabai de encher a medida de vossos pais. Serpentes, raça de víboras, como conseguireis fugir à eterna condenação? Por isso, eis que Eu vos envio profetas e sábios e escribas; e matareis alguns deles e crucificareis outros; outros ainda, haveis de os açoitar nas vossas sinagogas e perseguir de cidade em cidade, para que desça sobre vós todo o sangue vertido na terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que vós matastes entre o templo e o altar. Em verdade vos digo que tudo isto virá sobre esta geração".

   Caríssimos e amados irmãos, havia por detrás destes anátemas uma visão do futuro, um castigo. E Jesus, por isso, termina estas suas invectivas com um soluço vibrante de amor, pois tinha sido o amor que havia inspirado este requisitório supremo. À apóstrofe mais trágica junta-se uma exclamação transbordante de ternura: 

    - "Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes Eu quis acolher teus filhos, com a galinha recolhe os pintainhos debaixo das asas, e tu não quiseste! Eis que a vossa casa fica deserta. Porque Eu vos digo: Não me vereis enquanto não disserdes: Bendito seja o que vem em nome do Senhor!"

    

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O PERDÃO DIVINO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

O poder de perdoar pecados é um poder divino. É o que estamos demonstrando.

Este poder sublime, Nosso Senhor Jesus Cristo deu-o aos seus Apóstolos no dia de sua Ressurreição. As portas da casa, onde os discípulos se tinham reunido, estavam fechadas, tal o medo aos judeus; e Jesus, aparecendo no meio deles, disse-lhes: "A paz seja convosco. Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Alegraram-se, pois os discípulos ao ver o Senhor. Ele disse-lhes novamente: A paz seja convosco. Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (S. João, XX, 19 a 23).

O Santo Concílio de Trento acrescenta: Se alguém disser que por estas palavras  ("recebei o Espírito Santo... etc.) do Salvador não se deve entender o poder de perdoar ou reter os pecados pelo sacramento da Penitência, seja anátema (C. T. ss. XIV, Cânon 3).

Devemos provar que este poder é permanente na Igreja, ou seja, deve durar até o fim do mundo. Porque o fim que Nosso Senhor Jesus Cristo se propôs dando à Igreja o poder das chaves é de livrar os fiéis dos laços do pecado e de lhes abrir as portas do céu. Está claro que este poder deve durar enquanto existir pecado para perdoar e tanto quanto durar a Igreja. Ora, sempre haverá pecados que perdoar; porque tal é a fragilidade humana que ninguém há que durante a vida não cometa faltas graves ou leves. O poder de absolver não será menos necessário nos últimos séculos do que o foi no primeiro. Demais a Igreja tem o promessa da imortalidade ou indefectibilidade que garante a sua existência até a consumação dos séculos. Logo, o poder que ela recebeu para perdoar os pecados é permanente e não acabará senão no fim do mundo.

Devemos considerar, outrossim, que Jesus Cristo deu aos seus Apóstolos e a seus legítimos sucessores duplo poder: o de ligar e desligar as consciências e o de perdoar e reter os pecados; em outras palavras, Ele os fez juízes das consciências. Jesus deixou, como diz o Concílio de Trento, aos padres, seus vigários, como presidentes e juízes aos quais os fiéis devem confessar os pecados mortais que tiverem cometido, afim de que, em virtude do poder das chaves, eles pronunciem a sentença que perdoa ou retém os pecados. É claro que os padres não poderiam julgar sem conhecimento de causa. Daí, vem que os penitentes devem enumerar na confissão todos os pecados mortais de que se reconhecem culpados. Este poder judiciário não o podem exercer arbitrariamente; eles devem, antes de pronunciar a sentença, conhecer a causa de cada um. Vamos falar sobre isto, se Deus quiser, na próxima leitura espiritual. 

domingo, 4 de dezembro de 2016

INSTITUIÇÃO DIVINA DOS SACRAMENTO DA PENITÊNCIA


LEITURA ESPIRITUAL  MEDITADA

Como rezamos no ato de Contrição: "Senhor meu, Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro...", sabemos que o Messias, o Salvador é o Filho de Deus feito Homem. Foi sempre Deus porque Deus não teve princípio, existiu desde todo sempre, e nunca deixará de existir. Fez-Se Homem, sem deixar, portanto, de ser Deus. E assim, Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Pois bem, todos os sacramentos foram instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus feito Homem. Entre os sete Sacramentos está o da Penitência ou Confissão. O Sacramento da Penitência é, portanto de instituição divina, e não uma coisa criada por um simples homem. Daí devemos dizer que a Confissão é divina. E para demonstrar esta verdade basta-nos consultar o Santo Evangelho, a Tradição e podemos também dar argumentos de razão a favor de sua conveniência.

1. O EVANGELHO:

 O Evangelho atesta em primeiro lugar que Jesus Cristo tem o poder de perdoar os pecados. S. João Batista mostra Jesus ao povo e diz: "Eis o Cordeiro de Deus, eis o que tira os pecados do mundo" (S. João, I, 29). Lemos também no Evangelho que um dia apresentaram a Jesus um paralítico. O Salvador, querendo provar a sua divindade, disse: Teus pecados são-te perdoados. Então os escribas e os fariseus murmuraram entre si dizendo: "quem pode perdoar os pecados senão Deus?" Mas Jesus Cristo, conhecendo seus pensamentos lhes disse: "Que estais vós a pensar nos vossos corações? Que coisa é menos difícil dizer: São-te perdoados os pecados, ou dizer: Levanta-te e caminha? Pois, para que saibais que o Filho do homem tem poder sobre a terra de perdoar pecados, (disse ao paralítico): Eu te digo: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. Levantando-se logo em presença deles, tomou o leito em que jazia e foi para sua casa, glorificando a Deus" (S. Lucas, V, 20 a 25).


 Realmente, trata-se de um poder divino, ou seja, só Deus pode perdoar pecados. Mas Deus em sua infinita misericórdia, delegou este poder aos homens, não a todos mas àqueles que Ele escolheu e escolherá até o fim do mundo para fazer as suas vezes, isto é, para serem seus instrumentos, dispensadores deste poder: são primeiramente os Apóstolos e depois seus sucessores. Este grande poder de perdoar os pecados Jesus Cristo prometera primeiramente a São Pedro quando disse-lhe: Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus: tudo que ligares na terra será ligado no Céu e tudo que desligares na terra será desligado no Céu" (S. Mateus, XVI, 19). Depois Jesus Cristo fez a mesma promessa a todos os Apóstolos reunidos: "Tudo  que ligares na terra, será ligado no Céu, e tudo que desligardes na terra será desligado no Céu" (S. Mateus, XVII, 18). Por estas memoráveis palavras o Divino Redentor prometeu a seus Apóstolos comunicar-lhes o poder de abrir e fechar o Céu. Ora, a porta do Céu não se fecha senão pelo pecado e não se abre senão pelo perdão dos pecados.

sábado, 3 de dezembro de 2016

CONFISSÃO, SEGUNDA TÁBUA DEPOIS DO NAUGRÁGIO


Caríssimos, a primeira tábua de salvação é o santo Batismo. Em se tratando do batismo de adultos, como era mais freqüente e comum nos primórdios do Cristianismo, por causa da conversão dos pagãos, o batismo, digo, elimina o pecado original (mas não a concupiscência) e perdoa todos os pecados e penas temporais por eles devidas. Mas o Batismo não se reitera, ou seja, só se recebe uma vez. Assim sendo, se os homens fossem capazes de ter a felicidade de não pecar mais, e, portanto, conservassem a inocência, não seria necessário outro sacramento para perdoar pecados. Mas Deus conhecendo nossa fragilidade e prevendo as nossas quedas, em sua infinita misericórdia, estabeleceu um remédio para fazer reviver os fiéis que recaíssem sob o poder do demônio ao cometer o  pecado. Este remédio é o sacramento da Penitência, que, por isso, mesmo é chamado a segunda tábua de salvação. E, como teremos ensejo de meditar em outras postagens, este sim, pode ser repetido, não só sete vezes como pensava São Pedro, mas setenta vezes sete, isto é, sempre, desde, é claro, que o penitente esteja sempre sinceramente arrependido e faça a confissão com todas as condições requeridas; o que teremos ocasião também de ainda meditarmos.

Quero, caríssimos, lembrar aqui, de passagem apenas, que a Penitência pode ser considerada como VIRTUDE, e como SACRAMENTO. Como virtude moral leva a alma a detestar o pecado, por ser uma ofensa a Deus, e de formar o firme propósito de evitá-lo para o futuro, e de satisfazer à justiça divina. É sobrenatural, interior, universal, isto é, abrangendo todos os pecados mortais, e é máxima, ou seja, por ela detestamos o pecado acima de tudo, pois é o mal absoluto.

A Penitência como Sacramento foi instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo em forma de julgamento, para perdoar pela absolvição sacramental os pecados cometidos depois do batismo, aos fiéis que os confessarem com verdadeira contrição.

A virtude da penitência é indispensável desde o pecado de Adão e sê-lo-á até o fim do mundo para a reconciliação com Deus. Assim, para obter-se o perdão dos pecados foi e será sempre necessário, e indispensável como meio para a salvação, que se detestem os pecados, que se tenha firme propósito de não mais os cometer e de satisfazer desta forma à divina Justiça ofendida. Antes de Nosso Senhor Jesus Cristo, nenhum pecador podia obter o perdão senão pela virtude da penitência. Mas, depois que Jesus Cristo elevou a virtude da penitência à dignidade de sacramento, a simples virtude da penitência não basta, como no Antigo Testamento, para perdoar os pecados, mas é necessário, como meio indispensável para a salvação, receber o sacramento, ao menos em desejo, como já foi explicado. Assim, quando sinto verdadeira dor de minhas faltas com a firme vontade de não mais cometê-las para o futuro, e de satisfazer à divina Justiça, tenho a virtude da penitência. Se em seguida, penetrado dos mesmos sentimentos, for confessar ao sacerdote, com sua absolvição, recebo o sacramento da penitência.


Caríssimos, como devemos lamentar a ignorância daqueles que pretendem receber o sacramento da Penitência, sem ter nenhum espírito de penitência!!! Às vezes, talvez mais do que a ignorância, é a tibieza, a rotina, o costume, a formalidade o responsável motivo de confissões nulas. E é bom notar desde já, quando o pessoa tem consciência de que não possui a virtude da penitência, e mesmo assim, mais por que tudo mundo está indo se confessar, e vai também, neste triste caso, a confissão, além de nula, é outrossim sacrílega, porque é um abuso de uma coisa santa qual é o Sacramento. Que Deus nos livre de tal coisa tão grave e tão desastrosa! Amém!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O SACRAMENTO DO PERDÃO: CONFISSÃO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Caríssimos, como é triste ver pobres pecadores que esperam cheios de agonia a hora dos suplícios sem fim longe de Jesus Cristo à sombra do desespero. No entanto a salvação está em nossas mãos, ou para melhor nos expressarmos, está em nossa boca pela confissão, e no coração, pelo arrependimento sincero com propósito firme e eficaz. Assim sendo, o pobre pecador deve ir, humilde e arrependido, àqueles a quem disse o Deus ofendido: "Dar-vos-ei as chaves do reino dos céus" (S. Mat. XVI, 19); "os pecados serão perdoados a quem os perdoardes" (S. Jo. XX, 22).  Vamos, se Deus quiser e com a Sua graça, procurar, em várias leituras espirituais ou pequenas meditações, mostrar a necessidade deste sacramento de misericórdia para que os adultos possam se salvar. Desde já quero lembrar que mesmo quando o pecador tem a graça de um arrependimento perfeito, ele só é perdoado se tiver o desejo de receber o sacramento da Penitência. E assim devemos afirmar que, para os adultos que tenham cometido pecado mortal, não haverá salvação a não ser pelo Sacramento da Penitência, pelo menos pelo desejo de o receber, como  acabamos de explicar, em se tratando do arrependimento perfeito, ou seja, motivado unicamente pelo amor e não somente pelo temor dos castigos.

Mas, talvez a maioria não dá importância a este sacramento, ou, pelo menos, a que ele merece, porque a maior parte da humanidade desconhece tudo o que ele significa. No entanto, quão deplorável é esta ignorância! Se ao menos as consequências não fossem eternas!!! Quantas almas que gemem agora no inferno gozariam as delícias do Paraíso, se estivessem querido instruir-se neste admirável meio de perdão.

Quero dizer com S. João Bosco: "Ó Jesus, só quero almas para o céu, nada mais aspiro sobre a terra! No intuito exatamente de salvar almas é que me propus, ou melhor dizendo, fui movido pela graça de Deus, a fazer várias meditações e postá-los aqui no Blog "ZELO ZELATUS SUM". Inspirar-me-ei principalmente nas obras de Santo Afonso Maria de Ligório. Mas há sobre este assunto muitos outros grandes autores como, por ex. Mons. Gaume (Catecismo de Perseverança); São Leonardo de Porto Maurício, e também Pe. Perriens.  Deste último seguirei, se Deus quiser, a ordem das matérias, ou seja, falarei primeiramente da divindade deste sacramento, da sua necessidade e dos efeitos e benefícios da confissão. Depois mostrarei que o penitente deve ver no confessor o verdadeiro representante de Nosso Senhor Jesus Cristo, e, portanto, considerá-lo como pai, médico e juiz. Finalmente trataremos das disposições do penitente, que são: a contrição, a acusação dos pecados e a satisfação.

Para tanto, pedimos a Nosso Senhor Jesus, cuja misericórdia resplandece de um modo tão admirável neste sacramento; e pedimo-lo através da Imaculada Virgem Maria, Advogada dos pecadores, abençoe-me nesta tarefa até o fim. Amém!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

SANTA IGREJA CATÓLICA


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA


A Igreja Católica é a sociedade de todos os fiéis reunidos pela profissão de uma mesma fé, pela participação dos mesmos sacramentos e pela obediência ao Santo Padre, o Papa. Compõe-se ela de justos e pecadores, pois Nosso Senhor Jesus Cristo compara-a um campo onde Deus planta o trigo, isto é, os bons, mas o homem inimigo, ou seja, o demônio semeia o joio, isto é, os maus. O divino Mestre também compara-a a uma rede que apanha bons e maus peixes; ainda, a dez virgens das quais umas são prudentes e outras loucas. Compara ainda sua Igreja a umas bodas onde se ajuntam uns que trazem a veste nupcial e outros que não a tem. A separação dos justos e dos pecadores será feita no último dia do juízo . Assim, por maior pecador que seja um católico, ele pertence ao corpo da Igreja, salvo se pela infidelidade e apostasia se tenha retirado voluntariamente, ou tenha sido expulso pela excomunhão. Mas estes infelizes são como galhos secos, que, embora ainda presos à arvore não participam da sua seiva que só se espalha nos galhos vivos. Mas, caríssimos, há uma diferença abismal que é um recurso consolador ao maior criminoso: o galho morto não pode reviver, ao passo que um membro da Igreja, morto pelo pecado grave, pode recuperar a graça, recebendo novamente a influência da vida divina que Nosso Senhor Jesus Cristo, como tronco da videira, derrama sobre os justos. Ao rezarmos todos os dias o CREDO, resumo admirável de nossa fé, dizemos: "Creio no remissão dos pecados". É uma verdade na qual se baseia a Redenção. E assim, que felicidade sermos filhos da Igreja! Pois, só nela se encontra a remissão dos pecados por um Sacramento especial, a obra prima da misericórdia divina: é o Sacramento da Penitência, só existente e praticado na verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sacramento mil vezes abençoado! Quando o pecado tinha feito alguém filho da morte e da perdição, a Penitência, torna-o filho da vida e da ressurreição. Por este sacramento, a maldição dá lugar à benção, por ele, as lágrimas de dor transformam-se em lágrimas de alegria, os espinhos do remorso convertem-se em chamas de amor. Sem ele, como a morte é amarga, mas sob a sua proteção ela é suave e cheia de esperança. É um tribunal, o confessionário, mas onde o réu mesmo se acusa arrependido sabendo que sempre levantar-se-á dele, perdoado. Se estava o penitente nas garras do diabo, levanta-se dali nas mãos do Pai do Céu; se era galho seco; por um prodígio misericordioso do Sangue de Jesus, levanta-se dali, ramo verdade e viçoso! Assim as poucas palavras da forma sacramental, são chaves de ouro que abrem as portas do céu, o ferrolho que fecha o abismo aberto aos pés do pecador; a marreta que quebra as correntes da escravidão; a esponja, que embebida com a sangue do Santíssimo Redentor, apaga a enxurrada lodosa de nossas iniquidades. Amém!

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

NOVENA PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO - NONO DIA - SEGUNDA-FEIRA

ATOS PREPARATÓRIOS

ORAÇÃO:  -  Santa Margarida Maria, a quem Nosso Senhor escolheu para estabelecer e propagar por toda parte, como uma fonte inesgotável de graças, a devoção a seu divino Coração; vós que tendes ouvido as almas do Purgatório pedir-vos este remédio novo, tão salutar em seus sofrimentos, e que tendes libertado por este meio uma multidão dessas pobres prisioneiras, obtende-nos a graça de executar santamente essa piedosa prática dum passeiozinho pelo Purgatório, em companhia do Sagrado Coração de Jesus e da novena pelas almas.

União de intenções com os fiéis que realizam diariamente, esta santo exercício, na Igreja titular da Obra, situada em Lungotévere Prati. Roma.

Consagração do dia:  -  Ó divino Coração de Jesus, ao fazer em vossa companhia este passeiozinho  pelo Purgatório, nós vos consagramos tudo o que fizemos e esperamos fazer de bem, com o socorro de vossa graça, durante este dia, e vos pedimos apliqueis os vossos méritos em favor dessas almas sofredoras. E vós, santas almas do Purgatório, empregai ao mesmo tempo todo o vosso poder no sentido de nos obterdes a graça de viver e de morrer no amor e na fidelidade ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, correspondendo, sem resistência, a seus desejos sobre nós. Amém.

Oferecimento:  -  Pai Eterno, nós vos oferecemos o sangue, a paixão e a morte de Jesus Cristo, as dores da Santíssima Virgem e as de São José, pela remissão de nossos pecados, pela libertação das almas do Purgatório e pela conversão dos pecadores.

Invocação:  -  Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus!
Ó Maria, Mãe de Deus e Mãe de misericórdia, rogai por nós e pelos mortos!
São José, modelo e padroeiro dos amigos do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós!

Prelúdio:  -  Desçamos um instante pelo pensamento, com o amor do Coração de Jesus e a abundância de suas graças, à chamas devoradoras do Purgatório!
1. -  Quantas vêm nesse momento iniciar aí o seu doloroso cativeiro!
Como elas são felizes! Livraram-se do inferno para sempre... estão certas de que chegarão à suprema felicidade... são as amigas de Deus... estão salvas!
Como elas estão tristes! Acham-se cobertas de mil imperfeições... de muitas penas temporais devidas ainda aos restos dos pecados perdoados... exiladas por um certo tempo de sua celeste pátria... condenadas ao fogo expiatório!
2.  -  Que santa legião quase inteiramente purificada se apresta hoje mesmo para voar ao céu! Felicitemo-las, demos a elas o derradeiro sufrágio que apressará em alguns instantes a sua festiva partida, digamos a elas que se lembrem de nós no reino eterno.
3.  -  Que multidão se encontra aí encerrada já há tanto tempo, e que aí permanecerá ainda por longo prazo!
Há aí almas de seculares, de religiosos, de sacerdotes, almas que nos são caras.
Contemplemo-las, ouçamos seus gemidos, dirijamos a elas uma palavra de amizade e de compaixão, prestemos-lhes assistência!

NONO DIA  - SEGUNDA-FEIRA

COLÓQUIO:  -  De que te arrependes, santa alma do Purgatório, de ter feito na terra que deixaste?

Arrependo-me da vida materialista que levei. Quando ainda estava na terra, vivia esquecido do meu último fim. Criado para servir a Deus, e assim ganhar a felicidade do Céu, procurava demasiadamente a bem estar do corpo, os divertimentos, as comodidades. Ouvia os avisos e os ensinamentos dos sacerdotes, mas não lhes dava importância, e continuava numa vida de tédio espiritual. E ainda que evitasse o pecado mortal, não procurava Deus, meu sumo Bem; não enriquecia-me com as graças divinas pela freqüência dos Sacramentos; não me alimentava constantemente com o Pão dos Anjos na santa Comunhão. A minha vida foi uma vida mundana, em que a vida da graça definhava cada vez mais. Hoje vejo, como foi vã esta vida.
Tu, que ainda estás na terra, aprende de mim! Dirige tua vida conscientemente ao fim para que foste criada! Procura a glória de Deus, também quando custa sacrifícios. Domina os desejos do corpo, para que tua alma não venha a sofrer no Purgatório.

Resolução:  -  Socorrer hoje, por todos os meios ao nosso alcance, as almas do Purgatório, especialmente as que vieram de nossa própria Pátria; temos obrigações especiais para com elas.

Sufrágio:  -  Uma visita ao Santíssimo Sacramento pelas almas.

Intenção articular:  -  Lembrai-vos, Senhor, dos servos e das servas que fora em nossa frente com o sinal de fé e dormem o sono da paz (Cânon da Missa).

Motivo:  -  Viveram na mesma terra, trabalharam para seu progresso material e espiritual. Somos por isso seus devedores.

Oração:  -  Ó Deus, que perdoais os pecados e que amais a salvação das almas; invocamos a vossa clemência, para que façais chegar à participação da eterna felicidade as almas de nossos irmãos, parentes e benfeitores, pela intercessão de Maria sempre Virgem e de todos os Santos. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Salmo 129.

SALMO 129:  Das profundezas do abismo, eu bradei para Vós, Senhor: Senhor, ouví minha voz!
Que vossos ouvidos sejam atentos à voz de minha oração.
Si tomardes em consideração as nossas iniquidades, Senhor: Senhor, quem poderá subsistir diante de Vós?
Mas vós sois rico de misericórdia; e eu espero em Vós, Senhor, por causa de vossa lei.
Minha alma apoiou-se em vossa palavra, minha alma pôs toda sua confiança no Senhor.
Desde a manhã até à noite, Israel espera no Senhor.
Porque no Senhor existe a misericórdia e uma abundante redenção.
É Ele quem resgatará Israel de todas as suas iniquidades.

Versículo:
Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!
E a luz perpétua as ilumine.
Descansem em paz, Amém.


Oração jaculatória:  -  Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!

domingo, 27 de novembro de 2016

NOVENA PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO - OITAVO DIA


  
ATOS PREPARATÓRIOS

ORAÇÃO:  -  Santa Margarida Maria, a quem Nosso Senhor escolheu para estabelecer e propagar por toda parte, como uma fonte inesgotável de graças, a devoção a seu divino Coração; vós que tendes ouvido as almas do Purgatório pedir-vos este remédio novo, tão salutar em seus sofrimentos, e que tendes libertado por este meio uma multidão dessas pobres prisioneiras, obtende-nos a graça de executar santamente essa piedosa prática dum passeiozinho pelo Purgatório, em companhia do Sagrado Coração de Jesus e da novena pelas almas.

União de intenções com os fiéis que realizam diariamente, esta santo exercício, na Igreja titular da Obra, situada em Lungotévere Prati. Roma.

Consagração do dia:  -  Ó divino Coração de Jesus, ao fazer em vossa companhia este passeiozinho  pelo Purgatório, nós vos consagramos tudo o que fizemos e esperamos fazer de bem, com o socorro de vossa graça, durante este dia, e vos pedimos apliqueis os vossos méritos em favor dessas almas sofredoras. E vós, santas almas do Purgatório, empregai ao mesmo tempo todo o vosso poder no sentido de nos obterdes a graça de viver e de morrer no amor e na fidelidade ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, correspondendo, sem resistência, a seus desejos sobre nós. Amém.

Oferecimento:  -  Pai Eterno, nós vos oferecemos o sangue, a paixão e a morte de Jesus Cristo, as dores da Santíssima Virgem e as de São José, pela remissão de nossos pecados, pela libertação das almas do Purgatório e pela conversão dos pecadores.

Invocação:  -  Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus!
Ó Maria, Mãe de Deus e Mãe de misericórdia, rogai por nós e pelos mortos!
São José, modelo e padroeiro dos amigos do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós!

Prelúdio:  -  Desçamos um instante pelo pensamento, com o amor do Coração de Jesus e a abundância de suas graças, à chamas devoradoras do Purgatório!
1. -  Quantas vêm nesse momento iniciar aí o seu doloroso cativeiro!
Como elas são felizes! Livraram-se do inferno para sempre... estão certas de que chegarão à suprema felicidade... são as amigas de Deus... estão salvas!
Como elas estão tristes! Acham-se cobertas de mil imperfeições... de muitas penas temporais devidas ainda aos restos dos pecados perdoados... exiladas por um certo tempo de sua celeste pátria... condenadas ao fogo expiatório!
2.  -  Que santa legião quase inteiramente purificada se apresta hoje mesmo para voar ao céu! Felicitemo-las, demos a elas o derradeiro sufrágio que apressará em alguns instantes a sua festiva partida, digamos a elas que se lembrem de nós no reino eterno.
3.  -  Que multidão se encontra aí encerrada já há tanto tempo, e que aí permanecerá ainda por longo prazo!
Há aí almas de seculares, de religiosos, de sacerdotes, almas que nos são caras.
Contemplemo-las, ouçamos seus gemidos, dirijamos a elas uma palavra de amizade e de compaixão, prestemos-lhes assistência!

OITAVO DIA  - DOMINGO

COLÓQUIO:  -  De que te arrependes, santa alma do Purgatório, de ter feito na terra que deixaste?

Arrependo-me dos pecados de omissão, especialmente de não ter assistido bem à santa Missa.
Não apreciava bem o valor da santa Missa, renovação do santo sacrifício de Jesus no calvário.
Como é importante assistir bem e frequentemente à santa Missa. Morreu Jesus para salvar as almas, e cotidianamente renova esta morte de modo incruento no santo Sacrifício da Missa. E eu não a estivava bastante. Não ia buscar aos pés do altar remissão dos meus pecados pelo preciosíssimo Sangue de Jesus. Não ia buscar as forças necessárias para resistir às tentações; não vivia em constante união com Deus dos nossos altares. Por isso estou agora aqui e sofro. Sofro com paciência, e merecidamente; mas podia ter sido de outra maneira. O santo Sacrifício da Missa é de um valor infinito, e eu podia ter aproveitado. Se o tivesse feito, agora já estaria no céu, perto de Jesus.
Se na terra tivesse recorrido mais às graças que emanam do Sagrado Coração de Jesus na hora da Santa Missa! ... quão grande seria agora a minha santidade! Que tesouro de graças teria tido na minha alma na hora da morte! Como estaria agora perto do trono de Deus! Se pudesse voltar! ... Mas pelo menos tu, alma devota, que ainda vives na terra, tu podes assistir frequentemente à Missa, enriquecer-te com as graças divinas, aplicá-las também a nós, pobres almas do Purgatório.

PIEDOSAS PRÁTICAS

Resolução:  -  Participar mais frequentemente e intensamente da santa Missa, recebendo a santa Comunhão, também pelas almas do Purgatório.

Ramalhete espiritual  -  Quem comer a minha Carne e beber o meu Sangue, terá a vida eterna, e eu o ressuscitarei no derradeiro dia (Jo, VI).

Sufrágio:  -  Assistir também à santa Missa em dias de semana, quando puder.

Intenção particular:  -  Rezar pelas almas mais abandonadas.

Motivo:  -  As almas do Purgatório nada podem fazer para si mesmas. O tempo de merecimentos próprios passou para elas. Devemos ajudar principalmente aquelas almas, das quais ninguém se lembra.

Oração:  -  Deus onipotente, que todos os dias no Santo Sacrifício da Missa vos ofereceis ao Pai celestial para expiação dos nossos pecados, lançai um olhar benigno sobre as almas do Purgatório, especialmente as mais abandonadas, e dizei-lhes a mesma palavra que dissestes ao bom ladrão: hoje estareis como no paraíso.

 Pai-Nosso, Ave-Maria, Salmo 129.

SALMO 129: : Das profundezas do abismo, eu bradei para Vós, Senhor: Senhor, ouví minha voz!
Que vossos ouvidos sejam atentos à voz de minha oração.
Si tomardes em consideração as nossas iniquidades, Senhor: Senhor, quem poderá subsistir diante de Vós?
Mas vós sois rico de misericórdia; e eu espero em Vós, Senhor, por causa de vossa lei.
Minha alma apoiou-se em vossa palavra, minha alma pôs toda sua confiança no Senhor.
Desde a manhã até à noite, Israel espera no Senhor.
Porque no Senhor existe a misericórdia e uma abundante redenção.
É Ele quem resgatará Israel de todas as suas iniquidades.
Versículo:
Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!
E a luz perpétua as ilumine.
Descansem em paz, Amém.

Jaculatória: Pela repetição incruenta de vosso Sacrifício da cruz, livrai as almas mais abandonadas, meu Jesus!

sábado, 26 de novembro de 2016

EFEITOS DO PECADO MORTAL


O pecado mortal é um mal absoluto, extremo; é a maior desgraça tanto para a alma como para o corpo. Podemos avaliar este mal pelos seus efeitos: 1- Danos espirituais; 2 - Danos  temporais.

1 - Danos espirituais: a) A PERDA DA GRAÇA DE DEUS E A DEFORMIDADE DA ALMA. - A alma na graça de Deus é tão bela que se pode dizer por pouco inferior aos anjos. É cara a Deus como a menina de seus olhos. Ela é a moradia de Deus: "Quem está na caridade está em Deus, e Deus nele" (1 Jo IV, 16). Os que estão na graça de Deus participam da própria natureza divina: "Participantes da natureza divina" (1 Pedro I, 4). Pois bem, com o pecado mortal, a alma torna-se disforme, feia, asquerosa. Era moradia de Deus, torna-se moradia do Inimigo e parecida com ele. Lemos na vida de São Filipe Neri que quando passava perto de alguém que tivesse pecado mortal na alma, tapava o nariz com o lenço, pois sentia um insuportável mal cheiro.

b) - A PERDA DOS MÉRITOS ADQUIRIDOS. O pecado mortal dá a morte aos méritos de todas as boas obras até então praticadas. Tornam-se obras mortificadas, sem valor. Pela misericórdia infinita de Deus, porém, se o pecador se arrepende e faz uma boa confissão ou tem uma contrição perfeita com o desejo de se confessar na primeira oportunidade, recupera todos estes merecimentos: dizemos que o mérito destas boas obras ressuscita. O pecado mortal pode assim ser comparado a um navio carregado de tesouros e que afunda num naufrágio. 

c) - A INCAPACIDADE DE MERECER. Além de perder os méritos já adquiridos, quem está em pecado mortal não pode adquirir nenhum mérito para a vida eterna. E isto constitui uma desgraça maior ainda, porque todas as obras boas praticadas estando em pecado mortal, são perdidas para sempre, isto é, nunca ressuscitam. É como diz o profeta Ageu I, 6: "O que ajuntou os seus ganhos, colocou-os num saco furado"."Se o justo se afastar de sua justiça e pecar... todas as obras justas que ele haja feito serão esquecidas" (Ezequiel XVIII, 24). É claro que aquele que está em pecado mortal e ainda não se arrependeu para fazer uma boa confissão, não deve deixar de fazer boas obras e de rezar, porque Deus, em sua infinita misericórdia, ainda olha para estas obras, para dar a este pecador a graça da conversão. Se assim fizer, o pecador recupera a graça de Deus, mas não recupera as obras boas que fez estando em pecado mortal, pois, já nasceram mortas.

d) - A ESCRAVIDÃO. "Quem comete o pecado é escravo do pecado" (S. João, VIII, 34), e por isso é escravo do dono do pecado que é o demônio. O diabo tenta e, se o pecador vira as costas para Deus, seu Pai, e volta-se para o demônio para fazer o mal que ele sugere, o Inimigo da alma  tem a vitória e diz: "Agora és meu!"

e) - A MORTE DA ALMA. "A vida de tua alma é Deus",  diz Santo Agostinho . E assim, se se expulsa a Deus, está morta a alma. Trata-se da morte espiritual. A alma é imortal, nunca vai acabar, mas com o pecado mortal ela está sem a vida sobrenatural. E esta morte espiritual é muito pior que a morte temporal. Às vezes, trazem aqui pessoas que parecem possuídas do demônio.  Muitas vezes nem é possessão. Os parentes e amigos ficam preocupadíssimos. E com razão. Mas procuro aproveitar a oportunidade para explicar que o mais terrível é a possessão da alma.  Com o pecado mortal, Deus é expulso, e, em Seu lugar entra o demônio. De Judas Iscariotes, que já estava em pecado mortal, Jesus disse: Há um no meio de vocês (os Apóstolos) que não está limpo, porque está com o demônio. Isto é terrível! Mas como é invisível quase ninguém dá importância. É, como diz a Bíblia: "O pecador comete o pecado como por brincadeira, e depois, ainda diz, que mal me adveio daí" (Prov. X, 23; Eclo V, 4 ) São João, no Apocalipse, diz ao pecador: "Tu te chamas vivo e estás como morto" (Apoc. III, 1).

f) - A PERDA DO CÉU.  O infeliz Lutero (+ 1546), que antes era frade e sacerdote, depois se meteu pelo caminho do pecado, apostatando da religião católica, falando os maiores absurdos do Papado. Dizia que todo mundo era infalível ao interpretar a Bíblia, menos o Anti-Cristo, o Papa. Pois bem, uma noite, ao fitar o céu estrelado, cheio de remorsos,  teve de exclamar: "É tão belo o céu, mas não é mais para mim!". Por um prato de lentilhas, Esaú renunciou o direito de primogenitura e depois, vendo a sua loucura, se afligia e rugia como um leão ferido. Mas aquele direito, a que renunciou era de uma herança terrena: ao passo que o pecador renuncia à herança do Céu!

2 - Danos corporais: a) A PERDA DA PAZ. O Senhor disse: "Não paz para os ímpios" (Isaías 48, 22). Diz ainda dos pecadores o Espírito Santo: "Em seu caminho há aflição e calamidade, e não conheceram o caminho da paz" (Salmo XIII, 3).

b) OS CASTIGOS DE DEUS: Assim diz o próprio Deus: "Muitos são os flagelos do pecador" (Salmo 31, 10). Como já vimos, Deus puniu o pecado já no céu. Jesus disse: "Vi Satanás cair do céu como um relâmpago" (S. Lucas, X, 18). Depois, pune o pecado no Paraíso terrestre. O dilúvio foi castigo do pecado. Lemos na Bíblia que os habitantes de Sodoma e Gomorra eram péssimos e pecadores descomedidos perante Deus (Gên. XIII, 13) E Deus mandou um dilúvio de fogo, que queimou e incinerou aquelas cidades com todos os habitantes. Só escaparam 4 pessoas - a família de Lot - que eram tementes a Deus e não cometeram aqueles pecados que bradam ao Céu. Diz ainda o Espírito Santo: "O pecado faz infelizes os povos" (Prov. XIV, 34).
Caríssimos, e se vedes que uns cometem tantos pecados e no entanto não são castigados por Deus, ficai sabendo que o castigo virá para eles também, cedo ou tarde; e quanto mais tardar a vir, tanto mais tremendo será.

Sigamos o conselho do Divino Espírito Santo: "Fugi do pecado como se foge da serpente" (Eclo XXI, 2). Amém

NOVENA PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO - SÉTIMO DIA


 ATOS PREPARATÓRIOS

ORAÇÃO:  -  Santa Margarida Maria, a quem Nosso Senhor escolheu para estabelecer e propagar por toda parte, como uma fonte inesgotável de graças, a devoção a seu divino Coração; vós que tendes ouvido as almas do Purgatório pedir-vos este remédio novo, tão salutar em seus sofrimentos, e que tendes libertado por este meio uma multidão dessas pobres prisioneiras, obtende-nos a graça de executar santamente essa piedosa prática dum passeiozinho pelo Purgatório, em companhia do Sagrado Coração de Jesus e da novena pelas almas.

União de intenções com os fiéis que realizam diariamente, esta santo exercício, na Igreja titular da Obra, situada em Lungotévere Prati. Roma.

Consagração do dia:  -  Ó divino Coração de Jesus, ao fazer em vossa companhia este passeiozinho  pelo Purgatório, nós vos consagramos tudo o que fizemos e esperamos fazer de bem, com o socorro de vossa graça, durante este dia, e vos pedimos apliqueis os vossos méritos em favor dessas almas sofredoras. E vós, santas almas do Purgatório, empregai ao mesmo tempo todo o vosso poder no sentido de nos obterdes a graça de viver e de morrer no amor e na fidelidade ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, correspondendo, sem resistência, a seus desejos sobre nós. Amém.

Oferecimento:  -  Pai Eterno, nós vos oferecemos o sangue, a paixão e a morte de Jesus Cristo, as dores da Santíssima Virgem e as de São José, pela remissão de nossos pecados, pela libertação das almas do Purgatório e pela conversão dos pecadores.

Invocação:  -  Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus!
Ó Maria, Mãe de Deus e Mãe de misericórdia, rogai por nós e pelos mortos!
São José, modelo e padroeiro dos amigos do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós!

Prelúdio:  -  Desçamos um instante pelo pensamento, com o amor do Coração de Jesus e a abundância de suas graças, à chamas devoradoras do Purgatório!
1. -  Quantas vêm nesse momento iniciar aí o seu doloroso cativeiro!
Como elas são felizes! Livraram-se do inferno para sempre... estão certas de que chegarão à suprema felicidade... são as amigas de Deus... estão salvas!
Como elas estão tristes! Acham-se cobertas de mil imperfeições... de muitas penas temporais devidas ainda aos restos dos pecados perdoados... exiladas por um certo tempo de sua celeste pátria... condenadas ao fogo expiatório!
2.  -  Que santa legião quase inteiramente purificada se apresta hoje mesmo para voar ao céu! Felicitemo-las, demos a elas o derradeiro sufrágio que apressará em alguns instantes a sua festiva partida, digamos a elas que se lembrem de nós no reino eterno.
3.  -  Que multidão se encontra aí encerrada já há tanto tempo, e que aí permanecerá ainda por longo prazo!
Há aí almas de seculares, de religiosos, de sacerdotes, almas que nos são caras.
Contemplemo-las, ouçamos seus gemidos, dirijamos a elas uma palavra de amizade e de compaixão, prestemos-lhes assistência!


SÉTIMO DIA  -  SÁBADO

COLÓQUIO:  -  De que te arrependes, santa alma do Purgatório, ter feito na terra que deixaste?

Arrependo-me da pouca caridade que tive na terra para com as almas do Purgatório.
Poderia ter-lhes sido tão útil durante minha vida! Orações, penitências, esmolas, boas obras, comunhões, santas Missas, devoção ao Sagrado Coração; de quantos meios eu dispunha para consolar estas pobres almas, retidas como prisioneiras nesta morada de fogo, de trevas e de sofrimentos!
Si eu tivesse utilizado bem desses meios, teria alcançado para mim graças poderosas para evitar o pecado e para voar diretamente ao Céu; teria ao menos merecido um Purgatório mais mitigado, mais rápido, e também teria uma parte maior no fruto das orações que de toda parte se oferecem por nós.
Ah! si eu pudesse voltar à terra, ninguém seria mais devotado do que eu às almas sofredoras! Quantas Missas faria celebrar por elas! Quantas orações encaminharia aos Céus em favor delas! ... Que esforços não faria para excitar em seu favor a compaixão de todos!
O que eu não fiz, quando podia, vós, almas cristãs, não deixeis de fazê-lo enquanto ainda tiverdes tempo.

PIEDOSAS PRÁTICAS

Resolução:  -  Socorrer hoje, no Purgatório, por todos os meios ao nosso alcance, as almas dos fiéis vindas da Austrália, e particularmente da Nova-Guiné, e recomendar-nos àquelas que, neste momento, sobem ao Céu.

Ramalhete espiritual  -  É justo que nós soframos neste mundo.

Sufrágio:  -  Propagai esta novena pelas almas, e elas ser-vos-ão reconhecidas.

Intenção particular:  -  Orar pelas almas mais devotas da Santíssima Virgem.

Motivo:  -  Dar a maior alegria a Maria Santíssima que, inclinando-se às orações por esta alma, obter-vos-á a graça de uma verdadeira devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

Oração para  o sábado  -  Ó Senhor, Deus onipotente, suplico-vos, pelo preciosíssimo Sangue que jorrou do lado de Jesus, vosso divino Filho, à vista de sua Mãe Santíssima, mergulhada numa extrema dor, liberteis as almas do Purgatório, e em particular aquela que foi mais devota dessa grande Rainha, afim de que ela seja admitida o quanto antes em vossa glória e possa louvar-vos por todos os séculos. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Salmo 129.

SALMO 129: : Das profundezas do abismo, eu bradei para Vós, Senhor: Senhor, ouví minha voz!
Que vossos ouvidos sejam atentos à voz de minha oração.
Si tomardes em consideração as nossas iniquidades, Senhor: Senhor, quem poderá subsistir diante de Vós?
Mas vós sois rico de misericórdia; e eu espero em Vós, Senhor, por causa de vossa lei.
Minha alma apoiou-se em vossa palavra, minha alma pôs toda sua confiança no Senhor.
Desde a manhã até à noite, Israel espera no Senhor.
Porque no Senhor existe a misericórdia e uma abundante redenção.
É Ele quem resgatará Israel de todas as suas iniquidades.

Versículo:
Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!
E a luz perpétua as ilumine.
Descansem em paz, Amém.


Oração jaculatória:  -  Ó Maria, que entrastes no mundo sem mancha, alcançai-me de Deus, eu vo-lo peço, que eu possa sair do mundo sem pecado.