sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA - Dia 8 de janeiro

Como se há de resistir às tentações

    Na adversidade é que cada um de nós começa a conhecer o que na verdade é. "Que sabe aquele que nunca foi provado?" (Ecles. 34, 9). Deveria o homem firmar-se de tal modo em Deus, que lhe não fosse necessário buscar muitas consolações humanas. Quando o homem é atribulado, ou tentado, ou combatido de maus pensamentos, então conhece ter de Deus maior necessidade, experimentando que sem Ele não pode obrar coisa boa. Então pede ao Senhor o livre dos males de que padece. 
   A verdade é que, enquanto vivemos neste mundo, não podemos estar sem tribulações, trabalhos e tentações. Por isso está escrito no livro de Job: "A vida do homem sobre a terra é uma contínua luta". Em nós mesmos está a causa donde as tentações vêm, pois nascemos com inclinação ao pecado. O demônio encontra na nossa natureza corrompida pelo pecado original um aliado para nos tentar. 
    Cada qual pois deve ser muito cuidadoso nas tentações, procurando, vigilante na oração, não dar lugar às ilusões do demônio, "que nunca dorme e está em torno de nós rugindo e procurando nos devorar".
    Ninguém há tão santo e tão perfeito, que não tenha algumas vezes tentações, e não podemos viver sem elas. São contudo as tentações muitas vezes utilíssimas ao homem, posto que sejam importunas e pesadas; porque nelas é humilhado, instruído e purificado. Todos os santos passaram por muitas tentações e trabalhos e foi assim que progrediram na vida espiritual.
    Muitos querem fugir às tentações e caem nelas mais gravemente. Devemos, sim, fugir das ocasiões perigosas. Devemos vigiar e rezar como manda Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas não podemos vencer as tentações só com fugir-lhes, mas com paciência e verdadeira humildade nos fazemos mais fortes que todos os nossos inimigos. Quem somente evita as ocasiões exteriores e não procura arrancar o mal pela raiz, pouco aproveitará. Temos que pedir muito a Deus que nos livre de qualquer afeto ao pecado.
    Toma muitas vezes conselho na tentação, e não sejas desabrido e áspero com o que está tentado, antes procura consolá-lo como quiseras ser consolado.
    Devemos vigiar principalmente no princípio da tentação, porque mais facilmente se vence o inimigo quando o não deixamos passar da porta da alma, e lhe saímos ao encontro logo que bate. Donde veio dizer um poeta latino : "Principiis obsta; sero medicina paratur, cum mala per longas invaluere moras" (Ovídio). Em Português: Resiste no princípio: tarde chega o remédio se já, por largo tempo, o mal lançou raízes. 
    Porque, principalmente, se oferece à alma um simples pensamento, depois, a importuna imaginação, logo, o deleite, daí a nada, movimento torpe, e finalmente, o consentimento. E, em se tratando de pureza e fé, é como se estivéssemos nos equilibrando sobre uma esfera. Muito cuidado por não perder o equilíbrio, pois, do contrário, não se fica no meio do caminho. Quanto à pureza, cai-se até a lama; quanto à fé, cai-se até à heresia. Quanto à pureza, a ladeira é íngreme e escorregadia; quanto à fé, todas as verdades estão interligadas. Quebrado um elo da corrente, desliga-se da Autoridade suprema que é Deus, a Verdade eterna. 
    E assim pouco a pouco entra o maligno inimigo e se apodera de tudo, porque se lhe não resistiu no princípio. E quanto mais demorado e fraco  for o homem em resistir-lhe, tanto se fará cada dia mais vulnerável e fraco, e o inimigo mais forte e audacioso. 
     Alguns há que vencem as grandes tentações, e muitas vezes das ordinárias e pequenas são vencidos, para que, humilhando-se, não confiem em si nas coisas grandes, pois são fracos nas pequenas. 
    Devemos ter muito cuidado com a presunção. Assim sucumbiu São Pedro, porque teve demasiada confiança em si mesmo, e se expôs ao perigo sem se fortificar com a vigília e a oração. Devemos fugir dos maus não por orgulho, ou seja, por nos acharmos melhores, mas por humildade, por reconhecermos que somos fracos, e, se procurarmos o perigo, perecemos. 
    Mas, se, como São Pedro, formos descuidados ou presunçosos, sejamos como ele, contritos e arrependidos. Reconheçamos a nossa fraqueza e miséria, e humilhemos-nos cada vez mais. A humildade será o fundamento da nossa segurança, do nosso aproveitamento, da nossa paz e de toda a perfeição.
    Bem sei, Senhor, que aos que Vos amam e temem tudo se lhes converte em bem; não vos peço, Deus meu, ser isento de tentações, mas luz para conhecê-las, fortaleza para resistir-lhes, humildade para não confiar em mim, conforto para não desfalecer e vitória no combate; fazei, Senhor, que se tornem vãs e sejam frustradas as ciladas do inimigo; e vencedor dele eu possa colher os saudáveis frutos da santa humildade, que são a paz interior neste mundo e a glória na pátria dos bem-aventurados. Amém!
    O ramalhete espiritual de hoje serão as palavras do Divino Mestre: "Vigiai e orai para não cairdes em tentação".

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