sexta-feira, 6 de maio de 2016

Amor de Cristo à sua Igreja segundo explicou diretamente à Santa Catarina de Sena

  Introdução: A Santa Madre Igreja é a Esposa de Cristo. Ela dispensa as graças e tem as chaves do Céu. Santa Catarina de Sena é uma apaixonada pela Santa Igreja. Vejamos alguns tópicos apenas.

   Inflamada pelo amor de Deus e desejando ardentemente a salvação das almas, Santa Catarina de Sena assim pergunta a Deus, Nosso Senhor: "Em que jardim poderei trabalhar assim? em que mesa satisfarei este desejo?"

   E o Senhor apareceu-lhe e disse: "Minha filha, é no jardim da minha Esposa e à mesa da minha Santa Cruz que tu podes fazê-lo, pelos teus sofrimentos, pela angústia do desejo, pelas vigílias, orações e por meio de esforços ativos e persistentes. Fica sabendo que nada podes desejar, para a salvação das almas, que não desejes para a Santa Igreja, visto que Ela é o corpo universal de todos aqueles que partilham da luz da Santa fé e ninguém pode ter a vida, se não estiver submetido à minha Esposa. Deves, pois, desejar ver o próximo, os cristãos, os infiéis e toda a criatura racional alimentar-se neste jardim sob o jugo da Santa Obediência... Mas agora digo-te, quero que experimentes um desejo e uma fome especiais e que estejas pronta, se for preciso, a dar a tua vida pelo corpo místico da Santa Igreja..."

   "Minha filha caríssima, continuava Nosso Senhor, que a tua aflição não tenha medida, à vista de tal cegueira e de semelhante miséria! Lembra-te de que esses infelizes foram, como tu, purificados no Sangue, que cresceram pela virtude do Sangue, que foram alimentados no Sangue no seio da Santa Igreja e hoje, ei-los! O medo fez deles revoltados! Sob pretexto de corrigir as faltas dos meus ministros, que declarei invioláveis, que lhes proibi de tocar, apartaram-se do seio de sua Mãe; qual não deve ser o teu terror e o dos meus servos, ao ouvir recordar esta miserável aliança! A tua língua não saberia dizer quanto ela é abominável a meus olhos. O pior é que, sob o manto das faltas dos meus ministros, eles procuram esconder as próprias iniquidades!"

   Ouçamos agora, Santa Catarina de Sena: "Mais uma vez, ó Pai Eterno, ofereço-Te a vida pela tua querida Esposa"... "O desejo crucificado, que eu havia recentemente concebido na presença de Deus, mergulhava-me numa dor angustiosa, porque a minha inteligência, fixando-se na Trindade, via neste abismo, ao mesmo tempo que a dignidade da criatura racional, a miséria em que o pecado mortal precipita o homem e as necessidades da Santa Igreja, que Deus me manifestava em seu seio. Mas, como ninguém pode sentir a beleza de Deus no abismo da Trindade senão por intermédio desta doce Esposa, visto que todos têm de passar pela porta de Cristo crucificado, porta que só na Igreja se encontra, eu via que esta Esposa distribui a vida; via que ela dá força e luz, que ninguém pode enfraquecê-la ou obscurecê-la, nela mesma, e que o fruto que ela deve dar, longe de vir a faltar, aumenta cada vez mais". 

   Então, o Senhor Deus Eterno dizia-lhe: "Toda esta dignidade, que a tua inteligência não  poderia compreender, procede de Mim. Repara, pois, com dor e amargura: ninguém se chega a esta Esposa senão pela roupagem externa, isto é, pelos seus bens temporais; ninguém procura nela a sua verdadeira essência, isto é, o fruto do Sangue. Quem não a adquirir com o preço da caridade, com verdadeira humildade à luz da santíssima fé esse terá parte no fruto do Sangue, não para a vida mas para a morte.  É ladrão que rouba o bem alheio, porque  o fruto do Sangue pertence aos que o compram com amor. A Igreja é amor e é por amor,  que Eu exijo aos meus servos que cada um traga o preço do amor, conforme o que cada um recebeu para administrar. Infelizmente, não encontro quem a sirva assim; parece até que ela está abandonada de todos. Mas Eu darei remédio ao mal". 

   Santa Catarina dizia, então, a Nosso Senhor: "Que posso eu fazer, ó Fogo incompreensível?"
  
   E  Nosso Senhor respondeu-lhe: "Oferece, novamente, a tua vida e não te entregues nunca ao descanso. Foi para esta missão que te destinei, a ti e a todos aqueles que te seguem e te seguirão. Esforçai-vos, pois, por nunca afrouxar, mas por intensificar os vossos desejos. A ternura do meu amor não se esquece de vos dar os meus socorros espirituais e temporais; para que as vossas almas fiquem livres de todas as preocupações, providenciarei às vossas necessidades... Consagra, pois, a tua vida, o teu coração e o teu amor, unicamente, a esta Esposa por amor de Mim sem pensar em ti". 

   Dois meses depois, morria Santa Catarina de Sena dizendo aos seus discípulos: "Filhos caríssimos, quero que não hesiteis um instante em dar a vida pelo Papa legítimo e pela Santa Igreja". 

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