domingo, 6 de novembro de 2016

LUTERO E JUSTIFICAÇÃO

   NOVIDADE DE DOUTRINA.


  O pastor protestante se gloriava de que o Protestantismo é a única religião do mundo a admitir a salvação só pela fé. É o que diz também Lutero: afirma que a sua teoria da justificação pela fé é o ponto "único pelo qual nós nos distinguimos, pelo qual nossa religião se distingue de qualquer outra religião" (Exegetica Opera XXXIII, p. 140).

Condenado pelo Papa Leão X pelos constantes ataques
contra a Igreja, Lutero demonstra de público sua
desobediência, queimando perante a
multidão, em Wittenberg  (10-XII-1520),
a bula papal "Exsurge Domine" e alguns livros de Direito
Canônico. Por estes atos, em janeiro de 1521 Lutero foi
excomungado e, logo depois, condenado por heresia
pela Dieta de Worms. 
   Realmente, o Protestantismo só apareceu no século XVI. E até aquele século, ninguém se tinha lembrado ainda de interpretar a Escritura de semelhante modo. Porque é tão clara na Bíblia a existência da lei de Cristo, na qual se inclui a obrigatoriedade dos mandamentos, a Bíblia fala tantas vezes na necessidade do amor de Deus e da caridade para com o próximo para conquistar o Céu, a Bíblia insiste tanto em que Deus há de retribuir a cada um SEGUNDO AS SUAS OBRAS, que, até então, em toda a história do Cristianismo, não se tinha podido conceber semelhante absurdo de que o homem se salva só pela fé. Absurdo, sim, porque é tão lógico e tão razoável que o homem, sendo livre nas suas ações, venha a conquistar o prêmio do Céu, entre outras coisas, pela sua reta maneira de proceder, que era preciso que aparecesse um homem que, embora dizendo-se seguidor de Cristo, negasse o livre arbítrio, a liberdade humana, para que se pudesse pregar semelhante doutrina. Este homem apareceu e se chamou Martinho Lutero.

   Deixando de lado certos aspectos nada edificantes da vida deste célebre heresiarca, achamos utilíssimo, para fazermos uma ideia do que vale realmente a teoria da salvação só pela fé, estudar o modo como Lutero chegou a fazer esta "grande descoberta". Mas esta novidade de doutrina já nos deixa com uma pulga na orelha. Não parece estranho que Jesus Cristo tivesse fundado uma Igreja, feito propagar o seu Evangelho para ensinar aos homens o caminho do Céu, e por 15 séculos tivesse deixado a Humanidade às tontas, Ele que vela sobre os homens e principalmente sobre a Igreja pela sua Divina Providência e só no século XVI fizesse aparecer esse Martinho Lutero para ensinar "a verdadeira doutrina da salvação"?

terça-feira, 1 de novembro de 2016

OREMOS após a Ladainha de Todos os Santos




"Vi uma grande multidão, que ninguém poderia
contar, de todas as nações, tribos, povos e
línguas, que estavam em pé diante do trono e
em presença do Cordeiro, cingidos de vestes
brancas e com palmas em suas mãos; e
clamavam com voz forte, dizendo:
Saudação ao nosso Deus, que está sentado
sobre o trono, e ao Cordeiro". (Apoc. VII, 9).
   Ó Deus, a quem sempre é próprio o compadecer e perdoar, recebei a nossa humilde súplica; e fazei, por benefício de Vossa clementíssima piedade, que, assim como os Vossos outros servos, sejamos inteiramente soltos da vergonhosa cadeia de nossos delitos.
   Ouvi, Senhor, os humildes rogos e perdoai todos os pecados dos que fielmente se confessam, para que, ao mesmo tempo, recebamos da Vossa bondade, com o benigno perdão de todas as nossas culpas, a estimável graça de uma completa paz.
   Senhor, ostentai sobre nós a Vossa inefável misericórdia, de modo que, absolvendo-nos de todos os nossos pecados, nos livreis igualmente das gravíssimas penas que por eles havemos merecido.
   Ó Deus, a quem a culpa ofende e a penitência aplaca, recebei propício as humildes súplicas do Vosso povo e apartai de nós os flagelos de Vossa ira, que merecemos pelas nossas culpas.
   Eterno e Onipotente Deus, tende piedade de Vosso servo, o nosso santo Padre, e o conduzi, segundo a Vossa clemência, pelo caminho da salvação eterna, para que, mediante a Vossa graça, execute sempre, com todo o esforço, o que for mais do Vosso agrado.
   Ó Deus, de quem dependem os santos desejos, retos conselhos e virtuosas obras, concedei a Vossos servos aquela paz que o mundo não pode dar, para que, aplicados os nossos corações à observância dos Vossos preceitos, e desterrado o temor dos nossos inimigos, gozemos, com a Vossa proteção em nossos dias, uma feliz tranqüilidade.
   Senhor, abrasai os nossos rins e o nosso coração com o fogo do Espírito Santo, para que a Vós em casto corpo sirvamos e com puro coração Vos agrademos.
   Ó Deus, Criador e Redentor de todos os fiéis, concedei às almas de Vossos servos e servas a benigna remissão de todos os seus pecados, para que alcancem pelas pias súplicas da Vossa Igreja a indulgência a que sempre aspiram.
   Senhor, Vos suplicamos que Vos antecipeis a promover e ajudar as nossas obras, para que as nossas ações e operações sempre por Vós tenham princípio e se completem.
   Eterno e Onipotente Deus, que sois supremo Senhor dos vivos e dos mortos, e que usais de misericórdia para com todos aqueles que, pela sua fé e boas obras, antecipadamente conheceis que serão do glorioso número dos Vossos fiéis predestinados, nós Vos suplicamos que os mesmos por quem Vos pedimos (ou estejam ainda em carne mortal neste mundo, ou - despidos já dos seus corpos - hajam passado para a outra vida), alcancem da Vossa pia clemência, pela intercessão de todos os Vossos Santos, o benigno perdão de todos os seus pecados. Por Jesus Cristo, Vosso Filho e Senhor nosso, que convosco vive e reina, em unidade de Deus Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

DUODÉCIMO ARTIGO DO CREDO

   O último artigo do Credo ensina-nos que depois da vida presente há outra, ou eternamente feliz para os eleitos no Céu, ou eternamente infeliz para os condenados no inferno. Deus é nosso Juiz e Remunerador. Por isso, dará o céu aos bons e o inferno aos maus.

    Este quadro representa o duodécimo (último) artigo do Credo que é: ... na vida eterna. Amém. Este quadro nº 16 representa o céu. O quadro seguinte, isto é, o nº 17 vai representar o inferno.

   
   No centro do quadro, vemos as três Pessoas divinas num triângulo sobre um trono de glória, cercado de anjos. Vários dentre eles tocam diversos instrumentos musicais, outros agitam turíbulos diante das três Pessoas divinas. A Santíssima Virgem,  sua rainha, está à sua frente, à direita de Jesus Cristo seu Filho e sobre um trono inferior ao trono de Deus, mas superior a tudo o que não é Deus.

   Numa segunda fileira circular: á direita, vemos São João Batista, Moisés, Davi, Abraão e outros santos do Antigo Testamento; à esquerda, vemos São José, São Pedro com os outros Apóstolos, um Evangelista com um livro; vemos ainda vários outros santos do Novo Testamento.

   Numa terceira fila, vemos representados outros santos, entre os quais  estão os mártires, como Santo Estêvão, Santos Pontífices, um santo rei, santas virgens mártires, como Santa Cecília e Santa Catarina, e santas mulheres como santa Maria Madalena. Santo Estêvão,  o primeiro mártir da Igreja, traz uma pedra na mão, porque foi martirizado à golpes de pedras. Santa Cecília tem uma harpa, porque ela cantava os louvores de Deus ao som dos instrumentos musicais; por isso ela é a padroeira da música. Aos pés de Santa Catarina,  mártir, vemos uma roda com lâminas cortantes, porque este foi o instrumento de seu martírio. Santa Maria Madalena tem um vaso na mão porque ela derramou um dia sobre a cabeça de Jesus, um vaso cheio de precioso perfume.

    Vemos representada também uma santa com o hábito carmelita.

    Vemos  ainda uma santa Virgem e Mártir; por isso traz o lírio, símbolo da virgindade; e a espada, símbolo do seu martírio.

    Na última fila à direita, vemos uma soldado, talvez para representar santo Expedito.

ARTIGO DUODÉCIMO DO CREDO (2ª parte)



  O quadro anterior, ou seja, o nº 16 representou a vida eterna feliz que é o Céu. Este quadro nº 17 representa a vida eterna infeliz que é o Inferno.


   No alto do quadro, vemos sete aberturas do inferno, que são marcadas pelas primeiras letras dos sete vícios capitais. O O indica o orgulho. O A indica a avareza. O L a luxúria, o E a inveja (envie em francês), o G a gula, o C a cólera ou ira, o P a preguiça. Pretende-se mostrar com isso que são sobretudo os pecados capitais que levam as almas para o inferno.

   Por cima de cada uma destas letras, um animal simboliza o pecado que ele representa. Vemos da esquerda para a direita: um leão que simboliza a ira; um porco que simboliza a gula; um sapo sempre preso à terra, simboliza a avareza; um bode que simboliza a luxúria; uma serpente que simboliza a inveja; uma tartaruga que simboliza a preguiça.

   Além do fogo que é um sofrimento comum a todos os condenados, cada um, no entanto, sofre penas particulares apropriadas aos pecados que cometeu.

   No centro do quadro vemos os orgulhosos sendo arrastados aos pés de Lúcifer e forçados a dobrar os joelhos diante dele. São assim tratados porque, durante suas vidas, não quiseram se humilhar diante de Deus.

   Sob a letra A, vemos os avarentos trazendo uma sacola suspensa ao pescoço. Esta sacola lembra-lhes o quanto eles foram insensatos em preferir os bens perecíveis da terra aos bens eternos do céu.

   Sob a letra L, vemos os impudicos atormentados cruelmente pelos demônios e animais ferozes. Não se quer dizer com isto que haja animais no inferno mas é para simbolizar a raiva com que os demônios atormentam os impuros.

   Sob a letra E, vemos os invejosos enlaçados e mordidos por monstruosos répteis.

   Sob a letra G, vemos os gulosos e os bêbados sendo devorados por fome e sede cruéis e alimentados com fel de dragão e veneno de áspide. Isto tudo simboliza o remorso terrível e eterno por terem feito do estômago o seu deus.

   Sob a letra C, vemos os coléricos e os vingativos dilacerando-se mutuamente e arrancando os cabelos.

   Sob a letra P, vemos os preguiçosos sendo mordidos por tartarugas, picados com objetos inflamados, e deitados em braseiros.

   Os transgressores dos dez mandamentos de Deus e os profanadores dos sete sacramentos são pisoteados por uma besta que tem sete cabeças e dez chifres.

   Em baixo do quadro, à esquerda, vemos centauros (= monstros metade homem metade cavalo) pisando aos pés os heresiarcas que combateram a Religião com os seus maus escritos.

   No centro do quadro, vemos representado Lúcifer e por cima dele vemos um relógio cujo ponteiro marca sempre a mesma hora, e esta hora é a eternidade. Isto é para mostrar que as penas dos condenados duram sempre (toujours), e que, uma vez caído no inferno, de lá não se sairá jamais.
  

sábado, 29 de outubro de 2016

UNDÉCIMO ARTIGO DO CREDO

  


O undécimo artigo do credo é: ... na ressurreição da carne. Este quadro representa a ressurreição dos mortos que vai acontecer no fim do mundo.

    Vemos os anjos soando as trombetas para chamar todos os homens ao julgamento; os túmulos se abrem, os mortos ressuscitam e saem do pó. Entre eles vemos um rei que conserva sua coroa, e um bispo que reencontra ao ressuscitar, seus paramentos pontificais.

    No alto do quadro, aparece a Cruz nos ares, toda resplandecente de luz e cercada de espíritos angélicos. Sua vista consola os bons, que estendem para ela os braços com confiança. Para os maus, porém, a Cruz é motivo de remorso e de pavor; e eles procuram se esconder e pedem que as montanhas caiam sobre eles.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

DÉCIMO ARTIGO DO CREDO




   Este quadro representa o décimo artigo do Credo que é: ... na remissão dos pecados.

   O catecismo de São Pio X diz: "Os que na Igreja exercem o poder de perdoar os pecados são, em primeiro lugar, o Papa que é o único que possui a plenitude de tal poder; depois os Bispos e, sob a dependência dos Bispos, os Sacerdotes".

   A instituição do sacramento da confissão está em São João XX,21-23. Jesus disse aos seus discípulos: "Assim como meu Pai me enviou, também eu vos envio a vós. Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos".

   O quadro acima representa Nosso Senhor Jesus Cristo entregando as chaves a São Pedro, em sinal do poder que lhe conferia de perdoar ou remeter os pecados.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O NONO ARTIGO DO CREDO (1ª parte)

Quadro nº 12 - O nono artigo do Credo

   O nono artigo do Credo é: ... na Santa Igreja Católica; na comunhão dos Santos.
   Este quadro nº 12 representa a 1ª parte: ... na Santa Igreja Católica. 

O quadro seguinte, ou seja, o nº 13 vai representar a 2ª parte, ou seja: na comunhão dos Santos.

   No alto deste quadro vemos representado Jesus constituindo São Pedro como chefe visível da Igreja. Entregando-lhe o cajado de pastor, dá-lhe a missão de apascentar seus cordeiros e suas ovelhas, isto é, de governar os pastores e os fiéis de que se compõe a Igreja, que é chamada por Jesus, de Seu rebanho.

   Em baixo neste quadro, vemos representados: 1º- O papa, sucessor de São Pedro, revestido de hábitos brancos, e trazendo sobre a cabeça a tiara, isto é, uma triplice coroa como era tradição até Paulo VI; 2º - aos dois lados do papa, os cardeais, cujas vestes são vermelhas e estão com os chapéus próprios, por isso chamados chapéus cardinalícios; 3º - na frente do papa, um arcebispo com um ornamento de lã branca passado sobre os ombros e que se chama pállium; 4º - um bispo com sua mitra e com seu báculo; muitos prelados, religiosos e religiosas; 5º - mais alto, à direita, um padre que dá a comunhão, outro que prega o Evangelho aos fiéis e um missionário que, com o crucifixo na mão, anuncia Jesus Cristo aos pagãos.
  

NONO ARTIGO DO CREDO (2ª parte)







   Este quadro representa a 2ª parte do nono artigo do Credo que é: ... na comunhão dos Santos.

   Na parte superior do quadro, vemos representada a assembléia dos anjos e dos santos que estão no céu. No centro, vemos os fiéis da terra. 

Na parte inferior do quadro, vemos as almas do purgatório. São as três etapas da Igreja: a Igreja triunfante no céu, a Igreja militante na terra e a Igreja padecente no purgatório. Há uma comunhão entre elas: é a Comunhão dos Santos.

   No alto do quadro, vemos representados os anjos e os santos que adoram as três Pessoas da Santíssima Trindade, e oram pelos fiéis que vivem ainda sobre a terra.

   No meio do quadro, os fiéis da terra assistem o Santo Sacrifício da Missa, no qual invocam os santos do céu, oram uns pelos outros, e imploram o alívio para as almas do purgatório.

   A parte inferior do quadro, representa as almas do purgatório. As águas refrescantes que os dois anjos derramam sobre elas, simbolizam o alívio que lhes proporciona o Santo Sacrifício da Missa.
  

sábado, 22 de outubro de 2016

OITAVO ARTIGO DO CREDO





   Este quadro representa o oitavo artigo do Credo que é: Creio no Espírito Santo.

   Vemos representado o Cenáculo, onde os apóstolos aguardaram a vinda do Divino Espírito Santo unânimes em oração juntamente com a Virgem Santíssima, alguns discípulos e algumas santas mulheres. Ficaram todos aí recolhidos e em oração durante dez dias. Aconteceu que, quando se completaram os dez dias, estando todos juntos no mesmo lugar, de repente, veio do céu um estrondo, como de vento que soprava impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam em oração. Vemos o Espírito Santo em forma de uma pomba toda iluminada de raios, e vemos  umas como línguas de fogo repartidas e pousadas sobre cada um deles. Neste momento ficaram todos eles cheios do Espírito Santo.
  

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

SÉTIMO ARTIGO DO CREDO

 Este quadro representa o sétimo artigo do Credo que é: ...de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.


 

 Vemos aqui representada a cena do juízo final que se dará no fim do mundo.

   Jesus Cristo está sentado sobre as nuvens, cercado dos anjos e dos santos. Bem juntos de Jesus vemos representados os apóstolos, porque eles, juntamente com Nosso Senhor Jesus Cristo, julgarão as doze tribos de Israel.

   Jesus Cristo é precedido de Sua Cruz e de quatro anjos soando as trombetas para chamar todos os homens ao julgamento.

   A Santíssima Virgem é colocada à direita de Jesus e à frente dos eleitos, aos quais Nosso Senhor Jesus Cristo dirige estas consoladoras palavras: "Vinde benditos de meu Pai; possuir o reino que vos foi preparado desde a criação do mundo".

   O anjo vingador está à esquerda de Jesus, expulsando para o inferno os réprobos, depois que o Soberano Juiz fê-los ouvir a sentença terrível: "Afastai-vos de mim, malditos, ide para o fogo eterno, preparado para o demônio e seus seguidores".

   Vemos, em baixo à esquerda do quadro e consequentemente à direita de Jesus, os vivos, isto é,  os eleitos, subindo para o céu com vestes brancas.

À direita do quadro, e consequentemente à esquerda de Jesus, vemos os mortos ( espiritualmente), isto é, os condenados, em formas horríveis, descendo para o inferno.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

SEXTO ARTIGO DO CREDO (1ª parte)

  O sexto artigo do Credo é: Subiu ao Céu, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso.



   Este quadro nº 8 representa a primeira parte, ou seja, a Ascensão de Jesus. Subiu ao Céu...

   O quadro nº 9 vai representar a outra parte, ou seja: ...está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso.

   Este quadro representa a Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo no monte das Oliveiras. Esta montanha tem três cimos e é do cimo do meio que Nosso Senhor subiu aos céus, em presença dos seus discípulos e das santas mulheres, deixando, diz-se, na rocha a impressão do Seu pé esquerdo. Tive a graça de ver e oscular esta marca do pé de Jesus, marca esta que já está quase apagada de tanto o povo beijá-la e tocá-la durante quase dois mil anos.

   No momento que Jesus desapareceu numa nuvem luminosa aos olhos de seus discípulos, dois anjos se apresentaram junto deles. Os anjos disseram-lhes: Homens da Galileia, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus que, separando-se de vós, foi arrebatado ao céu, virá do mesmo modo que o vistes ir para o céu. 

SEXTO ARTIGO DO CREDO (2ª parte)



   O sexto artigo do Credo é: Subiu ao Céu, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso.

   O quadro anterior, ou seja, o nº 8 representou: Subiu ao Céu, isto é, a Ascensão de Jesus.

 Este quadro nº 9 representa: ...está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso.

     Este quadro representa Jesus Cristo no Céu sentado à direita  de Seu Pai sobre um trono de glória; os anjos e os santos rodeiam-no, e Seu trono é levado por uma multidão de espíritos celestes. O Pai tem um cetro; o Filho segura Sua Cruz, ambos seguram o mundo, criado pelo Pai, redimido pelo Filho e santificado pelo Espírito Santo.  Vemos, também, o Espírito Santo representado na figura de uma pomba cercada de luz.


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

QUINTO ARTIGO DO CREDO (2ª parte)



   O quinto artigo do Credo é: Desceu aos infernos, ao terceiro dia ressurgiu dos mortos. O quadro nº 6 representou: Desceu aos infernos.

Este quadro nº 7 representa a Ressurreição de Jesus: ... ao terceiro dia ressurgiu dos mortos.

   À esquerda, perto do anjo vemos algumas santas mulheres que vieram, diz o Evangelho, embalsamar o corpo de Jesus. E eis que se deu um grande terremoto. Porque um anjo do Senhor desceu do céu, e, aproximando-se, revolveu a pedra e sentou sobre ela. A sua veste  era branca como a neve. Os guardas sentiram grande terror e ficaram como mortos.

   As mulheres também tiveram medo; mas o anjo, tomando a palavra, disse-lhes: Vós não temais, porque sei que procurais a Jesus, que foi crucificado; Ele já aqui não está; ressuscitou como tinha dito. Vinde e vede o lugar onde o Senhor esteve depositado.












terça-feira, 18 de outubro de 2016

QUINTO ARTIGO DO CREDO (1ª parte).




   O quinto artigo do Credo é: Desceu aos infernos, ao terceiro dia ressurgiu dos mortos.

   Este quadro representa a primeira parte, ou seja: Desceu aos infernos. O quadro nº 7 vai representar a outra parte: ...ao terceiro dia ressurgiu dos mortos.

   No catecismo às crianças devemos observar em primeiro lugar que foi a alma de Jesus que desceu aos "infernos" ou seja, ao Limbo dos Justos, dos quais, por sua vez,  estavam lá só suas almas. Mas como as almas são espirituais, não as podemos ver. Então representamos seus corpos.

   E assim, este quadro representa a alma de Jesus Cristo aparecendo às almas cativas no Limbo dos Justos.
Em primeiro plano vemos Adão e Eva de joelhos; vemos à esquerda, Abraão com a faca na mão, tendo de joelhos ao seu lado, seu filho Isaac. À direita vemos Moisés com as tábuas dos dez mandamentos.

   Em baixo do quadro, vemos o inferno onde estão os condenados e os demônios. Jesus Cristo não desceu a este lugar de sofrimentos nem ao purgatório, mas fez sentir sua ação sobre os condenados fazendo-os ver o que eles por própria culpa perderam; e mostrou-se às almas do purgatório  dando-lhes a esperança da glória.

   "Infernos" (no plural) é a mesma coisa que "lugares inferiores da terra". Em hebraico é "sheol"; em grego é "Hades". São Paulo fala claramente da descida da alma de Jesus aos "infernos" ou seja, ao lugares inferiores da terra. Na Epístola aos Efésios c. 4, 8 e 9: "Tendo subido ao alto, levou cativo o cativeiro..." Ora, que significa subiu, senão que também antes tinha descido aos lugares inferiores da terra? Aquele que desceu (Jesus), é aquele mesmo que também subiu acima de todos os céus para cumprir todas as coisas". Jesus, portanto, fez resplandecer sua entrada triunfal nos céus no dia da Ascensão com a companhia dos justos que conduziu dos lugares inferiores da terra, ou seja, "dos infernos" ou em hebraico, do "sheol" ou também do tradicionalmente chamado "Limbo dos Justos". No "Limbo dos Justos," além daqueles que o quadro acima mostra claramente, podemos incluir, por exemplo, Noé, Jacó, muitas santas mulheres, os patriarcas, os profetas, São José, numa palavra: todos os que tinham sido fiéis à lei, pondo no Messias prometido toda a esperança. Eram almas santas; o céu, todavia, estava vedado aos homens desde o pecado de Adão, e só Nosso Senhor Jesus Cristo havia de no-lo franquear, entrando nele, primeiro.

   A chegada do Salvador àquele lugar de expectativa, trouxe à todas as almas justas júbilo imenso, pois era o anúncio e o penhor da sua libertação próxima. Não é, contudo, neste dia que elas entraram no céu; ali Jesus Cristo as levaria somente no dia da Ascensão. A partir da Ascensão o Limbo dos Justos ficou vazio. Pois, todos os justos que ali estavam foram para o céu. A partir daí, as almas quando saem dos corpos (ou seja, quando se dá a morte), se estiverem inteiramente santas, vão direitas para o céu; se estiverem na graça de Deus, mas ainda manchadas com pecado venial ou pena temporal, então, vão para o purgatório, até se purificarem inteiramente e, só então, vão para o céu; se a alma estiver com pecado mortal, vai para o inferno eterno.
    

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

ARTIGO 4º DO CREDO



  O quarto artigo do Credo é: Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado.

   Vemos no alto deste quadro Pilatos sentado em seu tribunal; à esquerda, vemos representada a flagelação de Jesus; à direita, vemos Jesus pregado na cruz. 

Em baixo, vemos Jesus crucificado entre dois ladrões. Sua sepultura é representada em baixo deste quadro, no ângulo direito.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

ARTIGO 1º DO CREDO


 Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra;


 
   Este quadro representa a 1ª parte: Creio em Deus Pai Todo-Poderoso. Representa a Santíssima Trindade. O quadro nº 3 vai representar a 2ª parte: Criador do céu e da terra.
   No centro deste quadro a Santíssima Trindade é representada por um grande triângulo no qual se vê Deus Pai sobre o globo do mundo, sustentando os braços da cruz na qual Jesus Cristo, Seu Filho, está pregado. O Espírito Santo, sob o forma de uma pomba, resplandece entre o Pai e o Filho, para nos fazer entender que Ele procede do Pai e do Filho.
   No alto do quadro à esquerda, vemos Jesus Cristo dando a seus apóstolos, antes de subir aos céus, a missão de ensinar a todos os povos e de os batizar em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. 
   À direita do quadro, vemos o batismo de Jesus Cristo, no qual as três Pessoas da Santíssima Trindade são manifestadas. (Veremos no quadro 19).
   Em baixo no quadro à esquerda, vemos Abraão recebendo a visita de três anjos. Abraão vê três, e no entanto ele saúda um só: "Senhor, diz ele, se encontrei graça diante de vossos olhos, não passeis adiante da casa de vosso servo". Falando assim, Abraão honrava nos três anjos um só Deus em três pessoas.
   À direita do quadro vemos Santo Agostinho e um menino. Um dia Santo Agostinho caminhava às margens do mar, procurando aprofundar  o mistério da Santíssima Trindade. De repente, apareceu um  menino, que apanhava a água do mar com uma conchinha e entornava-a num pequeno buraco feito na areia da praia.
    - Meu querido menino, que pretendes fazer com esta água?
    - Eu quero, disse o menino, colocar toda água do mar neste buraco.
    - Mas, olha bem que este buraco é muito pequeno para conter tanta água.
   - E o menino  respondeu: É muito mais fácil eu colocar toda a água do mar neste buraco do que o Sr. compreender o mistério da Santíssima Trindade. Dito isto o menino desapareceu. Era um anjo que tomara o forma de um menino para fazer Santo Agostinho entender que o mistério da Santíssima Trindade é impenetrável a toda inteligência criada.
  

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

CATECISMO EM IMAGENS - COM EXPLICAÇÃO DO QUADRO

O catecismo é uma instrução bem familiar por meio de perguntas e respostas sobre a doutrina cristã. Estude o catecismo neste blog "ZELO ZELATUS SUM". O Primeiro Catecismo foi explicado no blog: "VIA-VERITAS-VITA".



      Antes de ensinar Sua doutrina, Nosso Senhor Jesus Cristo quis ensinar às crianças, pelo Seu exemplo, como elas devem assistir ao catecismo. Aos doze anos de idade, Jesus foi à Jerusalém com Maria Santíssima e São José para celebrar a festa da Páscoa. Vemos neste quadro, no alto à esquerda, no Templo, o Menino Jesus assentado entre os doutores da lei, escutando-os e interrogando-os. O Evangelho diz-nos que os doutores da lei estavam admirados por causa da sabedoria das respostas de Jesus.
   Chegado à idade dos trinta anos, Jesus Cristo começou a percorrer a Judeia para aí ensinar Sua doutrina. Ele pregava ora nas sinagogas, onde os judeus se reuniam  para rezar, ora sobre as montanhas, ora sobre a beira do mar. No alto deste quadro, à direita, vemos Jesus sentado numa barca no mar da Galileia. Em torno d'Ele estão Seus apóstolos, e, nas margens vemos os judeus de uma aldeia vizinha, atentos em escutar Seus ensinamentos.
   Depois da Ascensão de Jesus Cristo, Sua doutrina foi pregada pelos apóstolos, pelos bispos, pelos padres e pelos diáconos. Vemos, no meio deste quadro, o diácono Filipe sentado  numa carruagem ao lado de um oficial de Candace, Rainha da Etiópia. Este oficial lia, mas sem as compreender, as Sagradas Escrituras. Felipe explicou-lhe as passagens da Bíblia que profetizavam sobre Jesus, e o oficial se converteu e pediu o batismo dizendo:"Eu creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus".
   Em baixo no quadro, à esquerda, está representado o Papa ensinando a doutrina a todas classes da sociedade; à direita,  está representado um bispo pregando o Evangelho também aos bárbaros; e, no meio, ainda em baixo, vemos um padre dando catecismo às crianças.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

O PERDÃO DE ASSIS - INDULGÊNCIA DA PORCIÚNCULA

   Uma das últimas e mais calorosas recomendações que S. Francisco fez aos seus frades foi a de que nunca e fosse por que motivo fosse, abandonassem a Porciúncula: "Se vos expulsarem por um lado, entrai pelo outro, porque "esta é casa de Deus e a porta do Céu".
   Seguiram os frades as recomendações do seráfico Patriarca e foi assim que, no decorrer dos séculos, vimos acorrer à Porciúncula uma onda contínua de devotos peregrinos, que aí foram pedir a Deus perdão para os seus pecados e misericórdia para os mortos queridos. Estes devotos experimentavam em Santa Maria dos Anjos o encanto das coisas celestes, um suave transporte por qualquer coisa que não é terrestre e sentiam na verdade que se encontravam, segundo à expressão seráfica, "na casa de Deus e junto à porta do Céu".
   A Porciúncula é uma capela gótica muito antiga, que se encontra situada no sopé do monte Subasio e que, segundo reza a tradição, foi construída por quatro eremitas recém-chegados da Terra Santa. Um quadro da Assunção de Nossa Senhora, cercada por grande multidão de anjos, deu à capela o nome de Santa Maria dos Anjos.
   Reza uma tradição popular que a mãe de S. Francisco, senhora Pica, antes de dar à luz o filho, ia rezar muitas vezes àquela capela meio desmoronada e que teve aí certeza de que daria à luz um filho que seria, um dia, o restaurador do pequeno santuário. De fato, após a sua conversão e depois das revelações do Crucifixo em S. Damião, S. Francisco restaurou a Porciúncula e fixou nela a sua morada.
   Foi na Porciúncula que S. Francisco teve a confirmação da sua vocação à vida religiosa e ao apostolado.
   Quando assistia à missa, rezada pelo pároco de S. Damião na igrejinha restaurada havia pouco, no dia 24 de Fevereiro de 1209, o Santo sentiu um baque misterioso ao ouvir uma passagem do Evangelho, que parecia dirigir-se a ele expressamente: "Ide e pregai: o reino de Deus aproxima-se. Sarai os enfermos, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, dai gratuitamente.
   Não leveis ouro, nem prata, nem outro dinheiro nos vossos bolsos, nem saco para a viagem, nem dois vestidos, nem sandálias, nem bastão, porque todo o operário é digno do seu alimento".
   Foi este passo do Evangelho que S. Francisco consideraria depois a sua Magna Carta e a dos seus frades, que determinou a sua dedicação ao apostolado na liberdade de toda coisa supérflua, que prende à terra os espíritos criados para o Céu. Foi a leitura deste passo que lhe fez compreender a sua missão de arauto de paz e de penitência.
   A Porciúncula teve as preferências de Francisco e com razão, pois tinha sido restaurada com as suas próprias mãos e fora nesta igrejinha que passara horas de extraordinária beleza, em união com Deus e em companhia da Virgem e dos Anjos e fora dentro destes muros sagrados que ouvira a voz de Deus que o chamava à religião e ao apostolado. Foi para a Porciúncula que Francisco pediu a Deus favores extraordinários.
   Numa noite silenciosa de julho do ano do Senhor de 1216, S. Francisco, ajoelhado na terra nua, estava absorvido na doçura profunda da oração. De repente, a igrejinha da Porciúncula, onde orava, foi inundada por uma luz vivíssima, semelhante a um grande raio de sol. No meio daquela quente luminosidade de ouro, apareceram a doce figura de Jesus Cristo e a imagem sorridente de Maria Santíssima, cercada de grande multidão de Anjos, perdidos entre a imensa auréola de esplendores. Sentados sobre um trono real, os dois Personagens celestes vinham visitar o seráfico Francisco e perguntar-lhe o que mais desejava para a salvação eterna das almas. Sem hesitar um momento, S. Francisco respondeu: "Pai nosso Santíssimo, embora eu seja um miserável pecador, peço-Te que a todos aqueles que, devidamente arrependidos, venham visitar esta igreja, lhes concedas um perdão amplo e geral, com remissão completa de todas as suas culpas.
   - Que pedes, frei Francisco - disse-lhe o Senhor - é grande, mas és digno de maiores coisas e por isso maiores coisas terás. Atendo, portanto, o teu pedido, com a condição de que peças, da minha parte, ao meu Vigário na Terra, a concessão de tal indulgência.
   Fácil é de imaginar-se  o empenho com que o Poverello procurou, dentro do mais breve espaço de tempo, ir à presença de Honório III, eleito recentemente para a Cátedra de São Pedro, a fim de conseguir dele a confirmação de tudo o que o Céu lhe concedera já.
   De fato, no dia seguinte muito cedo, São Francisco, acompanhado de frei Masseo, tomava o caminho de Perugia e apresentava-se ao Papa.
   S. Francisco conseguiu a graça desejada para a Porciúncula, que tanto amava. No dia 2 de Agosto desse mesmo ano, festa da sagração de Porciúncula e na presença dos  bispos de Assis, de Perugia, de Todi, de Spoleto, de Nocera, de Gubbio e de Foligno, o Santo promulgou pessoalmente a indulgência, comentando a graça concedida com uma frase que traduz bem os desejos ardentes do seu coração seráfico: "Quero mandar-vos a todos para o Paraíso".
   A partir de então e no dia intitulado do Perdão de Assis , multidões imensas corriam todos os anos a Santa Maria dos Anjos, a fim de pedirem a Deus perdão dos seus pecados e a fim de purificarem as almas como que num banho místico de perdão e daquela paz que só Deus pode dar.
   Eis as exortações de São Francisco de Assis:
   "Convertei-vos e que a vossa conversão dê os seus frutos: pois deveis saber que em breve ides morrer. Dai e recebereis. Perdoai e sereis perdoados. Se não perdoardes aos outros as suas faltas, também o Senhor não perdoará as vossas. Confessai todos os vossos pecados. Bem- aventurados aqueles que morrem no estado de conversão, porque esses irão para o reino dos Céus. Infelizes, ao contrário, os que não morrem neste estado; pois esses passarão a ser filhos do demônio para sempre e serão mandados para o fogo do inferno. Acautelai-vos e sede solícitos em evitar o mal e perseverar no bem, até ao último dia".
   São estas as exortações daquele que promulgava a indulgência da Porciúncula e que bradava: "Quero mandar-vos a todos para o Paraíso".
     Entendemos que "este é o verdadeiro Espírito de São Francisco de Assis".

OBSERVAÇÃO: A Santa Madre Igreja estendeu o "Perdão de Assis" à todo orbe com o nome de "Indulgência da Porciúncula". Consiste no seguinte: No dia 2 de agosto nas igrejas paroquiais, pode ser adquirida a Indulgência plenária da Porciúncula: a obra prescrita para lucrá-la é a piedosa visita à Igreja, onde se rezam o Pai-Nosso e o Credo, sendo necessárias ainda a confissão sacramental, a Santa Comunhão e a oração na intenção do Sumo Pontífice (1 Pai-Nosso e 1 Ave-Maria). Esta indulgência só pode ser lucrada uma vez; a visita à Igreja pode ser feita desde o meio-dia da véspera até à meia-noite que encerra o dia marcado. (Enchr. Indulg., Normas 18, 25-26, nº 65). 
   

I FIORETTI de São Francisco de Assis - Capítulo VIII

Como a caminhar expôs São Francisco a frei Leão as coisas que constituem a perfeita alegria.

   "Vindo uma vez São Francisco de Perusa para Santa Maria dos Anjos com frei Leão, em tempo de inverno, e o grandíssimo frio fortemente os atormentasse, chamou frei Leão, o qual ia mais à frente, e disse assim: Irmão Leão, ainda que o frade menor desse na terra inteira grande exemplo de santidade e de boa edificação, escreve todavia, e nota diligentemente que nisso não está a perfeita alegria. E andando um pouco mais, chama pela segunda vez: Ó irmão Leão, ainda que o frade menor desse vista aos cegos, curasse os paralíticos, expulsasse os demônios, fizesse surdos ouvirem e andarem coxos, falarem mudos, mais ainda, ressuscitasse mortos de quatro dias, escreve que nisso não está a perfeita alegria. E andando um pouco São Francisco gritou com força: Ó irmão Leão, se o frade menor soubesse todas as línguas e todas as ciências e todas as coisas futuras, mas até mesmo os segredos das consciências e dos espíritos, escreve que não está nisso a perfeita alegria. Andando um pouco além, São Francisco chama com força: Ó irmão Leão, ovelhinha de Deus, ainda que o frade menor falasse com língua de anjo, e soubesse o curso das estrelas e as virtudes das ervas; e lhe fossem revelados todos os tesouros da terra e conhecesse as virtudes dos pássaros e dos peixes e de todos os animais e dos homens e das árvores e das pedras e das raízes e das águas, escreve que não está nisso a perfeita alegria. E caminhando um pouco São Francisco chamou em alta voz: Ó irmão Leão, ainda que o frade menor soubesse pregar tão bem que convertesse todos os infiéis a fé cristã, escreve que não está nisso a perfeita alegria. E durando este modo de falar pelo espaço de duas milhas, frei Leão, com grande admiração, perguntou-lhe e disse: Pai, peço-te, da parte de Deus, que me digas onde está a perfeita alegria. E São Francisco assim lhe respondeu: Quando chegarmos a Santa Maria dos Anjos, inteiramente molhados pela chuva e transidos de frio, cheios de lama e aflitos de fome, e batermos à porta do convento, e o porteiro chegar irritado e disser: Quem são vocês? E nós dissermos: Somos dois dos vossos irmãos, e ele disser: Não dizem a verdade; são dois vagabundos que andam enganando o mundo e roubando as esmolas dos pobres; fora daqui; e não nos abrir e deixar-nos estar ao tempo, à neve e à chuva com frio e fome até à noite: então, se suportarmos tal injúria e tal crueldade, tantos maus tratos, prazenteiramente, sem nos perturbarmos e sem murmurarmos contra ele e pensarmos humildemente e caritativamente que o porteiro verdadeiramente nos tinha reconhecido e que Deus o fêz falar contra nós: ó irmão Leão, escreve que nisso está a perfeita alegria. E se perseverarmos a bater, e ele sair furioso e como a importunos malandros nos expulsar com vilanias e bofetadas dizendo: Fora daqui ladrõezinhos vis, vão para o hospital, porque aqui ninguém lhes dará comida nem cama; se suportarmos isso pacientemente e com alegria e de bom coração, ó irmão Leão, escreve que nisso está a perfeita alegria. E se ainda, constrangidos pela fome e pelo frio e pela noite, batermos mais e chamarmos e pedirmos pelo amor de Deus com muitas lágrimas que nos abra a porta e nos deixe entrar, e se ele mais escandalizado disser: Vagabundos importunos, pagar-lhes-ei como merecem: e sair com um bastão nodoso e nos agarrar pelo capuz e nos atirar ao chão e nos arrastar pela neve e nos bater com o pau de nó em nó: e se nós suportarmos todas estas coisas pacientemente e com alegria, pensando nos sofrimentos de Cristo bendito, as quais devemos suportar por seu amor; ó irmão Leão, escreve que aí e nisso está a perfeita alegria, e ouve, pois, a conclusão, irmão Leão. Acima de todas as graças e de todos os dons do Espírito Santo, os quais Cristo concede aos amigos, será o de vencer-se a si mesmo, e voluntariamente pelo amor suportar trabalhos, injúrias, opróbrios e desprezos, porque de todos os outros dons de Deus não nos podemos gloriar por não serem nossos, mas de Deus, do que diz o Apóstolo: Que tens tu que te gloriares como se o tivesses de ti? Mas na cruz da tribulação de cada aflição nós nos podemos gloriar, porque "isso não é nosso" e assim diz o Apóstolo: "Não me quero gloriar, senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo". Ao qual sejam dadas honra e glória in secula seculorum. Amém.

  NOTA: Dizem que os tempos mudaram. Realmente, e muito!!! Mas as palavras do Divino Mestre permanecem para sempre: "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados". 

O APOSTOLADO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS - ( II ) -

Por Frei Thomás de Celano


S. Francisco por Margaritone de Aresco
   "Francisco, com o olhar fixo no exemplo de Cristo e dos Apóstolos, apresentou-se aos Sarracenos (=muçulmanos) como pregador do Evangelho da paz, da penitência, da graça e da verdade. Abrasado de amor divino, e desejando ardentemente receber o santo martírio, o bem-aventurado Pai quis passar à Síria, para pregar a fé cristã e a penitência aos Sarracenos e aos outros infiéis. Uma violenta   tempestade atirou-o, bem como aos seus companheiros, para as costas da Eslavônia, e teve ele assim de voltar à Itália por Ancona. Francisco, o servo do Altíssimo, afastando-se então do mar, pôs-se a percorrer a terra, revolveu-a com o arado da sua palavra e confiou-lhe a semente de vida que produziu frutos de bênção... O martírio ficou sendo para ele o fim sublime que sempre tinha o mesmo ardente desejo de atingir. Eis porque partiu para Marrocos a fim de pregar ao Sultão Miramolim e aos seus satélites o Evangelho de Cristo. Ia de tal modo entusiasmado que, às vezes, deixava o companheiro, e corria, de espírito embriagado, à frente de seu sonho. Mas o Senhor, em sua bondade, lembrou-se de mim e de muitos outros, Já Francisco havia chegado à Espanha, quando Deus lhe deteve os passos e, para o impedir de ir mais longe, mandou-lhe uma doença, que interrompeu a sua viagem.
   Nem por isso Francisco desanimou. Assim, no ardor da sua caridade por Cristo, um pouco mais tarde, expôs-se aos perigos  de uma viagem por mar, e foi ter com os infiéis e visitou o Sultão. "Era, diz Boaventura, uma temerária empresa, pois que o príncipe dos Sarracenos pusera a prêmio, e alto prêmio, a cabeça dos cristãos". Mas Francisco apresentou-se a ele com tal mansidão e tal brandura, e, ao mesmo tempo, com uma fé tão intrépida e uma tão santa liberdade. que o tirano não ousou fazer-lhe mal, ouviu-o mesmo com benevolência e permitiu-lhe que pregasse a doutrina cristã".
A estigmatização, por Giotto
   Celano cita a este respeito, palavras do próprio São Francisco: "A obediência suprema, em que a carne e o sangue não tomam parte alguma, é atingida quando, levados por uma inspiração divina, vamos para junto dos infiéis, quer para salvar as almas, quer para colher a palma do martírio". Procurar atingir isso era, a seu ver, fazer uma obra muito agradável a Deus. Sim, continua Celano, pode-se dizer, sem exagero, que ele (Francisco) foi, desde os tempos apostólicos, o primeiro mensageiro da fé que inscreveu na sua bandeira a conversão do mundo inteiro, cumprindo assim à risca a ordem dada pelo divino Salvador, e evangelizar o universo: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a todas as criaturas". "Nada, dizia Francisco, deve ser preferido ao trabalho da salvação das almas", e ele muitas vezes dava provas disso, lembrando que o Filho de Deus consentiu, pelas almas, em ser crucificado. Daí, o aplicar-se à oração, o seu grande interesse pela pregação, o seu extremo ardor em dar o bom exemplo. Não se considerava um amigo de Cristo se não amasse as almas que Cristo amou. O principal motivo da veneração que tinha pelos doutores, estava em que eles eram os auxiliares de Cristo e cooperavam com Cristo na sua obra. ... O novo cavaleiro de Cristo quis viver com seus Irmãos, não para si só, mas para aqueles pelos quais morrera Cristo.
Para os que entendem latim, eis as palavras de Frei Celano: "Conferebant pariter veri cultores iutitiae, utrum inter homines conversari deberent, an ad loca solitaria se conferre. Sed sanctus Franciscus, qui  non de industria propria confidebat, sed sancta oratione omnia praeveniebat negotia, elegit non sibi vivere soli, sed ei, qui pro omnibus mortuus est, sciens se ad hoc missum, ut Deo animas lucraretur, quas diabolus conatur auferre". (Celano, I, n. 35).
   "Francisco, diz (S.)  Boaventura, andava com tanto ardor para cumprir a ordem divina e com tal rapidez, que parecia conduzido pela mão de Deus e ter recebido do Alto uma virtude inteiramente nova". Continua Celano: "No decorrer dos dezoito anos, nunca ou quase nunca concedeu repouso ao seu corpo, percorrendo continuamente regiões diversas e longínquas, para permitir ao espírito, de prontidão, devoção e fervor que nele havia, espalhar por toda parte a semente da palavra divina. Enchia toda a terra com o Evangelho de Cristo, visitando num só dia cinco ou seis aldeias, e mesmo cinco ou seis cidades, anunciando em cada uma delas o reino de Deus, edificando os seus ouvintes com o exemplo como com a palavra, fazendo do seu corpo uma pregação viva".


  Reflexões: 1 -  Os modernistas, que negam a verdade objetiva e pregam a evolução dos dogmas, forjaram um Cristo a seu modo. Inventaram a ímpia distinção entre o Cristo histórico e o Cristo da fé. Assim desfazem o Evangelho e pregam o modernismo, que termina negando a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.  Como diz o Papa Bento XVI no seu livro "Jesus de Nazaré", esta cisão entre o "Cristo histórico  e o "Cristo da fé" "constitui uma ameaça dramática para a fé, porque se torna inseguro o seu ponto de referência mais autêntico: a íntima amizade com Jesus, da qual tudo depende, ameaça cair no vazio". Loisy, cabeça dos modernistas, foi excomungado por S. Pio X, justamente porque pregava de modo contumaz esta diabólica teoria.
   Inspirado por Deus, São Francisco de Assis fez exata e totalmente o contrário: Seguiu o Evangelho em toda sua perfeição, sem a mínima interpretação mitigada. O seu ideal foi seguir Nosso Senhor Jesus Cristo tal qual O mostram os Santos Evangelhos.
                      2 - Os modernistas querem  uma paz que não é a do Evangelho. Nosso Senhor Jesus Cristo disse: "Eu vos dou a minha paz, não vo-la dou, porém, como a dá o mundo". Jesus veio trazer a espada para combater o erro e o pecado. Só assim teremos a verdadeira paz. Só assim seremos verdadeiramente livres: pela graça santificante e pela verdade.  Como vimos, esta é a paz que São Francisco pregava.
   O progressismo, com exemplos e palavras, procura tranquilizar os hereges em seus erros, e os pecadores, em seus pecados. Jesus veio para nos dar a verdadeira paz  pregando a verdade e morrendo na cruz para destruir o pecado. São Francisco pregava a penitência para a remissão dos pecados. Desejou ardentemente morrer mártir pregando a verdade.
    Não falta infelizmente quem queira, fazendo verdadeira ginástica, defender os "Encontros de Assis"  dizendo que lá certamente estarão muitos de boa fé.  Devemos recordar que aqueles que estão de boa fé, estão por isso mesmo com o coração aberto à verdade. E em si não seria obra boa, sem julgar as intenções, o que só a Deus pertence,  em lugar de mostrar-lhes a verdade, confirmá-los nos seus erros.

                      3 - Se não me engano, o Papa Bento XVI no segundo Encontro de Assis não quis ir e mandou uma carta alertando contra o perigo de sincretismo religioso e de relativismo. Agora, diz que se vê obrigado a ir. Mas o Papa fez questão de frisar que pareceu-lhe melhor  coisa para ele, ir até lá pessoalmente, para fazer de tudo a fim de evitar qualquer interpretação de sincretismo religioso e relativismo. Isto tudo significa, para quem quer entender, que, no mínimo, trata-se de algo perigoso. O que é bom dispensa qualquer justificativa. Por exemplo, se se tratasse de um Encontro de Clérigos e leitos católicos chefiados pelo Papa, lá em Paray-le-Monial para pedir a paz ao Sagrado Coração de Jesus não se faria mister defesas e justificativas. Não haveria nenhum perigo, tanto mais que o Sagrado Coração de Jesus  prometeu dar a sua paz, que é a única verdadeira. 

                        4 -  A verdadeira paz nunca vai ser dada pelo mundo, cujo príncipe é o demônio, nem  muito menos pelos ídolos, porque são o próprio.
   Cabe a nós, caríssimos leitores, rezar muito pelo Santo Padre o Papa.