sábado, 6 de fevereiro de 2016

OS EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS DE SANTO INÁCIO

Alguns excertos da Carta Encíclica "Mens Nostra" do papa Pio XI: ..."É coisa averiguada trazerem consigo os Exercícios Espirituais esta perfeição da vida cristã. Com ela, porém, dimana deles como que espontaneamente, além da paz interior da alma, outro ponto singularíssimo que magnificamente redunda em não pequena vantagem da causa social e é o zelo de ganhar almas para Cristo que se costuma denominar espírito apostólico... Proclamamos e temos o santo retiro dos Exercícios como Cenáculos, que o poder de Deus levantou para que as almas generosas, apoiadas no socorro da graça divina, esclarecidas à luz das verdades eternas, e animadas pelos exemplos de Cristo, não só venham a conhecer de uma maneira clara o preço das almas, e se inflamem  no  desejo de as ajudar em qualquer estado de vida, em que depois de diligente exame entendam dever servir ao seu Criador, mas também aprendam qual seja o ardor e quais as indústrias, os trabalhos e as ações valorosas do apostolado cristão... O mesmo Divino Mestre, não se contentando com os longos anos de escondimento na casa de Nazaré, quis passar quarenta dias inteiros no mais apartado ermo antes de mostrar às nações o pleno esplendor do seu brilho e antes de lhes ensinar de palavra a sua doutrina celeste. Mais ainda. Em plena atividade evangélica costumava de vez em quando  convidar os Apóstolos ao silêncio benfazejo do retiro: "vinde, apartai-vos para o deserto, a descansar um pouco" ( S. Marcos, XI, 31 ). E quando se ausentou desta terra de trabalhos para o céu, quis que os seus Apóstolos e discípulos recebessem a última perfeição no Cenáculo de Jerusalém, onde por espaço de dez dias "perseverando unânimes em oração" ( Atos I, 14 ), se tornassem dignos de receber o Divino Espírito Santo. Retiro verdadeiramente memorável, e primeiro esboço de Exercícios Espirituais. Dele saiu a Igreja, cheia de força e de perpétuo vigor... A partir deste dia a prática dos Exercícios Espirituais, embora não tivesse o nome e o método de que hoje em dia nos servimos, pelo menos na substância "tornou-se familiar entre os primeiros cristãos". Assim o afirmou S. Francisco de Sales ( Tratado do Amor de Deus, liv. 12,c.8 ) e no-lo indicam testemunhos evidentes, que se encontram nas obras dos Santos Padres. S. Jerônimo, por exemplo, exortava a nobre Matrona Celância: "Escolhei um lugar acomodado longe do estrépito da família, aonde como a porto seguro vos possais acolher. Aí, seja tal o gosto da leitura dos Livros Divinos, tão frequentes os tempos de oração, tão assídua a meditação sobre os novíssimos do homem, que com este repouso compenseis as ocupações do resto do tempo. Não pretendemos com estas palavras apartar-vos dos vossos; procuramos sim que aprendais ali  e mediteis como proceder com eles" ( PL., t 22, col. 1216 ).
   Contemporâneo de S. Jerônimo, o bispo de Ravena, S. Pedro Crisólogo, dirigia a todos os fiéis aquele tão conhecido convite:"Demos o espaço de um ano ao corpo; demos à alma alguns dias... Vivamos um pouco para Deus, já que para o século vivemos inteiramente... Ressoe a nossos ouvidos a voz de Deus; não seja perturbada a nossa atenção pelo ruído das ocupações domésticas... Assim amados irmãos, assim prevenidos, declaremos guerra ao pecado... seguros da vitória" ( PL., t. 52, col. 186 ).
   "Num tempo em que os bens temporais, com o consequente bem-estar material, se estendem em certa abundância aos operários e jornaleiros, levando-os assim a uma vida mais desafogada, foi providencial disposição da bondade e misericórdia de Deus tornar mais acessível ainda ao comum dos fiéis o tesouro celeste dos Exercícios Espirituais. Servirão de contrapeso que preservem o homem de cair tristemente no materialismo teórico e prático, para que o estão impelindo as vaidades que o arrastam e as comodidades e delícias da vida em que está engolfado. É por este motivo que justificadamente incitamos e favorecemos as obras em prol dos Exercícios".

  

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