quarta-feira, 5 de maio de 2021

MÃES PARABÉNS

 


                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*          

           

Domingo próximo: Dia das Mães: desde já, parabéns! Já contei isso aqui, mas, de tão belo, vale a pena repetir. A agência de empregos Mullen, de Boston, resolveu divulgar nos jornais e postar na internet uma vaga de trabalho diferente, convidando os interessados para uma entrevista. A oferta era de um emprego difícil, com responsabilidades e requisitos bem amplos, em que as pessoas interessadas deveriam trabalhar 135 horas por semana ou mais, basicamente 24 horas por dia nos sete dias da semana, 365 dias por ano; exercer em pé, na maior parte do tempo, com a possibilidade de se sentar, de tempos em tempos; ter capacidade de improvisar, um grande poder de negociação e habilidades interpessoais; não ter horário fixo de almoço, quer dizer, podem almoçar, mas quando o seu associado já tiver almoçado; ter paciência ilimitada; capacidade de trabalhar num ambiente caótico, alto nível de energia, mobilidade constante; às vezes vai ser preciso ficar com um associado durante a noite. Se você tiver uma vida, pedimos que você abandone essa vida. Sem benefício e sem salário. Trabalho nos feriados, Natal e Ano Novo. Conhecimento básico de medicina, finanças, gastronomia e pedagogia. Você terá uma grande alegria em ajudar o seu associado. O nome genérico do trabalho era “diretor de operações”. Era um trabalho muito importante, o emprego mais difícil, mas o melhor do mundo. 

O anúncio obteve mais de dois milhões de impressões, mas apenas 24 pessoas aceitaram participar da entrevista de emprego. E, diante das condições do tal trabalho, acharam um absurdo, uma loucura, algo quase cruel e desumano. E quando souberam que não haveria salário, exclamaram que ninguém jamais trabalharia assim de graça.  E, é claro, não aceitaram a vaga. Perguntaram até se isso era de acordo com a lei. É claro que é, respondiam os da agência. E mais, vamos lhes dizer que alguém ocupa essa vaga nesse exato momento. Na verdade, são bilhões de pessoas! Quem? Perguntavam espantadas as pessoas entrevistadas?

AS MÃES! Diretor de operações, mais conhecidas como MÂES. E elas atendem a todos esses requisitos! Mãe são as melhores diretoras, sem pagamentos, 24 horas por dia, sempre lá! O trabalho mais difícil e importante do mundo. Brincadeira séria!

Mãe é a coisa mais parecida com Deus, no seu amor gratuito por nós. É um raio do amor de Deus no coração de uma mulher. Amor total e gratuito, sem interesse nenhum, trabalho só por amor. Até diante da ingratidão! Amor que nunca se esquece dos filhos, amor sem egoísmo, amor abnegado, amor porque o objeto amado é alguém que foi por ela criado, bem perto do seu coração!

Pense na sua mãe! Todos aqueles dias e noites por você! Agradeça a Deus por ter lhe dado uma mãe e por tudo o que ela fez e faz por você!

O dia das mães é todo dia: dê a ela todo o seu carinho, sua oração e gratidão por tudo o que ela tem feito por você! Parabéns, mamães! Vocês são um tesouro, algo do Céu aqui na terra, um reflexo de Deus! Feliz dia das Mães! 

 

                                                                                                                                                                                                                                            *Bispo da Administração Apostólica Pessoal

                                                                                                                                                                                                                                                                                                               São João Maria Vianney

                                                                                                                                                                                                                                                                                                               http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

terça-feira, 27 de abril de 2021

O MAIS BELO MÊS

O MAIS BELO MÊS 

                                                          Dom Fernando Arêas Rifan* 

                  Sábado próximo tem início o mais belo mês do ano, na Europa chamado mês das flores, pois lá é primavera, mês das noivas, por elas escolhido para os belos casamentos, o mês das mães, o mês de Nossa Senhora! Neste ano, por causa da pandemia que nos assusta, um pouco sem brilho, mas não com menos fervor e devoção à Mãe de Deus.

            O Papa Francisco, nesse tempo de pandemia (2020), escreveu uma bonita carta, sobre este tão belo mês: “Já está próximo o Mês de Maio, no qual o povo de Deus manifesta de forma particularmente intensa o seu amor e devoção à Virgem Maria. Neste mês, é tradição rezar o Terço em casa, com a família; dimensão esta – a doméstica –, que as restrições da pandemia nos «forçaram» a valorizar, inclusive do ponto de vista espiritual”.

“Por isso, pensei propor-vos a todos que volteis a descobrir a beleza de rezar o Terço em casa, no mês de maio. Podeis fazê-lo juntos ou individualmente: decidi vós de acordo com as situações, valorizando ambas as possibilidades. Seja como for, há um segredo para bem o fazer: a simplicidade; e é fácil encontrar, mesmo na internet, bons esquemas para seguir na sua recitação. Além disso, ofereço-vos os textos de duas orações a Nossa Senhora, que podereis rezar no fim do Terço; eu mesmo as rezarei no Mês de Maio, unido espiritualmente convosco. Junto-as a esta Carta, para que assim fiquem à disposição de todos”.

O Papa recomenda uma oração a Nossa Senhora, Salvação do Povo Romano: “...Confiamo-nos a Vós, Saúde dos Enfermos, que permanecestes, junto da cruz, associada ao sofrimento de Jesus, mantendo firme a vossa fé. Vós, Salvação do Povo Romano, sabeis do que precisamos e temos a certeza de que no-lo providenciareis para que, como em Caná da Galileia, possa voltar a alegria e a festa depois desta provação. Ajudai-nos, Mãe do Divino Amor, a conformar-nos com a vontade do Pai e a fazer aquilo que nos disser Jesus, que assumiu sobre Si as nossas enfermidades e carregou as nossas dores para nos levar, através da cruz, à alegria da ressurreição. Amém.

“À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas na hora da prova, mas livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Na dramática situação atual, carregada de sofrimentos e angústias que oprimem o mundo inteiro, recorremos a Vós, Mãe de Deus e nossa Mãe, refugiando-nos sob a vossa proteção. Ó Virgem Maria, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos nesta pandemia do Coronavírus e confortai a quantos se sentem perdidos e choram pelos seus familiares mortos e, por vezes, sepultados duma maneira que fere a alma. Sustentai aqueles que estão angustiados por pessoas enfermas de quem não se podem aproximar, para impedir o contágio. Infundi confiança em quem vive ansioso com o futuro incerto e as consequências sobre a economia e o trabalho. Mãe de Deus e nossa Mãe, alcançai-nos de Deus, Pai de misericórdia, que esta dura prova termine e volte um horizonte de esperança e paz. Como em Caná, intervinde junto do vosso Divino Filho, pedindo -Lhe que conforte as famílias dos doentes e das vítimas e abra o seu coração à confiança. Protegei os médicos, os enfermeiros, os agentes de saúde, os voluntários que, neste período de emergência, estão na vanguarda arriscando a própria vida para salvar outras vidas. Acompanhai a sua fadiga heroica e dai-lhes força, bondade e saúde. Permanecei junto daqueles que assistem noite e dia os doentes, e dos sacerdotes que procuram ajudar e apoiar a todos, com solicitude pastoral e dedicação evangélica. Virgem Santa, iluminai as mentes dos homens e mulheres de ciência, a fim de encontrarem as soluções justas para vencer este vírus. Assisti os Responsáveis das nações, para que atuem com sabedoria, solicitude e generosidade, socorrendo aqueles que não têm o necessário para viver, programando soluções sociais e econômicas com clarividência e espírito de solidariedade. Maria Santíssima tocai as consciências para que as somas enormes usadas para aumentar e aperfeiçoar os armamentos sejam, antes, destinadas a promover estudos adequados para prevenir catástrofes do gênero no futuro. Mãe amadíssima, fazei crescer no mundo o sentido de pertença a uma única grande família, na certeza do vínculo que une a todos, para acudirmos, com espírito fraterno e solidário, a tanta pobreza e inúmeras situações de miséria. Encorajai a firmeza na fé, a perseverança no serviço, a constância na oração. Ó Maria, Consoladora dos aflitos, abraçai todos os vossos filhos atribulados e alcançai-nos a graça que Deus intervenha com a sua mão omnipotente para nos libertar desta terrível epidemia, de modo que a vida possa retomar com serenidade o seu curso normal. Confiamo-nos a Vós, que resplandeceis sobre o nosso caminho como sinal de salvação e de esperança, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria. Amém”.

 

                                                                                                                                                                                                                                   *Bispo da Administração Apostólica Pessoal

                                                                                                                                                                                                                                                                                                     São João Maria Vianney

                                                                                                                                                                                                                                                                                                    http://domfernandorifan.blogspot.com.br/ 

terça-feira, 20 de abril de 2021

CONFIANÇA E PREVENÇÃO

    CONFIANÇA E PREVENÇÃO!

 

                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*

 

            Vendo a morte levar nossos conhecidos e entes queridos pela COVID-19, é difícil, mesmo confiando em Deus, não ficarmos tristes nem nos preocuparmos            com esse flagelo. E não nos consola o fato de o mundo já ter passado por pestes semelhantes, por muita gente ter morrido nas guerras, por sabermos que a vida é mesmo assim... Mas quando chega a nossa vez, quando a morte bate na porta dos nossos vizinhos, todos trememos de medo. Rezando pela nossa saúde e confiando em Deus, precisamos estar preparados para tudo.         

            Deus não é autor do mal. O mal é proveniente da nossa finitude, pois só Deus é o sumo bem e a suma perfeição.  O mal é consequência às vezes do mau uso da nossa liberdade e, muitas vezes, dos nossos pecados. Mas Deus só permite um mal para dele tirarmos algum bem. E podemos tirar sim.

Essa doença vem nos lembrar a nossa pequenez. O homem, orgulhoso de sua ciência e de suas conquistas tecnológicas em todos os campos, prostra-se de joelhos diante de um ser ultramicroscópico, que põe toda a humanidade temerosa. Realmente nós não somos onipotentes e tão poderosos: só Deus o é. Portanto, a primeira lição é de humildade.

            Por isso, recorramos a Deus onipotente, pedindo-lhe que afaste de nós esta calamidade: “ela não é enviada por Ele, mas permitida, para que nos convertamos de nossa soberba e desmando na organização dos recursos da criação...” (Dom Pedro Cipollini). Segunda lição: oração. E a lembrança de que a nossa pátria definitiva não é aqui. Somos cidadãos do Céu.

            “Nas tempestades da vida, nos momentos de desorientação, o homem não pode contar apenas com as próprias forças. É preciso ter fé e recordar que Deus pode nos salvar de todas as tempestades”. Foram as palavras do Cardeal Angelo Comastri, arcipreste da Basílica de São Pedro, lembrando da tempestade no Mar da Galileia, com os Apóstolos temerosos acordando Jesus. “Temos que recordar sempre que Deus pode nos tirar de todas as tempestades, desde que tenhamos fé e abramos o nosso coração a Ele”. Oração com fé e humildade.

            Se de um lado devemos recorrer à oração, com confiança em Deus, por outro lado devemos usar todos os recursos, prevenções e assepsias que os médicos e os profissionais da saúde nos recomendam. Jesus disse: “Os doentes precisam de médico” (Mt 9, 12).

            E não devemos “tentar a Deus”, ou seja, fazer coisas imprudentes e perigosas para a nossa saúde, confiando erradamente que Deus nos protegerá (Mt 4, 7). Prevenção e cuidados. Ouvindo o que nos dizem os médicos, todos devemos ser vacinados, evitar aglomerações, usar máscaras, lavar as mãos e usar álcool para assepsia.

            Essa calamidade nos ensina ainda que todos somos iguais em natureza, sem distinção de classes, cor, nacionalidade, sexo, etc., fracos e débeis, precisando sempre e dependentes uns dos outros. Isso nos obriga a cuidarmos uns dos outros, à solidariedade e à caridade.

            Que Maria Santíssima, saúde dos enfermos, nos proteja.

           

                                                                                                                                                                                                                                                *Bispo da Administração Apostólica Pessoal

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   São João Maria Vianney

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

  

terça-feira, 13 de abril de 2021

A PAZ ESTEJA CONVOSCO!

  A PAZ ESTEJA CONVOSCO!

                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*

 

            Após a sua Paixão e morte na Cruz, os discípulos de Jesus estavam apavorados, cheios de medo e incertezas quanto ao passado – teria sido tudo um sonho e uma ilusão? – e quanto ao futuro – o que será de nós sem Ele?. Jesus lhes aparece, vivo, e os saúda, dizendo: “A paz esteja convosco”. Foi a sua mensagem de Páscoa. “A paz é a tranquilidade da ordem” (Santo Agostinho). A paz dos povos, a paz das consciências, a paz com Deus! Nos tempos calamitosos em que vivemos, a paz, a tranquilidade, embora difícil, é especialmente necessária, até para a nossa saúde. “A imaginação é a metade da doença. A tranquilidade é a metade do remédio. E a paciência é o primeiro passo para a cura” (Avicena, médico e filósofo árabe medieval, considerado pai da medicina moderna).       

            A depressão é excesso de passado em nossas mentes e a ansiedade, excesso de futuro. O momento presente é a chave para a cura de todos os males mentais. E a confiança em Deus vem nos dar forças e paz. Preocupados com o passado e o futuro, não vivemos bem o presente. A memória e a imaginação, não controladas, roubam-nos a paz e a tranquilidade.

 “A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para frente” (Sören Kierkegaard). “Que a saudade do ontem e o medo do amanhã não roubem a alegria do nosso hoje” (Pe. Roque Schneider). “Senhor, eu peço para o meu passado a vossa misericórdia, para o meu presente o vosso amor, para o meu futuro a vossa providência” (São Pio de Pietrelcina). “A imaginação dos lugares e mudanças a muitos tem iludido” (Imitação de Cristo I, 9). “Essa felicidade que supomos, / Árvore milagrosa, que sonhamos / Toda arreada de dourados pomos, // Existe,sim: mas nós não a alcançamos / Porque está sempre apenas onde a pomos / E nunca a pomos onde nós estamos” (Vicente de Carvalho).

Jesus, no seu Sermão da Montanha, nos dá a receita da tranquilidade: “Não fiqueis preocupados quanto à vossa vida... Olhai os pássaros do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros. No entanto, vosso Pai Celeste os alimenta. Será que vós não valeis mais do que eles?... Aprendei dos lírios do campo, como crescem. Não trabalham nem fiam, e, no entanto, eu vos digo, nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um só dentre eles... Vosso Pai Celeste sabe que precisais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo. Portanto, não fiqueis preocupados com o amanhã, pois o amanhã terá sua própria preocupação! A cada dia basta o seu mal” (Mt 6, 25-34). Não perder a paz com o que aconteceu ontem, nem com o que imaginamos poderá acontecer amanhã: basta o problema de cada dia. Santa Teresa chamava a imaginação de “a louca da casa”. Ela pode nos perturbar e nos tirar a tranquilidade e a paz, com os perigos e os problemas que nem sequer existem ainda.

No Pai-Nosso, Jesus nos ensinou a pedir “o pão nosso de cada dia”. Com a palavra “pão” podemos entender não só o alimento, mas também a solução de todos os problemas. De cada dia, não os de amanhã. Abandonemo-nos nas mãos de Deus, que é Pai, e se preocupa conosco e por nós. “Lança sobre Deus o teu cuidado, e ele te sustentará” (Sl 55, 23). “Lançai sobre ele toda a vossa preocupação, pois ele cuida de vós” (1Pd 5,7).

                                                                                                                                                                                                                                               *Bispo da Administração Apostólica Pessoal

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                São João Maria Vianney

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                http://domfernandorifan.blogspot.com.br/


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

PANDEMIA

 PANDEMIA: REFLEXÕES

 

                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*

                                                                                                                                          

 

Na Ladainha de Todos os Santos, pedimos a Deus que nos livre dos flagelos, da peste (pandemias), da fome e da guerra. Pode ser que, permitindo o flagelo, Deus espere a nossa conversão e reflexão sobre os desregramentos da humanidade.

Deus às vezes pode usar das doenças e calamidades, mesmo sem as querer, mas só permitir, para que delas possamos tirar algum bem. Não foi a doença que fez o centurião romano, pagão, se aproximar de Jesus para pedir a cura para alguém da sua casa? Na parábola do filho pródigo, não foi a desgraça que o fez voltar para o seu pai? Não foi o assalto e o roubo do judeu na parábola que suscitaram a caridade e a boa ação do samaritano?

Assim também, nessa pandemia atual, permitida por Deus, procuremos tirar todo o bem possível, pois é isso que Deus quer de nós. Ocasião para rezarmos mais, para amarmos mais nossa família e os irmãos, para exercermos a paciência especialmente em nossa vida familiar, praticando a caridade com o próximo. Muitas pessoas, com essa quarentena, aprenderam a rezar mais e melhor, especialmente com a família! Apreciamos todo o esforço dos poderes públicos mesmo insuficiente, a abnegação e o trabalho dedicado dos médicos, e profissionais da saúde em geral, dos policiais, bombeiros e sacerdotes.  Que Deus os abençoe e conforte a eles e suas famílias!

Átila, rei nos Hunos, pioneiro das incursões bárbaras que assolaram o Império Romano, invadiu a Europa com tanta mortandade que não era possível contar o número dos mortos, pilhando e devastando cidades, igrejas e mosteiros, e foi intitulado “o flagelo de Deus”, ou seja, o instrumento de Deus para punir os pecados dos homens.  Só parou às portas de Roma, quando foi ao seu encontro o Papa São Leão I, que o persuadiu a desistir de sua invasão da Itália.

As causas dessa pandemia são ainda obscuras. Mas a falta de cuidado, os desvios de verbas públicas e os pecados acontecidos nesse tempo nos questionam. Mas não é hora de atribuirmos culpa a esse ou àquele. Devemos sim rezar por nós e por todos, como nos ensina a Igreja: “O Apóstolo exorta-nos a fazer súplicas e ações de graças pelos reis e por todos aqueles que exercem a autoridade, ‘a fim de que possamos ter uma vida calma e tranquila, com toda a piedade e dignidade’ (1Tm 2,2)” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2240).

 “Peçamos a graça de saber rezar uns pelos outros. São Paulo exortava os cristãos a rezar por todos, mas em primeiro lugar por quem governa (cf. 1Tm 2,1-3). ‘Mas este governante é…’, e os adjetivos são muitos. Não os digo, porque este não é o momento nem o lugar para repetir os adjetivos que se ouvem contra os governantes. Deixemos que Deus os julgue! Nós, rezemos pelos governantes. Rezemos… Precisam da nossa oração. É uma tarefa que o Senhor nos confia. Temo-la cumprido? Ou limitamo-nos a falar, a insultar? Quando rezamos, Deus espera que nos lembremos também de quem não pensa como nós...” (Papa Francisco, homilia da Solenidade de São Pedro e São Paulo, 29 de junho de 2020).

                                                                 

          *Bispo da Administração Apostólica Pessoal

                                                                                                                                                                                                                                                                                                              São João Maria Vianney

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       http://domfernandorifan.blogspot.com.br/


sábado, 30 de janeiro de 2021

A RECONQUISTA DO POVO

  A RECONQUISTA DO POVO

 

                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*

                                                                                                                                           

Já disseram que a Igreja do século XIX teria perdido os operários. Perdido para as teorias marxistas. Sobretudo a juventude operária. Triste! Mas costuma-se dizer que a Igreja não perde seus fiéis: perde os infiéis, os que não eram suficientemente fiéis. Daí o exame de consciência necessário para ver de quem é a culpa da perda de tantos membros. Em períodos de graves crises, sempre se perdem alguns: é o efeito purificador das crises. Assim aconteceram nas guerras, nas pestes, nas crises na Igreja, nas heresias, etc.

Deus é quem julga de quem seria a culpa da apostasia ou esfriamento. Que nos incumbe é lutar para que não aconteçam defecções, mas que a fé seja robustecida nas crises, especialmente nessa pandemia pela qual estamos passando.

Essa crise serviu para purificar muitas pessoas, para fortalece-las na oração, na convivência familiar, nas reuniões de família em torno do seu altar doméstico. Mas também pode ter servido para esfriar a fé. Resta-nos a reconquista dos valores da fé. Creio que as três bases para a reconquista serão: a Santíssima Eucaristia, sobretudo a Santa Missa, a devoção a Nossa Senhora, vencedora das grandes batalhas de Deus e a instrução catequética.

No século XIX, período de grande crise, Deus suscitou um santo que se tornou o maior educador daquele tempo e modelo de todos os educadores. Estamos falando do grande São João Bosco, cuja festa celebraremos dia 31, com os seus filhos salesianos.

            Estamos em Turim, Itália, na época do começo da industrialização, com o problema decorrente da imigração juvenil. Inundada de jovens procurando emprego, que nem sempre conseguiam, essa cidade oferecia ocasião para muitas desordens e perigos para essa juventude. É nesse contexto que entra em ação o Padre João Bosco, Dom Bosco, como se chamam os padres na Itália, como hábil organizador de iniciativas, implantando um fantástico sistema educacional que mais tarde se chamaria “sistema preventivo”, fundado na razão, na religião e na amabilidade. E assim ele reconquistou a juventude.

            Enfrentando ataques violentos dos anticlericais, ele implantou o oratório festivo de Valdocco, enriqueceu-o de laboratórios artesanais e profissionais, com escolas de artes e ofícios para jovens trabalhadores e com escolas humanísticas para os jovens encaminhados ao sacerdócio. Para assegurar o futuro de sua obra, fundou a Pia Sociedade de São Francisco de Sales, os Salesianos, e, com a ajuda da Irmã Maria Mazzarello, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, das quais temos ilustres representantes em nossa cidade, dedicados à educação dos jovens. A eles e a elas a nossa homenagem e imensa gratidão.

            Esse grande apóstolo da juventude, fecundo escritor de livros populares, sobretudo para os jovens, exemplo para todos os educadores, faleceu santamente em 31 de janeiro de 1888. Foi proclamado pelo Papa João Paulo II “pai e mestre dos jovens”. Que São João Bosco proteja a nossa juventude!

                                                                  *Bispo da Administração Apostólica Pessoal

                                                                         São João Maria Vianney

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

S. SEBASTIÃO

 SÃO SEBASTIÃO

 

                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*

                                                                                                                                           

Hoje, dia 20, festejamos São Sebastião, padroeiro da Cidade maravilhosa e, por ser o patrono da capital, é também protetor do nosso Estado do Rio de Janeiro.

Foi soldado do exército imperial, chegando a ocupar o posto de Comandante do Primeiro Tribunal da Guarda Pretoriana durante o reinado de Diocleciano, um dos mais severos imperadores romanos, perseguidor dos cristãos.

Mesmo sendo bom soldado romano, suas atitudes demonstravam sua fé cristã, e, sendo interrogado, confessou bravamente sua convicção. Por não aceitar renunciar a Cristo, São Sebastião foi condenado à morte, sendo amarrado a um tronco de árvore e flechado. Porém, não morreu ali. Foi encontrado vivo por uma mulher cristã piedosa que tinha vindo buscar o seu corpo. Recuperada a saúde, apresentou-se diante do Imperador e reafirmou sua convicção cristã. E nova sentença de morte veio sobre ele: foi condenado ao martírio no Circo. Sebastião foi executado, então, com pauladas e boladas de chumbo, sendo açoitado até a morte e jogado nos esgotos perto do Arco de Constantino. Era 20 de janeiro.

Seu corpo foi resgatado e levado para as catacumbas romanas com grande honra e piedade. Sua fama se espalhou rapidamente. Suas relíquias repousam sobre a Basílica de São Sebastião, na via Apia, em Roma. O Papa Caio escolheu-o como defensor da Igreja e da fé.

Nesses tempos de grande negação da fé e de valores espirituais e religiosos, humanos e sociais, São Sebastião torna-se um grande modelo de ajuda para nós hoje, principalmente aos jovens, envoltos em grande confusão moral e espiritual. Ele é um sinal de fidelidade a Cristo mesmo com as pressões contrárias. Dessa forma, ele continua anunciando Jesus Cristo, por quem viveu, até os dias de hoje. Ele nos ensina a não desanimarmos com as flechadas que recebemos e a continuarmos firmes na fé.

Um mártir não deve ser um estranho para nós. Ainda em pleno século XXI encontramos irmãos e irmãs nossas que são mortos em tantos países, outros têm ainda seus direitos civis cassados por serem cristãos, outros são condenados à prisão ou à morte por aderirem ao Cristianismo, e ainda são expulsos de suas cidades e suas igrejas queimadas. Além disso, muitos são martirizados em sua fama, em sua honra e tantas outras maneiras modernas de “matar” pessoas por causa da fé ou de suas convicções cristãs.

Estamos em tempos de cristofobia, ódio a Cristo e aos cristãos, como nos primeiros séculos de perseguição. Perseguição sangrenta em alguns lugares e perseguição ideológica implacável através dos meios de comunicação, de leis e atitudes políticas.

Cabe bem aqui a advertência de Jesus: “Todo aquele, pois, que se declarar por mim diante dos homens, também eu me declararei por ele diante do meu Pai que está nos céus. Quem, porém, me renegar diante dos homens, também eu o renegarei diante de meu Pai que está nos céus” (Mt 10, 32-33).

 

                                                                  *Bispo da Administração Apostólica Pessoal

                                                                         São João Maria Vianney

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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

ÚLTIMO DIA DO ANO

   Hoje, a Santa Madre Igreja concede Indulgência Plenária a todos aqueles que receberem a bênção do Santíssimo Sacramento e cantarem ou rezarem o "Te Deum Laudamus". As outras condições são: Não ter afeto ao pecado, rezar um Pai-Nosso e uma Ave Maria nas intenções do Santo Padre, o Papa, ter se confessado, e comungar. 
   É o dia de ação de graças a Deus pelos benefícios d'Ele recebidos durante o ano que vai findar. A gratidão é chave para recebermos mais dadivosos benefícios. Seja sincera e cordial a nossa ação de graças ao bom Deus!
   O último dia do ano obriga-nos também a um sério exame de consciência sobre o nosso passado próximo e remoto: atravessam a nossa memória as lembranças do tempo que passou, revemos os dias que já não nos pertencem a fim de sobre eles examinarmos a nossa consciência. O bem que fizemos no ano prestes a acabar alegra-nos e enche-nos de coragem; as infidelidades, pelo contrário, de que nos sentimos culpados, provoca-nos em nós o remorso e arrependemo-nos delas.
   O fim do ano proporciona-nos a ocasião de meditarmos sobre a fugacidade do tempo e sobre a vaidade das coisas. Verificamos que não é sempre agradável viver neste mundo e que, pelo contrário, a vida é muitas vezes bem desagradável a ponto de por vezes considerarmos uma sorte que o tempo passe em ritmo tão acelerado.
   O tempo se circunscreve apenas a um período da nossa vida, o mais breve, o da prova, durante o qual temos a liberdade de escolher e de determinar a nossa sorte futura, capitalizando ou não tesouros para a vida sem fim.
  Que arrependimento sentimos ao meditar: "Jamais se pode encher o vazio de um dia que se perdeu". Mas prefiro ficar com Santa Tereza d'Ávila que diz: "Porventura, Senhor, desamparastes o miserável ou afastastes o pobre mendigo quando se queria chegar a Vós? Porventura, Senhor, têm termos as Vossas grandezas ou as Vossas magnificas obras? Ó Deus meu e misericórdia minha! Como as podereis agora mostrar em vossa serva! Poderoso sois, ó meu Deus. Agora poder-se-á entender se minha alma se engana a si mesma, vendo o tempo que perdeu e como num instante Vós podeis, Senhor, fazer com que o torne a ganhar. Parece grande desatino, pois o tempo perdido, costumam dizer, não se pode tornar a recuperar. Bendito seja o meu Deus! Ó Senhor! Confesso o Vosso grande poder. Se sois poderoso, como sois, que há de impossível ao que tudo pode? Vós bem sabeis, meu Deus que no meio de todas as minhas misérias nunca deixei de conhecer o Vosso grande poder e misericórdia. Valha-me, Senhor, isto que não vos ofendi. Tende-o em conta. Recuperai, Deus meu, o tempo perdido, dando-me graça para o presente e para o porvir, para que apareça diante de Vós com vestes de boda. Se o quiserdes, podê-lo-eis". (Ex. 4).
   "Da minha parte, Senhor, não vejo melhor modo de recuperar o tempo perdido do que aplicar-me com todas as forças ao exercício do amor. Sim, o meu amor aumentará se eu souber cumprir por Vós todos os meus deveres e todas as minhas boas obras "com todo o coração ou seja, com toda a boa vontade".
   Caríssimos e amados leitores, vamos dizer a Jesus de todo coração: Já que é tão pouco o que posso fazer por Vós, ao menos que o faça com todo o amor de que me tornastes capaz.
   E terminemos com a ORAÇÃO DO ÚLTIMO DIA DO ANO:
   "Eis-nos chegados ao fim deste ano! Quantos benefícios não nos fizestes, ó Senhor, tanto à alma como ao corpo! Quem poderá jamais enumerá-los? Que ação de graças, pois não vos devemos dar hoje! Felizes de nós, se tivéssemos correspondido aos vossos benefícios. Mas ai! Sentimos que a consciência nos exproba a nossa ingratidão. Quantos pecados cometemos em todo este ano! Quantas virtudes deixamos de praticar! Que será de nós, ó Senhor, no dia em que nos chamardes a dar-vos contas? Com um coração cheio de reconhecimento e ao mesmo tempo traspassado de dor, nós vos damos as mais vivas e ardentes ações de graças e Vos pedimos humildemente perdão.
   Aceitai, Deus de bondade, este nosso ato: perdoai nossos pecados e dai-nos Vossa divina graça, para que comecemos e santamente acabemos o novo ano.
   Assim o propomos e assim o esperamos, confiados em vossa graça. Assim seja.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

UM NATAL E UM ANO NOVO DE 2021 SANTOS E FELIZES

 

FELIZ E SANTO NATAL

 "Jesus Cristo, sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de que vós fôsseis ricos pela sua pobreza" (II Cor VIII, 9).

 Jesus Cristo é o Filho Eterno do Pai Eterno. É o Verbo de Deus. "Todas as coisas foram feitas por Ele" (Jo I, 2). Quem mais rico do que o Criador do Céu e da Terra? Não ganhou, mas CRIOU todas as riquezas, todo ouro e toda pedra preciosa. No entanto, quem mais pobre do que Jesus? Pobre por escolha: sendo o mais rico, QUIS ser o mais pobre: nasceu pobre, viveu mais pobre, morreu paupérrimo, e foi sepultado num túmulo emprestado. Mas, por que assim quis? Para nos dar a verdadeira riqueza que está no Céu, que é Deus, o Sumo Bem. Não procuremos os bens, mas o Bem, a fonte de todos os bens.

Hoje muitos pregam a Jesus, mas não o Jesus pobre, não o Jesus que disse: "Não podeis seguir a Deus e as riquezas", não o Jesus que é sempre o mesmo, mas um Jesus que deve ser adaptado aos tempos modernos onde o dinheiro seria a única solução, inclusive para a Igreja.

O Jesus verdadeiro não tinha dinheiro: teve que fazer um milagre para que Pedro recebesse da boca de um peixinho a moeda para pagar o tributo do seu Templo, da Casa de Seu Pai Eterno. O Jesus dos Evangelhos não espoliou suas ovelhas; deu sim sua vida por elas. Foi tratado por aqueles que veio resgatar, como um homem que não tinha direitos. Veio para servir e não para ser servido. Desceu do Seio do Pai Eterno, dos esplendores do Céu para buscar a ovelhinha tresmalhada da Humanidade pecadora. Atraiu-nos, não pela pompa, mas pela doçura, mansidão e humildade. "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas almas" (Mt XI, 29).

 Depois do século X, "século de ferro", a humanidade estava em disputas pelo dinheiro e pelas honras. Muitas pessoas da Igreja também envolvidas pelas paixões da cobiça e da avareza. O crucifixo da capela de S. Damião em Assis, na Itália, milagrosamente falou a um jovem rico que abandonara tudo para seguir a Jesus pobre: "Vai, Francisco, ressoou a voz, restaura a minha Igreja que ameaça ruína!". E Francisco de Assis fê-lo fundando a Ordem dos Frades Menores e, com Santa Clara de Assis,  a Ordem feminina. E o fundamento da Regra de sua Ordem era a POBREZA EVANGÉLICA. 


Quem, por primeiro, teve a ideia de armar um presépio representando o mais fielmente possível o nascimento de Jesus, foi S. Francisco de Assis.

Menino Jesus, que quisestes nascer pobre, humilde e penitente, fazei o nosso coração semelhante ao vosso. SANTO ANO DE 202I, com toda riqueza espiritual que Jesus nos trouxe. Amém!

 

 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

POR QUE MARIA

 POR QUE MARIA?

 

                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*

 

Ontem, dia 8, celebramos a solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Dia 27 de novembro, tivemos a festa de Nossa Senhora das Graças e no próximo dia 12 festejaremos Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina. Honramos assim aquela mulher predestinada, escolhida por Deus para dela nascer o seu Filho feito homem. Por isso, ela foi preservada do pecado original e cheia de graça, aquela graça perdida por Adão, para si e seus descendentes, recuperada pelo segundo Adão, Jesus Cristo, pela sua Redenção.

Deus havia prometido, no momento do pecado de Adão, que uma mulher com o seu filho, o futuro Salvador, venceria completamente o demônio. Não teria, pois, nenhum pecado. Não teria, em nenhum instante, a menor privação da graça divina. Por isso, essa mulher especial, Maria, escolhida para a Mãe do Redentor, foi saudada pelo Anjo mensageiro de Deus com as palavras: “Ave, ó cheia de graça (agraciada de modo especial) ..., bendita entre as mulheres”, ou seja, sem pecado (privação da graça). A Redenção de Cristo a atingiu, de modo preventivo, preservando-a, por privilégio único, do pecado que atinge a todos os homens.

A Imaculada Conceição de Maria tem muito a ver com o Brasil. Em 1646, o Rei Dom João IV consagrou a Nossa Senhora da Conceição Portugal e todos os seus domínios, nos quais estava incluído o Brasil. E a padroeira oficial do Brasil é Nossa Senhora da Conceição, vulgarmente chamada de Aparecida.

E Nossa Senhora de Guadalupe é honrada por nós de modo especial, por ter sido a primeira aparição dela aqui no Novo Mundo, ao índio São Juan Diego, no México.

Mas, por que honramos Maria, de modo tão especial?

“O nosso mediador é só um, segundo a palavra do Apóstolo: ‘não há senão um Deus e um mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, que Se entregou a Si mesmo para redenção de todos’ (1 Tim. 2, 5-6). Mas a função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; manifesta antes a sua eficácia. Com efeito, todo o influxo salvador da Virgem Santíssima sobre os homens se deve ao beneplácito divino e não a qualquer necessidade; deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda-se na Sua mediação e dela depende inteiramente, haurindo aí toda a sua eficácia; de modo nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a favorece” (Lumen Gentium 60).

“A Virgem Santíssima, predestinada para Mãe de Deus desde toda a eternidade simultaneamente com a encarnação do Verbo, por disposição da divina Providência foi na terra a nobre Mãe do divino Redentor, a Sua mais generosa cooperadora e a escrava humilde do Senhor. Concebendo, gerando e alimentando a Cristo, apresentando-O ao Pai no templo, padecendo com Ele quando agonizava na cruz, cooperou de modo singular, com a sua fé, esperança e ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural. É por esta razão nossa mãe na ordem da graça” (Lumen Gentium 61).

 

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

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