quinta-feira, 16 de julho de 2020

ORIGENS DA ORDEM CARMELITANA

Era o ano 860 antes de Cristo. As Sagradas Escrituras no 1º Livro dos Reis, XVIII, 16 a 45 assim nos narram: "Acab saiu a encontrar-se com Elias. E, vendo-o, disse: Porventura és tu aquele que trazes perturbado Israel? Elias respondeu: Não sou eu que perturbei Israel, mas és tu e a casa de teu pai, por terdes deixado os mandamentos do Senhor, e por terdes seguido Baal. Mas, não obstante, manda agora, e faze juntar todo o povo de Israel no monte Carmelo, como também os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal, os quatrocentos profetas dos bosques, que comem da mesa de Jezabel. Mandou, pois, Acab chamar todos os filhos de Israel e juntou os profetas no monte Carmelo.


  Elias, aproximando-se de todo o povo disse: Até quando claudicareis vós para dois lados? Se o Senhor é Deus, segui-o; se, porém, é Baal, segui-o. O povo não respondeu palavra. Elias tornou a dizer ao povo: Eu sou o único que fiquei dos profetas do Senhor; mas os profetas de Baal chegam a quatrocentos e cinquenta homens. Deem-nos dois bois: escolham eles para si um boi, e, fazendo-o em pedaços, ponham-no sobre a lenha, mas não lhe ponham fogo por baixo; eu tomarei o outro boi, pô-lo-ei sobre a lenha e também não lhe porei fogo por baixo. Invocareis vós os nomes dos vossos deuses, e eu invocarei o nome do meu Senhor. O Deus que ouvir, mandando fogo, esse seja considerado o ( verdadeiro ) Deus. Todo o povo, respondendo, disse: Ótima proposta. Disse, pois Elias aos profetas de Baal: Escolhei para vós um boi e começai vós primeiro, porque sois em maior número; invocai os nomes dos vossos deuses e não ponhais fogo por baixo.

  
Eles,pois, tomando o boi que lhes foi dado, sacrificaram-no, e invocaram o nome de Baal, desde manhã até o meio-dia dizendo: Baal, ouve-nos. Mas não se percebia voz, nem havia quem respondesse. E saltavam diante do altar que tinham feito. Sendo já meio-dia, Elias escarnecia-os, dizendo: Gritai mais alto, porque ele é um deus, e talvez esteja falando em alguma estalagem, ou em viagem, ou dorme e necessita que o acordem. Eles, pois, gritavam em alta voz, e retalhavam-se segundo o seu costume, com canivetes e lancetas, até se cobrirem de sangue. Mas, passado o meio-dia, e enquanto eles profetizavam, chegou o tempo em que era costume oferecer-se o sacrifício, e não se ouvia voz, nem havia quem respondesse, nem ouvisse os seus rogos. Disse Elias a todo o povo: Aproximai-vos de mim. Aproximando-se o povo dele, Elias reparou o altar do Senhor, que tinha sido destruído. Tomou doze pedras, segundo o número das tribos dos filhos de Jacó, a quem o Senhor dirigira a sua palavra, dizendo: Israel será o teu nome. Com estas pedras edificou um altar em nome do Senhor. Fez um regueiro como dois pequenos sulcos, em volta do altar, acomodou a lenha, dividiu o boi em quartos, pô-lo sobre a lenha, e disse: Enchei de água quatro talhas, entornai-as sobre o holocausto e sobre a lenha. Disse outra vez: Fazei isto ainda segunda vez. E, tendo-o eles feito segunda vez, disse: Fazei ainda terceira vez, isto mesmo. Eles o fizeram terceira vez. As águas corriam em volta do altar e o regueiro encheu-se.

   Sendo já o tempo de se oferecer o holocausto, chegando-se o profeta Elias, disse: Ouve-me, Senhor, ouve-me, para que este povo aprenda que tu és o Senhor Deus e que converteste novamente o seu coração.

   O fogo do Senhor baixou do céu, devorou o holocausto, a lenha e as pedras, consumindo o mesmo pó e a água que estava no regueiro. Todo povo vendo isto, prostrou-se com o rosto em terra e disse: O Senhor é o Deus! O Senhor é o Deus! Elias disse-lhes: Apanhai os profetas de Baal, não escape deles nem um só. Tendo-os o povo agarrado, Elias levou-os à torrente de Cison, onde os matou.

   Elias disse a Acab: Vai, come e bebe, porque já se ouve o ruído duma grande chuva. Acab retirou-se a comer e beber; Elias, porém, subiu ao alto do Carmelo, e, inclinado por terra, pôs o seu rosto entre os joelhos, e disse ao seu criado: Vai e olha para o lado do mar. Tendo este ido e tendo olhado, disse: Não há nada. Elias disse-lhe segunda vez: Torna a ir sete vezes. À sétima vez, eis que se levanta do mar uma pequena nuvem, como a pegada dum homem. Disse-lhe Elias: Vai e dize a Acab: Manda atrelar os cavalos no seu carro e corre, não te apanhe a chuva.
   E, quando ele voltava para uma e para outra parte, eis que se cobriu o céu de trevas, vieram nuvens e vento e caiu uma grande chuva". Até aqui as palavras das Sagradas Escrituras. ( 1Reis, XVIII, 16 a 45 ).

   Esmagada que foi a cabeça do demônio que suscitara a idolatria, destruído aquele nefasto ecumenismo, exterminados os falsos profetas, apareceu no céu o sinal da Virgem, e na terra, terão início a sua Ordem e o seu culto, oitocentos e poucos anos antes de seu nascimento.

   Num futuro não tão longe, doutores da Igreja como Santo Agostinho, Santo Ambrósio, São João Damasceno e outros, explicarão ao mundo como esta nuvenzinha, erguendo-se pura do mar amargo, e deixando atrás as impurezas do mar, é figura de uma Virgem Imaculada, que sairá pura do mar da humanidade, liberta de toda impureza do pecado original.

   Dois mil e cento e dez anos mais tarde, São Luiz IX, rei de França, ouviu falar da santidade de certos monges do Carmelo, dos quais alguns haviam emigrado para a Europa, por causa das vitórias dos sarracenos na Palestina. E São Luiz IX foi a Palestina , subiu o Monte Carmelo. Desejava conhecer aqueles monges que a si mesmos se denominavam Eremitas de Santa Maria do Monte Carmelo. Queria-os também em França e ficou maravilhado ao ouvir da boca daqueles monges o relato da tradição da Ordem. Dizem que são descendentes do profeta Elias. E este lhes ensinara que vira numa nuvem com a forma de pegada humana, que pelo poder divino, se levantara do mar, uma imagem profética da Virgem Maria Imaculada, a qual havia de trazer a salvação dos homens, e vencer o orgulho de satanás, com o seu calcanhar de humildade. Elias ensinara a seus discípulos a implorar a vinda desta Virgem, dizendo que a planta do pé que a nuvem apresentava manifestava em si a maldição divina contra o demônio. "Porei inimizades entre ti e a mulher; entre a tua descendência e a descendência dela: tu armarás ciladas ao seu calcanhar e Ela esmagará a tua cabeça". ( Gen. III, 15 ).

   Contaram, também, a São Luiz IX que, na plenitude dos tempos, tendo aparecido a Virgem Imaculada, e depois da Encarnação do Verbo, a própria Virgem Maria se dignou visitá-los; e a Sagrada Família ao voltar de seu exílio de sete anos no Egito, havia descansado algum tempo com eles. Por eles fora construída ali no Monte Carmelo, a primeira capela do mundo dedicada à Mãe de Deus.

   São Luiz IX ficou edificado e cheio de reverência ao ver a santidade daqueles monges e ao ouvir este relato.

   E uns trinta anos antes da ida de São Luiz IX ao Monte Carmelo, alguns destes monges haviam se transferido para a Inglaterra. Ali tinha-se-lhes reunido um homem muito santo chamado Simão. Recebera o apelido de "stock"por ter vivido solitário na concavidade do tronco de uma árvore no interior de uma floresta inglesa, tal como Elias havia vivido nas grutas naturais do Carmelo.

   Dadas as perseguições,muitos carmelitas passaram para a Europa. Foi mister, então, nomear um Vigário Geral na Europa. Simão Stock foi o escolhido e, seis anos mais tarde foi eleito geral de todo Ordem.

  
O demônio que tem ódio a Maria Santíssima e a sua descendência, fomentou toda espécie de discórdias e perseguições tanto fora como dentro da Ordem do Carmelo. Vemos por isso no ano de 1251 Simão retirar-se para o Mosteiro de Cambridge, curvado sob o peso dos seus 90 anos e do de tantas provações. Ajoelhado na sua pequenina cela derrama a sua alma em ardentíssimos suspiros: "Flor do Carmelo, vinha florífera, esplendor do céu, virgem fecunda, singular. Ó Mãe benigna, sem conhecer varão, aos carmelitas dá privilégios, ó Estrela do mar"!

   E ao levantar os olhos velados pelas lágrimas, a cela enche-se-lhe de uma grande luz: Rodeada por uma multidão de anjos a Rainha do Céu desce até ele, trazendo na mão e Escapulário marrom castanho dos monges e diz-lhe;"Recebe filho queridíssimo, este hábito da minha Ordem: isto será para ti e para todos os carmelitas um privilégio. Quem morrer revestido dele não sofrerá o fogo eterno". Era o dia 16 de julho de 1251.

   A partir daí veio a paz, e a Ordem tornou-se objeto de simpatia no mundo inteiro. Eis Maria Santíssima esmagando a cabeça da infernal serpente.

   A Santa Madre Igreja reconhece o profeta Elias como o fundador da Ordem Carmelitana.Na Basílica de São Pedro no Vaticano, por ordem dos papas, foram colocadas as imagens de todos os santos fundadores de Ordens Religiosas. E, assim, lá foi colocada, por ordem do papa Bento XIII em 26 de junho de 1725, a imagem do Santo Profeta Elias, reconhecido por toda Ordem Carmelitana como o seu Fundador.






NOSSA SENHORA DO CARMO

NOSSA SENHORA DO CARMO
                                                                                                Dom Fernando Arêas Rifan *

Uma data importante no mês de julho, dia 16, é a festa de Nossa Senhora do Carmo ou do Monte Carmelo, em cuja novena preparatória estamos.
            Quase na divisa com o Líbano, o monte Carmelo, com 600 metros de altitude, situa-se na terra de Israel. “Carmo”, em hebraico, significa “vinha” e “El” significa “Senhor”, donde Carmelo significa a vinha do Senhor. Ali se refugiou o profeta Elias, que lá realizou grandes prodígios, e depois o seu sucessor, Eliseu. Eles reuniram no monte Carmelo os seus discípulos e com eles viviam em ermidas. Na pequena nuvem portadora da chuva após a grande seca, Elias viu simbolicamente Maria, a futura mãe do Messias esperado.
            Assim, Maria foi venerada profeticamente por esses eremitas e, depois da vinda de Cristo, por seus sucessores cristãos, como Nossa Senhora do Monte Carmelo.
            No século XII, os muçulmanos conquistaram a Terra Santa e começaram a perseguir os cristãos, entre eles os eremitas do Monte Carmelo, muitos dos quais fugiram para a Europa. No ano 1241, o Barão de Grey da Inglaterra retornava das Cruzadas com os exércitos cristãos, convocados para defender e proteger contra os muçulmanos os peregrinos dos Lugares Santos, e trouxe consigo um grupo de religiosos do Monte Carmelo, doando-lhes uma casa no povoado de Aylesford. Juntou-se a eles um eremita chamado Simão Stock, inglês de família ilustre do condado de Kent. De tal modo se distinguiu na vida religiosa, que os Carmelitas o elegeram como Superior Geral da Ordem, que já se espalhara pela Europa.
            No dia 16 de julho de 1251, no seu convento de Cambridge, na Inglaterra, rezava o santo para que Nossa Senhora lhe desse um sinal do seu maternal carinho para com a Ordem do Carmo, por ela tão amada, mas então muito perseguida. A Virgem Santíssima ouviu essas preces fervorosas de São Simão Stock, dando-lhe, como prova do seu carinho e de seu amor por aquela Ordem, o Escapulário marrom, como veste de proteção, fazendo-lhe a célebre e consoladora promessa: “Recebe, meu filho, este Escapulário da tua Ordem, que será o penhor do privilégio que eu alcancei para ti e para todos os filhos do Carmo. Todo aquele que morrer com este Escapulário será preservado do fogo eterno. É, pois, um sinal de salvação, uma defesa nos perigos e um penhor da minha especial proteção”.
            O Papa Pio XII, em carta a todos os carmelitas (11/2/1950), escreveu que entre as manifestações da devoção à Santíssima Virgem “devemos colocar em primeiro lugar a devoção do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo que, pela sua simplicidade, ao alcance de todos, e pelos abundantes frutos de santificação, se encontra extensamente divulgada entre os fiéis cristãos”. Mas faz uma advertência sobre sua eficácia, para que não seja usado como superstição: “O sagrado Escapulário, como veste mariana, é penhor e sinal da proteção de Deus; mas não julgue quem o usar poder conseguir a vida eterna, abandonando-se à indolência e à preguiça espiritual”. 
                                                   *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
                                                                        http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

O ESCAPULÁRIO DE NOSSA SENHORA DO CARMO



Quero falar aqui do escapulário reduzido, o que se compõe de dois pedacinhos de lã de cor marrom e que hoje quase sempre vêm acompanhados com as imagens do Sagrado Coração e da de Nossa Senhora do Carmo.

Através deste escapulário que deve ser trazido sempre pendente do pescoço e, com ele, deve-se morrer, o devoto de Nossa Senhora, não só se consagra a Ela diante do altar, demonstrando assim o seu íntimo amor à Mãe de Deus, mas também, através do escapulário, está sempre declarando publicamente este seu amor à sempre Virgem Maria. Ainda que a essência da devoção deva ser interior, é claro que aquela pessoa que recebe o escapulário e o traz ao pescoço com devoção, mostra, outrossim, que se gloria de trazer o hábito da Mãe de Deus, de lhe pertencer, de a respeitar como Rainha, e de a amar como Mãe.

Ademais, enquanto as nossas práticas piedosas são subordinadas a tempos e a lugares, a devoção do escapulário é de todos os lugares e momentos. Trazendo sempre este meu  hábito, pequeno no tamanho mas grande no significado e nos privilégios, em qualquer parte que eu esteja, qualquer que seja a minha ocupação, Maria Santíssima vê sempre pendente do meu pescoço a prova autêntica do meu apego ao seu culto e do meu amor a Ela.  Em toda parte e sempre a honro, e lhe dirijo súplicas, porque em toda parte e sempre o meu escapulário lhe fala por mim, me recomenda à sua ternura, e lhe diz que a amo e que lhe confio toda minha vida, todos os meus empreendimentos, e, especialmente a salvação de minha alma. O meu escapulário está sempre lembrando a Maria Santíssima que ela peça ao seu divino Filho que transforme a água da minha tibieza no vinho do amor fervoroso a Deus; que alcance para mim junto ao seu Filho a graça de fazer sempre o que Ele manda.
Vamos, com a graça de Deus, meditar um pouco sobre os privilégios do escapulário, ou seja, sobre as três graças inapreciáveis:  defender-me nos perigos durante minha vida;  ajudar-me a bem morrer; e proteger-me depois da morte no purgatório.

1 - DEFENDER-ME NOS PERIGOS: e sobretudo naqueles perigos que ameaçam a minha salvação. Sabemos que, como ensina S. Pedro, o demônio, nosso adversário, anda em torno de nós, rugindo e procurando nos devorar, isto é, perder nossa alma. O demônio é invejoso e homicida desde o início do mundo. Mas, a Santíssima Mãe de Deus sempre foi sua inimiga e sempre lhe esmaga a cabeça. Portanto, se Maria Santíssima me protege, que tenho eu que recear? Estou seguro debaixo do seu manto maternal. Que consoladora certeza! Caríssimos, conheceremos um dia, todos os dardos envenenados que o demônio lançou sobre nós, mas que Maria Santíssima os quebrou antes. Conheceremos também um dia todas as tentações, cuja veemência ela terá diminuído, em atenção a este penhor do meu amor para com ele; quantas vezes, depois das minhas quedas, me terá preservado do desalento mais funesto que estas mesmas quedas.

2 - NOSSA SENHORA PROMETE SALVAR-ME: "Aquele que morrer revestido deste hábito, será preservado das chamas eternas". Estas palavras significam que Maria Santíssima nos garante o Céu. Eis as suas palavras na bula do Papa João XXII, conhecida pelo nome de SABBATINA: "Tempus bene vivendi; Locum bene agendi; constantiam bene perseverandi". Em Português: tempo de bem viver, ocasião e meio de fazer boas obras; constância para perseverar na justiça, isto é, na prática das virtudes e no estado de graça. "Tudo o que a Igreja pede para ti, quando te admite na minha confraria - disse Nossa Senhora na aparição ao Papa João XXII - te será dado a meu rogo: tempo de bem viver, ocasião e meio de fazer boas obras, constância para perseverar na justiça. Ainda quando tenhas a desgraça de incorrer no desagrado de meu Filho ofendendo-O, não te abandonarei, se vir pendente do teu pescoço o sinal da minha aliança. Tirarei para ti dos tesouros divinos uma graça tão eficaz, que comoverá teu coração e o transformará. A não ser que, resistindo obstinadamente a todos os esforços da minha ternura, me obrigues a expulsar-te da minha família, e a privar-te do meu escapulário, a minha bondade para contigo chegará a tal ponto, que, purificado pelos sacramentos ou pelo ato de contrição, te livrarás das penas eternas, se morreres tendo este santo hábito ao pescoço". É bom sabermos que o Papa Bento XIV e um grande número de outros papas, entenderam que deviam preconizar estes favores e exortaram os fiéis a trazer o escapulário; podemos citar os seguintes papas: Alexandre V, Clemente VII, Paulo III, S. Pio V, Gregório XIII, Paulo V, Clemente X, Inocêncio XI, etc.

3 -  MARIA SS. PROMETE PROTEGER-ME EFICAZMENTE NO PURGATÓRIO E ABREVIAR A SUA DURAÇÃO. Visitará, segundo a sua promessa, os confrades do Carmo na triste morada, onde acabarão de expiar as suas faltas; como duvidar que este visita lhes leve refrigério, luz e paz? Além disso ela o declara: "Quando tiverem deixado o século presente e entrado no purgatório, eu descerei, como sua terna Mãe, ao meio deles no sábado seguinte à sua morte; livrarei aqueles que lá encontrar, e os conduzirei à montanha santa, à feliz morada da vida eterna". Estas palavras estão também na bula "SABBATINA" do Papa João XXII.

Caríssimos, vejamos agora como praticar esta devoção do escapulário para merecermos tão insignes favores de nossa Mãe do Céu? Para alcançar o privilégio de uma boa morte é necessário entrar nesta confraria, recebendo e trazendo o escapulário, e tê-lo pendente do pescoço na hora da morte. Para gozar do privilégio da bula SABBATINA,  além das condições precedentes, exige-se que o confrade guarde a castidade própria do seu estado, reze o pequeno Ofício da Santíssima Virgem ou faça abstinência de carne nas quartas-feiras e sábados (evidentemente também nas sextas-feiras pelo mandamento da Igreja); caso não puder, por justa causa, fazer esta abstinência, reza-se no dia um terço por comutação; e, quando não puder nunca fazer abstinência da carne, então, deve rezar todos os dias, sete Padres-Nossos e sete Ave-Marias. Devemos observar ainda que a antiga Congregação das Indulgências , 12 de agosto de 1840 e depois em 22 de junho de 1842 etc. permite que os sacerdotes que impõem o escapulário deem outras comutações.

Caríssimos, o santo hábito da Virgem Imaculada prega-me a inocência e a fuga de todo o pecado. Ele está sempre me exortando a regular os meus passos, a velar sobre todas as minhas ações, a purificar todas as minhas intenções, a nada omitir de tudo quanto pode contribuir para a minha santificação e para a edificação do próximo. Mas, pergunta-se: se alguém tiver a fraqueza de faltar com estas condições ou, pelo menos, com alguma delas, como por exemplo a castidade segundo o próprio estado, como fazer? Ou estaria tudo perdido? Se alguém tiver esta desgraça, peça a Jesus através de Sua Mãe Santíssima, a graça de fazer uma santa confissão, e continue vigiando, fazendo penitência e rezando para alcançar a graça da perseverança.

Ó Maria Santíssima, seja sempre o vosso hábito o meu adorno e a minha defesa. Esteja eu dele revestido na hora da morte; seja para mim agora uma veste de justiça, para se transformar um dia em veste de glória e imortalidade feliz. Amém!

quarta-feira, 15 de julho de 2020

REGRA "PRIMITIVA' da Ordem da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo

Como neste carmelo, pela graça de Deus, vamos seguir na íntegra a Sagrada Tradição da Santa Madre Igreja e também da Ordem Carmelitana, pensei em levar ao conhecimento de todos, especialmente daquelas que se sentem chamadas à vida de carmelita, a Regra "Primitiva" de Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém. Pois, nela se inspirou Santa Teresa d'Ávila para reformar a Ordem Carmelitana.


Carmelo construído pelo Padre Elcio Murucci em Varre-Sai, RJ-Brasil

1.     Alberto, por graça de Deus, Patriarca de Jerusalém, aos queridos filhos em Cristo B(rocardo) e demais religiosos eremitas que vivem debaixo da sua obediência no Monte Carmelo, junto à fonte (de Elias) , saúde no Senhor e bênção do Espírito Santo.

2.     Em diferentes ocasiões e de diversas maneiras (cf.Hb 1,1) os santos Padres estabeleceram de que forma cada um, em qualquer Ordem ou modo de vida religiosa que escolha, haja de viver em obséquio de Jesus Cristo (cf. 2Cor 10,5), servindo-o fielmente com puro coração e reta consciência (cf. 1Tm 1,5). Mas como nos pedis que, segundo o vosso propósito, vos demos uma fórmula de vida que estejais obrigados a guardar daqui por diante.

3.     Determinamos primeiramente que tenhais um de vós mesmos por Prior, o qual seja eleito para este ofício por unânime consentimento de todos, ou da maior e mais qualificada parte, ao qual cada um de vós prometa obediência; e depois de a ter prometido, procure verdadeiramente guardá-la com as obras (cf. Jo 3,18) com castidade e pobreza. 

4.    Podereis habitar nos ermos ou lugares que vos forem dados, dispostos e acomodados para a observância de vossa Religião, segundo o que parecer mais conveniente ao Prior e aos Religiosos.

5.     Além disso, no sítio em que houverdes de habitar, cada um de vós tenha uma cela individual separada, conforme lhe for assinalada por ordem do mesmo Prior, com o consentimento dos demais irmãos ou da parte mais prudente.

6.     Todavia tomareis, num refeitório comum, os alimentos que vos forem dados, ouvindo todos juntos uma lição da Sagrada Escritura, onde isto comodamente se possa observar.

7.     A nenhum  irmão seja lícito, sem licença do Prior atual, mudar ou trocar com outro o lugar que lhe foi designado.
        A cela do Prior esteja à entrada do convento, para que ele seja o primeiro que acorra a receber os que a ele vierem, e de seu arbítrio e disposição dependa tudo o que se houver de fazer.

8.     Permaneça cada um na sua cela ou junto dela, meditando dia e noite na lei do Senhor (cf. Sl 1,2; Js 1,8) e velando em oração (cf.Pd 4,7), a não ser que se ache legitimamente ocupado em outros afazeres.

9.     Os que souberem recitar as Horas canônicas com os clérigos as recitarão conforme os estatutos dos santos Padres e o costume pela Igreja aprovado.
         Aqueles que as não souberem recitar dirão por Matinas vinte e cinco vezes o Pai-Nosso, exceto nos domingos e festas solenes, em cujas Matinas determinamos que se dobre o dito número, de sorte que se diga o Pai-Nosso por cinqüenta vezes. Pelas Laudes matutinas, dir-se-ão sete e outras tantas por cada uma das outras Horas, exceto Vésperas, pelas quais se rezará quinze vezes a dita oração.

10.    Nenhum irmão diga que tenha alguma coisa própria, mas tudo entre vós seja comum (cf. At 4,32; 2,44)e se distribua por mão do Prior ou do irmão por ele escolhido para esse ofício,  dando a cada um o que lhe faltar (cf. At 4,35), ponderando as idades e necessidades de cada um.

11.    Ser-vos-á lícito, porém, ter jumentos ou mulos, segundo o pedir a vossa necessidade, como também alguns animais ou aves para a nutrição.

12.    Edifique-se uma capela no meio das celas, onde mais comodamente for possível, na qual deveis reunir-vos todos os dias de manhã para ouvir missa, onde isso comodamente se puder fazer.

13.    Nos domingos ou em outros dias, sendo necessário, tratareis da conservação da Ordem e da saúde das almas, onde também, mediante a caridade, sejam corrigidos os excessos e culpas em que os irmãos tiverem incorrido.

14.    Jejuareis todos os dias, exceto nos domingos, desde a festa da Exaltação da Santa Cruz até o dia da Ressurreição do Senhor, caso alguma enfermidade ou debilidade do corpo, ou outra justa causa não persuada a que se deixe o jejum, porquanto a necessidade não tem lei.

15.    Abster-vos-eis de comer carne, não sendo para remédio de enfermidade ou debilidade do corpo.
         Mas porque vos é necessário mendigar com mais freqüência, para que não sejais incômodos e pesados às pessoas que vos hospedarem, quando fizerdes jornada podereis, fora de vossas casas, comer coisas cozidas com carnes; e, navegando, ser- vos-á lícito, no mar, o uso da carne.

16.    Porque a vida do homem sobre a terra é uma contínua tentação (cf. Jó 7,1) e os que piamente querem viver em Cristo padecem perseguições (cf. 2Tm 3,12), e também porque o demônio , vosso adversário, como um leão rugindo, anda em continuado giro, buscando a quem devorar (cf. 1Pd 5,8), procurai com o maior cuidado  vestir-vos das armas de Deus para poderdes resistir a seus assaltos (cf. Ef 6,11).
     Cingi , pois, os vossos corpos com o cinto da castidade (cf. Ef  6,14) e fortalecei vosso peito com pensamentos santos, pois está escrito: "A consideração santa te guardará" (cf. Pr 2,11 segundo os LXX). Deveis vestir a couraça da justiça (cf. Ef 6, 14) para que, com todo o vosso coração, com toda a vossa alma e com toda a vossa fortaleza, ameis o Senhor vosso Deus (cf. Dt 6, 5) e ao próximo como a vós mesmos (cf. Mt 19,19; 22, 37, 39).
     Em todas as ocasiões haveis de armar-vos com o escudo da fé, com a qual possais rebater e extinguir os incendidos golpes do inimigo (cf. Hb 11,6), Ponde sobre vossa cabeça o capacete da salvação (cf. Ef. 6, 17) para que só do Salvador, que salva o seu povo de todos os pecados, espereis salvação (cf. Mt 1, 21).
     A espada, porém, do espírito, que é a palavra de Deus (cf. Ef 6,17), esteja sempre abundantemente ( cf. Cl 3,16) em vossa boca e em vossos corações (cf. Rm 10,8), e tudo quanto fizerdes, fazei-o em nome do Senhor (cf. Cl 3,17; 1Cor 10,31).

17.    Deveis também empregar-vos em algum trabalho, para que o demônio vos ache sempre ocupados e não tome ocasião de vossa ociosidade para entrar em vossas almas. Para isso, tendes a instrução e o exemplo do Apóstolo São Paulo, por cuja boca falava Jesus Cristo (cf. 2Cor 13,3), o qual Deus constituiu pregador e doutor das gentes em fé e verdade (cf. 1Tm 2,7), e seguindo os seus passos não podereis errar.
    "Em trabalho e fadiga", diz ele, "estivemos entre vós, trabalhando de dia e de noite para não sermos de algum peso ou incômodo. Não porque o não pudéssemos fazer, mas para vos dar exemplo do que deveis imitar. Isto mesmo vos intimávamos quando, estando convosco, vos dizíamos que quem não quer trabalhar não coma. E porque temos ouvido entre vós que alguns andam ociosos, sem trabalhar coisa alguma, a estes admoestamos e regamos em Nosso Senhor Jesus Cristo que, trabalhando em silêncio, comam o seu pão" (cf. 2Ts 3,7-12). Este caminho é bom e santo, caminhai por ele (cf. Is 30,21).

18.    Recomenda o Apóstolo o silêncio quando nele mesmo manda trabalhar (cf. 2Ts 3,12), assim como o Profeta testifica que o culto da justiça é o silêncio (cf. Is 32,17), e noutro lugar: "No silêncio e na esperança estará a vossa fortaleza" (cf. Is 30, 15).
     Por isso determinamos que,  depois das Completas, guardeis silêncio até o fim da Prima do seguinte dia. No mais tempo, ainda que não seja tão rigorosa a sua observância, contudo se evite com diligência todo o excesso no falar, pois está escrito e ensina a experiência: "No muito falar não faltará pecado" (cf. Pr 10,19). E: "Quem é inconsiderado em suas palavras experimentará danos" (cf. Pr 13,2). E também: "Aquele que fala muito ofende a sua alma" (cf. Eclo 20,8). E o Senhor diz no Evangelho: "De toda palavra ociosa que os homens disseram darão conta no dia do Juízo" (Mt 12,36).
     Faça, pois, cada um de vós uma balança para as suas palavras, e freios retos para a sua boca, a fim de não pecar e cair pela sua língua, de sorte que seja incurável e mortal a sua queda (cf. Eclo 28,29e 30); guarde com o Profeta os seus caminhos para que não peque com a sua língua (cf. Sl  38,2), e procure com diligência e cautela guardar o silêncio, no qual está todo o culto da justiça (cf. Is 32,17).

19.    Tu, porém, B(rocardo), e qualquer outro que depois de ti for eleito Prior, tem sempre na lembrança e põe por obra o que o Senhor diz no Evangelho: "Todo aquele que quiser ser o maior entre vós será vosso ministro, e o que entre vós quiser ser o primeiro será vosso servo" (Mc 10, 43-44; cf. Mt 20, 26-27).

20.     Vós também, demais irmãos, honrai com humildade o vosso Prior, considerando nele Jesus Cristo, que o pôs sobre vossas cabeças e diz aos Prelados da Igreja: "Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos despreza a mim despreza" (Lc 10,16), para que não sejais julgados pelo desprezo, mas para que mereçais, pela obediência, o prêmio da vida eterna.

21.     Tudo isto vos escrevemos brevemente, determinando a forma e regra do vosso Instituto, conforme a qual deveis viver. Mas, se alguém fizer mais alguma coisa do que isto, o Senhor, quando vier a julgar, dar-lhe-á a paga. Use-se, porém, de discrição, que é a reguladora das virtudes.

Observação: Esta regra foi entregue por Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém, aos Carmelitas, entre os anos de 1206 e 1214. Aprovou-a primeiramente Honório III em 30 de janeiro de 1226. Logo a sancionaram Gregório IX, em 6 de abril de 1229, e Inocêncio IV, em 8 de junho de 1245. Por fim, ratificou-a este último Pontífice em 1º de outubro de 1247. Seguimos aqui o texto como presente na bula "Quae honorem Conditoris (Reg. Vat. 21, ff. 465v-466r). As citações bíblicas foram acrescentadas. Faltam também  no Registro original, os números dos artigos.
    

domingo, 12 de julho de 2020

FOME DA PALAVRA DE DEUS E DA EUCARISTIA

S. Marcos VIII, 1-9
Fome da Eucaristia, Fome da Palavra de Deus

Atitude exemplar a da multidão que, por três dias havia seguido a Jesus no deserto, ávida unicamente em alimentar suas almas e despreocupada com o alimento corporal. Exemplo  muito mais para se admirar  hoje quando o mundo, com raras exceções, só tem ânsia em enriquecer e gozar. Infelizmente, os lugares de divertimento e de tráfico refervem dia e noite, ao passo que Jesus Eucarístico é abandonado nos Tabernáculos. Os sacerdotes zelosos em vão repetem as palavras de Deus.

Felizes, no entanto, os que têm fome da Eucaristia, porque quem não come deste Alimento morrerá para sempre. Felizes os que têm fome da palavra de Deus, porque não só de pão material vive o homem, ma também, e sobretudo, da palavra que sai da boca de Deus, através de seus fiéis ministros: "Quem vos ouve, a mim ouve".

FOME DA EUCARISTIA: Nas primeiras décadas do século XV, piratas de terra e de mar haviam invadido a Groenlândia, passado a fio de espada uma parte da população cristã, e reduzido o resto à escravidão. Todas as igrejas tinham sido arrasadas até o solo, e todos os sacerdotes mortos. Muitas vezes os pobres Groenlandeses tinham recorrido a Roma, onde era Papa Inocêncio VIII, mas inutilmente. O mar em toda a volta da sua inóspita praia gelara, de modo que, havia oitenta anos, nenhuma nau estrangeira ali tinha podido aproar. Privados de bispo e de sacerdotes, muitos já haviam esquecido a fé de seus pais, retornando aos vícios do paganismo. Só poucos tinham sabido conservar-se fiéis á religião. Esses tinham achado um corporal, aquele sobre o qual repousara o Corpo do Senhor na última Missa celebrada pelo último padre groenlandês. Todo ano eles o expunham à veneração pública: em torno dele os velhos, tremendo e chorando, rezavam, em torno dele as mães conduziam seus filhos para aprenderem a conhecer Jesus. Em torno dele todos se comprimiam como famintos em torno de uma branca mesa sobre a qual não tinha ficado mais do que o perfume da comida. E exclamavam: "Senhor! envia-nos depressa o sacerdote que consagre, dá-nos ainda, uma vez ao menos, a tua Carne a comer e o teu Sangue a beber, do contrário também nós perderemos a fé e morreremos como pagãos" (L. PASTOR, HISTÓRIA DOS PAPAS, v. III, pag. 448 e 449).

Caríssimos, nós temos Jesus sempre perto de nós. Contudo, pensai em quantas igrejas ficam desertas o dia todo! Pensai no número tão grande de cristãos que esqueceram até o fazer a Páscoa ou, então pensai naqueles que fazem a comunhão, sem vontade, com o coração frio e imerso nos desejos mundanos e mesmo pecaminosos. Pensai em todos aqueles que poderiam participar das Santas Missas, receber a Eucaristia e não o fazem e isto, por motivos fúteis, ou melhor sem nenhuma explicação senão a falta de fé e de amor a Jesus!

Os homens não têm mais fome do Pão de vida: como farão para viver na graça de Deus e um dia ressuscitar para a vida eterna?!

FOME DA PALAVRA DE DEUS: Lemos na vida de Santo Efrém o seguinte fato que muito ilustra este ponto que ora tratamos. Este santo, estando em oração, ouviu uma voz que dizia; "Efrém, toma alimento". Pasmado com essa ordem, e não sabendo de onde vinha, o santo respondeu: "E que comida me darás?" Então a voz replicou: "Vai ter com Basílio: ele te instruirá, e te oferecerá o alimento eterno". Imediatamente ele correu em busca do bispo Basílio, e achou-o na igreja, orando. Então conheceu que a palavra de Deus era a comida que ele devia tomar. E foi instruído na palavra de Deus pelo santo e sábio Bispo Basílio.

Caríssimos, assim como o pão material é necessário para sustentar o corpo, assim também a palavra divina é necessária para sustentar a alma. Uma alma sem este alimento espiritual consome-se de fome, e vai perecer miseravelmente. A fé é absolutamente necessária para a salvação, pois, sem ela, como afirma S. Paulo, é impossível alguém agradar a Deus. E a fé, como assegura o mesmo Apóstolo, vem pelo ouvido "fides ex auditu", ou seja, a fé é alimentada nas almas pela audição da palavra de Deus. Por que é que em tantos cristãos a fé é lânguida, e por isso, morta, porque não tem a força necessária para dar frutos para a vida eterna. É uma árvore com a folhas amareladas; ou é qual lamparina bruxuleante cujo azeite está se extinguindo. É porque muitos e muitos não têm fome da palavra de Deus. 

A palavra de Deus é necessária não só para iluminar a mente mas também para fortalecer a nossa vontade no bem. A terra, quando não é banhada pelas águas, esteriliza-se e não produz senão espinhos; assim também o nosso coração quando o celeste orvalho da palavra de Deus não o fecunda mais. Como é triste a gente ver católicos (que na verdade, só trazem o nome) nem sequer se incomodam em ouvir ou ler a Explicação do Evangelho dos domingos e dias santos! A estes valem as palavras terríveis de Santo Hilário: quando este santo subia ao púlpito, percebendo que algumas pessoas saíam da igreja para não se aborrecerem com o sermão que ele ia fazer, deteve-se à porta da igreja e gritou: "Agora bem podeis fugir da igreja, mas um dia já não podereis sair do lugar de tormentos".

Caríssimos, imitemos as turbas cujo exemplo nos comove e anima na leitura do Evangelho de hoje. Procuremos primeiro ter fome de Jesus na Eucaristia, ter fome da palavra de Deus, e obteremos o seu reino e o pão material ser-nos-á dado por acréscimo. Amém!


EVANGELHO DO 6º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

 Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 6, 3-11.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos 8, 1-9:

   "Naquele tempo, estava com Jesus uma grande multidão, e não tinha o que comer. Jesus chamou os discípulos e lhes disse: Tenho compaixão deste povo: porque já estão comigo há três dias e não têm o que comer. Se eu os mandar em jejum para as suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns vieram de longe. Seus discípulos responderam-Lhe: De onde poderá alguém fartá-los de pão, aqui no deserto? Perguntou-lhes Jesus: Quantos pães tendes? Responderam: sete. Então Ele ordenou à multidão que se assentasse no chão. E tomando os sete pães, deu graças, partiu-os e deu-os a seus discípulos, para que distribuíssem ao povo. Havia também alguns peixinhos, e Ele os abençoou e mandou que os distribuíssem. Comeram pois, e ficaram fartos, e dos pedaços que tinham sobrado, levaram sete cestos. E os que comeram eram perto de quatro mil. E Jesus os despediu". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Ouçamos, no Evangelho, as palavras bondosas de Jesus: "Tenho compaixão deste povo". Jesus tem compaixão de nós, das nossas fraquezas, da nossa debilidade, da indecisão da nossa vontade. Vê as nossas almas cansadas, famintas, necessitadas de auxílio e, como outrora às turbas que vinham para O ouvir, repete-nos também a nós: "Tenho compaixão". A compaixão de Jesus volta-se primeiro para as nossas necessidades espirituais; com a Sua Paixão e Morte já proveu com liberalidade a essas necessidades, mas deseja continuar a cuidar delas todos os dias de um modo mais pessoal e direto, oferecendo-Se como alimento às nossas almas. O Evangelho fala-nos da segunda multiplicação dos pães, mas para nós, mais afortunados que as multidões da Palestina, Jesus reservou um pão infinitamente mais nutritivo e mais precioso: a Eucaristia.

   Fascinadas pela palavras de Jesus, as turbas haviam-no seguido, esquecendo até as próprias necessidades: andavam com Ele há três dias e não tinham nada para comer. Que lição para nós, muitas vezes mais solícitos pelo pão material do que pelo espiritual! E Jesus, depois de ter provido largamente às necessidades do espírito, pensa também nas do corpo. Os discípulos, por sua vez, ficam admirados: "como poderá alguém saciá-los de pão aqui no deserto?" Já tinham assistido à primeira multiplicação dos pães, mas agora parece não terem dela a menor lembrança e ficam desconfiados. Quantas vezes palpamos nós de igual modo os milagres da graça, os milagres da divina Providência! Porém, não é raro ficarmos perplexos em face de novos casos difíceis e obscuros, como se puséssemos em dúvida a onipotência de Deus. Pensemos, por exemplo, na nossa vida espiritual: existem ainda pontos por vencer, por superar... experimentamo-lo  tantas vezes e talvez agora não tenhamos já coragem para recomeçar de novo. Oh! se tivéssemos fé, se nos lançássemos em Deus com maior confiança! Bastaria talvez um belo ato de confiança total para conseguir a vitória. Jesus olha-nos e repete-nos: " Tenho compaixão deste povo; e a sua compaixão não é estéril. É ação vital, é auxílio e graça atual para a nossa alma; por que não temos, pois, mais confiança n'Ele?
   (Extraído do Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de Sta M. Madalena, O.C.D.).

 Terminemos com palavras de Santa Teresinha do Menino Jesus, Doutora da Igreja: "Ah, Senhor meu! Tenho necessidade da Vossa ajuda, porque sem ela nada posso fazer. Por Vossa misericórdia não consintais que a minha alma seja enganada, deixando o caminho começado. Dai-me luz para que veja como está nisto todo o meu bem...
  Fazei-me compreender que a minha fé em Vós deve apoderar-se da minha miséria e não me devo espantar... se me acontecer sentir temor e fraqueza. Devo deixar que a carne faça o seu ofício, lembrando-me de que Vós, ó Jesus, dissestes na oração do horto: 'a carne é fraca'... Se a vossa carne divina e sem pecado é enferma, como quererei que a minha seja tão forte que não sinta temor? Portanto não me quero queixar de temores nem desanimar por ver fraco o meu natural. Quero confiar na Vossa misericórdia desconfiando das minhas forças, porque toda a minha fraqueza está em me apoiar nelas". 

   Ó JESUS, SENHOR E MEU PAI, TENDE COMPAIXÃO DA MINHA POBRE ALMA E SUSTENTAI-A COM A VOSSA GRAÇA. AMÉM!

domingo, 5 de julho de 2020

EVANGELHO DO 5º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

 Leituras: Primeira Epístola de São Pedro Apóstolo 3, 8-15.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 5, 20-24:

   "Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Se vossa justiça não vai além da justiça dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus. Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás; e quem matar, será réu em juízo. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será levado ao tribunal do juízo; e o que chamar a seu irmão: tolo, será réu diante do Conselho. E o que lhe chamar louco, será condenado ao fogo da geena. Portanto, se trouxeres a tua oferenda ao altar, e te lembrares que o teu irmão tem contra ti alguma coisa, deixa a tua oferenda diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e depois vem fazer a tua oblação".

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Tive a inspiração de resumir o sermão que  Santo Agostinho fez sobre o Evangelho deste 5º Domingo depois de Pentecostes. 

   O Santo Evangelho cuja leitura acabamos de ouvir, muito nos fez tremer, se temos fé. Não tremem aqueles que não têm fé. Na verdade, para se chegar a segurança na vida sem fim, deve-se tremer agora nesta vida que tem fim. E nós trememos. E como não tremer quando se ouve a própria Verdade dizer: "Quem chamar a a seu irmão 'louco', será réu do fogo da geena". Por outro lado diz São Tiago na sua  Epístola: "Nenhum homem é capaz de domar a sua língua" (Tiago III, 7 e 8).  

   Que faremos então, irmãos meus? Se Jesus disse: "Quem chamar a seu irmão 'louco' será réu do fogo eterno" e se a Sagrada Escritura também diz: "O homem não tem capacidade de domar a sua língua", logo estamos todos condenados? De modo nenhum! Porque diz também o Espírito Santo na Bíblia Sagrada: "Senhor, Vós fostes nosso refúgio de geração em geração" (Conf. Salmo 89, 1). Vossa ira é justa, ó Senhor! A ninguém mandais injustamente para o fogo eterno. Entendemos, caríssimos, que, se o homem não tem capacidade para domar a sua língua, deve se refugiar em Deus para domá-la. Tomemos o exemplo dos próprios animais que nós homens domamos. Nem o cavalo, nem o camelo, nem o elefante, nem a serpente, nem o leão se domam a si mesmos. Para domá-los, lança-se mão do homem. Logo, para domar o homem.  é mister recorrer a Deus. Refugiemo-nos n'Ele!
                              
   Sim, Senhor, "Vós fostes nosso refúgio". Sem dúvida, Deus nos domará se nós nos refugiarmos n'Ele. Se nos deixarmos domar por Ele. O homem doma um leão que não é obra de suas mãos; e não há de domar a ti quem te tirou do nada pelo poder de Suas mãos? Olhai, caríssimos, para os animais ferozes. Ruge um leão e nós trememos. Contudo, o homem se sente capaz de domá-lo. Não pela força física, mas pela inteligência. Nisto o homem é mais forte que o leão, porque foi feito à imagem de Deus. Assim o homem, que é imagem de Deus, doma a fera. E não domará Deus a Sua imagem, que é o homem? 

   Em Deus, pois, está nossa esperança; sujeitemo-nos a Ele e imploremos Sua misericórdia; ponhamos n'Ele nossa confiança; e, tanto nos doma, amansa e nos faz perfeitos quanto nos submetemos a Ele e n'Ele nos refugiamos. Ás vezes Deus, nosso Domador,  também lança mão do chicote e da vara. São as provações e humilhações a que nos submete. Tu, ó homem, domas um cavalo para que uma vez manso te seja adjutório, conduzindo-te sobre ele. E, no entanto, quando morre, tu o abandonas às aves. No entanto, quando Deus te doma é para dar-te uma recompensa, que não é outra senão Ele mesmo. Depois de uma morte passageira, ressuscita-te, devolvendo a ti a carne sem faltar sequer um cabelo. Até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados, disse Jesus. Ele te ressuscita, para te colocar entre os anjos para sempre. Ali já não necessitas mais de ser domado, porque serás posse deste mesmo Pai, infinitamente doce. Então será Deus tudo em todos. Não haverá então infelicidade que nos prove, senão felicidade que nos satisfaça plenamente. Só Deus será nosso pastor; nosso Deus será nossa bebida; nosso Deus será nossa glória; nosso Deus será nossa riqueza. Toda variedade de bens que andas buscando aqui na terra, tê-los-á todos juntos n'Ele, em Deus. Buscai, caríssimos, não os bens, mas o Bem supremo que contém em Si todos os bens.

  Nosso Deus e Redentor e Pai nos doma, castiga e às vezes emprega até o chicote, mas tudo isto é para nos entregar uma herança que será Nosso mesmo Pai. Com este fim  nos corrige, e ainda há quem murmura e chega até a blasfemar! Um blasfemo, porém, não açoitado, não encontrará um Juiz irado? Não é, porventura, preferível que Deus te açoite, ó homem, mas te receba por filho, do que não te castigue mas te abandone?

   Digamos, pois, ao Senhor, Nosso Deus: "Senhor, Vós fostes nosso refúgio de geração em geração. Na primeira geração e na segunda, Vós fostes nosso refúgio. Refúgio para que nascêssemos, quando ainda não existíamos; refúgio para que renascêssemos, quando éramos pecadores; refúgio para nos sustentar, quando fugíamos de Vós; refúgio para nos levantar e guiar, quando éramos vossos filhos; sempre fostes nosso refúgio. Não voltaremos a deixar-Vos quando nos haveis curado de nossos males, quando haveis domado nossa carne, nosso orgulho, nossa ira e assim nos enriquecido de vossos bens; bens estes que nos dais entre carícias para evitarmos as fadigas do caminho. E quando nos corrigis, açoitais e bateis, é para que não nos afastemos do caminho. Vós, ó Senhor, serás nosso refúgio! Amém! 

quarta-feira, 1 de julho de 2020

COVID-19 E O COMUNISMO


O Islamismo e o Comunismo têm por escopo o domínio do mundo e o governo da humanidade.

 O Islamismo, religião inventada por Maomé, tem como meta central o domínio e o governo da humanidade, aliás, estribado nas promessas de seu deus Alah, como ensinou seu profeta Maomé. O fundador do Islamismo foi muito sagaz ao propor uma religião que justamente garantia o domínio do mundo, domínio este que os judeus esperavam e que Jesus Cristo desprezou, fazendo, inclusive, questão de mostrar  por sua vida e palavras que o Reino que veio trazer à terra não era o deste mundo mas o da Jerusalém Celeste. Os maometanos sempre procuraram vencer o Cristianismo e mesmo levá-lo à extinção. E conseguiram muitas vitórias. Até hoje estão de posse de santos lugares de Jesus, dentre outros, o Santo Sepulcro e a explanada onde se situava o Templo de Jerusalém. Mas sofreram, outrossim, muitas derrotas, derrotas essas suficientes para levá-los à conversão, já que tão claramente milagrosas por parte dos católicos, como por exemplo, a de Lepanto. Mas o fanatismo cega. Assim continuam com a pretensão audaciosa da conquista do mundo. A tática, porém, empregada é outra, pelo menos, por ora. Querem invadir pacificamente todos os países do mundo, e aí se multiplicarem. Para tanto, a moral de sua religião já lhes garante uma expansão populacional célere; pois, cada homem pode ter quatro mulheres legítimas e estas não podem evitar filhos. Quando, em 2000 estive em Jerusalém, fiquei sabendo que havia família muçulmana até com 40 filhos. As crises e guerras intestinas, provocadas por eles ou não, servir-lhes-ão de pretexto para as imigrações em massa. Uma vez que tiverem, ou julgarem ter, condição de orquestrar um ataque simultâneo em todos os países, assim o farão. E o que os torna mais perigosos é a fanatismo em que são formados garantindo-lhes o céu (que para eles é um reino com mulheres) no caso de suicídio para matar infiéis (que, segundo o Islamismo, são os demais que não são eles ou como eles). Para termos uma ideia de até onde este fanatismo leva, basta considerarmos o atos terroristas por eles perpetrados contra os Estados Unidos em 11 de setembro de 2001.

Na presente conjuntura, quero falar um pouco mais sobre o comunismo. Neste, o fanatismo não vem de um deus, mas sim do puro materialismo que não admite nenhum espírito, ou seja, Deus, alma e anjos. Sendo ateus, se julgam os criadores de um reino ideal no mundo e para o mundo. Tiram os filhos da influência dos pais, para os doutrinar neste materialismo ateu. Julgam que os homens valem pelo que produzem: os operários pela força braçal; os mais inteligentes, recruta-os para as ciências e seu governo. Ensinam que toda religião, em especial a Católica, é um ópio para o povo e que os cristãos embaraçam o trabalho do comunismo, porque enganam as pessoas oferecendo-lhes um céu lá em cima, que, na verdade, segundo eles, não existe.  O reino é aqui na terra, e este é o do Comunismo: um paraíso em que os homens só se preocuparão em gozar a vida. Para tanto, faz-se mister que várias coisas simplesmente sejam exterminadas de sobre a face da terra: as religiões, a família, o direito de propriedade, o capital e, evidentemente, os governos de direita que ainda teimam em existir em alguns países. Se não existe Deus, para quê religião? Se todos devem procurar o prazer, e viver como animais, qual a razão de haver família? Se os bens da terra são para todos, por que a propriedade privada? E se a mãe-terra o é de todos, qual o sentido do capital? E, dentro de sua lógica materialista, concluem: o comunismo procura um paraíso na terra: " Cada um dará segundo suas forças e receberá do estado comunista segundo suas necessidades". Os governos da Direita têm que desaparecer, porque só atrapalham os governos comunistas realizarem o paraíso na terra. E para isto, vale tudo, até mesmo a manipulação de uma epidemia que ceifa milhares de vidas ao redor do mundo.

 Infelizmente, muitos e muitos cristãos, na verdade, não seguem a Cristo. Levados pela avareza, não ajudam os pobres e até os exploram. Os políticos de esquerda, isto é, comunistas, ou os que deles se aproximam, sabem tirar proveito de tais falhas pessoais dos falsos cristãos. Enquanto não podem eliminar a religião, os políticos comunistas, dela se aproveitam para conseguirem ou a ditadura (como fizera Fidel Castro em Cuba e faz hoje Maduro em Venezuela), ou então, a sua eleição pelo povo, como fizeram Lula e Dilma. Por conveniência, é que estes políticos de esquerda, têm família e se mostram cristãos, até comungando, mas não se confessando. Fazem questão de ir a Roma para receber a bênção do Papa Francisco.

Não obstante, não é meu intento neste artigo, refutar estas ideias comunistas, mas mostrar a relação que têm com a pandemia do Covid-19. Este vírus chinês trouxe à minha mente um provérbio italiano: "Se non è vero, è bene trovato", "Se não é verdadeiro, é bem inventado". Inspirando-me neste provérbio direi, fazendo alguma acomodação: Se não é verdade que o Covid-19 foi criado em laboratório chinês, na verdade, foi muito bem-vindo à China comunista ou ao Comunismo chinês. Se não vejamos: A China adotara o sistema capitalista para conseguir o sucesso econômico que conseguiu.  Em consequência, todos ou quase todos os países têm comércio bem ativo com ela. Por este motivo, o Covid-19 pôde se espalhar rapidamente pelo mundo. Se fosse uma Coréia do Norte da vida, isto seria bem mais difícil, para não dizer impossível. Se a China não fabricou este vírus, é certo que o ocultou até que já tivesse atingido vários países. Por que construir em 20 dias dois grandes hospitais? Já sabia previamente do potencial do novo Corona-Vírus? Depois, isto assustou o mundo, e, talvez tenha sido uma dupla estratégia: provocar um isolamento que fatal e gravemente afetaria as economias mundiais; e, caso fabriquem no futuro um novo vírus, já tenham hospitais. Por que não foram hospitais descartáveis de campanha como fizeram outros países? Parece-nos que a China, se não fez, fará outro ou até outros novos vírus. Que os Estados Unidos e o Brasil vigiem e orem! Que se pode esperar de quem não acredita em Deus? Afinal, o Irã islâmico e a Coréia do Norte comunista, faziam bombas atômicas, com certeza com escopo de dominar o mundo. Mas, para quê gastar milhões de dólares em bombas atômicas, cujo resultado pode ser nulo e até contraproducente tendo em vista o poderio atômico e anti-atômico dos Estados Unidos e de outros países? Um simples vírus pode matar muito mais gente e destruir potências capitalistas com muito mais sucesso e com gastos insignificantes. Mais: Com o vírus a China está até se fortalecendo ainda mais com exportação de coisas empregadas no combate à pandemia. Caso faça outro vírus, antes terá feito a sua vacina, e, no momento em que outro país estiver na eminência de lançar no mercado mundial a sua vacina, ela lançará a sua e faturará com as mortes que estiver causando no mundo.

O Covid-19 vitima mais velhos e pessoas com doenças crônicas graves. E, pelo que expusemos acima, não enquadra bem isto com o pensamento comunista? O Covid-19 não se espalha pelo ar, e sim pela proximidade e contato. Daí provocar o isolamento social que prejudica a Religião e a economia mundial. E não é isto que quer o comunismo? Os comunistas querem "per fas et nefas" , derrubar os governos de direita e estabelecer os de esquerda. Estão explorando o Covid-19 no sentido de derrubar Bolsonaro no Brasil e Trump nos Estados Unidos.

O médico de 35 anos que, por primeiro alertou sobre a existência deste novo Corona-vírus, foi censurado pelo governo chinês. Infelizmente, morreu logo depois. O mundo, quiçá, tenha perdido um arquivo precioso no tocante a origem misteriosa do Covid-19.

Coloquemos toda nossa confiança em nosso Pai do Céu, que tudo governa com sabedoria, suavidade e fortaleza. É mister, porém, que os homens deixem o pecado e façam penitência, porque, caso contrário, como Nossa Senhora profetizou em Fátima: o comunismo espalhará seus erros pelo mundo, e haverá um castigo tão grande capaz de fazer desaparecer países inteiros.

Dizia o velho Tobias: "Deus nos castigou por causa de nossas iniquidades e Deus nos perdoou por causa de sua misericórdia". Amém!



SANGUE DE JESUS NA EUCARISTIA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Na preparação para o comunhão.

Na Hóstia Consagrada, ó meu dulcíssimo Jesus, eu Vos contemplo como quando estavas sobre a Cruz na hora do grande sacrifício. Oh! com qual púrpura Vos adornais sobre o trono do Vosso amor! Sangue,,, Sangue... Sangue... desde a extremidade dos pés até ao vértice da cabeça é tudo uma ferida... O Sangue corre de mil chagas... Madalena apoiada sobre o pé da Cruz salpicada deste Sangue, os anjos vindos do Céu recolhem-no em cálices de ouro... Ó Jesus, de todo este Sangue não haverá um pouco também para mim? Estou tão sedento!... não poderíeis derramar também um pouco no cálice do meu coração? Bastar-me-ia uma gota, dai-me, ó Jesus, esta gota de Vosso Preciosíssimo Sangue redentor e purificador!

À vista de tanto Sangue eu deveria fugir para longe, como da presença dum meu delito, como Caim fugiu ao ver o sangue de Abel, porque fui eu que vo-Lo tirei das veias na hora da minha insensatez e da minha loucura. Contudo, embora Ele me grite bem alto com voz de reprovação, eu sei que é muito mais forte a voz do Vosso amor. Dei-Vos a morte, ó Jesus; contudo Vós amais-me sempre. Dei-Vos a morte, mas sabeis que estou arrependido da minha crueldade, sabeis que tenho chorado os meus pecados e que quisera apagar-lhes as mais leves manchas mesmo que fosse preciso sacrificar-me totalmente por Vós. Dei-vos a morte, mas Vós já me perdoastes, e estais prestes a vir visitar-me e tratar-me com tal ternura como se eu nunca Vos tivesse ofendido. Aqui estou como Madalena ao pé da vossa Cruz. Quereis que a lembrança e o testemunho do meu delito se convertam em prova do Vosso amor e da minha felicidade; quereis que aquele Sangue que a minha insensatez Vos fez sair das veias desça ao meu coração a levar-lhe o calor da sua ternura. Espero que digais de mim o mesmo que dissestes de Maria Madalena: "Muitos pecados lhe foram perdoados, porque muito amou! Assim, ó Jesus, espero-Vos, desejo-Vos, quero ter a suma dita de ter-Vos sempre juntinho do meu coração.

Fico encantado em ver a sorte das santas mulheres do Calvário; quero também eu experimentar o que seja aquele Sangue que, ó Jesus, Vos caiu abundante das mãos, dos pés, da fronte, do Coração, que corre copioso a santificar as almas. Quero também eu ver até onde chega a Vossa generosidade em derramá-Lo pela salvação do mundo... quero ser ainda mais venturoso que aquelas piedosas mulheres. Elas viram o Vosso Sangue com os olhos, eu quero recebê-Lo em meu coração, pois, na Hóstia Consagrada está também o Sangue de Jesus. As santas mulheres recolheram talvez algumas gotas e levaram-nas consigo depois da Vossa morte, ó Jesus. Eu quero recolhê-Lo todo e tê-Lo comigo enquanto me durar a vida: elas ajudaram Maria a lavar as manchas de Sangue do Vosso Corpo depois que morrestes e fostes descido da Cruz; eu, pelo contrário, quero que o Vosso Corpo fique unido ao Vosso Sangue, e que um e outro alimentem a minha alma; elas viram-No, contemplaram-No, mas com os olhos cheios de lágrimas e o coração despedaçado pela dor; eu, pelo contrário, quero gostá-lo, inebriar-me de amor com Ele, para gozar comigo uma hora de felicidade santa e celestial.


E vós, ó Jesus, não vindes de boa vontade dar-me o Vosso Sangue? Mas a quem o dareis senão a uma alma que tanto O deseja e que tanto necessita d'Ele? Se me prometestes que me tornaríeis participante do Vosso reino, não é justo que eu participe também da Vossa púrpura? Ó Jesus, desejo ardentemente a Vossa vinda ao meu coração! Espero que nele estareis melhor que no Calvário. Lá o Vosso Sangue caiu em parte sobre um tronco duríssimo da cruz, em parte sobre um terreno sem sentimento nem beleza, e quem sabe quanto não terão os algozes calcado aos pés! No meu coração não encontrareis por certo aquela dureza, nem Vos farei um acolhimento insensato, ninguém ousará calcá-Lo aos pés, não, não, pela vossa graça; nem uma só gota será profanada, mas todo, todo será recolhido, adorado, amado com a ternura devota dum coração que quer viver todo realmente inebriado de amor por Vós, ó dulcíssimo Jesus. Amém!

PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE JESUS


Esta meditação é muito própria para nos santificar. Este foi um dos pontos de meditação assídua de Santa Catarina de Sena. Este o grito incessante desta santa extraordinária: "Banhai-vos no Sangue, mergulhai no Sangue, revesti-vos do Sangue de Cristo!"... "A alma que se inebria e se submerge no Sangue de Cristo, veste-se de verdadeiras e reais virtudes".  

   Mas, evidentemente, nada mais próprio para nos excitar a amar a Jesus do que as palavras do próprio Divino Espírito Santo nas Sagradas Escrituras: "Cristo amou-nos e lavou-nos dos nossos pecados no Seu Sangue" (Apoc. I, 5). "Mas Cristo, vindo como pontífice dos bens futuros, [passando] pelo meio de um tabernáculo mais excelente e perfeito, não feito por mão de homem, isto é, não desta criação, e não com o sangue dos bodes ou dos bezerros, mas com o seu próprio sangue, entrou uma só vez no Santo dos Santos, depois de ter adquirido uma redenção eterna." (Hebreus IX, 11 e 12). 

   Caríssimos, devemos ter o "sentido" do Sangue de Cristo, do Sangue que Ele derramou por nós até à última gota. Sangue que, por meio dos sacramentos - da confissão, em particular - jorra continuamente para lavar as nossas almas, para as purificar e enriquecer com os méritos infinitos da Redenção na Cruz. Este Sangue Preciosíssimo que o Verbo, ao encarnar, tomou da nossa natureza humana, todo no-lo devolveu como preço do nosso resgate. E Jesus o fez livremente, ou melhor dizendo, obrigado por seu amor por nós. : "Amou-nos e lavou-nos dos nossos pecados no seu Sangue". Na verdade, todos os mistérios da nossa redenção são mistérios de amor e todos, por isso, nos incitam ao amor; mas o Mistério do Sangue de Jesus Cristo particularmente nos comove: contemplar a efusão do Sangue de Jesus, que corre do Calvário tingindo de púrpura o mundo inteiro, rociando todas as almas!!! Nada mais comovente e capaz de nos obrigar a amar a Jesus sem reservas: "Sic nos amantem, quis non redamaret?" 

   Conclusão melhor não poderíamos fazer do que empregando as palavras de São Paulo: "... deixando todo o peso que nos detém e o pecado que nos envolve, corramos com paciência na carreira que nos é proposta, pondo os olhos no autor e consumador da fé, Jesus, o qual, tendo-lhe sido proposto gozo, sofreu a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está sentado à direita do trono de Deus. Considerai, pois, aquele que sofreu tal contradição dos pecadores contra si, e não vos deixareis cair no desânimo. Pois ainda não resististes até derramar o sangue, combatendo contra o pecado..." (Hebreus XII, 1-5). 

  Caríssimos, rezemos com muita devoção a Ladainha do Preciosíssimo Sangue. 

segunda-feira, 29 de junho de 2020

S. PEDRO

SÃO PEDRO, A PEDRA

                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*

Celebramos nessa semana, a solenidade de São Pedro, apóstolo escolhido por Jesus para ser seu vigário aqui na terra (“vigário”, o que faz as vezes de outro), seu representante e chefe da sua Igreja. Fundador da Igreja de Roma e seu primeiro Bispo, tendo o Papa, Bispo de Roma, como seu sucessor, sua vida, cheia de paradigmas e ensinamentos, muito nos ensina. Por isso, todos os anos dela nos recordamos e tiramos muitas lições. Junto com São Paulo, o apóstolo dos gentios, ambos constituem as colunas da Igreja de Cristo.
Pedro se chamava Simão. Jesus lhe mudou o nome, significando sua missão, como é habitual nas Escrituras: “Tu és Simão, filho de João. Tu te chamarás Cefas! (que quer dizer pedra - Pedro)” (Jo 1, 42). Quando Simão fez a profissão de Fé na divindade de Jesus, este lhe disse: “Não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as forças do inferno não poderão vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus (a Igreja): tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 13-19).
            Corajoso e com imenso amor pelo Senhor, sentiu também sua fraqueza humana, na ocasião da prisão de Jesus, na casa de Caifás, ao negar três vezes que o conhecia. “Simão, Simão! Satanás pediu permissão para peneirar-vos, como se faz com o trigo. Eu, porém, orei por ti, para que tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22, 31-32).  E Pedro, depois de ter chorado seu pecado, foi feito por Jesus o Pastor da sua Igreja.
São Pedro, fraco por ele mesmo, mas forte pela força que lhe deu Jesus, representa bem a Igreja de Cristo. “Cremos na Igreja una, santa, católica e apostólica, edificada por Jesus Cristo sobre a pedra que é Pedro... Cremos que a Igreja, fundada por Cristo e pela qual Ele orou, é indefectivelmente una, na fé, no culto e no vínculo da comunhão hierárquica. Ela é santa, apesar de incluir pecadores no seu seio; pois em si mesma não goza de outra vida senão a vida da graça. Se realmente seus membros se alimentam dessa vida, se santificam; se dela se afastam, contraem pecados e impurezas espirituais, que impedem o brilho e a difusão de sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por esses pecados, tendo o poder de livrar deles a seus filhos, pelo Sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo” (Credo do Povo de Deus).
 “Enquanto Cristo ‘santo, inocente, imaculado’, não conheceu o pecado, e veio expiar unicamente os pecados do povo, a Igreja, que reúne em seu seio os pecadores, é ao mesmo tempo santa, e sempre necessitada de purificação.... A Igreja continua o seu peregrinar entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus, anunciando a paixão e a morte do Senhor, até que ele venha. No poder do Senhor ressuscitado encontra a força para vencer, na paciência e na caridade, as próprias aflições e dificuldades, internas e exteriores, e para revelar ao mundo, com fidelidade, embora entre sombras, o mistério de Cristo, até que no fim dos tempos ele se manifeste na plenitude de sua luz” (Lumen Gentium, 8).
                                                                                                                                                                                                                                                                                           
        *Bispo da Administração Apostólica Pessoal
                                                                         São João Maria Vianney
                                                                    http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

domingo, 28 de junho de 2020

EVANGELHO DO 4º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 8, 18-23.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 5, 1-14:

   "Naquele tempo, cercado pela multidão que viera ouvir a palavra de Deus, viu Jesus, que estava nas margens do lago de Genesaré, duas barcas paradas à borda desse lago. Os pescadores haviam descido e lavavam as redes. Entrou [Jesus] em uma daquelas barcas, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Sentou-se, então, e da barca pôs-se a ensinar às turbas. Quando cessou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para a pesca. Respondendo, Simão disse-Lhe: Mestre, trabalhamos toda a noite, e não apanhamos nada; mas por vossa palavra, lançarei a rede. Feito isto, apanharam tão grande quantidade de peixes, que a rede se rompia. E acenaram aos companheiros, que estavam na outra barca, para que os viessem ajudar. Vieram e encheram as duas barcas, de modo que estas se submergiam. Vendo isto, Simão Pedro prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Afastai-Vos de mim, Senhor, que sou homem pecador. Porque estava atônito como todos os que com ele se achavam, pela pesca que haviam feito. E igualmente os estavam Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. E disse Jesus a Simão: Não temas; daqui em diante serás pescador de homens. E conduzidas as barcas para a terra, eles deixaram tudo e O seguiram". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Uma noite inteira de trabalho e nem um só peixe! Por que? Aí não estava Jesus... Os pescadores não trabalharam sob as ordens, sob a Sua direção, sob a Sua assistência...Trabalharam confiados só na sua arte... na sua experiência. 

   Assim, caríssimos irmãos, o Santo Evangelho de hoje nos oferece oportunidade para falarmos sobre o trabalho frutuoso e não frutuoso. 

   O meio mais acessível de santificação é tudo fazermos à luz de Deus, com Jesus, por Jesus e em Jesus, porque, unidos a Ele, todas as nossas ações serão frutuosas, meritórias. 

   'Trabalhamos durante toda a noite, disse São Pedro, e nada apanhamos'. 

   O que é trabalhar sem Jesus?
  • É trabalhar sem a graça, sem a verdadeira luz, em cegueira espiritual, em estado de pecado mortal, sob o império de determinadas paixões. Ai! quantos cristãos trabalham assim infrutuosamente, consumindo a vida no pecado. 
  • É trabalhar para o mundo, pela terra. São aqueles que se extenuam e sofrem mil cuidados para adquirir riquezas ou honras. E tudo isto é vaidade e aflição de espírito. "Que adianta ao homem, disse Jesus, ganhar o mundo todo, se vier a perder a sua alma?" E contudo é esta a vida da maioria dos homens, mesmo de cristãos!
  • É trabalhar sem pureza de intenção, conforme a nossa própria vontade, sem procurar, nem a glória, nem a vontade divinas. O que assim se faz é sem mérito e sem fruto. Ai! e são muitos os que assim trabalham com prejuízo total, mesmo entre as pessoas religiosas, porque se age por leviandade, por rotina e com negligência. 
       Como se trabalha com Jesus?

  • Conservando sempre o estado de graça, vivendo na amizade de Jesus, para que ainda as menores das nossas ações sejam santas: "Aquele que me segue, disse Jesus, não anda nas trevas".
  • Nada fazendo senão conforme a vontade de Deus, na ordem por Ele estabelecida: "A pessoa obediente cantará vitória" (Prov. XXI, 28).
  • Não perdendo jamais de vista, em todas as nossas ações, a santa presença de Deus. Disse Deus a Abraão: "Anda na minha presença e serás perfeito" (Gen. XVI, 1). 
  • Executando todas as coisas só por amor de Deus e para Sua glória e referindo-Lhe tudo: "Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1 Cor. X, 31). 
  • Conservando-se sempre, e em tudo, em união com Nosso Senhor. Sem Nosso Senhor Jesus Cristo não podemos fazer nada de bom: "Sem mim, disse Jesus, nada podeis fazer". Com Ele, porém, tudo é abençoado!
      Terminemos ouvindo Santa Teresinha do Menino Jesus: "Senhor, Vós o vedes, caio em tantas fraquezas, mas não me admiro... Entro dentro de mim e digo: estou ainda no mesmo ponto que antes! Mas digo isto com uma grande paz e sem tristeza, porque sei que conheceis perfeitamente a fragilidade da nossa natureza e estais sempre pronto a socorrer-nos. Portanto, de que poderei ter medo? Apenas me vedes convencida do meu nada, ó Senhor, logo me estendeis a mão; mas se eu quisesse fazer alguma coisa de grande, mesmo sob o pretexto de zelo, imediatamente me deixaríeis só. Basta, pois, que me humilhe e suporte de boa vontade as minhas imperfeições; é nisto que consiste para mim a verdadeira santidade". Amém!

    quarta-feira, 24 de junho de 2020

    S. JOÃO BATISTA

    SÃO JOÃO BATISTA

                                                              Dom Fernando Arêas Rifan*
    Nesta semana, dia 24 de junho, celebramos a festa de São João Batista, filho de Isabel e Zacarias, sobrinho de Nossa Senhora e primo de Jesus, que, depois, na sua pregação, irá fazer o seu elogio: “Entre todos os nascidos de mulher não surgiu quem fosse maior que João Batista” (Mt 11,11). Modelo de penitência, humildade e firmeza de caráter.
    João Batista, assim cognominado pelo batismo que administrava, foi o precursor de Jesus, aquele que o apresentou ao povo de Israel. Anunciado ao seu pai Zacarias, foi santificado ainda no seio materno quando da visita de Nossa Senhora, já grávida do Menino Jesus, à sua prima Isabel. Por isso a Igreja festeja, no dia 24, o seu nascimento, ao contrário de todos os outros santos, dos quais ela só comemora a morte, ou seja, seu nascimento para o Céu.
    Desde criança, retirou-se para o deserto para fazer penitência e se preparar para sua futura missão. Ministrava ao povo o batismo de penitência, ao qual Jesus também acorreu, por humildade. Sua pregação era: “Arrependei-vos, pois o Reino dos Céus está próximo... Produzi fruto digno de vosso arrependimento... Eu vos batizo com água, como sinal de arrependimento, mas o que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu nem sou digno nem de carregar suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mt 3, 2, 8, 11).
    Jesus, no começo do seu ministério público, quis também, por humildade, misturando-se aos pecadores, ser batizado por João. João quis recusar, dizendo: “Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?... Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água e o céu se abriu. E ele viu o Espírito de Deus descer, como uma pomba e vir sobre ele. E do céu veio uma voz que dizia: ‘Este é o meu Filho amado; no qual eu me agrado’” (Mt 3, 14, 16-17).
    São João Batista era o homem da verdade, sem acepção de pessoas. Por isso admoestava o Rei Herodes contra o seu pecado de infidelidade conjugal e incesto, o que atraiu a ira da amante do rei, Herodíades, que instigou o rei a metê-lo no cárcere. No dia do aniversário de Herodes, a filha de Herodíades, Salomé, dançou na frente dos convivas, o que levou o rei, meio embriagado, a prometer-lhe como prêmio qualquer coisa que pedisse. A filha perguntou à mãe, que não perdeu a oportunidade de vingar-se daquele que invectivava seu pecado. Fez a filha pedir ao rei a cabeça de João Batista. João foi decapitado na prisão, merecendo o elogio de Jesus, por ser um homem firme e não uma cana agitada pelo vento.
    Assim, a virtude que mais sobressai em João Batista, além da sua humildade e penitência, é a firmeza de caráter, tão rara hoje em dia, quando muitos pensam ser virtude o saber “dançar conforme a música”, ser uma cana que pende de acordo com o vento das opiniões, o pautar a vida pelo que dizem ou acham e não pela consciência reta, voz de Deus em nosso coração. João Batista foi fiel imitador de Jesus Cristo, caminho, verdade e vida, que, como disse o poeta João de Deus, “morreu para mostrar que a gente pela verdade se deve deixar matar”.
    Que São João Batista nos proteja e defenda nessa pandemia.  

    domingo, 21 de junho de 2020

    S. LUIZ DE GONZAGA


     Pertencia à família dos duques de Mântua (Itália) e era príncipe do Sacro Império, sendo herdeiro do feudo soberano de Castiglione. Foi batizado apenas nascido e depois educado santamente. Desde o primeiro uso da razão, ofereceu-se a Deus, e levou uma vida cada vez mais santa. Com nove anos, estando em Florença diante do altar da Santíssima Virgem, fez o voto de castidade perpétua ao qual foi inteiramente fiel até a morte. Por ser príncipe esteve muito tempo entre os soldados e era inevitável os ouvisse pronunciar palavras pouco decentes, que, na sua inexperiência, começou a repetir sem lhe saber a significação. Luiz chorou esta falta durante toda a vida, como se fossem gravíssimos pecados. A vida edificante, a prática das virtudes, importou-lhe o apelido de anjo. Foi aí em Florença que Luiz fez a primeira confissão, e fê-la com tanta dor de arrependimento. que caiu sem sentidos aos pés do confessor. 
       São Carlos Borromeu, Arcebispo de Milão, preparou-o para o primeira Comunhão, que recebeu com uma devoção comovedora. Recebendo depois a Santa Comunhão aos domingos, dedicava três dias para preparar-se e outros três dias para fazer a ação de graças. 
       Luiz guardava tão bem os sentidos, em particular o da vista, que não olhava jamais para o rosto da princesa da Espanha da qual era pajem. À guarda dos sentidos, ajuntava as mortificações corporais. Jejuava três dias na semana, usava a disciplina, dormia sobre tábuas. E isto com o fito de ter facilidade para acordar mais cedo e poder rezar. Passava horas de joelhos em oração e contemplação das coisas celestes. Tinha como lema em tudo que ia fazer: "Que vale isto para a eternidade?!" 

    S. Luiz na corte de Espanha
      Como filho mais velho era herdeiro do trono, mas a tudo renunciou depois de uma luta árdua para conseguir licença paterna, e chamado por Deus à vida religiosa escolheu a Companhia de Jesus fundada por Santo Inácio de Loiola. Luiz contava 17 anos quando foi aceito como noviço no Colégio de Roma. Modelo de virtude, que era no mundo, muito mais o fora no convento. Desejoso de regular a vida pelas obrigações da vida comum, pediu aos Superiores não usassem com ele de nenhuma consideração, querendo ser tratado com um dos últimos da casa. Nunca falou uma palavra sobre sua origem nobre. De acordo com o espírito religioso, reconhecia na obediência o fundamento de toda a virtude. Sem dar o menor sinal de ostentação, o exterior traduzia-lhe a modéstia, a humildade, a caridade e movia à devoção a quantos o viam. 
       Como grassavam em Roma a peste e a fome, Luiz ia, de casa em casa, pedir esmola aos ricos para os pobres. Não satisfeito com isso, pediu aos Superiores licença para diretamente acudir às necessidades dos empestados e prestar-lhes serviços nos hospitais. Obtida a licença, a dedicação e caridade do jovem não tiveram mais limites. Mas a fraca constituição de Luiz não resistiu às grandes fadigas e esforços verdadeiramente sobre-humanos que fazia no serviço hospitalar. Contraiu aí a peste contagiosa. A morte, porém, não podia amedrontar o angélico jovem. Quando soube que tinha chegado a hora de preparar-se para a última viagem, exclamou com emoções de alegria: "Eu me alegrei do que me foi dito: irei à casa do Senhor" (Salmo 121). Durante os últimos três dias segurava constantemente o crucifixo e o terço. De vez em quando beijava a imagem de Jesus, e os olhos se lhe enchiam de lágrimas de amor. No rosto se lhe via estampada uma paz celestial - reflexo de sua alma pura e cândida. 
       Em 21 de junho de 1591, com a idade de 24 anos começados, sobre uma tábua, como pediu, entregou a alma ao Criador. As últimas palavras que disse, foram invocações dos nomes de Jesus e Maria. Treze anos depois de sua morte, foi beatificado. Sua mãe ainda vivia, e pôde invocá-lo sobre os altares. Feliz mãe! 
       Felizes também todas as pessoas que fazem aniversário no dia deste santo patrono da juventude e modelo de pureza! Meus parabéns a todas!

       Oração a São Luiz de Gonzaga

       Ó Luiz santo, adornado de costumes angélicos, eu, indigníssimo devoto vosso, vos recomendo particularmente a castidade da minha alma e do meu corpo. Peço-vos, pela vossa angélica pureza, me apresenteis ao Cordeiro imaculado Jesus Cristo e a Sua Mãe santíssima, a Virgem das virgens, Maria, e me preserveis de todo o pecado. Não permitais que se implante em minha alma qualquer mancha de impureza; mas, quando me virdes em tentação ou perigo de pecar, afastai para longe de mim os pensamentos e afetos imundos, despertando em minha alma a lembrança da eternidade e de Jesus crucificado. Calai-me profundamente no coração um sentimento do santo temor de Deus, e abrasando-me no amor divino, fazei que vos imite na terra, para que possa gozar convosco de Deus no céu. Amém.