terça-feira, 9 de dezembro de 2014

DEVEMOS ESPERAR IR PARA O CÉU

   Caríssima Dona Dulcina e seus filhos, meus pêsames pelo falecimento do meu grande amigo o Sr. João Luiz Bento!
   Lá no céu, todos nos convidam para o paraíso; nosso anjo da guarda impele-nos com todo o seu poder recebido de Deus para nos conduzir à Pátria do repouso eterno; Nosso Senhor Jesus Cristo, do alto do céu, contempla-nos amorosamente, e convida-nos com doçura para o trono da glória que nos prepara na abundância de sua  bondade; a Santíssima Virgem chama-nos aí maternalmente; os santos, com um milhão de almas santas, exorta-nos a isso afetuosamente e certificam-nos que o caminho da virtude não é tão penoso como o mundo o pinta. Não aceitareis os favores que vos oferece o céu? Não auxiliareis vós esses atrativos e inspirações que sentis?
   Caríssimos e amados leitores, especialmente a esposa e os filhos do falecido, tende confiança em todas as vossas provas; não esqueçais que, como disse Jesus, convém que o grão morra no seio da terra, para  que floresça a sua superfície sobre uma haste rejuvenescida e renovada. Ainda mais alguns dias de dor paciente e resignada e esta mortalidade que se transforma, revestirá a imortalidade, e esta corrupção que acabou e se precipita transforma-se-á em uma luz incorruptível: reunidos com os santos no lugar de alívio e paz, donde são banidos a dor e os gemidos, direis com eles: Não; os sofrimentos deste tempo tão curto não são dignos da glória que nos revelaram; não, este momento fugitivo, esta pequena tribulação, que nos foi medida, não vale este peso eterno, esta imensa medida de felicidade, que é o seu fruto e recompensa.
   "Oh! como deveríamos muitas vezes dirigir os nosso espírito para a Jerusalém celeste, essa gloriosa cidade de Deus, onde ouviríamos retinir de toda a parte os louvores pelas vozes duma variedade infinita de santos; e perguntando-lhes como aí chegaram, saberíamos que os Apóstolos chegaram lá, principalmente pelo amor, os mártires pela constância, e os doutores pela meditação, os confessores pela mortificação, as virgens pela pureza do corpo e coração e todos geralmente pela humildade". (S. Francisco de Sales).
   Nós faremos bastante, para chegarmos ao Céu, não nós, mas a graça de Deus conosco. Quanto maior e mais forte for em nós o desejo, tanto mais prazer e contentamento nos trará  a sua posse e gozo.
   Numa carta a Santa Joana Francisca F. de Chantal, São Francisco de Sales dizia-lhe: "Viva Deus! Tenho firme  confiança no íntimo do coração, que viveremos eternamente com Deus e nos reuniremos um dia no céu; é preciso coragem; iremos bem depressa para lá".  São Vicente de Paulo, conta que, à hora da morte de Santa Joana F. F. de Chantal, ele viu debaixo da forma dum globo de fogo, a alma da santa desligar-se do corpo e ao passo que subiu ao céu, viu vir ao seu encontro igualmente sob a forma de um globo de fogo maior a alma de São Francisco de Sales, morto havia muitos anos. Estes dois globos inflamados reuniram-se e entraram no seio da Glória Eterna de Deus. 
   Caríssimos e amados leitores,  vede com que fidelidade o Santo Bispo cumpriu a promessa que tinha feito a Santa Chantal de a vir buscar para levá-la ao céu. Esta consolação mútua de se reverem na felicidade celeste, é concedida a todos os que se amaram com afeto cristão. Sim, vós tornareis a encontrar na glória um pai, uma mãe, filhos queridos, irmãos e irmãs, esposo ou esposa,   todos os que na terra trabalharam na vossa salvação ou vos devem a sua bem-aventurança! Que inefável encontro nas alegrias eternas, em um amor sempre novo, em uma sociedade de anjos e santos! Nesta corte incomparável que encantadora felicidade não nos separarmos dos que amamos! Tornar a ver as feições dos que estimamos traz agradável surpresa; mas tornar a vê-los no céu com encantos imorredouros, para nunca mais deixar os que amamos, que felicidade indizível!
   Caríssima Dona Dulcina   e seus extremosos e queridíssimos filhos, consolai-vos mutuamente com estas palavras. Temos o consolo de fazer pelo Sr. João Luiz mais do que fizemos quando vivo: fazermos orações e outras boas obras pela sua alma, alma tão bondosa, tão simples e tão humilde. Comecei no dia mesmo de sua morte, a celebrar a série gregoriana de 30 missas pela alma deste meu inesquecível amigo. 

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