sábado, 15 de outubro de 2016

O Espírito Apostólico das três Teresas Carmelitas

   Refiro-me às três santas carmelitas: Teresa d'Ávila, Teresa de Lisieux, Teresa dos Andes.

Teresa menina, pintada como carmelita.

   SANTA TERESA D'ÁVILA:
   "Tende compaixão de mim, meu Deus, ordenai de modo a que eu possa cumprir em algo os meus desejos, para Vossa honra e glória. Não Vos recordeis do pouco que mereço e da baixeza da minha natureza! Não fostes Vós, Senhor, poderoso para fazer que o grande mar se retirasse, e o grande Jordão deixasse passar os filhos de Israel? Alargai, Senhor, o Vosso poderoso braço; resplandeça a Vossa grandeza em coisa tão baixa, para que entendendo o mundo que nada posso, Vos louvem a Vós. Custe-me o que custar, pois isso quero, e daria mil vidas, se tantas tivera, para que uma só alma Vos lembrasse um pouco mais. Dá-las-ia por bem empregadas e entendo com toda a verdade que nem mereço padecer por Vós um trabalho muito pequeno, quanto mais morrer. Mas vede, Senhor, já que sois Deus de misericórdia, tende-a desta indigna pecadora, deste miserável verme que assim se atreve conVosco! Vede, Deus meu, os desejos e as lágrimas com que isto Vos suplico e olvidai os meus pecados por quem sois, e tende lástima de tantas alma que se perdem e favorecei a Vossa Igreja. Não permitais, Senhor, mais danos na cristandade; dai luz a tantas trevas!"
Santa Teresinha do Menino Jesus.
No claustro do Carmelo de Lisieux.
  
   SANTA TERESA DE LISIEUX:
   "Ser Vossa esposa, ó Jesus... ser, pela união conVosco a mãe das almas, já me devia bastar... Contudo sinto em mim outras vocações, sinto a vocação de guerreiro, de sacerdote, de apóstolo, de doutor, de mártir; enfim, sinto a necessidade, o desejo de realizar por Vós, Jesus, todas as obras mais heróicas... Sinto na alma a coragem de um Cruzado, quereria morrer num campo de batalha em defesa da Igreja... Quereria iluminar as almas como os Profetas, os Doutores... Quereria percorrer a terra, pregar o Vosso nome e plantar no solo infiel a Vossa Cruz gloriosa... Mas acima de tudo, ó meu Bem Amado Salvador, quereria derramar o sangue por Vós até à última gota... O martírio, eis o sonho da minha juventude! Mais uma vez, sinto que o sonho é irrealizável, pois não poderia limitar-me a desejar um só gênero de martírio... Para me satisfazer precisaria de todos... Ó meu Jesus! que respondereis a todas as minhas loucuras?... Existirá acaso alma mais pequenina, mais impotente do que a minha?! Contudo exatamente por causa da minha fraqueza, tivestes por bem, Senhor, satisfazer as minhas aspiraçõezinhas infantis, e quereis agora, satisfazer outras aspirações mais vastas do que o universo... Compreendo que só o Amor fazia agir os membros da Igreja, que se o amor viesse a extinguir-se, os Apóstolos deixariam de anunciar o Evangelho, os Mártires se recusariam a derramar o sangue... Compreendi que o Amor englobava todas as vocações, que o Amor era tudo, que se estendia a todos os tempos e a todos os lugares... numa palavra, que era Eterno!... Ó Jesus, meu Amor... a minha vocação... encontrei-a finalmente, a minha vocação é o Amor! Sim, encontrei o meu lugar na Igreja e este lugar, ó meu Deus, fostes Vós quem mo deu... no coração da Igreja, minha mãe, serei o Amor... Assim serei tudo, assim será realizado o meu sonho".

Juanita Fernández Solar, estudante.
   SANTA TERESA DOS ANDES: ( Extraído de sua composição literária: "Demolidores e Criadores):
   "Há um poder sempre reinante, uma dinastia que não conhece ocaso, uma luz que jamais se extingue, e esse poder foi sempre combatido, essa dinastia, sem cessar, perseguida, essa luz esteve continuamente circundada de trevas. Eis aqui a eterna história do poder da Igreja, da dinastia do Papado, da luz, da verdade. Enquanto tudo passa e fenece a seus pés, a Igreja se mantém erguida, porque está sustentada pelo poder do alto.
   Corramos o pano de fundo do cenário dos povos modernos e veremos que, em cada século, os filhos da Igreja têm de levar a seus lábios a trombeta guerreira. Essa luta não terminará, porque é eterno o antagonismo entre a sombra e a luz. Enquanto os filhos da sombra destroem, os filhos da luz recriam. Daí o título que adotamos: "Demolidores e criadores".
I


   "O que se passa no século XVI? Os países da Europa se incendeiam no fogo de guerra fratricida. Na Alemanha um astro sinistro se interpõe entre as almas e o sol da verdade. Lutero e seus sequazes dão o grito de guerra. O alvo de seus ataques é a autoridade da Igreja. Crede o que quiserdes!... Qual é o fruto desta rebelião? A destruição da comunhão de idéias. As nações se vêem inundadas de sangue, as almas envoltas nas trevas do erro, e a heresia, como rio a transbordar, arrasta as massas populares, a nobreza, os tronos e até os ministros do altar. Os canais por onde Deus derrama as graças sobre as almas estão, pois, envenenados.
   Mas será possível que o mundo pereça? Não. Um novo astro surge no horizonte: é o ferido de Pamplona, Inácio de Loyola, que cai como soldado de um rei terreno e se levanta como guerreiro do Rei do céu. Vede-o alistar uma Companhia que não há de manejar o canhão nem empunhar a espada. Quereis conhecer suas armas? O crucifixo! Sua divisa? A maior glória de Deus! Seus soldados se espalham por toda a parte e, portadores da luz da verdade, vão deixando atrás de si um rastro luminoso: derramam luz na Europa, na controvérsia, na pregação, no ensino; derramam luz nas Índias com Francisco Xavier, que regenera nas águas do batismo milhões de almas; derramam luz os soldados do nova milícia aonde quer que dirijam seus passos.

Santa Teresa dos Andes, Carmelita.
II
   "Passemos a página do século XVI e veremos no século seguinte o mesmo espetáculo de sombra e luz, de demolidores e criadores. No século XVII vemos destacar-se entre as sombras uma figura de aspecto rígido e severo: Jansênio, que lança o gelo e a sombra por onde passa. A chama do amor vacila e acaba por extinguir-se com um grito ímpio: Cristo não morreu por todos! Já não apresenta o Crucifixo com os braços estendidos para receber a todos, a todos sem exceção, mas com os braços entreabertos para receber alguns e rejeitar os demais. "Fugi do Deus Sacramento, pois podeis afastar sua vontade por causa de vossa indignidade. Fugi, fugi!", clamam os demolidores do século XVII. E as almas, aterradas, fogem... e se esfriam e se perdem...
   Deus estava ferido no mais delicado de seu amor... O Verbo pronuncia uma vez mais a palavra criadora que vai fazer brilhar a luz no meio das trevas. Em Paray-Le-Monial se levanta um sol esplendoroso e vivificante: Jesus Cristo mostra a uma humilde visitandina seu Coração aberto, abrasado em chamas de amor; queixa-se do esquecimento dos homens e os chama todos com insistência. A legião jansenista grita: "Fugi, fugi!"... A voz de Paray-Le-Monial clama entretanto: "Vinde, vinde!" A negra bandeira do terror cederá diante do belo estandarte do amor. Isto é tudo? Não. Ali está o grande apóstolo da caridade, São Vicente de Paulo, que, à imitação do divino Mestre, chama o pobre, o enfermo, a criança. Para todos há lugar em seu coração. Sua bela legião de Irmãs da Caridade arranca ao inferno milhares de almas no instante supremo. O amor desterrado reanima as almas. A luz tira os espíritos das sombras. O coração divino de Jesus e o coração deificado de Vicente de Paulo falam de amor: de amor infinito, um; e de compaixão até o heroísmo, o outro".

III

   "A luta não terminou. O inimigo espreita sempre a Igreja. A tempestade é mais terrível que nunca no século XVIII. Os corifeus da maldade - Voltaire e Rousseau - se mostram, o primeiro com o sorriso zombeteiro nos lábios e a blasfêmia na pena; o segundo, com o sofisma e a confusão nas idéias; e ambos com a corrupção no coração. Os pretensos filósofos querem explicar tudo racionalmente, e proclamam diante do mundo que não há Deus, e arrancam Cristo do coração de nobres e plebeus, e ainda se atrevem a arrancá-lo do coração da criança. Detende-vos, infames! Está bem cheia vossa medida. Esse santuário de inocência não pode ser traspassado. Estas crianças pertencem a Jesus Cristo! Um apóstolo se levanta em nome do Deus da infância. João Batista de La Salle funda as escolas cristãs, encerrando no coração das crianças desvalidas a chama da fé que se extingue por toda a parte.
   Guerra ao Papa! É o grito da falange mortífera. E, em seu frenético entusiasmo, diz que já não haverá quem suceda ao mártir da impiedade, Pio VI. Mas não griteis tão alto. Deus disse que as portas do inferno não prevalecerão e escarnecerá de vossos desígnios. Vede sentado e estabelecido no trono um novo Papa. Lançastes a vossa nobre nação sobre o patrimônio de São Pedro, e eis que os cismáticos cumprem, inconscientemente, sua missão: eles arrojam o invasor e, sob a segurança de suas armas vencedoras, a Igreja nomeia um novo piloto: é Pio VII.

   CONCLUSÃO

   "Oh! Igreja, teu poder jamais será destruído! As trevas cobriram a face do universo na aurora dos tempos, e ao Fiat lux, fugiram vencidas. Mais tarde, as sombras da idolatria cobriram o mundo antigo. Veio o Verbo e dissipou as trevas, porque o Verbo era a Luz. Hoje as sombras cobrem de novo o orbe cristão. Mas aí está a palavra de Cristo, Verdade eterna: "Aquele que me segue e cumpre minha palavra não anda nas trevas". Oh! Palavra de vida! A Ti amor eterno, a Ti eterna fidelidade!"

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