sábado, 30 de março de 2019

AMAR OS POBRES NÃO É ODIAR OS RICOS


CARTA PASTORAL 
prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista.
Escrita em 13 de maio de 1961 pelo então Bispo da Diocese de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória.
(continuação)

Amar os pobres não é odiar os ricos

Amemos, pois, desveladamente os pobres, sejamos seus protetores, defendamos seus direitos,  -   salvando sempre, porém, os direitos das outras camadas da sociedade, porque a felicidade do corpo social está na harmonia de todas as classes, com seus direitos e deveres, e não na supremacia de uma sobre a outra, tripudiando sobre a lei moral.

A laicidade favorece a seita marxista

Nesta mesma ordem de ideias, convém fazer algumas reflexões a respeito do falseamento frequente dos movimentos destinados a ajudar e defender os operários, trabalhadores rurais, empregados domésticos, enfim, a classe dos que ganham dignamente seu pão com o trabalho assalariado.

Qualquer iniciativa no sentido de elevar essa classe espiritual, cultural e moralmente, é digna de todos os encômios. Assim também os movimentos que se propõem a defesa dos legítimos direitos dela nas relações com os empregadores. Há de aqui, porém, levar-se em conta, primeiro, que em tais movimentos, vistos em seu conjunto, jamais se deve recusar a primazia à parte espiritual e moral. Se eles cuidarem apenas da parte econômica, no fundo estarão auxiliando a difusão dos erros comunistas, uma vez que estes afirmam precisamente que são os fatores econômicos os únicos que realizam todo progresso, mesmo cultural e, enquanto não se pode acabar inteiramente com as crenças, até religioso. É isso falso, e uma campanha em prol das classes menos favorecidas da fortuna, que não sublinhasse essa falsidade, estaria indiretamente beneficiando o comunismo. Por semelhante razão, lamentamos profundamente o caráter laico dos nossos sindicatos, quer de empregados, quer de patrões. Posta de lado a influência direta da Religião, resulta impossível resolver os problemas sociais dentro dos quadros da civilização cristã, baseada em valores espirituais aos quais os econômicos devem estar subordinados, como meros auxiliares.

A tendência a igualar as condições de patrões e empregados serve o comunismo

É pelo esquecimento dos valores espirituais que frequentemente as reivindicações operárias descambam para a exigência de uma igualdade absoluta de direitos entre empregados e empregadores. Coisa em si absurda, uma vez que o próprio contrato de trabalho supõe duas situações distintas, cada qual com seus direitos legítimos, não porém os mesmos, pois que se fossem os mesmos nem sequer seria possível contrato. Quando duas pessoas contratam é porque não têm os mesmos direitos: a uma falta o que a outra tem, e o contrato é feito precisamente para que se completem, se auxiliem reciprocamente, ficando ambas satisfeitas, conservando, porém, cada qual, seus direitos. As campanhas a favor dos direitos dos operários, e empregados em geral, com tendência a igualar as situações, servem aos comunistas, cujo ideal é a supressão da diversidade de classes sociais. Eis, pois, um campo em que a defesa de direitos autênticos e até sagrados pode prestar-se, nas condições em que vivemos, à exploração da seita comunista.

Ao cuidar dos operários é preciso marcar bem a função que eles têm na sociedade, função digníssima e deles própria, que bem desempenhada os leva a dar seu contributo indispensável para o bem comum, e que no entanto será fundamentalmente viciada, se, corroídos de inveja porque lhes não coube outra posição mais elevada, vierem a sabotar a tarefa que executam, ou a colaborar em movimentos que provocam a desordem no campo econômico-social. Com semelhante procedimento, eles prejudicariam a sociedade toda, e a si mesmos, espiritual e materialmente.

Sem o concurso das virtudes cristãs nada se fará de útil para os pobres

Não é preciso insistir para que se veja como as reivindicações operárias  -  tão legítimas e simpáticas  -  quando feitas nesse espírito ajudam poderosamente a criar ambiente favorável ao comunismo e contrário à civilização cristã. Esta é feita das grandes virtudes sociais, a obediência, a humildade e o amor. Virtudes que falam em desapego e dedicação. Virtudes não só dos operários, mas também dos patrões. Virtudes cujo concurso impede que as reivindicações operárias, por mais categóricas e enérgicas que sejam, se transformem em fator de desordem social. Virtudes que, se vierem a falhar, nem se obterá a salvação eterna, razão por que fomos criados, nem a paz e a prosperidade social, motivo por que existe a sociedade civil. Sem elas domina a inveja, a desconfiança, o ódio, causas da desagregação social, sobre a qual lança o manto negro da tirania, o despotismo moscovita.

sábado, 23 de março de 2019

COMO SE FAZ O JOGO DOS COMUNISTAS


CARTA PASTORAL 
prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista.
Escrita em 13 de maio de 1961 pelo então Bispo da Diocese de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória.
(continuação)

3 - Como se faz o jogo do adversário

Vêm a propósito algumas observações sobre a maneira como, inconscientemente embora, se chega a auxiliar em certos casos o movimento comunista.

Omissões e silêncios que favorecem os comunistas

O comunismo, como se sabe  -  e esta é sua característica mais visível   -  é contrário à propriedade privada. A anulação desse direito constitui para ele uma das metas a atingir para chegar ao ideal supremo da sociedade sem classes (cf. Enc. "Divini Redemptoris", ibid., p. 70); e, como sempre, a campanha contra a propriedade privada é conduzida por seus asseclas sem a menor atenção à ordem moral, aos direitos legitimamente adquiridos, uma vez que para os comunistas  -  convém tê-lo sempre presente  -  não há freio moral (cf. Enc. cit. ibid.). Eles se movem unicamente pela consideração do que é útil à finalidade da seita.

Ora, é patente que, na atual ordem de coisas, aquele instituto, não rara vezes, tem sido utilizado de modo abusivo. Os Papas o reconhecem. É, pois, certo que tais abusos devem ser eliminados.

Um movimento destinado a abolir os abusos da propriedade privada, e a levar os proprietários a fazer uso honesto de seus bens, é em si benemérito. Acontece, não obstante, que facilmente pode ele favorecer o comunismo. Basta que não afirme de maneira enérgica e categórica que o instituto da propriedade privada é legítimo, para que a campanha auxilie a criação de um clima hostil aos proprietários enquanto tais, apresentados pelos comunistas como parasitas da sociedade. Não é só. Cumpre que um movimento assim saliente bem o interesse social que há na existência da classe dos proprietários, da qual se beneficiam todos, especialmente os menos galardoados pela fortuna. É a advertência de Pio XI. Assinala o Pontífice que "a própria natureza exige a repartição dos bens em domínios particulares PRECISAMENTE [grifo nosso] a fim de poderem as coisas criadas servir ao bem comum de modo ordenado e constante" (Enc. "Quadragesimo Anno", A. A. S., vol. 23, pp. 191-192). Este princípio, acrescenta o Papa, deve tê-lo "continuamente diante dos olhos quem não quer desviar-se da reta senda da verdade". É enfim preciso que a campanha de que tratamos não fique em reivindicações vagas, mas antes tome todo o cuidado em não exagerar de tal maneira as restrições ao direito de propriedade, que atinja também a própria existência dele. Assim, por exemplo, não se há de exigir por justiça o que pertence as outras virtudes, como sabiamente ensinava Pio XI (cf. Enc. cit. ibid., p. 192).

Em vários documentos de Pio XII nota-se a preocupação com os movimentos surgidos para combater os abusos da propriedade privada, ou do capitalismo (palavra de que ardilosamente se serve o comunismo para confundir o direito de propriedade com as injustiças da atual ordem econômica). A preocupação do saudoso Pontífice revela como houve excessos nessas campanhas. Citemos apenas o trecho da radiomensagem dirigida ao Congresso Católico de Viena em 14 de setembro de 1952, pelo qual se vê quanto interessa aos comunistas a falta de uma afirmação nítida do direito de propriedade. Eis as palavras de Pio XII: "É preciso impedir a pessoa e a família de se deixarem arrastar para o abismo, onde tende a lançá-las a socialização de todas as coisas, ao fim da qual a terrível imagem do LEVIATAN tornar-se-ia uma horrível realidade", na qual soçobrariam "a dignidade humana e a salvação das almas".  Como impedir este desastre? Mediante a afirmação categórica do direito de propriedade. Continua, realmente o Papa: "É assim que se explica a especial insistência da doutrina social católica sobre o direito de propriedade privada. É a razão profunda pela qual os Papas das Encíclicas sociais e Nós mesmo Nos recusamos a deduzir, seja direta, seja indiretamente, da natureza do contrato de trabalho, o direito de co-propriedade do trabalhador ao capital e, portanto, seu direito de co-direção" (Radiomensagem ao "Katholikentag" de Viena, de 14-9-1952, "Discorsi e Radiomenssaggi", vol. 14, p. 313).

As expressões do Papa são para nós sábia advertência. A Igreja apresenta como ponto inalterável de sua doutrina o direito de propriedade privada, resultante da natureza e objeto de um dos Mandamentos do Decálogo. Faz portanto ele parte dos fundamentos da civilização cristã, cuja manutenção, pela observância dos vínculos jurídicos que a compõem, é um dever grave que obriga a todos os fiéis. Por isso, a Igreja mantém-se vigilante em face dos atentados que contra esse direito se sucedem na agitação da sociedade de hoje, trabalhada pelo espírito socialista. Ouvimos o pranteado Papa Pio XII a falar para o Congresso Católico de Viena. Firmemo-nos na doutrina pontifícia para não aceitarmos as limitações propugnadas por um não se sabe que novo cristianismo progressista, as quais vulneram o direito de possuir nascido da própria natureza. Deixar este último, com efeito, ao sabor de dispositivos legais imprecisos e indeterminados, de medidas como a desapropriação pelo chamado interesse social, quando feita sem causa justa e demonstrada, ou ainda sem indenização correspondente ao valor real e feita em tempo hábil, é mutilá-lo no que lhe é essencial. Os Papas, que tanto e tão energicamente salientaram o papel que a propriedade privada tem na sociedade, jamais a reduziram a mera função social.

terça-feira, 19 de março de 2019

SÃO JOSÉ

O PAI PRESENTE
                                                         
    Dom Fernando Arêas Rifan*

        A família é composta de pai e mãe, que geram os filhos. A presença do pai é necessária, não só para a geração, mas, sobretudo, para a educação dos filhos. O filho precisa do pai, da figura do pai, da presença do pai na sua vida. É dele que os filhos esperam o exemplo e a proteção, e a esposa espera a ajuda, a defesa e a cooperação na edificação e conservação da família. Isso é tão marcante que o próprio Pai eterno, quando enviou o seu filho ao mundo, Deus feito homem, concebido de maneira virginal, quis que alguém o substituísse visivelmente como Pai adotivo na Sagrada Família de Belém e Nazaré e fosse o guarda e protetor daquela que viria a ser a mãe do Filho de Deus feito homem: o escolhido foi São José, cuja solenidade celebramos ontem e festejamos durante todo o mês de março.
        São José era de família nobre, a família real de Davi. Se a sua família ainda estivesse reinando, ele seria um príncipe. Quando ele tinha apenas desposado Maria, primeira parte do casamento hebraico, mas antes de recebê-la em casa, ocorreu a Anunciação e a Encarnação do Filho de Deus. Maria objetou ao Anjo mensageiro a impossibilidade de ter um filho, pois “não conhecia varão” (Lc 1,34), isso apesar de ser noiva de José, o que claramente indica o seu voto de virgindade, de pleno conhecimento do seu futuro esposo. O Anjo, da parte de Deus, lhe garantiu que a concepção daquele filho não seria por obra humana, mas sim “por virtude do Espírito Santo” (Mt 1,18). O próprio José, em sonho, foi advertido pelo anjo do que ocorrera. E ele teria como missão ser o guarda daquela Virgem Mãe e pai nutrício daquele Filho, que era realmente o Filho de Deus. E Jesus lhe dava o nome de pai, sendo conhecido como “o filho do carpinteiro” (Mt 13,55), tido por todos “como sendo filho de José” (Lc 3,23).
        São José protegeu a Sagrada Família, sobretudo na fuga para o Egito, quando da perseguição de Herodes ao Menino Jesus. Como chefe e protetor da Sagrada Família, ele se tornou o patrono de todas as famílias. E seu modelo de amor, humildade, paciência e obediência a Deus. : “Do exemplo de São José chega a todos um forte convite a desenvolver com fidelidade, simplicidade e modéstia a tarefa que a Providência nos designou” (Bento XVI). 
        São José é também o padroeiro dos trabalhadores porque, como carpinteiro, sustentava a Sagrada Família com o seu suor e o trabalho de suas mãos. A festa de São José, como padroeiro dos trabalhadores, se comemora no dia 1º de maio, dia do trabalho.
        Antigamente havia uma festa especial para honrar o Patrocínio de São José, ou seja, sua proteção, seu amparo. Daí o nome muito comum a pessoas e cidades, Patrocínio e José do Patrocínio, em honra do patrocínio de São José. Tendo tido a mais bela das mortes, pois morreu assistido por Jesus, que ainda não tinha começado a sua vida pública, e por Maria Santíssima, São José é invocado como padroeiro dos moribundos e patrono da boa morte. 
        O Papa Pio IX proclamou São José patrono da Igreja, que é a família de Deus. Por tantos gloriosos motivos, São José faz jus à honra e à devoção especial que lhe tributamos.  


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

sábado, 16 de março de 2019

RECUSAR AS CAMPANHAS PARALELAS DE CATÓLICOS E COMUNISTAS COM OBJETIVO COMUM


CARTA PASTORAL (5)
prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista.
Escrita em 13 de maio de 1961 pelo então Bispo da Diocese de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória.
(continuação)

2  -  Recusar as campanhas paralelas de católicos e comunistas com objetivo comum

O exemplo acima [no fim do post anterior] nos leva a uma advertência necessária a propósito das chamadas ações paralelas.

Os comunistas, em geral, a fim de obter a colaboração dos não comunistas, sondam primeiro o ambiente para ver qual a campanha que terá maior receptividade entre estes. E não é difícil encontrar injustiças verdadeiras, objetivas, a deplorar numa sociedade que apostatou de Deus, e vive dominada pelo egoísmo e pela sede dos prazeres materiais. Ora, é natural que os cristãos se indignem com fatos desses. Os Papas têm repetidas vezes levantado a voz contra semelhantes abusos e particularmente contra as injustiças causadas pela nova ordem econômica, na qual domina o dinheiro e não se dá atenção às necessidades espirituais e morais mais urgentes das classes menos favorecidas. Fazer eco aos Papas, e tentar ordenadamente pôr termo a essas desordens sociais, é coisa justa e digna de todo o aplauso.

De circunstâncias concretas como essas, se aproveitam os comunistas, e como que se associam à campanha dos cristãos. Também eles alçam a voz para condenar as injustiças e pedir a punição dos culpados. Pergunta-se: seria lícita, em tal caso, uma ação paralela? Os comunistas, de seu lado, com seus argumentos e seus métodos sem dúvida detestáveis, propugnariam, não obstante, um objetivo justo e desejável. De outro lado, os católicos, com os métodos e argumentos ensinados pela Moral, pelos documentos pontifícios, se empenhariam, sem ligação nenhuma com os comunistas, para conseguir, na prática, o mesmo resultado, isto é, a correção das injustiças sociais.

A  -  NÃO HÁ DE FATO UM OBJETIVO COMUM

É fácil solucionar a questão.
Primeiramente, não nos iludamos; os comunistas jamais desejam reparar injustiça alguma. Eles só querem fomentar agitação, mal-estar, oposição de classe contra classe, de maneira a obter a aversão e o ódio de uma contra a outra. Ainda quando, na aparência, estão a defender objetivos inteiramente de acordo com as exigências e a doutrina da Igreja, ainda nessas ocasiões, o que de fato intentam é promover a luta de classes, o grande meio que Lenine lhes pôs nas mãos para atingirem seu fim último: o domínio do mundo e a tirania da nova classe dirigente, o partido comunista.

B  -- NÃO PODE HAVER PARALISAÇÃO NA LUTA DOS CATÓLICOS CONTRA OS COMUNISTAS

Ainda aqui, um aspecto da luta em torno da reforma agrária servirá para exemplificação. Com efeito, sobre este problema, juntamente com o Exmo. Revmo. Sr. Arcebispo de Diamantina, D, Geraldo de Proença Sigaud, o Professor Dr. Plínio Corrêa de Oliveira e o economista Luiz Mendonça de Freitas, escrevemos o livro "Reforma Agrária  -  Questão de Consciência", que a Editora Vera Cruz, de São Paulo, publicou. Essa obra trata do assunto com serenidade. Reconhece os males gravíssimos introduzidos no campo pela ganância de certos proprietários e especialmente pelo amoralismo da economia liberal, exorta os responsáveis pela situação a sanarem com a possível brevidade injustiças clamorosas, e dá veemente brado de alerta contra a reforma agrária de cunho socialista. Em resumo, uma obra com objetivos humanitários (para usar aqui a palavra corrente entre os não católicos), mas que nitidamente se alheia de qualquer compromisso, ainda em linha paralela, com os comunistas e comunistizantes. Foi o suficiente para que aqueles e estes recebessem  livro com verdadeiro e estrepitoso ódio. É que os autores, ferindo uma injustiça real, não o faziam à moda socialista, nem silenciavam os engodos que a solução socialista envolve. "Reforma Agrária - Questão de Consciência" era uma força que aos marxistas só convinha destruir. O ódio comunista contrasta significativamente não só com os aplausos que nosso trabalho recebeu em outros setores, mas também com a discrepância cortês e serena com que foi acolhido por elementos não comunistas que dele discordaram.

Ódio comunista contra "Reforma Agrária - Questão de Consciência"

Em segundo lugar, e por esse mesmo motivo, qualquer campanha cristã contra as injustiças sociais, para não carregar água para o moinho comunista, precisa, ao mesmo tempo que ataca com veemência tais injustiças, mostrar DE MODO CLARO E INSOFISMÁVEL que não pretende o aniquilamento de qualquer das classes de que forçosamente se compõe o corpo social, que o que deseja tão somente é purificar este último de defeitos que o deformam, e isso através da harmonia das várias camadas sociais; a par disso, é COISA NÃO MENOS INDISPENSÁVEL combater e impugnar, com veemência igual ou ainda maior, a campanha análoga de cunho comunista, denunciando-a como insincera e revolucionária. Ora, agindo os católicos de acordo com estas normas, os próprios comunistas rejeitarão a colaboração que antes procuravam. [Nota do autor: Veja-se a distinção entre "colaboração recíproca"  e "convergência ocasional", que fizemos acima].

A ação dos católicos não tem o caráter destrutivo próprio à ação dos comunistas

Os movimentos inspirados pela caridade cristã jamais tendem à destruição de uma ordem existente que em si não é injusta, como a respeito do regime da propriedade privada, chamado capitalismo, disse Pio XII (cf. Aloc. sobre problemas rurais, de 2 de julho de 1951, Discorsi e Radiomessaggi", vol. 13, pp. 199-200), mas procuram, e isso com toda a energia, corrigir os erros verificados, a fim de que voltem a paz e a harmonia necessárias não corpo social. Pois neste, embora composto sempre de classes diversificadas, deve reinar uma orgânica união de todos os elementos, assegurada pela caridade recíproca e auxílio mútuo.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DOS MOVIMENTOS INFLUENCIADOS PELO COMUNISMO


CARTA PASTORAL 
prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista.
Escrita em 13 de maio de 1961 pelo então Bispo da Diocese de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória.
(continuação)

B - ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DOS MOVIMENTOS INFLUENCIADOS PELO COMUNISMO

Conhecidos a doutrina e os princípios marxistas, será ainda necessário estudar a maneira como os comunistas agem para chegar ao seu ideal de uma sociedade sem classes (cf. Enc. cit., ibid., p. 70). Em outras palavras, quais as características pela quais se conhecem os movimentos comunistas, ou os que, embora não sendo tais, servem ao comunismo.

Na impossibilidade de descrever todas estas características, lembremos apenas duas mais importantes e frequentes.

Ódio e intransigência pessoal

A primeira delas é a odiosa intransigência pessoal dos movimentos comunistas. Eles tendem sempre a criar e exacerbar a aversão contra uma classe social cuja existência, segundo a ordem natural das coisas, nada tem de injusto. Como a subsistência dessa classe constitui um empecilho ao triunfo da seita, os comunistas a votam ao extermínio. Pode haver motivos para se condenarem pessoas, sem que, por isso, se falte à justiça e à caridade. O que não é cristão é investir furiosamente contra uma classe sempre tida como legítima e necessária à boa ordem social, como se ela não passasse de um câncer da sociedade, a ser urgentemente extirpado.

Quando, pois, se enceta uma ação contra determinada categoria social, não com base em princípios definidos ou em fatos concretos e comprovados, mas com fundamento em doutrinas vagamente humanitárias e acusações imprecisas, excitando os espíritos à detestação pura e simples da classe em vista, podemos ter certeza de que há nessa campanha o ódio característico dos comunistas, ainda que seus promotores não se confessem tais. Sempre que uma campanha se reveste desse cunho de oposição fanática e incondicional contra uma classe determinada, há nela dedo comunista. E a colaboração que se dê a semelhante movimento é, no fundo, uma colaboração para o triunfo do comunismo.

Demagogia e exagero a propósito de problemas secundários

Além disso, como as campanhas marxistas são determinadas por considerações táticas e não por motivos morais, é muito freqüente não focalizarem elas a injustiça social mais grave, nem a que é mais urgente remediar; ou então não a focalizarem nos seus justos termos. Assim, quando se generaliza uma campanha contra um mal social, uma injustiça, uma situação deprimente, etc., é preciso examinar e ver se o caso posto em foco existe de fato, se apresenta a importância que a campanha lhe atribui, se esta o situa bem no conjunto das atividades sociais, de sorte que se possa afirmar que ela não é movida por um intuito de oposição sistemática, de acirramento de ódios e lutas, mas por uma vontade certa e sincera de corrigir um mal existente. Sempre que não se verifiquem estas características todas, podemos estar seguros de que a campanha envolve o interesse de fomentar a luta de classes, meio de que se utilizam os comunistas, como vimos, para implantar o domínio de sua seita. Colaborar com semelhantes campanhas é colaborar para o triunfo do marxismo.

Exemplo atual: a influência comunista na campanha pró-reforma agrária [Ainda é atual e até mais forte].

Exemplifiquemos com  o que atualmente se observa no movimento a favor da reforma agrária no País. De fato há entre nós injustiças no campo, de fato é preciso melhorar, o mais breve possível, as condições de existência e trabalho do operário agrícola brasileiro. E um movimento que tenda verdadeiramente a esse fim, só pode ser louvado. O que se nota, no entanto, em quase toda a presente campanha em prol da reforma agrária, é um esforço para excitar os espíritos contra a própria estrutura rural hoje existente no Brasil, acusada, sem provas, de responsável pelos males do campo e pela crise econômica nacional; e com essa excitação visa-se a levantar a opinião pública contra os proprietários da terra, sem considerar a inviolabilidade do direito de propriedade e os imensos benefícios que muitos fazendeiros proporcionaram e ainda proporcionam à coletividade."

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

COMO REAGIR CONTRA A TÁTICA COMUNISTA


CARTA PASTORAL (3)
prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista.
Escrita em 13 de maio de 1961 pelo então Bispo da Diocese de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória.

(Continuação)

II - COMO REAGIR CONTRA A TÁTICA COMUNISTA

1 - A grande dificuldade: discernir a presença da influência comunista

Tudo isso está muito certo e muito claro, dirá alguém. Há, no entanto, uma dificuldade que parece insuperável. Quando Fidel Castro encabeçou a revolta de Sierra Maestra, não se apresentou como comunista. Como era possível saber-se o que ia no íntimo deste caudilho?

Problemas como esse se põem com frequência. Não se deve esperar dos comunistas lealdade alguma, uma vez que, para eles não existem obrigações morais (cf. Enc. cit., ibid,. pp 70 e 76). Muito pelo contrário, é num ambiente saturado de hipocrisia, cinismo e falsidade que se movem (cf. Enc. cit., ibid., pp. 69, 70, 95 etc.). Para eles só há uma norma de ação: ser útil ao movimento. Ora, qualquer pessoa tem facilidade de perceber como, no Ocidente de modo particular, será o comunista tanto mais útil ao partido, quanto menos for tido e havido por tal. Eis porque escondem os membros da seita marxista, quando podem, sua filiação partidária. Aparecem como socialistas, como homens de esquerda, mas muito mais, muitíssimo mais, como humanitários que só desejam o bem dos pobres, dos operários, que se confrangem à vista das injustiças que se cometem na sociedade, detestando-as vivamente, e muito mais vivamente a seus autores. É assim que eles conseguem obter a simpatia e até a colaboração dos não comunistas (cf. Enc. cit., ibid,. p. 95).

A  -  CONHECENDO A DOUTRINA COMUNISTA

Ora, semelhante simpatia e colaboração, amados filhos, é que devemos evitar a todo custo. E para tanto convém que saibamos discernir o lobo marxista sob a pele de ovelha humanitária.
A fim de que possais identificar os comunistas, importa antes de tudo conhecer sua verdadeira doutrina. Isto vos permitirá também aquilatar com mais clareza a oposição radical e insanável que existe entre o comunismo e o Cristianismo. Passamos pois a expor sumariamente a doutrina marxista, isto é, a filosofia dessa verdadeira anti-Igreja que é a seita comunista.
O comunismo, uma seita

Empregamos intencionalmente a palavra "seita". Não deveis pensar, com efeito, que o comunismo seja apenas um partido político. Ele o é, certamente, e suas redes envolvem em muitos países milhares e até milhões de homens e mulheres organizados politicamente, e que servem de núcleo em torno do qual gravitam outros milhares de simpatizantes e colaboradores. Mas, o comunismo é mais do que isso. Ele é uma seita filosófica, que pretende conquistar o mundo todo para sua maneira de pensar, de querer e de ser. Para conseguir semelhante conquista, os comunistas se organizam em partido; mas a arregimentação partidária é apenas um meio, um instrumento para atingir a meta universal.

O que anima a ação da seita marxista e lhe dá energia interna, clareza de fins, coesão e consequência é sua ideologia. Vamos expô-la sucintamente.

Materialismo evolucionista

O sistema comunista é o materialismo levado a suas últimas consequências. Afirma o marxismo que só existe a matéria. Não há Anjos nem demônios; não há alma espiritual nem Deus. O homem é pura matéria. Uma força misteriosa impele esse universo material num processo de desenvolvimento irreprimível, numa evolução irrefreável. Da matéria anorgânica emanou a vida, da planta nasceu o animal. Entre os animais houve um aperfeiçoamento lento e constante, até que apareceu o animal atualmente mais perfeito, cujo cérebro apresenta o mais alto grau de desenvolvimento. Este animal se chama homem. Com o tempo, o mesmo processo produzirá outro ser mais perfeito, pois assim como no passado surgiu o homem vindo do bruto, no futuro deverá surgir um outro ser, um "super-homem", tanto mais perfeito do que nós quanto nós somos mais perfeitos do que o macaco. Esta evolução não tem limites.

Tudo é relativo, inclusive a moral

Sendo assim, nossas ideias são relativas. O que me parece verdade metafísica e moral não tem valor objetivo. É verdade para mim, para meu estado de evolução. Para um ser mais evoluído, não o será. Em uma palavra, não há verdade objetiva. Eu crio a verdade; por conseguinte, crio o bem. Logo, não há metafísica, não há moral. É verdade e é bom o que eu quero que o seja. Não há Deus. Não há ordem natural que me obrigue. Não há direito natural. Não há autoridade legítima.

O homem comunista liberta-se de toda aquela maneira de pensar que tem prevalecido ao longo dos séculos, e estabelece o princípio: a verdade é o que me convém. É bom o que contribui para meu bem-estar subjetivo. Ora, a massa é a soma dos indivíduos, dos "eu" que a compõem. Assim, pois, a expressão máxima do homem é a massa. A massa que mais genuinamente representa o homem puro, autêntico, é a massa proletária. Portanto, o proletariado, a massa pobre dos trabalhadores é o árbitro supremo do bem e da verdade.

Destruição da Igreja, da autoridade, da hierarquia social

Daí se segue que a Religião, a autoridade dos pais e dos patrões, a propriedade privada, a moral obrigatória e imutável são quimeras burguesas que se devem apagar da memória dos cidadãos da "era nova". Igreja, elites sociais, classes tradicionais não têm o menor direito de existir. Céu, vida futura, ascese, santidade são conceitos que nada representam de aproveitável.

Ditadura do proletariado

O homem não deve ter nenhuma preocupação religiosa ou moral. Seu único cuidado deve ser lutar para dar ao proletariado o domínio absoluto da sociedade e proporcionar aos seus semelhantes, reduzidos todos à condição de proletários, o bem-estar na terra.

Luta entre os opostos. "Dialética"

A força metafísica que impele o universo para a perfeição é a luta entre os opostos. Existe nele uma desarmonia constitucional. Do choque dos elementos opostos brota a síntese, a harmonia momentânea. Mas logo aquilo que resultou da síntese encontra outro elemento a que se opõe, e eis de novo uma tese que se defronta com sua antítese para dar origem a uma nova síntese. Este princípio rege o universo. Rege também a sociedade humana. Poder-se-ia deixar que o processo que descrevemos se desenvolvesse em seu ritmo natural. A sociedade lentamente iria realizando suas oposições, à tese contraporia a antítese, daí resultaria uma síntese, e no fim ter-se-ia necessariamente o comunismo. Mas este processo necessário pode ser acelerado. O marxismo ensina a técnica de fazê-lo. É a luta de classes. Descobrindo os opostos, atiça-se a luta entre eles, lançando um lado contra outro. Assim, um processo que naturalmente duraria séculos pode desenvolver-se em poucos anos. É a isso que o marxismo chama "dialética". Joga os pobres contra os ricos, os colonos contra os fazendeiros, os inquilinos contra os senhorios, os pretos contra os brancos, os nortistas contra os sulistas, os nacionais contra os estrangeiros, os leigos contra os Padres,  -  eis alguns exemplos de luta possíveis.

A ciência da Revolução

O comunismo desenvolve uma ciência nova: a ciência da Revolução. Assim, cientificamente promove a luta dos opostos. Tem esta luta dois aspectos: um tático e outro estratégico. Este último consiste em apressar cientificamente a destruição daquelas oposições que, naturalmente, não se destruiriam antes de séculos, primeiro de coexistência, depois, de luta. A ciência da revolução estuda, além disso, o aspecto tático. Entre as muitas lutas possíveis, os dirigentes do comunismo escolhem aquelas que destroem classes e ordens que mais tenazmente impedem o nivelamento total da sociedade.

Igualitarismo completo

O objetivo final dos sectários de Marx é, portanto, o nivelamento total, a abolição das classes, o igualitarismo. Esse igualitarismo é essencial ao comunismo, e é por ser igualitário que ele destrói e suprime o direito de herança, a família, a propriedade privada, as elites sociais, a tradição.

Negação total da Religião Católica

Como acabamos de ver, é pois, por uma razão profundíssima que o comunismo, além de ateu, é revolucionário, violento, cínico, traidor, mentiroso, implacável, imoral, contrário à família e à propriedade. É por isto que ele é intrinsecamente mau, como declarou Pio XI 9cf. Enc. "Divini Redemptoris", ibid., p. 96).

É impossível conciliar o comunismo com o Catolicismo. Ele é uma seita filosófica que nega radicalmente tudo o que o Cristianismo ensina, e destrói o próprio fundamento deste, de todo o direito e de toda a filosofia. É a mais completa negação de Deus (cf. Enc. cit., p. 76).

Paraíso ateu

Desta negação total do bem e da verdade, e da esperança satânica de realizar o paraíso na terra, sem Deus, sem Cristo, sem a Igreja e sem autoridade, provém a força interna, o dinamismo obsedante e diabólico que empolga os comunistas e os faz soldados que não conhecem trégua nem quartel em sua luta para demolir a ordem baseada no bem e na verdade, baseada em Deus e em Cristo, que chamamos de Cristandade.

O partido Comunista

Nessa campanha contra a civilização cristã tem um papel central e preponderante o Partido Comunista. Realmente, ele se arvora em único representante genuíno da massa proletária. De maneira que se arroga, EM CONCRETO,  o poder ditatorial sobre a verdade e o bem que, em tese, o comunismo atribui ao proletariado.

Socialismo, comunismo aparentemente mitigado

Após a exposição da teoria do marxismo, convém dizer uma palavra sobre o socialismo. A realização mais conseqüente deste é o marxismo. Mas, ao lado do socialismo marxista, há variantes que procuram implantar a sociedade igualitária, materialista, sem lançar mão dos recursos brutais que geralmente são preconizados e usados por ele. Essas variantes preferem os meios legais, as transformações lentas, de modo que, num processo mais suave, mas igualmente irreprimível, sejam destruídas as instituições da sociedade sem classes, igualitária, em que o Estado tudo prevê, providencia e domina. Assim, às vezes o socialismo é o próprio comunismo nu e cru. Outras vezes, adotando aspecto pacífico e marcha gradual, ele introduz na sociedade sub-repticiamente o comunismo, e é a ponte, a porta pela qual este penetra na Cristandade.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Como S. Francisco converteu a fé o Sultão da Babilnônia - I FIORETTI -

      São Francisco, instigado pelo zelo da fé cristã e pelo desejo do martírio, atravessou uma vez o mar com doze de seus companheiros santíssimos, para ir diretamente ao sultão de Babilônia. E chegou a uma região de sarracenos, onde certos homens cruéis guardavam as passagens, que nenhum cristão que ali passasse podia escapar sem ser morto; como aprouve a Deus, não foram mortos, mas presos, batidos e amarrados foram levados diante do sultão. E estando diante dele São Francisco, ensinado pelo Espírito Santo, pregou tão divinamente sobre a fé cristã, que mesmo por ela queria entrar no fogo. Pelo que o sultão começou a ter grandíssima devoção por ele, tanto pela constância de sua fé, como pelo desprezo do mundo que nele via; porque nenhum dom queria dele receber, sendo pobríssimo; e também pelo fervor do martírio que nele via. E deste ponto em diante o sultão o ouvia com boa vontade e pediu-lhe que freqüentemente voltasse à sua presença, concedendo livremente a ele e aos seus companheiros que podiam pregar onde quisessem. E deu-lhes um sinal com o qual não podiam ser ofendidos por ninguém. Obtida esta licença tão generosa, São Francisco mandou aqueles seus eleitos companheiros, dois a dois, por diversas terras de sarracenos, a pregar a fé cristã; e ele com um deles escolheu um lugar... Vendo São Francisco que não podia obter mais fruto naquelas partes, por divina revelação se dispôs com todos os seus companheiros a retornar aos fiéis; e reunindo todos os seus voltou ao sultão e despediu-se. E então lhe disse o sultão: Frei Francisco, de boa vontade me converteria à fé cristã, mas temo fazê-lo agora, porque se esses homens o descobrissem matariam a mim e a ti com todos os teus companheiros: mas, porque tu podes fazer muito bem, e eu tenho de resolver certas coisas de muito peso, não quero agora causar a tua morte e a minha, mas ensina-me como me poderei salvar, e estou pronto a fazer o que me impuseres. Disse então São Francisco: senhor, separar-me-ei de vós, mas depois de chegar ao meu país e ir ao céu pela graça de Deus, depois de minha morte, conforme a vontade de Deus, enviar-te-ei dois dos meus irmãos, dos quais receberás o santo batismo de Cristo e serás salvo, como me revelou meu Senhor Jesus Cristo. E tu, neste espaço, desliga-te de todo impedimento, a fim de que, quando chegar a ti a graça de Deus, te encontre preparado em fé e devoção. E assim prometeu fazer e fez. Isto feito, São Francisco retornou com aquele venerável colégio de seus santos companheiros: e depois de alguns anos São Francisco, pela morte corporal, restituiu a alma a Deus. E o sultão adoecendo espera a promessa de São Francisco e faz postar guardas em certas passagens, ordenando que, se dois frades aparecessem com o hábito de São Francisco, imediatamente fossem conduzidos a ele. Naquele tempo apareceu São Francisco a dois frades e ordenou-lhes que sem demora fossem ao sultão e procurassem a salvação dele, segundo lhe havia prometido. Os quais frades imediatamente partiram e, atravessando o mar, pelos ditos guardas foram levados ao sultão. E vendo-os, o sultão teve grandíssima alegria e disse: Agora sei, na verdade, que Deus mandou os seus servos para a minha salvação, conforme a promessa que me fez São Francisco por divina revelação. Recebendo, pois, a informação de fé cristã, e o santo batismo dos ditos frades, assim regenerado em Cristo, morreu daquela enfermidade, e sua alma foi salva pelos méritos e operação de São Francisco.

 Peçamos a Deus por intercessão de S. Francisco de Assis, a conversão dos hereges, cismáticos, ateus e dos católicos que vivem no pecado. Hoje, mas do que na  época do Poverello, se faz mister amparar a Santa Madre Igreja que está auto se demolindo, sobretudo por causa do ecumenismo. Vendo o verdadeiro espírito de São Francisco de Assis, não temos dificuldade em perceber que não se poderia escolher lugar menos indicado para os tristemente famigerados "Encontros Ecumênicos" do que a cidade natal deste grande Missionário e de Santa Clara.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

CARTA PASTORAL (continuação)


CARTA PASTORAL (1)
prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista.
Escrita em 13 de maio de 1961 pelo então Bispo da Diocese de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória.


I  -  OS OBJETIVOS "HUMANITÁRIOS" DOS COMUNISTAS E A COLABORAÇÃO COM OS CATÓLICOS

1  -  Cooperação entre católicos e comunistas em Sierra Maestra
A revolução de Fidel Castro, segundo declarações dos Prelados cubanos (cf. "Cristandad", de Barcelona, nº 358, p. 298), teve, no seu início e durante todo o período mais duro da conquista do poder, a colaboração franca, corajosa e entusiasta de católicos. A maioria dos guerrilheiros de Sierra Maestra era constituída de católicos, que lutavam com o rosário na mão, animados e acompanhados por Padres católicos.

2  -  Um grande equívoco
Houve, pois, estreita colaboração entre os católicos e os revolucionários fidel-castristas. Na aparência, uns e outros tinham o mesmo objetivo: libertar a pátria de um governo tirânico. Na aparência, dizemos, porque no fundo as intenções eram muito diversas. Os católicos desejavam acabar com os desmandos de um regime corrupto, e restaurar a ordem dentro da civilização tradicional de Cuba, a civilização cristã. Os fidel-castristas empenhavam-se, exclusivamente, pela destruição de um estado de coisas que detestavam, porque impedia a implantação de outro, ainda mais tirânico que o então existente, no qual seriam os donos de uma nação escravizada, subordinada à Moscou. Os católicos batiam-se pela reparação de certas injustiças, e mesmo pela punição dos culpados. Os fidel-castristas, como os comunistas em geral, não cuidavam das injustiças a não ser como meio de atrair adesões à sua causa. Não queriam apenas a punição dos culpados, mas a total destruição de todas as instituições e pessoas que fossem empecilhos ao domínio do partido.

3 - ... do qual os católicos não desconfiavam
Eis, portanto, duas forças que se conjugam para a consecução de um mesmo fim material: pôr cobro a uma situação de fato. O desaparecimento de um governo tirânico é, em si, um bem. Ele não pode ser, no entanto, pura e simplesmente destruído. Ele precisa ser substituído por outro, pois que a sociedade não subsiste sem poder público. De onde a impossibilidade de abolir a tirania existente num país, sem se cogitar da nova autoridade que há de tomar o lugar do tirano. No caso cubano, a solução parecia muito fácil. O que se fazia necessário era abater um governo corrupto, e substituí-lo por outro, honesto, dentro do mesmo regime político. Não constituíam problema as instituições vigentes, mas a maneira como as conduziam os governantes. A solução era tão lógica, que não passou pela cabeça dos católicos houvesse entre os homens de Sierra Maestra quem pensasse de outro modo. Na aparência, portanto, tudo se preparava no sentido de corrigir os males introduzidos, especialmente pelo abuso do poder num regime legítimo e digno de ser aprovado.

4 - O ardil dos comuno-fidelistas em relação aos católicos
Os comunistas, porém, pensavam diversamente. Eles tinham seu fim preestabelecido, e, como costumam fazer, aproveitavam-se da ocasião propícia, para ampliar seu poderia com vistas ao objetivo último: a dominação mundial. Não o declaravam. Guardavam seu segredo à espera de que, senhores da situação, pudessem dispensar a máscara com que iludiam os companheiros de armas.
E assim um país de imensa maioria católica caiu sob a dominação dos piores inimigos da Igreja.

5 - Engodo comunista habitual: luta contra a miséria e a injustiça
O que se deu em Cuba é um exemplo típico do resultado a que leva a colaboração com comunistas. Estes, com efeito, não desdenham a cooperação dos católicos. Antes, a solicitam, provocam-na mesmo, salientando miséria e injustiças que possam despertar a indignação e a reação dos espíritos retos. E infelizmente, amiúde conseguem a colaboração desejada. Habituados a agir de boa fé, os católicos tendem muitas vezes a achar impossível que por detrás de considerações humanitárias possa alguém esconder um fim perverso. Terminam assim empolgando-se, não pelo movimento comunista, mas pela luta em benefício dos infelizes, dos oprimidos e sofredores. E trabalham juntos, católicos e comunistas, certos os primeiros de que os outros, como eles, desejam sinceramente curar a sociedade das chagas que a enfeiam; mais certos os últimos de que a agitação humanitária lhes proporcionará o ambiente ideal para a ampliação de seu poderio.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

CARTA PASTORAL


CARTA PASTORAL
prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista.
Escrita em 13 de maio de 1961 pelo então Bispo da Diocese de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória.
1 - A Igreja perseguida em vários países

Na alocução consistorial de 16 de janeiro próximo passado [1961], o Santo Padre gloriosamente reinante, João XXIII, referiu-se com angústia e dor a nações em que os poderes públicos criam obstáculos à ação da Igreja, particularmente no plano educacional, sujeitando muitas escolas católicas, fundadas e mantidas pelas vigílias, suores e angústias dos missionários, a medidas de coerção e compressão (cf. A.A.S., vol. 53, p. 67).

2 - A perseguição comuno-fidelista

As palavras do Augusto Pontífice aplicam-se, sem sombra de dúvida, à nação cubana, convulsionada pela situação nela criada com a revolução de Fidelio Castro, ou Fidel Castro, como é geralmente conhecido.

A - NO PLANO RELIGIOSO
Com aparências de movimento renovador, cuja intenção seria unicamente restaurar a ordem jurídica tradicional, gravemente lesada pelo arbítrio de um governo pessoal despótico, a revolução fidelista  colimava de fato a instauração, na grande Antilha, de um regime comunista, sem respeito às liberdades fundamentais inerentes à pessoa humana, entre as quais tem primazia a de crer e praticar a Religião verdadeira . Pois, de acordo com o testemunho dos Prelados cubanos, essa foi a obra encetada desde seus primórdios pelo governo de Fidel Castro.

Em 4 de dezembro passado [1960], todo o Episcopado de Cuba enviou uma carta ao primeiro ministro denunciando a caráter enti-cristão do novo regime (cf. "Cristandad", de Barcelona, nº 358, p. 297). Agora, alguma dúvida que ainda pudesse subsistir sobre o cunho da revolução fidelista desapareceu de todo. Em 1º de maio deste ano, Fidel Castro proclamou Cuba Estado socialista, confiscou todas as escolas católicas da ilha, prepondo-lhes dirigentes revolucionários, e ultimamente decretou a expulsão dos Padres estrangeiros, prenúncio natural de perseguição mais atroz contra a Igreja, como tem acontecido em outros países.

B - NO PLANO SOCIAL
Paralelamente a esses golpes desferidos diretamente contra a Religião, a revolução cubana atacou a fundo duas instituições básicas da civilização cristã, isto é, a propriedade e a família. A primeira ficou praticamente abolida por sucessivas reformas, fundamentadas no falso princípio de que o Estado pode, a seu talante, dispor dos bens particulares: a reforma agrária, que feriu de morte a propriedade rural, a reforma urbana, que suprimiu a propriedade imobiliária nas cidades, e a reforma industrial, que confiscou as fábricas. A família, de seu lado, foi vulnerada pela lei que tirando aos pais o direito de escolher livremente as escolas para seus filhos, os privou de uma das mais importantes prerrogativas do pátrio poder.

3  -  Oração e reparação pelo povo cubano

No momento, o que de melhor podemos fazer, à vista destes fatos dolorosos, é redobrar nossas orações e boas obras, sacrifícios e penitências, a fim de que Deus Nosso Senhor conceda aos católicos de Cuba a coragem e a fortaleza de que precisam para imitarem os mártires dos primeiros séculos, os quais nutriram com seu sangue a semente cristã, e contribuíram para dar-lhe o vigor de espalhar-se por toda a terra. Orações, boas obras e sacrifícios nessa intenção, e também para que a misericórdia divina se apiede da nação irmã, purgue-a logo de seus pecados, lhe dê em breve a alegria de nova alvorada de liberdade cristã no santo temor de Deus, ali pregado por missionários da envergadura de Santo Antônio Maria Claret.

(...)

4 - Levantar em prol dos cabanos perseguidos a opinião pública

Este fervor haurido na oração deve frutificar em atos. Se cada fiel, nos ambientes que frequenta, se valer de todas as ocasiões para manifestar sua repulsa à revolução comunista de Fidel Castro, e para acender no próximo uma santa indignação contra ela, se todos em conjunto aproveitarem as oportunidades que se apresentarem para dar solene e público testemunho de sua reprovação à perseguição religiosa naquela ilha, terão feito quanto em si está para combater o comuno-fidelismo, e se portarão como autênticos membros do Corpo Místico de Cristo, sensíveis a todos os golpes que esse Corpo recebe em qualquer parte da terra, como filhos amorosos da Igreja que não suportam seja Ela perseguida em qualquer nação do mundo.

5 - Aproveitar a lição que nos vem de Cuba

Entretanto, não pensemos só em Cuba. Não estamos livres de sofrer também uma revolução marxista. O exemplo das Antilhas constitui ameaça para toda a América Latina, e não vemos reação proporcionada à gravidade do perigo. Muito pelo contrário, assistimos a um recrudescimento de ousadia por parte dos comunistas, e de simpatia, mais ou menos generalizada em vários setores da sociedade, pelo mundo socialista. De onde a urgência em tirarmos proveito da lição que nos vem do Norte, meditando atentamente sobre a doutrina marxista, sua propaganda e seus ardis. Com efeito, a Providência, permitindo a eclosão do comunismo em Cuba, dá às demais nações católicas do continente um sinal, altamente expressivo, da gravidade da situação em que elas mesmas se encontram. Tomar na devida conta esse sinal corresponde, pois, a um dos mais sérios deveres do momento.

6 - ... especialmente a lição sobre os ardis comunistas

Mais especialmente, amados filhos e Cooperadores, pareceu-nos importante chamar vossa atenção para os ardis da propaganda vermelha. Por meio deles, a minoria comunista, seita tenebrosa, fanatizada e disciplinada, mas incapaz, por seu pequeno número, de impor seu jugo a um país tão vasto e católico como o nosso, pretende instaurar entre nós a chamada ditadura do proletariado. (Continua nas próximas postagens),

Nota minha: Não esqueçamos que D. Antônio de Castro Mayer escrevia em 1961, antes, portanto do Concílio Vaticano II. Já neste Concílio totalmente atípico, o grande Bispo de Campos, juntamente com D. Geraldo de Proença Sigaud, então Arcebispo de Diamantina, puderam perceber o perigo que significava a Teologia da Libertação já ventilada e planejada para o Brasil principalmente por D. Hélder Câmara ali no Concílio. E logo depois do Concílio Vaticano II, D. Antônio já não considerava pequeno o perigo comunista no Brasil, e via Sua Excelência  (e outros Bispos conservadores e também padres) que o perigo era grande, e tão grande que, embora houvesse necessidade da tomada do Poder pelos militares, o que, graças a Deus, aconteceu já antes do término do Concílio, mas, quiçá, os próprios governos militares, não puderam perceber que os comunistas através de infiltrações na Igreja e pela Mídia continuavam a envenenar as mentes dos brasileiros, até chegar a este ponto crítico atual. E agora, que Deus nos deu esta graça de reverter o rumo de nosso País, mister se faz que os anti-comunistas não durmam, porque os comunistas, diabólicos que são, continuarão provocando divisões entre os da direita e trabalhando coesa e sub-repticiamente para voltarem ao poder. Explorarão como escândalos enormes as mínimas falhas dos da direita, mesmo que comparadas às dos partidos de esquerda, sejam quais grãos de areia diante de montanhas.  Tal a afã dos comunistas pela volta ao poder, que não se vexam de explorar até os defuntos.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A CULTURA NA UTOPIA COMUNISTA



O comunismo, como já tivemos oportunidade de mostrar, nega a existência de Deus. Mas, ele não nega a razão humana; e não só não a nega, mas a exalta de tal maneira que a julga capaz de dominar o universo. Dizem que a razão humana é suficiente para sujeitar todo este mundo material e para levar a felicidade à humanidade. Na verdade, a cultura intelectual do comunismo é inspirada, para não dizer copiada, da filosofia positivista de Augusto Conte. Este filósofo fazia consistir a filosofia num sistema de conhecimentos universais e científicos. Segundo ele, estes conhecimentos universais, respondem a todas as questões que preocupam aos homens atinente à sua existência. E os conhecimentos científicos só consideram válidas as respostas que podem ser provadas por experiência, segundo os métodos da ciência moderna. A cultura intelectual, portanto, para os comunistas é a da filosofia positivista de A. Conte. Também a literatura e as artes, são capazes de interpretar o ideal científico desta filosofia.

Para o comunismo, o verdadeiro valor do homem consiste em que é um trabalhador digno de formar uma classe operária. No término da evolução, o indivíduo será totalmente absorvido por sua classe. Deverá ser educado por ela desde a sua mais tenra infância. Sua felicidade será exatamente servir à classe operária, sem nenhum desejo de sequer pensar em ter alguma coisa como própria e nem pensar em liberdade pessoal. No término desta evolução, também a mulher deverá ser igual ao homem; a organização social comunista procurará tornar a maternidade a mais leve possível. E isto justamente para que também a mulher possa realizar sua função essencial de operária. É desta concepção comunista que advém a lei do aborto. Segundo os comunistas, a mulher é dona de si e, assim sendo, só depende dela aceitar ou não o fruto de uma submissão ao homem, isto é, o resultado da concepção. Fazem questão de lutar contra o que Deus determinou na Bíblia: "Multiplicarei os teus trabalhos, disse Deus à mulher, e especialmente os teus partos. Darás à luz com dor os filhos, e estarás sob o poder do marido, e ele te dominará" (Gên. III, 16).   Na verdade, caríssimos, toda a cultura comunista leva à destruição da família. Para os comunistas, o casamento indissolúvel vem do capitalismo. É o que ensinava Engels: "O casamento monogâmico e indissolúvel, nasceu da concentração de grandes riquezas nas mãos de um só homem, e do desejo de transmitir riquezas por herança aos filhos desse homem, excluindo os demais... Quando, continua Engels, já os meios de produção tiverem passado para a propriedade comum, a família individual deixa de ser a unidade econômica da sociedade. A guarda e a educação dos filhos se torna pública: a sociedade cuida igualmente de todos os filhos, legítimos ou naturais" (Livro, "A ORIGEM DA FAMÍLIA").

Segundo o comunismo, ou mais especificamente, para Lenine, Marx e Engels, não há nada definitivo, absoluto e muito menos sagrado: tudo é uma sucessão ininterrupta de fenômenos, de modo que a situação presente deve conduzir-nos necessariamente a outro estado, ou seja, uma vida agrupada natural e espontânea, e nela, o indivíduo viverá inteiramente para a sociedade. Verdadeiramente, os comunistas tentam transformar o homem em puro animal. Por exemplo: a própria união do homem e da mulher não é senão a manifestação inferior do "instinto sexual", como nos animais. Para os comunistas, é inteiramente normal, satisfazer a esta necessidade como a de comer e beber. Daí o casamento tem de deixar de ser um contrato indissolúvel. Pregam a união livre. É claro que filhos que são do demônio, pai da mentira, enquanto não puderem consegui-lo, até eles mesmos, por vezes, têm família, mas, em verdade, o escopo final seria o desaparecimento total da mesma. Querem grande natalidade, mas não como filhos em família, mas sim como filhotes de animais domados pelos donos comunistas. Os futuros cidadãos serão logo colocados em parques infantis para aprender sua vida social, passando logo às fábricas ou às explorações agrícolas socializadas, a não ser que suas disposições os encaminhem para os estudos superiores nos quais servirão à sua classe com o trabalho intelectual.

"Toda a educação, dizia Lenine, toda instrução e toda a formação da juventude contemporânea, se reduzem no ensinamento da moral comunista" (A Juventude Comunista, disc. do 3º Congr. P. Russo da Juventude comunista, 1920).  Mas em que consiste esta moral comunista? É tudo o que contribui para a realização das ideias comunistas. Em outras palavras: depende inteiramente do interesse do proletariado e das exigências da luta de classes. E esta moral no término de sua evolução, será, segundo os comunistas, uma coletividade sem hierarquia; só ela existirá nos sistemas econômicos. E sua missão única será a produção dos bens pelo trabalho coletivo. Eis a grande utopia dos comunistas: quando toda a humanidade for absorvida na classe operária, não haverá mais guerras sobre a terra porque não haverá diferenças de classes e condições sociais. Será a paz definitiva, será o altruísmo mundial, será, enfim, o paraíso na terra.

Caríssimos, os comunistas não só negam a existência de Deus mas consideram que um dos obstáculos essenciais para que haja progresso e paz, é a religião com sua crença em Deus. A religião é o "ópio do povo"; e esta sentença de Marx, disse Lenine: "constitui a pedra angular de toda concepção marxista em matéria de religião"... "é um aspecto da opressão espiritual que gravita sempre e por toda parte sobre as massas populares, agrupadas pelo trabalho perpétuo em favor dos outros, pela miséria e a solidão. A fé em uma vida melhor nasce com tanta necessidade da impotência das classes exploradas em luta contra os exploradores como a crença nas divindades, milagres, diabos..., nasce da impotência do selvagem em luta contra a natureza"... (A Vida Nova, 1905).

"A priori" poderíamos dizer, que tudo isto é pura utopia falaciosa, porque sem Deus não há ordem, progresso e paz, muito menos paraíso. E "a posteriori", nos países em que já fora implantado o regime comunista, vemos sangue derramado, fomes e guerras. Contra fatos não há argumentos. Mas infelizmente, ainda há muitos que acreditam na mentira!

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

O DIREITO DE LEGÍTIMA DEFESA



Quando em Teologia Moral, estuda-se o 5º mandamento da Lei de Deus (Êxodo XX, 13) NÃO MATARÁS, também no final deste tratado teológico, estudamos as exceções que a própria Bíblia Sagrada autoriza. Uma delas é justamente o direito de legítima defesa. Assim se define: "Vim vi repellere, omnia jura permittunt" = todos os direitos permitem reprimir a força pela força. Estamos falando de direito e não de dever. Isto quer dizer que, se o agredido não quiser se defender com o único meio possível que é empregar também a força e matar o injusto agressor, ele pode não usar deste seu direito de legítima defesa e preferir morrer do que matar. No fim, veremos que só há dois casos em que não só o agredido tem o direito mas também o dever da legítima defesa.

 Diz o próprio Deus a Noé: "Todo o que derramar o sangue humano será castigado com a efusão do seu próprio sangue; porque o homem foi feito à imagem de Deus" (Gênesis IX, 6). Esta determinação de Deus fazia parte da Lei do Talião em vigor no Antigo Testamento. Mas fiz esta citação para analisar só o último inciso, isto é, PORQUE O HOMEM FOI FEITO À IMAGEM DE DEUS. Por ser o homem criado à imagem de Deus, sua vida deve ser respeitada, e quem atenta contra este direito, ou seja, o injusto agressor, perde ele esta dignidade de semelhança com Deus e, por conseguinte perde o direito à vida. Esta razão: "PORQUE O HOMEM FOI FEITO À IMAGEM DE DEUS", justifica, portanto,  a legítima defesa por parte do inocente. 

Contudo, devemos observar inicialmente, que este direito de legítima defesa tem que ser exercido com as normas morais devidas. Por exemplo: Este direito só existe no momento da agressão injusta; ademais, este direito deve-se exercer  "servato moderamine inculpatae tutellae" como se exprime a Teologia Moral e creio também os juristas, isto é, NA MEDIDA EXATA EM QUE FOR ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIO PARA REPELIR A AGRESSÃO. Quando o ataque do injusto agressor é de tal modo que não há como conseguir a proteção social (=chamar a polícia) a tempo, aí o agredido inocente tem o direito de se defender, e de matar o agressor, caso não haja outra saída: ou mata ou morre.  Na surpresa de um assalto ou ataque, só o agressor é responsável pelo mal que lhe possa suceder (inclusive sua condenação eterna), porque se põe voluntariamente fora da lei pelo mesmo fato da agressão (de imagem de Deus se tornou filho do demônio).

Há um antigo provérbio latino que diz: "SI VIS PACEM, PARA BELLUM" = se queres a paz, prepara-te para a guerra. Isto significa o seguinte: PARA EVITAR SER ATACADO, O MELHOR MEIO É PÔR-SE EM CONDIÇÕES DE SE DEFENDER. Podemos fazer a aplicação deste axioma nos casos particulares de legítima defesa. Se quero a paz para mim, para minha família, para minha liberdade, para os meus bens, e sobretudo para minha virtude (a castidade, a honra da virgindade) devo ter as condições de me defender. Vão seria o direito à legítima defesa se não houvesse o direito à obtenção dos meios necessários para tanto. 

Nosso Senhor Jesus Cristo para mostrar que devemos estar dia e noite e a toda hora preparados para a ladrão da morte, faz esta comparação (S. Lucas XII, 39): "Se o pai de família soubesse a hora em que viria o ladrão estaria bem armado para defender sua casa e não deixaria que ela fosse invadida". Em outras palavras: todo chefe de família está sempre preparado, com as armas necessárias para se defender e também defender sua família, justamente porque não sabe nem o dia nem a hora, que o bandido, assaltante, estuprador e assassino o vai  agredir. Porque, se soubesse, o chefe de família chamaria a polícia e não poderia se expor a morrer ou a matar.

Ademais, a Lei de posse de arma de fogo é uma defesa mesmo para aquele que, por algum motivo, não pode ou não quer se usufruir dele, porque os bandidos não sabem quem possui arma ou não. Sabendo, porém, os bandidos que, pela lei do desarmamento, o mais certo é que as pessoas estão sem defesa, ficam mais audaciosos e se tornam mais criminosos. Suponhamos que duas famílias ricas moradoras numa mesma rua, sendo que uma tem arma em casa e a outra não e o bandido fique ciente disto, eu creio que ele (o bandido) não vai escolher como sua vítima a família que ele sabe estar bem armada.  Na verdade, o medo de morrer, diminui a vontade de matar. A impunidade é a mãe dos crimes. Assim também a Lei que diminuísse a idade penal dificultaria os crimes de menores. É claro que para as pessoas de bem e sobretudo de fé, basta-lhes o temor de Deus; mas os bandidos não têm fé, e geralmente são ateus porque comunistas ou, pelo menos, sem a mínima dúvida, são envenenados, consciente ou inconscientemente, pelas ideias comunistas.

Além da arma de fogo legalizada e devidamente guardada, (e também tendo recebido as devidas instruções para manuseá-la) creio que se devam multiplicar nas ruas e nas casas as câmeras. Assim como as câmaras (pardais) evitam certamente muitas mortes por acidente de trânsito, assim pelas câmeras se evitariam outrossim, muitas mortes perpetradas por mãos de bandidos. Mas além disso é preciso que as penas sejam mais duras para os criminosos e que os policiais recebam todo apoio que merecem, não só por parte da sociedade mas também dos governos. Os militares merecem nossa admiração, respeito e gratidão. Enquanto os comunistas odeiam os militares, nós cristãos devemos amá-los e considerá-los nossos superiores e benfeitores. Quando os comunistas implantam sua ditadura num país, eles têm a satânica satisfação em usar os militares para fuzilar os cristãos. Isto foi-me dito por um padre que era missionário clandestino na China. 

 Quem não quiser ficar em presídios superlotados, não cometa crimes. É preferível que os criminosos vão para a cadeia mesmo que esta fique superlotada, do que os cemitérios fiquem superlotados de inocentes mortos pelos criminosos.

Se todas as famílias do Brasil cujo algum membro fora vítima de bandidos, ou por assalto,  por estupro  e por assassinato, forem contatadas e interrogadas o que pensam sobre o que acabei de expor, tenho certeza que me darão razão. Pois bem, o que não queremos para nós, não devemos deixar que aconteça com os nossos irmãos e irmãs.

Agora, para terminar, vejamos brevemente, quando não só temos o direito mas o DEVER de legítima defesa. Pela Moral Católica há dois casos em que se dá este DEVER de legítima defesa: 1º  -  se o agredido está em pecado mortal, porque o bandido assaltante, além de matá-lo, irá lançá-lo no inferno; 2º  -  se o agredido é uma pessoa da qual depende o bem comum ou o bem da família, como um Presidente, um pai (ou uma mãe) de família (Cf. S. Afonso de Ligório,nº 390; e cf. também Ballerini nota (c ), p. 377). 

Santo Tomás na S. Th. 2. 2. q. 64 a 7 ensina que, em se tratando de um civil que possa fugir do agressor, ele DEVE fazê-lo; mas se tratar de um militar ele não está obrigado a fugir (mesmo que possa) e pode matar o injusto agressor. Aqui estamos falando segundo a lei de Deus, baseado na Bíblia e nas interpretações dos Santos Doutores da Igreja (Cf. Theol. Moralis sec. S. Alfonsi de Ligorio, autore Jos. Aertnys, C. SS. R., de V praecepto c. II).

Confesso que gostaria muitíssimo de não tratar deste assunto, mas a ausência de Deus nos corações levou a humanidade (e nimiamente em nossa querida Pátria) à barbárie para não dizer à ferocidade monstruosa. Se estivéssemos nos primeiros séculos do Cristianismo, quando os cristãos viviam como se fossem um só coração e uma só alma, sem sombra de dúvida,  não se faria mister tratar deste assunto. Temos que trabalhar com todas as forças para banir de nossa Pátria o Comunismo e sua ideologia ateia e materialista e aí sim, logo reconstruir a civilização cristã. Amém!

PS.: Pediram-me que explicasse melhor este assunto e, se porventura, ainda resta alguma dúvida, peço a caridade de me solicitar maior explanação. Obrigado!