segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

LEITURA ESPIRITUAL - Dia 18 de janeiro

Humildade, bondade, paz


  Quando alguém se humilha por seus defeitos, abranda facilmente os outros, e sem dificuldade satisfaz aos que estão irados contra ele.
  Deus defende e livra o humilde; ama-o e dá-lhe consolação, inclina-se para ele, concede-lhe graça, e, depois de seu abatimento, o eleva a grande honra.   
  O humilde, recebida a afronta , fica em paz, porque tem sua confiança em Deus e não no mundo.
  Não cuides que tens progredido na vida espiritual, se te não avalias por inferior a todos.
  Não te preocupes com o que os outros dizem ou pensam de ti. Não são eles que te hão de julgar. Se te acusam sem razão, Aquele que vê o fundo das consciências já te justificou. Se te lançam em rosto faltas reais, não és porventura feliz de sofrer uma mortificação saudável? A humildade nos deixa sempre tranquilos; o que nos pode perturbar é o orgulho. 
   Quem é humilde, também é bondoso, porque não se irrita, não se comove, ainda quando a paixão do próximo o condenar injustamente. Penetrado do sentimento de sua miséria, nunca o humilham tanto quanto ele mesmo se humilha em seu coração.
  Queres que nada altere o sossego de tua alma? Abandona-te a Deus em todas as coisas, e nos trabalhos, nas adversidades e nos contratempos da vida, dize com Jesus Cristo: "Sim, meu Pai, porque essa é vossa vontade" (S. Luc. X, 21). "Bom me foi o ter sido humilhado; possa assim aprender vossos preceitos" (Sl. 118, 71).
  Procura a paz primeiro para ti e depois poderás procurá-la para os outros.
  O homem pacífico é mais útil que o muito douto. Quem, porém, se deixa dominar pelo orgulho, quanto mais douto, mais sem caridade para com o próximo. Começa achando que os outros são ignorantes. Até o bem ele converte em mal, e crê o mal com facilidade. 
  Pelo contrário, o homem humilde e pacífico julga tudo pela melhor parte. Se tem muitas razões para julgar mal e uma apenas para julgar bem, ele escolhe esta última hipótese. 
  Quem está em boa paz, de ninguém suspeita mal; mas quem vive descontente e inquieto, com diversas suspeitas se atormenta; nem vive em sossego, nem deixa sossegar os outros.
  Tem pois principalmente zelo de ti e depois o terás justamente de teu próximo. Mais justo fora que te acusasses a ti e desculpasses a teu irmão. Suporta com paciência os defeitos do próximo, se queres que eles  suportem os teus. Olha quão longe estás ainda da verdadeira caridade e da humildade, que não sabe irar-se senão contra si.
  Não é ação de avultado merecimento viver em paz com os bons e mansos. Isto a todos naturalmente agrada, e cada um de boa vontade tem paz e ama os que concordam com ele. 
   Porém, viver em paz com os ásperos, perversos e de má índole, ou com aqueles que nos contrariam e combatem, é grande graça e ação varonil e louvável.
   Alguns há que têm paz consigo e com os outros. Outros há que nem a tem consigo, nem a deixam ter aos demais: molestos para os outros, ainda o são mais para si mesmos. E há outros que têm paz consigo, e trabalham por dá-la aos outros. Pois toda a nossa paz nesta miserável vida consiste mais no sofrimento humilde, que em deixar de sentir contrariedades. Por isso, quem melhor souber padecer, maior paz terá. Este tal é vencedor de si mesmo, senhor do mundo, amigo de Jesus Cristo e herdeiro do Céu. 
   Bem-aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus" (S. Mat. V, 9). Entende bem a grandeza deste nome e a instrução profunda que ele encerra. A paz é a ordem perfeita; e a perturbação, as dissenções, as discórdias, a guerra, não entram no mundo senão pela violação da ordem ou pelo pecado. Assim não há paz onde reina o pecado; não tem paz um homem cujos pensamentos, afeições, vontades, não são em tudo conformes à ordem ou à verdade e vontade de Deus; e todo aquele que quebranta esta lei, recebe logo o castigo de seu crime. Um mal desconhecido se apodera dele; não sei que força desordenada o arrasta para um e outro lado, e em parte nenhuma acha descanso; como Caim, depois do seu crime de tudo tem medo. 
   A paz pertence aos filhos de Deus: gozam dela em si mesmos e a difundem entre os outros; corre ela, por assim dizer, de seu coração, como esses rios que regavam a venturosa morada dos nossos primeiros pais, no tempo de sua inocência. Acompanha o homem na vida, sustenta-o na enfermidade, e até na última hora será sua herança; porque "o reino de Deus é justiça e paz" (Rom. XIV, 17). Filhos de Deus, "entrai no reino que vos está preparado desde o princípio do mundo" (S Mat. XXV, 34).
   Dai-me, Deus meu, aquela paz que o mundo não pode dar, paz de espírito e de coração, para que, praticando com sossego a vossa Lei, possa ir gozar um dia do eterno descanso.
   O ramalhete espiritual de hoje será a bem-aventurança pregada por Nosso Senhor Jesus Cristo: "Bem-aventurados os pacíficos porque serão chamados filhos de Deus" (S. Mat. V, 9)
  
  

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