sábado, 17 de novembro de 2018

SOBRE QUESTÕES POLÍTICAS, ECONÔMICAS, SOCIAIS (3)



INTRODUÇÃO: Caríssimos, transmitirei, se Deus quiser, em algumas postagens,  as 11 proposições (de 70-80) falsas ou ao menos perigosas acompanhadas de imediato das proposições certas respectivas e das explanações. São excertos da Carta Pastoral Sobre Problemas do Apostolado Moderno, que contém um catecismo de verdades oportunas que se opõem a erros contemporâneos. As 11 proposições fazem parte do VIII capítulo deste catecismo. Esta carta pastoral foi escrita em 06/01/ 1953 por D. Antônio de Castro Mayer, então bispo da Diocese de Campos, RJ, hoje de saudosa e santa memória. "Defunctus adhuc loquitur". Embora escritas na metade do século passado, são inteiramente oportunas essas considerações, porque o comunismo e o socialismo, embora por vezes se procurem  mascarar, porém, são sempre os mesmos, pois intrinsecamente maus; enquanto, por outro lado, a doutrina autêntica da Santa Madre Igreja é perene e viva, porque é a VERDADE, isto é, a PALAVRA DE JESUS CRISTO que permanece para sempre.
Demos, pois, a palavra a D. Antônio de Castro Mayer:

77
[Proposição falsa]: A questão social é uma questão de mera justiça no campo econômico. Para resolvê-la não se deve apelar para a caridade.

[Proposição certa]: A questão social é antes de tudo uma questão moral e religiosa (Leão XIII, Enc. "Graves de Communi"). Envolve questões de justiça e caridade, e nunca será resolvida pela prática dos meros deveres de justiça.

EXPLANAÇÃO
A sentença impugnada seria coerente com o materialismo histórico, pois não toma em qualquer consideração, na questão social, a existência da alma humana, mas somente o corpo e suas necessidades. De fato, a Igreja ensina que a questão social é preponderantemente moral, e como todas as questões morais são religiosas, é essencialmente religiosa. Leão XIII, na "Rerum Novarum", ensina que a questão social só tem solução possível admitindo-se dois princípios: 1 - A desigualdade social; 2 - A necessidade da união das classes sociais. Desenvolvendo este segundo princípio, dá os meios a serem aplicados para se conseguir esta união, e são: a)  -  Justiça, b)  - A amizade que leva os ricos a atender não somente aos deveres de estrita justiça, mas também a serem generosos com o supérfluo. Acrescenta que este dever da esmola é obrigação moral verdadeira, e a Providência assim dispôs para fomentar a união entre as classes. Foi esse o desígnio da Providência quando a uns deu mais do que a outros, quer em talentos, quer em riquezas: para que uns servissem aos outros, distribuindo do seu supérfluo, e assim todos vivessem unidos e amigos. c)  - Em terceiro lugar o sentimento de caridade cristã penetrando também nas outras relações entre as classes, impregna a vida social daquela ordenada suavidade que é a perfeição do convívio humano.  - Está longe, pois, Leão XIII de restringir a questão social aos estreitos e mesquinhos limites da "do ut facias". Ele encara a questão de modo humano, considerando que Deus Nosso Senhor fez todas as criaturas para um mesmo fim último, a ser conseguido mediante o multiforme auxílio que se prestam uns aos outros aqui na terra.
Na "Graves de Communi", escrita dez anos mais tarde, em 1901, Leão XIII declara categoricamente que a questão social não se resolve só com aumento de salário e diminuição de horas de trabalho, e medidas dessa natureza. A paz social é fruto da virtude, que só a Religião pode incutir solidamente.
A mesma doutrina é ensinada por Pio XI na "Quadragesimo Anno", que aponta a causa dos males sociais no desenvolvimento da economia realizado à margem dos princípios morais ou mesmo contra eles.
78
[Proposição falsa]: A Igreja errou quando no passado aprovou os regimes monárquico e aristocrático que favorecem as desigualdades e o orgulho de classe e são portanto incompatíveis com o espírito evangélico.

[Proposição certa]: Em si, a Igreja considera igualmente compatíveis com seus princípios, e, pois, com o espírito evangélico, os três regimes, monárquico, aristocrático e democrático. São Tomás de Aquino ensina que, em princípio, o melhor regime é o monárquico, mas que, dadas as contingências humanas, o melhor sistema de governo deve conter elementos de cada um desses três regimes (Suma Teológica, 1ª 2ª. q. CV, a. 1, c. et ad 1).

EXPLANAÇÃO
A sentença impugnada foi condenada pelo Beato Papa [São] Pio X, na Carta Apostólica "Notre Charge Apostolique" contra "Le Sillon", organismo de propaganda modernista chefiado por Marc Sangnier. Nesse documento declara o Santo Padre que a civilização cristã, segundo Leão XIII, é possível em qualquer das três formas de governo.
Ademais, a sentença impugnada procede do pressuposto falso de que a igualdade plena entre os homens foi ensinada por Jesus Cristo. Todos os documentos pontifícios a respeito de questões sociais estabelecem como base intencionada pela Providência, a desigualdade de classes. Assim, por exemplo, a "Rerum Novarum", a "Quadragesimo Anno", a alocução do Santo Padre por ocasião do Natal de 1944, etc.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

SOBRE QUESTÕES POLÍTICAS, ECONÔMICAS, SOCIAIS (2)



INTRODUÇÃO: Caríssimos, transmitirei, se Deus quiser, em algumas postagens,  as 11 proposições (de 70-80) falsas ou ao menos perigosas acompanhadas de imediato das proposições certas respectivas e das explanações. São excertos da Carta Pastoral Sobre Problemas do Apostolado Moderno, que contém um catecismo de verdades oportunas que se opõem a erros contemporâneos. As 11 proposições fazem parte do VIII capítulo deste catecismo. Esta carta pastoral foi escrita em 06/01/ 1953 por D. Antônio de Castro Mayer, então bispo da Diocese de Campos, RJ, hoje de saudosa e santa memória. "Defunctus adhuc loquitur". Embora escritas na metade do século passado, são inteiramente oportunas essas considerações, porque o comunismo e o socialismo, embora por vezes se procurem  mascarar, porém, são sempre os mesmos, pois intrinsecamente maus; enquanto, por outro lado, a doutrina autêntica da Santa Madre Igreja é perene e viva, porque é a VERDADE, isto é, a PALAVRA DE JESUS CRISTO que permanece para sempre.

A proposição falsa ou ao menos errônea será escrita em itálico;  a proposição certa, em negrito.



Demos, pois, a palavra a D. Antônio de Castro Mayer:


74
  • ·         [Errado]: O único título de propriedade no sentido estrito é o trabalho, de maneira que o homem só é proprietário do que pessoalmente produz. As riquezas naturais que possui não lhe pertencem de modo absoluto; delas é apenas o administrador, e as possui na medida em que as administra.


  •     [Certo]: Ensina Leão XIII que o título originário da propriedade não é o trabalho, mas a ocupação (=tomar posse de bens de raiz legitimamente adquiridos). De maneira que o homem é proprietário não só do fruto de seu trabalho, mas também das riquezas naturais, isto é, não só do fruto da terra, como também da própria terra. Esta última poderá ele explorá-la por si ou por outros.

EXPLANAÇÃO
A sentença impugnada confunde-se com o chamado "socialismo agrário", que nega a propriedade sobre a terra, condenado pelos sociólogos católicos, estribados na argumentação com que Leão XIII, na "Rerum Novarum", justifica a propriedade privada. E de fato, nessa Encíclica, mostra o Papa que o homem tem direito também aos bens de raiz, legitimamente adquiridos. Veja-se a doutrina da "Quadragesimo Anno", que reproduzimos em explanação à proposição 71. Na mesma Encíclica, Pio XI diretamente rejeita a opinião daqueles que vêem no trabalho o único título de propriedade.

75
  • ·         [Errado]: De si a terra é insuscetível de apropriação individual, pois pertence à coletividade. Assim, as pessoas que vivem da terra devem pagar à coletividade as vantagens que tiram da utilização exclusiva dela. Este pagamento, o Estado pode percebê-lo por meio de um sistema tributário que faça recair sobre a terra todos os impostos. E como a terra é a fonte natural de todos os bens, tal tributação deve bastar para atender a todas as necessidades do Estado.


  •    [Certo]: A terra, como quaisquer outros bens móveis ou imóveis, é susceptível de apropriação individual. Assim, o proprietário da terra não deve ao Estado qualquer pagamento pela utilização exclusiva dela. Os impostos devem recair sobre os proprietários tanto quanto sobre quaisquer outras pessoas, de acordo com a justiça distributiva. A terra não é a única fonte dos bens econômicos. Uma tributação que recaísse exclusivamente sobre a terra subverteria a economia privada e seria insuficiente para atender aos gastos normais do Estado.

EXPLANAÇÃO
A sentença impugnada é uma das teses clássicas da socialismo agrário de Henri George. A Igreja está longe de se associar a esta fobia da propriedade fundiária. Nesta propriedade vê, muito pelo contrário, um apoio precioso para a estabilidade das famílias, das classes sociais, das associações pias e de caridade, como também dos institutos eclesiásticos.

76
  • ·         [Errado]: Os grandes latifúndios são intrinsecamente maus, porque contrários à doutrina cristã que só justifica a pequena propriedade, mais conforme com a igualdade que deve reinar entre os homens.


  •        [Certo]: É desejável que a propriedade se difunda o mais possível entre os homens, como apanágio natural da personalidade. A prosperidade social, não obstante, comporta e por vezes exige que ao lado da pequena propriedade existam as médias e as grandes. A igualdade entre os homens deve entender-se não no sentido nivelador, mas no sentido proporcional: os direitos e as responsabilidades são correspondentes à situação que a pessoa tem na sociedade.


EXPLANAÇÃO
Como a propriedade tem também uma função social, há limites necessários para a grande propriedade: quando ela favorece a improdutividade das riquezas em detrimento do bem comum; quando ela concentra tanto as riquezas nas mãos de poucos, que reduza os outros à miséria, indigência, ou servidão, ou impossibilite notável parte dos homens de se tornarem proprietários (cf. explanação à proposição 71).
Sobre a legitimidade dos grandes latifúndios, pronunciou-s o Santo Padre (Pio XII) na alocução de 2 de julho de 1951, feita aos participantes da o Congresso reunido em Roma para o melhoramento da condição de vida do operário agrícola (A.A.S. 43, p. 554). Disse o Papa, depois de falar sobre a conveniência da pequena propriedade rural: "Disso não resulta que se negue a utilidade, muitas vezes a necessidade, de empresas agrárias mais vastas".

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

SOBRE QUESTÕES POLÍTICAS, ECONÔMICAS, SOCIAIS (1)


INTRODUÇÃO: Caríssimos, transmitirei, se Deus quiser, em algumas postagens,  as 11 proposições (de 70-80) falsas ou ao menos perigosas acompanhadas de imediato das proposições certas respectivas e das explanações. São excertos da Carta Pastoral Sobre Problemas do Apostolado Moderno, que contém um catecismo de verdades oportunas que se opõem a erros contemporâneos. As 11 proposições fazem parte do VIII capítulo deste catecismo. Esta carta pastoral foi escrita em 06/01/ 1953 por D. Antônio de Castro Mayer, então bispo da Diocese de Campos, RJ, hoje de saudosa e santa memória. "Defunctus adhuc loquitur". Embora escritas na metade do século passado, são inteiramente oportunas essas considerações, porque o comunismo e o socialismo, embora por vezes se procurem  mascarar, porém, são sempre os mesmos, pois intrinsecamente maus; enquanto, por outro lado, a doutrina autêntica da Santa Madre Igreja é perene e viva, porque é a VERDADE, isto é, a PALAVRA DE JESUS CRISTO que permanece para sempre.

A proposição falsa ou ao menos errônea será escrita em itálico;  a proposição certa, em negrito.



Demos, pois, a palavra a D. Antônio de Castro Mayer:



72
  • [Errado]:  O regime do salariado é contrário à dignidade do homem, e intrinsecamente injusto. A condição de trabalhador traz naturalmente consigo um direito à participação na propriedade da empresa, na sua direção e nos seus lucros.


  •  [Certo]:  O regime do salariado é inteiramente consentâneo como a dignidade do homem e do cristão. O contrato de trabalho não traz como consequência necessária a participação do trabalhador na propriedade, na direção ou nos lucros da empresa.



EXPLANAÇÃO
Leão XIII, o Beato [São] Pio X, Pio XI (cf. "Quadragesimo anno", A.S.S. 23, p. 199) e Pio XII ensinam que o regime do salariado em si é justo, e conforme à dignidade humana. A economia malsã do século XIX e do século XX tirou ao regime da salariado o seu verdadeiro caráter. Segundo a doutrina da Igreja, as relações entre patrões e operários revestem-se de um caráter familiar. Os empregados eram, outrora, considerados membros integrantes da sociedade doméstica, que se compunha das sociedades conjugal, familiar e heril. A palavra "patrão", proveniente de "pater", pai, e a palavra "criado", derivada da noção de que os fâmulos eram formados e educados na própria casa, lembram bem este caráter. É o bastante para mostrar que nada há de deprimente na condição de empregado assalariado. Mesmo na atmosfera industrial e comercial, o caráter familiar dessas relações deve persistir. A Igreja quer que os patrões e operários sejam entre si, na medida do possível, como membros de uma mesma família, pais e filhos que colaboram para o bem-estar comum.

Do ponto de vista da justiça, o salário é um sistema de remuneração satisfatória, desde que realize as condições estabelecidas por Pio XI: suficiente para manter honesta e dignamente o operário e sua família. Na honesta e condigna manutenção inclui-se a folga necessária para que o operário previdente possa formar pecúlio, e melhorar a situação própria e da família, de maneira que também participe do aumento de bem-estar que o progresso da técnica e da produção traz à sociedade (cf. "Quadragesimo anno"): "As riquezas que se ampliam com desenvolvimento econômico-social, devem ser distribuídas entre as pessoas e as classes de maneira que se salve o que Leão XIII chamava de utilidade comum a todos, ou, em outras palavras, de maneira que permaneça incólume o bem comum de toda a sociedade" (A.A.S. 23, p. 196).

A participação do operário nos lucros da empresa é apresentada por Pio XI e Pio XII como recomendável, nunca, porém, como obrigatória (cf. Alocução ao Katholikentag, acima citada). Em certos casos, pode produzir bons frutos. Mas não é uma panaceia a ser aplicada sempre. E sobretudo não pode ser imposta por lei a todo um país. O mesmo se deve dizer da participação do operário na propriedade da empresa, ou na direção desta. Quanto a este último ponto, o sentido em que a doutrina católica admite esta participação é tal, que retém nas mãos do proprietário de empresa o poder de decisão e a responsabilidade de todo o andamento da fábrica ou estabelecimento de comércio (cf. Pio XII, Alocução ao 9º Congresso da União Internacional das Associações Patronais Católicas, A.A.S. 41, p. 285).

A sentença impugnada, levada a suas últimas consequências normais, representaria abolição da desigualdade de classes, termo último sonhado por todos os revolucionários.



73
  • [Errado]:      Segundo Santo Agostinho, o único proprietário das riquezas é Deus. O homem não passa de gerente. As riquezas pertencem, pois, à coletividade e o proprietário não possa de mero administrador delas par o bem comum.

  • [Certo]::  Segundo Santo Agostinho, o supremo proprietário das riquezas é Deus. Daí decorre que o proprietário deve fazer uso de seus bens segundo a vontade soberana de Deus. Deus, porém, não se identifica com a coletividade. Se o domínio de Deus sobre todas as riquezas é absoluto, o domínio da coletividade não o é. Transferir os direitos de Deus para a coletividade equivale a divinizar o Estado e imolar o indivíduo.


EXPLANAÇÃO
A sentença impugnada é estatólatra. E por isso chega a conclusões que só numa concepção estatólatra seriam admissíveis. De fato, o regime de propriedade individual procede da ideia de que o Estado não é um deus, nem um fim em si, mas apenas um meio. Pelo que a posição de proprietário consiste no exercício de um direito pessoal e próprio, e não no exercício de um direito delegado pelo Estado. E por isso é que dizemos que o proprietário de nenhum modo pode ser confundido com um mero gerente.

O que caracteriza o gerente, com efeito, é o exercício de direitos que não lhe são próprios, mas que lhe foram delegados. E este é o motivo porque a distinção entre proprietário e gerente é corrente em todas as legislações de países não comunistas (cf "Quadragesimo Anno", A.A.S. 23, p. 196).

NOVENA PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO - NONO DIA - SEGUNDA-FEIRA

ATOS PREPARATÓRIOS

ORAÇÃO:  -  Santa Margarida Maria, a quem Nosso Senhor escolheu para estabelecer e propagar por toda parte, como uma fonte inesgotável de graças, a devoção a seu divino Coração; vós que tendes ouvido as almas do Purgatório pedir-vos este remédio novo, tão salutar em seus sofrimentos, e que tendes libertado por este meio uma multidão dessas pobres prisioneiras, obtende-nos a graça de executar santamente essa piedosa prática dum passeiozinho pelo Purgatório, em companhia do Sagrado Coração de Jesus e da novena pelas almas.

União de intenções com os fiéis que realizam diariamente, esta santo exercício, na Igreja titular da Obra, situada em Lungotévere Prati. Roma.

Consagração do dia:  -  Ó divino Coração de Jesus, ao fazer em vossa companhia este passeiozinho  pelo Purgatório, nós vos consagramos tudo o que fizemos e esperamos fazer de bem, com o socorro de vossa graça, durante este dia, e vos pedimos apliqueis os vossos méritos em favor dessas almas sofredoras. E vós, santas almas do Purgatório, empregai ao mesmo tempo todo o vosso poder no sentido de nos obterdes a graça de viver e de morrer no amor e na fidelidade ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, correspondendo, sem resistência, a seus desejos sobre nós. Amém.

Oferecimento:  -  Pai Eterno, nós vos oferecemos o sangue, a paixão e a morte de Jesus Cristo, as dores da Santíssima Virgem e as de São José, pela remissão de nossos pecados, pela libertação das almas do Purgatório e pela conversão dos pecadores.

Invocação:  -  Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus!
Ó Maria, Mãe de Deus e Mãe de misericórdia, rogai por nós e pelos mortos!
São José, modelo e padroeiro dos amigos do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós!

Prelúdio:  -  Desçamos um instante pelo pensamento, com o amor do Coração de Jesus e a abundância de suas graças, à chamas devoradoras do Purgatório!
1. -  Quantas vêm nesse momento iniciar aí o seu doloroso cativeiro!
Como elas são felizes! Livraram-se do inferno para sempre... estão certas de que chegarão à suprema felicidade... são as amigas de Deus... estão salvas!
Como elas estão tristes! Acham-se cobertas de mil imperfeições... de muitas penas temporais devidas ainda aos restos dos pecados perdoados... exiladas por um certo tempo de sua celeste pátria... condenadas ao fogo expiatório!
2.  -  Que santa legião quase inteiramente purificada se apresta hoje mesmo para voar ao céu! Felicitemo-las, demos a elas o derradeiro sufrágio que apressará em alguns instantes a sua festiva partida, digamos a elas que se lembrem de nós no reino eterno.
3.  -  Que multidão se encontra aí encerrada já há tanto tempo, e que aí permanecerá ainda por longo prazo!
Há aí almas de seculares, de religiosos, de sacerdotes, almas que nos são caras.
Contemplemo-las, ouçamos seus gemidos, dirijamos a elas uma palavra de amizade e de compaixão, prestemos-lhes assistência!

NONO DIA  - SEGUNDA-FEIRA

COLÓQUIO:  -  De que te arrependes, santa alma do Purgatório, de ter feito na terra que deixaste?

Arrependo-me da vida materialista que levei. Quando ainda estava na terra, vivia esquecido do meu último fim. Criado para servir a Deus, e assim ganhar a felicidade do Céu, procurava demasiadamente a bem estar do corpo, os divertimentos, as comodidades. Ouvia os avisos e os ensinamentos dos sacerdotes, mas não lhes dava importância, e continuava numa vida de tédio espiritual. E ainda que evitasse o pecado mortal, não procurava Deus, meu sumo Bem; não enriquecia-me com as graças divinas pela freqüência dos Sacramentos; não me alimentava constantemente com o Pão dos Anjos na santa Comunhão. A minha vida foi uma vida mundana, em que a vida da graça definhava cada vez mais. Hoje vejo, como foi vã esta vida.
Tu, que ainda estás na terra, aprende de mim! Dirige tua vida conscientemente ao fim para que foste criada! Procura a glória de Deus, também quando custa sacrifícios. Domina os desejos do corpo, para que tua alma não venha a sofrer no Purgatório.

Resolução:  -  Socorrer hoje, por todos os meios ao nosso alcance, as almas do Purgatório, especialmente as que vieram de nossa própria Pátria; temos obrigações especiais para com elas.

Sufrágio:  -  Uma visita ao Santíssimo Sacramento pelas almas.

Intenção articular:  -  Lembrai-vos, Senhor, dos servos e das servas que fora em nossa frente com o sinal de fé e dormem o sono da paz (Cânon da Missa).

Motivo:  -  Viveram na mesma terra, trabalharam para seu progresso material e espiritual. Somos por isso seus devedores.

Oração:  -  Ó Deus, que perdoais os pecados e que amais a salvação das almas; invocamos a vossa clemência, para que façais chegar à participação da eterna felicidade as almas de nossos irmãos, parentes e benfeitores, pela intercessão de Maria sempre Virgem e de todos os Santos. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Salmo 129.

SALMO 129:  Das profundezas do abismo, eu bradei para Vós, Senhor: Senhor, ouví minha voz!
Que vossos ouvidos sejam atentos à voz de minha oração.
Si tomardes em consideração as nossas iniquidades, Senhor: Senhor, quem poderá subsistir diante de Vós?
Mas vós sois rico de misericórdia; e eu espero em Vós, Senhor, por causa de vossa lei.
Minha alma apoiou-se em vossa palavra, minha alma pôs toda sua confiança no Senhor.
Desde a manhã até à noite, Israel espera no Senhor.
Porque no Senhor existe a misericórdia e uma abundante redenção.
É Ele quem resgatará Israel de todas as suas iniquidades.

Versículo:
Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!
E a luz perpétua as ilumine.
Descansem em paz, Amém.


Oração jaculatória:  -  Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!

domingo, 11 de novembro de 2018

SOBRE QUESTÕES POLÍTICAS, ECONÔMICAS, SOCIAIS

INTRODUÇÃO: Caríssimos, transmitirei, se Deus quiser, em algumas postagens,  as 11 proposições (de 70-80) falsas ou ao menos perigosas acompanhadas de imediato das proposições certas respectivas e das explanações. São excertos da Carta Pastoral Sobre Problemas do Apostolado Moderno, que contém um catecismo de verdades oportunas que se opõem a erros contemporâneos. As 11 proposições fazem parte do VIII capítulo deste catecismo. Esta carta pastoral foi escrita em 06/01/ 1953 por D. Antônio de Castro Mayer, então bispo da Diocese de Campos, RJ, hoje de saudosa e santa memória. "Defunctus adhuc loquitur". Embora escritas na metade do século passado, são inteiramente oportunas essas considerações, porque o comunismo e o socialismo, embora por vezes se procurem  mascarar, porém, são sempre os mesmos, pois intrinsecamente maus; enquanto, por outro lado, a doutrina autêntica da Santa Madre Igreja é perene e viva, porque é a VERDADE, isto é, a PALAVRA DE JESUS CRISTO que permanece para sempre. 


Demos, pois, a palavra a D. Antônio de Castro Mayer:


70
[Proposição falsa]:      Jesus Cristo pregou a pobreza e a humildade, a preferência pelos fracos e pequenos. Uma sociedade imbuída deste espírito deve eliminar as desigualdades de fortuna e de condição social. As reformas políticas e sociais decorrentes da Revolução Francesa foram conscientemente ou não, de inspiração evangélica, concorrendo para realizar uma sociedade verdadeiramente cristã.


[Proposição certa]: Jesus Cristo pregou o espírito de pobreza e humildade, a preferência pelos fracos e pequenos. Por pobreza, a Igreja entende o desapego dos bens da terra, ou seja, um tal emprego dos mesmos, que sirvam para a salvação da alma e não para sua perdição. Assim, nunca ensinou que ser rico é intrinsecamente mau; mas que tão somente é mau fazer uso desordenado da riqueza. Por humildade a Igreja entende o fato de o fiel reconhecer que nada tem de si e tudo recebeu de Deus, e de se situar no lugar que lhe compete. A existência das classes sociais é, pois, condição para a prática da virtude e da humildade. Quanto à preferência pelos fracos e pelos pequenos, seria impossível numa sociedade em que todos fossem iguais. A Revolução Francesa, na medida em que tendeu para a completa igualdade política, social e econômica, na sociedade ideal sonhada pelos seus fautores, foi um movimento satânico, inspirado pelo orgulho.

EXPLANAÇÃO
Por certo, as desigualdades quer no domínio político, quer no social ou econômico têm por vezes sido iníquas, e isto por dois motivos principais: ou porque essas desigualdades eram ilegítimas, e mero fruto da opressão; ou porque se acentuavam tanto que negavam a dignidade natural do homem, ou os meios para viver sadia e honestamente. Um exemplo frisante de desigualdade exagerada é a sorte duríssima e imerecida a que, no século XIX, foram lançados os operários em consequência da revolução industrial (Pio XI, "Quadragesimo anno", A.A.S. 23, p. 195, 197/8). Ao contrário do que se tem dito, a Igreja tem cumprido seu dever de lutar contra essa situação. Mas, em tal luta, seu objetivo é uma sociedade hierárquica dentro dos limites da ordem natural. Nunca a abolição de todas as desigualdades legítimas, sonhada pelos revolucionários e na qual se empenham a ação da Maçonaria e outros fatores (cf. Pio XII, Alocução do Natal de 1944, A.A.S. 37, p. 14).


71
·  [Proposição falsa]:       A Igreja deve fazer causa comum com o operariado na luta contra o regime capitalista.

[Proposição certa]:   
A Igreja intervém nas questões sociais para proteger a lei natural. Seu objetivo não é favorecer uma classe contra outra, mas fazer reinar nas relações entre as classes a doutrina de Jesus Cristo. Apóia as justas aspirações dos operários como os direitos autênticos dos patrões. O regime capitalista, enquanto toma como base a propriedade privada, em si é legítimo. A Igreja combate seus abusos, mas não apóia sua destruição.


EXPLANAÇÃO
Generaliza-se entre católicos a ideia de que a Igreja é como que um partido trabalhista, cuja finalidade fosse a defesa de uma só classe. Pelo contrário, ela paira acima das classes como acima dos partidos. Ainda quando defende as justas reivindicações dos operários, jamais desconhece a Igreja os direitos dos patrões. E no momento atual, em sua alocução ao Katholikentag de Viena (14 de setembro de 1952, cf. "Catolicismo" nº 24, dezembro de 1952). deixou o Santo Padre bem claro que a questão operária, candente ainda na primeira metade deste século [XX], já está superada por outra mais grave, que é a luta de classes, insuflada pelo socialismo. É preciso, agora mais do que nunca, mostrar a Igreja como protetora da todos, operários e patrões, e não como advogada sistemática de uns contra outros.

Quanto ao capitalismo, cumpre dissipar a confusão que se estabeleceu a seu respeito na linguagem corrente. O regime capitalista em si mesmo, isto é, enquanto sistema baseado na propriedade privada e na livre iniciativa, e comportando lucros na medida em que os permita a moral, é legítimo e não pode ser confundido com os abusos a que concretamente foi sujeito em não poucos lugares.

Cumpre pois distinguir a legítima defesa de organizações operárias sadias contra os abusos do capitalismo, da luta das organizações revolucionárias que proclamariam a ilegitimidade do regime capitalista em si mesmo.  Quem se associe à ação destas últimas colabora com o comunismo e incorre na censura contida na Carta da Sagrada Congregação dos Seminários ao Episcopado Brasileiro: "Para alguns, nem são suficientes, no campo social, as diretivas tão humanas, tão sabiamente favoráveis às classes trabalhadoras que a Santa Sé, principalmente desde Leão XIII até Pio XII, tem promulgado, mas procurar-se-á avançar sempre mais para a esquerda, até nutrir uma verdadeira simpatia para com o comunismo bolchevista, destruidor da Religião e de todo o verdadeiro bem da pessoa humana" (A.A.S. 42, p. 841).  

NOVENA PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO - OITAVO DIA


  
ATOS PREPARATÓRIOS

ORAÇÃO:  -  Santa Margarida Maria, a quem Nosso Senhor escolheu para estabelecer e propagar por toda parte, como uma fonte inesgotável de graças, a devoção a seu divino Coração; vós que tendes ouvido as almas do Purgatório pedir-vos este remédio novo, tão salutar em seus sofrimentos, e que tendes libertado por este meio uma multidão dessas pobres prisioneiras, obtende-nos a graça de executar santamente essa piedosa prática dum passeiozinho pelo Purgatório, em companhia do Sagrado Coração de Jesus e da novena pelas almas.

União de intenções com os fiéis que realizam diariamente, esta santo exercício, na Igreja titular da Obra, situada em Lungotévere Prati. Roma.

Consagração do dia:  -  Ó divino Coração de Jesus, ao fazer em vossa companhia este passeiozinho  pelo Purgatório, nós vos consagramos tudo o que fizemos e esperamos fazer de bem, com o socorro de vossa graça, durante este dia, e vos pedimos apliqueis os vossos méritos em favor dessas almas sofredoras. E vós, santas almas do Purgatório, empregai ao mesmo tempo todo o vosso poder no sentido de nos obterdes a graça de viver e de morrer no amor e na fidelidade ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, correspondendo, sem resistência, a seus desejos sobre nós. Amém.

Oferecimento:  -  Pai Eterno, nós vos oferecemos o sangue, a paixão e a morte de Jesus Cristo, as dores da Santíssima Virgem e as de São José, pela remissão de nossos pecados, pela libertação das almas do Purgatório e pela conversão dos pecadores.

Invocação:  -  Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus!
Ó Maria, Mãe de Deus e Mãe de misericórdia, rogai por nós e pelos mortos!
São José, modelo e padroeiro dos amigos do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós!

Prelúdio:  -  Desçamos um instante pelo pensamento, com o amor do Coração de Jesus e a abundância de suas graças, à chamas devoradoras do Purgatório!
1. -  Quantas vêm nesse momento iniciar aí o seu doloroso cativeiro!
Como elas são felizes! Livraram-se do inferno para sempre... estão certas de que chegarão à suprema felicidade... são as amigas de Deus... estão salvas!
Como elas estão tristes! Acham-se cobertas de mil imperfeições... de muitas penas temporais devidas ainda aos restos dos pecados perdoados... exiladas por um certo tempo de sua celeste pátria... condenadas ao fogo expiatório!
2.  -  Que santa legião quase inteiramente purificada se apresta hoje mesmo para voar ao céu! Felicitemo-las, demos a elas o derradeiro sufrágio que apressará em alguns instantes a sua festiva partida, digamos a elas que se lembrem de nós no reino eterno.
3.  -  Que multidão se encontra aí encerrada já há tanto tempo, e que aí permanecerá ainda por longo prazo!
Há aí almas de seculares, de religiosos, de sacerdotes, almas que nos são caras.
Contemplemo-las, ouçamos seus gemidos, dirijamos a elas uma palavra de amizade e de compaixão, prestemos-lhes assistência!

OITAVO DIA  - DOMINGO

COLÓQUIO:  -  De que te arrependes, santa alma do Purgatório, de ter feito na terra que deixaste?

Arrependo-me dos pecados de omissão, especialmente de não ter assistido bem à santa Missa.
Não apreciava bem o valor da santa Missa, renovação do santo sacrifício de Jesus no calvário.
Como é importante assistir bem e frequentemente à santa Missa. Morreu Jesus para salvar as almas, e cotidianamente renova esta morte de modo incruento no santo Sacrifício da Missa. E eu não a estivava bastante. Não ia buscar aos pés do altar remissão dos meus pecados pelo preciosíssimo Sangue de Jesus. Não ia buscar as forças necessárias para resistir às tentações; não vivia em constante união com Deus dos nossos altares. Por isso estou agora aqui e sofro. Sofro com paciência, e merecidamente; mas podia ter sido de outra maneira. O santo Sacrifício da Missa é de um valor infinito, e eu podia ter aproveitado. Se o tivesse feito, agora já estaria no céu, perto de Jesus.
Se na terra tivesse recorrido mais às graças que emanam do Sagrado Coração de Jesus na hora da Santa Missa! ... quão grande seria agora a minha santidade! Que tesouro de graças teria tido na minha alma na hora da morte! Como estaria agora perto do trono de Deus! Se pudesse voltar! ... Mas pelo menos tu, alma devota, que ainda vives na terra, tu podes assistir frequentemente à Missa, enriquecer-te com as graças divinas, aplicá-las também a nós, pobres almas do Purgatório.

PIEDOSAS PRÁTICAS

Resolução:  -  Participar mais frequentemente e intensamente da santa Missa, recebendo a santa Comunhão, também pelas almas do Purgatório.

Ramalhete espiritual  -  Quem comer a minha Carne e beber o meu Sangue, terá a vida eterna, e eu o ressuscitarei no derradeiro dia (Jo, VI).

Sufrágio:  -  Assistir também à santa Missa em dias de semana, quando puder.

Intenção particular:  -  Rezar pelas almas mais abandonadas.

Motivo:  -  As almas do Purgatório nada podem fazer para si mesmas. O tempo de merecimentos próprios passou para elas. Devemos ajudar principalmente aquelas almas, das quais ninguém se lembra.

Oração:  -  Deus onipotente, que todos os dias no Santo Sacrifício da Missa vos ofereceis ao Pai celestial para expiação dos nossos pecados, lançai um olhar benigno sobre as almas do Purgatório, especialmente as mais abandonadas, e dizei-lhes a mesma palavra que dissestes ao bom ladrão: hoje estareis como no paraíso.

 Pai-Nosso, Ave-Maria, Salmo 129.

SALMO 129: : Das profundezas do abismo, eu bradei para Vós, Senhor: Senhor, ouví minha voz!
Que vossos ouvidos sejam atentos à voz de minha oração.
Si tomardes em consideração as nossas iniquidades, Senhor: Senhor, quem poderá subsistir diante de Vós?
Mas vós sois rico de misericórdia; e eu espero em Vós, Senhor, por causa de vossa lei.
Minha alma apoiou-se em vossa palavra, minha alma pôs toda sua confiança no Senhor.
Desde a manhã até à noite, Israel espera no Senhor.
Porque no Senhor existe a misericórdia e uma abundante redenção.
É Ele quem resgatará Israel de todas as suas iniquidades.
Versículo:
Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!
E a luz perpétua as ilumine.
Descansem em paz, Amém.

Jaculatória: Pela repetição incruenta de vosso Sacrifício da cruz, livrai as almas mais abandonadas, meu Jesus!

sábado, 10 de novembro de 2018

PRIMEIRO MANDAMENTO



Eu sou o Senhor teu Deus

(Excertos do capítulo VI do livro "OS DEZ MANDAMENTOS", de autoria de Mons. Tihamer Tóth)

(...) Deste fato fundamental: "pertenço absolutamente a Deus" fluem naturalmente dois deveres: 1 - Amar a Deus; 2 - Viver em Deus.
1 - Amar a Deus. - Amamos a Deus... Facilmente pronunciamos estas palavras; mas cuidado! Que não sejam mentirosas nos nossos lábios.
A nossa alma espiritual está encerrada na prisão do nosso corpo material. De aí o querermos sentir totalmente, isto é, tudo ver, ouvir, palpar; e o que escapa aos nossos sentidos fica-nos quando muito, apenas como conceito abstrato, obscuro, nebuloso, dentro da alma.
Por isso, lanço este brado de alerta. Não vemos a Deus, não o ouvimos, não o tocamos... e, não obstante, temos de o amar sobre todas as coisas. Como é possível? Quando poderei dizer que amo a Deus sobre todas as coisas? Talvez quando, ao pensar n'Ele, um calor sobrenatural, uma terna emoção, uma alegria mística produzem em mim a sensação de que Ele me inunda a alma? De modo algum. Nosso Senhor Jesus Cristo ensina claramente: "Nem todo o que diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos Céus; mas o que faz a vontade de meu Pai celestial, esse é que entrará no reino dos Céus" (S. Mat. VII, 21).
Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua inteligência e com todas as tuas forças, é o eixo fundamental de toda a ética cristã. Ma sabeis quem ama a Deus? Sabeis o que significa o meu coração, a minha alma, a minha inteligência, a minha força? Significa o homem total, significa a vida toda.
2 - Viver em Deus. E com isto chegamos ao segundo postulado: saturar toda a nossa vida de Deus, enchê-la do pensamento de Deus, que tudo vê e está em toda a parte. Estou com Deus... aos domingos e nos dias de trabalho. Estou com Deus... na fábrica e no estabelecimento, na oficina e na escola. Estou com Deus... no escritório, no templo, nos lugares de divertimento [honesto]. Estou com Deus... mesmo quando a noite silenciosa me cobre com o seu véu. Sabeis quem ama deveras a Deus? Aquele que, chamado por Deus a qualquer instante do dia, no meio de qualquer ocupação, está preparado. O que, chamado seja a que hora for, a receber a sagrada comunhão, pode ir imediatamente... sem ter que lavar, antes, a sua alma.
Somos de geração divina! Podemos dizê-lo afoitamente. Há em nós uma centelha divina, um raio de luz, um veio de Deus. E esta centelha tende a voltar à origem eterna de todo o fogo; esta lua anseia por unir-se à fonte inesgotável de toda a claridade; e este veio, este arroio dirige-se, sem que nada o descubra, para o oceano infinito de toda a vida. O grande conhecedor das profundezas do coração humano, SANTO AGOSTINHO, escreve nas suas "Confissões": "Criaste-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousa em Vós".
Sim, meu Deus. Vós sois o nosso Senhor. Vós sois o nosso Deus.
(...) Se eu quero ser filho obediente , fiel, do meu Pai celeste, então sei que tenho nos seus braços um apoio em que posso confiar inteiramente, ainda que se amontoem nuvens ameaçadoras por sobre a minha cabeça.
Sim; justamente porque alguns acreditam que a fé posta em Deus só dá juros que serão cobrados no outro mundo, quero eu acentuar agora que a fé posta em Deus possui uma força e uma influência incomparáveis também para a vida presente. (...)
"Eu sou o Senhor teu Deus". A coragem que o Senhor comunica se, no meio das ondas revoltas da tentação, ou no reino silencioso do sepulcro, nos diz: "Por que temeis, homens de pouca fé! Convosco está o Senhor!". Que significa, no meio da tentação: "O Senhor está comigo!"
Meus irmãos, vós, antigos mártires da fé cristã! Quando jazíeis às centenas, ensangüentados, na arena do coliseu romano, que é que vos dava força? O Senhor convosco.
Irmão, tu que num enorme prédio de cinco andares de uma cidade moderna, conservas a tua fidelidade inquebrantável ao nome de cristão, enquanto à tua volta, as ondas da idolatria e da impiedade, a adoração do bezerro de outro, a blasfêmia e a imoralidade subvertem todos os demais... Não vaciles... Persevera firma... O Senhor está contigo.
Irmão, tu que serves num bar, tu que ganhas o teu pão no mundo sarapintado do teatro, tu que mourejas entre as ondas da Sodoma e Gomorra... não vaciles: o Senhor está contigo.
Irmão, tu que és um aprendiz de dezesseis anos, quando, ao entrares na fábrica à segunda-feira de manhã, te encontras entre duzentos outros aprendizes... no meio dos rapazes que talvez não tivessem ouvida missa no dia anterior, que, possivelmente, levaram a noite na pândega, que todo o dia falam mal de Cristo, da tua religião e da tua vida virtuosa... Irmão, jovem aprendiz, não vaciles: O Senhor está contigo. (...)
Passemos a outro pensamento: "Que significa, no reino silencioso do túmulo": "O Senhor está conosco?"
Um dia encontrar-nos-emos, com o coração oprimido, junto da campa dos nossos queridos mortos e à medida que as folhas das árvores vão caindo... apodera-se das nossas almas a melancolia esmagadora da morte...
Não, não, irmãos! Corações ao alto! Sabeis o que significa possuir a Deus? Significa que a vida para mim continua ainda para além da sepultura. Tudo há de perecer à minha volta; tudo cai; tudo se desfaz em pó... há, porém, uma vida eterna. Se há Deus, tem de haver uma vida eterna!
Este pensamento comunica ao Cristianismo uma sublime dignidade. Se o suprimirmos, que lhe fica? Um formoso sistema de amor, de paz, de suavidade... falta-lhe, porém, o arcabouço que o sustenta. Sem o outro mundo, sem a preparação adequada para o mesmo, a Religião cristã seria apenas doença, água açucarada, poeira, decoração; mas não fonte séria de vigor moral para os transes em que a tentações assaltam.
E com isto fica explicado um fato interessante: Os filhos do mundo, os pecadores, se vivem alegres, morrem desesperados. Os cristãos, em compensação, se vivem com dificuldades, morrem em paz. E devem esse benefício ao pensamento do além. Ali onde não ajuda a ciência, nem a arte, nem o médico, nem a farmácia, nem o advogado, nem os parentes, nem os amigos...; ali, junto do leito de agonia; ali onde tesouro e pompa, beleza e poder, fama e honra abandonam o moribundo; ali não há outra coisa, não há outro pensamento que possa confortar, senão este: Há Deus!
Para aquele que considerou o Senhor como Deus, a morte não é fim, mas princípio; não motivo de ansiedade, mas porta pela qual há de passar. A seguir à pátria terrena, espera-o a Pátria Eterna; ao prefácio segue-se o livro; à morte na terra, o nascimento para uma vida melhor. (...)
O corpo ferido de morte é engolido pela sepultura, mas a alma espera a luz de Deus. Tê-la-á, se tiver vivido dignamente, segundo o primeiro Mandamento: "Eu sou o Senhor teu Deus". (...)
Temos que demonstrar, com a nossa conduta, que somos ao mesmo tempo homens modernos e católicos fiéis (...). O homem moderno também sabe inclinar humildemente a cabeça diante da lei, de eterna vigência, ditada pelo Altíssimo: "Eu sou o Senhor teu Deus".
AMÉM!

NOVENA PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO - SÉTIMO DIA


 ATOS PREPARATÓRIOS

ORAÇÃO:  -  Santa Margarida Maria, a quem Nosso Senhor escolheu para estabelecer e propagar por toda parte, como uma fonte inesgotável de graças, a devoção a seu divino Coração; vós que tendes ouvido as almas do Purgatório pedir-vos este remédio novo, tão salutar em seus sofrimentos, e que tendes libertado por este meio uma multidão dessas pobres prisioneiras, obtende-nos a graça de executar santamente essa piedosa prática dum passeiozinho pelo Purgatório, em companhia do Sagrado Coração de Jesus e da novena pelas almas.

União de intenções com os fiéis que realizam diariamente, esta santo exercício, na Igreja titular da Obra, situada em Lungotévere Prati. Roma.

Consagração do dia:  -  Ó divino Coração de Jesus, ao fazer em vossa companhia este passeiozinho  pelo Purgatório, nós vos consagramos tudo o que fizemos e esperamos fazer de bem, com o socorro de vossa graça, durante este dia, e vos pedimos apliqueis os vossos méritos em favor dessas almas sofredoras. E vós, santas almas do Purgatório, empregai ao mesmo tempo todo o vosso poder no sentido de nos obterdes a graça de viver e de morrer no amor e na fidelidade ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, correspondendo, sem resistência, a seus desejos sobre nós. Amém.

Oferecimento:  -  Pai Eterno, nós vos oferecemos o sangue, a paixão e a morte de Jesus Cristo, as dores da Santíssima Virgem e as de São José, pela remissão de nossos pecados, pela libertação das almas do Purgatório e pela conversão dos pecadores.

Invocação:  -  Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus!
Ó Maria, Mãe de Deus e Mãe de misericórdia, rogai por nós e pelos mortos!
São José, modelo e padroeiro dos amigos do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós!

Prelúdio:  -  Desçamos um instante pelo pensamento, com o amor do Coração de Jesus e a abundância de suas graças, à chamas devoradoras do Purgatório!
1. -  Quantas vêm nesse momento iniciar aí o seu doloroso cativeiro!
Como elas são felizes! Livraram-se do inferno para sempre... estão certas de que chegarão à suprema felicidade... são as amigas de Deus... estão salvas!
Como elas estão tristes! Acham-se cobertas de mil imperfeições... de muitas penas temporais devidas ainda aos restos dos pecados perdoados... exiladas por um certo tempo de sua celeste pátria... condenadas ao fogo expiatório!
2.  -  Que santa legião quase inteiramente purificada se apresta hoje mesmo para voar ao céu! Felicitemo-las, demos a elas o derradeiro sufrágio que apressará em alguns instantes a sua festiva partida, digamos a elas que se lembrem de nós no reino eterno.
3.  -  Que multidão se encontra aí encerrada já há tanto tempo, e que aí permanecerá ainda por longo prazo!
Há aí almas de seculares, de religiosos, de sacerdotes, almas que nos são caras.
Contemplemo-las, ouçamos seus gemidos, dirijamos a elas uma palavra de amizade e de compaixão, prestemos-lhes assistência!


SÉTIMO DIA  -  SÁBADO

COLÓQUIO:  -  De que te arrependes, santa alma do Purgatório, ter feito na terra que deixaste?

Arrependo-me da pouca caridade que tive na terra para com as almas do Purgatório.
Poderia ter-lhes sido tão útil durante minha vida! Orações, penitências, esmolas, boas obras, comunhões, santas Missas, devoção ao Sagrado Coração; de quantos meios eu dispunha para consolar estas pobres almas, retidas como prisioneiras nesta morada de fogo, de trevas e de sofrimentos!
Si eu tivesse utilizado bem desses meios, teria alcançado para mim graças poderosas para evitar o pecado e para voar diretamente ao Céu; teria ao menos merecido um Purgatório mais mitigado, mais rápido, e também teria uma parte maior no fruto das orações que de toda parte se oferecem por nós.
Ah! si eu pudesse voltar à terra, ninguém seria mais devotado do que eu às almas sofredoras! Quantas Missas faria celebrar por elas! Quantas orações encaminharia aos Céus em favor delas! ... Que esforços não faria para excitar em seu favor a compaixão de todos!
O que eu não fiz, quando podia, vós, almas cristãs, não deixeis de fazê-lo enquanto ainda tiverdes tempo.

PIEDOSAS PRÁTICAS

Resolução:  -  Socorrer hoje, no Purgatório, por todos os meios ao nosso alcance, as almas dos fiéis vindas da Austrália, e particularmente da Nova-Guiné, e recomendar-nos àquelas que, neste momento, sobem ao Céu.

Ramalhete espiritual  -  É justo que nós soframos neste mundo.

Sufrágio:  -  Propagai esta novena pelas almas, e elas ser-vos-ão reconhecidas.

Intenção particular:  -  Orar pelas almas mais devotas da Santíssima Virgem.

Motivo:  -  Dar a maior alegria a Maria Santíssima que, inclinando-se às orações por esta alma, obter-vos-á a graça de uma verdadeira devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

Oração para  o sábado  -  Ó Senhor, Deus onipotente, suplico-vos, pelo preciosíssimo Sangue que jorrou do lado de Jesus, vosso divino Filho, à vista de sua Mãe Santíssima, mergulhada numa extrema dor, liberteis as almas do Purgatório, e em particular aquela que foi mais devota dessa grande Rainha, afim de que ela seja admitida o quanto antes em vossa glória e possa louvar-vos por todos os séculos. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Salmo 129.

SALMO 129: : Das profundezas do abismo, eu bradei para Vós, Senhor: Senhor, ouví minha voz!
Que vossos ouvidos sejam atentos à voz de minha oração.
Si tomardes em consideração as nossas iniquidades, Senhor: Senhor, quem poderá subsistir diante de Vós?
Mas vós sois rico de misericórdia; e eu espero em Vós, Senhor, por causa de vossa lei.
Minha alma apoiou-se em vossa palavra, minha alma pôs toda sua confiança no Senhor.
Desde a manhã até à noite, Israel espera no Senhor.
Porque no Senhor existe a misericórdia e uma abundante redenção.
É Ele quem resgatará Israel de todas as suas iniquidades.

Versículo:
Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!
E a luz perpétua as ilumine.
Descansem em paz, Amém.


Oração jaculatória:  -  Ó Maria, que entrastes no mundo sem mancha, alcançai-me de Deus, eu vo-lo peço, que eu possa sair do mundo sem pecado.