quinta-feira, 4 de julho de 2013

A CERTEZA DA SALVAÇÃO - ( 2 )

   86.  NÃO HÁ CONDENAÇÃO (a).

   Por todas aquelas passagens do Apóstolo das Gentes [São Paulo] se vê muito bem que ele absolutamente não é adepto da salvação pela fé sem as obras. Se os protestantes aparecem com textos de São Paulo para provar semelhante teoria, é porque não lhe assimilaram bem o pensamento, e São Paulo não é fácil de se entender; é o que nos diz a própria Bíblia Sagrada (2ª Pedro III-15 e 16).

   Examinemos estes textos, começando por um que, aliás, nada tem de difícil e serve apenas para mostrar como se ilude facilmente quem já vai ler a Bíblia com uma ideia preconcebida. Tomamos em primeiro lugar este texto, porque dele se servem os protestantes com dois objetivos: um, provar que a fé salva sem as obras; outro, sugestionar-se a si próprios de que JÁ ESTÃO SALVOS. E é justamente sobre esta estranha CERTEZA DA SALVAÇÃO, que pretendemos fazer um comentário neste capítulo.

   Vejamos o texto: Agora, pois, nada de condenação têm os que estão em Jesus Cristo, os quais não andam segundo a carne (Romanos VIII-1).

   Ingenuamente vêem aí muitos protestantes a afirmação de que não se condena absolutamente quem crê em Jesus Cristo; logo, a fé salva sem as obras.

   Mas a questão é que São Paulo não disse que não havia condenação para os que CREEM em Jesus Cristo, porém para os que ESTÃO EM Jesus Cristo, o que já é diferente. Podemos crer em Jesus, invocá-Lo com muita frequência, louvá-Lo a cada instante e estar, não em Jesus Cristo, mas muito longe d'Ele, se se tratar de uma fé que não desabrochou em caridade, ou seja, o amor de Deus e do próximo. Estar em Jesus Cristo é estar em graça santificante, com a alma reconciliada com Deus, sem mancha de pecado mortal; para isto é necessária a guarda dos mandamentos. Como se prova? Pela própria Bíblia. Diz São João, falando a respeito de Jesus Cristo: Aquele que diz que O conhece e não guarda os seus mandamentos, é um mentiroso e não há nele a verdade, mas se algum guarda a sua palavra, é nele verdadeiramente perfeito o amor de Deus e por aqui é que conhecemos que ESTAMOS NELE. Aquele que diz que ESTÁ NELE, DEVE também ele mesmo ANDAR como Ele andou (1ª João II-4 a 6). Para estar em Cristo não basta a fé, é preciso guardar os seus mandamentos, guardar a sua palavra, andar como Cristo andou, isto é, imitá-Lo pela santidade de vida. 

   Nem era necessário ir procurar a explicação em outra parte. O próprio texto de São Paulo, ora comentado, nos mostra quais são os que estão em Cristo: são os que NÃO ANDAM SEGUNDO A CARNE (Romanos VIII-1). E justamente no decurso deste mesmo capítulo 8º da Epístola aos Romanos, São Paulo traça o contraste entre os que vivem segundo a carne e os que vivem segundo o espírito:

   Os que são segundo a carne gostam dos coisas que são da carne; mas os que são segundo o espírito, gostam das coisas que são do espírito. Ora a prudência da carne é morte; mas a prudência do espírito é vida e paz; porque a sabedoria da carne é inimiga de Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem tão pouco o pode ser. Os que vivem, pois, segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o espírito, SE É QUE O ESPÍRITO DE DEUS HABITA EM VÓS; MAS SE ALGUM NÃO TEM O ESPÍRITO DE CRISTO, ESTE TAL NÃO É DELE (Romanos VIII-5-9). Se vós viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se vós pelo espírito fizerdes morrer as obras da carne, vivereis (Romanos VIII-13). 

No post seguinte, veremos o que São Paulo entende por OBRAS DA CARNE.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Capítulo 5º: A CERTEZA DA SALVAÇÃO - ( 1 )

   85.  DOUTRINA DE SÃO PAULO.

   A doutrina do Apóstolo São Paulo não é, nem podia ser diversa da doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Se, por conseguinte, Jesus mostra a caridade, ou seja, o amor de Deus e do próximo, e não somente a fé, como necessária para a salvação, isto mesmo é o que São Paulo nos ensina, mostrando-nos que a fé sem a caridade nada vale: Se eu tiver o dom de profecia, e conhecer todos os mistérios e quanto se pode saber, e se tiver toda fé, até o ponto de transportar montes, e não tiver caridade, NÃO SOU NADA (1ª Coríntios XIII-2). A hipótese apresentada por São Paulo é muito expressiva, pois ele figura o caso de um homem que tem a fé em sumo grau: uma fé tão grande, que é capaz de dizer a uma montanha que saia de seu lugar e se transporte para outro, e Deus fará o milagre em atenção à pureza e à perfeição de sua fé. Mesmo assim, não é nada aquele que a tem, se não tem a caridade. A caridade é, portanto, na doutrina paulina, a maior das virtudes: Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, a caridade, estas três virtudes: porém A MAIOR DELAS É A CARIDADE (1ª Coríntios XIII-13). No final da mesma Epístola, ele nos diz: Todas as vossas obras sejam feitas EM CARIDADE (1ª Coríntios XVI-14). Se algum não AMA a Nosso Senhor Jesus Cristo, seja anátema (1ª Coríntios XVI-22).

   Se Nosso Senhor, descrevendo o julgamento de Deus, nos faz ver que seremos julgados de acordo com as boas ou más obras, este também é o ensinamento de São Paulo. Já citamos mais de uma vez a sua frase na Epístola aos Romanos em que ele nos fala do justo juízo de Deus que há de retribuir a cada um SEGUNDO AS SUAS OBRAS (Romanos II-5 e 6). E isto é o que ele ensina constantemente nas suas Epístolas: Cada um receberá do Senhor a PAGA do BEM que tiver FEITO, ou seja escravo ou livre (Efésios VI-8). Importa que todos nós compareçamos dante do tribunal de Cristo, para que cada um receba o GALARDÃO segundo o que tem FEITO, ou BOM ou MAU, estando no próprio corpo (2ª Coríntios V-10). Deus não é injusto, para que se esqueça da vossa OBRA e da CARIDADE que mostrastes em seu nome, os que haveis subministrado o necessário aos santos e ainda o subministrais (Hebreus VI-10). E diz a Timóteo que mande que os ricos deste mundo se façam ricos em boas obras, afim de ajuntarem para si um tesouro e alcançarem a verdadeira vida: Manda aos ricos deste mundo... que façam bem, que se façam ricos em BOAS OBRAS, que deem, que repartam francamente, que façam para si um TESOURO, como um fundamento sólido para o futuro, AFIM DE ALCANÇAREM A VERDADEIRA VIDA (1ª Timóteo VI-17 a 19). 

   É sempre a mesma doutrina do Mestre: julgamento de Deus de acordo com as boas ou más obras de cada um, salientando-se entre estas obras boas a prática da caridade.

   Se Jesus nos fala da necessidade da observância dos mandamentos para conseguir o Céu, esta necessidade é também ensinada por São Paulo: A circuncisão nada vale, e o prepúcio nada vale, senão A GUARDA DOS MANDAMENTOS DE DEUS (!ª Coríntios VII-19). Não vos enganeis: nem os fornicários, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os que se dão a bebedices, nem os maldizentes, nem os roubadores hão de possuir o reino de Deus (1ª Coríntios VI-10). 

   E, se Nosso Senhor nos adverte: Nem todo o que me diz, Senhor, Senhor, entrará no reino dos Céus, mas sim o que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus (Mateus VII-21), São Paulo se encarrega de nos mostrar qual é esta vontade de Deus: Pois esta é a vontade de Deus, a vossa santificação (1ª Tessalonicenses IV-3), porque para São Paulo não é somente a fé que nos torna aptos para entrar na bem-aventurança, indo ver a Deus, mas também a santidade de vida: Segui a paz com todos e A SANTIDADE, SEM A QUAL NINGUÉM VERÁ A DEUS (Hebreus XII-14).

terça-feira, 2 de julho de 2013

O ESTILO DA BÍBLIA E O TEOR DAS DIVINAS PROMESSAS - ( 7 )

   84.  GRANDE CONDIÇÃO PARA UMA GRANDE PROMESSA.

   Está mais do que provado, por conseguinte, qual é o sistema de doutrinação da Bíblia: em uns versículos estão AS GRANDES PROMESSAS, em outros vem explicado O QUE HAVEMOS DE FAZER PARA VÊ-LAS REALIZADAS.

   Pois bem, o mesmo acontece com A PROMESSA DE VIDA ETERNA PARA TODO O QUE CRÊ; sim, para todo o que crê, pois aquele que se recusa a crer já está excluído: sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus XI-6); e até mesmo os que de forma alguma não conhecem a Cristo, têm que crer em alguma coisa, têm que crer ao menos que há Deus e que é remunerador dos que O buscam (Hebreus XI-6).

   Lemos em vários versículos A GRANDE PROMESSA DE VIDA ETERNA PARA OS QUE CREEM em Jesus Cristo. Esta mesma fé em Cristo é que nos leva a ver no próprio ensino do Novo Testamento EM QUE CONDIÇÕES TAL PROMESSA SURTIRÁ O SEU EFEITO. As condições são várias, estão esparsas aqui e acolá no ensino bíblico, mas podem ser todas resumidas numa só, numa GRANDE CONDIÇÃO, expressa neste texto há pouco citado: Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos Céus; mas sim o que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus (Mateus VII-21).

   Caro amigo protestante, não se fie nesta doutrina: Jesus, Jesus, Jesus, Jesus é meu Salvador; logo, eu estou salvo - isto não passava de uma malandragem de Lutero que queria ter por fina força a convicção de que realmente estava salvo, mas sem o trabalho de vencer as tentações que o atormentavam; foi ele quem inventou e propagou no mundo este sistema de se olhar na Bíblia, só para o prêmio que Deus promete e não para aquilo que se nos impõe como obrigatório afim de alcançar o que foi prometido por Deus. 

   Ninguém pode alcançar o Céu SEM REALIZAR A VONTADE DIVINA. E para todos os homens: a) ou seja para os gentios antes de Cristo e os pagãos de hoje que de Cristo não tiveram conhecimento, os quais entretanto tinham e têm os mandamentos de Deus (não matarás, não furtarás, não adulterarás, não levantarás falso testemunho, não desejarás a mulher do próximo, etc.) impressos no seu coração pela voz da consciência, pela lei natural; b) ou seja para os judeus antes de Cristo, aos quais tinha Deus imposto o Decálogo, além de muitas cerimônias e prescrições; c) ou seja para os seguidores de Cristo, que não estão obrigados absolutamente à cerimônias e prescrições da lei mosaica, mas estão sujeitos à lei de Cristo que confirmou, refundiu, e aperfeiçoou os preceitos do Decálogo, dando além disto várias determinações sobre a Igreja que Ele fundou e sobre os sacramentos que Ele instituiu, determinações estas que, sendo mandamentos de Cristo, o são também de Deus; d) para todos, enfim, a vontade do Pai Celeste está expressa nos seus mandamentos. Observe-os; realize a vontade divina. Faça isto e Você VIVERÁ, como disse o Divino Mestre, porque só assim Você se tornará digno das promessas de Cristo. 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O ESTILO DA BÍBLIA E O TEOR DAS DIVINAS PROMESSAS - ( 2 )

   80.  AS PROMESSAS E SUAS CONDIÇÕES.

   Há, sem dúvida alguma, nestas palavras: Crê no Senhor Jesus e serás salvo (Atos XVI-31), quem n'Ele crê não é condenado (João III-36), Deus deu ao mundo seu Filho Unigênito para que todo o que crê n'Ele não pereça, mas tenha a vida eterna (João III-16), a virtude de Deus é para dar a salvação a todo o que crê (Romanos I-16) etc, etc, - uma PROMESSA DE VIDA ETERNA para todos aqueles que creem em Jesus.

   O que, porém, se torna indispensável é que aqueles que creem em Jesus se esforcem para se tornarem DIGNOS destas divinas promessas. E a Igreja sabiamente põe os seus filhos a rezar da seguinte maneira: "Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos DIGNOS das promessas de Cristo". Porque uma coisa que não podem negar aqueles que conhecem perfeitamente o ESTILO DA BÍBLIA é o seguinte: a Bíblia não nos diz tudo de uma vez, é muito comum no texto sagrado estar nuns versículos consignada A PROMESSA, e noutros AS CONDIÇÕES SOB AS QUAIS ESTA PROMESSA SERÁ REALIZADA. Não se pode desprezar nenhum versículo bíblico; tudo é palavra de Deus; e querer alguém olhar somente para os versículos que falam da promessa, porque os acha muito bons, muito agradáveis e consoladores e desprezar outras passagens da Escritura, em que se apontam as condições impostas por Deus para que sejamos dignos desta promessa, é evidentemente falsear a palavra divina. 

   É fácil mostrar isto com exemplos, como veremos, se Deus quiser, nos próximos posts.  

terça-feira, 25 de junho de 2013

O ESTILO DA BÍBLIA E O TEOR DAS DIVINAS PROMESSAS

   79. NAS PEGADAS DO BOM PASTOR.

   Jesus é o Bom Pastor que guia as suas ovelhas pelo caminho do Céu: Eu sou o Bom Pastor (João X-11). O que me segue não anda em trevas, mas terá o lume da vida (João VIII-12).

   Se nós desejamos chegar ao Reino dos Céus, à Jerusalém Celeste e pedimos a Jesus que nos leve até lá, Ele nos diz: Entra no meu rebanho e terás o Céu.

   Entrando no rebanho de Cristo, ficamos muito anchos e satisfeitos: Tenho certeza de que em breve estarei no Céu; o Bom Pastor me disse: Entra no meu rebanho e terás o Céu. Ora, eu entrei no rebanho. Logo...

   É quando uma ovelha mais esclarecida nos adverte:

   - Não, meu amigo; o Bom Pastor não te disse: Basta entrar no meu rebanho para conseguires o Céu; mas disse: Entra no meu rebanho e terás o Céu, o que é bem diferente. Entra no meu rebanho - quer dizer: Vem e segue-me, sê minha ovelha fiel; entrega-te à minha direção. E o Bom Pastor então nos vai apontando o verdadeiro caminho da bem-aventurança, mostrando-nos o caminho que Ele próprio seguiu à nossa frente, quando nos deu o seu exemplo: Eu dei-vos o exemplo, para que como eu vos fiz, assim façais vós também (João XIII-15). Precisas seguir o caminho que Ele te aponta para chegares ao Céu; se te desviares, és uma ovelha desgarrada que o Bom Pastor misericordiosamente irá buscar, mas precisarás então voltar ao caminho indicado, sem isto não alcançarás o teu destino. Porventura achas que, quando um professor diz: Quem entrar na minha escola, se tornará um homem bem preparado - é o simples fato de entrar na escola que torna logo um sábio aquele que ali entrou? É preciso entrar na escola, mas para fazer bem direitinho as tarefas e exercícios que o mestre indicar.

   Compreendeu Você agora, caro amigo protestante?

   Quando Jesus nos diz: Crê em mim e serás salvo (porque Ele nunca disse: Basta crer em mim para ser salvo) é o Bom Pastor que nos está dizendo: Entra no meu rebanho e terá o Céu. Crer em Jesus é aceitar toda a sua doutrina, colocar-nos no número dos seus discípulos, entrar no seu rebanho. Por isto disse Jesus aos judeus: Vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas (João X-26). Mas entrar no rebanho de Cristo já encerra em si um compromisso: o de O seguirmos como ao Bom Pastor que nos aponta o caminho. E quando Ele diz: Guarda os mandamentos, ama a teu próximo como eu te amei - está apontando este caminho que havemos de seguir para conquistar o Céu: As minhas ovelhas ouvem a minha voz: eu conheço-as e elas ME SEGUEM (João X-27). 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

UM CAMINHO SÓ -

   78. DESFAZENDO A CONFUSÃO.

   Pelo que já foi explicado, o leitor inteligente está percebendo perfeitamente o engano dos protestantes.

  Quando vemos a Bíblia falar de duas maneiras: ora dizendo que, se nos queremos salvar, o que é necessário é crer em Cristo; crendo em Cristo alcançaremos a salvação; ora dizendo que, se nos queremos salvar, o que é preciso é observar os mandamentos; guardando os mandamentos, chegaremos ao Céu; parece à primeira vista que a Bíblia nos está falando de dois caminhos diversos. 

   Os protestantes que não gostam de aprofundar o sentido das Escrituras, contentando-se apenas com o JOGO DE PALAVRAS, na preocupação máxima de se colocarem em oposição à Igreja, enxergam aí dois caminhos diversos e se decidem por um, rejeitando o outro. Já viu o leitor algum protestante citar, explicar e comentar razoavelmente os textos em que Jesus exige para a salvação a guarda dos mandamentos?

  O simples fato de ficarem assim apavorados diante de certos textos da Bíblia, que é a palavra infalível de Deus, mostra que estão completamente enganados. E o seu engano reside precisamente em não perceber isto: que ou exija só a fé em Cristo, ou exija só a guarda dos divinos preceitos, a Bíblia nos está ensinando UM CAMINHO SÓ, porque nos mandamentos está incluída a obrigação da fé; na fé em Cristo está incluída a obrigação dos mandamentos.

   1º - Nos mandamentos está incluída a obrigação da fé:

   Se devemos amar a Deus com todo o coração, com toda a alma, com todo o ENTENDIMENTO, não podemos negar crédito às palavras de Cristo que são palavras de Deus; seria negar a Deus a submissão da nossa inteligência. Quem peca contra a fé, portanto, peca contra o 1º mandamento, pois quem duvida da palavra de Deus O está desonrando e considerando mentiroso; não se pode amar a uma pessoa e desonrá-la ao mesmo tempo. É o que dizia Jesus aos judeus: Se eu vos digo a verdade, por que me não credes? O que é de Deus ouve as palavras de Deus; por isto vós não as ouvis porque não sois de Deus (João VIII-46 e 47). Por isto dizia o Eclesiastes: Teme a Deus e observa os seus mandamentos, porque isto é o O TUDO DO HOMEM (Eclesiastes XII-13). 

   2º - A fé inclui a obrigação dos mandamentos:

   Em outras ocasiões, falando a pessoas que já estão certas e convencidas de que para ganhar o Céu precisamos cumprir com os mandamentos de Deus, Nosso Senhor lhes faz ver que o caminho do Céu é crer na sua doutrina. Aprendendo esta doutrina, estas pessoas verão, no meio das coisas novas que não sabiam, a confirmação daquilo de que já tinham ciência, isto é, de que para ganhar o Céu é indispensável a observância dos mandamentos. O amor de Deus e o amor do próximo, eis os pontos altos da doutrina moral pregada pelo Mestre, que nisto tantas vezes insistiu, como acabamos de ver. Aquele que não quer  guardar os mandamentos é como se não cresse em Jesus Cristo, pois nem ao menos O conhece. É o que nos ensina São João que, falando a respeito de Jesus, nos diz o seguinte: Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. E nisto sabemos que O CONHECEMOS, se GUARDAMOS os seus MANDAMENTOS. Aquele que diz que O CONHECE e NÃO GUARDA  os SEUS MANDAMENTOS,  é um mentiroso; e não há nele a verdade (1ª João II-2 a 4).

   Logo, a fé em Cristo inclui a obrigação de observar os seus mandamentos.

   A Bíblia, portanto, pode falar num dos dois pontos e apresentá-lo como essencial à salvação - crer em Cristo ou observar os mandamentos - porque um inclui o outro. O que não impede a própria Bíblia de falar nos dois pontos ao mesmo tempo: um confirmando o outro, quando assim o entender o Autor Sagrado. São João, na sua 1ª Epístola, falando a respeito de Deus, diz: Este é o seu mandamento; que CREIAMOS no nome de seu Filho Jesus Cristo e que NOS AMEMOS UNS AOS OUTROS, como Ele nos mandou (1ª João III-23). E o livro do Apocalipse diz: Aqui está a paciência dos santos que guardam os MANDAMENTOS de Deus e a FÉ de Jesus (Apocalipse XIV-12). 

sábado, 22 de junho de 2013

COMO DEVEMOS CRER - ( 4 )

   77.  A FÉ COMO PONTO DE PARTIDA. 

   Quando dizemos a alguém: Tome este navio e chegará a Londres, porque a nado Você não consegue chegar até lá, não queremos dizer com isto que é EXCLUSIVAMENTE o fato de embarcar no vapor, que o faz chegar a Londres. Supomos, é claro, que ele não vai atirar-se ao mar, durante a viagem, movido pela tentação de tomar um banho salgado ou de apanhar algum peixe, supomos que, nos portos onde se demorar o navio, ele, quando quiser dar algum passeio, vai tomar todas as precauções para estar presente na hora da partida, bem como não vai cometer nenhum crime para ficar em terra, trancafiado no xadrez; supomos em suma que ele QUER  realmente chegar a Londres e tudo fará para conseguir este objetivo. Sem valer-se de uma condução como aquela, é que não o conseguiria de forma alguma. 

   Assim também a Bíblia nos fala da FÉ  como de um ponto de partida para a salvação. Quando São Paulo diz ao carcereiro: Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu E A TUA FAMÍLIA (Atos XVI-31), ninguém vai concluir daí que bastava o carcereiro crer, para a família dele ser salva. Mas a fé, por parte do carcereiro, seria O PONTO DE PARTIDA para a sua família também crer, induzida pelo seu exemplo. E a fé, tanto no carcereiro como nos seus, teria que ser a inspiradora das virtudes e boas obras.

   Quando confessares com a tua boca ao Senhor Jesus e creres no teu coração que Deus O ressuscitou dentre os mortos, serás salvo (Romanos X-9), ninguém pode concluir daí que para o indivíduo ganhar o Céu, basta confessar a Jesus DE BOCA, podendo fazer o que bem entender; e acreditar exclusivamente na Ressurreição de Jesus Cristo, podendo, portanto, rejeitar todos os outros artigos de fé. Seria uma conclusão absurda, imoral e escandalosa, bem como seria abrir uma fonte para os maiores erros e heresias. São Paulo aí está apresentando a FÉ  e o professá-la abertamente como PONTO DE PARTIDA para a salvação. E vê-se perfeitamente, não é fé no sentido de confiança, convicção de que já se está salvo. É fé intelectual: é ACREDITAR que Jesus ressuscitou dentre os mortos. Acreditando isto, acreditará que Jesus Cristo é Deus. Aceitando isto, terá que aceitar tudo o que Jesus ensinou, portanto terá que aceitar toda a moral do Evangelho, tudo aquilo que Jesus mandou fazer e observar. E cumprindo tudo isto, com as graças abundantes que receberá na Igreja Verdadeira, conquistará o Céu. 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

COMO DEVEMOS CRER - ( 2 )

   75. COMO DEVE SER A NOSSA FÉ (b).

   Segundo o ensino bíblico, aquele que tem a fé, mas não age de acordo com ela, nega, contradiz a sua crença; anula, portanto, o valor da sua própria fé. Vejamos o que diz São Paulo: Para os impuros e infiéis, nada há limpo; antes se acham contaminadas tanto a sua mente, como a sua consciência. Eles confessam que conhecem a Deus, mas NEGAM-NO com as obras (Tito I-15 e 16). E o mesmo São Paulo diz a respeito daqueles que não se interessam pelos seus, que eles por este simples fato, negam a sua fé: Se algum não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua casa, esse NEGOU  a fé e é pior que um infiel (1ª Timóteo V-8).

   Porque, como diz São Pedro, se não ajuntamos à fé as outras virtudes, ficamos VAZIOS E INFRUTUOSOS, o que, é claro, nos levará à condenação, pois com disse Jesus: Toda a árvore que não dá BOM FRUTO será cortada e metida no fogo (Mateus VII-19). Ouçamos o Apóstolo: Ajuntai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, e à piedade o amor de vossos irmãos, e ao amor de vossos irmãos a caridade, porque se estas coisas se acharem e abundarem em vós, elas vos não deixarão VAZIOS nem  INFRUTUOSOS no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo (2ª Pedro I-5 a 8).

   É por isto que a Sagrada Escritura nos diz abertamente que a FÉ SEM AS OBRAS NÃO PODE SALVAR: Que aproveitará, irmãos meus, a um que diz que tem fé, se não tem obras? Acaso podê-lo -á SALVAR  a fé? (Tiago II-14). Bem como um corpo sem espírito é morto, assim também A FÉ SEM OBRAS É MORTA (Tiago II-26).

   Estes dois textos de São Tiago que refutam diretamente, usando as mesmas palavras, a tese da salvação pela fé sem as obras, são o tiro de misericórdia dado na teoria dos protestantes; se estes ainda querem insistir com alguns textos de São Paulo, é porque não os entenderam bem, com mostraremos nos 3 capítulos seguintes; e isto o leitor já pode bem avaliar, pois não pode haver contradição nas Escrituras. 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

COMO DEVEMOS CRER - ( 1 )

   75.  COMO DEVE SER A NOSSA FÉ (a).

   Devemos crer com uma fé viva, uma fé sincera, coerente, uma fé que não encontre contradição na nossa maneira de agir, porque aqui não se trata de armazenar conhecimentos, não se trata de um estudo teórico, de uma mera contemplação intelectual; trata-se de um princípio de vida, de ação, de atividade: crer para ganhar a vida eterna. 
   
   Assim o exige a Escritura, como já veremos.
   Chegamos agora ao fim da nossa argumentação.
   Vimos o que é CRER. Crer é aceitar, como verdadeira, toda a doutrina de Jesus. Jesus é o Filho de Deus; não se pode duvidar de nenhuma de suas palavras, porque Ele é o Caminho e a Verdade e a Vida (João XIV-6). 
   Vimos claramente Jesus a nos ensinar que para possuir a vida eterna, é preciso guardar os mandamentos, que se resumem no amor de Deus e do próximo. 
   Agora perguntamos: Aquele que crê em Cristo e sabe, pelas palavras de Cristo, que precisa observar os mandamentos para salvar-se, mas apesar disto não guarda estes mandamentos, pode salvar-se? Quem vai responder a isto é o próprio Cristo: Por que me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo? Todo o que vem a mim e ouve as minhas palavras e as PÕE POR OBRA, eu vos mostrarei a quem ele é semelhante: é semelhante a um homem que edifica uma casa, o qual cavou profundamente e pôs o fundamento sobre uma rocha; e quando veio uma enchente d'águas, deu impetuosamente a inundação sobre aquela casa e não pôde movê-la, porque estava fundada sobre rocha. Mas o que ouve E NÃO OBRA, é semelhante a um homem que fabrica a sua casa sobre terra levadiça, na qual bateu com violência a corrente do rio e logo caiu; e foi GRANDE a RUÍNA daquela casa (Lucas VI-46 a 49). 

   A esta altura da nossa demonstração e com tais palavras do Mestre, cai por terra a teoria protestante da salvação só pela fé; porque é a própria fé nas palavras de Cristo que nos leva a convencer-nos de que a fé sem as obras não é suficiente para a salvação. 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O QUE DEVEMOS CRER - ( 7 )

   74.  O JUÍZO FINAL (b).

   Chamamos outra vez a atenção do leitor para o estilo abreviado da Bíblia. A Bíblia não diz tudo de uma vez; uma passagem completa a outra. Ninguém vai concluir daí que seremos julgados unicamente por causa das ações caridosas ou das faltas de caridade. A descrição é claramente incompleta, como dissemos, porque Nosso Senhor mesmo nos declara que se nos pedirão contas até de uma palavra inútil: E digo-vos que de TODA A PALAVRA OCIOSA que falarem os homens, darão conta dela no dia do juízo; porque pelas tuas palavras serás justificado e pelas tuas palavras serás condenado (Mateus XII-36 e 37). O que Nosso Senhor quer dizer é que o homem será julgado pelas suas boas ou más ações, como Ele disse claramente noutra ocasião: Todos os que se acham nos sepulcros ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que OBRARAM BEM sairão para a ressurreição da vida; mas os que OBRARAM MAL sairão ressuscitados para a condenação (João V-28 e 29). E entre estas boas ou más obras, ocupa um papel muito saliente a questão da caridade para com o próximo. 

   Afirmativa esta, que não só se demonstra pela descrição do juízo final acima transcrita, senão também pela firmeza com que Nosso Senhor nos ensina que Deus nos tratará no seu julgamento da mesma forma como tratarmos o nosso próximo: será duro ou complacente para conosco, na mesma proporção em que tivermos sido duros ou complacentes para com os nossos semelhantes:
   Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia (Mateus V-7). Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados; dai e dar-se-vos-á; no seio vos meterão uma boa medida e bem cheia e bem acalcada e bem acogulada; porque, qual for a medida de que vós usardes para os outros, tal será a que se use para vós (Lucas VI-37 e 38). O que concorda com a palavra de São Tiago: Porque se fará um juízo sem misericórdia àquele que não usou de misericórdia (Tiago II-13). 

   Logo, devemos CRER  que não é a fé somente que salva, mas também a observância dos mandamentos, o amor de Deus e do próximo, pois isto é o que o próprio Jesus, que merece todo nosso crédito, nos ensinou; se não cremos isto, não nos salvamos, pois O QUE NÃO CRÊ JÁ ESTÁ CONDENADO (João III-18). 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

O QUE DEVEMOS CRER - ( 6 )

   74. O JUÍZO FINAL (a).

   Um dia Jesus Cristo descreveu o juízo final. No juízo final iremos ver quais os que são salvos e quais os que são condenados. Ótima ocasião, portanto, para apreciarmos as CAUSAS da salvação e da condenação de cada um. Ora, se Jesus exigisse para a salvação apenas a fé, a única descrição que Ele poderia fazer do juízo final seria a seguinte: De um lado os que creem e são salvos. Do outro lado os que não creem e são condenados. Todo o mundo percebe logo que isto seria mais cômodo e mais simples do que a separação dos salvos e dos condenados pelas boas ou más obras. As boas e as más obras são de natureza tão diversa, variam tanto de indivíduo para indivíduo, que seria preciso passar horas e mais horas para descrever, embora resumidamente, o julgamento de todos os homens por este critério. Pois bem, Nosso Senhor não se importa de fazer uma descrição incompleta, contanto que saliente ser o ponto mais importante do julgamento a prática da caridade. 

   Repare-se bem na palavra PORQUE, empregada por Nosso Senhor. Os justos serão salvos, PORQUE praticaram a caridade. Os réprobos serão condenados PORQUE não a praticaram. O que mostra evidentemente como é errônea a doutrina protestante de que as boas obras não podem ser CAUSA da salvação. 

   Vejamos a descrição do julgamento final feita pelo Mestre: Quando vier o Filho do Homem na sua majestade, e todos os anjos com Ele, então se assentará sobre o trono da sua majestade; e serão todas as gentes congregadas diante d'Ele; e separará uns dos outros, como o pastor aparta dos cabritos as ovelhas; e assim porá as ovelhas à direita e os cabritos à esquerda.
   Então dirá o rei aos que hão de estar à direita: Vinde, benditos de meu Pai; possuí o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo, PORQUE tive fome e destes-me de comer; tive sede e destes-me de beber; era hóspede e recolhestes-me; estava nu e cobristes-me; estava enfermo e visitastes-me; estava no cárcere e viestes ver-me. 
   Então Lhe responderão os justos, dizendo: Senhor, quando é que nós te vimos faminto e te demos de comer, ou sequioso e te demos de beber? E quando te vimos hóspede e te recolhemos, ou nu e te vestimos? Ou quando te vimos enfermo ou no cárcere e te fomos ver?
   E respondendo o rei, lhes dirá: Na verdade vos digo que quantas vezes vós fizestes isto a um destes irmãos mais pequeninos, a mim é que o fizestes. 
   Então dirá também aos que hão de estar à esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno que está aparelhado para o diabo e para os seus anjos, PORQUE tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; era hóspede e não me recolhestes; estava nu e não me cobristes; estava enfermo e no cárcere e não me visitastes... Quantas vezes o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer (Mateus XXV-31 a 43, 45). 

Continua no próximo post.

   

sexta-feira, 31 de maio de 2013

O QUE DEVEMOS CRER - ( 3 )

   71. AMOR DE DEUS.

   Quando Nosso Senhor exige o amor a Deus, de todo o coração, para se ganhar a vida eterna - e amar a Jesus Cristo é o mesmo que amar a Deus, porque Jesus Cristo é Deus (Se algum não ama a Nosso Senhor Jesus Cristo seja anátema - 1ª Coríntios XVI-22) - não se pense que se trata apenas de um mero afeto ou sentimento, ou de uma comoção passageira; o amor de Deus se manifesta pelas obras: Não amemos de palavra, nem de língua, mas por OBRA e em verdade (1ª João III-18).

   E de que modo havemos de mostrar pelas obras o nosso amor a Deus? Pela observância dos mandamentos. É o que nos ensina o Divino Mestre: Se me amais, GUARDAI OS MEUS MANDAMENTOS (João XIV-15). Aquele que tem os meus mandamentos e que os GUARDA. esse é o que me AMA (João XIV-21). Aquele que TEM os meus mandamentos, explica Cornélio Alápide, quer dizer: "Aquele que tem na memória, no espírito e no afeto os preceitos que de mim ouviu" é preciso tê-los assim, e observá-los. E Santo Agostinho, naquele seu belo e inconfundível estilo, assim desenvolve o pensamento do Mestre: "Aquele que tem os meus mandamentos na memória e os guarda na vida; aquele que os tem nas palavras e os guarda nas obras; aquele que os tem ouvindo e os guarda fazendo; que os tem fazendo e os guarda perseverando, esse é o que me ama". 

   Outra não podia ser a doutrina dos Apóstolos: Esse é o amor de Deus, que guardemos os seus mandamentos (1ª João V-3). 

   É por isso que o amor de Deus é chamado o máximo e o primeiro mandamento: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o máximo e o primeiro mandamento (Mateus XXII-37 e 38). Porque para bem observá-lo é preciso observar todos os outros. Se algum disser, pois: Eu amo a Deus, e aborrecer a seu irmão, é um mentiroso, porque aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, como pode amar a Deus, a quem não vê? E nós temos de Deus este mandamento: que o que ama a Deus ame também a seu irmão (1ª João IV-20 e 21). 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O QUE DEVEMOS CRER - ( 2 )

70. A PALAVRA INFALÍVEL DO MESTRE (b). 

   Em outra ocasião (sim, em outra ocasião, pois S. Lucas narra um e outro episódio: X-25 a 28; XVIII-18 a 20), eis que aparece um doutor da lei e faz a Jesus a mesma pergunta: Mestre, que hei de eu fazer para entrar na posse da vida eterna? (Lucas X-25).

   Vejamos agora a resposta de Cristo: Disse-lhe então Jesus: Que é o que está escrito na lei? como lês tu? -  Ele respondendo disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. E Jesus lhe disse: Respondeste bem: faze isso e VIVERÁS (Lucas X-26 a 28).

   É claro que Jesus lhe quer dizer: Faze isto e VIVERÁS ETERNAMENTE, pois o que Lhe perguntaram foi o que se devia fazer para ENTRAR NA POSSE DA VIDA ETERNA. Havia dúvidas e discussões entre os judeus sobre o sentido da palavra: o próximo. Muitos estavam inclinados a pensar que o próximo era só o amigo, o patrício, o correligionário; e não o inimigo, o de outra religião, o estrangeiro. O doutor da lei pergunta a Jesus: E quem é o meu próximo? A consulta vem a tempo, porque há grande inimizade e separação entre samaritanos e judeus. Jesus então propõe a parábola do Samaritano; este faz um grande benefício a um judeu que caiu ferido no meio da estrada, benefício que os judeus, seus compatrícios, não quiseram fazer. Tira-se da parábola a conclusão de que o inimigo também é nosso próximo. E depois de apresentar a bela ação do Samaritano, Jesus manda o doutor da lei imitá-lo: pois vai e faze o mesmo (Lucas X-37).

   De tudo isto se conclui o papel importantíssimo que não somente a fé, mas também o AMOR (o amor de Deus e o amor desinteressado do próximo) exerce na consecução da vida eterna, a verdadeira VIDA: Aquele que não AMA permanece na MORTE (1ª João III-14).

   E como é que diante de ensinamentos tão claros, tão simples, tão decisivos do Divino Mestre, os protestantes pregam que só a fé é necessária, que as nossas obras não influem na salvação? 

terça-feira, 28 de maio de 2013

O QUE DEVEMOS CRER ( 1 )

   70. A PALAVRA INFALÍVEL DO MESTRE (a). 

   Jesus, Verdade Eterna, nos ensinou muitas coisas. Havemos de crer em tudo o que Ele disse, para podermos ganhar o Céu: Quem n'Ele CRÊ não é condenado, mas o que não CRÊ já está condenado, porque não crê no nome do Filho Unigênito de Deus (João III-18). Não vamos repetir aqui tudo o que Jesus ensinou. Mas há uma questão que nos está preocupando neste momento: o que é e o que não é necessário para a salvação, não é assim? Pois bem, vamos ver alguma coisa do que Jesus nos diz a este respeito.

   Por felicidade nossa, um dia apareceu um homem que fez a Jesus esta pergunta: Bom Mestre, que obras boas devo eu fazer para alcançar a vida eterna? (Mateus XIX-16).

   É precisamente o problema que ora nos preocupa. 

   Ora, se bastasse a fé para a salvação, a resposta de Jesus só podia ser uma: "Se queres entrar na vida, basta crer em mim, não é preciso mais nada, crê em mim e serás salvo". Se as obras não vogassem nada para a conquista da vida eterna, não fossem causa nem direta, nem indireta da salvação, se não fosse, entre outras coisas, a nossa maneira de proceder que decidisse a nossa sorte na eternidade, Jesus não daria a resposta que deu, não falaria da maneira como falou. E a resposta do Mestre foi esta: Se queres entrar na vida, GUARDA OS MANDAMENTOS (Mateus XIX-17).

   E para que desaparecesse qualquer dúvida, para que ninguém pudesse sofismar sobre o sentido desta palavra MANDAMENTOS, o próprio consulente se encarrega de perguntar que mandamentos são estes. Ele Lhe perguntou: Quais? (Mateus XIX-18). Vejamos agora a resposta do Mestre: E Jesus lhe disse: Não cometerás homicídio; não adulterarás; não cometerás furto; não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe, e amarás ao teu próximo como a ti mesmo (Mateus XIX-18 e 19).

   Se para a salvação basta a fé, se basta estender a mão para recebê-la, como dizem os protestantes, como é que Jesus impõe tantas obrigações para o homem ALCANÇAR A VIDA ETERNA?

   Chamamos a atenção do leitor para o estilo abreviado das Escrituras; a Bíblia não diz tudo num versículo, mas a doutrina completa se obtém conferindo os versículos uns com os outros. O Mestre não fala aí no principal mandamento, que é amar a Deus sobre todas as coisas; cita alguns, porque assim o seu consulente já poderá identificar que mandamentos são estes. Quando houver oportunidade, Jesus falará no máximo e primeiro mandamento (Mateus XXII-38). 

Continua no próximo post.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O VERDADEIRO SENTIDO DA SALVAÇÃO PELA FÉ - ( 13 )

   69. FÉ PARTICULARIZADA (b).


   Não há dúvida que, entre os ensinamentos de Jesus, estão a vida eterna, a remissão dos pecados, a salvação que Ele realizou na cruz, porém muitas outras verdades, inclusive as obrigações que Cristo nos impôs, também estão incluídas nestes ensinamentos. 

   Crer em Jesus é ACREDITAR NA SUA PALAVRA, seja quando Ele nos faz uma promessa (daí a base em que se firma a nossa CONFIANÇA),  seja quando nos anuncia qualquer verdade (daí o fundamento da nossa CRENÇA). Por que é que acreditamos n'Ele quando nos faz as suas promessas de vida eterna? Porque Ele não se engana e nem quer, nem pode enganar-nos. É justamente este o motivo que nos obriga a aceitar tudo o que Ele nos ensina. A posição que tomam os protestantes, colocando a fé salvadora EXCLUSIVAMENTE no ficarmos convictos de suas promessas, sem incluir neste conceito o crédito que havemos de dar a TODAS AS SUAS PALAVRAS, sem irmos verificar nestas infalíveis palavras em que condições a promessa nos é feita, é uma interpretação mesquinha, interesseira, ofensiva ao Divino Mestre e sem nenhum fundamento. Não há nenhum texto da Bíblia pelo qual nos provem que a fé salvadora consiste só NA CONFIANÇA, teoria esta que tornaria completamente inútil todo empenho de Jesus em nos ensinar uma DOUTRINA, indo para o Céu da mesma forma os que aceitam fielmente esta doutrina e os que a rejeitam, torcem, adulteram, falsificam e deformam, exigindo-se apenas a interesseira convicção de que se salvam e nada mais. Todo o que se aparta e não permanece na DOUTRINA DE CRISTO não tem a Deus; e o que permanece na doutrina, este tem assim ao Pai como ao Filho (2ª João verso 9º).

   Crer em Jesus é, portanto, aceitar tudo o que Ele nos revelou, seja promessa, seja doutrina: Se eu vos digo a VERDADE, por que me não CREDES? (João VIII-46). Ele merece todo o nosso crédito, porque é o Filho de Deus: Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo (Mateus XVI-16). Ensinou-nos uma doutrina que se chama o Evangelho: Crede no Evangelho (Marcos I-15). Só nos resta folhear as páginas do Evangelho para vermos. 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O VERDADEIRO SENTIDO DA SALVAÇÃO PELA FÉ - ( 12 )

69. FÉ PARTICULARIZADA (a). 

   Vamos ver outras passagens da Bíblia em que aparece a palavra CRER, sempre no sentido de dar crédito àquilo que nos dizem, aceitar uma verdade que nos é proposta.

Maria Santíssima acreditou
que, embora virgem, seria
Mãe. 
   O Anjo Gabriel anuncia a Zacarias que Isabel conceberá um filho. Zacarias não acredita: Por donde conhecerei eu a verdade dessas coisas? porque eu sou velho e minha mulher está avançada em anos (Lucas I-18). O anjo lhe diz: Desde agora ficarás mudo e não poderás falar até o dia em que estas coisas sucedam, visto que não deste crédito às minhas palavras (Lucas I-20). Ao contrário Maria Santíssima, que não duvidou das palavras do Anjo, quando este lhe anunciou a Encarnação do Verbo, é elogiada por Santa Isabel: Bem-aventurada tu, que CRESTE, porque se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas (Lucas I-45). Maria Santíssima é enaltecida, porque creu - mas não se trata aí de crer que estava salva - e sim crer que, embora virgem, seria mãe, conforme lhe foi anunciado pelo Anjo.

   São Tiago fala em crer na existência de um só Deus: Tu CRÊS que há um só Deus. Fazes bem; mas também os demônios CREEM e estremecem (Tiago II-19). Trata-se aí de CRER; mas não é esperança de salvação, pois se diz que até os demônios creem (embora saibam que não podem salvar-se).

  Tu CRESTE Tomé, porque me viste; bem-aventurados os que não viram e CRERAM (João XX-29). De que se tratava então? Da confiança de que seria salvo por Jesus? Não; tratava-se do crédito dado às palavras daqueles que lhe deram notícia de um fato: o fato da Ressurreição do Mestre.
 Não podemos falar nesta questão de crer ou não crer, sem que nos venha à lembrança o episódio de São Tomé, a quem Nosso Senhor disse:

   Crer é, portanto, aceitar como verdadeira a palavra de alguém: Veio João a vós no caminho da justiça e não o CRESTES; e os publicanos e as prostitutas o CRERAM;  e vós outros, vendo isto, nem ainda fizestes penitência para o CRERDES (Mateus XXI- 32). Se vós CRÊSSEIS  a Moisés, certamente me CRERÍEIS também a mim, porque ele escreveu de mim. Porém se vós não dais crédito aos seus escritos, como dareis crédito às minhas palavras? (João V-46 e 47). Jesus aí exige dos judeus que creiam n'Ele com a mesma fé com que deveriam crer em Moisés. Porventura a crença em Moisés era CONFIANÇA de que Moisés os salvava, os levava para o Céu de qualquer maneira? Não; a crença que deveriam ter em Moisés era, como diz o próprio Divino Mestre, DAR CRÉDITO às suas palavras, aos seus escritos. 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

O VERDADEIRO SENTIDO DA SALVAÇÃO PELA FÉ - ( 11 )

   68. CRER NO EVANGELHO.

   A Bíblia tem outra expressão para resumir numa só palavra o objeto da nossa fé: temos obrigação de crer no Evangelho.
   O Evangelho é o conjunto de toda a doutrina ensinada por Cristo. Quando falamos em Evangelho, logo nos lembramos dos quatro livros que nos narram a vida de Cristo e que têm este título. Mas a palavra já era empregada por Cristo antes de existirem os livros, os quais só foram escritos alguns anos depois que Cristo morreu. É precisamente porque estes livros trazem esta doutrina que tomaram tal nome. Crer no Evangelho é crer na doutrina pregada por Jesus e pelos Apóstolos, doutrina esta que ou está encerrada nos livros do Novo Testamento, ou foi transmitida oralmente aos primeiros cristãos (2ª Tessalonicenses II-14, III-6, 2ª Timóteo I-13 e 14).

   Diz o Evangelho de São Marcos: Depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para Galileia, pregando o EVANGELHO  do reino de Deus dizendo: Pois que o tempo está cumprido e se aproximou o reino de Deus, fazei penitência e CREDE NO EVANGELHO (Marcos I-14 e 15). 

   E é depois de dizer aos Apóstolos: Ide por todo o mundo; pregai o EVANGELHO  a toda a criatura (Marcos XVI-15), que Jesus lhes diz: O que CRER  e for batizado será salvo; o que, porém, não CRER será condenado (Marcos XVI-16). Não é, portanto, a crença só nesta ou naquela verdade, muito menos a impressão de que estamos salvos por Jesus, embora sem o merecermos; é a crença em toda a doutrina de Jesus, a qual é pregada pelos Apóstolos, que é exigida para a salvação. 

   E São Pedro diz no Concílio de Jerusalém: Vós sabeis que desde os primeiros dias ordenou Deus entre nós que da minha boca ouvissem os gentios a palavra do EVANGELHO  e que CRESSEM (Atos XV-7), o mesmo São Pedro que diz na sua 1ª Epístola: Qual será o paradeiro daqueles que não CREEM no EVANGELHO de Deus? (1ª Pedro IV-17). 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O VERDADEIRO SENTIDO DA SALVAÇÃO PELA FÉ - ( 10 )

   67. CRER EM CRISTO - FILHO DE DEUS.

   Cristo ensinou muitas coisas, quando andava neste mundo. Para exprimir a nossa fé em tudo o que Ele ensinou, a gente não precisa relembrar, um por um, todos os seus ensinamentos, pode resumir tudo isto num só artigo: Creio que Jesus é o Filho de Deus; crendo na divindade de Cristo temos que crer necessariamente em tudo o que Ele disse.

   Assim resumida foi a profissão de fé que fez Marta, a irmã de Lázaro. Jesus lhe diz: Eu sou a ressurreição e a vida; o que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente. Crês isto? (João XI-25 e 26). Marta Lhe responde: Sim, Senhor, eu já estou na CRENÇA de que tu és o Cristo, Filho de Deus Vivo, que vieste a este mundo (João XI-27).

  Nestas palavras estava logicamente incluída a fé em todo o ensino de Jesus; embora Marta não conhecesse perfeitamente todos os dogmas do Cristianismo, contudo neles cria implicitamente, porque cria em Jesu que os ensinou.

   Um exemplo pitoresco e edificante da disposição de crer em tudo o que Jesus disser, se vê no cego de nascença a quem o Mestre concedeu a vista e, dias depois, perguntou: Tu CRÊS no Filho de Deus? (João IX-35). O cego não sabe ainda quem é o Filho de Deus; mas o que Jesus disser, ele acredita. Aponte Jesus quem é o Filho de Deus e ele está disposto a aceitá-Lo. Quem é Ele, Senhor, para eu crer n'Ele? Disse-lhe, pois, Jesus: Até tu já O viste, e é Aquele mesmo que fala contigo. Então respondeu ele: Eu CREIO, Senhor. E prostrando-se, O adorou (João IX-36 a 38). 

   Jesus, sendo o Filho Unigênito do Pai (João 1-14) é necessariamente cheio de graça e de VERDADE (João 1-14) e bem pode dizer: Eu sou o caminho e a VERDADE e a vida (João IV-6). Por isto, só poderia ser exato o que Lhe disseram os fariseus, embora não o dissessem com reta intenção: És VERDADEIRO,  e ensinas o caminho de Deus pela VERDADE (Mateus XXII-16). Seria absurdo, portanto, pensar que crer que Jesus é o Filho de Deus quer dizer somente, crer na divindade ou na divina missão de Jesus e nada mais, sem tirar daí a conclusão lógica, inevitável, imperiosa de que é necessário crer tudo o que Jesus disser. 

   

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O VERDADEIRO SENTIDO DA SALVAÇÃO PELA FÉ - ( 9 )

   66. CRER OU NÃO CRER.  

   Crer em Jesus é, portanto, aceitar como verdade tudo o que Jesus nos ensinou; uma vez que Ele é o Filho de Deus, igual ao Pai, temos que reconhecer como verdadeiro tudo o que Ele disser, ainda que seja um mistério, ainda que o não possamos compreender. Isto se mostra claramente no capítulo 6º de São João, onde se vê um choque entre Jesus e os judeus que n'Ele não querem crer. 

   Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem e beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós. O que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia, porque a minha carne VERDADEIRAMENTE  é comida; e o meu sangue VERDADEIRAMENTE  é bebida (João VI-54 a 56).
Jesus lançou perante os judeus a seguinte afirmação:

   O que significam estas palavras? Depois (em outra oportunidade) teremos ocasião de explicar. Por enquanto, pode o leitor perguntar a qualquer um desses protestantes que andam por aí, ilustríssimos, sapientíssimos e entusiasmadíssimos intérpretes das Sagradas Escrituras, o que quer dizer: comer a carne de Cristo, beber o Sangue de Cristo. Se ele disser que significa crer em Cristo, peça-lhe que prove, por especial obséquio, com citações da Bíblia ou de qualquer escritor do mundo, que comer a carne de uma pessoa é o mesmo que crer nela; beber o seu sangue é o mesmo que fazer um ato de fé. O que é fato é que os ouvintes, como não podia deixar de ser, tomaram as palavras de Cristo no sentido de que Ele falava em dar mesmo a sua carne para comer, o seu sangue para beber. Cristo falava sério, não estava brincando, porque Ele nunca falou brincando, nem para enganar a ninguém. 

   Qual a reação que aquelas palavras do Mestre produziram entre os seus ouvintes? Uns pensaram assim: Jesus não erra, não mente, não engana, Ele tudo pode fazer, porque o poder de Deus está n'Ele, se Ele disse que dará sua carne para comer, é porque vai dar mesmo. Outros, porém, acharam isto impossível e absurdo: Como pode este dar-nos a comer a sua carne? (João VI-53). Duro é este discurso e quem o pode ouvir? (João VI-61). Jesus se queixa de sua incredulidade: Há alguns de vós outros que não CREEM (Jorão VI-65). Porque bem sabia Jesus desde o princípio quais eram os que não CRIAM (João VI-65). 

   Trata-se aqui, portanto deste assunto: CRER ou NÃO CRER. Mas crer ou não crer não é, no caso, confiar ou não confiar em que se vai para o Céu mas: ACREDITAR OU NÃO ACREDITAR  na revelação tão espantosa que Jesus acabara de fazer, isto é, que daria sua própria carne para comer, seu próprio sangue para beber. Não resta a menor dúvida E tão obstinados ficaram aqueles em não crer em Jesus, que O abandonaram de vez: Desde então se tornaram atrás muitos de seus discípulos e já não andavam com Ele (João VI-67).

   Jesus volta-se então para os doze. Quererão eles ir embora também, pelo fato de acharem impossível Jesus dar a sua carne para comer, o seu sangue para beber? Quererão eles, também, dizer: Não creio; não Vos sigo mais? Simão Pedro, o primeiro dos Apóstolos, o chefe de todos eles, se encarrega de falar em seu nome e em nome de todos: Senhor, para quem havemos de ir? Tu tens palavras de vida eterna; e nós temos CRIDO  e conhecido que tu és o Cristo, Filho de Deus (João, VI-69 e 70). Primeiro creram sem ter visto os grandes prodígios; depois à vista dos grandes milagres e pela convivência com o Mestre, conheceram ainda melhor que Jesus é o Filho de Deus, e, portanto, infalível.

   Aqui vemos claramente o que o Evangelho entende pela palavra CRER.  Crer não é lançar-me aos pés de Jesus e procurar sugestionar a mim mesmo que eu, pessoalmente, eu, Fulano de tal estou salvo, infalivelmente salvo. Crer é aceitar tudo o que Jesus disse, mesmo que isto se me afigure dificílimo, incompreensível, misterioso, impossível aos meus olhos; se ele diz, é porque está certo; se Ele diz que faz, é porque faz mesmo. E o fundamento da fé é magistralmente apresentado por São Pedro: Jesus não pode mentir, não pode enganar a ninguém, porque é o Cristo, Filho de Deus e, como tal, tem palavras de vida eterna. 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O VERDADEIRO SENTIDO DA SALVAÇÃO PELA FÉ - ( 8 )

65.  NOÇÃO LEGÍTIMA DE FÉ.

   Desfeita a ilusão protestante, que pretende confundir a fé com a esperança, vejamos o que significa a palavra CRER.

   Quando dizemos a uma pessoa: Creio em Você, significamos com isto que aceitamos como sendo verdadeiro o que esta pessoa nos está dizendo, disto estamos convictos, embora nada tenhamos visto nem presenciado, porque estamos certos de que a referida pessoa não é capaz de nos enganar.

   Aqui, neste assunto de crença religiosa, crer é estar convicto das verdades reveladas, não porque foi a nossa razão que nos disse que era assim, mas porque Deus o disse, e Deus não nos engana, nem pode enganar-se: Se nós recebemos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior (1ª João V-9).

   Deus merece todo o nosso crédito, porque é a Suma Verdade; e aparecendo Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, Deus se encarregou de dar o testemunho em favor de Jesus Cristo, mostrando que suas palavras eram palavras de Deus e mereciam toda a nossa aceitação: Este é aquele meu Filho especialmente amado; OUVI-O (Lucas IX-35). Este é o meu Filo amado, no qual tenho posto toda a minha complacência (Mateus III-17).

   O testemunho de Deus a favor de Jesus não foi dado somente por palavras, mas também pelos milagres, obras divinas, que por Jesus foram realizadas: As obras que eu faço em nome de meu Pai, elas dão testemunho de mim (João X-25). Se eu não faço as obras de meu Pai, não me creiais; porém, se eu as faço, e quando não queirais crer em mim, crede as minhas obras, para que conheçais e creiais que o Pai está em mim, e eu no Pai (João X-37 e 38).

   Tendo Jesus a seu favor o testemunho divino, crer em Jesus é o mesmo que crer em Deus; duvidar de Jesus é duvidar de Deus: A minha doutrina não é minha, mas é d'Aquele que me enviou (João VII-16). O que me enviou é verdadeiro; e eu o que digo no mundo é o que d'Ele aprendi (João VIII-26).

   Se cremos na doutrina de Jesus, cremos também que Ele é Deus e igual ao Pai: Eu e o Pai somos uma mesma coisa (João X-30).