quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A INFALIBILIDADE - O OBJETO DA INFALIBILIDADE ( IX )

   O objeto da infalibilidade é a matéria em torno da qual a Igreja é infalível. O objeto da infalibilidade pode ser direto ou indireto.
   Objeto direto ou primário: é aquele que contém verdades formalmente reveladas, isto é, verdades que Deus manifestou com palavras da linguagem humana, pelas quais é manifestada com suficiente clareza a intenção divina.
   Objeto indireto ou secundário: é aquele que contém verdades intimamente conexas às verdades reveladas. Estas verdades embora não sejam reveladas em si mesmas, são necessárias, no entanto, para que o depósito da fé seja integralmente guardado, corretamente explicado e eficazmente definido.
   As principais verdades conexas à verdades reveladas são:
   1º - Os preâmbulos da fé.
   2º - As conclusões teológicas.
   3º - Os fatos dogmáticos.
   4º - Os decretos disciplinares quando obrigatórios para toda a Igreja.
   5º - A canonização dos santos quando feita com exame rigoroso.
   6º - A aprovação das Ordens Religiosas.

   O objeto da infalibilidade se deduz do fim que a Igreja procura por seu ensino. O fim da Igreja, é distribuir as verdades que interessam a salvação. Logo, tudo quanto se refere a este ponto, quer direta quer indiretamente, vem a ser objeto da infalibilidade.
   O objeto direto da infalibilidade se encontra nas duas fontes da Revelação: A Sagrada Escritura e a Tradição.
   O objeto indireto da infalibilidade, são todas as verdades não reveladas, mas em conexão tão  íntima com as verdades reveladas, que se tornam indispensáveis para a conservação integral do depósito da fé. São aquelas seis que acabamos de enumerar e que agora, vamos considerar cada uma em particular.

1º - OS PREÂMBULOS DA FÉ
   Muitas verdades de ordem filosófica, ou seja, natural, são pressupostas pelas verdades reveladas. Estas verdades são chamados: "preâmbulos da fé".
   Por exemplo, se você pudesse negar impunemente ao homem a capacidade de conhecer, só pela luz natural da razão (o que faz a filosofia) a existência de Deus, você poderia também negar o dogma católico definido pelo Concílio Vaticano I, segundo o qual devemos crer que é possível tal conhecimento da existência de Deus só pela luz natural da razão. Em outras palavras, se a Igreja não pudesse definir verdades naturalmente conhecidas, de modo algum poderia também guardar o depósito da fé que lhe foi confiado, justamente por causa da relação necessária existente entre as verdades de ordem natural e as verdades reveladas. Esta doutrina está sustentada pelo Concílio Vaticano I contra os Racionalistas.
   Portanto, os preâmbulos da fé não são definíveis porque revelados, mas antes por causa da ligação necessária com as verdades reveladas. 

2º - AS CONCLUSÕES TEOLÓGICAS
   Conclusão teológica é uma proposição que se deduz de duas outras, sendo, a primeira destas, verdade revelada; e a segunda, verdade conhecida pela razão. Por exemplo se eu disser: "Jesus Cristo é verdadeiro homem". (verdade revelada), e se por outra parte eu acrescentar: "Todo homem pode adquirir a ciência pela experiência e pela observação"; e então fazendo um verdadeiro raciocínio através da razão (isto na filosofia se chama "silogismo") eu concluo igual e verdadeiramente das duas afirmações anteriores uma nova verdade. Eis então como se faz o silogismo:
   1ª - "Jesus Cristo é verdadeiro homem" (= verdade revelada).
  2ª - "Ora, todo homem pode adquirir a ciência (= conhecimento de uma coisa), pela experiência e pela observação" (= verdade de razão).
   3ª -  Logo, Jesus Cristo teve a ciência adquirida. Esta conclusão é uma nova verdade que se chama conclusão teológica.

Observação: É teologicamente certo ( não é de fé ) que a Igreja é infalível com relação as conclusões teológicas, mas não é dogma, a não ser que a Igreja termine definindo uma conclusão teológica como dogma. Portanto, quem negasse uma conclusão teológica definida como dogma seria herético. Uma opinião, porém, contrária a uma conclusão teológica ainda não definida pela Igreja, seria classificada como opinião "errônea".

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