domingo, 31 de agosto de 2014

A FIGURA DE JESUS POR UMA CARTA DA ÉPOCA

   Como se sabe, a Judéia na época de Jesus Cristo, era governada pelos romanos. Os imperadores romanos, os Césares, nomeiavam governadores e enviava-os de Roma. Antes de Póncio Pilatos, foi governador da Judéia Publius Lentulus. Chegou até os nossos tempos uma carta sua escrita ao César Romano, Tibério César que foi Imperador do ano 14 ao ano 37 depois de Cristo. Nosso Senhor Jesus Cristo já iniciara a sua Vida Pública, quando o governador Romano Publius Lentulus escreveu a carta que passamos a reproduzir:
"O Senador Publius Lentulus da Judéia ao César Romano:
             "Soube, ó César, que desejavas ter conhecimento do que passo a dizer-te.
              "Há aqui um homem chamado Jesus Cristo, a quem o povo chama profeta e os seus discípulos afirmam ser o filho de Deus, criador do Céu e da Terra.
              "Realmente, ó César, todos os dias chegam notícias das maravilhas deste Cristo. Para dizer-te em poucas palavras, dá vistas aos cegos, cura doentes e surpreende toda a Jerusalém.
               "Belo e de aspecto insinuante, é um homem de justa estatura, e a sua figura é tão majestosa, que todos o amam irresistivelmente. Sua fisionomia, de uma beleza incomparável, revela meiguice e, ao mesmo tempo, tal dignidade, que só olhar-se para ele cada qual se sente obrigado a amá-lo e a temê-lo ao mesmo tempo.
                "O cabelo dele até à altura das orelhas é de cor das searas quando maduras, emoldurando divinamente a sua fronte radiosa de jovem mestre; caindo em anéis reluzentes, espalham-se pelos seus ombros com uma graça infinita, sendo então de uma cor indefinível, como o vinho claro e brilhante. Ele o traz apartado ao meio por uma risca à moda dos nazarenos. A barba é da cor dos cabelos e não muito larga e também dividida ao meio. O olhar de paz é profundo e grave, com reflexos nos olhos de várias cores, e o mais surpreendente é que resplandecem! As pupilas parecem os raios do sol. Ninguém pode fitar-lhe o rosto deslumbrante. 
                "O seu porte é muito distinto. Possui encanto e atrai os olhares. Tão belo quanto pode um homem ser belo, ele é o mais nobre que imaginar se pode e muito semelhante à sua mãe, a mais formosa figura de mulher que até hoje apareceu nesta terra.
                 "Nunca foi visto rindo, mas já foi visto chorando várias vezes. As mãos e os braços são de uma grande beleza, que é prazer contemplá-los. Faz-se amigo de todos e mostra-se alegre com gravidade, e quando é visto em público, aparece sempre com grande simplicidade. Quer fale, quer opere, fá-lo sempre com elegância e sobriedade. Toda a gente acha a conversação dele muito agradável e cativante. Fala um idioma de misterioso encanto e as multidões, compostas de judeus e de naturais da Capadócia, Panfília, Cirene e de muitas outras regiões, ficam perplexas ao ouvi-lo, pois cada qual o ouve como se fosse no próprio idioma pátrio. 
                  "Se a tua magestade, ó César, deseja vê-lo, avisa-me, que eu logo to enviarei. Apesar de nunca ter estudado, é senhor de todas as ciências. Em sua expressão divina, ele é a sublimação individualizada de magnetismo pessoal. As criaturas disputam-lhe a presença encantadora; as multidões seguem-lhe os passos, tocadas de singular admiração. Quase todos buscam tocar-lhe a vestidura, pois dele emanam irradiações virtuosas que curam moléstias pertinazes. Ele produz espontaneamente um clima elevado de paz, que atinge a quantos lhe gozam a excelsa companhia. Anda com a cabeça descoberta e quase descalço e a sua túnica, alvíssima, combina com a subtileza de seus traços delicados. 
                    "Muitas pessoas quando o vêem ao longe escarnecem dele, mas quando ele se aproxima e estão na sua frente, então tremem e admiram-no. De sua figura singular, extraordinária beleza simples, vem um quê diferente que arrebata as multidões, e essas serenam, ouvindo as suas promessas sobre um eterno reinado. 
                     " Os  hebreus dizem que nunca viram homem semelhante a ele, cuja sabedoria excede à dos gênios. Nunca ouviram conselhos idênticos, nem tão sublime doutrina de humildade e de amor como a que ensina este Cristo. Amável ao conversar, torna-se temível quando repreende, mas mesmo neste caso, revela segurança e serenidade. É sobremodo sábio, modesto e muito casto. É um homem, enfim, que por suas divinas perfeições excede os outros filhos dos homens.
                     "Muitos judeus o têm por divino e crêem nele. Também o acusam a mim, dizendo, ó César, que ele é contra a tua magestade, porque afirma que reis e vassalos são todos iguais diante de Deus e assevera que acima o teu poder, ó César, reina um único Deus, Todo Poderoso, consolador de todos os homens desesperados e aflitos.
                     "Ando apoquentado com estes hebreus que pretendem convencer-me de que ele nos é prejudicial. Mas os que o conhecem e a ele têm recorrido, afirmam que ele nunca fez mal a pessoa alguma e antes emprega todos os seus esforços para fazer toda a humanidade feliz.
                       "Estou pronto, ó César, a obedecer-te e a cumprir o que me ordenaste"

  

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