quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

O SANTO TERÇO

O TERÇO: FONTE DE GRAÇAS


                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*

Nos próximos dias 14, 15 e 16 de fevereiro, acontecerá a XII Romaria Nacional do Terço dos Homens na Basílica-Santuário Nacional de Aparecida. São esperados mais de 80 mil homens. Essa grande Romaria reúne comitivas de todo o Brasil, trazendo homens de todas as classes sociais, unidos por essa oração abençoada, o Rosário de Nossa Senhora. A missão do Terço dos Homens é resgatar para o seio da Igreja homens de todas as idades, pois a presença masculina na Igreja é imprescindível para a formação da família e de uma sociedade cristã.
O tema desta Romaria será: “Terço dos Homens: fonte de graças” e o lema: “Confiantes como Maria”. Essa temática quer enaltecer o papel de Maria Santíssima como intercessora e medianeira junto de seu Filho Jesus. Como o povo costuma dizer, “Peça à Mãe que o Filho Atende!” Jesus jamais se nega a atender um pedido de sua mãe. Se o próprio Deus quis precisar de Maria para vir a nós (“Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher...” Gl 4,4), muito mais ainda nós podemos contar com Maria para nos aproximarmos de Deus.
A oração do Terço, o Rosário de Nossa Senhora, é fonte de graças, pois nela o cristão professa a sua fé católica, rezando o Credo, pronuncia a oração do Senhor, o Pai-Nosso, e saúda Maria com as palavras do Anjo Gabriel, chamando-a “cheia de graça”.
Intitulando Maria “Mãe de Deus”, imitamos Isabel que, “repleta do Espírito Santo” a saudou, dizendo “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”, acrescentando: “Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe do meu Senhor?” (Lc 1, 41-43). O próprio Espírito Santo, que inspirou Isabel, nos ensina a chamar Maria de Mãe de Deus, pois a palavra “Senhor”, aqui usada (em grego kyrios), só se aplica a Deus.
O lema “Confiantes como Maria” nos recorda o sim confiante de Nossa Senhora, aceitando a honra e o cargo da maternidade de Jesus, o Filho de Deus nela feito homem, com toda a confiança, entregando a sua vida inteiramente a Deus, mesmo vislumbrando tudo o que poderia acontecer ao seu Filho, o Salvador, o “servo sofredor”, que morreria humilhado na cruz.
            O Papa São João XXXIII dizia que o Terço é o Evangelho das pessoas simples. De fato, é uma recordação e meditação do Evangelho na escola de Maria: “É Tua escola o Terço, ele é luz, ninguém como Tu sabe mais de Jesus; o Santo Evangelho ensina de novo, Teu Terço é a Bíblia que Deus deu ao povo”.
            Mesmo sendo uma oração de louvor a Maria Santíssima, o centro do Rosário está em Jesus Cristo, cujo nome é o centro de gravidade da Ave-Maria, a dobradiça entre a sua primeira parte e a segunda. “É precisamente pela acentuação dada ao nome de Jesus e ao seu mistério que se caracteriza a recitação expressiva e frutuosa do Rosário” nos ensina S. João Paulo II.
            “Maria nos acompanha, luta conosco, apoia os cristãos no combate contra as forças do mal. A oração com Maria, em particular o Rosário – mas ouçam bem: o Rosário” (Francisco).

                                                                                                                                                                                                                         *Bispo da Administração Apostólica Pessoal

                                                                                                                                                                                                                                          São João Maria Vianney

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

"QUER AGRADE, QUER DESAGRADE"



 São palavras de São Paulo a Timóteo, na segunda Epístola que o Apóstolo escreveu ao seu caríssimo discípulo e bispo. Estão no capítulo 4º. versículo 2º. Estas duas palavras são traduzidas para o português de vários modos, mas que, no fundo têm o mesmo significado. No original grego são empregadas as palavras: eukairos, akairos, que em português significam exatamente: oportunamente, inoportunamente. A melhor tradução italiana da Vulgata de São Jerônimo traz: "a tempo, fuori di tempo."   E a  tradução em francês é: à  temps et à contre-temps. Em português do Brasil temos três traduções mais comuns, que são: "a  tempo e fora de tempo"(como no italiano); "a tempo e contratempo"(como no francês) e "quer agrade, quer desagrade".
   São Paulo, na verdade, exorta o bispo Timóteo que pregue a palavra de Deus, que insista sem desanimar, e sem deixar de pregar por causa do respeito humano, quando estiver diante de pessoas que não gostam de ouvir a verdade, infeccionados que estão por suas paixões. Verdadeiramente, é sempre feito a tempo, oportunamente, aquilo que é pregado utilmente para a eterna salvação do próximo, mesmo que o zelo dos pregadores pareça inoportuno ao homem carnal, que é perturbado por suas paixões. Quanto ao respeito humano São Paulo pouco antes, ou seja, no capítulo I, 8 já havia advertido a Timóteo: "Portanto, não te envergonhes do testemunho de Nosso Senhor...".
   Podemos concluir que a tradução "quer agrade, quer desagrade"  também está correta, porque expressa o que São Paulo realmente queria dizer.
   O grande escritor Gustavo Corção, por quem D. Antônio de Castro Mayer tinha grande estima, escreveu um livro ao qual deu o seguinte titulo: "A TEMPO E CONTRATEMPO". Adverbialmente tomado, contratempo é o mesmo que fora de tempo. Nas orelhas da capa do livro, a Editora Permanência que publicou o dito volume, explica a origem e a razão deste título. Diz assim: Aqui se recolhem alguns artigos de Gustavo Corção, publicados na imprensa diária, sob o calor dos acontecimentos mas com doutrina permanente... O título buscou-o Corção no Apóstolo das Gentes, que, profeta, anunciou quase com detalhes a loucura dos nossos dias: Erit enim tempus... "Tempo virá em que os homens já não suportarão a sã doutrina, e inventarão para si mestres, levados pelo prurido de ouvir; e afastarão seus ouvidos da verdade e os inclinarão às fábulas". Prevenindo dessas coisas o discípulo amado Timóteo e, através dele, na sucessão dos séculos, os outros discípulos, recomenda Paulo que o pregador pregue, opportune, importune, para que a verdade seja posta ao alcance de quem queira contemplá-la e segui-la. É o que tem feito Gustavo Corção, vencendo todas as dificuldades e incompreensões, sacrificando amizades, afrontando calúnias e desfigurações..."
   Já no corpo do livro, antes do primeiro Artigo, lemos toda a passagem de São Paulo: "Quanto a ti, apega-te ao que aprendeste e ao que crês com certeza, sabendo de quem o aprendeste, e ao que, desde a infância, conheces das Sagradas Escrituras, de onde podes haurir sabedoria para a salvação pela fé no Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para repetir, para corrigir e para educar na santidade, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e pronto para obras boas".
   "Eu te adjuro diante de Deus e do Cristo Jesus que deve vir julgar os vivos e os mortos, por sua aparição e por seu reino: prega a palavra, insiste a tempo e contratempo, retoma, censura, exorta, com paciência inteira e zelo de instrução; porque tempo virá em que os homens não suportarão a sã doutrina e, ao sabor de suas paixões, se entregarão a uma multidão de doutrinadores. Com cócegas nos ouvidos, eles os afastarão da verdade para os inclinar às fábulas. Tu, sê sóbrio em todas as coisas, suporta o sofrimento, faz obra de pregador do Evangelho, cumpre até o fim tua tarefa". (2ª Tim. III, 14-17; e IV, 1-5).
  
   Há um outro livro cujo título também foi inspirado nas palavras de São Paulo a Timóteo (2ª Tim. IV, 2); mas este tem por autor não Gustavo Corção mas o então Revmo Pe. Fernando Arêas Rifan. Preferiu a tradução "quer agrade, quer desagrade". Na apresentação do livro, assim escreveram seus amigos e paroquianos: "Como parte das comemorações do jubileu de prata sacerdotal do Revmo. Pe. Fernando Arêas Rifan, ocorreu-nos a feliz ideia de reunirmos em um livro uma coletânea de vários artigos por ele escritos e publicados, em diferentes épocas, em diversos órgãos da imprensa. Os artigos que selecionamos versam sobre assuntos variados, mas sempre com uma equilibrada visão católica, conforme a Igreja sempre orientou os seus fiéis.
                                  'Quer agrade, quer desagrade!"
   Certamente este livro não agradará a todos. Nem é sua pretensão. Bom sinal! O próprio Jesus não conseguiu a unanimidade do beneplácito popular. São Paulo, autor da frase, título deste livro, exclamava: "Se alguém vos anunciar um Evangelho diferente daquele que recebestes, seja anátema. Porque, em suma, é a aprovação dos homens que eu procuro, ou a de Deus? Porventura é aos homens que eu pretendo agradar? Se agradasse ainda aos homens, não seria servo de Cristo" (Gal. I, 9 e 10). Mas todos admirarão a sinceridade e a clareza de posições do autor, que preferiu o "sim sim não não" do Evangelho à conivência com o erro e à cumplicidade na "autodemolição da Igreja" com pretensões a aplausos e reconhecimentos oficiais. Como pitorescamente comentou um jornalista da "esquerda": "Pe. Fernando é um inimigo em quem se pode confiar!", reconhecendo, apesar de divergir dele, a lisura e lealdade do seu posicionamento.
   Na orelha deste excelente livro vemos a foto do Revmo. Padre Fernando A. Rifan e logo abaixo podemos ler estas sábias palavras: "PESSOAS DE BOM SENSO, UNI-VOS!
A crise atual, muito mais do que econômica e social, é sobretudo moral e religiosa. É crise de bom senso. São raras hoje as pessoas de senso comum, de senso crítico, enfim, do bom senso. E quem ainda o tem é taxado , pejorativamente, de moralista, radical, direitista, conservador, retrógrado, tradicionalista, etc. E, por medo de receber tais adjetivos, muita gente capitula e adere à maioria.
Os artigos do Pe. Fernando Arêas Rifan, que ora publicamos, além de um convite à reflexão, é uma convocação a todas as pessoas de bom senso à responsabilidade e ao empenho na luta pelas causas sadias e por uma sociedade melhor."
   E, a exemplo de Gustavo Corção, antes do primeiro artigo, o então Revmo. Pe. Fernando Arêas Rifan, traz as palavras de São Paulo, palavras que inspiraram o título do seu livro: "Prega a palavra, insiste
 Quer Agrade
Quer Desagrade,
repreende, adverte, exorta com toda a paciência e doutrina. Porque virá tempo em que os homens não suportarão a sã doutrina, mas multiplicarão para si mestres conforme os seus desejos, levados pela curiosidade de ouvir. E afastarão os seus ouvidos da verdade para os abrirem às fábulas..."

                                                              São Paulo, apóstolo
                                                                        (II Tim 4, 2-4)
  
Caríssimos leitores, recomendo a leitura destes excelentes livros, quer agrade quer desagrade, a tempo e contratempo.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

A CONFISSÃO PRESERVA A ALMA DO DESESPERO

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

 Não é difícil o entendermos já que a confissão purifica, eleva e fortifica a alma. Na verdade, caríssimos, quantos se entregam com todo o ardor às suas paixões só porque se desesperam de quebrar as suas correntes opressoras!? E depois, há alguma coisa mais funesta do que a demora prolongada do mal na alma? O pecado induz a outro pecado, um abismo atrai outro abismo,  a alma se deprava cada dia mais e torna-se pouco a pouco a presa duma corrupção secreta, que seria incurável se a bondade de Deus não fosse infinita como o seu poder. O mal estabelecendo-se na alma, derrama nela um veneno mortal que altera no pecador o sentimento divino, mas sem nunca poder extingui-lo; daí esta indisposição, esta amargura, este desgosto surdo e íntimo, uma indisfarçável melancolia que se acumula, por assim dizer, no mais profundo da alma, e cujas explosões são algumas vezes tão terríveis. Dizia Monsenhor Gerbet: "o remorso, muito tempo concentrado, forma no fundo de certas almas como uma mina terrível que ameaça destruir existências pacíficas, e, o que é mais triste ainda, despedaçar corações. A confissão é um meio secreto que previne a explosão desta bomba".

A Providência divina quis que um padre dos mais zelosos e dos mais piedosos se encontrasse um dia, à mesa, com uma sociedade de atores e atrizes. A conversa não poderia ser mais a propósito. O padre ganhou logo a simpatia dos convivas. E mais do que isto: ganhou toda confiança o que deixou todos bem à vontade para fazer perguntas. Foi a graça divina que os levou a perguntar ao padre justamente sobre o sacramento da confissão. E especialmente qual seria a situação dos atores em face da Igreja. Uma e outra parte discutia o assunto vivamente, porém, sem nenhum azedume. De fato o zeloso sacerdote ganhou os corações de todos!


As janelas da sala davam para um magnífico lago. Um barco a vapor vinha passando. "Tendes ali, senhores, disse o padre, o que vai fazer-vos compreender para que nos serve a confissão. Vedes este barco a vapor. Uma força poderosa faz mover a sua máquina e o faz caminhar rapidamente; mas esta mesma força o poria em perigo de explosão e de destruição sem o que se chama a válvula de segurança. Por esta válvula  de escape se exala o excesso de vapor, e assim o barco e os viajantes estão em segurança. O mesmo acontece com todos nós. Temos em nós forças poderosas, que são as nossas paixões. Para estas forças, para estas paixões, é preciso uma válvula de segurança, uma abertura sem a qual estamos perdidos. Pois bem! esta válvula é a confissão, que Deus nos deu para alívio de nossos corações, para consolação e purificação de nossas consciências. Observa-se que nos países onde a confissão é desconhecida, há mais casos de loucura e de suicídio do que naqueles em que existe a confissão". E o padre desenvolveu esta tese com toda a energia e ciência, sustentando-a com numerosos exemplos. Quando se despediu da companhia, uma jovem atriz de vinte e três anos acompanhou-o até a porta da entrada. Quando se viu só com ele, exclamou, com voz sufocada pelos soluços: "Senhor, vós me salvastes! Foi a Providência que vos conduziu para junto de nós. Eu estava desesperada; esta noite eu queria lançar-me no lago e nele acabar com as dores da vida... Agora quero confessar-me". O padre tranquilizou com doçura aquela pobre moça, induziu-a a deixar o teatro, o que obteve sem dificuldade, e apressou-se a reconciliá-la com Deus. Ela tornou-se desde então uma boa e fervorosa cristã. 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

S. JOÃO BOSCO

  A CONQUISTA DA JUVENTUDE


                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*

No século XIX, um menino pobre, órfão de pai aos dois anos, que recebeu uma forte educação humana e cristã de sua mãe, Margarida, mulher simples, sem estudos, mas de muita fé, tornou-se o maior educador daquele século e modelo de todos os educadores. Estamos falando do grande São João Bosco, cuja festa celebraremos dia 31, com os seus filhos salesianos.
            Estamos em Turim, Itália, na época do começo da industrialização, com o problema decorrente da imigração juvenil. Inundada de jovens procurando emprego, que nem sempre conseguiam, essa cidade oferecia ocasião para muitas desordens e perigos para essa juventude. É nesse contexto que entra em ação o Padre João Bosco, Dom Bosco, como se chamam os padres na Itália, como hábil organizador de iniciativas, implantando um fantástico sistema educacional que mais tarde se chamaria “sistema preventivo”, fundado na razão, na religião e na amabilidade. E assim ele conquistou a juventude.
            Seu sistema de educação consistia em prevenir as quedas, em tirar os jovens das ocasiões de pecado. Vigilância, palavrinha de conselho ao ouvido de cada um, compreensão, amabilidade e amor no trato com os jovens, vida pessoal de oração e uso dos sacramentos da Igreja, eram os seus instrumentos didáticos e pedagógicos. E todos o amavam e procuravam imitar. Não seria esse o melhor método para educar a nossa juventude tão desnorteada hoje?!
            Enfrentando ataques violentos dos anticlericais, ele implantou o oratório festivo de Valdocco, enriqueceu-o de laboratórios artesanais e profissionais, com escolas de artes e ofícios para jovens trabalhadores e com escolas humanísticas para os jovens encaminhados ao sacerdócio. Em pouco tempo, já havia oitocentos jovens, provenientes das camadas populares da Itália. E sua obra se espalhou por todo o mundo.
            Para assegurar o futuro de sua obra, fundou a Pia Sociedade de São Francisco de Sales, os Salesianos, e, com a ajuda da Irmã Maria Mazzarello, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, das quais temos ilustres representantes em nossa cidade, dedicados à educação dos jovens. A eles e a elas a nossa homenagem e imensa gratidão.
            São João Bosco foi considerado o novo São Vicente de Paulo, pela sua dedicação aos mais carentes. Foi grande escritor de livros populares, sobretudo para os jovens.
            Esse grande apóstolo da juventude, exemplo para todos os educadores, faleceu santamente em 31 de janeiro de 1888. Foi proclamado pelo Papa João Paulo II “pai e mestre dos jovens”. Que São João Bosco proteja a nossa juventude!

                                                                  *Bispo da Administração Apostólica Pessoal

                                                                         São João Maria Vianney

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

SÃO SEBASTIÃO

      SÃO SEBASTIÃO

                                                                                                                                        Dom Fernando Arêas Rifan*
            No próximo dia 20, celebraremos a solenidade do glorioso mártir São Sebastião, padroeiro da Cidade maravilhosa e do nosso Estado do Rio de Janeiro.
          Segundo nos explica Dom Orani João Tempesta, Cardeal Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, ele nasceu em Narbona, uma cidade ao Sul da França, no século III. Era filho de uma família ilustre. Ficou órfão do pai ainda menino, e então, foi levado para Milão por sua mãe, onde passou os primeiros anos da infância e juventude.
          A mãe educou-o com esmero e muito zelo. Ele ingressou no exército imperial, e, por sua cultura e grande capacidade atingiu os mais altos graus da hierarquia militar, chegando a ocupar o posto de Comandante do Primeiro Tribunal da Guarda Pretoriana durante o reinado de Diocleciano, um dos mais severos imperadores romanos, perseguidor dos cristãos.
          Foi denunciado ao Imperador como sendo cristão. Mesmo sendo um bom soldado romano, suas atitudes demonstravam sua fé cristã, e, diante de todos, confessou bravamente sua convicção. Foi acusado, então, de traição. Na época, o imperador tinha abolido os direitos civis dos cristãos. Por não aceitar renunciar a Cristo, São Sebastião foi condenado à morte, sendo amarrado a um tronco de árvore e flechado. Porém, não morreu ali. Foi encontrado vivo por uma mulher cristã piedosa que tinha vindo buscar o seu corpo. Diante do ocorrido, recuperada a saúde, apresentou-se diante do Imperador e reafirmou sua convicção cristã. E nova sentença de morte veio sobre ele: foi condenado ao martírio no Circo. Sebastião foi executado, então, com pauladas e boladas de chumbo, sendo açoitado até a morte e jogado nos esgotos perto do Arco de Constantino. Era 20 de janeiro.
          Seu corpo foi resgatado e levado para as catacumbas romanas com grande honra e piedade. Sua fama se espalhou rapidamente. Suas relíquias repousam sobre a Basílica de São Sebastião, na via Apia, em Roma. O Papa Caio escolheu-o como defensor da Igreja e da fé.
          Nesses tempos de grande negação da fé e de valores espirituais e religiosos, humanos e sociais, São Sebastião torna-se um grande modelo de ajuda para nós hoje, principalmente aos jovens, envoltos em grande confusão moral e espiritual. Ele é um sinal de fidelidade a Cristo mesmo com as pressões contrárias. Dessa forma, ele continua anunciando Jesus Cristo, por quem viveu, até os dias de hoje. Ele nos ensina a não desanimarmos com as flechadas que recebemos e a continuarmos firmes na fé.
          Um mártir não deve ser um estranho para nós. Ainda em pleno século XXI encontramos irmãos e irmãs nossas que são mortos em tantos países, outros têm ainda seus direitos civis cassados por serem cristãos, outros são condenados à prisão ou à morte por aderirem ao Cristianismo, e ainda são expulsos de suas cidades e suas igrejas queimadas. Além disso, muitos são martirizados em sua fama, em sua honra e tantas outras maneiras modernas de “matar” pessoas por causa da fé ou de suas convicções cristãs.



                                                             *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
                                                                                      http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

NOSSOS PADROEIROS

NOSSOS PADROEIROS


                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*

            Neste mês de janeiro, celebramos vários santos padroeiros, que, ao mesmo tempo que nossos intercessores junto de Deus, são exemplo de vida cristã e heroicidade nas virtudes.
Dia 15, celebramos Santo Amaro, cuja devoção é muito cultivada aqui em nossa região, explicada pela presença dos monges beneditinos que foram os valorosos missionários da zona rural de Campos dos Goytacazes, em cujo município se situa o célebre Mosteiro de São Bento, em Mussurepe.
Santo Amaro, ou São Mauro, foi monge e abade beneditino, ou seja, da Ordem de São Bento. Nascido em Roma, de família senatorial, Amaro, quando tinha apenas doze anos, foi entregue no mosteiro por seu pai, Egrico, homem ilustre pela virtude e pela nobreza do nascimento, confiando-o aos cuidados de São Bento, em 522.
Correspondeu tão bem à afeição e à solicitude do mestre, que foi em breve proposto como modelo aos outros religiosos. São Gregório exaltou-o por se ter distinguido no amor da oração e do silêncio. Sempre se lhe notou profunda humildade e admirável simplicidade de coração. Mas nele sobressaía a virtude da obediência, sendo por isso recompensado por Deus, com um milagre, quando, para obedecer, foi salvar um irmão que estava se afogando e caminhou sobre as águas.
Possa o exemplo de Santo Amaro levar os filhos a serem mais obedientes aos seus pais, os alunos aos seus mestres, os cidadãos às leis e superiores civis, os católicos aos seus superiores hierárquicos. “Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5, 21).
Dia 20, festejaremos São Sebastião, padroeiro da Cidade maravilhosa e, por ser o patrono da capital, é também protetor do nosso Estado do Rio de Janeiro.
Foi soldado do exército imperial, chegando a ocupar o posto de Comandante do Primeiro Tribunal da Guarda Pretoriana durante o reinado de Diocleciano, um dos mais severos imperadores romanos, perseguidor dos cristãos.
Mesmo sendo bom soldado romano, suas atitudes demonstravam sua fé cristã, e, sendo interrogado, confessou bravamente sua convicção. Por não aceitar renunciar a Cristo, São Sebastião foi condenado à morte, sendo amarrado a um tronco de árvore e flechado. Porém, não morreu ali. Foi encontrado vivo por uma mulher cristã piedosa que tinha vindo buscar o seu corpo. Recuperada a saúde, apresentou-se diante do Imperador e reafirmou sua convicção cristã. E nova sentença de morte veio sobre ele: foi condenado ao martírio no Circo. Sebastião foi executado, então, com pauladas e boladas de chumbo, sendo açoitado até a morte e jogado nos esgotos perto do Arco de Constantino. Era 20 de janeiro.
            E dia 25, celebraremos a conversão de São Paulo, que, de perseguidor ferrenho dos cristãos, tornou-se o grande Apóstolo, que trabalhou na conversão dos pagãos, tornando-se, como São Pedro, uma das colunas da Igreja. É o padroeiro da cidade e do Estado de São Paulo.

                                                                  *Bispo da Administração Apostólica Pessoal
                                                                         São João Maria Vianney

                                                                       http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

domingo, 12 de janeiro de 2020

VIRTUDES PARA UMA FAMÍLIA CRISTÃ


LEITURA MEDITADA 

"Irmãos: revesti-vos como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, benignidade, humildade, modéstia e paciência, suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos mutuamente, se alguém tiver queixas contra o outro; assim como o Senhor vos perdoou, perdoai-vos também. Mas sobre tudo isto: tende a caridade que é o vínculo da perfeição; e reine em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos. Habite em vós abundantemente a palavra de Cristo, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando em vossos corações, com a ação da  graça, louvores a Deus. E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obra, fazei tudo em nome do Senhor Jesus Cristo, dando graças por Ele a Deus Pai. Mulheres, estai sujeitas a vossos maridos, como convém ao Senhor. Maridos, amai vossas mulheres, e não sejais ásperos para com elas. Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. Pais, não provoqueis à indignação os vossos filhos, para que se não tornem pusilânimes" (Colossenses, III, 12-21).

Nestas exortações de S. Paulo temos os elementos indispensáveis para a felicidade das nossas famílias. Assim, o Apóstolo,  às opiniões do modernismo, destruidor dos mais sagrados vínculos, opõe os preceitos e virtudes criadores de uma felicidade e de uma paz ainda possível neste mundo. Aí está o segredo da paz familiar. Nosso Senhor Jesus Cristo afirmou que os filhos das trevas são mais prudentes nos seus negócios que os filhos da luz nos seus. Só para dar dois exemplos: O comerciante, aos clientes oferece prontamente suas mercadorias, ocultando a sua irritação quando as desprezam e sem ofender-se quando as recusam. Que "misericórdia"; que "paciência"; que "benignidade"; que 'humildade"; que "perdão das ofensas"; que "que sorrisos de amabilidade!". O político, a todos acolhe com amabilidade, tolerante com quem o importuna e prestimoso com quem lhe pede auxílio.  O comerciante faz tudo isto como se fosse um santo, mas não: é só para ganhar dinheiro. (Não quero com isto negar que há comerciante santo também). O político parece praticar virtudes heróicas, mas, na verdade, pensa só em conseguir votos, e consequentemente: honra e sobretudo, dinheiro. (Também aqui não pretendo negar que possa existir político santo: é difícil, mas para Deus nada é impossível).
Mas, caríssimos, qual destes motivos compara-se ao grande bem na paz familiar? Dádiva do céu, ela transforma o lar em um vestíbulo do paraíso, as agruras da vida em oásis de bênçãos. A paciência, a humildade, a benignidade, a misericórdia, ensinam aos cônjuges  a arte de se suportarem uns aos outros. Sigam os cônjuges os conselhos de São Paulo supracitados, e as divergências que pareciam separá-los virão a soldar ainda mais o vínculo matrimonial. Saibam os cônjuges perdoar-se mutuamente. Enquanto um momento de silêncio restituirá a bonança; um revide protrairá a tempestade por longos dias e semanas inteiras. Tal como Jesus generosamente perdoou nossos graves crimes, perdoem-se os esposos, com igual generosidade, as discrepâncias de temperamento e de caráter.

A caridade é o liame destinado a unir os fiéis entre si e com Deus. Nesta união consiste toda a perfeição cristã. O amor da paz deveria inspirar todos os sentimentos dos esposos como convém a membros de um só corpo. O lar verdadeiramente cristão deveria estar sempre agradecido a Deus pelos favores d'Ele recebidos. Os ensinamentos e máximas de Nosso Senhor Jesus deveriam ser a bússola em toda a sua conduta e empreendimentos. De um lar cristão são banidas e execradas as máximas do mundo.  "Exortai-vos uns aos outros por meio de salmos, hinos e cânticos espirituais", insiste o Apóstolo, assim apontando-nos na oração a maior garantia de paz para o lar. A oração é a fonte de onde haurimos as energias necessárias para os momentos trágicos que não faltam na existência de cada indivíduo, como não faltam na vida de toda família. Repudiando os maus conselhos de um mundo colocado no Maligno, busquem os esposos na Santa Religião e no seu Deus o conforto que anima, e da prece fervorosa de um coração que sofre sairá a arma vitoriosa que tudo suporta. "Onde quer que dois ou três se acharem reunidos em meu nome - diz Jesus Cristo - estarei eu no meio deles" (S. Mateus XVIII, 20). Na verdade, nunca um lar se sente mais unido como quando todos os componentes se voltam para Deus repetindo todos a mesma prece divina: "Pai Nosso que estais no céu". O lar, porém, que ignora a oração encaminha-se para o desmoronamento, enquanto o lar que ora, que reza todos dias o Santo Terço, sela com o nome de Deus e a intercessão de Sua Mãe Santíssima, a sua união e garante a sua felicidade. Seguindo, pois, os conselhos do Apóstolo São Paulo, não será difícil aos nossos lares realizar aquela felicidade que fará das famílias cristãs outros tantos vestíbulos do céu.

Para terminar, lembremos algo sobre a MISERICÓRDIA. O Rei Davi era um homem santo. A própria Bíblia mostra-o para os outros reis, como um modelo de fidelidade a Deus. Mas, num momento de ociosidade e fraqueza cometeu o gravíssimo pecado de adultério e, em consequência o homicídio, outro pecado muito grave. Deus, através do profeta Natan, abriu-lhe os olhos e tocado de sincero arrependimento exclamou: "Pequei".  Davi chorou a vida toda estes seus graves pecados. Não perdia oportunidade de fazer penitência e escreveu o Salmo 50, Miserere. Eis apenas alguns versículos deste belíssimo salmo de penitência: "Tem piedade de mim, ó Deus, segundo a tua misericórdia; segundo a multidão das tuas clemências, apaga a minha iniquidade" (vers. 1-3); "O meu sacrifício, ó Deus, é um espírito contrito, não desprezarás, ó Deus, um coração contrito e humilhado" (vers. 19).


A FAMÍLIA



   Vemos com tristeza, como a sociedade está moralmente enferma, totalmente invadida e convulsionada pelo paganismo e a imoralidade. Mas não bastam lamentações. Mister se faz atacar o mal pela raiz. Ora, as famílias são as raízes que elaboram o alimento moral da sociedade. É a célula da sociedade; pois esta se forma de indivíduos e estes por sua vez se formam na família.

   Temos, então, que dedicarmos todos os nossos cuidados à família, para termos realmente uma sociedade sadia. A família é obra da mão de Deus. É inútil querer corrigir a crise da sociedade, se não se põe o primeiro cuidado em conservar a família. Os filhos das trevas, como disse Jesus Cristo, são muito espertos e nós vemos com tristeza, como as ideias comunistas estão se espalhando pelo mundo como um gás sumamente venenoso e que destrói em primeiro lugar as famílias, Pela imoralidade, imodéstia nas vestes, televisão, pornografia na Internet, divórcio, maus exemplos, principalmente nos colégios que vão se tornando focos de imoralidade e heresias, em cátedras de pestilências comunistas etc, etc. a indissolubilidade do matrimônio católico está em risco de dissolução quase total.  E, por outro lado, o sal na Igreja está perdendo sua força, deixando a corrupção reinar soberana. As paixões têm campo livre, os vícios, campeiam como chamas num canavial. 

   E não bastassem os comunistas por fora, há-os internos. E, horribile dictu, o próprio Sumo Pontífice reconhece que as últimas mudanças que ele fez nos processos matrimoniais quanto à declaração de nulidade podem colocar em risco a indissolubilidade do matrimônio. Muitos casamentos se dissolveram não porque nulos, mas por causa da ausência total, ou quase, das virtudes cristãs, e, por outro lado pelo reinado desenfreado das paixões as mais nefandas. Para estes não só a "a misericórdia" do divórcio mas a possibilidade de se casarem novamente e até comungarem. 

   Deus fez bem todas as coisas e se existe o mal no mundo, sua causa deve ser procurada na malícia humana que perverte a harmonia do Criador. A formação da família, poderia parecer algo profano, ao passo que, na realidade, ela tanto tem de santo como de sublime. O casamento não é um mal (como muitos hereges pensaram), pelo contrário, é um bem. Foi Deus quem o fez desde o Paraíso Terrestre. É bem verdade que devido o pecado original, o casamento decaiu de sua primitiva dignidade. Mas o Filho de Deus, que veio ao mundo para remir a humanidade e iluminá-la, restituiu o casamento à sua primitiva santidade elevando-o à dignidade de sacramento.

   Jesus Cristo, quis assistir em companhia de sua Mãe Santíssima a uma festa de casamento em Caná da Galileia, aprovando e santificando com sua divina presença. o vínculo conjugal, operando também nesta ocasião o seu primeiro milagre.

   Um dia os fariseus interrogaram a Jesus: "É lícito ao homem repudiar sua mulher? Ele, porém, lhes respondeu: Desde o princípio, Deus criou o homem e a mulher, logo o homem deixará seu pai e sua mãe e viverá com sua mulher. Não separe, portanto, o homem o que Deus uniu".

   Ter esta firme e inabalável convicção sobre a divina instituição do matrimônio, sempre foi de extrema necessidade, mas, hoje, ademais, tornou-se muito urgente. Pois são tantos os homens que ignoram de todo a grande santidade do matrimônio cristão. São inúmeros os que a negam e calcam aos pés. 

   Lacordaire, o grande conferencista francês, queria que seus amigos Ozonam e Luis Veuillot o imitassem e renunciassem o casamento. Mas Veuillot, com todo direito achou por bem se casar. E quando Lacordaire soube, exclamou: "Mais um que ficou na armadilha". Relataram ao papa a frase de Lacordaire e sorrindo comentou o Santo Padre: "Eu não sabia que Nosso Senhor havia instituído 6 sacramentos e 1 armadilha". 

   Outro exemplo bem diferente deste: São Francisco de Sales hospedava em sua casa um amigo. E o santo bispo, com aquela sua grande caridade, tratava o seu amigo com as maiores finezas, inclusive todas as noites ia acompanhá-lo até ao seu quarto. E o hóspede, confundido por tanta delicadeza, disse a São Francisco de Sales que não era digno de ser tratado assim por um bispo, ele que era um simples leigo. Mas o santo bispo perguntou-lhe: "Então o meu amigo não é casado?" - Ainda não, respondeu o amigo.  -  "Ah! , retrucou São Francisco de Sales, então tem razão de protestar: de hoje em diante tratá-lo-ei com mais confidência e com menores finezas". É que o Santo da mansidão pensava que uma pessoa casada devia ser cercada de uma veneração maior, pela dignidade do sacramento do matrimônio que confere aos esposos uma graça que os torna capazes de se amarem sobrenaturalmente, de educarem os seus filhos e de suportarem com serenidade os pesos da vida. 

   O matrimônio é portanto um sacramento, fonte de bênçãos, rico em simbolismos, expressivo no seu programa que é a comunhão da vida toda até a morte com todas as suas manifestações: Comunhão de vida natural: "serão os dois uma úncia carne", disse Deus. Comunhão de interesses: e portanto os bens materiais e as perdas andam em conjunto. Os afetos também se entrelaçam. E é por isso que São Paulo manda que o homem ame a sua esposa como a si próprio. Comunhão de fidelidades e deveres: ambos geram o corpo da criança e ambos concorrem para a geração moral, isto é, para a educação da mesma. Por isso é que Nosso Senhor impôs aos filhos o preceito de honrar "pai e mãe". Comunhão de trabalhos: juntos devem cultivar o mesmo campo e nos mesmos espinhos sangram as mãos e ferem os corações. Comunhão de lutas e vitórias: em todas as fases da vida, e até a morte. 

   Assim é que deveria ser compreendido e sobretudo vivido o matrimônio. Como são belos os componentes de uma família verdadeiramente cristã! A família cristã tem Jesus que a consola e nunca será desolada. Diz o próprio Divino Espírito Santo na Bíblia: "Ditoso o homem que tem uma virtuosa mulher". "A mulher virtuosa é o prêmio dos que temem a Deus, e será dada ao homem em recompensa pelas suas boas obras".  "Cooperadora da Providência e complemento do homem, a mãe gera, nutre, educa, dá forma, brilho e esmalte à existência. É autora maravilhosa e destra escultora dos seres" (Palavras de um poeta castelhano). 

   Uma mãe verdadeiramente cristã, não é mais uma simples mulher, é uma santa!
"Me deem mães verdadeiramente cristãs, e eu salvarei este mundo decadente" (S. Pio X). 

   Outro dom tão precioso na família são os filhos: Frederico Ozonam, o grande literato católico, fundador das conferências de São Vicente de Paulo escrevia estas linhas junto ao berço de sua primeira filhinha:  "Ah! que momento aquele em que ouvi o primeiro vagido de minha filha e vi a criatura imortal que Deus confiava ao meu cuidado, e que tantas doçuras e obrigações era portadora para mim! Não consigo mirar esses olhos que destilam suavidade e pureza, sem descobrir neles, menos apagado que em nós, o retrato sagrado do Criador". Na verdade, os filhos são um dom de Deus.

   Como é belo também o homem virtuoso na família, como a cabeça, o chefe, com a sua autoridade suave, com a sua proteção, como São José na Sagrada Família.  Vêm-nos à mente as palavras de Santa Terezinha: "Deus deu-me pais mais dignos do céu que da terra". Pai e mãe santos! Que graça!

   Não esqueçamos nunca que toda esta beleza e sublimidade da família estão na observância da lei de Deus. Por isso é que São Paulo diz que "o casamento é santo, mas no Senhor". Quantos casamentos, hoje embora válidos, são sacrílegos. Quantos pecados, quantos crimes! Uma coisa tão sublime, tão santa e, no entanto, tratada hoje com tanta leviandade, feita sem nenhuma preparação, . Pior: toda santidade, toda bênção são afastados por tantos pecados cometidos antes e depois do casamento. 

   Não consigo terminar este artigo, embora já longo, sem relatar pelos menos algumas palavras do Papa Pio XII: "Aqueles, pois, que nas igrejas exercem funções diretivas ou de magistério, exortem assiduamente os fiéis a que constituam e mantenham famílias segundo a norma da sabedoria do Evangelho - buscando assim com assíduo cuidado preparar para o Senhor um povo perfeito. Pelo mesmo motivo, cumpre também sumamente atender a que o dogma, que por direito divino afirma a unidade e indissolubilidade do matrimônio, seja compreendido em sua importância religiosa e santamente respeitado por todos os que contraem núpcias. Que tão capital ponto da doutrina católica tenha validíssima eficácia para a sólida estrutura da família, para o bem-estar crescente da sociedade civil, para a saúde do povo e para uma civilização cuja luz não seja falsa..." (Pio XII, "Sertum laetitiae).




quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

ÚNICO REDENTOR

1º - A PARTE REALIZADA POR JESUS CRISTO (continuação)

(Excertos do Livro "LEGÍTIMA INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA, de autoria de Lúcio Navarro).

   15. NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, O ÚNICO SALVADOR.

   Quando chegou a plenitude dos tempos (Gálatas IV-4) Deus, para restaurar em Cristo todas as coisas (Efésios I-10), enviou o seu próprio Filho Unigênito, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós (João I-14) e se fez para nós sabedoria e justiça e santificação e redenção (1ª Coríntios I-30).

   A salvação é obra de Jesus Cristo, que é o Único Salvador, o Único a nos poder resgatar, porque Ele é que era homem e Deus ao mesmo tempo; homem, para poder sofrer e expiar por nós; Deus, para que seu sofrimento, sua expiação tivessem um valor infinito. E é neste sentido que São Paulo o chama: Único Mediador entre Deus e os homens. Só há um Mediador entre Deus e os homens que é Jesus Cristo homem, que SE DEU A SI MESMO PARA REDENÇÃO DE TODOS (1ª Timóteo II-5 e 6). Sobre isto falaremos mais longamente no futuro, se Deus quiser. E disse São Pedro falando a respeito do mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo: Não há salvação em nenhum outro, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual nós devamos ser salvos (Atos IV-12).

   16. NOTA: EM QUE SENTIDO MARIA SANTÍSSIMA É CHAMADA CO-REDENTORA.

      Quando alguns escritores católicos chamam a Maria Santíssima co-redentora do gênero humano, eles empregam este termo não no sentido de que os merecimentos de Maria Santíssima pudessem acrescentar alguma coisa aos merecimentos de Jesus Cristo quanto ao resgate do gênero humano; os merecimentos de Cristo eram infinitos, e os de Maria, finitos, como de criatura que é; além disto, os próprios merecimentos da Virgem já são efeitos dos merecimentos de Jesus. Nem é no sentido de que o Messias necessitasse da ajuda de Maria para realizar a sua obra salvadora. 

   O que estes escritores querem significar com tal denominação é o papel que Deus nos desígnios de sua Providência, fez com que Maria Santíssima, embora simples criatura, exercesse na obra da Redenção. Pelo poder divino, Cristo podia ter aparecido neste mundo, como homem feito; mas tendo que mostrar-se em todas as coisas à nossa semelhança, exceto o pecado (Hebreus IV-15) era preciso, segundo os desígnios de Deus, que nascesse de um ventre materno. Uma mulher, Eva, se associara ao primeiro homem no pecado, oferecendo-lhe o fruto da árvore proibida. Outra mulher, Maria, foi associada ao novo homem, Jesus Cristo, na obra da salvação, pois foi escolhida por Deus para ser a Mãe do Salvador. 

   Para isto era preciso, em atenção à honra e dignidade do próprio Filho, que Deus escolhesse uma mulher pura, imaculada, sem a mínima sombra de pecado, afim de ser o sacrário onde havia de formar-se o corpo de Jesus Cristo. Deus lhe manda o anjo Gabriel para anunciar-lhe que ela, cheia de graça, havia sido escolhida para a grande honra da maternidade divina. E só depois que Maria vê resolvido o problema de sua virgindade, é que dá o consentimento: Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra (Lucas I-38).  E é em seguida a este consentimento que o Verbo se faz carne e habita entre nós, tornando-se Maria, nessa hora, a esposa do Espírito Santo: O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá de sua sombra (lucas I-35). Se o Verbo se faz carne para nossa salvação, Maria contribui para isto, pois a carne de Cristo é carne de Maria, o sangue de Cristo é sangue de Maria, pela íntima união que há entre o filho e a mãe, a mesma união que há entre o fruto e a árvore que o produz, e por isto diz Santa Isabel, falando cheia do Espírito Santo: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre (Lucas I-42).

   Aquele Menino que ela trouxe no seu ventre puríssimo e virginal durante 9 meses, Maria depois O nutriu, O guardou,  durante trinta anos e Jesus lhe foi obediente: E era submisso a eles (Lucas II-51). E na cruz, no momento da Redenção, Maria que pela ação preservativa de Deus, graças aos merecimentos de Cristo, jamais teve o mínimo pecado, ali estava sofrendo juntamente com Jesus Cristo, fazendo resignada e heroicamente o sacrifício de seu Filho Amantíssimo para a redenção do gênero humano.

   É frisando esta atuação que Maria, embora simples criatura, foi destinada a exercer junto a seu Divino Filho, que esses escritores dizem que Maria Santíssima é DE UM CERTO MODO co-redentora do gênero humano. 

   Se o termo está bem ou mal empregado - é uma questão de gramática e de linguagem. Mas os católicos nada querem significar além do que está exposto, quando dão a Maria Santíssima o aludido título. 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

SANTO NATAL

   Aos caríssimos e amados fiéis de minha reitoria, aos leitores e seguidores de meu blog desejo um FELIZ E SANTO NATAL, repleto de graças e bênçãos escolhidas do Menino Deus e de Sua Mãe Santíssima!

 "Sendo rico, fez-se pobre  para que, com Sua pobreza nos enriquecesse a todos" (2 Cor. VIII, 9).

   Jesus nasceu pobre; é aos pobres que se manifesta primeiro; eles recebem seus primeiros favores, assim como serão sempre o objeto de sua predileção. Envia Anjos por embaixadores, não a monarcas poderosos, mas a pastores, a homens simples, trabalhadores e vigilantes. Viverá com eles e no meio deles durante trinta anos. Quando chegar o tempo de pregar o reino de Deus, a eles se dirigirá primeiro porque é por causa deles que seu Pai o enviou: "Enviou-me para evangelizar os pobres". Já dali de seu trono, a mangedoura de palhas, Ele nos ensina que os bens deste mundo, o dinheiro e as riquezas, não são a felicidade. Que os ricos aprendam a caridade e o desapego desses bens passageiros; e os pobres aprendam a libertar o coração de qualquer inveja e cobiça.
   Mas Jesus não despreza os ricos e os sábios. Chamou através de uma estrela, os Reis Magos do Oriente, para arrancá-los das trevas do erro e ensinar-lhes a Fé católica. Jesus já condenava o ecumenismo que tenta parificar as religiões. Jesus, outrossim, combate a luta de classes: pois, ali estão os pobres - os pastores; e também os ricos - os Reis. Todos tem o seu lugar no coração do Menino Jesus.
   Verdadeiramente, o Nascimento de Jesus é motivo de alegria para todos. Basta ter boa vontade de segui-Lo. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. O mistério do Natal só inspira confiança. O Céu hoje só tem bênçãos a derramar sobre a terra. É por causa da humanidade que nasceu, é por nossa causa que é Salvador. Se os nossos pecados ainda clamam vingança, os vagidos que partem do presépio, chegam até ao coração do Pai das misericórdias. Paz nos corações de todos os homens! Jesus vem expulsar deles os remorsos que os atormentam, as paixões que os agitam. E que nos pede para gozarmos desta paz? A boa vontade; uma vontade decidida, não uma veleidade, que não é uma vontade boa. Os Anjos não dizem: Paz às almas justas e inocentes; paz aos Santos penitentes, que expiaram os seus pecados; mas dizem: Paz aos homens de boa vontade! Desde que eu esteja disposto a conformá-la com a vontade de Deus, tenho direito a contar com a paz. Tanto os pastores como os Reis Magos tiveram esta boa vontade. Mas na verdade, os pobres entendem melhor a linguagem da cruz, acostumados como estão às privações e sofrimentos. Todos correram a visitar Jesus. Consta que só três Reis foram fiéis: "Vimos a estrela e viemos adorar o Rei dos Judeus".
   Hoje vamos considerar o exemplo dos pastores. Na Epifania, se Deus quiser, falaremos mais dos Reis Magos.
   Os pastores são cercados de refulgente luz; vêem um Anjo e têm muito temor, mas é substituído logo pela confiança: "Não temais, diz o espírito celeste, anuncio-vos uma grande alegria, que será para todo o povo: nasceu-vos hoje em Belém o Salvador. Mas como reconhecereis vós este Messias tão ardentemente desejado durante séculos? São três os sinais, ou sejam, as insígnias de sua grandeza, de sua realeza: a humildade; a pobreza; a mortificação dos sentidos. Diz o anjo: "Invenietis infantem, pannis involutum, positum in praesepio". Invenietis infantem: encontrareis um menino recém-nascido que não fala - é a humildade. Jesus é o Verbo ou a Palavra do Pai, mas aqui não fala, só sabe chorar. Pannis involutum: envolvido em pobres paninhos - é a pobreza. E Ele é o Verbo pelo qual foram feitas todas as coisas, todo ouro, todas as pedras preciosas. Positum in praesepio: colocado numa mangedoura - é a mortificação dos sentidos. Deixou o Céu, a Pátria do Repouso eterno, da Glória infinita, e está aqui sobre palha, exposto às intempéries.
   Os pastores crêem nas palavras do Anjo, por mais opostas que sejam a todos os juízos humanos; confiam na sabedoria, no poder, na bondade de Deus. E vão ver e adorar esse Salvador recém-nascido. Partem, apressam-se. Ó prudente docilidade! Ó santa prontidão! "Acharam Maria, José e o Menino, que estava reclinado no presépio". Eis o fruto de sua retidão e obediência. Longe de se entibiarem à vista desta pobreza, sentem ainda mais fervor em se aproximar de um Salvador, que se mostra tão acessível, e em honrá-Lo e contemplá-Lo. Ali ficaram extasiados por muito tempo. Entregavam seu coração ao Menino Deus, e deixavam-no atuar neles livremente, limitando-se a cooperar com a ação de Jesus, sem a estorvar. Imitemos esta candura, e Jesus orará em nós, como orou neles. Saem dali anunciando o Salvador por toda parte.
  Caríssimos e amados leitores, vamos sem demora ao Altar do Salvador! O Altar deve ser para nós hoje, o que o presépio foi para os piedosos pastores. Procuremos nos aproximar de Jesus com os mesmos sentimentos, dispondo-nos para ali receber não nos braços mas no coração Aquele mesmo Jesus, na Comunhão. Este o verdadeiro Santo Natal que desejo para todos vós! Amém!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

O CORAÇÃO IMACULADO DE MARIA SANTÍSSIMA

   A devoção a este Coração Puríssimo tem por finalidade honrar o amor de Maria Santíssima encerrado porém no seu coração como em vaso precioso. O seu amor é a joia e o seu coração o cofre que a encerra. Na verdade, todo ato de culto tributado ao Coração de Maria, é um ato que abrange toda a sua pessoa.

   Consultando o Dicionário Bíblico pude verificar que o Divino Espírito Santo nas Sagradas Escrituras emprega a palavra "coração" por mais de 600 vezes. Julgo, no entanto, suficiente citar uma única passagem: "Praebe, fili mi, cor tuum mihi" (Prov. 23, 26). Em Português: "Dá-me, meu filho, o teu coração". Com esta palavra, Deus está pedindo todo o nosso ser.

   Beijamos a mão de um superior, mas sabemos que com este gesto queremos demonstrar o nosso respeito e afeto a toda a sua pessoa e não apenas à sua mão. Assim, comparando, ao honrarmos, ao prestarmos um culto de veneração ao Coração de Maria Santíssima, temos em vista honrar  toda a grandeza e santidade de sua pessoa. Queremos honrar e venerar sobretudo o seu amor do qual o coração é símbolo. Olhemos para o Coração de Nossa Mãe do Céu e não esqueçamos que ela é também Mãe de Deus. Deus empregou o sua onipotência, a sua sabedoria e todo o seu amor ao preparar o Coração de Sua Mãe Santíssima. É a obra-prima saída das mãos de Deus Onipotente. Se Maria Santíssima havia de amar a Deus e aos homens com um amor só inferior ao de Deus, como seria o coração que encerraria tal amor? 
   O coração de carne de Maria Santíssima (objeto material desta devoção) foi o instrumento de que se valeu o Espírito Santo para a Encarnação. Daquele Coração puríssimo e imaculado, brotou o sangue preciosíssimo de que se formou o corpo sacrossanto e até o próprio Coração Sacratíssimo de Jesus! Ali formou o Altíssimo aquele sangue que Jesus havia de oferecer na cruz pela salvação da humanidade.

   Não podemos conceber nenhum mistério da vida da Santíssima Virgem ao qual não correspondam neste Coração novas pulsações. O Coração Imaculado de Maria era o órgão sensível do seu amor, como instrumento que recebia todas as impressões do corpo e da alma para se transformar em amor, para se abrasar cada vez mais no fogo do amor de Deus e do próximo. Por isso o representamos encimado de chamas.

 Caríssimos, na verdade a devoção ao Imaculado Coração de Maria é o melhor caminho , a melhor preparação para a prática da devoção ao Coração de Jesus. "Eis o Coração que tanto amou os homens", disse Jesus, para nos incitar ao seu amor. Pois bem, depois do de Jesus, nenhum coração nos amou como o de Maria, nenhum coração pode servir-nos de modelo como o de Maria. Portanto, a devoção ao Coração de Jesus, exige uma devoção terna ao Coração da Santíssima Virgem. E esta é a vontade de Deus. Daí, estes dois Corações, o de Jesus digno de toda veneração e também adoração na Eucaristia; e o de Maria, digno não de adoração mas de uma veneração toda especial, isto é, digno de uma hiperdulia, devem estar sempre juntos. Esta é a vontade de Deus. Neste particular podemos também dizer: "Não separe o homem o que Deus uniu". Como disse São Luiz Grignon de Montfort: "Foi por intermédio da Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por meio dela que Ele deve reinar no mundo". Assim podemos dizer que o próprio Deus deseja que o Sacratíssimo Coração de Jesus reine no mundo através do Imaculado Coração de Sua Mãe Santíssima. Devemos, pois, pedir ao Coração Imaculado da Santíssima Virgem que nos ensine a conhecer e a amar o Coração Divino de Jesus.

   Sabemos pela Sagrada Teologia que Maria Santíssima, pela sua dignidade de Mãe de Deus, foi introduzida na participação do mesmo Deus, quanto isso é permitido a uma pura criatura.  Filha predileta de Deus Pai; Mãe amorosíssima de Deus Filho; Esposa santíssima e fidelíssima do Divino Espírito Santo. Teve um período na vida de Maria Virgem e Mãe em que realmente a vida de Deus era a vida de Maria. O Coração de Deus pulsava pelos impulsos do Coração de sua Mãe Santíssima. E, por isso era tal a união entre os dois Corações, que viviam uma vida perfeitamente comum.

    O único Coração que ama a Deus com o amor que merece é o Coração Sacratíssimo de Jesus, e depois, mas juntamente com Ele e por Ele, o puríssimo Coração de Maria Santíssima. A sempre Virgem Maria poderia dizer com muito mais razão e propriedade do que São Paulo: "Vivo, mas não sou eu que vivo, é Jesus que vive em mim". Aí fica patente a santidade do Coração de Maria! Pois, a santidade consiste na participação de Deus, no amor que transforma a alma em Deus, em chegar a ser uma verdadeira imagem de Deus. O Coração de Maria é o tabernáculo da divindade, o templo vivo onde Deus se dignou fixar a sua morada. Donde, tudo neste Coração é santo, nada há nele, até o mais imperceptível movimento, que o não seja: pensamentos, desejos, amores, palavras, obras, tudo, tudo é santo. Digno Coração da digna Mãe de Deus! E toda língua se cale! E se o Coração de Maria Santíssima é santo com a santidade participada de Deus, é também formosíssimo com a beleza de Deus. Santo Agostinho define a beleza como: O esplendor da ordem". Haverá ordem no coração e em todo o nosso ser, quando se seguir a vontade de Deus, manifestada interiormente pelos impulsos da graça e pelas inspirações divinas. Tudo que Deus fez era bom, estava tudo em ordem. Reinava a paz. O pecado trouxe a desordem. O coração humano abusando do poder da sua vontade, e do dom da sua liberdade, desprezou esta ordem divina e passou a viver em contínua desordem.  Pois bem! O Coração de Maria é puríssimo e imaculado desde o primeiro instante de sua existência. Que ordem, que paz, que beleza, que simplicidade reúnem-se no Coração Imaculado de Maria! No Coração de Maria Santíssima temos o modelo que Deus nos concede, não só para que o admiremos, mas sobretudo para o imitarmos. 
Imagem de Nossa Senhora das Dores
Encontra-se na 13ª estação da Via-Sacra,
no Monte Calvário. Foi doada, assim como grande parte
dos presentes em ouro e pedras preciosas, por D. Maria I
 Rainha de Portugal.
   Mas o Coração de Maria tinha de ser um Coração de Mãe, mas de Mãe Dolorosa. Seu Coração aparece sempre trespassado por uma espada cruel e penetrante. Representamo-lo também cercado de rosas. Mas não esqueçamos que debaixo das rosas estão os espinhos. Segundo as profecias, Jesus devia ser o Homem das dores. Como foi da vontade de Deus que sua Mãe fosse Corredentora, assim ela devia ser também a Mãe das dores. Não devia sofrer em seu corpo tormentos físicos; e por isso todos os sofrimentos se lhe acumularam forçosamente no Coração. De acordo com os Santos Padres, todos os padecimentos sofridos por Jesus em seu Corpo Sacrossanto, sofreu-os Maria todos, um por um, no seu Coração Imaculado de Mãe. Como uma sacerdotisa, estava de pé junto à cruz de seu Divino Filho, oferecendo-O, segundo a vontade do Pai, como vítima pela salvação dos homens; oferecendo em consequência, igualmente o seu Coração Imaculado para ser transpassado por aquela espada de dor predita pelo velho Simeão, para que desta ferida aberta na sua alma, nascêssemos todos nós, os filhos de sua dor. Diante de seus olhos, Jesus foi morrendo aos poucos derramando gota a gota, todo o seu sangue. E, assim, vendo extinguir-se a Vida que ela gerou sem dor, deu-nos a vida, gerando-nos na dor.  Nossa Senhora é nossa  Mãe espiritual. O amor de seu Puríssimo Coração por nós, é amor de mãe. Sabemos o que isto significa. Tudo o que na terra é amor, está compendiado no coração de uma mãe. O próprio Deus, quando quer falar do seu amor aos homens e que estes saibam até onde chega o seu amor,compara-se a uma mãe: "Será possível a uma mãe esquecer o seu filho"? O coração de mãe é como um  oceano de amor que não tem limites.

   E, caríssimos, quem mais mãe do que a Virgem Santíssima? Se é Mãe de Deus!!! e mãe de todos os homens, como será então os seu Coração? Que amor nele haverá!!! Há sim maravilhas infinitas! Depois, devemos considerar que o Filho de Deus era exclusivamente seu filho, sem intervenção de nenhuma outra paternidade, além da de Deus; por isso é mais mãe que nenhuma outra mãe: Deus e Ela, ninguém mais interveio nesta admirável maternidade. Mãe alguma pode dizer com maior razão do que Ela, ao estreitar o filhinho sobre o coração: "és meu e todo meu".
   E nunca certamente o Coração de Maria esteve separado em seu amor, do de seu divino Filho! Ele foi principalmente o objeto do seu amor. Mas n'Ele e com Ele e também num sentido certo e verdadeiro, éramos outrossim seus filhos. Que amor do seu Coração maternal para conosco! Na verdade, com o seu fiat na Anunciação Maria aceitou ser Mãe de Deus e Mãe nossa. Sabendo que esta era a vontade de Deus, o seu Coração amantíssimo abraça-se com as duas maternidades .   Deus é nosso Pai amantíssimo e bondoso. O Coração misericordiosíssimo da Santíssima Virgem é efeito desta bondade e deste amor de Deus para com os homens. É um Coração compassivo que sente como próprias as necessidades e misérias alheias; um Coração misericordioso que chora com os que choram, sofre com os que sofrem e também alegra-se com os que estão alegres. Basta pensarmos nas Bodas de Caná, na visita a sua prima Santa Isabel, no Calvário, no Cenáculo após a Ressurreição e Ascensão de Jesus.  Que exemplo maravilhoso de bondade! O Coração de Maria Santíssima nunca desanima, nem se cansa. Espera sempre, confia sempre em poder remediar a situação dos filhos. Como que voa por toda parte fazendo o bem!
   Maria Santíssima é a Onipotência Suplicante e emprega-a total e generosamente para socorrer os seus filhos. E a compaixão de Seu Coração nunca é inútil, como acontece frequentemente com as outras mães que desejam fazer o melhor pelos seus filhos, mas não sabem ou não podem.
   E o mais admirável é que esta misericórdia maternal de Nossa Senhora não terminou com a morte, como sucede com a das mães terrenas. Agora que está no céu o seu Coração é o mesmo. Se alguma mudança sofreu no Céu o Coração de Maria, foi para ser ainda mais compassiva, mais clemente e misericordiosa para se aproveitar melhor da sua condição de Imperatriz em favor dos degredados filhos de Eva.

   "CORAÇÃO IMACULADO DE MARIA! SEDE A NOSSA SALVAÇÃO JUNTO AO CORAÇÃO DE JESUS! AMÉM!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

NOSSA SENHORA DE QUADULUPE

PADROEIRA DA AMÉRICA
                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*

Amanhã festejaremos Nossa Senhora de Guadalupe, patrona do México e Padroeira da América Latina, por ter ocorrido a sua aparição nos primórdios do Novo Mundo.
Em 1531, um índio convertido, Juan Diego, a caminho da Missa na missão franciscana, nos arredores da cidade do México, recebeu um chamado para subir à colina de Tepeyac, onde viu uma jovem de radiosa beleza, que o encheu de felicidade e lhe disse: “Eu sou a sempre Virgem Mãe do Deus verdadeiro, no qual vivemos, Criador e Autor do Céu e da Terra. É meu desejo que se construa aqui um templo em minha honra, onde eu derramarei o meu amor, socorro e proteção...”. E disse-lhe que fosse à casa do Bispo, transmitindo-lhe o seu pedido.
O Bispo o recebeu, mas não acreditou muito na sua história. Juan Diego foi dizer à Senhora que arranjasse outra pessoa mais digna para essa missão e não ele, pobre índio. A Senhora lhe disse que poderia ter escolhido outros, mas o queria para essa incumbência. Voltou ao Bispo, o qual lhe disse que deveria pedir à Senhora um sinal como prova de que ela era a Mãe de Deus. A Senhora mandou que ele colhesse ali, naquela colina rochosa e árida, onde nem vegetação havia, no frio do mês de dezembro, abundantes rosas de cor e perfume maravilhosos, as colocasse em sua manta e as levasse ao Bispo, como sinal. Apresentando-se ao Bispo, derramou na sua presença as rosas e o prelado caiu de joelhos maravilhado, não tanto pelas rosas, mas por algo mais extraordinário: na manta de Juan Diego aparecia impressa com beleza surpreendente a Senhora que o pobre índio tinha visto na colina de Tepeyac. Era o dia 12 de dezembro de 1531.
Essa manta do índio é a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, venerada por milhões de peregrinos no grande Santuário construído em sua honra, imagem que se constitui em um grande milagre até hoje. Sábios, técnicos, pintores e especialistas, usando os meios modernos da Química, Física e Raios X, não foram até hoje capazes de explicar como é que se combinam na mesma pintura a aquarela e o óleo, sem vestígio de pincel. O tecido, feito de cacto, não dura mais de 20 anos e este já dura há mais de quatro séculos e meio. A imagem nunca foi retocada e até hoje os peritos de pintura e química não encontraram na tela nenhum sinal de corrupção. Com a invenção e ampliação da fotografia, descobriu-se um prodígio ainda maior: tal como a figura das pessoas com quem falamos se reflete nos nossos olhos, foram descobertas três figuras refletidas nos olhos de Nossa Senhora, na tela. Exames feitos com todo o rigor científico por oftalmologistas americanos concluíram que essas três figuras não são pinturas, mas imagens gravadas nos olhos de uma pessoa viva. As três imagens são João Diego, o intérprete e o Bispo.
Por sua fidelidade, fé simples e humildade, Juan Diego foi canonizado pelo Papa São João Paulo II em 2002.  O nome “Guadalupe” em espanhol é a tradução da frase asteca que significa “aquela que esmaga a serpente”, a quem os astecas costumavam oferecer sacrifícios humanos. Nossa Senhora de Guadalupe é também invocada como protetora dos nascituros.

                                                                                                                                                                                 *Bispo da Administração Apostólica Pessoal
                                                                                                                                                                                                   São João Maria Vianney

                                                                                                                                                                                     http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

domingo, 8 de dezembro de 2019

PIO IX DEFINE EM 1854 O DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO DA SANTÍSSIMA VIRGEM E QUATRO ANOS DEPOIS N. SENHORA APARECE EM LOURDES

Um só acontecimento bastaria para tornar o Pontificado de Pio IX eternamente célebre na Igreja: é a Definição do Dogma da Imaculada Conceição de Maria Santíssima, pronunciada a 08 de dezembro de 1854, na presença de 200 bispos, formando a mais augusta assembléia eclesiástica, havida desde o Concílio de Trento.
   "É raro, diz o Padre Rivaux, que a Igreja defina um dogma para satisfazer somente aos piedosos desejos e à devoção dos fiéis. O motivo deste ato de poder, o maior que se possa exercer sobre o homem, foi sempre a condenação de algum erro perigoso; por isso os espíritos mais justos notam uma ligação e relação íntimas entre a definição dogmática da Imaculada Conceição e a condenação de todos os erros monstruosos, que infeccionavam o mundo, de sorte que uma dessas duas coisas não pode fazer-se sem a outra.
   Desde o aparecimento do protestantismo, a guerra contra a Igreja tomou proporções gigantescas. Dessa grande heresia, continua o Padre Rivaux, nasceu o racionalismo, primeiramente teológico, depois teológico e filosófico, mais tarte teológico, filosófico e político, e finalmente teológico, filosófico, político e social. Este racionalismo, aplicado de mil modos pelas seitas modernas e sociedades secretas, abrange ao mesmo tempo o homem religioso e social, e forma um vasto sistema de erros, que invade e corrompe religião, moral, ciências, literatura, artes, política, família, tudo enfim, e ameaça arrancar de seus fundamentos toda a sociedade humana, para a reconstruir segundo as suas utopias, e dar-lhe uma nova organização humanitária.
   "O princípio fundamental deste racionalismo de mil formas é a deificação da razão humana, que uns elevam ao nível e outros acima do dogma e da verdade revelada, e que finalmente os panteístas identificam com Deus mesmo. Deus confundido com o grande todo não subsiste e não se revela como pessoa senão na humanidade inteira; e os indivíduos da espécie humana somente dele são partículas ou modificações finitas e transitórias. - Como se vê, é um regresso para a antiga e absurda mentira de Satanás, tentando enganar a primeira mulher por estas palavras: Sereis com uns deuses.
   "A conseqüência inevitável deste monstruoso sistema, ou antes o seu fundamento lógico necessário, é a negação do pecado original. Porque, segundo este sistema, o homem é isento de corrupção, é perfeito, é santo de sua natureza; os seus instintos, sejam quais forem, são bons e divinos, etc. Se no presente ele parece miserável e degradado, deve isto atribuir-se ao vício das leis sociais e religiosas. Cumpre pois curá-lo desses estorvos, emancipar a humanidade e reconstruí-la num estado perfeito, segundo uma nova moral, uma nova ciência, uma nova Igreja, e uma associação universal de todos os povos. É por isso que se fala tantas vezes de futuros destinos da humanidade, da emancipação da mulher, da carne, e até mesmo de redenção nova etc.
    O Padre Rivaux fala em 1877 como se hoje estivesse explicando a nossa era, ou melhor dizendo, como se estivesse expondo a "NOVA ERA", "NEW AGE". Um dia, se Deus quiser, falaremos mais sobre isto.
   "Assim perfeito e santo de sua natureza, continua o Padre Rivaux, o homem não precisou de redenção. Em conseqüência, Jesus Cristo não foi senão um filósofo humanitário, encarregado unicamente de uma missão civilizadora e terrestre. Atribuíram-lhe depois falsamente as prerrogativas e os caracteres do deus humanidade, donde o seu nome de Deus-Homem ou Homem-Deus. - A sua história católica não é mais que um complexo de mitos, etc.
   "O nosso último destino, a nossa suprema felicidade acha-se neste mundo, e só por um progresso indefinido e fatal se deve alcançar, etc. - É desta maneira que blasfemam, renegam a Jesus Cristo, e que alguns sábios, em nome do progresso, nos fazem retroceder até ao paganismo mais absurdo e grosseiro. E este paganismo moderno, proveniente, não de se ter ignorado o Evangelho, mas de se ter conhecido e renegado será pior que o antigo, um mal quase irremediável, segundo este oráculo de São Paulo: "É impossível que os que foram uma vez iluminados, e depois disto caíram, tornem a ser renovados pela penitência". Tal é o resumo, tais são as conseqüências desastrosas e ímpias dos erros modernos. Em suma, nega-se o pecado original quer em si e seus efeitos, quer na reparação, que recebeu por meio de Jesus Cristo.
   "Mas o dogma do pecado original com os seus estragos no homem, e o dogma da redenção divina que os repara, foram já definidos pela Igreja. Por outro lado, é tal o estado da sociedade, é tamanho o resfriamento da fé, tão universal o da caridade, que se julgava, que se não podia esperar grande resultado da renovação das antigas definições, nem de uma condenação formal e solene dos principais erros modernos. O mal parecia exigir uma medida oportuna e sábia, que esclarecesse os espíritos e servisse ao mesmo tempo para inflamar os corações dos fiéis. Ora, a Igreja não podia melhor conseguir este fim do que definindo o dogma da Imaculada Conceição, no qual se acham encerradas e como personificadas todas as verdades do catolicismo, diretamente opostas aos numerosos erros do racionalismo moderno.
   "Com efeito, se Maria, por um privilégio único foi preservada do pecado original, segue-se, que a posteridade de Adão não é nem pura nem santa na sua origem; mas que é viciada e culpável, e precisa de um Redentor. - Se Maria foi preservada, porque devia ser Mãe de Deus, segue-se que Jesus Cristo, seu filho, não é um filósofo  humanitário ou uma pura ideia: é verdadeiramente Deus, unindo na pessoa simples e única do Verbo a natureza  divina e a natureza humana. - Se é à dignidade e aos méritos de Jesus Cristo, seu Filho, reparador da humanidade decaída, que Maria deveu a sua preservação, segue-se, que a missão de Jesus Cristo não foi uma missão terrestre e meramente social, mas sim celeste e sobrenatural: isto é, remir o homem pecador, tirá-lo da morte do pecado, livrá-lo da escravidão do demônio.
   Aqui o Padre Rivaux condena antecipadamente a TL e o MST. Basta o bispo de Campos estudar a verdadeira Teologia!
   "Logo, a graça que Jesus Cristo veio trazer-nos não é a civilização política, mas a fé, a vida sobrenatural, a dignidade de filhos adotivos de Deus; logo a felicidade, para a qual veio encaminhar-nos, não é a felicidade temporal desta vida, mas a felicidade eterna do céu; logo a terra é um lugar de transição, de exílio, de expiação, de luta entre a carne viciada pelo pecado e o espírito ajudado da graça de Jesus Cristo, e por conseqüência todos os atos do homem, que tendem a diminuir nele os ardores da concupiscência, fruto do pecado, e a reformar as suas paixões revoltadas: assim como a oração, as obras de mortificação e de penitência, não são exagerações da idade média, excessos de um misticismo exaltado, mas sim os justos meios de aplicação, e como o complemento da Paixão de Nosso Divino Redentor, como ensina o grande Apóstolo das nações (Coloss. I, 24). - Concluamos ainda que, se o homem, desde a sua origem, foi pecador ou prevaricador, não é independentemente de sua natureza; logo há uma lei superior, a que deve obedecer; logo são falsas as máximas da pretendida liberdade absoluta do homem, da independência do seu pensamento, da soberania da humanidade e da opinião, etc.
   "Pelo que precede se vê quantas verdades importantes se acham encerradas e concentradas na da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem, e quantos erros perniciosos dos nossos tempos foram condenados pela definição deste dogma. - Assim se verifica cada vez mais o que a Igreja canta em honra de sua gloriosa Rainha: "Ó santa Virgem, só vós exterminastes todas as heresias no universo inteiro": Cuncta haereses tu sola interemisti in universo mundo".
   "Uma dupla manifestação provocada pela definição deste dogma em oito de dezembro de 1854 provou bem esta verdade consoladora: a manifestação odienta e violenta da incredulidade, e a manifestação filial e jubilosa dos fiéis. O dragão infernal de novo esmagado sob o pé da Virgem não podia deixar de soltar gritos de furor; incapaz de cantar a beleza de Maria Imaculada, o monstro esforçou-se inutilmente por manchá-la e feri-la no calcanhar: insidiaberis calcaneo ejus.
   "Mas por outro lado e ao mesmo tempo, os filhos da Igreja e da verdade exultaram de alegria e de felicidade. Os entusiasmos de Éfeso empalidecem e desaparecem perante os fogos de júbilo e de triunfo, que todo o mundo católico espontaneamente acendeu em honra da Imaculada Virgem Maria. - Este consolador dogma foi proclamado na cidade eterna, donde a vista de Maria abrange todo o universo católico, como o poder divino que ali se exerce; e as cidades e as aldeias imitam a Igreja Mãe e Senhora. - Deus, que recusara a proclamação da Imaculada Conceição às instâncias dos séculos de fé, tinha-a, em sua bondade, reservado para os nossos tempos, corrompidos e ameaçados por sofistas, sem dúvida para os curar e salvar. - Assim o procedimento da Igreja, a alegria dos fiéis, a raiva do inferno, o despeito, os sarcasmos e as blasfêmias da impiedade, tudo se explica naturalmente.
   "Foi tão agradável à Santíssima Virgem a definição deste dogma, que ela se dignou confirmá-la, pronunciando em 1858, estas palavras: "EU SOU A IMACULADA CONCEIÇÃO", na memorável e tão misericordiosa aparição em Lourdes, que abriu para todo o mundo e particularmente para a França uma fonte inexaurível de milagres, de graças, e de bênçãos".