domingo, 27 de setembro de 2020

NOVENA A SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

ORAÇÃO PARA TODOS OS DIAS DA NOVENA: Ó Santa Teresinha, branca e mimosa flor de Jesus e de Maria, que embalsamais o Carmelo e o mundo inteiro com o vosso suave perfume, atraí-nos e convosco correremos em seguimento de Jesus, nosso Deus e único Bem, pelo caminho da renúncia, do amor e do abandono. Fazei-nos simples e dóceis, humildes e confiantes para com nosso Pai do Céu. Ah! não permitais que O ofendamos pelo pecado, que O contristemos pela desconfiança. Assisti-nos em todos os perigos e necessidades, socorrei-nos em todas as aflições e alcançai-nos todas as graças espirituais e temporais, particularmente...

Lembrai-vos. ó Santa Teresinha do Menino Jesus, que prometestes passar o vosso Céu fazendo bem sobre a terra, sem descanso, até ver completo o número dos eleitos.

Ah! cumpri em nós vossa promessa: sede nosso anjo protetor na travessia desta vida e não descanseis até que nos vejais no Céu, cantando ao vosso lado eternamente as ternuras do amor misericordioso do Coração de Jesus e do Coração de Maria. Assim seja!

SÉTIMO DIA

ORAÇÃO PARA O 7º DIA: Eterno Pai, Vós coroais no Céu todos aqueles que Vos serviram na terra com a simplicidade das crianças. Lembrai-Vos, pois, nós vo-lo pedimos instantemente, da simplicidade  com que Vos serviu na terra a vossa serva Santa Teresinha do Menino Jesus. Ela estava certa de que Vós, um dia, havíeis de dar o vosso Reino celestial àqueles que Vos servissem na terra com o coração simples de uma criança inocente. 

Ó dulcíssimo Jesus, dai-nos a virtude da simplicidade. Fazei que, no cumprimento dos nossos deveres de estado de cada dia,  procuremos somente Vos agradar. Concedei-nos esta bela e sublime simplicidade, o primeiro dos vossos dons no pequeno caminho da infância espiritual ensinado pelo vossa querida filha Santa Teresinha. Pelas nossas inumeráveis culpas, temos merecido ser privados para sempre deste dom encantador. Mas, Senhor, Vós no-lo podeis restituir, Vós o desejais e, se nós não pusermos obstáculo, esperamos recuperá-lo, e assim podereis receber de nós o tributo de louvor, que só é perfeito na boca das crianças.

Ó minha querida Santa Teresinha, vós que iluminada pelo Espírito Santo, soubestes aprender de Jesus, o caminho mais curto e seguro do Céu que é 'A INFÂNCIA ESPIRITUAL", obtende-me de Jesus Cristo esta graça de me converter e praticar a simplicidade das crianças e, assim, poder, um dia, entrar no Reino do Céu. Amém!

JACULATÓRIA: Santa Teresinha, mestra da santa simplicidade das crianças! Rogai por nós!

OREMOS: Senhor Jesus Cristo, Esposo e amante das almas puras, as quais distinguis com coroa especialíssima: concedei-nos por intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus, a graça de segui-la aqui na terra, amando-Vos com todo o nosso coração, para que com ela recebamos o prêmio da eterna recompensa. Vós que viveis e reinais, pelos séculos dos séculos. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.

LEITURA PARA O 7º DIA

SANTA TERESINHA E A VIRTUDE DA SIMPLICIDADE

A simplicidade é o primeiro encanto que verificamos nas criancinhas. E, assim,  é uma das virtudes características do "Pequeno Caminho da Infância Espiritual".

     A palavra SIMPLES, em Teologia Dogmática, significa o que não tem composição.

   Deus é o Ser simples por excelência; pois é "Aquele que é" (= Javé). Simplicidade em Deus, quer dizer ausência total de composição, de tal modo que em Deus a Existência identifica-se com a Essência. Por isso, Deus é a Verdade, Deus é o Ser Imutável, Necessário, Deus é a própria Perfeição. O Anjo é a criatura mais perfeita que Deus criou, porque é a mais simples, ou seja, é só espírito, não tem composição de matéria. A única composição que tem, é a da existência e da essência (porque esta simplicidade é exclusiva de Deus). Depois vem o Homem, bem mais imperfeito que o Anjo, porque além da composição da existência e essência, tem  a composição do espírito (=alma) e da matéria (= corpo).

  SIMPLES, em Teologia Ascética e Mística, significa o que, na vida espiritual, não é artificial, nem complicado e nem múltiplo. Assim é a "Infância Espiritual" de Santa Teresinha. Aí não vemos métodos rígidos na meditação (aliás o método carmelitano de meditação já era o mais simples) e nos exames de consciência; nem muitos livros de leitura (bastam a Sagrada Escritura e a Imitação de Cristo). Não há nada de requintado e sim fazer as coisas ordinárias de cada dia, mas fazê-las com um amor extraordinário. A alma não precisa estar preocupada em ficar contando os seus atos (basta fazer tudo por amor a Jesus). Santa Teresinha também ensinou que a santidade não está na multiplicação das práticas de piedade. Disse: "A santidade não está em tal ou tal prática; ela consiste numa disposição do coração que nos torna humildes e pequenos nas mãos de Deus" (Novissima Verba, pág. 112 e 113). E também podemos acrescentar que Santa Teresinha não fazia consistir a santidade em coisas extraordinárias, mas sim ter um grande amor em fazer as pequenas coisas só para agradar a Jesus.

Infelizmente, muitos autores espirituais insistem demasiado nos trabalhos e esforços pessoais e levam as pessoas a tomarem muitas resoluções e acabam complicando a santidade. Daí esses processos complicados na meditação, para a prática de cada virtude com graus indefinidamente multiplicados, com divisões e subdivisões sem fim. Santa Teresinha, porém, simplifica tudo.

Tudo que é de Deus é simples. Por exemplo, a Sagrada Escritura é a Palavra de Deus, porque inspirada pelo Espírito Santo. Santa Teresinha dizia: "As almas simples não têm meios complicados, e eu sou deste número" (História de Uma Alma, c. X). Em uma de suas cartas diz: "Por vezes, quando leio certos tratados em que a devoção é apresentada através de mil obstáculos cansa-me depressa; fecho o erudito livro que me quebra a cabeça e torna árido meu coração e tomo a Sagrada Escritura. Então, tudo se torna luminoso... a perfeição parece-me fácil". Além da Bíblia, ela lia o livro da Imitação de Cristo. E no Livro primeiro, c. III Santa Teresinha leu: "Ó Deus de verdade! fazei-me um só convosco em caridade perpétua! Enfastia-me muitas vezes ouvir e ler muitas coisas: em Vós acho quanto quero e desejo". No cap. V: "Nas Santas Escrituras há de buscar-se a verdade e não a eloqüência". Antes da conversão, eis o que disse Santo Agostinho: "O que senti, quando tomei nas mãos aquele livro (A Sagrada Escritura), não foi o que acabo de dizer, senão que me pareceu indigno compará-lo à elegância ciceroniana. A sua simplicidade repugnava ao meu orgulho e a luz da minha inteligência não lhe penetrava no íntimo" (Confissões). Uma vez convertido, porém, a Sagrada Escritura constituía o alimento e as delícias de sua inteligência.

   A santidade consiste em aproximar-se da perfeição de Deus: "Sede perfeitos como vosso Pai do Céu é perfeito" (Mt V, 48). Então assim, o homem aproxima-se de Deus,  pela simplicidade. A oração é o grande meio de santificação e de salvação. Daí, ser ela o termômetro da santidade. No início, a oração é mais complicada (é a meditação discursiva) mas, à medida que a alma vai progredindo na vida espiritual, sua oração vai-se tornando mais simples, até chegar a oração bem simples, chamada por isso mesmo por Bossuet, de oração de simplicidade.

    Como a criancinha é inocente, naturalmente é mais simples do que um menino ou um adulto.  A criancinha não tem subterfúgios, não tem vaidades e não se preocupa consigo, não tem fingimentos e disfarces, não muda como os camaleões, não tem malícia. Por todas estas coisas, ela tem paz e é alegre com aquela alegria que brota  espontânea do fundo de sua alma inocente.   Estas qualidades naturais das criancinhas, os adultos devem transformar em virtudes sobrenaturais. É justamente este o "Pequeno Caminho da Infância Espiritual" ensinado por Santa Teresinha do Menino Jesus. A alma deve despojar-se da prudência humana e procurar se revestir da prudência de Deus. Nunca agir pelas luzes próprias;  em todas as ações, nunca consultar o próprio espírito ou o do mundo, mas em tudo deve pedir as luzes do Espírito Santo, e ser dócil a elas. Não ter respeito humano, muito menos malícia. A alma na Infância espiritual é sincera nas confissões e com o seu diretor espiritual. Sua alma é-lhe um espelho límpido. Não guarda nenhuma reserva para com ele, pois sabe que o diretor está no lugar de Jesus: "Quem vos ouve, a Mim ouve". A alma na Infância Espiritual, não pensa em si, nem procura aparecer. Tudo nela é verdadeiro. Por isso não tem vaidades e não se preocupa demasiadamente com o seu exterior. Não procura parecer diferente do que é, nem esconde os seus defeitos. O seu recolhimento não é forçado. As ações, as maneiras, as palavras, tudo é natural. Donde, não fica perturbada, está sempre em paz e alegre. Quando acontece cair, levanta-se imediatamente e não desanima, mas tira proveito das próprias faltas, sendo mais humilde e ama mais a Jesus.

     Daí, uma pessoa santa, é o perfume de Jesus Cristo. Sua caridade, simplicidade,  mansidão e humildade atraem as pessoas para Deus. É o que constatamos ao lermos a vida dos santos. Amém!

   

sábado, 26 de setembro de 2020

NOVENA A SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

 SEXTO DIA

ORAÇÃO PARA TODOS OS DIAS DA NOVENA: Ó Santa Teresinha, branca e mimosa flor de Jesus e de Maria, que embalsamais o Carmelo e o mundo inteiro com o vosso suave perfume, atraí-nos e convosco correremos em seguimento de Jesus, nosso Deus e único Bem, pelo caminho da renúncia, do amor e do abandono. Fazei-nos simples e dóceis, humildes e confiantes para com nosso Pai do Céu. Ah! não permitais que O ofendamos pelo pecado, que O contristemos pela desconfiança. Assisti-nos em todos os perigos e necessidades, socorrei-nos em todas as aflições e alcançai-nos todas as graças espirituais e temporais, particularmente...

Lembrai-vos. ó Santa Teresinha do Menino Jesus, que prometestes passar o vosso Céu fazendo bem sobre a terra, sem descanso, até ver completo o número dos eleitos.

Ah! cumpri em nós vossa promessa: sede nosso anjo protetor na travessia desta vida e não descanseis até que nos vejais no Céu, cantando ao vosso lado eternamente as ternuras do amor misericordioso do Coração de Jesus e do Coração de Maria. Assim seja!

ORAÇÃO PARA O 6º DIA: Divino Jesus, Filho Eterno do Eterno Pai, nas Bodas de Caná, ao antecipar a vossa hora de fazer milagres, quisestes deixar bem claro o poder de intercessão de vossa Mãe junto ao vosso Coração; e no alto da Cruz, ao dizer a S. João Evangelista: "Eis aí a tua mãe", demonstrastes também claramente, que queríeis, na pessoa do discípulo predileto, dar-nos , Maria por nossa Mãe. Ó Redentor do mundo, feito de uma Mulher bendita entre as demais mulheres, aclamada bem-aventurada por todas as gerações, lembrai-Vos  daquela terna devoção que  Santa Teresinha demonstrava  a Virgem Maria, e concedei-nos que tenhamos igualmente uma verdadeira e terna devoção a Vossa Mãe Santíssima.

E agora Santa Teresinha do Menino Jesus, mais uma vez a vós nos dirigimos, com grande confiança, implorando-vos esta graça: uma terna e verdadeira devoção a Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus. Compreendendo que não se pode amar a Jesus sem  amar também a sua Mãe, tínheis à Virgem Santíssima um verdadeiro amor filial e quisestes ser, desde a infância, a "florinha da Mãe de Deus", florescendo e espalhando o vosso perfume só para ela e para Jesus.

Ó Santa Teresinha, fazei vossa, a minha aflição: dizei por mim uma palavra àquela Virgem Imaculada que vos sorriu na manhã da vida, curando-vos de uma doença estranha.   Consegui que também nós cresçamos dia a dia no amor a Bendita Mãe de Deus, para que por Ela cheguemos a Jesus, e por Jesus e Maria alcancemos a felicidade do Céu. Amém!

JACULATÓRIA: Santa Teresinha, dedicada filha de Maria!  Rogai por nós!

OREMOS: Senhor Jesus Cristo, Esposo e amante das almas puras, as quais distinguis com coroa especialíssima: concedei-nos por intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus, a graça de segui-la aqui na terra, amando-Vos com todo o nosso coração, para que com ela recebamos o prêmio da eterna recompensa. Vós que viveis e reinais, pelos séculos dos séculos. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.

LEITURA PARA O 6º DIA

SANTA TERESINHA E A DEVOÇÃO A MARIA SANTÍSSIMA

Teresa, aos dez anos de idade, foi acometida de um doença estranha. É impressionante como ela na Autobiografia (História de Uma Alma), no fim do capítulo terceiro afirma: "A doença que me atingira provinha certamente do demônio". E Santa Teresinha afirma, sem a menor sombra de dúvida, que foi a Virgem Maria que a curou:

"Estávamos no belo mês de maio. Toda a natureza se guarnecia de flores e trescalava de alegria. Só a "florzinha" enlanguescia e parecia murchar para sempre... Entretanto tinha junto de si um Sol. Esse Sol era a "imagem milagrosa da Santíssima Virgem que, por duas vezes tinha falado à Mamãe. Amiúde, sim, bem amiúde, a florzinha pendia sua corola em direção do Astro bendito... Certo dia, vi quando Papai entrou no quarto de Maria, onde eu estava acamada. Deu-lhe, com expressão de grande tristeza, várias moedas de ouro, dizendo-lhe escrevesse para Paris, mandando celebrar missas em honra de Nossa Senhora das Vitórias, para curar sua pobre filhinha. Oh! como me comoveu ver a fé e o amor do meu querido Rei!... Para minha cura se fazia mister um milagre e foi Nossa Senhora das Vitórias que o fez. Num domingo (durante a novena das missas), Maria [sua irmã] saiu para o jardim, e deixou-me com Leônia, que lia perto da janela. Ao cabo de alguns minutos, pus-me a chamar quase que à surdina: "Mamã... Mamã"... Habituada a ouvir-me sempre chamar assim, Leônia não me deu atenção. Isso durou muito tempo. Então chamei mais forte, e por fim Maria voltou. Vi perfeitamente quando entrou, mas não conseguia dizer que a reconhecia, continuando a chamar cada vez mais forte: "Mamã". Padecia muito com a luta violenta e inexplicável, e Maria talvez sofresse mais do que eu. Após baldados esforços para me mostrar que estava junto de mim, pôs-se de joelhos perto de minha cama, com Leônia e Celina. Voltando-se depois para a Santíssima Virgem, e rezando-lhe com o fervor de uma mãe que pede pela vida de sua filha, Maria alcançou o que desejava... Por não encontrar nenhuma ajuda na terra, a coitada da Teresinha também se voltara para sua Mãe do Céu, suplicando-lhe de todo o coração, tivesse enfim piedade dela... De repente, a Santíssima Virgem me pareceu bela, tão bela, como nunca tinha visto nada tão formoso. O rosto irradiava inefável bondade e ternura, mas o que me calou no fundo da alma foi o "empolgante sorriso da Santíssima Virgem". Nesta altura, desvaneceram-se todos os meus sofrimentos. Das pálpebras me saltaram duas grossas lágrimas e deslizaram silenciosas sobre as faces. Eram lágrimas de uma alegria sem inquietação... Oh! pensei comigo, a Santíssima Virgem sorriu para mim, como sou feliz... Baixei os olhos e enxerguei Maria... Parecia emocionada e dava impressão de suspeitar o favor que a Santíssima Virgem me concedera...Realmente, a florzinha ia renascer para a vida, o Raio luminoso que a reanimara não pararia suas benemerências. Não atuou de uma só vez, mas de modo manso e agradável foi levantando e revigorando sua flor, de tal sorte que cinco anos depois ela desabrocharia na montanha do Carmelo.

No dia de sua primeira comunhão, Teresinha  fez sua consagração como Filha de Maria. Eis suas palavras: "Na parte da tarde, fui eu quem recitou o ato de consagração à Santíssima Virgem. Era muito justo que, em nome de minhas companheiras, falasse à minha Mãe do Céu, eu que tão cedo me privara de minha Mãe da terra. De todo o coração me pus a falar-lhe, a consagrar-me a ela, como filha que se lança aos braços da Mãe, pedindo-lhe velar sobre ela. Parece-me que a Santíssima Virgem terá olhado para sua florzinha e ter-lhe-á sorrido, pois não foi ela quem a curara com visível sorriso?... Não foi ela que no cálice de sua florzinha depositara seu Jesus, a Flor dos Campos, o Lírio do Vale? (Ct II, 1).

Eis o que  Sóror Genoveva da S. Face (Celina) diz no livro "CONSELHOS E LEMBRANÇAS: "A estátua da Santíssima Virgem que se tinha animado para lhe sorrir, quando da sua cura milagrosa, era seu consolo. Quando da minha entrada no Carmelo se trouxe esta estátua, Sóror Teresa do Menino Jesus dirigiu-se para a porta do convento para a receber e, segurando-a com um movimento rápido, apertando-a com amor, levou-a com a mesma facilidade com que se levanta uma pena, se bem que ela fosse muito pesada. As irmãs presentes ficaram surpreendidas e edificadas. Muitas vezes, depois, vi-a ajoelhar-se a seus pés e rezar-lhe com grande fervor. Durante a sua última doença, colocaram-na diante do seu leito. Sem cessar os seus olhos se voltavam para ela.

Teresa gostava de distribuir medalhas da Santíssima Virgem não duvidando da eficácia delas. No mundo, pregara-as ao peito de duas moças pobres que ela ensinava; e persuadira uma jornaleira incrédula a usar a que ela lhe oferecia.

Na sua primeira comunhão, tomou a resolução de recitar todos os dias um "Lembrai-vos" e, assim, o fez durante toda a sua vida. Rezava o Terço todos os dias; mas estas práticas exteriores eram um pálido reflexo da sua intimidade com a sua Mãe querida a quem ela chamava "Mamã.

Achava que todas as conversões deviam ser obtidas pela invocação de Maria e recomendava  à Santíssima Virgem todas as suas intenções. Antes de iniciar os seus trabalhos, rezava uma Ave-Maria.

Já estava muito doente quando compôs o seu cântico: "Porque te amo, ó Maria". Neste cântico pôs todo o seu coração". Amém!

 

NOVENA A SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS


QUINTO DIA

ORAÇÃO PARA TODOS OS DIAS DA NOVENA: Ó Santa Teresinha, branca e mimosa flor de Jesus e de Maria, que embalsamais o Carmelo e o mundo inteiro com o vosso suave perfume, atraí-nos e convosco correremos em seguimento de Jesus, nosso Deus e único Bem, pelo caminho da renúncia, do amor e do abandono. Fazei-nos simples e dóceis, humildes e confiantes para com nosso Pai do Céu. Ah! não permitais que O ofendamos pelo pecado, que O contristemos pela desconfiança. Assisti-nos em todos os perigos e necessidades, socorrei-nos em todas as aflições e alcançai-nos todas as graças espirituais e temporais, particularmente...

Lembrai-vos. ó Santa Teresinha do Menino Jesus, que prometestes passar o vosso Céu fazendo bem sobre a terra, sem descanso, até ver completo o número dos eleitos.

Ah! cumpri em nós vossa promessa: sede nosso anjo protetor na travessia desta vida e não descanseis até que nos vejais no Céu, cantando ao vosso lado eternamente as ternuras do amor misericordioso do Coração de Jesus e do Coração de Maria. Amém!

ORAÇÃO PARA O 5º DIA: Ó meu dulcíssimo Jesus, que Vos dignastes instituir a Santíssima Eucaristia, para serdes Vós mesmo o alimento de nossa alma, o maná para fortificar-nos na travessia do deserto desta vida, rumo à Pátria Celeste. Tomar em alimento o Vosso Corpo e beber o Vosso Sangue, ó Jesus, é penhor de ressurreição e de vida eterna. Lembrai-Vos, ó Jesus Eucarístico, de vossa serva Santa Teresinha do Menino Jesus, que tanto Vos amou no Santíssimo Sacramento do Altar, e alcançai-nos por sua intercessão, uma grande devoção eucarística.

Ó querida Santa Teresinha do Menino Jesus, imploramos-vos, com grande confiança a graça de um ardente e profundo amor a Jesus Sacramentado. Como éreis feliz quando recebíeis Jesus na santa Comunhão! Que felicidade não experimentáveis também adorando o Santíssimo Sacramento! Ó Santa Teresinha, consegui que também nós cresçamos dia a dia no amor a Jesus Sacramentado e assim alcancemos a felicidade do Céu. Amém!

JACULATÓRIA:  Santa Teresinha do Menino Jesus, humilde adoradora do Santíssimo Sacramento! Rogai por nós!

OREMOS: Senhor Jesus Cristo, Esposo e amante das almas puras, as quais distinguis com coroa especialíssima: concedei-nos por intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus, a graça de segui-la aqui na terra, amando-Vos com todo o nosso coração, para que com ela recebamos o prêmio da eterna recompensa. Vós que viveis e reinais, pelos séculos dos séculos. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.

LEITURA PARA O 5º DIA

SANTA TERESINHA E O AMOR À SANTÍSSIMA EUCARISTIA

Ouçamos a própria Santa falando sobre a sua Primeira Comunhão: "A época de minha primeira comunhão ficou gravada no coração como uma lembrança sem penumbras... Queria Jesus fazer-me gozar de uma alegria tão perfeita, quanto possível neste vale de lágrimas... Praticava diariamente grande número de piedosos exercícios, que constituíam outras tantas flores. Fazia um número maior ainda de jaculatórias... e tais atos de amor formavam os botões de flores...

Nesta época, ninguém ainda me ensinara o modo de fazer oração (=meditação). Um dia, uma das minhas mestras da Abadia me perguntou o que fazia nos dias de folga, quando estava sozinha. Respondi-lhe: "Penso no bom Deus, na vida... na ETERNIDADE, afinal penso"... Compreendo agora que, sem o saber fazia oração, e que o Bom Deus já me instruía em segredo...

Depressa se passaram os três meses de preparação. Tive logo que entrar em retiro [na Abadia]. Na véspera do grande dia, recebi a absolvição sacramental pela segunda vez. A confissão geral deixou-me grande paz na alma, e o Bom Deus não permitiu que a mais leve dúvida a perturbasse. No correr da tarde, pedi perdão a todos da família que vieram visitar-me, mas não conseguia falar senão através de minhas lágrimas. Estava por demais comovida...

Raiou, enfim, o "mais belo de todos os dias". Quão inefáveis não são as recordações que na alma me deixaram as mínimas circunstâncias desse dia de céu!...Acima de tudo, a entrada na Capela e a entoação matinal do lindo cântico: Ó Santo Altar, que de Anjos sois rodeado!"... Existem pensamentos da alma que se não podem traduzir em linguagem terrena, sem perderem o sentido autêntico e celestial.... E como foi afetuoso o primeiro ósculo de Jesus à minha alma!... Foi um ósculo de amor. Sentia-me amada, e de minha parte dizia: "Amo-Vos, entrego-me a Vós para sempre". Não houve pedidos, nem lutas, nem sacrifícios. Desde muito, Jesus e a pobre Teresinha se tinham olhado e compreendido. Naquele dia, porém, já não era um olhar, era uma fusão. Já não eram dois, Teresa desaparecera como a gota de água que se perde no seio do oceano. Ficava só Jesus, era Ele , o Senhor, o Rei... [Teresa] Não tardou em debulhar-se em deliciosas lágrimas, com grande espanto das colegas que, mais tarde, diziam entre si: "Por que será que chorou? Sentiria algo que a acabrunhasse?... Não será, antes, por não ver junto a si a própria mãe ou a irmã, que é carmelita, a quem tanto ama?"  ---- Não compreendiam que, ao descer a um coração toda a alegria do céu, este coração exilado não podia suportá-la, sem derramar lágrimas... Oh! não, a ausência de Mamãe não me contristava no dia de minha primeira comunhão. Não estava o céu dentro de mim, e nele não tinha Mamãe desde muito tomado lugar? Desta forma, quando recebi a visita de Jesus, recebi também a de minha querida Mãe, que me abençoava e se regozijava com minha felicidade... Não chorava, outrossim, a ausência de Paulina. Sem dúvida alguma, ficaria contente se a visse ao meu lado, mas desde muito meu sacrifício estava aceito. Nesse dia [em que também Paulina fazia sua Profissão no Carmelo], meu coração se encheu só de alegria. Uni-me a ela, que irrevogavelmente se dava Àquele que tão amorosamente se dava a mim!.

O dia que se seguiu à minha primeira comunhão foi ainda um dia bonito, mas repassado de melancolia. Toda a linda roupa que Maria me tinha comprado, todos os presentes recebidos, não me enchiam o coração. Não havia senão Jesus que pudesse contentar-me. Anelava pelo momento em que me fosse dado recebê-Lo pela segunda vez.

[Após um mês, conseguiu licença para comungar novamente]. "Que doce recordação não guardei da segunda visita de Jesus! Desta vez ainda, corriam minhas lágrimas com inefável doçura. Sem cessar repetia a mim mesma as palavras de S. Paulo: 'Já não sou eu que vivo, Jesus é quem vive em mim'... (Gl II, 20). A partir dessa Comunhão, meu desejo de receber o Bom Deus tornou-se cada vez maior; obtive permissão de fazê-lo em todas as festas principais...

Ouçamos agora sua irmã Sóror Genoveva da S. Face (Celina): "A santa Missa e o Banquete eucarístico faziam as suas delícias. Não principiava nada de importante sem pedir que se celebrasse o Santo Sacrifício por essa intenção. Quando a nossa tia lhe dava dinheiro pelas suas festas e aniversários, no Carmelo, ela pedia sempre licença para mandar celebrar missas e dizia-me às vezes baixinho: "É pelo meu filho (Pranzini = um condenado à morte de quem tinha conseguido a conversão), é bem preciso que eu venha em sua ajuda agora!"... Ela teria desejado muito comungar todos os dias, mas não o permitindo o costume [só depois é q. S Pio X, vai autorizar a comunhão frequente] foi um dos seus maiores sofrimentos no Carmelo. Rezava a S. José para se obter uma mudança neste costume.

O seu amor para com a Sagrada Eucaristia levou-a a desempenhar-se com muito fervor o cargo de sacristã. A sua felicidade era completa quando ficava na patena ou no corporal alguma parcela da santa Hóstia... Contou-me a sua felicidade, quando uma vez, no momento da comunhão, tendo caído a santa Hóstia das mãos do sacerdote ela estendeu o seu escapulário para a receber: considerava ter tido assim o mesmo privilégio que a Santíssima Virgem, visto que levava o Menino Jesus nos seus braços.

Ao preparar os Vasos sagrados para a Santa Missa, gostava, dizia ela, de se mirar no cálice e na patena; parecia-lhe que tendo o ouro refletido a sua imagem, era sobre ela que repousavam as espécies divinas.

Com que devoção ela compôs e pintou um fresco à volta do tabernáculo do Oratório! É um verdadeiro monumento de obediência, porque não conhecia o desenho a fundo, e de maneira nenhuma a pintura e era preciso fazer este trabalho, subida a uma escada, e com uma iluminação tão insuficiente que um artista experimentado dificilmente teria conseguido fazê-lo. Contudo ela acabou com felicidade este trabalho e os anjinhos que ela nos deixou têm uma expressão infantil e celeste ao mesmo tempo.

Uma tribulação e novo gênero ia ferir as vibras mais delicadas do coração de Teresinha: De 16 de Agosto a 30 de setembro (dia da morte) as contínuas ameaças de hemoptise não lhe permitiram que tornasse a comungar.Quantas vezes, em pleno inverno, depois de noites de cruéis sofrimentos, as irmãs tinham-na visto voar logo ao romper da alva para junto da Sagrada Mesa! Mas antes de ser privada do celeste Alimento, visitou-a Nosso Senhor amiudadas vezes no seu leito de dor. Foi de um modo particular enternecedora a cena que se passou na comunhão de 16 de julho, festa de Nossa Senhora do Carmo. Compusera ela durante a noite a seguinte estrofe para ser cantada ao outro  dia: "Sabeis, Senhor, minha vileza extrema, E horror não tendes de até mim descer?! Hóstia divina, aspiração suprema, Vinde à minh'alma, que abraçar-Vos quer, Se eu neste abraço, meu Jesus, pudesse Morrer de puro amor! Ouvi, meu Deus, a minha ardente prece: Oh! vinde a mim, Senhor! Amém!

 

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

NOVENA A SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

 QUARTO DIA

ORAÇÃO PARA TODOS OS DIAS DA NOVENA: Ó Santa Teresinha, branca e mimosa flor de Jesus e de Maria, que embalsamais o Carmelo e o mundo inteiro com o vosso suave perfume, atraí-nos e convosco correremos em seguimento de Jesus, nosso Deus e único Bem, pelo caminho da renúncia, do amor e do abandono. Fazei-nos simples e dóceis, humildes e confiantes para com nosso Pai do Céu. Ah! não permitais que O ofendamos pelo pecado, que O contristemos pela desconfiança. Assisti-nos em todos os perigos e necessidades, socorrei-nos em todas as aflições e alcançai-nos todas as graças espirituais e temporais, particularmente...

Lembrai-vos. ó Santa Teresinha do Menino Jesus, que prometestes passar o vosso Céu fazendo bem sobre a terra, sem descanso, até ver completo o número dos eleitos.

Ah! cumpri em nós vossa promessa: sede nosso anjo protetor na travessia desta vida e não descanseis até que nos vejais no Céu, cantando ao vosso lado eternamente as ternuras do amor misericordioso do Coração de Jesus e do Coração de Maria. Amém!

ORAÇÃO PARA O 4º DIA: Ó meu Salvador Crucificado, Vós nos mostrastes, pela vossa dolorosa morte na cruz, o caminho que devemos trilhar para chegarmos à Jerusalém Celeste: o régio caminho da cruz. Lembrai-Vos, ó Cordeiro imaculado, de vossa serva Santa Teresinha, que tanto sofreu aqui na terra, e alcançai-nos pela sua intercessão, a graça de não fugirmos dos sofrimentos desta vida, mas de os abraçarmos com amor, para que possamos um dia gozar os esplendores da glória eterna.

Ó querida Santa Teresinha, o sofrimento devia ser vosso companheiro, porque éreis amada por Deus; e porque O amáveis também verdadeiramente, abraçastes a cruz dizendo:  " A cruz foi desde o berço a minha herança, mas Jesus me ensina a amá-la apaixonadamente". Eia , pois, amável Santinha, afastai de nós o medo da cruz: transformai o nosso tímido coração em um coração forte e generoso, para que sejamos dignos imitadores de Jesus, louvando o Senhor em todas as adversidades e sofrimentos, e, pelo sofrimento e tribulação, entremos na bem-aventurada eternidade. Amém!

JACULATÓRIA: Santa Teresinha, mártir do amor de Deus! Rogai por nós!

OREMOS: Senhor Jesus Cristo, Esposo e amante das almas puras, as quais distinguis com coroa especialíssima: concedei-nos por intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus, a graça de segui-la aqui na terra, amando-Vos com todo o nosso coração, para que com ela recebamos o prêmio da eterna recompensa. Vós que viveis e reinais, pelos séculos dos séculos. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.

LEITURA PARA O 4º DIA

SANTA TERESINHA E O AMOR À CRUZ

"O sofrimento físico e moral, escreve Celina, é na nossa Santa, o resultado da sua cooperação voluntária na Paixão de Cristo, cooperação implicada, muito evidentemente, no seu Ato de Oferenda, segundo a própria medida da vontade do Senhor"

Em Julho de 1887, a própria Santa manifestou à sua irmã Celina (Sóror Genoveva da S. Face) que, desde os 14 anos que ela tinha desejo de sofrimentos para salvar almas pela cruz. E em 09/06/1895, no apogeu de sua vida espiritual, ofereceu-se como vítima ao Amor misericordioso para aliviar este Amor como que desconhecido dos homens e tão facilmente rejeitado por eles. Trazia escrito em seu coração este pedido de amor heroico: "Meu Jesus, dai-me a graça de  morrer mártir por Vós. Dai-me o martírio do coração ou do corpo. Mais ainda, Jesus: dai-me um e outro".

"No seu leito de moribunda, escreve Celina, ouvi minha santa Irmãzinha afirmar: 'Felizmente que não pedi o sofrimento, porque se o tivesse pedido seria o meu sofrimento e teria receio de não ter a força suficiente para o suportar'. Assim ela não confundia os seus desejos de toda a sua vida com um pedido formal que a teria ligado irrevogavelmente. Vê-se logo a diferença: A alma que se oferece ao Amor não pede o sofrimento, mas, ao entregar-se inteiramente aos desígnios do Amor, aceita tudo o que a Providência permitir para ela de alegrias, de trabalhos e de provas, e conta com a Infinita Misericórdia para levar alegremente e santificar o fardo... Mergulhada num abismo de ásperos sofrimentos para a alma e para o corpo, Teresa pronunciou estas palavras: "NÃO POSSO EXPLICAR A MIM MESMA ISSO, SENÃO PELOS DESEJOS ARDENTES QUE TIVE DE SALVAR ALMAS".

Santa Teresinha, por um ano e meio, sofreu a escuridão da "NOITE DO ESPÍRITO" de que falara S. João da Cruz. Eis um pouco como a própria Santa o revela à Madre M. Gonzaga:

"Querida Madre, bem o sabeis, o Bom Deus foi servido de fazer minha alma passar por muitas espécies de provações. Muito sofri desde que estou na terra. Entretanto, se na infância sofri com tristeza, já não é assim que sofro agora. É na alegria e na paz. Sou verdadeiramente feliz em sofrer... Ah! se a provação que padeço, de um ano para cá, se manifestasse aos olhares, que espanto provocaria!...

Sóror Teresa, tendo vomitado sangue, sentiu alegria por sentir que estava prestes a ir ver a Jesus no Céu. Mas Deus quis antes purificá-la inteiramente para o 'matrimônio espiritual', para a consumação na santidade. Eis como:

"Jesus deu-me a conhecer que realmente existem almas que não têm fé, e que por abuso de graças perdem esse precioso tesouro (...) Permitiu que minha alma fosse invadida pelas mais densas trevas, e que o pensamento do Céu, tão doce para mim, já não fosse senão motivo de luta e tormento... Quisera externar o que sinto, mas infelizmente julgo ser impossível. É preciso passar por esse lúgubre túnel para ter uma ideia de sua escuridão. (...) De repente os nevoeiros que me cercam ficam mais densos, penetram-me na alma, envolvem-na de tal modo que já me não é possível nela reconhecer a imagem tão doce de minha Pátria. Lá se foi tudo! Quando quero repousar meu coração, fatigado das trevas que o rodeiam, com a evocação do país luminoso, pelo qual aspiro, meu tormento redobra. Parece-me que as trevas, tomando a voz dos pecadores, me dizem escarnecendo-se de mim: --- "Sonhas com a luz, uma pátria embalsamada dos mais suaves perfumes. Sonhas com a posse eterna do Criador de todas essas maravilhas. Crês que um dia sairás dos nevoeiros que te cercam! Avante, avante! Alegra-te com a morte. Ela dar-te-á não o que esperas, mas uma noite mais profunda ainda, a noite do nada". 

São as terríveis tentações contra a fé e a esperança. Mas o importante é que a CARIDADE, não só continua, mas ainda cresce ao máximo desejado por Deus nesta alma generosa:

"Jesus sabe, que eu, embora não esteja EM GOZO DA FÉ, procuro pelo menos praticar as obras correspondentes. Acho que, de um ano para cá, fiz mais atos de fé do que em toda a minha vida. A cada nova ocasião de combate, quando o inimigo [por permissão de Deus] vem provocar-me, comporto-me com valentia... Corro, entretanto, para o lado de Jesus, digo-Lhe que estou disposta a derramar até a derradeira gota de sangue para professar que existe um Céu. Declaro-Lhe que sou feliz de não gozar o belo Céu na terra, a fim de que Ele o possa abrir aos incrédulos por toda a eternidade. Nestes termos, não obstante a provação que me tira todo gozo, posso, contudo, exclamar: "Senhor, ALEGRAIS-ME sobremaneira por TODAS as vossas ações" (Sal. XCI, 5). Haverá, pois, maior alegria do que a de sofrer por vosso amor?... Quanto mais íntimo for o sofrimento, menos aparece aos olhos das criaturas, e mais Vos regozija, ó meu Deus! No entanto, se por absurdo, Vós mesmo desconhecêsseis meu sofrimento, ainda assim me sentiria feliz de tê-lo, se por meio dele eu pudesse impedir ou reparar uma única falta cometida contra a fé... (...) "Meu Deus, tudo aceito por vosso amor. Se o quiserdes, de bom grado quero sofrer ao ponto de morrer de tristeza... Em suma, meu céu estava toldado de nuvens... Só o fundo do coração se mantinha em paz e tranquilidade. (...) Desde muito já me não pertenço, entreguei-me inteiramente a Jesus. Cabe-Lhe, pois, a liberdade de fazer de mim o que Lhe aprouver. Incutiu-me a atração por um exílio completo". Amém!

 

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

NOVENA A SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

 TERCEIRO DIA 

ORAÇÃO PARA TODOS OS DIAS DA NOVENA: Ó Santa Teresinha, branca e mimosa flor de Jesus e de Maria, que embalsamais o Carmelo e o mundo inteiro com o vosso suave perfume, atraí-nos e convosco correremos em seguimento de Jesus, nosso Deus e único Bem, pelo caminho da renúncia, do amor e do abandono. Fazei-nos simples e dóceis, humildes e confiantes para com nosso Pai do Céu. Ah! não permitais que O ofendamos pelo pecado, que O contristemos pela desconfiança. Assisti-nos em todos os perigos e necessidades, socorrei-nos em todas as aflições e alcançai-nos todas as graças espirituais e temporais, particularmente...

Lembrai-vos. ó Santa Teresinha do Menino Jesus, que prometestes passar o vosso Céu fazendo bem sobre a terra, sem descanso, até ver completo o número dos eleitos.

Ah! cumpri em nós vossa promessa: sede nosso anjo protetor na travessia desta vida e não descanseis até que nos vejais no Céu, cantando ao vosso lado eternamente as ternuras do amor misericordioso do Coração de Jesus e do Coração de Maria. Amém!

ORAÇÃO PARA O 3º DIA: Deus, Espírito Santo Eterno, doador de todas as graças, que aperfeiçoastes com tão copiosas graças de amor a alma abençoada de Sóror Teresa do Menino Jesus, nós Vos rogamos que, atendendo ao zelo e fidelidade com que a grande Santa correspondia às vossas inspirações, sejais propício às súplicas que ela Vos faz por nós. Lembrai-Vos, Divino Espírito Santo, de que ela prometeu aos míseros mortais fazer cair do Céu uma chuva de rosas, e permiti que sejamos contemplados pelas graças dessa chuva bendita.

Ó Santa Teresinha do Menino Jesus, vós provastes claramente que a santidade não consiste na prática de ações extraordinárias nem de extraordinárias penitências, mas no simples e fiel cumprimento dos deveres, na fidelidade nas coisas pequenas, na prática silenciosa das modestas virtudes da vida cotidiana. Vinde, pois, em nosso auxílio, Santa Teresinha, para que também nós, pela fidelidade no cumprimento dos nossos deveres, por mais insignificantes que sejam, correspondamos às graças de Deus; vinde em nosso auxílio, ensinando-nos a suportarmos por amor de Deus os sacrifícios e contrariedades inerentes aos nossos de estado, para que cheguemos à perfeição e santidade que Deus espera de nós, e alcancemos, mais tarde, a eterna felicidade no Céu. Amém!

JACULATÓRIA: Santa Teresinha, mestra da fidelidade nas coisas pequenas! Rogai por nós!

OREMOS: Senhor Jesus Cristo, Esposo e amante das almas puras, as quais distinguis com coroa especialíssima: concedei-nos por intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus, a graça de segui-la aqui na terra, amando-Vos com todo o nosso coração, para que com ela recebamos o prêmio da eterna recompensa. Vós que viveis e reinais, pelos séculos dos séculos. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.

LEITURA PARA O 3º DIA

SANTA TERESINHA E O SEU PEQUENO CAMINHO DA INFÂNCIA ESPIRITUAL

   No seu leito de morte Santa Teresinha tivera a intuição de sua missão providencial, quando disse: "Sinto que vai começar a minha missão de fazer amar a Deus, como eu o amei, e de ensinar as almas o meu pequeno caminho". Era esta uma das chuvas de rosas que prometera fazer cair sobre a terra. Neste caminho, a um tempo, fácil e seguro de se chegar a santidade, o móbil é um amor imenso e ardente a Deus, tendo como base a humildade e a simplicidade das criancinhas, como alavanca ou elevador, o lançar-se com confiança nos braços de Jesus com a atenção nas pequenas coisas da vida quotidiana conformando-se em tudo com a vontade do Pai do Céu.

  Um sacerdote tentou convencer S. Pio X, de que na existência de Sóror Teresa do Menino Jesus, não havia nada de extraordinário, o papa respondeu-lhe: "O mais extraordinário desta alma é precisamente a sua extrema simplicidade... consulte a sua teologia". E o papa Bento XV não hesitou em dizer: "O segredo da perfeição está na infância espiritual". Pio XI, que beatificou e canonizou a Teresa do Menino Jesus, declarou: "Num tempo de costumes tão licenciosos e de tão desenfreado sensualismo, aparece esta "Flor" do Carmelo de Lisieux como uma visão encantadora de simplicidade e pureza, mostrando-nos toda a beleza e todas as graças daquela infância espiritual que o próprio Coração de Jesus, seu primeiro Admirador (porque não havemos de assim dizê-lo?) apontava como o verdadeiro caminho do Céu".  O cardeal Pacelli, que seria o sucessor de Pio XI com o nome de Pio XII, na inauguração da Basílica de Santa Teresinha em Lisieux, disse: "Santa Teresa do Menino Jesus tem uma missão, tem uma doutrina. Mas a sua doutrina, como toda a sua pessoa, é humilde e simples; reduz-se a estas duas palavras: Infância Espiritual, ou a estas duas equivalentes: "Pequeno Caminho".

   As palavras com que o profeta Isaías profetizou a missão de João Batista, podem, com as restrições devidas, ser aplicadas à "Sendazinha" percorrida e ensinada por Sóror Teresa do Menino Jesus: "Haverá uma senda e um caminho que se chamará santo e será para vós um caminho direito: por ele caminharão os simples sem perigo de se transviarem" (Isaías XXXV, 8). S. João Batista mostrou Jesus ao povo; Jesus disse de Si mesmo que Ele é o Caminho; e ensinou que para se entrar no céu, é preciso trilhar o caminho da humildade de uma criança.

   Afinal, onde Santa Teresinha encontrou este método seguro e fácil de santidade? No Divino Mestre, Nosso Senhor Jesus Cristo quando disse aos seus Apóstolos: "Quem se tornar humilde como uma criança, esse será o maior no reino do céu" (Mt. XVIII, 4); "Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o Reino do Céu" (Mt. XIX, 14).

   Celina, em religião Sóror Genoveva da S. Face, diz no seu livro CONSELHOS E LEMBRANÇAS que, se sua irmã Teresa do Menino Jesus (caso a tivesse conhecido), teria ficado encantada com esta oração de Bossuet: "Grande Deus!... que tornando-nos todos tão pequenos como crianças, como Jesus Cristo manda, possamos entrar uma vez por essa portinha (da simplicidade e humildade de criança) a fim de que em seguida possamos mostrá-la aos outros, mais segura e mais eficazmente". 

Infelizmente, muitos escritores espirituais, mostram caminhos muito complicados para se chegar a santidade. Geralmente, passam dos santos, a ideia de que são entes caídos do Céu e assim criam nas almas a ideia errada de que a santidade não é feita para todas as classes de pessoas. É um erro lastimável!

   Eis um caso que se deu com a própria sóror Teresa do Menino Jesus: Um padre pregou um retiro para as carmelitas de Lisieux. Santa Teresinha fez o retiro e no fim, com toda a candura,  ela disse ao pregador: "Sr. padre, eu gostaria de amar a Jesus igual Santa Teresa d'Ávila, e até mais do que ela". O padre repreendeu-a duramente: "Isto é orgulho e presunção! São desejos temerários!" Ela respondeu com a mesma candura: "Meu Pai, não pensava que fossem desejos temerários, pois Nosso Senhor disse: "Sede perfeitos como vosso Pai do Céu é perfeito".

      Transcrevo aqui algumas passagens do livro CONSELHOS E LEMBRANÇAS, referentes ao Pequeno Caminho da Infância Espiritual, vivido e ensinado por Santa Teresinha.

   "Ela festejava com a maior piedade todos os anos o dia 25 de março, porque, dizia ela: "É o dia, em que Jesus, no seio de Maria, foi mais pequenino". Mas amou muito particularmente o Mistério do Presépio. Foi aqui que o Menino Jesus lhe disse todos os seus segredos sobre a simplicidade e o abandono... Teresa ficava apaixonada pelas humilhações de Nosso Senhor ao fazer-se pequenino por amor de nós. Ela escrevia de boa vontade nas estampas de Natal que pintava, este texto de S. Bernardo: 'Jesus quem vos fez tão pequenino? ­--- O amor!'

   "O nome de Teresa do Menino Jesus, que lhe fora dado desde a idade dos nove anos, quando manifestou desejo de ser carmelita, foi sempre para ela uma atualidade e esforçava-se por o merecer constantemente. Fazia esta oração: 'Ó Menino Pequenino, meu único tesouro, abandono-me aos teus divinos caprichos, não quero outra alegria senão a de Te fazer sorrir. Imprime em mim as tuas graças e as tuas virtudes infantis, a fim de que no dia do meu nascimento para o Céu, os Anjos e os Santos, reconheçam na tua esposa pequenina: Teresa do Menino Jesus'.

NB.: Quando se diz "coisas infantis", comumente, entende-se  "puerilidades". No entanto, Santa Teresinha, ao falar em "virtudes infantis" quer significar "as qualidades próprias das crianças inocentes", especialmente a simplicidade, a humildade, a inocência, virtudes que encantam o Coração de Jesus. Por isso, Celina, logo após, faz esta observação: "Estas virtudes infantis que Teresinha desejava, haviam feito antes dela a admiração do austero S. Jerônimo que não é por isso taxado de puerilidade".

    "Falava-lhe eu das mortificações dos santos e ela respondeu-me: 'Como Nosso Senhor fez bem em prevenir-nos que há várias moradas na casa de seu Pai! Se não fosse assim Ele no-lo teria dito... Sim, se todas as almas chamadas à perfeição, para entrar no Céu, devessem praticar essas macerações, Ele no-lo teria dito e nós no-las imporíamos com todo o gosto. Mas anuncia-nos que há várias moradas na sua casa. Se há a das almas grandes, a dos Padres do deserto e a dos mártires da penitência, deve haver também a das criancinhas. É aqui que o nosso lugar nos está reservado, se O amamos muito, a Ele e ao nosso Pai do Céu, e ao Espírito de Amor'.

   "Sóror Teresa do Menino Jesus, era, como se vê, uma alma muito simples que se santificou pelos meios ordinários. Compreende-se que a frequência de dons extraordinários na sua vida teria sido contrária ao que ela dizia serem os desígnios de Deus sobre ela. A sua vida devia ser simples para servir de modelo às almas pequenas.

   "Perguntei-lhe: Não experimentas o sentimento daquele eremita que afirmava: 'mesmo que tivesse passado longos anos na penitência enquanto me restasse um quarto de hora, um hálito de vida, eu teria medo de me condenar'? Respondeu-me ela: 'Não posso partilhar de tal medo, sou pequena demais para me condenar, as criancinhas não se condenam'. Eu dizia-lhe: É preciso que eu trabalhe, senão Jesus ficaria triste... Ela respondeu-me: 'Oh não! Ele não pode ficar triste com os nossos arranjos (alusão ao Espírito de Infância). Mas que desgosto para nós não Lhe darmos tanto quanto podemos!'.

  Sóror Teresa do Menino Jesus dizia: "Outrora Nosso Senhor respondia à mãe dos filhos de Zebedeu: 'Estar à minha direita e à minha esquerda, é para aqueles a quem meu Pai o destinou' (Mt. XX, 23). Parece-me que estes lugares de primazia, recusados aos grandes santos, aos mártires, serão o quinhão das criancinhas"...

   "Perguntaram-lhe com que nome a devíamos invocar quando estivesse no Céu. Respondeu ela humildemente: 'Chamar-me-ão TERESINHA'. Amém!

 

 

terça-feira, 22 de setembro de 2020

NOVENA A SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS


SEGUNDO DIA

ORAÇÃO PARA TODOS OS DIAS DA NOVENA: Ó Santa Teresinha, branca e mimosa flor de Jesus e de Maria, que embalsamais o Carmelo e o mundo inteiro com o vosso suave perfume, atraí-nos e convosco correremos em seguimento de Jesus, nosso Deus e único Bem, pelo caminho da renúncia, do amor e do abandono. Fazei-nos simples e dóceis, humildes e confiantes para com nosso Pai do Céu. Ah! não permitais que O ofendamos pelo pecado, que O contristemos pela desconfiança. Assisti-nos em todos os perigos e necessidades, socorrei-nos em todas as aflições e alcançai-nos todas as graças espirituais e temporais, particularmente...

Lembrai-vos. ó Santa Teresinha do Menino Jesus, que prometestes passar o vosso Céu fazendo bem sobre a terra, sem descanso, até ver completo o número dos eleitos.

Ah! cumpri em nós vossa promessa: sede nosso anjo protetor na travessia desta vida e não descanseis até que nos vejais no Céu, cantando ao vosso lado eternamente as ternuras do amor misericordioso do Coração de Jesus e do Coração de Maria. Assim seja!

ORAÇÃO PARA O 2º DIA:  Divino Jesus, Filho Eterno do Eterno Pai, Vós prometestes recompensar até os mais insignificantes serviços prestados ao próximo em vosso nome. Por isso recorro à vossa Bondade, pedindo que olheis compassivo para a vossa fiel serva Teresinha do Menino Jesus e para sua terna caridade para com o próximo, e, por causa do bem que ela fez com tanto zelo, e pelos sofrimentos que suportou pela salvação das almas, atendei ao seu santo desejo de continuar no Céu a fazer o bem na Terra, e concedei-nos, por sua intercessão, a graça (ou as graças) que tanto desejamos.

Ó Santa Teresinha, do vosso profundo amor a Deus emanava a vossa enorme caridade para com o próximo; não excluindo ninguém do vosso amor, costumáveis dizer: "Eu vim ao mundo para salvar almas, e muito especialmente para rezar pelos sacerdotes". Ó querida Santinha, alcançai de Jesus que também nós amemos verdadeiramente o nosso próximo, para que nos suportemos pacientemente uns aos outros e perdoemos de coração aos nossos inimigos, e assim tenhamos um dia a felicidade de ser coroados por Aquele que reconhece como seus discípulos só os que tiverem sido caridosos para com o próximo. Amém!

JACULATÓRIA: Santa Teresinha, modelo de oração pela conversão dos pecadores e pela santificação dos sacerdotes! Rogai por nós!

OREMOS: Senhor Jesus Cristo, Esposo e amante das almas puras, as quais distinguis com coroa especialíssima: concedei-nos por intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus, a graça de segui-la aqui na terra, amando-Vos com todo o nosso coração, para que com ela recebamos o prêmio da eterna recompensa. Vós que viveis e reinais, pelos séculos dos séculos. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.

LEITURA PARA O 2º DIA

SANTA TERESINHA E O AMOR DO PRÓXIMO

 

 HISTÓRIA DE UMA ALMA

(Extraído do c. IX)

"Quando o Senhor ordenou ao seu povo amasse o próximo como a si mesmo, Ele não tinha ainda vindo à terra. Por outro lado, sabendo perfeitamente até que ponto alguém ama sua própria pessoa, não podia exigir amor maior com relação ao próximo. Mas, quando estabeleceu para seus discípulos um novo mandamento, o SEU MANDAMENTO, Jesus já não fala em amar o próximo como a si mesmo, mas em amá-lo como Ele, Jesus, o amou, como o amará até a consumação dos séculos... Ah! Senhor, sei que não ordenais nada de impossível. Conheceis melhor do que eu minha fraqueza, minha imperfeição. Bem sabeis que não poderia jamais amar minhas irmãs, como Vós as amais, se Vós mesmo, ó Jesus, não as amásseis também em mim. Por me quererdes dar essa graça é que estabelecestes um novo mandamento... Quando sou caridosa, sinto que é só Jesus que atua em mim. Quanto mais unida a Ele, tanto mais também amo minhas irmãs. Quando quero aumentar em mim esse amor, principalmente quando o demônio tenta colocar ante os olhos de minha alma os defeitos desta ou daquela irmã, que me seja menos simpática, apresso em procurar suas virtudes, seus bons desejos. Digo comigo mesma que se a vi fraquejar uma vez, pode ela muito bem ter alcançado grande número de vitórias, e esconde-as por humildade, e mesmo aquilo que me parece falta, pode muito bem ser ato de virtude, por causa da intenção.

"Não me custa chegar a essa conclusão, pois certo dia fiz uma pequena experiência, a qual me demonstrou que se não deve julgar.  [Tratava-se de arrumar os arbustos para armar o presépio, coisa que ela gostava imensamente de fazer]. Calculei ficar muito contente, se me mandassem... Justamente, a Madre Sub-priora disse-me que fizesse eu o serviço, ou então a irmã que se encontrava ao meu lado. Pus-me logo a desatar o avental, mas bastante devagar, para que minha companheira tirasse o seu antes de mim pois achava que ela também gostaria imensamente de fazer este trabalho... Toda a comunidade julgou que eu procedera ao sabor da natureza [por preguiça ou comodismo]. Mas eu não poderia dizer quanto bem fez a minha alma, coisa tão insignificante, e como me tornou indulgente com as fraquezas de outrem. Uma vez que tomam por imperfeições meus pequenos atos de virtude, poderão também enganar-se da mesma maneira, tomando por virtude o que não passa de imperfeição. Digo então com S. Paulo: "Pouco se me dá ser julgado por algum tribunal humano, nem sequer me julgo a mim mesmo. Quem me julga, é o SENHOR" (I Cor. IV, 3 e 4). Por isso, com a finalidade de tornar o julgamento mais favorável para mim, ou melhor, a fim de não ser julgada de modo algum, quero sempre nutrir pensamentos caridosos, pois que Jesus declarou: "Não julgueis, e não sereis julgados".

"Na comunidade vive uma irmã que possui o dom de me desagradar em todas as coisas. Seus modos, suas palavras, seu gênio, pareciam-me muito desagradáveis. Trata-se, todavia, de uma santa religiosa, que será muito agradável ao Bom Deus. Por esta razão, não querendo ceder à antipatia natural que experimentava, pensei comigo que a caridade não consistiria em sentimentos, mas em atitudes. Dediquei-me, então, a fazer pela irmã o que faria pela pessoa a quem mais amasse. Todas as vezes que me encontrava com ela, rezava por ela ao Bom Deus, oferecendo-Lhe todas as suas virtudes e seus méritos. Bem senti que isto agradava a Jesus, pois não existe artista que se desgoste de receber elogios por suas obras. E Jesus, escultor das almas, regozija-se quando a gente não se prende ao exterior, mas penetra até o santuário íntimo que escolheu para sua mansão, e admira-lhe a formosura. Não me restringia a rezar muito pela irmã que me ocasionava tantos combates. Fazia por lhe prestar todos os obséquios possíveis, e quando tinha tentação de responder-lhe de modo desagradável, contentava-me de lhe esboçar o mais amável sorriso, forcejando por desviar a conversa, pois a Imitação de Cristo diz que "mais vale deixar cada qual com seu modo de pensar, do que obstinar-se em contestá-lo"... Como ignorasse, absolutamente, o que eu por ela sentia, nunca suspeitou os motivos de meu proceder, e continuou na convicção de que seu temperamento me era agradável. Um dia, no recreio, com um ar de muita satisfação, disse-me mais ou menos estas palavras: "Poderíeis dizer-me, minha Irmã Teresa do Menino Jesus, o que tanto vos atrai para mim: vejo-vos sorrir todas as vezes que me olhais". Ah! o que me atraía, era Jesus escondido no fundo de sua alma... Jesus que adoça o que há de mais amargo. Respondi-lhe que sorria, por ficar contente de vê-la (bem entendido, não acrescentei que era sob o ponto de vista espiritual). (...).

"Lembrando-me de que a caridade cobre uma multidão de pecados (Cf. II Cor XII, 5), abasteço-me nessa mina fecunda que Jesus abriu diante de mim. No Evangelho, o Senhor explica em que consiste seu novo mandamento. Diz em S. Mateus: "Ouvistes que foi dito: Amareis vosso amigo, e odiareis vosso inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai vossos inimigos, orai pelos que vos perseguem" (Mt V, 43 e 44).

"No Carmelo, sem dúvida, não existem inimigos, mas existem afinal simpatias. Sente-se atração por uma irmã, ao passo que outra vos faria dar grande volta, para evitar encontro com ela. Assim, até sem o perceber, a mesma se torna alvo de perseguição. Ora, Jesus diz-me que, a esta irmã, é preciso amá-la, é preciso rezar por ela, ainda que seu modo de proceder me leve a supor que não me ama: "Se amais os que vos amam, que mérito tendes? Pois os pecadores também amam aos que os amam" (Lc VI, 32).

"E não basta amar, é preciso dar prova disso. Temos natural satisfação em obsequiar um amigo, gostamos principalmente de fazer surpresas. Isto, porém, não representa a caridade, visto que os pecadores também fazem outro tanto. Eis o que Jesus ainda me ensina: "Dai a TODO AQUELE que vos pede, e a QUEM LEVA o que é vosso, não o reclameis" (Lc VI, 30). Dar a todos aqueles que pedem, é menos agradável do que oferecer pessoalmente, num impulso do coração. Quando pedem de bons modos, não custa dar. Mas, se por má sorte alguém não usa termos bem delicados, a alma de pronto se insurge, se não estiver firme na caridade. Encontra mil razões para recusar o que se lhe pede, e só depois de fazer ver à solicitante sua indelicadeza é que afinal damos, por favor, o que estava pedindo, ou lhe prestamos um servicinho, cuja execução exigiria vinte vezes menos tempo do que o necessário para fazer prevalecer direitos imaginários. Se difícil é dar a quem quer que o peça, muito mais o será deixar que levem o que temos, sem pedir devolução.  Ó, minha Madre, digo que é difícil, deveria dizer que parece difícil, pois o jugo do Senhor é suave e leve. (...)

"A quem quiser citar-vos em juízo para vos tirar a túnica, largai-lhe também o manto... (Mt V, 40).                                                                                                                                                                                  "Abandonar a túnica, ao que me parece, é renunciar seus últimos direitos, é ter-se como servidora, como escrava das outras. Quando nos desfazemos de nosso manto, torna-se-nos mais fácil andar, correr. Por isso Jesus acrescenta: "E se alguém vos obrigar a dar mil passos, andai com ele outros dois mil" (Mt V, 41). Assim, não basta dar a quem quer que mo peça. Preciso ir ao encontro de seus desejos, fazer um ar de quem se honra e satisfaz em prestar serviço. E quando alguém toma algum objeto de meu uso, não devo dar demonstração de lástima. Pelo contrário, devo dar a impressão de que estou feliz, por me ver livre do mesmo. Minha querida Madre, muito longe estou de pôr em prática o que compreendo. Entretanto, só o desejo de consegui-lo já me tranquiliza". (...)

"A quem quiser de vós um empréstimo, não lhe deis as costas" (Mt V, 42).

"Assim, sob pretexto de sermos obrigados a recusar, não devemos afastar-nos das irmãs que têm o costume de pedir favores. Não se deve também ser prestativa para que o conste nem com a esperança que outra vez, a irmã favorecida vos preste serviço de sua parte, pois Nosso Senhor disse ainda: "E se emprestardes àqueles de quem esperais receber, que merecimento é o vosso? Pois os pecadores também emprestam a pecadores, para receberem outro tanto. Vós, porém, praticai o bem. EMPRESTAI SEM NADA ESPERAR EM TROCA, e grande será vossa recompensa" (Lc VI, 34 e 35). Oh! sim! grande é a recompensa mesmo aqui na terra... Nesse caminho, o que custa é só o primeiro passo". Amém!

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

NOVENA A SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

PRIMEIRO DIA

ORAÇÃO PARA TODOS OS DIAS DA NOVENA: Ó Santa Teresinha, branca e mimosa flor de Jesus e de Maria, que embalsamais o Carmelo e o mundo inteiro com o vosso suave perfume, atraí-nos e convosco correremos em seguimento de Jesus, nosso Deus e único Bem, pelo caminho da renúncia, do amor e do abandono. Fazei-nos simples e dóceis, humildes e confiantes para com nosso Pai do Céu. Ah! não permitais que O ofendamos pelo pecado, que O contristemos pela desconfiança. Assisti-nos em todos os perigos e necessidades, socorrei-nos em todas as aflições e alcançai-nos todas as graças espirituais e temporais, particularmente...

Lembrai-vos. ó Santa Teresinha do Menino Jesus, que prometestes passar o vosso Céu fazendo bem sobre a terra, sem descanso, até ver completo o número dos eleitos.

Ah! cumpri em nós vossa promessa: sede nosso anjo protetor na travessia desta vida e não descanseis até que nos vejais no Céu, cantando ao vosso lado eternamente as ternuras do amor misericordioso do Coração de Jesus e do Coração de Maria. Assim seja!

ORAÇÃO PARA O 1º DIA: Eterno Pai, Vós coroais no Céu todos aqueles que Vos serviram na terra com fidelidade. Lembrai-Vos, pois, nós vo-lo pedimos instantemente, do ardente amor e da inalterável fidelidade com que Vos serviu na terra a vossa serva Santa Teresinha do Menino Jesus. Ela estava certa de que Vós, um dia, havíeis de fazer a sua vontade como ela fazia a vossa; portanto, meu Deus, atendei às suas súplicas, concedendo-nos, benigno. o que Vos pedimos por sua intercessão.

Ó Santa Teresinha, vós dissestes uma vez, aqui na terra: "A minha missão é amar" e seguistes desde a infância a voz da graça, vivendo uma vida de verdadeiro e puro amor a Deus, não só nos dias venturosos, mas também nas mais duras provações. Ajudai-nos, pois, para que o nosso lema também seja: "Tudo por Deus! Tudo por amor de Deus!" Ó Santa Teresinha, consegui que nos aperfeiçoemos sempre mais no amor divino. Amém!

JACULATÓRIA: Santa Teresinha, rosa de amor! Rogai por nós!

OREMOS: Senhor Jesus Cristo, Esposo e amante das almas puras, as quais distinguis com coroa especialíssima: concedei-nos por intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus, a graça de segui-la aqui na terra, amando-Vos com todo o nosso coração, para que com ela recebamos o prêmio da eterna recompensa. Vós que viveis e reinais, pelos séculos dos séculos. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.

LEITURA PARA O !º DIA

SANTA TERESINHA E O AMOR DE DEUS

   Santa Teresinha tomou o AMOR DE DEUS como caminho da perfeição. "O amor, diz sua irmã Celina, foi o objetivo de toda a sua vida, o móbil de todas as suas ações". Disse a mesma Santa Teresinha: "Os grandes santos trabalharam pela glória de Deus, mas eu que não sou senão uma alma muito pequena, trabalho para Lhe dar gosto". Durante sua doença confidenciou: "Nunca desejei senão dar gosto a Deus". "Se a chama do seu amor, diz Celina, era sempre pura e devoradora, é porque ela tinha cuidado de a isolar de todas as coisas criadas, alimentando-a somente de sacrifício. Um dia que nos encontrávamos diante de uma biblioteca, disse-me: 'Como estaria arrependida de ter lido todos estes livros!'  ---- Afinal, retorqui eu, depois que estivessem lidos, seria um bem adquirido; eu compreenderia se dissesse que lamentava ter de os ler, mas não de os ter lido.  ----  'Se eu os tivesse lido, respondeu ela, teria quebrado a cabeça, teria perdido um tempo precioso que empreguei simplesmente a amar a Deus'. "Fez-me notar, diz Celina, que a característica do amor era sacrificar tudo, dar a torto e a direito...'O amor dá tudo e entrega-se! Mas, muitas vezes, não damos senão após deliberação, hesitamos em sacrificar os nossos interesses temporais e espirituais. Isso não é amor!'

   Eis um exemplo que Santa Teresinha gostava de contar: "Li que um grande senhor, querendo erigir uma igreja, publicou um edito pelo qual proibia os seus servidores de darem a mais pequena esmola com essa intenção, porque só ele queria ter a glória da construção. E assim se construiu a igreja. Contudo, um dia, uma pobre velhinha, vendo os cavalos, que transportavam as pedras, subir com custo a colina, disse consigo mesma: 'É proibido dar dinheiro para ajudar a construir este templo a Deus, mas eu ficaria contente por contribuir para isso, e se eu ajudasse os pobres animais que trabalham inconscientemente nesta grande obra, talvez Deus ficasse contente!' Com alguns tostões, os últimos que tinha, comprou um molho de feno e deu-o aos cavalos. Quando a igreja ficou acabada, o senhor quis celebrar a sua dedicação e, para esse efeito, fez gravar numa pedra o seu nome. Mas eis que, no dia seguinte, este nome estava apagado e lia-se no seu lugar o duma  mulher desconhecida. O senhor, furioso, fez recomeçar a inscrição repetidas vezes; e o milagre repetia-se sempre. Por fim, ordenou buscas, e tendo encontrado a humilde e pobre mulher, perguntou-lhe se não tinha dado alguma coisa para construir a igreja. Toda a tremer pediu desculpa disso. Enfim, apertada com perguntas, lembrou-se do molho de feno e disse que, conforme a proibição, não tinha dado dinheiro, mas somente tinha ajudado os cavalos, dando-lhes a comer um pouco de capim. Compreendeu-se então porque é que o seu nome estava inscrito e ninguém mais ousou apagá-lo.

   "Assim, concluía Teresa, vê-se que a obra mais pequena e mais escondida, feita por amor, tem muitas vezes mais valor que as grandes obras. Não é o valor nem mesmo a santidade aparente das ações que conta, mas somente o amor que nelas se põe, e ninguém poderá dizer que não pode dar estas coisas pequeninas a Deus porque elas estão ao alcance de todos".

   Eis o que Celina conta sobre o brinquedo chamado caleidoscópio. Era uma espécie de óculo, em cuja extremidade se viam lindos desenhos de cores diversas; girando o tubo, estes desenhos variam até ao infinito. "Este objeto, dizia Teresa a Celina, causava a minha admiração; e perguntava a mim mesma o que poderia produzir um fenômeno tão encantador; até que um dia, depois dum exame sério, vi que eram simplesmente alguns pedacinhos de papel e de lã aqui e ali, e cortado de qualquer maneira. [ou pedacinhos de vidros de várias cores]. Continuei com minhas pesquisas e descobri três espelhos no interior do tubo [juntados com fitas em forma de triângulo eqüilátero]. Tinha a chave do enigma. Foi isto para mim, continua Teresa, a imagem de um grande mistério. Enquanto as nossas ações, mesmo as mais pequenas, não saem do foco do amor, a Santíssima Trindade, figurada pelos espelhos convergentes, dá-lhes um reflexo e uma beleza admiráveis. Sim, enquanto o amor está no nosso coração, enquanto não nos afastamos do seu centro, tudo está bem e, como diz S. João da Cruz, 'o amor sabe  tirar proveito de tudo, do bem e do mal que encontra em mim e transformar em si todas as coisas'. O bom Deus, olhando-nos pelo pequeno óculo, isto é, através de si mesmo, encontra as nossas miseráveis palhas e as nossas ações mais insignificantes belas; mas, para isso, é preciso não se afastar do centrozinho! Porque, então, o que Ele veria seriam pedacinhos de lã [de vidro] e minúsculos papéis".

Santa Teresinha dizia que "o que nos interessa é unir-nos a Deus"... "O coração que ama, trabalha com amor, isto é, com fervor: corre, voa, nada acha impossível e nada o detém". Pensamento esse tirado do livro da Imitação de Cristo.

 Santa Teresinha tinha um sentimento profundo da Paternidade divina. Não se cansava de sublinhar as riquezas inefáveis do Amor misericordioso, a necessidade essencial do coração paterno de perdoar, de ajudar, de cumular, atraindo a Si o coração dos seus filhos contanto que estes se entreguem a Ele numa confiança total na sua bondade. Ela quis e foi inundada, consumida pelo Amor do Pai Celestial. Amém!

  

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

UMA OBRA DE AMOR

 UMA OBRA DE AMOR

 

                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*

 

Ontem celebramos Nossa Senhora das Dores ou Nossa Senhora da Piedade, padroeira da Pastoral da Sobriedade, como mãe que chora e sofre por tantos filhos extraviados pelas drogas e outras dependências. Quantas famílias destruídas e atingidas por esse sofrimento! 

            Considerando que 25% da população brasileira está, direta ou indiretamente, ligada ao fenômeno das drogas, e que cada vez mais cedo os adolescentes entram em contato com elas, carregando consigo, em média, quatro outras pessoas, chamadas de codependentes, membros da família e amigos, a Pastoral da Sobriedade, instituição da Igreja do Brasil, vem prestando imenso benefício à sociedade, como ação concreta na prevenção e recuperação da dependência química.

Trata-se de uma ação pastoral conjunta que busca a integração entre todas as Pastorais, Movimentos, Comunidades Terapêuticas, Casas de Recuperação para, através da pedagogia da fé e da ciência, usando a terapia de grupo, resgatar e reinserir os excluídos, conduzindo a uma mudança de vida através da conversão. A Pastoral da Sobriedade nos propõe a libertação da dependência das drogas, do álcool, dos vícios, das manias, das compulsões e pecados, ajudando a resgatar valores, numa transformação de vida e valorização da pessoa humana. Como Bispo referencial dessa Pastoral no Estado do Rio de Janeiro, desejo que se institua em todas as paróquias essa benéfica instituição da Igreja.

Nas reuniões semanais da Pastoral da Sobriedade, instituída em quase todas as Paróquias brasileiras, incutem-se, através do convencimento, as virtudes humanas e cristãs, base da serenidade e da sobriedade. Virtude é a disposição habitual e firme para fazer o bem. Permite à pessoa não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si: tender ao bem, procura-lo e escolhe-lo na prática. As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade que regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé. Facilitam, assim, e nos ajudam a ter domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa. Pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem. As virtudes morais são adquiridas humanamente e nos dispõem a entrar em comunhão com Deus.

A PASTORAL DA SOBRIEDADE vem nos propor a libertação das dependências das drogas, ou o correto uso da liberdade que Deus nos deu: “Comportai-vos como homens livres, e não à maneira dos que tomam a liberdade como véu para encobrir a malícia” (1Pd 2, 16).

Em nossa região, temos uma comunidade terapêutica que se propõe esse objetivo. É a COMUNIDADE REFÚGIO, situada em Cajueiro, município de São João da Barra, na Rodovia BR-356, com a capacidade para atender inicialmente 15 pessoas, para acolher dependentes químicos para tratamento de desintoxicação, em regime de internato, com acompanhamento de profissionais, com reabertura no próximo dia 29. Ela tem a assistência espiritual de nossa Administração Apostólica. Necessita da colaboração de todos para essa obra de amor

 

        *Bispo da Administração Apostólica Pessoal

                                                                         São João Maria Vianney

http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

  

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

AMOR CONFIANTE

 

"O Filho do Homem veio salvar o que se tinha perdido" (Mt 18, 11).

"Sou Eu, não temais" (Lc 24, 38)

(Continuação e término da conferência do Servo de Deus Padre Mateo Crawley-Boevey, SS. CC.)

 

"Digo-vos mais: confiai, porque esse Jesus, que vos convida ao abandono, à Sua intimidade, vê mais claro que vós mesmos. Se vedes cem defeitos, Ele encontra mil e, não obstante, voa ama e vos chama. Seu amor não é, nem pode ser, com o de um amigo ou o de um noivo, um amor-ilusão, e sim fundamentado na verdade. Ele não vos quer porque imagine coisas diferentes da realidade, pois para Ele, na ordem moral, não há camuflagens. Ama-vos tais como sois.

Daí a frase, tão feliz quanto ousada, de Santa Teresinha: "Que mau gosto tiveste, Jesus, querendo-me feia como sou... Não modifiques em nada esse mau gosto, para que não me exponha a ser substituída por um anjo".

Na amizade terrena, o excesso de familiaridade revela misérias anteriormente desconhecidas. Por isso, desmoronam-se tantos carinhos, fundados em ilusões...

Mas com Nosso Senhor a coisa é outra. "Jesus vos ama como ninguém e vos perdoa como ninguém - diz o famoso convertido inglês Pe. Faber - justamente porque vos conhece como ninguém".

A Ele, jamais se surpreende, porque mesmo no santo, que faz milagres, pode-se ver o abismo de fragilidade que traz, no interior, o taumaturgo.

Por isso mesmo também vos disse, há pouco, que se contenta,  Ele, que tudo vê, com grandes e santos desejos, pois melhor do que nós sabe que muitos deles, por sinceros que sejam, não são realizáveis.

Mas vosso desejo já é a Seus olhos um ato de amor, quando sois sinceros e não vaidosos. Quanto são de fato desejos, e não caprichos ou devaneios.

"Paz, portanto, aos de boa vontade" (Lc  2, 30). Paz àqueles que compreenderam e saborearam quão bondoso é o Senhor! Paz aos que sabem, por experiência, que seu jugo é suave e leve a sua carga (Mt 11, 30).

Muito mais que a preocupação exagerada, ainda que legítima de curar vossos males, tende a santa preocupação da Sua glória. "Preocupa-te de Mim, só de Mim, dizia Jesus a Santa Margarida Maria - e Eu me preocuparei de ti e de tudo que é teu".

Há apóstolos que não compreendem ainda este grande espírito e gastam suspiros e tempo em pedir isto ou aquilo. Depois, quando já estão cansados, ajuntam: "Venha a nós o Vosso Reino".

Não façais assim. Começai o trabalho da vossa santificação e do apostolado com este grito, vindo da alma: "Venha a nós o Vosso Reino, o reino do Vosso Coração, do vosso Amor", e Ele dirá: "E Eu me encarrego de todos os teus outros interesses".

Por aí vedes quanto é ampla, segura, sólida e bela a doutrina do Coração de Jesus!

Como se vive bem, luta-se, trabalha-se nesse santuário em que tudo é verdade, paz e força e gozo no Espírito Santo! Bebei à saciedade desse Coração "Fonte inesgotável de vida" e de amor misericordioso.

Nele quero ter minha morada, minha escola, meu céu. Esse Coração me basta. Sou pobre, paupérrimo, mas nesse Coração não temo. São muitos aqueles que julgam ser árduo e dificílimo salvar-se. Eu, ao contrário, creio, raciocinando junto desta cátedra divina, luminosa, que não é tão fácil perder-se, pois que para isso é preciso romper as amarras que são os braços do Senhor, forçar a cidadela redentora que é Seu Coração.

Compenetrai-vos, zelosos apóstolos, desta grande doutrina, visto que não há novidades depois do Evangelho, mas que, por vontade explícita do céu, é todo um sistema doutrinário, toda uma espiritualidade, que envolve hoje a terra sob o título de "Reinado do Coração de Jesus".

Vivei deste pão do amor e da confiança ilimitada, para depois dar essa mesma substância, verdadeiro maná, a muitas almas que têm um conceito mesquinho, desfigurado de Cristo Nosso Senhor.

Ardei na chamas do Coração Divino para, em seguida, queimar a outros. Confiai, vivei no abandono, para infiltrar em outros a confiança, alicerçada no Evangelho, na lei de Cristo, no espírito da Igreja.

Aos débeis, aos maus e pecadores, falai no mesmo tom de Jesus, como Jesus, como o Coração de Jesus. Ouvi como sentencia a pecadora que jaz aos Seus pés divinos: Mulher, "nem eu te condenarei. Vai e não peques mais" (Jo 8, 11).

Discípulos, aprendei as ideias, a linguagem, o estilo do Mestre!

Para terminar, um dos parágrafos mais admiráveis, em doutrina e eloquência, de Santa Teresinha: "Não vou a Deus pelo caminho da confiança e do amor por me julgar preservada do pecado mortal. Ah! Sinto-o perfeitamente, ainda que tivesse por sobre a consciência todos os crimes possíveis, não perderia nada da minha confiança; iria, com o coração destroçado pelo arrependimento, refugiar-me nos braços do meu Salvador. Bem sei quanto ama ao filho pródigo e já ouvi as Suas palavras a Santa Madalena, à mulher adúltera e à Samaritana. Não, ninguém poderá jamais amedrontar-me, porque sei a que ater-me, acerca do seu amor e sua misericórdia. Sei que toda essa multidão de ofensas desapareceriam num abrir e fechar de olhos, como uma gota d'água lançada sobre brasas ardentes" (História de uma alma).

Término.