quinta-feira, 5 de julho de 2018

TOTAL CONFORMIDADE DE NOSSA VONTADE COM A DE DEUS



A vontade de Deus é a do Senhor; a minha é a do servo. A vontade de Deus é infinitamente esclarecida; a minha é sujeita a erros sem conta. A vontade de Deus é a mesma santidade e nunca muda; a minha é depravada, inconstante, capaz de todo o mal. É justo, portanto, que eu me deixe dirigir pela vontade de Deus, submetendo-Lhe a minha. A união da nossa vontade com a de Deus, ou melhor dizendo, a fusão da nossa vontade na de Deus, de tal modo que a nossa desaparece, ficando só a vontade divina,  digo, isto é algo sumamente admirável, sublime e santo. Aliás, é a mesma santidade. E aqui, logo nossos olhos, nosso pensamento, se voltam para a Mãe de Deus, pois, entre as simples criaturas humanas (porque Jesus é também Deus) Maria é santíssima justamente, porque mais do que qualquer outro santo, uniu sua vontade à de Deus: "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra".

Depois da união da natureza humana com a divina, que adoramos em Jesus Cristo, e da união da maternidade  com a virgindade, que honramos em Maria Santíssima, não há nenhuma mais admirável que a da nossa vontade com a do Senhor. Parece que Deus queria mostrar-nos a alegria que lhe causa este sacrifício da nossa vontade à sua, quando disse: "Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, e que fará todas as minhas vontades" (Atos XIII, 22). Este abandono filial, que nos entrega inteiramente nas mãos de Deus, é a mais bela vitória da graça sobre a nossa vontade, sem ofender o nosso livre arbítrio. Este triunfo da graça sobre a vontade humana, é sem nenhum prejuízo da sua liberdade, porque o vencido quer sê-lo, e se julga infinitamente obrigado para com o seu vencedor. Estou consciente de que assim Deus livra-me de qualquer outra sujeição, para só depender d'Aquele, cujos servos são outros tantos reis, eleva-me até à vida dos Anjos, até à vida de Jesus Cristo, que é a vida do mesmo Deus. Caríssimos, pode haver algo mais honroso?! Diz o Espírito Santo: "Bendizei o Senhor, vós todos os seus anjos, que sois poderosos e fortes, que sois executores da sua palavra, prontos para obedecer à voz das suas ordens" (Salmo 102, 20 e 21). Que honra para quem se conforma com a vontade divina! Eleva-se à altura dos Anjos, cujo único móvel é a vontade de Deus. Mas, há algo mais sublime ainda: adquiro uma admirável semelhança, uma espécie de parentesco com Jesus Cristo, o Rei dos Anjos. Elevo-me até Deus, tomando a sua vontade por norma da minha. Querendo o que Deus quer, como Ele o quer, porque o quer, tenho o mesmo alimento que o Salvador: "Meu alimento é que eu faça a vontade d'Aquele que me enviou" (S. João IV, 34).

Pela total conformidade de nossa vontade à vontade de Deus, participamos de dois atributos divinos, que parecia que a nossa fragilidade nunca poderia alcançar: a infalibilidade e a impecabilidade; porque, quando faço a vontade do Senhor e obedeço à direção de sua suma sabedoria, posso enganar-me? Quando procedo conforme com a santidade infinita, posso pecar? Por tudo isto devemos concluir que o maior empenho em nossa vida espiritual dever ser o de conformar inteiramente e sempre a nossa vontade com a vontade de Deus.

Ademais, querendo sempre o que Deus quer, pratico todas as virtudes: a fé, a confiança, a mortificação, a paciência, a humildade. E pratico-as pelo motivo mais excelente, isto é, o amor e o amor mais puro. E assim, querer o que Deus quer, é amá-Lo como Ele se ama, é querer-Lhe todo o bem que Ele quer a si, e do modo que Ele quer. Caríssimos, quão agradável é encontrar a santidade em uma só virtude que posso praticar a cada instante, e que enche a alma de uma suavidade celeste!
Finalmente, com esta virtude da conformidade com a vontade de Deus, livro-me de todo o mal, e tenho todo bem que desejo. Não mais mal moral, não mais pecado, pois o pecado não é senão a oposição à vontade divina. Não mais mal no ordem natural; porque um sofrimento que eu amo, que me agrada, que eu desejo, longe de ser um mal para mim, é um bem. Refugiando-me na vontade de Deus, evito todos os verdadeiros males.

Digamos com Santa Teresa d'Ávila: "Ó Senhor meu, misericórdia minha e Bem meu, que posso desejar de melhor na terra do que estar de tal maneira unida a Vós que não haja divisão alguma entre Vós e eu?" Amém!

terça-feira, 3 de julho de 2018

A VIRTUDE DA HUMILDADE



"Deus resiste aos soberbos e dá a graça aos humildes! (S. Tiago IV, 6; 1 S. Pedro V, 5).

Por estas palavras do divino Espírito Santo, podemos concluir que, sem humildade não se chega ao céu, pois para se salvar é necessária a graça de Deus. E prestemos bem atenção nestas palavras: "Deus resiste aos soberbos", porque se, de um lado Deus dá a graça aos humildes, por outro, RESISTE aos soberbos. Ora, ser resistido por Deus é coisa muito séria. Donde se, fazendo um exame de consciência, alguém chegar à conclusão que é orgulhoso deve empregar todo empenho, todos os meios para combater a soberba e, conseguintemente, adquirir a virtude da humildade. São Gregório escreveu uma palavra que deveria fazer tremer a todos aqueles que não são humildes: "O sinal mais evidente da reprovação é o orgulho". Na verdade, quando este pecado não condena diretamente por si mesmo os homens que o cometem, condena-os por uma multidão de obras más que nascem dele como de uma fonte envenenada. Aliás, a característica deste vício capital é a estreita conexão que tem com os outros vícios. E podemos dizer que assim como a virtude da humildade está presente em todas as outras virtudes, assim também o orgulho está de uma maneira ou outra, ligado intrinsecamente a todos os pecados. E lamentamos como poucas pessoas julgam o orgulho tão nocivo, como efetivamente é. E assim muitos não o combatem e o acolhem sem desconfiança e pior, há pessoas que, dentro de certas entidades, confundem-no à fortaleza de alma no escopo de pretensamente combater o respeito humano. E o demônio empurra tais pessoas para o fanatismo. E não há quem os possa convencer mesmo citando as Sagradas Escrituras e os Santos Padres! E esta disposição, que por certo não é rara, é nimiamente perigosa. Por exemplo: separe-se um homem da Igreja pela heresia, e todos dizem: "o infeliz perdeu a fé". É verdade, mas antes de perder a fé, tinha perdido a humildade; e foi por não querer submeter humildemente seu juízo ao da Igreja, que arvorou o estandarte da rebelião.  Que horror, caríssimos, se, esquecendo do nada que é, o homem se deixar dominar pelo orgulho, odioso vício que o Divino Salvador tem em especial abominação: "O que é excelente segundo os homens, é abominação diante de Deus" (S. Lucas XVI, 15).

Todo o edifício de nossa santificação deve estar construído sobre um alicerce sólido, sobre a rocha. Esta rocha é o conhecimento de si mesmo, que leva o homem a fazer-se justiça, a colocar-se no seu lugar, a ser humilde. A humildade é verdade e é justiça. Vamos explicá-lo: A humildade é o justo juízo que de nós mesmos fazemos, e segundo o qual pautamos a estima de nossa própria excelência. Esta virtude faz que, reconhecendo-nos tais como somos, não nos arroguemos a nós mesmos, nem queiramos que os outros nos arroguem senão o que nos é legitimamente devido. Se, pois, descobrimos que em nós não há, como procedente de nós, bem algum, perfeição nenhuma, seja natural ou sobrenatural, requer a humildade que, restringindo-nos ao nada que é nosso apanágio, nos remontemos até Deus, a quem é devida toda a honra e glória.

Devemos observar, porém, que ninguém é humilde por haver compreendido que é nada, que de si próprio nada se tem. Os filósofos da antiguidade haviam  reconhecido esta verdade, e eram soberbos; a vista da sua baixeza e do seu nada irritava-os e revoltava-os. O primeiro elemento da humildade é este: reconhecer o nosso nada. Esta é a verdade. Mas a humildade não é só isto que está na inteligência. Ela tem sua base na vontade: ela é justiça e assim faz-nos aceitar o que nós merecemos; leva-nos a comprazer-nos nisso, como no que por justiça nos toca. Infere-se daqui que a humildade é uma virtude baseada na verdade conhecida, amada, abraçada com todas as suas consequências, por amor à ordem e à justiça.

Em cima: Fé e humildade do Centurião
A humildade é o fundamento de todas as virtudes, como o orgulho a fonte de todos os vícios. Assim, o maior perigo do orgulho não consiste tanto na falta, que faz cometer contra a humildade, como nas graças, de que priva, e nos numerosos vícios a que conduz infalivelmente suas vítimas. Infelizmente a terra está cheia desses mundanos soberbos, que são verdadeiramente idólatras, e idólatras de si mesmos. Quando estão sós, concentrados em seu espírito, com em santuário profano, colocam-se em face de sua própria excelência e, de turíbulo na mão, admiram-se, extasiam-se  e gabam-se de seu pretendido mérito, preferem-se àqueles com quem se comparam, estão ali diante de seu ídolo, como o selvagem do deserto diante do sol, a quem adora. Pensam só em si mesmos! Deus é como se não existisse!

Devemos concluir que quanto mais uma pessoa é humilde, tanto mais é justa, tanto mais é santa, tanto mais é perfeita. Há, portanto, na humildade tantos graus, como na mesma santidade. No próximo artigo, se Deus quiser, falaremos dos graus da humildade.

Caríssimos, sejamos humildes, sejamo-lo profundamente. Expulsemos do nosso espírito todo o pensamento, todo o sentimento que tiver por origem o orgulho. Esqueçamo-nos de nós mesmos para não pensar senão em Deus. Oponhamos incessantemente às vãs concepções de nosso orgulho o pensamento de nossa miséria e de nossa indignidade.

Nosso Senhor Jesus Cristo é o modelo perfeito de todas as virtudes, mas quis dar toda ênfase sobre a humildade e a mansidão (aliás gêmeas): " Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração!" (S. Mat. XI, 29).

JESUS MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO! FAZEI O MEU CORAÇÃO SEMELHANTE AO VOSSO! Amém!

segunda-feira, 2 de julho de 2018

A SANTIDADE E O ECUMENISMO


"Que relação tem um homem santo com um cão?"

"Não deis aos cães o que é santo" (S. Mateus, VII, 6).

"Não vos sujeiteis ao mesmo jugo que os infiéis. Pois, que união pode haver entre a justiça[santidade]e a iniquidade? Que sociedade entre a luz e as trevas? E que concórdia entre Cristo e Belial? E que relação entre o templo de Deus e os ídolos? Com efeito, vós sois o templo de Deus vivo, como Deus diz: 'Eu habitarei neles e andarei entre eles, serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Portanto, saí do meio deles e separai-vos, diz o Senhor, e não toqueis o que é impuro: e eu vos receberei e serei vosso pai, e vós sereis meus filhos e minhas filhas, diz o Senhor todo poderoso' (2 Cor. VI, 14-18).
"Tendo, pois estas promessas, meus caríssimos, purifiquemo-nos de toda a imundície da carne e do espírito, levando ao fim a santificação no temor de Deus" (2 Cor. VII, 1).

"Os seus sacerdotes desprezaram a minha lei, mancharam meu santuário; não distinguiram entre o santo e o profano; não distinguiram entre o que é puro e o é impuro" (Ezequiel, XXII, 26).

"Revesti-vos do homem novo, criado segundo Deus na justiça e na santidade verdadeira" (Efésios IV, 24).

Os que possuem a verdadeira santidade são missionários e não ecumênicos. E toda eficácia do apostolado dos santos reside exata e totalmente no fato de estarem revestidos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sua vida é a vida de Jesus Cristo. O divino Mestre, Nosso Senhor Jesus Cristo é o modelo perfeito que os santos seguiram com toda fidelidade possível, sem adaptações e interpretações humanas, desde um São João Batista até um São Pio de Pietrelcina, e assim será até o fim do mundo,  porque Jesus Cristo é sempre o mesmo, ontem, hoje e sempre.

Quando a Santa Madre Igreja é atacada  fisicamente (as perseguições a ferro e fogo) ou moralmente e doutrinariamente (os escândalos e as heresias) foram e serão sempre os SANTOS os seus verdadeiros reformadores. São os santos que, para empregar uma expressão popular atual, fazem toda diferença! Os que se revestem de Jesus Cristo e vivem na verdadeira justiça e santidade (Cf. Ef. IV, 24) imitam o Divino Mestre. Quero, neste artigo, chamar a atenção para duas coisas: o amor da pobreza para si mesmos, e o amor da riqueza e suntuosidade para a Casa de Deus; o amor das humilhações e perdão das ofensas feitas a suas pessoas, e o zelo ardente e intrépido em defender os direitos e interesses de Nosso Senhor e de sua imaculada esposa, a Santa Madre Igreja.

Os falsos reformadores fazem exatamente o contrário: pregam tanto a pobreza na Igreja, mas eles mesmos não se preocupam  tanto em imitar a pobreza de Jesus Cristo; quando as ofensas são feitas às suas pessoas, imediatamente e com todo ardor pulam em cima dos ofensores como víboras e leões; mas quando vêem a Santa Igreja espezinhada e humilhada pelos escândalos, profanações e heresias, ou fazem vistas grossas, ou, pior, se colocam do lado dos inimigos de Nosso Senhor Jesus Cristo, do lado dos zombeteiros de Maria Santíssima, do lado dos perseguidores. São orgulhosos, covardes e vingativos. E o protótipo destes falsos reformadores foi o fatídico, debochado, libidinoso, diabolicamente rebelde e orgulhoso Martinho Lutero.  O Vaticano  não fez mais do que a obrigação ao emitir um selo comemorativo do centenário de Fátima (aliás sem aludir em nada ao principal que é a mensagem de Nossa Senhora e os segredos). Mas o mesmo Vaticano(por conseguinte Francisco) "horribile dictu" fez um em comemoração dos 500 anos da Pseudo-Reforma de Lutero, e este, sim, bem significativo para Lutero e horrivelmente blasfemo para Jesus e Maria Santíssima.

Como dissemos acima, os santos procuram imitar verdadeiramente a Jesus Cristo, no qual reside toda a plenitude da divindade. "Sede perfeitos como vosso Pai do Céu é perfeito" (S. Mat. V, 48 ). Todos os verdadeiros santos, a exemplo de S. Paulo, podem dizer: "Sede meus imitadores como eu o sou de Jesus Cristo" (1 Cor. IV, 16).

 Nos dois aspectos acima enunciados, qual foi o exemplo de Jesus Cristo? Nasceu pobre, viveu mais pobre ainda e morreu paupérrimo. Como diz S. Paulo: "Sendo rico (pois o Criador do céu e da terra) fez-se pobre por vós, a fim de que vós fôsseis ricos pela sua pobreza" (2 Cor., VIII, 9). A Casa de Deus no tempo de Jesus era o Templo de Jerusalém. Pois bem, a primeira manifestação de Jesus na ocupação das coisas de Seu Pai, foi aí no Templo quando tinha apenas doze anos de idade; e na sua vida pública muitas e muitas vezes esteve no Templo e aí pregou. Inclusive dele, certa vez, expulsou com chicote os vendilhões e disse: "Minha casa é casa de oração e vós fizestes dela um covil de ladrões" (S. Luc. XiX, 46). Nunca Jesus falou contra a riqueza e suntuosidade do Templo, pois toda esta riqueza e suntuosidade foi orientada e ordenada pelo próprio Deus e, portanto, por Ele mesmo como Verbo Eterno do Pai.  Quando Jesus predisse a destruição do Templo, não foi obviamente em castigo pela sua suntuosidade e riqueza mas pelos pecados do seu povo, máxime pelo maior, o deicídio.

Quanto ao amor das humilhações S. Paulo resume tudo nestas palavras: "Tende entre vós os mesmos sentimentos que houve em Jesus Cristo, o qual, existindo na forma(ou natureza) de Deus, não julgou que fosse uma rapina o seu ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens e sendo reconhecido por condição como homem. Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até a morte, e morte de cruz!" (Filipenses II, 5-8).  E a sua primeira palavra no alto da cruz foi de perdão: "Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem".  Jesus fez-se em tudo semelhante a nós, exceto no pecado e sempre combateu o pecado e os falsos profetas: os fariseus e os saduceus. O missionário por antonomásia, Jesus não veio para abolir a lei mas para aperfeiçoá-la. Procurava os pecadores para convertê-los e não para os abraçar com o pecado e tudo. Disse para o mulher adúltera: "Nem eu te condeno; vai e não peques mais"(S. João VIII, 11). Disse ao paralítico da Piscina Probática: "Eis que estás curado, mas não voltes a pecar para que não te aconteça alguma coisa pior" (S. João V, 14). E gostaríamos de citar muitos e muitos outros textos dos Santos Evangelhos, mas não nos é possível por falta de espaço no âmbito de um simples artigo. Aliás os verdadeiros católicos conhecem bem os Santos Evangelhos! Aconselho-lhes que sempre os meditem com o auxílio das explicações dos Santos Padres da Igreja. E aproveitando o ensejo, quero advertir a todos que tomem muito cuidado para não adquirir Bíblias ecumênicas. Sigamos, com toda segurança que a Santa Igreja nos deu, a Vulgata de S. Jerônimo.

Na míngua de espaço, quero apresentar apenas um santo que fez a verdadeira reforma na Igreja que estava se desmoronando: S. Francisco de Assis. É evidente que são inúmeros os Santos que defenderam a Santa Madre Igreja. Aliás é a santidade que eleva o mundo todo! Mesmo assim, sobre o Poverello exporei sucintamente o que em sua vida se relaciona aos dois aspectos supra mencionados e exibidos no Divino Mestre.

São Francisco de Assis, renunciou toda riqueza de seu pai, muito bem sucedido comerciante. Desposou a santa Pobreza. Com muita justeza é conhecido como o "Poverello de Assis". Todos sabem bem que a pobreza foi a característica deste santo reformador, e assim não preciso me deter  sobre isto. Mas os falsos reformadores, querem se basear em S. Francisco para pregar uma Igreja pobre no que se refere às coisas de Deus. E estão totalmente errados.  A exemplo de Jesus, São Francisco de Assis começou a fazer e a ensinar: "quando ainda jovem aconteceu-lhe, muitas vezes, comprar ornamentos preciosos e objetos para a celebração do Santo Sacrifício, e dá-los em segredo aos padres e às igrejas pobres"; "Numa peregrinação que fez a Roma, estranhou a modicidade das esmolas com que se contribuía para a manutenção da Basílica de S. Pedro; "Apesar de sua extrema pobreza quis mesmo mandar Irmãos pelo mundo com preciosos cibórios, para pôr em lugar conveniente o preço da nossa redenção"; também sempre se sentiu instado a restaurar as igreja pobres e, desde o princípio  de sua conversão se pôs a reparar o santuário de S. Damião. Logo depois consertou uma velha igreja beneditina, dedicada a S. Pedro. Em seguida restaurou a Igreja  de S. Maria de Josofat, mais tarde chamada a Porciúncula, ou Nossa Senhora dos Anjos. E até construiu uma igreja em honra da Santa Virgem. Encontramos em seus escritos várias passagens semelhantes a esta:"Onde quer que o Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo for conservado de modo inconveniente ou simplesmente deixado em alguma parte, que o tirem dali para colocá-Lo e encerrá-Lo num lugar ricamente adornado"(Carta a Todos os Clérigos). E é interessante notarmos que S. Francisco, exortava os seus discípulos a amarem os homens sem distinção, e proibia-os severamente de julgarem os ricos: 'Deus  -  dizia ele  -  é seu Senhor, como o é também dos pobres, e pode chamá-los e santificá-los' . Ordenava mesmo que respeitassem os ricos como irmãos e senhores: irmãos diante do Criador; senhores porque proveem às necessidades dos filhos de Deus e ajudam-nos assim a levar a sua vida penitente'.

Agora em relação ao amor das humilhações e do perdão das ofensas, bastaria lermos  o c. VIII do "I FIORETTI":  Como a caminhar expôs S. Francisco a frei Leão as coisas que constituem a perfeita alegria" o qual é seguido desta conclusão: "Irmão Leão, acima de todas as graças e de todos os dons do Espírito Santo, os quais Cristo concede aos amigos, será o  de vencer-se a si mesmo, e voluntariamente pelo amor suportar trabalhos, injúrias, opróbrios e desprezos".  Em outro lugar lemos também: "Ide meus bem-amados, parti dois a dois, para as diferentes regiões do universo, e pregai aos homens a paz e a penitência para remissão dos pecados. Sede pacientes na tribulação e ficai certos de que Deus realizará os seus desígnios e cumprirá a sua promessa. Se vos interrogarem, respondei humildemente; abençoai os que vos perseguirem; dai graças aos que vos cobrirem de injúrias e vos caluniarem, pois, em troca dessas tribulações, o reino eterno vos aguarda". Disse ainda: "Atendemos todos, meus irmãos, nestas palavras do Senhor: 'Amai os vossos inimigos e fazei o bem àqueles que vos odeiam', pois, Nosso Senhor Jesus Cristo, de quem devemos seguir o exemplo, deu a um traidor o título de amigo e entregou-se espontaneamente aos seus algozes. Nossos amigos são, pois, todos aqueles que injustamente nos causam pesares e aflições, humilhações, injúrias, dores, tormentos, o martírio e a morte. Cordialmente os devemos amar, pois o que eles nos fazem alcança-nos a vida eterna".

 Mas, em se tratando de combater o pecado e todo e qualquer erro, qual foi a atitude de São Francisco? O estado da humanidade na época é assim estigmatizado pelo erudito discípulo de S. Francisco, Frei Tomás Celano: "O esquecimento de Deus era tão profundo e negligenciavam-se tanto as suas leis, que mui grande dificuldade havia em sacudir o torpor causado por males antigos e inveterados". O mesmo célebre escritor latino assim fala da ação missionária do Poverello: "No tempo em que a doutrina evangélica era estéril, não só em seu país, mas em todo universo, foi enviado por Deus para pregar a verdade pelo mundo inteiro, como os Apóstolos. Provava à evidência, com os seus ensinamentos, que toda a sabedoria do mundo não passa de loucura e, em pouco tempo, guiado por Cristo, levou os homens à verdadeira sabedoria de Deus pela loucura da sua pregação. Este novo evangelista dos nossos tempos espalhou por todo o universo, como um rio do paraíso, as águas vivas do Evangelho, e pregou com o seu exemplo o caminho do Filho de Deus e a doutrina da verdade. Nele e por ele conheceu o universo um inesperado ressurgimento, uma primavera de santidade, e a semente da antiga religião rejuvenesce de repente este mundo decrépto. Infundiu-se um novo espírito no coração dos eleitos e espalhou-se em sua alma a unção da salvação, quando, como um dos luminares do céu, o santo servo de Cristo brilhou na Terra. Todo tempo que ainda vivia entre os pecadores, percorria o mundo e pregava a todos" . S. Francisco era missionário. Não foi aos muçulmanos para beijar o Alcorão, mas apresentou-se diante do Sultão Malek-Khamil. "Era, diz Frei Celano, essa uma temerária empresa, pois que o príncipe dos Sarracenos pusera a prêmio, e alto prêmio, a cabeça dos cristãos. Mas Francisco apresentou-se a ele com tal mansidão e tal brandura, e, ao mesmo tempo, com uma fé tão intrépida e uma tão santa liberdade, que o tirano não ousou fazer-lhe mal, ouviu-o mesmo com benevolência e permitiu-lhe que pregasse a doutrina cristã. Logo soube, porém, que o mensageiro da fé atacava o erro maometano, fê-lo conduzir com honras militares ao campo dos cristãos". São Francisco de Assim dizia aos seus Irmãos da Ordem: "A obediência suprema, em que a carne e o sangue não tomam parte alguma, é atingida quando, levados por uma inspiração divina, vamos para junto dos infiéis, quer para salvar as almas, quer para colher a palma do martírio".

Caríssimos, podemos dizer que S. Francisco de Assis foi, desde os tempos apostólicos, o primeiro mensageiro da fé que inscreveu na sua bandeira a conversão do mundo inteiro, cumprindo assim à risca a ordem dada pelo divino Salvador, de evangelizar o universo: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a todas as criaturas". E como era a pregação deste arauto de Cristo? Darei apenas uma amostra: "Fazei penitência; produzi frutos dignos de penitência, pois deveis saber que dentro em pouco morrereis. Dai, e dar-se-vos-á. Perdoai, e sereis perdoados. E se não perdoardes aos homens as suas ofensas, não perdoará tão pouco o Senhor os vossos pecados... Bem-aventurados os que morrem penitentes, pois irão para o reino dos céus. Infelizes dos que não morrem penitentes, pois serão filhos do demônio, cujas obras cometem, e irão para o fogo eterno. Vigiai e abstende-vos de todo o mal e perseverai no bem até o fim" (Regula I, c. 21). Amém!

sábado, 30 de junho de 2018

O CORAÇÃO DE JESUS NOS DÁ POR MÃE SUA PRÓPRIA MÃE


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
30º dia de junho

Não há corações mais intimamente unidos do que o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria. Afinal, o Coração de Jesus saiu do Coração de sua Mãe Santíssima. Foi  nela que o Espírito Santo operou o mistério inefável da Encarnação do Verbo Eterno de Deus. E Maria Santíssima não só nos trinta anos de vida oculta de seu Filho, esteve com todo carinho e amor junto d'Ele, mas também no primeiro milagre operado por Jesus e em muitas outras ocasiões. Mas especialmente, o seu Coração Imaculado estava junto do de seu Filho lá no Calvário.

Junto a Cruz Maria estava de pé. Nem a angústia do coração, nem as injúrias do povo, a crueldade dos algozes ou perigo da morte podiam apartá-la de Jesus, seu querido Filho. Seu coração estava pronto a morrer na presença de Jesus ou a assistir-Lhe na agonia. De todos os Apóstolos só o predileto de Jesus, São João Evangelista, estava ao lado de Maria Santíssima.

Ao ver a Virgem Mãe e o discípulo virgem, tão amados do Coração Divino, disse Jesus, olhando para a Mãe: "Mulher (que em hebraico significa Senhora), eis aí teu filho". Depois, dirigindo-Se ao discípulo, representante de todos nós, disse-lhe: "Eis aí tua Mãe". E desde esta hora o discípulo a tomou por Mãe; e depois levou-A para sua casa. (cf. Jo. XIX, 26 e s.).

Justamente quando os homens levavam ao auge a sua malícia, quando não cessavam de afligir o Coração de Jesus com injúrias, ele superabundou em amor e nos deu sua Mãe por Mãe Nossa. O Coração de Jesus instituíra no dia anterior à sua morte, a Santíssima Eucaristia, não nos querendo deixar órfãos. Mas também fez, momentos antes de morrer, o que nenhum humano pode fazer: deu-nos por Mãe a sua própria Mãe, a melhor de todas as mães.

Neste ato, o Coração de Jesus mostra, outrossim, o desvelo e cuidado por sua Mãe, provendo à honra e ao amor que lhe eram devidos. Jesus mostra que o Seu Coração e o Coração de sua Mãe Santíssima, devem ao mesmo tempo, ser conhecidos e juntamente amados.

Nós, pobres pecadores não podemos calcular toda grandeza e intensidade do amor do Coração de Maria por seu Filho e seu Deus. É algo inefável! Não há no céu e na terra criatura que prestasse tantas honras e dedicasse tanto amor a Jesus, quanto a sua Mãe Santíssima. A Santíssima Trindade empregou todo seu amor e poder em preparar aquele Coração de Mãe, com a capacidade de amar um Filho que é também o Filho do Altíssimo. Portanto, em parte alguma se poderia encontrar um coração que fosse tão unido e agradável ao Coração de Jesus qual foi o Coração Imaculado da Virgem Mãe.  Por outro lado, o Coração de Jesus quis e quer ver o Coração de sua Mãe, em toda parte e sempre, honrado e amado. O Coração de Jesus quer que, em qualquer parte do mundo, e até a consumação dos séculos, onde for adorado o Seu Coração, seja venerado de modo todo singular, o Coração Imaculado de Sua Mãe Santíssima.

Maria Santíssima compartilhando as dores de Jesus, nos adotou ao pé da cruz. Como nossa Mãe, devemos prestar-lhe honra todos os dias da nossa vida, lembrando-nos de quanto Ela sofreu com Jesus por nossa causa. Devemos reconhecer este grande dom do Coração agonizante de Jesus, ao dar-nos uma tal Mãe. Depois que Jesus se deu a si mesmo por nós na Eucaristia, quis dar-nos a sua Mãe para ser a nossa Mãe também. Assim, o Coração materno de Maria Santíssima transborda de singular afeto, compaixão, amor e solicitude pelos seus filhos.

O Coração de Maria, formado à semelhança do Coração de Jesus, a todos se acha aberto sob o dulcíssimo título de Coração materno. Por intermédio do Coração Imaculado de Maria seremos introduzidos no Coração de Jesus. Pois, pela Virgem Maria , Jesus Cristo veio aos homens e também por Ela, Deus quer que cheguemos até Jesus. Quaisquer graças que desejarmos obter de Nosso Senhor Jesus Cristo, devemos recomendá-las a Maria, nossa Mãe, para que ela, sendo Mãe de Deus e nossa, invoque em nosso favor o Coração Sacratíssimo de Jesus. Na verdade os direitos maternos que Nossa Senhora possuiu e exerceu na terra, não os perdeu no céu, onde, como Soberana de todos os anjos e santos, reina com Jesus, seu divino Filho.

Ao comparecer ao tribunal no Juízo teremos a dulcíssima consolação de ter por Advogada junto ao Juiz, sua Mãe e nossa Mãe! Esta Mãe, a quem o Juiz deu todo o poder sobre o seu Coração, intercederá ao seu Filho em favor dos seus outros filhos que somos nós seus devotos. Amém!


sexta-feira, 29 de junho de 2018

PEDRO, A PEDRA

PEDRO, A PEDRA  

                                                                                                                                                                 Dom Fernando Arêas Rifan*

            Depois de amanhã, e também no domingo próximo, celebraremos a solenidade de São Pedro, apóstolo escolhido por Jesus para ser seu vigário aqui na terra (“vigário”, o que faz as vezes de outro), seu representante e chefe da sua Igreja. São Pedro era pescador do lago de Genesaré ou Mar da Galiléia, junto com seu irmão, André, e seus amigos João e Tiago. Foi ali que Jesus o chamou: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. Eles, imediatamente, deixaram as redes e o seguiram” (Mt 4, 19-20).
            Pedro se chamava Simão. Jesus lhe mudou o nome, significando sua missão, como é habitual nas Escrituras: “Tu és Simão, filho de João. Tu te chamarás Cefas! (que quer dizer Pedro - pedra)” (Jo 1, 42). Quando Simão fez a profissão de Fé na divindade de Jesus, este lhe disse: “Não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as forças do inferno não poderão vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus (a Igreja): tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 13-19).
            Corajoso e com imenso amor pelo Senhor, sentiu também sua fraqueza humana, na ocasião da prisão de Jesus, na casa de Caifás, ao negar três vezes que o conhecia. “Simão, Simão! Satanás pediu permissão para peneirar-vos, como se faz com o trigo. Eu, porém, orei por ti, para que tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22, 31-32).  E Pedro, depois de ter chorado seu pecado, foi feito por Jesus o Pastor da sua Igreja. 
           São Pedro, fraco por ele mesmo, mas forte pela força que lhe deu Jesus, representa bem a Igreja de Cristo. Cremos na Igreja una, santa, católica e apostólica, edificada por Jesus Cristo sobre a pedra que é Pedro... Cremos que a Igreja, fundada por Cristo e pela qual Ele orou, é indefectivelmente una, na fé, no culto e no vínculo da comunhão hierárquica. Ela é santa, apesar de incluir pecadores no seu seio; pois em si mesma não goza de outra vida senão a vida da graça. Se realmente seus membros se alimentam dessa vida, se santificam; se dela se afastam, contraem pecados e impurezas espirituais, que impedem o brilho e a difusão de sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por esses pecados, tendo o poder de livrar deles a seus filhos, pelo Sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo” (Credo do Povo de Deus).
             “Enquanto Cristo ‘santo, inocente, imaculado’, não conheceu o pecado, e veio expiar unicamente os pecados do povo, a Igreja, que reúne em seu seio os pecadores, é ao mesmo tempo santa, e sempre necessitada de purificação.... A Igreja continua o seu peregrinar entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus, anunciando a paixão e a morte do Senhor, até que ele venha. No poder do Senhor ressuscitado encontra a força para vencer, na paciência e na caridade, as próprias aflições e dificuldades, internas e exteriores, e para revelar ao mundo, com fidelidade, embora entre sombras, o mistério de Cristo, até que no fim dos tempos ele se manifeste na plenitude de sua luz” (Lumen Gentium, 8).  

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

REVESTIR-SE DE JESUS CRISTO

LEITURA ESPIRITUAL
29º DIA

São João Eudes faz um belíssimo comentário destes conselhos do Apóstolo S. Paulo: "Revesti-vos de Jesus Cristo"  (Rom. XIII, 14); "Revesti-vos do homem novo" (Efésios IV, 24); "Animai-vos dos sentimentos que animam a Jesus Cristo" (Filipenses II, 5). Diz o Santo propagador da devoção ao Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria: "Jesus, Filho de Deus e Filho do Homem...  não sendo somente nosso Deus, nosso Salvador e soberano Senhor; mas mesmo, sendo nossa cabeça e nós os seus membros e seu corpo, diz S. Paulo, osso de seus ossos, e carne de sua carne (Ef. V. 30) e, por conseguinte, estando unidos a ele pela união mais íntima que possa existir, tal a dos membros à cabeça; unidos a ele espiritualmente pela fé e pela graça que nos deu no santo batismo; unidos a ele corporalmente pela união do seu santíssimo Corpo com o nosso na santa Eucaristia, segue-se daí necessariamente que, como os membros são animados do espírito da cabeça e vivem de sua vida, assim também devemos estar animados do espírito de Jesus Cristo, viver de sua vida, caminhar em suas veredas, revestir-nos de seus sentimentos e inclinações, fazer todas as nossas ações nas disposições e intenções com que Ele faz as suas, em uma palavra, continuar a realizar a vida, a religião e a devoção que Ele exerceu sobre a terra". E S. João Eudes apresenta vários textos das Sagradas Escrituras e comenta-os: "Não ouvis, diz o santo, aquele que é a própria verdade dizer em diversas passagens de seu Evangelho: "Eu sou a vida; e eu vim para que tivésseis a vida. Vós não quereis vir a mim a fim de ter a vida. Eu vivo e vós vivereis Nesse dia sabereis que eu estou em meu Pai e vós em mim e eu em vós" (S. João VI, 10; V, 40; XIV, 19 e 20). Isto é, assim como eu estou em meu Pai, vivendo da vida de meu Pai, a qual ele me vai comunicando, assim também vós estais em mim, vivendo da minha vida, e eu estou em vós, comunicando-vos essa mesma vida, e assim eu vivo em vós e vós vivereis comigo e em mim. E o discípulo bem-amado não nos clama também que Deus nos deu uma vida eterna e que essa vida está em seu Filho , e que aquele que tem em si o Filho de Deus tem a vida eterna e que essa vida está em seu Filho, e que aquele que tem em si o Filho de Deus tem a vida; e, ao contrário, aquele que não tem o Filho de Deus em si, não tem a vida (1 João V, 11 e 12); e que Deus nos enviou seu Filho ao mundo, a fim de que vivamos por ele (1 João IV, 9); e que estamos neste mundo como Jesus aqui esteve (Hebreus II, 17), isto é, que estamos em seu lugar e que devemos viver como ele mesmo viveu? E no Apocalipse, não nos anuncia que o esposo bem-amado de nossas almas, que é Jesus, vai sempre pregando e dizendo: "Vinde, vinde a mim e que aquele que tem sede venha e tome água da vida gratuitamente" (Apoc. XXII, 17), isto é, que venha e beba em mim a água da vida? ... (S. João VII, 37). E o que nos prega a cada instante o divino apóstolo S. Paulo, senão que estamos mortos e que a nossa vida está escondida com Cristo em Deus (Col. III, 3); que o Pai eterno nos vivificou com Jesus Cristo e em Jesus Cristo (Efésios II, 5); Col. II, 13), isto é, que não somente nos fez viver como seu Filho, porém em seu Filho, e da vida de seu Filho, e que devemos manifestar e fazer transparecer a vida de Jesus em nossos corpos (2 Cor. IV, 10 e 11), que Jesus Cristo é nossa vida (Col. III, 4)?... Em uma passagem, falando aos cristãos, diz que pede a Deus que os torne dignos de sua vocação (do seu chamado), que realize plenamente nesses cristãos todos os desígnios de sua bondade e da obra da fé, a fim de que o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo seja glorificado neles e eles em Jesus".

Caríssimos, como nos consola esta meditação!!! Estarmos cônscios da presença de Jesus em nós; tão unido a nós que a nossa vida é Ele mesmo, é Ele que trabalha, sofre em nós; Jesus é a Cabeça e nós os membros; somos um instrumento que Jesus mesmo deve pôr em movimento. Por nós mesmos não podemos nada de bom, mas se é Jesus que opera em mim, então, posso dizer com S. Paulo: "Tudo posso n'Aquele que me conforta!"

É preciso, dizia S. Margarida Maria a uma visitandina, que nos consumamos todas nessa fornalha ardente do Sagrado Coração do nosso adorável Mestre... e depois de termos lançado o nosso coração, todo cheio de corrupções, nas chamas divinas do puro amor, aí devemos tomar um outro, novo, que nos faça viver para o futuro de uma vida renovada... é preciso que esse divino Coração de Jesus tome de tal modo o lugar do nosso, que só ele viva e atue em nós e por nós, que sua vontade mantenha a nossa por tal forma aniquilada, que possa agir sem resistência alguma da nossa parte; enfim, que seus afetos, pensamentos e desejos tomem o lugar dos nossos, mas principalmente o seu amor, que se amará a  si mesmo em nós e por nós" (Obras, tomo II, p. 468).

Caríssimos, Jesus Cristo ama cada um de nós com um amor inefável e esse amor faz com que Ele se mantenha unido a todos por uma união que deseja tornar cada vez mais perfeita. Daí, devemos ver Jesus em nós mesmos e também no próximo (que d'Ele recebe ao menos graças atuais). É mister que vejamos Jesus em nós e vivamos intimamente unidos a Ele. É preciso que os nossos sentimentos sejam os de Jesus; devemos unir nossas intenções às Suas; as nossas orações ás Suas orações; nossos trabalhos e nossos sofrimentos aos seus trabelhos e aos Seus sofrimentos. Em uma palavra Jesus fará de nós um outro Jesus.

Um ramalhete espiritual que expressa perfeitamente esta doutrina, é esta sublime exclamação de S. Paulo: "VIVO, MAS NÃO SOU EU QUEM VIVE, É JESUS QUEM VIVE EM MIM!" Amém!

quinta-feira, 28 de junho de 2018

O AMOR DIVINO DO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
28 dia de junho

Vimos como o amor humano do Coração de Jesus é imenso, inefável, admirável. Mas, caríssimos, o amor divino do Coração de Jesus é infinito, é eterno. É o amor com que o Coração de Jesus nos ama em sua Divindade. Toda compreensão desta verdade é dada pelo mistério da Encarnação. O Verbo podia e pode ainda dizer: "Eu vos amo pela minha Divindade com um amor comum às três Pessoas divinas, e vos amo pela minha Humanidade. Fui eu quem, em meu corpo e em minha alma humana, sofreu por vós, fui eu, Verbo Eterno quem orou por vós, quem mereceu por vós pela alma santa que tomei no dia de minha Encarnação. Hoje, na morada da glória, deleito meus fiéis pela graça de minha Humanidade e pela glória infinita de minha Divindade".

Em seu Filho, que é o espelho, o esplendor de sua substância, Seu Verbo, isto é, sua Palavra eterna,  Deus Pai sempre  nos viu. Amou-nos desde toda eternidade. Tudo em Deus é infinito, e, portanto, seu amor e sua bondade são infinitos. Deus nos ama desejando ver-nos felizes pela santidade, felizes da santidade que é fruto da virtude e do puro amor. Na verdade, ser virtuoso, ser santo, é amar a Deus, procurar a Deus, dirigir-se a Deus, e o termo da santidade é a posse de Deus. A graça santificante que Deus nos dá pelo santo Batismo outra coisa não é senão Deus dando-se à alma, vivendo nela, unindo-se a ela, em uma palavra, divinizando-a. Eis a explicação de tudo em duas frases bíblicas: "Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho" e "O Verbo se fez carne". E por que estes dois mistérios inefáveis? Para que Jesus Cristo, sendo Deus e Homem, pudesse nos salvar. Como Homem pôde sofrer e morrer por nós, e sendo Deus, pois, Jesus é uma Pessoa divina, é o Filho de Deus, deu aos seus sofrimentos e à sua Morte um valor infinito.

Mas por que Deus nos ama com esse ardor infinito? Em nós nada há que possa excitar tanto amor. As qualidades que temos, Deus no-las deu por amor. Amou-nos, portanto, antes destas qualidades, antes de todos os nossos atos. Na verdade, onde abundou em nós o pecado, Deus fez superabundar a graça. Supriu todas as nossas fraquezas e reparou todas as nossas loucuras. Tudo quanto Deus faz por nós é a mais gratuita das liberalidades.

Deus nos ama porque Ele é o Amor. Em relação às criaturas, o amor de Deus é livre; mas quão bem responde aos desejos de seu Coração! Na verdade, Deus sendo a própria Bondade, se compraz em amar: "Bonum est sui diffusivum". Levado por este amor infinito, Deus concede-nos os seus dons, dons sobrenaturais e divinos.

Mas Deus quer também ser amado. "Deus tem um tal desejo que O amemos, diz o autor espiritual Tauler, que desse amor parece depender a sua felicidade. Todas as criaturas são outras tantas vozes que nos convidam a amá-Lo. Tudo o que Ele fez, tudo o que ainda faz, Ele o fez ou faz para levar a alma a ouvir-Lhe as súplicas e a amá-Lo. Assim o menor ato de amor da mais miserável de suas criaturas O encanta mais que toda a magnificência de suas obras materiais, ou todo o esplendor dos astros, com que guarneceu o espaço. Parece não poder suportar a perda do nosso amor e todas as suas obras, quer na ordem da natureza, quer na da graça, são feitas para ganhar os nossos corações, e os mesmos castigos eternos, pelos quais pune as almas ingratas e obstinadas e os corações pertinazmente fechados ao amor, visam ainda levar outros corações a se abrirem ao amor de seu Coração. "Deus, diz ainda Tauler, é mais pronto em perdoar que um braseiro em consumir algumas palhas ou estopas lançadas nas chamas"; "Uma mãe, vendo queimar-se o seu filho, não corre mais pressurosa em seu auxílio do que Deus em auxílio do pecador".

Caríssimos, quão doloroso há de ser para o Coração amante de Jesus o excesso de tanta bondade sua, de uma parte, e de tamanha ingratidão de nossa parte! "Meus olhos, diz Deus pelo profeta, derramaram rios de lágrimas, porque não é observada a lei" (Salmo 118, 136). Se nos foi dado, através destas reflexões que venho fazendo neste mês sobre o amor do Coração de Jesus, compreender sua ternura e amor, caríssimos, devemos esforçar-nos por compensá-los pela nossa generosidade e fidelidade. Hoje, quando reina o indiferentismo religioso por falta de fé em Deus e de amor a Ele, hoje quando poucos amam verdadeiramente a Deus sobre todas as coisas, será um desagravo muito suave ao Coração de Jesus, o nosso amor ardente. Peçamos sempre: "Coração de Jesus, Homem-Deus, que tanto nos amais, fazei que Vos ame cada vez mais!" Amém!

  

quarta-feira, 27 de junho de 2018

"QUER AGRADE, QUER DESAGRADE"



 São palavras de São Paulo a Timóteo, na segunda Epístola que o Apóstolo escreveu ao seu caríssimo discípulo e bispo. Estão no capítulo 4º. versículo 2º. Estas duas palavras são traduzidas para o português de vários modos, mas que, no fundo têm o mesmo significado. No original grego são empregadas as palavras: eukairos, akairos, que em português significam exatamente: oportunamente, inoportunamente. A melhor tradução italiana da Vulgata de São Jerônimo traz: "a tempo, fuori di tempo."   E a  tradução em francês é: à  temps et à contre-temps. Em português do Brasil temos três traduções mais comuns, que são: "a  tempo e fora de tempo"(como no italiano); "a tempo e contratempo"(como no francês) e "quer agrade, quer desagrade".
   São Paulo, na verdade, exorta o bispo Timóteo que pregue a palavra de Deus, que insista sem desanimar, e sem deixar de pregar por causa do respeito humano, quando estiver diante de pessoas que não gostam de ouvir a verdade, infeccionados que estão por suas paixões. Verdadeiramente, é sempre feito a tempo, oportunamente, aquilo que é pregado utilmente para a eterna salvação do próximo, mesmo que o zelo dos pregadores pareça inoportuno ao homem carnal, que é perturbado por suas paixões. Quanto ao respeito humano São Paulo pouco antes, ou seja, no capítulo I, 8 já havia advertido a Timóteo: "Portanto, não te envergonhes do testemunho de Nosso Senhor...".
   Podemos concluir que a tradução "quer agrade, quer desagrade"  também está correta, porque expressa o que São Paulo realmente queria dizer.
   O grande escritor Gustavo Corção, por quem D. Antônio de Castro Mayer tinha grande estima, escreveu um livro ao qual deu o seguinte titulo: "A TEMPO E CONTRATEMPO". Adverbialmente tomado, contratempo é o mesmo que fora de tempo. Nas orelhas da capa do livro, a Editora Permanência que publicou o dito volume, explica a origem e a razão deste título. Diz assim: Aqui se recolhem alguns artigos de Gustavo Corção, publicados na imprensa diária, sob o calor dos acontecimentos mas com doutrina permanente... O título buscou-o Corção no Apóstolo das Gentes, que, profeta, anunciou quase com detalhes a loucura dos nossos dias: Erit enim tempus... "Tempo virá em que os homens já não suportarão a sã doutrina, e inventarão para si mestres, levados pelo prurido de ouvir; e afastarão seus ouvidos da verdade e os inclinarão às fábulas". Prevenindo dessas coisas o discípulo amado Timóteo e, através dele, na sucessão dos séculos, os outros discípulos, recomenda Paulo que o pregador pregue, opportune, importune, para que a verdade seja posta ao alcance de quem queira contemplá-la e segui-la. É o que tem feito Gustavo Corção, vencendo todas as dificuldades e incompreensões, sacrificando amizades, afrontando calúnias e desfigurações..."
   Já no corpo do livro, antes do primeiro Artigo, lemos toda a passagem de São Paulo: "Quanto a ti, apega-te ao que aprendeste e ao que crês com certeza, sabendo de quem o aprendeste, e ao que, desde a infância, conheces das Sagradas Escrituras, de onde podes haurir sabedoria para a salvação pela fé no Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para repetir, para corrigir e para educar na santidade, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e pronto para obras boas".
   "Eu te adjuro diante de Deus e do Cristo Jesus que deve vir julgar os vivos e os mortos, por sua aparição e por seu reino: prega a palavra, insiste a tempo e contratempo, retoma, censura, exorta, com paciência inteira e zelo de instrução; porque tempo virá em que os homens não suportarão a sã doutrina e, ao sabor de suas paixões, se entregarão a uma multidão de doutrinadores. Com cócegas nos ouvidos, eles os afastarão da verdade para os inclinar às fábulas. Tu, sê sóbrio em todas as coisas, suporta o sofrimento, faz obra de pregador do Evangelho, cumpre até o fim tua tarefa". (2ª Tim. III, 14-17; e IV, 1-5).
  
   Há um outro livro cujo título também foi inspirado nas palavras de São Paulo a Timóteo (2ª Tim. IV, 2); mas este tem por autor não Gustavo Corção mas o então Revmo Pe. Fernando Arêas Rifan. Preferiu a tradução "quer agrade, quer desagrade". Na apresentação do livro, assim escreveram seus amigos e paroquianos: "Como parte das comemorações do jubileu de prata sacerdotal do Revmo. Pe. Fernando Arêas Rifan, ocorreu-nos a feliz ideia de reunirmos em um livro uma coletânea de vários artigos por ele escritos e publicados, em diferentes épocas, em diversos órgãos da imprensa. Os artigos que selecionamos versam sobre assuntos variados, mas sempre com uma equilibrada visão católica, conforme a Igreja sempre orientou os seus fiéis.
                                  'Quer agrade, quer desagrade!"
   Certamente este livro não agradará a todos. Nem é sua pretensão. Bom sinal! O próprio Jesus não conseguiu a unanimidade do beneplácito popular. São Paulo, autor da frase, título deste livro, exclamava: "Se alguém vos anunciar um Evangelho diferente daquele que recebestes, seja anátema. Porque, em suma, é a aprovação dos homens que eu procuro, ou a de Deus? Porventura é aos homens que eu pretendo agradar? Se agradasse ainda aos homens, não seria servo de Cristo" (Gal. I, 9 e 10). Mas todos admirarão a sinceridade e a clareza de posições do autor, que preferiu o "sim sim não não" do Evangelho à conivência com o erro e à cumplicidade na "autodemolição da Igreja" com pretensões a aplausos e reconhecimentos oficiais. Como pitorescamente comentou um jornalista da "esquerda": "Pe. Fernando é um inimigo em quem se pode confiar!", reconhecendo, apesar de divergir dele, a lisura e lealdade do seu posicionamento.
   Na orelha deste excelente livro vemos a foto do Revmo. Padre Fernando A. Rifan e logo abaixo podemos ler estas sábias palavras: "PESSOAS DE BOM SENSO, UNI-VOS!
A crise atual, muito mais do que econômica e social, é sobretudo moral e religiosa. É crise de bom senso. São raras hoje as pessoas de senso comum, de senso crítico, enfim, do bom senso. E quem ainda o tem é taxado , pejorativamente, de moralista, radical, direitista, conservador, retrógrado, tradicionalista, etc. E, por medo de receber tais adjetivos, muita gente capitula e adere à maioria.
Os artigos do Pe. Fernando Arêas Rifan, que ora publicamos, além de um convite à reflexão, é uma convocação a todas as pessoas de bom senso à responsabilidade e ao empenho na luta pelas causas sadias e por uma sociedade melhor."
   E, a exemplo de Gustavo Corção, antes do primeiro artigo, o então Revmo. Pe. Fernando Arêas Rifan, traz as palavras de São Paulo, palavras que inspiraram o título do seu livro: "Prega a palavra, insiste
 Quer Agrade
Quer Desagrade,
repreende, adverte, exorta com toda a paciência e doutrina. Porque virá tempo em que os homens não suportarão a sã doutrina, mas multiplicarão para si mestres conforme os seus desejos, levados pela curiosidade de ouvir. E afastarão os seus ouvidos da verdade para os abrirem às fábulas..."

                                                              São Paulo, apóstolo
                                                                        (II Tim 4, 2-4)
  
Caríssimos leitores, recomendo a leitura destes excelentes livros, quer agrade quer desagrade, a tempo e contratempo.

O AMOR HUMANO DO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
27º dia de junho

Sabemos pela Teologia que em Nosso Senhor Jesus há duas vontades: a humana e a divina. Assim, também devemos considerar no Coração de Jesus, o seu amor humano e o se amor divino por nós.  Na verdade o dulcíssimo Salvador, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, nos amou muito, nos ama muito e nos há de amar muito durante toda a eternidade.

O amor de Jesus em sua alma humana, através de seu Coração palpitante, nos seus 33 anos na terra, hoje no Céu à direita de seu Eterno Pai, e na terra, na Santíssima Eucaristia, é, digo, um amor admirável, inefável. Mas em sua divindade, Jesus que é o Verbo Divino, nos ama com o mesmo amor que o Pai e o Espírito Santo, ou seja, com um amor eterno e infinito.

Hoje vamos meditar no amor humano do Coração de Jesus, e amanhã, se Deus quiser, meditaremos no amor divino do Coração de Jesus.

Jesus, chorou diante do túmulo de seu amigo Lázaro de Betânia, e o povo exclamou: "Vede como Ele o amava". Caríssimos, meditando durante este mês de junho, em tudo que o Coração de Jesus fez por nós, na Encarnação, no seu nascimento, na sua vida oculta e na vida pública, na instituição da Santíssima Eucaristia e sobretudo em sua Paixão e Morte, nós também exclamamos: "Vede como Ele nos amou!".

O Coração de Jesus nos ama com um amor humano imenso! Pois, a sua fonte é a alma de Jesus, e esta é a obra-prima de Deus aqui na terra. Deus a fez tão perfeita o quanto é possível a uma criatura. E Deus onipotente tornou esta alma capaz de um amor tal que, excede em intensidade ao de todos os homens que existiram, existem e hão de existir, ao amor de todos os anjos e ao da própria Santíssima Virgem Maria, reunidos num só. Já percorremos toda a vida de Jesus e meditamos na imensidade deste amor por nós.

E agora na glória do Céu, à direita de seu Pai Eterno, o Coração de Jesus continua a nos amar. São João declara que mesmo os pecadores são ainda muito caros a Jesus, porque lhes advoga a causa junto de seu Pai: "Filhinhos meus, eu vos escrevo estas coisas, para que não pequeis; mas, se algum pecar, temos um advogado junto do Pai, Jesus Cristo justo. Ele é propiciador pelos nossos pecados, e não somente, pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo" (1 S. João, II, 1 e 2). Assim, o próprio pecado mortal, que Lhe inspira tanto horror, não Lhe altera os sentimentos do Coração. Seu olhar não é de ódio, mas de ternura entristecida, de compaixão para com o louco, monstruoso e mísero pecador. Jesus com suas chagas radiantes de luz e glória, está a lembrar a seu Pai que Ele sofreu tanto pelos pecadores, que pagou caríssimo pelos seus pecados; suplica, então, e implora graças de contrição. O Coração de Jesus é sempre ouvido pelo seu Pai, embora, infelizmente, muitos põem obstáculos. O Coração de Jesus pede também a graça de uma perfeita penitência, de tal modo que o pecador, se assim o quiser, poderá reparar plenamente suas faltas.

Caríssimos, agora meditemos no seguinte: Se Jesus ama assim os pecadores, qual não será o amor de seu Coração pelos verdadeiros amigos, pelos justos, pelos santos?! São João Eudes diz: "Tão grande é o seu amor, que Ele estaria pronto a sacrificar sua vida no universo inteiro e com sofrimentos imensos; e porque o seu amor é eterno, estaria pronto ainda a sacrificá-lo eternamente e com dores eternas". Sofreria, portanto, uma nova paixão por cada um dos filhos dos homens. Faria por cada um o que fez por todos. Mas sabemos que Jesus não pode sofrer e morrer mais, depois de ressuscitado e glorioso. Como seu Coração é onipotente, arranjou um meio de fazê-lo por nosso amor: A Santíssima Eucaristia como Sacrifício e como Sacramento. A Santa Missa renova, de maneira incruenta, a imolação do Calvário, e nos aplica seus merecimentos infinitos. E aqui no Altar se aniquila de alguma maneira, mais do que na Cruz. Quanto o Coração de Jesus se alegra em poder através da Santa Missa, derramar sobre o mundo torrentes de graças! E faz ainda mais: A Eucaristia como Sacramento! Faz-se nosso alimento, nosso hóspede na comunhão, e dá-se a nós todo inteiro, convidando-nos a renovar cada dia essa união tão doce ao seu Coração. O Coração de Jesus quis ficar conosco até o fim do mundo, não quis nos deixar órfãos. É realmente o Emanuel, isto é, o Deus conosco. Amém!


terça-feira, 26 de junho de 2018

O AMOR INFINITO DO CORAÇÃO DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
26º dia de junho

É uma verdade que dispensa demonstração. O católico que não o reconhecesse seria um católico sem coração, ou melhor não seria verdadeiro cristão.

 Deus nos amou desde toda a eternidade: "Eu amei-te com um amor eterno, por isso, compadecido de ti, te atraí a mim" (Jeremias XXXI, 3). E o Apóstolo do Amor, disse: "Nós conhecemos o amor de Deus, porque deu sua vida por nós" (1, João IV, 9); transmitiu-nos a afirmação do próprio Jesus: "Amou Deus de tal modo o mundo (os homens), que deu por ele o seu Unigênito Filho (S. João III, 16).  Pelo que já meditemos até hoje desde o início deste mês ficou suficientemente demonstrado o amor infinito do Coração de Jesus por nós. Pois, basta para isto contemplar toda a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi o amor aos homens a causa de tudo o que fez e sofreu. Por nosso amor o Filho de Deus deixou o Céu e desceu a este vale de lágrimas; revestiu-Se de nossa mesma carne; deu a vida por nosso amor, para que pudéssemos viver eternamente com Ele no Paraíso. Como já meditamos, uma só gota de seu Sangue seria suficiente para remir todo o mundo e até milhares de mundos, mas seu amor por nós levou-O a derramá-lo até a última gota. Como diz São Pedro: "Não fomos remidos com ouro e prata, mas sim com o sangue do Cordeiro Imaculado" ( 1 S. Pedro, I, 18); e São Paulo diz o mesmo: "Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai e trazei a Deus no vosso corpo" (1 Cor. VI, 20). E Jesus não só derramou seu sangue por uma única ferida, mas entregou seu corpo às mãos dos verdugos desumanos, que o puseram numa só chaga, dos pés à cabeça. Enfim, ao abrir-vos os Santos Evangelhos qual é a página que não fala do seu amor aos homens?! Em cada milagre encontramos uma prova dele.

E Nosso Senhor Jesus Cristo, amou-nos como ninguém! Já meditamos sobre o amor do Coração de Jesus ao instituir a Santíssima Eucaristia. Amou-nos e deu-Se a si mesmo por nós, sua carne, seu sangue, sua alma e sua Divindade. Foi por nosso amor que o Coração de Jesus quis ficar conosco na terra, para que n'Ele tivéssemos um amigo fiel, um pai amoroso, em cujos braços nos pudéssemos lançar na hora do abandono e da tribulação.

E assim como ficamos tristes em ver em muitos uma verdadeira homolatria! E para desagravar o Adorável Coração de Jesus exclamamos com São Paulo: "Seja anatematizado aquele que não amar a Nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Cor. XVI, 22).

Caríssimos, pensemos sempre neste amor infinito do Coração de Jesus por nós, pobres pecadores! Procuremos fazer como os Santos fizeram: passavam grande parte do dia com o Evangelho diante dos olhos, meditando nos padecimentos a que o divino Salvador se entregou por nosso amor.

O Coração de Jesus nos amou tanto que quis ficar conosco na Eucaristia. Quem ama gosta de receber em sua casa a pessoa amada. Jesus está no solidão dos templos, à nossa espera para abrirmos o coração diante d'Ele. E mais: Jesus nos ama tanto que, Ele o Senhor, está batendo à porta de nosso coração: "Meu filho, dá-me, teu coração" . E, se amarmos verdadeiramente a Jesus, não há como ficarmos insensíveis diante de um ternura e bondade infinitas! E quem é Ele, e quem sou eu?!

Caríssimos, diante desta fornalha de amor que é o Coração de Jesus, não é possível permanecermos com o coração gelado! Quem não ama a Jesus não se ama a si mesmo. Não amar a Jesus é amar ao mundo; não amar a Jesus é amar as criaturas; e amar o mundo e as criaturas é amar o que não tem valor, é preparar para si a ruína espiritual.


Então digamos de todo coração: "CORAÇÃO DE JESUS QUE TANTO NOS AMAIS, FAZEI QUE EU VOS AME CADA VEZ MAIS! Amém!

domingo, 24 de junho de 2018

AS PROMESSAS DO CORAÇÃO DE JESUS



LEITURA ESPIRITUAL
24º DIA

Através de Santa Margarida M. Alacoque Jesus fez doze promessas. Umas são relativas aos sacerdotes  e a todos os fiéis, e outras exclusivamente quanto aos ministérios que os sacerdotes exercem para a salvação das almas.

"Prometo-te, diz Jesus a Santa Margarida M. Alacoque,  que o meu Coração se abrirá, para derramar as suas bênçãos sobre quem o honrar e empregar o seu zelo em fazê-lo honrar". Caríssimos, estas palavras se referem a todos aqueles que glorificam o Sagrado Coração, e contribuem, quanto podem, para isso. "Se estais, diz Santa de Parays-le-Monial, em um abismo de fraqueza, de recaídas e misérias, recorrei ao Coração de Jesus, que é um abismo de misericórdia e de fortaleza. Se em vós descobris um orgulho desmesurado, perdei-vos nos aniquilamentos do Coração de Jesus. Não sei que haja exercício espiritual mais capaz de elevar depressa uma alma à mais alta perfeição".

E a Santa vidente do Coração de Jesus, diz ainda algo mais animador para os sacerdotes: "O meu Salvador deu-me a entender que aqueles que se empregam na salvação das almas, serão capazes de as comover e converter, se estiverem penetrados de uma terna devoção ao seu divino Coração". Nós sacerdotes, que muitas vezes excogitamos meios humanos para reanimar as almas, quem sabe até muitos achem que a solução é ter muito dinheiro para melhor organizar tudo na paróquia para mais atrair as pessoas. Chamo isso de "muletas". Mas os sacerdotes que têm sempre em mente como Jesus fez e mandou seus discípulos fazer, a realidade é muito outra. A solução está aqui indicada pelo que Jesus mesmo fez Santa Margarida Alacoque entender: os sacerdotes devem estar penetrados de uma terna devoção ao Coração de Jesus. Caríssimos colegas, que mais podemos desejar? Quereis abalar as consciências mais arraigadas no mal? O meio é este indicado pelo próprio Jesus!

Depois, se Deus quiser, meditaremos na 12ª Promessa do Sagrado Coração de Jesus, que é a das nove primeiras sextas-feiras. É um seguro para o Céu!

Devemos adorar o Sagrado Coração de Jesus no augustíssimo sacramento da Eucaristia, sacramento que nos recorda todos os prodígios da bondade de Jesus para conosco. Lamentamos que o amável Coração de Jesus seja tão pouco conhecido e consequentemente tão pouco amado e, o que é mais para lamentar, até mesmo pelos sacerdotes que receberam de Jesus esta missão honrosa e sublime de ganhar almas para o Coração de Jesus. Caríssimos colegas, que o Sacratíssimo Coração de Jesus seja e para sempre o nosso refúgio nas aflições, o nosso recurso nas dificuldades, a nossa esperança e fortaleza nos momentos de ansiedade e inquietação, em que a nossa alma fica quase a sucumbir à tristeza. Mas com o auxílio do Coração de Jesus, escaparemos aos perigos que ameaçam a nossa salvação, e contribuiremos eficazmente para a salvação de nossos irmãos. Devemos implorar a Jesus que Ele venha reproduzir em nós a Sua humildade, a Sua mansidão, o Seu zelo e todas as virtudes, pois o Coração de Jesus é o nosso modelo. Caríssimos sacerdotes, vamos procurar sempre dedicar ao Coração de Jesus, os nossos trabalhos sacerdotais, e nossos suores, as nossas penas e alegrias, enfim, a nossa vida e o fim da nossa vida. Amemos pois, e façamos amar o Coração que nos tem amado tanto. Amém!

sábado, 23 de junho de 2018

RESSURREIÇÃO DA CARNE



Com a graça de Deus, veremos que havemos de ressuscitar, não com um corpo etéreo ou outro qualquer, mas com a mesma carne que agora temos e da qual sairá a alma na hora da morte.

A fé na ressurreição da carne neste sentido supra explicado, existia, segundo o testemunho da Sagrada Escritura, já no Antigo Testamento: "Eu sei, diz Jó, que o Redentor vive e que no último dia ressurgirei da terra, serei novamente revestido da minha pele, e na minha própria carne verei meu Deus" (Jó XIX, 25 e 26). Também o Espírito Santo louva a Judas Macabeu, quando, fazendo menção da coleta que tinha feito e oferecido  ao Templo para o sacrifício pelos que tinham caído no campo da batalha: "Obra bela e santa, inspirada pela crença na ressurreição, porque se ele não esperasse que os mortos haviam de ressuscitar, seria uma coisa supérflua e vã orar pelos defuntos" (2 Macabeus XII, 43 e 44). "A multidão dos que dormem no pó da terra, acordarão uns para a vida eterna e outros para o opróbrio, que terão sempre diante dos olhos" (Daniel XII, 2).

Esta doutrina da ressurreição foi ensinada muitas vezes sobretudo no Novo Testamento. Primeiramente pelo próprio Jesus e de uma maneira a mais clara possível: "Virá tempo em que todos os que se encontram nos sepulcros ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que tiverem feito obras boas, sairão para a ressurreição da vida; mas os que tiverem feito obras más, sairão ressuscitados para a condenação" (S. João V, 28 e 29). Refutando os saduceus, Jesus deduzia da ressurreição dos corpos de que as almas eram imortais. Pois tendo-lhe os saduceus proposto uma questão capciosa com respeito à ressurreição dos mortos, para O poderem acusar de alguma contradição ou absurdo na doutrina, disse-lhes: "Quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus falou, dizendo-vos: eu sou o Deus de Abraão, de Isaac e Jacó? Não é Deus dos mortos, mas dos vivos" (S. Mat. XXII, 31 e 32). É como se dissesse: Vós, saduceus, negais a ressurreição dos mortos, porque não credes na imortalidade das almas. Pois, a alma é imortal. E se morrera com o corpo então o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, que morreram segundo o corpo, seria Deus dos mortos e não, como ele é, Deus dos vivos. Portanto, se a alma vive depois da morte corporal, segue-se que ela se reunirá um dia com o corpo que ela animou, e que os mortos ressuscitarão.

Jesus ressuscitou a Lázaro depois de quatro dias já sepultado, e, portanto em estado de putrefação. Para Deus nada é impossível. Como será impossível à Onipotência divina ressuscitar os nossos corpos convertidos em pó e cinza, sendo Ele quem os formou do nada? É porventura o mistério da ressurreição o único deste gênero que se apresenta à nossa vista? Olhai para o grão que cai na terra e se corrompe. O que sucede? Uma planta viva nasce da semente corrompida, e depois dá flores e frutos.

A mesma doutrina ensinam os Apóstolos. São Paulo se serviu inclusive desta figura logo acima citada: "Mas dirá alguém: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão? Néscio, o que tu semeias não toma vida, se primeiro não morre. Quando tu semeias, não semeias o corpo que há de nascer, mas um simples grão, como, por exemplo, de trigo ou de qualquer outra coisa" (1 Cor. XV, 35-37). Com isto o Apóstolo significa precisamente que aquela corrupção e dissolução do corpo é uma condição prévia e indispensável para a ressurreição, assim como  a corrupção da semente para dela brotar a planta.

 São Paulo falou da ressurreição nos seus discursos públicos diante do Grande-Conselho (Atos XIII), diante do governador Félix (Atos XXIV); nas suas epístolas: "Se os mortos não ressuscitam, então Jesus Cristo não ressuscitou" (1 Cor. XV, 16). "Porém, Jesus Cristo ressuscitou de entre os mortos com o seu próprio corpo; logo também vós ressuscitareis como Ele. Pois, aquele que ressuscitou de entre os mortos também ressuscitará os vossos corpos mortais, por meio do seu Espírito, que habita em vós" (Rom. VIII, 11).

Terminemos com mais um símbolo belíssimo da ressurreição: O bicho da seda, sendo verme disforme e quase asqueroso, fabrica o seu sepulcro, descansa nele largos meses, e depois rompe o seu invólucro, e levanta-se brilhante mariposa que se eleva nos ares. Porventura Deus, autor sapientíssimo da natureza, nos põe em vão diante dos olhos esta imagem viva da ressurreição? Com certeza que não. Ressuscitaremos. A fé no-lo ensina, e até a natureza visível no-lo recorda. Caríssimos, ressuscitaremos! Amém!


sexta-feira, 22 de junho de 2018

A REENCARNAÇÃO É UMA TEORIA ESPÍRITA SEM NENHUMA BASE



Para os espíritas não morremos uma só vez, porque depois da morte nos encarnamos de novo e tornamos a viver. É bom que todos saibam que este é, por assim dizer, "O DOGMA" do espiritismo; e assim o chamava Allan Kardec. Em consequência desta teoria mentirosa (porque sem nenhuma base bíblica, filosófica e científica), seguem-se outras teorias mentirosas do Espiritismo: não existem os juízos particular e universal, não existem nem purgatório, nem inferno, nem céu. O espírita fica insensível diante da morte.  
Quanto a contradição com as Sagradas Escrituras, basta citarmos um texto e mesmo assim para os cristãos, porque o Espiritismo também não acredita na Bíblia. Aliás, a doutrina espírita é a negação completa e total da Doutrina Cristã. Qual é este texto das Sagradas Escrituras que destrói totalmente a possibilidade de reencarnação? É este de S. Paulo: "Foi decretado que os homens morram uma só vez, e que depois disso se siga o juízo" (Hebreus IX, 27). Logo, depois da morte, sentença imediata, prêmio ou castigo. Na verdade, o Espiritismo transforma fantasias em dogmas de fé, e assim destroem os verdadeiros dogmas da fé.
Quanto ao fundamento filosófico para a reencarnação, também não existe. É mais ou menos assim: existe Saci-Pererê? Prá quem acredita, existe; prá quem não acredita, não existe. Assim há espíritas que não acreditam na reencarnação; para eles não existe. Há outros que acreditam: para estes existe. Que belo argumento filosófico! Allan-Kardec dizia: "Generalidade e concordância no ensino, esse é o caráter essencial" da doutrina espírita. Ora, em matéria de reencarnação não há concordância. Os espíritas latinos, com Allan-Kardec è frente, aceitam a reencarnação, porque "os espíritos superiores revelaram". Já os anglo-saxões, com Staidon Moses, D. Home condenam a reencarnação, porque "os espíritos superiores revelaram". Portanto, a base filosófica do Espiritismo não passa de balela, contradita pelos próprios espíritas.
E quanto à base científica? Vejam o que dizia Allan-Kardec: "O Espiritismo é, antes de tudo, uma ciência..." e "o Espiritismo  -  em suma  -  é uma sociedade científica, como tantas outras, que se ocupa de aprofundar os diferentes pontos da ciência espírita". Mas, nada mais falso! Que é ciência? É o conhecimento metódico de uma coisa, pelas suas causas. O que diferencia conhecimentos científicos de conhecimentos vulgares, não científicos, é o método. O método leva à certeza. Porque não fica no achismo, mas tudo é comprovado metodicamente pelas experiências. Portanto, sem certeza demonstrada metodicamente não há ciência. Só é científico o que é demonstrado metodicamente.
Mas, que significam para os espíritas estes "espíritos superiores". O Espiritismo engana a muitos com " a comunicação com os espíritas". Os intermediários são os MÉDIUNS. Mas o próprio Allan-Kardec fala em médiuns trapaceiros, interesseiros, ignorantes, velhacos, mistificadores...
Agora, não poderia deixar de falar sobre o papel do demônio no Espiritismo. Quando em 1975, havia há poucos dias tomado posse de minha primeira paróquia (Paróquia da Igreja de Nossa Senhora do Terço em Campos, RJ, apareceu um senhor estranho e pediu-me uma conversa em particular. Perguntei se era confissão e ele disse que não. Disse-me o tal homem: Desde de novo que pertenço ao Espiritismo, e sei de tudo a respeito, mas por fim o meu chefão, pediu que eu entregasse minha alma ao demônio e, só assim, poderia conseguir o máximo. E perguntou-me: que você acha? Demorei muito tempo explicando a doutrina católica, a única verdadeira. Mas despediu-se e nunca mais o vi. Qual foi sua intenção não sei. Mas Deus permitiu isso no início de meu ministério, e com certeza muito me incentivou para lutar contra o Espiritismo que já naquela época grassava terrivelmente em Campos. Contei esta passagem para meu pai e ele disse-me que iria contar o que se passou com meu avô: "Certo dia,  -   disse-me meu pai  -   um grande amigo de papai convidou-o para ir á uma sessão espírita. Ele disse que sendo católico, não iria, porque o espiritismo tem ajuda do demônio. Mas tanto o amigo insistiu, dizendo que ele também era católico e que só queria um companheiro para ver como funcionava aquilo. Por fim meu pai consentiu, mas que ele ficaria de lado rezando o seu santo terço. Assim foram. Chegando lá pela meia noite, estando todos na sala, o meu pai rezando discretamente o seu terço, eis que chegam os médiuns e começam a invocar alguém com nome diferente. Mas ficaram todos parados durante algum tempo, porque nada diferente aconteceu. Então o dono do Centro Espírita, voltou-se para os assistentes e perguntou se ali havia alguém descrente de seu trabalho. Meu pai, respondeu que era ele, que estava rezando o Terço. O homem chamou-o lá fora e disse-lhe: Filipe Murucci (era o nome de meu avô), não diga nada prá ninguém, mas, na verdade, isto aqui é um meio de vida, com a ajuda do demônio. Mas hoje falhou, porque você estava rezando o Terço, e, em verdade, sei que a Igreja verdadeira é a Católica".
Caríssimos, o que reina no Espiritismo é a fraude, mas não podemos negar que, às vezes, há intervenção do demônio, que, como todos sabem, é o pai da mentira, da trapaça. Aliás o Espiritismo teve inícios em trapaças numa família de sobrenome Fox, como depois veremos. Realmente, há certos fatos no Espiritismo que só se explicam por intervenção do demônio. Não pode ser Deus, nem Anjo bom, nem alma. As almas dos  defuntos estarão ou no purgatório, ou no céu, ou no inferno. Mas estão sob o domínio de Deus como os Anjos bons. Elas e os Anjos só poderiam aparecer ou intervir com permissão especial ou desígnios de Deus, como aconteceu com o Rei Saul (Cf. 1 Samuel XXVIII  e neste caso, de acordo com a maioria dos exegetas, Samuel apareceu realmente, não porém, por força das palavras da necromante (a qual ficou aterrorizada), mas por obra de Deus, que quis anunciar por boca de Samuel o grande castigo. Na verdade, Deus proíbe a necromancia como se lê em Levítico XIX, 31 e XX, 6).  Ora, Deus não poderá manifestar-se ao permitir que os Anjos bons ou almas se manifestem de algum modo em sessão espírita. Se Deus se manifestasse, ou permitisse seus Anjos bons ou almas se imiscuírem nas sessões espíritas, Deus estaria favorecendo a mentira e a trapaça; o que seria blasfêmia afirmá-lo. Trapaça não é de Deus mas do demônio. São Paulo escreve umas coisas na Bíblia que parecem estar se dando no Espiritismo: "Aparecerá aquele tal na virtude de Satanás, com toda sorte de portentos e prodígios, procurando a todo transe levar à iniquidade os que se perdem por não abraçarem o amor à verdade, que os poderia salvar. É por isso que Deus lhes manda o poder da sedução, para darem fé à mentira e serem entregues ao juízo todos os que não deram crédito à verdade, mas antes se comprazeram na iniquidade" (II Tess. II, 9 -14).
Poderiam os espíritas dizer: nem tudo é demônio, mas há mensagens boas, de amor e fraternidade... Resposta: nem tudo pode ser demônio, é sobretudo o médium que se engana e engana os outros. E mesmo o demônio, como diz a Bíblia, "se transforma em anjo de luz" (II Cor. XI, 14), para melhor enganar.
Para terminar: Em 1959, quando eu estudava em Tombos, MG. o nosso Bispo D. José Eugênio Corrêa, da Diocese de Caratinga, escreveu um livrinho "O ESPIRITISMO".  No c. 2 . O ESPIRITISMO NASCEU DE UMA TRAPAÇA diz o seguinte: "Sob o título de um grande acontecimento na história do Espiritismo, "La Revue Spirite", uma das principais e mais antigas do Espiritismo, fundada pelo próprio Allan Kardec em 1858, resume uma solenidade de quatro dias em Hydesville, por motivo da inauguração de um monumento comemorativo das primeiras manifestações espíritas, que ali se deram em 1848. A ideia do monumento veio do Congresso Espírita de Paris, realizado em 1925. Entre as cerimônias oficiais realizadas em Hydesville, conta-se uma peregrinação espírita que ali foi colocar uma lápide de granito onde se lê: "Aqui nasceu o movimento espírita moderno. Neste lugar em Hydesville estava a casa de habitação das irmãs Fox, cuja comunicação mediúnica com o mundo espírita foi estabelecida a 31 de março de 1848".
A família Fox compunha-se de Dr. João, Margarida sua esposa, e as filhas Margarida e Catarina. Os filhos, Davi e Ana Lah, moravam fora. A casa dos Fox era tida por mal assombrada.
A mãe começa a ouvir ruídos estranhos, que pareciam vir do quarto das meninas, com a particularidade de só se produzirem, quando elas estavam acordadas. A mãe ia ficando muito alarmada, enquanto que as meninas não se incomodavam.
A 31 de março de 1848, dia célebre para o Espiritismo, a mais moça da meninas teve a idéia de dizer estas palavras: "Ouve tu, pés de cabra, como eu faço". E batia com os dedos da mão. E golpes misteriosos repetiam o que ela fazia. Isto na presença da mãe, enquanto que as meninas estavam na cama, cuja cabeceira e  pés eram de tábuas de madeira. Note-se, ainda, que a mãe era supersticiosa e medrosa. E as meninas brincalhonas.
Depois a própria mãe pergunta: "Serás um espírito?" Se assim és, dá dois golpes". E os dois golpes se fizeram ouvir. E as experiências se repetiram de diversos modos. E a notícia dos acontecimentos ia-se espalhando.
As irmãs Fox mudaram-se para Rochester e o espírito as acompanha. Veio juntar-se a elas a irmã Lah, espírito prático e interesseiro. Foi ela que se lembrou de atribuir as pancadas aos espíritos do outro mundo.
Depois de quatro meses, mudam-se para Nova Iorque e de lá o incipiente Espiritismo alastrou-se pelo mundo.
Seria mesmo espírito do outro mundo? Nenhuma prova. Ao contrário, os sinais de trapaça são evidentes.
Em fevereiro de 1851, uma comissão de médicos e professores de Buffalo inspecionam tudo, examina as meninas e se pronuncia contra a autenticidade dos fatos.
Em 1888 Margarida revelou ao New York Herald que ela e sua irmã Catarina haviam sido, desde o início, vítimas da Lah. O que faziam eram imitar pancadas com os dedos e responderam elas mesmas para enganar a mãe. Depois, por sugestão de Lah e outras pessoas interessadas, acharam bom o "negócio" e assim mantiveram e alimentaram a mentira. Disse textualmente: "Nossa irmã servia-se de nós nas suas exibições, e nós ganhávamos dinheiro para ela..." (N. Y. Herald, de 24 de dezembro de 1888).
Pouco depois, a 9 de outubro, sua irmã Catarina chagava da Europa e fazia idênticas declarações ao New York, diante de uma multidão de pessoas, entre as quais numerosos espíritas.
Dizem os espíritas que dois meses depois houve uma contra-retratação. Mas, a portas fechadas, perante espíritas, e nenhuma prova. Eles dizem e é só...
Devemos notar que a retratação foi pública, solene e livre, com todas as características da sinceridade. E da contra-retratação nada consta de claro.
Catarina morreu em 1893, vítima de excesso de álcool Margarida fez-se católica (eram antes de família protestante).
Estava desfeita a trapaça. Acontece, porém, que em França, Léon Hippolyte Denizart Rivail  (Allan-Kardec), havia-se feito codificador e doutrinador do espiritismo. Foi ele propriamente o Fundador do Espiritismo como Religião.
Uma ideia em marcha, por muito absurda e ilusória que seja, não volta mais atrás e encontrará sempre adeptos. Como diz a Bíblia: "É infinito o número dos estultos" (Eclesiástico I, 15).