sexta-feira, 21 de setembro de 2018

ALGUMAS PASSAGENS DA BÍBLIA SOBRE O HOMEM E A MULHER



Gênesis I, 27 e 28: "E criou Deus o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, e criou-os macho e fêmea.E Deus os abençoou, e disse: Crescei e multiplicais-vos, e enchei a terra".

Gênesis II, 18 e 21-25: "Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; façamos-lhe um adjutório semelhante a ele". (...) Mandou, pois, o Senhor Deus um profundo sono a Adão; e, enquanto ele estava dormindo, tirou uma das suas costelas, e pôs carne no lugar dela. E da costela, que tinha tirado de Adão, formou o Senhor Deus uma mulher; e a levou a Adão. E Adão disse: Eis aqui agora o osso de meus ossos e a carne da minha carne; ela se chamará Virago, porque do varão foi tomada. Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher; e serão dois numa só carne. Ora um e outro, isto é, Adão e sua mulher, estavam nus; e não se envergonhavam".

Gênesis III, 6: "Viu, pois, a mulher que (o fruto) da árvore era bom para comer, e formoso aos olhos, e de aspecto agradável; e tirou do fruto dela, e comeu; e deu a seu marido, que também comeu".

Gênesis III, 11-13: "Disse-lhe [ao homem]: Mas quem te fez conhecer que estavas nu, senão o ter comido da árvore, de que eu te tinha ordenado que não comesses? Adão disse: A mulher, que me deste por companheira, deu-me (do fruto) da árvore, e comi. E o Senhor Deus disse à mulher: Por que fizeste isto? Ela respondeu: A serpente enganou-me, e comi".

Gênesis III, 16-20: "Disse também [Deus] à mulher: Multiplicarei os teus trabalhos, e (especialmente os de) teus partos. Darás à luz com dor os filhos, e estarás sob o poder do marido, e ele te dominará. E disse a Adão: Porque deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore, de que eu te tinha ordenado que não comesses, a terra será maldita por tua causa; tirarás dela o sustento com trabalhos penosos todos os dias da tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos, e tu comerás a erva da terra. Comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra, de que foste tomado; porque tu és pó, e em pó te hás de tornar. E Adão pôs à sua mulher o nome de Eva, porque ela era a mãe de todos os viventes".

Eclesiástico IX, 2: "Não dês à mulher poder sobre a tua alma, para que se não levante contra a tua autoridade, e fiques envergonhado".

Eclesiástico XXV, 1-4: "De três coisas se compraz o meu espírito, as quais têm a aprovação de Deus e dos homens: A concórdia entre os irmãos, o amor dos próximos, e um marido e mulher que se dão bem entre si. Três sortes (há de pessoas) que a minha alma aborrece, e cuja vida me é insuportável: Um pobre soberbo, um rico mentiroso, um velho fátuo e insensato".

Eclesiástico XXV, 22, 23 e 27: "Não há cabeça pior do que a cabeça da cobra; e não há ira pior do que a ira da mulher. Será melhor viver com um leão e com um dragão, do que habitar com uma mulher má" (...). "O que é para os pés de um velho o subir um monte de areia, isso é para um homem sossegado uma mulher desbocada" (...). Da mulher nasceu o princípio do pecado, e por causa dela é que todos morremos".

Eclesiástico XXVI, 1-4: "Ditoso o homem que tem uma virtuosa mulher, porque será dobrado o número de seus anos. A mulher forte é a alegria de seu marido, e lhe fará passar em paz os anos da sua vida. A mulher virtuosa é uma sorte excelente, é o prêmio dos que temem a Deus, e será dada ao homem pelas suas boas obras. Terá satisfeito o coração, seja rico ou pobre, e o seu rosto ver-se-á sempre alegre".

Eclesiástico XXVI, 16-24: "A graça de uma mulher cuidadosa deleitará o seu marido, e lhe infundirá vigor até aos ossos. O seu bom proceder é um dom de Deus. Sendo uma mulher sensata, é amiga do silêncio; nada é comparável a uma alma bem educada. Graça sobre graça é a mulher santa e cheia de pudor. Todo o preço é nada em comparação de uma alma casta. O que é o sol para o mundo, quando nasce nas alturas de Deus, assim é a bondade duma mulher virtuosa para ornamento da sua casa. Como a lâmpada que brilha sobre o candelabro sagrado, assim é a graciosidade do rosto numa idade madura. Como colunas de ouro sobre bases de prata, assim estão firmes sobre as suas plantas os pés da mulher constante. Como fundamentos eternos sobre pedra sólida, assim são os mandamentos de Deus no coração da mulher santa".

Provérbios XI, 22: "Um anel de ouro no focinho duma porca, tal é a mulher formosa que se aparta da razão".

Provérbios XII, 3 e 4: "O homem não se firmará pela impiedade, mas a raiz dos justos não será abalada. A mulher forte é a coroa do marido, porém a que faz coisas dignas de confusão é a cárie nos seus ossos".

Provérbios XIV, 1 e 2: "A mulher prudente edifica sua casa; a insensata destruirá com suas próprias mãos a que está já feita. Aquele que anda pelo caminho direito, e que teme a Deus, é desprezado por aquele que anda pelo caminho infame".

Eclesiastes XII, 13: "Teme a Deus e observa os seus mandamentos, porque nisto está o homem todo".

Eclesiastes VII, 26-30: "Eu discorri no meu espírito por todas as coisas, para saber, considerar e buscar a sabedoria e a razão de tudo e para conhecer a impiedade do insensato e o erro dos imprudentes; achei que é mais amargosa do que a morte a mulher corrompida, a qual é um laço de caçadores, o seu coração uma rede e as suas mãos umas cadeias. Aquele que agrada a Deus, fugirá dela; o que, porém, é pecador, será apanhado por ela". (...) " O que eu unicamente achei foi que Deus criou o homem reto, e que ele mesmo se meteu em infinitas questões".

Salmo 127, 1-6: "Ditosos todos os que temem o Senhor, e os que andam nos seus caminhos. Quando comeres do trabalho das tuas mãos, bem-aventurado és, e te irá bem. Tua esposa será como um vinha fecunda, no interior da tua casa. Teus filhos, como mudas de oliveiras,ao redor de tua mesa. Eis como será abençoado o homem que teme o Senhor".

S. Marcos X, 2-12: "Aproximando-se os fariseus, perguntavam-Lhe [a Jesus] para o tentarem: É lícito ao marido repudiar sua mulher? Ele, respondendo, disse-lhes: Que vos mandou Moisés? Responderam eles: Moisés permitiu escrever libelo de repúdio, e separar-se dela. Jesus disse-lhes: Por causa da dureza de vosso coração é que ele vos deu esse mandamento. Porém, no princípio, quando Deus os criou, 'formou-os homem e mulher. Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher; e os dois serão uma só carne'. Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto não separe o homem o que Deus uniu. Em casa os seus discípulos interrogaram-no novamente sobre o mesmo assunto. Ele disse-lhes: Qualquer que repudiar sua mulher e se casar com outra, comete adultério contra a primeira; e, se a mulher repudiar seu marido e se casar com outro, comete adultério".

1 Coríntios VII, 10 e 11: "Quanto àqueles que estão unidos em matrimônio, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não separe do marido. e, se ela se separar, fique sem casar, ou reconcilie-se com seu marido. O marido igualmente não repudie sua mulher".

Efésios V, 21-33: "Sede [marido e mulher]submissos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres sejam sujeitas a seus maridos, como ao Senhor, porque o marido é cabeça da mulher, como Cristo é cabeça da Igreja, seu corpo, do qual ele é o Salvador. Ora, assim como a Igreja está sujeita a Cristo, assim o estejam também as mulheres a seus maridos em tudo. Maridos, amai as vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja e por ela se entregou a si mesmo, para a santificar, purificando- no batismo da água pela palavra da vida, para apresentar a si mesmo esta Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e imaculada. Assim também os maridos devem amar as suas mulheres, como os seus próprios corpos. O que ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque ninguém aborreceu jamais a sua própria carne, mas nutre-a e cuida dela, como também Cristo o faz à Igreja, porque somos membros do seu corpo, da sua carne e dos seus ossos. 'Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher; e serão os dois uma só carne'. Este mistério é grande, mas eu o digo em relação a Cristo e à Igreja. Por isso também cada um de vós ame sua mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o seu marido".

Colossenses III, 18 e 19: "Mulheres, estai sujeitas a vossos maridos, como convém, no Senhor. Maridos, amai vossas mulheres e não sejais ásperos para com elas".

1 S. Pedro III, 1-8: "Igualmente, vós, mulheres, sede submissas a vossos maridos, para que, se alguns não creem na palavra, sejam ganhados pelo proceder de suas mulheres, sem a palavra, considerando a vossa vida casta com temor. Não seja o vosso adorno exterior: cabelos frisados, adereços de ouro, gala e preparo dos vestidos, mas seja interior e oculto no coração, que consiste na pureza de um espírito pacífico e modesto, o qual é de grande valor diante de Deus.(...). Do mesmo modo vós, maridos, convivei sabiamente com vossas mulheres, tratando-as com honra, como seres mais fracos e como herdeiras convosco da graça da vida, a fim de que não sejam impedidas as vossas orações".

1 Coríntios XI, 7-12: "O homem, na verdade, não deve cobrir a sua cabeça, porque é a imagem e a glória de Deus, mas a mulher é a glória do homem. De fato, o homem não foi feito da mulher, mas a mulher do homem. E o homem não foi criado por causa da mulher, mas sim a mulher por causa do homem. Por isso a mulher deve trazer sobre a cabeça (o sinal do) poder por causa dos anjos. Contudo nem o homem existe sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor. Porque, se a mulher foi tirada do homem, também o homem é concebido pela mulher e todas as coisas vêm de Deus".

1 Coríntios XIV, 34: "As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar, mas devem estar sujeitas, como também o diz a lei. E se querem se instruídas sobre algum ponto, interroguem em casa os seus maridos, porque é vergonhoso para uma mulher o falar na Igreja. Porventura é de vós que saiu a palavra de Deus? Ou é só a vós que ela chegou?"

1 Timóteo II, 11-15: "A mulher aprenda, em silêncio, com toda a sujeição. Não permito à mulher que ensine, nem que tenha domínio sobre o homem, mas esteja em silêncio, porque Adão foi formado primeiro, e depois, Eva. Adão não foi seduzido, mas a mulher (é que, sendo) seduzida, prevaricou. Contudo, salvar-se-á pela educação dos filhos, se permanecer na fé, na caridade e na santidade, unidas à modéstia".

NB.: Se, porventura, alguém tem alguma dúvida quanto à interpretação de qualquer um destes textos das Sagradas Escrituras, tenha a plena liberdade de me perguntar. Responderei com a interpretação dos Santos Padres da Igreja.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DOS MOVIMENTOS INFLUENCIADOS PELO COMUNISMO



"Conhecidos a doutrina e os princípios marxistas, será ainda necessário estudar a maneira como os comunistas agem para chegar ao seu ideal  de uma sociedade sem classes (cf. Enc. cit., ibid., p. 70). Em outras palavras, quais as características pelas quais se conhecem os movimentos comunistas, ou os que, embora não sendo tais, servem ao comunismo.
Na impossibilidade de descrever todas estas características, lembremos apenas duas mais importantes e frequentes.
Ódio e intransigência pessoal
A primeira delas é a odiosa intransigência pessoal dos movimentos comunistas. Eles tendem sempre a criar e exacerbar a aversão contra uma classe social cuja existência, segundo a ordem natural das coisas, nada tem de injusto. Como a subsistência dessa classe constitui um empecilho ao triunfo da seita, os comunistas a votam ao extermínio. Pode haver motivos para se condenarem pessoas, sem que, por isso, se falte à justiça e à caridade. O que não é cristão é investir furiosamente contra uma classe sempre tida como legítima e necessária à boa ordem social, como se ela não passasse de um câncer da sociedade, a ser urgentemente extirpado.
Quando, pois, se enceta uma ação contra determinada categoria social, não com base em princípios definidos ou em fatos concretos e comprovados, mas com fundamento em doutrinas vagamente humanitárias e acusações imprecisas, excitando os espíritos à detestação pura e simples da classe em vista, podemos ter certeza de que há nessa campanha o ódio característico dos comunistas, ainda que seus promotores não se confessem tais. Sempre que uma campanha se reveste desse cunho de oposição fanática e incondicional contra uma classe determinada, há nela dedo comunista. E a colaboração que se dê a semelhante movimento é, no fundo, uma colaboração para o triunfo do comunismo.
Demagogia e exagero a propósito de problemas secundários
Além disso, como as campanhas marxistas são determinadas por considerações táticas e não por motivos morais, é muito freqüente não focalizarem elas a injustiça social mais grave, nem a que é mais urgente remediar; ou então não a focalizarem nos seus justos termos. Assim, quando se generaliza uma campanha contra um mal social, uma injustiça, uma situação deprimente, etc., é preciso examinar e ver se o caso posto em foco existe de fato, se apresenta a importância que a campanha lhe atribui, se esta o situa bem no conjunto das atividades sociais, de sorte que se possa afirmar que ela não é movida por um intuito de oposição sistemática, de acirramento de ódios e lutas, mas por uma vontade certa e sincera de corrigir um mal existente. Sempre que não se verifiquem estas características todas, podemos estar seguros de que a campanha envolve o interesse de fomentar a luta de classes, meio de que se utilizam os comunistas, como vimos, para implantar o domínio de sua seita. Colaborar com semelhantes campanhas é colaborar para o triunfo do marxismo.
Exemplo atual: a influência comunista na campanha pró-reforma agrária [Ainda é atual e até mais forte]
Exemplifiquemos co  o que atualmente se observa no movimento a favor da reforma agrária no País. De fato há entre nós injustiças no campo, de fato é preciso melhorar, o mais breve possível, as condições de existência e trabalho do operário agrícola brasileiro. E um movimento que tendo verdadeiramente a esse fim, só pode ser louvado. O que se nota, no entanto, em quase toda a presente campanha em prol da reforma agrária, é um esforço para excitar os espíritos contra a própria estrutura rural hoje existente no Brasil, acusada, sem provas, de responsável pelos males do campo e pela crise econômica nacional; e com essa excitação visa-se a levantar a opinião pública contra os proprietários da terra, sem considerar a inviolabilidade do direito de propriedade e os imensos benefícios que muitos fazendeiros proporcionaram e ainda proporcionam à coletividade." (Extraído da CARTA PASTORAL prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista, escrita por D. Antônio de Castro Mayer em 13 de maio de 1961).

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

CONHECENDO A DOUTRINA COMUNISTA



O comunismo, uma seita

Empregamos intencionalmente a palavra "seita". Não deveis pensar, com efeito, que o comunismo seja apenas um partido político. Ele o é, certamente, e suas redes envolvem em muitos países milhares e até milhões de homens e mulheres organizados politicamente, e que servem de núcleo em torno do qual gravitam outros milhares de simpatizantes e colaboradores. Mas, o comunismo é mais do que isso. Ele é uma seita filosófica, que pretende conquistar o mundo todo para sua maneira de pensar, de querer e de ser. Para conseguir semelhante conquista, os comunistas se organizam em partido; mas a arregimentação partidária é apenas um meio, um instrumento para atingir a meta universal.

O que anima a ação da seita marxista e lhe dá energia interna, clareza de fins, coesão e consequência é sua ideologia. Vamos expô-la sucintamente.

Materialismo evolucionista

O sistema comunista é o materialismo levado a suas últimas consequências. Afirma o marxismo que só existe a matéria. Não há Anjos nem demônios; não há alma espiritual nem Deus. O homem é pura matéria. Uma força misteriosa impele esse universo material num processo de desenvolvimento irreprimível, numa evolução irrefreável. Da matéria anorgânica emanou a vida, da planta nasceu o animal. Entre os animais houve um aperfeiçoamento lento e constante, até que apareceu o animal atualmente mais perfeito, cujo cérebro apresenta o mais alto grau de desenvolvimento. Este animal se chama homem. Com o tempo, o mesmo processo produzirá outro ser mais perfeito, pois assim como no passado surgiu o homem vindo do bruto, no futuro deverá surgir um outro ser, um "super-homem", tanto mais perfeito do que nós quanto nós somos mais perfeitos do que o macaco. Esta evolução não tem limites.

Tudo é relativo, inclusive a moral

Sendo assim, nossas ideias são relativas. O que me parece verdade metafísica e moral não tem valor objetivo. É verdade para mim, para meu estado de evolução. Para um ser mais evoluído, não o será. Em uma palavra, não há verdade objetiva. Eu crio a verdade; por conseguinte, crio o bem. Logo, não há metafísica, não há moral. É verdade e é bom o que eu quero que o seja. Não há Deus. Não há ordem natural que me obrigue. Não há direito natural. Não há autoridade legítima.

O homem comunista liberta-se de toda aquela maneira de pensar que tem prevalecido ao longo dos séculos, e estabelece o princípio: a verdade é o que me convém. É bom o que contribui para meu bem-estar subjetivo. Ora, a massa é a soma dos indivíduos, dos "eu" que a compõem. Assim, pois, a expressão máxima do homem é a massa. A massa que mais genuinamente representa o homem puro, autêntico, é a massa proletária. Portanto, o proletariado, a massa pobre dos trabalhadores é o árbitro supremo do bem e da verdade.

Destruição da Igreja, da autoridade, da hierarquia social

Daí se segue que a Religião, a autoridade dos pais e dos patrões, a propriedade privada, a moral obrigatória e imutável são quimeras burguesas que se devem apagar da memória dos cidadãos da "era nova". Igreja, elites sociais, classes tradicionais não têm o menor direito de existir. Céu, vida futura, ascese, santidade são conceitos que nada representam de aproveitável.

Ditadura do proletariado

O homem não deve ter nenhuma preocupação religiosa ou moral. Seu único cuidado deve ser lutar para dar ao proletariado o domínio absoluto da sociedade e proporcionar aos seus semelhantes, reduzidos todos à condição de proletários, o bem-estar na terra.

Luta entre os opostos. "Dialética"

A força metafísica que impele o universo para a perfeição é a luta entre os opostos. Existe nele uma desarmonia constitucional. Do choque dos elementos opostos brota a síntese, a harmonia momentânea. Mas logo aquilo que resultou da síntese encontra outro elemento a que se opõe, e eis de novo uma tese que se defronta com sua antítese para dar origem a uma nova síntese. Este princípio rege o universo. Rege também a sociedade humana. Poder-se-ia deixar que o processo que descrevemos se desenvolvesse em seu ritmo natural. A sociedade lentamente iria realizando suas oposições, à tese contraporia a antítese, daí resultaria uma síntese, e no fim ter-se-ia necessariamente o comunismo. Mas este processo necessário pode ser acelerado. O marxismo ensina a técnica de fazê-lo. É a luta de classes. Descobrindo os opostos, atiça-se a luta entre eles, lançando um lado contra outro. Assim, um processo que naturalmente duraria séculos pode desenvolver-se em poucos anos. É a isso que o marxismo chama "dialética". Joga os pobres contra os ricos, os colonos contra os fazendeiros, os inquilinos contra os senhorios, os pretos contra os brancos, os nortistas contra os sulistas, os nacionais contra os estrangeiros, os leigos contra os Padres,  -  eis alguns exemplos de luta possíveis.

A ciência da Revolução

O comunismo desenvolve uma ciência nova: a ciência da Revolução. Assim, cientificamente promove a luta dos opostos. Tem esta luta dois aspectos: um tático e outro estratégico. Este último consiste em apressar cientificamente a destruição daquelas oposições que, naturalmente, não se destruiriam antes de séculos, primeiro de coexistência, depois, de luta. A ciência da revolução estuda, além disso, o aspecto tático. Entre as muitas lutas possíveis, os dirigentes do comunismo escolhem aquelas que destroem classes e ordens que mais tenazmente impedem o nivelamento total da sociedade.

Igualitarismo completo

O objetivo final dos sectários de Marx é, portanto, o nivelamento total, a abolição das classes, o igualitarismo. Esse igualitarismo é essencial ao comunismo, e é por ser igualitário que ele destrói e suprime o direito de herança, a família, a propriedade privada, as elites sociais, a tradição.

Negação total da Religião Católica

Como acabamos de ver, é pois, por uma razão profundíssima que o comunismo, além de ateu, é revolucionário, violento, cínico, traidor, mentiroso, implacável, imoral, contrário à família e à propriedade. É por isto que ele é intrinsecamente mau, como declarou Pio XI 9cf. Enc. "Divini Redemptoris", ibid., p. 96).

É impossível conciliar o comunismo com o Catolicismo. Ele é uma seita filosófica que nega radicalmente tudo o que o Cristianismo ensina, e destrói o próprio fundamento deste, de todo o direito e de toda a filosofia. É a mais completa negação de Deus (cf. Enc. cit., p. 76).

Paraíso ateu

Desta negação total do bem e da verdade, e da esperança satânica de realizar o paraíso na terra, sem Deus, sem Cristo, sem a Igreja e sem autoridade, provém a força interna, o dinamismo obsedante e diabólico que empolga os comunistas e os faz soldados que não conhecem trégua nem quartel em sua luta para demolir a ordem baseada no bem e na verdade, baseada em Deus e em Cristo, que chamamos de Cristandade.

O partido Comunista

Nessa campanha contra a civilização cristã tem um papel central e preponderante o Partido Comunista. Realmente, ele se arvora em único representante genuíno da massa proletária. De maneira que se arroga, EM CONCRETO,  o poder ditatorial sobre a verdade e o bem que, em tese, o comunismo atribui ao proletariado.

Socialismo, comunismo aparentemente mitigado

Após a exposição da teoria do marxismo, convém dizer uma palavra sobre o socialismo. A realização mais conseqüente deste é o marxismo. Mas, ao lado do socialismo marxista, há variantes que procuram implantar a sociedade igualitária, materialista, sem lançar mão dos recursos brutais que geralmente são preconizados e usados por ele. Essas variantes preferem os meios legais, as transformações lentas, de modo que, num processo mais suave, mas igualmente irreprimível, sejam destruídas as instituições da sociedade sem classes, igualitária, em que o Estado tudo prevê, providencia e domina. Assim, às vezes o socialismo é o próprio comunismo nu e cru. Outras vezes, adotando aspecto pacífico e marcha gradual, ele introduz na sociedade sub-repticiamente o comunismo, e é a ponte, a porta pela qual este penetra na Cristandade. (Excertos da Carta Pastoral de D. Antônio de Castro Mayer, de santa memória, "CONTRA OS ARDIS DA SEITA COMUNISTA). 
NB.: Nossa Senhora profetizou em Fátima que o Comunismo espalharia seus erros pelo mundo todo. É o que verificamos com tristeza. Estudando atentamente as doutrinas comunistas, como acima tão magistral e claramente as expõe D. Mayer, constatamos que, talvez por uma metamorfose ideológica inadvertida, muitos católicos (e até entre os nossos que se creem tradicionais), estão contaminados pela doutrina comunista. Estes católicos desgraçadamente também ajudaram o PT, por vários anos, a levar o nosso querido Brasil ao caos total ou quase. Peçamos a Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, que nos livre mais uma vez do comunismo. Amém!


sábado, 15 de setembro de 2018

OS ARDIS DA SEITA COMUNISTA



Insinceridade fundamental do "humanitarismo" comunista

"Os comunistas não querem a reparação dos males, das injustiças sociais. O regime que eles aplaudem é a mais tremenda tirania, arvorada em sistema de governo. O que eles desejam é produzir um ambiente de luta, de exacerbação contra as elites. Seu fim imediato é provocar a inquietação social, a desunião dos espíritos. Não os perturba, de modo nenhum, a violação da lei moral. Para eles não existe lei moral (cf. Enc. "Divini Redemptoris, A. A. S., vol. 29, pp. 70 e 76). O que lhes é sobremaneira útil é excitar e manter a luta de classes, luta de extermínio, sem qualquer tentativa de conciliação harmoniosa como quer a Igreja. Eis o que se lê na História do Partido Comunista da URSS, publicação oficial dos soviets: "Para não se enganar em política, é preciso ser revolucionário e não reformista [...]. É preciso seguir uma intransigente política proletária de classe, e não uma política reformista de harmonia de interesses do proletariado e da burguesia, não uma política conciliadora de INTEGRAÇÃO do capitalismo no socialismo" (apud "Itinéraires", de Paris, nº 52, p. 99). Na Encíclica "Divini Redemptoris", por seu lado, Pio XI consigna que o ideal que visam os esforços dos marxistas é exacerbar a luta de classes (A. A. S., vol. 29, p. 70).

A seita comunista oculta ao grande público suas verdadeiras doutrinas

Hoje, a propaganda dos comunistas não apresenta nem sua doutrina, nem seus objetivos de modo claro, patente ao grande público. Fê-lo no começo, ma logo percebeu que assim afastava os povos do marxismo (cf. Enc. ibid. p. 95), tão brutal é a essência deste. Por isso, a seita "mudou de tática, e procura ardilosamente seduzir as multidões, ocultando os próprios intuitos atrás de ideias em si boas e atraentes"  (Enc. cit., ibid. p. 95). É assim que os comunistas, "mantendo-se firmes em seus perversos princípios, convidam os católicos a colaborar com eles, no campo chamado humanitário e caritativo, procurando, por vezes, coisas em tudo até conformes ao espírito cristão e à doutrina da Igreja"  (Enc. cit., ibid. p. 95).

Colaborar com as campanhas da seita marxista é fazer-lhe o jogo

De onde se vê que toda colaboração prestada a uma campanha na qual se empenham também os comunistas  -  ainda quando não se apresentem como tais  -  é uma colaboração que se dá à implantação do marxismo. O exemplo doloroso de Cuba nos adverte, e a simples observação da maneira de agir da seita nos convence.

Cumpre distinguir, a esse propósito, entre colaboração mútua e ocasional convergência de esforços. Há colaboração quando católicos e comunistas, trabalhando para o mesmo objetivo imediato, se auxiliam uns aos outros, ou, pelo menos, calam temporariamente o fundamental e recíproco antagonismo em que se encontram. A colaboração redunda sempre em proveito dos marxistas. Pode acontecer, entretanto, que os católicos iniciem uma determinada campanha, e, fortuita ou ardilosamente, os comunistas também se movimentem no mesmo sentido. Haverá então, como adiante veremos, uma convergência de esforços ocasional, que poderá não trazer vantagem para os comunistas, se os católicos recusarem articular qualquer ação com eles, bem como estabelecer com o comunismo um armistício ainda que temporário.

Os asseclas de Marx jamais trabalham senão para favorecer a sua causa. Se há um movimento totalitário no mundo, no qual não se desperdiça força alguma, no qual tudo, absolutamente tudo, é calculado em função do fim colimado, é o dos comunistas. Assim, onde quer que haja ação destes, há aí um interesse do comunismo, e é infantil pretender desviar-lhes a atividade, uma vez que o comunista, enquanto permanece tal, não abandona seu ponto de mira, e habitualmente não se engana nos seus cálculos. Não por outro motivo condenou Pio XI qualquer colaboração com os marxistas.

... mesmo quando ela propõe planos conformes à doutrina católica

Ainda mesmo quando eles propõem  -  o que o Papa [Pio XI] prevê  -  "projetos em todos os pontos conformes ao espírito cristão e à doutrina da Igreja", ainda nesses casos (e, atendendo-se ao espírito da "Divini Redemptoris", mais especialmente nesses casos, "NÃO SE PODE PERMITIR EM CAMPO ALGUM A COLABORAÇÃO RECÍPROCA COM O COMUNISMO" (Enc. cit. ibid., p. 96). A proibição de Pio XI é categórica, e não admite exceções: é preciso que não haja colaboração recíproca em nada  -  NULLA IN RE  -  com esta seita execrável.

E a razão é que, quando os comunistas aliciam os católicos, à sua maneira, isto é, com "projetos em todos os pontos conformes ao espírito cristão e à doutrina da Igreja", eles nada mais fazem do que preparar uma armadilha, porquanto, como diz o Papa, procuram "ardilosamente seduzir as multidões, ocultando os próprios intuitos atrás de ideias em si boas e atraentes" (Enc. cit., ibid., p. 95).

De toda essa lição de Pio XI se deduz que os fiéis que se unem aos comunistas na busca de objetivos inteiramente "conformes ao espírito cristão e à doutrina da Igreja", caem numa cilada e colaboram para a implantação do comunismo no mundo."  (EXCERTOS DA CARTA PASTORAL PREVENINDO OS DIOCESANOS CONTRA OS ARDIS DA SEITA COMUNISTA escrita por D. Antônio de Castro Mayer [de saudosa e santa memória] em 13 de maio de 1961).

NB.: Em próximo post veremos como D. Mayer mostra em que consiste a doutrina comunista.  

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O INFERNO DO COMUNISMO



No inferno, além da pena dos sentidos, como é o fogo, há outro tormento muito maior, que é a pena do dano, isto é, a perda de Deus: "Afastai-vos de Mim, malditos...". Ora, o Comunismo é ateu, isto é, sem Deus. É totalmente materialista. Logo, no mundo comunista não há Deus. Mas no inferno há os demônios. E Jesus Cristo disse que o demônio é homicida e invejoso. Assim são também os comunistas. Se não têm Deus, não acreditam em suas Leis. Deus proíbe, por ex. matar e roubar. Eles matam e roubam. E assim não respeitam os outros mandamentos: não amam a Deus que simplesmente não existe para eles e nem amam o próximo que é a imagem e semelhança de Deus. Jesus disse que o Demônio é mentiroso. Mentirosos são igualmente os comunistas. 

Mas vamos, agora, ouvir os corifeus do Comunismo:

Lenine é o fundador do Comunismo russo. Eis o que este ímpio disse: "Deus é uma mentira. O homem que se ocupa em louvar a Deus se suja em sua própria saliva". Daí ele dizer: "É preciso combater a religião, eis o A B C do Comunismo". E no jornal comunista de Leon Blum, lê-se: "Devemos amaldiçoar Deus e afastá-lo da sociedade". No plano aprovado pelo Governo comunista da Rússia em 1932 figura o projeto de acabar com todo o culto a Deus, e extinguir até a ideia de Deus. Daí o principal autor da teoria comunista, Carlos Marx, foi um ateu confesso, e considerava a Religião como "uma ideia desarrazoada; como o ópio para o povo; como um aroma espiritual de um mundo vicioso e desordenado". 

O 2º Congresso da UNIÃO DOS SEM DEUS, em 1929, em Moscou, teve por fim incentivar a "luta sistemática contra o Catolicismo". O comunista Loukatchevsky declarou: "A escola comunista realiza a educação anti-religiosa; a imprensa, o cinema, o rádio, a leitura, a arte, lutam contra a religião" (entendia=católica).  

O Comunismo não tem Moral, mas pelo contrário, seus próprios chefes repetiram muitas vezes que o Comunismo é a negação da Moral. Aliás têm sim a sua moral; e nisto ela se resume: "Bom é todo e qualquer ato favorável aos planos do partido comunista, e mau tudo aquilo que entrava a marcha da revolução internacional".

Os comunistas são mentirosos como são os demônios. Todo mundo sabe que Lula é comunista. E, no entanto, vai à Igreja e até comunga (mesmo porque também dentro da hierarquia eclesiástica há muitos e muitos comunistas infiltrados). E lobo não come lobo. Perguntaram a ele depois que comungou: "Você não se confessou, como ousou assim comungar?". Respondeu: "sou um homem sem pecado". É um mentiroso, porque o Espírito Santo diz que quem disser que não tem pecado, é um mentiroso". E isto faz parte da tática comunista. Eis o que disse o chefe do comunismo no Chile, Lafferte, homem verdadeiramente diabólico que parece ter recebido de Lúcifer o encargo de comunistarizar  toda a América do Sul,  na convenção do partido comunista mexicano em maio de 1944: " Os inimigos principais são as organizações militares e religiosas e os interesses capitalistas... As necessidades táticas da luta nos fazem aparecer hoje como simpatizantes da religião... É importante que nossas autoridades permitam a outras religiões a entrada em nossos países: mórmons, protestantes, budistas, judeus e muçulmanos. Que estas seitas tenham seus templos à luz do dia... Desta maneira faremos penetrar a pouco e pouco nossas teorias de positivismo, de economia individual e coletiva". Disse ainda o chefe comunista chileno: "Agora, mais do que nunca, devemos seguir uma tática de luta que ENGANE os inimigos de nossa ideologia".

Dimitrof, tristemente famoso comunista, secretário da 3ª Internacional Comunista, assim se expressou: "Não seríamos verdadeiros comunistas se não soubéssemos modificar inteiramente nossa tática de conformidade com o momento. Todos os recuos, todos os ziguezagues da nossa tática têm um único fim: a revolução mundial". Disse o próprio Lenine: "Estamos resolvidos a tudo o que é possível: astúcias, artifícios, métodos ilegais, calar, dissimular, etc." Quem sabe neste ETC.  não estaria subtendido: faca?

O comunista Proudhon  invertendo o 7º mandamento da Lei de Deus, disse: "A propriedade é um roubo".A primeira Revolução que houve, foi no céu, chefiada por Lúcifer: "Não servirei". E Deus lançou-o, juntamente com os seus seguidores revolucionários, nos abismos do inferno.  Pois bem, Lenine, ao estabelecer a Terceira Internacional Comunista, declarou que ela devia ser o ponto de partida para a revolução mundial e para a vitória do comunismo em todo o mundo. E, caríssimos, os comunistas nunca desistiram desse plano diabólico, e constituíram Stalin como chefe da revolução mundial, por ocasião do 7º Congresso da Internacional comunista na capital da Rússia.

Carl Marx já dizia: "Os objetivos do Comunismo só poderão ser realizados com a destruição violenta da atual ordem social". O Comunismo, na verdade, constitui-se uma QUINTA COLUNA que trama contra a segurança nacional, em todos os países. A infiltração comunista infecta já todos os países, inclusive o Vaticano. E esta infiltração se intensificou na Igreja Católica depois do Concílio Vaticano II.  (Depois em um posterior post falaremos sobre isto).

Portanto, os católicos são obrigados em consciência a não votar em candidato comunista e socialista. E, numa eventual alternativa num 2º turno entre um candidato de esquerda e um da direita, não podem, em consciência diante de Deus, votar em branco; terá que votar no candidato da direita, mesmo que tenha lá faltas e senões, porque bom mesmo é só Deus. 

Faremos, se Deus quiser, muitas outras postagens sobre o Comunismo.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

O TEMOR DE DEUS É O PRINCÍPIO DA SABEDORIA



"Não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; mas temei antes aquele que pode lançar na Geena a alma e o corpo" (S. Mateus X, 28 e cf. também S. Lucas XII, 4 e 5: "A vós, meus amigos,  vos digo:Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, e depois nada mais podem fazer; temei aquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno..."

Não pode haver ninguém mais amigo do que Jesus Cristo, que quis morrer para nos salvar. E quem avisa, amigo é. Como a amigos Jesus nos dá este aviso em Mateus X, 28 e Lucas XII, 4 e 5. Portam-se, porém, como inimigos aqueles que aconselham a atitude da avestruz perante o dogma do inferno: Deus é Pai, não temais, não existe o inferno. Isto é tapar os ouvidos a advertência paternal de Deus. Jesus Cristo manda que se tema o inferno, justamente para nele não vir a cair com a alma, e depois do Juízo Final, também com o corpo.  "O princípio da sabedoria é o temor do Senhor" (Eclesiástico I, 16). Os ninivitas agiram com sabedoria porque temeram os castigos de Deus, quando Jonas lhes foi anunciar a destruição da cidade. Se os primeiros homens temessem a Deus, que é Pai mas também Juiz, não teriam praticado excessos, que moveram o mesmo Deus a afogá-los no dilúvio! Se o temor de Deus tivesse entrado em Sodoma e Gomorra com as advertências de Lot, não teriam sido os seus habitantes reduzidos a um montão de cinzas! Devemos amar a Deus, que dá o céu a quem o merece; e temê-Lo, porque castiga com o inferno os pecadores que, depois de abusar da Misericórdia, desprezam a Justiça divina e não se convertem até ao último instante de vida.

 Existem duas espécies de temor: o temor de servo que teme a culpa só por medo do castigo que Deus pode infligir. Sobretudo teme o extremo e eterno castigo que é o inferno, onde, depois da ressurreição dos corpos no juízo final, os réprobos serão lançados não só com as almas mas também com os corpos. E só Jesus Cristo, Juiz Supremo tem este poder. Os homens só podem lançar o corpo na sepultura. Este temor reverencial embora, não seja perfeito e é menos digno, contudo é bom porque afugenta o pecado: "O temor do Senhor expulsa o pecado" (Eclesiástico I, 27). Mas há outra espécie de temor e este é o melhor porque não é um temor servil mas de filho. Não apenas é bom, mas é um temor santo como diz o Salmo XVIII, 9 e 10: "As justiças do Senhor são retas, alegram os corações, o preceito do Senhor é claro, esclarece os olhos. O temor do Senhor é santo, permanece pelos séculos dos séculos; os juízos do Senhor são verdadeiros, cheios de justiça em si mesmos". O temor filial consiste em temer o castigo também por medo da culpa. E à medida que cresce esse temor, aumenta outrossim o amor que nos une a Deus. Diz Santo Tomás de Aquino que os atos exteriores devem brotar da disposição interior. A humildade é a disposição interior para todas as virtudes. O temor de Deus, a reverência diante da Majestade infinita de Deus procedem da humildade interior mas que mui naturalmente se mostram também no exterior. Pela humildade a alma tem sempre Deus diante dos olhos, sem jamais o esquecer. Teme ofender um Pai que é todo Amor, um Supremo Senhor que é todo Justiça, pois,  premia um copo d'água dado a alguém por Seu amor, como castiga uma palavra ociosa. O próprio Nosso Senhor recomenda esse temor àqueles que se dignou chamar seus amigos: "Digo, porém, a vós, meus amigos..." (S. Lucas XII, 4).  Este temor do inferno, inclui também o amor a Deus, pois, o condenado, além de outros tormentos, sofre ainda mais pela "pena do dano", isto é, ter perdido para sempre o Supremo Bem, o Pai de Bondade. Embora entre assim o amor de Deus, o motivo principal, porém, é o medo do castigo. A alma começa com este temor, mas, é óbvio que, à medida que vai adiantando na vida espiritual, este temor bom mas menos digno, cede pouco a pouco o lugar ao amor, como móbil principal e depois habitual de ação. O Concílio de Trento, no entanto,  fala com muita insistência da incerteza em que estamos a respeito da perseverança final; a nossa vida é uma provação contínua na fé, e nunca devemos largar esta arma do temor de Deus. E mesmo não podemos abandonar nunca o temor do castigo porque o próprio Espírito Santo nos dá este aviso: "Em todas as vossas obras, meditai nos vossos novíssimos e não pecareis jamais" (Ecli. VII, 40). A morte, cuja hora é incerta, abre a porta para a eternidade; logo vem o juízo, e aí a alma já saberá qual será a sua sorte eterna; ou feliz eternamente no Céu, ou infeliz eternamente no inferno.  Afinal, é o próprio Jesus que inculca este temor reverencial de servo.

Caríssimos, e como não temer, se o próprio Divino Mestre nos exorta a isto?! Se um rei do alto de uma torre, sustentasse um criminoso pelos cabelos, de maneira que, abrindo apenas as mãos,  fizesse o inimigo se precipitar numa fossa repleta de serpentes venenosas, ou numa geena cheia de imundícies fumegantes, será que este criminoso teria a ousadia e temeridade de,  com um punhal,  ameaçar o ofendido? E o pecador está em verdade, suspenso por um fio que é a vida, e suspenso sobre um "poço de fogo" (Apoc. IX, 2). Deus tem poder de cortar este fio e lançar na geena, não só o corpo mas também a alma e isto para sempre: "Ide malditos para o fogo eterno preparado para os demônios e seus seguidores" (S. Mat. XXV, 41 ). Jó fala sobre si fazendo uma outra comparação: "Eu sempre temi a Deus como a ondas suspensas sobre mim, e nunca pude suportar o peso de sua majestade" (Jó, XXXI, 23).  Faço esta citação especialmente para aqueles que, hoje especialmente, acham que este temor da ira divina é mais próprio de pecadores que de santos. O mesmo Deus elogiou a santidade de Jó. E o que ele diz de si, foi sob inspiração do mesmo Espírito Santo! Logo o temor não é contrário à santidade. O temor de Deus, mesmo o servil, é pábulo para a santidade. Uma característica da santidade é justamente o desapego universal de todas as coisas humanas. Então entendemos bem a comparação de Jó. Como os navegantes no perigo não pensam em banquetes, em glórias, em passatempos, em prazeres, mas só naquilo que importa, isto é, em salvar a vida, assim no nosso caso, os santos não pensam em outra coisa senão em salvar a sua alma, e assim salvar também o corpo, que Jesus vai ressuscitar brilhante como o sol.

Jó usa esta comparação, para dizer também que sempre se tinha voltado para Deus com aquele confiança intensa com a qual se recomenda quem vê as ondas e uma terrível tempestade, que o ameaçam. E como os navegantes, mesmo no meio de gritos de invocações, não deixam de fazer tudo o indispensável para salvar-se a ponto de lançar tudo no mar caso seja necessário, assim fazem em nosso caso também os santos, e Jó com esta metáfora queria indicar que ele tinha também agido sempre assim: "O meu coração não me acusa nada em toda a minha vida" (Jó XXVII, 6).

Caríssimos, hoje, talvez mais do que nos pretéritos tempos, grassam a imoralidade, a corrupção, o homossexualismo, o materialismo  e todas as perversidades monstruosas que os mais antigos nem sequer teriam imaginado poder um dia ser praticadas e, muito menos, aprovadas por leis nas nações (p. ex. aborto, união de pessoas do mesmo sexo, etc.). Sabeis a causa? A falta de fé e consequentemente  a ausência do temor de Deus. Devemos pensar na misericórdia divina e implorá-la; mas nunca podemos esquecer da Justiça de Deus, e temê-la. 

Caríssimos, procuremos amar a Deus de verdade e veremos como o nosso Deus é digno de um temor tal que não possa haver maior. O TEMOR DO SENHOR É UMA GLÓRIA E UMA HONRA, É UMA ALEGRIA E COROA DA ALEGRIA" (Ecli. I, 11). Amém!

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

IGREJA E MARXISMO


IGREJA E MARXISMO 
                                                       
                                                                                                                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*

            Participei, como palestrante, da Semana Teológica, organizada pela Paróquia de N. Sra. do Rosário, em Campos, cabendo-me o tema “A doutrina católica e o pensamento marxista”.
            O marxismo é a teoria política de Karl Marx e Friedrich Engels, que prega a proclamação da emancipação da humanidade, através da luta de classes, para se chegar ao socialismo, rumo a uma sociedade sem classes, apátrida e igualitária, o comunismo, com a ditatura do proletariado, teoria colocada em prática na Rússia por Lenin, Trotsky e Stalin. 
            Karl Marx soube aproveitar-se do momento ruim da sociedade industrial e propôs um passo rumo à salvação, o “reino de Deus” de Kant, mas aqui na terra, através da política. “Com pontual precisão, embora de forma unilateralmente parcial, Marx descreveu a situação do seu tempo e ilustrou, com grande capacidade analítica, as vias para a revolução... A sua promessa, graças à agudeza das análises e à clara indicação dos instrumentos para a mudança radical, fascinou e não cessa de fascinar ainda hoje” (Bento XVI, Spe Salvi, 20). 
            Mas “Marx não falhou só ao deixar de idealizar os ordenamentos necessários para o mundo novo... O seu erro situa-se numa profundidade maior. Ele esqueceu que o homem permanece sempre homem. Esqueceu o homem e a sua liberdade. Esqueceu que a liberdade permanece sempre liberdade, inclusive para o mal. Pensava que, uma vez colocada em ordem a economia, tudo se arranjaria. O seu verdadeiro erro é o materialismo: de fato, o homem não é só o produto de condições econômicas nem se pode curá-lo apenas do exterior criando condições econômicas favoráveis” (Bento XVI, Spe Salvi, 21).
        Alguns tentaram misturar o marxismo com o cristianismo, numa falsa teologia da libertação. “Seria ilusório e perigoso o esquecimento do íntimo vínculo que os une de forma radical, aceitar os elementos da análise marxista sem reconhecer suas relações com a ideologia, entrar na prática da luta de classes e de sua interpretação marxista deixando de perceber o tipo de sociedade totalitária que conduz esse processo” (Paulo VI Oct. Adv. 34). “Essa concepção totalizante (de Marx) impõe sua lógica e leva ‘as teologias da libertação’ a aceitar um conjunto de posições incompatíveis com a visão cristã do homem... A nova hermenêutica, inserida nas ‘teologias da libertação’ conduz a uma releitura essencialmente política da Escritura... A luta de classes como caminho para uma sociedade sem classes é um mito que impede as reformas e agrava a miséria e as injustiças. Aqueles que se deixam fascinar por este mito deveriam refletir sobre as experiências históricas amargas às quais ele conduziu...” (CDF Libertatis nuntius).
        Mas, se despreza a Deus e sua lei na economia, o capitalismo equivale na maldade ao comunismo: “Aqui está precisamente o grande erro das tendências dominantes no último século, erro destrutivo, como demonstram os resultados tanto dos sistemas marxistas como inclusive dos capitalistas. Falsificam o conceito de realidade com a amputação da realidade fundante, e por isso decisiva, que é Deus... O sistema marxista, onde governou, não só deixou uma triste herança de destruições econômicas e ecológicas, mas também uma dolorosa destruição do espírito. E o mesmo vemos também no ocidente, onde cresce constantemente a distância entre pobres e ricos e se produz uma inquietante degradação da dignidade pessoal com a droga, o álcool e as sutis miragens de felicidade” (Bento XVI, Aparecida, Discurso inaugural).  

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

NOSSA PÁTRIA AMADA

NOSSA PÁTRIA AMADA  

                                                                                                                                                    Dom Fernando Arêas Rifan
*

            Estamos na Semana da Pátria, porque no dia 7 comemoraremos a Independência do Brasil, data especial para cultivarmos a virtude do patriotismo, dever e amor para com o nosso país, incluído no quarto Mandamento da Lei de Deus. Jesus, nosso divino modelo, amava tanto sua pátria, que chorou sobre sua capital, Jerusalém, ao prever os castigos que sobre ela viriam, consequência da sua infidelidade aos dons de Deus. É tempo oportuno, pois, para refletirmos sobre a nação, na qual vivemos e da qual esperamos o nosso bem comum. Será que também não devemos chorar sobre nossa pátria amada, ao vermos, na política, tanta corrupção, falta de honestidade, ética, honradez, com total desprezo das virtudes humanas e cristãs? E, como se diz, o povo tem o governo que merece, não será sobre o povo brasileiro que devemos chorar?
          “Estamos perdidos há muito tempo... O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada. Os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita... Ninguém crê na honestidade dos homens públicos... A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte, o país está perdido! Algum opositor do atual governo? Não!” (Eça de Queirós, ano 1871).
            Segundo Aristóteles, “o homem é por natureza um animal político, destinado a viver em sociedade” (Política, I, 1,9). Política vem do grego pólis, que significa cidade. E, continua Aristóteles, “toda a cidade é evidentemente uma associação, e toda a associação só se forma para algum bem, dado que os homens, sejam eles quais forem, tudo fazem para o fim do que lhes parece ser bom”. E Santo Tomás de Aquino cunhou o termo bem comum, ou bem público, que é o bem de toda a sociedade, dando-o como finalidade do Estado. “A comunidade política existe... em vista do bem comum; nele encontra a sua completa justificação e significado e dele deriva o seu direito natural e próprio. O bem comum compreende o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição” (Gaudium et Spes, 74). Daí se conclui que a cidade – o Estado - exige um governo que a dirija para o bem comum. Não se pode separar a política da direção para o bem comum. Procurar o bem próprio na política é um contrassenso.
            Como cristãos, nós sabemos que a base da moral e da ética é a lei de Deus, natural e positiva, traduzida na conduta pelo que se chama o santo temor de Deus ou a consciência reta e timorata. Uma vez perdido o santo temor de Deus, perde-se a retidão da consciência, que passa a ser regida pelas paixões. Uma vez abandonados os valores morais e os limites éticos, a sociedade fica ao sabor das paixões desordenadas do egoísmo, da ambição e da cobiça.
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

A ÁGUA VIVA E O ALIMENTO DE JESUS



Para os judeus, máxime para seus doutores e fariseus, a terra da Samaria era uma terra maldita. Os samaritanos conservavam com amor os livros do Pentateuco. Embora admitissem um messias, o profeta anunciado por Moisés, não aceitavam a literatura bíblica nascida no reino de Judá.

Jesus, no entanto, olhava com carinho os habitantes daquela terra excomungada pelos escribas e fariseus. Um fariseu e um doutor da Lei teriam tentado de tudo para evitar passar por Samaria, como evitavam como algo abominável, a mesma pronúncia deste nome. Jesus, no entanto, entra na Samaria seguido pelos discípulos. Aliás, o Bom Samaritano, trilha aqueles mesmos caminhos percorridos pelos antigos Patriarcas. 

Leiamos no Evangelho de S. João o capítulo IV, 5-34: "Chegou, pois, a uma cidade da Samaria chamada Sicar, junto da herdade que Jacó deu a seu filho José. Estava lá o poço de Jacó. Fatigado da viagem, Jesus sentou-se sobre a borda do poço. Era quase a hora sexta. Veio uma mulher da Samaria tirar água. Jesus disse-lhe: Dá-me de beber. Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar mantimentos. Disse-lhe, porém, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? Porque os judeus não comunicam com os samaritanos. Respondeu-lhe Jesus, e disse-lhe: Se tu conhecêsseis o dom de Deus, e quem é que te diz: Dá-me de beber, tu certamente lhe pedirias, e ele te daria de uma água viva. Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar e o poço é fundo; donde tens, pois, essa água viva? És tu, porventura, maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu, os seus filhos e os seus gados? Respondeu Jesus e disse-lhe: Todo aquele que bebe desta água tornará a ter sede, mas o que beber da água que eu lhe der, nunca jamais terá sede, mas a água que eu lhe der, virá a ser nele uma fonte de água que salte para a vida eterna. Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me desta água, para eu não ter mais sede, nem vir aqui tirá-la. Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e vem cá. Respondeu a mulher e disse: Não tenho marido. Jesus disse-lhe: Disseste bem: não tenho marido; porque tiveste cinco maridos e o que agora tens, não é teu marido; isto disseste com verdade. Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram sobre este monte, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que é chegada a hora, em que não adorareis o Pai, nem neste monte, nem em Jerusalém. Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque dos judeus é que vem a salvação. Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, porque é destes adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito e em espírito e verdade é que o devem adorar os que o adoram. Disse-lhe a mulher: Eu sei que deve vir o Messias que se chama Cristo, quando, pois, ele vier, nos anunciará todas as coisas. Disse-lhe Jesus: Sou eu, que falo contigo. Nisto chegaram seus discípulos, e maravilharam-se de que ele estivesse falando com uma mulher [porque não era costume naqueles tempos um homem conversar com uma mulher assim em público]. Nenhum contudo lhe disse: Que é o que perguntas, ou que falas com ela? A mulher, pois, deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àquela gente: Vinde ver um homem, que me disse tudo o que eu tenho feito; será este porventura o Cristo? Saíram, pois, da cidade, e foram ter com ele. Entretanto seus discípulos instavam com ele, dizendo: Mestre, come. Mas ele respondeu-lhes: Eu tenho um alimento para comer, que vós não sabeis. Pelo que diziam os discípulos uns para os outros: Será que alguém lhe trouxe de comer? Disse-lhes Jesus: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e cumprir a sua obra".

Façamos algumas reflexões sobre este trecho do Santo Evangelho. Primeiramente admiramos a bondade do Salvador. Era quase meio dia, estava fatigado, sedento e com fome. Contudo, espera ali a pobre pecadora de Samaria, a fim de convertê-la, e mais, fazer dela uma apóstola da cidade, salvando mais almas. Ele que tinha sede das almas, pede água à Samaritana. Como ela ficasse admirada de um judeu se dirigir a uma samaritana, Jesus disse-lhe: "Oh! se conhecesses o dom de Deus e quem é que te diz: Dá-me de beber, certamente tu mesma é que lhe farias este pedido e ele te daria água viva". Caríssimos, ESTE DOM DE DEUS é a GRAÇA  e a FÉ, é a felicidade de encontrar o Messias, o Salvador, isto é, "Aquele que tira os pecados do mundo". Na verdade, ÁGUA VIVA, em sentido próprio significa água corrente, em oposição à água dos poços. Jesus, porém, fala em sentido figurado, designando a fé e a graça, que conduzem à vida eterna. Jesus disse em S. João X, 10: "Eu vim para que elas (as ovelhas = as almas) tenham a vida e a tenham em abundância". S. Paulo diz: "Onde abundou o pecado, superabundou a graça para que, assim como o pecado reinou dando a morte, assim reine a graça pela justiça para dar a vida eterna, por meio de Jesus Cristo nosso Senhor" (Rom. V, 20). Os teólogos da Libertação, no entanto, deturpam inteiramente a missão de Jesus, fazendo d'Ele um libertador temporal que teria trabalhado para acabar com as diferenças de classes.

O poço de Jacó mede 32 metros de fundura. Mesmo em seu nível máximo, a água fica a mais de 10 metros abaixo do solo. A samaritana julgou que Jesus lhe falava de água corrente e duvidou de sua palavra. Mas Jesus explica: "Todo aquele que bebe desta água... etc. A água que eu lhe der se transformará nele em fonte de água que jorra para a vida eterna". E, embora a mulher samaritana, continue a entender de modo material as palavras de Jesus, Ele com toda paciência e bondade direciona a conversa no sentido de poder mostrar que Ele é o Messias, justamente Aquele que veio destruir o pecado e dar a graça. Assim como a água natural corre para a terra, a água espiritual, que Jesus vinha dar, correrá para o céu, dando a vida eterna a todos os que dela beberem.

Hoje há muito maior facilidade em haver água potável para todos. Mesmo onde só se consegue água potável através de poços, temos as bombas, e até bombas com energia solar.  Jesus não se dispôs a fazer milagres ou então em dar instruções científicas para que o povo tivesse facilidade de acesso à água potável. Jesus ensinou: "Procurai em primeiro lugar o reino de Deus".

E quanto ao alimento? Quando os discípulos chegaram da cidade com o alimento, Jesus disse: "A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e cumprir a sua obra". Os apóstolos, diante da recusa de Jesus, ficaram se indagando: "Será que alguém lhe trouxe alimento?". Sim, alguém deu-lhe alimento. Ele se alimentou com o manjar suculento que lhe ofereceu a samaritana: isto é, a sua alma, o seu coração. Caríssimos, a nossa alma é o festim do divino Salvador. Pois, não disse Ele: "Filho, dá-me teu coração?!"

Não queremos dizer que também os eclesiásticos não se preocupem com a preservação das obras da criação, mas, deixam que os especialistas disso se ocupem. Assim, à exemplo do Divino Mestre, os sacerdotes devem se preocupar em dar às almas as águas vivas da fé e da graça de Deus. Devem ter como alimento especialíssimo cumprir esta obra divina de salvar almas pelas quais Jesus morreu na cruz. Amém!

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

VIDA DE SÃO PIO X DESCRITA PELO PAPA PIO XII - ( I )

BREVE APOSTÓLICO DA BEATIFICAÇÃO
   1- Porque "Cristo amou a Igreja e se entregou a si mesmo para a santificar" (Ef V, 25), nunca faltaram nem poderão faltar, entre os fiéis, os que se avantajem aos outros em virtude, de modo que os seus exemplos sejam propostos à imitação. Por isso em todos os tempos, uma nobilíssima falange de Santos e de Bem-aventurados, ingente multidão "que ninguém pode contar, de todas as nações e tribos e línguas" (Apoc VII, 9), homens e mulheres de todas as idades e condições, não cessarão de acrescer a beleza e multiplicar a alegria da Esposa de Cristo, até à consumação dos séculos.
   2- A esta fulgidíssima falange até a nós, que, embora sem méritos, estamos ao leme da barca de Pedro em tempos tão procelosos, concedeu o benigníssimo Senhor que, especialmente no passado Ano Santo, acrescentássemos muitos ilustres heróis, cujo triunfo celebramos com grande alegria do nosso espírito. Mas aprouve a suavíssima clemência de Deus conceder hoje ao Vigário de Cristo na terra uma graça que, há mais de dois séculos, isto é, desde o ano de 1712 em que Pio V foi inscrito no cânone dos Santos por Clemente XI, não foi concedida a nenhum dos Nossos Predecessores: poder agregar ao número dos Bem-aventurados outro Sumo Pontífice, um Pontífice que nós próprio conhecemos, cujas exímias virtudes admiramos de perto, ao qual prestamos dedicada e devotamente a nossa colaboração - Pio X.
   3- Nasceu ele na humilde aldeia de Riese, na diocese de Treviso, a 2 de junho de 1835, filho de João Batista Sarto e Margarida Sanson, ambos de condição humilde mas ilustres pela honestidade e virtude antiga, aos quais Deus circundou de uma coroa de dez filhos. Batizado no dia seguinte, recebeu o nome de José Melchior. Menino de índole vivaz e alegre, sob a direção da sua piedosíssima mãe distinguiu-se de tal modo na piedade que o pároco da freguesia não duvidou proclamá-lo "a mais nobre alma" da paróquia. Depois de completar os estudos elementares na escola local, levado pelo seu grande desejo de estudar mais, freqüentou os estudos secundários, dirigindo-se para isso todos os dias, durante quatro anos, muitas vezes de pés descalços, à próxima povoação de Castelfranco. Recebeu o Sacramento da Confirmação em 1º de setembro de 1845 e fez a Primeira Comunhão em 6 de abril de 1847 e, como mostrasse constante vontade de abraçar o estado eclesiástico, em setembro de 1850 mereceu ver satisfeito o seu ardente desejo de receber as vestes talares e em novembro seguinte, mercê do interesse do Cardeal Tiago Mônico, Patriarca de Veneza e seu patrício, entrou, radiante de alegria, no prestigioso Seminário de Pádua. Quanto aí progrediu em piedade e doutrina pode facilmente deduzir-se do seguinte testemunho dos superiores daquele Seminário: "a nenhum inferior em disciplina, de grandíssima inteligência, de suma memória, de máxima esperança" ( Arquivo do Seminário de Pádua). Os fatos confirmaram plenamente a previsão. Ordenado sacerdote na igreja principal de Castelfranco em 18 de setembro de 1858, alguns dias depois celebrou solenemente a Missa-Nova na terra natal, em meio da maior alegria dos seus, sobretudo da sua digníssima mãe, bem como de todos os conterrâneos. No mês de novembro de 1858 foi nomeado coadjutor do piodoso pároco de Tômbolo, cuja saúde era bastante precária. Imediatamente aquele venerando sacerdote e os paroquianos, quase todos agricultores, experimentaram e admiraram os egrégios dotes do jovem coadjutor, a sua humildade, pobreza, jovialidade, zelo assíduo em auxiliar de todos os modos o próximo e, além disso, a sua invulgar perícia na pregação. O Bispo de Treviso, ao conhecer estas excelentes qualidades, em 1867 escolheu José Sarto para reger a paróquia mais importante de Salzano. E aí se revelou cada vez mais em quanto amor de Deus e do próximo ele se distinguia pela suavidade de caráter, mansidão, modéstia, amor da pobreza, especialmente durante a terrível peste do ano de 1873.
   4- Passados nove anos em Salzano, foi nomeado Cônego da Catedral de Treviso, Chanceler da Cúria Episcopal e ainda Diretor espiritual do Seminário. Estes cargos tão honrosos como cheios de responsabilidade, e só aceitos por obediência, pois detestava honrarias e dignidades, exerceu-os com a costumada diligência e perícia, ele que sempre foi inimigo declarado da ociosidade. Em 1879, ficando vaga a Sé de Treviso, foi eleito por unanimidade de sufrágios Vigário Capitular. E também neste ofício deu tais provas de prudência e competência que, em 1884, com aplauso universal, embora contra sua própria vontade e vã relutância, foi nomeado Bispo de Mântua.
   5- Sagrado nesta cidade de Roma, na igreja de Santo Apolinário, a 16 de novembro, entrou na diocese em abril do ano seguinte, para logo começar a difundir com maior profusão os tesouros de generosidade da sua alma a favor do novo rebanho místico confiado aos seus cuidados,"fazendo-se tudo para todos"(1 Cor IX, 22), a fim de conquistar a todos para Cristo e prover às muitas e graves necessidades da Igreja Mantuana. Deve recordar-se, antes de mais, o seu ardentíssimo xelo para que os Seminaristas, como o requeriam os tempos e as circunstâncias, fossem convenientemente educados, para que as associações católicas fossem verdedeiramente ativas e fosse acrescido o decoro  da Sagrada Liturgia. Desde então, desapareceram desconfianças e inimizades, arrrancaram-se vícios muito inveterados, suprimiram-se escândalos, restaurou-se o cumprimento dos mandamentos de Deus, cresceu maravilhosamente a fé, reforçou-se a honestidade dos costumes. Que admira, pois, que entre os Mantuanos o Bispo José Sarto gozasse fama da santidade, ele que, movido unicamente pela ardentíssima caridade cristã,costumava não só distribuir aos numerosíssimos pobres dinheiro, alimentos e vestuário, mas até beijar-lhes de joelhos os pés?
Continua no próximo post.

VIDA DE SÃO PIO X DESCRITA PELO PAPA PIO XII - ( II )

Breve Apostólico da Beatificação ( continuação)
   6- Leão XIII, de gloriosa memória, que tinha grande estima e singular afeto ao Bispo de Mântua, no Consistório de 12 de junho de 1893 alistou-o entre os Cardeais e, três dias depois, nomeiou-o Patriarca de importante Igreja de São Marcos de Veneza, a fim de que se visse claramente que a honra da Púrpura Cardinalícia, mais do que a Sé, embora digníssima, se conferia ao homem de méritos excepcionais.
   7- A maravilhosa cidade, Rainha do Adriático, que há tanto esperava um novo Patriarca, recebeu-o com enorme júbilo e universal aplauso em 24 de novembro de 1894, e logo os venezianos de todas as condições foram conquistados pela sua afabilidade e virtude. Realmente, excetuadas as vestes e os distintivos próprios da dignidade cardinalícia, nada mudou na vida íntima  e nos usos do Servo de Deus. A mesma humildade e desprezo de si próprio, o mesmo amor à pobreza e ao trabalho, o mesmo ardentíssimo e constante zelo pela glória de Deus e salvação das almas.
   8- Como em Mântua, assim em Veneza se preocupou antes de mais com restaurar a disciplina e promover a santidade do Clero, renovar e fomentar a piedade do povo e a prática das virtudes cristãs, restaurar a dignidade das sagradas cerimônias e do canto eclesiástico, reformar os costumes, abolir abusos, reivindicar com suavidade e fortaleza os direitos da Igreja.
   9- Falecido Leão XIII em 1903, o cardeal José Sarto, a 4 de agosto do mesmo ano, foi elevado ao fastígio do Sumo Pontificado que aceitou, com relutância e com lágrimas, "como uma cruz", tomando o nome de Pio X. Estabelecido na Cadeira de São Pedro, vendo o que exigia o bem da Religião e o que reclamavam os tempos, tomou como lema do seu pontificado esta sublime e insigne divisa: instaurare omnia in Christo. O Servo de Deus, tendo experimentado que nada poderia contribuir mais eficazmente para a renovação dos homens em Cristo do que a vida do Clero, esforçou-se com particular empenho por que todos os chamados para o serviço do Senhor se distinguissem pela piedade, ciência e obediência.
   10- Por isso é que na primeira Carta Encíclica "E supremi" quis abrir a sua alma ao Clero, exortando-o vivamente a só se compenetrar das coisas celestes e só a estas procurar. Volvendo particulares cuidados para os Seminários da Itália, deu-lhes nova organização e favoreceu neles muitíssimo o estudo das ciências sagradas e profanas; excitou os cultores da filosofia cristã a pugnarem pela verdade tomando por guia Santo Tomás de Aquino; erigiu em Roma o Instituto Bíblico e, por ocasião de seu cinqüentenário sacerdotal, numa suavíssima exortação, estimulou todo o Clero a observar diligentemente os deveres do próprio ministério. Mandou reunir as leis da Igreja, até então dispersas por muitos volumes, em um corpo adaptado às condições do tempo e reorganizou a Cúria Romana para que se tornasse mais rápido o expediente dos serviços.
   11- Preocupado ao máximo com a eterna salvação das almas, providenciou para que fosse devidamente ensinado o catecismo às crianças e adultos; estabeleceu sábias normas para a pregação; ordenou que a música sacra se conformasse com a majestade das sagradas funções. Fautor da santidade e da inocência, inspiriado pelo amor divino, introduziu o uso da Comunhão freqüente e até cotidiana e estabeleceu que as crianças se aproximassem da Primeira Comunhão desde os mais tenros anos; além disso, alimentou a acendeu em todos os filhos da Igreja maior amor ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Mestre infalível da fé, na memorável Encíclica "Pascendi" denunciou e reprimiu com o necessário rigor doutrinas que formavam uma triste síntese de todos os erros.
   12- Acérrimo defensor da Religião e fortíssimo guarda da liberdade da Igreja de Cristo, cônscio do seu ofício pastoral, aboliu o chamado Veto civil na eleição do Pontífice Romano; repudiou impavidamente as leis da separação do Estado da Igreja; à França afligida pela perseguição, deu novos Bispos, e resistiu à audaciosa erupção da malícia dos homens. Para defesa da Religião, restaurou a disciplina da Ação Católica e tornou-a mais sólida; deu novo desenvolvimento à ação social dos católicos: conduziu com sapientíssimas leis as associações operárias para o caminho religioso; reforçou as Ordens Religiosas com mais oportunas normas jurídicas.
   13- A fim de promover e preservar a fé cristã, erigiu em Roma novas paróquias e fomentou por todas as formas a vida paroquial; proveu às múltiplas necessidades das Dioceses; difundiu no mundo a palavra de Deus com a missão de arautos do Evangelho; empregou todos os esforços para reconduzir à unidade da Igreja os Orientais dissidentes e, como verdadeiro Pai amantíssimo dos pobres e dos órfãos, nunca deixou de atender a quaisquer desgraças do seu povo.
   14- Não vencido pelo trabalho, mas esmagado de acerbíssima dor por causa da infeliz e cruel guerra européia declarada nesses dias, começou a sentir-se mal em 15 de agosto de 1914 e, tendo-se agravado rapidamente a doença, no dia 19 chegou ao extremo. Confortado com todos os Sacramentos da Igreja, a 20 do mesmo mês trocou placidamente a vida mortal pela eterna, chorado por todo o mundo católico e logo proclamado Santo, como a primeira e a mais nobre vítima da guerra que já alastrava com furor. Celebradas solenes exéquias na Basílica de São Pedro a 23 de agosto, foi sepultado nas Grutas Vaticanas, no lugar que em vida tinha escolhido para o seu túmulo. O povo católico considerava-o imediatamente, à conta das exímias virtudes que lhe tinham adornado a vida, como intercessor junto da Majestade Divina.
   
Sua festa, no calendário liturgico tradicional, é celebrada no dia 3 de setembro.
SÃO PIO X ! ROGAI POR NÓS! ROGAI PELA SANTA IGREJA! ROGAI PELA VOSSA FRATERNIDADE SACERDOTAL!