sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

LEITURA ESPIRITUAL - Dia 15 do mês

Do juízo e das penas dos pecadores


  Primeiramente, vejamos o que disse o Espírito Santo: "Em todas as tuas obras, pensa nos teus novíssimos e não pecarás jamais" (Eclo 7,40). Já meditamos sobre a morte, hoje vamos pensar um pouco sobre o juízo e os tormentos eternos dos condenados.
    São Paulo, inspirado pelo Divino Espírito Santo diz sobre o juízo particular: "Está estabelecido que morram os homens uma vez; e depois disso o Juízo" (Hebr 9,27). E ainda: "É necessário que todos nós compareçamos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba o que é devido pelo que fez de bom ou de mal" (2Cor 5, 10). E quanto ao Juízo universal eis o que diz também o próprio Espírito Santo: "Comparecerão (os condenados) medrosos com a lembrança dos seus pecados, e as suas iniquidades se levantarão contra eles para os acusar. Então os justos se levantarão com grande afoiteza, contra aqueles que os atribularam, e que lhes roubaram o fruto dos seus trabalhos. Vendo-os assim, perturbar-se-ão com temor horrível os maus, e ficarão assombrados, ao ver a repentina salvação dos justos, a qual eles não esperavam, e dirão dentro de si, tocados de desespero, e gemendo com angústia do espírito: Estes são aqueles a quem nós outrora tínhamos por objeto de zombaria e por motivo de vitupério. Nós, insensatos considerávamos a sua vida uma loucura, e a sua morte uma ignomínia. E ei-los que são contados entre os filhos de Deus, e entre os santos está a sua sorte. Logo, nós extraviamos do caminho da verdade, a luz da justiça não raiou para nós, e o sol da inteligência não nasceu para nós. Cansamo-nos na senda da iniquidade e da perdição, andamos por caminhos ásperos, e ignoramos o caminho do Senhor. De que nos aproveitou a soberba? De que nos serviu a vã ostentação das riquezas. Todas aquelas coisas passaram como sombra..." (Sab. IV, 20; V, 1-9). 
  Portanto, por que não te acautelas para o dia do juízo, quando ninguém poderá ser desculpado nem defendido por outrem. 
  Agora o teu trabalho é frutuoso, as tuas lágrimas são bem acolhidas, os teus gemidos aceitos, a tua dor é satisfatória e justificativa. Aqui tem grande e saudável purgatório o homem paciente, que, recebendo injúrias, mais se dói da maldade do injuriador, que de sua própria ofensa, que roga a Deus sinceramente por seus inimigos, e de coração perdoa os agravos,  se alguém ofendeu não tarda a pedir-lhe perdão; que mais facilmente se compadece do que se ira; que se faz violência a si mesmo e trabalha por sujeitar de todo a carne ao espírito.
  Melhor é satisfazer agora pelos pecados e cortar os vícios, que deixá-los para os satisfazer na outra vida Na verdade nós mesmos nos enganamos pelo amor desordenado que temos à carne. No entanto, quanto mais te perdoas agora a ti mesmo e segues os apetites da carne, tanto mais fortemente serás depois atormentado. 
  Na verdade, não podes ter dois gozos: deleitar-te neste mundo e reinar depois com Jesus Cristo no céu.
  Se até agora tivesses vivido em honras e prazeres, e te chegasse a morte, que te aproveitaria tudo isto? Logo, tudo é vaidade e aflição de espírito, exceto o amar e servir somente a Deus.
  Porque os que amam a Deus de todo o coração não temem a morte, nem o castigo, nem o juízo, nem o inferno; porque o perfeito amor faz ter perfeito acesso a Deus.
À direita de Jesus: os filhos da luz; à esquerda: os
filhos das trevas
  Mas quem se deleita ainda em pecar, não admira que tema a morte e o juízo. Aquele que despreza o temor de Deus, não poderá perseverar muito tempo no bem, antes, mui depressa cairá nos laços do demônio. 
  No Juízo universal separar-se-ão as duas cidades: os que forem trigo, estarão do lado direito de Jesus; os que forem joio estarão do lado esquerdo. A grande e eterna sentença será pronunciada: ela abrirá o Paraíso aos justos, e cairá sobre os pecadores com todo o peso duma solene reprovação.
  Cercado dos anjos fiéis e do exército resplandecente dos escolhidos, sobe Jesus Cristo à sua glória. Satanás apodera-se de sua presa e com ela se precipita nos abismos; tudo se consumou para sempre; nada mais resta senão as alegrias do céu e a desesperação eterna dos maus.
  Caríssimo, enquanto estás na terra, tens a escolha destas duas moradas: escolhe, pois, mas lembra-te que além do túmulo não há arrependimento. 
   Salvador divino, enquanto não vindes como juiz tomar contas aos homens de suas ações, dai-me aquela luz inefável que alumia a alma para ver a torpeza do pecado, e comove o coração para detestar o horror do vício; possa eu, ajudado com ela, deixar o caminho da iniquidade, e só escolher a vereda da virtude que me encaminhe à perfeição neste mundo, e no tremendo juízo me introduza entre os benditos de vosso Pai celestial. Amém!
   O ramalhete espiritual de hoje serão as palavras do Divino Espírito Santo: "Foi estabelecido a todo homem morrer uma só vez, e depois disto virá o juízo". 

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