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domingo, 28 de janeiro de 2018

Que é a Igreja para o Teólogo Modernista?

  É um parto da consciência coletiva, isto é, da coletividade das consciências individuais, que, por virtude da permanência vital, estão todas pendentes do primeiro crente, que para os católicos foi Cristo. 
  Afirmam os modernistas que foi erro das eras passadas pensar-se que a autoridade da Igreja emanou de princípio estranho, isto é, imediatamente de Deus; e por isso, com razão, era ela considerada autocrática. Estas teorias, porém, já não são para os tempos modernos. Assim como a Igreja emanou da coletividade das consciências, a autoridade nasce também da consciência religiosa, e por esta razão fica dependente da mesma; e se faltar a essa dependência, torna-se tirânica. Nos tempos que correm o sentimento de liberdade atingiu o seu pleno desenvolvimento. No estado civil a consciência pública quis um regime popular. Mas a consciência do homem, assim como a vida, é uma só. Se, pois, a autoridade da Igreja não quer suscitar e manter uma intestina guerra nas consciências humanas, há também mister curvar-se a formas DEMOCRÁTICAS. Seria loucura pensar que o vivo sentimento de LIBERDADE, ora dominante, retroceda. Dizem os modernistas que se a Igreja quiser reprimir e enclausurar este sentimento de liberdade, ele transbordará mais impetuoso, destruindo conjuntamente a religião e a Igreja. 

A IGREJA E A SOCIEDADE CIVIL: São as mesmas regras que serviram para a ciência e a fé. Falava-se outrora do temporal sujeito ao espiritual; nas questões mistas, a Igreja intervinha qual senhora e rainha, porque então se tinha a Igreja como instituída  imediatamente por Deus, enquanto autor da ordem sobrenatural. Mas, dizem os modernistas, estas crenças já não são admitidas pela filosofia, nem pela história. Deve, pois, a Igreja separar-se do Estado, e assim também o católico do cidadão. E é por este motivo também que o católico, não se importando com a autoridade, com os desejos, com os conselhos e com as ordens da Igreja, e até mesmo desprezando as suas repreensões, tem direito e dever de fazer o que julgar mais oportuno ao bem da pátria. Querer, sob qualquer pretexto, impor ao cidadão uma norma de proceder, é por parte do poder eclesiástico verdadeiro abuso, que se deve repelir com toda a energia. (Estas heresias já tinham sido condenadas por Pio VI na "Auctorem fidei").

Observação importante: Hoje que os modernistas comandam e estão nos postos mais elevados da hierarquia, dizem que o povo deve obedecer à hierarquia e em tudo. Assim, o modernismo vai se alastrando também entre os fiéis. Sabemos que, sendo a Igreja divina, nunca faltará o "sensus fidei", isto é, sempre haverá, nem que seja em pequeno número, fiéis que guardem íntegra a Tradição e não aceitem a evolução dos dogmas. Muitos guardam o bom senso de que a Igreja está em crise, e fora do campo da infalibilidade a hierarquia pode fazer e ordenar coisas que favoreçam  à heresia e da parte de bispos, vêem muitas heresias. Assim sendo sabem que não devem obedecer tais ordens. Infelizmente é muito mais cômodo obedecer em tudo e fechar os olhos por conveniência. Talvez, hoje, a maioria age desta maneira e não dá testemunho da verdade.

  Na coisas temporais a Igreja tem que sujeitar-se ao Estado dizem os modernistas. Os protestantes liberais caíram em mais um erro que é a religião individual. 
   O que acabamos de explicar, refere-se à autoridade disciplinar. Agora, as afirmações modernistas em relação à autoridade doutrinal e dogmática. Aí são ainda mais graves e perniciosas. Dizem: A sociedade religiosa não pode deveras ser uma, sem unidade de consciência nos seus membros e unidade de fórmula. Daí tiram o conceito de Magistério eclesiástico: Não é mais do que um produto das consciências individuais, e só para cômodo das mesmas consciências lhe é atribuído ofício público. Assim sendo, ele, dependendo dessas consciências, deve inclinar-se a formas DEMOCRÁTICAS. É abuso da autoridade querer impedir a necessária evolução dos dogmas. Protestando embora o seu profundo respeito à autoridade, o católico deve continuar sempre a trabalhar à sua vontade. Em geral, os modernistas admoestam a Igreja de que, sendo o fim do poder eclesiástico todo espiritual, não lhe assenta bem essas exibições de aparato exterior e de magnificência, com que sói comparecer às vistas da multidão. São Pio X, de imediato, refuta tão descabida crítica modernista: "E quando assim o dizem procuram esquecer que a religião, conquanto essencialmente espiritual, não pode restringir-se exclusivamente às coisas do espírito, e que as honras prestadas à autoridade espiritual se referem à pessoa de Cristo que a instituiu. 

   A DOUTRINA MODERNISTA DA EVOLUÇÃO NA IGREJA. Têm eles por princípio geral que, numa religião viva, tudo deve ser mutável e mudar-se de fato. Por aqui abrem caminho para uma das suas principais doutrinas, que é a da EVOLUÇÃO.  O dogma, a Igreja, o culto, os livros sagrados a té mesmo a fé, se não forem coisas mortas, devem sujeitar-se às leis da evolução. Dizem ainda os modernistas: A Igreja mostra-se inimiga dos progressos das ciências naturais e teológicas; A verdade não é menos imutável do que o homem, pois que evolui com ele, nele e por ele; Cristo não ensinou um corpo fixo de doutrina aplicável a todos os tempos e a todos os homens; inaugurou em vez certo movimento religioso que se adapta, ou que deve ser adaptado aos diversos tempos e lugares; A Igreja mostra-se incapaz de defender eficazmente a moral evangélica, porque adere obstinadamente a doutrinas imutáveis, que não podem conciliar-se com o progresso moderno; O progresso das ciências exige que se reformem os conceitos da doutrina cristã sobre Deus, a Criação, a Revelação, a Pessoa do Verbo Encarnado e a Redenção; O Catolicismo atual não pode harmonizar-se com a verdadeira ciência a não ser que se transforme num cristianismo sem dogmas, isto é, num protestantismo largo e liberal. 

sábado, 22 de abril de 2017

A IGREJA E O MUNDO (III)

A IGREJA E O MUNDO (III)
"Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo não há nele o amor do Pai, porque tudo o que há no mundo é concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida".

D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória, em sua CARTA PASTORAL "AGGIORNARMENTO" E TRADIÇÃO escreveu em 1971 que o esforço na adaptação ("aggiornamento") foi além da simples expressão mais ajustada à mentalidade contemporânea. Declara que, em largos meios eclesiásticos, este "aggiornamento" atingiu a própria SUBSTÂNCIA  da Revelação. Diz D. Mayer: "Não se cuida de uma exposição da verdade revelada, em termos em que os homens facilmente a entendam; procura-se, por meio de uma linguagem ambígua e rebuscada, mais propriamente, propor uma nova Igreja, ao sabor do homem formado segundo as máximas do mundo de hoje. Com isso, difunde-se, mais ou menos por toda parte, a ideia de que a Igreja deve passar por uma mudança radical, na sua Moral, na sua Liturgia, e mesmo na sua Doutrina".

Fico a imaginar que quando o Papa João XXIII, anunciou um Concilio, e este pastoral e para fazer "aggiornamento" (o verdadeiro sentido dado pelo Papa, certamente entrou num ouvido e saiu pelo outro) os modernistas esfregaram as mãos e disseram: "Ou agora ou nunca mais; o prato não podia estar melhor pronto para nós mudarmos esta Igreja 'fechada e ultrapassada'!!!" E pior: são unidos e incansáveis nesta tarefa diabólica! Talvez não ousaram imaginar o que infelizmente está acontecendo: um Papa a seu favor, diametralmente oposto a S. Pio X. Atualmente é o reinado das trevas, mas como eclipse. Por fim Nosso Senhor Jesus Cristo dará um basta ao Modernismo, ao Comunismo e ao Liberalismo  e triunfará o Imaculado Coração de Maria e teremos o Reinado do Sacratíssimo Coração de Jesus. Tenhamos fé, pois, a Igreja é divina!

Feita esta introdução, vamos ver como a verdadeira Igreja, (não a  modernista) mas a tradicional, age em relação ao MUNDO, no sentido dado pelo texto em apreço.

A Igreja Tradicional, sempre baseada na Sagrada Escritura e na Tradição, combate o mundo ( no sentido exposto acima) e adverte os homens contra os seus perigos e as suas seduções. Ela admite e elogia os legítimos progressos da ciência e da sociedade. Aliás a Igreja deu grandes cientistas e homens célebres à sociedade. A doutrina e moral de Nosso Senhor Jesus Cristo, no entanto, são perfeitas, e como tais, não podem sofrer adições, subtrações, alterações ou transformações. Podem sim esclarecer-se. É como um ser vivo que se desenvolve e aperfeiçoa, porém na mesma natureza, que faz com que o indivíduo seja sempre o mesmo.

Apenas um parêntese: Antigamente dizia-se simplesmente SANTA MADRE IGREJA, todos sabiam que se tratava da única e verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Hoje, dominando na Igreja os Modernistas, faz-se mister adicionar a qualificação TRADICIONAL, em oposição à ala progressista, que, como diz D. Mayer na citação acima, "procura-se propor uma nova Igreja, ao sabor do homem formado segundo as máximas do mundo de hoje".

A Igreja Tradicional procura ver o que disse Jesus Cristo, que disseram os Apóstolos e os seus sucessores sobretudo os santos, no decorrer dos séculos.

1. QUE DISSE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO?

a) Jesus afirma que Ele não é do mundo e que seus seguidores também não são do mundo: Na oração ao Pai: "Dei-lhes a tua palavra e o mundo os odiou, porque não são do mundo, como também Eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os guarde do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo" (S. João, XVII, 14-16). Após a Última Ceia, dirigindo-Se aos seus discípulos:  "Se o mundo vos aborrece, sabei que primeiro do que a vós me aborreceu a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque vós não sois do mundo[...] por isso o mundo vos aborrece" (S. João, XV, 18 e 19).

b) Jesus afirma que venceu o mundo: "Haveis de ter aflições no mundo, mas tende confiança, eu venci o mundo" (S. João, XVI, 33).

c) Jesus afirma que a sua paz não é a mesma do mundo: "Deixo-vos a paz: dou-vos a minha paz; não vo-la dou como a dá o mundo" (S. João, XIV, 27).

d) Jesus explicando a parábola do semeador, disse que são os cuidados do mundo com seus deleites desordenados e a ilusão das riquezas que impedem o homem de se converter quando ouve a palavra de Deus: "Os que recebem a semente entre os espinhos são aqueles que ouvem a palavra; mas as solicitudes do mundo e a ilusão das riquezas e os afetos desordenados, entrando, afogam a palavra e ela fica infrutuosa" (S. Marcos, IV, 18).

e) Jesus fala contra os escândalos e na necessidade da mortificação: "Ai do mundo por causa dos escândalos! Porque é inevitável que sucedam escândalos, mas ai daquele homem por quem vem o escândalo! Por isso, se a tua mão ou o teu pé te escandaliza, corta-o e lança-o fora de ti; melhor te e entrar na vida com um pé ou mão a menos, do que, tendo duas mãos e dois pés, ser lançado no fogo eterno" (S. Mateus, XVIII, 7-9).

f) Jesus exige abnegação, penitência e renúncia do mundo: "E chamando a si o povo com seus discípulos, disse-lhes: Se alguém me quer seguir, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Porque o que quiser salvar a sua vida[neste mundo]a perderá [a eterna]; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, a salvará. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca pela sua alma? No meio desta geração adúltera e pecadora, quem se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos" (S. Marcos, VIII, 34-38).

g) Jesus no sermão da montanha mostra as suas máximas que são diametralmente opostas à máximas do mundo: Caríssimos, aconselho que leiam e meditem este sermão do Divino Mestre, sermão este que o Evangelista São Mateus relata nos capítulos 5º, 6º e 7º.

2. QUE DISSERAM OS APÓSTOLOS SOBRE O MUNDO?

SÃO JOÃO EVANGELISTA: "Eu vos escrevo, jovens, porque sois fortes, e porque a palavra de Deus permanece em vós e porque vencestes o maligno. Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo não há nele o amor do Pai, porque tudo o que há no mundo é concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida, e isto não vem do Pai, mas do mundo. Ora o mundo passa, e a sua concupiscência com ele, mas o que faz a vontade de Deus permanece eternamente" (1 S. João, II, 14-17). Hoje se dirigem aos jovens (JMJ) com linguagem bem diferente!!!

SÃO PAULO: "E não vos conformeis com este século (=mundo), mas reformai-vos com o renovamento do vosso espírito, para que reconheçais qual é a vontade de Deus, boa, agradável e perfeita" (Rom. XII, 2). "Digo-vos pois: andai segundo o espírito de Deus e não satisfareis os desejos da carne. Porque a carne tem desejos contrários ao espírito, e o espírito desejos contrários à carne; porque estas coisas são contrárias entre si, para que não façais tudo aquilo que quereis. As obras da carne são manifestas: são o adultério, a fornicação, a impureza e a luxúria, a idolatria, os malefícios, as inimizades, as contendas, as rivalidades, as iras, as rixas, as discórdias, as seitas, as invejas, os homicídios, a embriaguez, as glutonarias e outras coisas semelhantes, sobre as quais vos previno, como já vos disse, que os fazem tais coisas não possuirão o reino de Deus"  (Gálatas, V, 16, 17 e 19-21). "Nem sequer se nomeie entre vós a fornicação ou qualquer impureza ou avareza como convém a santos; nem palavras torpes, nem loucas nem chocarrices que são coisas inconvenientes" (Efésios, V, 3-6). "Não vos deixeis seduzir; as más conversações corrompem os bons costumes". "Não reine, pois, o pecado no vosso corpo mortal de maneira que obedeçais às suas concupiscências" (Romanos, VI, 12). "E vós estáveis mortos pelos vossos delitos e pecados nos quais andastes outrora, segundo o costume deste mundo, segundo o príncipe que exerce o poder sobre este ar, espírito que agora domina sobre os filhos da incredulidade entre os quais também todos nós vivemos outrora, segundo os desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e da concupiscência e éramos por natureza filhos da ira como todos os outros"  (Efésios, II, 1-3). "Aqueles que são de Jesus Cristo crucificaram a sua carne com os seus vícios e concupiscências" (Gálatas, V, 24).

SÃO PEDRO: "Por Ele mesmo [Jesus] nos deu as maiores e mais preciosas promessas a fim de que por elas vos torneis participantes da natureza divina, fugindo da corrupção da concupiscência que há no mundo" (2 S. Pedro, I, 4). "Caríssimos, rogo-vos que, como estrangeiros e peregrinos, vós abstenhais dos desejos carnais que combatem contra a alma" (1 S. Pedro II, 11).

SÃO TIAGO: "Adúlteros, não sabeis que a amizade deste mundo é inimiga de Deus? Portanto, todo aquele que quiser ser amigo deste século constitui-se inimigo de Deus (S. Tiago, IV, 4). "A religião pura e sem mácula aos olhos de Deus e nosso Pai é essa: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições, e conservar-se puro da corrupção deste mundo" (S. Tiago, I, 27).

A Teologia Moral tradicional sempre ensinou que temos obrigação de fugir das ocasiões perigosas; ambientes onde reinam a imoralidade e a imodéstia por causa da concupiscência dos olhos e da carne: "Quem ama o perigo morre nele" (Eclesiástico, III, 27). Daí também o conselho de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Vigiai e orai para não cairdes em tentação" (S. Marcos, XIV, 38). "Não frequentes o trato com a bailarina, nem a ouças, para que não suceda pereceres à força de seus atrativos (...). "Não deixes errar os olhos pelas ruas da cidade, nem andes  vagueando pelas suas praças. Afasta os teus olhos da mulher enfeitada, e não olhes com curiosidade para a formosura alheia. Por causa da formosura da mulher pereceram muitos, e por ela se acende a concupiscência como fogo" (Eclesiástico, IX, 4, 7-9).

Aquelas que vivem em excessos de vaidades e na imodéstia devem meditar no seguinte: Se a Sagrada Escritura tem tão detalhadas e exigentes advertências contra os perigos da simples vaidade e atrativos femininos quanto mais não será exigente em relação a maldade da imodéstia feminina. Jesus disse: "Ai da pessoa que der escândalos!"

Por outro lado, aquelas pessoas que possam ficar perturbadas diante destes textos, já que são obrigadas a viver num mundo tão corrupto, queremos esclarecer que este texto da Bíblia adverte o homem contra a maldade de procurar o mal e se expor voluntariamente ao perigo. Mas se nós guardamos no coração a vontade decidida de não ofender a Deus, embora tendo que trabalhar em ambientes perigosos, tendo que andar nas ruas e praças das cidades e até que tratarmos com pessoas perigosas , nós não pecamos mesmo sendo inevitável a vista de muitas imoralidades e imodéstias, porque de um lado não procuramos estas coisas e por outro, quando se apresentam, não aceitamos. Procurar, então, mortificar a vista o quanto for possível e Deus nos dará a graça suficiente para não nos contaminarmos. E assim não perdemos também a alegria do espírito.

Coisa bem diferente é quando a pessoa procura o mal como por exemplo: se alguém sai às ruas e praças sem necessidade e já com o intuito de procurar ver o que não deve, ou vai ao baile (que foi sempre perigoso e hoje deixou de ser sem maldade), se vai ao carnaval etc., nestes casos já pecou, porque aceitou a maldade no coração. Os modernistas dizem que o que manda é o coração; os tradicionalistas dizem: sim, o que manda é o coração reto que procura fazer o que Deus manda, e evitar o que Ele proíbe.


sexta-feira, 21 de abril de 2017

A IGREJA E O MUNDO (II)


"Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo não há nele o amor do Pai, porque tudo o que há no mundo é concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida, e isto não vem do Pai, mas do mundo" ( 1 S. João, II, 15 e 16).

Desde o Concílio Vaticano II que vem se instalando e se avolumando uma desastrosa revolução dentro da Santa Madre Igreja. Na época em que escrevi este artigo já se falava em uma Nova Igreja, com uma Moral Nova e uma Liturgia Nova. Tudo mudou no sentido em que os Modernistas sempre tanto almejavam. Tivemos a grande graça de sermos orientados por um Bispo, sábio, humilde, homem de oração e de penitência, D. Antônio de Castro Mayer. Em abril de 1971 escrevia ele, citando Paulo VI: "muitos fiéis se sentem perturbados na sua fé por um acumular-se de ambiguidades, de incertezas  e de dúvidas, que atingem essa mesma fé no que ela tem de essencial. Estão neste caso os dogmas trinitário e cristológico, o mistério da Eucaristia e da Presença Real, a Igreja como instituição de salvação, o ministério sacerdotal no seio do Povo de Deus, o valor da oração e dos Sacramentos, as exigências morais que dimanam, por exemplo da indissolubilidade do matrimônio ou do respeito pela vida. Mais: até a própria autoridade divina da Escritura chega a ser posta em dúvida, em nome de uma 'desmitização radical" (Exortação Apostólica de Paulo VI, A.A.S., 63, p. 99). Comentando estas palavras do Papa Paulo VI, diz D. Mayer: "Como vedes, amados filhos, a crise na Igreja não poderia ser mais profunda. Lendo as palavras do Papa, nós nos perguntamos: que ficou de intacto no Cristianismo? pois, se não há certeza sobre o dogma trinitário, mistério fundamental da Revelação cristã, se pairam ambiguidades sobre a Pessoa adorável do Homem-Deus, Jesus Cristo, titubeia-se diante da Santíssima Eucaristia, se não se entende a Igreja como instituição de salvação, se não se sabe a que o Sacerdote entre os fiéis, nem há segurança das obrigações morais, se a oração não tem valor, nem a Sagrada Escritura, que há de Cristianismo, de Revelação cristã? (...) Depois D. Mayer mostra que havia um empenho por construir uma nova Igreja psicológica e sociológica: "Tanto mais, escreve o ínclito Bispo, quanto a Exortação do Santo Padre deixa entrever que há uma verdadeira conspiração para demolir a Igreja. É o que se deduz do trecho seguinte ao acima citado, no qual o Pontífice observa que às dúvidas, ambiguidades e incertezas na exposição positiva do dogma, somam-se o silêncio "sobre certos mistérios fundamentais do Cristianismo" e a "tendência para construir um novo cristianismo a partir de dados psicológicos e sociológicos" no qual "a vida cristã esteja destituída de elementos religiosos"(p. 99). Há, pois, continua D. Mayer, entre os fiéis, um movimento de ação dupla convergente para a formação de uma nova Igreja, que só pode ser uma nova falsa religião; de um lado, criam-se incertezas sobre os mistérios revelados; de outro, estrutura-se uma vida cristã ao sabor do espírito do século". (Carta Pastoral, "Aggiornamento e Tradição", L. "Por um Cristianismo Autêntico, p. 358 e 359).

Feita esta introdução, vamos agora ver o modo de agir dos modernistas em relação ao mundo.

No texto último citado, no fim diz D. Antônio de Castro Mayer: "Estrutura-se uma vida cristã ao sabor do espírito do século". SÉCULO é sinônimo de MUNDO no sentido explicado no texto em apreço.

É de todos evidente como a postura dos modernistas e dos tradicionalistas na Igreja, em relação ao mundo, é muito diferente. Os modernistas não se preocupam em combater o mundo; em advertir os féis contra suas máximas, seus perigos, suas seduções. O que é preciso, dizem eles, é satisfazer à mentalidade moderna. Dizem que a Igreja para não soçobrar precisa acomodar sua doutrina ao mundo de hoje. Não pode ficar parada no tempo e no espaço. Esta igreja nova estabelece a religião do homem e elimina tudo quanto possa significar uma imposição à liberdade ou uma repressão à espontaneidade humana. Desconhece assim a queda original e extenua a noção de pecado. Faz esquecer a austeridade cristã, não fala em penitência. Tem toda indulgência para o prazer mesmo venéreo, para os pecados da carne. Na vida conjugal e familiar, a religião do homem sobrepõe o prazer ao dever. Os filhos são considerados como um fardo pesado. Justificam os métodos anticoncepcionais. A moral nova é indulgente e até favorável a homossexualidade, e a co-educação. A imodéstia nos trajes, a frequentação de ambientes perigosos e pecaminosos, como: carnaval, praias, piscinas, bailes; os namoros mais indecentes e avançados, tudo isso é olhado com muita indulgência pela moral-nova da ala progressista. E como os homens ou procedem como pensam ou terminam pensando de acordo com seu procedimento, numa sociedade toda ela mergulhada na sensualidade, começam a perder a noção do bem e do mal (hoje já perderam) e a criar para si uma moral subjetiva que lhes não censure a conduta irregular. Daí a ojeriza a tudo que lhes avive a consciência do estado moralmente deplorável.  Parece que os modernistas querem tranquilizar as consciências no pecado. Como as consciências, na maioria talvez, já estejam cauterizadas, vão se familiarizando como o pecado, com os ambientes e costumes pecaminosas e bebem o pecado como por brincadeira, "per risum": "É um divertimento para o louco fazer o mal" (Prov. X, 23).

Por isto, a sociedade de hoje não tolera que se lhe fale no inferno, que se lhe lembre que o demônio existe e é o príncipe deste mundo. Não gosta que se fale em castigos. Como gostaria que tudo isso não passasse de ilusões, quer viver como se nada disso tivesse consistência. Faz como a avestruz que esconde a cabeça na areia para não ver o perigo. E além do mais, os fautores e seguidores desta moral nova dos modernistas se colocam do lado do mundo, e nisto não são incomodados pela imprensa, televisão, rádio e hoje, Internet (Mídia), mas, pelo contrário, recebem todo apoio destes meios de comunicação que, na maioria das vezes,(ainda bem que a Internet tem sua aplicação para o bem, só depende de cada um) são, na verdade, agentes do mundo. Os próprios sacerdotes da ala modernista deixam a batina e até o clergiman e se sentem assim mais à vontade no mundo participando de ambientes dissipantes e até pecaminosos. Jesus Cristo ia à casa de pecadores para convertê-los, mas estes vão a ambientes onde se cometem pecados, e os pecadores ficam ainda mais confirmados em sua enganosa tranquilidade de consciência . Mas sua verdadeira conversão torna-se menos viável.

No próximo artigo, se Deus quiser, falaremos do modo de agir da verdadeira Igreja, ou seja dos que seguem a Sagrada Escritura, segundo a interpretação dos Santos Padres, ensinamento este transmitido pelo Magistério vivo, perene e infalível da Igreja. Amém!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

A IGREJA E O MUNDO (I)


"Não ameis o mundo nem as coisas do mundo" (1 João, II, 15).

Escrevi este artigo quando ainda seminarista, ou mais precisamente, há 45 anos. Mostrei-o à S. Ex.cia Rev.ma D. Antônio de Castro Mayer, de santa memória, que, então,  bondosamente o leu e deu a sua aprovação.

 Hoje, vemos como os modernistas, mais do que nunca, dominando na Igreja, fazem uma mistura das coisas sagradas com as mundanas, como foi o fato sacrílego acontecido no carnaval deste ano em São Paulo, quando o Cardeal Odilo Pedro Scherer permitiu que o bloco carnavalesco União de Vila Maria, sob pretexto de homenagear os 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, misturasse samba com cânticos religiosos, e colocasse a imagem de Nossa Senhora Aparecida, inclusive com o manto e coroa bentos por um padre do Santuário de Aparecida, colocasse, digo, num ambiente o mais mundano e pecaminoso possível, que é o carnaval, máxime o do Brasil. Assim sendo, achei por bem publicar este artigo. Oxalá as almas possam ver onde está a verdadeira doutrina de Nosso Senhor, e, outrossim, vejam como os modernistas são realmente os maiores inimigos da Igreja.

Feita que foi esta introdução, vamos iniciar as nossas reflexões sobre este texto das Sagradas Escrituras, acima enunciado.

Demos, em primeiro lugar, a noção correta de MUNDO, sentido este expresso no texto em apreço e nos muitos outros que aqui citaremos.

Tomamos aqui o termo MUNDO  não enquanto significa as obras da criação ou o conjunto das pessoas que vivem na terra (bons e maus), mas enquanto significa o complexo daqueles que são escravos da tríplice concupiscência e cujas máximas são contrárias às de Jesus Cristo. Mundo neste último sentido é explicado pelo Apóstolo São João na sua Primeira Epístola: "Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo não há nele o amor do Pai, porque tudo o que há no mundo é concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida, e isto não vem do Pai, mas do mundo. Ora o mundo passa, e a sua concupiscência com ele, mas o que faz a vontade de Deus permanece eternamente" (1 João, II, 15-17). 

Baseados sempre nas Sagradas Escrituras e na Tradição, vamos explicar esta definição do mundo dada por S. João Evangelista.

1. CONCUPISCÊNCIA DA CARNE: Sobre ela eis o que diz São Paulo: Caminhemos como de dia, honestamente; não caindo em glutonarias e na embriaguez, não em desonestidades e dissoluções; não em contendas e emulações, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não vos ocupeis da carne em suas concupiscências" (Rom. XIII, 13 e 14). "Caminhemos como de dia, honestamente". As obras dos filhos das trevas são feitas comumente à noite. São todas as desonestidades provenientes da concupiscência da carne. É o amor desordenado dos prazeres dos sentidos. Em primeiro lugar o amor sensual ou luxúria, espalhado por todo o corpo: ver, ouvir, falar, fazer tudo aquilo que acende e alimenta as chamas do amor impuro. Também os excessos no comer e beber e a moleza da vida.

Em outras passagens, o Apóstolo mostra como devem agir os "filhos da luz": Aqueles que são de Jesus Cristo, crucificaram sua carne com seus vícios e concupiscências" (Gálatas, V, 24). Caríssimos, vede que S. Paulo não diz: "crucificaram seus vícios e concupiscências", mas "sua carne com seus vícios e concupiscências". O bom médico vai à raiz do mal. A carne, depois do pecado original, é a raiz dos males.

Ouçamos ainda S. Pedro, o primeiro Papa: "O Senhor sabe livrar os justos da tentação e reservar os maus para o dia do juízo a fim de serem atormentados, principalmente aqueles que vão atrás da carne na imunda concupiscência" (1 Pedro, II, 9 e 10).

2. CONCUPISCÊNCIA DOS OLHOS: Compreende duas coisas: a) a curiosidade doentia ou seja o desejo imoderado de ver, ouvir e conhecer o que se passa no mundo, alimentando e excitando assim a sensualidade. Neste sentido eis o que diz o Espírito Santo nas Sagradas Escrituras: "Ooliba [figura da corrupção de Jerusalém] foi aumentando sempre a fornicação porque tendo visto alguns homens pintados na parede, umas imagens dos caldeus delineadas com cores... pela concupiscência dos seus olhos concebeu por eles uma paixão louca"  (Ezequiel, XXIII, 14 e 16). "Os olhos não se fartam de ver..." (Eclesiastes I, 8). "Eu(Jesus), porém, digo-vos que todo o que olhar para uma mulher, cobiçando-a já cometeu adultério com ela no seu coração" ( S. Mateus V, 28). 

Como a concupiscência vem do mundo, este promove tudo aquilo que provoca e fomenta a concupiscência dos olhos, e através desta, a concupiscência da carne, como por exemplo: revistas pornográficas, filmes, novelas e espetáculos imorais, bailes, imodéstia no vestir, sobretudo em certos ambientes como praias, piscinas, e festas mundanas, sobressaindo entre elas o Carnaval (máxime aqui no Brasil), namoros indecentes mesmo em público, (assim eu escrevia há 45 anos, e hoje? nem preciso dizer o que são!). Entra ainda o papel da televisão, do cinema, da maioria dos jornais e hoje máxime da Internet usada para o mal, como veículos de propagação destas imoralidades.

b) A concupiscência dos olhos pode ser interpretada também como o amor desordenado do dinheiro, ou avareza. Com efeito, o dinheiro, ou apegando o homem a terra e afastando seu pensamento de Deus ou provocando o luxo e o comodismo, oferece maior facilidade para tudo aquilo que fomenta a concupiscência dos olhos e promove a concupiscência da carne. Aliás é por aí que o demônio começa como ensina S. Paulo: "Os que querem enriquecer caem na tentação e no laço do demônio e em muitos desejos inúteis e perniciosos que submergem os homens na morte e na perdição. Com efeito a raiz de todos os males é o amor do dinheiro" (1 Timóteo, VI, 9 e 10). Jesus disse: "Não procureis (com cuidados excessivos) o que haveis de comer e beber e não andeis com espírito preocupado. Porque são os homens do mundo que buscam todas estas coisas" (S. Lucas, XII, 29). E explicando a parábola do semeador diz ainda: "A semente que caiu entre espinhos, representa aqueles que ouviram a palavra, porém, vão e ficam sufocados pelos cuidados do mundo, pelas riquezas e prazeres desta vida e não dão fruto" (S. Lucas, VIII, 14).

Eis como a Sagrada Escritura fala da concupiscência dos olhos tomada no sentido de AVAREZA: "O olho do avaro não se sacia com uma porção injusta; não se fartará, enquanto não tiver consumido e secado a sua vida. O olho mau tende para o mal, e não se saciará de pão, mas estará faminto e melancólico à mesa" (Eclesiástico, XIV, 9 e 10).

3. A SOBERBA DA VIDA: É o orgulho. É primeiramente a vaidade mais vulgar que gosta da ostentação e do luxo. O dinheiro ajuda a soberba. Esquecido de Deus e entregue a si mesmo, o homem considera-se o seu próprio deus. Daí vêm: avareza, espírito de independência, egoísmo, vã complacência, vanglória, jactância, ostentação, hipocrisia etc.. O homem orgulhoso confia em si mesmo; por isso se expõe aos perigos, aos ambientes mundanos, não aceita uma norma de vida, um moral fora e acima dele. Ele mesmo é o árbitro de suas ações, ele é que determina a sua moral, o seu modo de agir. Em uma palavra: ele faz a sua religião. Compreende-se assim facilmente com o orgulhoso, que, na verdade, é rejeitado por Deus, tem o caminho aberto para toda concupiscência, entregando-se aos pecados e baixezas da carne, o que aliás constitui um castigo de seu próprio orgulho.

Vejamos apenas alguns textos da Sagrada Escritura sobre a soberba da vida: "Mas vós, pelo contrário, elevai-vos na vossa soberba" (S. Tiago, IV, 16). "O princípio da soberba do homem é afastar-se de Deus" (Eclesiástico, X, 14). "Não há coisa mais detestável do que o avarento. Por que se ensoberbece a terra e a cinza? "Tua arrogância enganou-te, assim como a soberba do teu coração" (Jeremias, CLIX, 16).

O mundo, que tem como príncipe o demônio (Cf. S. João, XII,31; XIV, 30; XVI, 11).  ) e por estandarte a tríplice concupiscência, como age? Caríssimos, depois da queda original a natureza humana é inclinada para a concupiscência que atrai e alicia, e esta é alimentada pelo mundo que por sua vez é governado pelo demônio. Estes são os três inimigos das nossas almas: o mundo, a carne, e o demônio. Eis a explicação dada pelo próprio Espírito Santo através de S. Tiago: " Cada um é tentado pela sua própria concupiscência que atrai e alicia. Depois a concupiscência quando concebeu dá à luz o pecado" (S. Tiago, I, 14). S. João diz por sua vez: "Aquele que comete o pecado é filho do demônio, porque o demônio peca desde o princípio" (1 S. João, III, 8). E no capítulo V, 19 diz: "Sabemos que somos de Deus, mas o mundo está sob o maligno". Nosso Senhor Jesus Cristo na parábola do joio explicou que é o demônio o homem inimigo que suscita os maus sobre a terra (Cf. S. Mateus, XIII, 39).

O mundo então através da tríplice concupiscência e excitado pelo demônio persegue os bons de duas maneiras:

 1 - Seduzindo-os através de suas vaidades e prazeres; promove, como vimos acima, tudo aquilo que favorece os olhares lascivos e enlaces sensuais, mas apresenta tudo isso como coisas necessárias para fomentar o amor; como úteis para a saúde, recreações, higiene, etc.. E assim, procura enganar as consciências. Depois o mundo elogia os que sabem gozar a vida. Prega o amor desordenado do prazer: "Coroemo-nos de rosas antes que elas murchem" (Sab. II, 8). É um dever sagrado, dizem os mundanos, aproveitar a mocidade, gozar a vida. O mundo seduz ainda pelos seus maus exemplos. Com mostra a trilhar o caminho largo, apresenta como argumento supremo a maioria. Todos os mandamentos se resumem neste: todo mundo faz assim; é a moda, etc..

2 - Quando não pode seduzir os bons, o mundo trata de os aterrar movendo-lhes perseguições: Assim, desviam-se da prática da religião os tímidos, metendo a riso os devotos, os que fazem penitência, os "ingênuos" que acreditam em dogmas imutáveis, motejam das mães que têm muitos filhos, e que vestem modestamente suas filhas, zombam daqueles que fogem dos ambientes perigosos: como bailes, praias, piscinas, carnaval, etc..

Já disse a Sagrada Escritura: "Aqueles que querem viver piedosamente sofrerão perseguição" (2 Timóteo, III, 11).

Diante da opressão que o mundo lhes faz, consolem-se com o diz a Sagrada Escritura: Em realidade se Deus não perdoou ao mundo antigo; mas somente salvou com outros sete a Noé, pregador da justiça, quando fez vir o dilúvio sobre o mundo dos ímpios, e se condenou a uma total ruína as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as as cinzas para servir de exemplo aqueles que venham a viver impiamente, se, enfim, livrou o justo Lot oprimido pelas injúrias e pelo viver luxurioso destes infames (esse justo que habitava entre eles sentia diariamente a sua alma atormentada, vendo e ouvindo as suas obras iníquas), é porque o Senhor sabe livrar os justos da tentação e reservar os maus para o dia do juízo, a fim de serem atormentados, principalmente aqueles que vão atrás da carne na imunda concupiscência e desprezam a soberania (de Cristo)" (2 S. Pedro, II, 4-10).
Caríssimos, desculpem-me por eu ter me estendido demais. Mas, na verdade, o artigo ainda continua.  Veremos ainda, se Deus quiser, o modo de agir dos modernistas e o da Tradição em relação ao mundo. Faremos depois mais dois artigos sobre A MODÉSTIA NO VESTIR. Sempre me baseando nas Sagradas Escrituras.


sexta-feira, 6 de maio de 2016

Amor de Cristo à sua Igreja segundo explicou diretamente à Santa Catarina de Sena

  Introdução: A Santa Madre Igreja é a Esposa de Cristo. Ela dispensa as graças e tem as chaves do Céu. Santa Catarina de Sena é uma apaixonada pela Santa Igreja. Vejamos alguns tópicos apenas.

   Inflamada pelo amor de Deus e desejando ardentemente a salvação das almas, Santa Catarina de Sena assim pergunta a Deus, Nosso Senhor: "Em que jardim poderei trabalhar assim? em que mesa satisfarei este desejo?"

   E o Senhor apareceu-lhe e disse: "Minha filha, é no jardim da minha Esposa e à mesa da minha Santa Cruz que tu podes fazê-lo, pelos teus sofrimentos, pela angústia do desejo, pelas vigílias, orações e por meio de esforços ativos e persistentes. Fica sabendo que nada podes desejar, para a salvação das almas, que não desejes para a Santa Igreja, visto que Ela é o corpo universal de todos aqueles que partilham da luz da Santa fé e ninguém pode ter a vida, se não estiver submetido à minha Esposa. Deves, pois, desejar ver o próximo, os cristãos, os infiéis e toda a criatura racional alimentar-se neste jardim sob o jugo da Santa Obediência... Mas agora digo-te, quero que experimentes um desejo e uma fome especiais e que estejas pronta, se for preciso, a dar a tua vida pelo corpo místico da Santa Igreja..."

   "Minha filha caríssima, continuava Nosso Senhor, que a tua aflição não tenha medida, à vista de tal cegueira e de semelhante miséria! Lembra-te de que esses infelizes foram, como tu, purificados no Sangue, que cresceram pela virtude do Sangue, que foram alimentados no Sangue no seio da Santa Igreja e hoje, ei-los! O medo fez deles revoltados! Sob pretexto de corrigir as faltas dos meus ministros, que declarei invioláveis, que lhes proibi de tocar, apartaram-se do seio de sua Mãe; qual não deve ser o teu terror e o dos meus servos, ao ouvir recordar esta miserável aliança! A tua língua não saberia dizer quanto ela é abominável a meus olhos. O pior é que, sob o manto das faltas dos meus ministros, eles procuram esconder as próprias iniquidades!"

   Ouçamos agora, Santa Catarina de Sena: "Mais uma vez, ó Pai Eterno, ofereço-Te a vida pela tua querida Esposa"... "O desejo crucificado, que eu havia recentemente concebido na presença de Deus, mergulhava-me numa dor angustiosa, porque a minha inteligência, fixando-se na Trindade, via neste abismo, ao mesmo tempo que a dignidade da criatura racional, a miséria em que o pecado mortal precipita o homem e as necessidades da Santa Igreja, que Deus me manifestava em seu seio. Mas, como ninguém pode sentir a beleza de Deus no abismo da Trindade senão por intermédio desta doce Esposa, visto que todos têm de passar pela porta de Cristo crucificado, porta que só na Igreja se encontra, eu via que esta Esposa distribui a vida; via que ela dá força e luz, que ninguém pode enfraquecê-la ou obscurecê-la, nela mesma, e que o fruto que ela deve dar, longe de vir a faltar, aumenta cada vez mais". 

   Então, o Senhor Deus Eterno dizia-lhe: "Toda esta dignidade, que a tua inteligência não  poderia compreender, procede de Mim. Repara, pois, com dor e amargura: ninguém se chega a esta Esposa senão pela roupagem externa, isto é, pelos seus bens temporais; ninguém procura nela a sua verdadeira essência, isto é, o fruto do Sangue. Quem não a adquirir com o preço da caridade, com verdadeira humildade à luz da santíssima fé esse terá parte no fruto do Sangue, não para a vida mas para a morte.  É ladrão que rouba o bem alheio, porque  o fruto do Sangue pertence aos que o compram com amor. A Igreja é amor e é por amor,  que Eu exijo aos meus servos que cada um traga o preço do amor, conforme o que cada um recebeu para administrar. Infelizmente, não encontro quem a sirva assim; parece até que ela está abandonada de todos. Mas Eu darei remédio ao mal". 

   Santa Catarina dizia, então, a Nosso Senhor: "Que posso eu fazer, ó Fogo incompreensível?"
  
   E  Nosso Senhor respondeu-lhe: "Oferece, novamente, a tua vida e não te entregues nunca ao descanso. Foi para esta missão que te destinei, a ti e a todos aqueles que te seguem e te seguirão. Esforçai-vos, pois, por nunca afrouxar, mas por intensificar os vossos desejos. A ternura do meu amor não se esquece de vos dar os meus socorros espirituais e temporais; para que as vossas almas fiquem livres de todas as preocupações, providenciarei às vossas necessidades... Consagra, pois, a tua vida, o teu coração e o teu amor, unicamente, a esta Esposa por amor de Mim sem pensar em ti". 

   Dois meses depois, morria Santa Catarina de Sena dizendo aos seus discípulos: "Filhos caríssimos, quero que não hesiteis um instante em dar a vida pelo Papa legítimo e pela Santa Igreja". 

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Igreja, Corpo Místico de Cristo

Extraído da "INSTRUÇÃO PASTORAL SOBRE A IGREJA" escrita por D. Antônio de Castro Mayer em 2 de março de 1965.


   Dizendo que a Igreja é o Corpo Místico de Cristo, indica São Paulo que hemos de conceber a sociedade instituída por Jesus Cristo à maneira do corpo humano. "Como o corpo  -  escreve o Apóstolo  -  é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também Jesus Cristo" (1 Cor. 12, 12). Com semelhante expressão, São Paulo afirma a unidade interna da Igreja, fruto do Espírito Santo, que vivifica a Igreja inteira e cada um de seus membros, como a alma dá vida ao corpo e aos membros: "Em um só Espírito fomos batizados  - continua o Apóstolo -  todos nós, para formar um só Corpo"  (1 Cor. 12, 13). É unidade que não destrói a natureza pessoal de cada fiel, mas os congrega todos pelos laços invisíveis da fé e da graça, de maneira que torna verdadeira e própria a expressão de Jesus Cristo a Saulo, perseguidor da Igreja: "Eu sou Jesus Cristo a quem persegues" (Atos 9, 5).

   A expressão do Apóstolo mostra, outrossim, que na Igreja os membros não são iguais, mas que há entre eles diferenças e subordinações, da mesma maneira que no corpo humano todos os órgãos não são os mesmos, e embora todos gozem da mesma dignidade enquanto humanos, sem embargo nem todos têm as mesmas excelências, o que não quer dizer que uns possam menosprezar os outros, porquanto todos são necessários, como necessária é a subordinação entre eles para o bem-estar do todo, e isso segundo o determinou o Criador da mesma natureza.

   É tão inata no coração do homem, após a queda, a rebeldia contra as legítimas superioridades, que São Paulo se demora em explicar aos coríntios esta verdade. As palavras do Apóstolo têm hoje igualmente grande oportunidade, pelo que vamos recordá-las: "O corpo  -  assim ele  -  não consiste em um só membro, mas em muitos [...] Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se fosse todo ouvido, onde estaria o olfato? Mas, Deus dispôs os membros do corpo, cada um como Lhe aprouve. Se todos fôssemos um só membro, onde estaria o corpo? Há, pois, muitos membros, mas um só corpo. O olho não pode dizer à mão: eu não preciso de ti; nem ainda a cabeça aos pés: vós não me sois necessários. Antes, pelo contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos, são os mais necessários. E os membros do corpo que temos por mais vis, a esses cobrimos com mais decoro. Os que em nós são menos decentes, recatamo-los com mais decência, ao passo que os membros decentes não têm necessidade de decoro" (1 Cor. 12, 14 e 17-24).