sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A INFALIBILIDADE PONTIFÍCIA ( IV )

   EXPLICAÇÕES DA TEOLOGIA SOBRE INFALIBILIDADE
   Que vem a ser propriamente INFALIBILIDADE?
   Com relação à Igreja, infalibilidade é não poder a Igreja alterar a doutrina do Seu Divino Mestre, nem poder enganar-se sobre o verdadeiro sentido do que o mesmo Divino Mestre lhe ensinou, ordenou ou proibiu.
   É verdade que só Deus é infalível por natureza; mas pode Ele muito bem, por uma providência especial, conceder este privilégio a outro e proteger ou defender do erro aos que em Seu nome estão encarregados de ensinar, de tal forma que nunca neste ensino se apartem da verdade. E foi o que Deus realmente fez, dando ao seu magistério o dote da infalibilidade.
   A infalibilidade não provém de uma inspiração propriamente dita (como é o caso da Bíblia); nem vem de uma nova revelação, mas sim da uma ASSISTÊNCIA ESPECIAL concedida ou ao episcopado em união com o Papa, ou só ao Supremo Pastor para bem compreenderem e exporem a doutrina revelada por Jesus Cristo e os Apóstolos e que está contida nas Sagradas Escrituras e na Tradição. Infalibilidade não é uma moção interna miraculosa. É simplesmente uma garantia que Deus, cuja providência governa a Igreja, se digna conceder-lhes para impedir que ensinem autenticamente uma doutrina que esteja maculada de erro. E esta prerrogativa, não só não inutiliza as investigações, as controvérsias e as diligências humanas, senão também que as supõe e as exige. Vou explicar melhor. É como se o Divino Mestre dissesse aos seus representantes: "Eu estarei convosco nas vossas diligências e empenho em precisar bem a verdade, de modo que nunca proclamareis decisão alguma, que não esteja de acordo com a verdade". E assim é que somente depois de empregar todos os meios indispensáveis para não proceder com temeridade e imprudência, somente depois de ter cuidadosamente explorado as duas fontes da Revelação: a Sagrada Escritura e a Tradição, é que a Igreja (os bispos em união com o Papa) ou o Papa sozinho "ex cathedra" declara revelada uma verdade até então implicitamente encerrada no tesouro da Revelação.
   Também é preciso notar que infalibilidade é coisa inteiramente diversa da impecabilidade, que consiste em não poder alguém cometer pecado. Este privilégio foi concedido a Santíssima Virgem, mas não foi concedido aos papas. Houve papas, poucos aliás, que não foram lá modelos de virtude, infelizmente foram até viciosos. Mas devemos tomar muito cuidado neste ponto, porque há muita mentira histórica, ou seja, há muitas calúnias. O mais seguro é ler o que algum santo disse. Vamos dar apenas um exemplo. Ouçamos São João Bosco falando dos papas do século X: "O décimo século da Igreja foi assinalado por muitos deploráveis acontecimentos devidos à prepotência exercida em Roma pelo conde Adalberto e por suas filhas Marósia e Teodora. Estas duas ambiciosas mulheres introduziram no Pontificado, por meio da força, os de seu partido, sem consideração alguma a sua virtude e doutrina. Por isso, muitas vezes, fizeram-se eleições nas quais, homens de pouca ciência e de não muito bons costumes eram preferidos a outros que por doutrina e santidade eram os únicos que mereciam ser eleitos". E depois São João Bosco faz a seguinte observação: "Deve-se fazer sobressair a especial assistência que prestou Deus a Sua Igreja, posto que neste século, não houvesse heresia ou cisma, contra o qual fosse necessário convocar um Concílio Universal".
   Caríssimos e amados leitores, para que tenham uma ideia mais completa da situação, eis mais um exemplo (embora ainda no século IX). É o caso tristemente célebre do Papa Formoso que governou a Igreja de 891 a 896. O papa Estêvão VI (896-897) fez desenterrar o cadáver do papa Formoso, seu antecessor, julgou-o diante de um tribunal e depois mandou jogar o cadáver no rio Tibre. Pouco depois o próprio papa Estêvão VI foi preso e estrangulado no cárcere. É claro que em tudo isto não entra infalibilidade, mas pecados dos homens, dos quais nem os papas estão livres. Vocês já devem ter ouvido falar também do caso triste do papa Alexandre VI. Mas vamos antes meditar na palavras de São João Bosco citadas acima. Devemos só observar que em todo este século X não houve nenhum papa que até hoje fosse canonizado pela Igreja. Este triste século X foi chamado "o século de ferro".
   O Revmo. Pe. Álvaro Negromonte, célebre e erudito Diretor do Ensino Religioso na Arquidiocese do Rio de Janeiro anos antes do Concílio Vaticano II, dá a seguinte nota triste deste século X: "Morta Marósia (que, segundo São João Bosco, elegera à força papas indignos), seu filho Alberico elegeu sucessivamente, sob a influência de Santo Odon, monge de Cluny, quatro papas dignos; mas, por fim, fez eleger papa o seu próprio filho Otaviano que levou para o trono papal uma vida depravada. Mudou-se de nome, chamando-se João XII (955-964), mas não mudou de vida, sendo um dos mais indignos papas de toda a história. No entanto, continua o Padre Negromonte, nenhum papa indigno, procurou justificar seus pecados com erros doutrinários; todos guardaram intacta a pureza da Fé Católica; o que mostra como a Providência, que permite estas tormentas, vela pela Igreja. Isto deve ser frisado, porque constitui uma da mais extraordinárias vitórias da Igreja" (Cf. Hist. da Igreja, Pe. Álvaro Negromonte, p. 77 e 78, ed. de 1954. E confira também: "BREVE HISTÓRIA DOS PAPAS", livro vendido no Vaticano).

   NECESSIDADE DA INFALIBILIDADE: Um dogma fixo exige necessariamente uma infalibilidade para salvaguardá-lo. "Sem a promessa de uma assistência divina nenhum homem pode dizer a outro homem: tu hás de pensar e crer como eu. Onde não há um centro de unidade (como não há no Protestantismo) cada homem dá sua opinião, cada sábio levanta sua cátedra e funda a sua escola. E quando uma doutrina é prática (moral), quando os seus preceitos atingem a vida em todas as suas manifestações, refreiam a cobiça, mortificam a sensualidade, humilham o orgulho, é geral a oposição por causa dos interesses feridos.
   Nenhuma verdade se defende então por si só. É necessário montar-lhe ao lado uma sentinela vigilante e incorruptível que rechace assaltos, que lhe defenda a existência, a integridade, a eficácia iluminadora. Uma tocha exposta às rajadas dos ventos apaga-se; colocai-a no alto de uma torre, abrigai-a num invólucro de cristal; é farol... Divinamente assistida para repelir do tesouro da verdade qualquer mão sacrílega, ela mantém no seio da humanidade sempre aceso o farol da luz divina" (Padre Leonel Franca).
   Por isso, negar a infalibilidade, seria negar a própria Igreja. Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu o Magistério da Igreja para continuar sua missão, para iniciar todos os homens de todos os tempos na doutrina revelada e conservar absolutamente íntegro e intacto, qual precioso tesouro, o "DEPÓSITO" da verdade revelada (Depositum Fidei). É evidente que esse Magistério seria ilusório se pudesse correr o risco de falhar e se os fiéis não tivessem a garantia de que é o próprio Jesus Cristo, o Mestre, quem, por este meio lhes propõe Sua doutrina. Em outras palavras: O Magistério da Igreja deve ser dotado das prerrogativas da Infalibilidade.
  Caríssimos e amados leitores, em alguns posts seguidos, falaremos, se Deus quiser, do MAGISTÉRIO DA IGREJA. Acompanhem! Obrigado!

  

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