sexta-feira, 2 de novembro de 2018

A INFRAÇÃO DO DECÁLOGO. O PECADO



(Excertos do capítulo IV do livro "OS DEZ MANDAMENTOS" de autoria de Mons. Tihamer Tóth)

A infração da Lei de Deus, o pecado, é o maior mal do mundo; assim ensina a nossa religião sacrossanta. E por isso nos repete a cada momento esta sentença: 'Antes morrer que manchar-se'. (...)
QUE PENSA O MUNDO A RESPEITO DO PECADO?

O grande defeito, o principal, da nossa época, está justamente nisto: não se toma nada a sério, em nada vemos pecado. (...)

Se não vemos pecado em nada é porque não somos bastante sérios para o descobrir. Só o nosso divino Salvador podia dizer: Quem de vós me convencerá de pecado? (S. João VIII, 46). (...). Não há sinal mais espantoso do atual processo de decomposição: estamos submersos no pecado até ao pescoço, mas não o sentimos; ainda mais: nem gostamos de falar nele.

Os pecados são inúmeros; e apesar disso veremos os homens amontoarem-se em torno dos confessionários de manhã até à noite? Não. Porque morreu a consciência do pecado. (...)

Ao contemplar a cruz do Redentor dão-nos ânsias de gritar, de gritar com força, para que todo o mundo ouça e grave as palavras do seu coração: 'Homens, olhai e vede o que é o pecado! O que é o pecado que exige tal expiação!'

Deus criou o homem para a felicidade para que seja feliz já nesta vida terrena. No plano primitivo de Deus, o homem depois de passar a vida em tranqüilo gozo nesta terra, sem experimentar sequer as amarguras da morte, havia de entrar no reino do Céu.

E por que não é assim? Por que sofre e sofre tanto esse homem criado para a felicidade? Responde S. PAULO: 'Por um só homem entrou o pecado neste mundo e pelo pecado, a morte' (Rom. V, 12). Foi o pecado que nos perdeu, que tornou desgraçada a nossa vida. (...). O mundo inteiro não é mais que enorme escola de pecado em que todos gabem só o pecado. Vem um pintor e com o seu pincel traça o pecado, cheio de sedução, para que nos agrademos dele. 'É pecado?' Não é pecado! É arte moderna!' Vem o escultor e comunica vida à pedra; o poeta, às palavras. É pecado? Não é pecado! É arte, é literatura moderna!' O filósofo diz que não há pecado, que só há debilidade, defeito, falha, imperfeição... Eis como o mundo decide a respeito do pecado.
Mas...
QUE PENSA DEUS A RESPEITO DO PECADO?
(...)Possuímos um livro antigo que sabemos escrito por inspiração de Deus (a Bíblia). Este livro pinta-nos o primeiro pecado, a primeira queda.(...) A história do Paraíso Terrestre é a descrição não só do primeiro pecado, mas, em certo modo de todos os pecados. (...)

Qual a consequência do pecado? Que lhes (a Adão e Eva) prometeu o tentador? "Abrir-se-vos-ão os olhos...' Pois... abriram-se. Mas que foi que eles viram? Vergonha, temor, remorso. É a única ciência que o pecado comunica ao homem. A vergonha é a consequência de todo o pecado. O pecador pode ocultar-se do mundo, das leis, mas não de si próprio. Poderá haver homem tão depravado que se vanglorie do seu pecado. Pode haver um pseudo-filósofo que apresente o mal com aspecto de bem; um poeta que dedique hinos ao pecado!... Virão, porém, dias, momentos, em que a alma do depravado, do pseudo-filósofo, do pagão, do poeta, soluce, abatida sob a terrível vergonha do pecado. Ninguém pode evitar este castigo.

Principalmente se se acrescentar a segunda consequência do pecado: o temor. 'Ouvi a tua voz no Paraíso e tive medo' (Gen. III, 6). Tive medo! Medo de Deus? Ah! Quando não tínhamos pecados, que alegria para nós era conversar com Deus! Como nos ajoelhávamos diante do seu altar! Por que tens medo da Igreja, do confessionário? Porque gostarias de poder esquecer que há Deus, que tens alma, que há uma vida eterna, que terás de prestar contas. Porque tens medo de Deus!

Em vão pretenderia o pecador esconder-se. Aí temos o terceiro efeito do pecado: o remorso. Deus fala e pergunta a Adão: Onde estás? (ib. 10). Que é a voz da consciência senão a voz de Deus? Que fizeste? Onde está a tua inocência? que significa esta lama na tua alma? (...)

Se não tivéssemos outro argumento, bastava a consciência para provar com bastante evidência que há Deus e para nos dizer a maneira de pensar de Deus a respeito do pecado e como o próprio Deus vigia o cumprimento das suas leis. Por muito que te esforces, por mais que discutas com ela, não poderás calar-lhe a voz. Fala, testemunha, acusa. Não é tudo, arvora-se em juiz severo, em verdugo. Tem látego com que açoita; tem fogo com que toca a rebate; tem aguilhão com que pica. Nem de dia em de noite nos deixa em paz.

A alma pecadora espanta-se de si própria; repugna-lhe a sociedade; e, no meio das suas terríveis lucubrações, exclama muitas vezes: antes a morte do que este constante e terrível remorso!

Depois chega a morte. E neste ponto nos detemos agora, porque nele podemos ver com toda a claridade quanto Deus aborrece o pecado.

O CASTIGO DO PECADO: A MORTE.
Que é a morte? Chega o nosso corpo ao fim da sua vida. Decompõe-se, desfaz-se.

Costuma dizer-se que o homem é a criatura mais perfeita que Deus pôs na terra. E isto afirma-se não só pelo que diz respeito à alma, mas do mesmo modo pelo que se refere ao corpo. O nosso corpo é realmente uma obra-prima da mão de Deus; é o ser mais formoso de toda a criação visível. Que brilho nos olhos do homem! Que nobreza no seu porte! Que expressão inteligente no seu rosto! Mas, sobretudo, que instrumento mais adequado e obediente é o corpo para a alma imortal!

É possível que Deus tenha criado esta obra-prima para viver apenas uns minutos na terra e depois se desfazer em pó? Que pintor, que escultor cria a sua obra-prima para, no momento seguinte, a destruir? Que arquiteto constrói um palácio magnífico e logo que o dá por acabado o faz saltar com dinamite?

Pois era isto o que Deus fazia se criasse o corpo do homem para vida tão breve. Não. Originariamente, Deus não quis a morte. O pecado é que trouxe a morte.

Amigo leitor; medita um instante no que seja a morte. Chega-te junto desta cama  -  não tenhas medo; aqui tens um moribundo. Descansa; não te falo agora das suas dores atrozes, não te digo como anseia o seu coração, como lhe falta o alento, que espantosos fantasmas o aterram... Não. Por todos esses tormento passou já. Agora mal respira. E, contudo, era um rei poderoso, um sábio inventor, um riquíssimo Diretor de Banco, uma atriz de fama universal, uma jovem em plena primavera. E os vestidos que ela possuía! Que vestidos tão atrevidamente curtos e decotados! E como dançava um dia, a semana passada, o tango e o fox-trot! Olha esta cabeça tão nobre! quantos pensamentos nela e agora jaz silenciosa, amarela como cera, sobre a almofada. Olha para este braço robusto que, no ardor do combate, era senhor da vida e da morte. Vê lá: agora não pode mover-se. Olha para aqueles olhos maravilhosos que, com a força do seu encanto, arrastavam multidões de almas ao pecado, que sabiam olhar com coqueteria e sedução, que sabiam beber o pecado; olha para aqueles olhos: como estão apagados, gastos, vidrados, como são espantosos agora...

Mas espera. Tudo isto não é mais que o princípio do castigo. Deus castiga também o pecado cá em baixo, antes da morte, embora o castigue principalmente depois, na outra vida.

Ainda acabastes de morrer já vão abrir um frasco de perfume, porque o ar começa a corromper-se. Já começa a decomposição. Depois... apenas rezaram um Pai-Nosso junto do teu cadáver, e já vem a agência mortuária para te levar para o "depósito", a casa mortuária do cemitério. Não é possível manter-te em casa, porque estás a "corromper o ar". (...)

E depois do enterro? Que será de ti a poucas semanas da morte? Se alguém te visse, uns dias depois do enterro, gelaria de espanto. (...)

Aproxima-te agora e dize-me: "Que é o pecado? Nada. Um espantalho fabricado pelos sacerdotes" Vem agora repetir-me: "Gozo tanto, divirto-me tanto com este ou com aquele pecado. Não é possível que Deus leve a mal a minha felicidade". Podes falar-me com o coração nas mãos.

Irmãos! Que será o pecado, se Deus imediatamente, pelo primeiro pecado, infligiu ao homem, a sua criatura mais excelsa, um castigo tão grave: a morte humilhante, horripilante, inexorável! Meu Deus! quanto deve ofender-te o pecado!

Ainda há alguma coisa que nos surpreenderá mais.
Vivia na terra um homem que ao mesmo tempo era Deus. E também teve de morrer? Sim. Ele submetia-se à terrível sentença. Vede-o: como sua sangue no Monte das Oliveiras e como balbucia a comovedora oração: "Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice" (S. Mat. XXVI, 39). Qual foi a resposta? Não é possível. Por ter querido tomar sobre si os pecados dos homens, teve de suportar os sofrimentos mais atrozes e expirar no meio de terríveis afrontas. Meu Deus! como há de ofender-te o pecado, se não perdoaste ao teu Filho Unigênito!

Mas, ao menos, visto que se consumou o grande sacrifício, visto que o Filho de Deus morreu por causa do pecado, terá acabado, enfim, a devastação da morte, não morrerão já os homens! Está à vista: o homem morre, mesmo depois daquele grande sacrifício.

Ao menos, porém, ter-se-á apagado o fogo da condenação? Não! Arderá eternamente.
Mas, decerto, os que lá estão hão de libertar-se um dia. Nem um só.
Oh! Senhor! Senhor! Então por que morreste? Que é a Redenção? A Redenção consiste em que os que querem, fixai-o bem, os que querem chegar a Deus, recebem a sua graça, mediante os santos Sacramentos; podem cancelar os pecados cometidos; adquirem forças para os não tornar a cometer; e por isso Deus tem misericórdia para com eles e ama-os. Mas os que continuam a querer os seus pecados e se obstinam, não serão introduzidos no Céu à força. Deus não os quer, Deus aborrece-os, porque deixaria de ser Deus no momento em que não aborrecesse o pecado.

Pelo exposto, vê-se o que significa o pecado aos olhos de Deus.

Meu Deus! Ajudai-nos a viver de tal modo que possamos assegurar o nosso sorriso... e não para dez anos, mas para a eternidade, para aquela eternidade serena, ditosa, das almas que vos são fiéis!
AMÉM!

A existência do Purgatório é dogma de Fé

 "Quem deixa esta vida, como membro do Corpo de Cristo, como sarmento vivo na Vide que é Nosso Senhor Jesus Cristo, tem a Vida eterna: não se poderá perder. Sem dúvida, a maior parte dos homens, deixando esta vida, não tem a necessária pureza para entrar no Amor vital mais íntimo com o Deus que é a própria Santidade. Por isso existe um estado de purificação, ao qual se devem submeter essas almas e - como podemos bem afirmar - também se submetem de boa vontade, pois elas conhecem a distância que separa a sua alma de Deus. A este estado chamamos Purgatório. A Igreja nada definiu até hoje, a respeito do modo dessa purificação; os Orientais, mesmo os unidos à Igreja de Roma, evitam a palavra Purgatório. A existência do Purgatório, no entanto, que a própria razão insinua, é também expressamente revelada. Já no Antigo Testamento, no Segundo Livro dos Macabeus está escrito: "É um pensamento santo e salutar, rezar pelos mortos, para que sejam libertados de seus pecados" (2 Macab. XII, 46). Judas Macabeu fez oferecer um sacrifício em Jerusalém por aqueles soldados mortos, que se haviam munido de objetos provenientes de sacrifícios aos ídolos. É certo que as almas do Purgatório sofrem sem aumentar os seus merecimentos, isto é, não podem crescer no amor. Sem dúvida, seus sofrimentos são grandes. Antes de tudo sentem amargamente por se verem excluídos da visão de Deus, até a total purificação. Igualmente certo é que nós, pelo Santo Sacrifício e pela oração, podemos correr em seu auxílio. Não menos certo é também que elas estão absolutamente seguras de sua salvação, o que para elas constitui motivo de grande consolação. O Purgatório torna-se deste modo um lugar de amor e submissão à vontade de Deus". (Extraído da Pequena Teologia Dogmática, autores: D. Rudloff e D. Keckeisen, ambos O. S. B.)
  
  "Em verdade, Senhor, para os Vossos fiéis, a vida não acaba, apenas se transforma; e, desfeita a casa deste exílio terrestre, uma eterna morada se adquire nos céus". Assim, bem mais do que um fim inexorável, a morte é para o cristão uma porta aberta para a eternidade, porta esta que o introduz na vida eterna. 
  Devemos aproveitar este dia para pensarmos também na nossa morte. Temos uma vantagem e uma desvantagem com relação às almas do Purgatório: Elas não podem mais merecer, como acabamos de meditar. Nós, os vivos, podemos. No entanto, elas já estão seguras da salvação. Nós não. Temos que trabalhar com muito esforço para a garantirmos. 
  Terminemos, então, com as palavras de Santo Agostinho: "Concedei-me, ó Senhor, que com a morte dos entes queridos experimente uma aflição razoável, derramando lágrimas resignadas sobre a nossa condição mortal, depressa reprimidas pelo consolador pensamento de fé, a qual me diz que os fiéis, ao morrerem, somente se afastam um pouco de nós para irem a um lugar melhor. Não consintais que eu me entristeça como os gentios que não têm esperança. Poderei de fato experimentar tristeza, mas quando estiver aflito, que a esperança me conforte. Com uma esperança tão grande, não fica bem, Senhor, que o Vosso templo esteja de luto. Aí morais Vós, que sois o consolador, aí morais Vós, que não faltais às Vossas promessas. 
  Fazei, Senhor, que durante minha vida, sofra sempre com paciência, pratique a caridade, seja manso e humilde, desapegado do mundo e da carne; e quando Vós me chamardes, pela Vossa misericórdia, me alegrarei em encontrar junto de Vós os meus entes queridos que aí já estão. Amém! 

NO PURGATÓRIO

Por Mons. Ascânio Brandão


Quando levamos nossos mortos queridos à sepultura, costumamos dizer: descansaram!... Sim, descansaram das fadigas e lutas desta vida que é um combate no dizer expressivo de Jó: "militia est vita hominis super terram - a vida do homem neste mundo é um combate. Porém, descansaram já no seio de Deus? Estão já no eterno repouso no céu? Ai! é tão grande a fragilidade humana, que bem poucos, raríssimos, são os que deixam esta vida e entram logo no céu. Os mortos entram, sim, na paz do Senhor, mas na paz da justiça, geralmente na paz da expiação do purgatório. O purgatório é o lugar da paz. Lá habita a doce paz dos eleitos, dos que resignados e cheios de amor e de dor cumprem a sentença e se purificam à espera do céu. Já se chamou ao purgatório, e com razão, o vestíbulo do paraíso. É o pórtico da eternidade bem-aventurada
   Sim, nossos mortos descansaram, mas sofrem, e sofrem muito mais do que tudo quanto padeceram nesta vida.... Não digamos comodamente: estão no céu! estão no céu!. Com isto padecem as almas do purgatório. A Igreja, pelas lições impressionantes da sua liturgia quer que associemos ao pensamento da morte o da eternidade. E diz o prefácio da Missa dos defuntos: se a condição da nossa morte nos entristece, console-nos a promessa da imortalidade futura.
   E depois, quantas vezes gemendo sobre nós, clama: Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno! Dai-lhes o descanso eterno! Implora misericórdia para nossa pobre alma, lembra o juízo tremendo de Deus, e quer nos aliviar nas chamas expiadoras do purgatório. Nunca meditemos na morte sem meditarmos no purgatório. É este o sentido da liturgia nos funerais.
   Estas preces tocantes e belas, estes ritos impressionantes e cheios de majestade, lembram-nos a nossa dignidade de cristãos, a dignidade de nosso corpo, sacrário de uma alma imortal e templo do Espírito Santo, destinado a ressuscitar um dia e comparecer no tribunal do juízo. Lembram-nos a triste condição de uma pobre alma ao comparecer diante de Deus, e implora misericórdia ao Juiz dos vivos e dos mortos. Sim, não podemos, como cristãos e filhos da Igreja, separar o pensamento da morte do da eternidade. E como sabemos qual é a justiça de Deus, não deixaremos de considerar que após a morte, aí vem o purgatório para quase todos nós, e que lá na expiação, há muitas almas queridas pelas quais somos obrigados a orar por dever de justiça e de caridade. Eis, pois, repito, o sentido da meditação da morte e da liturgia dos mortos. Não é um pensamento de morte, não estão vendo? É ao invés um pensamento de vida. Vita mutatur non tollitur, diz o prefácio dos defuntos. A vida não foi tirada, nem desapareceu, mudou-se apenas. De terrena passou a ser eterna. Eis como o cristão pensa na morte.
   É certo, diz um autor, a ingratidão não pode existir no purgatório. Aquelas benditas almas hão de proteger e socorrer os que as aliviam nesta vida com seus sufrágios...
   São Filipe Neri era devotíssimo das almas e cheio de caridade, nunca deixou de socorrê-las em toda sua vida. Muitas vezes lhe apareceram para lhe testemunhar uma gratidão profunda. Depois da morte do santo, um dos seus confrades o viu na glória do céu, cercado de uma multidão de bem-aventurados no esplendor da glória eterna. - Que corte é esta que vos cerca? pergunta o padre. - São as almas que livrei do purgatório e que salvei. Vieram me acompanhar na glória. (...) Na morte e depois da morte, seremos recompensados pelo que tivermos feito em sufrágio da benditas almas do purgatório. (...) A pobre criatura humana tão miserável nem sempre ao deixar a terra, é bastante pura e santa e merece a presença do Senhor, a visão beatífica. E também como há de ser condenada às chamas eternas a alma que, embora não tivesse pago a dívida dos seus enormes pecados na penitência desta vida, não é, todavia, merecedora do castigo eterno? Há de entrar no Céu? Não. Lá só se encontram os santos e os puros de coração. E que pureza angélica requer a divina justiça para o céu! Há, então, de ser condenada ao inferno? Oh!, também, não. A misericórdia divina jamais o permitiria. Faltas veniais, imperfeições, falta de penitência dos pecados graves, tudo isto, é bem verdade, exige castigo e sem a penitência não se há de entrar no céu. Porém, a justiça e a misericórdia divina se uniram - Justitia et pax osculatae sunt. - O pecado será castigado, a dívida exigida pela justiça será paga até o último ceitil, mas a infinita misericórdia há de salvar a pobre alma culpada, há de lhe abrir um dia as portas do céu.
   Existe um purgatório! Não é consoladora e racional a doutrina da Igreja neste dogma?
   Sobre o Purgatório, há só dois pontos, perfeita e claramente definidos pela Igreja, e que, portanto, constituem objeto de nossa Fé: 1) - Existe um lugar de purificação temporária para as almas justificadas que saem desta vida sem completa penitência dos seus pecados. 2) Os sufrágios dos fiéis e especialmente o santo Sacrifício da Missa são úteis às almas.
   Já nos primeiros séculos, segundo o testemunho de Tertuliano e dos Santos Padres e os monumentos, os cristãos, sufragavam os mortos com orações, e pelo santo Sacrifício da Missa celebrado sobre as sepulturas. Nas inscrições, nos epitáfios se encontram nas catacumbas belas preces pelos mortos. No Século IV em 302, Santa Perpétua nos conta uma visão do Purgatório. Diz ela:
   "Estávamos em oração na prisão, depois da sentença que nos condenava a sermos expostas às feras, e de repente chamei por Demócrito. Era um meu irmão segundo a carne. Morrera com um câncer na face. A lembrança da sua triste sorte me afligia. Fiquei admirada de me ter vindo à lembrança este irmão e me pus a rezar por ele com todo fervor, gemendo diante de Deus. Na noite seguinte, tive uma visão na qual vi Demócrito sair de um lugar tenebroso no qual se acham muitas pessoas. Estava abatido e pálido, com a úlcera que o levou à sepultura. Tinha uma grande sede. Junto de mim estava uma bacia com água, mas ele em vão tentava beber e não conseguia. Conheci que meu irmão estava sofrendo e era preciso rezar por ele. Pedi por ele a noite com muitas lágrimas, para que fosse libertado. Alguns dias depois tive outra visão, na qual Demócrito me apareceu todo brando, brilhante e belo, e se inclinou e bebeu à vontade a água que antes não pôde tirar. Conheci por isto que estava livre do suplício".
   Eis um belo trecho que vem provar a antiguidade da crença do purgatório.
   Santo Agostinho reconhece a autenticidade das Atas de Santa Perpétua e nota que o irmãozinho da Santa deveria ter cometido alguma falta depois do batismo. (...).
   Vemos tantos entes queridos que deixaram esta vida, é verdade, em boas disposições, mas como eram culpados de certas faltas e não haviam feito uma penitência devida, receamos às vezes pela sua salvação. Todavia nos diz o coração que não podiam se perder. Eram bons, tinham qualidades apreciáveis, foram talvez caridosos e fizeram algum bem nesta vida. Admitir que esteja no céu depois de tantas faltas e defeitos e ausência de penitência, não o podemos. Dizer que estejam condenados, é muito duro, e, apesar de tudo, como poderiam ter se perdido almas tão caridosas e boas e que fizeram algum bem neste mundo? A ideia do purgatório se impõe necessariamente à nossa razão ou, antes, se impõe à nossa fé. (...).
   Havemos de chorar nossos mortos e a religião não nos pode proibir as lágrimas tão justas, quando sentimos nosso coração ferido pelo golpe duro da saudade. Todavia, havemos de chorar cristãmente nossos defuntos queridos. É mister lembrar-nos deles mais com orações e sufrágios do que com lágrimas estéreis. O pensamento do purgatório é um consolo. Sabemos que podemos ainda auxiliar, valer e socorrer nossos entes queridos. É bem possível que padeçam no purgatório.
   A Religião de Nosso Senhor Jesus Cristo não proíbe que choremos os nossos mortos queridos. Podemos, pois, render a estes o tributo de nossas lágrimas e de nossa saudades. Com esta pobre natureza, como ficarmos insensíveis ante a morte de um ente estremecido? Como nos custa ver arrebatados pela morte os entes com quem convivemos, nosso pai, nossa mãe, nosso filho, nosso irmão, nosso amigo"... A religião, se bem que nos ensine a ser fortes na dor e a meditar  na Paixão de Jesus Cristo, não nos veda aquelas lágrimas e saudades. Ela não tem o estoicismo pagão, estúpido e anti-natural. Pois, Jesus não chorou na sepultura de Lázaro? Não choraram, na Paixão, Maria Madalena e as Santas mulheres? A religião nos permite chorar do mesmo modo os nossos mortos. Quer apenas que o façamos, não como os pagãos, desesperados e desiludidos, mas como quem tem esperança na vida eterna e crê na imortalidade. Choremos a separação dolorosa, mas com a doce esperança de que, um dia, numa pátria melhor, onde não haverá nem luto, nem dor, ou sofrimento de qualquer espécie, nem separação, tornaremos a ver todos aqueles que amamos aqui na terra. Como esta esperança consola! O cristão não deve dizer com desespero, ante o cadáver gelado de um ente querido: - "Nunca mais te verei" Adeus para sempre!" Não! Embora em pranto, suas palavras devem ser estas: - "Até ao céu! Lá nos tornaremos a ver e seremos para sempre felizes".
   O dogma do purgatório, tão em harmonia com nosso coração, nos diz que podemos ainda ajudar nossos mortos queridos para podermos dizer-lhes: até o céu!.
   Deus revelou muitas vezes à Bem-avemturada Ana Taigi a sorte das almas do purgatório. Ela pedia continuamente pelas pobres almas, num misterioso sol que sempre lhe aparecia. Foi Ana Taigi uma grande mística do século XIX. Em 30 de maio de 1920, S. S. Bento XV declarava bem-aventurada a humilde e pobre mãe de família, que durante tanto tempo chamou a admiração de Roma e do mundo com tantos prodígios sobrenaturais. A beata Ana Taigi, romana de nascimento, via os acontecimentos futuros e a sorte dos mortos.
   Um homem, conhecido de Ana, morreu, e ela o viu nas chamas do purgatório, salvo do inferno pela divina Misericórdia, porque socorreu um pobre que o importunava muito pedindo esmola. Viu um conde cuja vida se passou em delícias e divertimentos, mas que na hora da morte teve um grande arrependimento e se salvou, mas deveria sofrer no purgatório tormentos incríveis tanto tempo quanto passou neste mundo sem se preocupar com a penitência e com a salvação eterna.
  Viu homens de grande virtude sofrendo porque se deixaram levar pela vaidade e amor próprio, muito apegados aos elogios e à amizade dos grandes da terra.
   Um dia Nosso Senhor lhe disse: levanta-te e reza, meu Vigário na terra está na hora de vir me prestar contas. Ana Taigi sufragou a alma do Papa e depois o viu como um rubi ainda não de todo brilhante, pois, lhe faltava se purificar mais.
   Faleceu em Roma o cardeal Dória, que deixou grande fortuna, e naturalmente celebraram-se por sua alma centenas de Missas. Foi revelado à beata Ana Taigi que as missas celebradas por alma do cardeal eram aproveitadas para as almas dos pobrezinhos abandonados e que não tinham quem mandasse celebrar por eles.
   Via-se assim a divina Justiça que não olha a riqueza nem as possibilidades dos ricos em arranjar sufrágios, com descuido às vezes neste mundo da verdadeira penitência.
   Viu Ana no purgatório um sacerdote muito estimado por suas virtudes e sobretudo pelas brilhantes pregações que fazia e o tornavam admirado de todos. Sofria muito este pobre padre. Foi revelado à beata Ana que ele expiava a falta de procurar com muito empenho a fama de bom pregador e um pouco de vaidade ao pregar a palavra de Deus, sobretudo nas complacências com os elogios.
   Viu dois religiosos muito santos no purgatório, em sofrimentos duros. Um deles expiava o seu apego ao próprio juízo e pouca submissão ao modo de ver de outros, e outro a dissipação, a falta de recolhimento e piedade no exercício do ministério sacerdotal.
   Enfim, a beata Ana trouxe com a sua bela e impressionante mensagem do sobrenatural no século XIX, muitas luzes sobre o purgatório e impressionantes lições da Justiça de Deus, e também não há dúvida, da Misericórdia que salva tantas almas pelas chamas expiadoras do purgatório.
  

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

A PAZ APÓS AS ELEIÇÕES E A PAZ APÓS A MORTE

ENFIM, A PAZ

                                                                                                                                                        Dom Fernando Arêas Rifan*

            Após o período tumultuado das eleições, esperamos que reine agora a paz entre todos, para o bem comum da nação. Um dia, todos nós, descansaremos em paz, após a morte. Mas não essa a paz que almejamos agora: desejamos a paz da convivência e harmonia entre as pessoas, nas famílias, na sociedade, com respeito à consciência de cada um. 
          Na próxima sexta-feira, dia 2, faremos a comemoração de todos os fiéis defuntos, dos nossos falecidos, daqueles que estiveram conosco e hoje estão na eternidade, os “finados”, aqueles que chegaram ao fim da vida terrena e já começaram a vida eterna. 
            É tempo de reflexão sobre a humildade que devemos ter, sabendo que a morte nos igualará a todos. Todos compareceremos diante de Deus, para dar contas da nossa vida. Ali não haverá distinção entre ricos e pobres, entre reis e súditos, entre presidentes, parlamentares e magistrados e os cidadãos comuns, entre Papa, Bispo, Padres e simples fiéis. A distinção só será entre bons e maus, e isso não na fama, mas diante de Deus, que tudo sabe. 
        Olhemos a morte com os olhos da fé e da esperança cristã, não com desespero. Confiemos na misericórdia de Deus, que é nosso Pai, que nos enviou seu Filho, Jesus, que morreu por nós, para que não nos condenássemos, mas que tivéssemos a vida eterna.  
        “Deus não criou a morte e a destruição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou todas as coisas para existirem... e a morte não reina sobre a terra, porque a justiça é imortal” (Sb 1, 13-15). O pecado é que fez entrar a morte no mundo. Mas a esperança da ressurreição nos consola.
            Os santos encaravam a morte com esse espírito de fé e esperançaAssim São Francisco de Assis, no cântico do Sol: Louvado sejais, meu Senhor, pela nossa irmã, a morte corporal, da qual nenhum homem pode fugir. Ai daqueles que morrem em pecado mortal! Felizes dos que a morte encontra conformes à vossa santíssima vontade! A estes não fará mal a segunda morte”. “É morrendo que se vive para a vida eterna!”. Santo Agostinho nos advertia, perguntando: “Fazes o impossível para morrer um pouco mais tarde, e nada fazes para não morrer para sempre?”
            Quantas boas lições nos dá a morte. Assim nos aconselha São Paulo: “Enquanto temos tempo, façamos o bem a todos” (Gl 6, 10). “Para mim o viver é Cristo e o morrer é um lucro... Tenho o desejo de ser desatado e estar com Cristo” (Fl 1, 21.23). “Eis, pois, o que vos digo, irmãos: o tempo é breve; resta que os que têm mulheres, sejam como se as não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem; os que usam deste mundo, como se dele não usassem, porque a figura deste mundo passa” (1 Cor 7, 29-31). Diz A Imitação de Cristoque bem depressa se esquecem dos falecidos. O dia de Finados foi estabelecido pela Igreja para não deixarmos nossos falecidos no esquecimento.
            Três coisas pedimos com a Igreja para os nossos falecidos: o descanso, a luz e a paz. Descanso é o prêmio para quem trabalhou. O reino da luz é o Céu. E a paz é a recompensa para quem lutou. Que nossos falecidos descansem em paz e a luz perpétua brilhe para eles. Amém. 

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

domingo, 28 de outubro de 2018

JESUS, REI DOS REIS

  Apocalipse I, 4-8: "Graça a vós e paz, da parte d'Aquele que é, que era e que há de vir; e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono; e da parte de Jesus Cristo, que é testemunha fiel, o primogênito dentre os mortos, o príncipe dos reis da terra, que nos amou e nos lavou dos nossos pecados no seu sangue, e nos fez sermos reino e sacerdotes para Deus seu Pai. A Ele, glória e império pelos séculos dos séculos. Amém. Eis que Ele vem sobre as nuvens e todos os olhos O verão, também aqueles que o transpassaram. E baterão no peito ao vê-lo todas as tribos da terra. Assim se cumprirá. Amém. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor Deus, que é, que era e que há de vir. o Todo-poderoso". Capítulo XXI, 5-8: "O que estava sentado no trono disse: Eis que Eu renovo todas as coisas. E ajuntou: Escreve, porque estas palavras são dignas de fé e verdadeiras. Depois disse-me: Está feito! Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. Eu darei gratuitamente da fonte da água da vida ao que tiver sede. Aquele que vencer, possuirá estas coisas. Eu serei seu Deus e ele será meu filho. Mas, pelo que toca aos tímidos, aos incrédulos, aos execráveis, aos homicidas, aos fornicadores, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no tanque ardente de fogo e de enxofre: o que é a segunda morte".


Caríssimos e amados leitores, hoje, último domingo de outubro, a Santa Madre Igreja celebra a festa da Realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo. Primeiramente, vamos meditar nas palavras do próprio Deus nas Sagradas Escrituras. No
Capítulo XXI, 24-27: "As nações caminharão à sua luz e os reis da terra lhe trarão a sua glória e a sua honra". Capítulo XXII, 13- 16: "Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim. Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes no sangue do Cordeiro, para terem parte na árvore da vida e entrarem pelas prtas na cidade. Ficam fora os cães, os feiticeiros, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos os que amam e praticam a mentira. Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos atestar estas coisas nas Igrejas. Eu sou a raíz e a geração de David, a estrela resplandecente da manhã".
   Ouçamos o testemunho do próprio Jesus, Evangelho de São João, XVIII, 33-37: "Naquele tempo, disse Pilatos a Jesus: És tu o Rei dos judeus? Respondeu Jesus: Dizes isso por ti mesmo ou foram outros que te disseram de mim? Respondeu Pilatos: Sou eu, por ventura, judeu? Tua gente e os pontífices Te entregaram a mim. Que fizestes pois? Respondeu Jesus: Meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, meus servos lutariam, para que eu não fosse entregue aos judeus: porém, agora meu Reino não é daqui. Disse-Lhe, então, Pilatos: Logo, Tu és Rei? Respondeu Jesus: Tu dizes: Eu sou Rei. Eu para isto nasci e para isto vim ao mundo, a fim de dar testemunho à verdade. Todo aquele que é da verdade, ouve a minha voz."
   Ouçamos agora a São Paulo na Epístola aos Colossenses, I, 12-20. O Apóstolo aí enumera os títulos que fazem de Jesus Cristo o Rei de todos os reis. Rei enquanto Deus, Rei enquanto Homem: "Irmãos, damos graças a Deus Pai, que nos fez dignos de participar da sorte e herança dos Santos na Luz; que nos tirou do poder das trevas e nos transportou ao Reino do Filho do seu amor. N'Ele, e por seu Sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados. Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criatura. Porque, n'Ele foram criadas todas as coisas nos Céus e na Terra, quer as visíveis, quer as invisíveis; os Tronos, as Dominações, os Principados, as Potestades, tudo foi criado por Ele e n'Ele. E Ele está acima de todas as coisas, e todas subsistem por Ele. Ele é também a Cabeça do Corpo da Igreja, é o princípio, o primogênito dentre os mortos. Ele em tudo tem a primazia, porque, foi do agrado do Pai que n'Ele residisse toda a plenitude: para que se reconciliassem por Ele todas as coisas, pacificando pelo Sangue derramado na Cruz, tanto as coisas da terra como as coisas dos Céus, em Cristo Jesus, Senhor Nosso".
   REFLEXÕES (Missal Dominical Popular):
   Em virtude da Sua divindade, é Jesus Cristo Rei do Céu e da Terra. "No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada foi feito". Jesus-Deus é Senhor Supremo e ilimitado de tudo quanto existe no universo criado.
   Mas também como Homem Jesus é rei do universo. Interrogado por Pilatos a respeito da Sua realeza, Jesus respondeu: "Sim, Eu sou Rei; mas o meu reino não é deste mundo". O reino de Nosso Senhor Jesus Cristo não é do mundo, mas está no mundo, não é reino mundano, temporal, como os outros reinos; mas é um reino sobrenatural, celeste, divino, que existe no mundo e para o mundo. Pela Encarnação, pela Paixão e Morte adquiriu Jesus novos títulos de soberania sobre o mundo e a humanidade. Nasce num estábulo, na mais extrema pobreza, mas de terras longínquas acodem reis poderosos para Lhe prestarem sua homenagens! Morre no patíbulo da ignomínia, mas sobre a Sua cabeça fulgura em três línguas o título da Sua realeza. Expira como se fora um criminoso, e no mesmo instante a natureza o proclama com misteriosas salvas como a seu Rei e soberano Senhor: o sol cobre-se de luto, a terra estremece de dor, partem-se os rochedos com formidável estampido, rasga-se o véu da antiga aliança, e os próprios mortos ressurgem, para dizerem aos vivos que o Crucificado é o Rei do Universo, Rei também das tenebrosas regiões da morte.
   "Coração de Jesus, Rei e centro de todos os corações", assim dizemos na ladainha. De todos os corações! Será verdade? Oxalá assim fosse!
   Se Jesus Cristo reinasse na sociedade, ah! Que ditosos tempos de paraíso não haviam de despontar muito em breve! Se Cristo reinasse na legislação da nossa querida Pátria; se Cristo reinasse nas Câmaras e nos Congressos; se Cristo reinasse nos Tribunais; se Cristo reinasse nas Escolas e nas Repartições públicas que feliz e próspera nação não seria a nossa!... Mas, ai! Que o reinado de Cristo abrange apenas uns pontos mui diminutos da nossa vida social! E sabes tu, meu caro cristão, quem é que, antes dos mais, estaria em condições de conquistar para Jesus Cristo o reinado social? Quem Lhe poderia garantir o triunfo da sociedade humana?
   São Pio X dizia: "Dêem-me mães verdadeiramente cristãs, e eu salvarei este mundo decadente". É a família cristã e, antes de tudo és tu, ó mãe de família! Nas tuas mãos é que está o futuro do nosso povo, a felicidade ou a desgraça do Brasil! Se tu não souberes, ou não quiseres educar os futuros cidadãos, juízes, funcionários, magistrados, debalde será todo o nosso esforço. Mas se tu lançares na alma dócil dos teus filhos os alicerces da fé e da moral cristã, então, sim, mãe cristã, podemos esperar o triunfo do reino de Cristo na sociedade brasileira!
   Os reis e soberanos da terra recompensam a dedicação dos súditos com ordens e insígnias, com empregos e colocações. O reino de Cristo não é deste mundo; não é agora o tempo das recompensas cabais; agora temos de trilhar com Ele o caminho da cruz. Mas dia virá, "nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus preparou àqueles que O amam."
   A quaresma segue-se a Páscoa, à Sexta-feira da Paixão o domingo da Ressurreição, e o Tabor não fica longe do Calvário.
   Se neste vida formos companheiros do Rei das dores, é certo que na outra seremos também companheiros do Rei da glória.

sábado, 27 de outubro de 2018

PESADELO OU DEMÔNIO?



Caríssimos, o que vou contar aqui foram fatos que se deram comigo. O primeiro talvez explique os seguintes.

Hoje na explicação da Epístola deste domingo, no meio do sermão, veio-me uma inspiração de contar um fato que se deu comigo no dia 26 de setembro de 1974,  fato este que nunca havia contado publicamente e, particularmente, só a umas três pessoas. E o motivo é porque procurava interpretá-lo como um pesadelo, embora meu superior me tivesse dado a certeza que se tratava de um ataque do demônio.  Hoje, com a experiência de 44 anos de sacerdócio, já aceito a opinião de meu ex-reitor no Seminário que então funcionava nas dependências da Igreja de Nossa Senhora do Terço em Campos, RJ, onde se deu o fato que passo a contar unicamente pensando que possa fazer algum bem às almas.
Este meu superior, que também era pároco desta mesma Igreja, Mons. José Luiz Marinho Villac, pediu que eu pregasse na festa de S. Miguel Arcanjo, celebrada no dia 29 de setembro. Seria meu primeiro sermão, pois tinha sido ordenado diácono em 1974 e só em 08 de dezembro do mesmo ano seria ordenado sacerdote. Durante a novena do Santo Arcanjo da Milícia Celeste estava preparando o sermão. Era o dia 26 de setembro de 1974 e meu colega o diácono Fernando Areas Rifan não estava, não me lembro porque razão. E eis o que aconteceu.

No meio da noite, não me lembro a que horas, eu estava dormindo. Graças a Deus nunca tive problemas no sono. Dormia como uma pedra. Mas, eis que, de repente, senti que uma  serpente e logo depois uma espécie de tênue sombra sem forma bem definida, se atirou contra mim, como para me estrangular. Voei da cama e rolei com aquele ser quase invisível mas, não sei como; pois, sem vê-lo eu o acompanhei em todos os recantos de meu quarto e o tempo todo eu procurava atingi-lo com socos. Havia um monte de malas ao lado de minha mesa de trabalho onde esculpia e pintava. Inclusive, neste mesmo dia havia acabado de esculpir e pintar uma imagem de Nossa Senhora de Fátima. Pois bem, com socos derrubei malas pesadas, derrubei tudo o que estava sobre a mesa, menos, graças a Deus, a imagem que estava no meio da mesa cercada dos meus objetos de escultura e pintura. Não saberia dizer quanto tempo durou a briga. O fato é que o seminarista que dormia no quarto vizinho acordou com o barulho, e depois de ver que o barulho não parava, achou (como ele me disse) que estivesse me defendendo de algum ladrão. Criou coragem e bateu na minha porta. Aí é que acordei. Abri o porta e ele (era o seminarista José Gualandi) disse assustadíssimo: Que foi isto, Murucci? Tem ladrão aí? Você está com a rosto todo cheio de sangue! Falei: não é possível! Mas fui olhar no espelho e confesso que fiquei apavorado. Olhei as mãos e estavam com vários galos e hematomas. Como nunca fui um homem assustado, fui deitar e dormi tranquilamente. Mas no outro dia cedo correu a notícia dentro do Seminário e meu reitor o Revmo. Mons. José Luiz Marinho Villac quis me ver e ficou convicto que fora o demônio que me atacou porque iria pregar na festa de S. Miguel Arcanjo. O detalhe interessante é que todas aqueles hematomas e feridas no outro dia à tarde já haviam sumido inteiramente, ficando apenas uma pequena marca nos lábios até hoje.

Outros fatos: Fui ordenado sacerdote em 08 de dezembro de 1974 e no início do ano seguinte, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória, colocou-me nesta mesma paróquia de Nossa Senhora do Terço. E poucos dias após a posse, apareceu na sacristia onde eu estava um homem desconhecido. Disse-me: padre gostaria de conversar em particular com você. Chamei-o para uma sala mais retirada. Ele disse-me: Padre, eu desde bem novo sempre me envolvi com coisas relacionadas ao demônio. Cheguei até aos mais altos graus. Agora, estão me dizendo que, para eu conseguir o máximo, tenho que entregar minha alma ao demônio. Que você acha? Respondi-lhe: não acho nada, devemos ter certeza de estarmos com Deus e rejeitarmos o demônio. Aí disse tudo o que ele devia fazer. Não respondeu nada, despediu-se e foi-se embora. Qual foi sua intenção só saberei no dia do juízo.

Outro fato: Era meu sacristão o Sr. Ayres Penha, de santa memória. Quando me lembro dele, fico pensando que foi um santo, e como era negro, penso que foi um outro S. Benedito. Que rapaz educado e caridoso!!! Todos os campistas que tiveram a graça de conhecê-lo devem concordar comigo: já deve estar no céu. Pois bem! Um dia ele disse-me: Padre Elcio, fique atento porque fiquei sabendo que há na cidade uma mulher extremamente estranha, é uma agente comunista de S. Paulo, mas que percorre o Brasil todo com uma missão diabólica: seduzir os padres que pregam contra o comunismo. Caso ela não consiga, ela espalha calúnias contra eles. E acho que ela usa o confessionário, porque ali o padre fica sem defesa por causa do sigilo sacramental. Por isso, se ela aparecer e pedir confissão V. Reverendíssima, não atenda! Agradeci muito a ele. No outro dia uma mulher ligou pra mim pedindo confissão. Perguntei: a senhora é paroquiana minha? Ela não quis dizer de onde era. Só disse que: "não sou daqui". Pedi que ela viesse depois de três dias e marquei a hora e disse que, primeiro gostaria de conversar em particular com ela. Como eu tinha em Campos um grande amigo militar, por sinal capitão, expus pra ele toda esta história. Ele disse que iria combinar tudo com o Serviço Nacional de Informação, SNI. A sacristia era separada da sala dos paramentos com uma cortina, e os agentes do SNI ficaram atrás com os microfones. A estranha mulher chegou na hora exata e parou na porta e perguntou: não tem ninguém aqui para gravar minha conversa? Disse-lhe sem mentir: Fique tranquila e sente-se aqui.
Hoje, com minha longa experiência em exorcismos, tenho certeza que aquela mulher estava possessa. Ela desviou a conversa e não falou nada que pudesse comprometê-la. A não ser pelo demônio ela não podia saber e nem de longe desconfiar de nada.  Mas ao sair foi seguida dos agentes do SNI. O que  se deu depois não sei.

Atendendo os doentes, porém, topei com uma mulher  que me pareceu ser a tal comunista. Mas, como não tinha certeza, fui conversar com ela. Pois bem, ela não quis se confessar, mas suas conversas foram no sentido de me seduzir, e quando começou a me tocar com maldade, virei as costas e sai quase correndo. Mas tive a inspiração de pedir no hospital a prancheta onde estavam os seus dados pessoais. Sendo eu padre e prometendo guardar segredo logo mo cederam.  Só posso dizer que ficou confirmado ser a tal comunista possessa.
Caríssimos, os comunistas que são na verdade ateus, mas vão às missas celebradas por comunistas padres e nela comungam, embora sejam favoráveis à lei do aborto e a tudo o que destrói a família, podem estar certos, estes e estas estão possessos de demônios, espíritos malignos espalhados pelos ares.

Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, defendei a nossa querida Pátria do Comunismo! Amém!

O DECÁLOGO E A VIDA ETERNA



(Excertos do capítulo III do livro "OS DEZ MANDAMENTOS", da autoria da Mons. Tihamer Tóth) 

"O nosso assunto agora é este: Que significa o Decálogo para a vida eterna.
Apresentou-se a Nosso Senhor Jesus Cristo um jovem amável e rico, e cravando olhares ardentes no seu santo rosto, perguntou com as ânsias da alma que deveras procura a Deus: 'Mestre, que boas obras devo fazer para conseguir a vida eterna?' (S. Mateus XIX, 16).
Não é este, igualmente, o grande problema? Não poderíamos também nós, homens modernos, colocar-nos junto do jovem e dizer com ele: 'Senhor, o peso esmagador da vida moderna, tão agitada, acabrunha-me e turba o meu espírito. Sei que tenho uma alma. Que devo, porém, fazer para a salvar? Senhor, o abismo de maldade satânica abre as suas fauces em volta de mim e faz vacilar a minha alma já abalada. Senhor, que devo fazer para salvar a minha alma e conseguir a vida eterna?...'
Decerto é também este o nosso problema.
Confiemos na resposta do Senhor.
Jesus respondeu: 'Se queres entrar na vida eterna guarda os Mandamentos'.
Como? É esse o grande segredo? É essa a grande orientação? Essas breves palavras?
Sim, estas breves palavras: 'Guarda os mandamentos'. Mas se Jesus Cristo fazia depender delas a vida eterna, é bem razoável que nós tratemos de penetrar o seu sentido profundo, porque, são, profundíssimas, embora pareçam tão singelas. (...) 
'Se queres!' Portanto, depende de mim, só de mim, a sorte que me caberá além túmulo. Depende de mim. Deus a ninguém obriga, não leva ninguém para o Céu por violência. O homem é livre: pode decidir livremente sobre o seu destino eterno. (...) Mas tem cuidado, não esqueças: se não tratas da tua alma, o prejuízo não será nem da Igreja, nem de Deus. Acredita: não hão de ser eles que sofram com isso.
O livre arbítrio do homem é um valor magnífico, mas um dom perigoso [por causa da fraqueza humana], ao mesmo tempo. Tens liberdade de ação, mas és responsável pelos teus atos. Se empregas a vida segundo as leis de Deus, asseguras a tua felicidade eterna; se usas dela contra essas leis, mereces uma condenação perdurável.
"Se queres entrar na vida eterna, guarda os Mandamentos". O Senhor deu leis a todas as suas criaturas; e são justamente essas leis que asseguram a ordem, a beleza, a harmonia do mundo. Os astros siderais percorrendo a sua órbita, as plantas dando flores, o animal vivendo, todos obedecem a Deus; são regidos por leis físicas e biológicas; a sua maneira de agir está determinada.
Com o homem teve Deus procedimento excepcional: também lhe deu leis, mas deixando-lhe a liberdade:
  - É esta a minha vontade; está na tua mão cumpri-la; portanto, se a repelires, lavrarás a tua condenação. (...) A lei não faz mais do que aperfeiçoar a liberdade.
O que aprende a pintar tem de observar as leis da perspectiva. Limita-se, por isso, a liberdade do pintor? De modo nenhum. Está na sua mão desprezar as leis da perspectiva; mas... assim lhe ficará o quadro. Tu também podes infringir as leis de Deus; mas... pensa o que será a tua alma.
O que aprende música terá de respeitar as leis da harmonia. Sofre limitação a sua liberdade? Não sofre. Pode escrever uma composição, tocar instrumentos, cantar... contra as leis da arte... enquanto houver quem lhe suporte tanta dissonância. Tu também podes levar uma vida contrária à lei de Deus mas... será cheia de dissonâncias.
O que escala o pico de Lomnic tem um caminho seguro, provido em muitos lugares de varandas e cordas a que pode segurar-se. Estará por isso limitada a sua liberdade? De modo algum. Pode experimentar outros caminhos, pode escolher os que quiser, mas que não se queixe de ninguém senão de si, se por fim cair.
Se queremos pintar a obra-prima da nossa vida e observar nela a justa perspectiva, temos de guardar a Lei de Deus. Se queremos que a nossa vida seja harmoniosa, temos de procurar na Lei de Deus os devidos acordes. Se queremos atravessar com segurança os perigos da vida, sem cair no precipício, e atingir os cumes da vida eterna, temos de seguir a Lei de Deus que nos indica o caminho. (...).
Resume-se o presente capítulo e o anterior neste pensamento: o Decálogo serve de garantia para a vida terrena e para a vida eterna. Não há ninguém que possa iludir a voz da autoridade que vibra nestas leis [Êxodo XX, 1-17]. Elas obrigam igualmente ao menino e ao ancião, ao pobre e ao rico, aos seculares e aos sacerdotes. Sim; TAMBÉM obrigam aos sacerdotes.
Estranhar-se-á porventura o sublinhado. É que existe em meu poder uma carta cheia de censuras tão ásperas, como esta: "Vós nos pregais o Decálogo... Antes de o fazerdes conviria que os próprios sacerdotes o guardassem; mas eles não o cumprem..."
Não sei que tristes cenas presenciaria o autor desta carta para a escrever com tanta amargura; mas tenho de afirmar de um modo solene que o Decálogo, é evidente, não obriga só aos leigos, mas também aos sacerdotes. Ainda mais: obriga com mais rigor a estes, porque eles têm de dar exemplo. E se algum cai, por fragilidade humana, ninguém o deplora mais que a própria Igreja e os sacerdotes zelosos que o são segundo o Coração de Cristo.
Sim, o Decálogo corta ao vivo; corta como o cinzel; é aguçado como o bisturi. Quem o poderia negar? Quem poderia negar que é preciso ter uma firmeza a toda a prova, um entusiasmo que não vacile ante os sacrifício e um domínio próprio que só a imitação de Cristo pode dar, para permanecer fiel aos Mandamentos de Deus, sempre e em todas as situações, no meio deste mundo tão tempestuoso? A alma que segue a Cristo tem de preparar-se para uma luta dupla: o primeiro combate, à custa de suor de sangue, terá de o sustentar contra os próprios instintos; a segunda refrega consistirá no combate com o mundo desdenhoso e ofensivo, que não compreende os altos ideais.
Mas não podemos ceder.
Se a vida humana e as leis divinas não se coadunam, não havemos de pretender que se modifiquem as leis divinas, mas sim que se reforme a vida humana. Não é lícito "reformar a religião de Cristo segundo os postulados da época" como pedem alguns [hoje infelizmente muitíssimos, até bispos]; não é lícito "reformar" o Evangelho de Cristo [nem jogá-lo no lixo], nem é lícito "reformar a moral cristã. O homem efeminado, indolente, frívolo, ébrio de prazeres, veria com gosto uma nova edição, correta e abreviada, do Decálogo; aplaudiria, por exemplo, a supressão do sexto mandamento; mas do mesmo modo que o Sol não segue na sua carreira, os relógios de algibeira, nem os átomos, ao combinar-se, têm em conta as lucubrações dos químicos; nem a órbita dos corpos siderais tem complacências com os melhores astrônomos; nem as leis do universo se modificam segundos os caprichos dos primeiros físicos... assim também as leis de Deus não obedecem aos humores dos homens. Da natureza criada por Deus não podemos trocar uma única verdade, não podemos suprimir nem uma só lei; assim como a não podemos suprimir no mundo sobrenatural.
Mas o homem moderno tem necessidade e necessidade urgente de uma coisa: Necessita não de uma fé nova, nem de uma religião nova, nem de um código novo, mas de um coração novo, de uma alma nova, de uma generosidade nova, de um amor novo à fé antiga.
Não é coisa fácil observar sempre e em tudo os dez Mandamentos; mas nós queremos cumpri-los, porque sabemos que deles depende o bem-estar da Humanidade neste mundo e disso depende a nossa felicidade eterna no Céu."
AMÉM!

terça-feira, 23 de outubro de 2018

O DECÁLOGO DA VIDA TERRENA



(Excertos do capítulo II do Livro "OS DEZ MANDAMENTOS" , autor Mons. Tihamer Tóth)
"Há um escritor francês de vista aguçada e bem talhada pena, um pároco de Paris. O seu nome literário é Pierre l'Ermite (Pedro o Eremita). É nome muito conhecido.
No grande diário dos católicos franceses, La Croix, este pároco descreveu uma interessante conversa que teve com certa senhora. É senhora de idade avançada, mas em o encanto cheio de dignidade das avós, nem o olhar modesto que infunde respeito. Na sua pessoa lutam em partes iguais a seda, as jóias e os ingredientes com as marcas indeléveis do tempo que passa. Pertence à paróquia do escritor, mas não põe os pés na igreja. Contudo, na rua, nunca deixou de saudar o pároco com uma graciosa saudação de cabeça e gostaria mesmo de o ver entre os seus convidados... porque pensa que assim teria ficado em dia com as suas obrigações religiosas... O pároco é que não aceitou nem um dos seus convites.
Certo dia, passava esta senhora por uma rua, justamente ao lado do pároco; indignada, tremendo de cólera, voltou-se para o sacerdote a quem nunca havia dirigido a palavra:
  -  Monsieur le Curé! Senhor Prior! Olhe para ali! O pároco, surpreendido, olhou na direção indicada. A dizer a verdade não falta ali que ver... Passam na rua grandes autobuses cheios de jovens comunistas, de barretes encarnados, empunhando bandeiras vermelhas e cantando em coro a Internacional.
  - Que horror!  - gritou a senhora. E a sua cara, branca à custa de pó, tornou-se vermelha.
  - Que coisa repugnante! Que nojo!
O sacerdote sentiu também o coração oprimido à vista de tão horroroso espetáculo; mas, esforçando-se por aparentar tranquilidade, respondeu:
  - Isto, minha senhora, é na verdade, uma coisa lógica.
  - O que?! uma coisa lógica?! - exclamou a senhora, pasmada.
  - Claro que sim. Completamente lógica. Porque, se não há Deus, se não há vida eterna, se não há bem nem mal, não há motivo para que os comunistas tratem com delicadeza a sociedade burguesa...
  - A senhora respondeu irritada:
  - Mas Deus existe!
  - Sim, minha senhora! Mas eu nunca a vi na igreja.
  - Eu tenho cá um Deus pessoal...
  - Um Deus pessoal?
  - Sim, um deus pessoal. É mais cômodo.
Ao chegar a este ponto o sacerdote, habitualmente calmo e cortês, perdeu a paciência e expandiu o que, havia meses, guardava no coração.
  - Sabe, minha senhora, que é sua a responsabilidade do que se passa aqui, desta desordem, desta falta de consciência?
  - Minha?  - perguntou, surpreendida.
Sim. Da senhora e das pessoas como a senhora. Pertencem à classe social que orienta, à classe que deveria ser o sal, o fermento, a luz. E são-no, realmente? Não dão, durante todo o ano, o mau exemplo da indiferença religiosa aos seus porteiros, criados e conhecidos? Por que há de o povo acreditar se os senhores não acreditam? O povo segue-os. E se para os senhores não há nada santo, por que há de o povo respeitar, por exemplo, a sua bolsa, o seu adereço de diamantes... ou a sua própria pele? Minha senhora! Perante Deus nós somos responsáveis por tudo, tudo!
A senhora, encolerizada, olhou o pároco dos pés à cabeça, fez um trejeito com a boca e, voltando-lhe as costas, disse apenas:
  - Reverendo padre, quando eu quiser ouvir um sermão irei à igreja...
E seguiu, irada, o seu caminho.
Não quero afirmar que o pároco se portasse com inteira cortesia; nem mesmo teria razão em absoluto.
Mas não há dúvida de que a senhora também não a tinha. Porque, se qualquer pessoa tivesse o direito de fabricar para seu uso um "deus" individual e uma moral própria, então: I) Onde chegaria a vida da sociedade humana? II) Onde chegaria também a vida do indivíduo?
No capitulo anterior [do qual extraí o último post] tracei um quadro imaginário para mostrar quão tranquila e cheia de bênçãos seria a vida cá em baixo se os homens cumprissem com seriedade o Decálogo.
Observemos agora o reverso do quadro: Que sorte seria a da humanidade se um dia rompesse definitivamente com os dez Mandamentos? Que espantosa miséria!
Suprimi o primeiro Mandamento e permiti que cada qual fabrique para si um "deus" próprio; então ou chegaremos outra vez ao Panteão da Roma pagã, com seus trinta mil deuses, ou nos revolvemos em uma imoralidade pior que a vida dos animais, porque é mais fácil para a ave viver sem ar e para o peixe viver sem água do que para a alma humana viver sem Deus.
Apagai o segundo e o quarto Mandamentos e consenti que qualquer vadio da rua levante o punho, blasfemando contra Deus. Depois de rebaixar a autoridade divina poderá a autoridade humana permanecer intacta?
E onde os pais e as leis não têm autoridade, onde as palavras perderam o seu valor pode haver uma vida civilizada? não se poderá antes falar com propriedade de um rebanho humano reunido e dominado pelo látego de um carrasco?
Apagai o terceiro Mandamento, suprimi o culto e o descanso dominical! Avante! Viva o trabalho contínuo, viva o toque das sereias das fábricas. Já o experimentou o homem: as máquinas trepidantes abafam, em muitas partes, a voz dos sinos dominicais. Dizei-me, então: Somos assim mais felizes, mais livres ou oprime-nos um peso mais esmagador do que a escravidão dos ilotas? Sim: é justo adiantarmos e progredirmos... mas haveria em toda a história humana uma época de maiores desesperos, de mais punhos cerrados, de mais olhares chispando ódio? Houve alguma vez, nos tempos pretéritos, antes da técnica desenfreada que nem sequer permite o descanso dominical, crianças com bandeiras e barretes vermelhos?
Há médicos e homens entendidos em Economia que apregoam o benefício do descanso dominical e aplaudem a doutrina da Igreja, segundo a qual o homem mais rico está obrigado ao trabalho, mas o mais pobre tem igualmente direito ao descanso.
E como também recreia o espírito celebrar o domingo com um ato de culto e, pelo menos nestes momentos santos, elevar um pouco a alma humana, esgotada pela luta de cada dia!
Apagai o sexto e o nono Mandamentos, apregoai o amor livre. Passados alguns decênios, podereis ver ainda figuras humanas sobre a terra? Não verás somente costas curvadas, caras chupadas, olhos encovados, sangue empobrecido?
Apagai o sétimo e o décimo Mandamentos: e empenhar-se-ão numa luta de feras os homens dados à rapina.
Apagai o oitavo mandamento: e o esposo não poderá confiar na esposa, nem a mãe poderá acreditar nas palavras do filho.
Logo, a honra da palavra empenhada, o respeito da leis, a estima dos superiores, o amor do trabalho, a felicidade das famílias e o bem-estar da nações acompanha a sorte do Decálogo: com ele florescem ou sem ele decaem.
Se meditarmos na desorientação atual e no futuro da nossa sociedade, pesa-nos sobre o espírito uma incerteza esmagadora: por toda a parte um caminhar às apalpadelas nas trevas, ódio concentrado, pânico de revoltas, um buscar de novas formas de vida. Mas se dirigirmos um golpe de vista às catástrofes sofridas no passado, não temos razão para desanimar. A sociedade cristã sofreu crises maiores: basta recordar a queda de Roma, as invasões dos vândalos, hunos, turcos... os horrores da guerra dos Trinta Anos. Sim, tudo isto sofreu a Europa cristã. E como pôde resistir-lhe? Porque no momento crítico tinha uma ideia que infunde força, que dá vida: tinha fé em Deus.
E se hoje reina a agitação e se repetem diariamente os abalos sociais, é porque foi diminuída em nós a fé antiga em Deus. E no seu lugar que ficou? Incerteza, desespero, mania do suicídio em uma parte da humanidade; uma vida sem freio, luxo e libertinagem na outra.
Sociólogos, sábios, escritores dos nossos dias preocupam-se na averiguação de quem abriu a fossa a cujos bordos está cambaleando a humanidade atual. Quereis saber quem foram os que abriam tal fossa? Não quisera ser tão duro como o pároco parisiense. Mas devo dizer: foram os que despojaram a alma humana da sua fé em Deus, os que partiram as tábuas do Decálogo.
Não é coisa fácil levantar o homem moderno, acostumado ao estreito horizonte da vida material e elevá-lo às alturas ideais do Decálogo. Temos, contudo, de o conseguir. As multidões encaram hoje os pensamentos elevados, divinos, tão estupidamente como a galinha que esgravata no monturo poderia contemplar a águia real voando nas alturas.  - 'Pássaro insensato! para que voas no espaço vazio, onde não há ao menos um punhado de terra para rebuscar uns grãos?' E todavia a moral da Igreja Católica aceita a gigantesca tarefa de transformar esta geração de galinhas em estirpe de águias reais.
Que pretende, então o Decálogo? Que tenhamos olhar católico, ouvido católico, língua católica, mãos católicas, pés católicos e coração católico.
Queremos viver? Desejamos uma vida tranquila, cheia de grato sossego, neste mundo? Para isso não há outro caminho senão o que o Senhor ensinou: o cumprimento da Lei de Deus".
AMÉM!

TERÁ ATUALIDADE O DECÁLOGO?



(Excertos do capítulo I do Livro "OS DEZ MANDAMENTOS" da autoria de Mons. Tihamer  Tóth)

"Em cada Mandamento quisera sublinhar que devemos cumprir o Decálogo, não só porque a sua infração é um pecado contra Deus, mas também porque é ainda um pecado contra a natureza humana, contra uma vida terrena feliz, contra a sociedade. Quero destacar o pensamento importante de que estas leis são antigas, sim, mas nem por isso antiquadas: que estas leis não têm apenas três mil anos, mas seis... eu sei lá quantos milhares! porque são tão antigas como a própria humanidade. Certo é que o Senhor as codificou a partir dessa data de que temos conhecimento, dando-as escritas nas tábuas de pedra do Sinai; porém, milhares de anos antes, quando criou o homem, gravou-as no mais sensível da coração humano, no mais fundo da sua natureza e, por isso, ainda que tornem a passar novos milhares e dezenas de milhar de anos sobre a humanidade, e por muito que esta cubra com prodigiosos inventos da técnica a face da terra, estas leis, as palavras majestosamente singelas do Decálogo, desafiarão, imutáveis, todos os tempos.
O Decálogo não foi imposto apenas aos Judeus, ao homem antigo. Porque a proibição de perjurar, de roubar, enganar, matar, levar vida licenciosa é pedra fundamental, inamovível, de todas as sociedades e de todas as épocas. (...) Do cumprimento do Decálogo depende não só a nossa vida eterna, como também a nossa felicidade temporal e, ou a humanidade permanece fiel aos mandamentos de Deus, ou terá de resignar-se a nunca mais gozar uma vida humana tranquila, pacífica, feliz e sã. Porque aquelas dez breves frases, inscritas em antigas tábuas de pedra, dirigem-se a todos os homens. (...).
Ponho-me a imaginar o que seria, como se modificaria esta vida terrena, tão triste e tão cheia de lutas se os homens um dia resolvessem: De hoje em diante tomaremos a sério o Decálogo.
Soltemos as rédeas da nossa fantasia: esta noite os homens decidem cumprir, para o futuro, como todo o rigor, os Mandamentos. Que sucederia?
Vem a aurora... os homens levantam-se, aqui, além..., após tranqüilo repouso. E, que surpresa! não pedem primeiro que tudo o café da manhã; mas todos dobram os joelhos junto das suas camas e, em oração curta, fervorosa, consoladora, saúdam o Senhor! Todos oram: hoje está em vigor o Decálogo.
Chega a hora do primeiro almoço e repartem-se os periódicos que cheiram ainda à tinta fresca de imprensa. Mas, coisa rara! O café nunca foi tão saboroso: nas páginas do Diário há grandes espaços em branco, principalmente nos lugares antes destinados às murmurações e aos escândalos. Ah! sim! está em vigor o Decálogo. É proibido enganar. E por isso é tão boa e pura a lei. É proibido mentir e por isso as folhas vêm tão vazias...
Termina o primeiro almoço. Cada qual segue, apressado, para o seu trabalho! Numerosos estudantes dirigem-se para as suas aulas e todos de bom humor, porque não vão arquitetando as mentiras que habitualmente dizem aos professores como desculpa de não saberem as lições  -  hoje não é permitido mentir! - Em vez dessas mentiras, vão repetindo, para si, o que levam bem sabido, já que hoje toda a gente cumpre o seu dever.
Os pais de família dirigem-se para  as repartições. Que interessante! Hoje, às oito, todos estão no seu posto e os assuntos dos clientes são despachados com presteza e interesse... Mas... que terão estes homens?
Os operários encaminham-se para as fábricas; todos empunham as ferramentas e manejam os maquinismos com vigor e satisfação. Não há um só que se atreva a revoltar-se. Não dizem mal do fabricante, do rico, do patrão... Ah! sim! Está em vigor o Decálogo.
A dona de casa dirige-se ao mercado... Que contentamento! que segurança! Compra um litro de nata e nem sequer a prova primeiro: tem certeza de que não está azeda. Compra o colorau e sabe que não vem misturado com pó de tijolo. Compra mel e não há nele mistura, Deus sabe de que droga. Compra manteiga que não tem margarina. Ao trocar uma nota do Bando nem sequer verifica o troco. E ninguém regateia, porque hoje é proibido enganar.
O açougueiro compra um boi e tem a certeza de que não lhe deram previamente de beber, para pesar mais, cheio de água. E o que ainda vale mais, quando se retira com a sua compra, corre atrás dele o vendedor, dizendo: Queira desculpar, enganei-me no troco e dei-lhe menos do que devia..."
Será preciso continuar a descrever como seria o mundo se tomássemos a sério o Decálogo?
Regressa o marido de longa viagem e a esposa, recebe-o com aquela alegria verdadeira que só pode ser comunicada por uma consciência completamente tranquila e uma fidelidade conjugal mantida sem desdouro.
Chega o filho da escola e que felicidade para os pais saberem que cada palavra sua representa a verdade clara!
Logo à tarde há um comício. Porém, os oradores, que até agora falavam durante horas, de rosto contraído, espumando de cólera, não podem falar nem dois minutos, porque hoje só é permitido dizer a verdade.
Teremos de continuar? Nessa tarde um grupo de amigas reúne-se para o chá das cinco. Há anos que têm este costume: hoje, porém, a conversa leva tanto tempo a animar-se! E contudo faltam ali companheiras habituais de quem se poderia tranquilamente murmurar, na ausência. Mas, é verdade! hoje não se pode dizer mal de ninguém.
Desapareceram os policiais da rua; não têm que fazer: hoje não há criminosos.
Dos lugares de publicidade desaparecem os anúncios e gravuras licenciosas; e os nossos jovens podem passear tranquilos, esta noite, pelas ruas das grandes cidades; hoje é proibido seduzir ou impelir alguém ao pecado.
Abrem-se as cadeias; não há criminosos!
Nas Repartições de Contribuições... [declarações de renda] oh! quantos homens se comprimem ali!  -  "Peço-lhe que corrija a minha contribuição [declaração]; os meus rendimentos são justamente dez vezes maiores do que eu tinha manifestado..."
Assim aconteceria se cumpríssemos a sério os dez Mandamentos. E se em vez de um dia fosse uma semana inteira? E se em vez de semanas toda a vida? Que paraíso terreal floresceria neste vale da lágrimas!
    -  Ilusões! Fantasias de poeta! - dir-me-ão.
De modo algum fantasias, mas sim a vontade de Deus. É vontade de Deus que cumpramos o Decálogo, para assim garantirmos o equilíbrio da vida terrena. Eu quero crer: a vida temporal, deste modo, seria o Céu na terra. Continuaria o sofrimento, a doença, a morte. Desapareceria, porém, da nossa vida, aquela infinidade de tormentos, cuja causa somos nós unicamente. Desapareceria: e então a vida humana seria suportável, tranquila  -  que mais direi?  -  seria feliz. Porque não podemos esquecer que Nosso Senhor Jesus Cristo não é nosso Redentor só por ter libertado as nossas almas do pecado, mas também por ter dotado a vida terrena do homem com as leis mais a propósito para dignificar e enobrecer".
AMÉM!

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

REFORMA AGRÁRIA



Artigo de D. Antônio de Castro Mayer, publicado pelo jornal "Monitor Campista" em 07/07/1985.

Está na ordem do dia. De quando em quando, ela vem à ribalta. Embora não necessariamente, de fato, ela veicula duas atitudes agro-econômicas: uma que se opõe ao latifúndio como tal, considerando-o inapelavelmente antiprodutivo; outra que condena o latifúndio como usurpador de um chão, que Deus teria concedido a toda a comunidade. Em última análise, há, em todo agro-reformismo, certa reserva sobre a liceidade do direito de propriedade da terra.

É próprio dos agro-reformistas buscarem acobertar-se na doutrina da Igreja como a expõem hierarcas e teólogos nos dias de hoje. Esses homens da Igreja veriam, no agro-reformismo, o meio de acabar com os trabalhadores rurais sem terra que, por isso, seriam explorados pelos fazendeiros. É preciso dizer que a doutrina oficial e tradicional da Igreja não sufraga o apoio eclesiástico aos partidários do agro-reformismo.

Ainda agora o mostra uma acareação entre o que afirma o Exmo. Sr. Cardeal Aloísio Lorscheider, arcebispo de Fortaleza, em artigo no jornal "O Povo" (24/06/1985), da capital cearense, e o que ensinam encíclicas papais. Assim, diz o Sr. Cardeal Lorscheider: "A tradição cristã nunca defendeu o direito de propriedade privada como um direito absoluto e intocável". De seu lado, ensina Leão XIII na Rerum Novarum:

  'Deve reconhecer-se ao homem não só a faculdade geral de usar das coisas exteriores, mas ainda o direito estável e perpétuo [grifo nosso] de as possuir, tanto as que se consomem pelo uso, como as que permanecem depois de nos terem servido (§ 11, trad. de Vozes).
E mais adiante continua Leão XIII: 'Aliás, posto que dividida em propriedades particulares, a terra não deixa de servir à utilidade comum de todos (...) Quem a não tem, supre-o pelo trabalho (...)" (id. § 14).

Então nada se deve fazer para aprimorar o relacionamento entre patrões, operários e Estado, envolvidos todos, e interessados na agricultura?  - perguntará um agro-reformista irritado.

Não somos assim tão imbecis. Pois é sempre tempo de melhorar, respeitados, porém, os direitos, legitimamente existentes. Quando o Sr. Carvalho Pinto [Carlos Alberto de Carvalho Pinto, governou o Estado de São Paulo de 1953 a 1963], na presidência do Estado de São Paulo, enveredou pela revisão agrária, suscitou polêmica que extravasou os limites do seu Estado. Na ocasião tivemos oportunidade de tornar públicas algumas normas, no sentido de elevar o rendimento da lavoura e mais ainda os homens da terra. Como as julgamos ainda atuais, as transcrevemos:
  • ·         Uma transformação da vida do campo, que importe na melhoria do salário e das condições de existência dos trabalhadores rurais de formação religiosa, moral e intelectual;
  • ·         A difusão da pequena propriedade;
  • ·         O acesso do trabalhador agrícola à condição de proprietário; [q. criança eu tinha a satisfação de ver como alguns meeiros do papai, quando entregavam a lavoura, compravam um alqueire de terra, faziam sua casa e plantavam café].
  • ·         O amparo dos pequenos proprietários pelos Poderes Públicos;
  • ·      Permanência mais efetiva dos proprietários nas fazendas, e um contato assíduo dos proprietários e trabalhadores agrícolas;
  • ·   Situação melhor para a agricultura no conjunto da economia nacional, com vistas a um incremento da produção rural, e a conseqüente possibilidade de uma adequada remuneração dos proprietários e trabalhadores agrícolas.

O Exmo. e Revmo. Sr. Dom Geraldo de Proença Sigaud fez idêntica comunicação ao seu clero de Diamantina, publicada na "Estrela Polar" de Diamantina, de 19 e 25 de março do mesmo ano de 1962.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

O INFERNO DO COMUNISMO



No inferno, além da pena dos sentidos, como é o fogo, há outro tormento muito maior, que é a pena do dano, isto é, a perda de Deus: "Afastai-vos de Mim, malditos...". Ora, o Comunismo é ateu, isto é, sem Deus. É totalmente materialista. Logo, no mundo comunista não há Deus. Mas no inferno há os demônios. E Jesus Cristo disse que o demônio é homicida e invejoso. Assim são também os comunistas. Se não têm Deus, não acreditam em suas Leis. Deus proíbe, por ex. matar e roubar. Eles matam e roubam. E assim não respeitam os outros mandamentos: não amam a Deus que simplesmente não existe para eles e nem amam o próximo que é a imagem e semelhança de Deus. Jesus disse que o Demônio é mentiroso. Mentirosos são igualmente os comunistas. 

Mas vamos, agora, ouvir os corifeus do Comunismo:

Lenine é o fundador do Comunismo russo. Eis o que este ímpio disse: "Deus é uma mentira. O homem que se ocupa em louvar a Deus se suja em sua própria saliva". Daí ele dizer: "É preciso combater a religião, eis o A B C do Comunismo". E no jornal comunista de Leon Blum, lê-se: "Devemos amaldiçoar Deus e afastá-lo da sociedade". No plano aprovado pelo Governo comunista da Rússia em 1932 figura o projeto de acabar com todo o culto a Deus, e extinguir até a ideia de Deus. Daí o principal autor da teoria comunista, Carlos Marx, foi um ateu confesso, e considerava a Religião como "uma ideia desarrazoada; como o ópio para o povo; como um aroma espiritual de um mundo vicioso e desordenado". 

O 2º Congresso da UNIÃO DOS SEM DEUS, em 1929, em Moscou, teve por fim incentivar a "luta sistemática contra o Catolicismo". O comunista Loukatchevsky declarou: "A escola comunista realiza a educação anti-religiosa; a imprensa, o cinema, o rádio, a leitura, a arte, lutam contra a religião" (entendia=católica).  

O Comunismo não tem Moral, mas pelo contrário, seus próprios chefes repetiram muitas vezes que o Comunismo é a negação da Moral. Aliás têm sim a sua moral; e nisto ela se resume: "Bom é todo e qualquer ato favorável aos planos do partido comunista, e mau tudo aquilo que entrava a marcha da revolução internacional".

Os comunistas são mentirosos como são os demônios. Todo mundo sabe que Lula é comunista. E, no entanto, vai à Igreja e até comunga (mesmo porque também dentro da hierarquia eclesiástica há muitos e muitos comunistas infiltrados). E lobo não come lobo. Perguntaram a ele depois que comungou: "Você não se confessou, como ousou assim comungar?". Respondeu: "sou um homem sem pecado". É um mentiroso, porque o Espírito Santo diz que quem disser que não tem pecado, é um mentiroso". E isto faz parte da tática comunista. Eis o que disse o chefe do comunismo no Chile, Lafferte, homem verdadeiramente diabólico que parece ter recebido de Lúcifer o encargo de comunistarizar  toda a América do Sul,  na convenção do partido comunista mexicano em maio de 1944: " Os inimigos principais são as organizações militares e religiosas e os interesses capitalistas... As necessidades táticas da luta nos fazem aparecer hoje como simpatizantes da religião... É importante que nossas autoridades permitam a outras religiões a entrada em nossos países: mórmons, protestantes, budistas, judeus e muçulmanos. Que estas seitas tenham seus templos à luz do dia... Desta maneira faremos penetrar a pouco e pouco nossas teorias de positivismo, de economia individual e coletiva". Disse ainda o chefe comunista chileno: "Agora, mais do que nunca, devemos seguir uma tática de luta que ENGANE os inimigos de nossa ideologia".

Dimitrof, tristemente famoso comunista, secretário da 3ª Internacional Comunista, assim se expressou: "Não seríamos verdadeiros comunistas se não soubéssemos modificar inteiramente nossa tática de conformidade com o momento. Todos os recuos, todos os ziguezagues da nossa tática têm um único fim: a revolução mundial". Disse o próprio Lenine: "Estamos resolvidos a tudo o que é possível: astúcias, artifícios, métodos ilegais, calar, dissimular, etc." Quem sabe neste ETC.  não estaria subtendido: faca?

O comunista Proudhon  invertendo o 7º mandamento da Lei de Deus, disse: "A propriedade é um roubo".A primeira Revolução que houve, foi no céu, chefiada por Lúcifer: "Não servirei". E Deus lançou-o, juntamente com os seus seguidores revolucionários, nos abismos do inferno.  Pois bem, Lenine, ao estabelecer a Terceira Internacional Comunista, declarou que ela devia ser o ponto de partida para a revolução mundial e para a vitória do comunismo em todo o mundo. E, caríssimos, os comunistas nunca desistiram desse plano diabólico, e constituíram Stalin como chefe da revolução mundial, por ocasião do 7º Congresso da Internacional comunista na capital da Rússia.

Carl Marx já dizia: "Os objetivos do Comunismo só poderão ser realizados com a destruição violenta da atual ordem social". O Comunismo, na verdade, constitui-se uma QUINTA COLUNA que trama contra a segurança nacional, em todos os países. A infiltração comunista infecta já todos os países, inclusive o Vaticano. E esta infiltração se intensificou na Igreja Católica depois do Concílio Vaticano II.  (Depois em um posterior post falaremos sobre isto).

Portanto, os católicos são obrigados em consciência a não votar em candidato comunista e socialista. E, numa eventual alternativa num 2º turno entre um candidato de esquerda e um da direita, não podem, em consciência diante de Deus, votar em branco; terá que votar no candidato da direita, mesmo que tenha lá faltas e senões, porque bom mesmo é só Deus. 

Faremos, se Deus quiser, muitas outras postagens sobre o Comunismo.