domingo, 28 de outubro de 2018

JESUS, REI DOS REIS

  Apocalipse I, 4-8: "Graça a vós e paz, da parte d'Aquele que é, que era e que há de vir; e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono; e da parte de Jesus Cristo, que é testemunha fiel, o primogênito dentre os mortos, o príncipe dos reis da terra, que nos amou e nos lavou dos nossos pecados no seu sangue, e nos fez sermos reino e sacerdotes para Deus seu Pai. A Ele, glória e império pelos séculos dos séculos. Amém. Eis que Ele vem sobre as nuvens e todos os olhos O verão, também aqueles que o transpassaram. E baterão no peito ao vê-lo todas as tribos da terra. Assim se cumprirá. Amém. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor Deus, que é, que era e que há de vir. o Todo-poderoso". Capítulo XXI, 5-8: "O que estava sentado no trono disse: Eis que Eu renovo todas as coisas. E ajuntou: Escreve, porque estas palavras são dignas de fé e verdadeiras. Depois disse-me: Está feito! Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. Eu darei gratuitamente da fonte da água da vida ao que tiver sede. Aquele que vencer, possuirá estas coisas. Eu serei seu Deus e ele será meu filho. Mas, pelo que toca aos tímidos, aos incrédulos, aos execráveis, aos homicidas, aos fornicadores, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no tanque ardente de fogo e de enxofre: o que é a segunda morte".


Caríssimos e amados leitores, hoje, último domingo de outubro, a Santa Madre Igreja celebra a festa da Realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo. Primeiramente, vamos meditar nas palavras do próprio Deus nas Sagradas Escrituras. No
Capítulo XXI, 24-27: "As nações caminharão à sua luz e os reis da terra lhe trarão a sua glória e a sua honra". Capítulo XXII, 13- 16: "Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim. Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes no sangue do Cordeiro, para terem parte na árvore da vida e entrarem pelas prtas na cidade. Ficam fora os cães, os feiticeiros, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos os que amam e praticam a mentira. Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos atestar estas coisas nas Igrejas. Eu sou a raíz e a geração de David, a estrela resplandecente da manhã".
   Ouçamos o testemunho do próprio Jesus, Evangelho de São João, XVIII, 33-37: "Naquele tempo, disse Pilatos a Jesus: És tu o Rei dos judeus? Respondeu Jesus: Dizes isso por ti mesmo ou foram outros que te disseram de mim? Respondeu Pilatos: Sou eu, por ventura, judeu? Tua gente e os pontífices Te entregaram a mim. Que fizestes pois? Respondeu Jesus: Meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, meus servos lutariam, para que eu não fosse entregue aos judeus: porém, agora meu Reino não é daqui. Disse-Lhe, então, Pilatos: Logo, Tu és Rei? Respondeu Jesus: Tu dizes: Eu sou Rei. Eu para isto nasci e para isto vim ao mundo, a fim de dar testemunho à verdade. Todo aquele que é da verdade, ouve a minha voz."
   Ouçamos agora a São Paulo na Epístola aos Colossenses, I, 12-20. O Apóstolo aí enumera os títulos que fazem de Jesus Cristo o Rei de todos os reis. Rei enquanto Deus, Rei enquanto Homem: "Irmãos, damos graças a Deus Pai, que nos fez dignos de participar da sorte e herança dos Santos na Luz; que nos tirou do poder das trevas e nos transportou ao Reino do Filho do seu amor. N'Ele, e por seu Sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados. Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criatura. Porque, n'Ele foram criadas todas as coisas nos Céus e na Terra, quer as visíveis, quer as invisíveis; os Tronos, as Dominações, os Principados, as Potestades, tudo foi criado por Ele e n'Ele. E Ele está acima de todas as coisas, e todas subsistem por Ele. Ele é também a Cabeça do Corpo da Igreja, é o princípio, o primogênito dentre os mortos. Ele em tudo tem a primazia, porque, foi do agrado do Pai que n'Ele residisse toda a plenitude: para que se reconciliassem por Ele todas as coisas, pacificando pelo Sangue derramado na Cruz, tanto as coisas da terra como as coisas dos Céus, em Cristo Jesus, Senhor Nosso".
   REFLEXÕES (Missal Dominical Popular):
   Em virtude da Sua divindade, é Jesus Cristo Rei do Céu e da Terra. "No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada foi feito". Jesus-Deus é Senhor Supremo e ilimitado de tudo quanto existe no universo criado.
   Mas também como Homem Jesus é rei do universo. Interrogado por Pilatos a respeito da Sua realeza, Jesus respondeu: "Sim, Eu sou Rei; mas o meu reino não é deste mundo". O reino de Nosso Senhor Jesus Cristo não é do mundo, mas está no mundo, não é reino mundano, temporal, como os outros reinos; mas é um reino sobrenatural, celeste, divino, que existe no mundo e para o mundo. Pela Encarnação, pela Paixão e Morte adquiriu Jesus novos títulos de soberania sobre o mundo e a humanidade. Nasce num estábulo, na mais extrema pobreza, mas de terras longínquas acodem reis poderosos para Lhe prestarem sua homenagens! Morre no patíbulo da ignomínia, mas sobre a Sua cabeça fulgura em três línguas o título da Sua realeza. Expira como se fora um criminoso, e no mesmo instante a natureza o proclama com misteriosas salvas como a seu Rei e soberano Senhor: o sol cobre-se de luto, a terra estremece de dor, partem-se os rochedos com formidável estampido, rasga-se o véu da antiga aliança, e os próprios mortos ressurgem, para dizerem aos vivos que o Crucificado é o Rei do Universo, Rei também das tenebrosas regiões da morte.
   "Coração de Jesus, Rei e centro de todos os corações", assim dizemos na ladainha. De todos os corações! Será verdade? Oxalá assim fosse!
   Se Jesus Cristo reinasse na sociedade, ah! Que ditosos tempos de paraíso não haviam de despontar muito em breve! Se Cristo reinasse na legislação da nossa querida Pátria; se Cristo reinasse nas Câmaras e nos Congressos; se Cristo reinasse nos Tribunais; se Cristo reinasse nas Escolas e nas Repartições públicas que feliz e próspera nação não seria a nossa!... Mas, ai! Que o reinado de Cristo abrange apenas uns pontos mui diminutos da nossa vida social! E sabes tu, meu caro cristão, quem é que, antes dos mais, estaria em condições de conquistar para Jesus Cristo o reinado social? Quem Lhe poderia garantir o triunfo da sociedade humana?
   São Pio X dizia: "Dêem-me mães verdadeiramente cristãs, e eu salvarei este mundo decadente". É a família cristã e, antes de tudo és tu, ó mãe de família! Nas tuas mãos é que está o futuro do nosso povo, a felicidade ou a desgraça do Brasil! Se tu não souberes, ou não quiseres educar os futuros cidadãos, juízes, funcionários, magistrados, debalde será todo o nosso esforço. Mas se tu lançares na alma dócil dos teus filhos os alicerces da fé e da moral cristã, então, sim, mãe cristã, podemos esperar o triunfo do reino de Cristo na sociedade brasileira!
   Os reis e soberanos da terra recompensam a dedicação dos súditos com ordens e insígnias, com empregos e colocações. O reino de Cristo não é deste mundo; não é agora o tempo das recompensas cabais; agora temos de trilhar com Ele o caminho da cruz. Mas dia virá, "nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus preparou àqueles que O amam."
   A quaresma segue-se a Páscoa, à Sexta-feira da Paixão o domingo da Ressurreição, e o Tabor não fica longe do Calvário.
   Se neste vida formos companheiros do Rei das dores, é certo que na outra seremos também companheiros do Rei da glória.

sábado, 27 de outubro de 2018

PESADELO OU DEMÔNIO?



Caríssimos, o que vou contar aqui foram fatos que se deram comigo. O primeiro talvez explique os seguintes.

Hoje na explicação da Epístola deste domingo, no meio do sermão, veio-me uma inspiração de contar um fato que se deu comigo no dia 26 de setembro de 1974,  fato este que nunca havia contado publicamente e, particularmente, só a umas três pessoas. E o motivo é porque procurava interpretá-lo como um pesadelo, embora meu superior me tivesse dado a certeza que se tratava de um ataque do demônio.  Hoje, com a experiência de 44 anos de sacerdócio, já aceito a opinião de meu ex-reitor no Seminário que então funcionava nas dependências da Igreja de Nossa Senhora do Terço em Campos, RJ, onde se deu o fato que passo a contar unicamente pensando que possa fazer algum bem às almas.
Este meu superior, que também era pároco desta mesma Igreja, Mons. José Luiz Marinho Villac, pediu que eu pregasse na festa de S. Miguel Arcanjo, celebrada no dia 29 de setembro. Seria meu primeiro sermão, pois tinha sido ordenado diácono em 1974 e só em 08 de dezembro do mesmo ano seria ordenado sacerdote. Durante a novena do Santo Arcanjo da Milícia Celeste estava preparando o sermão. Era o dia 26 de setembro de 1974 e meu colega o diácono Fernando Areas Rifan não estava, não me lembro porque razão. E eis o que aconteceu.

No meio da noite, não me lembro a que horas, eu estava dormindo. Graças a Deus nunca tive problemas no sono. Dormia como uma pedra. Mas, eis que, de repente, senti que uma  serpente e logo depois uma espécie de tênue sombra sem forma bem definida, se atirou contra mim, como para me estrangular. Voei da cama e rolei com aquele ser quase invisível mas, não sei como; pois, sem vê-lo eu o acompanhei em todos os recantos de meu quarto e o tempo todo eu procurava atingi-lo com socos. Havia um monte de malas ao lado de minha mesa de trabalho onde esculpia e pintava. Inclusive, neste mesmo dia havia acabado de esculpir e pintar uma imagem de Nossa Senhora de Fátima. Pois bem, com socos derrubei malas pesadas, derrubei tudo o que estava sobre a mesa, menos, graças a Deus, a imagem que estava no meio da mesa cercada dos meus objetos de escultura e pintura. Não saberia dizer quanto tempo durou a briga. O fato é que o seminarista que dormia no quarto vizinho acordou com o barulho, e depois de ver que o barulho não parava, achou (como ele me disse) que estivesse me defendendo de algum ladrão. Criou coragem e bateu na minha porta. Aí é que acordei. Abri o porta e ele (era o seminarista José Gualandi) disse assustadíssimo: Que foi isto, Murucci? Tem ladrão aí? Você está com a rosto todo cheio de sangue! Falei: não é possível! Mas fui olhar no espelho e confesso que fiquei apavorado. Olhei as mãos e estavam com vários galos e hematomas. Como nunca fui um homem assustado, fui deitar e dormi tranquilamente. Mas no outro dia cedo correu a notícia dentro do Seminário e meu reitor o Revmo. Mons. José Luiz Marinho Villac quis me ver e ficou convicto que fora o demônio que me atacou porque iria pregar na festa de S. Miguel Arcanjo. O detalhe interessante é que todas aqueles hematomas e feridas no outro dia à tarde já haviam sumido inteiramente, ficando apenas uma pequena marca nos lábios até hoje.

Outros fatos: Fui ordenado sacerdote em 08 de dezembro de 1974 e no início do ano seguinte, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória, colocou-me nesta mesma paróquia de Nossa Senhora do Terço. E poucos dias após a posse, apareceu na sacristia onde eu estava um homem desconhecido. Disse-me: padre gostaria de conversar em particular com você. Chamei-o para uma sala mais retirada. Ele disse-me: Padre, eu desde bem novo sempre me envolvi com coisas relacionadas ao demônio. Cheguei até aos mais altos graus. Agora, estão me dizendo que, para eu conseguir o máximo, tenho que entregar minha alma ao demônio. Que você acha? Respondi-lhe: não acho nada, devemos ter certeza de estarmos com Deus e rejeitarmos o demônio. Aí disse tudo o que ele devia fazer. Não respondeu nada, despediu-se e foi-se embora. Qual foi sua intenção só saberei no dia do juízo.

Outro fato: Era meu sacristão o Sr. Ayres Penha, de santa memória. Quando me lembro dele, fico pensando que foi um santo, e como era negro, penso que foi um outro S. Benedito. Que rapaz educado e caridoso!!! Todos os campistas que tiveram a graça de conhecê-lo devem concordar comigo: já deve estar no céu. Pois bem! Um dia ele disse-me: Padre Elcio, fique atento porque fiquei sabendo que há na cidade uma mulher extremamente estranha, é uma agente comunista de S. Paulo, mas que percorre o Brasil todo com uma missão diabólica: seduzir os padres que pregam contra o comunismo. Caso ela não consiga, ela espalha calúnias contra eles. E acho que ela usa o confessionário, porque ali o padre fica sem defesa por causa do sigilo sacramental. Por isso, se ela aparecer e pedir confissão V. Reverendíssima, não atenda! Agradeci muito a ele. No outro dia uma mulher ligou pra mim pedindo confissão. Perguntei: a senhora é paroquiana minha? Ela não quis dizer de onde era. Só disse que: "não sou daqui". Pedi que ela viesse depois de três dias e marquei a hora e disse que, primeiro gostaria de conversar em particular com ela. Como eu tinha em Campos um grande amigo militar, por sinal capitão, expus pra ele toda esta história. Ele disse que iria combinar tudo com o Serviço Nacional de Informação, SNI. A sacristia era separada da sala dos paramentos com uma cortina, e os agentes do SNI ficaram atrás com os microfones. A estranha mulher chegou na hora exata e parou na porta e perguntou: não tem ninguém aqui para gravar minha conversa? Disse-lhe sem mentir: Fique tranquila e sente-se aqui.
Hoje, com minha longa experiência em exorcismos, tenho certeza que aquela mulher estava possessa. Ela desviou a conversa e não falou nada que pudesse comprometê-la. A não ser pelo demônio ela não podia saber e nem de longe desconfiar de nada.  Mas ao sair foi seguida dos agentes do SNI. O que  se deu depois não sei.

Atendendo os doentes, porém, topei com uma mulher  que me pareceu ser a tal comunista. Mas, como não tinha certeza, fui conversar com ela. Pois bem, ela não quis se confessar, mas suas conversas foram no sentido de me seduzir, e quando começou a me tocar com maldade, virei as costas e sai quase correndo. Mas tive a inspiração de pedir no hospital a prancheta onde estavam os seus dados pessoais. Sendo eu padre e prometendo guardar segredo logo mo cederam.  Só posso dizer que ficou confirmado ser a tal comunista possessa.
Caríssimos, os comunistas que são na verdade ateus, mas vão às missas celebradas por comunistas padres e nela comungam, embora sejam favoráveis à lei do aborto e a tudo o que destrói a família, podem estar certos, estes e estas estão possessos de demônios, espíritos malignos espalhados pelos ares.

Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, defendei a nossa querida Pátria do Comunismo! Amém!

O DECÁLOGO E A VIDA ETERNA



(Excertos do capítulo III do livro "OS DEZ MANDAMENTOS", da autoria da Mons. Tihamer Tóth) 

"O nosso assunto agora é este: Que significa o Decálogo para a vida eterna.
Apresentou-se a Nosso Senhor Jesus Cristo um jovem amável e rico, e cravando olhares ardentes no seu santo rosto, perguntou com as ânsias da alma que deveras procura a Deus: 'Mestre, que boas obras devo fazer para conseguir a vida eterna?' (S. Mateus XIX, 16).
Não é este, igualmente, o grande problema? Não poderíamos também nós, homens modernos, colocar-nos junto do jovem e dizer com ele: 'Senhor, o peso esmagador da vida moderna, tão agitada, acabrunha-me e turba o meu espírito. Sei que tenho uma alma. Que devo, porém, fazer para a salvar? Senhor, o abismo de maldade satânica abre as suas fauces em volta de mim e faz vacilar a minha alma já abalada. Senhor, que devo fazer para salvar a minha alma e conseguir a vida eterna?...'
Decerto é também este o nosso problema.
Confiemos na resposta do Senhor.
Jesus respondeu: 'Se queres entrar na vida eterna guarda os Mandamentos'.
Como? É esse o grande segredo? É essa a grande orientação? Essas breves palavras?
Sim, estas breves palavras: 'Guarda os mandamentos'. Mas se Jesus Cristo fazia depender delas a vida eterna, é bem razoável que nós tratemos de penetrar o seu sentido profundo, porque, são, profundíssimas, embora pareçam tão singelas. (...) 
'Se queres!' Portanto, depende de mim, só de mim, a sorte que me caberá além túmulo. Depende de mim. Deus a ninguém obriga, não leva ninguém para o Céu por violência. O homem é livre: pode decidir livremente sobre o seu destino eterno. (...) Mas tem cuidado, não esqueças: se não tratas da tua alma, o prejuízo não será nem da Igreja, nem de Deus. Acredita: não hão de ser eles que sofram com isso.
O livre arbítrio do homem é um valor magnífico, mas um dom perigoso [por causa da fraqueza humana], ao mesmo tempo. Tens liberdade de ação, mas és responsável pelos teus atos. Se empregas a vida segundo as leis de Deus, asseguras a tua felicidade eterna; se usas dela contra essas leis, mereces uma condenação perdurável.
"Se queres entrar na vida eterna, guarda os Mandamentos". O Senhor deu leis a todas as suas criaturas; e são justamente essas leis que asseguram a ordem, a beleza, a harmonia do mundo. Os astros siderais percorrendo a sua órbita, as plantas dando flores, o animal vivendo, todos obedecem a Deus; são regidos por leis físicas e biológicas; a sua maneira de agir está determinada.
Com o homem teve Deus procedimento excepcional: também lhe deu leis, mas deixando-lhe a liberdade:
  - É esta a minha vontade; está na tua mão cumpri-la; portanto, se a repelires, lavrarás a tua condenação. (...) A lei não faz mais do que aperfeiçoar a liberdade.
O que aprende a pintar tem de observar as leis da perspectiva. Limita-se, por isso, a liberdade do pintor? De modo nenhum. Está na sua mão desprezar as leis da perspectiva; mas... assim lhe ficará o quadro. Tu também podes infringir as leis de Deus; mas... pensa o que será a tua alma.
O que aprende música terá de respeitar as leis da harmonia. Sofre limitação a sua liberdade? Não sofre. Pode escrever uma composição, tocar instrumentos, cantar... contra as leis da arte... enquanto houver quem lhe suporte tanta dissonância. Tu também podes levar uma vida contrária à lei de Deus mas... será cheia de dissonâncias.
O que escala o pico de Lomnic tem um caminho seguro, provido em muitos lugares de varandas e cordas a que pode segurar-se. Estará por isso limitada a sua liberdade? De modo algum. Pode experimentar outros caminhos, pode escolher os que quiser, mas que não se queixe de ninguém senão de si, se por fim cair.
Se queremos pintar a obra-prima da nossa vida e observar nela a justa perspectiva, temos de guardar a Lei de Deus. Se queremos que a nossa vida seja harmoniosa, temos de procurar na Lei de Deus os devidos acordes. Se queremos atravessar com segurança os perigos da vida, sem cair no precipício, e atingir os cumes da vida eterna, temos de seguir a Lei de Deus que nos indica o caminho. (...).
Resume-se o presente capítulo e o anterior neste pensamento: o Decálogo serve de garantia para a vida terrena e para a vida eterna. Não há ninguém que possa iludir a voz da autoridade que vibra nestas leis [Êxodo XX, 1-17]. Elas obrigam igualmente ao menino e ao ancião, ao pobre e ao rico, aos seculares e aos sacerdotes. Sim; TAMBÉM obrigam aos sacerdotes.
Estranhar-se-á porventura o sublinhado. É que existe em meu poder uma carta cheia de censuras tão ásperas, como esta: "Vós nos pregais o Decálogo... Antes de o fazerdes conviria que os próprios sacerdotes o guardassem; mas eles não o cumprem..."
Não sei que tristes cenas presenciaria o autor desta carta para a escrever com tanta amargura; mas tenho de afirmar de um modo solene que o Decálogo, é evidente, não obriga só aos leigos, mas também aos sacerdotes. Ainda mais: obriga com mais rigor a estes, porque eles têm de dar exemplo. E se algum cai, por fragilidade humana, ninguém o deplora mais que a própria Igreja e os sacerdotes zelosos que o são segundo o Coração de Cristo.
Sim, o Decálogo corta ao vivo; corta como o cinzel; é aguçado como o bisturi. Quem o poderia negar? Quem poderia negar que é preciso ter uma firmeza a toda a prova, um entusiasmo que não vacile ante os sacrifício e um domínio próprio que só a imitação de Cristo pode dar, para permanecer fiel aos Mandamentos de Deus, sempre e em todas as situações, no meio deste mundo tão tempestuoso? A alma que segue a Cristo tem de preparar-se para uma luta dupla: o primeiro combate, à custa de suor de sangue, terá de o sustentar contra os próprios instintos; a segunda refrega consistirá no combate com o mundo desdenhoso e ofensivo, que não compreende os altos ideais.
Mas não podemos ceder.
Se a vida humana e as leis divinas não se coadunam, não havemos de pretender que se modifiquem as leis divinas, mas sim que se reforme a vida humana. Não é lícito "reformar a religião de Cristo segundo os postulados da época" como pedem alguns [hoje infelizmente muitíssimos, até bispos]; não é lícito "reformar" o Evangelho de Cristo [nem jogá-lo no lixo], nem é lícito "reformar a moral cristã. O homem efeminado, indolente, frívolo, ébrio de prazeres, veria com gosto uma nova edição, correta e abreviada, do Decálogo; aplaudiria, por exemplo, a supressão do sexto mandamento; mas do mesmo modo que o Sol não segue na sua carreira, os relógios de algibeira, nem os átomos, ao combinar-se, têm em conta as lucubrações dos químicos; nem a órbita dos corpos siderais tem complacências com os melhores astrônomos; nem as leis do universo se modificam segundos os caprichos dos primeiros físicos... assim também as leis de Deus não obedecem aos humores dos homens. Da natureza criada por Deus não podemos trocar uma única verdade, não podemos suprimir nem uma só lei; assim como a não podemos suprimir no mundo sobrenatural.
Mas o homem moderno tem necessidade e necessidade urgente de uma coisa: Necessita não de uma fé nova, nem de uma religião nova, nem de um código novo, mas de um coração novo, de uma alma nova, de uma generosidade nova, de um amor novo à fé antiga.
Não é coisa fácil observar sempre e em tudo os dez Mandamentos; mas nós queremos cumpri-los, porque sabemos que deles depende o bem-estar da Humanidade neste mundo e disso depende a nossa felicidade eterna no Céu."
AMÉM!

terça-feira, 23 de outubro de 2018

O DECÁLOGO DA VIDA TERRENA



(Excertos do capítulo II do Livro "OS DEZ MANDAMENTOS" , autor Mons. Tihamer Tóth)
"Há um escritor francês de vista aguçada e bem talhada pena, um pároco de Paris. O seu nome literário é Pierre l'Ermite (Pedro o Eremita). É nome muito conhecido.
No grande diário dos católicos franceses, La Croix, este pároco descreveu uma interessante conversa que teve com certa senhora. É senhora de idade avançada, mas em o encanto cheio de dignidade das avós, nem o olhar modesto que infunde respeito. Na sua pessoa lutam em partes iguais a seda, as jóias e os ingredientes com as marcas indeléveis do tempo que passa. Pertence à paróquia do escritor, mas não põe os pés na igreja. Contudo, na rua, nunca deixou de saudar o pároco com uma graciosa saudação de cabeça e gostaria mesmo de o ver entre os seus convidados... porque pensa que assim teria ficado em dia com as suas obrigações religiosas... O pároco é que não aceitou nem um dos seus convites.
Certo dia, passava esta senhora por uma rua, justamente ao lado do pároco; indignada, tremendo de cólera, voltou-se para o sacerdote a quem nunca havia dirigido a palavra:
  -  Monsieur le Curé! Senhor Prior! Olhe para ali! O pároco, surpreendido, olhou na direção indicada. A dizer a verdade não falta ali que ver... Passam na rua grandes autobuses cheios de jovens comunistas, de barretes encarnados, empunhando bandeiras vermelhas e cantando em coro a Internacional.
  - Que horror!  - gritou a senhora. E a sua cara, branca à custa de pó, tornou-se vermelha.
  - Que coisa repugnante! Que nojo!
O sacerdote sentiu também o coração oprimido à vista de tão horroroso espetáculo; mas, esforçando-se por aparentar tranquilidade, respondeu:
  - Isto, minha senhora, é na verdade, uma coisa lógica.
  - O que?! uma coisa lógica?! - exclamou a senhora, pasmada.
  - Claro que sim. Completamente lógica. Porque, se não há Deus, se não há vida eterna, se não há bem nem mal, não há motivo para que os comunistas tratem com delicadeza a sociedade burguesa...
  - A senhora respondeu irritada:
  - Mas Deus existe!
  - Sim, minha senhora! Mas eu nunca a vi na igreja.
  - Eu tenho cá um Deus pessoal...
  - Um Deus pessoal?
  - Sim, um deus pessoal. É mais cômodo.
Ao chegar a este ponto o sacerdote, habitualmente calmo e cortês, perdeu a paciência e expandiu o que, havia meses, guardava no coração.
  - Sabe, minha senhora, que é sua a responsabilidade do que se passa aqui, desta desordem, desta falta de consciência?
  - Minha?  - perguntou, surpreendida.
Sim. Da senhora e das pessoas como a senhora. Pertencem à classe social que orienta, à classe que deveria ser o sal, o fermento, a luz. E são-no, realmente? Não dão, durante todo o ano, o mau exemplo da indiferença religiosa aos seus porteiros, criados e conhecidos? Por que há de o povo acreditar se os senhores não acreditam? O povo segue-os. E se para os senhores não há nada santo, por que há de o povo respeitar, por exemplo, a sua bolsa, o seu adereço de diamantes... ou a sua própria pele? Minha senhora! Perante Deus nós somos responsáveis por tudo, tudo!
A senhora, encolerizada, olhou o pároco dos pés à cabeça, fez um trejeito com a boca e, voltando-lhe as costas, disse apenas:
  - Reverendo padre, quando eu quiser ouvir um sermão irei à igreja...
E seguiu, irada, o seu caminho.
Não quero afirmar que o pároco se portasse com inteira cortesia; nem mesmo teria razão em absoluto.
Mas não há dúvida de que a senhora também não a tinha. Porque, se qualquer pessoa tivesse o direito de fabricar para seu uso um "deus" individual e uma moral própria, então: I) Onde chegaria a vida da sociedade humana? II) Onde chegaria também a vida do indivíduo?
No capitulo anterior [do qual extraí o último post] tracei um quadro imaginário para mostrar quão tranquila e cheia de bênçãos seria a vida cá em baixo se os homens cumprissem com seriedade o Decálogo.
Observemos agora o reverso do quadro: Que sorte seria a da humanidade se um dia rompesse definitivamente com os dez Mandamentos? Que espantosa miséria!
Suprimi o primeiro Mandamento e permiti que cada qual fabrique para si um "deus" próprio; então ou chegaremos outra vez ao Panteão da Roma pagã, com seus trinta mil deuses, ou nos revolvemos em uma imoralidade pior que a vida dos animais, porque é mais fácil para a ave viver sem ar e para o peixe viver sem água do que para a alma humana viver sem Deus.
Apagai o segundo e o quarto Mandamentos e consenti que qualquer vadio da rua levante o punho, blasfemando contra Deus. Depois de rebaixar a autoridade divina poderá a autoridade humana permanecer intacta?
E onde os pais e as leis não têm autoridade, onde as palavras perderam o seu valor pode haver uma vida civilizada? não se poderá antes falar com propriedade de um rebanho humano reunido e dominado pelo látego de um carrasco?
Apagai o terceiro Mandamento, suprimi o culto e o descanso dominical! Avante! Viva o trabalho contínuo, viva o toque das sereias das fábricas. Já o experimentou o homem: as máquinas trepidantes abafam, em muitas partes, a voz dos sinos dominicais. Dizei-me, então: Somos assim mais felizes, mais livres ou oprime-nos um peso mais esmagador do que a escravidão dos ilotas? Sim: é justo adiantarmos e progredirmos... mas haveria em toda a história humana uma época de maiores desesperos, de mais punhos cerrados, de mais olhares chispando ódio? Houve alguma vez, nos tempos pretéritos, antes da técnica desenfreada que nem sequer permite o descanso dominical, crianças com bandeiras e barretes vermelhos?
Há médicos e homens entendidos em Economia que apregoam o benefício do descanso dominical e aplaudem a doutrina da Igreja, segundo a qual o homem mais rico está obrigado ao trabalho, mas o mais pobre tem igualmente direito ao descanso.
E como também recreia o espírito celebrar o domingo com um ato de culto e, pelo menos nestes momentos santos, elevar um pouco a alma humana, esgotada pela luta de cada dia!
Apagai o sexto e o nono Mandamentos, apregoai o amor livre. Passados alguns decênios, podereis ver ainda figuras humanas sobre a terra? Não verás somente costas curvadas, caras chupadas, olhos encovados, sangue empobrecido?
Apagai o sétimo e o décimo Mandamentos: e empenhar-se-ão numa luta de feras os homens dados à rapina.
Apagai o oitavo mandamento: e o esposo não poderá confiar na esposa, nem a mãe poderá acreditar nas palavras do filho.
Logo, a honra da palavra empenhada, o respeito da leis, a estima dos superiores, o amor do trabalho, a felicidade das famílias e o bem-estar da nações acompanha a sorte do Decálogo: com ele florescem ou sem ele decaem.
Se meditarmos na desorientação atual e no futuro da nossa sociedade, pesa-nos sobre o espírito uma incerteza esmagadora: por toda a parte um caminhar às apalpadelas nas trevas, ódio concentrado, pânico de revoltas, um buscar de novas formas de vida. Mas se dirigirmos um golpe de vista às catástrofes sofridas no passado, não temos razão para desanimar. A sociedade cristã sofreu crises maiores: basta recordar a queda de Roma, as invasões dos vândalos, hunos, turcos... os horrores da guerra dos Trinta Anos. Sim, tudo isto sofreu a Europa cristã. E como pôde resistir-lhe? Porque no momento crítico tinha uma ideia que infunde força, que dá vida: tinha fé em Deus.
E se hoje reina a agitação e se repetem diariamente os abalos sociais, é porque foi diminuída em nós a fé antiga em Deus. E no seu lugar que ficou? Incerteza, desespero, mania do suicídio em uma parte da humanidade; uma vida sem freio, luxo e libertinagem na outra.
Sociólogos, sábios, escritores dos nossos dias preocupam-se na averiguação de quem abriu a fossa a cujos bordos está cambaleando a humanidade atual. Quereis saber quem foram os que abriam tal fossa? Não quisera ser tão duro como o pároco parisiense. Mas devo dizer: foram os que despojaram a alma humana da sua fé em Deus, os que partiram as tábuas do Decálogo.
Não é coisa fácil levantar o homem moderno, acostumado ao estreito horizonte da vida material e elevá-lo às alturas ideais do Decálogo. Temos, contudo, de o conseguir. As multidões encaram hoje os pensamentos elevados, divinos, tão estupidamente como a galinha que esgravata no monturo poderia contemplar a águia real voando nas alturas.  - 'Pássaro insensato! para que voas no espaço vazio, onde não há ao menos um punhado de terra para rebuscar uns grãos?' E todavia a moral da Igreja Católica aceita a gigantesca tarefa de transformar esta geração de galinhas em estirpe de águias reais.
Que pretende, então o Decálogo? Que tenhamos olhar católico, ouvido católico, língua católica, mãos católicas, pés católicos e coração católico.
Queremos viver? Desejamos uma vida tranquila, cheia de grato sossego, neste mundo? Para isso não há outro caminho senão o que o Senhor ensinou: o cumprimento da Lei de Deus".
AMÉM!

TERÁ ATUALIDADE O DECÁLOGO?



(Excertos do capítulo I do Livro "OS DEZ MANDAMENTOS" da autoria de Mons. Tihamer  Tóth)

"Em cada Mandamento quisera sublinhar que devemos cumprir o Decálogo, não só porque a sua infração é um pecado contra Deus, mas também porque é ainda um pecado contra a natureza humana, contra uma vida terrena feliz, contra a sociedade. Quero destacar o pensamento importante de que estas leis são antigas, sim, mas nem por isso antiquadas: que estas leis não têm apenas três mil anos, mas seis... eu sei lá quantos milhares! porque são tão antigas como a própria humanidade. Certo é que o Senhor as codificou a partir dessa data de que temos conhecimento, dando-as escritas nas tábuas de pedra do Sinai; porém, milhares de anos antes, quando criou o homem, gravou-as no mais sensível da coração humano, no mais fundo da sua natureza e, por isso, ainda que tornem a passar novos milhares e dezenas de milhar de anos sobre a humanidade, e por muito que esta cubra com prodigiosos inventos da técnica a face da terra, estas leis, as palavras majestosamente singelas do Decálogo, desafiarão, imutáveis, todos os tempos.
O Decálogo não foi imposto apenas aos Judeus, ao homem antigo. Porque a proibição de perjurar, de roubar, enganar, matar, levar vida licenciosa é pedra fundamental, inamovível, de todas as sociedades e de todas as épocas. (...) Do cumprimento do Decálogo depende não só a nossa vida eterna, como também a nossa felicidade temporal e, ou a humanidade permanece fiel aos mandamentos de Deus, ou terá de resignar-se a nunca mais gozar uma vida humana tranquila, pacífica, feliz e sã. Porque aquelas dez breves frases, inscritas em antigas tábuas de pedra, dirigem-se a todos os homens. (...).
Ponho-me a imaginar o que seria, como se modificaria esta vida terrena, tão triste e tão cheia de lutas se os homens um dia resolvessem: De hoje em diante tomaremos a sério o Decálogo.
Soltemos as rédeas da nossa fantasia: esta noite os homens decidem cumprir, para o futuro, como todo o rigor, os Mandamentos. Que sucederia?
Vem a aurora... os homens levantam-se, aqui, além..., após tranqüilo repouso. E, que surpresa! não pedem primeiro que tudo o café da manhã; mas todos dobram os joelhos junto das suas camas e, em oração curta, fervorosa, consoladora, saúdam o Senhor! Todos oram: hoje está em vigor o Decálogo.
Chega a hora do primeiro almoço e repartem-se os periódicos que cheiram ainda à tinta fresca de imprensa. Mas, coisa rara! O café nunca foi tão saboroso: nas páginas do Diário há grandes espaços em branco, principalmente nos lugares antes destinados às murmurações e aos escândalos. Ah! sim! está em vigor o Decálogo. É proibido enganar. E por isso é tão boa e pura a lei. É proibido mentir e por isso as folhas vêm tão vazias...
Termina o primeiro almoço. Cada qual segue, apressado, para o seu trabalho! Numerosos estudantes dirigem-se para as suas aulas e todos de bom humor, porque não vão arquitetando as mentiras que habitualmente dizem aos professores como desculpa de não saberem as lições  -  hoje não é permitido mentir! - Em vez dessas mentiras, vão repetindo, para si, o que levam bem sabido, já que hoje toda a gente cumpre o seu dever.
Os pais de família dirigem-se para  as repartições. Que interessante! Hoje, às oito, todos estão no seu posto e os assuntos dos clientes são despachados com presteza e interesse... Mas... que terão estes homens?
Os operários encaminham-se para as fábricas; todos empunham as ferramentas e manejam os maquinismos com vigor e satisfação. Não há um só que se atreva a revoltar-se. Não dizem mal do fabricante, do rico, do patrão... Ah! sim! Está em vigor o Decálogo.
A dona de casa dirige-se ao mercado... Que contentamento! que segurança! Compra um litro de nata e nem sequer a prova primeiro: tem certeza de que não está azeda. Compra o colorau e sabe que não vem misturado com pó de tijolo. Compra mel e não há nele mistura, Deus sabe de que droga. Compra manteiga que não tem margarina. Ao trocar uma nota do Bando nem sequer verifica o troco. E ninguém regateia, porque hoje é proibido enganar.
O açougueiro compra um boi e tem a certeza de que não lhe deram previamente de beber, para pesar mais, cheio de água. E o que ainda vale mais, quando se retira com a sua compra, corre atrás dele o vendedor, dizendo: Queira desculpar, enganei-me no troco e dei-lhe menos do que devia..."
Será preciso continuar a descrever como seria o mundo se tomássemos a sério o Decálogo?
Regressa o marido de longa viagem e a esposa, recebe-o com aquela alegria verdadeira que só pode ser comunicada por uma consciência completamente tranquila e uma fidelidade conjugal mantida sem desdouro.
Chega o filho da escola e que felicidade para os pais saberem que cada palavra sua representa a verdade clara!
Logo à tarde há um comício. Porém, os oradores, que até agora falavam durante horas, de rosto contraído, espumando de cólera, não podem falar nem dois minutos, porque hoje só é permitido dizer a verdade.
Teremos de continuar? Nessa tarde um grupo de amigas reúne-se para o chá das cinco. Há anos que têm este costume: hoje, porém, a conversa leva tanto tempo a animar-se! E contudo faltam ali companheiras habituais de quem se poderia tranquilamente murmurar, na ausência. Mas, é verdade! hoje não se pode dizer mal de ninguém.
Desapareceram os policiais da rua; não têm que fazer: hoje não há criminosos.
Dos lugares de publicidade desaparecem os anúncios e gravuras licenciosas; e os nossos jovens podem passear tranquilos, esta noite, pelas ruas das grandes cidades; hoje é proibido seduzir ou impelir alguém ao pecado.
Abrem-se as cadeias; não há criminosos!
Nas Repartições de Contribuições... [declarações de renda] oh! quantos homens se comprimem ali!  -  "Peço-lhe que corrija a minha contribuição [declaração]; os meus rendimentos são justamente dez vezes maiores do que eu tinha manifestado..."
Assim aconteceria se cumpríssemos a sério os dez Mandamentos. E se em vez de um dia fosse uma semana inteira? E se em vez de semanas toda a vida? Que paraíso terreal floresceria neste vale da lágrimas!
    -  Ilusões! Fantasias de poeta! - dir-me-ão.
De modo algum fantasias, mas sim a vontade de Deus. É vontade de Deus que cumpramos o Decálogo, para assim garantirmos o equilíbrio da vida terrena. Eu quero crer: a vida temporal, deste modo, seria o Céu na terra. Continuaria o sofrimento, a doença, a morte. Desapareceria, porém, da nossa vida, aquela infinidade de tormentos, cuja causa somos nós unicamente. Desapareceria: e então a vida humana seria suportável, tranquila  -  que mais direi?  -  seria feliz. Porque não podemos esquecer que Nosso Senhor Jesus Cristo não é nosso Redentor só por ter libertado as nossas almas do pecado, mas também por ter dotado a vida terrena do homem com as leis mais a propósito para dignificar e enobrecer".
AMÉM!

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

REFORMA AGRÁRIA



Artigo de D. Antônio de Castro Mayer, publicado pelo jornal "Monitor Campista" em 07/07/1985.

Está na ordem do dia. De quando em quando, ela vem à ribalta. Embora não necessariamente, de fato, ela veicula duas atitudes agro-econômicas: uma que se opõe ao latifúndio como tal, considerando-o inapelavelmente antiprodutivo; outra que condena o latifúndio como usurpador de um chão, que Deus teria concedido a toda a comunidade. Em última análise, há, em todo agro-reformismo, certa reserva sobre a liceidade do direito de propriedade da terra.

É próprio dos agro-reformistas buscarem acobertar-se na doutrina da Igreja como a expõem hierarcas e teólogos nos dias de hoje. Esses homens da Igreja veriam, no agro-reformismo, o meio de acabar com os trabalhadores rurais sem terra que, por isso, seriam explorados pelos fazendeiros. É preciso dizer que a doutrina oficial e tradicional da Igreja não sufraga o apoio eclesiástico aos partidários do agro-reformismo.

Ainda agora o mostra uma acareação entre o que afirma o Exmo. Sr. Cardeal Aloísio Lorscheider, arcebispo de Fortaleza, em artigo no jornal "O Povo" (24/06/1985), da capital cearense, e o que ensinam encíclicas papais. Assim, diz o Sr. Cardeal Lorscheider: "A tradição cristã nunca defendeu o direito de propriedade privada como um direito absoluto e intocável". De seu lado, ensina Leão XIII na Rerum Novarum:

  'Deve reconhecer-se ao homem não só a faculdade geral de usar das coisas exteriores, mas ainda o direito estável e perpétuo [grifo nosso] de as possuir, tanto as que se consomem pelo uso, como as que permanecem depois de nos terem servido (§ 11, trad. de Vozes).
E mais adiante continua Leão XIII: 'Aliás, posto que dividida em propriedades particulares, a terra não deixa de servir à utilidade comum de todos (...) Quem a não tem, supre-o pelo trabalho (...)" (id. § 14).

Então nada se deve fazer para aprimorar o relacionamento entre patrões, operários e Estado, envolvidos todos, e interessados na agricultura?  - perguntará um agro-reformista irritado.

Não somos assim tão imbecis. Pois é sempre tempo de melhorar, respeitados, porém, os direitos, legitimamente existentes. Quando o Sr. Carvalho Pinto [Carlos Alberto de Carvalho Pinto, governou o Estado de São Paulo de 1953 a 1963], na presidência do Estado de São Paulo, enveredou pela revisão agrária, suscitou polêmica que extravasou os limites do seu Estado. Na ocasião tivemos oportunidade de tornar públicas algumas normas, no sentido de elevar o rendimento da lavoura e mais ainda os homens da terra. Como as julgamos ainda atuais, as transcrevemos:
  • ·         Uma transformação da vida do campo, que importe na melhoria do salário e das condições de existência dos trabalhadores rurais de formação religiosa, moral e intelectual;
  • ·         A difusão da pequena propriedade;
  • ·         O acesso do trabalhador agrícola à condição de proprietário; [q. criança eu tinha a satisfação de ver como alguns meeiros do papai, quando entregavam a lavoura, compravam um alqueire de terra, faziam sua casa e plantavam café].
  • ·         O amparo dos pequenos proprietários pelos Poderes Públicos;
  • ·      Permanência mais efetiva dos proprietários nas fazendas, e um contato assíduo dos proprietários e trabalhadores agrícolas;
  • ·   Situação melhor para a agricultura no conjunto da economia nacional, com vistas a um incremento da produção rural, e a conseqüente possibilidade de uma adequada remuneração dos proprietários e trabalhadores agrícolas.

O Exmo. e Revmo. Sr. Dom Geraldo de Proença Sigaud fez idêntica comunicação ao seu clero de Diamantina, publicada na "Estrela Polar" de Diamantina, de 19 e 25 de março do mesmo ano de 1962.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

O INFERNO DO COMUNISMO



No inferno, além da pena dos sentidos, como é o fogo, há outro tormento muito maior, que é a pena do dano, isto é, a perda de Deus: "Afastai-vos de Mim, malditos...". Ora, o Comunismo é ateu, isto é, sem Deus. É totalmente materialista. Logo, no mundo comunista não há Deus. Mas no inferno há os demônios. E Jesus Cristo disse que o demônio é homicida e invejoso. Assim são também os comunistas. Se não têm Deus, não acreditam em suas Leis. Deus proíbe, por ex. matar e roubar. Eles matam e roubam. E assim não respeitam os outros mandamentos: não amam a Deus que simplesmente não existe para eles e nem amam o próximo que é a imagem e semelhança de Deus. Jesus disse que o Demônio é mentiroso. Mentirosos são igualmente os comunistas. 

Mas vamos, agora, ouvir os corifeus do Comunismo:

Lenine é o fundador do Comunismo russo. Eis o que este ímpio disse: "Deus é uma mentira. O homem que se ocupa em louvar a Deus se suja em sua própria saliva". Daí ele dizer: "É preciso combater a religião, eis o A B C do Comunismo". E no jornal comunista de Leon Blum, lê-se: "Devemos amaldiçoar Deus e afastá-lo da sociedade". No plano aprovado pelo Governo comunista da Rússia em 1932 figura o projeto de acabar com todo o culto a Deus, e extinguir até a ideia de Deus. Daí o principal autor da teoria comunista, Carlos Marx, foi um ateu confesso, e considerava a Religião como "uma ideia desarrazoada; como o ópio para o povo; como um aroma espiritual de um mundo vicioso e desordenado". 

O 2º Congresso da UNIÃO DOS SEM DEUS, em 1929, em Moscou, teve por fim incentivar a "luta sistemática contra o Catolicismo". O comunista Loukatchevsky declarou: "A escola comunista realiza a educação anti-religiosa; a imprensa, o cinema, o rádio, a leitura, a arte, lutam contra a religião" (entendia=católica).  

O Comunismo não tem Moral, mas pelo contrário, seus próprios chefes repetiram muitas vezes que o Comunismo é a negação da Moral. Aliás têm sim a sua moral; e nisto ela se resume: "Bom é todo e qualquer ato favorável aos planos do partido comunista, e mau tudo aquilo que entrava a marcha da revolução internacional".

Os comunistas são mentirosos como são os demônios. Todo mundo sabe que Lula é comunista. E, no entanto, vai à Igreja e até comunga (mesmo porque também dentro da hierarquia eclesiástica há muitos e muitos comunistas infiltrados). E lobo não come lobo. Perguntaram a ele depois que comungou: "Você não se confessou, como ousou assim comungar?". Respondeu: "sou um homem sem pecado". É um mentiroso, porque o Espírito Santo diz que quem disser que não tem pecado, é um mentiroso". E isto faz parte da tática comunista. Eis o que disse o chefe do comunismo no Chile, Lafferte, homem verdadeiramente diabólico que parece ter recebido de Lúcifer o encargo de comunistarizar  toda a América do Sul,  na convenção do partido comunista mexicano em maio de 1944: " Os inimigos principais são as organizações militares e religiosas e os interesses capitalistas... As necessidades táticas da luta nos fazem aparecer hoje como simpatizantes da religião... É importante que nossas autoridades permitam a outras religiões a entrada em nossos países: mórmons, protestantes, budistas, judeus e muçulmanos. Que estas seitas tenham seus templos à luz do dia... Desta maneira faremos penetrar a pouco e pouco nossas teorias de positivismo, de economia individual e coletiva". Disse ainda o chefe comunista chileno: "Agora, mais do que nunca, devemos seguir uma tática de luta que ENGANE os inimigos de nossa ideologia".

Dimitrof, tristemente famoso comunista, secretário da 3ª Internacional Comunista, assim se expressou: "Não seríamos verdadeiros comunistas se não soubéssemos modificar inteiramente nossa tática de conformidade com o momento. Todos os recuos, todos os ziguezagues da nossa tática têm um único fim: a revolução mundial". Disse o próprio Lenine: "Estamos resolvidos a tudo o que é possível: astúcias, artifícios, métodos ilegais, calar, dissimular, etc." Quem sabe neste ETC.  não estaria subtendido: faca?

O comunista Proudhon  invertendo o 7º mandamento da Lei de Deus, disse: "A propriedade é um roubo".A primeira Revolução que houve, foi no céu, chefiada por Lúcifer: "Não servirei". E Deus lançou-o, juntamente com os seus seguidores revolucionários, nos abismos do inferno.  Pois bem, Lenine, ao estabelecer a Terceira Internacional Comunista, declarou que ela devia ser o ponto de partida para a revolução mundial e para a vitória do comunismo em todo o mundo. E, caríssimos, os comunistas nunca desistiram desse plano diabólico, e constituíram Stalin como chefe da revolução mundial, por ocasião do 7º Congresso da Internacional comunista na capital da Rússia.

Carl Marx já dizia: "Os objetivos do Comunismo só poderão ser realizados com a destruição violenta da atual ordem social". O Comunismo, na verdade, constitui-se uma QUINTA COLUNA que trama contra a segurança nacional, em todos os países. A infiltração comunista infecta já todos os países, inclusive o Vaticano. E esta infiltração se intensificou na Igreja Católica depois do Concílio Vaticano II.  (Depois em um posterior post falaremos sobre isto).

Portanto, os católicos são obrigados em consciência a não votar em candidato comunista e socialista. E, numa eventual alternativa num 2º turno entre um candidato de esquerda e um da direita, não podem, em consciência diante de Deus, votar em branco; terá que votar no candidato da direita, mesmo que tenha lá faltas e senões, porque bom mesmo é só Deus. 

Faremos, se Deus quiser, muitas outras postagens sobre o Comunismo.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

DISCUSSÃO ENTRE JESUS E OS JUDEUS



S. João VIII, 30- 39
Dizendo Ele [Jesus] estas coisas, muitos creram nele. Dizia, pois, Jesus aos judeus que creram nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos descendentes de Abraão e nunca servimos a ninguém: como dizes tu: Sereis livres? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado. Ora o servo não fica para sempre na casa, mas o filho fica nela para sempre. Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. Bem sei que sois descendência de Abraão; contudo, procurais matar-me, porque a minha palavra não entra em vós. Eu falo do que vi junto de meu Pai, e vós fazeis o que também vistes junto de vosso pai.
Responderam e disseram-lhe: Nosso pai é Abraão. Jesus disse-lhes: Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão. Mas agora procurais matar-me, a mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem ouvido; Abraão não fez isto. Vós fazeis a obra de vosso pai. Eles disseram-lhe pois: Nós não somos nascidos de fornicação; temos um Pai, que é Deus. Disse-lhes pois Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, certamente me amaríeis, pois que eu saí, e vim de Deus; não vim de mim mesmo, mas ele me enviou. Por que não entendeis a minha linguagem? Porque não podeis ouvir a minha palavra. Vós tendes por pai o diabo e quereis satisfazer o desejo de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Mas porque vos digo a verdade, não me credes. Qual de vós me convence de pecado? E se vos digo a verdade, por que não credes? Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso vós não as escutais, porque não sois de Deus.
Responderam pois os judeus, e disseram-lhe: Não dizemos nós bem que és samaritano, e que tens demônio? Jesus respondeu: Eu não tenho demônio, mas honro o meu Pai, e vós a mim desonrais. Eu não busco a minha glória; há quem a busque, e quem fará justiça. Em verdade, em verdade vos digo: quem guardar a minha palavra não verá a morte eternamente.
Disseram-lhe, pois, os judeus: Agora reconhecemos que estás possesso do demônio. Abraão morreu e os profetas, e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, nunca provará a morte. És tu maior que o nosso pai Abraão, que morreu? E também os profetas morreram. Quem pretendes tu ser? Jesus respondeu: Se eu glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus. Mas vós não o conheceis, mas eu conheço-o; e, se disser que o não conheço, serei mentiroso como vós; mas conheço-o e guardo a sua palavra. Abraão. vosso pai, regozijou-se com a esperança de ver o meu dia; viu-o e ficou cheio de gozo. Disseram-lhe, por isso, os judeus: Tu ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão? Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Antes que Abraão existisse, eu sou.
Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou".

sábado, 13 de outubro de 2018

Precisa-se de uma Catarina de Sena

Artigo escrito por Gustavo Corção,  de saudosa memória. 
Extraído do livro "A TEMPO E CONTRA TEMPO".


   ANTEONTEM, dia 30 de abril, [foi escrito em 02 de maio de 1968], a Igreja comemorou mais um aniversário no céu de Catarina Benincasa, nascida em Sena, em 1347, e falecida, aos trinta e três anos de idade, no esplendor da santidade. O Introito da missa resume toda a contrastada vida da terceira dominicana, padroeira da Itália: "Dilexisti justitiam e odisti iniquitatem".

   Sim, foi o amor das coisas do Reino de Deus e o ódio do pecado que polarizaram toda a extraordinária vida da moça pobre, filha de um tintureiro, frágil, iletrada, e todavia capaz de manifestar diante dos homens as grandezas de Deus. [Nota minha: Sua mãe, embora pobre, foi agraciada por Deus, com 24 filhos, e da última Deus tinha desígnios grandiosos para a Santa Igreja]. Até aos vinte e um anos viveu obscuramente na sua casa modesta, servindo uma família enorme e exigente. Sua boa mãe não entendia os sacrifícios e os jejuns que a filha desde cedo se impunha. Com paciência heroica, Catarina suportou e venceu todas as dificuldades familiares e conseguiu viver uma intensa contemplação nos vagares que a casa lhe permitia. 

   Aos vinte e um anos, numa noite de terça-feira de carnaval, fechada em sua cela, Catarina recebeu visitas deveras extraordinárias: apareceu-lhe o Senhor com vestes nupciais, acompanhado de sua Mãe, de São João e São Paulo, e do profeta Davi, com sua harpa. Colocando em seu dedo um anel de ouro, disse-lhe o Senhor: "Eu, teu Criador e teu Salvador, te esposo na Fé que guardarás sem mancha até o dia em que te esposarei no céu".

   Começa então a vida de Catarina, e sua extraordinária influência junto aos dirigentes do mundo. Depois de poucos anos de pregação do pequeno grupo que a acompanhava, Catarina empreendeu a aventura de restaurar o trono de Pedro em Roma. O Papa Gregório XI estava em Avignon, entre seus cortesões que levavam vida escandalosa. Expulso de Roma pelas intrigas que fervilhavam em torno do Vaticano, o Papa se deixara entregar às más influências de parentes e seguidores mundanos. E é nesse meio que a filha do tintureiro vai buscá-lo e vai trazê-lo para Roma quase de rastros.

   Os intrigantes querem obstar de todos os modos a partida do Papa, mas a palavra de Catarina, moça humilde de vinte e quatro anos, soa aos ouvidos do Papa com um acento irresistível: "Ide" , lhe diz ela numa carta, "correi depressa à Esposa que vos espera pálida e moribunda. Restituí-lhe a vida!".

   O Papa embarca com sua corte. Em Gênova, os cardeais querem convencê-lo a voltar para Avignon. O Papa hesita, e declara que quer ouvir Catarina, que voltara a Roma por terra. O Papa sabe que Catarina está em Gênova, mas não consegue de seus seguidores que ela venha a bordo do navio. Para lograr tal encontro, o Papa lança mão de um estratagema de romance policial: disfarça-se, e consegue desembarcar para ter uma entrevista com a alma de fogo que tinha palavras do céu.

   Encontra-se, afinal, com Catarina, que lhe diz como tantas vezes disse ao seu confessor Raimundo Cápua: "Sê homem!" E fala-lhe longamente do palácio de sangue e fogo onde o Rei celebra as bodas de seu Filho. Volta o Papa reanimado, e os cortesões, os maus prelados, os demonii incarnati, como os chamava Catarina, não conseguem mais detê-lo. Dias depois a galera pontifical sobe o Tibre, e o Papa desembarca em meio da multidão delirante.

   Mais tarde, morto Gregório XI e eleito Urbano VI, os demonii incarnati produzem o grande cisma que afligirá a Igreja durante muito tempo, e que prepara a ferida maior da Reforma. Abandonado por seus cardeais, Urbano chama Catarina e diz: "Esta mulher fraca nos envergonha a todos nós!"

   Catarina organiza o combate: suas armas são o jejum, a penitência e a oração. Escreve aos seus discípulos, escreve ao rei de França, escreve à rainha de Nápoles que vacila. A cristandade está dividida entre duas obediências; ninguém mais se entende. Onde está a Igreja? O provérbio clássico tornou-se ambíguo: Ubi Petrus, ibi Ecclesia. Mas onde está Pedro? Seria o caso de dizer: Ubi Caterina, ibi Petrus. 

   É nesse tempo de gravíssimas perturbações na Igreja que Catarina escreve o seu "Diálogo da Divina Providência"... Disse eu, mais de uma vez, que ela escreve, mas seria mais correto dizer que ela dita as cartas que hoje enchem seis volumes, porque ela não sabia escrever. Sim, dita, e dita o Diálogo em êxtase, com palavras que recebe de Deus. Ela sabe que, nos momentos mais aflitivos da Igreja, é preciso ouvir a palavra de Deus, voltar à palavra de Deus, meditar a palavra de Deus. 

   Dias depois, oferecendo a vida pela Igreja, pela Navicella, Catarina morre gritando súplicas de perdão: "- Miserere.... miserere... Tu me chamas, Senhor, e eu vou, eu vou, não por meus méritos, mas por teu sangue. "Ó sangue!"

   Meditando esses e outros passos da vida fecundíssima de Santa Catarina de Sena, tive hoje a ideia de elevar a Deus uma súplica em forma de anúncio de jornal: precisa-se de uma Catarina de Sena. O mundo de hoje está em situação pior do que esteve no trecento.  E creio que não são menos abundantes, em torno do Papa, e pelo mundo todo, nem menos perniciosos hoje, aqueles que a Santa chamava de demonii incarnati. Tudo indica que devemos organizar o combate com as mesmas armas de Deus: a penitência, o sacrifício e a oração. 
2-5-68

NOTA: Creio que não são menos abundantes, na Igreja e pelo mundo todo, nem menos perniciosos hoje, aqueles que a Santa chamava de "demônios encarnados". Tudo indica que devemos organizar a verdadeira resistência,  com as mesmas armas de Deus: a penitência, o sacrifício e a oração.  Deus resiste aos soberbos e só dá a sua graça aos humildes. Santa Catarina de Sena é a concretização viva desta verdade. Toda resistência que vier do orgulho, tem um pai: o demônio, ou o próprio ou incarnado nos orgulhosos e rebeldes. Esta foi a "Resistência" de Lutero, Henrique VIII, Döllinger e "caterva". Os eclesiásticos modernistas são mais comunistas e mais perigosos que os comunistas leigos ateus, justamente porque dentro da Igreja Católica e, ironia dos tempos modernos, os discípulos de Lutero hoje, porque baseados na Bíblia, estão defendendo a família com mais denodo do que o empregado pelos clérigos comunistas  em destruí-la.

A "Nova Igreja" prega contra a família

   Extraído do livro "A TEMPO E CONTRATEMPO" de autoria do saudoso Gustavo Corção.
   Artigo escrito em 20 de abril de 1968.



    EM meu último artigo referi-me a um livro publicado pelo ISPAC (Instituto Superior de Pastoral Catequética) intitulado Os Jovens e a Fé, e disse que esse livro cuidava de tudo, até do fogo-fátuo dos cemitérios, mas omitia uma Coisa muito importante. Deixei o suspense. O que é, o que é que os novos padres, que se dizem especialistas em jovens, esquecem de mencionar, e quando mencionam é para agredir? Hoje trago a resposta: é simplesmente a FAMÍLIA.

   Sim, senhores, neste livro de duzentas páginas não há um só tópico para tentar, ao menos timidamente, um ajustamento do moço dentro da família em que nasceu, e uma preparação para a família que venha a fundar. Todos nós sabemos o papel de destaque que a família tem nas preocupações e nos ensinamentos da Igreja. Durante dois mil anos todos nós católicos ensinamos que a Família é a célula da sociedade, o seminário onde se preparam os homens para a Cidade ou para a Igreja. Hoje se diz que os jovens devem "fazer opções livres" sem se "deixarem enquadrar".

   Sim, a doutrina clássica, que qualquer homem do povo conhece e respeita, não é mais conhecida e respeitada pelos pregadores da "Nova Igreja". Em todo livro editado pelo ISPAC o jovem é visto no espaço, sem raízes, ou então é convidado a enquadrar-se nos grupos de segregação etária, onde o moço fica privado das ricas experiências do mundo e da vida, e de certo modo fixado na imaturidade.

   Poucas são, nesse livro, as referências aos pais, e essas mesmas em termos de conflito, como se houvesse um essencial antagonismo entre as gerações. Da Família, como instituição, não encontrei uma linha. E é contra esse desserviço prestado aos moços, à sociedade e à Igreja que eu clamo.

   Domingo passado, no sermão, um padre de Botafogo me fulminou, me arrasou, me achatou, por estar eu "combatendo os padres que cuidam dos jovens". Não é verdade. Eu não combato os padres que zelam pelos jovens, combato sim, e combaterei enquanto persistir o fenômeno, e enquanto os dedos tiverem força para calcar as teclas da máquina, o novo padre que entra no mimetismo dos jovens, com mentalidade de adolescente, para ajudar o mundo a desagregar a Família.

   Vimos há dias alguns eclesiásticos excitados tomarem parte nas desordens feitas por estudantes visivelmente teleguiados pelos comunistas, que nem se deram ao trabalho de disfarçar tal comando. Essa atitude foi imprudente e nociva a todos os altos valores que deviam prezar. Ouso entretanto dizer que mal maior fazem os que pregam contra a instituição familiar. O veneno corrosivo que espalham é muito mais grave do que a desordem social, porque atinge as almas nos mais profundos afetos. E, no entanto, por incrível que pareça, aí está o fenômeno: padres, organizações eclesiásticas, a serviço da desagregação da Família. 

   O livro editado pelo ISPAC é antes de tudo bobo. Tem frases assim: "Hoje o homem é capaz de conduzir a história, ao passo que ontem a história o conduzia (pág. 99), à qual, sem hesitar, eu daria o prêmio Nobel da estupidez do ano. Adiante, na página 121, encontramos o sucedâneo da família no capítulo intitulado A PROGRESSIVA SOCIALIZAÇÃO DOS JOVENS. Que quererá dizer isto? O autor responde: "Damos a entender por socialização que os jovens abandonem, cada vez mais, os traços próprios de sua individualidade, e o individualismo de seu impulso, em benefício de um nivelamento e de uma ação no grupo e pelo grupo".

   Não discuto hoje a imbecilidade desta frase escrita em mau francês e traduzida em português ainda pior. Obstino-me na reclamação: e a Família? E a mãe? E o pai? E a casa, os irmãos, as paredes, o chão em que nasceram, o teto que os protege?

   Tempos atrás apareceu no Rio um dominicano francês que escreveu um artigo contra a família, instituição burguesa. Foi muito festejado pelos espertinhos da UNE que nesse tempo tiravam milhões das tetas da Entidade Máxima. Escrevi eu um artigo contra o dominicano que supunha ser um idiota isolado. Hoje tornou-se legião esse tipo de frade ou de padre, e tornou-se trivial o sermão contra o Quarto Mandamento de Deus. Ouvi eu mais de dez. Um jovem padre excitado ensinava do púlpito: "Os jovens têm de fazer suas experiências próprias, e digo ainda que doa nos sacrossantos ouvidos dos adultos".

   Outro, ainda mais excitado, num sermão de domingo publicou um conflito caseiro onde evidentemente o jovem tinha toda a razão e mais alguma. E acrescentava esta nota pitoresca: "Ontem o pai veio me procurar, um pai com cara de palhaço". Perto daqui, no Largo do Machado, havia uma missa especial para jovens. Quem acaso entrasse na igreja para rezar, era convidado a se retirar. Dizia o padre, ao microfone, que uma pessoa de idade imprópria estava presente e era convidada a retirar-se.

   Numa reunião de jovens, quando apareceu a mãe de um dos garotos, com vontade de ver como era a dita reunião, o padre, irritado, disse à senhora que não havia ali lugar para espiões. Tudo isto parece mentira, mas infelizmente o que pareceria monstruosa mentira anos atrás tornou-se verdade hoje.

   Todos nós sabemos que os moços estão hoje vivendo uma situação dramática, justamente por causa da desagregação familiar. Ora, o que dói a mais não poder é ver um dos nossos a trabalhar com tanto entusiasmo na mesma direção da desagregação familiar. Não pararei, ainda que em todos os bairros e em todos os domingos me injuriem os padres da bossa revolucionária.

   Em nome da verdade exijo que digam publicamente que não é o zelo pelos jovens que eu combato, e sim a demagogia, a exaltação cheia de equívocos, e sobretudo a atividade desagregadora da família.


   Nota: Vemos pelo presente artigo que eclesiásticos já vêm semeando os ventos comunistas da destruição da Família, já há muito tempo.  Mas o que dói a mais não poder é constatar que a tempestade desta destruição está levantada por gente dos altos escalões eclesiásticos. 
Afinal, onde Lula,  Maduro e outros comunistas foram procurar "bênção" para conseguirem enganar os cristãos do Brasil e da Venezuela? Todos sabem: junto a Francisco! 
    

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil


 "Mariae, de qua natus est Jesus, qui vocatur Christus" 
"Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo" (S. Mateus, I, 16).

  Em 1954 Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, Cardeal e Arcebispo Metropolitano de São Paulo, escreveu uma Carta Pastoral, verdadeira exaltação a Maria Santíssima. Dela daremos aqui aos caríssimos leitores apenas alguns trechos:
   "Os filhos bem-nascidos e espiritualmente bem formados exultam sempre em conhecer a vida da criatura abençoada que lhes deu o ser e o materno leite e amor de mãe. Se assim é na ordem natural, mormente na ordem sobrenatural ou na ordem da vida da graça.
   "Aquela que é Mater Divinae Gratiae tem todo o direito ao mais sublime amor e ao mais acendrado culto por parte de todos os verdadeiros cristãos, regenerados pelo divino sangue do Salvador dos homens. Pois este sangue redentor, Cristo o recebeu do seio imaculado e sempre virgem de Maria: Mariae, de qua natus est Jesus, qui vocatur Christus.
   A salvação moral e espiritual da cristandade descansará perenemente na proteção superna de Nossa Mãe do Céu, tal qual em seus braços maternais descansava o próprio Salvador, Jesus, o Cristo Filho de Deus Vivo.
   A devoção a Nossa Senhora é a salvaguarda da fidelidade religiosa do nosso povo; e, para cada um de nós, o penhor da conquista do Paraíso.
   Para sermos verdadeiros e bons brasileiros, havemos de ser fiéis devotos da Mãe de Deus e Nossa. 
   Em seus braços veio Jesus para nós; em seus braços iremos nós para Jesus.
   "Foi no meado do Mês do Rosário, outubro de 1717, que, no Vale Mariano do Rio Paraíba, nas águas do porto de Itaguaçu, da paróquia de Guaratinguetá, deu-se o evento milagroso da Imagem Aparecida de Nossa Senhora da Conceição.
   "O então vigário de Guaratinguetá, Padre José Alves de Vilela, deixou registrado no Livro de Tombo dessa sua privilegiada paróquia, um interessantíssimo relato de como a Imagem fora colhida pelas redes abençoadas do feliz pescador João Alves, que tinha por companheiros Domingos Martins Garcia e Filipe Pedroso. 
   É de justiça ressaltar a benemerência desse sacerdote virtuoso e culto que, durante os primeiros trinta anos, cuidou zelosamente da devoção a Nossa Senhora Aparecida.
   "Por iniciativa sua, com outros devotos, erigiu primitiva ermida, por ele mesmo, posteriormente transplantada e transformada em capela digna deste nome, cito no próprio local em que, cem anos mais tarde, construir-se-ia a majestosa igreja que é agora Basílica Nacional. (a antiga). 
  "Era em Itaguaçu que em todos os sábados, reunia-se a gente da vizinhança a cantar o terço, o ofício litúrgico popular e outros louvores a Nossa Senhora. Oxalá que tão belo exemplo de piedade de nossos antepassados não seja nunca jamais esquecido na tradição das famílias católicas de nossa Pátria! 
   Falando do PRIMEIRO CONGRESSO DA PADROEIRA diz Dom Mota:
   "É o Brasil católico ajoelhado aos pés da Imaculada Conceição, é a alma brasileira que, em protestos de fé, cimenta e consolida os sentimentos que trouxemos do berço da nossa Pátria. Quer em romarias, mais ou menos organizadas, quer em grupos de famílias ou em visitas isoladas, sempre características do filial amor que devotamos à Mãe Santíssima, quantos saem daqui levando para a vida novas energias; quantos se regeneram no batismo da penitência; quantos abençoam a feliz inspiração que os trouxe um dia aos pés de Maria Santíssima!
   "A Aparecida é no Brasil a terra predileta de Nossa Senhora. É o Santuário em que ela se compraz de derramar as suas bênçãos, consolando e acariciando, a uns fortalecendo-lhes a fé e a coragem cristã, a outros inspirando nobres e salutares resoluções, quantas vezes restituindo-lhes a saúde do corpo, sempre a saúde da alma aos bem intencionados e sinceramente arrependidos".
   "Ainda as almas simples, as desse povo religioso e bom, que não sabe falar, mas sabe rezar, sentiam, como por instinto, que a Senhora Aparecida quer e deve reinar nos corações, nos lares, na família e na sociedade, em todos os recantos da Pátria estremecida, como Senhora absoluta de tudo quanto somos e de tudo quanto é nosso.
   "Este Santuário é água que satisfaz ao paladar do humilde e pequenino, e ao dos sábios; tanto atrai a devoção do caboclo do sertão, como a do gênio de Tomás de Aquino. Aqui na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, reza-se pela paz do Brasil grandioso e unido.
   "Que Nossa Senhora Aparecida, doravante, e para sempre, Rainha incontestada, e Soberana do Brasil, conserve-nos a todos a unidade da fé na unidade inquebrantável da Pátria!"
   "Aquiescendo paternalmente à patriótica e piedosa súplica do colendo Episcopado Nacional, houve por bem Sua Santidade, o Papa Pio XI, por MOTU PROPRIO de 16 de julho de 1930, oficialmente proclamar a Beatíssima e Imaculada Virgem Maria, sob o título de APARECIDA - PRECÍPUA PADROEIRA DE TODO O BRASIL, junto de Deus.
   "Eis as formais palavras da referida proclamação: (traduzindo do latim):
   "Por "motu próprio" e por conhecimento certo e madura reflexão Nossa, na plenitude de Nosso poder apostólico, pelo teor das presentes letras, constituímos e declaramos a Beatíssima Virgem Maria concebida sem mancha, sob o título de APARECIDA PADROEIRA PRINCIPAL DE TODO O BRASIL diante de Deus. Concedemos isto para promover o bem espiritual dos fiéis no Brasil e para aumentar cada vez mais a sua devoção à Imaculada Mãe de Deus".

..."E então, de suas dadivosas mãos, a Virgem Imaculada - onipotência suplicante como é - fará jorrar sobre nós caudais de bênçãos; bênçãos que sejam luz para o nosso espírito em trevas de sobressaltos, que sejam força para a nossa vontade trepidante e quase a capitular, que sejam tranqüilidade para a nossa consciência em desassossego, e que sejam vibrações de sadio entusiasmo para o nosso coração abafado e desiludido.
   "Sensibilizados e ternissimamente agradecidos, podemos e devemos afirmar que, assim como a França foi o histórico cenário escolhido pela Virgem Imaculada para sua aparição a Catarina Labouré, a 27 de novembro de 1830, exigindo a cunhagem da Medalha, por antonomásia a MEDALHA MILAGROSA, assim como foi a Itália o palco majestoso da visão de Afonso Ratisbonne, a 20 de janeiro de 1842, na igreja de Santo André delle Fratte, em Roma, triunfando a Virgem da Medalha sobre o seu espírito de judeu acérrimo; assim também, e muito antes, fora o Brasil, em águas do Paraíba, o recesso tranqüilo e humilde, eleito por Nossa Senhora da Conceição, para o miraculoso aparecimento de sua Imagem a 17 de outubro de 1717. Imagem tão pequena em sua dimensão, quão grande, na veneração e no amor dos brasileiros.
   ..."Porque Maria Santíssima havia de ser Mãe de Deus por isso foi Imaculada em sua Conceição. E, depois, porque era a Mãe de Deus e Imaculada, por isso foi ressuscitada e assunta ao Céu, na integridade de sua pessoa. Em Maria, o Sol da graça infinita e da infinita justiça, refulgiu no seu zênite no mistério augusto e inefável da Maternidade Divina. Mas, na Imaculada Conceição, na gloriosa Ressurreição e na excelsa Assunção, rebrilhou o mesmo Solstício. Maria obteve vitória total sobre o pecado, pela plenitude da graça de Imaculada e Mãe de Deus: bem como obteve vitória total sobre a morte, pela plenitude da vida ressurreta e imortalizada na Glória do Paraíso.
   "Pois essa Criatura super-privilegiada, OBRA PRIMA  do Criador onipotente, onisciente e onibondoso, é a PRINCIPAL E CELESTIAL PADROEIRA DE TODO BRASIL, JUNTO DE DEUS. É a nossa Mãe do Céu! Que Nossa Senhora Aparecida console os que choram, conforte os que sofrem, encaminhe os transviados, reconcilie os inimigos, consolide as famílias, harmonize as sociedades, salve o Brasil! E assim como foi sua milagrosa Imagem recolhida nas redes dos pescadores, assim também se digne a querida Mãe e Padroeira recolher-nos a todos nas redes de sua bondade  e de seu poder, levando-nos para o Céu, levando-nos para Jesus: AD JESUM PER MARIAM!"

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

A RAINHA DO BRASIL

A RAINHA DO BRASIL
                                                                  
                                                                                                                                                  Dom Fernando Arêas Rifan*

            No próximo dia 12celebraremos a Rainha e Padroeira do Brasil. Estaremos, pois, em prece pedindo sua proteção e bênção para o segundo turno das eleições, no difícil momento político e social por que passamos. Que Nossa Senhora Aparecida interceda junto de Deus para que essa eleição seja correta, pacífica e reformadora.
        Que o Brasil, que nasceu católico desde a sua descoberta, cujo primeiro monumento foi um altar e uma cruz, que teve como primeira cerimônia uma Missa, que tem essa Senhora Padroeira, mostre-se digno de tais origens e de tal Patrona, em suas instituições, suas leis, seus governantes, sua política, seus legisladores, sua população e seu modo de viver, na verdadeira justiça e caridade, na ordem e no verdadeiro progresso, na harmonia e no bem comum, na lei de Deus e na coerência com os princípios da fé cristã, base da nossa identidade pátria e princípio de toda a convivência honesta, solidária e pacífica.
        Graves males ameaçam a nossa pátria: a institucionalização do aborto (“nazismo de luvas brancas”, no dizer do Papa Francisco), a implantação da ideologia de gênero, a exaltação da prática do homossexualismo, a erotização da infância e da adolescência, a desconstrução da família natural, a implantação do socialismo e do comunismo, o abandono e a exploração dos pobres e miseráveis, a insegurança, o incentivo à criminalidade, a liberação das drogas e seus males, o desprezo da religião e suas trágicas consequências, etc, enfim, a destruição da civilização cristã e dos seus valores. 
        Quando o nazismo e o comunismo, regimes totalitários, adversários no campo político, mas iguais na mesma luta contra a fé cristã, ameaçavam os povos, o primeiro com uma fé pagã e o segundo com o materialismo marxista, o Papa Pio XI escreveu, em 14 de março de 1937, a encíclica “Mit Brennender Sorge”, contra o Nazismo, que com o seu “provocador neopaganismo” instituía “leis que suprimem ou dificultam a profissão e a prática da fé, em oposição ao direito natural”, e em 19 de março do mesmo ano, escreveu a encíclica “Divini Redemptoris”, contra o comunismo ateu, onde repete as mesmas condenações dos seus antecessores, chamando o comunismo de “doutrina nefanda, contrária ao próprio direito natural, a qual, uma vez admitida, levaria à subversão radical dos direitos, das coisas, das propriedades de todos e da própria sociedade humana”, “peste mortífera, que invade a medula da sociedade humana e a conduz a um perigo extremo”. 
      E, referindo-se ao comunismo, Pio XI esperava que, “além de todos aqueles que se gloriam do nome de Cristo, se oponham também denodadamente todos quantos creem em Deus e o adoram, que são ainda a imensa maioria da humanidade’, apelando a eles para que também concorram “para afastar da humanidade o grande perigo que a todos ameaça”; “todos os que não querem a anarquia e o terror devem trabalhar energicamente para que os inimigos da religião não alcancem o fim que tão abertamente proclamam”.  

         *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

 

terça-feira, 9 de outubro de 2018

ALERTA CONTRA INCONSCIENTES AJUDAS AOS COMUNISTAS



 Primeira coisa que é necessário destacar: Amar os pobres não é odiar os ricos. Demos a palavra a D. Antônio de Castro Mayer, de santa e saudosa memória:
 "Amemos, pois, desveladamente os pobres, sejamos seus protetores, defendamos seus direitos,  - salvando sempre, porém, os direitos das outras camadas da sociedade, porque a felicidade do corpo social está na harmonia de todas as classes, com seus direitos e deveres, e não na supremacia de uma sobre a outra, tripudiando sobre a lei moral.

A laicidade favorece a seita marxista: Nesta mesma ordem de ideias, convém fazer algumas reflexões a respeito do falseamento freqüente dos movimentos destinados a ajudar e defender os operários, trabalhadores rurais, empregados domésticos, enfim, a classe dos que ganham dignamente seu pão com o trabalho assalariado.
Qualquer iniciativa no sentido de elevar essa classe espiritual, cultural e moralmente, é digna de todos os encômios. Assim também os movimentos que se propõem a defesa dos legítimos direitos dela na relações com os empregadores. Há de aqui, porém, levar-se em conta, primeiro, que em tais movimentos, vistos em seu conjunto, jamais se deve recusar a primazia à parte espiritual e moral. Se eles cuidarem apenas da parte econômica, no fundo estarão auxiliando a difusão dos erros comunistas, uma vez que estes afirmam precisamente que são os fatores econômicos os únicos que realizam todo progresso, mesmo cultural e, enquanto não se pode acabar inteiramente com as crenças, até religioso. É isso falso, e uma campanha em prol das classes menos favorecidas da fortuna, que não sublinhasse essa falsidade, estaria indiretamente beneficiando o comunismo. Por semelhante razão, lamentamos profundamente o caráter laico dos nossos sindicatos, quer de empregados, quer de patrões. Posta de lado a influência direta da Religião, resulta impossível resolver os problemas sociais dentro dos quadros da civilização cristã, baseada em valores espirituais aos quais os econômicos devem estar subordinados, como meros auxiliares.

A tendência de igualar as condições de patrões e empregados serve o comunismo: É pelo esquecimento dos valores espirituais que frequentemente as reivindicações operárias descambam para a exigência de uma igualdade absoluta de direitos entre empregados e empregadores. Coisa em si absurda, uma vez que o próprio contrato de trabalho supõe duas situações distintas, cada qual com seus direitos legítimos, não porém os mesmos, pois que se fossem os mesmos nem sequer seria possível contrato. Quando duas pessoas contratam é porque não têm os mesmos direitos; a uma falta o que a outra tem, e o contrato é feito precisamente para que se completem, se auxiliem reciprocamente, ficando ambas satisfeitas, conservando, porém, cada qual, seus direitos. As campanhas a favor dos direitos dos operários, e empregados em geral, com tendência a igualar as situações, servem aos comunistas, cujo ideal é a supressão da diversidade de classes sociais. Eis, pois, um campo em que a defesa de direitos autênticos e até sagrados pode prestar-se, nas condições em que vivemos, à exploração da seita marxista.
Ao cuidar dos operários é preciso marcar bem a função que eles têm na sociedade, função digníssima e deles própria, que bem desempenhada os leva a dar seu contributo indispensável para o bem comum, e que no entanto será fundamentalmente viciada, se, corroídos de inveja porque lhes não coube outra posição mais elevada, vierem a sabotar a tarefa que executam, ou a colaborar em movimentos que provocam a desordem no campo econômico-social. Com semelhante procedimento, eles prejudicariam a sociedade toda, e a si mesmos, espiritual e materialmente.

Sem o concurso das virtudes cristãs nada se fará de útil para os pobres: Não é preciso insistir para que se veja como as reivindicações operárias  -  tão legítimas e simpáticas  - quando feitas nesse espírito ajudam poderosamente a criar ambiente favorável ao comunismo e contrário à civilização cristã. Esta é feita das grandes virtudes sociais, a obediência, a humildade e o amor. Virtudes que falam em desapego e dedicação. Virtudes cujo concurso impede que as reivindicações operárias, por mais categóricas e enérgicas que sejam, se transformem em fator de desordem social. Virtudes que, se vierem a falhar, nem se obterá a salvação eterna, razão por que fomos criados, nem a paz e a prosperidade social, motivo por que existe a sociedade civil. Sem elas domina a inveja, a desconfiança, o ódio, causas da desagregação social, sobre a qual lança o manto negro da tirania, o despotismo moscovita".

(Extraído da CARTA PASTORAL prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista, escrita por D. Antônio de Castro Mayer em 13 de maio de 1961).