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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

COMO AUMENTAR A GRAÇA SANTIFICANTE



"Quando fazes alguma coisa boa, diz Santo Agostinho, faze-a por amor da vida eterna. Se por isso a fazes, estás seguro, porque assim o mandou Deus". Aqui na terra os eleitos começaram a amar merecendo, e lá no Céu continuaram a amar eternamente amando por prêmio.

A primeira causa capaz de aumentar os nossos méritos é o GRAU DE UNIÃO COM DEUS. Como sabemos, pelo Batismo o homem é realmente incorporado em Cristo; ora, sendo Ele a fonte de todos os nossos méritos, quanto mais intima, habitual e atualmente estivermos unidos a Ele, mais mereceremos. "Eu sou a videira, disse Jesus, e vós os ramos... Aquele que permanece em mim e eu nele dá muito fruto" (S. João, XV, 1-6). É por isso que a Santa Igreja nos exorta que pratiquemos as nossas ações por Ele, com Ele e n'Ele. POR ELE, porque ninguém vai ao Pai sem passar por Ele (S. João XVI, 6); COM ELE, porque sem Ele não podemos nada, e Ele quer ser o nosso colaborador; N'ELE, isto é, na sua virtude e sobretudo segundo as suas intenções. Assim fazendo, podemos dizer com S. Paulo: "Eu vivo, mas já não sou eu quem vive,é Cristo que vive em mim" (Gal. II, 20). Na vida prática, o cristão deve unir-se frequentemente, sobretudo no começo dos atos que vai praticar, a Jesus Cristo e às suas intenções, com a plena consciência de que é incapaz de fazer qualquer coisa de bom por si mesmo e uma indefectível confiança de que Ele pode remediar a sua fraqueza.

O segundo meio para aumentar a graça santificante é a PUREZA DE INTENÇÃO, isto é, a PERFEIÇÃO DO MOTIVO que nos leva a agir. Assim, como a caridade é a rainha e a forma de todas as virtudes, toda a ação inspirada pelo amor de Deus e do próximo tem mais mérito do que se for inspirada apenas pelo temor ou pela esperança. Portanto, todas as nossas ações, até as mais comuns como as refeições e recreios honestos e moderados, podem tornar-se atos de caridade e participar do valor dessa virtude, sem perderem o seu valor próprio. Demos um exemplo: comer para restaurar as forças é um motivo digno e meritório; mas refazer as forças para melhor trabalhar por Deus e pelas almas é um motivo de caridade muito superior, que lhe confere um valor meritório muito maior. Contudo não deve haver inquietação de espírito: os autores espirituais aconselham que aceitemos as intenções que se nos apresentarem espontaneamente e subordiná-las à caridade divina. Mas como a vontade humana é inconstante, é mister explicitar e atualizar frequentemente estas  nossas intenções sobrenaturais. Pois, pode acontecer que a gente comece merecendo muito, e durante a execução da obra, chegue a perder, pelo menos, uma parte de seu merecimento. O Santo Cura d"Ars dizia que, quando sentimos que o fervor está diminuindo e se desviando, devemos fazer oração jaculatória. Por ex.: MEU JESUS, TUDO POR VOSSO AMOR; MEU PAI DO CÉU, EU VOS AMO.

Daí o terceiro meio para aumentar a graça santificante: A INTENSIDADE DO AMOR, isto é, O FERVOR com que se age. Não basta fazer o bem, é preciso evitar a indolência, o pouco esforço, a negligência. E pode até acontecer de haver pecados veniais nestas negligências. Com certeza, uma obra boa mas feita com indolência trará pouco merecimento para a alma. Pelo contrário, se oramos, trabalhamos e nos sacrificamos COM TODO CORAÇÃO, cada uma das nossas ações merece um grau apreciável de graça habitual. Caríssimos, como vale a pena renovar frequentemente os esforços, com energia e perseverança!

A DIFICULDADE DO ATO, não em si mesma mas porque exige mais amor de Deus, despende um esforço mais enérgico e mais demorado, e enquanto não provém de uma imperfeição atual da vontade, também aumenta o mérito da alma. Devemos prestar atenção no seguinte: adquire-se uma virtude com atos repetidos desta virtude e aí torna-se fácil agir assim. No entanto, isto não diminui o mérito. Essa facilidade, quando dela nos servirmos para continuar e até aumentar o esforço sobrenatural, favorece o FERVOR do ato, e por conseguinte, aumenta, outrossim o mérito. Assim os santos que, pela prática das virtudes, fazem mais facilmente que os outros, atos por exemplo de humildade, de obediência e de religião, não têm menos mérito, pois praticam mais fácil e frequentemente o amor de Deus, e por outro lado, continuam a fazer esforços, sacrifícios, sempre que sejam necessários. A dificuldade aumenta o mérito, mas na medida em que suscita mais entusiasmo e amor.

Devemos ter sempre em mente que ser santo, é ocupar-se tranquilamente em cumprir os deveres do seu estado, para agradar a Jesus, é suportar por seu amor as penas da vida e deixar-Lhe plena liberdade para dispor a seu grado da alma e do corpo, da saúde e de todos os bens. Jesus pede o nosso coração, ou seja, quer o nosso amor. Amando-O, tudo está bem. Genoveva e Pascoal Bailão eram pastores, mas amavam a Jesus e eram santos. Isidoro era um lavrador, Zita uma criada. Crispim um sapateiro, Bento Labre um mendigo. Que importa? Não tinham senão um emprego: amavam a Jesus com o máximo fervor e esqueciam-se de si mesmos.

Devemos santificar todas e cada uma das nossas ações, mesmo as mais comuns. Quanto progresso na santidade podemos fazer num só dia! Não há meio mais eficaz, mais prático, e mais ao alcance de todos para se santificarem do que sobrenaturalizar todas as ações, com estes três meios de que acabamos de falar: recolhermo-nos um momento antes de agir, renunciarmos positivamente a toda a intenção natural ou má, unirmo-nos, incorporarmo-nos em Cristo e oferecermos por Ele a nossa ação a Deus para sua glória e bem das almas. Ponhamos em prática o conselho do Espírito Santo por boca de S. João Apóstolo no Apocalipse, XXII, 11: "Aquele que é justo se torne mais justo ainda; e aquele que é santo se santifique ainda mais". É assim que juntamos um tesouro no Céu, que o ladrão não rouba, a traça não rói e nem a ferrugem consome. Amém!

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

A SANTÍSSIMA TRINDADE NA ALMA ( Extraído dos escritos teológicos de Tanquerey)

   Era na última Ceia. Jesus Cristo acabava de anunciar aos apóstolos a vinda do Espírito Santo, do divino Paráclito, que ficaria para sempre com eles (S. João, XIV, 19 e 20 ), quando lhes fez esta consoladora promessa: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos a ele e faremos nele a nossa morada (S. João, XIV, 23 ).

   Assim, pois, toda a alma que ama a Jesus e guarda os seus mandamentos é amada pelo Pai, e o Pai vem a ela, com o Filho e o Espírito Santo, e vem não para uma simples visita, mas para se fixar e nela fazer a sua morada; portanto, não por um prazo limitado, mas para sempre, enquanto não tiver a infelicidade de o expulsar com um pecado grave.

   Mas como vem até nós a Santíssima Trindade?

   Deus, diz-nos Santo Tomás, está naturalmente nas criaturas de três modos diferentes: pelo seu poder, porque todas elas estão sujeitas ao seu império; pela sua presença, porque ele vê tudo, mesmo os mais secretos pensamentos da alma; pela sua essência, visto que opera em toda a parte e em toda a parte Ele é a plenitude do ser e a causa primária de tudo o que há de real nas criaturas, comunicando-lhes sem cessar não apenas o movimento e a vida, mas o próprio  ser: "porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser" (Atos, XVII, 28). 

   Entretanto, a Sua presença em nós pela graça é de uma ordem muito superior e mais íntima. É a presença da própria Santíssima Trindade, tal como a fé no-la revelou; o Pai vem até nós e em nós continua a gerar o Verbo; com Ele recebemos o Filho, perfeitamente igual ao Pai, sua imagem viva e substancial, que não cessa de amar infinitamente o Pai como por Ele é amado; deste amor mútuo brota o Espírito Santo, pessoa igual ao Pai  ao Filho, laço mútuo entre os dois, e no entanto distinto de um e de outro. Quantas maravilhas se operam numa alma em estado de graça!

   Se quisermos exprimir em duas palavras a diferença essencial que existe entre a presença de Deus em nós pela natureza e  sua habitação pela graça, podemos dizer que pela sua presença natural Deus está e opera em nós, mas que pela sua presença sobrenatural Ele próprio se nos dá para que gozemos a sua amizade, a sua vida e as suas perfeições: " O amor de Deus está em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rom. V, 5). Assim, pois, é-nos dado o Espírito Santo e com ele a Santíssima Trindade, pois as três pessoas divinas são inseparáveis.; é nosso e, se disso tivéssemos uma consciência viva e profunda, compreenderíamos que a graça é já um início da vida eterna, desta inefável alegria que se experimenta com a posse de Deus.

   Que relações estabelece a graça entre nós e as três pessoas divinas?

   Para aprofundarmos um pouco mais os nossos conhecimentos desta presença íntima, nada mais apropriado e seguro do que a própria palavra de Deus. Por isso escolhemos alguns textos das Sagradas Escrituras, sobre a ação do Pai e do Filho e do Espírito Santo em nós pela graça.

   a) Pela graça o PAI adota-nos como filhos. Este insigne privilégio brota da nossa incorporação em Cristo; desde o momento em que somos membros de Jesus Cristo e como que um prolongamento, uma extensão da sua pessoa, o Pai envolve-nos com o mesmo olhar paternal que a seu Filho, adota-nos como filhos, ama-nos como Ele o ama, não com um amor igual, mas com um amor semelhante. É o que declara o discípulo amado, São João, que foi de todos o que mais aprofundou os segredos do Mestre: "Vede que amor nos testemunhou o Pai, determinando que sejamos chamados filhos de Deus, e que o sejamos com efeito!" ( 1ª Jo. III, 1). Como vimos na postagem sobre a graça santificante, a nossa adoção não é puramente nominal, mas verdadeira e real, embora distinta da filiação do Verbo Encarnado. Porque somos filhos, somos herdeiros de pleno direito do reino celeste, e co-herdeiros daquele que é nosso irmão primogênito (Rom, VIII, 17).  Em vista disto, Deus manifesta para conosco a dedicação e a ternura de um pai. Mais ainda: de uma mãe: "Poderá a mulher esquecer o seu filho? Não terá compaixão do fruto das suas entranhas? Porém, ainda que ela se esquecesse, eu nunca me esqueceria de ti" (Isaías, XLIX, 15). "Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu  Filho unigênito, para que todo o que crê n'Ele não pereça, mas tenha a vida eterna" (S.João, III, 16).

   Poderia Ele dar-nos uma maior prova de amor? Poderemos nós recusar algo Àquele que, para nos salvar e santificar, nos dá o Seu próprio Filho, o Seu Filho unigênito?

   b) O FILHO veio também habitar na nossa alma; chama-nos seus irmãos e trata-nos como amigos íntimos. Ele que é o Filho eterno do Pai, o Verbo gerado desde toda eternidade, em tudo igual ao Pai, trata-nos assim com toda bondade e ternura. Após a Ressurreição, aparece a Madalena, que o seguira até ao Calvário, e, falando-lhe dos discípulos, diz-lhe:"Vai aos meus irmãos e diz-lhes: subo para meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus" (S. João, XX, 17). São Paulo diz: "Porque os que Ele conheceu na sua presciência, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, para que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos" (Rom. VIII, 29). Ele terá, pois, para conosco a ternura, a dedicação que um irmão mais velho consagra aos mais novos; irá ao ponto de se sacrificar por nós, a fim de que, lavados e purificados no seu sangue (Apoc. I, 5), possamos participar de Sua vida e entrar com Ele um dia no reino do Pai.

   Quis ser também nosso amigo. Na última Ceia, declara aos apóstolos e, na pessoa deles, a todos os que acreditarem n'Ele: "Vós sois meus amigos, se fizerdes o que vos mando. Não mais vos chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai" (S. João, XV, 14 e 15).

   O Filho de Deus deu-nos a maior prova de amor: deu a sua vida por nós. Não há maior amor do que dar a vida pelos amigos" (S. João, XV, 13). E deu-a numa altura em que, pelo pecado, éramos seus inimigos. Se assim foi, o que não fará por nós,agora que fomos reconciliados pela virtude do seu sangue? Ouçamos o que Ele nos diz: "Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir  a minha voz e abrir a porta, entrarei nele, cearei com ele e ele comigo" (Apc. III, 20). Podia, se quisesse, entrar como Senhor. Mas não, espera que lho abramos de boa vontade: não quer forçar a entrada, quer que nós mesmos lha vamos abrir, e só depois entrará como amigo. Santa Teresinha do Menino Jesus dizia com uma candura extraordinária: "Jesus, eu queria amá-lo tanto, amá-lo como nunca foi amado". Em nossas orações, comunhões e visitas ao Santíssimo, procuremos tentar conversar afetuosamente com Jesus, nosso irmão muito amado, com Ele que vem mendigar junto de nós um pouco de amor: "Meu filho, dá-me teu coração" (Prov. XXIII, 26).

   c) O ESPÍRITO SANTO vem habitar em nosso coração a fim de o santificar e adornar com todas as virtudes, produzindo nele a caridade e dando-se a si próprio: "A caridade de Deus é espalhada nos nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado" (Rom. V, 5).

   Ao dar-se  ao homem, o Espírito Santo transforma a nossa alma num templo sagrado: "Não sabeis, diz-nos São Paulo, que sois templo de Deus e que o Espírito Santo habita em vós? ... O templo de Deus é santo, e vós sois santos" (1ª Cor. III, 16 e 17). Ele é, com efeito, o Deus de toda a santidade, e, quando vem à nossa alma, esta torna-se um recinto sagrado e onde se compraz em derramar as suas graça com santa profusão.

   Deste modo o Espírito Santo torna-se nosso colaborador no obra da santificação pessoal e ajuda-nos a cultivar a vida sobrenatural que depositou em nós. Por si, o homem nada pode na ordem da graça (S. João, XV,5); mas o Espírito Santo vem suprir a sua fraqueza. Temos necessidade de luz? Eis que Ele desce para nos fazer compreender e saborear os ensinamentos do Mestre: "O Consolador, o Espírito Santo , que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos lembrará tudo o que eu vos disse" S. João, XV, 26). Precisamos de força para pôr em prática as divinas sugestões? O mesmo Espírito "opera em nós o querer e o agir" (Filip. II, 13), isto é, dá-nos a graça de querer e  de pôr em prática as nossas resoluções. Não sabemos orar? "O Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que, segundo as nossas necessidades, devemos pedir; porém, o mesmo Espírito ora por nós com gemidos inefáveis" (Rom, VIII, 26). Ora, as preces feitas sob a ação do Espírito Santo e apoiadas por Ele são forçosamente ouvidas.

   Se se trata de combater as nossas paixões, de vencer as tentações que nos importunam, é Ele ainda que nos dá forças para lhes resistirmos e tirar delas proveito: "Deus, que é fiel, não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação dar-vos-á o poder de lhe resistir" (1ª Cor. X, 13). Quando, cansados de praticar o bem, caímos no desânimo e receamos pela nossa perseverança, Ele virá até nós par sustentar a nossa coragem abalada e dir-nos-á afetuosamente: "Aquele que começou em vós a obra da vossa santificação há de aperfeiçoá-la até o dia de Cristo Jesus" (Filip. I, 6).

   Não temos, pois, que temer, desde que ponhamos a nossa confiança nas três pessoas divinas, que vivem e operam em nós expressamente para nos consolar, fortificar e santificar. Nunca estamos sós: temos em nós Aquele que faz a felicidade dos escolhidos! Eis porque, se tivéssemos uma fé viva, poderíamos repetir com a irmã Santa Isabel da Trindade: "Encontrei o céu na terra, porque o céu é Deus, e Deus está na minha alma. No dia que compreendi isto, tudo se esclareceu em mim, e eu quereria dizer este segredo àqueles que amo". Quantas almas foram transformadas, a exemplo desta Carmelita, no dia em que compreenderam, sob a ação do Espírito Santo, que Deus habita nelas! Quantas conheceram então um novo rumo na sua vida, uma ascensão contínua para Deus e para a perfeição, sobretudo se se esforçaram por viver na intimidade com o hóspede divino. E é justamente isto que vamos ensinar na postagem seguinte: OS NOSSOS DEVERES PARA COM O HÓSPEDE DIVINO.