sábado, 24 de novembro de 2012

VATICANO II E A CIDADE CATÓLICA (continuação)

Por D.  Lefebvre, obra citada.
Morte do Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo

  Se o Estado já não reconhece ter um dever especial a respeito da verdadeira Religião do verdadeiro Deus, o bem comum da sociedade civil já não está ordenado para a cidade celestial dos bem-aventurados, e a cidade de Deus sobre a terra, quer dizer a Igreja, se encontra privada de sua influência benéfica sobre toda a vida pública. Queiram ou não, a vida social se organiza fora da verdade e da lei divina. A sociedade se torna ateia. É a morte do Reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo. 
  
  É por certo o que fez o Vaticano II, quando Mons. de Smedt, relator do esquema de liberdade religiosa, afirmou três vezes: "O Estado não é uma autoridade competente para fazer o julgamento da verdade ou falsidade em matéria religiosa". Que declaração monstruosa a de afirmar que Nosso Senhor não tem mais o direito de reinar, de reinar sozinho, de impregnar todas as leis civis com a lei do Evangelho! Quantas vezes Pio XII condenou semelhante positivismo jurídico, com pretensão de que se deve separar a ordem jurídica da ordem moral porque não se poderia expressar em termos jurídicos a distinção entre a verdadeira e as falsas religiões. Vamos reler o "Foro dos espanhóis"!

  Mais ainda, para cúmulo da impiedade, o Concílio quis que o Estado liberado de seus deveres para com Deus, passe a ser de agora em diante a garantia de que nenhuma religião "se veja impedida de manifestar livremente a eficácia de sua doutrina para organizar a sociedade e vivificar toda atividade humana" (DH. 4). Assim o Vaticano II, convida a Nosso Senhor para vir organizar e vivificar a sociedade juntamente com Lutero, Maomé e Buda. É o que João Paulo II quis realizar em Assis, projeto ímpio e blasfemo. 

  Em outros tempos, a união entre a Igreja e o Estado católico teve como fruto a Cidade católica, realização perfeita do Reino social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Hoje a igreja do Vaticano II unida ao Estado que quer que seja ateu, dá à luz, desta união adúltera, a sociedade pluralista, a babel das religiões, a Cidade indiferentista que é o desejo da Maçonaria. 

O Reinado do Indiferentismo Religioso

  Dizem: "A cada qual sua religião!" ou então "A Religião católica é boa para os católicos, mas a muçulmana é boa para os muçulmanos!" Esta é a divisa dos cidadãos da Cidade indiferentista. Como querem que pensem de outro modo quando a igreja do Vaticano II lhes ensina que as outras religiões "não estão desprovidas de significação e de valor no mistério da salvação". Como querem que pensem de outro modo a respeito das outras religiões, quando o Estado concede a todas a mesma liberdade? A liberdade religiosa ocasiona fatalmente o indiferentismo dos indivíduos. Pio IX já condenava no "Syllabus" a seguinte proposição:
     
     "É falso declarar que a liberdade civil de todos os cultos e o poder dado a todos de manifestar aberta e publicamente todos os pensamentos, lancem mais facilmente os povos na corrupção dos costumes e do espírito e propaguem a peste do indiferentismo". 

 É o que nós vemos: depois da Declaração sobre a liberdade religiosa, a maioria dos católicos está persuadida de que "os homens podem encontrar o caminho da salvação eterna e obtê-la no culto de qualquer religião". Também se cumpriu o plano dos maçons: lograram, por um concílio da Igreja católica que ela "assumisse o grande erro do tempo atual, que consiste em (...) pôr em pé de igualdade todas as formas religiosas. 

  Será que todos os Padres conciliares que deram seu voto a "Dignitatis Humanae" e que proclamaram com Paulo VI a liberdade religiosa, perceberam que de fato tiraram o cetro de Nosso Senhor Jesus Cristo, arrancando-Lhe a coroa de sua Realeza social? Deram-se conta de que, concretamente, haviam tirado do trono a Nosso Senhor Jesus Cristo, do Trono de sua Divindade? Terão compreendido que fazendo-se eco das nações apóstatas, faziam subir até Seu Trono estas execráveis blasfêmias: "Não queremos que Ele reine sobre nós" (LC. XIX, 14); "Não temos outro rei, senão César!" (Jo. XIX, 15). Mas Ele, rindo do burburinho confuso de vozes que subia desta assembleia de insensatos, retira-lhes Seu Espírito. 

  

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