quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A existência do Purgatório é dogma de Fé

 "Quem deixa esta vida, como membro do Corpo de Cristo, como sarmento vivo na Vide que é Nosso Senhor Jesus Cristo, tem a Vida eterna: não se poderá perder. Sem dúvida, a maior parte dos homens, deixando esta vida, não tem a necessária pureza para entrar no Amor vital mais íntimo com o Deus que é a própria Santidade. Por isso existe um estado de purificação, ao qual se devem submeter essas almas e - como podemos bem afirmar - também se submetem de boa vontade, pois elas conhecem a distância que separa a sua alma de Deus. A este estado chamamos Purgatório. A Igreja nada definiu até hoje, a respeito do modo dessa purificação; os Orientais, mesmo os unidos à Igreja de Roma, evitam a palavra Purgatório. A existência do Purgatório, no entanto, que a própria razão insinua, é também expressamente revelada. Já no Antigo Testamento, no Segundo Livro dos Macabeus está escrito: "É um pensamento santo e salutar, rezar pelos mortos, para que sejam libertados de seus pecados" (2 Macab. XII, 46). Judas Macabeu fez oferecer um sacrifício em Jerusalém por aqueles soldados mortos, que se haviam munido de objetos provenientes de sacrifícios aos ídolos. É certo que as almas do Purgatório sofrem sem aumentar os seus merecimentos, isto é, não podem crescer no amor. Sem dúvida, seus sofrimentos são grandes. Antes de tudo sentem amargamente por se verem excluídos da visão de Deus, até a total purificação. Igualmente certo é que nós, pelo Santo Sacrifício e pela oração, podemos correr em seu auxílio. Não menos certo é também que elas estão absolutamente seguras de sua salvação, o que para elas constitui motivo de grande consolação. O Purgatório torna-se deste modo um lugar de amor e submissão à vontade de Deus". (Extraído da Pequena Teologia Dogmática, autores: D. Rudloff e D. Keckeisen, ambos O. S. B.)
  
  "Em verdade, Senhor, para os Vossos fiéis, a vida não acaba, apenas se transforma; e, desfeita a casa deste exílio terrestre, uma eterna morada se adquire nos céus". Assim, bem mais do que um fim inexorável, a morte é para o cristão uma porta aberta para a eternidade, porta esta que o introduz na vida eterna. 
  Devemos aproveitar este dia para pensarmos também na nossa morte. Temos uma vantagem e uma desvantagem com relação às almas do Purgatório: Elas não podem mais merecer, como acabamos de meditar. Nós, os vivos, podemos. No entanto, elas já estão seguras da salvação. Nós não. Temos que trabalhar com muito esforço para a garantirmos. 
  Terminemos, então, com as palavras de Santo Agostinho: "Concedei-me, ó Senhor, que com a morte dos entes queridos experimente uma aflição razoável, derramando lágrimas resignadas sobre a nossa condição mortal, depressa reprimidas pelo consolador pensamento de fé, a qual me diz que os fiéis, ao morrerem, somente se afastam um pouco de nós para irem a um lugar melhor. Não consintais que eu me entristeça como os gentios que não têm esperança. Poderei de fato experimentar tristeza, mas quando estiver aflito, que a esperança me conforte. Com uma esperança tão grande, não fica bem, Senhor, que o Vosso templo esteja de luto. Aí morais Vós, que sois o consolador, aí morais Vós, que não faltais às Vossas promessas. 
  Fazei, Senhor, que durante minha vida, sofra sempre com paciência, pratique a caridade, seja manso e humilde, desapegado do mundo e da carne; e quando Vós me chamardes, pela Vossa misericórdia, me alegrarei em encontrar junto de Vós os meus entes queridos que aí já estão. Amém! 

4 comentários:

  1. Não acredito no purgatório. Acredito na misericórdia infinita de Deus. Jesus pregado no madeiro da cruz garantiu ao ladrão "hoje estarás comigo no paraíso". como fica a existência do purgatório se o Filho de Deus deu um lugar no paraíso a um ladrão?

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  2. Caro João Evangelista, devemos acreditar que o Purgatório é fruto da infinita misericórdia de Deus. A Bíblia Sagrada diz que nada de manchado entra no Céu. Sabemos que, pelo pecado mortal do qual o pecador não se arrepende, a alma é condenada ao inferno. Imagine se também as faltas leves, e que não deixam de ser manchas, levassem também para o inferno! Eram dois ladrões: um se arrependeu, o outro não. Somente ao primeiro Jesus disse: "Hoje mesmo estarás comigo na paraíso". Jesus viu o arrependimento perfeito do bom ladrão que aliás aceitou todos os seus sofrimentos como merecidos e, portanto, em espírito de penitência, então digo, Jesus na sua misericórdia infinita perdoou-lhe todas as faltas graves e leves e também todas as penas temporais, e assim lhe garantiu o céu sem precisar se purificar no Purgatório. Mas muitas almas saem deste mundo sem pecado mortal, mas com certeza com muitas manchas de pecados mais leves. Por exemplo. uma mentira que não prejudica gravemente ao próximo, não é pecado grave, mas é uma coisa que a Bíblia condena. Devemos acreditar que a Misericórdia divina ainda perdoa depois da morte e não leva a alma para a condenação eterna. Agora, o próprio Jesus disse que certos pecados (os contra o Espírito Santo) estes não têm perdão nem neste mundo, nem no outro. Isto justamente porque o pecador não se arrepende. Caro João, Deus é misericordioso mais é também justo: daí Ele exigir sempre o arrependimento.

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  3. Infelizmente na oração da liturgia das horas não se faz referencia ao purgatório quando se reze pelos defuntos e nem na oração da coleta no dia de finados. É atualmente uma palavra esquecido com se os mortos ressuscitassem no dia de sua morte; isto não é a doutrina da Igreja. Ressurreição dos corpos e sua união as almas se dará apenas por ocasião da volta de Cristo.

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  4. Caro Prof. Francisco Castro, o termo Purgatório não existe na Bíblia.Mas esta deixa claro que há um lugar de purificação mesmo depois da morte. O próprio fato de a Liturgia da Igreja, tanto no Breviário como na Santa Missa, ter suas orações em sufrágio das almas, é um argumento insofismável de que existe possibilidade de purificação das almas mesmo após a morte. A esta lugar de purificação a Igreja dá o nome de Purgatório. A Igreja ensina que o Purgatório vai acabar na Ressurreição final. Você afirma: Ressurreição dos corpos e sua união as almas se dará apenas por ocasião da volta de Cristo. Todo mundo sabe disso. Se o sr. vê os artistas representando as almas do purgatório com os seus corpos, isto não significa que se está insinuando que os corpos lá estão. Por exemplo, Deus mesmo mandou Moisés representar os anjos da Arca como dois jovens e com asas. Ora, os anjos não tem corpo, são só espírito. É apenas uma maneira de representação que o homem pode entender. Não há como representar um espírito, seja alma, seja anjo, seja Deus. O Espírito Santo apareceu sobre Jesus em seu batismo em forma de pomba. E assim O representamos.

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