"Quem deixa esta vida, como membro do Corpo de Cristo, como sarmento vivo na Vide que é Nosso Senhor Jesus Cristo, tem a Vida eterna: não se poderá perder. Sem dúvida, a maior parte dos homens, deixando esta vida, não tem a necessária pureza para entrar no Amor vital mais íntimo com o Deus que é a própria Santidade. Por isso existe um estado de purificação, ao qual se devem submeter essas almas e - como podemos bem afirmar - também se submetem de boa vontade, pois elas conhecem a distância que separa a sua alma de Deus. A este estado chamamos Purgatório. A Igreja nada definiu até hoje, a respeito do modo dessa purificação; os Orientais, mesmo os unidos à Igreja de Roma, evitam a palavra Purgatório. A existência do Purgatório, no entanto, que a própria razão insinua, é também expressamente revelada. Já no Antigo Testamento, no Segundo Livro dos Macabeus está escrito: "É um pensamento santo e salutar, rezar pelos mortos, para que sejam libertados de seus pecados" (2 Macab. XII, 46). Judas Macabeu fez oferecer um sacrifício em Jerusalém por aqueles soldados mortos, que se haviam munido de objetos provenientes de sacrifícios aos ídolos. É certo que as almas do Purgatório sofrem sem aumentar os seus merecimentos, isto é, não podem crescer no amor. Sem dúvida, seus sofrimentos são grandes. Antes de tudo sentem amargamente por se verem excluídos da visão de Deus, até a total purificação. Igualmente certo é que nós, pelo Santo Sacrifício e pela oração, podemos correr em seu auxílio. Não menos certo é também que elas estão absolutamente seguras de sua salvação, o que para elas constitui motivo de grande consolação. O Purgatório torna-se deste modo um lugar de amor e submissão à vontade de Deus". (Extraído da Pequena Teologia Dogmática, autores: D. Rudloff e D. Keckeisen, ambos O. S. B.)
"Em verdade, Senhor, para os Vossos fiéis, a vida não acaba, apenas se transforma; e, desfeita a casa deste exílio terrestre, uma eterna morada se adquire nos céus". Assim, bem mais do que um fim inexorável, a morte é para o cristão uma porta aberta para a eternidade, porta esta que o introduz na vida eterna.
Devemos aproveitar este dia para pensarmos também na nossa morte. Temos uma vantagem e uma desvantagem com relação às almas do Purgatório: Elas não podem mais merecer, como acabamos de meditar. Nós, os vivos, podemos. No entanto, elas já estão seguras da salvação. Nós não. Temos que trabalhar com muito esforço para a garantirmos.
Terminemos, então, com as palavras de Santo Agostinho: "Concedei-me, ó Senhor, que com a morte dos entes queridos experimente uma aflição razoável, derramando lágrimas resignadas sobre a nossa condição mortal, depressa reprimidas pelo consolador pensamento de fé, a qual me diz que os fiéis, ao morrerem, somente se afastam um pouco de nós para irem a um lugar melhor. Não consintais que eu me entristeça como os gentios que não têm esperança. Poderei de fato experimentar tristeza, mas quando estiver aflito, que a esperança me conforte. Com uma esperança tão grande, não fica bem, Senhor, que o Vosso templo esteja de luto. Aí morais Vós, que sois o consolador, aí morais Vós, que não faltais às Vossas promessas.
Fazei, Senhor, que durante minha vida, sofra sempre com paciência, pratique a caridade, seja manso e humilde, desapegado do mundo e da carne; e quando Vós me chamardes, pela Vossa misericórdia, me alegrarei em encontrar junto de Vós os meus entes queridos que aí já estão. Amém!
