terça-feira, 26 de abril de 2016

Que é a Igreja para o Teólogo Modernista?

  É um parto da consciência coletiva, isto é, da coletividade das consciências individuais, que, por virtude da permanência vital, estão todas pendentes do primeiro crente, que para os católicos foi Cristo. 
  Afirmam os modernistas que foi erro das eras passadas pensar-se que a autoridade da Igreja emanou de princípio estranho, isto é, imediatamente de Deus; e por isso, com razão, era ela considerada autocrática. Estas teorias, porém, já não são para os tempos modernos. Assim como a Igreja emanou da coletividade das consciências, a autoridade nasce também da consciência religiosa, e por esta razão fica dependente da mesma; e se faltar a essa dependência, torna-se tirânica. Nos tempos que correm o sentimento de liberdade atingiu o seu pleno desenvolvimento. No estado civil a consciência pública quis um regime popular. Mas a consciência do homem, assim como a vida, é uma só. Se, pois, a autoridade da Igreja não quer suscitar e manter uma intestina guerra nas consciências humanas, há também mister curvar-se a formas DEMOCRÁTICAS. Seria loucura pensar que o vivo sentimento de LIBERDADE, ora dominante, retroceda. Dizem os modernistas que se a Igreja quiser reprimir e enclausurar este sentimento de liberdade, ele transbordará mais impetuoso, destruindo conjuntamente a religião e a Igreja. 

A IGREJA E A SOCIEDADE CIVIL: São as mesmas regras que serviram para a ciência e a fé. Falava-se outrora do temporal sujeito ao espiritual; nas questões mistas, a Igreja intervinha qual senhora e rainha, porque então se tinha a Igreja como instituída  imediatamente por Deus, enquanto autor da ordem sobrenatural. Mas, dizem os modernistas, estas crenças já não são admitidas pela filosofia, nem pela história. Deve, pois, a Igreja separar-se do Estado, e assim também o católico do cidadão. E é por este motivo também que o católico, não se importando com a autoridade, com os desejos, com os conselhos e com as ordens da Igreja, e até mesmo desprezando as suas repreensões, tem direito e dever de fazer o que julgar mais oportuno ao bem da pátria. Querer, sob qualquer pretexto, impor ao cidadão uma norma de proceder, é por parte do poder eclesiástico verdadeiro abuso, que se deve repelir com toda a energia. (Estas heresias já tinham sido condenadas por Pio VI na "Auctorem fidei"). 
  Na coisas temporais a Igreja tem que sujeitar-se ao Estado. Os protestantes liberais caíram em mais um erro que é a religião individual. 
   O que acabamos de explicar, refere-se à autoridade disciplinar. Agora, as afirmações modernistas em relação à autoridade doutrinal e dogmática. Aí são ainda mais graves e perniciosas. Dizem: A sociedade religiosa não pode deveras ser uma, sem unidade de consciência nos seus membros e unidade de fórmula. Daí tiram o conceito de Magistério eclesiástico: Não é mais do que um produto das consciências individuais, e só para cômodo das mesmas consciências lhe é atribuído ofício público. Assim sendo, ele, dependendo dessas consciências, deve inclinar-se a formas DEMOCRÁTICAS. É abuso da autoridade querer impedir a necessária evolução dos dogmas. Protestando embora o seu profundo respeito à autoridade, o católico deve continuar sempre a trabalhar à sua vontade. Em geral, os modernistas admoestam a Igreja de que, sendo o fim do poder eclesiástico todo espiritual, não lhe assenta bem essas exibições de aparato exterior e de magnificência, com que sói comparecer às vistas da multidão. São Pio X, de imediato, refuta tão descabida crítica modernista: "E quando assim o dizem procuram esquecer que a religião, conquanto essencialmente espiritual, não pode restringir-se exclusivamente às coisas do espírito, e que as honras prestadas à autoridade espiritual se referem à pessoa de Cristo que a instituiu. 

   A DOUTRINA MODERNISTA DA EVOLUÇÃO NA IGREJA. Têm eles por princípio geral que, numa religião viva, tudo deve ser mutável e mudar-se de fato. Por aqui abrem caminho para uma das suas principais doutrinas, que é a da EVOLUÇÃO.  O dogma, a Igreja, o culto, os livros sagrados a té mesmo a fé, se não forem coisas mortas, devem sujeitar-se às leis da evolução. Dizem ainda os modernistas: A Igreja mostra-se inimiga dos progressos das ciências naturais e teológicas; A verdade não é menos imutável do que o homem, pois que evolui com ele, nele e por ele; Cristo não ensinou um corpo fixo de doutrina aplicável a todos os tempos e a todos os homens; inaugurou em vez certo movimento religioso que se adapta, ou que deve ser adaptado aos diversos tempos e lugares; A Igreja mostra-se incapaz de defender eficazmente a moral evangélica, porque adere obstinadamente a doutrinas imutáveis, que não podem conciliar-se com o progresso moderno; O progresso das ciências exige que se reformem os conceitos da doutrina cristã sobre Deus, a Criação, a Revelação, a Pessoa do Verbo Encarnado e a Redenção; O Catolicismo atual não pode harmonizar-se com a verdadeira ciência a não ser que se transforme num cristianismo sem dogmas, isto é, num protestantismo largo e liberal. 

Um comentário:

  1. COMO SE FALA E INSISTE HOJE NA PALAVRA "LIBERDADE! o problema é que os mais falantes dessa tapeação é que são todos apegados a ideologias, e essas são tão liberais como em Cuba e outros países, todos do povo de coleira no pescoço e fecho éclair na boca!
    Mesmo dentro da Igreja temos desses "liberais", como os da TL vermelha e quem comungue com eles, e os que andam propondo a tal "misericordia" que ajuda o sujeito é ficar mais alienado!
    O mesmo acontece com os acima com a palavra DEMOCRACIA - tal qual!
    Os modernistas querem o que Pe Fabio de Melo disse: evolução do dogma, adaptação ao meio cultural etc. - pode uma dessa?

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