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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

A LUTA CONTRA OS JUDAIZANTES NA EPÍSTOLA AOS GÁLATAS


   Continuando na sua obra dissolvente, os judaizantes procuram induzir os Gálatas à profissão de judaísmo. E como São Paulo se lhes opõe vivamente, eles procuram diminuir a autoridade do Apóstolo, fazendo ver que ele não era como os outros, não tinha convivido com o Mestre, e assim não tinha o mesmo valor que os outros Apóstolos.

   É contra eles que São Paulo escreve sua Epístola aos Gálatas a qual, do princípio ao fim, se refere a esta questão. Logo no primeiro versículo vai São Paulo defendendo a sua autoridade que os adversários procuram diminuir: Paulo Apóstolo, não pelos homens, nem por algum homem, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que O ressuscitou dentre os mortos (Gálatas I-1). E logo depois da saudação de costume, ele começa: Eu me espanto de que, deixando aquele que vos chamou à graça de Cristo, passáveis assim tão depressa a outro Evangelho; porque não há outro, se não é que há alguns que vos perturbam e querem transformar o Evangelho de Cristo. Mas ainda quando nós mesmos, ou um anjo do céu vos anuncie um Evangelho diferente do que nós vos temos anunciado, seja anátema (Gálatas I-6 a 8). 

   Este Evangelho diferente, de que fala São Paulo, é a doutrina daqueles que queriam obrigar os cristãos convertidos dentre os gentios a serem circuncidados; e um dos argumentos de que usa para mostrar como estão errados, é o seguinte: Ele esteve conferindo a sua doutrina com os outros Apóstolos e levou consigo a Tito, mas nem Tito foi impelido a circundar-se: Comuniquei com eles o Evangelho que prego entre os gentios, e particularmente com aqueles que pareciam ser de maior consideração, por temor de não correr em vão, ou de haver corrido. Mas nem ainda Tito, que estava comigo, sendo gentio, foi compelido a que SE CIRCUNCIDASSE (Gálatas II-2 e 3).

   Basta ler com atenção a Epístola para se ver como o que São Paulo está condenando aí não é a doutrina católica de que a observância dos mandamentos, ou seja, a caridade para com Deus e com o próximo, seja necessária para a salvação. Esta é também a doutrina de Jesus, como provamos n capítulo 4º, e, consequentemente, a doutrina de São Paulo.

   O que São Paulo condena é a heresia daqueles que, mesmo depois do que foi decidido pelos Apóstolos no Concílio de Jerusalém, ainda ensinam que para o homem ser um justo perante Deus, é necessária a observância daquelas cerimônias e prescrições da lei mosaica, a começar pela circuncisão.

   Vejamos estas passagens da nossa Epístola aos Gálatas: Olhai que eu, Paulo, vos digo que se vos fazeis CIRCUNCIDAR, Cristo vos não aproveitará nada. E de novo protesto a todo homem que se CIRCUNCIDA que está obrigado a guardar TODA A LEI. Vazios estais de Cristo os que vos justificais pela LEI: decaístes da graça (Gálatas V-2 a 4).

   Todos os que querem agradar na carne, estes vos obrigam a que vos CIRCUNCIDEIS, só por não padecerem eles a perseguição da cruz de Cristo. Porque estes mesmos que SE CIRCUNCIDAM não guardam a lei; mas querem que  vos CIRCUNCIDEIS, para se gloriarem na vossa carne (Gálatas VI- 12 e 13). 

   E a conclusão a que chega São Paulo é que agora na religião de Cristo não há mais nenhuma distinção entre os que são circuncidados e os que não são, entre os judeus e os gentios; Não há JUDEU NEM GREGO, não há servo, nem livre, não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Jesus Cristo (Gálatas III-28).

   São Paulo continua a considerar a prática dos 10 mandamentos como necessária à salvação, é o que se vê claramente na sua enumeração das obras da carne (Gálatas V-19 a 21) entre as quais ele inclui a impureza (pecado contra o 6º mandamento), a idolatria (contra o 1º), os homicídios (contra o 5º), as contendas, as invejas, as iras, as brigas que são contra a caridade para com o próximo, e finda dizendo: os que tais coisas cometem não possuirão o reino de Deus (Gálatas V-21). (Extraído do Livro "Legítima Interpretação da Bíblia", autor: Lúcio Navarro).



   

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

INCIDENTE ENTRE SÃO PEDRO E SÃO PAULO

1º - NA EPÍSTOLA AOS GÁLATAS


   São Pedro em Antioquia estava convivendo com os gentios, comendo de todos os alimentos que eles comiam, mesmo dos que tinham sido proibidos aos judeus, quando chegaram os judeus que tinham ido falar com São Tiago. Depois da chegada deles, São Pedro começou a retrair-se, a afastar-se dos gentios, temendo ofender aos que eram circuncidados (Gálatas II-12). No dilema em que se havia colocado, São Pedro achou que, tendo-se encarregado especialmente da pregação aos judeus, enquanto São Paulo o era da pregação entre os gentios, cabia-lhe em primeiro lugar evitar o desgosto da parte dos judeus. Não previu, porém, as consequências do seu retraimento. Sendo o chefe da Igreja, tendo tanta autoridade que o próprio Barnabé, apesar de companheiro de São Paulo, apesar de ser um dos campeões na luta contra os judaizantes (Atos XV-2), começou a seguir-lhe o exemplo, a sua atitude bem podia ser explorada pelos partidários da circuncisão obrigatória. São Paulo resolveu então adverti-lo do mal que estava fazendo com isto: eu lhe resisti em face, porque era repreensível (Gálatas II-11) e reclamar contra aquela simulação (Gálatas II-13). A verdade é que simulação maior do que esta fez o próprio São Paulo, entrando no templo de Jerusalém para submeter-se a uma purificação e apresentando-se como uma espécie de padrinho para os quatro nazarenos (Atos XXXI-26), o que, aliás, não deu resultado, porque os judeus findaram sempre revoltando-se contra ele; maior, porque a atitude de São Pedro foi apenas negativa; retraiu-se do convívio com os gentios. O que agravava a situação era a exploração que os judaizantes podiam fazer do caso, perigo este que foi previsto por São Paulo, antes que São Pedro o percebesse. 

   São Pedro recebeu humildemente a advertência de São Paulo, achou que ele tinha razão e encerrou-se o incidente. A respeito disto diz São Gregório Magno: "Calou-se Pedro, para que aquele que era o primeiro na culminância do apostolado, fosse também o primeiro na humildade" (Homilia 18 in Ezechielem). E Santo Agostinho assim comenta: "Pedro aceitou com santa e piedosa humildade a observação que utilmente lhe fizera Paulo, inspirado pela liberdade do amor, deixando assim aos pósteros o raro exemplo de não se dedignarem em ser corrigidos pelos inferiores, onde quer que se desviassem do reto caminho; exemplo mais raro e mais santo que o deixado por Paulo aos inferiores que, por defender a verdade evangélica, ousassem resistir confiadamente, salvando-se, porém, a verdade... Em Paulo louvemos a justa liberdade; em Pedro a santa humildade" (Epístola 19 ad Hieronymum). 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A QUESTÃO DOS JUDAIZANTES (continuação)

   1º. - NA EPÍSTOLA AOS GÁLATAS


   Acontecia, porém, que para os judeus nascidos e criados entre aqueles costumes da lei mosaica, embora a lei já estivesse morta, para eles não se considerava grande mal que a cumprissem, enterrando-a com honras. Cumpriam uma coisa que não lhes era imposta, não porque se considerassem obrigados a isto, mas por uma questão de hábito ou por um motivo qualquer de conveniência. Isto fez o próprio São Paulo, o qual vimos, há pouco, dizer: E me fiz para os judeus, como judeu, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se eu estivera debaixo da lei (não me achando eu debaixo da lei) por ganhar aqueles que estavam debaixo da lei (1ª Coríntios IX-20 e 21). Assim procedeu São Paulo, por exemplo, no caso de Timóteo, como vem narrado nos Atos XVI-1 a 3). Paulo sabia muito bem que a circuncisão não era mais obrigatória, mas querendo utilizar em prol da Igreja os bons serviços de Timóteo, que era filho de pai gentio com mãe judia, tomando os discípulo, o circuncidou por causa dos judeus que havia naqueles lugares (Atos XVI-3); assim Timóteo teria mais prestígio para conquistar os judeus ao reino de Cristo, porque podiam os judeus não lhe dar muita autoridade, sendo um incircunciso a serviço do Evangelho. Outro caso, em que São Paulo obedece a prescrições da lei mosaica, mesmo sabendo-se não sujeito a ela, se lê nos Atos, XXI. São Paulo chega a Jerusalém. Os anciãos o advertem: Bem vês, irmão, quantos milhares de judeus são os que têm crido e todos são zeladores da lei. E têm ouvido de ti que ensinas aos judeus que estão entre os gentios que deixem a Moisés, dizendo que eles não devem circuncidar a seus filhos, nem andar segundo o seu rito (Atos XXI-20 e 21). Com o pensamento de conquistar as graças dos judeus, São Paulo concorda em entrar no templo de Jerusalém, juntamente com quatro varões que têm voto sobre si (Atos XXI-23) e submeter-se com eles a uma cerimônia judaica, embora sabendo que a lei de Moisés não estava mais em vigor: Então Paulo, depois de tomar consigo aqueles varões, purificado com eles, no seguinte dia entrou no templo, fazendo saber o cumprimento dos dias da purificação, até que se fizesse a oferenda por cada um deles (Atos XXI-26).

   Apesar do que foi decidido no Concílio de Jerusalém, obstinam-se alguns judeus convertidos na sua tarefa de induzir os gentios a professar o judaísmo juntamente com a Religião Cristã, ensinando que eles não podiam salvar-se sem a observância da lei mosaica. 

  A questão vai tomando assim um aspecto mais grave. Que os judeus já acostumados a observar a lei mosaica, embora estivessem agora livres da lei, continuassem temporariamente a observá-la, para sepultar com honras esta lei que já estava morta, não era tão grande mal. Mas querer obrigar os gentios, que a esta lei nunca estiveram sujeitos, que não eram da raça judaica, a se circuncidarem, a fazerem profissão de judaísmo juntamente com a de Cristianismo, era um erro muito grave. Equivalia a ensinar que o homem não pode justificar-se diante de Deus sem as obras da lei mosaica, quando a Religião Cristã ensinava que o judaísmo está abolido e não se deve admitir outra religião, a não ser a fé cristã. Assim, se a lei para os judeus estava morta, para os gentios ia tornar-se mortífera. Querer obrigar os gentios à observância da lei, como condição para salvar-se, era o erro dos HEREGES JUDAIZANTES. 

   E o pior é que invocavam a autoridade dos Apóstolos que, que, uma vez ou outra, obedeciam à lei de Moisés, embora soubessem não ser obrigados a isto. Os Apóstolos estavam assim num dilema. Se se mostravam muito intransigentes com os judeus, que já estavam tão habituados a observar a lei mosaica, ofendiam os judeus e os afastavam de si. Se condescendiam com eles, davam margem a que os judaizantes apontassem o seu exemplo para ensinar que a observância da lei mosaica era necessária para a salvação e a prova é que os Apóstolos também a observavam. Foi isto que deu origem em Antioquia ao incidente entre São Paulo e São Pedro. (Extraído do Livro "LEGÍTIMA INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA", autor: Lúcio Navarro). 
                                    É o que veremos no próximo post, se Deus quiser. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A QUESTÃO DOS JUDAIZANTES

1º - NA EPÍSTOLA AOS GÁLATAS

   

   Vamos citar o trecho todo da Epístola aos Gálatas: Nós somos JUDEUS por natureza e não pecadores dentre os gentios, MAS como sabemos que o homem não se justifica pelas obras da lei, senão pela fé de Jesus Cristo, por isso também nós cremos em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei não será justificada toda a carne (Gálatas II-15 e 16)

   Estas palavras se prendem à questão dos judaizantes, assunto sobre o qual versa TODA a Epístola aos Gálatas. Temos, portanto, que fazer o histórico desta questão. 

   Depois da morte de Jesus Cristo, que em vida obedeceu à lei mosaica, ficou uma dúvida entre os cristãos, que no princípio tinham sido recrutados entre os judeus: estariam eles obrigados ainda a observar a lei de Moisés? A São Pedro, como chefe da Igreja, é que cabia resolver a questão. Por isto Deus o instruiu com uma visão especial: viu o céu aberto e que descendo um vaso, como uma grande toalha suspensa pelos quatro cantos, era feito baixar do céu à terra, no qual havia de todos os quadrúpedes, e dos repteis da terra, e das aves do céu. E foi dirigida a ele uma voz, que lhe disse: Levanta-te, Pedro; mata e come. E disse Pedro; Não, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum, nem imunda. E a voz lhe tornou segunda vez a dizer: Ao que Deus purificou, não chames tu comum (Atos X-11 a 15). Estava ainda a imaginar no que quereria dizer esta visão, quando lhe batem à porta os enviados de Cornélio, um gentio, um incircunciso, que o mandava chamar à sua casa. Indo Pedro à casa de Cornélio e fazendo a sua pregação diante de Cornélio, e dos seus, desceu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra de Deus. E se espantaram os fiéis que eram da circuncisão, os quais tinham vindo com Pedro, de verem que a graça do Espírito Santo foi também derramada sobre os gentios (Atos X-45). E São Pedro mandou que eles fossem batizados em nome do Senhor Jesus Cristo (Atos X-48). Estava evidente que Deus, para justificar o homem, para dar-lhe a graça do Espírito Santo, não exigia absolutamente a observância da lei de Moisés. (Extraído o Livro LEGÍTIMA INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA, autor: Lúcio Navarro). 

Continua no próximo post.