terça-feira, 16 de abril de 2013

COMO SURGIU A TEORIA DA SALVAÇÃO SÓ PELA FÉ - (15)

   53.  SÓ PODIA DAR NISSO MESMO!

   Muitos dos primeiros chefes e adeptos do Protestantismo, embora divergindo em muitas coisas não só de Lutero, mas também entre si, estavam de acordo naquele ponto: em que o homem não goza de livre arbítrio. Cristo pagou por todos nós e não nos resta mais fazer nada, a não ser crer em Cristo, etc, etc. Mas a pregação de tais ideias, que vinham dar numa doutrina francamente imoral e escandalosa, não podia deixar de receber as censuras mais acerbas, não só da parte dos católicos, senão também de todos os homens de bom senso. E desde cedo se começaram a ver os tristes efeitos da disseminação de tais ideias no seio do povo, os quais logicamente não podiam ser senão os mais desastrosos. Não há testemunho mais insuspeito sobre o assunto do que o do próprio Lutero: "Os evangélicos são sete vezes piores que outrora. Depois da pregação da nossa doutrina, os homens entregaram-se ao roubo, à mentira, à impostura, à crápula, à embriagues, e a toda a espécie de vícios. Expulsamos um demônio e vieram sete piores. Príncipes, senhores, nobres, burgueses e agricultores perderam de todo o temor de Deus" (Weimar XXVIII-763). O demônio que ele dizia ter expulsado era o Papado. 

   Diz ainda Lutero:

   "Depois que compreendemos não serem as boas obras necessárias para a justificação, ficamos muito mais remissos e frios na prática do bem. É admirável com que fervor nos dávamos às boas obras outrora, quando por meio delas nos esforçávamos por alcançar a justificação. Cada qual porfiava por vencer os outros em piedade e honestidade. E se hoje se pudesse voltar ao antigo estado de coisas, se de novo reviesse a doutrina que afirma a necessidade do bem fazer para ser santo, outra seria a nossa alacridade e prontidão no exercício do bem" (Weimar XVII-443). "Quem de nós, - continua Lutero - se teria abalançado a pregar, se pudesse prever que tanta desgraça, tanto escândalo, tanto crime, tanta ingratidão e malvadez seriam o resultado da nossa pregação? Agora, uma vez que chegamos a este estado, soframos-lhe as consequências" (Walch VIII-564).

   O leitor nem precisava destes comentários feitos tão sinceramente por Lutero para calcular, por si mesmo, os efeitos daquela teoria da salvação só pela fé: se os pregadores, apresentando o Cristianismo como realmente é, um admirável código de moral, e mostrando Deus a impor aos homens a sua lei e querendo que eles se santifiquem (esta é a vontade de Deus: a vossa santificação - 1ª  Tessalonissenses IV-3) não podem com isto impedir que haja muitos crimes, escândalos e pecados, muita libertinagem nesta massa humana, tão inclinada para o mal e para a perdição - que não será agora a pregação desta nova doutrina, e isto em nome de Cristo, em nome do Evangelho: que não há mais necessidade de observar os mandamentos, mas só a de confiar em Cristo para conseguir o Céu, porque Cristo já conseguiu o Céu para todos nós?

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