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sábado, 6 de agosto de 2016

O PENSAMENTO PAULINO E A DOUTRINA CATÓLICA


   Finalmente vamos provar a identidade do pensamento de São Paulo com a doutrina da Igreja. Já mostramos, no capítulo 2º, que segundo a doutrina católica, para a nossa salvação, são necessárias três coisas: uma é a FÉ, pois quem não crer será condenado. Outra são as nossas OBRAS, pela GUARDA DOS MANDAMENTOS. Outra, por fim, é a GRAÇA DE DEUS, que tanto é necessária para termos fé, como também é necessária para se fazer qualquer obra boa meritória para a vida eterna, pois sem a graça de Cristo nada podemos fazer.

   Vejamos agora este trecho de São Paulo nesta Epístola aos Gálatas. Em Jesus Cristo nem a circuncisão, vale alguma coisa, nem o prepúcio; mas sim a FÉ que obra por caridade (Gálatas V-6). Sempre a mesma preocupação de mostrar que a circuncisão já não tem valor; o que tem valor é a fé, mas não a fé morta, a fé sem as obras e sim a fé que opera pela caridade.

   Vejamos agora mais este outro versículo desta mesma Epístola aos Gálatas: Em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão valem nada, mas o ser uma NOVA CRIATURA (Gálatas VI-15). São Paulo, que, no versículo há pouco citado, mostrou o valor da FÉ, mas a fé que opera pela caridade, agora mostra o valor da graça. A nova criatura de que ele fala é o homem revestido da graça, o homem elevado a uma grandeza sobrenatural e que assim foi objeto de uma nova criação espiritual feita por Deus. Esta graça nos vem pelos sacramentos, a começar pelo Batismo que produz em nós uma verdadeira renovação espiritual: Todos os que fostes batizados em Cristo, revestistes-vos de Cristo (Gálatas III-27).

   Agora confrontemos estes dois versículos em que São Paulo nos diz que o que tem valor diante de Deus é a fé, o que tem valor diante de Deus é a graça, que faz do homem uma nova criatura, com este versículo também de São Paulo, na 1ª Epístola aos Coríntios: A circuncisão nada vale, e o prepúcio nada vale; senão A GUARDA DOS MANDAMENTOS (1ª Coríntios VII-19).

   Assim se completam, segundo o pensamento de São Paulo, os três elementos indispensáveis para a salvação, de acordo com a doutrina católica: a fé, a graça e a guarda dos mandamentos. 

   Isto não impede o próprio São Paulo de resumir o problema da nossa salvação numa só palavra: O homem é justificado pela fé em Cristo. A fé em Cristo é o médico que nos aponta a necessidade da GRAÇA que nos vem pelos sacramentos, pois a fé é aceitar toda a doutrina de Cristo e Cristo disse: Quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no reino de Deus (João III-5). Se não comerdes a carne do Filho do Homem e beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós (João VI-54). Cristo nos mostra como nos vem o perdão dos pecados: Aos que vós perdoardes os pecados, ser-lhes-ão eles perdoados; e aos que vós os retiverdes, ser-lhes-ão eles retidos (João XX-23). 

   A fé em Cristo é o médico que nos aponta a necessidade da GUARDA DOS MANDAMENTOS, pois a fé é aceitar a doutrina de Cristo, e Cristo disse: Se tu queres entrar na vida, GUARDA OS MANDAMENTOS (Mateus XIX-17). (Extraído do Livro "LEGÍTIMA INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA", autor: Lúcio Navarro).

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

A LUTA CONTRA OS JUDAIZANTES NA EPÍSTOLA AOS GÁLATAS


   Continuando na sua obra dissolvente, os judaizantes procuram induzir os Gálatas à profissão de judaísmo. E como São Paulo se lhes opõe vivamente, eles procuram diminuir a autoridade do Apóstolo, fazendo ver que ele não era como os outros, não tinha convivido com o Mestre, e assim não tinha o mesmo valor que os outros Apóstolos.

   É contra eles que São Paulo escreve sua Epístola aos Gálatas a qual, do princípio ao fim, se refere a esta questão. Logo no primeiro versículo vai São Paulo defendendo a sua autoridade que os adversários procuram diminuir: Paulo Apóstolo, não pelos homens, nem por algum homem, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que O ressuscitou dentre os mortos (Gálatas I-1). E logo depois da saudação de costume, ele começa: Eu me espanto de que, deixando aquele que vos chamou à graça de Cristo, passáveis assim tão depressa a outro Evangelho; porque não há outro, se não é que há alguns que vos perturbam e querem transformar o Evangelho de Cristo. Mas ainda quando nós mesmos, ou um anjo do céu vos anuncie um Evangelho diferente do que nós vos temos anunciado, seja anátema (Gálatas I-6 a 8). 

   Este Evangelho diferente, de que fala São Paulo, é a doutrina daqueles que queriam obrigar os cristãos convertidos dentre os gentios a serem circuncidados; e um dos argumentos de que usa para mostrar como estão errados, é o seguinte: Ele esteve conferindo a sua doutrina com os outros Apóstolos e levou consigo a Tito, mas nem Tito foi impelido a circundar-se: Comuniquei com eles o Evangelho que prego entre os gentios, e particularmente com aqueles que pareciam ser de maior consideração, por temor de não correr em vão, ou de haver corrido. Mas nem ainda Tito, que estava comigo, sendo gentio, foi compelido a que SE CIRCUNCIDASSE (Gálatas II-2 e 3).

   Basta ler com atenção a Epístola para se ver como o que São Paulo está condenando aí não é a doutrina católica de que a observância dos mandamentos, ou seja, a caridade para com Deus e com o próximo, seja necessária para a salvação. Esta é também a doutrina de Jesus, como provamos n capítulo 4º, e, consequentemente, a doutrina de São Paulo.

   O que São Paulo condena é a heresia daqueles que, mesmo depois do que foi decidido pelos Apóstolos no Concílio de Jerusalém, ainda ensinam que para o homem ser um justo perante Deus, é necessária a observância daquelas cerimônias e prescrições da lei mosaica, a começar pela circuncisão.

   Vejamos estas passagens da nossa Epístola aos Gálatas: Olhai que eu, Paulo, vos digo que se vos fazeis CIRCUNCIDAR, Cristo vos não aproveitará nada. E de novo protesto a todo homem que se CIRCUNCIDA que está obrigado a guardar TODA A LEI. Vazios estais de Cristo os que vos justificais pela LEI: decaístes da graça (Gálatas V-2 a 4).

   Todos os que querem agradar na carne, estes vos obrigam a que vos CIRCUNCIDEIS, só por não padecerem eles a perseguição da cruz de Cristo. Porque estes mesmos que SE CIRCUNCIDAM não guardam a lei; mas querem que  vos CIRCUNCIDEIS, para se gloriarem na vossa carne (Gálatas VI- 12 e 13). 

   E a conclusão a que chega São Paulo é que agora na religião de Cristo não há mais nenhuma distinção entre os que são circuncidados e os que não são, entre os judeus e os gentios; Não há JUDEU NEM GREGO, não há servo, nem livre, não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Jesus Cristo (Gálatas III-28).

   São Paulo continua a considerar a prática dos 10 mandamentos como necessária à salvação, é o que se vê claramente na sua enumeração das obras da carne (Gálatas V-19 a 21) entre as quais ele inclui a impureza (pecado contra o 6º mandamento), a idolatria (contra o 1º), os homicídios (contra o 5º), as contendas, as invejas, as iras, as brigas que são contra a caridade para com o próximo, e finda dizendo: os que tais coisas cometem não possuirão o reino de Deus (Gálatas V-21). (Extraído do Livro "Legítima Interpretação da Bíblia", autor: Lúcio Navarro).



   

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

INCIDENTE ENTRE SÃO PEDRO E SÃO PAULO

1º - NA EPÍSTOLA AOS GÁLATAS


   São Pedro em Antioquia estava convivendo com os gentios, comendo de todos os alimentos que eles comiam, mesmo dos que tinham sido proibidos aos judeus, quando chegaram os judeus que tinham ido falar com São Tiago. Depois da chegada deles, São Pedro começou a retrair-se, a afastar-se dos gentios, temendo ofender aos que eram circuncidados (Gálatas II-12). No dilema em que se havia colocado, São Pedro achou que, tendo-se encarregado especialmente da pregação aos judeus, enquanto São Paulo o era da pregação entre os gentios, cabia-lhe em primeiro lugar evitar o desgosto da parte dos judeus. Não previu, porém, as consequências do seu retraimento. Sendo o chefe da Igreja, tendo tanta autoridade que o próprio Barnabé, apesar de companheiro de São Paulo, apesar de ser um dos campeões na luta contra os judaizantes (Atos XV-2), começou a seguir-lhe o exemplo, a sua atitude bem podia ser explorada pelos partidários da circuncisão obrigatória. São Paulo resolveu então adverti-lo do mal que estava fazendo com isto: eu lhe resisti em face, porque era repreensível (Gálatas II-11) e reclamar contra aquela simulação (Gálatas II-13). A verdade é que simulação maior do que esta fez o próprio São Paulo, entrando no templo de Jerusalém para submeter-se a uma purificação e apresentando-se como uma espécie de padrinho para os quatro nazarenos (Atos XXXI-26), o que, aliás, não deu resultado, porque os judeus findaram sempre revoltando-se contra ele; maior, porque a atitude de São Pedro foi apenas negativa; retraiu-se do convívio com os gentios. O que agravava a situação era a exploração que os judaizantes podiam fazer do caso, perigo este que foi previsto por São Paulo, antes que São Pedro o percebesse. 

   São Pedro recebeu humildemente a advertência de São Paulo, achou que ele tinha razão e encerrou-se o incidente. A respeito disto diz São Gregório Magno: "Calou-se Pedro, para que aquele que era o primeiro na culminância do apostolado, fosse também o primeiro na humildade" (Homilia 18 in Ezechielem). E Santo Agostinho assim comenta: "Pedro aceitou com santa e piedosa humildade a observação que utilmente lhe fizera Paulo, inspirado pela liberdade do amor, deixando assim aos pósteros o raro exemplo de não se dedignarem em ser corrigidos pelos inferiores, onde quer que se desviassem do reto caminho; exemplo mais raro e mais santo que o deixado por Paulo aos inferiores que, por defender a verdade evangélica, ousassem resistir confiadamente, salvando-se, porém, a verdade... Em Paulo louvemos a justa liberdade; em Pedro a santa humildade" (Epístola 19 ad Hieronymum).